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EXERCÍCIOS SOBRE LINGUAGEM LITERÁRIA E NÃO

LITERÁRIA

QUESTÃO 1

Sobre a linguagem não literária é correto afirmar, exceto:

a) É utilizada, sobretudo, em textos cujo caráter seja essencialmente


informativo.

b) Sua principal característica é a objetividade.

c) Utiliza recursos como a conotação para conferir às palavras sentidos


mais amplos do que elas realmente possuem.

d) Utiliza a linguagem denotativa para expressar o real significado das


palavras, sem metáforas ou preocupações artísticas.

Alternativa“c”.Na linguagem não literária não há espaço para a


linguagem figurada presente em metáforas, pois sua principal função é
transmitir uma mensagem de maneira objetiva.

SOBRE A ORIGEM DA POESIA

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.

Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal


deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não poético, já que,
restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles
designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem,
que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos
jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou
telefonemas [...]

No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa


relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com elas. A
linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em
si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o
mundo [...]

Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras


se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos
ouvidos, ou como a criação se dasapegou da vida. Mas temos esses
pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto de
referencialidade.

ARNALDO ANTUNES

No último parágrafo, o autor se refere à plenitude da linguagem poética,


fazendo, em seguida, uma descrição que corresponde à linguagem não
poética, ou seja, à linguagem referencial.

Pela descrição apresentada, a linguagem referencial teria, em sua


origem, o seguinte traço fundamental:

a) O desgaste da intuição

b) A dissolução da memória

c) A fragmentação da experiência

d) O enfraquecimento da percepção

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QUESTÃO 3

Leia os textos abaixo para responder à questão:


(Texto 1) Descuidar do lixo é sujeira
Diariamente, duas horas antes da chegada do caminhão da prefeitura,
a gerência de uma das filiais do McDonald’s deposita na calçada
dezenas de sacos plásticos recheados de papelão, isopor, restos de
sanduíches. Isso acaba propiciando um lamentável banquete de
mendigos. Dezenas deles vão ali revirar o material e acabam deixando
os restos espalhados pelo calçadão. (Veja São Paulo, 23-29/12/92)

(Texto 2) O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

(Manuel Bandeira. Em Seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: J.


Olympio/MEC, 1971, p.145)

I. No primeiro texto, publicado por uma revista, a linguagem


predominante é a literária, pois sua principal função é informar o leitor
sobre os transtornos causados pelos detritos.

II. No segundo texto, do escritor Manuel Bandeira, a linguagem não


literária é predominante, pois o poeta faz uso de uma linguagem objetiva
para informar o leitor.
III. No texto “Descuidar do lixo é sujeira”, a intenção é informar sobre o
lixo que diariamente é depositado nas calçadas através de uma
linguagem objetiva e concisa, marca dos textos não literários.

IV. O texto “O bicho” é construído em versos e estrofes e apresenta uma


linguagem plurissignificativa, isto é, permeada por metáforas e
simbologias, traços determinantes da linguagem literária.

Estão corretas as proposições:

a) I, III e IV.

b) III e IV.

c) I, II, III e IV.

d) I e IV.

e) II, III e IV.

Ver Resposta
QUESTÃO 4

(UERJ – 2012)
SOBRE A ORIGEM DA POESIA

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.

Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal


deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não poético, já
que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles
designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da
linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas
conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões,
discursos, ensaios ou telefonemas [...]
No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam
nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com
elas. A linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar,
ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre
nós e o mundo [...]

Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras


se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram
dos ouvidos, ou como a criação se dasapegou da vida. Mas temos
esses pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto de
referencialidade.

ARNALDO ANTUNES

A comparação entre a poesia e outros usos da linguagem põe em


destaque a seguinte característica do discurso poético:

a) revela-se como expressão subjetiva

b) manifesta-se na referência ao tempo

c) afasta-se das praticidades cotidianas

d) conjuga-se com necessidades concretas

Ver Resposta

São características da linguagem literária, EXCETO:


a) Variabilidade.
b) Multissignificação.
c) Denotação.
d) Liberdade na criação.
e) Complexidade.
Sobre os textos literários, é incorreto afirmar:

a) Possui grande compromisso com a clareza e a objetividade,


podendo ser encontrada em reportagens, notícias, manuais de
instrução e outros textos cuja principal característica seja a
informatividade.

b) O discurso literário, diferentemente do discurso adotado em nosso


dia a dia, pode apresentar diversos recursos estilísticos capazes de
oferecer múltiplas leituras e interpretações.

c) Uma das principais características da linguagem literária é a


liberdade criativa, permitindo que o artista desvincule-se dos padrões
convencionais da língua, bem como da gramática normativa que a
rege.

d) A complexidade da linguagem literária é notada no uso de


conotações e metáforas, nas quais as palavras extrapolam seu nível
semântico.

A linguagem literária pode ser encontrada nos seguintes gêneros:

a) poemas, reportagens, manuais de instrução e textos injuntivos.

b) crônica, conto, poemas e narrativas de ficção.

c) textos prescritivos, notícias, novelas e romance.

d) textos jornalísticos, textos didáticos, verbetes de dicionários e


enciclopédias e propagandas publicitárias.
Sobre as características da linguagem não literária, estão corretas as
alternativas:

I. Diferentemente do que acontece com os textos literários, nos quais


há uma preocupação com o objeto linguístico e também com o estilo,
os textos não literários apresentam características bem delimitadas
para que possam cumprir sua principal missão, que é, na maioria das
vezes, a de informar.

II. Apresenta características como a variabilidade, a complexidade, a


conotação, a multissignificação e a liberdade de criação.

III. A linguagem não literária faz da linguagem um objeto estético, e não


meramente linguístico, ao qual podemos inferir significados de acordo
com nossas singularidades e perspectivas. É comum na linguagem não
literária o emprego da conotação, de figuras de linguagem e figuras de
construção, além da subversão à gramática normativa.

IV. Na linguagem não literária, a informação é repassada de maneira a


evitar possíveis entraves para a compreensão da mensagem. No
discurso não literário, as convenções prescritas na gramática normativa
são adotadas.

V. A linguagem não literária pode ser encontrada na prosa, em


narrativas de ficção, na crônica, no conto, na novela, no romance e
também em verso, no caso dos poemas.

a) I e IV.

b) II, III e V.

c) I, III e IV.

d) I e V.

e) Todas as alternativas estão corretas.

Uma nova estrada para o turismo de natureza


“ Existe um paraíso escondido no interior do país com potencial para
tornar-se uma segunda Transpantaneira - a rodovia MT-060. A nova
rota é conhecida como Estrada Turística e fica próxima da fronteira
entre o Brasil e a Bolívia, em Cáceres, no Mato Grosso. O desafio dessa
região é similar ao de muitas áreas naturais do Brasil: implementar o
turismo de natureza para gerar desenvolvimento sócioeconômico e o
empoderamento das comunidades locais. Seria possível trilhar esse
sonho em uma região tão distante dos grandes centros urbanos?

O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas mais ricos em


biodiversidade do mundo. O Pantanal, com seus 250 mil quilômetros
quadrados de extensão, é um desses exemplos. Segundo o Fórum
Econômico Mundial, o Brasil é o líder em um ranking de 140 países em
belezas naturais. (...)”.

Revista Época. Acesso no dia 11/09/14. Disponível em


http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-
planeta/noticia/2014/09/uma-nova-estrada-bpara-o-turismo-de-
naturezab.html

A notícia veiculada em uma revista de grande circulação apresenta fatos


relacionados com o turismo ecológico. Nessa situação específica de
comunicação, a função referencial da linguagem predomina porque o
autor do texto prioriza:

a) as suas opiniões baseadas em fatos.

b) os aspectos objetivos e precisos.

c) os elementos de persuasão do leitor.

d) os elementos estéticos na construção do texto.

e) os aspectos subjetivos da mencionada pesquisa.

Leia os textos a seguir para responder à questão:


Texto 1

Piratininga virou São Paulo: o colégio é hoje uma metrópole

Os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a


Serra do Mar, nos idos de 1553, a fim de buscar um local seguro para
se instalar e catequizar os índios. Ao atingir o planalto de Piratininga,
encontraram o ponto ideal. Tinha “ares frios e temperados como os de
Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”. Os religiosos
construíram um colégio numa pequena colina, próxima aos rios
Tamanduateí e Anhangabaú, onde celebraram uma missa. Era o dia 25
de janeiro de 1554, data que marca o aniversário de São Paulo. Quase
cinco séculos depois, o povoado de Piratininga se transformou numa
cidade de 11 milhões de habitantes. Daqueles tempos, restam apenas
as fundações da construção feita pelos padres e índios no Pateo do
Collegio.

Piratininga demorou 157 anos para se tornar uma cidade chamada São
Paulo, decisão ratificada pelo rei de Portugal. Nessa época, São Paulo
ainda era o ponto de partida das bandeiras, expedições que cortavam
o interior do Brasil. Tinham como objetivos a busca de minerais
preciosos e o aprisionamento de índios para trabalhar como escravos
nas minas e lavouras.

(Disponível em http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/a-cidade-
de-sao-paulo)

Texto 2

Soneto sentimental à cidade de São Paulo

Ó cidade tão lírica e tão fria!


Mercenária, que importa - basta! - importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia
Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e fugidia.

Sinto como a tua íris fosforeja


Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera

Traz saudade de alguma Baviera


Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza?
(Vinícius de Moraes)

Sobre os textos, é correto afirmar, exceto:

a) O primeiro texto explora a linguagem não literária, caracterizada pelo


uso da função referencial, que preza pela objetividade e imparcialidade
da informação.

b) O segundo texto explora a linguagem literária, na qual podemos


observar o emprego de recursos estilísticos e expressivos.
Predominância da função poética da linguagem.

c) As notícias, artigos jornalísticos, textos didáticos, verbetes de


dicionários e enciclopédias, anúncios publicitários e textos científicos
são exemplos da linguagem não literária.

d) Os textos literários apresentam uma preocupação com o objeto


linguístico. Suas características são bem delimitadas, como o uso da
objetividade, a transparência e o compromisso em informar o leitor.
Na verdade, o que se chama genericamente de índios é um grupo de
mais de trezentos povos que, juntos, falam

mais de 180 línguas diferentes. Cada um desses povos possui


diferentes histórias, lendas, tradições, conceitos e olhares sobre a vida,
sobre a liberdade, sobre o tempo e sobre a natureza. Em comum, tais
comunidades apresentam a profunda comunhão com o ambiente em
que vivem, o respeito em relação aos indivíduos mais velhos, a
preocupação com as futuras gerações, e o senso de que a felicidade
individual depende do êxito do grupo. Para eles, o sucesso é resultado
de uma construção coletiva. Estas ideias, partilhadas pelos povos
indígenas, são indispensáveis para construir qualquer noção moderna
de civilização. Os verdadeiros representantes do atraso no nosso país
não são os índios, mas aqueles que se pautam por visões
preconceituosas e ultrapassadas de “progresso”.

AZZI, R. As razões de ser guarani-kaiowá. Disponível em:


www.outraspalavras.net.
Acesso em: 7 dez. 2012.
Considerando-se as informações abordadas no texto, ao iniciá-lo com a
expressão “Na verdade”, o autor tem como objetivo principal

a) expor as características comuns entre os povos indígenas no Brasil


e suas ideias modernas e civilizadas.

b) trazer uma abordagem inédita sobre os povos indígenas no Brasil e,


assim, ser reconhecido como

especialista no assunto.

c) mostrar os povos indígenas vivendo em comunhão com a natureza


e, por isso, sugerir que se deve respeitar o meio ambiente e esses
povos.
d) usar a conhecida oposição entre moderno e antigo como uma forma
de respeitar a maneira ultrapassada como vivem os povos indígenas
em diferentes regiões do Brasil.

e) apresentar informações pouco divulgadas a respeito dos indígenas


no Brasil, para defender o caráter desses povos como civilizações, em
contraposição a visões preconcebidas.
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio


da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana


e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital


nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
fonte: “O açúcar” (Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro, Civilização
Brasileira, 1980, pp.227-228)

TEXTO II

A cana-de-açúcar

Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil pelos


colonizadores portugueses no século XVI. A região que durante séculos foi a
grande produtora de cana-de-açúcar no Brasil é a Zona da Mata nordestina,
onde os férteis solos de massapé, além da menor distância em relação ao
mercado europeu, propiciaram condições favoráveis a esse cultivo.
Atualmente, o maior produtor nacional de cana-de-açúcar é São Paulo,
seguido de Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além de
produzir o açúcar, que em parte é exportado e em parte abastece o mercado
interno, a cana serve também para a produção de álcool, importante nos dias
atuais como fonte de energia e de bebidas. A imensa expansão dos canaviais
no Brasil, especialmente em São Paulo, está ligada ao uso do álcool como
combustível.
(Comentários sobre os textos: “O açúcar” e “A cana-de-açúcar” )

1) Para que um texto seja literário:

a) basta somente a correção gramatical; isto é, a expressão verbal segundo


as leis lógicas ou naturais.
b) deve prescindir daquilo que não tenha correspondência na realidade
palpável e externa.
c) deve fugir do inexato, daquilo que confunda a capacidade de compreensão
do leitor.
d) deve assemelhar-se a uma ação de desnudamento. O escritor revela ao
escrever, revela o mundo, e em especial o Homem, aos outros homens.
e) deve revelar diretamente as coisas do mundo: sentimentos, ideias, ações.

Resposta:
D – Esta alternativa está correta,
pois ela remete ao caráter
reflexivo do autor de um texto
literário, ao passo em que ele
revela a às pessoas o “seu mundo”
de maneira peculiar.
2) Sobre o textos I e II, só é possível afirmar que:
I. O texto I é literário também pela forma com que se apresenta.
II. O texto II poderia ser literário pela forma.
III. Pela pluralidade significativa da linguagem, só é possível afirmar que o
literário é o texto II.

Está(ao) correta(s) apenas

a) a I e a II
b) a II e a III
c) a I e a III
d) apenas a II
e) Todas estão corretas

Resposta:
A – A I e a II estão corretas,
no entanto, a III fala
justamente o contrário
do esperado: o texto literário
é o I e o não-literário o II.
3) Ainda com relação ao textos I e II, assinale a opção incorreta

a) No texto I, em lugar de apenas informar sobre o real, ou de produzi-lo, a


expressão literária é utilizada principalmente como um meio de refletir e
recriar a realidade.
b) No texto II, de expressão não-literária, o autor informa o leitor sobre a
origem da cana-de-açúcar, os lugares onde é produzida, como teve início seu
cultivo no Brasil, etc.
c) O texto I parte de uma palavra do domínio comum – açúcar – e vai
ampliando seu potencial significativo, explorando recursos formais para
estabelecer um paralelo entre o açúcar – branco, doce, puro – e a vida do
trabalhador que o produz – dura, amarga, triste.
d) O texto I, a expressão literária desconstrói hábitos de linguagem, baseando
sua recriação no aproveitamento de novas formas de dizer.
e) O texto II não é literário porque, diferentemente do literário, parte de um
aspecto da realidade, e não da imaginação.
Resposta:
E – o texto I também fala da
realidade, mas com um cunho
diferente do texto II.
No primeiro há uma colocação
diferenciada por parte do autor
em que o objetivo não é
unicamente passar informação,
existem outros “motivadores”
por trás desta escrita.

Atividade sobre Texto Literário e Texto Não Literário


(denotação e conotação)

Texto I - Descuidar do lixo é sujeira


Diariamente, duas horas antes da chegada do caminhão da prefeitura, a gerência (de uma
das filiais do McDonald’s) deposita na calçada, dezenas de sacos plásticos recheados de
papelão, isopor, restos de sanduíches. Isso acaba proporcionando um frequente e
lamentável banquete de mendigos. Dezenas deles vão ali revirar o material e acabam
deixando os restos espalhados pelo calçadão. (Veja São Paulo, 23/12/1992)

Texto II - O Bicho (Manuel Bandeira)


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,


Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

# Exercícios:
1. Os dois textos apresentam semelhança quanto ao conteúdo. Qual é essa semelhança?

2. O texto I, considerando o título, parece enfocar o quê?


a) homens se alimentam de lixo
b) sujeira que os mendigos deixam na rua
c) o McDonald´s deposita sacos de lixo na calçada
d) o caminhão da prefeitura recolhe o lixo

3. No Texto II, que sentimento do eu lírico se manifesta na expressão "meu Deus"?


a) crueldade
b) indignação
c) euforia
d) conformismo

4. Qual dos dois textos é literário? Por quê?

5. Qual é não literário? Por quê?

6. Explique a diferença entre sentido denotativo e sentido conotativo a partir do verso "Vi
ontem um bicho".

7. Qual alternativa abaixo a palavra destacada foi empregada no sentido conotativo


(figurado)?
a) "Dezenas deles vão ali revirar o material..."
b) "... deposita na calçada dezenas de sacos..."
c) "... deixando restos espalhados na calçada."
d) "... propiciando um lamentável banquete..."

8. Marque a afirmativa correta sobre o Texto II - "O bicho"


a) é gênero dramático
b) é gênero narrativo
c) é gênero lírico
d) é gênero jornalístico

# Explique sua resposta:

9. No texto I, foi empregada uma palavra em que houve alteração na grafia após o Novo
Acordo Ortográfico. Qual é essa palavra?
a) gerência
b) sanduíches
c) frequente
d) lamentável
# Explique sua resposta:

10. Sobre a variedade linguística utilizada nos dois textos, foi empregada com
predominância
a) a variedade padrão em ambos os textos
b) a variedade não padrão em ambos os textos
c) a variedade literária nos dois textos
d) a variedade jornalística nos dois textos

Leia o trecho do poema abaixo.

O Poeta da Roça
Patativa do Assaré
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio.

A respeito dele, é possível afirmar que:

a) Não pode ser considerado literário, visto que a linguagem aí utilizada não está adequada à

b) Não pode ser considerado literário, pois nele não se percebe a preservação do patrimônio

c) Não é um texto consagrado pela crítica literária.

Trata-se de um texto literário, porque, no processo criativo da literatura, o trabalho com a l


d) formas: cômica, lúdica, erótica, popular, etc.

e) A pobreza vocabular – palavras erradas – não permite que o consideremos um texto literá
quinta-feira, 31 de agosto de 2017

TEXTO LITERÁRIO / TEXTO NÃO LITERÁRIO E


GÊNERO LITERÁRIOS- QUESTÕES OBJETIVAS
COM GABARITO

TEXTO LITERÁRIO / TEXTO NÃO LITERÁRIO E GÊNERO


LITERÁRIOS

Gênero literário é uma categoria de composição literária. A


classificação das obras literárias pode ser feita de acordo
comcritérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais,
contextuais e outros.
Na história, houve várias classificações de gêneros literários, de
modo que não se pode determinar uma categorização de todas as
obras seguindo uma abordagem comum. A divisão clássica é,
desde a Antiguidade, em três grupos: narrativo ou épico, lírico e
dramático.

O gênero lírico trata-se da manifestação de um eu lírico que


expressa seu mundo interior, suas emoções, ideias e impressões.
E um texto subjetivo, com predominância de pronomes e verbos
em 1° pessoa e se faz, na maioria das vezes, em versos e explora
a musicalidade das palavras.
Gênero Épico - O texto épico relata fatos históricos realizados
pelos seres humanos no passado nas composições desse gênero
há a presença de um narrador, que quase sempre conta uma
história que envolve terceiros, os verbos e pronomes quase
sempre estão na 3° pessoa, porque a história contada trata "dele"
ou "deles" geralmente são longos e narram histórias de um povo e
uma nação geralmente apresentam um tom de exaltação, de
valorização de heróis e seus feitos, os poemas épicos intitulam-
se epopeias um dos mais renomados poetas da nossa cultura é
Luiz de Camões
Gênero Dramático enquanto o gênero épico valoriza seus heróis
e feitos o gênero dramático expõe os conflitos da humanidade e a
manifestação da miséria humana esse gênero foi feito para ser
atuado e não narrado a historia e mostrada no palco o texto se
desenvolve em diálogos, obrigando a uma sequência rigorosa das
cenas e das relações de causa e consequência
Gênero narrativos começaram a surgir no final da idade média,
e começaram a ganhar mais prestigio com o declínio da epopeia,
pode se dizer que todos os textos do gênero narrativo moderno
são da família do gênero épico pois os dois se prestam a contar
uma história ficcional qualquer um destes tem como enredo, as
personagens, o espaço, o tempo, o ponto de vista da narrativa.
Eles vão se diferenciar por critérios como origem, tamanho, tempo,
espaço narrativo, número de personagens, etc.

Seguem, abaixo, modalidades textuais pertencentes ao gênero


narrativo.

 Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens


bem definidos de carácter verossímil.
 Fábula: é um texto de carácter fantástico que busca ser
inverossímil (não tem nenhuma semelhança com a realidade). As
personagens principais são animais ou objetos, e a finalidade é
transmitir alguma lição de moral.
 Epopeia ou Épico: é uma narrativa feita em versos, num longo
poema que ressalta os feitos de um herói ou as aventuras de um
povo. Três belos exemplos são Os Lusíadas, de Luís de
Camões, Ilíada e Odisseia, de Homero.
 Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a
longevidade do romance e a brevidade do conto. O personagem
se caracteriza existencialmente em poucas situações. Como
exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de
Machado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka.
 Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em
prosa, que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores
(conto popular). Caracteriza-se por personagens previamente
retratados. Inicialmente, fazia parte da literatura oral e Boccaccio
foi o primeiro a reproduzi-lo de forma escrita com a publicação
de Decameron.
 Crônica: é uma narrativa informal, ligada à vida cotidiana, com
linguagem coloquial, breve, com um toque de humor e crítica.
 Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o
didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a
respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o
tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal
e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social,
cultural, moral, comportamental, literário, etc.), sem que se paute
em formalidades como documentos ou provas empíricas ou
dedutivas de caráter científico.
O que um texto literário e um texto não literário?

Texto literário é todo aquele que contém conotações, ou seja,


pode ser entendido e interpretado por diversos sentidos
diferentes como é o caso da poesia, conto, crônica, novela,
romance, teatro, etc...
Já o não literário contém denotações, ou seja, o que está
escrito é no sentido de dicionários, não permite outras
interpretações. É o caso das notícias de jornal, os manuais de
instrução, as bulas de remédios, esta explicação que estou
dando, etc...

RESUMO

Bom os textos literários, são aqueles que, em geral, têm o


objetivo de emocionar o leitor, e para isso exploram a linguagem
conotativa ou poética. Em geral, ocorre o predomínio da
função emotiva e poética.
Exemplos de textos literários: poemas, romances literários,
contos, telenovelas.
Os textos não literários pretendem informar o leitor de forma
direta e objetiva, a partir de uma linguagem denotativa. A função
referencial predomina nos textos não-literários.
Exemplos de textos não-literários: notícias e reportagens
jornalísticas, textos de livros didáticos de História, Geografia,
Ciências, textos científicos em geral, receitas culinárias, bulas de
remédio. E gêneros literários são a classificação das obras
literárias que pode ser desde gênero lírico que nada mais e do
que uma expressão do mundo inteiro das suas ideias e impressões
, ou do gênero épico que nada mais é do que uma narrativa de
um história que pode ser desde um povo as guerras, viagens e
etc., também tem o gênero dramático que e mais usado em
peças teatrais e que contam fatos tristes como a miséria humana
e por último o gênero narrativo que é o mais novo e o mais
comum hoje em dia que simplesmente retrata novelas e histórias
fictícias.

Texto Literário:
Poemas, romances literários, contos, lendas etc.

Características:
Linguagem conotativa (sentido figurado);
Presença da Função Poética (centra-se na mensagem e
preocupa-se com a arrumação das palavras);
Presença da Função Emotiva (expressa sentimentos);
Presença de figuras de linguagens;
Musicalidade.

Texto não literário:


Reportagens, receitas, livros didáticos etc.

Características:
Linguagem denotativa (sentido real);
Predomínio da Função Referencial (linguagem direta centrada na
informação);
Linguagem impessoal (sem traços particulares, escrita em 3ª
pessoa);
Fatos reais

GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS


Segundo o site Wikipédia:

01) O gênero lírico na maioria das vezes é expresso pela:

a) Poesia.
b) Jornal.
c) Cinema.
d) Show.
e) Novela.

02) O gênero dramático geralmente é composto de textos que


foram escritos para serem encenados em forma de:

a) Música.
b) Peça de teatro.
c) Poesia.
d) Novela.
e) Cinema.

03) Soneto é um texto em poesia com:


a) 10 versos.
b) 12 versos.
c) 13 versos.
d) 14 versos.
e) 11 versos.

04) A sátira é um texto de caráter ridicularizador, podendo ser


também uma crítica indireta a algum fato ou a alguém. Segundo o
site, um bom exemplo pode ser:

a) Canção.
b) História.
c) Piada.
d) Filme.
e) Teatro.

05) Geralmente a fábula tem por finalidade transmitir:

a) Alguma lição de moral.


b) Alguma crítica.
c) Alguma estória.
d) Alguma mensagem.
e) Algum elogio.

06) Segundo Aristóteles, os gêneros literários são geralmente


divididos em:

a) Real, ficção e comédia.


b) Narrativo, lírico e dramático.
c) Circo, Novela e teatro.
d) Real, sonho e filme.
e) Narrativo, subjetivo e adjetivo.

07) No gênero narrativo, as narrativas utilizam-se de diferentes


linguagens. São elas:

a) Gestual, conto e romance.


b) Verbal, novela e crônica.
c) Romance, epopeia e novela.
d) Crônica, fábula e conto.
e) Verbal, gestual e visual.

08) Leia abaixo um soneto de Gregório de Matos:

"Um soneto começo em vosso gabo;


Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo:


A sexta vá também desta maneira,
na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?


Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto já ditei,


Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei".

Assinale a alternativa incorreta:

a) A sátira é um gênero que pretende despertar o riso do público.


b) Além do divertimento, a sátira pretende moralizar a sociedade.
c) Podemos afirmar que este gênero é conservador.
d) O conservadorismo da sátira está no fato que pretende punir, através do ridículo, aqueles
que transgridem as leis sociais.
e) A sátira é um gênero revolucionário que pretende abolir as instituições estabelecidas
como a Igreja e a Monarquia.

09) Ainda sobre o soneto acima, assinale a alternativa incorreta:

a) O poeta faz uma brincadeira com as próprias regras do soneto.


b) O personagem é satirizado pois não tem nenhuma qualidade digna de louvor, por isso,
compor o poema é algo penoso e difícil para o poeta.
c) O personagem é cheio de virtudes, o que tornar extremamente difícil fazer-lhe um elogio
à altura de suas qualidades.
d) O personagem é vítima da sátira, pois pretende obter honrarias (no caso um soneto) em
sua homenagem para as quais ele não é digno.
e) Ao ridicularizar o personagem, o poeta mantém uma posição conservadora, pois repõe a
ordem social no lugar.

10) O gênero épico é formado por obras (em verso ou em prosa) de extensão maior, em
que um narrador apresenta personagens envolvidas em situações e eventos. As grandes
navegações portuguesas a partir do século XVI também foram representadas em versos
escritos na literatura portuguesa do século XVI. Qual o nome mais importante dessa época
na literatura portuguesa?

a) José Saramago
b) Eça de Queiroz
c) Luís Vaz de Camões
d) Carlos Drummond de Andrade
e) Paulo Leminski

11) (Enem 2011) É água que não acaba mais

Dados preliminares divulgados por pesquisadores da


Universidade Federal do Pará (UFPA) apontaram o
Aquífero Alter do Chão como o maior depósito de água
potável do planeta. Com volume estimado em 86 000
quilômetros cúbicos de água doce, a reserva subterrânea
está localizada sob os estados do Amazonas, Pará e
Amapá. Essa quantidade de água será suficiente para
abastecer a população mundial durante 500 anos, diz
Milton Matta, geólogo da UFPA. Em termos comparativos,
Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água do
Aquífero Guarani (com 45 000 quilômetros cúbicos). Até
então, Guarani era a maior reserva subterrânea do mundo,
distribuída por Brasa, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Época. Nº623. 26 abr. 2010.

Essa notícia, publicada em uma revista de grande


circulação, apresenta resultados de uma pesquisa cientifica
realizada por uma universidade brasileira. Nessa situação
específica de comunicação, a função referencial da
linguagem predomina, porque o autor do texto prioriza
a) as suas opiniões, baseadas em fatos.

b) os aspectos objetivos e precisos.

c) os elementos de persuasão do leitor.

d) os elementos estéticos na construção do texto.

e) os aspectos subjetivos da mencionada pesquisa.

Gabarito!
A função referencial é determinada pela situação do
discurso: o emissor tem a intenção de informar, de referir,
de descrever uma situação, um estado de coisas, um
acontecimento. No artigo, há o objetivo de informar o leitor
sobre a importância da dimensão do Aquífero Alter do
Chão, assim, o autor faz uso da linguagem mais objetiva e
precisa, como se afirma em [B].

ATIVIDADES SOBRE LINGUAGEM


LITERÁRIA E NÃO LITERÁRIA - 1° ANO -
ENSINO MÉDIO

LITERATURA
A literatura é uma forma artística de representação da realidade. Literatura é
ficção; é a recriação de uma realidade, através de palavras são combinadas de
maneira pessoal, criativa, subjetiva. A combinação revela a maneira individual de
cada escritor interpretar a realidade.

LINGUAGEM LITERÁRIA E NÃO LITERÁRIA


Na literatura, as palavras podem não ter o mesmo valor das palavras que
utilizamos na vida diária. Em nosso cotidiano,as palavras têm um valor utilitário,
ao passo que, se usadas no texto literário, adquirem valor artístico, podendo
criar um mundo poético ou ficcional, por meio da maneira como são usadas.

O artista da palavra pode nos retratar uma realidade ao seu modo. A realidade
literária (a criação literária) pode estar em desacordo com a realidade sensível,
objetiva.

A linguagem literária é conotativa, utiliza figuras (palavras de sentido


figurado), em que as palavras adquirem sentidos mais amplos do que
geralmente possuem.

Na linguagem literária há preocupação com a escolha e a disposição das


palavras, que acabam dando vida e beleza a um texto.

A linguagem não literária é objetiva, denotativa, preocupa-se em transmitir o


conteúdo, utiliza a palavra em seu sentido próprio, utilitário, sem preocupação
artística.

Portanto, a literatura é de grande importância, porque é a expressão do ser


humano e da vida, e porque retrata épocas, costumes e ideias.

Exercícios

1- Sobre a linguagem não literária é correto afirmar, exceto:

a) É utilizada, sobretudo, em textos cujo caráter seja essencialmente informativo.


b) Sua principal característica é a objetividade.
c) Utiliza recursos como a conotação para conferir às palavras sentidos mais
amplos do que elas realmente possuem.
d) Utiliza a linguagem denotativa para expressar o real significado das palavras,
sem metáforas ou preocupações artísticas.

Resposta - Alternativa “c”. Na linguagem não literária não há espaço para a


linguagem figurada presente em metáforas, pois sua principal função é transmitir
uma mensagem de maneira objetiva.

2- São características da linguagem literária, EXCETO:

a) Variabilidade.
b) Multissignificação.
c) Denotação.
d) Liberdade na criação.
e) Complexidade.

Resposta-Alternativa “c”. A linguagem literária é conotativa, isto é, uma palavra,


quando usada no sentido conotativo, permite diferentes significados e múltiplas
interpretações. A denotação é própria dos chamados “textos não literários”.

3- TEXTO I
Leia os fragmentos abaixo para responder à questão:
O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café


nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Fonte: “O açúcar” (Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 1980, pp.227-228)
TEXTO II
A cana-de-açúcar
Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil pelos
colonizadores portugueses no século XVI. A região que durante séculos foi a
grande produtora de cana-de-açúcar no Brasil é a Zona da Mata nordestina,
onde os férteis solos de massapé, além da menor distância em relação ao
mercado europeu, propiciaram condições favoráveis a esse cultivo. Atualmente,
o maior produtor nacional de cana-de-açúcar é São Paulo, seguido de
Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além de produzir o
açúcar, que em parte é exportado e em parte abastece o mercado interno, a
cana serve também para a produção de álcool, importante nos dias atuais como
fonte de energia e de bebidas. A imensa expansão dos canaviais no Brasil,
especialmente em São Paulo, está ligada ao uso do álcool como combustível.
Com relação aos textos I e II, assinale a opção incorreta:
a) No texto I, em lugar de apenas informar sobre o real, ou de produzi-lo, a
expressão literária é utilizada principalmente como um meio de refletir e recriar
a realidade.
b) No texto II, de expressão não literária, o autor informa o leitor sobre a origem
da cana-de-açúcar, os lugares onde é produzida, como teve início seu cultivo
no Brasil, etc.
c) O texto I parte de uma palavra do domínio comum – açúcar – e vai ampliando
seu potencial significativo, explorando recursos formais para estabelecer um
paralelo entre o açúcar – branco, doce, puro – e a vida do trabalhador que o
produz – dura, amarga, triste.
d) No texto I, a expressão literária desconstrói hábitos de linguagem, baseando
sua recriação no aproveitamento de novas formas de dizer.
e) O texto II não é literário porque, diferentemente do literário, parte de um
aspecto da realidade, e não da imaginação.

Resposta - Alternativa “e”. O texto I, embora seja literário, também fala da


realidade, utilizando-se da expressão literária para construir novos significados.
Não podemos afirmar, portanto, que o texto de Ferreira Gullar seja fruto da
imaginação do poeta, ele apenas escolheu o discurso literário para expor sua
opinião sobre o assunto em questão.
Texto literário e não literário
– Conceito, característica e
exemplos
Você saberia identificar um
texto literário e não literário
dentre os vários tipos
existentes em nosso
cotidiano? Identificar é o
primeiro passo para
compreender cada texto!
Todos os dias você se depara com diversos tipos de textos, não é
mesmo? Desde os mais simples aos mais complexos, eles estão
presentes desempenhando a sua função e objetivo pelo qual se encontra
em um dado lugar. Apesar de existirem essa variedade de textos, mas há
apenas dois grupos em que se enquadram, os quais são: texto literário e
não literário.
Além da importância de identificar um texto para os quais esses dois
grupos ele se enquadra, seja para o Enem, vestibular ou concurso público,
será primordial utilizá-lo na criação, produção textual que poderá ser
pedido em qualquer desses exames.

Assim, se você não souber essa diferenciação entre um texto literário e


não literário, como será possível desenvolvê-lo ou identificá-lo? Como
produzir um texto, por exemplo, em uma linguagem literária? Você precisa
conhecê-lo muito bem para que possa seguir alguns critérios em que tal
texto exige.
Para que você consiga isso, o blog Gênio do Enem vai te fornecer toda a
base que sustenta umtexto literário e não literário, as características de
cada um, como identificar, exemplos e demais detalhes. Confira!
Conceito de texto literário e
não literário
Aprenda o conceito do texto literário e não literário para, então,
compreender as suas demais atribuições. Se você souber os seus
conceitos, certamente, será mais fácil fazer uso de um ou de outro
dependendo do objetivo que se quer expressar na construção do discurso.

Texto literário
É um texto construído com ricos recursos e normas da literatura causando
diferentes emoções ao leitor e expressando sentimentos de amor, raiva,
alegria, dor etc. A musicalidade, as funções e os tons poéticos e artísticos,
a criatividade, a estética da escrita, a organização das palavras e a
linguagem com muita expressividade são algumas características
encontradas em um texto literário.
Exemplos de textos literários que você
pode constatar:
 Poemas, contos, fábulas, romances, peças teatrais, poesias,
crônicas, minicontos, telenovelas, lendas, letras de músicas etc.

Texto não literário


É um texto construído com uma linguagem informativa, explicativa,
esclarecedora e que tenha alguma utilidade para o leitor. Logo, ele é
produzido em um tom claro, objetivo, direto e que não possa gerar
nenhuma dúvida quanto a sua interpretação. As características que você
poderá encontrar nesse texto não literário são: objetividade, informação,
tutoriais, tangibilidade, inexpressivos, linguagem denotativa, dentre outras.
Exemplos de textos não literários que você
pode constatar:
 Artigos científicos, receitas de culinárias, noticiários em jornais,
revistas, anúncios publicitários, bulas de remédios, conteúdos
educacionais, textos de livros didáticos, cartas comerciais, manuais
de instrução, guias de beleza etc.
Características de um texto
literário e não literário
Agora que você compreendeu o conceito de um texto literário e não
literário convém descobrir as características das quais os distingui em
nosso dia a dia. Certamente, conhecendo essas características peculiares
que cada um tem ficará mais claro o seu tipo de abordagem.
É importante destacar também que a escolha na produção de um discurso
irá depender da função que ele será executado e do objetivo pelo qual se
quer expor no texto, o que irá direcionar a um ou ao outro.

Então, é possível afirmar que, se você ler apenas o tema, seja ele um texto
literário e não literário, isso não te dará suficiente segurança em distingui-
lo, sendo fundamental fazer a leitura completa para identificar a linguagem
que este foi aplicado ao longo do discurso. Qual a sua função? Qual o
objetivo desse texto?
Não existem textos que utilizam os dois tipos de linguagens. Na verdade,
são raríssimos de ver. O que pode ocorrer é a predominância de apenas
um em suas diversas características. Se você optar em criar um texto
literário, então, utilizará destas características a seguir que fazem parte
desse texto. Assim como também irá utilizar com o texto não literário.
Cada um à sua maneira de abordar dentro do seu objetivo de uso.

Texto literário – Características


 Utiliza de linguagem bem elaborada com recursos artísticos e
emotivos

 Faz parte de um universo imaginário, porém sem perder a interação


do mundo real

 Há função poética e função emotiva

 As figuras de linguagem se fazem presente

 É construída de beleza, harmonia, musicalidade, ritmo, arte e


pessoalidade

 O seu objetivo é tocar, marcar, fazer com que o leitor sinta além das
palavras (tocar o coração)
 É um texto imaginativo, surreal expressando um desejo do autor.
Recria o mundo real a partir da imaginação do autor

 As palavras do texto literário sempre ganham novos significados. O


autor maneja essas palavras de forma muito livre, a seu dispor para
que possa ser bem encaixada estimulando ao teor do belo e da
espontaneidade

 Linguagem conotativa (sentido figurado)

 Subjetividade

Texto não literário –


Características
 É informativo, explicativo, que possui clareza ao que está sendo
escrito

 O seu objetivo é levar uma informação ao leitor em sentido real, nada


imaginativo

 Não necessita ser interpretado, pois é um texto em linguagem direta,


concisa, com sentido real e claro

 É sempre de função referencial, ou seja, centrado em informar

 Linguagem impessoal (na 3ª pessoa)

 Fatos e acontecimentos reais

 Linguagem denotativa (sentido real)

 Objetividade
Exemplos de textos
literários
Exemplo 1 – Cântico VI (ENEM
2015)
Tu tens um medo de

Acabar.

Não vês que acabas todo o dia.

Que morres no amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que te renovas todo dia.

No amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que és sempre outro.

Que és sempre o mesmo.

Que morrerás por idades imensas.

Até não teres medo de morrer.


E então serás eterno.

MEIRELES, C. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1963


(fragmento).

Exemplo 2 – A pátria (ENEM 2015)


Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera,

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929.


Exemplo 3 – À garrafa (ENEM
2015)
Contigo adquiro a astúcia

de conter e de conter-me.

Teu estreito gargalo

é uma lição de angústia.

Por translúcida pões

o dentro fora e o fora dentro

para que a forma se cumpra

e o espaço ressoe.

Até que, farta da constante

prisão da forma, saltes

da mão para o chão

e te estilhaces, suicida,

numa explosão

de diamantes.

PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras,
1992.
Exemplos de textos não
literários
Exemplo 1 – 14 coisas que você
não deve jogar na privada (ENEM
2015)
Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o que contamina o ambiente
e os animais. Também deixa mais difícil obter a água que nós mesmos
usaremos. Alguns produtos podem causar entupimentos: medicamento e
preservativo; óleo de cozinha; ponta de cigarro; poeira de varrição de casa;
tinta que não seja à base de água; querosene, gasolina, solvente, tíner.
Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como óleo de cozinha,
medicamento e tinta, podem ser levados a pontos de coleta especiais, que
darão a destinação final adequada. MORGADO, M.; EMASA. Manual de
etiqueta. Planeta Sustentável, jul.-ago. 2013 (adaptado).

Exemplo 2 – Rede social pode


prever desempenho profissional,
diz pesquisa (ENEM 2015)
Pense duas vezes antes de postar qualquer item em seu perfil nas redes
sociais. O conselho, repetido à exaustão por consultores de carreira por aí,
acaba de ganhar um status, digamos , mais científico. De acordo com
resultados da pesquisa, uma rápida análise do perfil nas redes sociais
pode prever o desempenho profissional do candidato a uma oportunidade
de emprego. Para chegar a essa conclusão, uma equipe de pesquisadores
da Northern Illinois University, University of Evansville e Auburn University
pediu a um professor universitário e dois alunos para analisarem perfis de
um grupo de universitários. Após checar fotos, postagens, número de
amigos e interesses por 10 minutos, o trio considerou itens como
consciência, afabilidade, extroversão, estabilidade emocional e
receptividade. Seis meses depois, as impressões do grupo foram
comparadas com a análise de desempenho feita pelos chefes dos jovens
que tiveram seus perfis analisados. Os pesquisadores encontraram uma
forte correlação entre as características descritas a partir dos dados da
rede e o comportamento dos universitários no ambiente de trabalho.
Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 29 fev. 2012
(adaptado

Exemplo 3 – Obesidade causa


doença (ENEM 2015)
A obesidade tornou-se uma epidemia global, segundo a Organização
Mundial da Saúde, ligada à Organização das Nações Unidas. O problema
vem atingindo um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo,
e entre as principais causas desse crescimento estão o modo de vida
sedentário e a má alimentação. Segundo um médico especialista em
cirurgia de redução de estômago, a taxa de mortalidade entre homens
obesos de 25 a 40 anos é 12 vezes maior quando comparada à taxa de
mortalidade entre indivíduos de peso normal. O excesso de peso e de
gordura no corpo desencadeia e piora problemas de saúde que poderiam
ser evitados. Em alguns casos, a boa notícia é que a perda de peso leva à
cura, como no caso da asma, mas em outros, como o infarto, não há
solução. FERREIRA, T. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com.
Acesso em: 2 ago. 2012 (adaptado).

Como visto, o texto literário e não literário possuem características


distintivas e isso pode ser notado, inclusive, visivelmente em sua escrita
quando este se apresenta no formato estético (ao olhar para ele).
Sendo assim, esses exemplos tornam-se bem relevantes para sua
compreensão e acreditamos que auxiliam a identificar cada um deles. Ao
olhar tanto para um quanto para outro, é possível enxergar com clareza a
que grupo ele se destina. Por isso, a melhor maneira de trabalhar cada vez
mais essa habilidade é pegar vários textos em concursos, Enem e
vestibulares para tentar descobrir se é umtexto literário ou um texto não
literário.
Esperamos que esse conteúdo no blog do Gênio do Enem possa ter sido
bem útil e de total relevância para os seus estudos no preparo para as
provas do Enem. Certamente, sabendo identificá-los, você estará muito
mais instruído e capacitado a responder qualquer questão com mais esse
conhecimento adquirido.
Talvez, a sua dificuldade seja também na área de matemática e que
precisa se esforçar mais para dominá-la. Por isso, queremos apresentar
um curso totalmente inovador, completo e que vai te auxiliar a estar mais
preparado para as provas do Enem.

Veja a seguir o que o curso Gênio da Matemática tem para te oferecer e


qual o seu preço. Aprenda matemática como ninguém com um dos
professores mais conceituados do Brasil, prof. Régis Cortês!