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Vitalidade de Usos no Espaço

VITALIDADE ‘

DE USOS NO ESPAÇO
CAROLINA ARAÚJO

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Vitalidade de Usos no Espaço

O espaço está para a


arquitetura concebida como arte,
como a literatura está para a poesia;
constitui sua prosa e lhe dá caracterização [...]
no espaço coincidem vida e cultura,
interesses espirituais e responsabilidades sociais.
Porque o espaço não é só cavidade vazia,
“negação de solidez“:
É vivo e positivo.
Não é apenas um fato visual:
é, em todos os sentidos, e,
sobretudo num sentido humano e integrado,
uma realidade vivida.

(Bruno Zevi 1996, p. 217)

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Vitalidade de Usos no Espaço

Introdução

Seja bem vindo ao Ebook Vitalidade de Usos no Espaço.

O presente estudo procura discutir a organização e a articulação de


espaços públicos em relação ao contexto imediato, tendo como elemento
principal a diversidade de usos no espaço, os espaços de transição entre o
público, o semipúblico e o semiprivado.

Entretanto, a sua dinâmica, seja físico-territorial ou socioespacial, origina


uma reação que modifica todo o sistema da cidade onde as atividades
humanas se aglomeram ou nele influem. Assim, os edifícios com múltiplas
funções atuam como instrumentos de integração, de forma a intensificar
ou renovar o espaço urbano e contribuir para sua segregação.

No cenário urbano atual, caracterizado por adensamento, verticalização e


pela busca de soluções para as cidades contemporâneas, seja por meio
da intensificação das áreas periféricas ou revitalização das áreas urbanas,
percebe-se a necessidade do compromisso com a cidade, suficiente para
colocar muitos aspectos, tais como circulação, atividades e equipamentos,
como metas prioritárias do equilíbrio urbano.

Os espaços públicos são consequências de uma necessidade de


diversidade urbana, na qual o convívio entre as distintas funções urbanas -
morar, trabalhar, passear, comprar, conviver, estudar - e outras, é a base
da VITALIDADE URBANA, matéria-prima da urbanidade.

A integração de diferentes funções dentro de uma unidade urbana


promove uma ocupação que visa ao incremento da qualidade de vida
das pessoas e a sustentabilidade.

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Vitalidade de Usos no Espaço

A diversidade de usos no espaço tem como objetivo o melhor


aproveitamento do solo urbano. A concentração de múltiplas funções
possibilita a integração residência-trabalho, o oferecimento de uma rede
de serviços e a não-segregação, além de otimizar a acessibilidade.

Cada programa e lugar, com sua estrutura formal, condicionantes legais,


cultura e história, influencia a organização funcional/espacial e os
aspectos técnico-construtivos de cada obra.

Aproveite ao máximo este conteúdo, pois cada informação é fundamental


para um melhor aprendizado, não se esqueça: “O conhecimento nunca
ocupa espaço” você nunca perde tempo quando está estudando.

Boa leitura!

Carolina Araújo.

Fundadora do Concurso Nacional Crie o Amanhã

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Vitalidade de Usos no Espaço

SUMÁRIO

Introdução ............................................................................................................ 03

CAPÍTULO 1 - A DIVERSIDADE DE USOS NA CIDADE ......................................... 07

1.1 Definições .......................................................................................... 07

1.2 A Diversidade de Usos na Cidade .................................................. 09

1.3 Identidade Visual e Planejamento do Ambiente Urbano ........... 10

1.4 Sustentabilidade e Urbanização ..................................................... 12

1.5 O Papel da Arquittura no Contexto Urbano .................................. 15

CAPÍTULO 2 - OS ESPAÇOS PÚBLICOS ................................................................ 19

2.1 Os Espaços Públicos ......................................................................... 19

2.2 Distinção entre Espaços: Público, Semipúblico, Semiprivado

e Privado .................................................................................................. 23

2.3 O Que Pode Contribuir Para Espaços Públicos e Múltiplos? ....... 24

2.4 O Que é Uso Misto? ......................................................................... 26

2.5 Acessibilidade em Espaços Públicos ............................................. 31

CAPÍTULO 3 - PERMEABILIDADE ESPACIAL ......................................................... 35

3.1 Caracterização de Permeabilidade Espacial ............................. 35

3.2 Análise de Tipologias de Permeabilidade Espacial ..................... 38

3.3 Permeabilidade e Conectividade Urbana ................................... 43

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CAPÍTULO 1

A DIVERSIDADE DE USOS
NA CIDADE

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Vitalidade de Usos no Espaço

CAPÍTULO 1 - A DIVERSIDADE DE USOS NA CIDADE

1.1 Definições

A conformação do tecido urbano pode ser definida como uma


atividade multidisciplinar, interessada tanto no processo de transformação
da forma urbana, quanto no espaço resultante de tal processo.
Combinando questões técnicas, sociais e estéticas, em poucas palavras,
desenho urbano é a arte de fazer lugares para as pessoas.

O desenho urbano diz respeito à disposição, a aparência e


funcionalidade das cidades e, em particular a forma e utilização do
espaço público, o qual tem sido tradicionalmente considerado como um
subconjunto disciplinar do planeamento urbano, arquitetura paisagística,
ou arquitetura e ultimamente tem sido associado a disciplinas emergentes
tais como o urbanismo paisagístico.

Independentemente do crescimento proeminente das atividades


destas disciplinas, o conceito de desenho urbano é visto como uma prática
de desenho que opera na interseção deste conjunto, e, portanto, requer
de um bom entendimento de outras implicâncias, tal como economia
urbana, economia política e teoria social.

O desenho urbano é atividade multidisciplinar, voltado para o


processo de transformação da forma urbana, e para o espaço resultante
deste processo.

Segundo a arquiteta Paula Barros, “desenho urbano é a arte de fazer


lugares para as pessoas”. Disto posto, deve ser visto muito mais como um
processo do que como um projeto ou produto acabado, quando é a

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parte do processo de planejamento que lida com a qualidade do meio


ambiente e com o zelo em melhorar a qualidade do espaço público,
agrupando preocupações estéticas e funcionais.

Na administração das cidades é importante que haja sempre o


devido cuidado em se pensar em Desenho Urbano, pois o mesmo pode ser
considerado como instrumento para minimização dos impactos negativos
causados no meio ambiente físico, cultural e natural.

No processo de desenho urbano, lidamos a cidade como uma


estrutura físico-espacial, onde os elementos modificados ou acrescentados
nessa estrutura não afetam a integridade morfológica do todo, mas
contribuem para a criação de uma intensa imagem urbana. O desenho
urbano trata-se da intervenção no espaço urbano, construído ou não,
visando à melhoria da qualidade do ambiente, e consequentemente, a
qualidade de vida, para o conjunto da população usuária, assim como sua
integração coerente com a macroestrutura urbana em que está inserido.

Para isso, o desenho urbano trabalha com o conjunto das dinâmicas


sociais que regem a produção do espaço urbano, e deve considerar todas
as condicionantes que interferem em seu desenvolvimento: espaciais,
arquitetônicas, ambientais, jurídicas, econômicas, sociais, culturais,
políticas, entre outras.

Desta forma, o desenho urbano se desenvolve em um contexto em


que a gestão urbana é demasiadamente complexa, e por isso deve
considerar o papel do Poder Público no processo, enquanto coordenador

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e incentivador das mais diversas iniciativas da sociedade civil e das


empresas para a produção de um espaço urbano democrático e de

qualidade, considerando os aspectos econômicos e financeiros de


sua implementação e incorporando a reflexão sobre as mais diversas
formas de envolvimento do próprio Poder Público, como também da
iniciativa privada e da sociedade civil organizada.

1.2 A Diversidade de Usos Na Cidade

Funções que geram presença de pessoas em horários diferentes,


diversos usos ativos, valorização dos percursos, edifícios variados e pessoas
de diferentes idades, reúnem subsídios para uma melhor qualificação
urbana. Assim sendo, temos um resultado satisfatório e interessante,
quando "o edifício se abre para a cidade", se integrando em vários níveis,
entre eles o socioespacial e o funcional.

Na busca por vitalidade urbana, espaços multifuncionais podem ser


agente indutor da funcionalidade da cidade, evitando deslocamentos de
longa distância, aliviando o tráfego do anel central urbano e garantindo
melhor qualidade de vida aos habitantes. A relação entre configuração e
uso tem grande diversidade, sendo a rota mais integradora a que possui
várias funções, destacando-se então, a multifuncionalidade. Além disso,
cada percurso carrega o seu uso em que a distribuição das atividades se
encontra dentro de uma lógica espacial.

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1.3 Identidade Visual e Planejamento do Ambiente Urbano

A cidade trata-se de um organismo vivo em constante mudança,


sendo resultado de ações e interações feitas pelo homem. A identidade
visual do ambiente urbano segundo o Concelho Nacional de Arquitetura e
Urbanismo, é a “cara das cidades”. É onde prédios, ruas, edifícios, veículos,
sinalizações de trânsito, vegetação, espaços públicos se organizam dentro
do perímetro urbano, ancorados ao planejamento urbanístico.

A expressão planejamento urbano provém da Inglaterra e dos


Estados Unidos da América, marcando uma forma de encarar a cidade e
os seus problemas. Desta maneira, o planejamento urbano surgiu com a
necessidade de solucionar diversos problemas enfrentados pelas cidades.

Partindo deste conceito houve a necessidade de reconhecer que o


fenômeno urbano é algo dinâmico, propondo encarar a cidade como um
resultado de sua própria história e algo que está constantemente em
evolução. Assim, a cidade passa a ser vista como um produto de um
determinado contexto histórico, e não mais como um modelo ideal.

As características que determinam a conformação do tecido


urbano estão entrelaçadas nas soluções adotadas dentro do contexto de
planejamento, norteando e estabelecendo parâmetros, referentes ao
zoneamento espacial, buscando uma cidade como um organismo
funcional. O zoneamento consiste na separação territorial por zonas, usos e
fluxo de transporte, essa tipologia organizacional determina o
adensamento do espaço urbano enquanto cidade e delimita um traçado
para a identidade visual.

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Uma característica de quase todas as cidades, independentemente


de economia, localização e grau de desenvolvimento, é a ausência de
equipamentos urbanos com qualidade projetual, no geral a conformação
desses espaços possui: limitação espacial, ruídos, obstáculos, risco de
acidentes e até mesmo falta de manutenção, o que gera na maioria dos
casos a segregação ou até mesmos o abandono dessas áreas, afastando
os usuários.

A conformação espacial da maioria das cidades brasileiras


encontra-se voltada ao uso de veículos, reduzindo os deslocamentos pé
atonal, afastando os pedestres das vias, isolando as funções culturais e
sociais do espaço da cidade. A tradicional função do espaço da cidade
como um local de encontro social para os habitantes foi reduzida,
ameaçada e progressivamente descartada pelas evoluções urbanas,
quase deixando de existir.

De acordo com GEHL (2015), em 1961, a jornalista e escritora


americana Jane Jacobs publicou seu livro Morte e Vida de Grandes
Cidades, o qual sua visão dramática, descreveu o uso do automóvel como
nocivo a vida social e as relações comunitárias, identificando o
modernismo urbano como individualista, sendo um risco ao espaço urbano
e à vida da cidade, sua visão ainda descreve a formação de cidades sem
vida, esvaziadas de pessoas.

A identidade visual e planejamento do ambiente urbano andam


lado a lado, sendo um a base ou o resultado do outro. Atribuir qualidade
de vida, com a inserção de equipamentos urbanos norteados pelo
planejamento urbanístico, requer um modesto valor monetário, e

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contribuem beneficamente para a cidade como um todo, incentivando a


vitalidade urbana e garantindo um traçado urbanístico mais agradável.

1.4 Sustentabilidade e Urbanização

O processo de urbanização está diretamente ligado ao aumento


dos impactos negativos ambientais. O crescimento das cidades ocorre
paralelo à industrialização, em vastas áreas territoriais, que somados, ao
uso de automóveis, a aglomeração urbana e a falta de cuidado com
recursos naturais não renováveis geram altos níveis de poluição.

De acordo com o Ministério das Cidades, (2010), mesmo a


aglomeração urbana sendo identificada por muitos teóricos como a
solução ideal para o convívio social de uma cidade, os efeitos negativos
dessa conformação são inúmeros, grande consumo energético,
movimentações de terra e impermeabilização do solo, desflorestamento,
alto nível de emissões de gases poluentes, poluição dos corpos d‟água,
contaminação do solo, problemas ambientais diretamente decorrentes da
urbanização.

A partir da revolução industrial, a expansão demográfica e


crescimento espacial das grandes cidades, resultaram em modelos
urbanos insuficientes ecologicamente. Esse crescimento acelerado tem
como foco as relações econômicas, priorizando o uso de automóveis,
deixando de lado a qualidade espacial no meio urbano. As consequências
remetem a degradação de todo o ambiente urbano, rios e outras fontes
de água contaminadas, ar poluído, lixões a céu aberto e desmatamentos,

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estes citados são somente alguns exemplos da realidade contemporânea


urbana.

Uma realidade identificada atualmente é que nenhum país que


tenha promovido ou que promova processos de crescimento econômico
com urbanização, poderá se isentar dos impactos negativos ambientais,
são os chamados países imergentes.

O Ministério das Cidades (2010) cita, a virada do século 21 como um


marco, onde os recursos naturais são tratados como finitos. Os países
desenvolvidos, diante da constatação do agravamento da questão
ambiental, conseguiram refrear as emissões poluentes a partir dos anos
1990, porém, isso ainda não impediu que esses países, em conjunto, liderem
as emissões de poluentes.

Entretanto, não se pode encarar a urbanização como ponto


negativo, o ideal é identificar soluções possíveis a serem aplicadas em
baixo custo, que enfatizem os recursos naturais disponíveis sem agredir o
meio ambiente.

A perspectiva de se alcançar um cenário de desenvolvimento


sustentável urbano, requer a compreensão dos fatores envolvidos no
processo de construção de uma cidade.

Segundo MASCARÓ (2010), o processo de construção de um sítio


urbano estável, economicamente e ambientalmente correto, condiz que
sejam cumpridos uma série de pré-requisitos, como: estar localizado
próximo a um morro onde seja possível a instalação de caixas d´água e
antenas, desde que não esteja sujeito a descoramentos; estar localizado
próximo a um curso d´água, suficiente para o abastecimento, desde que

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não possa ser atingido por enchentes; estar situado em local de leve
inclinação, onde o relevo contribua para o escoamento, por gravidade
das águas pluviais; ter solo fértil onde possam crescer vegetação rasteira e
árvores, contribuindo para o microclima interno urbano.

Sabendo que a realidade da maioria das cidades brasileiras


encontra-se longe das condições ideais para instalação de um sítio
urbano, o ideal é maximizar os pontos que contribuam de forma ativa para
a conformação espacial urbana. Desta forma, a instalação e distribuição
adequada de equipamentos urbanos no contexto de cidade, tendem a
contribuir para uma série de fatores ambientais importantes, tais como:
melhoria do microclima, áreas permeáveis, escoamento das águas da
chuva, entre outros. Além disso, onde há existência de arborização, as
pessoas tendem a realizar mais deslocamentos pé atonal.

Nessa relação de causa e efeito, fica claro que a inserção e o


incentivo às ações sustentáveis nas cidades são fundamentais para se ter
uma qualidade de vida melhor.

MASCARÓ (2010) cita que o papel do arquiteto enquanto provedor


de qualidade espacial é detectar e utilizar das soluções arquitetônicas
como antecipadoras. O projeto seja de âmbito local ou regional,
independente de se tratar de uma edificação com ocupação de um lote,
ou de porções territoriais maiores, no caso uma praça, um loteamento ou
mesmo uma cidade, deve utilizar de tecnologia adequada, com
relevância a fatores locais, e condições sustentáveis.

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1.5 O Papel da Arquitetura no Contexto Urbano

A arquitetura se desenvolveu conforme a evolução da sociedade


ao longo dos séculos. A história traz a arquitetura como base do bem-estar
social. Inicialmente a arquitetura encontrava-se associada apenas com a
habitação, com o passar do tempo e o desenvolvimento sociocultural, é
notável que o envolvimento arquitetônico, apresenta-se intrínseco no
cotidiano. Sua importância está na habilidade de desenvolver espaços
adequados às várias atividades que os seres humanos realizam ao longo
de suas vidas.

O arquiteto e urbanista exerce papel fundamental na formação


social de uma cidade, utilizando-se de recursos que priorizem
acessibilidade, estética, sustentabilidade, economia, segurança e
conforto.

A perspectiva de ação que visualizamos a partir da


legislação brasileira acerca das competências e o
âmbito das atividades profissionais dos arquitetos e
urbanistas determina às Escolas de Arquitetura e
Urbanismo a formação das competências profissionais
necessárias para o cumprimento de uma série de
impositivos na criação de nosso Habitat. LIMA (2013).

O espaço arquitetônico configura-se em uma somatória de


elementos que compõe a paisagem. A paisagem urbana é reflexo da
relação entre o homem e a natureza. Os resultados da composição da
paisagem estão entrelaçados com a identidade pessoal de cada região.

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Segundo CULLEN (2002) pode-se entender como arquitetura a edificação


de forma isolada, porém, ao ser somada a outras edificações,
equipamentos e estruturas urbanas, passa então a ser compreendida
como paisagem urbana onde tudo fundamenta-se arquitetonicamente.

Além de proporcionar espaços internos qualificados, o arquiteto tem


como meta promover qualidade espacial no meio urbano como um todo,
o edifício e o entorno são tratados como um único organismo, onde um
exerce importante papel sob o outro. Segundo FIORE (2005), objetos
arquitetônicos são partes de lugares e referem-se a um amplo contexto, ou
seja, configuram-se em um conjunto de elementos, influenciando na
formação da imagem. A arquitetura não se encontra em um lugar ou faz
parte de lugares, mas sim é o próprio espaço.

A arquitetura é testemunha e expressão de uma


concepção do mundo, de uma época; as mudanças
que levam da arquitetura de adobe à pedra, da pedra
ao aço, do aço ao concreto, etc. refletem nas
transformações deste conjunto de forças que se
plasmaram nessas arquiteturas. O campo de trabalho do
arquiteto se encontra no meio dessas pressões,
identificando e projetando essas linhas de força históricas
em cada uma de suas obras. (GARCIA, 2013).

A negligência apresentada na formação do espaço arquitetônico


como um todo, encontra-se estampada em diferentes situações que
afetam a sociedade de forma negativa. O papel social da arquitetura no
contexto urbano é desenvolver qualidade espacial, priorizando o uso de

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todos os ocupantes independente de se tratar de espaço público ou


privado, pois a conformação de uma cidade se estabelece em uma
somatória de elementos.

Ao propor a elaboração de um projeto, interferimos diretamente em


um âmbito social. Desta forma, é fundamental oferecer qualidade espacial
ao projetar, promovendo vivacidade. O papel da arquitetura é enxergar
além das necessidades mínimas de uma comunidade, oferecer amparo, e
espaços públicos adequados.

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CAPÍTULO 2

OS ESPAÇOS PÚBLICOS

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CAPÍTULO 2 – OS ESPAÇOS PÚBLICOS

2.1 Os Espaços Públicos

Considera-se intrínseca a relação entre o espaço público na escala


do pedestre (praças, ruas, calçadas) e o espaço semipúblico,
caracterizado pela presença do comércio no embasamento do edifício.

Entende-se aqui como espaço público o espaço físico componente


do ambiente urbano que permite o livre acesso, circulação e encontro de
pessoas, sem que haja restrições sociais, culturais, físicas ou psicológicas.

Considera-se espaço privado, o espaço físico pertencente a um


ambiente privativo caracterizado como área de uso individual ou coletivo,
independente do espaço público. O caráter de privatização dos espaços
públicos inclui aqui os espaços semipúblicos, semiprivados e privados.

Quando o edifício possui as inter-relações do espaço público e


privado, pode influenciar ou ser influenciado pela dinâmica urbana, de
acordo com a sua configuração de permeabilidade espacial, ou seja, da
abertura para o espaço público adjacente.

De forma fechada ou aberta, o edifício multifuncional pode se


integrar ao entorno imediato em que está inserido e a própria cidade, em
diferentes graus.

O Espaço Público é o lugar da cidade de propriedade e domínio da


administração pública. A formação do espaço público, ocorre com a
junção de um conjunto de fatores: espaços livres, a organização espacial,
e as necessidades dos usuários.

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Segundo ALOMÁ (2013) o espaço público urbano abriga uma


tipologia de usos a partir das suas funções predominantes: vias
(circulação), praças (permanência), jardins (lazer), parques (passeio e
visitação), equipamentos de uso coletivo (instituições governamentais,
esporte, cultura e lazer) e áreas de preservação ambiental.

Embora o espaço público ainda apareça de forma tímida, nos


últimos anos a população brasileira tem direcionado o olhar para o
indivíduo, e identificado os seus benefícios. Desenvolvendo frentes de
projetos urbanos integrados, constituídos pela humanização de espaços,
atendendo acessibilidade, versatilidade e enfatizando a vivência entre os
usuários.

Durante décadas, o planejamento e desenvolvimento do


espaço urbano brasileiro teve como orientação principal
a mobilidade rodoviária. Ruas, avenidas, viadutos e
grandes estacionamentos foram se multiplicando. Além
deste modelo já ter se mostrado uma solução pouco
efetiva do ponto de vista de mobilidade e
sustentabilidade, o espaço destinado aos carros
influenciou diretamente nas áreas destinadas à
mobilidade ativa. Pedestres e ciclistas, para citar somente
dois exemplos, foram literalmente comprimidos entre ruas
e avenidas cada vez maiores e edificações cada vez
mais altas. SCHÜRHAUS (2017)

Os espaços públicos estão vinculados diretamente com as relações


afetivas da comunidade. Nele identificamos usos comuns a todos, onde as

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experiências sociais se desenvolvem com dinamicidade, possibilitando


diferentes usos e convivência, expressadas por meio de manifestações
culturais, encontros, lazer, recreação e celebrações.

A existência de espaços públicos de qualidade torna a cidade mais


segura, oferecendo ao usuário a sensação de apropriação, abrigando
diversas atividades e possibilitando diferentes horários de uso.

As intervenções em espaços públicos referem-se à construção de


cidadania e inclusão social, garantindo direito a todos, em usufruir de áreas
com qualidade espacial, equipamentos e mobiliários adequados.

Para Lefebvre (2001), o espaço urbano aparece como expressão


das relações sociais e da produção de uma sociedade. Ou seja, na
medida em que as relações de uma sociedade são alteradas, trazem
consigo alterações para o local em que essas relações serão mediadas.
Assim, a arquitetura, palco das relações sociais e de produção da
sociedade, tende a se alterar e a se „‟re-generar‟‟.

Desta forma, a noção de espaço social que, por definição, entende-


se ser aquele que „‟é ao mesmo tempo obra e produto uma
materialização da existência social‟‟ Lefebvre (2001), não se mostra
incorporada ao espaço físico construído da cidade pós-moderna. Este se
apresenta como produto passível de ser trocado, comprado e vendido,
configurando-se muito mais como espaço abstrato. Parece faltar a cidade
da Pós-Modernidade aquilo que confere aos lugares, enquanto espaços, o
sentido da vida humana. Seus espaços são apropriados abstramente por
meio do duplo caráter da centralidade capitalista: lugar de consumo e
consumo do lugar.

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Para Gehl (2006), os edifícios devem deixar de ser considerados um


fim em si mesmos a fim de se converterem em um instrumento para
potencializar a vida social na cidade por meio da atração do espaço
público, lugar onde se desenvolvem as atividades urbanas e se percebe a
cidade.

Sendo assim, em uma visão global, os edifícios multifuncionais


podem contribuir para a vitalidade urbana se conseguirem dialogar com a
cidade, promovendo a permeabilidade espacial, e não se apresentando
como barreira arquitetônica.

A interação de vida pública e privada é uma ferramenta ativa para


injetar vida no espaço, integrando novas camadas de atividade e
paisagem, criando uma rede de usos que podem desenvolver uma nova
ecologia urbana num sistema coerente.

A multifuncionalidade será um atrativo para promover encontros de


usuários do ambiente construído, que são as pessoas que moram no local,
as que nele trabalham e aquelas que ali passam casualmente.

2.2 Distinção Entre Espaços: Público, Semipúblico, Semiprivado e Privado

A noção de espaço público expressa uma condição de domínio


coletivo de lugar, que pode ser frequentado por todas as pessoas,
devendo estas assumir coletivamente a responsabilidade por mantê-lo.

O espaço público abriga uma tipologia de usos a partir das suas


funções predominantes: vias (circulação), praças (permanência), jardins

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(lazer), parques (passeio e visitação) e equipamentos de uso coletivo


(instituições governamentais, esporte, cultura e lazer). Participa também da
organização espacial das práticas cotidianas da população – sistema de
práticas urbanas.

O espaço semipúblico se expressa pela continuidade do espaço


público, mas com algumas restrições. Ou seja, não pode ser frequentado
por todas as pessoas. Tais espaços normalmente não se destinam ao
exercício da cidadania, mas ao lazer, ao consumo, ou a outros fins.

O espaço privado refere-se ao controle seletivo do acesso a pessoas


ou grupos, não permitindo assim, a passagem ou permanência de
desconhecidos. A responsabilidade pela manutenção é determinada
individualmente ou em grupos.

O espaço semiprivado se revela como um espaço privado a que um


grupo maior tem acesso, como por exemplo, o hall de entrada de um
edifício habitacional ou de escritórios, cujo acesso, apesar de não ser livre,
é feito por quem ali mora ou trabalha, ou se torna viável por meio de
convites ou autorizações.

2.3 O Que Pode Contribuir Para Espaços Públicos e Múltiplos?

 Espaços múltiplos capaz de apresentar cenários espaciais que


demostrem a permeabilidade espacial e a
multifuncionalidade como alternativas ao resgate do uso dos
espaços públicos, a fim de que contribuam como esquemas
metodológicos para intervenções urbanas,

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 Formas de articulação espacial entre o espaço público e


semipúblico e as inter-relações de uso e funções do edifício,
bem como suas transformações que visam à caracterização
das tipologias de permeabilidade espacial;
 Mudanças no uso e apropriação do espaço público perante
a realidade social, política e econômica;
 Fatores indutores de permeabilidade espacial enquanto
elemento que influencia a relação de integração do edifício
com o entorno imediato (contexto urbano);
 Condições de acesso, uso e apropriação do edifício pelo
pedestre, como parâmetro de análise a permeabilidade
espacial, considerando que a vida urbana envolve as inter-
relações do edifício e do espaço exterior e que, para tal
demanda, é necessária uma organização espacial;
 Estratégias compositivas do edifício multifuncional, seus
aspectos programáticos e sua concepção estrutural;
 Uso do conceito de espaço enquanto uso público,
semipúblico, semiprivado e privado, que fazem parte do
percurso das pessoas entre a cidade e o edifício;
 Fatores no projeto que possam estimular e abrir perspectivas
para os instrumentos de intervenção urbana na cidade.
 A compreensão dos aspectos que envolvem a privatização
dos espaços públicos, a multifuncionalidade dos edifícios e a
permeabilidade entre os espaços públicos e os edifícios;
 Minimizar barreiras físicas, visuais e sociopsicológicas,
atentando-se para formas compositivas que permitam a

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visualização da gradação dos espaços internos, e na redução


de arquiteturas defensivas.
 Contextualização dos edifícios em termos históricos,
normativos e urbanísticos;
 Fundamentar a análise da evolução da permeabilidade
espacial e da multifuncionalidade dos edifícios que se abrem
para a cidade, aqueles que têm aberturas com dimensões
suficientes para convidar as pessoas a entrar ou que permitem
sua passagem para o interior do edifício com o mínimo de
barreiras ou sem nenhuma delas;
 Análise e classificação dos aspectos formais, técnicos e de
integração urbana, identificando: questões compositivas
(hierarquias, decisões formais, espacialidade, tipologias)
questões técnico-construtivas (estrutura, materiais, projetos
técnicos complementares, circulações horizontal e vertical)
questões funcionais (alteração do programa original) e
inserção urbana (relação interior x exterior, tipologia em
relação ao contexto, relação público/privado, ideologias,
contaminações e influências de outras áreas do
conhecimento e das artes, publicações existentes).
 Reflexões sobre a expressão dos edifícios multifuncionais no
processo de desenvolvimento urbano do século XXI.

2.4 O Que é Uso Misto?

O uso misto caracteriza-se pela combinação de funções (habitação,


trabalho, comércio, lazer, entre outras) em uma determinada dimensão

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espacial, seja na escala da cidade, do bairro, da rua, da quadra, do lote,


do edifício ou ainda em uma composição entre esses locais. O termo
escala, assimilando a compreensão de Ching (1999), refere-se à maneira
pela qual se percebe o tamanho de algo em comparação a outro
referencial. Portanto, a escala do edifício multifuncional pode variar de
acordo com o meio em que está inserido.

A separação das funções manifesta seu ápice com o Movimento


Moderno, cuja Carta de Atenas, declarada pelo Congres International d’
Architecture Moderne (CIAM) – Congresso Internacional de Arquitetura
Moderna, de 1933, propôs a dispersão dos componentes urbanos a partir
das quatro funções urbanísticas: habitação, trabalho, lazer e circulação, e
de cada função isolada na cidade. Os projetos de Le Corbusier, um dos
protagonistas do Movimento, elevaram a racionalidade e a funcionalidade
presentes na padronização na construção dos edifícios e na classificação
da circulação entre o automóvel e o pedestre no espaço urbano (LE
CORBUSIER, 2004).

Todavia, nesse Movimento, as propostas de uso misto na escala do


edifício acontecem implícitas nas obras das Unidades de Habitação de Le
Corbusier, mas explícitas em outras, entre elas, a Cidade Vertical, de 1924,
do arquiteto Ludwing Hilberseimer e o edifício Rockfeller Center (1931-1940)
em Nova York, projeto do arquiteto Raymond Hood.

Na metade do século, o cenário foi marcado pelas transformações


sociais, tecnológicas, econômicas e politicas, aliadas a necessidade de
reconstrução das cidades e ao desenvolvimento de novos bairros
residenciais, devido ao fato de os antigos terem sido destruídos nas guerras
mundiais. Assim, segundo Rykwert (2004), construir tornou-se a mais alta

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prioridade social. Aos poucos, as ideias do zoneamento das funções


urbanas transformaram-se em pretensões de mistura de funções.

Desta forma, as mudanças ocorreram no conceito dos


empreendimentos comerciais característicos do século XIX, em que a
atividade comercial torna-se uma atividade econômica especulativa e,
conforme Vargas (2001, p.159), “os espaços físicos mais significativos de
ocorrência do comercio vão perder parte da essência de ser um espaço
por excelência, adotando algumas características de espaço privado”.
Contudo, tais empreendimentos do comercio varejista desenvolveram
novas estratégias de vendas, seja nas suas técnicas, seja nas formas de
organização espacial com instrumento para otimizar seus negócios, sendo
inseridas também as propostas de vitrines e a preocupação com interiores
decorados. Beneficiados pela tecnologia da construção de coberturas de
ferro e vidro, os espaços das galerias comerciais estariam protegidos das
intempéries e, ao mesmo tempo, contariam com iluminação natural.

A galeria, definida pela criação de um corredor coberto de


passagem adjacente aos espaços comerciais, cria uma arquitetura
mediadora entre o espaço público e o espaço privado e os transeuntes
são convidados a explorá-lo graças a sua permeabilidade espacial com o
entorno urbano.

Em outras palavras, a arquitetura não se apresenta como barreira


visual ou física aos usuários, mas consegue se tornar convidativa na medida
em que oferece mais conforto no espaço público pela proteção gerada
contra os agentes climáticos.

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A discussão teórica sobre os edifícios multifuncionais é recente e nem


mesmo o termo “multifuncional“ é consensual entre arquitetos e urbanistas,
sendo muitas vezes empregadas as palavras ou expressões “de uso misto“,
“híbrido“, ou “de uso múltiplo“, por exemplo. Em 1976, o interesse pelo
estudo destes edifícios foi registrado pelo Urban Land Institute (ULI) –
Instituto de Áreas Urbanas, com uma publicação sobre o tópico
Desenvolvimento de Usos Mistos: Novas Formas de Uso do Solo. A
publicação apontou que o edifício de uso misto se caracteriza por
compreender:

 Três ou mais usos significativos;


 Integrações funcionais e físicas significativas dos componentes
de projeto;
 Conformidade com um planejamento urbano.

Na linguagem de arquitetos e urbanistas brasileiros, o edifício


multifuncional é aquele que satisfaz funções heterogêneas.

Em outras palavras, nessa categoria se enquadram as construções


que abrigam mais de uma função, seja ela de habitação, trabalho, lazer,
circulação, esporte, cultura ou educação, entre outras.

A partir de tais colocações, o termo “edifício multifuncional“, neste


estudo, considera-se aquele que se apresente também na forma
predominantemente vertical ou com alta densidade relativa com o
entorno. Desta forma, as construções em altura, viabilizadas pelas
inovações técnicas, proporcionam a otimização no aproveitamento dos
lotes urbanos por meio da sobreposição dos pavimentos.

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Essa tipologia de edifício decorre do processo de transformações


urbanas, sendo marcada principalmente pelas torres de habitação ou
escritórios que possuem na base as funções de comércio e lazer.

FIGURA 1 – EXEMPLO DE EDIFÍCIO MULTIFUNCIONAL


FONTE: Corte do Lever House Building – funções do edifício. Danz e Menges (1975)

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Ao concentrar funções em áreas distintas da cidade (grandes áreas


apenas com o uso residencial, outras apenas com o uso comercial, ou
outras apenas com o uso de serviços) estamos também a criar uma
necessidade de mobilidade entre esses polos que concentram funções,
que levam a que as pessoas não possam satisfazer as suas necessidades
diárias sem a utilização de meios de transporte, estimulando, assim,
movimentos pendulares que determinam a qualidade de vida das pessoas,
diminuindo-lhes diariamente, de uma forma considerável, o tempo e
contribuindo também para o aumento do consumo de energia e de
emissões de gases com Efeito de Estufa.

Em face das transformações constantes no espaço urbano,


associadas às mudanças nos processos econômico, político e tecnológico,
bem como aos modos de viver e habitar nas cidades, busca-se neste
trabalho refletir sobre a interação de uso e apropriação dos espaços dos
edifícios multifuncionais com o ambiente urbano.

Morar, trabalhar, comprar, divertir-se são atividades dinâmicas e


cada vez mais entrelaçadas, e, para sua realização, fatores como
mobilidade, acessibilidade e maximização do tempo tornam-se elementos
preponderantes.

Some-se a eles a redução da utilização dos espaços públicos por


pedestres e o aumento da ocupação das cidades por enclaves urbanos
ou edifícios fechados para o ambiente urbano. Entre estes últimos, podem-
se citar condomínios residenciais, centros comerciais, supermercados e
certos edifícios multifuncionais que, embora tenham potencial para serem
integrados ao tecido urbano, manifestam-se como espaços privados que
se revestem de públicos.

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Inseridos nesse contexto, os edifícios multifuncionais que abrigam


duas ou mais funções, entre elas, habitação, comércio, escritórios, lazer,
constituem uma ideia, sem um conceito ou tipologia definidos.

2.5 Acessibilidade em Espaços Públicos

A ABNT – NBR 9050/2015, define a acessibilidade como a


possibilidade, condição de alcance, percepção e entendimento, para
utilização com segurança e autonomia, de edificações, espaços,
mobiliários e equipamentos urbanos.

A acessibilidade deve ser encarada como uma forma de projetar


sem obstáculos ou barreiras físicas que impeçam o direito de ir e vir de
qualquer pessoa. O termo acessibilidade tem sua origem na década de
quarenta. Atualmente podemos dizer que este conceito se ampliou
profundamente, a acessibilidade configura-se como inclusão social.

“Para designar a condição de acesso das pessoas com


deficiência vinculada ao surgimento dos serviços de
reabilitação física e profissional, devemos considerar
como condição de mobilidade e eliminação das
barreiras arquitetônicas e urbanísticas, numa clara alusão
às condições de acesso a edifícios e meios de
transporte”. (ARAÚJO, 2009)

O acesso universal, além de ser um direito de todos, também é uma


forma de proporcionar qualidade de vida às pessoas com deficiência ou
mobilidade reduzida.

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A formação dos tecidos urbanos ocorre de acordo a uma somatória


de fatores: espaço físico, conformação geológica, características físicas,
sociais e culturais e o tempo. As cidades são construídas ao longo dos
séculos e apresentam em seus espaços públicos, a materialização de
intervenções provenientes de diferentes épocas em seus diferentes
contextos, resultando um tecido morfológico sem homogeneidade, com
muitas características diferenciadas. Neste sentido, deve-se compreender
a acessibilidade como parâmetro de desenvolvimento social atual e
fundamental do espaço urbano público.

Segundo FERRARI (2004), a acessibilidade é um conceito


complementar à mobilidade urbana e sociedade contemporânea. O
direito a deslocar-se pela cidade, utilizando qualquer meio de transporte,
somente se torna válido quando o cidadão também tiver acesso ao seu
objetivo, a edificação ou o espaço urbano pretendido. Como instrumentos
de acessibilidade, podemos citar: rampas, portas largas, corrimãos e outros
elementos que permitam o acesso a um local e ao uso de um serviço para
todas as pessoas portadoras de necessidade especial.

De acordo com FERRARI (2004), a acessibilidade universal pode ser


entendida como o direito de ir e vir de todos os cidadãos, independente
da condição física, social, cultural abrangendo todos os momentos e
períodos da vida, para todos, quer sejam cadeirantes, pessoas com
deficiências visuais e auditivas, gestantes ou idosas.

O Ministério das Cidades vem, desde 2005, desenvolvendo políticas


públicas, com finalidade melhorar os espaços urbanos, atribuindo
acessibilidade e o direito de ir e vir para todos. Um dos grandes problemas
é, ainda, compreender a importância social que o espaço acessível

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apresenta, quando se tratando de comunidade, em muitos casos o tema


ainda é negligenciado.

Os espaços com conformação acessível e universal, inegavelmente,


são mais atraentes e convidativos, transmitem a importância do cidadão
sem distinção.

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CAPÍTULO 3

PERMEABILIDADE
ESPACIAL

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CAPÍTULO 3 - PERMEABILIDADE ESPACIAL

3.1 Caracterização de Permeabilidade Espacial

A multifuncionalidade dos edifícios e a sua dimensão urbana são


tratadas como parte do discurso de Jacobs (2003) no que se refere a
diversidade de usos na cidade. Ela argumenta que a necessidade de usos
combinados em determinado espaço urbano atrai as pessoas em horários
diferentes, por motivos diferentes, fomentando dessa maneira, espaços
urbanos vivos. A diversidade de usos contribui para que o planejamento
urbano estimule a vitalidade urbana.

A discussão sobre espaços públicos, privados e seus derivados é


objeto de estudo de vários especialistas, segundo Ferreira e Marques
(2000,p.1):

Ao mesmo tempo novos tipos de espaços semiprivados


ou semipúblicos aparecem como o cenário por
excelência da vida urbana familiar e profissional:
shopping, espaços de lazer de condomínios fechados,
casa de recepções, etc. Isso significa a privatização da
vida pública? Ou a publicização da vida privada?

Essa abordagem contribui para a interface do edifício e da cidade,


aliada ao programa multifuncional, sugere a presença da permeabilidade
espacial, e a proposta da galeria no embasamento do edifício é para que
as pessoas circulem como se a galeria fizesse parte da cidade, em uma
continuidade espacial urbana.

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Assim apontam Alcock, Bentley e Mcglynn (1999, p. 12) quando


caracterizam a permeabilidade como uma das qualidades inerentes a
vitalidade urbana: somente os lugares que são acessíveis ao público
podem proporcionar alternativas.

A vitalidade de um lugar pode ser medida atrás de sua capacidade


de ser penetrado, ou que através dele ou dentro dele se pode circular de
um lugar a outro. Os autores também classificam a permeabilidade em
visual e física entre o espaço público e o privado.

A primeira corresponde ao caráter ou condição do que é ou pode


ser visível, sem se previamente conhecido; e a segunda, ao acesso físico
propriamente dito.

Hillier e Hanson (1984) afirma que a organização espacial humana é


formada por um conjunto de barreiras e permeabilidades, e estuda a
configuração geométrica e as relações entre o espaço público e o
privado por meio de medidas quantitativas.

Essa teoria denominada de sintaxe espacial, descreve a estrutura de


configuração dos sistemas espaciais, sejam eles arquitetônicos ou urbanos.
De acordo com a perspectiva sintática, a linguagem formal da dinâmica
urbana e arquitetônica organiza-se segundo estruturas de configuração
relacionadas com estruturas sociais. Ou seja, a partir de algumas medidas,
como conectividade, acessibilidade e inteligibilidade é possível delinear a
configuração espacial, os processos e as relações sociais que se expressam
no espaço e podem convergir para a integração ou a segregação no
tocante ao encontro das pessoas.

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Essa afirmação está relacionada ao fato de certos valores espaciais


contribuírem para a construção de valores sociais, de modo que a
configuração espacial pode ou não possibilitar a ocupação e a promoção
de encontros entre pessoas, à semelhança da capacidade dos edifícios
de atraírem a presença delas. A integração é considerada o fator mais
determinante em termos de movimento; quanto mais integrado for o
espaço, mais encontros são gerados.

Aguiar (1991) aborda a permeabilidade como passagem, presente


ou não em edifícios ou cidades, que ordenam sistemas espaciais. A
posição das barreiras define o posicionamento das passagens, e em
consequência disso, o sistema de percursos que permeia e nutre os
espaços.

E nesse contexto “os corpos não apenas se movem adiante, mas


também criam espaços produzidos por e através de seus movimentos“,
como aponta Bernard Tschumi (1995 apud AGUIAR 1991, p. 162).

Perante as referências apresentadas, a noção de permeabilidade


especial expressa uma condição que confere às pessoas a possibilidade
de acessar um espaço e de andar de um lugar para outro.

Tal espaço pode se configurar como interno ou externo, bem como


ser de caráter publico, semipúblico ou privado.

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3.2 Análise de Tipologias de Permeabilidade Espacial

A caracterização de permeabilidade espacial, baseada em Alcock,


Bentley e Mcglynn (1999), classifica-se em duas categorias:

Permeabilidade física: refere-se à facilidade com que as pessoas


podem acessar os espaços e se movimentar dentro deles. É determinada
pelo número e forma dos espaços;

Permeabilidade visual: designa a capacidade de alcance visual dos


espaços, ou seja, o modo pelo qual se relacionam em termos visuais com
os imediatamente adjacentes, e também o fato de as pessoas se sentirem
convidadas a entrar em um determinado espaço. É determinada por vistas
de marcos naturais e construídos; geometria das aberturas e passagens e
iluminação, entre outros elementos.

O alcance visual é uma das categorias de qualidades de formas


urbanas apontadas por Lynch (1999 p. 119), referem-se ao “âmbito de
penetração da visão, tanto concreta quanto simbolicamente“, e sua
qualidade inclui transparências (com uso de vidro ou pilotis no pavimento
térreo), e sobreposições (com objetos que aparecem atrás de outros),
vistas que aumentam a profundidade de visão (com vias axiais), elementos
de articulação (como marcos), concavidade (como curvas nas vias) e
indicadores que demonstrem formas invisíveis.

Além dessas duas categorias, uma terceira se apresenta, a


permeabilidade sociopsicológica. Refere-se ao grau em que as pessoas se
sentem seguras para acessar e usar um determinado espaço. Indica
também até que ponto são capazes de fazer uma imagem mental clara

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de uma área, de modo que possam nela se deslocar sem se sentir perdidas
ou alienadas pelo ambiente.

Essa categoria também tem relação com a permissão de outras


pessoas, ou seja, a liberdade de entrar e transitar em espaços sem que
outros barrem sua entrada, por meio verbais ou visuais.

Desse modo, a permeabilidade sociopsicológica e a visual estão


sempre juntas, pois as condições de visibilidade de um espaço interferem
em sua forma de utilização, na medida em que a capacidade de
vigilância natural tem implicações para a escolha dos locais de convívio, a
composição e o comportamento dos grupos que os utilizam e também
para as atividades que praticam.

Aliados ao termo permeabilidade surgem outros associados:


acessibilidade – nível 1, continuidade – nível 2, passagem ou
conectividade – nível 3, visibilidade e inteligibilidade, que assim compõem
os atributos da permeabilidade espacial. Todos possuem relação com o
uso do espaço pelo pedestre.

Neste estudo, o espaço acessível é aquele em que se pode penetrar


e, existe, portanto, uma permissão. Ela acontece, por exemplo, quando o
edifício é multifuncional.

Na visão de Aguiar (2008), um sistema de percursos possui gradações


de acessibilidade, conforme o modo de arranjo em planta. Esse tipo de
representação gráfica da arquitetura a planta, constitui um dos
instrumentos naturais de distribuição de acessibilidade.

E ele afirma que:

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Desde o ponto de vista das pessoas, o movimento


através da planta é um permanente fruir através de
gradações de acessibilidade. Barreiras e passagens
produzem, naturalmente, uma hierarquia de
acessibilidades, um ranking espacial natural, essência da
ordem topológica em arquitetura. (AGUIAR, 2002, p. 01)

Nessa linha de pensamento, Hertzberger (1999, p. 21) nota que ao


marcar as gradações de acesso público as diferentes áreas e partes de um
edifício, representadas por meio de uma planta, obtêm-se mapas que
mostram a “diferenciação territorial“. Esses mapas demostram os tipos de
acessos, além das:

[...] demarcações de áreas específicas e a quem se


destinam, e que espécie de divisão de responsabilidades
pode ser esperada no que diz respeito aos cuidados e a
manutenção dos diferentes espaços, de modo que essas
forças possam ser intensificadas (ou atenuadas) na
elaboração posterior da planta.

Considerando tais gradações de acessibilidade, é possível observar


se há partes ou posições no espaço que tem maior ou menor utilização ou
percurso.

A continuidade corresponde a imediação de uma coisa a outra, ou


seja, as pessoas podem acessar um espaço e continuar seu percurso nesse
mesmo espaço, sem ou quase sem barreiras. A palavra significa, portanto,
aproximar-se, ter permissão, liberdade ou habitação para seguir adiante

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em um espaço. Refere-se ao movimento que vai além da acessibilidade,


com que as pessoas adentram e percorrem o espaço, podendo ou não ter
uma conexão ou outra saída.

A conectividade ou passagem refere-se à ligação de um espaço a


outro, mediante a qual as pessoas podem encurtar caminhos. Talvez
prefiram passar por eles, motivadas pela atração que essa ligação pode
oferecer, ou até mesmo por questões de segurança ou de proteção
contra intempéries.

A inteligibilidade está relacionada com as condições de


acessibilidade, visibilidade e conectividade criadas pelos espaços, com a
facilidade, concentração ou dispersão de acessos, com os atributos
funcionais dos edifícios ou com aqueles decorrentes das atividades
inerentes ao espaço, e com os mecanismos espaciais utilizados que
separam os espaços públicos dos espaços de domínio semipúblico ou
privado ou neles transitam. A inteligibilidade interfere no uso do espaço na
medida em que as atividades oferecidas pelos espaços atuam como um
fator de atração para as pessoas. Assim, elas intervêm na escolha dos
percursos e locais de convívio, influenciam a formação de grupos e as
atividades por eles praticadas, e atuam também na supervisão ou
observância do próprio espaço.

Desta forma, a escala e a clareza na leitura dos vários elementos


que compõem o espaço poderão interferir diretamente na
permeabilidade física, visual e sociopsicológica. Assim, o espaço é espaço
social e intrínseco a existência de modo que “pessoas fazem os lugares,
lugares fazem as pessoas“. (LEFEBVRE, 2001, p.46).

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Esse pensamento confirma a justificativa do presente trabalho em


relacionar o espaço público e o semipúblico com os pedestres, de modo
que essa dialética espaço-sociedade significa compreender a dinâmica
de uso de tais espaços no edifício multifuncional.

Para percorrer os espaços é preciso haver permeabilidade, e na


área de estudo, a dinâmica de usos desses espaços é variável, com
espaços vividos e espaços vistos.

Por fim, Coelho Netto (1999) estuda os sentidos específicos do


espaço como elemento principal da arquitetura, conforme tempo e lugar,
e delineia um método baseado no sistema de oposições binárias. Esse
método consiste na determinação de pares opostos que formam sete eixos
organizadores do sentido do espaço, sendo:

 Espaço interior versus espaço exterior;


 Espaço privado versus espaço comum;
 Espaço construído versus espaço não-construído;
 Espaço artificial versus espaço natural;
 Espaço amplo versus espaço restrito;
 Espaço vertical versus espaço horizontal;
 Espaço geométrico versus espaço não geométrico.

Como o presente trabalho busca estudar a interface do espaço


existente entre o edifício e o seu entorno imediato, ou seja, o espaço
público e semipúblico, considera-se importante entender tais sentidos
específicos dos eixos organizadores do espaço propostos por Coelho Netto,

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pois o conceito de espaço em arquitetura e urbanismo expressa aquele


que o homem pode percorrer, em que pode experimentar, interagir social
e sensorialmente e ser induzidos a tais ações.

3.3 Permeabilidade e Conectividade Urbana

A permeabilidade e a conectividade urbana são termos utilizados


para definição, da inserção territorial de espaços públicos, através de
caminhos, ruas, praças e espaços inseridos no meio urbano capazes de
facilitar a locomoção pé-atonal, ou por usos de veículos não motorizados e
motorizados. Os espaços permeáveis e conectores têm a função de
garantir vitalidade e funcionalidade, este fato se deve por manter sempre
um fluxo de pessoas em diferentes horários.

De acordo com AGUIAR, (2014), o conceito de permeabilidade e


conectividade urbana refere-se à irrigação do território urbano por espaço
público, por ruas, e descreve o quanto as formas urbanas, em seu arranjo
espacial, podem facilitar ou dificultar o movimento de pessoas e veículos.

Espaços arborizados, com fluxo de pessoas, influenciam diversos


aspectos no funcionamento do sistema urbano como um todo. Além de
proporcionar contato com a natureza, e oferecer diversas atividades de
lazer, a qualidade espacial urbana pode contribuir para melhoria da saúde
mental e física dos usuários, criar identidade para o espaço urbano,
promover a socialização e melhorar o microclima.

O posicionamento, das áreas permeáveis contribuem de forma


ativa, para a permanência dos usuários. Segundo JACOBS (2000), o
sucesso ou fracasso de parques de bairro depende do tipo de uso do solo

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existente ao seu redor. Diversidade de usos e de pessoas gera diferentes


necessidades e horários de utilização, que por sua vez auxiliam o parque a
ser utilizado em diferentes horas do dia e da noite.

A localização no contexto mais amplo também é essencial. Ao invés


de posicionar o parque em áreas pouco densas, Jacobs aconselha
justamente o contrário: posicioná-lo onde já há vida urbana, gente
passando, fluxos de pedestres e interação microeconômica. Contribuindo
de forma positiva para a conformação do tecido urbano existente.

A integração do espaço público com o entorno pode oferecer


maiores possibilidades de utilização, contribuindo para o caráter
democrático, estimulando a copresença de pessoas com diferentes
classes sociais, etnias, culturas e origens.

Oferecer permeabilidade e conectividade, mesmo que em


pequena escala pode de fato tornar o ambiente ou espaço mais
convidativo, e ainda atuar como incentivadores à vivência do espaço
público. Um espaço permeável torna-se uma memória, mesmo que esta
esteja ligada a uma redução de percurso, o espaço está ali, próximo, com
todos os seus atrativos.

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