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FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE ENSINO DE PIRACICABA - FUMEP

ESCOLA DE ENGENHARIA DE PIRACICABA – EEP


ENGENHARIA MECATRÔNICA - INFORMÁTICA INDUSTRIAL

PROFESSOR WLADIMIR DA COSTA

INDÚSTRIA 4.0

Olavo Manuel Militão Paulin Santos RA: 201601800

Piracicaba
Maio de 2019
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..........................................................................................................................3
INDÚSTRIA 4.0..........................................................................................................................4
IMPACTOS POSITIVOS DA INDÚSTRIA 4.0.......................................................................7
IMPACTOS NEGATIVOS DA INDÚSTRIA 4.0.....................................................................8
BRASIL.......................................................................................................................................9
PREPARE-SE PARA A INDÚSTRIA 4.0................................................................................11
O MERCADO DE TRABALHO NA ERA DA INDÚSTRIA 4.0..........................................12
AS MUDANÇAS NAS EMPRESAS.......................................................................................13
INOVAÇÃO E NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO..............................................14
DESAFIOS PARA INDÚSTRIA 4.0 NO BRASIL.................................................................15
CONCLUSÃO..........................................................................................................................19
BIBLIOGRAFIA......................................................................................................................20
Introdução

Primeiro, entenda que a palavra “revolução” caracteriza fenômenos em que há uma transformação
radical em uma sociedade.

Então, não é qualquer novidade no processo de um fabricante que desencadeia uma revolução
industrial, e sim uma tendência tecnológica que impacta a produção a nível mundial.

Ela não ocorre da noite para o dia. Demora décadas para se consolidar e para ser reconhecida como
revolução.

As três primeiras revoluções industriais trouxeram a produção em massa, as linhas de montagem, a


eletricidade e a tecnologia da informação, elevando a renda dos trabalhadores e fazendo da competição
tecnológica o cerne do desenvolvimento econômico. A quarta revolução industrial, que terá um
impacto mais profundo e exponencial, se caracteriza, por um conjunto de tecnologias que permitem a
fusão do mundo físico, digital e biológico.

1ª Revolução Industrial - Mecânica

A primeira revolução industrial se concentra na energia mecânica e nos motores a vapor. Iniciou-se no
final do século XVIII sendo a mecanização da indústria têxtil um dos casos mais conhecidos.

2ª Revolução Industrial - Elétrica

A segunda revolução industrial se caracteriza pela eletrificação da fábrica, pela utilização dos métodos
científicos de produção culminando com a fábrica de produção em massa, cujo exemplo mais famoso
é linha de montagem de Henry Ford em 1913.

3ª Revolução Industrial - Automação

Com o advento da tecnologia de informação, foi possível iniciar a terceira revolução industrial em que
a informatização (computadores mainframe, computadores pessoais e a internet) entra na fábrica para
automatizar tarefas mecânicas e repetitivas. Isso começa a ocorrer a partir no século passado, a partir
dos anos 70, existindo até hoje.

4ª Revolução Industrial - Inteligência Artificial, Robótica, Big Data e mais.

A quarta revolução industrial se caracteriza por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do
mundo físico, digital e biológico.

As principais tecnologias que permitem a fusão dos mundos físico, digital e biológico são a
Manufatura Aditiva, a IA, a IoT, a Biologia Sintética e os Sistemas Ciber Físicos (CPS).
Indústria 4.0

Foi na edição de 2011 da Feira de Hannover que o conceito da Indústria 4.0 começou a ser
revelado ao público em geral. A iniciativa, fortemente patrocinada e incentivada pelo governo
alemão em associação com empresas de tecnologia, universidades e centros de pesquisa do
país, propõe uma importante mudança de paradigma em relação à maneira como as fábricas
operam nos dias de hoje.

Em 2012, eles apresentaram um relatório de recomendações para o governo alemão,


planejando a implementação e desenvolvimento do que chamaram de indústria 4.0.

Segundo eles, seis princípios caracterizam o projeto. São os seguintes:

1. Tempo real: a capacidade de coletar e tratar dados de forma instantânea, permitindo uma tomada de
decisão qualificada em tempo real.
2. Virtualização: é a proposta de uma cópia virtual das fábricas inteligentes, graças a sensores espalhados
em toda a planta. Assim, é possível rastrear e monitorar de forma remota todos os seus processos.
3. Descentralização: é a ideia de a própria máquina ser responsável pela tomada de decisão, por conta da
sua capacidade de se autoajustar, avaliar as necessidades da fábrica em tempo real e fornecer
informações sobre seus ciclos de trabalho.
4. Orientação a serviços: é um conceito em que softwares são orientados a disponibilizarem soluções
como serviços, conectados com toda a indústria.
5. Modularidade: permite que módulos sejam acoplados e desacoplados segundo a demanda da fábrica,
oferecendo grande flexibilidade na alteração de tarefas.
6. Interoperabilidade: pega emprestado o conceito de internet das coisas, em que as máquinas e sistemas
possam se comunicar entre si.

A indústria 4.0 também é frequentemente chamada de Quarta Revolução Industrial. O termo é


utilizado para caracterizar a utilização do que há de mais moderno para produzir bens de
consumo: big data, internet das coisas, inteligência artificial e muito mais.

Os pilares listados acima se manifestam na prática graças a uma série de avanços


tecnológicos que surgiram nas últimas décadas.

É por esse conjunto de inovações que podemos chamar a indústria 4.0 de Quarta Revolução
Industrial.

Cada conceito tem suas particularidades, mas todos têm em comum o objetivo de tornar as
máquinas mais eficientes.

Abaixo, algumas das tecnologias que podem ser consideradas os pilares da Industria 4.0.
1. Internet das Coisas: A internet das coisas, também conhecida pela sigla IoT (de Internet of Things), é
um conceito que trata da conexão de aparelhos físicos à rede. Não se trata de ter mais dispositivos para
acessar a internet, mas sim a hiperconectividade ajudando a melhorar o uso dos objetos. Isso acontece
dentro das residências (televisão, ar condicionado, geladeira e campainha conectados, por exemplo).
Mas também nas indústrias, com máquinas gerando relatórios instantâneos de produção para o software
de gestão na nuvem. Essa possibilidade é uma das bases da indústria 4.0.
2. Big Data: Big Data é o termo utilizado para se referir à nossa realidade tecnológica atual, em que
uma quantidade imensa de dados é coletada e armazenada diariamente na rede. Também é um conceito-
chave para a Quarta Revolução Industrial, porque são esses dados que permitem às máquinas
trabalharem com maior eficiência. Eis aqui uma questão que um filósofo julgaria um paradoxo: são
desenvolvidos algoritmos que permitem aos robôs tratarem e aproveitarem grande parte desses dados.
Afinal, os humanos não têm a capacidade de fazer isso por conta própria. A ironia é que esses
algoritmos são criados por cientistas da computação, que são seres humanos.
3. Inteligência artificial: Com o big data (coleta, armazenamento e tratamento de dados) e da internet das
coisas (conexão entre máquinas e sistemas), uma fábrica tem as ferramentas básicas para entrar na
Quarta Revolução Industrial. Para uma atuação realmente inovadora, no entanto, falta a inteligência
artificial(IA), que é o que permite a tomada de decisão da máquina sem a interferência humana. Essa é
uma questão bastante polêmica e temida por muitos que tentam enxergar o futuro da IA a longo prazo,
tema que abordaremos mais adiante.
4. Manufatura Aditiva: Também chamada de impressão 3D, a manufatura aditiva hoje é utilizada para a
produção de protótipos físicos e peças únicas. Na Indústria 4.0, a manufatura aditiva é utilizada em
larga escala para a produção de pequenos lotes de peças customizadas, que no modelo de processo
tradicional envolve altos custos de personalização, fabricação e transporte.
5. Biologia Sintética: É a convergência de novos desenvolvimentos tecnológicos nas áreas de química,
biologia, ciência da computação e engenharia, permitindo o projeto e construção de novas partes
biológicas tais como enzimas, células, circuitos genéticos e redesenho de sistemas biológicos existentes.
6. Realidade Aumentada: A Indústria 4.0 enxerga um enorme potencial na realidade aumentada para a
geração e prestação de serviços. Ao permitir interações entre o mundo real e o virtual, esta tecnologia é
de grande utilidade para aplicações na medicina e educação, assim como no treinamento profissional de
colaboradores.
7. Robôs autônomos: Robôs são utilizados há muito tempo na indústria, mas o diferencial do robô da
Indústria 4.0 está na capacidade de trabalhar sem a supervisão humana, agindo de forma inteligente,
cooperativa e autônoma. A utilização de robôs autônomos reduz custos com mão-de-obra e aumenta a
produção, tornando as indústrias mais competitivas.
8. Simulação: Simular virtualmente produtos e materiais já é uma realidade. Na Indústria 4.0, o ambiente
virtual envolve máquinas, produtos, processos e pessoas e faz uso de dados do mundo físico. Desta
forma, toda a cadeia de criação pode ser simulada.
9. Integração de Sistemas (horizontais e verticais): As integrações horizontais e verticais dizem respeito a
sistemas de TI consistentes e interligados dentro das empresas (engenharia, produção, serviços, etc) e
fora delas (empresas, fornecedores, distribuidores e clientes). Com redes universais de integração de
dados as corporações da quarta revolução industrial nunca estarão isoladas.
10. Segurança: A segurança do trabalho está longe de ser uma questão nova. Está entre as maiores
preocupações de grandes empresas, que dedicam diretorias inteiras para cuidar da área. O problema é
que quase todo o conhecimento acumulado ao longo de décadas sobre o assunto foca no comportamento
humano. Com fábricas cada vez mais automatizadas e máquinas inteligentes, o viés da segurança do
trabalho muda um pouco. A preocupação passa a ser menos manuais de conduta e mais robustez nos
sistemas de informação e prevenção de problemas na comunicação entre as máquinas.
11. Computação em nuvem: Na computação em nuvem, os sistemas são armazenados em servidores
compartilhados e interligados pela internet, de modo que possam ser acessados em qualquer lugar do
mundo. No contexto da indústria 4.0, isso permite ultrapassar os limites dos servidores da empresa e
ampliar as possibilidades de conectividade entre sistemas. Tudo isso com menos custo e de forma mais
ágil e eficiente que o modelo antigo.

É a continuação do aperfeiçoamento das máquinas, um processo que começou na primeira


Revolução Industrial e nunca mais parou.
Nessa visão de futuro, ocorre uma completa descentralização do controle dos processos
produtivos e uma proliferação de dispositivos inteligentes interconectados, ao longo de toda a
cadeia de produção e logística.

O impacto esperado na produtividade da indústria é comparável ao que foi proporcionado pela


internet em diversos outros campos, como no comércio eletrônico, nas comunicações pessoais
e nas transações bancárias.

Tornar a Indústria 4.0 uma realidade implicará a adoção gradual de um conjunto de


tecnologias emergentes de TI e automação industrial, na formação de um sistema de produção
físico-cibernético, com intensa digitalização de informações e comunicação direta entre
sistemas, máquinas, produtos e pessoas, ou seja, a tão famosa Internet das Coisas (IoT). Esse
processo promete gerar ambientes de manufatura altamente flexíveis e autoajustáveis à
demanda crescente por produtos cada vez mais customizados.

A Indústria 4.0 nos mostra que é um grande erro pensar que a tecnologia já evoluiu ao nível
máximo na indústria.

A indústria 4.0 traz um salto tecnológico que eleva a automação à máxima potência.

Para o sucesso do projeto, a consolidação de um único conjunto de padrões técnicos de


comunicação e segurança será um elemento-chave. Com ele, a troca de informações entre os
diferentes tipos de sistemas e dispositivos será assegurada, eliminando-se as restrições
relacionadas aos padrões proprietários vigentes.

É importante frisar que boa parte dessas novas tecnologias já está disponível, mas que a
transição para a Indústria 4.0 não ocorrerá de forma repentina, e sim gradual, com uma
velocidade de implantação que dependerá de fatores econômicos e estratégicos e da
capacitação tecnológica da indústria presente em cada país.
Impactos Positivos da Indústria 4.0

Para enxergar todos os benefícios da indústria 4.0, o gestor precisa ter uma visão
estratégica dos negócios.

Investindo na modernização dos processos industriais, ele terá uma grande redução nos custos
de produção.

Mas é claro que, antes de entrar com tudo na Quarta Revolução Industrial, é necessário um
detalhado planejamento.

Mudam todos os processos e também o organograma da companhia.

Uma oportunidade para ter menos profissionais com função operacional e mais com
incumbências estratégicas (o que pode ser um desafio, como veremos a seguir).

Desenvolver essa cultura organizacional de valorização da estratégia, é possível aproveitar


ainda mais os pontos positivos da indústria 4.0.

Com máquinas inteligentes e o princípio da modularidade, é possível ter uma produção muito
mais flexível.

Desse modo, o gestor, ao identificar demandas e tendências do mercado, poderá agir com
muita velocidade para colocar um novo produto na rua.

Assim, a realidade da indústria 4.0 traz impactos positivos também para o público
consumidor, que terá maior acesso a produtos personalizados, de qualidade e a um custo
menor.
Impactos Negativos da Indústria 4.0

Sem dúvidas, é possível problematizar a indústria 4.0 por uma série de


ângulos. Os ciberataques, por exemplo, já são um problema. Quanto mais conectada a
empresa está, mais sujeita ele fica à espionagem industrial.

Outro possível impacto negativo da indústria 4.0 é a distribuição do poder a tecnocratas,


aqueles que detém o conhecimento técnico a respeito das novas tecnologias.

Além da finalidade comercial, as inovações podem ser usadas para fins nobres, mas também
para subjugar nações inteiras economicamente, acabando com seu mercado interno.

Outra questão que vale a pena ser mencionada é a utilização da inteligência artificial também
para fins escusos, como golpes, guerras e fake news (esse último um problema bastante em
voga atualmente).

Mas nenhuma das questões que acabamos de mencionar preocupa tanto quanto os inevitáveis
impactos da Quarta Revolução Industrial no mercado de trabalho.

Devemos buscar compreender o momento e, a partir daí, melhor aproveitar os impactos


positivos e minimizar os negativos.
Brasil

O consenso entre os especialistas é de que a indústria nacional ainda está em grande parte na
transição do que seria a Indústria 2.0, caracterizada pela utilização de linhas de montagem e
energia elétrica, para a Indústria 3.0, que aplica automação por meio da eletrônica, robótica e
programação.

Para termos uma ideia da nossa defasagem, precisaríamos instalar cerca de 165 mil robôs
industriais para nos aproximarmos da densidade robótica atual da Alemanha. No ritmo atual,
cerca de 1,5 mil robôs instalados por ano no país, levaremos mais de 100 anos para chegar lá.

A boa notícia é que não precisaremos passar por todo o processo de modernização fabril
ocorrido nos países desenvolvidos nas últimas décadas para poder abraçar as tecnologias da
Internet Industrial e da Indústria 4.0. Podemos e devemos queimar etapas. O que não podemos
fazer é ignorar essa revolução se quisermos preservar a indústria presente no Brasil e prepará-
la para esse novo panorama competitivo.

Trata-se de criar um cenário no qual as tecnologias de informação e de automação, e não a


mão de obra de baixo custo, é que vão gerar as vantagens competitivas para as nações com
setor de manufatura relevante. A conjuntura brasileira atual, marcada por uma severa crise
econômica e política, torna esse desafio ainda mais difícil para o país.

Precisaremos, mais do que nunca, de lideranças fortes e articuladores na indústria, afinal, na


maioria das vezes, os gestores são os responsáveis por implementar as novidades na
prática. Seja na sua linha de produção, nos processos internos de sua empresa ou nos produtos
e serviços que comercializa, no governo e nas instituições acadêmicas e de pesquisa.
Precisaremos também de níveis de investimento relevantes e da capacitação intensiva de
gestores, engenheiros, analistas de sistemas e técnicos nessas novas tecnologias, além de
parcerias e alianças estratégicas com entidades de outros países.

Cada um precisará fazer a sua parte:

 Governo: políticas estratégicas inteligentes, incentivos e fomento.


 Empreendedores e gestores da indústria: visão, arrojo e postura proativa.
 Instituições acadêmicas e de pesquisa: formação de profissionais e com desenvolvimento tecnológico,
preferencialmente em grande proximidade com a indústria.

A Internet Industrial e a Indústria 4.0 criam também enormes oportunidades para


empreendedores que atuam na área de tecnologia, talvez como nunca antes na história da
humanidade. Muito do que será necessário para converter a manufatura, os meios de
transportes, o agronegócio e outros setores industriais ainda precisa ser desenvolvido. Boa
parte dessas tecnologias disruptivas ainda requer aperfeiçoamento, customização e a criação
de soluções abrangentes que funcionem e gerem os benefícios esperados.

Para mencionar apenas algumas dessas novas ferramentas, precisaremos de empresas e de


startups focadas em Big Data, Analytics, nuvem, segurança e automação de conhecimento na
área de software e em robótica avançada, manufatura aditiva, novos materiais, energias
sustentáveis e simulação no campo da engenharia. Para empreendedores que já atuam em um
dos segmentos diretamente impactados por essa revolução, vale investir tempo na formulação
de um plano consistente para avaliar e aplicar as novas tecnologias em suas operações.

O ideal é reunir a equipe interna com especialistas do mercado para analisar a viabilidade e o
impacto de cada uma das novas tecnologias. Na transição, uma dica é pensar grande e
começar pequeno, ou seja, pilotar cada ideia, medir os resultados e expandir para toda a
operação. Outra dica é não esperar por um momento futuro, a hora é agora, antes que seus
competidores o tirem do mercado.
Prepare-se para a Indústria 4.0

O futuro da produção depende da integração, da inovação e da produtividade sustentável, o


que traz boas oportunidades para startups e pequenos negócios.

A Indústria 4.0 (também chamada de Manufatura Avançada, Indústria Avançada ou Internet


Industrial das Coisas) será num futuro próximo uma realidade plena.

A quarta revolução ou Indústria 4.0, agora, está em curso neste novo cenário de confluência,
integração e digitalização de tecnologias já conhecidas e outras inovadoras. Projeta-se assim
que serão consolidadas pelas empresas globais com incorporação de máquinas, sistemas de
armazenagem e instalações de produção, proporcionando troca autônoma de informações
entre seus componentes e variáveis externas. Em outras palavras, ações e controle do sistema
de produção de forma independente.
O mercado de trabalho na era da Indústria 4.0

A indústria 4.0 potencializa a automação. O que basicamente significa que as máquinas


assumem ainda mais funções humanas.

Para ter uma ideia, até já saiu notícia de um robô-jornalista da Google, que projeta escrever 30
mil notícias por mês.

Claro que, com a nova realidade, surgem novas profissões, como o cientista de dados.

Sem contar que os profissionais cuja posição deixa de existir podem ser realocados para
atividades estratégicas.

Mas tudo indica que o saldo, no final, será negativo.

As máquinas inteligentes vão resultar em demissões no mundo todo.

Especialmente na Europa, governantes e economistas começam a planejar uma solução para


esse problema.

Uma das ideias propostas é aperfeiçoar o Estado de bem-estar social que vigora com sucesso
especialmente em países nórdicos, como a Dinamarca do economista Erik Brynjolfsson.

No livro A segunda era das máquinas, Brynjolfsson afirma que a sociedade precisa discutir a
distribuição da prosperidade com urgência. Afinal, a indústria 4.0 trará riqueza para alguns,
mas a demissão de milhões.

Em 2016, uma pesquisa feita junto a empresários de 15 economias estimou que as novas
tecnologias suprimissem até 7 milhões de postos de trabalhos em países industrializados nos
cinco anos seguintes.

Para o economista dinamarquês, devem ser consideradas soluções como o aumento de


impostos ou a renda básica universal.
As mudanças nas empresas

Para os gestores, o primeiro passo é buscar a informação e procurem entender dos conceitos,
princípios e pilares da indústria 4.0.

Assim, terão a possibilidade de mensurar de forma precisa todos os impactos e


benefícios da implementação das novas tecnologias em suas empresas.

No caso do desafio da mão de obra qualificada, se não for possível encontrar o perfil de
profissional desejado no mercado, a saída é investir na formação.

Basta identificar, entre os recursos humanos da empresa, os colaboradores com maior


disposição e potencial para aprender as aptidões necessárias.

Investir na formação de um especialista pode até ser mais vantajoso do que contratar alguém
de fora, pois o profissional já conhece a cultura organizacional da empresa, e a tendência é
que, para retribuir o investimento, seja leal a ela.

Os impactos da Indústria 4.0 sobre a produtividade, a redução de custos, o controle sobre o


processo produtivo, a customização da produção, dentre outros, apontam para uma
transformação profunda nas plantas fabris.

Segundo levantamento da ABDI, a estimativa anual de redução de custos industriais no Brasil,


a partir da migração da indústria para o conceito 4.0, será de, no mínimo, R$ 73 bilhões/ano.

Essa economia envolve ganhos de eficiência, redução nos custos de manutenção de máquinas
e consumo de energia.

Inovação e novas oportunidades de negócio


Nesse contexto, surgem e surgirão cada vez mais novas formas de criação de valor e novos
modelos de negócios, incluindo a possibilidade e a oportunidade de startups e pequenas
empresas desenvolverem e fornecerem serviços. E, entre os temas mais identificados pelos
especialistas, nesse sentido, estão os seguintes:

 Gestão da Informação e do Conhecimento Tecnológico.


 Digitalização/Ciberfísico, IA/IoT e Interoperabilidade.
 Novos Materiais.
 Robótica Colaborativa.
 Máquinas Híbridas.

Desafios para Indústria 4.0 no Brasil


Há grandes desafios para a economia brasileira, em especial para a indústria, que enfrentou
adversidades recentemente. Um dos grandes problemas da economia brasileira é que ela é
baseada em serviços e em produtos de pouco valor agregado, altamente sujeitos à volatilidade
do mercado internacional e com margens de lucro pequenas. Apesar disto, os dados apontam a
quarta revolução industrial como uma oportunidade para o país.

A participação da indústria de transformação no PIB, que já havia atingido mais de 20% em


meados da década de 1980, reduziu-se para próximo de 11%, fruto de mudanças na estrutura
produtiva do país e dos novos modelos de negócios trazidos pela disrupção tecnológica.

O Índice Global de Inovação busca avaliar critérios de performance de diferentes países no


quesito inovação. Índice avalia quesitos como crescimento da produtividade, investimentos
em pesquisa e desenvolvimento (P&D), educação, exportações de produtos de alta tecnologia,
dentre outros tópicos. O Brasil tem caído no ranking de eficiência da inovação.

Relatório "Readiness for the Future of Production Report 2018" (WEF) mostra o país na 41ª
posição em termo da estrutura de produção e na 47ª posição nos vetores de produção da
indústria.
No quadrante Nascentes, possuí países que tem alto potencial para o futuro da indústria,
países que lideram o processo, países nascentes no tema e países que possuem um relativo
legado industrial, mas estão mais distantes da corrida para a 4º revolução industrial.
Interessante que o Brasil se situa na interface deste quadrante, possuindo potencial para
melhorar sua posição nesta nova economia.

A indústria se encontra estagnada e pode-se dizer que estamos na rabeira tecnológica, mesmo
se comparados a outros países em desenvolvimento.

Ou seja, implantar a realidade da Quarta Revolução Industrial é um desafio, tendo em vista


que sempre engatinhamos nas revoluções anteriores.

Cada indústria deve perseguir uma estratégia dual, em que se muda o presente e se constrói o
futuro.

Para não ficar para trás, o país precisa formar profissionais qualificados, para planejar,
executar e gerenciar as inovações tecnológicas.

Além do conhecimento técnico, é necessário estimular a criatividade, proatividade e gosto de


inovação. E ofertar uma melhor infraestrutura em logística e telecomunicações.

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizado no âmbito do Conselho


Temático Permanente de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico (COPIN)
apresenta o conceito de Indústria 4.0, seus principais impactos na competitividade e uma
agenda de propostas sobre o tema. A agenda aborda sete dimensões prioritárias para o
desenvolvimento da Indústria 4.0 no Brasil. São elas:

1. Aplicações nas cadeias produtivas e desenvolvimento de fornecedores;


2. Mecanismos para induzir a adoção das novas tecnologias;
3. Desenvolvimento tecnológico;
4. Ampliação e melhoria da infraestrutura de banda larga;
5. Aspectos regulatórios;
6. Formação de recursos humanos;
7. Articulação institucional.

Diante deste cenário, o MDIC instituiu, em junho de 2017, o Grupo de Trabalho para a
Indústria 4.0 (GTI 4.0), com o objetivo de elaborar uma proposta de agenda nacional para o
tema.

O GTI 4.0 possui mais de 50 instituições representativas (governo, empresas, sociedade civil
organizada, etc), por onde ocorreram diversas contribuições e debates sobre diferentes
perspectivas e ações para a Indústria 4.0 no Brasil.

Temas prioritários como aumento da competitividade das empresas brasileiras, mudanças na


estrutura das cadeias produtivas, um novo mercado de trabalho, fábricas do futuro,
massificação do uso de tecnologias digitais, startups, test beds, dentre outros foram
amplamente debatidos e aprofundados neste GTI 4.0.

A partir das experiências do GTI 4.0 a aliança entre associações empresariais, confederações,
federações de indústria e sindicatos é o primeiro passo para trabalharmos com tema tão
transversal e impactante.

Surge algumas premissas da agenda da indústria 4.0.

 Fomentar iniciativas que facilitem e habilitem o investimento privado, haja vista a nova realidade fiscal
do país.
 Propor agenda centrada no industrial/empresário, conectando instrumentos de apoio existentes,
permitindo uma maior racionalização e uso efetivo, facilitando o acesso dos demandantes, levando o
maior volume possível de recursos para a “ponta”.
 Testar, avaliar, debater e construir consensos por meio da validação de projetos-piloto, medidas
experimentais, operando com neutralidade tecnológica.
 Equilibrar medidas de apoio para pequenas e médias empresas com grandes companhias.

Estratégias empresariais e políticas públicas precisam andar lado a lado. A Agenda Brasileira
para a Indústria 4.0 é resultado de amplo debate com o setor produtivo brasileiro, liderado
pelo MDIC.

Estruturadas a partir do conceito de Jornada para a Indústria 4.0, as medidas apresentadas,


deverão auxiliar os empresários brasileiros nesta trajetória rumo à transformação digital e ao
futuro da produção manufatureira.
Conclusão

A indústria 4.0 pode até demorar para se difundir completamente no Brasil. Mas ela já está aí.

É uma tendência global inevitável: as máquinas serão cada vez mais inteligentes e os
processos de produção continuarão se alterando.

Em vez de temer a tecnologia, é preciso se antecipar aos desafios que a nova realidade vai
trazer e pensar em maneiras de potencializar seus impactos positivos.
Bibliografia

http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/saiba-o-que-e-a-industria-40-e-descubra-as-
oportunidades-que-ela-gera,11e01bc9c86f8510VgnVCM1000004c00210aRCRD
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/prepare-se-para-a-industria-
40,7610a25df13f8510VgnVCM1000004c00210aRCRD
http://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2016/8/desafios-para-industria-40-no-brasil/
https://fia.com.br/blog/industria-4-0/
http://www.industria40.gov.br/
https://www.opencadd.com.br/9-pilares-da-industria-4-0/?gclid=EAIaIQobChMI-
qXjkZWZ4gIVxgSRCh2a_QPQEAAYAyAAEgJBsfD_BwE

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