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A Origem da Cannabis remonta a tempos imemoriais, servindo de remédio desde

sempre, o primeiro tratado de ervas medicinais que se conhece, o Pen Tsao. Concebido
há 4.700 anos na China já incluía referência destacada à cannabis. E há registros de
usos médicos em praticamente todas as civilizações antigas do Velho Mundo. Estudos
recentes indicam que a cannabis pode estar presente há milhões de anos, tendo sua
possível origem nos planaltos centrais do Tibet. Certo é, que o Extrato da cannabis é
remédio na índia desde a antiguidade, os hindus acreditam que Shiva trazia consigo a
planta no início dos tempos. Também os africanos Sufis, assim denominados por
usarem lã (suf), e que diferiam dos demais muçulmanos por usarem haxixe com fins
enteógenos, possuírem conduta ascética (contemplativa, mística), e serem
provenientes sobretudo de classes inferiores, e por isso, eram repudiados pelos demais
muçulmanos, chegando a serem torturados e assassinados pelo seu próprio governo.

Na Europa, os Vikings portavam sementes de cânhamo em suas embarcações,


denominadas Naus e aparentemente também se valeram do cânhamo no fabrico de
cordas, panos de vela, linhas de pescar e redes para suas aventurosas viagens. O
império romano também muito bem conheceu e utilizou-se da cannabis, em suas festas
e banquetes, a cannabis era ingerida para estimular o convívio social e promover a
hilaridade. Quando as prensas de Gutenberg começaram a funcionar, foi papel de
cânhamo que recebeu a tinta e disseminou a palavra da bíblia para uma Europa que
despertava. Quando a ânsia de descobrir um novo mundo deu origem à idade das
descobertas cerca de 500 anos atrás, foi o cânhamo que a viabilizou, dando aos
exploradores as velas e o cordame necessários para cruzar os oceanos (Cristóvão
Colombo havia transportado 70 toneladas de cordame de cânhamo e vastas medidas
de lona de cânhamo através do Atlântico em 1492.). E quando era chegada a hora de
definir esse novo mundo, suas metas e aspirações, foi em papel de cânhamo que o
rascunho de ambas: a Constituição e da Declaração de Independência foram escritos.
À medida que a jovem nação avançava para o oeste, era cânhamo que cobria os
carroções dos colonos.

George Washington e Thomas Jefferson tiveram ambos, experiências de primeira mão


com o cultivo do cânhamo. Como políticos agricultores os dois trabalharam
entusiasticamente para promover a reputação desse produto e aperfeiçoar sua cultura.
É possível que seu interesse não fosse inteiramente comercial: George Washington
talvez tenha cultivado alguma planta fêmea virgem de cânhamo para fins medicinais e
para fumar ocasionalmente. É sabido que ele e Thomas Jefferson, que não apreciava
tabaco, trocavam misturas de fumo como presente. Consta que Washington preferia
fumar as flores do cânhamo
Thomas Jefferson, um destacado promotor do cânhamo, contrabandeou
sementes raras de cânhamo da Europa para agricultores americanos.

E em seus dizeres, a cultura do tabaco é perniciosa, pois além de exaurir


enormemente o solo, requerer muito estrume, e não fornecendo nenhum alimento útil
para o gado, em contrapartida, e ainda descreve Jefferson, que o melhor cânhamo e o
melhor tabaco crescem no mesmo solo, o primeiro artigo é de primeira necessidade
para o comércio e a marinha, em outras palavras, para a prosperidade e a proteção do
país, o segundo, nunca útil, e por vezes pernicioso, deriva o apreço de que goza do
capricho, e seu melhor valor, dos impostos a que foi outrora sujeito. George Washington
fora fazendeiro do cânhamo, e primeiro presidente dos Estados Unidos da América.
TABACO: Sua única vantagem do ponto de vista do agricultor é a demanda estável que
tem entre seus consumidores viciados. E hoje sabemos que a elevada arrecadação de
impostos que o tabaco gera – uma desculpa de 200 anos – não cobre nem de longe os
custos dos tratamentos de saúde pelos quais é claramente responsável!

Os reformadores sociais tentaram incluir a cannabis nas proscrições da Lei Harrison de


1914, mas a indústria farmacêutica opôs-se com sucesso a essa inclusão já que ela era
um ingrediente de emplastros de milho e de vários outros medicamentos, sendo também
amplamente usada na medicina veterinária.

As primeiras leis contra as drogas consistiam em grande parte em tentativa ad hoc de


‘fazer alguma coisa’ com relação a um problema que a bem dizer não existia. O temor
da cannabis mais parecia refletir o temor que a sociedade sentia da mente humana
liberta; a maconha foi adequadamente descrita numa canção de jazz da época como ‘a
substância de que os sonhos são feitos ... a substância de que os brancos têm medo’.
Assim, o legislativo de Louisiana proibiu em 1911 os farmacêuticos de renovar receitas
que contivessem cannabis, ópio ou cocaína, entre outras drogas

Começando assim a empreitada da falsa propaganda contra a planta, tivemos a lei seca
que proibida o álcool, aumentando o crime organizado. Surgindo a figura de Al Capone.
Para quem viu o filme “os intocáveis” sabe do que estou falando, mortes por
envenenamento da população álcool contaminado, muitas vezes, pelo próprio governo,
era o início da guerra que depois ganhou proporções extremas nos governos de Richard
Nixon e posteriormente, Ronald Reagan.

Por excesso contingente policial, o aparelhamento estatal para repressão do álcool, e a


necessidade de lotar prisões privadas, os estados unidos encontraram na cannabis o
Novo inimigo “número um” do Estado, podendo assim também conter uma migração de
indesejados mexicanos e mirar o aparelho estatal para essas populações imigrantes,
uma política xenófoba e racista, seletividade na ação, semelhante ao praticado
atualmente nas favelas do Rio de Janeiro com a população mais negra.

BRASIL

A primeira lei do mundo a criminalizar o uso da maconha, de 1830, é um produto da


Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Dizia o texto: ‘É proibida a venda e o uso do pito
do pango, bem como a conservação dele em casas públicas. Os contraventores serão
multados, a saber: o vendedor em 20$000, e os escravos e mais pessoas, que dele
usarem, em três dias de cadeia’.

Uma bravata comum desta época dizia que ‘maconha em pito faz negro sem vergonha’.
Na política internacional, o Brasil tem contribuições importantes no lobby para proibição
da maconha. A apresentação, em 1915, do médico Rodrigues Dória, no Segundo
Congresso Científico Pan-americano, realizado nos Estados Unidos, escancara bem
nossa posição. Na ocasião, o doutor Dória, médico renomado da Universidade Federal
da Bahia, apresentou o estudo intitulado ‘Os fumadores de maconha: efeitos e males do
vício’, indicando que a maconha foi introduzida no Brasil pelos negros escravizados,
como sendo uma vingança da ‘raça subjugada’ pelo roubo da liberdade. (CARTA
CAPITAL, 2018).

Para pioneiros no seu estudo (e combate), como Rodrigues Dória, Botelho, Pernambuco
Filho, Francisco de Assis Iglésias e um punhado de outros, o “diambismo” era uma praga
que se iniciara e crescera nas cidades do litoral norte – regiões importadoras de
escravos –, penetrara o interior, entre índios, negros e caboclos – ‘gentes sempre
prontas a abraçar um vício’, como gostavam de dizer os homens daquela época.
(FRANÇA, 2015, p. 40).
A lei de drogas 11.343 de 2006 veio como um avanço na política de
drogas nacional, pois ela deixa de prever para o usurário de drogas penas
privativas de liberdade, assim, notamos que a intenção do legislador seria de
distinguir o mero usurário do traficante de drogas, imputando àquele que for pego
portando ou consumindo substâncias descritas como droga para consumo
pessoal, prevendo medidas corretivas de penas restritivas de direito e
advertência, vejamos o artigo 28:
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso
educativo. (...) (LEI Nº 11.343/06. Art. 28).

Juizados Especiais Criminais. Cabe ao Ministério Público oferecer


transações penais, além de indicar a pena. três modalidades: admoestação
verbal, prestação de serviços à comunidade e comparecimento a programa ou
curso educativo.
Já o tipo penal descrito no artigo 33 da mesma lei, prevê 18 núcleos:
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar,
adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar,
trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou
fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500
(quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à
venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou
guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou
produto químico destinado à preparação de drogas;
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam
em matéria-prima para a preparação de drogas;
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade,
posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem
dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico
ilícito de drogas. (...) (LEI Nº 11.343/06. Art. 33).

A nossa Lei Penal prescreve, por meio do artigo 33 da lei 11.343/06,


dezoito núcleos integrantes (importar, exportar, remeter, preparar, produzir,
fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, fornecer, ter em depósito,
transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar e entregar), vejamos
os comentários do Dr. Guilherme de Souza Nucci:
Estabelece o art. 28 da Lei 11.343/2006 as seguintes penas para o
usuário de entorpecentes: a) advertência sobre os efeitos das drogas;
b) prestação de serviços à comunidade; c) medida educativa de
comparecimento a programa ou curso educativo. Há muitos casos em
que o réu foi preso em flagrante, indiciado e processado como incurso
no art. 33, tido por traficante, mas, ao final da instrução, o juiz
desclassifica a infração penal para a figura do art. 28. Ficou detido por
semanas ou meses e não há, em nosso entendimento, qualquer
cabimento para que cumpra as penas alternativas previstas para o
usuário. Afinal, já enfrentou o pior, que é a segregação cautelar, em
regime fechado, o que poderia servir de tempo detraído, caso fosse
condenado a pena privativa de liberdade. Logo, por analogia in bonam
partem, deve-se aplicar a detração no mesmo prisma, deixando de
aplicar qualquer reprimenda em caso de desclassificação de tráfico
para uso. (, 2014, p. 343).
Devemos destacar, que a análise subjetiva das circunstâncias e
quantidade mínima não está claramente estabelecida, cabendo ao Juiz
determinar no caso concreto, criando assim uma instabilidade jurídica, onde
vemos muitas injustiças cotidianamente, a exemplo, uma notícia do portal de
notícias G1:
Filho de desembargadora preso por tráfico de drogas é solto no MS. Tribunal de
Justiça trocou cadeia por internação em clínica psiquiátrica.
Defesa alega que filho de magistrada tem síndrome de borderline. A
Justiça de Mato Grosso do Sul mandou tirar da cadeia e internar numa
clínica psiquiátrica um homem que foi preso por tráfico de drogas e de
armas. E que é filho de uma desembargadora. Breno Fernando Solo
Borges, de 37 anos, ficou pouco mais de três meses preso numa
penitenciária em Três Lagoas. De acordo com informações obtidas pelo
Jornal Nacional, ele está em uma clínica em Campo Grande. Ele foi detido
em abril com 130 quilos de maconha, centenas de munições de fuzil e uma
pistola nove milímetros. Breno é filho da desembargadora Tânia Garcia,
presidente do Tribunal Regional Eleitoral e integrante do Tribunal de Justiça
de Mato Grosso do Sul. A saída do presídio aconteceu depois de dois
habeas corpus. (PORTAL G1, 2017).

Em contrapartida, visualizamos casos como este, também em notícia do


G1:
Ex-morador de rua preso em protesto de 2013 é condenado a 11 anos
de prisão por tráfico Rafael Braga foi sentenciado por tráfico de drogas
e associação ao tráfico. O ex-morador de rua Rafael Braga, que ficou
conhecido por ter sido preso com uma garrafa de desinfetante durante
protesto em julho de 2013, foi condenado a 11 anos e três meses de
prisão pela acusação de tráfico de drogas no Rio. A decisão foi
publicada na quinta-feira (20) pela 39ª Vara Criminal. Depois de ter a
prisão relaxada e ter direito à prisão domiciliar em dezembro de 2015,
Rafael afirmou que queria "vida nova". No entanto, ele foi preso em
janeiro de 2016 por tráfico de drogas e associação ao tráfico. Na
época, ele afirmou que as acusações foram forjadas por policiais da
UPP Vila Cruzeiro. Ele afirmou em depoimento na 22ª DP (Penha) que
havia sofrido tentativas de abuso por parte dos agentes, inclusive
sexualmente. Braga foi preso sub suspeita de tráfico de drogas e
associação ao tráfico. Segundo policiais, ele estava com 0,6g de
maconha e um morteiro em sua mochila. (PORTAL G1, 2017).

Comparando essas duas notícias, notamos um abismo social gritante e a


disparidade no tratamento despendido aos dois rapazes, disparidade essa que
realça a seletividade da ação proibicionista, que age por puro preconceito e
classismo, como constata Zaccone em sua obra.

3.4.1 Penas para o traficante

As penas para o sujeito que for incurso no artigo 33 da lei de drogas são:
(...) Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de
500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à
venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou
guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou
produto químico destinado à preparação de drogas;
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam
em matéria-prima para a preparação de drogas;
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade,
posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem
dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico
ilícito de drogas. (...) (LEI 11.343/06. Art. 33).

A polícia, com conivência da mídia, ao enquadrar um cultivo de cannabis pesa


a terra, vasos, caule, e demais suprimentos utilizados para o cultivo para gerar
um falso enquadramento por tráfico. Se não havendo comprovação de que o
material cultivado destina-se a venda, não há o que se falar em tráfico.
Cabe-nos também ressaltar, que a questão da Cannabis esbarra nos
princípios de liberdade religiosa, assegurados por nossa Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988, a Cannabis sempre esteve associada
com religiosidade, como observamos em toda parte histórica acerca planta,
neste trabalho.
Em 2012, Ras Geraldinho Rastafári, ou Geral Antônio Batista, fora preso
por tráfico de drogas depois que a polícia encontrou trinta e sete pés de Cannabis
plantados na sua igreja, em que era lider, a Primeira Igreja Niubingui Etíope
Coptic de Sião do Brasil. Sua condenação: 14 anos de prisão, além de multa,
por tráfico e associação para o tráfico. O juiz do caso embasou-se em mera
sugestão de que o culto religioso servia de fachada para comércio de droga.
Em contraste ao cunho religioso da igreja de Geraldinho, a pesquisa
científica também sofre a pressão dessa truculenta e retrógrada política, Elisaldo
Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de acordo com notícia do El
País, por Marina Rossi, teve uma surpresa:
Recebeu do carteiro um documento com o emblema do Tribunal de
Justiça de São Paulo. Aos 87 anos – ‘quase 88’, como ele diz - o
pesquisador estava sendo intimado a depor na delegacia. ‘Fiquei
quase paralisado’, disse Carlini, por telefone, ao EL PAÍS. ‘Sem saber
o que pensar’. (...) Carlini, um respeitado pesquisador brasileiro, que
trabalha há mais de meio século com pesquisas sobre drogas,
especialmente a maconha e suas propriedades medicinais, teve
dificuldade em entender o que estava acontecendo. Mas, com muito
esforço, já que sofre de um câncer na bexiga e outro na próstata e tem
dificuldade em se locomover, se dirigiu à delegacia na data
determinada, o último dia 21, com seu advogado, Cristiano Maronna, e
mais um colega da Unifesp. O depoimento fora requisitado devido a
um inquérito aberto para apurar o 5º Simpósio Internacional Maconha -
Outros Saberes, realizado por Carlini e sua equipe em maio do ano
passado em São Paulo. De acordo com a promotora de Justiça,
Rosemary Azevedo Porcelli da Silva, o simpósio ‘contém, em tese,
fortes indício de apologia ao crime’. Como o professor Carlini é
presidente da comissão organizadora do simpósio, ele e mais outros
três colegas membros da comissão respondem pelo evento. O
simpósio durou quatro dias, iniciado no dia 08 de maio do ano passado.
Foram realizadas nove mesas de discussões, com temas relacionando
a maconha à política, à história, à justiça, à filosofia e à religião. O
evento, porém, só chegou ao conhecimento da Justiça depois que os
organizadores decidiram convidar Geraldo Antônio Baptista para
participar de uma das mesas. Conhecido como Ras Geraldinho, ele
fundou em 2011 a primeira igreja rastafári no Brasil. Mas acabou preso
e condenado a 14 anos de prisão em 2013, por tráfico de drogas,
depois que a polícia encontrou 37 pés de maconha na sede do templo,
em Americana (218 quilômetros de São Paulo). O convite feito pela
comissão organizadora do simpósio deixou a promotora de Justiça
‘indignada’. (ROSSI, 2018).

Se o convite feito a Ras Geraldinho deixou a promotora de Justiça


“indignada” imaginamos então, a indignação do Doutor Elisaldo Carlini, formado
em medicina pela Unifesp em 1957, dentre várias outras condecorações e títulos,
reconhecido mundialmente. Segundo Carlini, ainda em entrevista ao El País, ele
trabalha com duas possibilidades: ignorância ou má-fé. Ainda citando a notícia
de Marina Rossi ao El País:
O caso provocou reações rapidamente no universo acadêmico. Na
sexta-feira, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) publicaram um
manifesto em defesa de Carlini. As entidades ‘repudiam com
veemência o fato de o pesquisador ser alvo de um inquérito por
organizar um simpósio sobre o uso terapêutico da maconha’. Ao menos
40 sociedades científicas de todo o país declararam apoio ao
manifesto, que ainda afirma que ‘Carlini é um cientista premiado
internacionalmente’. O texto reafirma a importância do pesquisador,
lembrando que ele ‘desenvolveu ainda na década de 1970 pesquisas
pioneiras que caracterizaram a ação anticonvulsivante da maconha, e
suas descobertas permitiram a formulação de medicamentos utilizados
em diversos países para tratar, eficazmente, doenças como epilepsia e
esclerose múltipla’. A Unifesp também divulgou uma nota em defesa
do professor emérito da Universidade e reforçando o seu apoio ao
pesquisador. Com a saúde debilitada, o pesquisador afirmou que em
todas essas décadas de carreira nunca havia acontecido algo parecido.
E que está abalado, mas seguirá trabalhando. “Não sinto dor, mas o
processo psíquico pelo qual venho passando tem me causado muita
ansiedade", diz. ‘Mas acho que agora temos mais forças para fazer
com que a legislação [que regula a pesquisa e produção de maconha
para fins medicinais no Brasil] ande para a frente. A batalha não é só
minha’. (ROSSI, 2018).

É um direito fundamental que tenhamos acesso ao melhor


tratamento possível, levando em conta que os medicamentos produzidos à
base de Cannabis no exterior são muito caros, dependem do governo para
serem providenciados, enquanto podemos produzir de forma barata e
caseira a planta e colher seus benefícios.
Inclusive, as “Cannabis sintéticas” que têm circulado como alternativa à
planta in natura, vem mostrando-se além de ineficaz, altamente perigosa,
vejamos trecho da reportagem do Jornal “O Globo”:
Autoridades alertam que ‘maconha sintética’ pode provocar
hemorragia. Até sábado, 38 casos foram registrados no estado
americano de Illinois, com uma morte — O Departamento de Saúde
Pública do estado americano de Illinois está alertando a população
sobre os riscos do consumo da ‘maconha sintética’. Até sábado, 38
pessoas deram entrada em hospitais com ‘sangramento severo’ após
consumirem a droga, sendo que uma delas morreu. Segundo as
autoridades, o surto está relacionado com o uso de produtos
contaminados. (...) — Os canabinoides sintéticos se tornaram
populares porque os usuários acreditam que eles são legais e seguros,
mas este não é o caso — afirmou Melaney. — Certamente não são
seguros e, em muitos casos, são proibidos.
A chamada ‘maconha sintética’, também conhecida como ‘maconha
falsa’, é produzida artificialmente com a pulverização de canabinoides
— produtos químicos similares aos encontrados na cannabis — em
folhas secas, que podem ser fumadas. O produto também é
comercializado como líquido, para ser vaporizado ou fumado em
cigarros eletrônicos. (O GLOBO, 2018).

Destarte, notamos que a denominada Cannabis sintética, ou ainda


Cannabis falsa, nada tem de Cannabis. A começar pelo processo químico de
produção dos canabinóides, “similares aos encontrados na cannabis”.
Assim evidencia-se o risco eminente de consumir um produto sintético,
por puro medo do natural, um estigma que fora criada implantando nas pessoas
a falsa ideia de que a planta é má, problemas resolvidos facilmente com um
cultivo caseiro e seguro da verdadeira planta.

Maconha ou canabinoide sintético? Entenda qual droga causou mais de


110 sangramentos graves nos EUA

O Canabidiol de origem sintética será produzido no brasil, a indústria


farmacêutica Prati-Donaduzzi, maior produtora de doses de medicamentos genéricos
do Brasil*, investiu para estruturar uma unidade de produção de Insumos Farmacêuticos
Ativos (IFA’s) em Toledo, Oeste do Paraná.
A inspeção de Condições Técnico-Operacionais (CTO) da Planta, realizada pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Vigilância Sanitária Estadual e
Vigilância Sanitária Municipal, aconteceu em novembro de 2018. As instalações seguem
as normas previstas na Resolução 69/2014 da Anvisa – que dispõe sobre as Boas
Práticas de Fabricação de Insumos Farmacêuticos Ativos.

A estreia da indústria paranaense no mercado de IFA’s será com um produto


pioneiro no mundo, o Canabidiol sintético. O produto, desenvolvido por uma
equipe interna de pesquisadores, tem como principal vantagem seu alto grau de
pureza, o que exclui inclusive a presença de tetrahidrocanabidiol (THC).
Importante ressaltar que o THC, normalmente presente em elevadas
quantidades nos extratos de cannabis, é uma substância psicoativa e pode
causar dependência química.

Segundo o Diretor-Presidente da Prati-Donaduzzi, Eder Fernando Maffissoni,


além do caráter inovador, a iniciativa tem como principais objetivos contornar o
elevado custo de importação do extrato purificado da planta e garantir a
disponibilidade do insumo.

Maconha ou canabinoide sintético? Entenda qual droga causou mais de


110 sangramentos graves nos EUA
Estruturas produzidas em laboratório, os canabinoides sintéticos são de 80 a
100 vezes mais potentes que a maconha natural, de acordo com
especialistas.

Cannabis x canabinoides sintéticos


Apesar do nome parecido com a cannabis – gênero que inclui três variedades
diferentes da planta, a sativa, a indica e a ruderalis –, os canabinoides sintéticos
são substâncias produzidas em laboratório e usadas para consumo ilícito.
O professor da Universidade Clemson, John W. Huffman, foi quem iniciou na
década de 90 as pesquisas para a maioria dos canabinoides sintéticos que são
usados como entorpecentes nos dias de hoje. Ele criou uma série de estruturas
para tentar ajudar no tratamento de HIV, câncer, esclerose múltipla. No final,
nenhuma delas foi usada para a medicina, mas passaram para o mercado
ilegal das drogas.
São dezenas de fórmulas, algumas proibidas e outras ainda não detectadas.
Os traficantes muitas vezes recriam estruturas parecidas, mas com uma
pequena parte da molécula diferente, para se esquivar da fiscalização dos
governos. No Brasil, a maioria dos canabinoides são proibidos, assim como
nos Estados Unidos.
"São mais de 200 tipos. Por ano, são pesquisados e descobertos cerca de 40 a 50
novos tipos. Os do tipo 'Spice' são os mais antigos", disse Wong.
Efeitos no corpo
De acordo com os especialistas ouvidos pelo G1, os usuários dos canabinoides podem
desenvolver:
 Agressividade

 Convulsões

 Perda do raciocínio

 Hipertensão

 Taquicardia

 Tremores no corpo

 Parada cardiorrespiratória, podendo levar à morte

 Dependência química

Droga é caso de política

Durante o período eleitoral, a Plataforma Brasileira de Política de Drogas lançou a


iniciativa Droga É Caso de Política, que mapeou candidatos a todos os cargos
(federais e estaduais) que defendem a reforma da política de drogas em três pontos:
legalização da maconha, regulação da maconha para fins terapêuticos e
descriminalização do usuário de drogas. Das mais de 270 candidaturas inscritas,
apenas um candidato se opôs à liberação do uso terapêutico de maconha.

Sobre o PLS 514/2017


Criada no Congresso Nacional em 2018, uma comissão formada por juristas
do Superior Tribunal de Justiça (STJ), professores da área do Direito, membros do
Ministério Público, e pelo médico Drauzio Varella encerrou seus trabalhos com a
aprovação de um anteprojeto de lei que propõe a descriminalização da maconha e
outras medidas para melhorar o combate ao tráfico no país.

Presidida pelo ministro do STJ Ribeiro Dantas, a comissão foi criada justamente para
debater atualizações na atual Lei de Drogas que vigora desde 2006 no Brasil. Ao todo
foram 120 dias de trabalhos, reuniões, e audiências. Agora o relatório final, que é esse
projeto que propõe a descriminalização da maconha vai tramitar pelas demais
comissões permanentes da Câmara dos Deputados até chegar ao plenário onde será
votado.
O PLS 514/2017 propõe a alteração do artigo 28 da Lei de Drogas (Lei nº
11.343/2006), descriminalizando o cultivo de maconha para fins terapêuticos
mediante prescrição médica. O texto determina que o semeio, o cultivo e a
colheita não ultrapassem as quantidades adequadas para o tratamento.

O texto aprovado hoje na CAS surgiu a partir da Sugestão Legislativa nº 25 (SUG 25),
de iniciativa popular. A matéria original propunha a descriminalização do cultivo de
maconha também para uso social e recebeu mais de 20 mil votos favoráveis no portal
E-Cidadania.

Em 2017, o texto foi debatido pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, de


onde saiu o PLS 514/2017, construído a partir do voto da senadora Marta Suplicy
(MDB-SP). A parlamentar o apresentou de forma separada à posição do relator da
matéria, o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), que votou pela rejeição da proposta.

Diferentemente do texto original, o projeto da senadora propõe a descriminalização do


autocultivo de cannabis apenas para fins terapêuticos. “As pessoas podem ser
conservadoras, mas não insensíveis. Eu também conhecia muito pouco desse tipo de
terapia com cannabis e foi exatamente ouvindo os depoimentos que eu fiquei muito
sensibilizada”, afirmou a senadora Marta Suplicy.

Na CAS, Marta Suplicy, presidente da comissão, relatou


favoravelmente à proposição na forma de substitutivo que permite à
União liberar a importação de plantas e sementes, o plantio, a cultura
e a colheita da cannabis sativa exclusivamente para fins medicinais ou
científicos, em local e prazo pré-determinados, mediante fiscalização.
O substitutivo da senadora também altera a Lei de Drogas (Lei 11.343,
de 2006) e passa a liberar o semeio, o cultivo e a colheita
da cannabis, visando o uso pessoal terapêutico, por associações de
pacientes ou familiares de pacientes que fazem o uso medicinal da
substância, criadas especificamente com esta finalidade, em
quantidade não mais que a suficiente ao tratamento segundo a
prescrição médica. (...) Em seu relatório, Marta defende que o tema
não pode ser relegado a uma discussão ideológica ou política. No
texto, a senadora cita pesquisas científicas relacionadas aos
benefícios da cannabis no tratamento de muitas enfermidades, como
autismo, epilepsia, Alzheimer, doença de Parkinson, nas dores
crônicas e nas neuropatias. E reforça que os tratamentos reduzem o
sofrimento não só dos pacientes, mas também dos familiares.
"Não há justificativa plausível para deixar a população brasileira alijada
dos avanços científicos nesta área", acrescenta a senadora no
documento, reiterando que a identificação dos canabinoides
endógenos revolucionou a pesquisa sobre a cannabis e seus efeitos
no organismo. (SENADO NOTÍCIAS, 2018).

RE 635.659
Três gramas
O recurso que está no STF trata de um caso de um detento de São
Paulo que foi flagrado com três gramas de maconha, e tem
repercussão geral, o que significa que o entendimento que for firmado
será aplicado a todos os processos semelhantes que tramitam na
Justiça pelo país.
Além de Gilmar, os ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso
também votaram pela descriminalização do porte exclusivamente de
maconha.

Fachin propôs que o STF declare como atribuição do Congresso


estipular as quantidades mínimas que sirvam de parâmetro para
diferenciar usuário e traficante. Barroso sugeriu que o porte de até 25
gramas de maconha seja parâmetro para configurar o uso pessoal.
Alexandre de Moraes, que herdou o caso de Teori Zavascki – que
havia pedido vista da ação -, liberou o caso em novembro do ano
passado para dar continuidade à votação.

O Recurso Extraordinário 635.659 questiona a constitucionalidade do artigo 28 da Lei


de Drogas, que proíbe o uso de drogas para uso próprio.

Iniciada em 2015, a votação do RE já tem 3 votos favoráveis: Gilmar Mendes, relator


do caso, defende a descriminalização do uso de todas as drogas e os ministros Edson
Fachin e Luís Roberto Barroso, a descriminalização apenas do porte de maconha.

“A sociedade brasileira, seguindo tendência internacional, cada vez mais percebe a


importância da reforma da política de drogas”, afirmou Gabriel Elias, coordenador de
Relações Institucionais da Plataforma Brasileira de Política de Drogas. “Vamos
trabalhar em todas as frentes para ressaltar os problemas decorrentes da política de
guerra às drogas e propor caminhos alternativos a essa política que é responsável
pela morte e pelo sofrimento de milhões de pessoas todos os anos”.
Em contrapartida, porém, o político, médico, lobista e dono de
estabelecimentos de internação Osmar Terra, com articulações do novo
governo no Senado, vem tentando forçar a volta da política manicomial,
sensacionalmente apresentada no filme “O bicho de Sete Cabeças” através do
desarquivamento do PLC 37
O lobista de tudo isso é o Ministro Osmar Terra, dono de clínicas desse
modelo. É um verdadeiro ataque à luta antimanicomial e às políticas
públicas de redução de danos focadas nos usuários e dependentes de
drogas ilícitas. A grande maioria dessas clínicas antidrogas são
financiadas com dinheiro público e o verdadeiro tratamento em muitas
delas é através de solitária, trabalhos forçados e tortura, inclusive com
choque elétrico. (BARROS, 2019).

Nota de repúdio ao posicionamento da CFM e ABP acerca da descriminalização do uso de


maconha e regulamentação do plantio para uso medicinal.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)


lançaram nota de apoio as novas mudanças nas políticas de drogas propostas pelo ministro
Osmar Terra, e contrários a descriminalização e regulamentação do uso medicinal. Abaixo um
trecho da nota:

“Assim como o ministro Osmar Terra, o CFM e a ABP entendem que medida nesse
sentido é prejudicial ao País. O uso da Cannabis (maconha) ainda não possui
evidências científicas consistentes que demonstrem sua eficácia e segurança aos
pacientes. Desse modo, a regulação do plantio e uso dessa droga coloca em risco
esse grupo, além de causar forte impacto na sociedade em sua luta contra o
narcotráfico e suas consequências.

No entendimento do CFM e da ABP, até o momento, somente o canabidiol, um dos


derivados da Cannabis Sativa L., tem a autorização para sua prescrição de modo
compassivo no tratamento de epilepsias em crianças e adolescentes refratários aos
métodos convencionais. Isso decorre da existência de mínimos estudos em forma
de pesquisa que atestam essa possibilidade.

Ressalte-se que a Resolução CFM nº 2.113/2014, na qual essa autorização está


prevista, por sua vez, proíbe aos médicos a prescrição da Cannabis in natura para
uso medicinal, bem como de quaisquer outros derivados que não o canabidiol.

Finalmente, é importante lembrar que, além dos aspectos clínicos deletérios


citados, uma possível regulação do plantio da Cannabis com “fins medicinais” no
Brasil conflita com a Decreto nº 9.761/2019, que propõe uma nova Política
Nacional Sobre Drogas (PNAD).
Essa nova sistemática de assistência psiquiátrica aos dependentes químicos, que
recentemente foi aprovada, se baseia no fortalecimento da rede de atenção
psicossocial no País, no reconhecimento do papel dos médicos nas ações
antidrogas e na percepção de que a dependência química é uma condição que
necessita de tratamentos clínico e social dignos ao invés de uma abordagem focada
na redução de danos.

Diante desses fatos, o CFM e a ABP solicitam à Anvisa que suspenda qualquer
iniciativa visando a regulação para plantio e comercialização da Cannabis com “fins
medicinais”, o que depende de uma análise técnica e clínica com a participação do
Conselho, conforme prevê a Lei do Ato Médico (nº 12.842/2013), e de um amplo
debate com a sociedade.”

Ao se posicionarem dessa forma, ignoram mais 4500 anos de evidências dos benefícios do uso
de derivados de Cannabis, assim como milhares de estudos atuais que comprovam os
benefícios da planta, e falham em comprovar de forma definitiva que seu uso traga efeitos
maléficos preocupantes. Além disso, ignoram que os problemas sociais causados pelo
narcotráfico só tiveram origem após a proibição, e que a manutenção do viés proibicionista
somente retroalimenta o tráfico, aumenta os índices de violência e afasta os usuários do
sistema de saúde!

Esse apoio apenas deixa claro que essas organizações não têm compromisso com a ciência ou
com a saúde, e estão tomando suas decisões com base em posições político-ideológicas. Esse
posicionamento somente prolonga o sofrimento daqueles que precisam da planta para uso
terapêutico e medicinal, além de reforçar o fracasso proibicionista que ceifa milhares de vidas
todos os anos na fracassada guerra às drogas.

Todos os médicos, psiquiatras e profissionais da saúde que tenham compromisso com a


verdade científica, devem repudiar esse posicionamento, lançar notas críticas e se unirem aos
setores antiproibicionistas, para que possamos pensar em um ciclo permanente de
mobilizações contra mais esse terrível ataque!

DECRETO Nº 9.761, DE 11 DE ABRIL DE 2019

Art. 2º Os órgãos e as entidades da administração pública federal considerarão, em seus


planejamentos e em suas ações, os pressupostos, as definições gerais e as diretrizes fixadas
no Anexo .

Aprova a Política Nacional sobre Drogas.

Dentre as drogas ilícitas, a maconha, em nível mundial, é a droga de


maior consumo. No Brasil, a maconha é a substância ilícita de maior
consumo entre a população. Em pesquisa nacional de levantamento
domiciliar, realizada no ano de 2012, 6,8% da população adulta e 4,3%
da população adolescente declararam já ter feito uso dessa substância,
ao menos, uma vez na vida. Já o uso de maconha, nos últimos 12
meses, é de 2,5% na população adulta e 3,4% entre adolescentes,
sendo que, 62% deste público indica a experimentação antes dos 18
anos. Ademais, o uso de maconha, especialmente no público
adolescente, gera preocupação em decorrência das consequências
nocivas do seu uso crônico, tais como maiores dificuldades de
concentração, aprendizagem e memória, sintomas de depressão e
ansiedade, diminuição da motivação, sintomas psicóticos,
esquizofrenia, entre outros prejuízos.

2. PRESSUPOSTOS DA POLÍTICA NACIONAL SOBRE DROGAS

2.1. Buscar incessantemente atingir o ideal de construção de uma sociedade protegida do


uso de drogas lícitas e ilícitas e da dependência de tais drogas.

2.2. A orientação central da Política Nacional sobre Drogas considera aspectos legais,
culturais e científicos, especialmente, a posição majoritariamente contrária da população
brasileira quanto às iniciativas de legalização de drogas.

2.3. Reconhecer as diferenças entre o usuário, o dependente e o traficante de drogas e


tratá-los de forma diferenciada, considerada a natureza, a quantidade da substância apreendida,
o local e as condições em que se desenvolveu a ação de apreensão, as circunstâncias sociais e
pessoais e a conduta e os antecedentes do agente, considerados obrigatoriamente em conjunto
pelos agentes públicos incumbidos dessa tarefa, de acordo com a legislação.

2.4. O plantio, o cultivo, a importação e a exportação, não autorizados pela União, de


plantas de drogas ilícitas, tais como a cannabis, não serão admitidos no território nacional.

2.5. Tratar sem discriminação as pessoas usuárias ou dependentes de drogas lícitas ou


ilícitas.

2.6. Conscientizar o usuário e a sociedade de que o uso de drogas ilícitas financia


atividades e organizações criminosas, cuja principal fonte de recursos financeiros é o
narcotráfico.

2.7. Garantir o direito à assistência intersetorial, interdisciplinar e transversal, a partir da


visão holística do ser humano, com tratamento, acolhimento, acompanhamento e outros
serviços, às pessoas com problemas decorrentes do uso, do uso indevido ou da dependência do
álcool e de outras drogas.
3. OBJETIVOS DA POLÍTICA NACIONAL SOBRE DROGAS

3.14. Educar, informar, capacitar e formar pessoas, em todos os segmentos sociais, para a ação
efetiva e eficaz nas reduções de oferta e demanda, com base em conhecimentos científicos
validados e experiências bem-sucedidas, adequadas à realidade nacional, apoiando e
fomentando serviços e instituições, públicas ou privadas atuantes na área da capacitação e
educação continuada relacionadas ao uso, ao uso indevido e à dependência do tabaco e seus
derivados, do álcool e de outras drogas.

3.19. Difundir o conhecimento sobre os crimes, os delitos e as infrações relacionados às drogas


ilícitas e lícitas, a fim de prevenir e coibir sua prática, por meio da implementação e da efetivação
de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida do cidadão.

3.20. Combater o tráfico de drogas e os crimes conexos, no território nacional, com ênfase às
áreas de fronteiras terrestres, aéreas e marítimas e ao crime organizado vinculado ao
narcotráfico.

3.21. Assegurar, de forma contínua e permanente, o combate à corrupção e à lavagem de


dinheiro, como forma de estrangular o fluxo lucrativo da atividade ilegal que diz respeito ao tráfico
de drogas.
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Sérgio Moro
Luiz Henrique Madetta
Osmar Terra
Damares Regina Alves
Podemos mudar essa situação parando de chamar o uso de fim
pessoal de uso recreativo, o "uso adulto" da outra imagem a forma de
consumo e com certeza ajudaria bastante na legalização da planta no
nosso país

A Marcha da Maconha do Rio de Janeiro de 2019 ocorreu no dia 04 de


maio de 2019. Sob o tema “Contra o abate nas favelas. Legaliza com Supremo,
com tudo”. De acordo com matéria do G1, é a 19ª edição da manifestação. A
Marcha da Maconha de São foi realizada no dia 01 de junho de 2019, tendo
contato com 100 mil presentes na edição 2018, de acordo com a organização do
evento.

No momento em que o Brasil vive o aumento do autoritarismo, conservadorismo e


militarização da vida e da política, a Marcha da Maconha SP mantém seu compromisso
com a autonomia e o direito ao protesto. Apesar das intimidações e ameaças ao ativismo
verbalizadas por autoridades de vários níveis, a Marcha fará valer seu direito ao protesto
amparada pela Constituição Federal e por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal,
proferida depois da repressão ao movimento em 2011.

Sob o tema "Para o povo vivo e livre - legalize", o ato pede o "fim
da guerra às drogas" antes de o STF julgar a descriminalização
do porte de drogas para consumo pessoal. O ministro Dias
Toffoli adiou o julgamento sem marcar nova data.

O STF deveria retomar o julgamento da descriminalização do porte de


maconha e outras drogas no começo de Junho. A pauta coincidia com o
andamento de outro processo polêmico: o que criminaliza a homofobia.

De acordo com magistrados, a corte deve descriminalizar o porte ao menos da


maconha. Marcado para 5 de junho a conclusão do julgamento no Supremo
Tribunal Federal pode descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal.
Até lá, é pouco provável que os parlamentares avancem na discussão, que
está adormecida há anos. Ainda mais agora, com o país sob o comando de um
governo conservador nos costumes.

Como Portugal
Segundo o decano Celso de Mello, “tudo indica que o Congresso Nacional
caminhe no sentido de simplesmente descriminalizar a conduta do
usuário, à semelhança do que Portugal fez em 2000”. Para Mello, “a
legislação portuguesa está um passo na nossa frente e ela é muito
importante nessa matéria, porque ela não dispensa ao usuário uma
punição penal. Essa é a questão que estamos discutindo. Mas é sempre
importante que o Congresso Nacional tenha primazia”.

Após reunião com Jair Bolsonaro (PSL), onde foi tratado de um


“pacto” entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli deve
retirar da pauta a ação que pede a descriminalização do porte de
drogas. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, na edição
desta quinta-feira (30) da Folha de S.Paulo.
O julgamento estava marcado para o dia 5 de junho. A
descriminalização ao menos do porte da maconha era tida como certa.

O recurso que discute a descriminalização do porte de drogas para


consumo pessoal, começou a ser julgado em agosto de 2015, quando
o relator, ministro Gilmar Mendes, votou pela inconstitucionalidade do
artigo 28 da Lei de Drogas (nº 11.343/2006), que define como crime o
porte de drogas para uso pessoal.

A explicação para a possível nova suspensão do julgamento é que


magistrados receberam há alguns dias a íntegra de um projeto já
aprovado na Câmara e no Senado que mantém a criminalização e
altera vários pontos da política nacional de drogas.

O projeto aprovado no Congresso, que aguarda apenas a sanção de


Jair Bolsonaro para virar lei, é de autoria do então deputado Osmar
Terra, hoje ministro da Cidadania.

A empreitada da “guerra às drogas” que na verdade nunca foi “às drogas”


pois droga não anda, não ataca e tampouco se defende, existe de fato a guerra
mais sanguinária e classista já conhecida, a política do extermínio de massa do
povo pobre e, em sua maioria, afro-brasileiro, que estão nas duas “pontas de
lança” deste combate: Polícia pobre e varejistas do tráfico, também pobres,
digladiando-se em nome dos lucros dos verdadeiros barões do tráfico, gente da
pior espécie, ratos que escondem-se entre fardas, status sociais, condomínios
de luxo, e até mesmo o Congresso Nacional, “os intocáveis”.
Por fim, concluímos o trabalho propondo uma eminente descriminalização
do cultivo, porte, produção artesanal de remédios à base da planta: Uruguai,
Chile, Argentina, México, EUA, Canadá, Portugal, Espanha, além de muitos
outros países respeitados na política internacional já estão seguindo essa onda
inevitável do progresso da pesquisa e da ciência, da tecnologia da floresta,
sempre trabalhando em prol do bem estar do ser humano, que merece acesso à
medicina e terapêutica canábica de qualidade e acessível, afinal a planta brota
da terra.
O uso da Cannabis sativa, que vem revelando-se um sucesso no tratamento de
doenças que até então não haviam remédios conhecidos pela indústria
farmacêutica, ultimamente há uma ambiguidade de forças no país, podendo
progredir ou regredir muito na questão, a depender de quais caminhos serão
tomados mediante inovação legal.
E ainda que a legalização não venha por vias do legislativo, executivo e
judiciário, que reconheça o valor medicinal da planta e que ela deixe de ser
considerada uma droga, adotando uma classificação mais branda, tendo em
vista que a lei penal em branco não diz o que é droga, mas sim o órgão regulador
do governo, essa reclassificação estaria em conformidade com a recomendação
da OMS, esperamos que esse trabalho traga um lampejo de esperança e alento
aos corações cansados das injustiças e preconceitos que sofremos por um mero
hábito, natural e saudável, viva a Cannabis sativa, e que a humanidade a
reconheça.

Startups do mercado de maconha farmacêutica, que murcharam as expectativas


após a eleição do governo conservador de Jair Bolsonaro, renovaram suas esperanças
na semana passada, quando o diretor da Anvisa Renato Porto manifestou ao setor
seu desejo de deslanchar a regulação para o plantio do cannabis com fins medicinais
no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve abrir até julho a


discussão sobre o registro de produtos à base de cannabis e o cultivo da planta
para fins medicinais e de pesquisa.
O debate na agência não descartará o plantio para exportação da matéria
prima (a planta da maconha) em vez de apenas o produto acabado
(medicamentos, óleos, etc).

A Anvisa já permite o registro de medicamentos com substâncias isoladas da


cannabis, como canabidiol e tetrahidrocannabinol, mas a regra é rígida e exige
apresentação de estudos clínicos robustos. Na opinião da indústria e de
pacientes, a Anvisa deve discutir a simplificação deste registro, como é feito
com outras terapias de baixo risco.

Apenas um medicamento feito à base de maconha está registrado pela


agência, o Mevatyl. O remédio custa mais de R$ 2 mil no Brasil e tem indicação
bastante restrita, para pacientes com espasticidade moderada a grave
relacionada à esclerose múltipla.

A maioria dos pacientes que recebe prescrição médica de tratamentos com


derivados da cannabis pede à Anvisa autorização para importar o produto. A
agência afirmou no final de 2018 que 6 mil pacientes já teriam este aval. Parte
dos tratamentos é ofertada no SUS após decisões da Justiça.

Uma discussão que deve ser levantada pela agência é quem poderá plantar a
maconha e como será feito o controle do cultivo por autoridades de segurança.
Há diversas universidades e empresas interessadas em avançar nos estudos.

Recepção no mundo político

A ideia da Anvisa será deixar claro que o debate não tratará do uso recreativo
da maconha, mas apenas de registro e cultivo da planta para fins medicinais e
de pesquisa.

A discussão sobre uso medicinal da maconha ganhou força em 2014, por


pressão de pacientes. Trata-se de tema sensível por colocar a Anvisa em
confronto com o mundo político.

Os diretores da Anvisa são indicados pelo presidente da República e


sabatinados pelo Senado, podendo ser reconduzidos para um segundo
mandato. Ou seja, a entrada e a sobrevivência no cargo dependem de
aprovação política.

Há expectativa na agência sobre qual será a reação ao debate da cannabis


medicinal. O governo de Jair Bolsonaro (PSL) não deu opiniões claras sobre o
assunto. A leitura de pessoas da Anvisa e do mercado, consultadas pelo JOTA,
é a de que o tema não deve sofrer resistência pelo menos no Ministério da
Saúde.

No Congresso, há personagens de partidos à direita que já se manifestaram


favoráveis, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e a senadora Mara
Gabrilli (PSDB-SP). A dúvida é sobre como reagirá o núcleo mais próximo da
Presidência, como militares, filhos de Bolsonaro e o próprio presidente da
República.

Um foco de preocupação para a Anvisa é o ministro da Cidadania, Osmar Terra


(MDB), que tem distorcido o debate feito na agência. Recentemente, Terra
afirmou no Twitter que seria “irresponsável” a Anvisa “liberar o uso da maconha
medicinal”.
Outrossim, suscitamos sobretudo a necessidade da reparação social, das
famílias que não têm acesso à medicamentos caros e importados, da soberania
de nosso país que possui um inimaginável e maravilhoso potencial para o cultivo
dessa magnífica planta, e nossa pesquisa e ciência que decolará nos
empreendimentos e inovações tecnológicas para produção de medicamentos
mais refinados e precisos (Relatório aponta crescimento intenso no mercado
canábico nos Estados Unidos, o levantamento relata que atualmente há 211 mil
pessoas trabalhando em tempo integral em empresas relacionadas à maconha,
desses, 64 mil foram contratados somente em 2018).

Com o Supremo, com Tudo


Enquanto o velho-novo governo dá passos para trás em relação à educação e segurança
pública, mais um processo social segue com ares de mofo. A falida guerra contra as drogas
vislumbraria um possível fim com o julgamento de um recurso que discute
a descriminalizaçãodo porte de drogas para consumo pessoal. A audiência estava marcada
para o dia 5 de junho, mas, segundo coluna da Mônica Bergamo, um “pacto” entre
Bolsonaro e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário deve levar o Ministro do
Supremo Com Tudo, Toffoli, a retirar da pauta a ação.

“Nossa sociedade que tem 30% da população carcerárias – que é a 3ª maior do


mundo – respondendo por tráfico. O Estado está em guerra contra sua própria população.
Não existe risco maior do que a própria proibição das drogas. A mudança é para ontem”.
Podemos mudar essa situação parando de chamar o uso de fim pessoal de uso
recreativo, o "uso adulto" da outra imagem a forma de consumo e com certeza ajudaria bastante
na legalização da planta no nosso país
Liberdade à planta e plantar para não comprar!!