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Felipe Almeida Biguzzi

Iniciação a Pesquisa Filosófica

Atividade 2: Apresentação das 2 primeiras meditações de Descartes

Descartes apresenta uma tese fundamentalista, onde a metafísica serve de comum


para sustentar a física e as demais ciências. Assim, a elaboração e sistematização de conceitos
metafísicos assumem uma posição chave, pois sem elas toda a construção do conhecimento
ficaria sem fundamentação. Estaria solto e portanto incompleto e passível de recorrentes e
infindáveis revisões. Dessa forma, as Meditações de Descartes apresentam uma posposta
epistemológica de análise e para o desenvolvimento da metafísica.

Descartes viveu numa época de crescente questionamento do criacionismo e da fé


cristã. Somado a isso está o cartesianismo como característica específica do autor. Como
resultado o autor discorre uma tentativa de provar a existência de Deus de modo cartesiano.
Dessa forma, se inicia o processo de separação entre a filosofia e a teologia ao buscar
fundamentos cartesianos para a metafísica, no entanto, aparentemente, não era essa a
principal intenção do autor. Ao meu ver, Descartes vivenciava o dilema entre fé e
fundamentalismo científico e tentou, através das Meditações, harmonizar esse dois conceitos.
Suas ideias forma criticadas por alguns que há viram como ameaça à fé cristã, outros
interpretaram como uma ressignificação ontológica, mas sem perder de foco a fé cristã, e por
fim alguns a viram mais especificamente pelo espectro filosófico.

O autor utiliza a metodologia do ceticismo metódico para negar, ainda que


provisoriamente, todo conhecimento até então edificado e toda certeza concebida. Na
primeira e segunda medição ele estabelece as únicas certezas indubitáveis, ou seja, resistentes
a toda e qualquer dúvida, sendo: "eu sou eu existo" em todo momento que se afirma tal dizer,
e "eu sou algo que pensa" anda que se possa ser enganado em relação a tudo que se pensa.
Essas foram as certezas indubitáveis aos quais o autor se utiliza para desenvolver o caminho
que prova a existência de Deus, a regra da clareza e distinção e o retorno às coisas extensas.
Dessa forma, o autor constrói um caminho lógico para percorrer o campo metafísico que é
capaz, segundo o autor, de fundamentar e sustentar os conhecimentos físicos e as demais
ciências.

A veracidade da sua teoria foi bastante questionada e ainda é debatida atualmente.


Independente do sucesso ou fracasso de sua argumentação Descartes realizou importantes
contribuições no que diz respeito a distinção entre filosofia e teologia. Até hoje, as ciências
atuais, fundamentalistas ou não, desenvolvem metodologias e buscam relações lógicas, ainda
que a partir de axiomas, para embasar e desenvolver o conhecimento. A própria filosofia adota
a lógica como princípio fundamental em seus debates e na construção do conhecimento
filosófico. Por fim, questões como a necessidade de uma teoria fundamentalista e o debate
metafísico continuam em aberto, e sendo discutidos atualmente, reforçando a importância e a
substancialidade dos textos de Descartes para sua época e para os tempos atuais.