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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA ____ VARA CÍVEL DO

FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE


CURITIBA – PARANÁ.

xxxxxxxx, brasileiro, viúvo, xxx, portador do RG nº. _____, inscrito no CPF nº xxxxxx,
residente e domiciliado na Rua_________, CEP ___em na cidade de xxx. xxxxxx,
brasileira, viúva, pensionista, portadora do RG nº. ,xxxxxx inscrita no CPF nº xxxxxx,
residente e domiciliada na Rua xxxxxxx. Neste ato representado por seus advogados
xxxxxxxxx, onde receberá intimações, observando o procedimento previsto nos artigos
1200, 1242, e 1243 do Código Civil, e 178 do Código de Processo Civil, vem à
presença de Vossa Excelência propor a presente

AÇÃO DE USUCAPIÃO

em desfavor de xxxxxxx, brasileiro, casado, xxxx, inscrito no RG nº xe xxxinscrito no


CPF sob o nº xxxxx, residente e domiciliado na Rua xxxxxxxx. pelos fatos a seguir
expostos:

I – FATOS

O objeto desta ação é o terreno situado no Município de xxxx, lote nº xxx, xxxxxxxxx,
xxxx, objeto de matrícula nº xxxx do Cartório de Registro de Imóveis – xxxxº
Circunscrição da Comarca de xxxxxxxx.

Ocorre que, em .....o imóvel foi vendido pelo proprietário na época, xxxxx, pelo valor
de R$....., para os autores, entretanto, não transferiu a propriedade para o nome dos
atuais possuidores e proprietários.

Após isso, os possuidores continuaram com a posse da propriedade, pagando e arcando


com o IPTU, água, luz e outras despesas.

Mas o ex-proprietário adquiriu uma dívida no valor de R$....., e não a pagou no


determinado tempo, por conseguinte, no processo de execução fiscal de nº xxxxxxxx, a
juíza determinou que fosse penhorado dois bens, quais sejam:

· xxxxxxxxx

Um deles, já tinha sido vendido para os autores, mas como já pontuado não fora
transferido em nome dos proprietários que compraram. Razão que o imóvel foi
transferido para o nome de xxxxxxx, que arrematou em leilão na data de xxxxxxxxxx.

Entretanto, nunca teve a posse da propriedade, sendo utilizada pelos autores desde a sua
compra em data de (...).

Então se faz necessário a regularização do domínio do terreno. Tendo em vista que


possuem a posse a mais de 10 anos, comprovada por meio de contas de luz, água e
IPTU. Dito isso, comprova-se a posse mansa, pacífica e incontestada pelo lapso
temporal determinado em lei.

II - DO DIREITO
Os Autores satisfazem os requisitos do artigo 1242 do Código Civil, de Usucapião
Ordinário.

Isso por que a posse é qualificada da coisa pelo prazo legal de 10 (dez) anos.

Sob seu aspecto subjetivo, a perda da propriedade por usucapião tem a justificativa, a
renúncia presumida do titular do direito real, em favor do possuidor. Portanto, se o
proprietário de acordo com a arrematação do leilão simplesmente deixou de tomar posse
da coisa, por si só já se depreende que a falta de interesse. Já os proprietários que são os
autores, com compra e venda, tomaram a posse desde logo. Assim, entende-se que a sua
atitude foi omissa e negligente com relação à coisa, por todo tempo previsto em lei.

Já sob o aspecto objetivo da posse, ou do interesse social, a usucapião é garantia de


estabilidade dos direito reais.[1] Por que a posse garante a titularidade da propriedade, e
garantido também assim, a segurança a legitimidade dos títulos.

No aspecto processual, o levantamento dos títulos através dos séculos geraria um caos,
razão que a usucapião garante a posse e propriedade concreta do bem, de quem
efetivamente a detém.

Logo, a usucapião contribui para a paz social e progresso, gerando assim um estímulo
para a posse e uso das coisas, trazendo a função social da propriedade. E como nesse
caso, os autores exerceram a função social da propriedade, vez que a possuíram desde
logo e já tomaram a posse física. Já o proprietário por leilão nunca reivindicou a posse e
tampouco a tornou física, deixando de lado o exercício da função social.

As causas impeditivas excluem-se desde logo, segundo ao artigo 1244, pelo caso não
preencher nenhuma delas.

II.I – DO LOCAL DA COISA E DA LEGITIMIDADE PARA PROPOR A AÇÃO

A presente ação é proposta em foro da situação do bem imóvel, portanto


xxxxxxxxxxxx. Como assevera o artigo 47, do Código de Processo Civil de 2015:

“Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro
de situação da coisa.”

O novo Código mantém a regra do diploma anterior no tocante ao foro da situação da


coisa em ações envolvendo direitos reais sobre imóveis, fixando como competente o
foro da situação do imóvel, estabelecida como critério de competência absoluta.

A presente ação deve ser proposta pelo atual possuidor do imóvel, demonstrando assim
também, que o bem está em detenção do autor da demanda. Conforme artigo 1241 do
Código Civil.

I.II- NATUREZA DA AÇÃO

A ação tem como natureza a declaração de direito estabelecido pelo magistrado, que é o
que requer nesse momento, a declaração de direito de posse e propriedade. Até por que
os autores compraram a propriedade, apesar de ser leiloada depois, por negligencia do
antigo dono, que não transferiu o bem, tem-se a propriedade um dono, que a comprou,
utilizou, gozou e frui de tal terreno, e principalmente os autores se tornaram
possuidores. Segundo artigo 1241, do Código Civil, eis que:

“Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante
usucapião, a propriedade imóvel.

Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil
para o registro no Cartório de Registro de Imóveis.”

É o que se requer, a declaração de propriedade por usucapião, para que posteriormente


se consiga o devido registro.

I.III- DA APLICAÇÃO IMEDIATA DA USUCAPIÃO

Quanto ao prazo exigível e reduzido da usucapião ordinária, entende-se que á aplicação


imediata da usucapião, não se aplicando o prazo da lei anterior. Conforme enunciado da
VI Jornada de Direito Civil:

“Enunciado 564 – As normas relativas à usucapião extraordinária (art. 1.238, caput,


CC) e à usucapião ordinária (art. 1.242, caput, CC), por estabelecerem redução de prazo
em benefício do possuidor, têm aplicação imediata, não incidindo o disposto no art.
2.028 do Código Civil.”

I.IV- DOS PREENCHIMENTOS DOS REQUISITOS PARA ADMISSÃO:

Em casos de usucapião ordinários, os requisitos são: 10 anos de posse contínua e


pacífica entre presentes ou 15 anos entre ausentes, com animus domini, justo título e
boa-fé. Segundo ao artigo 1.238 do Código Civil.

A) TEORIA DE IHERING e SAVIGNY

A Teoria Subjetiva de Savigny, acredita que a posse é a união de dois elementos: o


corpus, que seria a possibilidade de disposição da coisa, e o animus, que resulta da
vontade e a intenção do possuidor de ter a coisa como sua. Onde o novo código de
processo civil, inovou, trazendo esta teoria à tona.

Assim, numa situação fática, se uma pessoa exerce sobre a coisa o poder de dispor da
forma que bem entender, e ainda, age como com a vontade de ser dono, está-se diante
da posse.

Já a outra teoria, de Ihering, não acredita no elemento subjetivo animus para que a
posse seja configurada.

Justifica o autor da teoria que o animus, por ser um elemento subjetivo, é de difícil
comprovação, e assim, somente seria necessário o elemento objetivo, o corpus, pois o
possuidor agiria da mesma forma que o proprietário.

Nesse caso concreto, aplica-se as duas teorias, tendo em vista que tanto há o elemento
corpus, por restar os autores fisicamente presentes na posse do imóvel durante todos
esses anos, e por ter a intenção, ou seja, animus, de dono, por fazer ajustes na
propriedade, residir em temporada, pagar a luz, e dizer que tem casa na praia.

Na própria constituição o requisito animus domini, vem com a expressão “possuir como
seu”, na jurisprudência se diz “posse em nome próprio”, para distinguir da posse em
nome alheio, que não gera usucapião. E no presente caso, verifica-se o ânimo de possuir
como seu e em seu nome, pois a comprou, tornou a posse física e a declarou como sua
ao longo de todos esses anos.

Senão, vejamos:

“Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou
não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.”

B) COISA HÁBIL OU SUSCETIVEL PARA USUCAPIÃO

Com relação à coisa hábil e suscetível, pode-se dizer que o imóvel, não é comercial e
tampouco bem público, razão da possibilidade da usucapião ordinária.

Já, a posse dos autores foi realizada durante todos esses anos com animus de dono, pois
há uma casa dentro do terreno dos possuidores e pagavam suas contas, habitaram e em
temporada levavam a família para passar o tempo por lá.

Como bem asseveram alguns doutrinadores:

“somente os direitos reais que recaiam em coisas usucapíveis poderão ser obtidos por
este modo de aquisição originário (seja a título de propriedade, servidão, enfiteuse,
usufruto, uso e habitação”.[2]

Farias & Rosenvald não coadunam com tal entendimento, para tanto, expõem que “da
mesma forma ninguém poderá usucapir um bem de titularidade do menor de 16 anos
de idade ou de pessoa sob regime de curatela”.[3]

“não correndo a prescrição entre ascendentes e descentes, entre marido e mulher,


entre incapazes e seus representantes, nenhum deles pode adquirir bem do outro por
usucapião. [4]

Assim, a coisa razão desta ação está totalmente livre de impedimentos impostos pela lei,
e, portanto, pode ser usucapida pelos autores.

C) A POSSE

Com relação à posse, a usucapião deve preencher alguns requisitos para que se torne
lícita, possível e determinada.

A posse é outro elemento fundamental, visto que ela deve ser exercida por determinado
tempo para que se possa usucapir uma propriedade.

A posse ad usucapionem é a posse capaz de gerar usucapião. Tem como requisito o


animus rem sibi habend ou ânimo de dono e a posse mansa e pacífica.[5]
Assim:

APELAÇÃO CÍVEL. POSSE (BENS IMÓVEIS). AÇÃO DE USUCAPIÃO.


USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. ART. 550 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916.
REQUISITOS PREENCHIDOS. Comprovado o exercício de posse mansa, pacífica,
ininterrupta e com animus domini, desde 1973, impõe-se a manutenção do julgamento
de procedência do pedido formulado na ação de usucapião. [...]” (Tribunal de Justiça do
Estado do Rio Grande do SUL – Décima Sétima Câmara Cível/ Apelação Cível Nº
70038105045/ Rel. Desembargadora Liege Puricelli Pires/ Julgado em 28.04.2011).
(destaquei).

C.1) O ÂNIMO DE DONO

O ânimo de dono é relacionado ao comportamento exercido pelo possuidor sobre o


bem. Seu comportamento deve ser um comportamento “de dono”, como se fosse o
próprio proprietário detentor da coisa, e através de suas ações, ficarem claras suas
intenções de se tornar o dono ou acreditar ser ele o dono do bem em questão.

“Não tem ânimo de dono o locatário, o comodatário e todos aqueles que exercem posse
direta sobre a coisa, sabendo que não lhe pertence e com reconhecimento do direito
dominial de outrem, obrigando-se a devolvê-la. Ressalve que é possível ocorrer a
modificação do caráter da posse, quando, acompanhando a mudança da vontade,
sobrevém uma nova causa possessionis.[6]

Assim, o comportamento dos autores até agora foi intencionalmente como dono, pois
além da compra efetuada na época, os autores além de dividirem o valor venal para
compra do imóvel, sempre cuidaram da propriedade, fazendo reparos, comprando
utensílios para dentro da casa situada no terreno, em temporada residiram no imóvel,
pagaram as devidas contas, contaram às pessoas que possuem um imóvel na região,
dentre outros fatos.

Denota-se que a propriedade está integralmente nas mãos dos autores, ora por residirem,
ora por cuidarem da propriedade.

Portanto, “marcada pelo elemento fático caracterizador da função social: é a posse


exercida a título de moradia e enriquecida pelo trabalho ou investimento”.[7]

Senão, vejamos:

POSSE VINTENARIA, COM ANIMO DE DONO, MANSA E PACIFICA, SEM


CLANDESTINIDADE, SEM PRECARIEDADE E RESISTENCIA. AÇÃO DE
USUCAPIAO PROCEDENTE E, POR VIA DE CONSEQUENCIA,
IMPROCEDENTE A REIVINDICATORIA. (Apelação Cível Nº 595164807, Sexta
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Décio Antônio Erpen, Julgado em
03/12/1996). (TJ-RS - AC: 595164807 RS, Relator: Décio Antônio Erpen, Data de
Julgamento: 03/12/1996, Sexta Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do
dia).

C.2) POSSE MANSA, PACÍFICA E CONTÍNUA


A posse mansa e pacífica é aquela que é exercida sem violência e sem oposição. Note-se
que a oposição é aquela interposta em juízo e que, se for vencida, não há falar em
oposição, continuando a posse mansa e pacífica.

A posse será mansa e pacífica quando não é perturbada pelo proprietário, ou seja, o
proprietário, que “se mantém solerte na defesa de seu domínio, falta requisito para a
usucapião, pois a lei exige que a posse do usucapiente se exerça sem oposição, vale
dizer, se exerça de maneira continua e incontestada”.

De acordo com Caio Mário da Silva Pereira:

“o possuidor não pode possuir a coisa em intervalos, intermitente, nem tela


maculada de vícios ou defeitos”. Entretanto a posse de alguém que se habilite à
usucapião pode vir a ser turbada ou esbulhada (terceiro ou proprietário), mas, não
será considerado o possuidor tirado da posse se vir a ser mantido ou restituído
para fins de contagem do lapso temporal necessário para a caracterização da
usucapião.

Segundo Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald:

“pacificação da posse cessa apenas no instante em que há oposição judicial por


parte de quem pretende retomá-la, condicionada a interrupção da usucapião ao
reconhecimento da procedência da sentença em trânsito em julgado na ação
possessória ou petitória na qual o usucapiente figura como réu.”

Logo, a posse como requisito, deve ser pacífica, mansa e contínua. Como se deu nesse
caso, isso por que os autores nunca esbulharam sempre se mantiveram na posse de
forma tranqüila, harmônica, sempre utilizando o bem, sem interrupções e artifícios
ilegais ou irregulares. De forma que o proprietário nunca pediu a retomada da
propriedade por que nunca a deteve em momento nenhum a sua posse, simplesmente
adquiriu em leilão e não a utilizou em nenhum momento, o que por si só já preenche o
requisito de que a posse utilizada pelos autores nunca compreendeu a agressão, má-fé
ou que injustiça.

Senão, vejamos:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE USUCAPIÃO ORDINÁRIA.


SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTE O PEDIDO AUTORAL (ARTIGO
269, I, DO CPC). 1. USUCAPIÃO ORDINÁRIA. PREENCHIMENTO DOS
REQUISITOS DO ART. 1.242, DO CC. POSSE MANSA E PACÍFICA POR
MAIS DE 10 ANOS. AQUISIÇÃO ONEROSA. EXISTÊNCIA DE JUSTO
TÍTULO E BOA-FÉ. CADEIA POSSESSÓRIA COMPROVADA. SENTENÇA
CORRETAMENTE LANÇADA E MANTIDA NESTA INSTÂNCIA RECURSAL. 2.
PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. 3. MANUTENÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO
DO ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJPR
- 17ª C. Cível - AC - 1342002-1 - Pitanga - Rel.: Luis Sérgio Swiech - Unânime - - J.
19.08.2015). (TJ-PR - APL: 13420021 PR 1342002-1 (Acórdão), Relator: Luis Sérgio
Swiech, Data de Julgamento: 19/08/2015, 17ª Câmara Cível, Data de Publicação: DJ:
1641 02/09/2015)
D) DECURSO DE TEMPO

O tempo da posse também é outro fator importante, pois são fixados em lei, conforme
as espécies de usucapião, variando no tempo de 5, 10 ou 15 anos, e com termo especial
tratado no dispositivo das Disposições Constitucionais Transitórias.

E a posse se deu a mais de 10 (dez) anos, como o requisito legal se pontua com relação
ao tempo. Assim, tem-se o preenchimento de tal requisito, pois o lapso temporal da
posse desde sua compra em (....) demonstra que não foi interrupta, portanto se requer a
usucapião devido ao tempo de posse.

Assim já decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul:

AÇÃO DE IMISSÃO DE POSSE JULGADA IMPROCEDENTE E AÇÃO DE


USUCAPIÃO PROCEDENTE. AÇÃO DE IMISSÃO DE POSSE. SENTENÇA
MANTIDA. Demonstrada a origem da posse, o tempo necessário e o animus
domini do apelado. Existência de requisitos ad usucapionem. Sentença mantida.
APELO DESPROVIDO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70040836876, Vigésima
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rubem Duarte, Julgado em
22/06/2011). (TJ-RS - AC: 70040836876 RS, Relator: Rubem Duarte, Data de
Julgamento: 22/06/2011, Vigésima Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça
do dia 29/06/2011)

E) JUSTO TÍTULO

Além de possuir justo título, pois além de instrumento particular de seção de direitos
(correspondente ao lote 07) e contrato de compra e venda quitado (correspondente ao
lote 07-A), mas que não foi averbado junto a matrícula do imóvel, por motivo alheio as
partes, há em anexo, comprovantes de luz, água, IPTU (anos tal); sendo que deste
consta a avaliação do imóvel como sendo R$....

Não é necessário que o justo título seja um documento perfeito mas sim hábil para
transcrição, vale dizer: titulu sou justa causa que denote a razão pela qual alguém
recebeu a coisa do precedente possuidor, ou ainda: é o fato gerador da posse, que será
examinado como a justa causa da posse do usucapiente. Em regra, é justo título todo ato
ou negócio jurídico que em tese passa transferir a propriedade, tanto assim, à aparência
de propriedade na transmissão pode constituir justo título, que está intimamente ligado à
boa-fé. O art. 1.201, parágrafo único do CC dispõe: o possuidor com justo título tem
presunção de boa-fé.

O art. 1.242, do CC exige que o possuidor tenha um justo título, ou seja, documento
capaz de transferir o domínio, não podendo este título ser absolutamente nulo.

Desta forma, os Enunciados nº 302 e 303, da IV Jornada de Direito Civil, promovida


pelo Conselho Federal de Justiça prevê que:

“302 – Art. 1.200 e 1.214. Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o
ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art.
113 do CC.
303 – Art. 1.201. Considera-se justo título para presunção relativa da boa-fé do
possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não
materializado em instrumento público ou particular. Compreensão na perspectiva da
função social da posse.”

Senão, vejamos:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE


USUCAPIÃO. PEDIDO JULGADO PROCEDENTE. OMISSÃO.
QUESTIONAMENTO A RESPEITO DA VALORAÇÃO DO CONJUNTO
PROBATÓRIO. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL. INEXISTÊNCIA DE
QUALQUER DAS HIPÓTESES ELENCADAS NO ART. 1.022 DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL. MERO INCONFORMISMO COM O RESULTADO DO
JULGAMENTO. EMBARGOS REJEITADOS. (TJPR - 17ª C.Cível - EDC - 1511170-
5/01 - Faxinal - Rel.: Lauri Caetano da Silva - Unânime - J. 16.08.2017)

USUCAPIÃO ORDINÁRIA. Compradora que comprovou, por meio da prova


oral, posse mansa e pacífica por si e seus antecessores desde 2001. Compromissos
de compra e venda que retroagem a 1995. Posse mansa e pacífica com animus
domini por mais de 10 anos. Contrato de compra e venda celebrado que serve
como justo título para fins de usucapião. Requisitos para prescrição aquisitiva
cumpridos. Aplicabilidade do artigo 1.242 do Código Civil. Sentença reformada.
Recurso provido. (TJ-SP - APL: 00002592620138260200 SP 0000259-
26.2013.8.26.0200, Relator: Ana Lucia Romanhole Martucci, Data de Julgamento:
22/10/2015, 6ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 23/10/2015).

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE USUCAPIÃO ORDINÁRIA (AR-


TIGO 1242, CC). EXTINÇÃO DO FEITO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, COM
BASE NO ARTIGO 267, IV DO CPC. 1. CARÊNCIA DA AÇÃO POR FALTA DE
INTERESSE DE AGIR. IMPERTINÊNCIA. POSSE FUNDADA EM CONTRATO
DE COMPRA E VENDA. JUSTO TÍTULO. PRECEDENTES DO STJ.
SENTENÇA CASSADA. JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DO PEDIDO INICIAL.
POSSIBILIDADE. CAUSA MADURA.ARTIGO 515, § 3º DO CPC.- A posse
fundada em contrato de compra e venda constitui justo título a legitimar o
ajuizamento de ação de usucapião, de modo que o com- prador, que dela faz uso,
não pode ser declarado carecedor da ação por falta de interesse processual. 2.
USUCAPIÃO ORDINÁRIO. PRESSUPOSTOS PREENCHI- DOS.- No mérito,
verifica-se o direito da autora à aquisição do bem por meio da prescrição aquisitiva, já
que presentes todos os preceitos do art. 1.242 do CC, autorizando, assim, o usucapião
ordinário.Apelo provido. Pedido de usucapião procedente.I - (TJPR - 18ª C.Cível - AC -
1468314-8 - Colombo - Rel.: Pericles Bellusci de Batista Pereira - Unânime - - J.
24.02.2016)(TJ-PR - APL: 14683148 PR 1468314-8 (Acórdão), Relator: Pericles
Bellusci de Batista Pereira, Data de Julgamento: 24/02/2016, 18ª Câmara Cível, Data de
Publicação: DJ: 1755 08/03/2016)

F) BOA-FÉ

E por último o possuidor deve estar de boa-fé, ou seja, ele deve ter a convicção de não
estar ofendendo um direito alheio, ou em outras palavras, a boa-fé é a integração ética
do justo título e reside na convicção de que o fenômeno jurídico gerou a transferência
da propriedade.

Caio Mário da Silva Pereira, conceitua boa-fé como a “integração ética do justo
título”, pois reside na convicção do possuidor de que o fenômeno jurídico gerou a
transmissão da propriedade.

Bem como, apresentam boa fé, pois crêem que a coisa lhe pertence, caracterizado o
ânimo de dono, tendo em vista as benfeitorias que fizeram no imóvel, e ainda o
pagamento em dia de faturas de água, luz e tributos, o que comprova o
comprometimento com este, em virtude do direito real adquirido, conforme artigo 201
do Código Civil.

Assim:

AÇÃO DE USUCAPIÃO ORDINÁRIA. Ação manejada com o intuito de


regularizar o domínio dos autores. Requerentes que adquiriram os direitos de
promitente-comprador sobre o imóvel em 1.992. Requerentes que cuidaram do
imóvel, defenderam-no em face de terceiros e pagaram os impostos, comportando-
se como donos. Irrelevante que não tenham residido no imóvel, pois exerceram a
posse mediante outras condutas similares às que teriam os donos em relação àquilo
que lhes pertence. Existência de justo título e de boa-fé. Usucapião ordinária.
Preenchimento dos requisitos do artigo 1.242 do Código Civil. Recurso provido.
(TJ-SP - APL: 00333471820108260602 SP 0033347-18.2010.8.26.0602, Relator:
Francisco Loureiro, Data de Julgamento: 26/05/2015, 1ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 28/05/2015)

II. V- DO ENUNCIADO 564

Enunciado 564 – As normas relativas à usucapião extraordinária (art. 1.238, caput, CC)
e à usucapião ordinária (art. 1.242, caput, CC), por estabelecerem redução de prazo em
benefício do possuidor, têm aplicação imediata, não incidindo o disposto no art. 2.028
do Código Civil.

Assim, a incidência de prazo decorre da atual lei vigente, e não da lei anterior, conforme
enunciado do VI Jornada de Direito Civil.

.III – DOS PEDIDOS

Diante do exposto:

· Que seja realizada a distribuição, bem como recebimento e processamento da ação de


acordo com o disposto no artigo 941 do Código de Processo Civil;

· Bem como a citação por oficial de justiça do réu, xxxxx

· E ainda a produção de todas as provas em direito admitido;

· Extinção do processo com resolução de mérito:


a) a fim de declarar a propriedade em prol de xxxx, terreno situado no Município
dxxxxxx, objeto da matrícula nºxxxx do Cartório de Registro de Imóveis – xxxº
Circunscrição da Comarca xxxxxx

b) Por fim a condenação da reúno ressarcimento das custas e despesas processuais e no


pagamento de honorários, conforme artigo 82, § 1º e 2º do Código de Processo Civil.

Valor da causa R$...(...).

Nestes termos,

Pede deferimento

Curitiba,xxxxxx.

xxxxx