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A Utopia dos Ratos

por Mark Rok


Traduzido por Marco Aurélio Hoegen Martins

Nos anos 50, um etologista americano chamado John Calhoun criou uma sério de
experimentos para testar os efeitos da superpopulação no comportamento de animais sociais. Os
animais que Calhoun escolheu para estes experimentos foram camundongos (e mais tarde, ratos).
Ele escolheu roedores pois estes se reproduzem rapidamente, assim permitindo a ele observar o
desenvolvimento de várias gerações de ratos em um espaço de tempo relativamente curto.

Calhoun e seus pesquisadores descobriram que em um ambiente de espaço limitado e


recursos ilimitados, a população de camundongos explode; Chega a um auge e depois cai até a
extinção. Esses testes foram replicados várias vezes e se descobriu que os resultados são sempre
os mesmos. A razão para esse fenômeno foi atribuída à degeneração social que piorou a cada
geração. A degeneração levou a distúrbios no ambiente, que em sua vez levaram à fertilidade
abaixo da taxa de reposição. Se concluiu que a Natureza tem um limite para qual os animais
sociais podem interagir.

Os experimentos de John Calhoun ganharam reconhecimento internacional e seu


conselho foi procurado por agências governamentais como a NASA. Eles apresentaram um
insight ameaçador, porém útil do que pode ser nosso próprio futuro, pois não importa quantas
vezes Calhoun repetiu o experimento, os resultados levaram para a mesma conclusão inevitável:
extinção.

O Experimento

Sua equipe criou um ambiente confortável, ideal aos camundongos. Isso foi conseguido
pela montagem de uma gaiola com comida e água ilimitada. A sala tinha espaço para até três mil
ratos. Ela foi fechada, para que nem os camundongos pudessem sair ou predadores pudessem
entrar. Removendo o risco da predação, os camundongos poderiam crescer em um ambiente livre
de stress externo. O ambiente foi então dividido em diferentes unidades, o que permitiu a Calhoun
identificar como os diferentes grupos sociais se formariam.

Quatro casais de camundongos tiveram a saúde investigada. Após verificar que eles
estavam saudáveis, foram introduzidos na gaiola.

Calhoun observou a população de camundongos ao longo do experimento. Ele anotou


mudanças comportamentais e números populacionais. Descobriu assim que haviam quatro fazes
de mudanças populacionais observadas ao longo do experimento. O primeiro estágio, apelidado
de “ambição” era a fase em que os roedores exploravam e se ajustavam ao novo habitat, decidiam
seus territórios e faziam ninhos.

O segundo estágio foi chamado de “período da exploração”. Durante esse estágio a


população de camundongos explodiu. Calhoun observou que alguns compartimentos se tornaram
mais populosos que outros e, portanto, algumas unidades usavam mais recursos. Também se
notou que algumas delas começaram a ficar lotadas.

A terceira fase foi chamada de “Fase do Equilíbrio”. Durante essa fase, a população de
camundongos atingiu o auge de 2200 indivíduos, apesar de haver espaço para 3000. Durante a
terceira fase Calhoun observou o colapso da civilização de ratos. Ele notou que as novas gerações
foram inibidas, já que a maior parte do espaço já havia sido socialmente definido.
Os camundongos mostraram diferentes
tipos de disfunções sociais. Alguns se tornaram
violentos. Os machos lutaram uns com os outros
por aceitação, aqueles derrotados desistiam.
Alguns machos se tornaram alvos repetitivos de
ataques.

Calhoun anotou durante os experimentos:

“Muitas [camondongos fêmea] foram incapazes de


suportarem toda a gravidez, ou de sobreviverem ao
parto se fossem capazes. Um número ainda maior, após conseguir dar à luz com sucesso, estiveram aquém
de suas funções maternais. Entre os machos as perturbações comportamentais variavam de afastamento
sexual para canibalismo e de superatividade frenética para um afastamento patológico do qual os
indivíduos apenas sairiam para comer, beber e se mover quando os membros da comunidade estivessem
dormindo. A organização social dos animais demonstrou igual ruptura...”

[..]

“A fonte comum dessas perturbações se tornou mais dramaticamente aparente nas populações da nossa
primeira série de três experimentos, nas quais observamos o desenvolvimento do que chamamos de ralo
comportamental. Os animais se amontoariam em maior quantidade em uma das quatro gaiolas
interconectadas nas quais a colônia era mantida. Cerca de 60 dos 80 ratos em cada população
experimental se assentaria em uma das gaiolas durante os períodos de alimentação. Camundongos
solitários raramente comiam sem a companhia de outros camundongos. Como resultado, densidades
populacionais extremas se desenvolveram na gaiola adotada para comer, deixando as outras com
populações esparsas.”

[…]

“...Nos experimentos nos quais o ralo comportamental se desenvolveu, a mortalidade infantil chegou até
96% entre os grupos mais desorientados na população.” – John Calhoun

Novas gerações nascidas na agora disfuncional utopia de camundongos se tornaram


reclusas, passando seus dias se arrumando obsessivamente e dedicando seu tempo somente a
comer, beber e dormir. Essa geração, apesar de toda a ênfase que colocavam na arrumação, não
se reproduziriam. Além disso, esses camundongos foram percebidos como menos inteligentes que
as gerações predecessoras.

“...o limite que Calhoun impôs na sua população era o espaço – e conforme a população crescia, isso se
tornava progressivamente problemático. Enquanto as gaiolas ganhavam peso com os animais, um de seus
assistentes descreveu como a utopia dos roedores havia se tornado o inferno.”

A quarta fase era o declínio. Nessa fase a população despencou. O último rato morreu
600 dias após o experimento começar.

O Que os Humanos Podem Aprender Com os Camundongos?

O fator limitante do experimento de Calhoun era o espaço. Conforme o tempo passava,


os animais passavam as atitudes comportamentais negativas para a nova geração, com a adição
de novas atitudes antissociais. O que faz o espaço e, portanto sua falta, um fator tão decisivo no
desenvolvimento de animais sociais? E quais são as consequências da condensação da população?

Note como a evolução dos comportamentos apresentados pelos camundongos é paralela


àqueles do povo da Ilha de Páscoa, como explorado por Quintus Curtius no seu artigo do Return
of Kings, The Power of Choice. O povo da Ilha de Páscoa são um exemplo histórico de uma
versão humana do experimento da utopia dos camundongos.

“Quanto os humanos chegaram lá pela primeira vez, por volta de 900 d.C., ela [a Ilha de Páscoa] era
densamente florestada, e era capaz de sustentar numerosas tribos e uma população relativamente alta.”

As condições dos ilhéus eram similares às dos roedores de Calhoun. Numa ilha isolada,
com um ambiente verdejante, um grupo de colonos humanos chegaram em barcos na Ilha de
Páscoa. Os colonizadores podiam prosperar com recursos quase infinitos sem predadores naturais
ou fatores externos de dificuldade.

Com o tempo, a ilha se tornou superpopulada. Quintos explica o que houve aos ilhéus:

“Os ilhéus então começaram a competir entre si cada vez mais por um volume sempre declinante de
recursos naturais; Vinganças se multiplicaram, guerras intertribos se multiplicavam e uma mortalha de
hostilidade e medo caiu sobre a ilha. Como as árvores haviam sumido, os ilhéus se tornaram incapazes de
construir barcos e fugir para outras ilhas. Eles ficaram presos no próprio inferno, condenados a lutar uns
contra os outros pelas últimas migalhas que a terra estéril poderia oferecer. Finalmente, eles começaram
a passar fome, e se alimentar—literalmente—uns dos outros. Já que as carnes selvagens se tornaram
indisponíveis, e a escapada da ilha se tornou impossível, as consequências naturais se seguiram.
Canibalismo assolou a ilha, animando seu folclore e infectando seus sítios arqueológicos. Talvez os ilhéus
compensassem seu sofrimento focando mais e mais no ritual vazio de construir e levantar estátuas, já que
seus meios de amparo haviam derretido.”

Isso é comparável ao “ralo comportamental” observado na utopia de ratos. Também nos


lembra como comportamentos detestáveis observados nos experimentos de Calhoun se parecem
com diversas histórias chocantes dos tempos recentes. É possível que foi a decadência social em
vez de uma falta de alimentos que levou o povo da Ilha de Páscoa até sua quase-extinção?

Há limites naturais dos graus de interação social com que podemos lidar numa base diária,
assim como com os ratos. Entre humanos, isso é referido como o “Número de Dunbar”, e foi
observado ser verdade em sites de mídia social. Enquanto pode se argumentar que isso não
aconteceria com humanos, já que temos enormes porções de terra não populada, deve ser notado
que na população de pico apenas metade do espaço da colônia estava sendo usado. Os
camundongos tinham uma tendência de congregar e superpopular certos setores de espaço, algo
comparável às cidades modernas.

CASOS MODERNOS DE RALOS COMPORTAMENTAIS EM HUMANOS

É difícil comparar a utopia de ratos com o mundo humano porque, por motivos óbvios,
não há versão humana do experimento. Experiências são feitas sob condições controladas para
mitigar fontes de erro. Porém nós podemos comparar tendências adversas modernas na sociedade
com o ralo comportamental observado no experimento da utopia de roedores. Abaixo, alguns
exemplos de ralos comportamentais em humanos comparados com aqueles da utopia de ratos.

Condensação da População
Caso estudado: Alemanha (também aplicável a: Espanha, Japão)

O primeiro sinal de problema nas gaiolas era a aglomeração observada em algumas das
unidades.

Na Alemanha, os relatórios da Spiegel de um problema crescente de condensação


populacional em suas cidades grandes e de vilarejos fantasma em áreas rurais. Aluguéis estão
sempre em alta em Munique e Hamburgo enquanto em outras cidades apartamentos ficam
abandonados.
Enquanto esse exemplo não é uma representação perfeita da utopia de ratos, nós podemos
fazer algumas comparações. A gaiola de ratos era compartimentada. Similarmente, a Alemanha é
dividida em diversas regiões, todas com amplos recursos. Na Alemanha, algumas regiões estão
se tornando mais populosas, isso é causado pela demanda de mão-de-obra em algumas regiões e
a falta da mesma em outras.

Previsão: Eu prevejo que conforme as cidades cresçam, alguns dos comportamentos


observados por Calhoun se tornarão aparentes. Esses incluirão inquietação social e taxas de
fertilidade mais baixas.

A condensação de população foi uma causa principal da inquietação na utopia de ratos.


O tempo nos dirá se será o caso na Alemanha.

Despovoamento (insucesso em atingir a fertilidade de reposição)


Fenômeno mundial.

Caso estudado: República da Coreia (Coreia do Sul), Japão.

A maior correlação entre o experimento da utopia de ratos e os nossos tempos é o


despovoamento.

O despovoamento levou à extinção dos camundongos. É fascinante, porém terrível pensar


que sem as dificuldades da vida, uma espécie não consegue sobreviver. Se pensarmos sobre isso
de uma perspectiva humana, nós vemos que a nossa luta por sobrevivência nos une como uma
espécie. Sem obstáculos nossa vida se torna sem sentido e superficial.

Se vermos a taxa de fertilidade da Coreia do Sul por mulher, que é de 1.24, podemos
prever que essa nação de 50 milhões de habitantes atingirá o pico por volta de 2017. De lá a
população é esperada para se reduzir a 42 milhões por volta de 2050.

A origem desse declínio é a falta de empregos e portanto a ausência da renda necessária


para criar crianças. Como em muitas outras nações, a escadaria do emprego está travada, já que
as pessoas se aposentam mais tarde. A Coreia do Sul, assim como o Japão, tinha um mercado de
trabalho em expansão que garantia empregos vitalícios. Infelizmente, não é mais o caso. O
trabalho das cidades atraiu muitos para fora do interior e criou uma concentração populacional
em cidades como Seul.

A despopulação apresenta à nossa espécie um problema sempre crescente, já que a taxa


de fertilidade sub-reposição está se tornando predominante no mundo desenvolvido.

Se olharmos ao Japão, veremos que o Japão agora enfrenta uma população declinante. O
despovoamento é estimado para fazer a população se reduzir a 87 milhões em 2050, dos atuais
127 milhões. Em termos econômicos isso seria catastrófico, já que o Japão possui um estado de
bem-estar social como o do Reino Unido e depende de ter uma base fiscal maior que a base de
aposentado. O problema está tão fora de mão lá que o governo japonês está até considerando
imigração (um grande tabu por lá).

Fertilidade abaixo da taxa de reposição também se nota na República da Coreia, Espanha,


Alemanha, China, Rússia, Estados Unidos, Dinamarca, Suécia e Noruega.

A despopulação é provavelmente um efeito do colapso social, e não uma causa.

Agressão Sem Sentido


Fenômeno mundial.
Caso estudado: Ilha de Páscoa

A agressão é um aspecto óbvio em tanto a utopia de ratos quanto o caso da Ilha de Páscoa.
É também facilmente comparável com a nossa sociedade contemporânea. Enquanto a violência
sempre existiu entre nossa espécie, isso sempre foi atribuído a uma variedade de fatores como a
pobreza ou guerras entre as tribos (agressão causada pela falta de recursos) e não como um
resultado da condensação populacional (agressão apesar de recursos abundantes).

Os primeiros sinais de trabalho na utopia de ratos eram os camundongos machos lutando


por aceitação. Isso aparentemente levou à uma espiral de outros problemas sociais.

“...haviam três vezes mais camundongos jovens aspirando a entrar em grupos sociais do
que haviam vagas em grupos socialmente estabelecidos...”

A agressão é a causa do colapso social. Qual foi a causa da agressão? Como observado,
a falta de espaço, tanto fisicamente quanto socialmente, o que causa uma série de eventos que
levaram ao resultado de extinção.

Colapso de Papéis de Gênero


Fenômeno do mundo desenvolvido.

Caso estudado: EUA, Japão

Na Return of Kings, nós damos uma grande importância aos papeis de gênero. Ver esse
assunto da perspectiva de outra espécie pode nos dar uma visão melhor do tópico. Nós
observamos que o despovoamento é um efeito, então qual é a causa? Talvez há mais do que apenas
uma causa. O ralo comportamental observado na utopia de ratos mostrou diversos
comportamentos sociais anormais.

Entre os camundongos macho, o espaço limitado e a explosão populacional fez com que
os machos lutassem mais para serem aceitados. Já que nem todos os camundongos podem ser
machos alfa, os perdedores se tornavam reclusos. Com machos em excesso lutando por
dominação, machos mais velhos desistiam, deixando as fêmeas para cuidar da família. Estas, por
sua vez, se tornariam cada vez mais agressivas, e algumas até atacaram as próprias crias.

Calhoun notou que conforme o tempo progredia “...as mães ficavam aquém de
expectativas maternais”. Em anos recentes houve um aumento crescente de casos de negligência
e abuso infantil por mães humanas que conseguiram chegar às manchetes nacionais. Não é difícil
especular que há muito mais que não ouvimos falar. Na Austrália, a polícia liberou estatísticas
que atribuem metade dos infanticídios às suas mães.

Já que esses são os casos mais notórios que a mídia publica, os menos extremos passam
desapercebidos, sub-informado ou nem informado na mídia (nas últimas décadas houve uma série
de matérias na mídia, que quando examinadas como um todo nos contam que as mulheres estão
começando a perder seus instintos naturais de criação). Nós sabemos que as mulheres em nações
desenvolvidas suprimem seus instintos maternais, ou intrinsecamente ou extrinsecamente.
Também está se tornando mais comum para as mulheres buscar uma vida movida a sexo, algo
também observado na utopia de ratos.

“...os camundongos se tornaram mais promíscuos...camundongos vagariam atacando outros ou os


montando, sem discernir gênero...”

“...fase C, a incidência de concepção em fêmeas caiu e a reabsorção em fetos aumentou. O comportamento


materno foi interrompido. Algumas mães em buscas desesperadas por áreas mais calmas abandonaram os
filhotes que caíssem no caminho...” – Tragedy in Mouse Utopia, Dr.J.R. Vallentine
Conforme o comportamento na gaiola se deteriorava, as fêmeas abandonariam sua cria deixando-
os para se defender sozinhos. Sem pais em volta para os ensinar como ser camundongos bem
ajustados,

“...prematuramente rejeitados, primeiro por seus pais, então por suas mães, e finalmente por grupos
estabelecidos na sociedade, os jovens cresceram sem saber como se comportar, pessoalmente ou
socialmente, como camundongos...” – Tragedy in Mouse Utopia, Dir.J.R. Valentine.

Papéis de gênero são vitais em uma espécie social, seu colapso leva à fertilidade abaixo da
reposição, despovoamento, e finalmente, extinção.

Isolamento
Caso estudado: Japão

“Indivíduos apenas emergiriam para comer e dormir quando o resto estivesse dormindo.”
Quando li isso, a primeira coisa que veio à minha mente foram os Hikkikomori. É um termo
utilizado para se referir a um adolescente recluso que é introvertido demais para ser funcional na
sociedade. Esses jovens são tão socialmente ineptos que eles se trancam em ambientes fechados
e só se aventuram fora de casa {a noite para estocar mantimentos. Este é um fenômeno que
ocorreu por 20 anos mas apenas recentemente está vindo à luz no Japão.

O número de Hikkikomori é estimado em cerca de um milhão. Algo que alarmou o


governo japonês, que foi incapaz de lidar com um assunto que eles não entendem completamente.
No Japão, uma inteira geração de jovens japoneses nasceram em uma sociedade em que todo o
espaço já estava socialmente definido da mesma forma que na utopia de ratos, onde “as novas
gerações foram inibidas já que a maior parte do espaço estava socialmente definido”.

Porém essa tendência não é exclusiva ao Japão. O Japão é, porém, uma aproximação à
utopia de ratos assim como a Ilha de Páscoa. Sob stress, esses rapazes (e homens) foram
debilitados por uma sociedade estressada e disfuncional. A reclusão é uma causa do
despovoamento e um efeito de uma sociedade supra-estressada que em sua vez é causada pelo
ralo comportamental.

Os Bonitões
Caso estudado: Japão

Tem outro mal social no Japão que é comparável aos camundongos de Calhoun. Esses
são os comedores de grama (Soshoku kei Danshi) do Japão. O termo, “comedor de grama”, se
refere aos homens que não possuem interesse em se relacionar com o sexo oposto. A mídia e os
MRA’s confundiram esses caras com qualquer pré-concepções que eles tiveram. Por exemplo, o
documentário da BBC “No Sex please, we are Japanese”, explora o fenômeno com parcialidade
e jornalismo de má-qualidade. Para assegurar que não cairemos nos mesmos preconceitos,
permita-me reiterar que comedores de grama são homens que não têm interesse em
relacionamentos com o sexo oposto. Eles não são homossexuais, assexuais, otaku ou
Hikkikomori.

A diferença entre comedores de grama e Hikikomori é que os Soshoku kei Danshi estão
desistindo de relacionamentos e os hikkikomori estão desistindo de toda a sociedade. Comedores
de grama não são assexuais, eles preferem a vasta gama de pornografia disponível a eles. Muitos
comedores de grama, apesar de nem todos, são metrossexuais. Esses são caras que gastam muito
tempo e dinheiro em cuidados pessoais. Mais uma vez, isso não é aplicável a todos os comedores
de grama.
Alguns deles lembram os “bonitões”, passando seu tempo “[obsessivamente] se
arrumando, comendo e dormindo...[e]...não se reproduzindo”. A correlação aparenta ser que
indivíduos não se conformam com um modelo de sociedade estressado e estão optando não
relacionar e não assumir um papel de gênero masculino. Os comedores de grama se tornaram tão
numerosos que isso forçou algumas garotas japonesas a iniciar o cortejo. Esse fenômeno é mais
pronunciado no Japão, mas também é aplicável em outras nações desenvolvidas.

Na República da Coreia, 10% dos homens usam maquiagem. Em outras nações


desenvolvidas, os “bonitões” são as celebridades insípidas e superficiais e a juventude obcecada
com o embelezar. É possível que os comedores de grama podem se tornar uma causa de
despovoamento que é causada pelo ralo comportamental.

Conclusão

O experimento da utopia de ratos nos apresenta uma visão decidida de nosso presente e
nosso futuro. Conforme o tempo progride nós veremos mais evidências que estamos caminhando
para um declínio na população cuja causa principal é a decadência social.

Através da História nós desenvolvemos uma visão antropocêntrica do mundo. Isso é


tolice. Humanos são animais –animais altamente desenvolvidos– porém animais mesmo assim.
Independente do que pensamos de nós mesmos, ou do quanto tentarmos nos dissociar do resto do
reino animal, as regras da natureza que se aplicam aos camundongos se aplicam a nós. Não
aprender ou aceitar os resultados desses experimentos pode apenas ser prejudicial para nós como
uma espécie.

Animais sociais parecem ser regulados por fatores comportamentais intrínsecos. A


questão é se há um kill switch natural para uma espécie que não possui predadores. Calhoun
concluiu que o stress da interação social causou os distúrbios no comportamento de seus
experimentos. Se nós realmente nos destacamos do resto do reino animal, nós devemos ser
capazes de evitar as mesmas armadilhas. O que é certo é que a menos que humanos coletivamente
façam um exame de consciência, nós cairemos na ratoeira.

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