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Índice

1. INTRODUҪÃO ................................................................................................................ 1

2. Objectivos ....................................................................................................................... 2

2.1 Objectivos gerais ...................................................................................................... 2

2.2 Objectivos específicos .............................................................................................. 2

3. Alguns conceitos que serão abordados no trabalho ........................................................ 3

4. Sistemas de potência a vapor ......................................................................................... 4

4.1Ciclo de Rankine ............................................................................................................ 4

4.2Análise energética do ciclo de Rankine ideal ................................................................. 5

4.3Diferença entre os ciclos reais de potência a vapor e os idealizados ............................. 6

4.4 Ciclo de Rankine ideal com Reaquecimento ................................................................. 8

4.5 Ciclo de Rankine com reaquecimento regenerativo ...................................................... 9

5. Ciclos de potência a gás ................................................................................................13

5.1 Ciclo de Brayton: O ciclo ideal das turbinas a gás ........................................................13

5.2 Análise Termodinâmica do ciclo de Brayton .................................................................14

5.3 Ciclo de turbina a gás com regeneração ......................................................................19

5.4 Ciclo de turbinas a gás com resfriamento e recuperação de calor ...............................22

5.5 Ciclo de turbina a gás com injeção de vapor de água ..................................................24

6. Conclusão ......................................................................................................................26

7. Bibliografia .....................................................................................................................27
1. INTRODUҪÃO
Este presente trabalho irá descrever sobre ciclos de Rankine e Brayton como ciclos
base nos sistemas de potência a vapor e a gás, sendo que os sistemas reais de
potência são de difícil analise, por este meio aproximado mostrar-se-á no presente
trabalho alguns comportamentos ideais destes sistemas.

Apresentar-se o sistema de potência a gás que necessita de injecção de vapor de água


para geração de potência.

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2. Objectivos

Objectivos gerais
Descrever os ciclos de potência a vapor e a gás

Objectivos específicos
Falar dos ciclos de Rankine e Brayton como ciclos ideais para os sistemas de potência
a vapor e a gás respectivamente.
Demostrar o comportamento gráficos de pressão vs volume e de temperatura vs
entropia dos dois sistemas de potencia;
Descrever as possíveis formas de regeneração para o aproveitamento calorífico.

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3. Alguns conceitos que serão abordados no trabalho
Combustão – queima de combustível na presença de calor e oxigénio

Sistemas reversíveis- são sistemas que podem funcionar no sentido único de escoamento

Sistemas irreversíveis – são sistemas que que o fluido e admissível escoar numa direcção e
não retornar na mesma;

Entropia – grau de desordem molecular das substância

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4. Sistemas de potência a vapor
Os ciclos de sistemas de potência a vapor têm como ciclo base o ciclo de Rankine,
este que será descrito neste tipo de sistema.

4.1Ciclo de Rankine
É um ciclo reversível que converte calor em trabalho. O calor externo é fornecido a um
laço fechado (água). O ciclo de Rankine ideal não envolve nenhuma irreversibilidade
interna e consiste nos quatro seguintes processos:

1 – 2: Compressão isoentrópica em uma bomba;

2 – 3: Fornecimento de calor a pressão constante em uma caldeira;

3 – 4: Expansão isoentrópica em uma turbina;

4 – 1: Rejeição de calor a pressão constante em um condensador.

A água entra na bomba no estado 1 como líquido saturado e é comprimida de maneira


isoentrópica até a pressão de operação da caldeira. A temperatura da água aumenta
um pouco durante esse processo de compreensão isoentrópica devido a uma ligeira
diminuição do volume específico da água.
A água entra na caldeira como um líquido comprimido no estado 2 e sai como vapor
superaquecido no estado 3. A caldeira é basicamente um grande trocador de calor, no
qual o calor originário nos gases de combustão é transferido para a água
essencialmente a pressão constante. A caldeira, incluindo a região onde o vapor é
superaquecido, também é chamada de gerador de vapor.
O vapor de água superaquecido no estado 3 entra na turbina, na qual ele se expande
de forma isoentrópica e produz trabalho. A pressão e a temperatura do vapor caem
durante esse processo até os valores do estado 4, no qual o vapor entra no
condensador. Nesse estado, o vapor em geral é uma mistura de líquido e vapor
saturado com título elevado. O vapor é condensado a pressão constante no
condensador, que é basicamente um grande trocador de calor, rejeitando calor para um
meio de resfriamento como um lago, rio ou atmosfera.

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A água deixa o condensador como liquido saturado e entra na bomba completando o
ciclo. Para situações onde a água e escassa para refrigeração do sistema e usado o
refrigeração a ar.

A área sob uma curva de processo do diagrama T-s representa a transferência de calor
dos processos internamente reversíveis, a área sob a curva do processo 2 – 3
representa o calor transferido para a água na caldeira e que a área sob a acurva do
processo 4 – 1 representa o calor rejeitado no condensador. A diferença entre essas
duas (a área compreendida pela curva do ciclo) é trabalho líquido produzido durante o
ciclo.

Figura 1: Representação esquemática de ciclo de potência a vapor operando no ciclo


de Rankine ideal e seu respectivo diagrama T-s

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

4.2Análise energética do ciclo de Rankine ideal


Todos os quatro componentes envolvidos no ciclo de Rankine (a bomba, a caldeira, a
turbina e o condensador) são dispositivos com escoamento em regime permanente e,
assim, todos os quatro processos que formam o ciclo de Rankine podem ser
analisados como processos com escoamento e regime permanente. As variações de
energia cinética e potêncial do vapor são pequenas em relação aos termos de trabalho

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e a transferência de calor, em geral, são desprezadas. Assim a equação da energia
aplicada a um dispositivo com escoamento em regime permanente, por unidade de
massa de vapor, se reduz a:

)+ )=

A caldeira e o condensador não envolvem nenhum trabalho, e considera-se que a


bomba e turina sejam isoentrópicas. Dessa forma, a equação de conservação da
energia aplicada a cada dispositivo pode ser expressa como:

Bomba (q=0)

Caldeira (w=0)

Turbina (q=0)

Condensador (w=0)

A eficiência térmica do ciclo de Rankine é determinada por:

4.3Diferença entre os ciclos reais de potência a vapor e os idealizados


O ciclo real de potência a vapor difere do ciclo de Rankine ideal em virtude das
irreversibilidades em vários componentes. O atrito do fluido e a perda de calor para a
vizinhança são duas fontes comuns de irreversibilidades. O atrito no fluido causa queda
de pressão na caldeira, no condensador e nas tubulações entre os diversos
componentes. Como resultado, o vapor sai da caldeira a uma pressão um pouco mais
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baixa. Da mesma forma, a pressão na entrada da turbina é mais baixa do que à da
saída da caldeira, devido à queda de pressão na tubulação de conexão. A queda de
pressão no condensador em geral é muito pequena, para compensar essas quedas de
pressão, a água deve ser bombeada ate uma pressão suficientemente mais alta do que
aquela que o ciclo ideal pede. Isso exige uma bomba maior e que consome mais
trabalho

Figura 2: (a) Desvios do ciclo real de potência a vapor do ciclo de Rankine ideal. (b) O
efeito da irreversibilidade Rankine ideal.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

A outra fonte importante de irreversibilidade é a perda de calor para a vizinhança à


medida que esse escoa através dos diversos componentes. Para manter o esmo nível
de potência líquida produzida, é preciso transferir mais calor para o vapor da caldeira
para compensar essas perdas indesejáveis de calor. Consequentemente, a eficiência
do ciclo diminui.

As irreversibilidades que ocorrem dentro da bomba e da turbina são particularmente


importantes. Uma bomba exige maior consumo de trabalho e uma turbina produz
menos trabalho em virtude das irreversibilidades. Sob condições ideias, o escoamento

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através desses dispositivos é isoentrópico. O desvio entre as bombas e turbinas reais e
as isoentrópicas pode ser calculado utilizando-se as eficiências isoentrópicas definidas
como:

Onde os estados 2r e 4r são os estados de saídas reais da bomba e da turbina,


respetivamente, e os 2s e 4s são os estados correspondentes para o caso isoentrópico.

4.4 Ciclo de Rankine ideal com Reaquecimento

Figura 3: Representação esquemática da central de potência a vapor operando no


ciclo de Rankine ideal com reaquecimento e o respectivo diagrama T-s.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

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O ciclo de Rankine ideal com reaquecimento difere do ciclo de Rankine simples ideal,
pois o processo de expansão ocorre em dois estágios. No primeiro estágio (a turbina
de alta pressão), o vapor é expandido de forma isoentrópica até uma pressão
intermediária e enviando novamente para a caldeira na qual é reaquecido a pressão
constante, geralmente até a temperatura de entrada do primeiro estágio da turbina. Em
seguida o vapor se expande de forma isoentrópica no segundo estágio (a turbina de
baixa pressão) até a pressão do condensador. Dessa maneira, o fornecimento total de
calor e a produção total de trabalho nas turbinas para um ciclo com reaquecimento
tornam-se:

4.5 Ciclo de Rankine com reaquecimento regenerativo


O calor é transferido para o fluido de trabalho durante o processo 2 – 2’ a uma
temperatura relativamente baixa. Isso diminui a temperatura média do processo de
fornecimento de calor e, portanto, a eficiência do ciclo.

Para minimizar-se esse problema, procuram-se modos de aumentar a temperatura do


líquido que sai da bomba (chamado água de alimentação) antes que ela entre na
caldeira. Uma possibilidade seria transferir calor do vapor que está se expandido na
turbina para a água de alimentação que escoaria em contracorrente em um trocador de
calor construído dentro da turbina, ou seja, realizar uma regeneração.
Um processo prático de regeneração em sistemas de potência a vapor é realizado pela
extracção do vapor na turbina em diversos pontos. Esse vapor, que poderia ter
produzido mais trabalho se completasse a expansão dentro da turbina, em vez disso é
usado para aquecer a água de alimentação. O dispositivo no qual a água de
alimentação é aquecida por regeneração chama-se regenerador ou aquecedor de
água de alimentação (AAA).

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A regeneração não apenas melhora a eficiência do ciclo, mas também oferece um meio
conveniente de remover o ar que se infiltra no condensador para evitar corrosão da
caldeira. Ela também ajuda a reduzir a grande vazão volumétrica de vapor nos últimos
estágios da turbina (devido aos altos volumes específicos a baixas pressões).
Um aquecedor de água de alimentação é um trocador de calor no qual o calor é
transferido do vapor para a água de alimentação, seja pela mistura de duas correntes
de fluido (aquecedor de água de alimentação aberto), ou sem mistura-las (aquecedor
de água de alimentação fechados).

4.4.1Aquecedor de água de alimentação abertos


Um aquecedor de água e alimentação aberto (ou de contacto directo) é basicamente uma
câmara de mistura, onde o vapor extraído da turbina se mistura à água de alimentação que
sai da bomba. Idealmente a mistura sai do aquecedor como liquido saturado a pressão do
aquecedor.

Figura 4: Ciclo de Rankine regenerativo ideal com um aquecedor de água de


alimentação aberto e o respectivo diagrama T-s.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

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Em um ciclo de Rankine com reaquecimento regenerativo, o vapor entra na turbina à
pressão da caldeira (estado 5) e se expande de forma isoentrópica até uma pressão
intermediaria (estado 6). Parte do vapor é extraída nesse estado e direccionada para o
aquecedor de água de alimentação, enquanto o restante vapor continua se expandindo de
forma isoentrópica até a pressão do condensador (estado 7). A água deixa o condensador
como líquido saturado à pressão do condensador (estado 1). Essa água condensada
também chamada de água de alimentação, entra em uma bomba isoentrópica, na qual é
comprimida até a pressão do aquecedor de água de alimentação (estado 2) e é
direccionada para o aquecedor de água de alimentação, onde se mistura ao vapor extraído
da turbina. Uma pequena parte de vapor extraído é tal que a mistura sai do aquecedor
como líquido saturado à pressão do aquecedor (estado 3). Uma segunda bomba eleva a
pressão da água até a pressão da caldeira (estado 4). O ciclo se completa pelo
aquecimento da água na caldeira até o estado da turbina (estado 5).
Na análise das centrais de potência a vapor é mais conveniente trabalhar com quantidades
expressas por unidade de massa do vapor que escoa através da caldeira. Para cada 1kg
de vapor que sai da caldeira, y kg se expandem parcialmente na turbina e são extraídos no
estado 6. Os (1 - y) kg restantes se expandem completamente até a pressão do
condensador. Assim, os fluxos de massa são diferentes nos diferentes componentes. Se o
fluxo de massa através da caldeira for ̇ por exemplo, ele será (1 - y) ̇ através do
condensador.
As interacções de calor e trabalho de um ciclo de Rankine com reaquecimento regenerativo
de um aquecedor de água de alimentação devem ser expressas por unidade de massa do
vapor que escoa através da caldeira da seguinte maneira:

̇
̇

Fracção de calor extraído

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4.4.2 Aquecedores de água de alimentação fechados
Outro tipo de aquecedor de água de alimentação para reaquecimento regenerativo é o
aquecedor de água de alimentação fechado, no qual o calor é transferido do vapor extraído
da turbina para a alimentação sem que ocorra qualquer processo de mistura. As duas
correntes podem estar a pressões diferentes, uma vez que não se misturam.
Em um aquecedor de água de alimentação fechado ideal, a água de alimentação é
aquecida até a temperatura de saída do vapor extraído, que idealmente deixa o aquecedor
como liquido saturado à pressão de extracção. Nos sistemas de potências a vapor reais, a
água de alimentação sai do aquecedor abaixo da temperatura de saída do vapor extraído,
porque é necessária uma diferença de temperatura de pelo menos alguns graus para que
haja uma transferência de calor efectiva.

O vapor condensado é então bombeado para a linha de água de alimentação ou


direccionado para outro aquecedor ou ainda para o condensador por meio de um
dispositivo chamado purgador. Um purgador permite que o líquido seja estrangulado para
uma pressão mais baixa, mas impede o escoamento do vapor. A entalpia permanece
constante durante esse processo de estrangulamento.

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Figura 5: Ciclo de Rankine regenerativo ideal com um aquecedor de água de
alimentação fechado e o respectivo diagrama T-s.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

5. Ciclos de potência a gás


O gás natural é o combustível mais nobre e limpo, porem o mais caro, justificando se a
sua utilização somente em sistemas de conversão de alta eficiência, tais como o ciclo
combinado e os sistemas de co-geração. Do ponto de vista ambiental a preocupação
está relacionada com as emissões de óxidos de nitrogénio .

5.1 Ciclo de Brayton: O ciclo ideal das turbinas a gás


O ciclo de Brayton foi proposto por George Brayton para ser utilizado no motor
alternativo desenvolvido por ele em 1870. Hoje, é apenas usado em turbinas a gás, em
que os processos de compressão e expansão ocorrem numa máquina rotativa.

O ciclo de Brayton, ou Ciclo de Joule, é o ciclo de turbinas a gás. Na modelagem


teórica desse Ciclo serão adoptadas as seguintes Hipóteses:

 O fluido de trabalho é o mesmo durante todo o Ciclo;


 Todos os processos são Ideais;

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 O Ciclo opera em regime permanente;
 Não existe perda de pressão;
 Os calores específicos são constantes.

5.2 Análise Termodinâmica do ciclo de Brayton


Geralmente, as turbinas a gás operam em um ciclo aberto, de acordo com a figura
abaixo.

Figura 6: Um motor à turbina a gás de ciclo aberto

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

O ar fresco em condições ambientes é admitido no compressor, onde a temperatura e


a pressão são elevadas. O ar à alta pressão entra na câmara de combustão, na qual o
combustível é queimado à pressão constante. Em seguida, os gases resultantes a alta
temperatura entram na turbina, onde se expandem até a pressão atmosférica enquanto
produzem potência. Os gases de exaustão que deixam a turbina são jogados para fora
(não circulam). Assim, o ciclo é classificado como aberto.

O ciclo de turbina a gás aberto pode ser modelado como um ciclo fechado, como
mostra a figura abaixo.

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Figura 7: Um motor à turbina a gás de ciclo fechado

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

Como mostra a figura acima, utilizando as hipóteses do padrão a ar. Aqui os processos
de compressão e expansão permanecem os mesmos, mas o processo de combustão é
substituído por um processo de fornecimento de calor a pressão constante a partir de
uma fonte externa e o processo de rejeição de calor à pressão constante para o ar
ambiente. O ciclo ideal pelo qual passa o fluido de trabalho nesse circuito fechado é o
ciclo Brayton. Formado por quatro processos internamente reversíveis:

1-2: Compressão isoentrópica (em um compressor);

2-3: Fornecimento de calor à pressão constante;

3-4: Expansão isoentrópica (em uma turbina);

4-1: Rejeição de calor à pressão constante.

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Diagramas do ciclo de Brayton

(a) Diagrama T-S (b) Diagrama P-V

Figura 8: Diagramas T-S e P-V do ciclo de Brayton.


Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

Os diagramas T-S e P-V de um ciclo de Brayton ideal são mostrados na figura acima. É
possível observar que todos os quatro processos do ciclo de Brayton são executados em
dispositivos com escoamento em regime permanente e, portanto devem ser analisados
como processos com escoamento em regime permanente. Quando as variações das
energias cinéticas e potencial são desprezíveis, o balanço de energia de um processo com
escoamento em regime permanente pode ser expresso por unidades de massa como:
( 𝑒− 𝑠) +( 𝑒− 𝑠) = 𝑠𝑎𝑖𝑑𝑎 − 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎

Assim, as quantidades de calor transferido da fonte para o fluido de trabalho são:

𝑒= 3− 2=(𝑇3−𝑇2)

𝑠= 4− 1=(𝑇4−𝑇1)

A eficiência térmica do ciclo de Brayton ideal, Segundo as hipóteses do padrão a ar


torna-se:

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Os processos 1-2 e 3-4 são isoentrópicos e 2= 3 𝑒 4= 1. Assim:

Substituindo essas quantidades na equação para eficiência térmica e simplificando


temos:

Onde: é a Razao de pressão e o K é a razão ds calores específicos.

A última equação de rendimento, mostra que sob as hipóteses do padrão a ar frio, a


eficiência térmica do ciclo de Brayton ideal depende da razão de pressão da turbina a
gás e da razão dos calores específicos do fluido de trabalho. A eficiência térmica
aumenta com esses parâmetros, o que também é o caso das turbinas a gás reais.

Um gráfico da eficiência térmica em função da razão de pressão é mostrado na figura


abaixo, para k = 1.4, que é o valor da razão dos calores específicos para o ar à
temperatura ambiente.

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Figura 9: Eficiência térmica do ciclo de Brayton em função da razão de pressão.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

A temperatura mais alta do ciclo ocorre ao final do processo de combustão (estado 3),
e é limitada pela temperatura máxima que as pás da turbina podem suportar. Isso
também limita as razões de pressão que podem ser usadas. Para um valor fixo de
temperatura na entrada da turbina, o trabalho líquido aumenta com a razão de pressão,
atinge um máximo e depois começa a diminuir.

Figura 10: ilustração do aumento do trabalho líquido com a razão de pressão até um
máximo e posterior diminuição.
Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

Para os Valores fixos𝑇 𝑒𝑇 . O trabalho liquido aumenta com razão da pressão, e


⁄[ ]
atinge o valor máximo para 𝑟 𝑇 ⁄𝑇 e finalmente, diminui. Assim, deve
haver um compromisso entre a razão de pressão (e portanto, a eficiência térmica) e
trabalho líquido produzido. Com um menor trabalho realizado por ciclo, um maior fluxo
de massa (e, portanto, um sistema maior) é necessário para manter a mesma potência,
o que pode não ser económico. Na maioria dos projectos, a razão de pressão das
turbinas a gás vária de cerca de 11 até 16.

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5.3 Ciclo de turbina a gás com regeneração
Nos motores à turbina a gás, a temperatura do gás de exaustão que sai da turbina
quase sempre é consideravelmente mais alta do que a temperatura do ar que sai do
compressor. Assim, o ar à alta pressão que sai do compressor pode ser aquecido pelos
gases quentes da exaustão em um trocador de calor de correntes opostas
(contracorrente). Também conhecido como regenerador ou recuperador.

A figura abaixo ilustra um ciclo de turbina a gás com um trocador de calor, que também
pode ser chamado de ciclo regenerativo, e o respectivo diagrama T-s. No trocador o
calor rejeitado pelos gases de escape da turbina a gás aquece o ar que sai do
compressor, antes que esse entre na câmara de combustão. O pré-aquecimento do ar
resulta na redução do consumo de combustível na câmara de combustão.
Consequentemente, a eficiência térmica do ciclo aumenta, porém, devido à queda de
pressão no trocador de calor a potência útil poderá diminuir em 10%.

Figura 11: Um motor à turbina a gás com regenerador.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

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Figura 12: Diagrama T-s de um ciclo de Brayton com regeneração.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

Note-se que, o uso de um regenerador é recomendado apenas quando a temperatura


de exaustão da turbina for maior que a temperatura de saída do compressor. Caso
contrário, o calor fluirá na direcção contrária (para os gases de exaustão), diminuindo a
eficiência.

A temperatura mais alta que ocorre dentro do regenerador é 𝑇 , a temperatura dos


gases de exaustão que saem da turbina e entram no regenerador. Sob nenhuma
condição o ar pode ser pre-aquecido no regenerador a uma temperatura acima desse
valor. Normalmente o ar deixa o regenerador a uma temperatura mais baixa, 𝑇 . No
caso limite (Ideal), o ar deixa o regenerador a temperatura da entrada dos gases de
exaustão 𝑇 Supondo que o regenerador esteja bem isolado e que todas as variações
das energias (cinética e potencial) sejam desprezíveis, as transferências do calor
máximo dos gases de exaustão para o ar podem ser expressas como:

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Uma indicação do quanto um regenerador se aproxima de um regenerador ideal é
chamada de efectividade , e é definida como:

Quando as hipóteses do padrão a ar frio são utilizadas, isso se reduz a

Um regenerador com uma efectividade mais alta, obviamente, economiza uma


quantidade maior de combustível, uma vez que ele pré-aquece o ar a uma temperatura
mais alta antes da combustão. Entretanto a obtenção de uma efectividade mais alta
exige o uso de um regenerador maior que custa mais caro e causa maior queda de
pressão. A efectividade da maioria dos regeneradores utilizados na prática está abaixo
dos 0.85.

Dentro das Hipóteses do padrão a ar frio, a eficiência térmica de um ciclo Brayton ideal
com regeneração é:

Como exemplo de turbina a gás com regenerador, tem-se a turbina a gás Mercury 50,
fabricada pela Solar turbines, o regenerador desta turbina a gás está localizada no topo
da máquina, visando facilitar a manutenção da parte quente. A potência produzida por
esta máquina é 4,3 MW e 270C, com eficiência térmica de 40,5 %. A Primeira unidade
desta turbina foi vendida para ROCHELLE MUNICIPAL Utility como uma máquina de
ciclo simples, para operação intermediária até 5000 horas por ano.

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Figura 13: turbina a gás Mercury 50, da Solar turbines

5.4 Ciclo de turbinas a gás com resfriamento e recuperação de calor


O uso de resfriamento intermediário combinado com o trocador de calor regenerativo
tem como objectivo aumentar tanto a eficiência térmica quanto o trabalho específico útil
do ciclo. Com o resfriamento intermediário reduz-se o trabalho de compressão,
aumentando assim o trabalho específico útil do ciclo.

A figura abaixo mostra o ciclo de turbina a gás com resfriamento intermediário e troca
de calor regenerativo e seu respectivo diagrama T-s. como pode ser visto, a
compressão corre em dois compressores, sendo que o resfriamento intermediário entre
eles (Ponto 2-3) reduz a temperatura do fluido de trabalho que entra no segundo
compressor ( ponto 3).

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Figura 14: Um motor a gás com compressão de dois estágios e resfriamento
intermediário, expansão de dois estágios com reaquecimento e regeneração.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

Como o trabalho de compressão é função da temperatura da entrada do fluido de


trabalho, a redução na temperatura de entrada implica a redução do trabalho de
compressão e, consequentemente o aumento de trabalho específico útil do ciclo.

Na análise dos ciclos reais de turbinas a gás, as irreversibilidades que estão presentes
dentro do compressor, da turbina e do regenerador, bem como as quedas de pressão
nos trocadores de calor devem ser levadas em conta.

A razão de consumo de trabalho de um ciclo de turbina a gás melhora devido ao


resfriamento intermediário e ao reaquecimento. Entretanto, isso não significa que a
eficiência térmica também melhore. Na verdade, o resfriamento intermediário e o
reaquecimento sempre diminuem a eficiência térmica, a menos que sejam
acompanhados por regeneração. Isso acontece porque o resfriamento intermediário
diminui a temperatura média com a qual o calor é fornecido, e o reaquecimento
aumenta a temperatura média com a qual o calor é rejeitado. Isso fica claro na figura

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abaixo, assim, em centrais de turbina a gás, o resfriamento intermediário e o
reaquecimento sempre são usados em conjunto com regeneração.

Figura 15: Diagrama T-s de um ciclo ideal de turbina a gás com resfriamento
intermediário, reaquecimento e regeneração.

Fonte: YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).

5.5 Ciclo de turbina a gás com injecção de vapor de água


Nos ciclos de turbina a gás com injecção de vapor de água, o vapor de água é
injectado no ponto de saída do compressor, aumentando a vazão mássica através do
expansor da turbina, resultando em aumento do trabalho produzido. Apesar deste
aumento, o trabalho necessitado pelo compressor continua o mesmo. Portanto, o
trabalho útil do ciclo aumenta. A caldeira de recuperação gera o vapor aproveitando a
energia dos gases de exaustão da turbina. Estudos e trabalhos práticos tem mostrado
que o vapor gerado na caldeira de recuperação tem necessidade de ser 4bar acima da
pressão do compressor e estar na mesma temperatura do ar que sai do compressor. A
figura abaixo mostra o esquema de uma turbina a gás com injeção de vapor de

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Figura 16: esquema do ciclo a gás com injecção de vapor.

Fonte: STUCHI apud LORA e NASCIMENTO, 2004

Um ponto positivo deste ciclo é que a injecção de vapor ocasiona uma redução na
emissão de , que é um dos responsáveis pela chuva ácida, resultando em
vantagens para os problemas de poluição.

O baixo nível de produção de óxidos de nitrogénio ( ) é uma das vantagens do ciclo


com injeção a vapor. Devido à injeção de vapor no difusor na câmara de combustão
ocorre um baixo nível de emissão de nitrogênio, gerando uma mistura regular de vapor
e ar. Essa mistura uniforme diminui a quantidade de oxigénio necessário na mistura do
combustível e aumenta sua capacidade calorífica, diminuindo a temperatura no sector
de combustão e, por consequência, a formação de .

O ciclo regenerativo com injecção de água apresenta maior eficiência à baixa razão de
pressão do que o ciclo com injecção de vapor apresentado anteriormente.

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6. Conclusão
Em jeito de conclusão sobre abordado acima conclui-se que tanto na prática como em
conceitos teóricos os sistemas de potência sempre envolvem processo de combustão para
a movimentação do fluido de trabalho, que atuam na forma gasosa sobre elemento que
fornece trabalho rotacional ao sistema (turbina).

Os sistemas de potência a gás com injecção de vapor de água dão mais densidade ao
fluido de trabalho, na medida em que o vapor de água e mais denso que o produto da
combustão da queima do gás, este facto contribui porá o aumento de pressão nas pás da
turbina.

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7. Bibliografia
 YUNUS, A. Cengel e Michael A. Boles Termodinâmica, 5ᵃ edição (português).
 STUCHI, Gabriel Augusto Domingos; TACONELLI, Maurício & LANGHI, Victor
Augusto Bertollo. Termoeléctricas: Principais Componentes E Tipos De
Centrais Termoeléctricas. São Carlos. 2015.

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