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Língua Portuguesa

Colégio Santa Dorotéia Atividades para


Área de Códigos e Linguagens Estudos Autônomos
Disciplina: Língua Portuguesa Data: 5 / 6 / 2018
Ano: 6º – Ensino Fundamental Valor: xx,x pontos
Professoras: Priscila e Rina

Aluno(a): ________________________________________________ Nº: _____ Turma: _____

Conteúdo explorado nesta atividade:


• Interpretação de texto narrativo; linguagem verbal e não verbal;
• Elementos e momentos da narrativa;
• Variações linguísticas;
• Classe gramatical: substantivo;
• Discurso direto e discurso indireto.

Onde estudar?
• Livro de Português: unidades 1 e 2
• Atividades complementares (folhas avulsas)
• Anotações no caderno de atividades diárias e no de produção de texto.
• Estudos autônomos disponíveis no site ao longo da etapa.

TEXTO 1
O MENINO E O LIVRO

[...]
Entrei na livraria para procurar um livro sobre contos de fada, que eu gosto muito de história de fada
e, na ocasião, estava fazendo uma pesquisa sobre isso. [...]
Eu já estava havia um tempão na livraria, já tinha encontrado um monte de livros legais, só faltava
escolher qual levaria. Aí, de repente, bem escondidinho no meio das estantes, sentadinho no chão,
estava um menininho muito distraído, com um livro na mão.
[...]
Era um desses menininhos que quem é mãe logo vê que ele não tem uma – ou, se tem (ou tinha),
provavelmente ela não tem nem condições de cuidar dele. É porque eu acho que mãe só não cuida dos
filhos quando não pode.
Enfim, era um menininho sem mãe, desses que andam pelas ruas, e a gente encontra a toda
hora. [...]
Fiquei muito espantada. Nunca tinha visto um menininho daqueles entrando em uma livraria, a não
ser para pedir um dinheirinho. Mas aquele não estava pedindo nada a ninguém. Muito pelo contrário,
ele nem queria conversa, só queria ler o seu livro sossegado.
Confesso que a primeira coisa que pensei foi que ele estivesse ali para roubar algum livro, ou se
escondendo para roubar quem entrasse na livraria. A gente sempre pensa isso de menininhos sujos e
sem mãe. Fiquei até com um pouco de medo.
Como sou muito enxerida, fui chegando perto dele e tentei conversar:
— Oi, você gosta de ler?
Na hora eu não consegui pensar em nada melhor, e acabei fazendo uma pergunta meio boba:
se ele estava ali, lendo, é claro que gostava de ler, não é?
— Gosto – respondeu o menininho, sem nem tirar os olhos do livro.
Comecei a ficar preocupada com aquele menininho sentado ali. E se o vendedor pensasse que ele
queria roubar e o mandasse embora? Vai que até chamasse a polícia se ele não quisesse sair.
Resolvi que iria comprar um livro para ele. Bem que ele merecia! Até me lembrei de algumas
crianças que eu conheço que nem dão bola para livros e só querem saber de videogames.
— Você quer um livro desses? Pode escolher que eu te dou.
— Não, não quero.
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Bem, aí mesmo é que eu não entendi mais nada. Como é que um menininho daqueles, sujinho e
sem mãe, recusava um presente meu?
— Olhe, não fique envergonhado, eu posso comprar pra você o livro que você quiser.
— Não quero, não, obrigado.
Eu ia falar não sei mais o quê, quando o vendedor se aproximou e foi logo me dizendo:
— Precisa ter medo não, moça. Ele não é ladrão, não, a gente já conhece. Todos os dias ele vem
aqui pra ler e fica aí, horas distraído com os contos de fadas.
Fiquei morrendo de vergonha! Era a primeira vez que um vendedor protegia um menino de rua de
mim. E eu que sempre pensei que todos os vendedores não gostassem de menininhos magrinhos,
raquíticos, sujinhos e sem mãe...
Para disfarçar a minha vergonha, continuei insistindo com o menino:
— Olhe este livro aqui, veja como ele é bonito: aqui tem um monte de histórias legais... Pode
escolher... Você vai levar qual? Quer levar esses dois?
— Moça, eu não quero nenhum!
Acho que a minha cara de espanto foi tão grande que o menino resolveu me contar por que ele não
queria levar os livros.
— Moça, eu não tenho casa, moro na rua. Durmo ali na Candelária, e lá a gente não tem onde
guardar as coisas. Se eu levar esses livros, os outros vão roubar. Por isso é que eu venho ler aqui.
Todo mundo aqui já me conhece. Depois que eu lavo as mãos, eles deixam eu mexer em todos os
livros que eu quiser. Nunca estraguei nenhum! Amanhã, quando eu voltar, vou ler esses que a senhora
me mostrou, são muito bonitos.
Disse isso e foi saindo da livraria com a mesma calma com que, provavelmente, tinha entrado. [...]

MARTINS, Georgina. No olho da rua: historinhas quase tristes. São Paulo: Ática, 2002.

QUEST 1
a) IDENTIFIQUE o tipo de narrador do texto.

b) JUSTIFIQUE a escolha do autor por esse tipo de narrador.

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QUEST 2
Você estudou, durante as nossas aulas, os elementos que compõem um texto narrativo: situação
inicial, conflito, clímax e desfecho. Do texto 1, APONTE

a) o conflito.

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b) o desfecho.

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QUEST 3
A narradora refere-se ao garoto da livraria como um menino de rua, “sem mãe”.

EXPLIQUE que elementos descritivos provam que o garoto era de rua e, provavelmente, não tinha
uma família que cuidasse dele de forma adequada.

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QUEST 4
RELEIA este trecho com atenção:

“Para disfarçar a minha vergonha, continuei insistindo com o menino:


— Olhe este livro aqui, veja como ele é bonito: aqui tem um monte de histórias legais... Pode
escolher... Você vai levar qual? Quer levar esses dois?
— Moça, eu não quero nenhum!”

Agora, REESCREVA-O, empregando apenas o discurso indireto e mantendo o mesmo narrador.

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QUEST 5
O texto 1 apresenta, predominantemente, linguagem formal. Mas nele há traços de linguagem
informal e não padrão.

ASSINALE a alternativa que traz um exemplo dessa linguagem coloquial e não padrão.

a) “Era a primeira vez que um vendedor protegia um menino de rua de mim.”


b) “Amanhã, quando eu voltar, vou ler esses que a senhora me mostrou, são muito bonitos.”
c) “Para disfarçar a minha vergonha, continuei insistindo com o menino:”
d) “Até me lembrei de algumas crianças que eu conheço que nem dão bola para livros e só querem
saber de videogames.”
e) “Muito pelo contrário, ele nem queria conversa, só queria ler o seu livro sossegado.”

QUEST 6
RELEIA este pensamento da narradora:

“Confesso que a primeira coisa que pensei foi que ele estivesse ali para roubar algum livro, ou se
escondendo para roubar quem entrasse na livraria. A gente sempre pensa isso de menininhos sujos
e sem mãe. Fiquei até com um pouco de medo.”

Esse pensamento revela que a autora apresentou, em relação à criança, uma atitude

a) preconceituosa.
b) constrangedora.
c) compreensiva.
d) respeitosa.
e) vergonhosa.
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O próximo texto apresenta a opinião de uma jornalista sobre a importância da leitura. LEIA-A.

TEXTO 2

O QUE SIGNIFICA A LEITURA PARA VOCÊ?

Foi na adolescência que eu descobri que os livros, para mim, eram tão importantes quanto as
pessoas. Minha mãe, professora de Português e autora de belos poemas, mostrou-me, ainda na
infância, a riqueza do mundo das palavras. Mas foi na adolescência que essas palavras me
arrebataram. Junto com as músicas dos Beatles, eu descobri os livros de Eça de Queiroz, Dostoievski,
Erico Verissimo e Henry Miller, um cardápio pesado para meu paladar ainda verde de adolescente, mas
que me alimentava a alma até a quase saciedade. Era o começo de uma história de amor que o tempo
só fez amadurecer e reforçar. Hoje, tantos anos depois dos meus primeiros mergulhos nos livros,
continuo a me apaixonar por eles com o mesmo encantamento e a mesma intensidade que sentia nas
tardes chuvosas da minha adolescência, em Araxá.
Recentemente, fiz uma palestra para um grupo de universitários sobre o gosto pela leitura.
Disse a eles que, frequentemente, quando estou participando de algum compromisso social (as festas e
os coquetéis da vida), fico ansiosa para chegar em casa e encontrar os personagens do livro que estou
lendo no momento. São como pessoas que me esperam, prontas para contar suas histórias, quase
sempre mais interessantes do que as que ouço nas festas. Os estudantes riram, incrédulos.
Fizeram piadas, brincadeiras de certa forma agressivas, debochando daquela jornalista que trata
personagens como se fossem pessoas e prefere um livro a uma festa. Na hora, fiquei bem sem-graça.
Mas durou pouco meu desapontamento. Chegando em casa, peguei meu livro policial e li, com
voracidade, até de madrugada. Meus personagens me contaram segredos, desvendaram crimes
impressionantes, me fizeram rir e sentir medo, me levaram de Los Angeles a Dallas. Quando fechei o
livro para dormir, já tinha me esquecido dos universitários e suas piadas.
É por isso que eu amo ler. Leitura é viagem de volta ao mundo, viagem para dentro de nós, terapia,
remédio, prazer, tudo junto, e sem que a gente tenha que sair de casa. Mineiramente concluindo:
é bom demais.

(Leila Ferreira - Jornalista da Rede Minas - Extraído de: Diálogo nº 17 – Dez. 2000)

Vocabulário:

• Arrebatar: tirar com violência ou força; levar; raptar.


• Incrédulo: próprio de quem não crê, descrente.
• Desapontamento: decepção.
• Voracidade: qualidade de voraz, ou seja, aquele que devora, que destrói, ambicioso.

QUEST 7
RELEIA o seguinte fragmento:

“[...] mas que me alimentava a alma até a quase saciedade.”

ASSINALE a alternativa que faz uma tradução adequada da expressão destacada na frase.

a) enchia de desejo
b) orgulhava
c) satisfazia
d) fazia rir
e) entristecia
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RELEIA o seguinte trecho, para responder às questões 8 e 9.

“Junto com as músicas dos Beatles, eu descobri os livros de Eça de Queiroz, Dostoievski, Érico
Veríssimo e Henry Miller, um cardápio pesado para meu paladar ainda verde de adolescente [...]”

QUEST 8
ESCLAREÇA o que a autora quis dizer com a expressão destacada.
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QUEST 9
a) CITE os substantivos próprios empregados no trecho em análise.

b) JUSTIFIQUE o emprego dos mesmos no trecho.


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QUEST 10
RELEIA o fragmento a seguir:

“Era o começo de uma história de amor que o tempo só fez amadurecer e reforçar. Hoje, tantos
anos depois dos meus primeiros mergulhos nos livros, continuo a me apaixonar por eles com o
mesmo encantamento e a mesma intensidade que sentia nas tardes chuvosas da minha
adolescência, em Araxá.”

a) IDENTIFIQUE a classe gramatical das palavras sublinhadas no trecho.

b) APONTE, para cada uma, a palavra que deu origem a elas, ou seja, a palavra primitiva
correspondente.

• Encantamento: ___________________________________
• Intensidade: ______________________________________

QUEST 11
Agora, COMPARE o fragmento anterior com a seguinte fala da escritora Ana Maria Machado:

“Dá até pena de quem não teve a chance de descobrir livros bons e não sabe como é gostoso...
É meio como quem nunca teve a sorte de se apaixonar por alguém e ser correspondido...”

CITE o que Leila Ferreira e Ana Maria Machado têm em comum em relação aos livros.
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Para responder à última questão, LEIA a tirinha.

TEXTO 3

QUEST 12
No texto 3, pode-se perceber o emprego de um(a)

a) linguagem informal, mas numa variedade padrão.


b) dialeto, que é resultado das variedades regionais.
c) linguagem coloquial, própria das grandes metrópoles.
d) dialeto específico, próprio de um grupo profissional.
e) linguagem formal, empregada por um grupo social.

GABARITO

1) a) Narrador personagem ou de 3ª pessoa.


b) A autora escolheu esse tipo de narrador, porque ela relata um fato que aconteceu com ela
mesma.
2) a) O conflito começa quando a autora percebe um garotinho em um cantinho da livraria que lhe
chamou a atenção, pois parecia um menino de rua, considerando, do ponto de vista dela, que
ele estava malvestido e sujo.
b) O desfecho ocorre quando o garotinho esclarece para a autora o porquê de sua recusa em
relação à oferta que ela lhe faz de querer presenteá-lo com um livro.
3) O garoto estava sujo, sozinho e malvestido.
4) Sugestão: Para disfarçar a minha vergonha, continuei insistindo com o menino, dizendo-lhe que
olhasse como era bonito o livro que estava em minhas mãos, que tinha muitas histórias legais nele.
Falei que ele poderia escolher um dos livros e perguntei-lhe se ele gostaria de levar dois. Ele me
respondeu que não queria nenhum.
5) D
6) A
7) C
8) A autora quis dizer que aqueles livros eram difíceis para uma adolescente imatura como ela.
9) a) Os substantivos próprios são Beatles, Eça de Queiroz, Dostoievski, Erico Verissimo e Henry
Miller.
b) Esses substantivos foram usados para nomear seres específicos.
10) a) Substantivos
b) Encanto e Intenso
11) As duas demonstram ter uma relação próxima e de amor com os livros.
12) B
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