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Direito Fiscal - Apontamentos

IMPOSTO

É um meio financeiro de entre muitos outros que visam satisfazer as


necessidades públicas.
O imposto consiste numa prestação patrimonial, não reembolsável,
unilateral, que é exigida por força da lei, devida a uma pessoa colectiva de
direito público e exigida para obter receitas, ou para a prossecução de
política de intervenção económica e ou social dessa pessoa colectiva.
Dizemos que é uma prestação patrimonial, porque é susceptível de
avaliação pecuniária. É uma prestação com carácter não reembolsável,
porque se se tratar de um imposto devido nos termos da lei não dá direito a
qualquer restituição. É uma prestação exigida por força da lei porque
resulta da verificação do pressuposto estabelecido por lei, resultando daí a
sua obrigatoriedade. É uma prestação exigida para a obtenção de receita
que visa a prossecução de política de intervenção económica e social.

A LGT no art 5º/1 – Fins da Tributação – assinala:


- a satisfação das necessidades financeiras do Estado e de outras entidades
públicas;
- a promoção da justiça social, da igualdade de oportunidades e das
necessárias correcções das desigualdades na distribuição da riqueza e do
rendimento.

A LGt no art 3º/2 elenca as diversas espécies integradas no género tributo:


- Impostos
- Outras espécies tributárias criadas por lei:
- taxas
- demais contribuições financeiras a favor de entidades públicas.

EVOLUÇÃO

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Ao longo dos anos o conceito IMPOSTO tem vindo a ser alvo de


variadíssimas manifestações, verificando-se uma conexão estreita entre a
história em geral e a história económica e política.
O imposto originou revoltas, independências, revoluções, contudo, é visto
como símbolo de liberdade mas também de servidão, que veio substituir
soluções que desencadeavam situações de instabilidade económica.
O fenómeno do imposto não é recente, já remonta aos tempos das antigas
civilizações – antigo império egípcio, Babilónia, Israel, Pérsia, Roma,
Grécia entre outras.
No séc XIII o aumento das necessidades e do poder real, faz com que o
imposto seja interpretado como uma ajuda indispensável para o respectivo
beneficiário, tornando-se necessário o consentimento dos representantes
dos contribuintes.
Em Portugal, a partir do séc XIII e até ao séc XVII as Cortes intervieram
umas vezes com maior outra com menor regularidade na votação dos
impostos.
No séc XVIII surge uma clara contestação face ao carácter autoritário do
imposto, visto ser o preço dos serviços prestados.
De todas as ideias discutidas passou-se para o princípio da solidariedade
social do cumprimento de um dever, conduzindo à ideia do mínimo não
tributável e à progressividade das taxas na imposição directa, bem como à
isenção de bens de primeira necessidade, no domínio da tributação
indirecta.
O imposto financeiro passa assim a político, a solidariedade não visa
apenas a mais justa repartição dos encargos públicos, mas obter uma
redistribuição do rendimento e da riqueza na direcção de uma repartição
igualitária do produto social.

Actualmente o imposto tem 3 funções:


- Financeira – porque através dele são fornecidos os meios financeiros
necessários;
- Económica – porque intervém quer na conjuntura quer na estrutura;
- Social - Porque visa a consecução de objectivos sociais, como a
diminuição da desigualdade de situações.

ASPECTOS E MOMENTOS

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A obrigação de realizar uma prestação que resulta do imposto, não pode


emergir sem que os pressupostos necessários à sua verificação sejam
fixados por lei, mas para além dos pressupostos de facto ou objectivo que
conduz ao nascimento da obrigação, é necessário que a norma estabeleça
quem é o sujeito passivo e quem é o sujeito activo.
A criação da prestação depende da fixação do quantitativo – da matéria
colectável – sobre que se aplica a taxa.
A partir do momento em que se encontra determinada a prestação a realizar
– MAXIME, O QUANTUM a pagar – a obrigação deverá ser extinta
através do cumprimento.
Não nos podemos esquecer que toda a actividade que envolve a
determinação da prestação até à sua extinção através do cumprimento
deverá ser acompanhada de toda a protecção da lei quer em relação ao
contribuinte quer à pessoa a quem é devido o imposto.

Algumas figuras afins do imposto.


- A divisão dos tributos:
Os impostos são o sector mais importante dos tributos; porém existem
outras figuras. Podemos dividi-los, jurídico-constitucionalmente, em
tributos unilaterais ou impostos ou tributos bilaterais ou taxas.

Os impostos obedecem ao exigente princípio da legalidade fiscal e a sua


medida tem por base o princípio da capacidade contributiva.
As taxas bastam-se com a reserva à lei parlamentar (ou decreto-lei
parlamentar autorizado) do seu regime geral e a sua medida assenta no
princípio da proporcionalidade taxa/prestação estadual proporcionada ou
taxa/custos específicos causados à respectiva comunidade.
Face a um tributo, para se saber se estamos perante um unilateral ou
bilateral há que fazer o teste da sua medida ou do seu critério, estando
perante um imposto se apenas puder ser medido ou auferido com base na
capacidade contributiva do contribuinte, ou perante uma taxa se for
susceptível de ser medida ou auferida com base na referida
proporcionalidade.

O Imposto, é uma prestação obrigatória estabelecida pela lei a favor de entidades que
exerçam funções públicas e para satisfação de fins públicos que não constituam sanção
de actos ilícitos.
F@tyt@
No plano da economia financeira a separação entre imposto e taxa pode estabelecer-se Página 3
com relativa facilidade, na base do critério da divisibilidade ou indivisibilidade dos serviços
públicos. As taxas, são progressivas porque aumentam mais que proporcionalmente, à
medida que o rendimento aumenta; taxa progressiva, é a taxa que varia mais que
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CONTRIBUIÇÕES, TARIFAS E RECEITAS PARAFISCAIS:

Numa divisão tripartida dos tributos, entre a figura das taxas e dos impostos
encontram-se as contribuições ou tributos especiais.
No fundo, os tributos especiais não passam de impostos especiais,
impostos que apresentam a particularidade de terem por base manifestações
da capacidade contributiva de determinados grupos de pessoas resultantes
do exercício de uma actividade administrativa pública e não, ou não
exclusivamente, do exercício de uma actividade do respectivo contribuinte
como acontece nos impostos.
2 categorias: “contribuições de melhoria”(Ex: encargo de mais valia) e
“contribuições por maiores despesas”
Há uma contrapartida pública traduzida numa vantagem que, embora
indeterminada relativamente a cada contribuinte como nos impostos, não
deixa, a seu modo, de ser determinável na perspectiva do grupo beneficiado
pela correspondente actividade administrativa.

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Momentos da vida do imposto


2 Grandes momentos:
1- Estabelecimento, criação, instituição ou incidência do imposto; 2- O
momento da sua aplicação, efectivação, administração ou gestão.

1º Momento – define-se o “se” e o “quanto” do imposto. Define o


facto tributário; os sujeitos activos e passivos da obrigação de
imposto; o montante do imposto…
1ªfase – INCIDÊNCIA: está coberta pelo art.103ºnº2 CRP + LGT
Art.1º a 11º - incidência real – “o que é que vai ser tributado?” Art.12º -
incidência negativa – Art.13º e ss – incidência pessoal – “Quem vai ser
tributado?”

2º Momento – aqui procede-se à aplicação, efectivação,


administração ou gestão.
2ª e 3ª fases
2ªfase – LANÇAMENTO – conjunto de operações que tem em vista
= apurar o sujeito passivo e a matéria colectável ou tributável. Visa aplicar as
Liquidação normas gerais e abstractas a cada pessoa.
em sentido
amplo.
3ªfase – LIQUIDAÇÃO (em sentido estrito) – uma vez apurada a matéria
colectável aplicam-se as taxas percentuais para apurar a colecta e caso
existam, fazem-se as deduções à colecta e apura-se o imposto a pagar.

MC x Taxas % = Colecta – Deduções à colecta = imposto a pagar

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4ªfase – COBRANÇA/PAGAMENTO (quando vista do lado do sujeito


passivo) – conjunto de operações que visam a entrada do imposto nos
cofres do Estado, seja através de cobrança voluntária se houver lugar ao
pagamento espontâneo pelo contribuinte do montante liquidado, seja
através da cobrança coerciva se for preciso recorrer à apreensão dos bens
necessários à solvência do débito fiscal do devedor.
Tudo isto chama-se – procedimento fiscal – sequência funcional de actos
conducentes à identificação do sujeito passivo e à determinação do
montante do imposto a pagar.

TIPOLOGIA

Existem inúmeras categorias de impostos, mas as mais usuais entre nós são
as seguintes:

IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO, O PATRIMÓNIO E A


DESPESA
O imposto sobre o rendimento incide sobre o rendimento aquando da sua
formação, constituição ou aquisição;
Tributa-se ou o rendimento-produto (rendimento em sentido estrito), IÉ, o
acréscimo em bens obtidos durante o correspondente período a titulo de
contribuição para a actividade produtiva (a titulo de salários, juros, rendas
ou lucros), ou o rendimento-acréscimo (ou rendimento em sentido lato) que
integra também os acréscimos em, bens obtidos a outro titulo e sem dano
do património inicial (ou seja, integra também os incrementos patrimoniais,
designadamente as mais-valias). Teoria do acréscimo liquido da riqueza ou
teoria do balanço – para esta teoria tudo aquilo que acresce do património é
rendimento.

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A pessoa paga impostos porque tem capacidade contributiva – o


rendimento é um dos índices para saber se tem ou não essa capacidade
contributiva.

O imposto sobre o património compreende a tributação estática sobre o


conjunto dos elementos do património ou sobre um ou vários elementos do
património;
O imposto sobre a despesa atinge a utilização do rendimento e do
património na aquisição dos bens e serviços

IMPOSTOS DIRECTOS E INDIRECTOS


O art 254º/1CRP elenca os impostos directos, relativamente à receitas do
Estado compreendem-se os impostos directos e indirectos (DEc Lei
26/2002 de 14/fev).
O nosso legislador entende que são:
- Impostos directos – os impostos sobre o rendimento e o património;
- Impostos indirectos – os impostos sobre a despesa;

IMPOSTOS FISCAIS E EXTRAFISCAIS -


Prende-se com o elemento teleológico ou finalístico do imposto.
Extrafiscais – prosseguem objectivos de natureza económica e social, não
integrando o direito fiscal, mas antes o direito económico fiscal, o que leva
a que naturalmente não se lhe aplique, integralmente, os princípios e
preceitos constitucionais da “constituição fiscal”.

IMPOSTOS PESSOAIS E REAIS


São impostos reais, aqueles que atingem a matéria colectável sem
atenderem às circunstâncias pessoais, económicas ou sociais do obrigado;
São impostos pessoais, aqueles que tendem à situação familiar e pessoal do
contribuinte, são mais justos e menos simples – IRS

IMPOSTOS GERAIS E ESPECIAIS


São impostos gerais os impostos cujos pressupostos integram uma
categoria genérica; que atingem um valor ou uma situação no seu conjunto;

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são universais ou sintéticos. Sintético porque não impede que se opere a


diferenciação para certos rendimentos
São impostos especiais os impostos cujos pressupostos estão abrangidos na
categoria dos pressupostos dos impostos gerais mas que recebem
tratamento diferente. Os que atingem apenas um elemento dessa realidade;
são particulares ou analíticos.

IMPOSTOS PERIÓDICOS OU RENOVÁVEIS E DE


OBRIGAÇÃO ÚNICA
São impostos periódicos ou renováveis, aqueles que presumivelmente se
repetem periodicamente, que incidem sobre situações permanentes ou
factos periódicos; IMI
São impostos de obrigação única, aqueles que não se repetem, que se
traduzem num acto isolado, numa situação transitória; IVA

IMPOSTOS SUPRANACIONAIS, INTERNACIONAIS,


ESTADUAIS, FEDERAIS E LOCAIS
- um ente supranacional, o imposto é supranacional (imposto no âmbito da
EU)
- Um ente internacional – o imposto é internacional (imposto da ONU
sobre as remunerações dos seus funcionários)
- Um Estado – o imposto é estadual
- Um Estado Federal – trata-se do imposto federal
- Uma região, um município – o imposto é local.

IMPOSTOS SOBRE PESSOAS SINGULARES, SOBRE PESSOAS


COLECTIVAS
Assenta na diferente natureza dos sujeitos passivos:
- um imposto sobre as pessoas singulares são impostos cujos sujeitos
passivos só podem ser pessoas singulares – IRS;
- um imposto sobre as pessoas colectivas são impostos cujos sujeitos
passivos só podem ser pessoas colectivas – IRC;
- um imposto misto – são os impostos cujos sujeitos passivos podem ser
tanto pessoas singulares como pessoa colectiva – IMI e o IVA;

IMPOSTOS DE AVALIAÇÃO DIRECTA E INDICIÁRIOS

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Na classificação deste tipo de impostos, temos que ter em conta a forma


como é apreendida a realidade que queremos tributar.
- imposto de avaliação directa – quando a realidade sobre que incide é
apreendida directamente;
- Impostos indiciários – quando se atende a elementos conexos com a
realidade que se pretende atingir, para se determinar automaticamente o
respectivo valor;

IMPOSTOS DE REPARTIÇÃO E DE QUOTIDADE


A diferença entre estes dois tipos de imposto assenta no diferente modo de
cálculo.
- um imposto de repartição resulta da divisão entre os contribuintes do
montante da receita total do imposto por el devido e fixado em conjunto e
com anterioridade.
- um imposto de quotidade resulta do critério estabelecido para determinar
a importância (a quota) devida por cada um dos obrigados através da
fixação de uma taxa aplicável à matéria colectável.

IMPOSTOS DE QUOTA FIXA E DE QUOTA VARIÁVEL


- impostos de quota fixa são os impostos cujo quantitativo consiste numa
importância fixa que pode não ser igual para todos os contribuintes;
- Impostos de quota variável são os impostos cujo quantitativo varia
conforme a matéria colectável IRC, IRS;

IMPOSTOS PRINCIPAIS, COMPLEMENTARES E POR CONTA


IMPOSTOS AUTOLIQUIDÁVEIS E HETEROLIQUIDÁVEIS
Para determinar se estamos perante um impostos autoliquidável ou
heteroliquidável temos que nos basear no tipo de pessoa que procede à
determinação do imposto.
- O imposto é autoliquidável quando se trata do sujeito passivo
- O Imposto é heteroliquidável quando se trata da Administração Fiscal ou
de terceiro;

IMPOSTOS DE COBRANÇA IMEDIATA E MEDIATA


A distinção destes dois termos baseia-se na circunstância de à determinação
do imposto se seguir ou não imediatamente a cobrança.

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IMPOSTOS PRINCIPAIS E INTEGRATIVOS


A distinção entre estes dois tipos de imposto baseia-se no momento do
cumprimento da obrigação
- Imposto principal é o que é recebido segundo os termos normais da
respectiva regulamentação e ainda o que não sendo recebido nesses prazos
deveria ter sido, no caso de inexistência de atraso do respectivo
apuramento;
- imposto integrativo é aquele que é recebido em condição diversa da que
foi anteriormente identificada, podendo tal facto derivar de de razões
objectivas

IMPOSTOS PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS


- impostos principais são aqueles que são devidos com independência de
quaisquer outros;
- Impostos acessórios são impostos cuja existência, elementos ou montante
dependem da existência e ou montante de um outro imposto.

DIREITO FISCAL
É o conjunto de normas jurídicas que regulam o imposto nos seus vários
momentos e fase.
O direito fiscal é direito público, tem autonomia didáctica.
Quer se adopte o critério dos interesses, quer o da situação relativa dos
sujeitos, quer o critério da qualidade dos sujeitos, os autores são unânimes
em considerar que o Direito Fiscal é um ramo de Direito Público. O
sujeito activo (o Estado) aparece na sua veste de ente público, revestido das
garantias e poderes - ius imperium – de que não beneficia o sujeito passivo.

RELAÇÕES DO DIREITO FISCAL COM OUTROS RAMOS DO


DIREITO:

Não se pode falar num sistema de normas fechado. As várias zonas do


mundo jurídico relacionam-se entre si, ou seja, qualquer conjunto de

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normas está ligado ao conjunto de todas as outras normas. Também o


Direito Fiscal se relaciona com outros ramos do Direito.
a) Assim, o Direito Fiscal relaciona-se com o Direito Constitucional, na
chamada
“Constituição Tributária”, que fixa limites e regula o exercício do poder
tributário, os fins a
Prosseguir e as garantias dos particulares, bem como a estrutura dos
impostos – arts. 13, 67, f), 103, 104, 168 e 229, i) CRP.
b) O Direito Fiscal liga-se também ao Direito Administrativo, pois apesar
de o Direito
Fiscal ser independente deste, é nele que busca a forma para regular a
actividade de percepção do imposto, além dos órgãos da Administração
Fiscal estarem integrados na AP, que é disciplinada pelo Direito
Administrativo.
c) O Direito Fiscal tem também afinidades com o Direito Penal, pois a
teoria da infracção fiscal é moldada pelos princípios da teoria da infracção
penal (penas de prisão, multas, coimas).
d) O Direito Fiscal relaciona-se ainda com o Direito Processual, quer
penal, quer civil, na medida em que foi com base nestes ramos de direito
que em Direito Fiscal se procedeu à estrutura do processo tributário. Além
disso, o CPCivil é subsidiário do CPTributário (Código de Processo
Tributário) (p.ex., processo de impugnação judicial, processo de
transgressão, processo de execução fiscal,...).
e) O Direito Fiscal tem ainda afinidades com o Direito Privado (comum),
porque oDireito Fiscal, como Direito institucional que prossegue fins
específicos, conceitos e institutos próprios, não dispensa a contribuição do
Direito Privado Comum (aceita conceitos como o de “obrigação” vindo do
Direito privado).
Por outro lado, existem outros institutos aos quais atribui um significado
diferente de acordo com os seus fins. P.ex., transmissão de um imóvel (por
escritura pública). Se for um contrato-promessa com traditio, o CSISA
(Código da SISA)considera que a sisa deve ser paga a partir do momento
em que há traditio, pois considera que aí já há transmissão.
f) Por fim, o Direito Fiscal associado ao Direito Internacional tem como
objectivo evitar a dupla tributação dos produtos, para que haja maior e
melhor circulação das mercadorias internacionais (este é também o
objectivo do GATT).

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O que se pretende é um desenvolvimento internacional harmonioso entre os


vários países e em que o comércio internacional saia beneficiado. Por
vezes, os países invocam restrições teóricas, que são egoístas, para que o
comércio sofra certos entraves (p.ex., proibir a importação de carros com
faróis redondos, só admitindo carros com faróis quadrados).
Por isso é que se celebram certos acordos internacionais, para que a saúde
de cada
Estado não saia deteriorada e para que o comércio internacional não sofra
também qualquer tipo de doença; o objectivo é precisamente o contrário,
ou seja, um comércio internacional saudável.
Ex.: A OCDE pretende evitar conflitos positivos de regulamentação (dupla
tributação), pois tal constitui obstáculo ao comércio internacional, e
também evitar conflitos negativos, ou seja, um produto pode nem sequer
ser tributado, pois um país (Portugal, p.ex.) diz que a tributação do produto
deve ser feita no país de destino e outro país (o de destino) diz que o
imposto deve ser pago na sede da entidade comercial e, assim, o produto
não é tributado nem no país de origem, nem no país de destino.
Ainda no âmbito da relação do Direito fiscal com o Direito internacional
cumpre referir o Direito Comunitário. De facto, não obstante as
particularidades, as singularidades do Direito
Comunitário originado no Tratado de Roma de 1957, e cujas normas, desde
1982, são aplicáveis a Portugal, em consequência do seu ingresso nas
Comunidades Europeias, esse mesmo direito não deixa de situar-se no
plano do Direito Internacional, sem prejuízo da hipótese de, por via de uma
federalização, acabar por situar-se ao nível do Direito Interno.

NORMA FISCAL – FONTES

Constituição
Lei ordinária
Decreto-lei
Decreto legislativo regional
Regulamento
Costume
Jurisprudência
Resoluções administrativas
Doutrina

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Fontes de Direito Internacional


Fontes de Direito Comunitário

Constituição
A nossa constituição consagra diversos princípios.
Para que exista um recto imposto no Estado fiscal, devem ser considerados
os princípios de natureza material e formal.
De todos os princípios a que o legislador fiscal tem de subordinar devem
assinalar-se fundamentalmente os princípios do Estado de Direito, da
igualdade, do Estado social, da protecção da vida privada, da protecção da
família, da livre escolha da profissão, da garantia da propriedade privada e
da protecção do ambiente, revestindo uns, carácter material e outros
natureza formal.
A LGT elenca num artigo os princípios da generalidade, igualdade,
legalidade e justiça material (art 5º/2). Ainda os arts 6º e 7º elencam outros
princípios relacionados com a família e os aspectos económicos.

Disposições da CRP em matéria Fiscal:


Art 1º
Art 2º
Art 8º
Art 13º
Art 20º
Art 26º n.º 1
Art 47º n.º 1
Art 62º
Art 66 n.º 2 h)
Art 67º n.º 2 f)
Art 81º b)
Art 85º n.º 2
Art 86º n.º 1
Art 103º
Art 104º
Art 106º n.º 3 g)
Art 164º t)
Art 165º n.º 1 c) d) i) n.º 2 a 5

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Art 170º
Art 198º
Art 209º n.º 1 b) n.º4
Art 212º
Art 227 n.º 1 i) r) t)
Art 232º
Art 238º
Art 254º

Princípio do Estado de Direito –art 2ºe 3º CRP


O Estado de direito é democrático e visa realizar a democracia económica,
social e cultural.

Subprincípio da Legalidade
A CRP estabeleceu o subprincípio da legalidade do imposto que
deve distinguir-se da legalidade da lei, visando a hierarquia das leis
e a subordinação das autoridades à lei.
Traduz-se na submissão da actividade tributária à lei. Incumbe à lei
formal (aprovada pela AR) em sentido restrito o estabelecimento
dos impostos. Só excepcionalmente o Governo poderá estabelecer
impostos mas sempre com subordinação da Assembleia, acção que
pode ser anterior – autorização – ou posterior – ratificação.
Este subprincípio significa que os representantes do povo devem
autorizar os actos do Poder Público de estabelecimento dos
impostos e dos seus elementos essenciais e tal deve efectuar-se
mediante normas jurídicas, prevalecendo a lei.
O subprincípio da legalidade, não impede que o Governo legisle
sobre as matérias reservadas à AR, desde que por ela seja
autorizado – art 165º n.º1 i). Na autorização em cujo uso deve ser
utilizado o decreto-lei – art 165º/2 CRP.

Subprincípio da Tipicidade
Segundo este princípio, a tributação só se deve operar quando se
verificar que o tipo está previsto na lei, ou seja, este subprincípio
impõe a necessidade de verificação do pressuposto da tributação
configurado pela lei para que a tributação surja, mas sendo
suficiente tal verificação para ocorrer a sujeição a tributação.

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Subprincípio da Segurança
Este subprincípio envolve a rejeição do arbítrio e exige a
transparência da tributação, a possibilidade de se saber de antemão
a que tributação se está sujeito, isto é, exige-se a protecção da
confiança, envolvendo também a não retroactividade.
Segundo este subprincípio, determinada situação não prevista pela
lei mas similar a uma outra nela prevista, deveria ser tratada de
formal igual. Contudo, como a situação não está prevista na lei
devidamente interpretada, incluindo-se, como se verá, a
interpretação extensiva, o subprincípio conduz a não dever ser
considerada, daí também, o repúdio à analogia ou de qualquer
outro processo de integração de lacunas.

Subprincípio da proibição do excesso ou da proporcionalidade


É considerado excessivo tudo o que não é apropriado aos fins cuja
consecução é proposta ou tudo o que não é necessário para atingir
os mesmos fins.

Princípio da igualdade ou da isonomia


Traduz-se no tratamento igual de iguais e tratamento desigual de desiguais
na medida da desigualdade – art 13º e art 26º/1.
Este princípio teve sempre ínsita sobretudo a ideia de generalidade ou
universalidade, nos termos da qual todos os cidadãos se encontram
adstritos ao cumprimento do dever de pagar impostos, e da uniformidade, a
exigir que semelhante dever seja aferido por um mesmo critério – o
CRITÉRIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.
Igualdade Horizontal – Implica assim igual imposto para os que dispõem
de igual capacidade contributiva; P. da universalidade da tributação.
Igualdade Vertical – diferente imposto (qualitativa ou quantitativamente)
para os que dispõem de diferente capacidade contributiva na proporção
desta diferença. P.da capacidade contributiva
Configurando-se o princípio geral da igualdade como uma igualdade
material, o princípio da capacidade contributiva enquanto tertium
comparationis da igualdade no domínio dos impostos, não carece dum
específico e directo preceito constitucional. O seu fundamento

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constitucional é, pois, o P. Igualdade articulado com os demais princípios e


preceitos da respectiva “constituição fiscal” e não qualquer outro.

Princípio do Estado Social


O nosso Estado realiza intervenção social – art 81ºCRP b).
O Estado deve fazer com que seja proporcionada a igualdade de
oportunidades e contribuir para a eliminação das desigualdades na
distribuição dos elementos patrimoniais, ao fim e ao resto, realizar a justiça
social – art 5º /1 LGT.
A contribuição para a repartição justa dos rendimentos e da riqueza não
deve desprezar os direitos, liberdades e garantias individuais.

Princípio da protecção da Vida Privada


Consagrado nos art 26º e 34º da CRP, não existe qualquer razão para
afastar o imposto do seu âmbito.

Princípio da protecção da Família


O Estado segundo o art 67º n.º 1 e 2 f) assegura a protecção da família
através da regulação dos impostos e benefícios sociais de harmonia com os
encargos familiares. O art 6º/1/a) e b) ocupa-se de aspectos relativos à
família.
Princípio da protecção da livre escolha e do livre exercício da
profissão
Não se deve através do imposto impedir a livre escolha da actividade ou
profissão, ou do seu livre exercício – art 47ºCRP e art 80º c).
Segundo o art 7º n.º 3LGT estabelece que a tributação não discrimina
qualquer profissão ou actividade (…) sem prejuízo dos agravamentos ou
benefícios excepcionais determinados por finalidades económicas, sociais,
ambientais ou outras.

Princípio da Protecção da Propriedade Privada


A protecção da propriedade privada vem consagrada na CRP, podendo o
proprietário ser dela privada apenas com base na lei e mediante o
pagamento de justa indemnização – art 62º e 94º n.º 1 CRP

Princípio da Protecção do Ambiente

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O art 66º da CRP estabelece que todos têm direito a um ambiente de vida
humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.

As liberdades económicas de trabalho, profissão, de iniciativa económica e de empresa e o direito


de propriedade estão em especial contacto com os impostos porque, a mais de constituírem o
próprio pressuposto ou a face do Estado fiscal, os impostos se concretizam em ablações ou
amputações materiais do conteúdo normal ou típico desses direitos. Os impostos, enquanto
concretas manifestações dum dever fundamental não podem, mormente pelo seu montante, ir ao
ponto de desfigurar esses direitos enquanto direitos de conteúdo determinado ou determinável com
base em preceitos constitucionais, sob pena de os mesmo terem um conteúdo ou âmbito “sob
reserva da lei fiscal” e não nos termos da constituição.
Uma liberdade económica muito importante é a – LIBERDADE DE GESTÃO FISCAL – imprescindível
numa economia de mercado e estruturante dum estado fiscal. Esta liberdade exige a maior
amplitude possível para livre decisão dos indivíduos e empresas, inclusive para planificar a sua vida
económica sem consideração das necessidades financeiras da comunidade estadual. Concretiza-
se na real possibilidade de escolha das soluções menos onerosas sobretudo por parte das empresas
em sede da sua organização e financiamento, a liberdade de gestão fiscal, vista pelo lado dos seus
destinatários passivos, Estado e demais entes públicos, consubstancia-se na exigência de
neutralidade fiscal que tem expressão no art. 81º -e) CRP – onde se dispõe que incumbe
prioritariamente ao Estado assegurar o funcionamento eficiente dos mercados, de modo a garantir
a equilibrada concorrência entre as empresas, a contrariar as formas de organização monopolistas
e a reprimir os abusos de posição dominante e outraa práticas lesivas do interesse geral.
O P. Estado Social tem naturalmente implicações importantes no domínio do direito dos impostos.
Estando concretizado na CRP em sede da “constituição económica” – art.81º-b) e da “constituição
fiscal” – art.103º nº1 (justa repartição dos rendimentos e da riqueza). Este princípio e as suas
concretizações vão tanto no sentido da tributação ou maior tributação, como no sentido da não
tributação ou da limitação da tributação.
- Coerência do sistema e o limite aos limites da tributação:
Os limites materiais da tributação têm sobretudo a ver com a ideia de coerência do sistema,
entendida como uma coerência ao nível do conteúdo de integração do direito fiscal no sistema do
direito público e no conjunto do ordenamento jurídico.
Impõe limites: intra-sistemáticos – coerência entre os diversos impostos e coerência do sistema fiscal
no seu conjunto. O princípio em causa deve ser convocado para a solução de problemas tais
como a dupla tributação; E Extra-Sistemáticos – em que a ideia de coerência dos sistema implica
que o direito fiscal se articule com outros ramos do direito.
O limite aos limites da tributação: o direito dos impostos está particularmente condicionado pelo
princípio da praticabilidade, que conduz à exclusão não só das soluções impossíveis de levar à
prática mas também das soluções economicamente insuportáveis. Daqui decorre que os limites da
tributação não possam ser levados demasiado longe. O princípio da igualdade fiscal para ser
exequível e praticável, exige a sua simplificação com recurso à tipificação ou estandardização das
leis fiscais.

Lei Ordinária
Incumbe constitucionalmente a criação dos impostos e a regulação dos
elementos essenciais do imposto (incidência, benefícios fiscais, taxas,
direitos e garantias dos contribuintes – art 103º/n.º2)

F@tyt@ Página 17
Direito Fiscal - Apontamentos

Decreto-Lei
O Governo tem competência para fazer decretos-lei em matérias que não
estão reservadas à AR, ou seja, dispõe de competência autónoma, mas a
AR pode submete-los à apreciação, para efeitos de cessação de vigência ou
de alteração – art 198º n.º1 a) e art 169º CRP.
Desde que os decretos-leis em matérias fiscais publicados pelo Governo
não contenham matérias sobre as quais caiba exclusivamente à AR, o
Governo pode publicar – art 198º n.º1b) e art 165 n.º 1 i)

Decreto Legislativo Regional


Segundo o artigo 112º n.º4 CRP os decretos legislativos têm âmbito
regional e versam sobre matérias enunciadas no estatuto político-
administrativo da respectiva região autónoma que não estejam reservadas
aos órgãos de soberania, sem prejuízo de poderem legislar em certas
matérias de reserva relativa da AR, mediante autorização desta –art 227º n.º
1 i) e art 232º n.º1, ART 52º e 53º n.º2 CRP.

Regulamento
Os regulamentos podem tanto visar a execução das leis como ser emanados
no exercício de uma competência estabelecida por lei.
O Governo, no exercício das suas funções administrativas, deve emanar os
regulamentos necessários à boa execução das leis – art 199º c); art 112º n.º
6 e 7 CRP

Costume
As normas constitucionais tornam impossível a consideração dos costumes
em muitos aspectos relativos ao imposto, aspectos esses que devem ser
regulados por lei: taxas, criação de impostos, incidência, benefícios fiscais,
garantias do contribuinte e formas de liquidação e de cobrança.

Jurisprudência
AS decisões que são proferidas pelos tribunais não constituem fonte
imediata de direito fiscal, não o criam uma vez que não são fontes júris
essendi mas sim júris cognoscendi.
As decisões dos tribunais apenas constituem caso julgado vinculativo mas
apenas para os casos sub Júdice.

F@tyt@ Página 18
Direito Fiscal - Apontamentos

Doutrina
A doutrina fiscal não é fonte imediata de direito, é fonte júris cognoscendi.

Fontes de Direito Internacional


As convenções são fonte de direito internacional com grande importância.
As convenções podem conter exclusivamente matéria fiscal, ou incluir
somente algumas disposições sobre impostos.
As convenções inteiramente fiscais são as mais importantes, tem o
objectivo de evitar ou eliminar a dupla tributação jurídica internacional.
Outro tipo de convenções são as que se destinam à cooperação entre os
Estados em matéria de lançamento visando a eliminação da fraude e evasão
fiscal.
As convenções parcialmente fiscais visam a regulação de transportes,
comércio etc.
A CRP no art 8/2 estabelece uma cláusula de recepção plena quer em
relação ao direito internacional geral ou comum quer em relação às normas
constantes de convenções.

DIREITO COMUNITÁRIO

CONVENÇÕES INTERNACIONAIS: TRATADOS E ACORDOS EM MATÉRIAS FISCAL PARA EVITAR A DUPLA


TRIBUTAÇÃO E LUTAR CONTRA A EVASÃO E FRAUDE FISCAIS. SEGUNDO O QUE É DITO NO 161º -I) CRP – AS
CONVENÇÕES DE DUPLA TRIBUTAÇÃO NÃO TÊM DE ASSUMIR A FORMA DE TRATADOS, PODENDO ASSUMIR
A FORMA DE TRATADOS OU A DE ACORDOS, SENDO CERTO QUE COMO ACORDOS TÊM DE SER
APROVADOS PELA AR.
HÁ NESTE ÂMBITO 2 FENÓMENOS: DE UNIFORMIZAÇÃO: LEGISLAÇÃO = EM TODOS OS PAÍSES EX: CÓDIGO
ADUANEIRO COMUNITÁRIO APROVADO POR UM REGULAMENTO; E DE HARMONIZAÇÃO: TENDENTE A
ELIMINAR OS PONTOS DE CONFLITO (DIRECTIVAS COMUNITÁRIAS). ESTE FENÓMENO É CADA VEZ MAIOR
NESTA ÁREA, DADO QUE A LUTA CONTRA A DUPLA TRIBUTAÇÃO É UM TAREFA COMUNITÁRIA A
SOLUCIONAR ATRAVÉS DE INSTRUMENTOS DE HARMONIZAÇÃO FISCAL SUPRANACIONAL. NÃO ESQUECER
QUE O DIREITO COMUNITÁRIO PREVALECE SOBRE O DIREITO DOS ESTADOS MEMBROS, SEJA DIREITO
INTERNO OU DIREITO INTERNACIONAL. É POR ESTE MOTIVO QUE AS CONVENÇÕES CELEBRADAS ENTRE
ESTADOS MEMBROS DA UE TÊM VINDO A PERDER IMPORTÂNCIA. A HARMONIZAÇÃO FISCAL, EM TEMPOS DE
INTERNACIONALIZAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO ECONÓMICAS, É MAIS UMA EXIGÊNCIA DO MERCADO DE QUE
DO ESTADO.

DIREITO INTERNO:

LEIS: LEI A.R + DEC-LEI GOV + DEC-LEGISLATIVOS REGIONAIS ( SENDO QUE COMO JÁ SE SABE,
RELATIVAMENTE AOS ELEMENTOS ESSENCIAIS DOS IMPOSTOS TEM DE HAVER NECESSARIAMENTE UMA
INTERVENÇÃO PRÉVIA DA LEI (PARLAMENTAR). SÓ DEPOIS DE UMA PRONÚNCIA LEGISLATIVA DA AR,
PODEM O GOVERNO E AS REGIÕES AUTÓNOMAS, DISCIPLINAREM OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DOS
IMPOSTOS. JÁ RELATIVAMENTE A OUTROS ASPECTOS DOS IMPOSTOS O DEC-LEI E O DEC-LEGISLATIVO
REGIONAL PODEM INTERVIR SEM NECESSIDADE DE UMA PRÉVIA INTERVENÇÃO LEGISLATIVA DA AR. ASSIM
ACONTECE, POR EXEMPLO EM SEDE DE LANÇAMENTO, LIQUIDAÇÃO E COBRANÇA DOS IMPOSTOS.

COSTUME: 103º CRP + 165º - NÃO HÁ COSTUME MAS HÁ USOS.

REGULAMENTOS: QUER SEJAM REGULAMENTOS DO GOVERNO, DAS REGIÕES AUTÓNOMAS Página


F@tyt@ OU DAS 19
AUTARQUIAS MUNICIPAIS NÃO PODEM, EM VIRTUDE DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE FISCAL, DISCIPLINAR OS
ELEMENTOS ESSENCIAIS DOS IMPOSTOS. NEM AGORA, POR FORÇA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DA
ADMINISTRAÇÃO, NA SUA CONCRETIZAÇÃO CONSTANTE DO ART.8º Nº 2 A) LGT VERSAR SOBRE A
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A RELAÇÃO JURÍDICA FISCAL

- A complexidade da relação jurídica –

Sujeitos passivos: contribuinte, substitutos, retentores do imposto e os


sujeitos passivos das múltiplas e diversificadas obrigações e deveres
acessórios.

Intermediários fiscais, consultores fiscais e entidades financeiras – como


prestadores de serviços suportam a actividade de planeamento fiscal e estão
sujeitos a deveres de comunicação, informação e esclarecimento à
administração fiscal relativos aos esquemas de planeamento fiscal abusivo.

Quanto ao conteúdo, ao lado da obrigação de imposto relativa à prestação


principal a satisfazer pelo sujeito passivo, há ainda várias obrigações ou
deveres acessórios (que podem traduzir-se em prestações de natureza

F@tyt@ Página 20
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pecuniária – juros compensatórios ou moratórios; agravamento da colecta


em caso de reclamação ou pedido de revisão da matéria colectável
infundados etc. – ou em prestações de carácter formal ou prestações de
facere a satisfazer seja pelo contribuinte, seja por terceiros).

Quanto à relação fiscal em sentido amplo esta desdobra-se em: Relação de


imposto ou relação fiscal em sentido estrito e relações jurídicas acessórias.

A complexidade da relação de imposto traduz-se no duplo papel que a


administração fiscal desempenha e que envolve uma multiplicidade de
poderes adjacentes: - Competência Tributária - Capacidade tributária –

Nas relações jurídicas acessórias:

Há uma relação de direito administrativo entre a Administração Fiscal e o


contribuinte ou sujeito passivo do imposto, uma relação de
supremacia/subordinação em que aquela se apresenta munida do
correspondente poder administrativo (poder-dever) para aplicar as leis
fiscais, praticando os correspondentes actos de autoridade ou actos
administrativos, nos quais se incluem os próprios actos da competência da
Administração Fiscal no processo de execução fiscal.
Relação constitucional: Estado – contribuintes …………………ver quadro
da pag.242 Casalta Nabais..
Há uma relação de direito obrigacional entre o Fisco e o devedor do
imposto, uma relação de natureza paritária, em que aquela não dispõe de
qualquer poder de autoridade, muito embora seja titular de um direito de
crédito que tem de característico, face aos direitos de crédito comuns,
apresentar-se rodeado de particulares garantias.
Exemplos de obrigações/deveres acessórios: - Em sede de IRS empresarial
e profissional e do IRC: 1) obrigações declarativas; 2) obrigações
contabilísticas e de escrituração (ex: dever de ter contabilidade organizada);
3) outras obrigações acessórias;

- A obrigação fiscal: o núcleo da relação jurídica fiscal é constituído pela


obrigação fiscal ou obrigação de imposto. É estruturalmente uma obrigação
como qualquer outra, no entanto tem algumas características especiais:

F@tyt@ Página 21
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Obrigação legal: tem por fonte a lei – LGT art.36º nº1

Pública: integra o direito público, que se traduz nomeadamente na


presunção de legalidade do acto de liquidação ou acto tributário que
suporta a sua exigibilidade.

Exequível e executiva: na medida em que o acto tributário não é auto


exequível, carecendo assim de execução, e por outro lado a sua execução
não está dependente de qualquer outra pronúncia para além da constituída
pelo próprio acto tributário.

Semi-Executória: a sua execução corre em parte, na administração


tributária e, em parte nos tribunais tributários.

Indisponível e Irrenunciável: ao credor não cabem, em princípio, quaisquer


poderes para conceder moratórias, admitir o pagamento em prestações ou
conceder o perdão da dívida.

LGT – art.29/1, 36/3, 37/2, 30/2.

Auto-titulada: obrigação relativamente à qual a administração fiscal – o


fisco – cria os seus próprios executivos, constituídos pelas certidões de
divida extraídas pelos serviços competentes das notas de cobrança ou de
outros elementos que tiverem a seu dispor, sendo estas certidões que
servirão de base à instauração do correspondente processo de execução
fiscal.

Especialmente garantida: dadas as garantias especiais que rodeiam o


crédito tributário, garantias que colocam o credor tributário numa posição
vantajosa face aos credores comuns.

SUJEITO ACTIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA FISCAL

A titularidade activa da relação jurídico-fiscal em sentido amplo comporta


várias situações: - Poder Tributário: (sentido estrito) refere-se ao poder
dado ao legislador, por via constitucional, para a criação, instituição,
estabelecimento ou invenção dos impostos e a sua disciplina essencial.

F@tyt@ Página 22
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Há quem fale neste poder no sentido de soberania fiscal. Características:


poder constitucional, indisponível (a título definitivo ou a titulo
temporários), abstracto, permanente e limitado ( em que se inclui o seu
carácter territorial). Pelo que nem todo o poder tributário pode ser tido
como um poder soberano, imprescindível, originário e legal, notas estas
que apenas cabem ao poder tributário estadual.

- Competência tributária: diz respeito à administração ou gestão dos


impostos – traduz-se no lançamento, liquidação e cobrança dos impostos.
Cabe à administração fiscal e aos particulares (contribuintes e 3ºs)

- Capacidade tributária: traduz a qualidade de sujeito activo da relação de


crédito/relação fiscal. Isto é, o direito de crédito do imposto e demais
direitos tributários. É uma qualidade inerente à personalidade tributária
activa ou susceptibilidade de ser sujeito activo da relação jurídica tributária
e que cabe aos credores tributários – LGT – art. 15º

- Titularidade da receita fiscal: ocorre aquando de imposição


constitucional ou legal quando as receitas proporcionadas por certos
impostos estejam subjectivamente consignadas a determinados entes
públicos que não tenham todas ou algumas das outras titularidades fiscais
activas.

SUJEITO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA FISCAL

A respeito do sujeito passivo, em sentido lato, da relação jurídica tributária


costuma fazer-se a seguinte distinção

- Contribuinte – Devedor do imposto – Sujeito passivo

- Substituto – a pessoa que substitui o contribuinte. É a pessoa


relativamente à qual não se verifica o pressuposto mas que está obrigada
desde o início da relação a entregar o Imposto ao Estado.

Aquele que deve satisfazer perante o Pessoa em relação à


credor fiscal a obrigação de imposto qual se verificam os
Devedor de imposto (estrito) pressupostos de
ou CONTRIBUINTE DIRECTO ou tributação/ o
de direito pressuposto de facto do
imposto – Ex: Salário

F@tyt@ Página 23
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Sujeito Passivo (estrito) ou


DEVEDOR do imposto em
sentido amplo

Sujeito Passivo
Outros devedores do Imposto - Substitutos;
sentido amplo
- Responsáveis
- Outros;
Demais obrigados tributários

Aquele que suporta o imposto por


via de repercussão.
São devedores indirectos/acessórios,
Toda e qualquer pessoa singular ou aos quais o fisco exige
colectiva, a quem a lei imponha o excepcionalmente o crédito do
dever de efectuar uma prestação imposto. Também são chamados de
tributária contribuintes de facto.
LGT – art 18º n.º4ª)

LGT – art. 18º nº 3 e 4 – diz-nos quem é o sujeito passivo enquanto


devedor do imposto em sentido amplo.

- Personalidade e Capacidade tributárias –


Tanto se reportam aos sujeitos passivos como aos activos, porém é em sede
de sujeitos passivos que, aqui, lhe daremos mais importância.

LGT – art. 15º e 16º nº2:

Personalidade tributária: susceptibilidade de ser sujeito – activo ou


passivo – de relações tributárias, sendo inerente a esta a capacidade de
tributária.
Capacidade tributária (de gozo): qualidade de ser titular de direitos e
deveres tributários correspondentes.
Capacidade tributária de exercício (ou de agir): medida dos direitos e
deveres que cada sujeito pode exercer e cumprir por si.

Em princípio são sujeitos passivos das relações tributárias os detentores


de personalidade jurídica, a não ser que a lei diga o contrário. Quer isto
dizer que os sujeitos passivos não têm de possuir personalidade jurídica, o
necessário será nesses casos haver uma organização económica.

F@tyt@ Página 24
Direito Fiscal - Apontamentos

Representação legal – mandato tributário – gestão de negócios

LGT – art.16º nº1

Art.19º nº4 – os não residentes têm de possuir um representante legal – é


obrigatório -, assim como os que obtenham rendimentos em Portugal e não
disponham de estabelecimento estável em território português. Fora destes
casos a representação é voluntária – concretizada através do mandato
fiscal.
Art.17º - gestão de negócios – remete para o CC art. 464º a 472º Art.27º -
responsabilidade dos gestores de bens ou direitos de não residentes.

Domicílio Fiscal
LGT – art.19º nº1/2//4/5 ||| CIRS – art.16º ||| CIRC – art.2º nº3

- Substituição Tributária –

LGT – art.20º: verifica-se quando, por imposição da lei, a prestação


tributária for exigida a pessoa diferente do contribuinte, sendo a mesma
efectivada através do mecanismo da retenção na fonte do imposto devido.
A LGT entende a retenção na fonte em termos que abrange não apenas a
verdadeira retenção na fonte, mas também os pagamentos por conta de
imposto efectuados por terceiro. De outro lado, integra nos pagamentos por
conta não só as entregas pecuniárias antecipadas efectuadas pelo próprio
contribuinte, mas também as entregas efectuadas por 3º.

Por um lado reduz-se o substituto a retentor do imposto quando é possível


haver substituição tributária sem retenção. De outro lado, pode haver
retenção na fonte sem haver substituição tributária ao menos substituição
tributária em sentido próprio.

F@tyt@ Página 25
Direito Fiscal - Apontamentos

Substituição total (abrange tanto a obrigação do imposto como a


generalidade das obrigações fiscais acessórias); parcial (o substituído tem
de cumprir a generalidade ou algumas das obrigações fiscais acessórias).

ADM. FISCAL / FISCO - CREDOR

Substituto ou DEVEDOR Substituto ou CONTRIBUINTE - devedor


PRIMÁRIO/ORIGINÁRIO secundário ou responsável subsidiário

Na relação entre o devedor originário e o subsidiário, há um direito de


retenção ou de regresso do originário face ao subsidiário/contribuinte.

LGT – art.28º - elenca 3 situações de responsabilidade tributária.

- Responsabilidade Tributária: Em direito fiscal vigora um conceito


restrito de responsabilidade, daí que seja necessário distinguir:

Solidariedade tributária: LGT – art.22º nº1 – quando o credor do imposto


pode exigir o cumprimento integral da dívida tributária tanto ao devedor
como ao responsável. Esta figura ocorre excepcionalmente: 21º, 26º, 27º
etc. Quando o devedor não paga cabe a outro sujeito responsável liquidar a
dívida.
O responsável não goza do benefício da excussão (não ser chamado antes
que se esgote o património do devedor).

Responsabilidade tributária: LGT – art.22º nº3 + 23º - em regra tem


natureza subsidiária face ao devedor originário, embora possa ser
subsidiária ou solidária na relação entre os diversos responsáveis no caso
de pluralidade de responsáveis tributários. Ex: art.24º, 25º, 28º. Quando o
devedor não paga e não tem bens para ser executado há alguém que terá

F@tyt@ Página 26
Direito Fiscal - Apontamentos

que liquidar a dívida – Cabe aos administradores/gerentes das sociedades –


REGRA.

Pessoas Colectivas de Direito Público


Em geral (art 2º/1/a)) CIRC e art 42º e art 216º CPPT;
Dos seus próprios impostos (art 2º - IVA);

Os denominados entes de facto


Art 18º/3 e art 32ºLGT e art 2º/1/b) c) CIRC;
Pluralidade de Sujeitos
Art 21º LGT
(existe solidariedade entre os sujeitos passivos)

Capacidade de Exercício
Art 16º/3/4/5/6 e art 32º LGT

Gestão de Negócios
Art 17º LGt

- Transmissibilidade da obrigação fiscal –


LGT – art.29º nº1 e 3 – Princípio da intransmissibilidade dos créditos e
das dívidas tributárias. Ou seja, salvo disposição em contrário, os créditos
e as dívidas tributárias são insusceptíveis de transmissão.

Art.29º nº2 e art.41º nº2

Casos de transmissão da obrigação fiscal: 1) sub-rogação nos direitos da


fazenda; 2) Sucessão legal.

1) – SUB-ROGAÇÃO NOS DIREITOS DA FAZENDA:

Art.41º - qualquer pessoa pode pagar as dívidas fiscais de outrem, muito


embora as relações deste 3º com o sujeito passivo ou devedor do imposto

F@tyt@ Página 27
Direito Fiscal - Apontamentos

seja, por via de regra, regidas pelo direito privado. Verificadas as


condições: 1) TER DECORRIDO O PRAZO DE PAGAMENTO
VOLUNTÁRIO DO IMPOSTO; 2) HAVER O 3º REQUERIDO A SUB-
ROGAÇÃO; 3) TER OBTIDO AUTORIZAÇÃO DO DEVEDOR DO
IMPOSTO OU PROVADO O INTERESSE LEGÍTIMO – tem lugar uma
transmissão da obrigação fiscal pelo lado activo, isto é, relativamente ao
credor do imposto. O 3º, QUE PAGUE O IMPOSTO DE OUTREM E
OBTENHA A SUB-ROGAÇÃO, ASSUME ASSIM, NA RELAÇÃO O
LUGAR QUE CABIA À FAZENDA PÚBLICA. DAÍ QUE, O CRÉDITO
DO SUB-ROGADO FACE AO DEVEDOR FIQUE COM AS MESMAS
GARANTIAS, PESSOAIS E REAIS, QUE TINHA O CRÉDITO DA
FAZENDA PÚBLICA; E DE OUTRO LADO, TENHA AO SEU DISPOR
O MESMO PROCESSO DE COBRANÇA COERCIVA, IÉ, O
PROCESSO DE EXECUÇÃO FISCAL QUE CABIA À FAZENDA
PÚBLICA.

2) – SUCESSÃO LEGAL: ART.29º

Extinção da Obrigação Fiscal

1- Cumprimento: Art.40º - é a forma normal de extinção.


O cumprimento pode ser: - Voluntário – efectuado dentro do prazo
estabelecido pelas leis tributárias ou coercivo.
Face ao princípio da indisponibilidade da obrigação fiscal, decorrido o
prazo para o pagamento voluntário começam a contar-se juros de mora
– são devidos quando o sujeito passivo não pague o imposto no prazo
legal, sendo a sua taxa definida para as dívidas ao Estado e outras
entidades públicas – ou seja, decorrem do não pagamento da prestação
principal; nos termos no art.44º estes têm no entanto um limite.

Há que distingui-los dos Juros Compensatórios – art.35º: são devidos quando o sujeito
passivo não cumpre uma prestação acessória.

Já os juros indemnizatórios – art.43º - são devidos ao sujeito passivo ou passivo quando


por facto imputável à Administração não foi entregue ao sujeito passivo o reembolso do
imposto, ou foi cobrado imposto superior ao devido.

Ex: quando o Serviço de Finanças que deveria ter notificado o contribuinte num
determinado prazo para lhe devolver/restituir um determinado valor que reteve e não o
fez no prazo legal.

F@tyt@ Página 28
Direito Fiscal - Apontamentos

Ou seja, quando não se cumpre: Juros moratórios; e quando ainda assim


não cumpre: execução fiscal e/ou crime fiscal. Art.42º

Quando não se cumpre uma obrigação principal começa-se a contar


JUROS DE MORA – art 44º LGT

Os juros de mora são devidos pelo sujeito activo ou passivo que não
cumpriu a obrigação no prazo previsto.

2- Prescrição: 48º e 49º - as dívidas tributárias prescrevem, salvo


disposição especial em contrário, no prazo de 8 anos contados, nos
impostos periódicos, a partir do termos do ano em que se verificou o
facto tributário e, nos impostos de obrigação única, a partir da data em
que o facto tributário ocorreu. [Há que distinguir prescrição de
caducidade – art.45 a 47º]

3- Dação em Cumprimento

EXEMPLO: Entrega de uma coisa diferente daquela que foi


acordada inicialmente. Entrega de 1 computador para Art 40º n.º2 – só são
pagamento de uma dívida de 500€ admitidas nos casos
expressamente previstos
na lei.

4- Compensação
Tem que existir 2 obrigações, porque se pressupõe que as
posições das partes se invertem em relação ao outro;
A compensação visa a entrega da diferença
Forma de extinção da obrigação tributária através de débitos e
créditos.

5- Confusão: ocorre no caso de sub-rogação – dado que a qualidade de


credor e de devedor da obrigação tributária se reúnem na mesma
pessoa.

F@tyt@ Página 29
Direito Fiscal - Apontamentos

Caducidade: perda de um direito pelo seu não exercício num determinado


prazo. A LGT determina um prazo de 4 anos, salvo lei especial.

O Prazo começa a contar a partir do termo do ano em que se verificou o


facto tributário

Garantias de Cumprimento da Obrigação Fiscal

Geral (das Obrigações): LGT art 50º + Art 601º e 817ºCC –


Património do devedor;

Especiais:
Pessoais: Responsabilidade tributária – quando para além do
património do devedor há ainda o património de outra pessoa.

Reais: Quando se afecta uma parte do património em especial


Penhor e hipoteca – art 50º/2/b) e n.º3
Privilégios creditórios – art 50º/2/a)
Direito de retenção – art 50º/2/c)
Prestação de caução

SISTEMA FISCAL PORTUGUÊS

O nosso sistema fiscal é um sistema compósito:

Impostos de rendimento:

IRC
IRS

Impostos sobre o património:

F@tyt@ Página 30
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Por ocasião da morte de alguém

IMI
IMT

Imposto sobre a despesa

IVA
IEC

INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO E EFICÁCIA DO DIREITO


FISCAL

Interpretação: as normas fiscais interpretam-se como quaisquer outras


normas – art.11ºLGT

Integração:

Nos elementos essenciais dos impostos – incidência, garantias e benefícios


– não há lacunas! Nesta matéria é portanto proibida a integração de
lacunas – princípio constitucional da legalidade fiscal. Art.11º nº4 – Este
preceito deve ser entendido no sentido de afastar a colmatação de lacunas
no domínio coberto pela reserva de lei fiscal, independentemente portanto
do meio através do qual a mesma se faça.

Cláusulas Anti-abuso: destinam-se a prevenir e reprimir as crescentes


práticas de EVASÃO e FRAUDE FISCAIS. Podem ser gerais e especiais.
Há na maior parte dos países uma cláusula geral anti-abuso – Em Portugal
consagrada no art.38º LGT.

A consagração de uma cláusula geral anti-abuso compreende-se em


princípio, pois estamos num momento em que se torna cada vez mais
necessário dar poderes à administração tributária, sobretudo em segmentos
da tributação como o paradigmático exemplo dos rendimentos das
aplicações financeiras, cujos mercados são cada vez mais dominados pela

F@tyt@ Página 31
Direito Fiscal - Apontamentos

desregulação legal, pela desintermediação e consequentes


instrumentalização e titularização e, bem assim, pela internacionalização.

Eficácia das normas jurídico-fiscais:

Eficácia Temporal: reconduz-se a 3 problemas – 1) inicio da


vigência das normas fiscais; 2) cessação da vigência das normas; 3)
sucessão das normas fiscais no tempo. Mas o inicio e a cessação da
vigência não assumem no direito fiscal qualquer especificidade

Quanto à sucessão das normas no tempo: O direito fiscal rege-se pelo


princípio constitucional e legal da não retroactividade. Ao nível
constitucional – art.103º nº3 CRP – impõe a proibição de impostos
retroactivos, motivo pelo qual o legislador está impedido de criar ou
aumentar retroactivamente os impostos. Está ligado à segurança jurídica e
protecção de confiança inerentes ao Estado de direito democrático. Ao
nível legal, como princípio geral de direito, tem por destinatários, já não o
legislador, mas os operadores jurídicos concretos (juiz, administração e
particulares) – LGT – art.12º.

Face ao disposto no art.12º, conclui-se que, em direito fiscal, o princípio da


aplicação imediata da lei nova aos procedimentos e processos em curso
comporta 2 excepções, uma vez que ela não se aplica, de um lado, SE
AFECTAR AS GARANTIAS, DIREITOS OU INTERESSES
LEGÍTIMOS ANTERIORMENTE CONSTITUÍDOS DOS
CONTRIBUINTES e, de outro, SE SE TRATAR DE NORMAS QUE,
EMBORA RESPEITANTES AO PROCEDIMENTO DE
DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL, TENHAM POR
FUNÇÃO O DESENVOLVIMENTO DE NORMAS DE INCIDÊNCIA
TRIBUTÁRIA.

Eficácia Espacial: Rege-se pelo princípio da territorialidade – as


leis tributárias só se aplicam aos factos ocorridos no território da
ordem jurídica a que pertencem, independentemente portanto de
outras características que eventualmente possam ocorrer na situação

F@tyt@ Página 32
Direito Fiscal - Apontamentos

em causa, como a nacionalidade, o domicilio ou a residência do


sujeito passivo.

A territorialidade tem um vector negativo – na medida em que as leis


estrangeiras não se aplicam no território do país da causa, ou seja os órgãos
de aplicação do direito de cada estado apenas aplicam as suas próprias
normas tributárias – e um vector positivo – na medida em que as leis
tributárias internas se aplicam no território nacional, de modo generalizado,
inclusivamente aos que não são nacionais desse Estado, isto é, aos
estrangeiros.

LGT – art.13º
Nº1 – Princípio da territorialidade objectiva ou real

Nº2 – Princípio da territorialidade subjectiva ou pessoal


Quanto aos IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO, os elementos
de conexão legítimos são1) a residência do beneficiário do
rendimento e o 2) local da produção do rendimento. O primeiro
conduz, em regra, à tributação do rendimento global do contribuinte
independentemente das suas origens e fronteiras – P.
Universalidade. O segundo leva a uma tributação limitada dos
rendimentos produzidos no território, o que implica a aplicação do P.
Territorialidade.
Quanto à TRIBUTAÇÃO DO PATRIMÓNIO, os elementos de
conexão legítimos são: 1) a residência do proprietário/titular dos
bens patrimoniais e 2) O lugar da situação dos mesmos.
Quanto aos IMPOSTOS SOBRE O CONSUMO, os elementos de
conexão são: a origem ou o destino dos bens transaccionados. Regra,
os impostos sobre o consumo devem ser lançados no país do
consumo, revertendo assim em benefício dos Estados em que são
consumidos os bens sobre que incidem.

Sendo legítimo, do ponto de vista do direito internacional público,


convocar diferentes elementos de conexão relativamente ao mesmo tipo de

F@tyt@ Página 33
Direito Fiscal - Apontamentos

imposto, estamos confrontados com o problema da dupla tributação. Esta


configura uma situação de concurso de normas, IÉ, uma situação em que o
mesmo facto tributário se integra na hipótese de incidência de duas normas
tributárias diferentes, o que implica, de um lado, a identidade do facto
tributário e, de outro, a pluralidade de normas tributárias. Como requisito
da identidade do facto tributário costuma-se exigir a regras das 4
identidades: identidade do objecto – do sujeito – do período da tributação
e do imposto.

Métodos utilizados para eliminar ou atenuar a dupla tributação no que diz


respeito ao rendimento: o rendimento pode ser tributado tanto no Estado da
fonte do rendimento como no Estado da residência do seu titular, sendo
certo que, de acordo com o ius gentium, incumbe ao Estado da residência,
porque tem legitimidade para tributar a globalidade dos rendimentos dos
seus residentes, o ónus de eliminar ou atenuar a dupla tributação daí
decorrente.

Mas com que métodos?

1-método da isenção:

isenção integral – se o rendimento de fonte externa não é tido em


consideração seja para que efeito for em sede de tributação dos
rendimentos de fonte interna; ou seja, o Estado da Residência vem
reconhecer que o sujeito já foi tributado, ignorando o que o sujeito recebeu
fora;

Isenção com progressividade – se o rendimento de fonte externa é tomado


em consideração, juntamente com os de fonte interna, para efeitos de
determinação da taxa progressiva aplicável ao rendimento global, ou seja, o
estado da residência não tributa sobre o valor que o sujeito recebeu noutro
Estado mas vai ter em conta o valor que recebeu Noutro Estado para
calcular a taxa a que o sujeito estará sujeito quando for tributado sobre o
rendimento que aferiu.

(o valor ganho fora é tido em conta, não para ser sujeito a taxa mas para o
cálculo da taxa a aplicar ao valor auferido no Estado da residência).

F@tyt@ Página 34
Direito Fiscal - Apontamentos

2-método da imputação ou do crédito de imposto:

imputação integral – se o Estado da residência deduz o montante total do


imposto estrangeiro, IÉ, o imposto efectivamente pago no país da origem
do rendimento; e

imputação ordinária – se o Estado da residência limita a dedução à fracção


do seu próprio imposto correspondente aos rendimentos provenientes do
país da fonte. É este ultimo o método adoptado em geral pelo nosso direito
interno – CIRS art.81; e CIRC art.85º - e também pelas convenções para
evitar a dupla tributação subscritas por Portugal, ou seja, o Estado da
residência tributa sobre o rendimento que o sujeito auferiu num outro
Estado e no Estado onde reside, mas desconta na tributação o valor
tributado pelo Estado Estrangeiro; ou seja, O Estado da Residência só
deduz no máximo aquilo que iria cobrar.

EX: Se o Estado Estrangeiro iria reduzir 20% e o Estado da Residência


deduzir 15%. O Estado da Residência desconta os 15% sobre o valor
auferido no Estrangeiro.

Deduz-se sempre a taxa que é menos

TAX SPARING CREDIT – O Estado da Residência apesar de não ter


existido tributação no outro Estado, vai deduzir a tributação como se
tivesse existido dedução.

HIPOTESE PRÁTICA

SUPONHA QUE O GOVERNO EM MARÇO DE 2011 APROVA UMA NOVA TAXA SOBRE
OS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL DE TODOS OS TRABALHADORES DE ENTIDADES
PRIVADAS COM MAIS DE 40 ANOS, SENDO QUE ESSA TAXA RETROAGIA AOS
SUBSÍDIOS AUFERIDOS NO ANO DE 2010.

Estamos perante uma situação de desigualdade, porque só se destina aos trabalhadores de


entidades privadas e com mais de 40 anos.
F@tyt@ Página 35
O art 103º/3 CRP proíbe a retroactividade

Art13º/1/2CRP;
Direito Fiscal - Apontamentos

IRS
CARACTERÍSTICAS DO IRS
Sobre o rendimento
Pessoas singulares
Estadual – O sujeito activo é o Estado
Nacional – Aplica-se em todo o território nacional
Periódico – porque todos os anos estamos sujeitos

F@tyt@ Página 36
Direito Fiscal - Apontamentos

Principal – Têm autonomia jurídica, não depende de outro


Único mas não unitário
Misto
Directo – predominantemente de avaliação directa
Não é de repartição
É um imposto heteroliquidável
É um imposto semi-dual

O IRS é um imposto visível – o mesmo não acontece com o IVA que é


impossível pois está incluído no preço.

Como se consegue atenuar a visibilidade?


Através da retenção na fonte.

Os sujeitos passivos do IRS são as pessoas que dirigem o agregado familiar


Art 104º CRP – N.º1 – Só pode existir um imposto sobre o rendimento das
pessoas singulares – atinge a globalidade dos rendimentos individuais.

CATEGORIAS

Categoria A – Rendimento bruto (- )Deduções Especificas =


Rendimento Líquido
Encargos reais que se relacionam com os rendimentos e são
indispensáveis

Categoria B - Rendimento bruto (-) Deduções Especificas =


Rendimento Líquido

Categoria E – Rendimento Bruto = Rendimento Líquido

Categoria F - Rendimento bruto (-) Deduções Especificas =


Rendimento Líquido

Categoria G

F@tyt@ Página 37
Direito Fiscal - Apontamentos

Categoria H

As deduções específicas variam de categoria para categoria, são


específicas de categoria para categoria.

FÓRMULA DE APURAMENTO DO IRS

REGIME/SISTEMA GERAL

RB (CAT) – DE (CAT) = RL (GLOBAL) RC x TAXAS = C – DC = IMPOSTO

Imposto que atende à situação real


Imposto sobre o rendimento pessoal

SISTEMAS ESPECIAIS
ART 71º E 72º do CÓDIGO do IRS

RB (CAT) x TAXAS = IMPOSTO

A taxa é proporcional
É uma taxa fixa que não varia com a variação da matéria colectável

Trata-se de um imposto que não atende à situação real do contribuinte, a taxa é


sempre a mesma – IMPOSTO REAL

ART 71º - TAXAS LIBERATÓRIAS – 21,5%


Taxa fixa que não varia com a variação da matéria colectável –
PROPORCIONAL
EX: 100 x 21,5%

F@tyt@ Página 38
Direito Fiscal - Apontamentos

1000 x 21,55

O Art 71º tem uma técnica de apuramento da taxa diferente, por lei a
Entidade Bancária é obrigada a retirar o imposto, ou seja, a Entidade
Bancária faz automaticamente a retenção na fonte, funciona como
cobradora de imposto, não tendo o beneficiário da conta ter de fazer a
respectiva retenção na fonte relativa aos juros que beneficiou.

O imposto consagra 2 sistemas:

Sistema especial – não atende à condição social, nem familiar do


contribuinte;

Sistema geral – o IRS é um imposto pessoal pois atende à situação e


características pessoais e familiares do contribuinte.

Rendimentos de Capitais (Ex: juros) – Categoria E


Art 71º e 72º
IMPOSTO SOBRE
Rendimentos dos não Residentes – art 71º e 72º
RENDIMENTO
Mais Valias das Acções (EX: acções da EDP) – art 72º REAL

FASES DO IRS

Incidência – “O QUEM?” “O QUÊ?” – Art 1º ao art 11º


(incidência real)
- Art 12º (incidência negativa – norma de
exclusão)

CATEGORIAS RED. DESPESAS ARTIGOS RED.


BRUTO LIQUIDO
A Art 2º DE 25º E SS
B Art 3º DE 28º e SS
E Art 5º
F Art 8º DE
G Art 9º DE

F@tyt@ Página 39
Direito Fiscal - Apontamentos

H Art 11º DE

Deduções Específicas – são deduções com carácter real e que têm em


vista manter a fonte produtora de rendimentos.
São específicas de categoria para categoria, variam de rendimento para
rendimento.

ART 104º - Exige taxas progressivas


- Exige que se tenha em conta o agregado familiar
N.º1 – Quando o IS assume a forma de imposto pessoal tem de ser
progressivo e tem de atender ao agregado familiar.

Incidência pessoal

Art 13º Cód Fiscal


N.º1 – Princípio da universalidade para os residentes
N:º2 – Para se estabelecer quem vai entrar na obrigação fiscal
Se existirem cônjuge são os cônjuges que dirigem o agregado familiar
Se não existir cônjuge é só o sujeito passivo quem dirige

N:º4 – Conceito
Filhos e equiparados podem ser
1 menor
2 maiores
Porque o critério fiscal da dependência é o da dependência
económica.

Imposto que incide sobre a generalidade do rendimento


EX: Se eu receber uma bolsa de estudo, a mesma não entra para o cálculo
da tributação;
Mas
Se eu receber uma bolsa de estudo da entidade patronal, a mesma entra no
cálculo de tributação pois é considerada fruto do trabalho;

F@tyt@ Página 40
Direito Fiscal - Apontamentos

Princípio da correspondência

Princípio da realização

PRESSUPOSTOS DA TRIBUTAÇÃO

o Pressuposto Objectivo - Existem 4 aspectos


o Material
o Espacial
o Quantitativo
o Violativo

Autonomamente

FILHOS MAIORES
25 anos

Dependentes Estudar

Rendimento inferior ao Ordenado mínimo nacional

ATÉ 15 ANOS – se tiver rendimento a administração dos bens vai pertencer


aos Pais - DEPENDENTE

FILHOS MENORES

Ser dependentes
16/17 anos – se tiver rendimento a
administração é feita pela totalidade,
podem:

Autonomamente

F@tyt@ Página 41
Direito Fiscal - Apontamentos

ÂMBITO DE APLICAÇÃO DO IRS

Art 15º - Âmbito de sujeição – até onde tributamos

RESIDENTES – Universalidade dos rendimentos


tributáveis

NÃO RESIDENTES – Territorialidade do


rendimento tributável

X – Imóvel
EX: se eu for residente em território português e arrendado

tiver um imóvel em Espanha e receba rendas desse imóvel.


Cat A + Cat F
Princípio da Universalidade
Princípio da territorialidade – tributo na Cat A

PORTUGAL – IRS – Segundo o princípio da


Universalidade
Rendas

ESPANHA – IMP. PESSOAS FISCAIS – segundo o princípio


da territorialidade

SUBSIDIO DE RESIDÊNCIA – b) n.º 4 art 24º/2

Há tributação desde que contenha uma vantagem económica para o


beneficiário

ABONOS PARA FALHAS – n.º3 c) – para quem movimente numerário


Não é tributado em IRS – até 5% x RMF (remuneração mensal fixa) = (RM
x 14/12)(14 meses a dividir por 12 meses)
É tributado – o que exceder 5% do RMF

HIPOTESE
António é trabalhador por conta de outrem numa pequena empresa, é
tesoureiro da mesa, aufere 1.000€ por mês acrescido de 70€ mensais a
título de abono para falhas. O abono para falhas é tributado?

F@tyt@ Página 42
Direito Fiscal - Apontamentos

1.000€ x 14 meses = 14.000€


14.000 : 12= 1.166,66€ RMF
1.166,66€ - 5%= 58,30€

70€ é superior a 58,30€ logo só o excedente é que é tributado


70€-58,30€= 11,7 – António vai ser tributado ao mês sobre o valor de
11,70€

INDEMNIZAÇÃO RELAÇÃO JURIDICA LABORAL – N.º 3 e), N.º 4


a6

É tributado – a indemnização por cessação do contrato de trabalho na parte


em que exceda:

1,5 x nº de anos de antiguidade ou fracção x Rem. Regular


(Rendimento Regular = retribuições últimos 12 meses : 12)

É tributada – a indemnização ou importância atribuídas por mudança de


local de trabalho.

HIPOTESE
António negociou com a empresa onde trabalhava há 10 anos o pagamento
de uma indemnização no valor de 40.000€ pela cessação do contrato de
trabalho e pretende saber se tem ou não de pagar impostos sobre este valor.
Ultimamente auferia 2.000€ por mês
A indemnização do valor de 40.000€ ultrapassa o limite legal de 30.000€
(2.000€ x 1,5 x 10 anos)
É tributada a diferença de 10.000€

CATEGORIA “A”
ART 2º e ART 25º
DEDUÇÕES

APURAMENTO DO RENDIMENTO LIQUIDO

F@tyt@ Página 43
Direito Fiscal - Apontamentos

HIPOTESE
António e Berta, trabalham no Hospital de S. José. António é Médico e
Berta Enfermeira. António auferiu no ano passado 29.000€ e Berta 3.200€
(esteve todo o anos de baixa).
Apure o rendimento líquido.

Berta tem 3.200€ de rendimento bruto, nos termos do art 25º/1/a) o valor a
deduzir é 3.622,06, o valor iria dar negativo.
3.200€ - 3.622,06€= (-)
3.200€ - 3.200€ = o

RLa (António)= 29.000€ - 3.622,06€ = 25.377,94€


RLa (Berta) = 3.200€ - 3.200€ = 0

CATEGORIA “B”
ART 3º e ART 28º ART 31º e ART 32º e 33º
Formas de determinação e Regimes

Incidência Real – Portaria 1011/2001


Tabela de actividades do art 151º do CIRS

De acordo com o Art 3ºb) e com a portaria 1011/2001 que aprova a tabela
de actividades do art 151º

HIPOTESE
Alberto escreveu um texto e compôs uma música para servirem de hino à
Universidade Lusíada de Lisboa e entretanto morreu. Bento, seu filho,
decidiu contratar com a Universidade Lusíada a venda dos Direitos sobre a
composição musical pagando, em contrapartida do uso 200.000€ a Bento.
Trata-se de um rendimento de categoria B?
E se Bento apenas ceder o uso à universidade Lusíada?

Alberto morreu e era o titular originário


Bento seu filho herdou
Bento pode vender por 200.000€ (Categoria G – art 10º/1/c))

F@tyt@ Página 44
Direito Fiscal - Apontamentos

Bento pode ceder (Categoria E – art 5º/2/m))

Bento não é tributado na categoria “B”, só é tributado nesta categoria


quando é titular
Existem determinados rendimentos isoladamente considerados quando
imputados a uma actividade profissional são imputados na categoria “B”
Quando exerça uma actividade comercial de compra e venda, são
imputados à minha actividade que é geradora de rendimentos empresariais
e profissionais

IMPUTADOS NA CATEGORIA “B”

APURAMENTO DO RENDIMENTO LIQUIDO – CATEGORIA “B”

ART 28º

Formas de apurar:
Regime simplificado – é um regime de presunção de despesas; para
quem no ano anterior não auferiu um rendimento superior a
150.000€ e para quem não optou pelo Regime de Contabilidade
Organizada;

Regime de contabilidade organizada; para quem no ano anterior


auferiu um rendimento superior a 150.000€ (obrigatório), e para
quem no ano anterior auferiu um rendimento inferior a 150.000€ é
opcional;

REGIME SIMPLIFICADO

ART 28º /2/3

Quem no ano anterior não auferiu um rendimento superior a 150.000€


Ou seja,
Para o Sujeito Passivo não estar no Regime de Contabilidade Organizada
basta:

F@tyt@ Página 45
Direito Fiscal - Apontamentos

Não ser sujeito passivo obrigado por lei a possuir contabilidade


organizada;
Podendo optar, respeitar o limite de 150.000€

FORMAS DE APURAMENTO .- ART 31º

1- Aplicação de indicadores objectivos


De base técnico-científica para os diversos sectores de actividade
2- Na ausência de indicadores – aplica-se o art 31º/2

EXEMPLO:
Advogada teve de honorários 100.000€
FORMULA: RL=RB x 0,70 outros rendimentos
RB 100.000€ x 0,70 (art31º/2) = 70.000€ (red. Líquido)

Para comerciantes:
RB 100.000€ x 0,20 = 20.000€
FORMULA: RL=RBx0,20 valor das vendas

REGIME DE CONTABILIDADE ORGANIZADA

ART 32º E 33º

ART 32º - é uma norma de remissão – remete para o IRC para apurar o
lucro tributável (LT);

RL Cat B do IRS

IRC

IRS – art 33º

O IRS e IRC têm alguma coordenação entre si.

F@tyt@ Página 46
Direito Fiscal - Apontamentos

Existe determinado regime – Regime de contabilidade organizada que só


está previsto no IRC, quem tem IRS e está no regime de contabilidade
organizada tem de ir ao IRC e depois aplicar o art 33º do IRS.

PROCESSO DE APURAMENTO – 4 PASSOS

1º PASSO – Art 32º IRS (remete)


2º PASSO – Art 17º IRC (apura o lucro tributavel) (voltar)
3º PASSO – IRS e aplicar o art 33º do IRS = apura-se o RL Cat “B”
4º PASSO – taxa de tributação autónoma sobre as despesas – art 73º IRS

2º PASSO

APURAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL (IRC)

LT (17ºIRC)=RLe (art 20º IRC) + VPP (art 21ºIRC) – VPN +/-CF


(colocar no art 32º)

(R-G) (gastos art 23º IRC)

O Lucro Tributável é = ao Resultado Liquido de exercício + variações


patrimoniais positivas – variações patrimoniais negativas

3º PASSO
ART 33º do IRS

O que excede 10% dos proveitos – em despesas de deslocação, viagens e


estadias do Sujeito Passivo e agregado familiar etc.
Para além das limitações previstas no IRC, não são dedutíveis para efeitos
de determinação do rendimento da CAT B, mesmo quando contabilizados
como custas ou perdas do exercício, as despesas de deslocações, viagens e
estadias do sujeito passivo ou de membros do seu agregado familiar que

F@tyt@ Página 47
Direito Fiscal - Apontamentos

com ele trabalham, na parte que exceder, no seu conjunto 10% do total dos
proveitos contabilizados, sujeitos e não isentos deste imposto.

NÃO É CONSIDERADO COMO DESPESA

HIPÓTESE

10.000€ Rendimento
2.000€ Despesas

1º Passo – art 32º IRS Depois art 17ºIRC


2º Passo art 17º IRc LT=RLe+VPP-VPN+/-CF

LT=RLe (10.000 – 2.000) = 8.000

3º Passo art 33ºIRS


LT 8.000 + 1.000 = 9.000

HIPÓTESE

Bernardo, inscrito no regime de contabilidade organizada, escreveu um


livro de memórias, cujus direitos de autor vendeu a uma editora por
10.000€, publicou ainda diversos contos para crianças em revistas, o que
lhe rendeu mais 20.000€ mas suportou as seguintes despesas:
 10.000€ que pagou ao seu filho Charles pelos serviços anuais que
este lhe prestou como seu secretário particular;
 1.000€ Folhas de papel e tinteiros para impressora

30.000 – 11.000 = 19.000 (de acordo com o IRC)

CATEGORIA “E”
ART 5º IRS
Rendimentos de Capitais

Esta categoria não tem deduções específicas

F@tyt@ Página 48
Direito Fiscal - Apontamentos

Segue o regime do art 71º e 72º do IRS – Regime especial de tributação

Art 71º - RB x TAXA = IMPOSTO


Quando recebemos o rendimento esta já está liberto de imposto porque este
já foi retido pela entidade que pagou o rendimento.
CATEGORIA “F”
ART 8º IRS
Categoria do Rendimentos Prediais

Aos rendimentos da categoria “F” deduzem-se as despesas elencadas no art


41º

HIPÓTESE

Ana é dona de 1 prédio, não constituído em Prop Horizontal, que mantém


arrendado pelo valor de 50.000€ anuais.
Em 2008 suportou as seguintes despesas:
5.000€ em IMI;
4.000€ de reparação do elevador (sem recibo);
10.000€ na construção de uma piscina na cobertura do prédio;

50.000€ (art 8º) – 5.000€ (art 41º/1) = 45.000€ R. Liquido

4.000€ (art 41º/1) – não está documentado;


10.000€ - é uma mais valia (art 41º - é uma bem benfeitoria)

CATEGORIA “H”
ART 11º IRS
Rendimentos de Pensões

Aposentação ou de reforma, velhice ou invalidez (…)

APURAMENTO DO RENDIMENTO LÍQUIDO: ART 53º IRS

RB-“DE” (VALOR CAPITAL) = “RL” CAT “H”

F@tyt@ Página 49
Direito Fiscal - Apontamentos

Art 53º n.º 1


RB Valor = ou inferior a 6.000€
Deduz-se pela totalidade (DE=RR)
Logo R. Liquido = 0

Art 53º n.º 2


RB Valor > a 6.000€
Valor da DE é de 6.000€
Logo BR – DE (6.000€) = R. Liquido

HIPÓTESE
António recebe uma pensão de reforma no valor anual de 6.000€
RB= 6.000€
RL= 6.000€ - 6.000€ = 0

António recebe uma pensão de reforma no valor anual de 10.000€


RB= 10.000€ RL= 10.000€ - 6.000€ RL= 4.000€

HIPÓTESE

Ana e Bernardo, casados, e residentes no porto têm 2 filhos Carlota de 17


anos e Daniel de 19 anos, ambos estudantes.
Com o casal reside ainda Eduardo Pai de bernardo.
Ana é trabalhadora por conta de outrem e aufere mensalmente 1.000€ a
título de remuneração. Acresce ainda a esta remuneração 1 prémio de
desempenho de 2.000€.
Bernardo é advogado por conta própria e recebeu o montante global de
honorários de 30.000€, tendo tido despesas documentalmente comprovadas
de 500€.
Eduardo, recebeu 400€ de juros bancários de um depósito a prazo.
Em face dos elementos indicados, apure:
a) A composição do agregado familiar
b) O englobamento /rendimento global
c) Os rendimentos sujeitos a regime especial (CAT “E”) apurando o
imposto.

A)Composição do agregado familiar

F@tyt@ Página 50
Direito Fiscal - Apontamentos

Sujeitos passivos
Ana – art 13º/1 +2
Bernardo – art 13º/1+2

Dependentes
Carlota – art 13º/4/a)
Daniel – art 13º/4/b)

Eduardo não integra o agregado familiar - por efeitos do art 13º

B)O englobamento /rendimento Familiar RB – DE (art 25º)

ANA (CAT “A”) Trab por conta de outrem – art 2º (n.º1/a)


RB Art 2º/n.º2
1.000€ x 14(meses) = 14.000€ + 2.000€ (prémio) RB= 16.000€
RB – DE = Rl
16.000€ - 3,622,06 12.377,94€
Art 25º n.º1ª) 3.622,06€
Art 25º N.º2 11%

BERNARDO
RB – DE = RL
30.000€ x 0,70% =21.000€
Como está em regime simplificado as despesas não são deduzíveis.
Rendimento global = 21.000€ + 12.377,94 = 33.777,94€

CATEGORIA “G”
ART 9º IRS
Rendimentos da categoria “G”
Constituem incrementos patrimoniais, desde que não considerados
rendimentos de outras categorias.

F@tyt@ Página 51
Direito Fiscal - Apontamentos

ART 10º - Mais-Valias


n.º1 – Constituem mais valias os ganhos obtidos (…) , resultem de:
a) alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis (…) EX: Acções
b) Alienação onerosa de partes sociais (…)
c) Alienação onerosa da propriedade intelectual ou industrial (…)

ART 10º/1/a)
Direitos Reais Imóveis/afectação bens actividade empresarial ou
profissional

FÓRMULA

50% [MV = VR – (VA x CM + ENC + DES) ]


43º/2 10º 40º 46º ss 50º 51º/a)

EXCLUSÃO DE TRIBUTAÇÃO – ART 10º/5


Quando o € da venda /mais valia é aplicado na compra de uma casa/terreno
qua vai ser a nossa habitação permanente – está excluída de tributação mas
existem prazos.

Calculamos em 1º lugar o que está dentro dos parentes curvos e só depois


o que está nos parentes rectos.

MV – mais valias
VA – Valor da aquisição (valor da compra)
UR – Valor de realização (valor da venda)
DES – Despesas de aquisição /alienação necessárias
ENC – Encargos de valorização realizadas últimos 5 anos e comprovadas
CM – Correcção monetária (se ocorrer mais de 24 meses desde a data da
aquisição)

CORRECÇÃO MONETÁRIA

É uma tabela que tem valores que visam corrigir para os valores de hoje.
É uma desvalorização da moeda.

F@tyt@ Página 52
Direito Fiscal - Apontamentos

Tem em vida a atender ao coeficiente de desvalorização da moeda.

HIPÓTESE
António, médico e residente em Lisboa, adquiriu um imóvel no Algarve em
Setembro 2009 por 100.000€, tendo despendido 20.000€ em benfeitorias
no referido imóvel e 500€ de imposto com a sua aquisição.

Em Dez de 2010 alienou o imóvel a Bento por 250.000€


Quid Juris?

MV= 250.000€ - (100.000€ + 20.000€ + 500€)


MV = 250.000€ - 120.500€
MV = 129.500€: 2 (ou 50%)
MV = 64.750€

ART 10º/1/b)
Partes Sociais

FÓRMULA
MV = VR – (VA + DES com alienação)
10º 44º 48º 51º

As partes sociais estão sujeitas ao sistema especial de tributação do art


72º/4

ENGLOBAMENTO – art 22º


Conceito – operação que adiciona todos os rendimentos líquidos do regime
geral

RL Cat “A” + RL Cat “B” + (RL Cat “E”) + RL Cat “H” + RL Cat “G”

F@tyt@ Página 53
Direito Fiscal - Apontamentos

ART 68º Taxas Gerais – Progressivas

N.º 2

EX: 10.000€ (é superior a 4.898€

7.410 x 12,3480% = 914,98


10.000
- 7.410 + = 1.549,53
2.590

2.590 x 24,5% = 634, 55

EX: 20.000€
18.375 x 19,599%= 3.601,31
20.000
- 18.375 + = 4.178,18
1.625

1.625 x 35,50%= 576,875

EX: 200.000€
153.300x38,645%=59.242,78

200.000
- 153.300 + = 80.958,28
46.700

46.700x46,50%= 21.715,50

EX: 3.000€

3.000 3.000 x 11,50% = 345

F@tyt@ Página 54
Direito Fiscal - Apontamentos

ART 69º/1

EX: 200.000€
1º Passo

RC 200.000 : 2 = 100.000€

2º Passo
66.045x32,231%= 21.286,30

100.000
- 66.045 + = 36.056,72
33.955

33.955x43,5%= 14.770,42

3º Passo
Art 69º/2
Colecta x 2 = 72.113,44€

DEDUÇÕES À COLECTA
ART 78º/1

A) Sujeitos passivos, seus dependentes e ascendentes – art 79º

Art 82º - Despesas de saúde

Art 83º - Despesas de educação e formação

IAS 160%

419 x 1,6% = 670,40 (limite)

IRC

No IRC existem 2 tipos de entidades:


Entidade Pessoas não Colectivas que são tributadas em IRC

F@tyt@ Página 55
Direito Fiscal - Apontamentos

Entidade de Pessoas colectivas que apesar de serem colectivas não


são tributadas em IRC – art 6º IRC (Soc. profissionais; Soc. Civis
não constituídas sob forma comercial; Soc. de simples administração
de bens;)

ART 6º

Sociedade

Sócio Sócio Sócio

A sociedade não é tributada, mas são os seus sócios.


As pessoas colectivas sob o regime do art 6º não são tributadas em
IRC mas sim os sócios, mesmo que não tenha existido distribuição de
lucros.

ART 12º - Incidência Pessoal


a) e b) para RESIDENTES

c ) para NÃO RESIDENTES

ART 14º - Extensão da obrigação do imposto

Art 3º - Incidência REAL – sobre o que incide o imposto


a) Sujeito passivo que se dedica a uma actividade económica
a título principal – Ex: Sociedades e Empresas Públicas

Residentes
b) Sujeito passivo que NÃO se dedica a uma actividade
Base do económica a título principal – Ex: Associações, Fundações,
IRC heranças jacentes, cooperativas Públicas

Art 3º/1

c) Tem estabelecimento estável em Portugal – art 5º


Não
Residentes

F@tyt@ Página 56
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d) NÃO tem estabelecimento estável em Portugal

a) LT = RLe + VPP – VPN +/- CF

(R – G) 21º 24º 45º/51º

20º 23º

As Correcções fiscais são rendimentos que estão na contabilidade e que o


legislador fiscal considera ou são gastos que estão na contabilidade e que o
legislador fiscal não considera.

ART 51º

Sociedade 1
que não está sob o Reg. da
Transparência fiscal – 10.000 Lucro IRC
Ambas
residentes
em Portugal Atribui 9.000 do
Sociedade 2
Lucro à Soc. 2

100% (da soc 1)

Para que não exista dupla tributação o art 51º diz que a Sociedade sócia não
é tributada.

b) RG = RB – DE
53º IRS IRS

O seu fim principal não é o lucro, vão ser tributados pelo rendimento global

F@tyt@ Página 57
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HIPÓTESE

Fundação que tem rendas – prédio arrendado gera 50.000€ e tem 10.000€
despesas com documentação que prova.

RG = 50.000€ - 10.000€ = 40.000€

c) LT = RLe + VPP – VPN +/- CF


55º

d) RB
Apura os diversos rendimentos brutos das diversas categorias, não há
deduções específicas.

HIPÓTESE

A Soc. Alfa Lda tem sede em Lisboa e apresentou um resultado líquido


exercício de 100.000€ que incluía os seguintes elementos:
- volume de vendas 3.000€; (art 20º)
- Aquisição de matérias primas 100.000€; (art 23º)
- Coimas pagas 1.000€ (art 45º/1/d))

Apure a base de imposto.

LT = RLe + VPP – VPN +/- CF


LT = 100.000 + 1.000
LT = 101.000€

MATÉRIA COLECTÁVEL
ART 15º

a) MC = LT – PF – BF

F@tyt@ Página 58
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MC – Matéria colectável
PF – Prejuízos Fiscais
BF – Benefícios Fiscais

HIPÓTESE
em 2010 tive um prejuízo fiscal de 20.000€
Em 2011 tive LT + 30.000€

MC = LT – PF – BF
Mc = 30.000 – 20.000€
MC = 10.000€

Em 2010 tive um prejuízo fiscal de 40.000€


Em 2011 tive um LT de 30.000€

MC = 30.000 – 30.000
MC = 0
Os outros 10.000€ de prejuízo fiscal são deduzidos no outro ano seguinte se
a sociedade tiver lucro tributável.

b) MC = RG – GC – BF

MC – Matéria Colectável
Rg – Rendimento Global
GC – Gastos comuns
BF benefícios fiscais

c) MC = LT – PF – BF

d) MC = RB

ISENÇÕES
ART 9º 10º E 11º

F@tyt@ Página 59
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TAXAS
ART 87º

As taxas variam consoante o sujeito passivo

Art 87º/1 e 2 – Taxas progressivas - Alínea a) e c) do art 15º/1

Art 87º/4 – alínea d) do art 15º/1 – taxa proporcional

Art 87º/5 – alínea b) do art 15º 1 – taxa proporcional

DEDUÇÕES À COLECTA
ART 97º E “SS”

IVA

IVA = IL – IS (IVA = Imposto Liquidado – Imposto Suportado)

O IVA é um imposto sobre o consumo, é um imposto indirecto.


Todos os sujeitos passivos de IVA tem obrigação de liquidar IVA.

É um imposto plurifazico
PRODUTOR GROSSISTA RETALISTA CONSUMIDOR FINAL
VENDE A 100€ + VENDE A 200€ + VENDEU 300€ +
23% = 123€ 23% = 246€ 23% = 369€

O Produtor liquidou IVA e entrega ao Estado 23€


O Grossista liquidou IVA e entrega ao Estado (46€ - 23€ do Iva que já
tinha suportado = 23€) só para ao Estado a diferença
O Retalista quando comprou suportou 46€ de IVA que vai ser retirado ao
liquidado = 23€
Ou Seja:

F@tyt@ Página 60
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Cada um deles (grossista e retalhista) vão deduzir ao IVA que têm a pagar
o IVA que já pagaram anteriormente quando adquiriram a matéria prima.

HIPÓTESE 1

SUPONHA QUE ANTÓNIO RECEBEU DE JUROS DE UM DEPÓSITO


À ORDEM 200€.
APURE O IRS.

200€ x 21,5%= 43€ (Art 71º/n.1/a)).


António, com base no art 71º/1/a) do Cód. Do IRS tem de pagar 43€ de
Imposto.

HIPÓTESE 2

ANTÓNIO, CASADO COM BEATRIZ, RESIDE EM PORTUGAL,


TENDO O CASAL 2 FILHOS, CARLOS E DIANA,
RESPECTIVAMENTE DE 24 E 17 ANOS.
ANTÓNIO É GESTOR DE UMA PEQUENA EMPRESA, AUFERINDO
UM RENDIMENTO ANUAL DE “X”€. CARLOS ESTUDA NO 4º ANO
DE DIREITO E DIANA ESTUDA ARTES DRAMÁTICAS E RECEBE
UMA BOLSA DE 1.000€ MENSAIS. DIANA RECEBEU DE SEU AVÔ
EDUARDO, UM PRÉDIO SITUADO EM LISBOA, ARRENDADO À
SOCIEDADE XILOFONE COMÉRCIO DE INSTRUMENTOS, LDA.
COM O CASAL VIVEM OS PAIS DE ANTÓNIO, QUE NÃO
POSSUEM RENDIMENTOS.

Sujeitos Passivos:
António – “x”€
Beatriz – 0€

Dependentes:
Carlos – filho
Diana – 1.000€ + Doação de 1 imóvel arrendado

F@tyt@ Página 61
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António é sujeito passivo – art 13º/n.º1 + n.º2 + art 15º/n.º1;


Carlos tem 24 anos – é dependente maior, não aufere rendimentos, não tem
mais de 25 anos e está a estudar – art 13º/n.º4/b);
Diana tem 17 anos – não administra os seus rendimentos logo é uma
dependente – art 13º/n.º4/a).

Os Pais de António não fazem parte do agregado familiar;

HIPOTESE 3

SUPONHA QUE O CONSELHO DE MINISTROS, EM FACE DA


MELHORIA INESPERADA DO CLIMA ECONÓMICO NO ANO DE
2010, RESOLVEU EM SETEMBRO DESSE ANO APROVAR UM DEC-
LEI QUE CONTEMPLA AS SEGUINTES MEDIDAS:
1- REDUZIR TODAS AS TAXAS PREVISTAS NO CIRS EM 10%;
2- EXTINGIR O PAGAMENTO DE PORTAGENS A PARTIR DE
JANEIRO DE 2011;
3- AUMENTAR AS DESPESAS DE SAÚDE DEDUTIVEIS À
COLECTA PARA OS SUJEITOS PASSIVOS NÃO CASADOS E
RESPEITANTES AO ANO DE 2010;
4- AUMENTAR AS DESPESAS COM ENERGIAS RENOVÁVEIS
DEDUTIVEIS À COLECTA COM EFEITOS A 2009;

CONSIDERANDO OS ELEMENTOS APRESENTADOS, INDIQUE,


FUNDADAMENTE, TODOS OS ASPECTOS COM RELEVÂNCIA
JURÍDICO-TRIBUTÁRIA.

Princípio da legalidade – princípio simples, básico, segundo o qual não


gostamos que nos mexam no nosso € nem que o Estado nos tire o nosso €.

Art 103º/2 CRP + art 165º/1/i) CRP

Princípio da legalidade fiscal – princípio constitucional que nos diz que


todos os impostos são criados por lei.

F@tyt@ Página 62
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Quando se cria um imposto, temos que estruturar o imposto.

Normas de incidência:

QUEM? – quem vai ser tributado (sujeito da relação jurídica – normas de


incidência pessoal)

O QUÊ? – qual a parcela da riqueza que em concreto vai ser tributado;

COMO? – é a percentagem – art 103º/2 CRP – princípio da legalidade


fiscal

RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO

1. O IRS é um imposto
O conselho de ministros reduziu as taxas – é uma norma favorável.
O conselho de ministros não pode porque o art 103º/2 não pode ser
interpretado restritivamente.
ESTA MEDIDA É INCONSTITUCIONAL

2. As portagens são um serviço público – é uma taxa.


Art 165º/1/i) – fala sobre o regime geral de taxas, que precisa de ir ao
Parlamento para ser aprovado.
O legilador exige que quando se crie um regime geral de taxas, este
regime seja aprovado pelo Parlamento.
As taxas, cada uma por si não tem de ir ao Parlamento.

As portagens são uma prestação pecuniária bilateral, exigida por um


ente público com vista a satisfazer uma necessidade.
É CONSTITUCIONAL

3. O dec-lei é de Setembro de 2010 e as medidas dizem respeito a todo


o ano de 2010.
Estamos perante um problema de desigualdade porque só abrange os
sujeitos passivos não casados.

Temos uma discriminação, pois os sujeitos casados não beneficiam –


art 13ºCRP + art 67º/2/f).
Temos que tratar fiscalmente o que é igual – HORIZONTAL;

F@tyt@ Página 63
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Tratar desigualmente aquilo que é desigual – VERTICAL;

Por via do art 67º/2/f) É INCONSTITUCIONAL esta norma.


Esta medida ocorre em Setembro de 2010 logo temos um problema
de retroactividade.

4. Relativamente às despesas das energias renováveis, esta medida,


permite que sejam contabilizadas as despesas tidas em 2009 com
energias renováveis.
Segundo o art 66º/h) CRP – Ambiente e qualidade de vida;

Temos aqui uma questão de retroactividade.


A doutrina entende que a retroactividade deve ser permitida
porque é mais favorável.
Outros entendem que não é possível a retroactividade mesmo
que ela seja favorável aos contribuintes.

Todas as leis que sejam aprovadas em 2010, e que se repercutam em


todo o ano de 2010 não nos apresentam qualquer problema pois o
que vale é o que está em vigor em 2010.
A medida aqui em causa levanta-nos um problema de retroactividade
– o que nos leva ao art 103º/3 – 2ª preposição – A
RETROACTIVIDADE É PROIBIDA – visa salvaguardar o
princípio da segurança, salvaguardar as legítimas perspectivas dos
contribuintes.

O princípio da segurança visa:


 Proibição da retroactividade;
 Estabilidade da lei fiscal;
 Clareza das normas – diminuir os conceitos vagos/reduzir a
indeterminação;

HIPOTESE 4

ANTÓNIO E MARIA, DE NACIONALIDADE ESPANHOLA, VIVEM


JUNTOS Á 3 ANOS EM VILA REAL DE STO. ANTÓNIO.

F@tyt@ Página 64
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COM O CASAL RESIDE AINDA CARMÉM, ESPANHOLA, MÃE DE


MARIA, JÁ REFORMADA E QUE TRATA DO ÚNICO FILHO DESTE
CASAL, JOAQUIM DE 2 ANOS.
ANTÓNIO TRABALHA COMO GERENTE DE UMA LOJA EM FARO
E MARIA É JORNALISTA.

HIPOTESE 5

A e B SÃO CASADOS E RESIDENTES NA TERRA QUE OS VIU


NASCER CONHECER E NAMORAR, CASARAM À 30 ANOS, DO
SEU MATRIMÓNIO NASCERAM 2 FILHOS C DE 17 ANOS E D DE
25 ANOS, AMBOS ESTUDANTES NO ENSINO SECUNDÁRIO E
UNIVERSITÁRIO.
COM O CASAL RESIDE AINDA E DE 14 ANOS IRMÃO DE A QUE
FICOU ÓRFÃO À 2 ANOS, PERTENCENDO A TUTELA A A.
A CELEBROU EM JANEIRO DE 2011 UM CONTRATO DE
TRABALHO COM UMA EMPRESA COM SEDE NO ESTRANGEIRO
TENDO AUFERIDO OS SEGUINTES RENDIMENTOS:
 84.000€ A TÍTULO DE SALÁRIO;
 2.000€ PRÉMIOS DE DESEMPENHO;
A REMUNERAÇÃO É PAGA NO ESTRANGEIRO.

F@tyt@ Página 65
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B NÃO EXERCE QUALQUER REMUNERAÇÃO POIS NÃO


TRABALHA, MAS VENDEU UM IMÓVEL POR 50.000€ QUE TINHA
ADQUIRIDO EM 1970 POR 30.000€.
B TEM COMPROVATIVOS DE QUE REALIZOU BENFEITORIAS NO
IMÓVEL EM 2008 NO VALOR DE 5.000€.
A E B SÃO AINDA TITULARES DE 1 IMÓVEL QUE LHES RENDEU
O MONTANTE GLOBAL DE 1.200€ A TÍTULO DE RENDAS.
TODAVIA COMO O IMÓVEL CARECIA DE OBRAS DE
CONSTRUÇÃO E PARA MANTER O VALOR DA RENDA O CASAL
GASTOU 2.000€ EM OBRAS, AS QUAIS ESTÃO DEVIDAMENTE
DOCUMENTADAS.
C E D COM O € QUE RECEBERAM AO LONGO DAS SUAS
MESADAS E PRENDAS DE NATAL E ANIVERSÁRIO DECIDIRAM
TESTAR OS CONHECIMENTOS DE ECONOMIA DO IRMÃO MAIS
VELHO EM 2009 E DECIDIRAM TORNAR-SE TITULARES DE
ALGUMAS ACÇÕES NA BOLSA NO VALOR DE 3.000€ E
VENDERAM AGORA POR 3.200€.
ALÉM DO AFIRMADO, O CASAL TEVE AS SEGUINTES DESPESAS:
 100€ DE DESPESAS MÉDICAS COM E;
 1.500€ DE DESPESAS DE EDUCAÇÃO COM C E D;
 350€ DE DESPESAS COM O LAR DO PAI DE B QUE NÃO
DETEM QUALQUER RENDIMENTO;
QUID JURIS?

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