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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE GOIÁS COORDENAÇÃO DA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL CURSO SUPERIOR

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE GOIÁS COORDENAÇÃO DA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

KARLA JACKELINE DA SILVA

ESTUDO DO COMPORTAMENTO DO MÓDULO DE DEFORMAÇÃO DE CONCRETOS, COM UM ANO DE IDADE, PRODUZIDOS COM DIFERENTES TIPOS DE AGREGADOS GRAÚDOS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de Tecnólogo em Construção Civil. Prof. Orientador: Paulo Francinete Silva Júnior.

GOIÂNIA

2003

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE GOIÁS COORDENAÇÃO DA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL CURSO SUPERIOR

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE GOIÁS COORDENAÇÃO DA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

KARLA JACKELINE DA SILVA

ESTUDO DO COMPORTAMENTO DO MÓDULO DE DEFORMAÇÃO DE CONCRETOS, COM UM ANO DE IDADE, PRODUZIDOS COM DIFERENTES TIPOS DE AGREGADOS GRAÚDOS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de Tecnólogo em Construção Civil. Prof. Orientador: Paulo Francinete Silva Júnior.

GOIÂNIA

2003

Silva, Karla Jackeline da

Estudo do comportamento do módulo de deformação de concretos, com um ano de idade, produzidos com diferentes tipos de agregados graúdos - Goiânia, 2003.

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás. Coordenação da Área de Construção Civil.

1 – Concreto

2 – Módulo de Deformação

3 - Agregados

2003 / 01 / COCI

fl. 01

2003 / 01 / COCI fl. 01 CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE GOIÁS COORDENAÇÃO DA

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE GOIÁS COORDENAÇÃO DA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL

TERMO DE JULGAMENTO DE DEFESA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Aos 07 dias do mês de maio de 2003, às 19:00 horas, na Sala de Vídeo-conferência do

Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás, presente a Banca Examinadora, integrada

pelos Senhores Professores Paulo Francinete Silva Júnior, orientador da candidata, Carlos Alberto

Squeff Sahb e Edison de Almeida Manso iniciou-se a Defesa do Trabalho de Conclusão de Curso

da aluna KARLA JACKELINE DA SILVA.

Título do Trabalho: “ESTUDO DO COMPORTAMENTO DO MÓDULO DE

DEFORMAÇÃO DE CONCRETOS, COM UM ANO DE IDADE, PRODUZIDOS COM

DIFERENTES TIPOS DE AGREGADOS GRAÚDOS”.

Concluída a argüição, procedeu-se ao julgamento na forma regulamentar de acordo com a

Portaria nº 398 de 25/09/2002, tendo a Banca Examinadora considerado a candidata:

(

) REPROVADA

( ) APROVADA

(

) APROVADA COM RECOMENDAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO

para constar é lavrado o presente termo, que vai assinado pela Banca Examinadora e pela

Coordenação da Área de Construção Civil.

Goiânia, 07 de maio de 2003.

Banca Examinadora:

Prof. M.Sc. Paulo Francinete Silva Júnior

Prof. Carlos Alberto Squeff Sahb

Prof. M.Sc. Edison de Almeida Manso

Homologado em reunião do Conselho de Curso em

Conselho de Curso

/

/

Coordenador da área

Aos meus amados pais e acima de

tudo a Deus.

AGRADECIMENTOS

Ao Professor Paulo Francinete, por sua competente e dedicada orientação, por seu incentivo, por seus ensinamentos, por sua disponibilidade de tempo sempre que necessário, pela confiança que em mim depositou para que pudéssemos desenvolver juntos este trabalho, por sua amizade.

Ao Professor Carlos Alberto Squeff Sahb, por sua dedicação ao ato de dar aulas, por seus ensinamentos, por sua paciência e apoio, por seus conselhos, por sua confiança e principalmente por sua amizade ao longo do curso.

Ao Professor Renato Resende Angelim, por sua amizade e incentivo.

Aos Professores e funcionários da Coordenação de Construção Civil do CEFET-GO, por seus ensinamentos e pela amizade.

Aos bolsistas do Laboratório de Materiais de Construção Civil do CEFET-GO, pela colaboração na realização dos ensaios feitos no decorrer deste trabalho.

À Direção do CEFET-GO que através da Diretoria de Relações Empresariais e

Comunitárias e da Caixa Escolar viabilizaram financeiramente esta pesquisa, e que continuem incentivando Projetos de Pesquisa nesta Instituição de Ensino.

Aos meus tão amados e queridos pais, pelo amor, carinho e incentivo que sempre me deram para que não desanimasse e nem desistisse diante dos obstáculos da vida.

A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste

trabalho.

Principalmente a Deus.

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS i

LISTA DE TABELAS

iv

LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

v

RESUMO vi

INTRODUÇÃO

 

1

CAPÍTULO 1 - ESTRUTURA DO CONCRETO

 

5

1.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

 

5

1.2 - ESTRUTURA DA PASTA DE CIMENTO HIDRATADA

 

6

1.2.1 – Silicatos de Cálcio Hidratados

 

7

1.2.2 – Hidróxido de Cálcio

8

1.2.3 – Sulfoaluminatos de Cálcio

9

1.3 – ESTRUTURA DA FASE AGREGADO

 

10

1.4 – ZONA DE TRANSIÇÃO

 

11

CAPÍTULO 2 - MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

 

13

2.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

 

13

2.2 – TIPOS DE MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

 

13

2.3 – FATORES QUE INFLUENCIAM O MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

 

15

2.3.1 - Resistência à Compressão

 

15

2.3.2

- Agregados

 

17

2.3.3

- Idade

18

2.4

MÉTODOS

UTILIZADOS

PARA

ESTIMAR

O

MÓDULO

DE

DEFORMAÇÃO

 

19

2.4.1 – Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

 

20

2.4.2 – Comité Euro-international du Béton (CEB)

 

22

2.4.3 – American Concrete Institute (ACI)

 

22

2.4.4 – European Committee for Standardization (EUROCODE 2)

 

23

2.4.5 – SAID IRAVANI

 

23

CAPÍTULO 3 - PARTE EXPERIMENTAL

 

27

3.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

 

27

3.2 – MATERIAIS UTILIZADOS

27

3.3 – CORPOS-DE-PROVA

28

3.4 – MÉTODOS UTILIZADOS

30

3.5.1

- Justificativa das variáveis

33

CAPÍTULO 4 - RESULTADOS

36

4.1

– ANÁLISE DO MÓDULO DE DEFORMAÇÃO DO CONCRETO

39

4.1.1 – Influência do tipo de agregado

40

4.1.2 – Influência da relação água/cimento

42

4.1.3 – Influência da idade

45

4.1.4 – Influência do abatimento

47

4.2 – RELAÇÃO ENTRE MÓDULO DE DEFORMAÇÃO E RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO

49

4.3

– COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS COM AS EQUAÇÕES PROPOSTAS

PELAS NORMAS

51

4.3.1

– Considerações sobre a revisão da NBR 6118

54

CONSIDERAÇÕES FINAIS

59

APÊNDICE A

61

APÊNDICE B

74

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

78

LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Curvas tensão-deformação da pasta de cimento, do agregado e do concreto (NEVILLE,

 

6

Figura 2 - Modelo Powers-Brunauer para o gel de C-S-H (POWERS,

7

Figura 3 - Modelo Feldman-Sereda para o gel de C-S-H (FELDMAN & SEREDA, 1970)

8

Figura 4 –Micrografia eletrônica de varredura de cristais de hidróxido de cálcio (MEHTA & MONTEIRO,

9

Figura 5 - Micrografia eletrônica de varredura de cristais aciculares de etringita (MEHTA & MONTEIRO,

10

Figura 6 – Região interfacial entre partículas de agregado graúdo-matriz de cimento (DIAS & THAUMATURGO, 2000)

11

Figura 7 - Representação diagramática da zona de transição e da matriz de pasta de cimento no concreto (MEHTA & MONTEIRO,

12

Figura 8 - Representação esquemática dos módulos de deformação: tangente inicial (reta a), tangente (reta b) e secante (reta c) - NBR 8522 (ABNT, 1984)

14

Figura 9 - Relação entre módulo de deformação e resistência à compressão do concreto convencional utilizando rochas magmáticas, com Dmáx=19mm (FURNAS,

16

Figura 10 - Relação entre módulo de deformação e resistência à compressão do concreto convencional utilizando rochas metamórficas, com Dmáx=19mm (FURNAS, 1997)

16

Figura 11 - Efeito isolado da idade sobre o módulo de deformação do concreto (DAL MOLIN,

 

18

Figura 12 - Relação entre o módulo de deformação e a idade de concretos convencionais (FURNAS,

19

Figura 13 - Representação esquemática do carregamento tipo I - NBR 8522 (ABNT 1984)

30

Figura 14 - Combinação das variáveis em

32

Figura 15 - Relação entre módulo de deformação do concreto e tipo de agregado para as diferentes idades estudadas – concretos com relação a/c =

40

Figura 16 - Relação entre módulo de deformação do concreto e tipo de agregado para as diferentes idades estudadas - concretos com relação a/c =

40

i

Figura 17 - Relação entre módulo de deformação do concreto e tipo de agregado para as diferentes idades estudadas - concretos com relação a/c =

41

Figura 18 - Comparação múltipla de médias associadas ao tipo de

42

Figura 19 - Relação entre módulo de deformação e relação a/c aos 7 dias de

42

Figura 20 - Relação entre módulo de deformação e relação a/c aos 28 dias de

43

Figura 21 - Relação entre módulo de deformação e relação a/c aos 91 dias de

43

Figura 22 - Relação entre módulo de deformação e relação a/c aos 413 dias de

43

Figura 23 - Comparação múltipla de médias associadas com diferentes relações

45

Figura 24 - Relação entre módulo de deformação do concreto com a idade, relação a/c =

45

Figura 25 - Relação entre módulo de deformação do concreto com a idade, relação a/c =

46

Figura 26 - Relação entre módulo de deformação do concreto com a idade, relação a/c =

46

Figura 27 - Comparação múltipla de médias associadas com diferentes

47

Figura 28 - Relação entre módulo variaram o abatimento

de deformação do concreto e idade para concretos que

47

Figura 29 - Relação entre módulo de deformação do concreto e o

48

Figura 30 - Comparação múltipla de médias associadas com o

49

Figura 31 - Resultados médios relacionando módulo de deformação e resistência à compressão e suas respectivas

49

Figura 32 - Comparação entre os maiores resultados obtidos de módulo de deformação e resistência à compressão dos concretos

50

Figura 33 - Relação entre os resultados individuais obtidos e as curvas estabelecidas pelas

51

Figura 34 -

Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto

produzido com seixo e as curvas estabelecidas pelas normas

52

Figura 35 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com calcário e as curvas estabelecidas pelas

53

Figura 36 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com basalto e as curvas estabelecidas pelas

53

Figura 37 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com basalto e as curvas do Model Code (CEB,

54

ii

Figura 38 - Relação entre os resultados médios obtidos de módulo de deformação e as curvas da

 

55

Figura 39 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com seixo e as curvas estabelecidas pelas normas da ABNT

56

Figura 40 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com basalto e as curvas estabelecidas pelas normas da

56

Figura 41 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com calcário e as curvas estabelecidas pelas normas da

57

Figura 42 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com seixo e as curvas estabelecidas pelas normas da ABNT, sendo considerado o valor sugerido para correção do tipo de agregado na curva da NBR 6118 (ABNT, 2000)

58

Figura 43 - Comparação entre o módulo de deformação e resistência à compressão do concreto produzido com calcário e as curvas estabelecidas pelas normas da ABNT, sendo considerado o valor sugerido para correção do tipo de agregado na curva da NBR 6118 (ABNT, 2000)

58

iii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Valores de módulo obtidos experimentalmente para concreto com resistência à compressão igual a 20 MPa (FURNAS,

17

Tabela 2- Proposta de índices de correção do módulo – NBR 6118 (ABNT,

21

Tabela 3 – Equações propostas pelas normas e pesquisas

26

Tabela 4 - Caracterização do concreto no estado

29

Tabela 5 - Resultados médios de concretos no estado

37

Tabela 6 - Resultados médios de módulo de deformação do concreto em

38

Tabela 7 - Análise de Variância verificando a influência do tipo de agregado, relação a/c e idade, para uma consistência

38

Tabela 8 - Análise de Variância verificando a influência do abatimento e da

39

Tabela 9 - Efeito da alteração da relação água/cimento no módulo de deformação e na resistência à compressão do

44

Tabela 10 - Valores estabelecidos e valores sugeridos como índices de correção do tipo de

 

57

iv

LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

ACI

American Concrete Institute

ANOVA

Análise de Variância

CEB

Comité Euro-international du Béton

Dmáx

Dimensão máxima característica

Ec

Módulo de deformação do concreto

EUROCODE

European Committee

fc

Resistência à compressão do concreto

FIP

Fedération Internationale de la Précontrainte

NBR

Norma Brasileira Registrada

v

RESUMO

O trabalho aqui apresentado se insere na linha de materiais e componentes de Construção Civil, especificamente na sub-área “Tecnologia do Concreto”, tendo como tema o estudo do comportamento do módulo de deformação de concretos com 413 dias de idade, produzidos com diferentes tipos de agregados graúdos. Estabeleceu-se como variáveis no presente estudo: o tipo litológico do agregado graúdo (seixo, calcário e basalto), relação água/cimento (0,70; 0,50 e 0,35), abatimento (20 mm, 110 mm e 200 mm) e idade (7 dias, 28 dias, 91 dias e 413 dias). Constatou-se que todas as variáveis analisadas exercem um efeito significativo no módulo de deformação do concreto, porém, a variável agregado foi a que exerceu maior influência. O módulo de deformação do concreto foi determinado de acordo com a NBR 8522 (ABNT, 1984). Apresenta-se também uma comparação entre os resultados obtidos experimentalmente com as equações propostas pelas normas onde constatou-se grande diferença entre as normas estudadas. Observou-se também que a equação proposta pelo Model Code (CEB, 1990) foi a que melhor se ajustou aos resultados obtidos. Ao final é feito um estudo sobre a revisão da NBR 6118 (no âmbito do módulo de deformação do concreto), onde se sugere valores como índices de correção quando da variação do tipo litológico do agregado graúdo.

vi

1

INTRODUÇÃO

O concreto de cimento Portland é o material de construção mais utilizado para a

execução de estruturas no mundo. MEHTA & MONTEIRO (1994) estimaram que o consumo mundial de concreto em 1993 era da ordem de 5,5 bilhões de toneladas por ano.

Em 1961, J. W. KELLY, em uma convenção do American Concrete Institute, (ACI),

disse:

Ninguém pensaria em usar madeira em uma barragem, aço em pavimentação ou asfalto em estruturas de edifícios, mas o concreto é usado para cada uma dessas e em muitas outras utilizações em lugar de outros materiais de construção. Mesmo onde outro material é o principal componente de uma estrutura, o concreto é normalmente usado com ele, para certos locais da obra. Ele é usado para suportar, para vedar, para revestir e para preencher. Mais pessoas precisam conhecer melhor o concreto que outros materiais especializados.” (MEHTA & MONTEIRO, 1994)

As razões que levaram o concreto a se tornar o material de construção mais largamente

usado no mundo foram:

Versatilidade do material, ou seja, facilidade de adaptação a quaisquer tipos de formas, tamanhos e também facilidade de execução;

Custo relativamente baixo;

Excelente aderência ao aço, resultando no concreto armado;

Excelente resistência aos esforços de compressão;

Excelente resistência à água.

Apesar de o concreto como material estrutural ter um desempenho satisfatório, a expectativa é de que um produto ainda melhor esteja disponível no futuro, devido ao aperfeiçoamento de um modo geral de algumas propriedades, entre elas pode-se citar: o módulo de elasticidade, resistência à flexão, resistência à tração, resistência ao impacto e permeabilidade (MEHTA & MONTEIRO, 1994). A cada dia que passa exige-se um melhor desempenho do concreto, primeiro buscou-se obter maiores resistências e maior durabilidade, e depois um melhor desempenho de outras propriedades. Desse modo, tornou-se necessário conhecer melhor outras propriedades do concreto além da resistência à compressão.

2

Um exemplo do avanço no desempenho das propriedades do concreto se faz com a exigência dos módulos de deformação que já faz parte do cotidiano do mercado dos concretos dosado em central.

Essa exigência começou a surgir como conseqüência de algumas notícias envolvendo problemas estruturais em prédios, em virtude de deformações lentas. Para se garantirem, os calculistas passaram a colocar nos projetos a solicitação dos módulos de deformação, que foi repassada pelos construtores às empresas de serviços de concretagem. Segundo os técnicos nem sempre se consegue aliar módulos ao fck que a obra necessita. Então, é preciso fazer traços especiais. Às vezes, a pedida do módulo é superior ao fck de necessidade. Isso é difícil de explicar porque a maioria dos engenheiros de obra ainda não dominam a técnica de módulos de deformação” (INFORMATIVO TÉCNICO, 2001).

O módulo de deformação do concreto é a propriedade que determina a sua capacidade de deformação, sendo, portanto, uma das propriedades mais importantes para o cálculo das estruturas de concreto armado. A adoção de um valor incorreto do módulo de deformação no dimensionamento estrutural tem conseqüências graves que podem ser observadas em quatro aspectos: estéticos, econômicos, durabilidade e comprometimento estrutural.

Quanto aos aspectos estéticos, a ocorrência de deformações não previstas nas estruturas ocasionam desconforto visual, uma vez que estas podem ocasionar aberturas de trincas em alvenarias, divisórias e pisos. Além disso, deflexões excessivas em peças estruturais causam sensação de insegurança aos usuários.

Com relação aos aspectos econômicos, a necessidade de diminuir gastos faz com que os construtores retirem as formas da estrutura antes do período recomendado, a fim de que as mesmas possam ser reaproveitadas mais rapidamente. Assim sendo, o conhecimento do módulo de deformação é de fundamental importância, para evitar que um descimbramento precoce ocasione danos à estrutura. A NBR 6118 (ABNT, 1978), diz no item 14.2.1. que: “ a retirada das formas e do escoramento só poderá ser feita quando o concreto se achar suficientemente endurecido para resistir às ações que sobre ele atuarem e não conduzir a deformações inaceitáveis, tendo em vista o valor baixo de Ec (Módulo de Deformação do Concreto) e a maior probabilidade de grande deformação lenta quando o concreto é solicitado com pouca idade”.

No que se refere aos aspectos de durabilidade, o surgimento de fissuras em peças estruturais decorrentes das deformações excessivas, funcionam como caminhos para o

3

ingresso de agentes agressivos no interior do concreto, podendo assim, facilitar o surgimento de outras manifestações patológicas e, conseqüentemente, diminuir a vida útil da estrutura. Além disso, em geral, existe a tendência nas obras de se esconder à deformação excessiva das peças estruturais através do aumento da espessura dos revestimentos, o que ocasiona um aumento de sobrecarga não prevista no dimensionamento estrutural.

Diante do exposto anteriormente, pode-se dizer que o conhecimento do correto valor do módulo de deformação do concreto e dos fatores que o influenciam é de grande interesse dos engenheiros projetistas, assim como dos engenheiros responsáveis pela execução das obras.

Porém, mesmo sendo uma propriedade tão importante, o módulo de deformação, na prática não é medido, na maioria das vezes é determinado a partir de equações propostas pelas normas, sendo que estas equações são em função da resistência à compressão do concreto, não são propostas para todas as idades e nem todas levam em consideração o tipo do agregado.

Os objetivos do presente trabalho são:

1. Avaliar o comportamento do módulo de deformação de concretos, com 413 dias de idade, produzidos com diferentes tipos de agregados graúdos, verificando a influência da idade, da relação água/cimento e do abatimento;

2. Comparar os resultados obtidos experimentalmente de módulo de deformação de concretos com 413 dias de idade, com os valores estimados a partir das equações propostas pelos principais códigos e normas de dimensionamento de estrutura de concreto armado;

3. Confirmar as faixas de valores em que se encontra o módulo de deformação dos concretos mais comumente empregados na região metropolitana de Goiânia e realizar uma ampla divulgação dessas informações ao meio técnico local e nacional.

O trabalho aqui apresentado está dividido em quatro capítulos. No Capítulo 1,

comenta-se sobre a Estrutura Interna do Concreto. No Capítulo 2, denominado de Módulo de Deformação, apresenta-se conceitos, os fatores que influenciam o módulo de deformação e os métodos utilizados para determiná-lo. No Capítulo 3, é apresentada a parte experimental do estudo, onde são descritos os materiais e métodos utilizados, assim como, as variáveis estudadas e suas justificativas. No Capítulo 4, apresenta-se os resultados obtidos, bem como, a análise dos mesmos, verificando a influência que cada variável exerce sobre o módulo de

4

deformação do concreto. Faz-se também, uma comparação entre os resultados obtidos com os valores estimados pelas equações propostas pelas normas de dimensionamento. O trabalho encerra-se apresentando as considerações finais e sugestões para o desenvolvimento de novos trabalhos nessa linha de pesquisa.

5

CAPÍTULO 1

ESTRUTURA DO CONCRETO

1.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

A estrutura interna de um material é que dá origem às suas propriedades. Desse modo,

para um maior entendimento sobre o módulo de deformação do concreto deve-se conhecer melhor a sua estrutura interna, que é heterogênea e altamente complexa. Assim sendo, um conhecimento da estrutura e das propriedades de cada constituinte do concreto e a relação entre eles é fundamental para se exercer um certo controle sobre as propriedades do material (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

O concreto é um material obtido pela mistura de cimento Portland, agregados e água,

podendo ainda conter aditivos e adições minerais. Como já foi mencionado, o resultado dessa mistura é um sistema heterogêneo e complexo formado por três fases distintas: a pasta de cimento hidratada, resultante da reação entre cimento Portland e água; a fase formada pelos agregados e a fase denominada de zona de transição, que é a região da interface do agregado graúdo e a pasta (NEVILLE, 1997).

A pasta de cimento e o agregado, quando submetidos isoladamente a tensões, mostram

as relações entre a tensão e a deformação sensivelmente lineares, como pode ser observado na Figura 1 (NEVILLE, 1997).

6

Tensão

MPa

50 Agregado 40 Pasta de cimento Concreto 30 20 10 0 100 200 300
50
Agregado
40
Pasta de
cimento
Concreto
30
20
10
0
100
200
300

Deformação --6

Figura 1- Curvas tensão-deformação da pasta de cimento, do agregado e do concreto (NEVILLE, 1997).

Quando se mistura a pasta aos agregados, as deformações não apresentam mais

proporcionalidade com as tensões aplicadas devido, entre outras causas, as microfissuras nas

interfaces pasta/agregado. Com o aumento da tensão, as microfissuras aumentam

posicionando-se em ângulos diferentes da tensão aplicada, ocorrendo acréscimo das tensões

localizadas e, portanto, das deformações. Deste modo, a deformação cresce mais rápido que a

tensão aplicada, e o gráfico tensão-deformação do concreto mostra uma curvatura com

aparência de comportamento pseudo-plástico (NEVILLE, 1997).

Basicamente o que irá influenciar no módulo de deformação do concreto serão as

microfissuras geradas na zona de transição, devido às tensões solicitantes de carregamento

e/ou as geradas no processo de endurecimento, além da diferença entre os módulos de

deformação da pasta e do agregado (CUNHA, 2000).

1.2 - ESTRUTURA DA PASTA DE CIMENTO HIDRATADA

A nível microscópico, a pasta de cimento hidratada é formada basicamente por

silicatos de cálcio hidratados representados por C-S-H, hidróxido de cálcio (Ca(OH) 2 ),

sulfoaluminatos de cálcio e grãos de clínquer não hidratado.

7

1.2.1 – Silicatos de Cálcio Hidratados

Os silicatos de cálcio são os principais produtos resultantes da hidratação do cimento Portland e constituem de 50 a 60% do volume de sólidos de uma pasta de cimento completamente hidratado (MEHTA & MONTEIRO, 1994). Portanto, deve-se ter um conhecimento da estrutura do C-S-H para entender as propriedades físicas e mecânicas das pastas, argamassas e concretos produzidos com cimento Portland.

A estrutura interna do C-S-H é muito complexa e ainda não é totalmente conhecida. A sua morfologia varia de pouco cristalina a um reticulado cristalino (MEHTA & MONTEIRO, 1994), tornando assim, sua composição química bastante variável. Alguns modelos já foram propostos para tentar descrever esse composto. POWERS & BROWNYARD (1947) foram os primeiros a apresentar conceitos para um modelo estrutural da pasta de cimento endurecida. Mais tarde BRUNAUER (1962) fez importantes contribuições ao modelo proposto pelos dois primeiros pesquisadores, o que resultou no modelo da estrutura do C-S-H conhecido como modelo Powers-Brunauer. De acordo com este modelo o C-S-H possui uma elevada área específica e apresenta dois tipos de poros: poros de gel, que são características da própria estrutura do gel e possuem diâmetro de 1,5 ηm, o que representa 26% da porosidade total do C-S-H; e os poros capilares, de maior tamanho, que correspondem aos espaços não preenchidos pelo gel ou por outro composto sólido do sistema (POWERS, 1958). A Figura 2 apresenta este modelo.

sistema (POW ERS, 1958). A Figura 2 apresenta este modelo. Figura 2 - Modelo Powers-Brunauer para

Figura 2 - Modelo Powers-Brunauer para o gel de C-S-H (POWERS, 1958).

8

O modelo de Powers-Brunauer foi amplamente aceito, porém também recebeu críticas,

principalmente pelo fato de que este modelo não explica todas as propriedades da pasta de

cimento.

O modelo mais aceito na atualidade para descrever a estrutura do C-S-H é denominado

modelo Feldman-Sereda (FELDMAN & SEREDA, 1970). Segundo este modelo o C-S-H é formado por um arranjo irregular de lâminas dobradas de tal modo que formam vazios interlamelares que variam de 0,5 a 2,5 ηm. A dimensão desses vazios varia em função da quantidade de água entre as lâminas que formam a estrutura do C-S-H (Figura 3). De acordo com este modelo esta água presente entre as lâminas do C-S-H desempenha um importante papel no comportamento e propriedades da pasta de cimento endurecida, em especial no que diz respeito às mudanças de volume reversíveis e deformação lenta.

às mudanças de volume reversíveis e deformação lenta. Figura 3 - Modelo Feldman-Sereda para o gel

Figura 3 - Modelo Feldman-Sereda para o gel de C-S-H (FELDMAN & SEREDA, 1970).

1.2.2 – Hidróxido de Cálcio

Os cristais de hidróxido de cálcio, também chamados de Portlandita, constituem 20 a 25% do volume de sólidos da pasta hidratada. Ao contrário do C-S-H, o hidróxido de cálcio apresenta estequiometria definida, Ca(OH) 2 .

A morfologia cristalina da Portlandita varia desde formas não definidas até formas

cristalográficas hexagonais e prismáticas, como mostra a Figura 4. Essa variedade na forma cristalina é função das condições de formação (espaço disponível, temperatura de hidratação e impurezas presentes no sistema) e, em especial, da relação água/cimento (LEA, 1970; MEHTA & MONTEIRO, 1994).

9

9 Figura 4 –Micrografia eletrôni ca de varredura de cristais de hidróxido de cálcio (MEHTA &

Figura 4 –Micrografia eletrônica de varredura de cristais de hidróxido de cálcio (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

O Ca(OH) 2 pouco contribui para o desenvolvimento da resistência da pasta, porém desempenha um importante papel para a durabilidade do concreto armado, uma vez que é responsável pela elevada alcalinidade da solução dos poros do concreto, juntamente com os álcalis Na + e K + .

1.2.3 – Sulfoaluminatos de Cálcio

Os sulfoaluminatos de cálcio são provenientes da hidratação do aluminato tricálcico (C 3 A) e do ferrroaluminato tetracálcico (C 4 AF) e constituem de 15 a 20% do volume da pasta de cimento, tendo, portanto, uma menor importância nas relações estrutura-propriedade (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

Em geral, nos estágios iniciais da hidratação, o sulfoaluminato de cálcio que se precipita é o trissulfoaluminato de cálcio hidratado (AFt), também chamado de etringita, que tem uma morfologia de cristais aciculares como pode ser observado na Figura 5. Com o desenvolvimento das reações de hidratação, a etringita se torna instável e tende a se transformar em monossulfoaluminato de cálcio hidratado (Afm), que apresenta uma morfologia de placas hexagonais. A presença do monossulfoaluminato hidratado nas pastas endurecidas tornam as mesmas vulneráveis ao ataque de sulfatos (SO 4 2- ), uma vez que o

10

monossulfoaluminato pode reagir com o sulfato, resultando novamente na etringita. Esta transformação é de caráter expansivo o que resulta em tensões de tração na pasta com posterior fissuração e segregação do concreto.

Etringita 70 µm
Etringita
70 µm

Figura 5 - Micrografia eletrônica de varredura de cristais aciculares de etringita (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

1.3 – ESTRUTURA DA FASE AGREGADO

De acordo com MEHTA & MONTEIRO (1994), a fase agregado é predominantemente responsável pela massa unitária, módulo de elasticidade, e estabilidade dimensional do concreto. Sendo que estas propriedades do concreto dependem da densidade e resistência do agregado e que são determinadas por características físicas da estrutura do agregado, tais como: volume, tamanho, forma, porosidade e textura do agregado.

Constituindo a fase mais resistente da estrutura interna do concreto, esta fase não tem influência direta sobre a resistência do concreto, exceto no caso de agregados fracos e porosos. Segundo MEHTA & MONTEIRO (1994), o tamanho e a forma dos agregados podem afetar indiretamente a resistência do concreto, ou seja, quanto maior o tamanho do agregado no concreto e mais elevada a proporção de partículas chatas e alongadas, maior será a tendência do filme de água se acumular próximo à superfície do agregado, enfraquecendo assim a zona de transição pasta-agregado.

11

1.4 – ZONA DE TRANSIÇÃO

A zona de transição é a fase representada pela região interfacial entre as partículas do

agregado graúdo e a pasta de cimento, como pode ser observado na Figura 6.

e a pasta de cimento, como pode ser observado na Figura 6. Figura 6 – Região

Figura 6 – Região interfacial entre partículas de agregado graúdo-matriz de cimento (DIAS & THAUMATURGO, 2000).

A zona de transição é formada pelos mesmos compostos da pasta de cimento, no

entanto, apresenta uma microestrutura diferente desta. A razão para esta diferença é atribuída à tendência que existe de se acumular uma maior quantidade de água em volta do agregado. Como conseqüência, a porosidade da região interfacial será maior do que a da pasta de cimento (NEVILLE, 1997). Nas idades iniciais, principalmente quando ocorreu uma exsudação interna considerável, o tamanho e o volume de vazios da zona de transição são maiores do que no interior da matriz de pasta de cimento, sendo também o tamanho e a concentração dos compostos cristalinos (hidróxido de cálcio e etringita) maiores na zona de transição, como pode ser observado na Figura 7 (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

12

12 C-S-H CH Etringita Agregado Zona de transição Matriz da pasta de cimento Figura 7 -
C-S-H CH Etringita
C-S-H
CH
Etringita

Agregado

12 C-S-H CH Etringita Agregado Zona de transição Matriz da pasta de cimento Figura 7 -
12 C-S-H CH Etringita Agregado Zona de transição Matriz da pasta de cimento Figura 7 -
12 C-S-H CH Etringita Agregado Zona de transição Matriz da pasta de cimento Figura 7 -

Zona de transição

Matriz da pasta de cimento

Figura 7 - Representação diagramática da zona de transição e da matriz de pasta de cimento no concreto (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

De acordo com MEHTA & MONTEIRO (1994), a zona de transição é o “elo mais fraco” da estrutura do concreto, e é também considerada a fase de resistência limite no concreto. Pode-se dizer que é devido à presença da zona de transição que o concreto rompe a um nível de tensão mais baixo que a resistência da pasta de cimento e do agregado.

A microestrutura da zona de transição é descrita por LARBI (1993) como sendo uma película dupla de aproximadamente 1 µm de espessura, formada por uma camada de cristais

de Ca(OH) 2 e outra de C-S-H, e uma zona interfacial principal de aproximadamente 50 µm de espessura, onde se encontra C-S-H, cristais de etringita, e grandes cristais orientados de Ca(OH) 2 e nenhum sinal de cimento anidro. Ainda, segundo o referido autor, esta configuração estrutural facilita a formação de microfissuras na região.

Em geral, microfissuras e espaços vazios são relativamente comuns na zona de transição desempenhando importante papel na determinação das relações tensão-deformação no concreto. As fissuras desenvolvem-se progressivamente nessas interfaces, fazendo ângulos diferentes com a tensão aplicada, ocorrendo um acréscimo localizado das tensões. Assim, a deformação cresce proporcionalmente mais do que a tensão aplicada.

13

CAPÍTULO 2

MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

2.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

O módulo de deformação do concreto é a propriedade que determina a sua capacidade

de deformação 1 , sendo portanto uma das propriedades mais importantes para o cálculo das estruturas de concreto armado.

Embora o concreto não seja verdadeiramente um material elástico, e o gráfico tensão- deformação para incrementos contínuos de carga em geral tenha a forma de uma linha com uma suave curvatura, para fins práticos, dentro do campo das tensões normalmente adotadas para dimensionamento estrutural, é considerado linear.

2.2 – TIPOS DE MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

O módulo de deformação de um material é dado pela declividade da curva tensão-

deformação, sendo que a curva tensão-deformação do concreto é não linear, são utilizados três

métodos para calcular o módulo de deformação do concreto, dando origem aos três módulos ilustrados na Figura 8.

1 O módulo de deformação deveria chamar-se na verdade de módulo de não deformabilidade, já que o material que apresenta maior módulo tem menor capacidade de deformabilidade (exige maior tensão para ser deformado).

14

T e n s ã o ( M P a ) b a arc tang
T
e
n
s ã
o
( M
P
a
)
b
a
arc tang Etang
σ
n
c
arc tang Eo
arc tang Esec
0
, 5
0
D
e
f o
r m
a
ç ão
l

l

Figura 8 - Representação esquemática dos módulos de deformação: tangente inicial (reta a), tangente (reta b) e secante (reta c) - NBR 8522 (ABNT, 1984).

O módulo tangente inicial (Eo) é dado pela declividade de uma reta tangente à curva

tensão-deformação na origem zero do diagrama tensão-deformação, obtido de forma prática através do ensaio de módulo de deformação instantâneo, sendo utilizado para caracterizar a deformabilidade do concreto. O módulo tangente inicial está representado na Figura 8 pela reta a.

O módulo tangente a qualquer ponto (Etang), também conhecido como módulo de

deformação estática e instantâneo tangente é dado pela declividade de uma reta tangente à

curva tensão-deformação em qualquer ponto da mesma, utilizado quando há interesse na simulação da estrutura cuja carga acidental é grande em relação à carga permanente e está representado na Figura 8 pela reta b.

O módulo secante (Esec), considerado de grande importância para o cálculo estrutural,

é dado pela declividade de uma reta traçada da tensão correspondente a 0,5 MPa a um ponto da curva correspondente a 40% da tensão da carga de ruptura. Adota-se como limite superior da curva tensão-deformação o valor de 0.4fc, pois admite-se que o mesmo seja uma tensão média que corresponde às condições de serviço em uma estrutura de concreto. É utilizado

15

para simular estruturas em seu primeiro carregamento e está representado na Figura 8 pela reta c.

A relação tensão-deformação em qualquer ponto é a declividade da secante entre a origem e o ponto no qual o módulo é determinado, devido à curvatura do diagrama tensão- deformação. Geralmente, o módulo de deformação é obtido no trecho do diagrama tensão- deformação até uma fração do valor médio da tensão de ruptura do par de corpos-de-prova moldados para o ensaio de compressão.

Além desses é possível definir outros módulos tais como, módulo dinâmico de deformação, módulo sob carga de longa duração e módulo sob impacto, porém não serão decorridas discussões sobre estes.

2.3 – FATORES QUE INFLUENCIAM O MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

Geralmente, os mesmos fatores que influenciam na resistência do concreto (relação água/cimento, tipo de cura, idade), afetam de forma similar o módulo de deformação. Isto se deve ao fato de que tanto o módulo de deformação, como a resistência, é afetado pela porosidade do material, embora não na mesma proporção (MEHTA & MONTEIRO, 1994).

Além desses fatores já citados, o tipo litológico 2 do agregado graúdo e a sua dimensão máxima característica exercem influência significativa no módulo de deformação do concreto.

Discute-se a seguir os principais fatores que podem influenciar no valor do módulo de deformação do concreto.

2.3.1 - Resistência à Compressão

Sabe-se que a resistência à compressão é uma das mais importantes propriedades do concreto, e influencia de modo direto seu módulo de deformação, pois as deformações do concreto dependem em grande parte de sua resistência.

2 Referente a sua litologia, que é parte da geologia que tem por objeto o estudo das rochas.

16

Nas Figuras 9 e 10, são ilustrados os resultados de ensaio de módulo de deformação secante e a resistência à compressão para concretos convencionais. Tais resultados são apresentados de acordo com os grupos mineralógicos, contendo também os tipos litológicos de rochas correspondentes, procedência e dimensão máxima característica do agregado utilizado (FURNAS, 1997). Pode-se observar nestas figuras que o módulo de deformação não segue o mesmo padrão de crescimento da resistência à compressão, ou seja, o módulo de deformação aumenta com o crescimento do valor da resistência, porém não na mesma proporção.

60 Basalto Itaipu Basalto Itumbiara Basalto Tucuruí Granito Serra da Mesa 50 40 30 20
60
Basalto Itaipu
Basalto Itumbiara
Basalto Tucuruí
Granito Serra da Mesa
50
40
30
20
10
0
0
10
20
30
40
50
60
7 0
Módulo de Deformação (GPa)

Resistência à Compressão (MPa)

Figura 9 - Relação entre módulo de deformação e resistência à compressão do concreto convencional utilizando rochas magmáticas, com Dmáx=19mm (FURNAS, 1997).

40 35 30 25 20 15 Gnaisse Angra Gnaisse Anta Gnaisse Simplício 10 Gnaisse Sapucaia
40
35
30
25
20
15
Gnaisse Angra
Gnaisse Anta
Gnaisse Simplício
10
Gnaisse Sapucaia
Quartzito Corumbá
5
0
0
10
20
30
40
50
60
7 0
Módulo de Deformação (GPa)

Resistência à Compressão (MPa)

Figura 10 - Relação entre módulo de deformação e resistência à compressão do concreto convencional utilizando rochas metamórficas, com Dmáx=19mm (FURNAS, 1997).

17

2.3.2 - Agregados

Entre as características dos agregados graúdos que mais influenciam o módulo de deformação do concreto está o tipo litológico e a dimensão máxima característica, como pode ser observado na Tabela 1.

Tabela 1 - Valores de módulo obtidos experimentalmente para concreto com resistência à compressão igual a 20 MPa (FURNAS, 1997).

 

MÓDULO DE DEFORMAÇÃO (GPa)

TIPO LITOLÓGICO

 

Dmáx

 

19mm

38mm

76mm

152mm

Gnaisse

16.9

19.6

20.6

21.7

Basalto

29.8

21.4

24.8

26.6

Metagrauvaca

34.7

35.2

38.6

41.6

Quartzito

29.9

30.9

20.7

20.0

Granito

15.4

20.1

16.2

21.7

De acordo com MEHTA & MONTEIRO (1994), a porosidade também é outra característica do agregado graúdo que exerce grande influência sobre o módulo de deformação. Isto se deve ao fato de que, a porosidade do agregado determina a sua rigidez. Agregados densos tem módulo de deformação alto, geralmente, quanto maior a quantidade de agregado graúdo com módulo de deformação alto em uma mistura de concreto, maior será o valor de módulo de deformação desse concreto.

A composição mineralógica, a forma, a textura superficial e a granulometria também são propriedades que afetam o módulo de deformação (ISAIA, 1985; MEHTA & MONTEIRO, 1994).

18

2.3.3 - Idade

Sabe-se que a resistência à compressão do concreto aumenta com o progresso da hidratação do cimento, combinado com o fato de que a velocidade de hidratação aumenta com

o aumento da temperatura.

Na prática, a resistência do concreto é caracterizada pelo valor aos 28 dias e outras propriedades do concreto também utilizam como referência essa idade. Os concretos mais

resistentes possuem módulos de deformação crescentes com a idade, quando comparados com os de menor resistência. Sabe-se, que o valor deste módulo aumenta significativamente até os 28 dias de idade do concreto, tendo uma variação pequena nas idades maiores. DAL MOLIN (1995) observou em seus estudos que, em média, 76% do módulo de deformação aos 28 dias

é obtido em apenas 1 dia como mostra Figura 11.

40 104,2% 102,5% 35 100% 93,1% 87,1% 30 76,0% 25 20 15 10 1 3
40
104,2%
102,5%
35
100%
93,1%
87,1%
30
76,0%
25
20
15
10
1
3
7
28
63
91
Ec (GPa)

Idade (dias)

Figura 11 - Efeito isolado da idade sobre o módulo de deformação do concreto (DAL MOLIN, 1995).

A Figura 12 ilustra os resultados de ensaio de módulo de deformação secante com a idade para concretos convencionais (FURNAS, 1997). Pode-se notar um grande crescimento do valor do módulo de deformação do concreto até os 28 dias de idade, sendo que após essa idade a taxa de crescimento é menor com uma tendência para a estabilização do valor.

19

Módulo de Deformação (GPa

50 40 30 20 10 Basalto Itaipu Basalto Itumbiara Basalto Tucuruí Granito Serra da Mesa
50
40
30
20
10
Basalto Itaipu
Basalto Itumbiara
Basalto Tucuruí
Granito Serra da Mesa
0
0
50
100
150
200
250
300
350
400

Idade (dias)

Figura 12 - Relação entre o módulo de deformação e a idade de concretos convencionais (FURNAS, 1997).

2.4 – MÉTODOS UTILIZADOS PARA ESTIMAR O MÓDULO DE DEFORMAÇÃO

Mesmo sabendo que o módulo de deformação é uma propriedade tão importante, na prática não é medido, na maioria das vezes é determinado a partir de equações propostas pelas normas, sendo que estas equações são em função da resistência à compressão do concreto, não considerando a influência da idade e nem do tipo de agregado graúdo. Sabe-se porém, que o módulo de deformação varia com a idade do concreto, e as constantes destas equações são geralmente obtidas de corpos-de-prova ensaiados aos 28 dias. Observou-se ainda que estas equações não relacionam de maneira definida o módulo de deformação e a resistência à compressão quando da utilização de diferentes tipos de agregados. Verifica-se que concretos que apresentam mesma resistência à compressão, mas que são produzidos com diferentes tipos de agregados apresentam módulo de deformação diferentes. O módulo de deformação do concreto está diretamente ligado às propriedades da pasta de cimento e dos agregados e também ao método de determinação. Uma vez que, a maioria das normas estimam o módulo de deformação como uma função da resistência à compressão, determinada por testes em concretos produzidos com determinados materiais, estas expressões somente serão corretas se as misturas e materiais utilizados forem semelhantes àqueles que deram origem a expressão.

De acordo com PEREIRA NETO & DJANIKIAN (1995) as equações propostas apresentam as seguintes limitações:

20

geralmente não avaliam o efeito das diferentes propriedades dos agregados, exceto que eles podem afetar a resistência;

o valor do módulo de deformação altera com a idade do concreto e as constantes empíricas das equações são baseadas apenas em corpos-de-prova ensaiados aos 28 dias de idade;

nenhuma das equações pode avaliar o efeito das diferentes proporções das misturas;

não se descobriu ainda uma relação definitiva entre o módulo de deformação e a resistência à compressão quando o concreto é produzido com diferentes tipos de agregados.

A seguir apresenta-se como as normas e códigos estimam o módulo de deformação do

concreto, bem como as equações propostas por alguns pesquisadores.

2.4.1 – Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

NBR 6118/ 1978

A norma brasileira NBR 6118 (ABNT, 1978) que está atualmente sendo revisada para

incorporar concretos de alta resistência, sugere a seguinte equação para determinação do módulo de deformação:

E

c

=

6600*

f + 3,5 c
f
+ 3,5
c

Onde:

E = Módulo de deformação tangente inicial do concreto em MPa;

c

f =

c

Resistência

cilíndricos (MPa);

à

compressão

média

do

concreto

medida

em corpos-de-prova

Projeto de Revisão da NBR 6118 (ABNT, 2001)

21

O Texto Conclusivo do Projeto de Revisão da NBR 6118 (ABNT, 2001), determina

que o módulo de deformação tangente inicial deve ser obtido de acordo com a NBR 8522

(ABNT, 1984). No entanto, admite estimar o módulo a partir da seguinte equação:

Onde:

E c = 5600 *

fck
fck

E

c = Módulo de deformação tangente inicial do concreto em MPa;

fck = Resistência à compressão do concreto medida em corpos-de-prova em MPa.

Essa equação conduz a valores de módulos inferiores aos obtidos pela equação da norma que ainda está em vigor. A adoção desse modelo pela norma brasileira para estimar o módulo de deformação corrigirá um dos pontos mais críticos da equação em vigor que é superestimar os valores, principalmente nos concretos de maiores resistências.

O Projeto de Revisão da NBR 6118 (ABNT, 2000), apresentava a mesma equação

para estimar o módulo de deformação tangente inicial, que está presente no Texto Conclusivo

do Projeto de Revisão. Por outro lado, o Projeto de Revisão da NBR 6118 (ABNT, 2000) reconhecia a dificuldade de estabelecer um modelo único que forneça o módulo a partir da resistência à compressão que é apenas uma das variáveis em jogo. Para exemplificar apresentava uma proposta de faixas possíveis de variação do módulo de deformação inicial.

Onde :

E

c

= a1* a2 * 5600 *

fck + 3.5
fck + 3.5

a1 e a2 podem ser obtidos pela Tabela 2.

Tabela 2- Proposta de índices de correção do módulo – NBR 6118 (ABNT, 2000).

Natureza do agregado graúdo

a1

Consistência do concreto fresco

a2

Basalto e diabásico

1,1

Fluida

0,9

Granito e gnaisse

1,0

Plástica

1,0

Calcário, arenito e metassedimento

0,9

Seca

1,1

22

Esta possibilidade de corrigir o módulo de deformação do concreto em função da

natureza do agregado graúdo e consistência do concreto fresco, não está presente no Texto

Conclusivo do Projeto de Revisão da NBR 6118 (ABNT, 2001).

2.4.2 – Comité Euro-international du Béton (CEB)

Segundo o Model Code (CEB/FIP, 1990), o módulo de deformação tangente pode ser

obtido através da expressão:

Onde:

E

c

= α

e * 21500*

fck + 8 3 10
fck + 8
3
10

E

c

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto em MPa;

fck = Resistência à compressão do concreto, medida em corpos-de-prova, em MPa;

αe = Valor tabelado que vale 1,2 para basalto e diabásico; 1,0 para granito e gnaisse;

0,9 para calcário e 0,7 para arenito.

2.4.3 – American Concrete Institute (ACI)

A norma do ACI 318 (ACI, 1995) recomenda a seguinte expressão para concretos

convencionais:

E

c = 4700*

fcj
fcj

Onde:

E

c

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto em MPa;

fcj = Resistência à compressão do concreto medidos em corpos-de-prova MPa;

23

Outra equação proposta pelo ACI 318 (ACI, 1995), relaciona o módulo de deformação tangente inicial com a massa específica do concreto da seguinte maneira:

Ec

= 43*10

3

*

3 γ * fck
3
γ
* fck

Onde:

E

c

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto em MPa;

γ = massa específica do concreto;

fck = Resistência à compressão do concreto medida em corpos-de-prova, em MPa;

2.4.4 – European Committee for Standardization (EUROCODE 2)

De acordo com o EUROCODE 2 (1990), a equação para se determinar o módulo de deformação tangente inicial é:

Onde:

E

c

Ec = 9500 *

3 fck + 8
3
fck + 8

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto em MPa;

fck = Resistência à compressão do concreto medida em corpos-de-prova em MPa.

2.4.5 – SAID IRAVANI

IRAVANI (1996), que estudou as propriedades mecânicas dos concretos de alta- resistência, citou alguns estudos de outros autores que propuseram equações para a determinação do módulo de deformação do concreto, entre eles estão:

24

CARRASQUILLO et al

ACI 363R (1984) recomenda uma outra equação para o módulo de deformação sugerida por Carrasquillo et al, para concretos com resistência variando 21MPa < fcj < 83 MPa:

E

c

= 3300 *

variando 21MPa < fcj < 83 MPa: E c = 3300 * fcj + 6900 Onde:

fcj + 6900

Onde:

E

c

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto, em MPa;

fcj = Resistência à compressão do concreto, medida em corpos-de-prova, em MPa;

PAUW

Recomendou a seguinte equação para determinar o módulo de deformação do concreto em 1960, para concretos com resistência variando 25 MPa < fcj < 40MPa:

E c

= 0.043*

1.5

W

c

fcj
fcj

Onde:

E

c

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto, em MPa;

fcj = Resistência à compressão do concreto, medida em corpos-de-prova, em MPa;

Wc = massa específica do concreto (kg/m³); variando de 1500 a 2500 kg/m³

PARROT

Parrot recomenda a seguinte equação para o módulo de deformação do concreto à idade de 28 dias:

E

28

=

Co + 0.2 * fc

28

25

Onde:

E

28

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto, em MPa, aos 28 dias;

fc

28

em MPa;

= Resistência à compressão do concreto medida em corpos-de-prova

cúbicos,

Co = fator relacionado com o módulo de deformação do agregado.

a deformação do concreto à idade de t dias:

Parrot

também

recomenda

seguinte

equação

para

o

cálculo

do

módulo

de

E

t =

E

28

*(0.4

+

0.6*

ft

f

28

)

Onde:

E = Módulo de deformação tangente inicial do concreto, em MPa, aos t dias;

t

E

28

= Módulo de deformação tangente inicial do concreto, em MPa, aos 28 dias;

fc

28

em MPa;

= Resistência à compressão do concreto, medida em corpos-de-prova cúbicos,

f

t

= Resistência à compressão do concreto medida em corpos-de-prova cúbicos, em

MPa, à idade de t dias.

Resume-se então todas as equações citadas neste estudo na Tabela 3.

26

Tabela 3 – Equações propostas pelas normas e pesquisas.

REFERÊNCIA

 

EQUAÇÃO

 

NBR 6118 (ABNT, 1978)

 

E

c

=

6600 *

f + 3,5 c
f
+ 3,5
c
 

Projeto de Revisão da NBR 6118

 

E

=

a1* a2 * 5600 *

fck + 3.5
fck + 3.5

(ABNT, 2000)

c

Texto Conclusivo do Projeto de Revisão da

NBR 6118 (ABNT, 2001)

 

E

c

= 5600 *

fck
fck

CEB Model Code (CEB,1990)

 

E

c

= α

e * 21500*

fck + 8 3 10
fck + 8
3
10

ACI 318 (ACI, 1995)

 

E

c

= 4700*

fcj
fcj
 

Ec

=

43*10

3

*

3 γ * fck
3
γ
* fck
 

EUROCODE 2

 

Ec = 9500 *

3 fck + 8
3
fck + 8
 

CARRASQUILLO

 

E

c

=

3300 *

= 3300 * fcj + 6900

fcj + 6900

 

PAUW

 

E

c

= 0.043 *

1.5

W

c

fcj
fcj
 

PARROT

 

E

28

=

Co + 0.2 * fc

28

 

E t =

E

28

*(0.4

+

0.6*

ft

f

28

)

27

CAPÍTULO 3

PARTE EXPERIMENTAL 3

3.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Apresenta-se nesse capítulo os materiais utilizados para a confecção dos concretos, as variáveis estudadas, assim como suas justificativas e a metodologia empregada para o desenvolvimento da pesquisa.

3.2 – MATERIAIS UTILIZADOS

Os materiais utilizados para confecção dos concretos foram:

a) Aglomerante hidráulico: cimento Portland composto CP II F 32;

b) Agregado miúdo: areia média procedente da jazida do Rio do Peixe, município de

Faina – GO; c) Agregado graúdo:

Brita 1 Dmáx. = 19 mm (calcário proveniente do município de Cesarina – GO); Brita 1 Dmáx. = 19 mm (basalto proveniente do município de Cachoeira Dourada – GO); Seixo de leito de rio Dmáx. = 19 mm (proveniente do município de Goianésia – GO).

A caracterização física e química do cimento utilizado, bem como dos agregados pode

ser observada no trabalho de COSTA & PRADO (2001).

A Fotografia 1 apresenta amostra dos três agregados em estudo.

3 A metodologia experimental é parte integrante da pesquisa: “A Influência dos Agregados Graúdos do Estado de Goiás no Módulo de Deformação do Concreto”, iniciada no ano de 2001.

28

28 Fotografia 1 - Agregados graúdos (seixo de leito de rio, basalto e calcário). 3.3 –

Fotografia 1 - Agregados graúdos (seixo de leito de rio, basalto e calcário).

3.3 – CORPOS-DE-PROVA

Os corpos-de-prova foram moldados de acordo com a NBR 5738 (ABNT, 1984). Foram determinados 11 traços diferentes de concreto, moldou-se corpos-de-prova cilíndricos nas dimensões de 15x30 cm e 10x20 cm, como pode ser observado na Fotografia 2. Os traços e a caracterização dos concretos no estado fresco são apresentados na Tabela 4.

29

29 Fotografia 2 - Corpos-de-prova. Tabela 4 - Caracterização do concreto no estado fresco.    

Fotografia 2 - Corpos-de-prova.

Tabela 4 - Caracterização do concreto no estado fresco.

   

Massa

Teor de

Teor de

Teor de

Relação

Consumo de cimento / m³ de concreto

Consumo de água / m³ de concreto

 

Concreto

Traço Unitário

Específica

NBR-9833

ar

medido

argamassa

seca

argamassa

úmida 4

água /

material

seco

A%

Abatimento

(c:a:b) 5

a/c

(Kg/dm³)

(%)

(%)

(%)

(%)

(Kg/m³)

(Kg/m³)

mm

Seixo 0,70 1 2,69 4,17 0,7 2,351 - 46,9 56,28 8,90 274,65 192,26 90
Seixo 0,70
1
2,69
4,17
0,7
2,351
-
46,9
56,28
8,90
274,65
192,26
90

Seixo 0,50

 

1 1,68

3

0,5

2,357

 

- 47,2

56,10

8,80

383,31

191,65

120

Seixo 0,35

 

1 0,84

1,81

0,35

2,362

 

- 50,4

58,97

9,58

593,81

207,83

100

Calcário 0,70

 

1 2,71

3,22

0,7

2,361

0,700

53,5

63,29

10,10

307,73

215,41

95

Calcário 0,50-

 

1 2,25

2,64

0,5

2,393

1,600

55,2

63,23

8,48

376,06

188,03

20

20mm

Calcário 0,50-

 

1 1,81

2,39

0,5

2,382

0,800

54,0

63,09

9,61

416,90

208,45

110

110mm

Calcário 0,50-

 

1 1,43

2,07

0,5

2,342

0,900

54,0

64,09

11,11

468,37

234,18

200

200mm

Calcário 0,35

 

1 0,9

1,6

0,35

2,393

1,000

54,3

63,16

10,00

614,71

215,14

80

Basalto 0,70

 

1 2,76

3,28

0,7

2,431

0,800

53,4

64,41

9,94

310,28

217,19

120

Basalto 0,50

 

1 1,86

2,46

0,5

2,439

0,550

53,8

64,05

9,39

417,94

208,97

90

Basalto 0,35

 

1 0,9

1,6

0,35

2,443

0,600

54,3

64,49

10,00

634,70

222,14

80

4 Teor de argamassa úmida =

+ a

a

+

1 +

+ a

m

/

/

c

c

1 *100

5 (c:a:b) = cimento: areia: brita em massa.

30

3.4 – MÉTODOS UTILIZADOS

No estado endurecido o concreto foi caracterizado de acordo com os métodos a seguir:

Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos de concreto - NBR 5739 (ABNT,

1980);

Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos-de-prova cilíndricos – NBR 7222 (ABNT, 1983);

Concreto – Determinação do módulo de deformação estática e diagrama tensão- deformação - NBR 8522 (ABNT, 1984). No presente estudo foi determinado o módulo de deformação tangente inicial, utilizando o carregamento tipo I.

O carregamento tipo I estabelece que, uma vez ajustado o corpo de prova na máquina de ensaio, deve-se aplicar cinco ciclos sucessivos de carga e descarga entre o limite inferior igual a 0,5 MPa e superior igual a 30% da resistência à compressão prevista, valor este obtido através de ensaio normalizado em três corpos-de-prova. Os carregamentos e descarregamentos devem ser efetuados à velocidade de (0,5 ± 0,05) MPa/s. Após o quinto descarregamento, efetua-se uma pausa de 60 segundos mantendo constante a tensão inferior (σ inf ), ao final toma-se Lo de deformação. Imediatamente faz-se um sexto carregamento à velocidade de 0,5 ± 0,05 MPa/s, até a tensão superior (σ sup ), mantendo-a constante por 60 segundos e efetuando-se a leitura L 0,3 . Deve-se repetir, analogamente o processo descrito, um sexto descarregamento e um sétimo carregamento, obtendo-se as leituras de deformações L’o e de L0,3 . A Figura 13 mostra uma representação esquemática do ensaio.

σ Faixa de 20% de fc (Mpa) de tolerância para freal t = 60 a
σ
Faixa de 20% de fc
(Mpa)
de tolerância para freal
t = 60 a 120 s
σ sup
L 0.3
L `0.3
0.3 fc
σ inf
0.5 MPa
L 0
L`0
Tempo (s)

Figura 13 - Representação esquemática do carregamento tipo I - NBR 8522 (ABNT 1984).

31

Para a medida das deformações foram utilizados em cada corpo-de-prova dois extensômetros digitais com precisão de 0,001mm igualmente espaçados no perímetro transversal do corpo-de-prova. Os extensômetros eram conectados ao sistema de aquisição de dados da máquina de ensaios e fixados a anéis metálicos que atuavam como base de medida nos corpos-de-prova. Os anéis metálicos apresentavam espaçamento entre seus eixos igual a 135 mm. A Fotografia 3 apresenta um corpo-de-prova durante o ensaio e a aparelhagem para a medida de deformação.

o ensaio e a aparelhagem para a medida de deformação. Fotografia 3 – Corpo-de-prova durante ensaio

Fotografia 3 – Corpo-de-prova durante ensaio de determinação do módulo de deformação.

32

3.5 – VARIÁVEIS ESTUDADAS E SUAS JUSTIFICATIVAS

Na presente pesquisa foram avaliadas as seguintes variáveis:

Relação água/cimento (a/c): 0,35, 0,50 e 0,70;

Abatimento do concreto 6 : 20 mm, 110 mm e 200 mm;

Tipo do agregado: calcário, basalto e seixo de leito de rio;

Idade do concreto: 7 dias, 28 dias, 91 dias e 413 dias.

A combinação das variáveis citadas resultou em 11 concretos diferentes para estudo, conforme pode ser observado na Figura 14.

Estudo do módulo de deformação basalto calcário seixo Concreto Concreto Concreto Concreto Concreto Concreto
Estudo do módulo de deformação
basalto
calcário
seixo
Concreto
Concreto
Concreto
Concreto
Concreto
Concreto
Concreto
Concreto
Concreto
B-0.35
B-0.50
B-0.70
C-0.35
C-0.50
C-0.70
S-0.35
S-0.50
S-0.70
Abatimento
Abatimento
Abatimento
Abatimento
Abatimento
Abatimento
Abatimento
Abatimento
110mm
110mm
110mm
110mm
110mm
110mm
110mm
110mm
Abatimento
Abatimento
Abatimento
20mm
110mm
200mm

Figura 14 - Combinação das variáveis em estudo.

6 A variável abatimento somente foi estudada para o concreto de relação água/cimento igual a 0,50, produzido com agregado graúdo calcário. Todos os demais concretos tiveram abatimento fixo e igual a 110 mm.

33

3.5.1 - Justificativa das variáveis

a) Relação água/cimento

Sabe-se que a resistência de um concreto está diretamente relacionada com a relação água/cimento. Isso se deve ao fato de que quando se aumenta a relação água/cimento, o concreto fica mais poroso, afetando assim a resistência do mesmo.

Com as relações água/cimento adotadas (0,35, 0,50 e 0,70) obteve-se desde concretos pouco porosos até concretos altamente porosos, com diferentes classes de resistência para avaliar o comportamento do módulo de deformação.

b) Abatimento do concreto

O abatimento do concreto está diretamente ligado a trabalhabilidade do mesmo. Para conseguir uma trabalhabilidade diferente mantendo-se a relação água/cimento constante, varia-se a quantidade de pasta na mistura. A quantidade de pasta na mistura é um fator que influencia o módulo de deformação do concreto.

Nesta pesquisa, a variável abatimento, como já foi dito anteriormente, foi estudada no concreto com relação água/cimento igual a 0,50 produzido com o agregado graúdo calcário. Nos concretos produzidos com este agregado, além do abatimento igual a 110 mm (comum a todos os concretos produzidos) fez-se mais dois concretos, um com abatimento igual a 20 mm e outro com abatimento igual a 200 mm. A Fotografia 4 mostra a determinação da consistência do concreto pelo abatimento do tronco de cone de acordo com a NBR 7223 (ABNT, 1992).

34

34 Fotografia 4 - Determinação do abatimento do concreto. c) Tipo do agregado De acordo com

Fotografia 4 - Determinação do abatimento do concreto.

c) Tipo do agregado

De acordo com MEHTA & MONTEIRO (1994), os agregados são usualmente tratados como material de enchimento inerte no concreto. Porém, já se sabe que os agregados exercem considerável influência na determinação de algumas propriedades do concreto (estabilidade dimensional, durabilidade e módulo de deformação), questionando assim esse ponto de vista de que o agregado é apenas um material inerte.

Nos concretos que apresentam maiores resistências, resultados de ensaios têm demonstrado a grande influência que os agregados exercem no comportamento de algumas propriedades, entre elas o módulo de deformação.

Neste trabalho, estudou-se três tipos de agregados: calcário, basalto e seixo de leito de

rio.

35

d) Idade do concreto

Sabe-se que as propriedades do concreto evoluem com o passar do tempo. Deste modo, a idade do concreto é uma variável importantíssima para saber com se dá à evolução do módulo de deformação do concreto com o tempo. O conhecimento da taxa de crescimento do módulo de deformação permite que a programação de retirada de escoramento das estruturas seja planejada a fim de evitar o surgimento de deformações excessivas devido a um descimbramento precoce ou ainda evitar o escoramento por períodos prolongados, o que pode atrasar o cronograma de execução das obras.

Neste trabalho realizou-se ensaios de módulo de deformação na idade de 413 dias.

36

CAPÍTULO 4

RESULTADOS

A Tabela 5 apresenta os resultados de resistência à compressão, módulo de

deformação estática e resistência à tração por compressão diametral para cada concreto em todas as idades estudadas. Os valores apresentados representam as médias das 3 amostras adotadas para cada situação de estudo. Os resultados nas idades de 7, 28 e 91 dias são os obtidos no trabalho de COSTA & PRADO (2001).

Na Tabela 6 são mostrados os resultados obtidos de módulo de deformação para cada

concreto estudado nas idades de 7, 28, 91 e 413 dias. Os valores apresentados representam as

médias das 3 amostras adotadas para cada situação de estudo. Os resultados individuais de cada concreto estudado, acompanhados do desvio padrão e coeficiente de variação são apresentados em tabelas no Apêndice A, sendo as Tabelas 1A, 2A e 3A, respectivamente, resultados de resistência à compressão, módulo de deformação estática e resistência à tração por compressão diametral.

37

Tabela 5 - Resultados médios de concretos no estado endurecido.

 

Idade

Resistência à

Módulo de deformação (GPa)

Resistência à Tração (MPa)

Concretos

(dias)

compressão (MPa)

 

7

38,06

24,38

3,07

SEIXO 0,35

28

39,88

27,41

3,40

91

50,43

27,87

3,56

413

58,95

28,74

4,05

 

7

17,92

20,95

2,66

SEIXO 0,50

28

30,30

24,24

2,86

91

34,87

24,72

2,64

413

35,61

26,36

3,68

 

7

13,12

17,99

1,15

SEIXO 0,70

28

16,24

20,30

1,92

91

17,76

20,83

1,94

413

20,29

23,67

2,11

CALCÁRIO

7

42,91

29,18

3,87

28

51,61

31,87

4,47

0,35

91

59,09

32,64

4,36

413

65,45

34,78

5,37

CALCÁRIO 0,50 /200 mm

7

24,73

24,64

2,78

28

29,47

28,11

3,13

91

32,35

29,65

3,16

 

413

42,02

30,19

4,05

CALCÁRIO 0,50 /110 mm

7

26,87

26,85

2,63

28

35,12

28,21

3,52

91

35,22

29,40

3,05

 

413

48,51

33,68

4,30

CALCÁRIO 0,50 /20 mm

7

28,82

27,82

3,08

28

37,04

29,31

3,53

91

42,10

31,07

3,59

 

413

46,73

33,77

4,38

CALCÁRIO

7

15,33

22,18

1,92

28

19,90

25,44

2,40

0,70

91

21,34

26,62

2,47

413

20,04

28,12

2,48

BASALTO

7

32,33

35,88

3,31

28

40,82

41,22

3,40

0,35

91

43,27

40,81

4,32

413

66,72

44,73

5,50

BASALTO

7

23,87

32,36

2,72

28

30,25

34,64

3,13

0,50

91

36,70

39,03

3,56

413

43,61

40,11

4,69

BASALTO

7

14,14

26,79

1,93

28

17,93

29,37

2,29

0,70

91

21,26

33,25

2,60

413

24,03

33,56

3,19

38

Tabela 6 - Resultados médios de módulo de deformação do concreto em GPa.

   

a/c = 0,35

   

a/c = 0,50

   

a/c = 0,70

 

TIPO DE AGREGADO

7

28

91

413

7

28

91

413

7

28

91

413

dias

dias

dias

dias

dias

dias

dias

dias

dias

dias

dias

dias

BASALTO

                       

Abatimento 110 mm

35,88

41,22

40,81

44,73

32,36

34,64

39,03

40,11

26,79

29,37

33,25

33,56

 

Abatimento

                       

20 mm

-

-

-

-

27,82

29,31

31,07

33,77

-

-

-

-

CALCÁRIO

Abatimento

29,18

31,87

32,64

34,78

26,85

28,21

29,40

33,68

22,18

25,44

26,62

28,12

110

mm

Abatimento

-

-

-

-

24,64

28,11

29,65

30,19

-

-

-

-

200

mm

SEIXO 24,38 27,41 27,87 28,74 20,95 24,24 24,72 26,36 17,99 20,30 20,83 23,67 Abatimento 110
SEIXO
24,38
27,41
27,87
28,74
20,95
24,24
24,72
26,36
17,99
20,30
20,83
23,67
Abatimento 110 mm

Para verificar se as variáveis estabelecidas nesse trabalho realmente exerciam influência no módulo de deformação do concreto, realizou-se uma análise de variância (ANOVA), cujos resultados encontram-se nas Tabelas 7 e 8. O uso da análise de variância na comparação de grupos está baseado na relação da variabilidade dos resultados dentro dos grupos e da variabilidade das médias entre os grupos, e na distribuição de FISCHER (F), como nível de significância α (GOMES, 1982, NANINI & RIBEIRO, 1987). Neste estudo,

todos os testes estatísticos foram feitos adotando um nível de significância de 5% (α = 0,05).

Tabela 7 - Análise de Variância verificando a influência do tipo de agregado, relação a/c e idade, para uma consistência fixa.

FONTE

GDL

SQ

MQ

F

F

0,05

Significância

Agregado (A)

2

2621,965375

1310,982688

730,4934953

3,13

sim

Relação a/c (B)

2

1051,993592

525,9967961

293,0910085

3,13

sim

Idade (C)

3

575,90146

191,9671533

106,9661393

2,74

sim

AB

4

49,6773370