Você está na página 1de 13

INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA OBJETIVO – IEPO

CURSO DE DIREITO

ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA


APS

JUNHO/2019
Aluno: Pedro Henrique Lima Neves

Turma: DR5P32

Violência doméstica
Muitas são as pessoas que definem violência doméstica como
agressão física feita pelo marido à mulher. Ela existe em todos os
países e atinge todas as classes sociais. É o sintoma mais visível da
desigualdade de poderes nas relações entre homens e mulheres.
Durante muito tempo foi considerada como um tabu. Ninguém
falava dela, ninguém admitia tê-la testemunhado, ninguém fazia
nada para impedir, hoje, o assunto é mais público embora continue
a existir um muro de silêncio em torno das vítimas. Este silêncio
muitas vezes normalmente surge do medo de represarias.

A violência doméstica é um problema universal que atinge


milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma
silenciosa e dissimuladamente.

Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não


costuma obedecer a nenhum nível social, económico, religioso ou
cultural específico, como poderiam pensar alguns.

Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro,


devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas,
muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque,
comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência
Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom
desenvolvimento físico e mental da vítima.

Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a


principal causa de morte de jovens entre 5 e 19 anos. A maior parte
dessas agressões provém do ambiente doméstico.

Diante da tamanha abrangência que o assunto vem tomando


nos últimos anos, e que é de suma importância á todos, decidi
discorrer sobre o tema, percorrendo fontes de pesquisas, pra
melhor conclusão.

Violência Doméstica – é qualquer ato, omissão ou


conduta que provoque sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou
económicos, de modo direto ou indireto, por meio de ameaças,
enganos, coação ou qualquer outro meio, a qualquer pessoa que
habite na mesma casa (pais, filhos, cônjuges, companheiros ou
namorados e ainda crianças, jovens e idosos) ou que, não
habitando na mesma casa que o agressor, seja conjugue ou
companheira ou ex-cônjuge ou ex-companheira, ou tenha uma
relação de parentesco direta.

O Ministério da Justiça, paralelamente às novas disposições


legais conducentes a sanção penal dos agressores vem
desenvolvendo, em articulação com o Instituto da Condição
Feminina atividades com o objetivo de assegurar uma maior
proteção as vítimas, fomentar a cooperação e a coordenação entre
as várias entidades envolvidas neste combate, apoiar as
organizações não governamentais (ONG) que atuam nesta área,
aumentar a qualidade e a quantidade da informação relativa contra
as mulheres.

Para a consolidação e eficácia destas ações é necessário


sensibilizar as autoridades públicas e todos os profissionais que de
alguma forma tomam contacto com esta problemática, pois,
violência doméstica é um fenómeno que exige uma abordagem
cuidada e profissional, já pelas especificidades próprias da vítima,
constrangimentos e renitências, já pelo tipo do crime cujo combate
implica uma ingerência na intimidade e privacidade familiar.

Causas

As causas são várias:

Ø A principal causa é a causa cultural, se levarmos em conta


a própria estrutura da sociedade cabo-verdiana, isto é,
Cabo Verde foi formado na sua origem por escravos, como
se sabe um país de base escravagista e violenta por
excelência. Portanto a cultura da violência é inerente ao
homem cabo-verdiano.
Ø A segunda causa é a causa económica. É sabido que a
mulher é a principal vítima de violência doméstica e isto
porque ela foi sempre discriminada ao longo da história, o
homem é que ia a escola, era ele quem tinha o dever de
sustentar a casa, e a mulher não podia ir a escola porque o
principal papel dela era a procriação e educar os filhos por
isso, ainda muito dos nossos homens pensam desta
maneira e segundo estes, a mulher deve ficar em casa
cuidando dos filhos sem levar em conta outros direitos que
ela tem.
Ø A terceira causa é a causa psicológica. O homem ainda hoje
acha que a mulher que convive é propriedade sua. “Eu
mando, faço e posso.” O homem manda, agride e muitas
vezes a mulher fica num beco sem saída porque não tem
onde voltar por causa da pobreza ela muitas vezes aguenta
um conjunto de situações complicadas já que depende
totalmente do marido ou companheiro porque já tem um
conjunto de filmes esta é a principal razão de suportar
muitos abusos já que não tem outra forma de ganhar
sustento dos filhos.
Ø Há ainda um outro aspecto sociológico denominado
“incongruência de status” na qual, e mesmo que a
mulher lute ela fica sempre “descriminada”; ela pode ir à
escola, ganhar o seu salário tal e qual o homem, contribuir
no seu sustento da casa, na educação, mas sempre há uma
desproporcionalidade entre o homem e ela porque mesmo
que trabalhe fora, ela tem sempre a preocupação de chegar
mais cedo em casa e fazer os trabalhos domésticos, tais
como limpeza, alimentação, dar satisfação ao homem e etc.
coisas que por vezes o não se preocupa, mas fazendo uma
análise mais profunda, diríamos que todos estes fatores
estão contidos dentro da falta de educação, porque a
educação primária ou básica advém dos nossos pais e por
vezes por falta de conhecimento, porque os pais não
tiveram numa escola estão a sua vida fica limitada e
ninguém pode dar aquilo que não tem. Uma pessoa só pode
dar aquilo que tem.
Ø Os ciúmes também é uma causa muito frequente,
normalmente o agressor(a) observa o(a) seu (sua)
companheiro(a) conversando com uma pessoa do sexo
contrário e sente-se ameaçado e agride o(a)
companheiro(a).
Ø existem ainda muitas outras causas, cada um encara o
problema da sua forma.

Tipos de violência Doméstica

Violência Física

Violência física é o uso da força com o objetivo de ferir,


deixando ou não marcas evidentes. São comuns murros e tapas,
agressões com diversos objetos e queimaduras por objetos ou
líquidos quentes. Quando a vítima é criança, além da agressão ativa
e física, também é considerado violência os factos de omissão
praticados pelos pais ou responsáveis.

Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física


não é praticada diretamente. Tendo em vista a habitual maior força
física dos homens, havendo intenções agressivas, esses factos
podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da
mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade é
as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo,
durante o sono. São comuns, atualmente, a violência física
doméstica contra homens, praticados por namorados (as) ou
companheiros (as) dos filhos (as) contra o pai.

Apesar de nossa sociedade parecer obcecada e entorpecida


pelos cuidados com as crianças e adolescentes, é bom ressaltar que
um bom número de agressões domésticas é cometido contra os pais
por adolescentes, assim como contra avós pelos netos ou filhos.
Dificilmente encontramos trabalhos nessa área.

Não havendo uma situação de co-dependência do(a)


parceiro(a) à situação conflitante do lar, a violência física pode
perpetuar-se mediante ameaças de "ser pior" se a vítima reclamar
há autoridades ou parentes. Essa questão existe na medida em que
as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções
corretivas.

O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica


física. A Embriagues Patológica é um estado onde a pessoa que
bebe torna-se extremamente agressiva, às vezes nem lembrando
com detalhes o que tenha feito durante essas crises de ira. Nesse
caso, além das dificuldades práticas de coibir a violência,
geralmente por omissão das autoridades, ou porque o agressor
quando não bebe "é excelente pessoa", segundo as próprias
esposas, ou porque é o esteio da família e se for detido todos
passarão necessidade, a situação vai persistindo.

Também portadores de Transtorno Explosivo da Personalidade


são agressores físicos contumazes. Convém lembrar que, tanto a
Embriagues Patológica quanto o Transtorno Explosivo têm
tratamento. A Embriagues Patológica pode ser tratada, seja
procurando tratar o alcoolismo, seja às custas de
anticonvulsivantes (carbamazepina). Estes últimos também úteis
no Transtorno Explosivo.

Mesmo reconhecendo as terríveis dificuldades práticas de


algumas situações, as mulheres vítimas de violência física podem
ter alguma parcela de culpa quando o fato se repete pela 3a. Vez.
Na primeira ela não sabia que ele era agressivo. A segunda
aconteceu porque ela deu uma oportunidade ao companheiro de
corrigir-se, mas, na terceira, é indesculpável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram


agredidas fisicamente por seus parceiros entre 10% a 34% das
mulheres do mundo.

Violência Psicológica

A Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou


mais prejudicial que a física, é caracterizada por rejeição,
depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições
exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas
corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis
para toda a vida.
Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a
autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar
emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção,
carinho e de importância. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a)
é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz
alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim,
algum estado que exija atenção, cuidado, compreensão e
tolerância.

É muito importante considerar a violência emocional produzida


pelas pessoas de personalidade histérica, pelo fato dela ser
predominantemente encontrada em mulheres, já que, a quase
totalidade dos artigos sobre Violência Doméstica dizem respeito aos
homens agredindo mulheres e crianças. Esse é um lado da violência
onde o homem sofre mais.

No histérico, o traço prevalente é o “histrionismo”, palavra que


significa teatralidade. O histrionismo é um comportamento
caracterizado por colorido dramático e com notável tendência em
buscar atenção contínua. Normalmente a pessoa histérica conquista
seus objetivos através de um comportamento afetado, exagerado,
exuberante e por uma representação que varia de acordo com as
expectativas da plateia. Mas a natureza do histérico não é só
movimento e ação; quando ele percebe que ficar calado, recluso,
isolado no quarto ou com ares de “não querer incomodar ninguém”
é a atitude de maior impacto para a situação, acaba conseguindo
seu objetivo comportando-se dessa forma.

Através das atitudes histriónicas o histérico consegue impedir


os demais membros da família a se distraírem, a saírem de casa, e
coisas assim. Uma mãe histérica, por exemplo, pode apresentar um
quadro de severo mal-estar para que a filha não saia, para que o
marido não vá pescar, não vá ao futebol com amigos... A histeria
quando acomete homens é pior ainda. O homem histérico é a
grande vítima e o maior sacrificado, cujo sacrifício faz com que
todos se sintam culpados.

Outra forma de Violência Emocional é fazer o outro se sentir


inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão
emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com
esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente,
impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas
para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor
com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado,
diminuído e incompetente. Normalmente é o tipo de agressão
dissimulada pelo pai em relação aos filhos, quando esses não estão
saindo exatamente do jeito idealizado ou do marido em relação às
esposas.

O comportamento de oposição e aversão é mais um tipo de


Agressão Emocional. As pessoas que pretendem agredir se
comportam contrariamente àquilo que se espera delas. Demoram
no banheiro, quando percebem alguém esperando que saiam logo,
deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc. Até as
pequenas coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos
agressivos, como deixar uma torneira pingando, apertar o creme
dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso não serviria de
agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa,
se não fossem intencionais.

Essa atitude de oposição e aversão costuma ser encontrada em


maridos que depreciam a comida da esposa e, por parte da esposa,
que, normalmente se aborrecendo com algum sucesso ou
admiração ao marido, ridiculariza e coloca qualquer defeito em tudo
que ele faça.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes


de oposição como se fossem totalmente irrelevantes, como se
estivessem corretas, fossem inevitáveis ou não fossem
intencionais. "Mas, de fato a comida estava sem sal... Mas,
realmente, fazendo assim fica melhor..." e coisas do género.
Entretanto, sabendo que são perfeitamente conhecidos as
preferências e estilos de vida dos demais, atitudes irrelevantes e
aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente
agressivas.

As ameaças de agressão física (ou de morte), bem como as


crises de quebra de utensílios, mobílias e documentos pessoais
também são consideradas violência emocional, pois não houve
agressão física direta. Quando o(a) cônjuge é impedida(a) de sair
de casa, ficando trancado(a) em casa também se constitui em
violência psicológica, assim como os casos de controlo excessivo (e
ilógico) dos gastos da casa impedindo atitudes corriqueiras, como
por exemplo, o uso do telefone.

Violência Verbal

A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência


psicológica. Alguns agressores verbais dirigem sua artilharia contra
outros membros da família, incluindo momentos quando estes
estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar. Em
decorrência de sua menor força física e da expectativa da sociedade
em relação à violência masculina, a mulher tende a se especializar
na violência verbal, mas, de fato, esse tipo de violência não é
monopólio das mulheres.

Por razões psicológicas íntimas, normalmente decorrentes de


complexos e conflitos, algumas pessoas se utilizam da violência
verbal infernizando a vida de outras, querendo ouvir,
obsessivamente, confissões de coisas que não fizeram. Atravessam
noites nessa tortura verbal sem fim. "Você tem outra(o)).... Você
olhou para fulana(o))... Confesse, você queria ter ficado com ela
(e)" e todo tido de questionamento, normalmente argumentados
sob o rótulo de um relacionamento que deveria se basear na
verdade, ou coisa assim.

A violência verbal existe até na ausência da palavra, ou seja,


até em pessoas que permanecem em silêncio. O agressor verbal,
vendo que um comentário ou argumento é esperado para o
momento, se cala, emudece e, evidentemente, esse silêncio
machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa.

Nesses casos a arte do agressor está, exatamente, em


demonstrar que tem algo a dizer e não diz. Aparenta estar doente,
mas não se queixa, mostra estar contrariado, "fica bicudo," mas
não fala, e assim por diante. Ainda agrava a agressão quando
atribui a si a qualidade de "estar quietinho em seu canto", de não
se queixar de nada, causando maior sentimento de culpa nos
demais.
Ainda dentro desse tipo de violência estão os casos de
depreciação da família e do trabalho do outro. Um outro tipo de
violência verbal e psicológica diz respeito às ofensas morais.
Maridos e esposas costumam ferir moralmente quando insinuam
que o outro tem amantes. Muitas vezes a intenção dessas
acusações é mobilizar emocionalmente o(a) outro(a), fazê-lo(a)
sentir diminuído(a). O mesmo peso de agressividade pode ser dado
aos comentários depreciativos sobre o corpo do(a) cônjuge.

As mulheres são vítimas em 84,3% dos casos. Com mais


frequência, as vítimas estão nas seguintes faixas etárias: 24,6% de
18 a 35 anos, 21,3% de 36 a 45 anos e 13% de 46 a 55 anos.
Segundo pesquisas, as mulheres que apanham do parceiro têm
alguns aspectos psicológicos comuns.

Muitas vezes, elas até mantêm uma certa cumplicidade com as


atitudes agressivas do parceiro. Algumas destas mulheres vêm de
famílias onde a violência e os castigos físicos faziam parte do
quotidiano e é como se fossem obrigadas a repetir estas situações
em suas relações atuais.

No momento de escolher um parceiro, podem, mesmo não


sendo consciente, escolher homens mais agressivos,
inocentemente admirados por elas nos tempos de namoro. O
namorado agressivo era visto como protetor e o ciúme exagerado
que ele expressava era considerado uma "prova" de amor.

Um elemento comum na maioria destas mulheres é o medo de


não ter condição financeira para se manter ou aos filhos, se saírem
da relação. O dinheiro entra aí como fator de controlo sobre a
mulher. Voltamos a sugerir que os pais pensem se na educação dos
filhos não condicionam a liberdade deles pelo dinheiro, ameaçando
cortar o apoio financeiro como forma de obter respeito e obediência.
Esta atitude pode criar tanta insegurança na filha, ao ponto dela se
sentir incapaz de resolver sozinha seus próprios problemas quando
adulta.
Conclusão

A origem é cultural. Podemos ter as melhores políticas públicas, de


punição a agressores, mas se elas não incorporarem uma perspectiva
de prevenção, pensando em como é possível alterar normais sociais e
culturais, não vamos resolver o problema.
Temos a Lei Maria da Penha, a alteração na lei do estupro, a lei do
feminicídio, a de importunação sexual, são todas boas, mas a lei por si
só não resolve o problema. O menino que vê o pai batendo na mãe vai
bater na esposa. A menina que sofre violência sexual dentro de casa e
muitas vezes nem sabe que aquilo é uma violência. Se ouvir falar sobre
isso na escola, vai identificar que talvez ela seja vítima.

A violência doméstica existe em todo o mundo e atinge todas


as classes socais. É o sintoma mais visível da desigualdade de
poderes nas relações entre homens e mulheres.

A violência doméstica é um crime previsto na lei cabo-verdiana,


uma violação grave dos direitos humanos. O seu combate é uma
responsabilidade de toda a sociedade.

Não fechemos os olhos para a violência doméstica, ajudemos


as vítimas de violência doméstica a quebrarem o silêncio.
REFERÊNCIAS:

- Google.com

- Wikipédia, https://www.notapositiva.com

- Wikipédia, https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47365503