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A CONQUISTA DA VONTADE

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunha contra ti, que te propus a vida e
a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida para que vivas, tu e a tua
descendência” (Dt 30:19).

A vontade do homem é uma função da alma e está na origem de todas as suas


escolhas e decisões. De fato, a vontade revela o caráter do próprio homem. Não
existe qualquer área da vida que não seja por ela afetada. Portanto, devemos
dar real importância à restauração da vontade e sua submissão à vontade de
Deus.

A VIDA ESPIRITUAL COMEÇA COM UMA ESCOLHA


Entregamo-nos a Jesus por uma escolha. Nossa entrada no caminho da salvação passa por
uma escolha, uma tomada de decisão. Vivemos em Sua presença e O servimos por uma
escolha. É verdade que Deus é quem toma a iniciativa de nos buscar, mas somos nós que
respondemos, decidindo aceitar ou rejeitar Sua oferta de amor. Se fizermos uma análise
cuidadosa do evangelho de João, veremos que crer tem também o sentido de receber, o
que é um ato da vontade. Quando ouvimos o evangelho, este entrou pelos nossos ouvidos,
nossa mente o entendeu, nossos sentimentos foram despertados, desceu ao nosso espírito
e a vontade disse sim. Por causa dessa escolha, Deus nos tornou livres. E sua vontade é
que todo potencial que Ele nos deu seja plenamente usado para o nosso bem e para sua
glória. Sabemos que a vontade de um Pai que nos ama tanto é o melhor para nós, é para
o nosso bem. Portanto, abraçar a vontade de Deus como nosso alvo supremo, é fazer a
nós mesmos o maior bem da vida. O real arrependimento é o abandono da vida centrada
no eu a favor da vontade de Deus. A vontade salva é livre para decidir, escolher e seguir
firmemente o caminho de Deus.

A VONTADE DO HOMEM UNIDA À VONTADE DE DEUS


A união com Deus implica em harmonia. Essa harmonia envolve uma identidade na visão,
princípios e vontade. Quando a vontade do homem se une à de Deus, a
consequência natural é a obediência e tornamo-nos um só coração com Deus.
Ele logo se torna o supremo bem da nossa vida, nosso amor maior. Dessa união brota um
único coração. Se não for assim, haverá um total fracasso. Por isso não devemos fazer
provisão para o eu, pois ele é cruel e nunca se satisfará. O “eu” terá que encontrar o
caminho da cruz, como disse o Senhor: “E quem não toma sua cruz, e não segue após
mim, não é digno de mim” (Mt 10:38). Tomar a cruz é desistir de si mesmo, de sua
independência e vontade pecaminosa, rendendo-a incondicionalmente a Deus. Não é
aniquilar a vontade, mas rendê-la, conscientemente, a Deus.
Já falamos da importância de uma mente renovada e ativa. Porém, precisamos exercitar
nossa vontade para poder receber ou rejeitar aquilo que vem à nossa mente na forma de
pensamentos, imagens e lembranças. As experiências do passado não têm que nos prender
e afetar nosso presente, se soubermos lançar mão da liberdade que temos em Cristo para
subjugar o inimigo. A vontade terá que resistir e pôr fora de ação esses pensamentos cujo
propósito é minar nossa resistência e afastar-nos da comunhão com Deus. Quando
deixamos de exercer a vontade para resistir a Satanás em alguma área, ele assume o
controle da mesma.
A Bíblia é clara ao dizer que temos que resistir ao diabo para que ele fuja de nós, ou seja,
se não o resistirmos em alguma área, ele não fugirá de nós. Muitas vezes, nossos
pensamentos se dispersam quando estamos tentando orar ou ler a Bíblia. Nesses casos é
aconselhável ler em voz alta. A vitória não é necessariamente daqueles que não caem,
mas dos que se recusam a permanecer no chão, daqueles que têm garra, persistência, que
tomam uma decisão de qualidade e se atêm a ela, que não aceitam a condenação do diabo,
nem seu domínio tirano.
Vejamos agora como podemos ser derrotados se a vontade não entrar em ação, rejeitando
pensamentos intrusos.
Tomemos como exemplo a seguinte situação.
Alguém nos caluniou. A lembrança daquilo vem à nossa mente e deixamo-la ali. Daqui a
pouco os sentimentos estão feridos. Um pouco mais e a amargura se instala. No passar
dos dias, o ódio domina nosso ser e somos lançados em trevas.
O agravamento da situação segue seu curso e a alma se torna totalmente prisioneira.
Estaremos andando em completa derrota. O que fazer então?
Estrangular os pensamentos ou lembranças na hora, sem dar-lhe chance de se instalarem.
Isso exige uma decisão da vontade e disso depende a vitória.

A RENOVAÇÃO DA MENTE TRAZ FORÇA À VONTADE E LIBERTA DO


JUGO.

Queremos ressaltar que uma vontade totalmente livre está diretamente ligada a uma mente
renovada com a Palavra de Deus.

Jesus disse:
“Vem aí o príncipe deste mundo e ele nada tem em mim” (Jo 14:30).
Ele queria dizer que Satanás não conseguia levá-lo a agir de acordo com suas
insinuações e influência. Nós também poderemos falar como nosso Senhor
Jesus, quando nossa vontade estiver inteiramente em harmonia com a vontade
do nosso Pai Celeste.
A PRISÃO DA VONTADE
Assim como a mente, a vontade também pode tornar-se prisioneira. Satanás tentará
sempre estabelecer o maior número possível de bases em nossa alma ou corpo. Vejamos,
então, algumas formas pelas quais a vontade pode ser aprisionada.

PRISÃO PELO ENGANO


A mentira ou engano é a estratégia mais comum usada pelo inimigo para tornar o filho de
Deus prisioneiro em alguma área de sua vida. Esse engano é, muitas vezes, instilado
dentro dos seus próprios conceitos da Palavra de Deus. Vamos ver alguns exemplos de
enganos tirados de algumas verdades bíblicas torcidas, provocando, assim, a prisão da
vontade:

1. CRISTO VIVE EM MIM (GL 2:20)


Conceito errado: Eu não vivo de modo algum. Se não vivo, não tenho que fazer uso da
minha vontade.
Conceito correto: Eu vivo pela fé no Filho de Deus. Não deixo de viver. O modo de
viver é que é diferente, não mais de acordo com um eu insubmisso, mas em união com
Cristo, meu Senhor, a quem racional, consciente e livremente me entrego.
Princípio: Deus não requer minha auto-aniquilação para que Sua vida se manifeste. Ele
quer a submissão.

2.EM TUDO DAÍ GRAÇAS (1 TS 5:18)


Conceito errado: Aceitarei todas as circunstâncias como sendo a vontade de Deus.
Conceito correto: Eu me submeterei a Deus em todas as circunstâncias, porque no meio
de todas elas Ele me dará vitória.
Princípio: Submissão a Deus em todas as situações e resistência ao mal devem caminhar
juntos.
(Tg 4:7)

PASSIVIDADE DA VONTADE
Toda obra demoníaca na vida do homem obedece a um processo que se agrava com o
passar do tempo, caso algo não seja feito para detê-la e erradicá-la. A passividade faz
parte desse processo. A pessoa deixa de ser ativa no uso de sua vontade. Se ela não usa
sua vontade, suas ações serão dominadas por outras fontes.

Deus não usa o cr ente de vontade passiva porque ela não está
mais funcionando e Deus não força ninguém a agir.

SINTOMAS DA PASSIVIDADE

1. INÉRCIA OU INDOLÊNCIA NA VONTADE - Caracterizada pela incapacidade


de dominar uma situação. A vida da pessoa é movida por muita confusão, grandes
obstáculos. Mesmo quando a ocasião exige uma tomada de posição, a pessoa protela
para um amanhã que nunca chega. Tem dificuldade em decidir.

2. INCONSTÂNCIA – Reflete-se em muitas tarefas inacabadas. A pessoa não sabe o


que quer, não termina o que começa. A vida dela está cheia de projetos inacabados.

3. INCAPACIDADE DE CONCENTRAÇÃO DA MENTE - Não se exerce em


domínio sobre os pensamentos. Isso indica uma vontade passiva, pois a vontade tem
poder de dizer à mente: “Concentre-se”.

4. INÉRCIA FÍSICA, AÇÕES MECÂNICAS - A pessoa apenas reage a estímulos


externos, mecanicamente, sem usar sua vontade. Essa atitude pode favorecer a
depressão.

5. INCAPACIDADE DE TOMAR DECISÕES, OU INICIATIVA - As pessoas


querem que se tome as decisões por elas, até mesmo nas pequenas coisas, como o que
comprar, o que comer, o que vestir, onde ir, etc.
LIBERTAÇÃO DA VONTADE
Não há prisão que não possa ser quebrada pela palavra de Deus. Por isso vamos ver agora
alguns passos a serem dados rumo à libertação da vontade.

1. Exposição do engano pelo confronto com a verdade. O engano é detectado pelo


confronto com a verdade.

2. A quebra da passividade pela ativação da vontade. A vontade é ativada respondendo-


se à vontade de Deus. A vontade é energizada pela fé pois a fé é ativa. A vontade
também é fortalecida pela verdade. Um sistema de comportamento cristão produtivo
é o resultado de um sistema sólido de fé cristã. Ou seja, a pessoa sempre vai agir de
acordo com aquilo que ela realmente acredita. Enquanto não se compreendem as
verdades doutrinais referentes à nossa posição em Cristo, não existe uma base para o
sucesso no aspecto prático. Como podemos ter a esperança de ficar firmes contra as
ciladas do diabo (Ef 6:11), se não captamos a verdade de que Deus nos ressuscitou e
nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus (Ef 2:6)? Como você pode se
regozijar na esperança e perseverar na tribulação (Rm 12:12), sem a confiança de
saber que foi justificado mediante a fé e que tem paz com Deus, por meio do Senhor
Jesus Cristo (Rm 5:1)? Assim sendo, é preciso corrigir a sua fé pelo conhecimento da
verdade da Palavra de Deus, para que suas decisões sejam orientadas por essa verdade.
Contamos também com o poder do Espírito Santo em nosso espírito para expulsar as
prisões da vontade.

3. O exercício da vontade pela tomada de decisões. A pessoa passiva não age por
vontade própria. A libertação desse cativeiro passa pela deliberação da vontade.
Firme-se, portanto, em suas decisões e rompa com a inconstância.
Comece com as pequenas coisas e tome a decisão de começar algo e ir até o final.
Esteja disposto a até mesmo tomar decisões erradas. Quem não entra em campo
por medo de errar, nunca sai da posição de espectador passivo. O risco de se
cometer erros não deve ser obstáculo à tomada de decisões na vida. É preciso
aceitar a responsabilidade de tomar decisões. O medo do fracasso gera ansiedade
e deve ser combatido com a verdade de que nós somos aceitos e temos segurança
em Cristo. A pessoa com esse problema geralmente pensa assim: “Se eu tentar e
fracassar, terei que admitir que falhei, e minha auto-estima não suportaria isso.
Se eu nunca tentar, posso evitar o fracasso”. A verdade porém, é que nunca
tentar já é um fracasso garantido.
É importante, também, deixar de ser guiado pelas circunstâncias.

4. A vontade tem uma batalha a ser travada: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós” (Tg
4:7). Oponha-se ao domínio do inimigo. Levante-se contra tudo que o inimigo tem
colocado em sua vida para prendê-lo.

5. A vontade submissa a Deus haverá de controlar satisfatoriamente todas as áreas da


personalidade e da vida, em perfeita harmonia com Deus. Exemplo:
 Espírito precisa do controle da vontade: “Como a cidade derribada, que não tem
muros, assim é o homem que não domina o seu espírito” (Pv 25:28).
 A mente precisa estar sujeita à vontade. “Derribando raciocínios e toda altivez
que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento
à obediência de Cristo” (II Co 10:5).
 O corpo precisa da ser servo do homem: “Antes subjugo o meu corpo e o reduzo
à servidão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não seja reprovado”
(I Co 9:27).

6. Uma vontade ativa é necessária para manter libertação em qualquer área da vida.
Haverá momentos de luta e dor, porque onde há conquista, há batalha.

Que possamos, como Jesus, orar dizendo: “Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Vontade essa na qual temos sido santificados. (Hb 10:9-10).

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