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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA


DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA
BIOÉTICA
Prof. Nelson Leal Alencar

DIMINUIÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Grupo H Turma: Bacharelado Turno: Manhã Data: 28.04.2019

Componentes
1. Alexandre Rodrigo N. Resende de Lima
2. Eugênio José Oliveira Paiva e Silva Filho
3. Ravena Pessoa dos Santos Azevedo
4. Vitória Régia Dias Araújo

Teresina, Piauí
2019
1. INTRODUÇÃO
Em 1993, o então deputado Benedito Domingos apresentou a proposta pra
alterar o texto do art. 228 da Constituição Federal, com o objetivo de reduzir a
maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, em casos de crimes hediondos, como
estupro e latrocínio, e também para homicídio doloso e lesão corporal seguida de
morte: é a Proposta de Emenda Constitucional 171/93.
Recentemente a redução da maioridade penal voltou ao foco dos debates
políticos e éticos. Em 2015, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ)
da Câmara dos Deputados, desengavetou a PEC 171/93, que até então, havia ficado
arquivada.
A proposta foi aprovada em primeiro e segundo turnos, e, até o presente
momento, aguarda apreciação pelo Senado Federal.
Apesar de ser um tema recente, a questão da maioridade penal é tratada desde o
período do Brasil Imperial, quando o limite de idade para cumprir penas foi fixada
em 14 anos de idade.
Apenas em 1927 foi criada a primeira legislação voltada especificamente para
jovens, o Código de Menores, que ficou conhecido como “Código Mello Mattos”,
devido a atuação do primeiro juiz de menores do Brasil, José Cândido de
Albuquerque Mello Mattos, a favor dos direitos da criança e do adolescente.
Durante o governo militar, o Código de Menores foi revisto e, em 1º de
dezembro de 1964 foi criada a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor
(FUNABEM), que por sua vez deu origem às unidades estaduais chamadas FEBEM.
A partir de 1986, inúmeras organizações opuseram-se à situação dos jovens e
adolescentes retidos nas FEBEM, dita como desumana, bárbara e violenta e, a
medida que se pôde efetivamente questionar o modelo de assistência vigente, tornou-
se possível a renovação e criação de novas proposições, contidas na Constituição
Federal de 1988.
Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) revogou o Código de
Menores anterior. O ECA passou a dispor de forma mais ampla sobre a proteção da
criança e do adolescente, com seus 267 artigos que se discorrem sobre direitos
fundamentais à vida, à saúde, à convivência familiar, à educação e à cultura.
Hoje, mais de 80% da população é a favor da redução da maioridade penal para
16 anos. A sensação de impunidade e o bombardeio constante da mídia policialesca
relacionando adolescentes a atos infracionais é constante, apesar dos crimes violentos
cometidos por menores de 18 anos corresponder a menos de 1% do total.
Com o início do atual governo, pautas que eram até então apenas promessas de
campanha, poderão sair do papel. O presidente Jair Bolsonaro já se posicionou
diversas vezes sobre o assunto e defendeu que é importante endurecer a legislação no
âmbito criminal e em 2015, quando era deputado, ministrou palestra sobre o tema
afirmando que o ECA protege menores que infligem a lei.

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2. OBJETIVOS
Estabelecer alguns dos principais argumentos a favor e contra a redução da
maioridade penal para 16 anos, de forma que seja possível ao leitor construir e
discutir os próprios argumentos, nunca invalidando os pontos de vista aqui
implicados.

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3. DISCUSSÃO
3.1 Comparativo entre Países
Muitos países desenvolvidos adotam a maioridade penal abaixo de 18 anos.
Nos Estados Unidos, cada estado possui autonomia para legislar sobre o
assunto, o que forma um sistema muito amplo, com várias peculiaridades. A maioria
dos estados não possui uma idade mínima para um jovem ser julgado pelo sistema
judiciário tradicional.
Na Alemanha, apesar de oficialmente a maioridade penal ser aos 18 anos, se
um jovem a partir dos 14 anos cometer algum crime grave e for considerado “lúcido”
e consciente pelas autoridades, poderá ser julgado pelo sistema tradicional.
No Canadá a legislação admite que a partir dos 14 anos, nos casos de extrema
gravidade, o adolescente seja julgado pela justiça comum e receber a sanções
previstas no Código Criminal.
Aqueles contrários a diminuição da maioridade penal afirmam que todos os 54
países que reduziram a maioridade penal não diminuíram a violência e hoje 70% dos
países estabelecem 18 anos como idade penal mínima.
Não existe no Brasil, política penitenciaria, nem intenção do estado de
recuperar os detentos. As delegacias funcionam como escola de ensino fundamental
para o crime. O ingresso precoce de adolescentes no sistema carcerário só faria
aumentar o número de bandidos, pois distanciaria deles qualquer medida
socioeducativa.
Com relação aos Estados Unidos, vale lembrar que existe um movimento bem
forte que pede que a idade penal seja aumentada para 18 anos.
3.2 Inimputabilidade
Em Direito, chama-se de imputabilidade penal a capacidade que tem a pessoa
que praticou certo ato, definido como crime, de entender o que está fazendo e de
poder determinar se, de acordo com esse entendimento, será ou não legalmente
punida.
Para as pessoas favoráveis à redução da maioridade penal é necessário
desmistificar a ideia de que o adolescente não é responsável pelos seus atos. Para
muitas pessoas a limitação da idade de 18 anos para imputabilidade é anacrônica
porque foi definida em 1940. Para os que defendem este ponto de vista, as mudanças
na sociedade e na tecnologia permitem que nos dias atuais os jovens sejam melhor
informados e por isso poderiam assumir responsabilidades mais cedo. Além disso a
CF/88 concedeu o direito de voto aos maiores de 16 anos. Se o indivíduo pode votar,
por que não poderia ser responsabilizado criminalmente?
Se por um lado é verdade que as transformações ocorridas nas últimas décadas
fizeram com que os jovens assumissem determinados comportamentos de adultos
mais cedo, como por exemplo, um início precoce da vida sexual ativa, por outro lado
há indicações vão em sentido contrário. Principalmente nos segmentos das classes
média e alta é comum que os jovens dediquem-se exclusivamente aos estudos,
vivendo sob a dependência da família até os 24, 25 anos ou mais, de idade. Também
tornou-se menos comum casar e constituir família antes desta idade ou até mais
tarde.
O maior acesso à informação não pode ser considerado sinônimo de
maturidade. Mesmo que os jovens tenham acesso à televisão, internet e outros meios
digitais não significa que tenha ocorrido uma mudança no processo de formação da
capacidade de discernimento e avaliação.

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No que tange à maioridade eleitoral aos 16 anos, ela é relativa e não plena. O
voto nesta idade é facultativo e, por exemplo, não dá direito à apresentação de
candidatura. Portanto, se o direito concedido aos adolescentes não é igual ao dos
adultos, porque a responsabilidade deve ser?
3.3 Impunidade
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê um limite de 3 anos como tempo
máximo para a aplicação da medida de internação. Para muitos este tempo é muito
curto e deveria ser aumentado ou justificaria a inclusão dos jovens no sistema do
código penal. Acreditam que o adolescente ao saber que não receberá as mesmas
penas de um adulto, não se inibe ao cometer mais atos infracionais. Isso alimenta a
sensação de impunidade e gera mais crimes.
Aqueles favoráveis a redução da maioridade penal afirmam que um menor de
idade sabe que, em função de sua idade, poderá cometer quantos delitos puder,
sabendo que terá uma pena branda e que, após completar 18 anos, sequer terá uma
ficha criminal.
Apesar do que pensam as pessoas favoráveis a redução da maioridade penal a
respeito do ECA e do tempo máximo de internação, três aspectos devem ser
analisados: o que ela representa na vida do adolescente, como ocorreria,
comparativamente, se utilizado o código penal e a responsabilidade do Estado na
aplicação da medida.
Em primeiro lugar, o limite de três anos se refere à privação total da liberdade,
podendo após este período a medida ser substituída por outra, não privativa de
liberdade. Porém três anos na vida de um jovem de 15 anos, por exemplo,
representam 20% de toda a sua vida, no momento em que ele busca a autonomia. É
muito mais do que este período representará na vida de um adulto de 30 ou 40 anos,
que já teve a oportunidade de construir relações, ter uma vida sexual ativa,
constituindo ou não uma família.
Não bastasse este impacto, como não há um sistema de progressão no ECA
como o da Lei de Execuções Penais, que permite a mudança de regime como um
direito do preso, desde que cumpridos partes da pena, os três anos equivalem, na
verdade, a um tempo maior de uma pena criminal.
Mas estes argumentos não devem fazer esquecer a responsabilidade do Estado:
para que é necessário este período de privação de liberdade? Para que o jovem possa
refletir sobre seus atos, sendo preparado para a saída com formação educacional e o
apoio psicológico necessário. Sua função não é causar sofrimento ao internado. Se o
Estado foi incapaz de cumprir sua obrigação em três anos, tempo que a maioria dos
profissionais do campo da psicologia consideraria adequado, por que este período
deve ser aumentado?

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4. CONCLUSÃO

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5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
<http://www.crianca.mppr.mp.br/pagina-323.html> Acesso em: 28 de abril de
2019
<https://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI290939,21048-Maioridade+
penal+pode+voltar+a+ser+debatida+no+governo+Bolsonaro> Acesso em: 28 de
abril de 2019
<https://www.b9.com.br/56775/mamilos-19-reducao-da-maioridade-penal-
leila-dinis-racismo-e-corrente-do-bem/?highlight=maioridade> Acesso em: 28 de
abril de 2019
<http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/paginas/83-da-populacao-e-a-favor-
da-reducao-da-maioridade-penal.aspx> Acesso em: 28 de abril de 2019
<https://acidblacknerd.wordpress.com/2013/04/25/euvi-reducao-da-maiorida-
penal10-motivos-para-ser-a-favor-10-motivos-para-ser-contra/> Acesso em: 28 de
abril de 2019
<http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_
leitura&artigo_id=2256> Acesso em: 28 de abril de 2019
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/o-codigo-de-
menores-e-o-surgimento-da-febem/43795> Acesso em: 28 de abril de 2019
<https://www.revistaforum.com.br/paises-que-reduziram-maioridade-penal-
nao-diminuiram-violencia/> Acesso em: 28 de abril de 2019
<https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121931855/eu-e-93-da-populacao
-somos-a-favor-da-reducao-da-maioridade-penal-diz-juiz-da-infancia-da-ba> Acesso
em: 28 de abril de 2019