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UNIVERSIDADE CEUMA

ANDRESSA MOURA SOUSA

FELIPE DE SOUSA GOUVEIA

HELLEN PATRÍCIA SOARES VALE

LETÍCIA DE SOUSA SANTOS

RANIELLE PIMENTA DE OLIVEIRA

TÁCILA FEITOSA FONTELES

THAMYRES DA PAZ SOARES

BULLYING

SÃO LUIS

2019
INTRODUÇÃO

O bullying surgiu como uma modalidade de violência escolar, onde observa-


se a uma imposição de poder do indivíduo por meio de agressões/violência. O termo
bullying tem origem inglesa no qual remete a um tipo de ação que tem como objetivo
maltratar, agredir ou até mesmo inferiorizar a vítima.

Dentro do bullying é existente três tipos de agressões (modalidades). A


agressão física onde observa-se o bullying direto, que tem como principais
características usar armas, bater, chutar. Existe também o bullying verbal psicológico
que também faz parte do bullying direto, onde contém as principais características no
âmbito do insulto, deboche, ameaça, apelidos e humilhação. E o bullying indireto que
é representado por atitudes que excluem o indivíduo socialmente com indiferença e
extorsão. Mais recente começou a existir novas práticas do bullying, como exemplo
temos o "cyberbullying", que tem por finalidade perseguir e humilhar os indivíduos por
meio de artifícios eletrônicos.

O IBGE fez uma pesquisa em 2015 para observar um número base de


pessoas que já sofreram algum tipo de bullying, dentro dessa perspectiva notou-se
que 46,6% dos alunos entrevistados sofreram ou se sentiram humilhados por conta
do bullying. Esse número é preocupante já que em 2012 esse percentual era menor
(aproximadamente 35,3%) em comparação a essa nova pesquisa. O que nos mostra
como essa prática tem se tornado presente e vem se expandindo em nossa
sociedade.

CYBERBULLYING

o processo de cyberbullying pode ser compreendido como um tipo específico


de bullying que ocorre através de instrumentos tecnológicos e, sobretudo, telefones
celulares e internet, o cyberbullying é como um processo no qual alguém executa,
proativa e repetidamente, atitudes como piadas acerca de uma pessoa em contextos
virtuais ou quando um indivíduo "assedia alguém através de e-mails ou mensagens
de texto ou ainda através de postagem de tópicos sobre assuntos que a vítima não
aprecia. A intencionalidade também é uma questão destacada pelos pesquisadores
para que determinado comportamento seja caracterizado como cyberbullying e não
apenas como uma brincadeira aleatória.

O fenômeno consiste em uma relação que presume, pelo menos, dois papéis:
vítima e agressor. Entretanto, quando um adolescente exerce tanto um papel de
agressor como de vítima, pode ser delineado um perfil que o caracteriza como vítima-
agressor. Do mesmo modo como ocorre nas situações de bullying, os indivíduos que
acompanham - ou assistem - aos episódios de agressão podem ser caracterizados
como espectadores e, além disso, aqueles que por ventura se divertem ou mesmo
compartilham os episódios podem ser compreendidos como apoiadores ou
incentivadores do processo. Muitos pesquisadores têm apontado aspectos que
distinguem a vitimização entre pares que ocorre no contexto "real" (face a face) e
o cyberbullying. Nas agressões que ocorrem intramuros da escola, a vítima pode ser
capaz de prever em quais situações se encontra em risco potencial (recreio, na
ausência de figuras de autoridade, como professores e tutores, entre outros). Porém,
quando a agressão ocorre por meios eletrônicos, escapar/evitar torna-se uma tarefa
praticamente impossível. Isso ocorre uma vez que o agressor pode enviar mensagens
para o aparelho celular ou para o e-mail da vítima, bem como lhe é possível, a
qualquer hora ou momento do dia, postar vídeos e imagens constrangedoras
em blogs, sites de relacionamento social, entre outros. Além disso, muitas vezes, as
pessoas percebem o ciberespaço como impessoal, ou seja, como sendo um espaço
no qual as ideias podem ser livremente expostas, ditas e compartilhadas

A variedade de investigações já conduzidas sobre a temática situa


o cyberbullying como um fator de risco significativo para o desenvolvimento
subsequente de crianças e adolescentes. Entendido como "um tipo de bullying que
utiliza a tecnologia", estudos reportam a associação desse tipo de violência com níveis
elevados de ansiedade, uso e abuso de psicotrópicos, maior severidade de
transtornos emocionais, como a depressão, ideias ou tentativas de suicídio, prejuízos
na escola, dentre outros. Além disso, não somente as vítimas, como também os
protagonistas dos atos de cyberbullying têm maiores chances de estabelecerem
relações permeadas por conflitos, instabilidade e agressão.

Logo, faz-se urgente e necessária uma maior compreensão acerca desse


fenômeno para que seja possível o desenho de ações preventivas e interventivas
eficazes. Conforme observam Wang, Nansel e Iannotti, as pesquisas sobre
o cyberbullying ainda se encontram em uma etapa preliminar. Essa mesma
constatação foi feita por Couvillon e Ilieva, que sublinham a necessidade de esforços
para o mapeamento dos mecanismos que favorecem o surgimento e a manutenção
desse tipo de agressão entre pares.

Além de buscar verificar a prevalência do cyberbullying, estudos têm focado


em questões relacionadas aos impactos e aos fatores de risco e proteção em relação
ao fenômeno, diversas investigações associam o envolvimento no cyberbullying com
níveis elevados de sintomas de depressão, isolamento social, problemas na esfera
educacional, queixas somáticas. Di Lorenzo, discute um caso clínico de uma
adolescente de 13 anos, vítima de cyberbullying via mensagens de texto (torpedos
SMS), que apresentava sintomas depressivos graves, culminando em uma tentativa
de suicídio. Além disso, o pesquisador relatou a presença de sintomas relacionados
ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático na jovem, que também era vítima
de bullying na escola. O autor apresenta hipóteses possíveis para a compreensão da
vulnerabilidade da vítima, dentre as quais destaca o relativo descaso dos pais em
relação ao sofrimento experienciado pela adolescente, além das características
individuais apresentadas pela jovem, como timidez significativa e poucas relações de
amizade e de baixa qualidade.

O entendimento sobre as influências do "mundo virtual" no desenvolvimento


humano ainda necessita ser aprofundado. Observa-se que o uso e contato com as
TIC's não se restringe ou afeta jovens de uma cultura ou nível socioeconômico
específico e tampouco se limita a uma faixa etária - infância, pré-adolescência ou
adolescência. Muito se discute também com relação aos riscos e vantagens destes
novos recursos. Ou seja, o uso de muitos recursos tecnológicos ao mesmo tempo
(media multitasking) pode ser benéfico e estimulante aos jovens, mas, por outro lado,
pode gerar irritação, baixa produtividade, aumento de ansiedade e problemas
atencionais. No que se refere aos comportamentos agressivos, como é possível inferir
através dos estudos anteriormente descritos, o processo não é diferente e ainda
necessita ser mais estudado. O cyberbullying pode ocorrer em paralelo ao processo
do bullying, razão pela qual diversas nações têm se empenhado na elaboração de
políticas focadas especificamente no combate destes dois fenômenos em conjunto,
Assim como as diferentes formas de interação interpessoal no contexto virtual, ainda
se desconhece todas as características do cyberbullying, suas consequências em
curto, médio e longo prazo, bem como o impacto nas crenças e comportamentos dos
jovens.

A revisão de estudos realizada permite inferir que se trata de um fenômeno


que pode acarretar sérios prejuízos sociais, emocionais e cognitivos aos envolvidos,
principalmente pelo seu caráter atemporal e pela magnitude de seu alcance. Uma
vítima de cyberbullying, em geral, não tem para onde ir e se esquivar dessa violência.
O cyberbullying constitui "uma realidade da era digital" que, de acordo com Smith
(2010), é um fenômeno decorrente ou relacionado às diversas transformações que
ocorreram no século XXI. Resultado ou consequência do avanço das TIC's,
o cyberbullying é especialmente frequente entre crianças e adolescentes. Isso ocorre
porque os nativos digitais (Palfrey & Gasser, 2011) são usuários ávidos e
familiarizados com as tecnologias e internet. Entretanto, os mesmos não possuem
plenas condições de distinguir entre aquilo que a tecnologia pode representar de
positivo do que traduz-se como risco, As pesquisas sobre cyberbullying sugerem que
os jovens têm dificuldades de adequadamente dimensionar as reais consequências
de seus atos agressivos e é possível pensar que estas dificuldades sejam mais
acentuadas e graves que nos casos de bullying. Investigações enfatizam o papel do
monitoramento parental, das práticas educativas saudáveis, intervenções clínicas que
possam psicoeducar adequadamente com relação ao fenômeno, além de estímulos
variados para uma vinculação ajustada entre pais e filhos.

No que diz respeito à Psicologia e, em especial à Psicologia Clínica, torna-se


importante compreender os fatores de risco e proteção para a ocorrência
do cyberbullying, assim como crenças e comportamentos relacionados a este novo
fenômeno, visando o desenvolvimento de alternativas para a prevenção e intervenção
psicológica, É importante salientar que identificar fatores de risco e proteção implica
em uma análise aprofundada dos processos de desenvolvimento cognitivo e social
dos jovens na atualidade. Investigações enfatizam que o cyberbullying pode
prejudicar ou mesmo interromper o curso de desenvolvimento normativo dos jovens,
como em casos de suicídio relacionados à experiência de vitimização online,
Ademais, pesquisas que constataram a associação entre o cyberbullying e níveis
elevados de sintomas de depressão e ansiedade reforçam a ideia de que experenciar
o fenômeno, tanto como vítima como na qualidade de agressor, pode impactar
negativamente o curso desenvolvimental.

PERFIL DO AGRESSOR

Algumas condições familiares adversas parecem favorecer desenvolvimento


da agressividade nas crianças. Pode-se identificar a desestruturação familiar, o
relacionamento afetivo pobre, o excesso de tolerância ou de permissividade e a
prática de maus-tratos físicos ou explosões emocionais como forma de afirmação de
poder dos pais.

Fatores individuais também influem na adoção de comportamentos


agressivos: hiperatividade, impulsividade, distúrbios comportamentais, dificuldades de
atenção, baixa inteligência e desempenho escolar deficiente. O autor de bullying é
tipicamente popular e tende a envolver-se em uma variedade de comportamentos anti-
sociais, pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos, é impulsivo, vê sua
agressividade como qualidade; tem opiniões positivas sobre si mesmo, é geralmente
mais forte que seu alvo, sente prazer e satisfação em dominar, controlar e causar
danos e sofrimentos a outros. Além disso, pode existir um componente benefício em
sua conduta, como ganhos sociais e materiais. São menos satisfeitos com a escola e
a família, mais propensos ao absenteísmo e à evasão escolar e têm uma tendência
maior para apresentarem comportamentos de risco (consumir tabaco, álcool ou outras
drogas, portar armas, brigar,etc). As possibilidades são maiores em crianças ou
adolescentes que adotam atitudes anti-sociais antes da puberdade e por longo tempo.
Pode manter um pequeno grupo em torno de si, que atua como auxiliar em suas
agressões ou é indicado para agredir o alvo. Dessa forma, o autor dilui a
responsabilidade por todos ou a transfere para os seus liderados. Esses alunos,
identificados como assistentes ou seguidores, raramente tomam a iniciativa da
agressão, são inseguros ou ansiosos e se subordinam à liderança do autor para se
proteger ou pelo prazer de pertencer ao grupo dominante.

PERFIL DA VÍTIMA
Os estudiosos citam uma característica comum aos alvos de bullying: em
geral são extremamente passivos, tendem a ser inseguros e não se defendem, o
primeiro grande estudioso do comportamento bullying, afirma que as vítimas são mais
ansiosas, e inseguras, solitárias e abandonadas na escola, tem baixa autoestima e
geralmente reagem aos ataques chorando ou se retraindo.

Outra característica comum nas vítimas de bullying é ser de diferente de


alguma forma. São aqueles que se vestem de uma forma diferente, que são gordos,
ruivos ou sarnentos numa sala em que o normal não é isto, de outra raça, religião etc.
Que apresentam algum traço que os coloca em desvantagem segundo o ambiente
bem que vivem.

Os possíveis perfil das vítimas embora, é claro, não exista um perfil início:
normalmente são caladas, cautelosas, sensíveis e podem chorar facilmente; podem
ser inseguras, ter pouca confiança e sofrer de baixa autoestima; geralmente tem
poucos amigos e são socialmente isoladas.

CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING

O bullying é um fenômeno que geralmente ocorre num contexto escolar e tem


sua predominância no período que se dá o desenvolvimento da adolescência e,
embora se tenha um enfoque nesse período, as consequências advindas desse
fenômeno podem se perpetuar e se alongar à uma vida toda, portanto, isso vai
depender também das intervenções realizadas na vida desses indivíduos, tanto
vítimas como agressores.

Quando nos referimos a consequências, automaticamente nos remetemos à


ideia de causalidade. As causas que podem gerar uma situação de bullying, no
contexto escolar principalmente, são diversas e subjetivas à situação em específico.
Essas causas estão geralmente relacionadas à quando o jovem, dentro de sua
singularidade, possui características diferentes das demais, ocasionando uma
estranheza naqueles que não são acostumados ou não possuem sua educação
baseada em noções de diversidade. No entanto, é necessário que se tenha uma visão
ampla de toda e qualquer situação que possa ser considerada origem para esse
comportamento. Beane (2010, cit. por Fernandes & Seixas, 2012), identifica algumas
das possíveis motivações, entre ela está a “inveja (…); o medo de ser alvo de troça
(…); a vingança (…); e a proteção e preservação da própria imagem(…)”, sendo todos
esses fatos devendo ser considerados num contexto maior. Por fim, as consequências
da ridicularização de jovens muitas vezes mais vulneráveis, quando sem assistência,
podem ocasionar uma série de problemas interpessoais, sociais e se manifestarem
de forma física.

Em jovens vítimas de bullying são percebíveis uma maior probabilidade de


estar sujeito as questões psicológicas, como o desenvolvimento de crises de
ansiedade e depressão, originadas por sentimentos de solidão, rejeição, tristeza e
baixa autoestima na qual podem vir acompanhadas de doenças psicossomáticas
como fadiga, insônia, ausência de apetite e outros. A junção de todos esses fatores,
sem que tenha uma intervenção ou um sentimento de empatia do outro, podem
direcionar o jovem - que já está imerso em sua própria confusão, própria desse estágio
de vida, a cometer suicídio. “Para a vítima é difícil falar, pois sente vergonha e
culpabilidade. Crê que merece o que lhe aconteceu, por ser diferente dos outros”
(Urra, 2009, p. 333), dessa forma é importante estar atento às maiores ou sutis
manifestações desse fenômeno e sempre que possível interferir, a fim de que não se
gere consequências que determinem o fim ou não de uma vida.

SENTIMENTO DO ADOLESCENTE

Pode-se dizer que adolescentes subestimam a seriedade e a gravidade do


bullying. Em um estudo realizado com adolescentes, eles afirmam "ter que tolerar a
chamada brincadeira desagradável ", em nome da amizade e possivelmente, proteção
emocional de pertencer a um grupo. Outro estudo realizado chama a atenção para o
fato de as agressões verbais serem encaradas como " brincadeira" entre os
participantes, mesmo quando evolui para agressões físicas.

Alguns adolescentes tendem a revidar os apelidos com outros apelidos,


muitas vezes evoluindo para agressões físicas tornando assim, um ciclo de
agressões. Após o ato, a maioria dos agressores dizem achar graça e as vezes, sentir
um bem-estar ou satisfação quando praticam o bullying. Já as vítimas relatam ficarem
furiosas ao serem expostas à situação de agressão, defendendo-se ou ignorando as
agressões em sua maioria, e apenas uma minoria delas solicita a ajuda de um adulto.
E as testemunhas, que sentem compaixão pelo vitimado e não gosta de presenciar as
cenas de bullying, mas não fazendo nada para defendê-los por medo de se tornarem
as próximas vítimas.

Desse modo, verifica-se que o bullying pode contribuir acentuadamente para


que o um ambiente se torne conflituoso e desconfortável. Considera-se de suma
importância que um adulto possa intermediar conflitos entre pares, demonstrando
limites e respeito em relação à convivência com o outro, para a manutenção de uma
esfera saudável.

MEDIDAS PREVENTIVAS DO BULLYING

Toda a comunidade escolar é, frequentemente, envolvida e confrontada com


comportamentos agressivos/bullying, que, por serem deliberados e constantes,
podem ser duradouros no tempo (Pereira, 2002). Strecht (2004) enfatiza a importância
que todos devemos ter na prevenção do bullying referindo que, tanto nos agressores
como nos agredidos existe um traço emocional de sofrimento psíquico, e é por isso
importante a atuação dos pais, dos educadores e dos professores. Nesse sentido, a
comunidade escolar também deve criar e manter uma relação de simbiose com os
pais na educação dos filhos. E, sendo a escola um contexto que deve proporcionar o
desenvolvimento de habilidades, competências, formação e desenvolvimento de
conceitos, saberes e opiniões, tem ainda o papel fundamental de procurar alternativas
para lidar com o bullying e preveni-lo (Freire & Aires, 2012). Para Leandro (2008), a
criança possui esse direito “como candidata a uma humanidade plena” (p. 87). Assim
a difusão de competências pessoais, sociais, emocionais e relacionais, são
ensinamentos benéficos, se forem aplicados nos primeiros anos de ensino,
proporcionando aos alunos modelos alternativos de resolução de conflitos e
ferramentas que lhes permitam um crescimento e desenvolvimento saudáveis
(Cardoso, 2009).

Frequentemente visitamos instituições de ensino que acreditam realizar


programas de combate à violência sistemática. Entretanto, as formas que vivemos
nossos valores são a expressão do meio ambiente. Portanto, resta claro que até o
presente momento, as medidas que foram tomadas pelas instituições de ensino são,
no mínimo, inócuas. O crescente aumento de casos de violência presencial e virtual
nos mostram a total ausência de conhecimento sobre o que se tem na palma da mão:
smartphones, crime e poder.

O programa de prevenção e combate ao bullying em uma escola,


necessariamente, deverá conter de forma expressa e taxativa todos os objetivos
impostos pela lei 13.185/05, sendo eles: Prevenir e combater a prática do bullying em
toda a sociedade; capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a
implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do
problema; implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e
informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e
responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; fornecer assistência
psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores; integrar os meios de
comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação e
conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo; promover a
cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura
de paz e tolerância mútua.

E não basta apenas implementar o programa na instituição de ensino. Todos


os atos realizados pelos professores e coordenadores necessitam estar provados e
registrados nos órgãos competentes. Quando a lei nomeou os requisitos dos
programas de prevenção ao bullying, optou pela inclusão de numerus clausus
(elencadas em número reduzido, constituem figuras de tipo fixo, predeterminados por
lei). Portanto, não cabe ao administrador escolar inovar ou tentar “adaptar” o texto da
lei. Os nove requisitos deverão ser cumpridos e a negligência do cumprimento
acarretará a responsabilidade civil e administrativa das instituições de ensino.

A transformação do ambiente escolar parte da figura do gestor escolar – ele


é o responsável pela implantação do Programa de combate à violência sistemática.
Gestor não é aquele que possui o título, o cargo, o nome dentro de uma estrutura
corporativa. Gestor escolar é a pessoa apta a promover a implementação de valores
com a mudança da sua própria conduta. Uma única pessoa pode mudar o curso da
Humanidade – tanto para o mal (Adolf Hitler, Joseph Stalin, Gênghis Khan por
exemplo), como para o bem (Sidarta Gautama, Jesus Cristo, Maomé, Moisés – por
exemplo). É preciso entender o tempo em que vivemos, o local onde estamos e a
legislação da qual estamos (ou queremos ser) submetidos.

A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e


Adolescência (Abrapia) sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável na
escola:

 Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou


sugestões;
 Estimular os estudantes a informar os casos;
 Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao
problema;
 Criar com os estudantes: regras de disciplina para a classe em
coerência com o regimento escolar;
 Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros
casos;
 Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a
dinâmica do bullying.

Todo ambiente escolar pode apresentar esse problema. "A escola que afirma
não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua existência", diz o pediatra
Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção
à Infância e Adolescência (Abrapia). O primeiro passo é admitir que a escola é um
local passível de bullying. É necessário também informar professores e alunos sobre
o que é o problema e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática.

"A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de
formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir
contra o bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre
estudantes e na sociedade", afirma o pediatra.

REFERÊNCIAS

PIGOZI, Pamela Lamarca; MACHADO, Ana Lúcia. Bullying na Adolescência:


visão panorâmica no Brasil. Disponível em:
https://www.scielosp.org/article/csc/2015.v20n11/3509-3522/. 20(11)Nov. 2015
MARCOLINO, Emanuella de Castro et al . BULLYING: PREVALÊNCIA E
FATORES ASSOCIADOS À VITIMIZAÇÃO E À AGRESSÃO NO COTIDIANO
ESCOLAR. Texto contexto - enferm., Florianópolis , v. 27, n. 1, e5500016, 2018 .
Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
07072018000100304&lng=en&nrm=iso>. access on 02 June 2019. Epub Mar 01,
2018. http://dx.doi.org/10.1590/0104-07072018005500016

Referência: WENDT, Guilherme Welter; LISBOA, Carolina Saraiva de


Macedo. Compreendendo o fenômeno do cyberbullying. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2014000100004.
Acessado em: Abril, 2014

Fernandes, Elisabete; Henriques, Sónia; Mendes, Susana & Ribeiro,


Esperança. Bullying: Conhecer para Prevenir (2015). Millenium, 49 (jun/dez). Pp. 77-
89.