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Pobreza e Desigualdades

Universidade do Algarve - Faculdade de Economia

Economia Portuguesa e Europeia

2018 – 2019
Pobreza e Desigualdades

Pobreza e Desigualdades
Universidade do Algarve - Faculdade de Economia

Economia Portuguesa e Europeia

2018 - 2019

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

Eduardo Miguel Silva Garcia -a61971@ualg.pt – nº61971


Mariana Lopes Lains Rodrigues - a61326@ualg.pt - nº 61326

Resumo: Este trabalho pretende inquirir os principais aspetos da pobreza, tanto da


pobreza relativa como da pobreza absoluta, assim como das desigualdades. Ao longo dos
últimos tempos, Portugal apresentou uma grande desigualdade na distribuição do
rendimento e elevados níveis de pobreza. Temos como principal objetivo expor a
evolução destas duas temáticas e, acima de tudo, demonstrar a situação atual das mesmas,
tanto a nível europeu como a nível nacional.

De modo a complementar a informação do presente trabalho, recorremos a fontes


pertencentes ao PORDATA, referentes ao intervalo de tempo entre 1994 e 2017. Estas
destacam algumas variáveis de medição das desigualdades e da pobreza, nomeadamente
o índice de Gini, a desigualdade na distribuição de rendimentos, o limiar de pobreza e a
taxa de intensidade de pobreza.

Recentemente, Portugal e a União Europeia criaram políticas públicas que


pretendem alcançar uma maior equidade social e um melhoramento do crescimento do
país a nível económico e social, sendo que a principal finalidade destas medidas é o
combate e a supressão dos elevados valores de desigualdades e de pobreza. As políticas
económicas têm uma grande capacidade de alterar estes níveis, no entanto, quando não
são aplicadas com rigor os resultados não são notáveis. Apesar de se notar algumas
melhorias a nível nacional, é importante que não se ignore o facto de que Portugal
continua a apresentar grandes assimetrias socias e altos níveis de pobreza, sendo a nossa
contribuição essencial para que estes valores se alterem positivamente no futuro.

Palavras-chaves: Desigualdades, Pobreza e Políticas Públicas.

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

Índice

Introdução ................................................................................................................... 5

A Pobreza e as Desigualdades ..................................................................................... 7

Variáveis de Medição das Desigualdades e da Pobreza ........................................... 11

Índice de Gini na União Europeia e em Portugal ...................................................... 11

Desigualdade na distribuição do rendimento na União Europeia e em Portugal ........ 11

Limiar de risco da pobreza na União Europeia e em Portugal ................................... 12

Taxa de Intensidade da pobreza na União Europeia e em Portugal ........................... 13

Conclusão e Implicações para Políticas Económicas e Sociais ................................ 14

Anexos ....................................................................................................................... 16

Despesas médias de consumo final das famílias: total e por tipo de bens e serviços. 16

Emigrantes .............................................................................................................. 17

Desemprego ............................................................................................................ 17

Rendimentos médios por setor de atividade ............................................................. 18

Análise por regiões .................................................................................................... 19

Desigualdade Regional em Portugal ........................................................................ 19

Risco de pobreza ..................................................................................................... 20

Referências Bibliográficas ........................................................................................ 22

Apêndices .................................................................................................................. 24

Desigualdade Salarial entre Mulheres e Homens ...................................................... 24

Inquérito .................................................................................................................. 25

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

Pobreza e Desigualdades
Portugal e a União Europeia

Introdução
Este trabalho foi proposto na disciplina de Economia Portuguesa e Europeia, em
que iremos abordar a Pobreza e as Desigualdades, mais concretamente as suas definições,
explicando alguns tipos de pobreza de forma generalizada, no qual escolhemos retratar a
pobreza absoluta e a pobreza relativa, as suas causas e consequências e, também, a
evolução da desigualdade ao longo dos anos.

Será Portugal um país pobre e desigual?

Através de dados estatísticos pesquisados no site oficial do PORDATA,


pretendemos esclarecer eventuais dúvidas que possam surgir em relação aos elevados
níveis de pobreza e de desigualdades presentes no nosso país. Para tal, procedemos a um
estudo de diversos rácios e indicadores, como é o caso da distribuição do rendimento, do
coeficiente de Gini, do limiar da pobreza e da taxa de intensidade da pobreza, a nível
nacional e europeu, com as suas bases de dados desde 1994 até 2017. De modo a
conseguirmos ser mais concisos ao longo do trabalho, efetuámos uma análise
pormenorizada e precisa no que diz respeito a estes dois fenómenos.

Referimos medidas económicas implementadas em Portugal e na Europa, que têm


como objetivo prevenir e minimizar os elevados níveis de pobreza e as assimetrias sociais,
onde verificamos que os resultados tendem a ser positivos sobre a evolução recente dos
indicadores de pobreza e de desigualdade económica.

Para complementar o nosso trabalho, realizámos uma pesquisa mais aprofundada


onde vemos algumas das consequências presentes em Portugal devido a estes fenómenos,
como o baixo consumo das famílias, a forte emigração e o elevado desemprego. No
entanto, quisemos ainda fazer uma análise a nível das NUTS II, para evidenciarmos onde
se encontra mais presente a pobreza e as desigualdades no nosso país.

Por último, lançamos um desafio a diversas pessoas com a elaboração de um


questionário que nos permitiu perceber e avaliar o conhecimento de cada individuo acerca
deste assunto que, muitas das vezes, passa por despercebido e que está presente em muitas
casas e em muitas famílias portuguesas. Este inquérito não serve apenas para analisar o

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Pobreza e Desigualdades

pensamento da nossa população, mas também para promover e alertar a sociedade que a
pobreza e as desigualdades estão presentes em Portugal e que, apesar de sermos um país
pequeno, a maioria das pessoas passam por necessidades.

Optamos por este tema porque são dois fenómenos que se podem encontram ao
“virar da esquina”, fazendo-nos despertar uma curiosidade acrescida e que nos permite
refletir mais acerca deste assunto que atualmente, apesar de ter vindo a diminuir, ainda
tem um grande impacto na nossa sociedade.

Será que daqui a 20 anos Portugal continuará a ser um país com uma taxa de
pobreza e um nível de Desigualdade elevado?

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Pobreza e Desigualdades

A Pobreza e as Desigualdades
A pobreza é uma carência económica, que está caraterizada pela redução de
escolhas, de recursos, de segurança e entre outros. Está associado ao custo de
oportunidade, pois leva-nos a abdicar de um determinado bem para a aquisição de outro,
pois como as pessoas tem menos possibilidades são forçadas a fazê-lo. Com isto
conseguimos distinguir a pobreza em dois tipos, a Pobreza Relativa e a Pobreza Absoluta.

A Pobreza Relativa está presente quando uma pessoa, consoante o seu


rendimento, tem de se esforçar para alcançar uma vida normal, de modo a conseguir
participar nas atividades económicas, sociais e culturais. Podemos encontrar com maior
frequência em Portugal e na Europa, sendo que esta pobreza difere de país para país,
consoante o estilo de vida de cada um.

O outro tipo de pobreza é a pobreza Absoluta, que também pode ser designada
por extrema, e ocorre quando um individuo não consegue satisfazer as suas necessidades
essenciais à sobrevivência humana. Está maioritariamente presente nos países em
desenvolvimento, sendo que também é visível na União Europeia e em Portugal com
menor frequência, como é o exemplo da existência dos sem-abrigos.

A pobreza é mais evidente nas classes etárias jovens quando estes pretendem
iniciar a sua atividade económica, pois no período de crise que Portugal atravessou,
muitos jovens licenciados não conseguiram encontrar empregos, dificultando assim a
saída da casa dos pais, uma vez que não tinham condições para começar uma vida
independente. Outra classe, onde se verifica uma grande percentagem de pobreza é a
idosa, devido aos seus subsídios serem irrisórios e não serem capazes de satisfazer as
principais necessidades.

“Toda a pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua


família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados
médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de
desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de
subsistência fora de seu controle.”

(Artigo XXV / Declaração Universal Dos Direitos Humanos)

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As principais causas:

• Fatores económicos; Ex. Falta de dinheiro; desemprego; salários baixos;


• Fatores Naturais; Ex. desastres naturais;
• Fatores políticos; Ex: Corrupção, falta de igualdade de oportunidades.
• Fatores socioculturais; Ex: Reduzida instrução, discriminação social relativa ao
género ou á raça, exclusão social.
• Fatores Históricos; Ex. Colonialismo, passado de autoritarismo político.
• Problemas de Saúde; Ex. Adição de drogas ou alcoolismo, doenças mentais,
deficiências físicas.
As principais consequências:

• Baixa Esperança de vida;


• Falta de condições;
• Emigração;
• Existência de discriminação social contra grupos vulneráveis;
• Maiores riscos de instabilidade política e violência;
• Diminuição do poder de compra/despesas;
• Fome;
• Difícil acesso à educação, à saúde e necessidades básicas;
• Entre outros.

Quando falamos de pobreza é inevitável falar da exclusão social. A exclusão social


consiste na discriminação e num distanciamento da sociedade em relação a um individuo
ou grupo que esteja numa situação desfavorável ou a passar por alguma dificuldade.
Normalmente este fenômeno impede o individuo ou grupo de interagir na vida económica
e/ou social quando o seu acesso ao rendimento é de tal modo insuficiente que não lhe
permite usufruir de um nível de vida considerado aceitável pela sociedade em que vive.
Outro conceito ligado a este é o de desigualdade: a desigualdade é um fenómeno
bastante visível e atual nos dias de hoje e consiste na discrepância e irregularidade nas
questões sociais e no acesso ao mesmo estilo de vida, e tem como consequência limitar
ou prejudicar um individuo de um determinado grupo, classe ou círculo social.

As desigualdades não se verificam apenas no nível do rendimento, mas também no


acesso ao emprego, à escolarização completa, ao habitat qualificado e à própria
participação cívica.

Alguns estudiosos afirmam que o crescimento da desigualdade económica começou


com o aparecimento do capitalismo, pois os indivíduos mais ricos conseguiam concentrar

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mais dinheiro com a acumulação de capital, enquanto os mais pobres ficavam cada vez
mais pobres.

As principais causas:

• Má distribuição do rendimento;
• Concentração de riqueza;
• Falta de oportunidade de trabalho;
• Corrupção;
• Má administração dos recursos;
• Entre outros.

As principais consequências:

• Fome, desnutrição e mortalidade infantil,


• Aumento das taxas de desemprego
• Grandes diferenças entre as classes sociais
• Marginalização de parte da sociedade
• Atraso no progresso da economia do país
• Aumento dos índices de violência e criminalidade
Estes dois fenómenos têm um grande impacto ao nível do crescimento económico e
do desenvolvimento do nosso país. A pobreza e as desigualdades são a prova viva de que
existe um atraso no progresso da economia, devido ao facto de a sociedade apresentar
grandes assimetrias sociais e uma elevada taxa de pobreza. Os indivíduos com menos
possibilidades não têm tanta facilidade no acesso ao meio económico pois não conseguem
interagir ou mesmo investir, de modo a criar novos empregos e oportunidades.

Os aspetos anteriormente mencionados originam uma perda do poder de compra, pois


um individuo opta apenas por comprar o que lhe é essencial à vida e, muitas vezes, devido
a terem menos posses optam por produtos estrangeiros, uma vez que são mais baratos do
que os produtos internos. As empresas nacionais são prejudicadas e acabam por agravar
a situação económica Portuguesa, já que não se consegue expandir os nossos mercados,
chegando a situações mais drásticas, como por exemplo, a falência das mesmas.

Uma das grandes consequências da pobreza e das desigualdades, é a emigração. Esta


coloca o nosso país com uma alta taxa de perda de população ativa, uma vez que as
pessoas vão em busca de novos trabalhos e chances de progredir na sua carreira
profissional no exterior.

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O que também temos de ter em conta é o facto de estes fenómenos proporcionarem


um país mais perigoso e darem origem a um maior número de criminalidade, o que
influencia diversos setores de atividade no nosso país, como por exemplo, as superfícies
comercias, pois motiva as pessoas à opção de furto, uma vez que não têm possibilidade
de adquirir, e quando chega a situações mais drásticas, pode até mesmo levar á
marginalização, e como tal influência a maneira como os indivíduos estrangeiros olham
para Portugal, afetando assim o turismo, que é um dos setores mais importantes e
influentes para gerar receitas.

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Variáveis de Medição das Desigualdades e da Pobreza

Índice de Gini na União Europeia e em Portugal

O coeficiente de Gini mede o quão desigual é a distribuição de rendimentos entre as


pessoas, numa escala entre o mínimo de 0 e o máximo de 100. Quanto mais perto do zero,
menos desigual.

Verifica-se nos dois gráficos abaixo que o Índice de Gini apresenta algumas
melhorias ao longo do tempo, desde 1995 até 2017, passando de 37 para 33,5,
respetivamente. Ao longo da reta do gráfico 1, Portugal tem vindo a reduzir o índice de
Gini, sendo que a partir dos anos 2008 teve uma ligeira subida, devido à crise financeira
que o nosso país foi sujeito. Em 2013, voltamos a ter uma redução até 2017, o que foi
bastante positivo. Com estes resultados, concluímos que Portugal apesar da sua
diminuição ainda se encontra no quinto lugar (5º) na União Europeia, como é visível no
gráfico 2, ou seja, é considerado um dos países com maior discrepância de rendimentos
entre pessoas.

Desigualdade na distribuição do rendimento na União Europeia e em


Portugal
Estes gráficos permitem-nos ver a Desigualdade na distribuição do Rendimento em
Portugal e na União Europeia, nos anos de 1995 e 2017. O indicador de desigualdade na
distribuição do rendimento é definido pelo rácio entre a proporção do rendimento total
recebido pelos 20% da população com maiores rendimentos e a parte do rendimento
recebido pelos 20% de menores rendimentos. Em 1995, o nosso país encontrava-se com
7,4 e em 2017 com um valor de 5,7, logo teve uma melhoria significativa ao longo dos
anos, atingindo o valor mais baixo dos últimos tempos, garantindo assim o oitavo lugar

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(8º) na União Europeia. Portugal, apesar de apresentar uma diminuição é ainda um dos
países mais desiguais da Europa.

Os três países mais desiguais da União Europeia são a Bulgária com 8,2, a Lituânia
com 7,3 e a Espanha com 6,6, em 2017 e os três países menos desiguais são a Finlândia
com 3,5, Eslovénia com 3,4 e a República Checa com 3,4.

Limiar de risco da pobreza na União Europeia e em Portugal

O limiar de risco de pobreza é um indicador que consiste no valor em que se considera


que alguém é pobre. Este indicador não é totalmente fiável, uma vez que é bastante
subjetivo, ou seja, 1 euro pode fazer a diferença entre ser ou não ser considerado pobre.
Devido a este índice não ter em consideração todos os fatores dos indivíduos, como é o
caso dos diferentes estilos de vida, em diferentes cidades ou países, das heranças deixadas
de geração em geração, ou até mesmo a possibilidade de ter acesso a um alojamento de
forma gratuita. Uma pessoa que receba 440 euros e que tenha gratuitamente um
alojamento está em situação de pobreza. No entanto, uma pessoa que receba 468 euros e
que pague 250 euros de alojamento não é considerada pobre, mas a probabilidade de
passar por mais dificuldades é maior do que a do outro individuo que se encontra em
pobreza.

Portugal encontra-se em 17º (decimo sétimo lugar) a nível da União Europeia, ou seja,
é um dos países com menor valor do qual se considera que alguém é pobre.

O limiar de risco de pobreza tem vindo a aumentar constantemente ao longo dos anos,
tendo uma ligeira quebra entre os anos de 2009 e 2012, voltando depois a aumentar até
2017, obtendo um valor de 5.610 euros anualmente, o que significa que um individuo está

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abaixo do limiar de pobreza se tiver menos de 467,5 euros por mês, ou seja,
aproximadamente, 15,37 euros por dia.

Taxa de Intensidade da pobreza na União Europeia e em Portugal

A taxa de intensidade da pobreza consiste no quão distante está o rendimento das


pessoas mais pobres do valor fixado para o limiar de risco de pobreza.

Através dos gráficos presentes a baixo, conseguimos verificar que desde 1995 até
2017, teve ligeiras oscilações, atingindo o ponto mais elevado em 2013, altura em que
Portugal passou pela crise económica que influenciou drasticamente os indivíduos e
famílias, colocando-os em situações mais complicadas e difíceis, pois muitas delas
tinham de viver apenas com o ordenado mínimo ou até menos. Após 2013, o nosso país,
tem vindo a diminuir e a apresentar uma taxa de intensidade da pobreza cada vez mais
baixa, o que nos remete para uma melhoria. A nível da união Europeia, Portugal encontra-
se em sétimo lugar, significando assim que é um dos dez países com uma taxa de pobreza
mais elevada.

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Conclusão e Implicações para Políticas Económicas e Sociais

Devido à Pobreza e às Desigualdades presentes em Portugal é necessário a


implementação de diversas políticas públicas com o objetivo de reduzir e minimizar os
elevados níveis de pobreza e de assimetrias sociais.

As políticas públicas implementadas incidem na recuperação económica e no


combate à pobreza, tendo como principais objetivos promover o emprego e o crescimento
económico para a diminuição do desemprego e reforçar um sistema de proteção social
mais eficiente no apoio aos indivíduos e famílias. Outras medidas implementadas para a
existência de um país com maior equidade foram o estabelecimento de um rendimento
mínimo garantido, um rendimento social de inserção e a reposição de rendimentos
familiares, em particular às famílias monoparentais, numerosas e/ou com menores
vencimentos para a diminuição da desigualdade salarial.

Através da capacidade das políticas económicas e de cada um de nós fazer a


diferença, vamos tentar dar a volta aos dados estatísticos, pois somos a próxima geração
e tudo depende de nós. Com uma boa ação ou um ato voluntário conseguimos ajudar
quem mais precisa e contribuímos assim para um país mais justo e mais solidário.

Apesar dos resultados globalmente positivos sobre a evolução dos indicadores de


pobreza e de desigualdade económica, não nos podemos esquecer que Portugal continua
a ser um país com elevados níveis de pobreza e de desigualdade.

Em Portugal podemos ainda contar com a ajuda de várias associações e de diversas


instituições, como é o caso do Banco Alimentar, da Cruz Vermelha Portuguesa e da
ANAP.

Será que daqui a 20 anos Portugal continuará a ser um país com uma taxa de
pobreza e um nível de Desigualdade elevado?

Esta é uma pergunta que faz levantar várias dúvidas e respostas, pois o futuro é
incerto e o mundo está sempre em desenvolvimento e a cada dia que passa encontra-se
em constante mudança, mas mesmo assim, faz-nos pensar e refletir: “Como será o dia
de amanhã? Será que daqui a 20 anos estes dois fenómenos vão extinguir ou vão ser
mais evidentes? “.

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Pobreza e Desigualdades

A evolução dos gráficos que vimos anteriormente realçam para um forte


melhoramento, uma vez que conseguimos atingir valores bastante positivos e que nunca
se tinham verificado anteriormente. A desigualdade na distribuição do rendimento e a
taxa de intensidade de pobreza, em Portugal, chegaram aos valores mais baixos após a
crise financeira, com 5,7 e 24,5%, respetivamente, o que demonstra que Portugal tem
vindo a diminuir estes dois fenómenos.

Por outro lado, há uma forte pressão na economia, que nos coloca numa indecisão.
Muitos economistas afirmam que a crise financeira não ficou bem resolvida, o que nos
leva a ter um certo receio que estes dois fenómenos voltem a crescer e a prejudicar o
desenvolvimento do nosso país.

Outro aspeto que atualmente é muito evidente é a vinda de refugiados, tanto para
Portugal como para a Europa, isto é, proporciona uma maior discrepância entre os ricos
e os pobres, aumentando a pobreza e também as desigualdades, pois quando os refugiados
emigram para a Europa não tem possibilidades financeiras e vem em busca de novas vidas
e de melhores condições para viver.

Em suma, na nossa opinião, se as medidas anteriormente referidas e a tomada de


novas políticas públicas, ainda mais eficazes, para a diminuição dos aspetos que referimos
anteriormente, Portugal e a Europa, podem seguir um caminho onde a Pobreza e as
desigualdades são cada vez mais raras entre toda a população.

Uma curiosidade sobre Portugal é que, tal como outros 189 países, adotou o
programa chamado Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), onde
define como principal objetivo o desenvolvimento sustentável para 2030. Este
programa incide nos mais diversos assuntos incluindo a pobreza e as
desigualdades, mais especificamente a erradicação da pobreza e da desigualdade
de género. Devido à escala global deste projeto prevê-se a ação de toda a sociedade,
incluindo os governos, as empresas e toda a população.

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Anexos
Despesas médias de consumo final das famílias: total e por tipo de bens
e serviços

Quanto gasta em média, cada agregado familiar, em alimentação, bebidas, vestuário,


habitação, acessórios para o lar, saúde, transportes, comunicações, lazer, educação,
restaurantes ou hotéis, entre outros bens e serviços?

As despesas médias de consumo das famílias tiveram algumas oscilações,


principalmente nos bens que não são essenciais à vida, maioritariamente nos transportes
e telecomunicações, nos bens e serviços diversos e no lazer. No que diz respeito aos bens
essenciais apesar de terem sofrido poucas oscilações, são as despesas que as famílias mais
gastam dinheiro em média, como é o caso da alimentação, habitação e água.

Entre 2008 e 2013, foram os anos mais cruciais para as famílias, pois devido a crise
económica que afetou Portugal, tiveram mais quebra de rendimentos, o que originou uma
diminuição do poder de compra, dificultando as decisões e obrigando as famílias a
definirem prioridades, optando pelo que é mais importante à sua existência.

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Emigrantes

Quantas pessoas saíram do país para viver no estrangeiro?

Neste gráfico verificamos que a partir dos anos 2004/05 houve um aumento muito
significativo de emigrantes ( de Portugal para o exterior), o que nos leva a afirmar que ao
longo da crise que Portugal atravessou, muitas das famílias/indivíduos deixaram de ter
tantas possibilidades e dinheiro para viver, chegando muitas delas ao limiar da pobreza,
optando assim por ir em busca de novas oportunidades, novos empregos e de uma vida
melhor no estrangeiro.

Desemprego

A população desempregada é uma das maiores causas da pobreza e das


desigualdades.

Neste gráfico observamos que desde 2008 até 2014 houve um aumento significativo
de desempregados, o que nos leva a uma comparação com todos os gráficos anteriores
vistos, pois confirma-se o mesmo, ou seja, entre esse tempo, a sociedade atravessou por

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períodos complicados, onde cerca de 900 milhares ficaram desempregadas, o que é um


valor bastante elevado, originando uma elevada taxa de desemprego e elevados valores
de desigualdades.

Rendimentos médios por setor de atividade

Ao longo do decorrer dos anos, o mundo do trabalho tem vindo a enfraquecer e a


incapacitar a modernização dos sectores primários e secundários, como se verifica
através, por exemplo, da linda verde, que expressa a evolução da Agricultura, da produção
animal, da caça, da floresta e da pesca, onde tem ocorrido uma forte redução. Por outro
lado, conseguimos verificar uma forte independência do setor terciário face ao
funcionalismo público e aos serviços pessoais.

No entanto, a partir do ano de 2009, verificamos uma quebra em quase todos os


setores, devido a crise que afetou o mundo do trabalho, com isto constata-se a existência
de salários abaixo da média, tornando os seus trabalhadores num alvo fácil da pobreza e
da exclusão social.

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Pobreza e Desigualdades

Análise por regiões

Em Portugal, estamos perante uma bipolarização e um desenvolvimento mais


evidente no litoral, o que faz com que haja uma maior discrepância de pessoas residentes
no interior e no litoral. A partir da análise de Nuts II conseguimos ter uma melhor
perceção de onde se encontra maior desigualdade e um risco de pobreza mais evidente.

Desigualdade Regional em Portugal


Portugal é constituído por 7 regiões das Nuts II, Norte, Centro, Área Metropolitana
de Lisboa, Alentejo, Algarve, Região Autónoma dos Açores e da Madeira. Estas regiões
são distintas entre si, devido à desigualdade regional presente no turismo, no desemprego,
no PIB Per Capita, no desenvolvimento industrial, nas infraestruturas, entre outros, o que
constitui um forte obstáculo ao desenvolvimento.

Com a grande evolução do turismo e do setor terciário, a região do Algarve e a Área


Metropolitana de Lisboa, atingiram um nível de empregabilidade superior às outras
regiões. No entanto, com a crise que Portugal atravessou, este foi um dos aspetos que
mais influenciou as regiões, não excluindo o Algarve e Lisboa, sendo que foi mais
evidente na região do Norte, pois teve uma maior queda a nível de empregabilidade.

Assim, constata-se que o desemprego tem progredido de uma forma desigual a nível
nacional, o que origina um agravamento das desigualdades regionais, provocando
diferentes crescimentos e uma maior discrepância social.

Um grande fator de desigualdade regional está visível na repartição das pensões e


reformas, pois existe uma maioria de indivíduos dependentes das mesmas, chamados
pensionistas. A pensão média é muito baixa em Portugal o que proporciona diversas
complicações no estilo de vida dos portugueses.

O governo, ao longo dos anos, tem vindo a investir de forma desigual, apostando
mais nas regiões litorais do que nas regiões interiores, maioritariamente na área
metropolitana de Lisboa onde se encontra grande parte do emprego, do investimento e da
riqueza. Apesar de anteriormente Portugal não ter apostado na criação de políticas
regionais para combater as discrepâncias presentes, quando se agravou o envelhecimento
e o despovoamento na zona interior do nosso país, Portugal foi obrigado a implementar
um Programa de Valorização do Interior onde estão incluídas medidas para inverter as
assimetrias:

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• Maior intensidade dos apoios para os territórios do Interior;


o Pacotes financeiros específicos (SI2E, Programa Valorizar);
o Discriminações positivas: taxas de comparticipação e critérios de mérito;
• Redução dos custos de contexto
o Benefícios Fiscais à instalação de Empresas no Interior;
o Redução das Portagens;
• Manutenção, Reforço e Abertura de novos serviços
o Incentivos à fixação de médicos
o Reabertura de 20 tribunais
o Expansão das Lojas de Cidadão, Espaços do Cidadão;

Como isto, o governo quer melhorar estas regiões, de modo a promover o


comércio, o turismo e diversos empregos para incentivar os jovens a começarem novas
atividades e novos estilos de vida nessas áreas, dando assim um dinamismo diferente e
uma menor desigualdade.

Risco de pobreza

Através desta imagem retirada do jornal Público, que se baseou numa fonte do
INE, conseguimos verificar a taxa de risco de pobreza após transferências sociais e a Taxa

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de risco ou exclusão social mais evidente em cada região das NUTS II e a média nacional
dos mesmo, de 17,3 e 21,6 no ano de 2017, respetivamente.

As regiões onde se verifica maior pobreza após transferências socias são as


Regiões Autónomas da Madeira com 27,5 e dos Açores com 31,6, as regiões onde se
observa menores valores de pobreza são a Área Metropolitana de Lisboa e o Alentejo,
uma vez que se encontram com os respetivos valores de 12,3 e 16,9.

Já as regiões que apresenta os maiores e os menores valores da taxa de risco ou a


exclusão social vão ao encontro da análise anterior, diferindo apenas os valores, que são
mais altos, como apresenta a imagem.

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Referências Bibliográficas
De modo a fortalecer e a tornar o nosso trabalho mais conciso e rigoroso tomamos a
liberdade de fazer uma pesquisa mais abrangente de diversas fontes.
Livros:

José Madureira Pinto e António Dornelas (1998) Pobreza, Exclusão: Horizontes de


Intervenção, Coimbra, Imprensa Nacional - Casa da moeda;

Documentos Eletrónicos:

Base de dados Portugal Contemporâneo. Disponível online em URL:


<https://www.pordata.pt/Europa>

Vieira Miguel Manuel. Pobreza, causas e consequências. 17 de junho de 2015.


Disponível online em
URL:<https://vieiramiguelmanuel.blogspot.com/2015/06/pobreza-causas-e-
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B. Creative Media. EAE. Formas de Possível. A crise foi pior em Portugal do que na
europa? Disponível online em URL: <https://portugaldesigual.ffms.pt/a-crise-foi-
pior-em-portugal-do-que-na-europa>

B. Creative Media. EAE. Formas de Possível. Desigualdade e Pobreza são o


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Significados. 5 principais causas da desigualdade social. 2011-2019. Disponível


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URL:<http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/is/article/viewFile/1401/1518>

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quais-quer-estimular-a-economia-do-interior-9593456.html>

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

República Portuguesa. Programa de Valorização do Interior. Novos Territórios, Maior


Coesão. 14 de julho de 2018. Disponível online em URL:
<https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/comunicacao/documento?i=apresentacao-do-

programa-de-valorizacao-do-interior>

República Portuguesa. Novos territórios, maior coesão. Programa de valorização do


interior. Balanço e revisão do PNCT. Disponível online em URL:
<https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=51b98c48-7a90-
4cac-bd9a-9ff394e87227>

Instituto de sociologia da universidade do Porto. A problemática da pobreza e da


exclusão social na sociedade portuguesa. 2 de maio de 2011. Disponível online em URL:
<http://www.barometro.com.pt/2011/05/02/a-problematica-da-pobreza-e-da-
exclusao-social-na-sociedade-portuguesa/>

Autoria própria. Inquérito. Disponível online em URL:


<https://docs.google.com/forms/d/17tDNBiuGbLlDmdoGcgA6hGglHlvwupe90Y_l
oR0tE/edit?vc=0&c=0&w=1&fbclid=IwAR1Xms0fhahfwrYfdYv1G91XPpA4xfSb
pwF17WYtAxjQvQXEnN9mZgdIOnw#responses>

Conselho Empresarial para o desenvolvimento sustentável. Os ODS representam as


prioridades globais para a Agenda 2080 assinada por mais de 190 países. 2019.
Disponível online em URL: < https://www.ods.pt/ods/>

Samuel Silva. Público. Ainda há 600 mil portugueses em privação severa, mas
número nunca foi tão baixo. 7 de maio de 2019. Disponível online em URL:
<https://www.publico.pt/2019/05/07/sociedade/noticia/600-mil-pessoas-privacao-material-
severa-1871769>

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

Apêndices
Desigualdade Salarial entre Mulheres e Homens

Neste gráfico, obtemos a desigualdade entre os Homens e as Mulheres na


remuneração de base mensal, que consiste no montante que o empregado tem direito a
receber todos os meses pelo horário normal de trabalho.

Ao decorrer destes anos, a remuneração média mensal dos Homens tem sido sempre
superior à remuneração média mensal das Mulheres. Em 2017, os Homens obtiveram
uma remuneração base mensal de 1012,3 euros, enquanto as Mulheres obtiveram 816, 2
euros, dando assim uma diferença de 151,1 euros. Com este valor conseguimos ter uma
noção de que esta discrepância é extremamente evidente em Portugal.

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

Inquérito
Realizamos um inquérito a 44 pessoas, com idade superior a 18 anos, de modo a
observarmos o pensamento e a perceção que os indivíduos tem sobre o impacto que estes
fenómenos tem em Portugal.

Todas as perguntas escolhidas para contemplarem o nosso inquérito são


respondidas ao longo deste trabalho.

o 1ª Pergunta

Esta pergunta inicial serviu para termos uma noção geral do quão ciente a
sociedade está da pobreza e da desigualdade existente em Portugal.

A maioria dos indivíduos, cerca de 80%, acha que a Pobreza e as Desigualdades


são visíveis ou até muito visíveis em Portugal. Ou seja, tem uma perceção correta do que
se passa no nosso país, já os 20%, não têm noção ou desconhecem estes dois fenómenos.

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

o 2ª Pergunta

Esta imagem remete-nos para uma análise do coeficiente do gini, ou seja, mostra
o quão desigual é a distribuição do rendimento. Uma vez que Portugal apresentou em
2017 um índice de 33,5 e o quinto lugar na União Europeia obtém assim a cor vermelha.
No entanto, apenas 20,5 % da população optou por essa cor, tendo uma maior
percentagem a cor laranja, com 40,9%.

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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

o 3ª Pergunta

Os indivíduos escolheram com 34,1 % as regiões do Alentejo e do Algarve, no


entanto, as regiões onde está mais presente o risco de pobreza são a Região Autónomas
da Madeira e dos Açores, tendo apenas cerca de 11,4 % do total de escolhas.

o 4ª Pergunta

Através desta pergunta conseguimos ter a perceção da percentagem de indivíduos


que acha que as políticas públicas são eficazes ou não. Concluímos que cerca de
metade acredita na evolução positiva destes fenómenos, devido às políticas públicas
serem eficazes ou muito eficazes, já os restantes 50% acham que as medidas
implementadas pelo governo não são suficientes para causar um impacto na pobreza
e nas desigualdades de modo a estas diminuírem no nosso país.
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Economia Portuguesa e Europeia
Pobreza e Desigualdades

o 5ª Pergunta

Para finalizar o inquérito realizado por nós, quisemos observar o que os


indivíduos pensam acerca do futuro da pobreza e das desigualdades em Portugal.
Uma vez que esta é a pergunta em que o trabalho se foca mais, decidimos dar a
escolher uma resposta clara e concisa para ver a perspetiva que as pessoas têm acerca
destes fenômenos no futuro. Dentro das 44 respostas, obtivemos 22 respostas para
cada uma das opções, o que nos leva a concluir, que de modo geral, a sociedade
encontra-se indecisa em relação ao que pode vir acontecer e como referimos
anteriormente, esta é uma questão que levanta muitas dúvidas devido ao futuro ser
incerto. Podemos ainda relacionar esta pergunta com a anterior, pois também 50%
acha que as políticas públicas são eficazes ou até muito eficazes e a outra parte acha
que não são nada eficazes, logo gera um confronto de ideias do que pode ocorrer ou
não no dia de amanhã.

"Temos de ser capazes de fazer chegar à sociedade portuguesa a seguinte


mensagem: ninguém é feliz ou pode ser feliz fingindo que não existe pobreza ao
seu lado. Ou, dito de outra forma: é uma vergonha nacional sermos, em 2017, e
agora já em 2018, das sociedades mais desiguais e com tão elevado risco de
pobreza na Europa. Eu tenho vergonha"

Presidente da República Marcelo Rebelo De Sousa, 2018

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Economia Portuguesa e Europeia