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Cap. 4 – Polarização CC de TBJ

CAPÍTULO 4

POLARIZAÇÃO CC DE TBJ

4.1– Introdução

Para a análise ou o projeto de um amplificador com transistor de junção bipolar – TBJ é


necessário o conhecimento das respostas CC e CA do sistema.

O valor amplificado de potência de saída CA é resultado da transferência de energia das


fontes aplicadas. A análise ou projeto de qualquer amplificador eletrônico, portanto, abrange
duas componentes: as operações CA e CC.

“Polarização” quer dizer “alimentação”. Um transistor não poderá amplificar um sinal se


não for devidamente polarizado. Polarização quer dizer alimentar o transistor com uma fonte de
corrente contínua.

Embora vários circuitos sejam analisados neste capítulo, há uma certa semelhança entre
a análise de cada configuração (BC, EC e CC) devido ao uso das seguintes relações básicas:

𝑉𝐵𝐸 = 0,7 𝑉 (1)

𝐼𝐸 = (𝛽 + 1) 𝐼𝐵 ≅ 𝐼𝐶 (2)

𝐼𝐶 = 𝛽 𝐼𝐵 (3)

Na maioria dos casos, a corrente de base IB é a primeira quantidade a ser determinada.


Uma vez determinada esta quantidade as outras quantidades restantes podem ser calculadas pelas
relações das Equações (1) a (3).

4.2 - Ponto de Operação

O termo “polarização” que aparece no título deste capítulo, significa a aplicação de


tensões CC em um circuito para estabelecer valores fixos de corrente e tensão. Para
amplificadores com transistor, a corrente e tensão CC resultantes estabelecem um “ponto de
operação” nas curvas características que definem a região que será empregada para a
amplificação do sinal aplicado.

Como o ponto de operação é fixo na curva, ele também é chamado de “ponto quiescente”
(Q). A Figura 1 mostra as características de saída para um dispositivo com 6 pontos de operação
indicados.

Ponto A: Corrente e tensão nula no dispositivo, então significa que o transistor está
desligado.

Ponto B: Se um sinal for aplicado ao circuito, a tensão e a corrente do dispositivo variarão


em torno do ponto de operação (360º), permitindo que o dispositivo responda
tanto à excursão positiva quanto a negativa do sinal de entrada. Este tipo de

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polarização está no centro da reta de carga. Uma aplicação desta polarização é
para os amplificadores Classe A (condução 360º).

Figura 1 – Vários pontos de operação dentro dos limites de operação de um transistor.

Ponto C: Permite alguma variação positiva e negativa do sinal de saída, porém o valor de
pico a pico seria limitado pela proximidade com VCE = 0 V e IC = 0 mA.

Ponto D: Ajusta o ponto de operação do dispositivo próximo da tensão máxima e do nível


de potência máxima. A excursão da tensão de saída no sentido positivo é,
portanto, limitada se a tensão máxima não for excedida.

Ponto E: Ponto de operação como chave “ligada”, ou seja, pertencente à região de


saturação. Neste ponto temos uma tensão VCE ≤ 0,2 V e uma corrente IC de valor
elevado, limitado pela resistência externa de coletor RC.

Ponto F: Ponto de polarização como chave “desligada”, ou seja, neste caso pertencente à
região de corte (IB = 0). Neste ponto temos uma tensão VCE = VCC, tensão de
chave aberta.

4.3 – Circuito com Polarização Fixa

O circuito com polarização fixa da Figura 2 serve de introdução relativamente simples e


direta na análise de uma polarização CC do transistor.

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Figura 2 – Circuito de polarização fixa

Apesar de o circuito empregar um transistor NPN, as equações e os cálculos se aplicam


igualmente bem a uma configuração com transistor PNP, simplesmente se invertendo os sentidos
das correntes e tensões.

4.3.1 – Polarização Direta da Junção Base-Emissor


Considere primeiramente a malha base-emissor mostrada na Figura 3. Seguindo a 2ª Lei
de Kirchoff para tensões no sentido horário da malha, obtemos:

+𝑉𝑐𝑐 − 𝐼𝐵 𝑅𝐵 − 𝑉𝐵𝐸 = 0 (4)

Neste caso a corrente IB é dada por:


𝑉𝐶𝐶 − 𝑉𝐵𝐸
𝐼𝐵 = (5)
𝑅𝐵

Figura 3 – Malha base-emissor

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4.3.2 – Malha Coletor-Emissor
A seção coletor-emissor do circuito aparece na Figura 4, com o sentido de corrente IC e
a polaridade resultante através de RC indicados. O valor da corrente de coletor está diretamente
relacionado com IB através de:

𝐼𝐶 = 𝛽 𝐼𝐵 (6)

Figura 4 – Malha coletor-emissor

Aplicando a 2ª Lei de Kirchoff para as tensões no sentido horário ao longo da malha dada
pela Figura 4, obtemos:
𝑉𝐶𝐸 + 𝑅𝐶 𝐼𝐶 − 𝑉𝐶𝐶 (7)

Logo
𝑉𝐶𝐸 = 𝑉𝐶𝐶 − 𝑅𝐶 𝐼𝐶 (8)

Tenha em mente que os valores de tensão como VCE são determinados colocando-se a
ponta de prova vermelha (positiva) do voltímetro no coletor e, a ponta de prova preta (negativa)
no emissor, como mostrado na Figura 5.

Figura 5 – Medição de VCE

Para a medição da corrente de base IB pode ser feita de maneira indireta, como mostra a
Figura 6. Mede-se a diferença de potencial entre os terminais do resistor da base RB depois divide-
se pelo valor da resistência de base RB, ou seja,
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𝑉𝑅𝐵
𝐼𝐵 = (9)
𝑅𝐵

De maneira análoga para determinação da corrente IC toma-se a ddp nos terminais do


resistor RC e divide pelo valor da resistência

Figura 6 – Medição das correntes IB e IC

Exemplo 1
Determine, para a configuração fixa da Figura 7, o seguinte:
a) IBQ e ICQ
b) VCEQ
c) VB e VC
d) VBC

Figura 7 – Exemplo de circuito de polarização CC fixa.

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4.3.3 – Saturação do Transistor


O termo saturação é aplicado a qualquer sistema em que os níveis alcançaram seus valores
máximos.

Um ponto de operação na região de saturação é representado na Figura 8. Observe que


ele se encontra em uma região em que as curvas características se agrupam, e a tensão coletor-
emissor tem um valor menor ou igual a VCEsat. Além disso, a corrente de coletor é relativamente
alta nas curvas características.

Figura 8 – Ponto de operação na região de saturação

A corrente de saturação resultante para a configuração com polarização fixa é dada por:
𝑉𝐶𝐶
𝐼𝐶𝑠𝑎𝑡 = (10)
𝑅𝐶

4.3.4 – Análise por Reta de Carga


Agora investigaremos como os parâmetros do circuito definem a faixa possível de pontos
quiescente (Q) e, como o ponto Q é determinado. O circuito da Figura 9 estabelece uma equação
de saída que relaciona as variáveis IC de VCE do seguinte modo:

𝑉𝐶𝐸 = 𝑉𝐶𝐶 − 𝐼𝐶 𝑅𝐶 (11)

Figura 9 – Circuito para análise da reta de carga

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Agora devemos sobrepor a Equação 11 sobre as curvas características, como ilustra a
Figura 10. Dois pontos são necessários para definir uma reta, neste caso da Equação 11, faz-se
primeiramente IC igual a zero e define VCE. Em seguida, faz-se VCE = 0 e determina ICsat.

𝑉𝐶𝐸 = 𝑉𝐶𝐶 |𝐼𝐶=0 𝑚𝐴 (12)

𝑉𝐶𝐶
𝐼𝐶 𝑠𝑎𝑡 = |𝑉𝐶𝐸 𝑠𝑎𝑡=0 (13)
𝑅𝐶

Figura 10 – Reta de carga para a polarização fixa

Exemplo 2
Dados a reta de carga da Figura 11 e o ponto Q definido, determine os valores necessários
de VCC, RC e RB para um circuito de polarização fixa.

Figura 11 – Exemplo de reta de carga com polarização fixa.

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4.4 – Circuito de Polarização Estável do Emissor

O circuito de polarização CC da Figura 12 contém um resistor de emissor para melhorar


o nível de estabilidade da configuração fixa. A análise será feita examinando-se primeiro a malha
base-emissor (comando) e desses resultados será utilizado para investigar a malha coletor-
emissor (potência).

Figura 12 – Circuito de polarização do TBJ com resistor de emissor.

4.4.1 – Malha Base-Emissor

A malha base-emissor do circuito da Figura 12 pode ser redesenhada como mostrado na


Figura 13.

Figura 13 – Malha base-emissor.

A aplicação da lei das tensões de Kirchoff ao longo da malha indicada, no sentido horário,
resulta na equação:

+𝑉𝑐𝑐 − 𝐼𝐵 𝑅𝐵 − 𝑉𝐵𝐸 − 𝐼𝐸 𝑅𝐸 = 0 (14)

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Mas
𝐼𝐸 = (𝛽 + 1)𝐼𝐵 (15)

A substituição de IE na Equação (14) resulta em:

+𝑉𝑐𝑐 − 𝐼𝐵 𝑅𝐵 − 𝑉𝐵𝐸 − (𝛽 + 1)𝐼𝐵 𝑅𝐸 = 0 (16)

Daí tira-se o valor de IB

𝑉𝐶𝐶 − 𝑉𝐵𝐸
𝐼𝐵 = (17)
𝑅𝐵 + (𝛽 + 1)𝑅𝐸

4.4.2 – Malha Coletor-Emissor

A malha coletor-emissor está redesenhada na Figura 14. Utilizando a 2ª Lei de Kirchoff


na malha indicada, no sentido horário, resulta em:

𝐼𝐸 𝑅𝐸 + 𝑉𝐶𝐸 + 𝐼𝐶 𝑅𝐶 − 𝑉𝐶𝐶 = 0 (18)

Figura 14 – Malha coletor-emissor

Como 𝐼𝐸 ≅ 𝐼𝐶 , obtém-se

𝑉𝐶𝐸 = 𝑉𝐶𝐶 − 𝐼𝐶 (𝑅𝐶 + 𝑅𝐸 ) (19)

Exemplo 3
Para o circuito de polarização estável do emissor visto na Figura 15, determine:
a) IB
b) IC
c) VCE
d) VC
e) VE
f) VB
g) VBC

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Figura 15 – Circuito de polarização estável de emissor

4.5 – Polarização por Divisor de Tensão

Nas configurações anteriores, a corrente ICQ e a tensão VCEQ eram em função do ganho
de corrente (β). No entanto o β também é função da temperatura, daí os valores de polarização
podem ser alterados.

Na polarização por divisor de tensão há uma compensação do efeito da temperatura, da


seguinte maneira: se a temperatura aumenta, a corrente IC também aumenta, então tende a
aumentar a queda de tensão na resistência RE. No entanto a tensão VB é constante, pois a corrente
IB é desprezível em relação à I1 e I2. Isto faz com a tensão VBE tende a diminuir. Pelas curvas
características de entrada IB versus VBE , se VBE diminui então o valor de IB tende a diminuir
fazendo então a compensação devido ao aumento de temperatura.

A Figura 16 mostra o circuito de polarização por divisor de tensão.

Figura 16 – Polarização por divisor de tensão

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4.5.1 – Análise Aproximada
Para este tipo de polarização faremos apenas pela análise aproximada, pois chega-se a
valores bem próximos dos pontos de operação projetados. Para esta análise aproximada vamos
representar o circuito da Figura 17.

Figura 17 – Circuito parcial de polarização para o cálculo da tensão aproximada de base VB

A resistência Ri é a resistência equivalente entre a base e o GND, para o transistor com


um resistor de emissor RE. Se Ri for muito maior do que a resistência R2, a corrente IB será muito
menor do que I2, e I2 será praticamente igual a I1. Se aceitarmos a possibilidade de que IB é
praticamente zero em relação a I1 e I2, então os resistores R1 e R2 podem ser considerados em
série.
Então a tensão VB é a tensão de base pode ser determinada pela regra do divisor de tensão,
ou seja:
𝑅2 𝑉𝐶𝐶
𝑉𝐵 = (20)
𝑅1 + 𝑅2

Como 𝑅𝑖 = (𝛽 + 1)𝑅𝐸 ≅ 𝛽𝑅𝐸 , a condição que define se o método aproximado pode


ser aplicado é a seguinte:

𝛽𝑅𝐸 ≥ 10 𝑅2 (21)

Em outras palavras, se o valor de β multiplicado por RE for no mínimo 10 vezes maior do


que o valor de R2, o método aproximado pode ser aplicado com alto grau de precisão nos
resultados.
Uma vez que VB está determinado, o valor de VE pode ser calculado a partir de:

𝑉𝐸 = 𝑉𝐵 − 𝑉𝐵𝐸 (22)

E a corrente de emissor pode ser determinada de:

𝑉𝐸
𝐼𝐸 = (23)
𝑅𝐸

E
𝐼𝐶𝑄 ≅ 𝐼𝐸 (24)

Logo a tensão VCE pode ser dada por:

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𝑉𝐶𝐸𝑄 = 𝑉𝐶𝐶 − 𝐼𝐶 (𝑅𝐶 + 𝑅𝐸 ) (25)

Exemplo 4
Dado o circuito da Figura 18 e, utilizando a técnica da análise aproximada determine:
a) ICQ
b) VCEQ

Figura 18 – (4.31) Circuito de polarização por divisor de tensão

4.6 – Polarização CC com Realimentação de Coletor

Podemos obter uma melhoria na estabilidade do circuito introduzindo uma realimentação


de coletor e base, como mostra a Figura 19. Como sempre a análise feita analisando inicialmente
a malha base-emissor e desses resultados aplica-se à malha coletor-emissor.

Figura 19 – Circuito de polarização CC com realimentação de coletor

4.6.1 – Malha Base-Emissor

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A Figura 20 mostra a malha base-emissor. Utilizando a 2ª Lei de Kirchoff, no sentido
horário obtém-se:

+𝑉𝑐𝑐 − 𝐼𝐶 𝑅𝐶 − 𝐼𝐵 𝑅𝐵 − 𝑉𝐵𝐸 − 𝐼𝐸 𝑅𝐸 = 0 (26)

Figura 20 – Malha base-emissor para o circuito da Figura 19.

Daí retira-se o valor de IB:

𝑉𝐶𝐶 − 𝑉𝐵𝐸
𝐼𝐵 = (27)
𝑅𝐵 + 𝛽(𝑅𝐶 + 𝑅𝐸 )

4.6.2 – Malha Coletor-Emissor


A malha coletor-emissor para o circuito da Figura 19 é mostrada na Figura 21.

Figura 21 – Malha coletor-emissor para o circuito da Figura 19.

Aplicando-se a 2ª Lei de Kirchoff no sentido horário obtém-se:

𝐼𝐸 𝑅𝐸 + 𝑉𝐶𝐸 + 𝐼𝐶 𝑅𝐶 − 𝑉𝐶𝐶 = 0 (28)

Como I’C ≡ IC e IE ≡ IC, temos

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𝑉𝐶𝐸𝑄 = 𝑉𝐶𝐶 − 𝐼𝐶 (𝑅𝐶 + 𝑅𝐸 ) (29)

Exemplo 5
Determine os valores de ICQ e VCE para o circuito da Figura 22.

Figura 22 – Circuito de polarização por realimentação de coletor

4.7 – Configuração Seguidor de Emissor

Neste tipo de configuração veremos na análise no modo CA que a tensão de saída está
em fase com a tensão de entrada, por isso o nome seguidor de emissor.

O equacionamento para se determinar as tensões e correntes de polarização seguem o


mesmo procedimento até aqui visto, para os casos anteriores.

Vamos tomar como exemplo o circuito da Figura 23. Para a análise CC o coletor está
aterrado e a tensão da fonte está aplicada ao terminal de emissor.

Figura 23 – Configuração coletor-comum ou seguidor de emissor.

Para o circuito de entrada resulta em:

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𝑉𝐸𝐸 − 𝑉𝐵𝐸
𝐼𝐵 = (30)
𝑅𝐵 + (𝛽 + 1)𝑅𝐸

Para o circuito de saída tem-se:

𝑉𝐶𝐸 = 𝑉𝐸𝐸 − 𝐼𝐸 𝑅𝐸 (31)

4.8 – Configuração Base-Comum

Nesta situação vamos determinar primeiramente o valor de IE em lugar de IB. Então o


malha de emissor é a responsável pelo circuito de comando, enquanto que a malha de coletor
corresponde ao circuito de saída.

A Figura 24 mostra o transistor na configuração base-comum. É importante lembrar que


nesta configuração a corrente de coletor é igual a corrente de emissor, como visto anteriormente
nas curvas características de saída.

Figura 24 – Configuração base-comum

O circuito de entrada fornece a corrente de emissor – IE.

𝑉𝐸𝐸 − 𝑉𝐵𝐸
𝐼𝐸 = (32)
𝑅𝐸

O circuito de saída tem-se a tensão VCB

𝑉𝐶𝐵 = 𝑉𝐶𝐶 − 𝑅𝐶 𝐼𝐶 (33)

4.9 – Circuitos de Fonte de Corrente Constante

Se imaginarmos que as características de um transistor são como mostradas na Figura 25


(com β constante), uma excelente fonte de corrente pode ser criada utilizando-se a configuração
simples da Figura 26. Pois não importando qual seja a resistência de carga, a corrente de coletor
ou da carga permanecerá a mesma como mostra a Figura 27.

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Figura 25

Figura 27
Figura 26

A corrente de carga na Figura 27 é fixa e, não importa onde se localize a reta, a corrente
de coletor permanecerá a mesma. Em outras palavras, a corrente de coletor independe da carga
ligada ao circuito de coletor, portanto a corrente é uma perfeita fonte de corrente.

4.10 – Transistor PNP

Até aqui todos os circuitos foram utilizados transistores NPN. Para os transistores PNP
seguem-se os mesmos procedimentos, ou seja, determina-se inicialmente a corrente de base IB e
depois as variáveis de saída VCE. A única coisa que muda é o sinal associado às quantidades
específicas.

Por exemplo, o circuito da Figura 28, a corrente IB é dada por:

𝑉𝐶𝐶 + 𝑉𝐵𝐸
𝐼𝐵 = (34)
𝑅𝐵 + (𝛽 + 1) 𝑅𝐸

Para o circuito de saída, a tensão VCE é:

𝑉𝐶𝐸 = −𝑉𝐶𝐶 + 𝐼𝐶 (𝑅𝐶 + 𝑅𝐸 ) (35)

Figura 28 – Transistor PNP na configuração de polarização estável do emissor

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4.11 – Circuitos de Chaveamento com Transistor

Todos os transistores bipolares apresentam um hFE (relação IC/IB dado pelo fabricante ou
medido pelo multímetro digital) que varia na faixa de 20 a 1000.

Se β (relação IC/IB estipulado pelo projetista do circuito) fixar um valor de β menor do


que hFE isto garantirá que o transistor estará operando na região de saturação (chave fechada).

Portanto, para garantir que o transistor opere com chaveamento pode ser adotado:

𝛽 = 10 (36)

Vamos utilizar um transistor como acionador de um relé. Sem uma entrada na base do
transistor a corrente de base, a corrente de coletor e a corrente na bobina do relé se mantém no
estado desligado. No entanto quando for aplicado um pulso positivo na base, o transistor é ligado
e, estabelece uma corrente suficiente para acionar o relé.

Porém pode estabelecer problemas quando o sinal de base for removido. Isto porque a
abertura do transistor pode estabelecer uma tensão nos terminais da bobina de valor elevado:

𝑑𝑖
𝑣𝐿 = 𝐿 (37)
𝑑𝑡

Esta tensão pode ser de valor elevado que supere o VCEO do transistor, podendo ocorrer
até a queima do transistor. Para minimizar este efeito é colocado um diodo em paralelo com a
bobina do relé. Ele tem a função de descarregar a energia armazenada na bobina, descarregando
esta energia na resistência interna do diodo e do enrolamento da bobina.

A Figura 29 mostra a colocação do diodo, fazendo o papel de um diodo de roda-livre.


Este diodo deve suportar uma corrente igual à da bobina do relé, quando a mesma está energizada.

Figura 29 – Acionamento de um relé com o diodo de roda livre

4.12 – Projeto de uma Fonte Linear

Este projeto tem como finalidade dimensionar os componentes eletrônicos para a


implementação de uma fonte de potência linear que, por sua vez, irá alimentar o projeto
eletrônico de alarme, temporizador, iluminação, sonorização, etc.

Na Figura 30 é mostrado um diagrama de blocos contendo os estágios de uma fonte de


tensão típica e a forma de onda nos vários pontos do circuito.

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Figura 30 – Diagrama de blocos mostrando os estágios de uma fonte de tensão linear

A tensão de entrada, para o estado de Goiás, é 220 V / 60 Hz. A principal finalidade do


transformador é isolar o circuito da rede do circuito eletrônico e, como segunda finalidade é
abaixar a tensão a níveis compatíveis com o circuito eletrônico.

Diodos retificadores são introduzidos após o transformador que têm a finalidade de


converter a energia CA em uma energia CC pulsante.

Para tornar a tensão mais contínua são colocados capacitores para filtrar a tensão na saída
do retificador. A ondulação (ripple) de tensão será tanto menor quanto maior forem os valores
dos capacitores. Entretanto, deve-se quanto maior o capacitor maior será a corrente de surto
podendo inclusive danificar os diodos do retificador.

O circuito regulador de tensão pode ser constituído de diodo zener ou até mesmo circuitos
integrados reguladores de tensão. Ele pode utilizar essa entrada CC para produzir uma tensão CC
que não só tem menos ondulação (ripple), como ainda mantém constante o valor da tensão de
saída, mesmo com variações de tensão na entrada ou na carga a ele conectado.

Ainda na saída do regulador de tensão são colocados mais capacitores para filtrar os
ruídos oriundos da carga.

No final temos a carga cujos parâmetros são importantes para a devida especificação da
fonte linear de potência, e dimensionamento dos componentes que compõe a fonte.

A seguir, são introduzidos os equacionamentos para determinação dos componentes


eletrônicos que compõe a fonte.

4.12.1 – Transformador abaixador

Considerando o transformador ideal, a seguinte relação é válida: “a potência do primário


é igual à potência do secundário”.

𝑃1 = 𝑃2 (38)

Daí pode-se dizer que:

𝑉1 𝐼1 = 𝑉2 𝐼2 (39)

A partir da corrente do secundário I2 é que teremos a corrente na carga e, da relação de


transformação de tensão V1/V2 podemos dimensionar o fusível no lado primário.

4.12.2 – Retificador

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Os diodos da ponte retificadora ou do retificador com derivação central serão
dimensionados em função da corrente da carga. Como já dito anteriormente dois parâmetros são
de suma importância no dimensionamento dos diodos – IF e VR.

𝐼𝐹 ≥ 𝐼𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 (40)

Isto porque cada diodo contribui para 50 % da corrente da carga, portanto está se usando
um fator de segurança igual a 2. Onde VPIV representa o pico da tensão do secundário do
transformador.

𝑉𝑅 ≥ 𝑉𝑃𝐼𝑉 (𝑝𝑜𝑛𝑡𝑒) (41)

𝑉𝑅 ≥ 2 𝑉𝑃𝐼𝑉 (𝑑𝑒𝑟𝑖𝑣𝑎çã𝑜 𝑐𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑙) (42)

4.12.3 – Filtro a capacitor de entrada

O capacitor tem como finalidade filtrar a tensão de saída do retificador de maneira a ficar
a mais contínua possível. A Figura 31, como fica a forma de onda depois de introduzido o
capacitor como filtro de tensão.

Figura 31 – Tensão filtrada, com a introdução de capacitor

A equação que fornece o valor do capacitor de filtro de baixa frequência é dada por:

2,4 𝐼𝐶𝐶
𝐶1 = (43)
𝑟 𝑉𝐶𝐶

Onde: ICC corrente contínua que corresponde ao mesmo valor da corrente da carga, r representa
o fator de ondulação (ripple) que é da ordem de 0,05 (cinco por cento) e, VCC representa a tensão
no barramento CC antes do transistor, que é o mesmo valor de pico da tensão do secundário do
transformador.

O capacitor C2 serve como um filtro de ruídos de alta frequência de entrada. O seu valor
pode ser estipulado na faixa de 330 nF até 1 μF e, são de poliéster.

4.12.4 – Regulador de tensão

O circuito regulador de tensão corresponde ao diodo zener, transistor de potência e o


resistor em série com o diodo zener para limitar a corrente no mesmo.

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Para dimensionar o diodo zener é preciso saber qual o nível de tensão de saída - VO que
nós queremos. Como mostra o circuito da Figura 32, a tensão de zener deve ser dada pela soma
da tensão de saída mais VBE do transistor.

Figura 32 – Circuito regulador de tensão a diodo zener

Assim o diodo zener deve ser dado por:

𝑉𝑍 = 𝑉𝑂 + 𝑉𝐵𝐸 (44)

Para dimensionar o resistor R1, deve-se escolher uma corrente que passe por ele esteja
entre os valores de IZmín e IZmáx. Logo, a corrente que passa pelo resistor R1 pode-se dizer que é
a mesma que passa sobre o diodo zener, visto que a corrente de base do transistor de potência
pode ser considerada desprezível em comparação com IZ.

𝐼𝑍𝑚í𝑛 + 𝐼𝑍𝑚á𝑥
𝐼𝑍 = (45)
2

Logo
𝑉𝐶𝐶 − 𝑉𝑍
𝑅1 = (46)
𝐼𝑍

Para especificar o transistor de potência deve-se preocupar com a corrente máxima que
ele suporta. Para isto vamos utilizar um fator de segurança igual a “4”. Então a corrente de coletor
deve ser igual a pelo menos quatro vezes a corrente da carga, já que toda corrente de carga passa
pelo coletor do transistor.

𝐼𝐶 ≥ 4 𝐼𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 (47)

A tensão VCEO do transistor deve ser maior do que a tensão de pico do secundário do
transformador, ou seja:

𝑉𝐶𝐸𝑂 = 𝑉𝑃𝐼𝑉 (48)

4.12.5 – Filtro a capacitor de saída

Geralmente este capacitor é a metade do valor de capacitância do filtro de entrada,


portanto:

𝐶3 ≅ 0,5 𝐶1 (49)

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Por outro lado o capacitor C4 também funciona como um filtro de ruído de saída, e o seu
valor é dado por:

𝐶4 ≅ 0,5 𝐶2 (50)

4.12.6 – Led de sinalização

Para dimensionar o resistor R2 para limitar a corrente no led, vamos considerar


inicialmente que a corrente nominal do led seja de 20 mA e a queda de tensão no led, quando em
condução, é 2,0 V. Então R2 é dado por:

𝑉𝑂 − 𝑉𝑙𝑒𝑑
𝑅2 = (51)
𝐼𝑙𝑒𝑑

4.12.7 – Diagrama esquemático geral da fonte linear

A Figura 33 apresenta um diagrama geral da fonte linear, com diodo zener, como
regulador de tensão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. BOYLESTAD, Robert L. – Dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos, 8ª ed. São


Paulo: Prentice Hall, 2004.

2. BOGART Jr, Theodore F. – Dispositivos e circuitos eletrônicos Vol. 1. São Paulo:


Makron Books, 2001.

3. MALVINO, Albert Paul – Eletrônica: Volume 1 – 4ª ed. São Paulo: Pearson Makron
Books, 1997.

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