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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4

2. SÍNTESE DO COLESTEROL ................................................................................... 5

2.1 Regulação da síntese pela HMG-CoA-redutase..................................................... 7

3. ÉSTERES DE COLESTEROL ................................................................................... 8

4. FUNÇÕES ..................................................................................................................... 9

5. LIPOPROTEÍNA ......................................................................................................... 9

5.1 Principais classes de lipoproteínas plasmáticas ................................................... 10

5.2 Apolipoproteínas..................................................................................................... 10

5.2.1 Apo AI .................................................................................................................. 11

5.2.2 Apo B .................................................................................................................... 12

5.2.3 Apo C ................................................................................................................... 12

6. EXCREÇÃO DO COLESTEROL ........................................................................... 12

7. REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 12
1. INTRODUÇÃO

O colesterol é o esteroide mais importante para a bioquímica biologicamente falando,


ele é precursor de hormônios esteroides1 e compõe as moléculas dos ácidos biliares, ele
participa na modulação da fluidez da membrana plasmática. Em sua forma pura, é sólido
cristalino, branco, insípido e inodoro. Quimicamente é considerado um álcool pois possui o
grupo OH no carbono 3, bioquimicamente é considerado um lipídeo, em geral é encontrado
na forma esterificada, ou seja, com um ácido graxo ligado ao carbono 3 do anel A (Figura
1). A estrutura da molécula possui 27 carbonos, é composto por quatro anéis que são
identificados pelas letras A, B, C e D (PINTO, 2017).

Figura 1 – Estrutura da molécula do colesterol

Fonte: PINTO, 2017.

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Testosterona, estrógenos, progestrógenos, cortisol, aldosterona (PINTO, 2017).
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2. SÍNTESE DO COLESTEROL

A síntese do colesterol (Figura 2) ocorre no fígado por um processo regulado por um


sistema compensatório, ou seja, quanto maior a ingestão de colesterol pela dieta, menor será
a síntese hepática. Essa molécula é insolúvel em água e no sangue. Seu transporte se dá
através da corrente sanguínea por lipoproteínas2, a principal carreadora de colesterol é o LDL
(low density lipoprotein), níveis elevados dessa lipoproteína estão relacionados com
aterosclerose (PINTO, 2017).

A síntese acontece a partir da acetil-CoA, através da cascata da HMG-CoA-redutase


em células e tecidos, essa enzima é alvo de medicamentos redutores de colesterol. A
acetilcoenzima A se converte em HMG-CoA e esta se converte em mevalonato pela ação da
HMG-CoA-redutase, que após sucessivas reações, se transforma em lanosterol, então ocorre
a conversão em colesterol. Aproximadamente 25% da produção diária de colesterol ocorre
no fígado (Figura 3), os outros locais incluem os intestinos, as glândulas adrenais e as
gônadas. O colesterol liberado no intestino sofre reabsorção e reciclagem de 92 a 97%
(PINTO, 2017).

Uma alta ingestão de colesterol, reduz a produção endógena, e uma ingestão reduzida
leva ao efeito contrário. O mecanismo principal é a sensibilidade do colesterol intracelular
no retículo endoplasmático pela proteína SREBP3. Na presença do colesterol, a SREBP se
liga à SCAP e Insig1. Quando os níveis de colesterol caem, a Insig1 se desliga do complexo
SREBP-SCAP, e este migra para o complexo de Golgi, então a SREBP é clivada pela S1P e
S2P, duas enzimas clivadas pela SCAP quando os níveis de colesterol estão baixos (PINTO,
2017).

A SREBP clivada migra para o núcleo agindo como um fator de transcrição, para se
ligar ao elemento regulatório de esterol (SRE) de diversos genes, para estimular a
transcrição. Dentre os genes a serem transcritos, estão o receptor LDL e o HMG-CoA-
redutase. O primeiro procura por LDL circulante, e o segundo leva a uma produção endógena
aumentada de colesterol, a quantidade de colesterol no sangue varia com a idade, aumenta
com o avançar da mesma, e ocorrem variações sazonais, aumentando no inverno (PINTO,
2017).

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Estruturas capazes de interagir com substâncias hidrofóbicas e com o plasma (PINTO, 2017).
3
Proteína de ligação ao elemento de resposta ao esterol (PINTO, 2017).
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Figura 2 – Síntese do colesterol

Fonte: (PINTO, 2017).

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Figura 3 – Transporte do colesterol entre os tecidos

Fonte: RODWELL, 2017

2.1 Regulação da síntese pela HMG-CoA-redutase

A regulação da síntese de colesterol (Figura 4) ocorre próximo ao início da via, na


etapa da HMG-CoA-redutase. Em jejum prolongado, a síntese diminuída é acompanhada de
redução da atividade enzimática, contudo, o colesterol da dieta inibe apenas a síntese
hepática. A HMG-CoA-redutase no fígado é inibida pelo mevalonato e pelo colesterol, o
qual reprime a transrição da coenzima ativando o fator de transcrição, a proteína de ligação
ao elemento regulador de esteróis (SREBP). A ativação da SREBP é inibida pela Insig, que
é uma proteína a qual a expressão é induzida pela insulina e está presente no retículo
endoplasmático, essa proteína também promove a degradação da HMG-CoA-redutase. A
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insulina ou o hormônio tireoideano aumentam a atividade da HMG-CoA-redutase, enquanto
o glucagon ou os glicocorticoides diminuem. A atividade da enzima pode ser
reversivelmente modificada por fosforilação-desfosforilação, que podem ser dependentes de
cAMP, e responsivos ao glucagon. A proteína-cinase ativada por AMP (AMPK), que antes
era HMG-CoA-redutase-cinase, fosforila e inativa a HMG-CoA-redutase, a AMPK é ativada
por fosforilação através da AMPK-cinase (AMPKK) (RODWELL, 2017).

Figura 4 – Mecanismos envolvidos na regulação da síntese do colesterol pela HMG-


CoA-redutase

Fonte: RODWELL, 2017

3. ÉSTERES DE COLESTEROL

O colesterol é uma molécula hidrofóbica (Figura 5), e pode se tornar mais hidrofóbica
quando reage com um ácido graxo. São armazenados em vesículas no citoplasma das células,
e prevalecem na forma de ésteres, facilmente são transportados pelo plasma no interior de
lipoproteínas, devido à hidrofobicidade (PINTO, 2017).

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Figura 5 – Molécula do colesterol

Fonte: (PINTO, 2017).

4. FUNÇÕES

O colesterol promove a fluidez da membrana plasmática das células, compondo a


bicamada fosfolipídica, pode constituir até 25% da membrana celular, todavia, não compõe
a membrana das mitocôndrias. Atua como precursor de hormônios esteroides e de ácidos
biliares, que são os produtos mais importantes do metabolismo do colesterol (PINTO, 2017).

5. LIPOPROTEÍNA

A lipoproteína é uma estrutura esférica de alto peso molecular formada por uma
monocamada de fosfolipídios (Figura 6), na qual existem proteínas denominadas
apolipoproteínas ou apoproteínas, essa monocamada permite interação das lipoproteínas
com o plasma, proporcionando o transporte das moléculas hidrofóbicas. Elas transportam

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diferentes tipos de lipídios em seu núcleo, tais como triacilgliceróis, colesterol e ésteres de
colesterol (PINTO, 2017).

Figura 6 – Modelo geral de uma lipoproteína

Fonte: (PINTO, 2017).

5.1 Principais classes de lipoproteínas plasmáticas


As lipoproteínas podem ser classificadas em cinco categorias, relacionadas com
propriedades físico-quimicas, funcionais, tamanho, densidade, composição lipídica ou
apoproteica (PINTO, 2017).

Os quilomícrons (Qm) são sintetizados no intestino delgado, por enterócitos,


transportam triacilgliceróis exógenos (dieta); as lipoproteínas de muito baixa densidade
(VLDL) são sintetizadas no fígado e se deslocam aos tecidos periféricos, transportam
colesterol e triacilgliceróis endógenos; as lipoproteínas de densidade intermediária (IDL)
surgem a partir do VLDL quando estas perdem triacilgliceróis para os tecidos periféricos; as
lipoproteínas de baixa densidade (LDL) são produzidas no fígado e levadas aos tecidos da
periferia, transportam colesterol do plasma, derivam das IDL e originam as VLDL, estão
relacionadas com a gênese da placa de ateroma; as lipoproteínas de alta densidade (HDL)
são as menores lipoproteínas, são produzidas no fígado e captam colesterol (PINTO, 2017).

5.2 Apolipoproteínas

As lipoproteínas podem apresentar uma ou mais apolipoproteínas (Quadro 1), a


maioria delas é polar e estão fracamente ligadas às lipoproteínas, por esse motivo, facilmente
ocorre trocas de apolipoproteínas entre as lipoproteínas. Elas possuem a capacidade de
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formar lipoproteínas e são fundamentais para o transporte de lipídios. Sua síntese ocorre a
partir de uma molécula de RNAm que é traduzida, apresentando um peptídeo terminal de 16
a 25 aminoácidos, a síntese ocorre no fígado e intestino delgado (PINTO, 2017).

Possuem como função a manutenção da estrutura da lipoproteína, da solubilidade da


mesma em meio aquoso, possibilitam o transporte intracelular dos lipídios sintetizados para
fora das células, atuam no reconhecimento celular interagindo com receptores das
membranas celulares, agem sobre enzimas circulantes como cofatores (PINTO, 2017).

Quadro 1 – Características gerais das apolipoproteínas

Lipoproteínas em que
Apolipoproteína Local de síntese Funções
estão presentes

AI Fígado Quilomícrons e HDL Ativa LCAT


Inibe LACT e ativa
AII Fígado e intestino Quilomícrons e HDL
lipase hepática
B-100 Fígado e intestino VLDL, IDL e LDL Remove colesterol
B-48 Intestino Quilomícrons Remove colesterol
Quilomícrons, HDL e
CI Fígado e adrenais Ativa LCAT
IDL
Quilomícrons, HDL,
CII Fígado Ativa LPC
IDL e VLDL
Quilomícrons, HDL,
CIII Fígado Inibe LPL, ativa LCAT
IDL e VLDL
Cérebro e
D - Desconhecida
testículos
Fígado, cérebro, Quilomícrons, HDL,
E Remove colesterol
rins e adrenais IDL e VLDL

Fonte: (PINTO, 2017).

5.2.1 Apo AI

É um peptídeo de 243 resíduos de aminoácidos, sintetizado no fígado e no intestino


como pró-apo AI e no plasma como apo AI, é o principal componente do HDL, se

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apresentando também nos quilomícrons, VLD e partículas resultantes da metabolização
dessas lipoproteínas. Apresenta como principal função captar o colesterol das membranas
celulares e efetuar o efluxo do mesmo, pois a apo AI interage com receptores específicos de
membrana. Além disso é ativadora da lecitina colesterol aciltransferase (LCAT)4 (PINTO,
2017).

5.2.2 Apo B

É uma apolipoproteína instável no meio aquoso, provavelmente por possuir elevado


peso molecular, elas sofrem desnaturação quando removidas do meio lipídico. As apo B não
se deslocam entre as lipoproteínas, existe uma caracterização de várias apo B, as únicas
biologicamente relevantes são a apo B-100, sintetizada no fígado e presente nas VLDL, IDL
e LDL5, e B-48, sintetizada no intestino e presente nos quilomícrons (PINTO, 2017).

5.2.3 Apo C

Essas apolipoproteínas transitam facilmente entre as lipoproteínas, em estado de


absorção de lipídios ocorre a transferência de apo C de HDL para os quilomícrons, e com a
lipólise dos quilomícrons as apo C retornam às HDL (PINTO, 2017).

6. EXCREÇÃO DO COLESTEROL

O colesterol é excretado através da bile, em forma não esterificada ou após ser


convertido em ácidos biliares no fígado (RODWELL, 2017).

7. REFERÊNCIAS

PINTO, Wagner de Jesus. Bioquímica Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
628p.

RODWELL, Victor, BENDER, David, BOTHAM, Kathleen, KENNELLY, Peter, WEIL,


Anthony. Bioquímica Ilustrada de Harper. Porto Alegre: AMGH, 2017. 818p.

4
Enzima responsável pela esterificação do colesterol (PINTO, 2017).
5
Única apolipoproteína da LDL (PINTO, 2017).
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