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E. E. Pe.

José Scampini

Apostila sobre os TERMOS DA ORAÇÃO - 1º BIMESTRE


Aluno(a): ______________________________________nº: _________ _____º ano: ______
Língua Portuguesa – Prof. Gil
Fernando Pessoa ortônimo : Eu não evoluo, viajo
Características temáticas: oposição sinceridade/fingimento, sentir/pensar, consciência/inconsciência; solidão
interior; angústia existencial; dor de viver e dor de pensar; tentativa de superação através de evocação da infância;
refúgio no sonho; intelectualização da emoção; intuição de um destino coletivo e épico para o seu País.
Características de linguagem e estilo: grande sensibilidade musical (aliterações, ritmo, verso geralmente curto,
predomínio da quadra e da quintilha); adjetivação expressiva; pontuação emotiva; uso frequente de frases nominais;
comparações, metáforas originais, antíteses; reaproveitamento de símbolos tradicionais (água, rio, mar,...);
linguagem sóbria e límpida.

Alberto Caeiro: Eu não penso, sinto


Características temáticas: o “Mestre” dos outros; o poeta dos sentidos – Sensacionismo (predomínio das
sensações por oposição ao pensamento; poesia do “olhar”; poesia das sensações tais como são; interpretação do
mundo a partir dos sentidos); relação de harmonia com a natureza (integração e comunhão com a Natureza;
atenção à “eterna novidade do mundo”; de ambulismo bucólico; recusa do pensamento; aceitação do mundo, da
vida, da morte; poesia do presente e imediato; panteísmo naturalista). Mas também o paradoxo: contradição entre a
“teoria” e a “prática”
Características de linguagem e estilo: verso livre, métrica e estrofes irregulares; pobreza lexical, linguagem
simples; adjetivação objetiva; frases simples e predomínio do presente do indicativo (e uso do infinito ou do
gerúndio); predomínio da coordenação e do polissíndeto; nomes concretos e artigos definidos. Mas também o
paradoxo: comparações e metáforas; discurso argumentativo, com causais e adversativas

Ricardo Reis: Eu domino-me e abdico


Características temáticas: Paganismo (crença nos deuses e na civilização grega); fatalismo (passividade,
indiferença, ausência de compromisso com o Mundo; consciência da precariedade da vida; medo da morte);
Epicurismo (busca da felicidade relativa, moderação nos prazeres, fuga à dor; “carpe diem” - vive o momento);
Estoicismo (aceitação das leis do destino - a passagem do tempo e a morte - , autodisciplina face às paixões e à
dor; intelectualização das emoções); culto do Belo, como forma de superar a efemeridade dos bens e a miséria da
vida.
Características de linguagem e estilo: Classicismo (uso da Ode, de ideias e linguagem de inspiração clássica;
predomínio da subordinação; uso frequente do gerúndio, do imperativo ou do conjuntivo; metáforas,
comparações, ...; estilo construído com muito rigor; discurso moralista).

Álvaro de Campos: Eu sinto tudo e canso-me


Características temáticas: Futurismo (2ª fase): exaltação da civilização industrial e da técnica; da força, da
violência, do excesso; ruptura com a lírica tradicional; atitude escandalosa. Sensacionismo: vivência excessiva das
sensações, “Sentir tudo de todas as maneiras”, vontade doentia de fusão com o mundo tecnológico. Abulia (3ª fase):
cansaço, tédio, pessimismo, solidão; angústia existencial e dor de pensar; fragmentação do “eu”; as saudades da
infância. (o “reencontro” com o F. Pessoa Ortónimo)
Características de linguagem e estilo: verso livre, por vezes, muito longo; onomatopeias, aliterações; grafismos
expressivos; mistura de níveis de língua; estrangeirismos e neologismos; enumerações excessivas, exclamações,
interjeições, apóstrofes, pontuação emotiva; metáforas ousadas, antíteses, personificações, hipérboles, anáforas,...;
desvios às regras sintácticas.
EXERCÍCIOS:
Leia o poema a seguir para responder às questões de 01 a 03.

Cruz na porta da tabacaria!


Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem estar que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.

Quem era? Ora, era quem eu via.


Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.

Ele era o dono da tabacaria.


Um ponto de referência de quem sou.
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.

Meu coração tem pouca alegria,


E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.

Mas ao menos a ele alguém o via.


Ele era fixo, eu, o que vou.
Se morrer, não falto, e ninguém diria:
Desde ontem a cidade mudou.

(Álvaro de Campos,"Poesias")

01. Identifique duas marcas formais que, no poema acima, contribuem para criar a idéia de monotonia.
02. Do ponto de vista do "eu lírico", que fato quebra essa monotonia?
03. Qual a consequência, para o "eu lírico", da quebra dessa monotonia? Justifique sua resposta.

Leia estes versos de 1914, do poeta Fernando Pessoa:


Ode Triunfal
“À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto.
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r– eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!”
04. Esses versos de Fernando Pessoa podem ser relacionados a que idéias artísticas que circulavam na Europa no início do
século? Justifique sua resposta.
05. Transcreva passagens do texto que mostram a mitificação da máquina, que surge como uma espécie de ídolo com a qual o
eu lírico quer se identificar.
06. Transcreva o verso que resume bem o desejo do poeta de criar uma linguagem perfeitamente adequada ao moderno
mundo das máquinas.

07Leia este texto:


“Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas –
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.”
a) A rosa é uma flor bonita, mas de vida curta. Nas artes em geral, especialmente na literatura, a rosa costuma ser vista como
símbolo de quê?
b) O eu lírico pede que o coroem de rosas, observando que há algo em comum entre ele e as rosas. O quê?
c) Para você, que significado pode ter o verso que fecha o poema?
d) Pelas características apresentadas, a que heterônimo de Fernando Pessoa pode ser atribuído esse poema? Por quê?

08. Considere este trecho de “As identidades do poeta”, poema escrito por Carlos Drummond de Andrade sobre Fernando
Pessoa:
“Que levava (leva) no bolso
Fernando Reis de Campos Caeiro Pessoa:
Irônico bilhete de identidade,
Identity card
Válido por cinco anos ou pela eternidade?
Que leva na alma:
Augúrios de sibila,
Portugal e entristecer,
A desastrosa máquina do universo?
Fernando Pessoa caminha sozinho]
Pelas ruas da Baixa,
Pela rotina do escritório
Mercantil hostil
Ou vai, dialogante, em companhia
De tantos si-mesmos
Que mal pressentimos
Na seca solitude
De seu sobretudo?”
a) Por que o poeta português é chamado de “Fernando Reis de Campos Caeiro Pessoa”?
b) “Que leva na alma: / augúrios de sibila, / Portugal a entristecer, / a desastrosa máquina do universo?” Nesses versos,
podemos reconhecer as características básicas de três heterônimos de Fernando pessoa. Identifique-as e relacione-as com os
heterônimos correspondentes.
Autopsicografia
Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
1- Dê o significado dos radicais que entram na composição do título do poema (auto e psicografado). O que ele nos sugere,
relacionado que está ao caráter metalinguístico do texto?
2- Literatura é ficção, palavra originária do latim fictione, que significa simulação, fantasia. O texto literário cria uma nova
realidade, baseada não só no mundo real, mas também na imaginação e criação do artista. Em que verso o eu-lírico retoma
esse conceito?
5- Identifique nos textos seguintes os principais heterônimos de Fernando Pessoa e justifique apresentando as características:
Amo-vos a todos a tudo, como uma fera
Amo-vos carnivoramente,
Pervertidamente e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis e inúteis,
Ó coisas todas modernas.
Ó minhas contemporâneas, forma atual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
b) O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol
É assim, azul e calmo,
Porque Não interroga nem se espanta...
c) Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio,
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos)

PRÉ-MODERNISMO
O pré-modernismo (ou ainda estética impressionista) foi um período literário brasileiro, que marca a transição entre o
simbolismo e modernismo e o movimento modernista seguinte. Em Portugal, o pré-modernismo configura o movimento
denominado saudosismo
O termo pré-modernismo parece haver sido criado por Tristão de Athayde, para designar os "escritores
contemporâneos do neo-parnasianismo, entre 1910 e 1920", no dizer de Joaquim Francisco Coelho.

Contexto histórico
Para os autores, o momento histórico brasileiro interferiu na produção literária, marcando a transição dos valores
éticos do século XIX para uma nova realidade que se desenhava, essencialmente pautado por uma série de conflitos como o
fanatismo religioso do Padre Cícero e de Antônio Conselheiro e o cangaço, no Nordeste, as revoltas da Vacina e da Chibata,
no Rio de Janeiro, as greves operárias em São Paulo e a Guerra do Contestado (na fronteira entre Paraná e Santa Catarina);
além disso a política seguia marcadamente dirigida pela oligarquia rural, o nascimento da burguesia urbana, a industrialização,
segregação dos negros pós-abolição, o surgimento do proletariado e: finalmente, a imigração europeia.
Além desses fatos somam-se as lutas políticas constantes pelo coronelismo, e disputas provincianas como as
existentes no Rio Grande do Sul entre maragatos e republicanos.

CARACTERÍSTICAS DO PRÉ-MODERNISMO
RUPTURA COM O PASSADO – Os autores adotaram inovações que feriam o academicismo.
REGIONALISMO – A realidade rural brasileira é exposta sem os traços idealizadores do Romantismo. A miséria do homem
do campo é apresentada de forma chocante.
LITERATURA-DENÚNCIA – Os livros são escritos em tom de denúncia da realidade brasileira. O Brasil oficial (cidades da
Região Sul, belezas do litoral, aspectos positivos da civilização urbana) é substituído por um Brasil não-oficial (sertão
nordestino, caboclos interioranos, realidade dos subúrbios).
CONTEMPORANEIDADE – A literatura retrata fatos políticos, situação econômica e social contemporâneos, diminuindo a
distância entre realidade e ficção. Vejamos obras e autores que exemplificam isso:
a) Triste fim de Policarpo Quaresma, de LIma Barreto – Retrata o governo de Floriano Peixoto e a Revolta da Armada.
b) Os Sertões, de Euclides da Cunha – Faz um relato da Guerra de Canudos, mostrando-a como uma das primeiras
manifestações pela terra no Brasil.
c) Cidades Mortas, de Monteiro Lobato – Mostra a passagem do café pelo Vale do Paraíba paulista.
d) Canaã, de Graça Aranha – Exibe um documento sobre a imigração alemã no Espírito Santo.
Autores e suas obras

Os principais pré-modernistas foram:


Euclides da Cunha, com Os Sertões, onde aborda de forma jornalística a Guerra de Canudos; a obra, dividida em três
partes (A Terra, O Homem e A Luta), procura retratar um dos maiores conflitos do Brasil. O sertão baiano e pernambucano
onde se deram as lutas, era um ambiente praticamente desconhecido dos grandes centros, e as lutas marcaram a vida
nacional: o termo favela, que tornou-se comum depois, designava um arbusto típico da caatinga, e dava nome a um morro em
Canudos.
Graça Aranha, com Canaã, retrata a imigração alemã para o Brasil. Nesse livro tinha o constante conflito entre dois
imigrantes Milkau e Lentz que discutiam se o dinheiro era mais importante do que o amor.
Lima Barreto, que faz uma crítica da sociedade urbana da época, com Triste Fim de Policarpo Quaresma e
Recordações do Escrivão Isaías Caminha; e O Homem Que Sabia Javanês
Monteiro Lobato, com Urupês e Cidades Mortas, retrata o homem simples do campo numa região de decadência
econômica; Ele também foi um dos primeiros autores de literatura infantil, desse modo, transmitindo ao público infantil valores
morais, conhecimentos do Brasil, tradições, nossa língua. Destaca-se no gênero conto. E foi, também, um dos escritores
brasileiros de maiores prestígios.
Valdomiro Silveira, com Os Caboclos, e Simões Lopes Neto, com Lendas do Sul e Contos Gauchescos, precursores
do regionalismo, retratam a realidade do sul brasileiro.
Augusto dos Anjos que, segundo alguns autores, trazia elementos pré-modernos, embora no aspecto linguístico tenda
para o realismo-naturalismo, em seus Eu e Outras Poesias
Outros autores:
Figuram como escritores desse período, embora guardem no estilo mais elementos das escolas precedentes, autores
como Afonso Arinos, Alcides Maya e Coelho Neto. Este último, ao lado de Afrânio Peixoto, tendia a uma visão da literatura
como simples ornato social e cultural. Raul de Leoni pode ser, também, tido como pré-modernista, mas o seu Luz Mediterrânea
tende ao Simbolismo.

EXERCÍCIOS
EUCLIDES DA CUNHA
O livro Os sertões, de Euclides da Cunha, é de difícil classificação. Para criar todo o embasamento científico
necessário ao estudo das condições que contribuíram para um conflito como o de Canudos,
Euclides da Cunha dividiu sua obra em três partes:
A Terra (primeira parte) – apresentação detalhada das características do sertão nordestino;
O Homem (segunda parte) – retrato do sertanejo, em que o texto procura demonstrar o impacto do meio sobre as
pessoas;
A Luta (terceira parte) – narração dos embates entre as tropas oficiais e os seguidores de Antônio Conselheiro.
A seguir, você vai ler três textos, extraídos da obra Os sertões, que analisamos em nossas aulas. O texto I, retirado da primeira
parte, é uma descrição da caatinga; o texto II, da segunda parte, descreve o sertanejo; e o texto III, da terceira parte, trata da
guerra e de seu significado. Após a leitura dos textos, responda a questão.
TEXTO I
Então a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem
o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas. Ao passo que a caatinga o afoga; abrevia-lhe o olhar;
agride-o e estonteia-o; enlaça-o na trama espinescente e não o atrai; repulsa-o com as folhas urticantes; com o espinho, com
os gravetos estalados em lanças; e desdobra-se-lhe na frente léguas e léguas, imutável no aspecto desolado: árvores sem
folhas, de galhos retorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo
solo, lembrando um bracejar imenso, de tortura, de flora agonizante...
Euclides da Cunha. Os sertões.
São Paulo: Círculo do Livro, 1975. p. 38.
TEXTO II
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua
aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura
corretíssima das organizações atléticas. (...) Este contraste impõe-se ao mais leve exame. Revela-se a todo o momento, em
todos os pormenores da vida sertaneja – caracterizado sempre pela intercadência impressionadora entre extremos impulsos e
apatias longas.
Idem, p. 92-3.
TEXTO III
Decididamente era indispensável que a campanha de Canudos tivesse um objetivo superior à função estúpida e bem
pouco gloriosa de destruir um povoado dos sertões. Havia um inimigo mais sério a combater, em guerra mais demorada e
digna. Toda aquela campanha seria um crime inútil e bárbaro, se não se aproveitassem os caminhos abertos à artilharia para
uma propaganda tenaz, contínua e persistente, visando trazer para nosso tempo e incorporar à nossa existência aqueles rudes
compatriotas retardatários.
(...)
Fechemos este livro.
Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo,
na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores que todos morreram. Eram
quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.
Idem, p. 405 e 476.

O relato de Euclides da Cunha revela influência da época e, ao mesmo tempo, o emprenho em chegar à verdade dos fatos.
1) Identifique no texto II um trecho que comprove a influência de teorias raciais existentes no começo do século XX e
transcreva-o.
2) Os textos I, II e III são trechos, respectivamente, das três partes que constituem a obra Os sertões. Pode-se afirmar que a
própria estrutura da obra revela uma concepção naturalista? Por quê?

AUGUSTO DOS ANJOS


A linguagem característica dos poemas de Augusto dos Anjos surpreende os leitores. O poeta recorre à ciência para
melhor definir suas preocupações com a origem da angústia moral que, a seu ver, atormenta a humanidade. Obcecado com a
ideia das forças da matéria, que pulsam em todos os seres e conduzem ao “nada” absoluto, o poeta usa o verme como
símbolo desse processo de decomposição. Leia atentamente o poema abaixo, um soneto no qual o eu lírico trata da morte em
sua dimensão física, e responda as questões seguintes.
O Deus-Verme
Fator universal do transformismo,
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme – é o seu nome obscuro de batismo.
Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.

Almoça a podridão das drupas agras,


Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...

Ah! Para ele é que a carne podre fica,


E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!
Augusto dos Anjos. Eu. In: Alexei Bueno (Org.). Obra
completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 209.

1) Além do uso de termos da ciência – tais como teleológica, antropomorfismo, bactéria, verme, hidrópicos, vísceras –, o
assunto do poema chama a atenção: a “caracterização” do verme que se alimenta dos corpos em decomposição. Qual é essa
caracterização? Explique como o poeta a realiza.

2) O tema da morte é abordado por muitos poetas, que tratam de sua dimensão espiritual ou sentimental. Como a morte é
apresentada no poema?

3) No título do poema, o verme é definido como um “deus” a quem se destina “a carne podre”. Explique de que maneira esse
processo de “divinização” dos vermes revela uma visão racional da morte.

A ideia
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta


Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que as constringe,


Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,


Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

O deus-verme
Fator universal do transformismo
Filho da teleológica matéria
Na superabundância ou na miséria,
Verme – é o seu nome obscuro de batismo

Jamais emprega acérrimo exorcismo


Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.
Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...

Ah! Para ele é que a carne podre fica,


E no inventário da matéria rica
Cabe a seus filhos a maior porção!

4) De acordo com o primeiro texto, de onde provêm as ideias humanas? Essa é uma concepção materialista ou capitalista?
Explique.
5) As ideias humanas conseguem libertar-se? Explique.
6) O verso “Tísica, tênue, mínima, raquítica...” apresenta interessantes particularidades rítmicas. Comente
7) “Psicogenética”, “absconso” e “molambo” são palavras de um mesmo nível de linguagem? Explique.
8) O segundo texto é particularmente desagradável. Identifique o tema e responda: que postura existencial nos transmite um
poema como esse? Comente.
9)De que forma o segundo procura superar a incapacidade de expressão atribuída no primeiro poema ao “molambo da língua
paralítica”? Explique.
10) A poesia de Augusto dos Anjos é um sucesso de público.
a) Releia em voz alta os poemas e responda: os versos são agradáveis ao ouvido? Comente.
b) A linguagem científica produz algum efeito sobre o leitor? Comente.
c) Esse tipo de poesia lhe agrada? Por quê?
11) Qual é a característica principal de Augusto dos Anjos?
MONTEIRO LOBATO
1) No prefácio da primeira edição de Urupês, diz Monteiro Lobato:
"E aqui aproveito o lance para implorar perdão ao pobre Jeca. Eu ignorava que eras assim, meu Tatu, por motivo de doença.
Hoje é com piedade infinita que te encara quem, naquele tempo, só via em ti um mamparreiro de marca. Perdoas?"
A partir deste fragmento, considerando o contexto do artigo "Urupês" e a trajetória intelectual de Lobato, responda:
a) O que significa 'mamparreiro' - termo corrente no norte do Brasil?
b) O que Lobato descobre em relação à natureza física e mental do caboclo brasileiro, assim como à sua condição histórica e política,
que lhe permite fazer esta auto-crítica ainda em 1918?

2) Dois olhares para o mesmo conflito:


I. Euclides da Cunha, no final de Os Sertões, registrava:
“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, [...] caiu
no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois
homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.”
II. Já Olavo Bilac, escrevendo sobre o mesmo episódio, comemorava: “Enfim, arrasada a cidadela maldita! Enfim, dominado o antro
negro, cravado no centro do adusto sertão, onde o Profeta das longas barbas sujas concentrava sua força diabólica, feita de fé e de
patifaria, alimentada pela superstição e pela rapinagem!”
a) Que visão cada trecho manifesta sobre o episódio?
b) O que pode explicar duas visões tão diferentes a respeito de um mesmo acontecimento?
c) Essas visões diferentes refletem a visão da época? Por quê?

Resumão sobre este assunto:


Questionário sobre autores pré-modernistas:
1. Dentre todos os autores da prosa pré-modernista, comente a questão da linguagem apresentada em suas
obras. (Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Graça Aranha).
2. Comente a mudança apresentada do ponto de vista de análise das questões sociais/ literárias das obras pré-modernistas.
3. Percebendo a visão da época, uma visão determinista de mundo, comente a questão do preconceito na obra
de Euclides da Cunha e de Monteiro Lobato e faça um paralelo com o preconceito na obra de Lima Barreto.
4. Cite o livro mais importante de Euclides da Cunha, suas partes e seu assunto.
5. A obra de Euclides da Cunha constitui um marco literário e social. Narra, com zelo de cientista as
campanhas militares contra os seguidores de Antônio Conselheiro. O que há aí de literário?
6. Comente sobre o Jeca Tatu.
7. A personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato nega ou confirma o tratamento romântico dado ao homem rural?
8. Quais os autores pré-modernistas abordam o determinismo cientifico em suas obras e como isso aparece?
9. Comente a visão de mundo de Augusto dos Anjos.
10. Associe Augusto dos Anjos, essa sua visão de mundo e sua obra a uma vanguarda europeia e explique.