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Conto Contigo9

GRUPO I
Oralidade

Para responderes aos itens que se seguem, vais ouvir, duas vezes, um excerto
jornalístico.

https://www.msn.com/pt-pt/motor/videos/literatura-infantil-cada-vez-mais-procurada-nas-livrarias-
portuguesas/vp-BBR2IQ1

1. Seleciona (de 1.1. a 1.3.) a opção que permite obter uma afirmação adequada ao que
acabaste de ouvir.
Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. Luísa Ducla Soares escreve


(A) para leitores que se encontram em idade adulta.
(B) para um público, na sua maioria, feminino.
(C) nos tempos livres, para jovens pais.
(D) para um público, essencialmente, infantil.

1.2. As personagens dos contos de Luísa Ducla Soares


(A) apresentam traços comuns de figuras do quotidiano.
(B) são sempre figuras tranquilas e bem-educadas.
(C) são figuras que se afastam do que é vulgar e banal.
(D) são figuras convencionais cheias de humor.

1.3. Ana Sofia Fraga, num dos seus livros,


(A) estabelece uma relação de semelhança entre a melodia da ópera e o choro do seu
filho.
(B) estabelece uma relação de contraste entre as preferências musicais do seu filho e
as das outras crianças.
(C) estabelece uma relação de semelhança entre a melodia musical e o sono
tranquilo do seu filho.
(D) estabelece uma relação de contraste entre o choro do filho e a música que a mãe
tocava para o adormecer.

2. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa.


Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.
(A) Tanto Luísa Ducla Soares como Sofia Fraga começaram a criar histórias
motivadas pelo mesmo objetivo, os seus filhos.

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(B) Luísa Ducla Soares e Sofia Fraga escrevem histórias, partindo, frequentemente,
de situações do quotidiano.
(C) Os leitores dos livros das escritoras referidas situam-se dentro da mesma faixa
etária.
(D) Oferecer um livro é uma boa opção.

GRUPO II
Leitura

Livros ao deitar
Fomos ao encontro de dois escritores e de uma ilustradora que tiveram o privilégio
de ouvir histórias antes de se embrenharem no mundo dos sonhos. Contaram-nos a sua
experiência e a importância deste hábito precoce.
Provavelmente, muitos de nós passámos por uma fase inicial de escuta de literatura
5 lida pelos pais na hora de deitar. Muitas dessas histórias passaram a fazer parte de um
imaginário infantil, sendo depois catapultadas para a vida adulta, ensinando não só a
mergulhar no mundo da literatura mas também influenciando a forma como nos
relacionamos com as histórias.
José Jorge Letria nunca esqueceu o tom nem o humor que a mãe usava ao narrar-
10 lhe lendas e mitos. A mãe de Catarina Sobral lia-lhe quase todas as noites. Maria Teresa
Maia Gonzalez ouvia atentamente as histórias que o pai contava à mesa de jantar.
Episódios assim marcaram estes autores na forma como posteriormente deram azo às
histórias por eles escritas ou ilustradas.
Os tempos eram outros, o movimento editorial era pobre e com poucas alternativas,
15 mas foi assim que José Jorge Letria se deparou com os contos de Andersen e com contos
portugueses tradicionais. «Tudo contribui, de forma mais ou menos intensa, para despertar
o nosso interesse e a nossa curiosidade intelectual. Eu não escapei a essa regra de ouro.
Ensinaram-me que o livro e a leitura eram paixões de que não me afastaria.»
Maria Teresa Maia Gonzalez enveredou pela escrita de histórias infantis e juvenis
20 devido a uma memória cheia de afetos que a ligam à infância, sempre muito presente. Com
várias dezenas de livros editados, foi através de A Lua de Joana que ficou conhecida. O
pai tinha uma predileção pelas aventuras de Júlio Verne, o que a levou a lê-las de fio a
pavio; a mãe gostava de livros que se relacionassem com a natureza e tinha um gosto
especial pelas fábulas. «Lembro-me que algumas me faziam impressão, muitas são
25 dramáticas e trágicas», conta a escritora.

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Conto Contigo9

Catarina Sobral optou por seguir o mundo da ilustração e lembra-se que os livros
que mais a influenciaram quando pequena foram Alice no País das Maravilhas, Huckleberry
Finn, Tom Sawyer, João Sem Medo e O Principezinho. «Todos eles são livros fora da
norma, com boas doses de loucura. Talvez por isso tenham ficado retidos na memória».
30 A infância é uma fase determinante para formar adultos interessados no saber. A
experiência das palavras e dos mundos que se abrem acaba por despertar o entusiasmo
pela leitura. «Podemos tornar-nos leitores compulsivos, mesmo que os nossos pais o não
sejam, mas dificilmente acontece o contrário», contou Catarina. A ilustradora gostava
especialmente de aventuras. Começou com Enid Blyton e depois Júlio Verne, seguindo-se
35 Cervantes. A sua apetência pelo desenho nunca desapareceu: «Quando começamos a
aprender a escrita, vamos desaprendendo o desenho. Às vezes, chega-se mesmo a parar
de desenhar (embora nunca se pare de escrever). Eu nunca parei de desenhar.»
A personalidade humana forma-se muito cedo e tudo o que acontece nessa altura é
fundamental para moldar o carácter e a forma como se vai encarar o mundo. «Tudo o que
40 nos fortalece a memória e o referencial cultural acaba sempre por apoiar o nosso trabalho
criativo como escritores», explica José Jorge Letria.
Elsa Garcia, Estante, n.º 5, 2015 (adaptado)

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1. As afirmações apresentadas de (A) a (E) referem-se a informações do texto.


Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas informações
surgem no texto.
(A) Maria Teresa Maia Gonzalez atribui um carácter dramático e trágico às fábulas.
(B) Ao contrário de outras pessoas, Catarina Sobral nunca deixou de desenhar.
(C) Cervantes é um dos autores que Catarina Sobral associa à aventura.
(D) A mãe de José Jorge Letria tinha o hábito de lhe contar lendas e mitos.
(E) José Jorge Letria considera que o trabalho criativo é influenciado por vários fatores.

2. Para responderes a cada item (2.1. a 2.4.), seleciona a opção que permite obter uma
afirmação adequada ao sentido do texto. Escreve o número do item e a letra que
identifica a opção escolhida.

2.1. Segundo a informação das linhas 1 a 8 (1.º e 2.º parágrafos), a leitura de histórias ao
deitar é importante, entre outras razões, porque
(A) estimula o interesse pelo universo literário.
(B) contribui para a formação de bons escritores.
(C) desenvolve a capacidade de memorização.
(D) garante a formação de futuros bons leitores.

2.2. Na infância de José Jorge Letria,


(A) os livros tinham fraca qualidade.
(B) havia pouca diversidade de livros.
(C) os livros eram pouco interessantes.
(D) havia livros com preços acessíveis.

2.3. Catarina Sobral acredita que os hábitos de leitura das crianças


(A) dependem do tipo de livros que os pais lhes leem na infância.
(B) tendem a ser um reflexo dos hábitos de leitura dos pais.
(C) tendem a reproduzir os gostos literários dos pais.
(D) dependem da quantidade de livros que os pais têm em casa.

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2.4. Segundo Catarina Sobral, os livros que mais a influenciaram quando era pequena
(A) são os mais adequados para o público infantil.
(B) foram escritos e ilustrados pelo mesmo autor.
(C) determinaram o seu estilo pessoal de ilustração.
(D) têm características que os tornam excecionais.

3. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa, de acordo com o sentido
do texto.
Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.
(A) Maria Teresa Maia Gonzalez leu todos os livros de aventuras de Júlio Verne.
(B) José Jorge Letria descobriu os contos de Andersen quando ainda era criança.
(C) Os episódios da infância contribuíram para o trabalho criativo dos três autores.
(D) Catarina Sobral considera Enid Blyton a melhor autora de livros de aventuras.

4. Identifica o antecedente do pronome «a» na expressão «o que a levou» (5.º parágrafo,


linha 22).
Fonte do Grupo II – Prova Final de Português, 2016, Época Especial

GRUPO III
Educação literária – PARTE A

Lê o excerto do conto “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, e a nota.

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio


arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como
se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas1. Mas
possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de
livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos
um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por
cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que
vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas
com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente
bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o
seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia:
continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
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Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura
chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de
Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-
o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela
sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia,
eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado
como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-
me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para
buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e
eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas
de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei
pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era
tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o
coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que
eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama
do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido,
enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que
ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes
aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes
ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo
que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se
cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa
a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária
daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão
silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais
estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para

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a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você
nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a
descoberta horrorizada da filha que tinha. […]
Clarice Lispector, O primeiro beijo
_____________________________
Nota: 1bala – rebuçado; pequena guloseima feita de açúcar.

1. Refere duas características da protagonista, uma física e outra psicológica, e comprova


com expressões textuais.
2. Aponta dois traços do carácter da narradora e justifica-os.
3. Explicita o sentido da frase “Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a
que ela me submetia.”.
4. Explica a reação da mãe, através da perspetiva da narradora.
5. Identifica o recurso expressivo presente na frase “Mas possuía o que qualquer criança
devoradora de histórias gostaria de ter”.

GRUPO IV
Gramática

1. Associa a palavra sublinhada nas frases da coluna A à classe e subclasse que lhe
corresponde na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(a) “Não sei.” (1) Conjunção subordinativa completiva

(b) “Ela sabia que era tempo indefinido…” (2) Conjunção subordinativa comparativa

(c) “(…) continuava a implorar-lhe emprestados os (3) Advérbio de negação


livros que ela não lia.”
(4) Pronome relativo

(5) Conjunção subordinativa consecutiva

2. Indica a função sintática desempenhada pelos constituintes sublinhados.

2.1. “Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.”

2.2. “Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer.”

2.3. “Ela toda era pura vingança (…)”.


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3. Classifica as orações destacadas nas frases seguintes.

3.1. “Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer (…)”.

3.2. “(…) continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia”.

GRUPO V
Escrita

O excerto que leste de “Felicidade Clandestina” não apresenta o seu desenlace. Dá


continuidade à ação e cria um desenlace (diferente do original) para o conto, escrevendo
um texto narrativo.
O teu texto deve ter um mínimo de 120 e um máximo de 240 palavras.

FIM

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