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Trabalho da disciplina de Planejamento Estratégico

Professor: Gernot Müller


Aluno: Jordan de Souza Medeiros

Resenha do artigo Ticiano x Tintoretto: A batalha da arte


No século XVI, a cidade-estado de Veneza era um grande centro comercial e
necessitava de grandes obras de arte que realçassem seu poderio político-econômico. Nesse
cenário com condições adequadas para o mercado de arte, surgiu o artista o artista Ticiano
(1490-1576), que foi qualificado como o principal mestre da arte veneziana durante a
ascensão de Veneza.
O sucesso de Ticiano se deveu à algumas inovações técnicas realizadas por ele. Isso
pode ser observado na sua obra A assunção de Maria, que possui um tamanho considerável
para a época – ela media 3,60 x 6,90 m, algo que não era usual -, cores brilhantes e liberdade
de composição. A sua nova técnica de pintura envolvia o uso de até 150 camadas finas de
cores, o que criava uma impressão muito suave e natural. E as novas tintas davam mais
durabilidade às pinturas, frente ao clima difícil de Veneza. O processo de composição era
dividido em várias etapas e Ticiano possuía diversos assistentes para auxiliá-lo. Essas telas
enormes atendiam à uma demanda de mercado da elite veneziana. Assim, Ticiano
conquistou uma posição hegemonia no mercado artístico veneziano. Além disso, ele foi o
pintor retratista da sua época e atendeu a mais alta aristocracia. A princípio, a posição de
mercado de Ticiano era intocável e representava um verdadeiro “oceano azul”.

Figura 1 - A assunção de Maria (1518) de Ticiano

Isso seria verdade se não fosse o despontar da figura de Tintoretto (1519-1594). O


jovem Tintoretto mostrou desde cedo o talento para as artes plásticas. Com 15 anos, seu pai
o levou ao atelier de Ticiano para ser treinado, após dez dias ele foi dispensado. Após esse
acontecimento, Tintoretto investiu numa carreira solo. Porém, ele decidiu seguir uma
estratégia diferente e explorar um nicho do mercado de arte ainda não atendido.
Assim, ao invés de se situar no mercado de arte premium, ele ofertava as suas
habilidades e produtos como uma espécie de artesanato, atendendo à um público amplo. Ele
possuía uma flexibilidade criativa, no sentido de não exercer um controle total sobre a sua
obra ao adaptá-la de acordo com o desejo e com o poder aquisitivo dos seus clientes. Além
disso, ele desenvolveu um novo processo de produção com muito mais rapidez do que o de
Ticiano. Essa rapidez na produção respondia, também, há uma razão econômica por parte
de Tintoretto: no início de sua carreira ele era pobre. Ele não podia depender de um nicho
pequeno de mercado das elites, assim, ele aceitava quase qualquer encomenda. Tintoretto
também adotou algumas práticas não usuais de venda: produzia e entregava pinturas
mesmo que os clientes não as encomendassem, com o objetivo de criar demanda. Diferente
de Ticiano, Tintoretto não aumentava constantemente os preços, fazia questão de mantê-
los em um patamar acessível. A inovadora estratégia de preços adotada por Tintoretto
resultou num conjunto mais numeroso de encomendas do que seu concorrente Ticiano, o
que foi fundamental para seu sucesso.
Esse case renascentista serve como um ótimo exemplo para o planejamento
estratégico de empresas atualmente. Tintoretto, num mercado já dominado, descobriu um
novo Quem, um O quê e um Como. Uma ótima comparação com os dias atuais é o case da
Cacau Show, num mercado premium e de massa já consolidado, a Cacau Show criou um
segmento próprio.