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Salmo 63: Melhor que a vida Deposto temporariamente, Davi atravessa o deserto de Judá a

caminho de seu exflio forçado a leste do Jordão (2Sm 15:23-28; 16:2; 17:16). Embora sua
situação política estivesse em baixa, sua vitalidade espiritual se encontrava nas alturas.
63:1 É maravilhoso ouvir Davi dizer ao o Senhor: “Ó Deus, tu és meu Deus forte”. São palavras
simples e pueris, mas com significado profundo: exprimem um relacionamento íntimo e
pessoal, referem-se ao Senhor como fonte de riqueza permanente em meio a um mundo
transitório e como refúgio seguro em momentos de dificuldade. A paixão do salmista por Deus
deveria despertar em nós o sentimento de humildade, especialmente ao considerarmos quanto
somos desconfiados e indiferentes. Davi buscava o Senhor ansiosamente; sua alma e seu corpo
tinham sede de Deus, ou seja, todo o seu ser almejava comunhão com o Eterno. Tratava-se de
um desejo intenso, semelhante ao. de um viajante sedento por água numa terra árida, exausta —
uma descrição bastante adequada do mundo.
63:2 Davi relembra o tempo em que adorava o Senhor no santuário em Jerusalém; eram
momentos inefáveis nos quais, arrebatado pelo êxtase da contemplação sagrada, via a Deus em
toda a sua força e gló- ria. Agora sua alma não conseguia satisfazer-se com nada menos que
uma nova manifestação de esplendor e poder divinos. Algumas pessoas chamam essa
experiência de ver Deus em sua glória divina de visão beatífica. Seja como for, refere-se a uma
experiência tão poderosa que as manifestações divinas anteriores parecem gastas e pálidas em
comparação. Sê tu minha visão, ó Deus do meu coração; Que todo o resto seja sem valor,
comparado com meu Senhor. Sê meu pensamento mais precioso, à noite ou de dia; Andando ou
dormindo, tua presença me alumia. Hino irlandês do século VIII.
63:3-4 No meio do deserto de Judá, surge uma rapsódia de adoração. “Porque a tua graça é
melhor do que a vida; os meus lábios te louvam. Assim, cumpre-me bendizer-te enquanto eu
viver; em teu nome, levanto as mãos”. A graça de Deus é melhor que todas as coisas que a vida
é capaz de proporcionar. Adorá-lo com nossos lábios, portanto, é o mínimo que podemos fazer.
Uma vida inteira de adoração não basta para bendizê-lo. Nossas mãos encontram propósito
quando levantadas em louvor e adoração.
63:5-8 Não existe banquete semelhante a essa comunhão sagrada, na qual nossa alma se
alimenta com delícias excelentes e nossos lábios transbordam de júbilo enquanto meditamos em
nosso Deus magnífico durante a noite. Quem pode enumerar tudo que ele realiza a nosso favor?
À sombra de suas asas, cantamos cheios de alegria. Quando nos achegamos ao Senhor em
dependência amorosa e necessidade consciente, ele nos guarda dos perigos, tanto dos evidentes,
quanto dos ocultos, e nos capacita a prosseguir em direção à linha de chegada e ao prêmio.
63:9-10 “Inimigos? Sim, tenho muitos inimigos determinados a me destruir. Contudo, eles é que
serão destruídos. Morrerão de forma violenta e sofrerão a desgraça de não receber um enterro
decente”.
63:11 “Eu, contudo, prosseguirei me alegrando em Deus. Na verdade, todo aquele que jurar
lealdade ao Senhor, participará da vitória. Porém, aqueles que amam a mentira serão
silenciados”.

Salmo 64: Arcos e flechas Esse salmo apresenta um campeonato de arco e flecha: uma partida
preliminar entre o perverso e o justo (v. 1-6) e a partida final entre Deus e o perverso (v. 7-10).
64:1-6 O primeiro torneio dá a impressão de haver apenas um participante: a multidão de vilões
que atiram contra Davi. Ele não tem flechas, enquanto a aljava dos inimigos está repleta.
Entretanto, o salmista conta com uma arma secreta, a oração, e pede auxílio a seu parceiro
oculto. Primeiro, eleva sua voz e pede que Deus o preserve do terror e da conspiração dos
malfeitores. Em seguida, apresenta um relatório das atividades inimigas: sua língua é afiada
como a espada; atiram flechas de acusações envenenadas com palavras amargas; atacam
inesperadamente às ocultas e sem medo de contra-ataque; permanecem inflexíveis em sua
determinação de destruir o inocente. Enquanto conspiram para armar ciladas contra o salmista,
imaginam que ninguém os vê. “Tramam a injustiça e dizem: ‘Fizemos um plano perfeito!’. A
mente e o coração de cada um deles o encobrem!” (v. 6, NVI).
64:7 Parece que os malfeitores estão ganhando. O justo, porém, agarra-se à promessa: “O
Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis” (Êx 14:14); “pois a peleja não é vossa, mas de
Deus” (2Cr 20:15).
64:8 No segundo torneio, é o Senhor quem atira uma seta (observe o singular) nos perversos.
Deus acerta na mosca, e eles caem feridos. O Senhor fez que as palavras deles se voltassem
contra si mesmos. Todos ao redor se admiraram.
64:9-10 O julgamento divino trouxe um sentimento de reverência à população. As notícias se
espalharam, e as pessoas perceberam que a justiça havia triunfado. Esse resultado fez o justo se
alegrar e confiar em Jeová. Todos aqueles que amam ajustiça se alegrarão.

Salmo 65: Canção da seara durante o milênio


Embora o salmo 65 seja considerado, de modo geral, o “cântico de. colheita”, pode haver um
pouco de dúvida quanto a sua interpretação principal, se ela se refere ou não à situação mundial
por ocasião da segunda vinda de Cristo. 65:1 Durante os vários séculos em que o povo de Israel
se afastou de Deus, Sião permaneceu estéril com respeito ao louvor a Deus. Contudo, quando
Israel for restaurado, o louvor retomará por meio do silêncio e da reverência. A expressão “E a
ti se pagará o voto” pode ser uma alusão à promessa do Senhor de que diante dele todo joelho se
dobrará (Is 45:23), ou à promessa do Messias no salmo 22:22: “cantar-te-ei louvores no meio da
congregação”, ou ainda a um voto de amor, adoração e serviço do remanescente perseguido
durante o período da tribulação.
65:2 Enquanto o primeiro versículo se refere basicamente a Israel, o segundo trata.de todos os
povos do mundo. Aqui, Deus é apresentado pelo título “tu que escutas a oração” . As nações
convertidas se apegação ao Senhor com fé e oração.
65:3 Observe a mudança de orador: na. primeira frase, o Messias aparece se preparando para
sua obra vicária no Calvário, onde foi esmagado sob o peso do pecado. Contudo, o
remanescente judeu logo percebe que o Messias não morreu pelos próprios pecados, mas por
causa das “nossas transgressões”. O povo exclama: “Mas ele foi traspassado pelas nossas
transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e
pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53:5). Assim que Israel confessa seu pecado, recebe a
garantia de que suas transgressões foram perdoadas.
65:4 Novamente, o texto deixa transparecer que a primeira parte do versículo se refere a Jesus, o
Messias, ao passo que a segunda parte diz respeito a Israel redimido. O filho bendito de Deus é
o escolhido do Senhor, conforme Isaías 42:1: “Eis aqui [...] o meu escolhido, em quem a minha
alma se compraz”. Além disso, o escolhido é aquele que Deus aproxima de si, o sacerdote
eterno segundo a ordem de Melquisedeque. Este assistirá nos átrios do Senhor num lugar de
honra próximo, a Deus. Em seguida, o remanescente exprime convicção e satisfação com a
bondade da casa de Deus, seu santo templo. A referência ao templo leva alguns a questionarem
a autoria davídica do salmo, uma vez que o templo só foi construído após a morte de Davi.
Contudo, a dificuldade desaparece quando percebemos que a palavra “templo” às vezes era
empregada para se referir ao tabemáculo antes da constmção do templo de Salomão (ISm 1:9;
3:3; 2Sm 22:7).
65:5-7 O remanescente continua falando. Em resposta a suas orações, o Senhor pune os
inimigos com tremendos julgamentos, revelando-se como Salvador e esperança de todos os
povos da terra e dos mares longínquos. Que Deus magnífico! Revestido de onipotência,
estabelece os montes com firmeza por meio de um simples ato de seu poder. Além disso, aplaca
com facilidade os mares, a fúria de suas ondas (p. ex., o mar da Galileia) e o tumulto dos povos
gentílicos.
65:8 Não é de admirar o fato de que os incrédulos que habitam nos confins da terra temem os
sinais e maravilhas com os quais Deus os julga, e que os fiéis do Oriente e do Ocidente exultam
de júbilo.
65:9 Embora os versículos 9-13 descrevam a colheita anual desde o período da semeadura até a
ceifa, referem-se principalmente à situação do mundo durante o milênio, ocasião em que a
maldição será revogada e a terra produzirá colheitas abundantes. A primavera é como uma visita
de Deus, trazendo chuvas a partir dos rios celestiais — as nuvens que permeiam os céus. Depois
de preparado o solo, o Senhor providencia as sementes.
65:10 A chuva irriga e amolece a terra durante o período de crescimento, fazendo com que as
sementes brotem em abundância.
65:11-13 Deus abençoa o ciclo de produção com sua bondade. As pegadas por onde o Senhor
caminha deixam rastros de fartura: as pastagens produzem em abundância; os outeiros se
cobrem de vegetação exuberante, como se cantassem de alegria; os campos parecem vestir
casaco de pele, em razão da grande quantidade de rebanhos, e grãos maduros cobrem os vales.
Toda a natureza parece celebrar a chegada do reino do Messias.
Salmo 66: Vinde, vede e ouvi!
66:1-4 Nos primeiros quatro versículos, o salmista convoca toda a terra para cantar louvores a
Deus. Essa canção alegre tem por objetivo celebrar a excelência do seu nome.
O louvor deve ser glorioso, pois o Senhor é glorioso. O salmista escreve uma canção universal
de adoração, que pode ser parafraseada da seguinte forma: Senhor, teus feitos são tremendos.
Teu poder é tão devastador, que teus inimigos se encolhem diante de ti. A terra inteira se dobra
em adoração diante do Senhor, e todos os povos cantam louvores ao teu nome. Sem dúvida, essa
será a canção favorita dos povos quando o Messias retomar.

66:5-7 A repetição do pronome possessivo na primeira pessoa do plural nos versículos 5-12 nos
leva a acreditar que essa passagem trata dos sentimentos evangélicos do remanescente judeu nos
últimos dias, enquanto convida as nações para observar as coisas espantosas que o Senhor
realizou em Israel. O texto relembra dois fatos impressionantes: a conversão do mar Vermelho
em terra seca e a interrupção do leito do rio Jordão quarenta anos depois para que os israelitas
atravessassem a pé enxuto. Quanta alegria houve em Israel naqueles dias! 0 povo exultou no
Senhor, cujo poder e domínio nunca terminam e cujos olhos estão sempre vigiando as nações. É
loucura rebelar-se contra um Deus como esse.
66:8-12 Os gentios também devem bendizer o nome do Senhor pela preservação miraculosa do
povo de Israel. Por meio de uma rápida sequência de ilustrações, o salmista apresenta Israel da
seguinte forma: refinado como se acrisola a prata (v. 10); apanhado como presa na armadilha (v.
11a); forçado a trabalho escravo (v. 11b); exposto a diversos perigos, como quem passa pelo
fogo e pela água (v. 12b). Apesar disso, Deus não permitiu que o povo fosse derrotado. Pelo
contrário, trouxe-o para um lugar espaçoso (uma referência à superabundante prosperidade de
Israel durante o milênio). Conforme escreve Williams: Apesar dos incessantes esforços
satânicos e humanos para destruir Israel, as doze tribos comparecerão no monte Sinai durante o
milênio para lamentar e, por meio disso, demonstrar a verdade do versículo 9. Elas testificarão
que a disciplina justa do Senhor (v. 10-12) foi planejada em amor e executada com sabedoria.
66:13-15 Os pronomes pessoais e possessivos na primeira pessoa do singular empregados nos
versículos 13-20 indicam que o coro se transformou em solo. Vários comentaristas moderados
acreditam que o orador da frase é o Senhor Jesus, Rei e grande sumo sacerdote de Israel, que se
achega a Deus trazendo holocaustos de uma vida inteiramente dedicada a cumprir a vontade do
Pai. Cristo pagou os votos de louvor que prometeu a Deus quando esteve em dificuldades. Isso
se pode referir ao sofrimento na cruz ou à angústia diante da aflição de seu povo, conforme
escreve Isaías: “Em toda a angústia deles, foi ele angustiado” (Is 63:9). As referências a
holocaustos e sacrifícios de carneiros, novilhos e cabritos não devem ser interpretadas
literalmente, exceto nos casos em que o salmista fala da própria experiência. No que se refere a
seu povo, o Messias emprega essas imagens em alusão à adoração espiritual que ele e o
remanescente elevarão a Deus. Contudo, isso não exclui a possibilidade de o texto estar se
referindo a um sistema sacrificial modificado que será reinstituído futuramente. 66:16-19 O
versículo 5 apresenta o convite: “Vinde e vede”, ao passo que o versículo 16 traz: “Vinde,
ouvi”. As obras do Senhor podem ser percebidas na história, mas a forma de Deus se manifestar
na alma só pode ser reconhecida por meio da audição. Nesse sentido, o Messias convida todas
as pessoas tementes a Deus para ouvirem seu testemunho de oração atendida. “A ele clamei em
súplica e exaltação”, diz o Messias, referindo-se aos dias em que andou neste mundo em carne e
osso e ofereceu “com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da
morte” (Hb 5:7). Se houvesse alguma vaidade no coração de Cristo, Deus não o teria ouvido.
Pelo contrário, foi ouvido “por causa da sua piedade” (Hb 5:7).
66:20 O fato de Deus ouvir a oração de Jesus inspirou o versículo final: “Bendito seja Deus, que
não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça”.

Salmo 67: O chamado missionário de Israel


A expectativa de Deus ao escolher Israel era que a nação demonstrasse sua vocação missionária.
O trabalho deles era testemunhar duas verdades importantes às nações do mundo: 1. Há um só
Deus (Êx 20:2-3; Dt 6:4; Is 43:10-12). 2. A obediência a Jeová traz alegria e prosperidade ao
povo (Lv 26:3-12; Dt 33:26-29; 1 Cr 17:20; Jr 33:9). Não era da vontade de Deus que Israel se
tomasse o alvo final de suas bênçãos. Em vez disso, deveriam ser um canal de bênçãos para o
mundo. Há várias passagens no AT que indicam que a salvação estava destinada tanto para os
judeus quanto para os gentios e que Israel, por meio do sacerdócio, deveria servir de mediador
entre o Senhor e as nações. Infelizmente, Israel não cumpriu essa parte de sua missão, uma vez
que incorreu em idolatria e, consequentemente, negou a verdade a qual foi chamado a
proclamar. Contudo, os propósitos de Deus não foram frustrados por causa disso. Durante o
período da tribulação, o remanescente judeu levará o evangelho a todas as nações (Mt 24:14).
Dessa forma, Israel servirá como canal das bênçãos de Deus ao mundo (Is 61:6; Zc 8:23). 67:1-
2 0 salmo antecipa esse período e mostra os cristãos judeus pedindo a Deus que os abençoe a
fim de evangelizarem os gentios. A expressão “para que se conheça na terra o teu caminho”
lembra as palavras de Cristo em João 14:6. As nações ou indivíduos só podem experimentar a
salvação por meio de Cristo. 67:3-4 Numa extraordinária explosão de entusiasmo missionário,
Israel ora pedindo que os gentios adorem ao Senhor e que as nações experimentem dias de
celebração enquanto desfrutam o govemo bondoso e igualitário de Cristo, bem como seu
cuidado pastoral. 67:5 Israel anseia por ouvir os povos todos louvando a Deus. Que esse
também seja o desejo dos cristãos que buscam “coroas para a cabeça de Cristo”, segundo as
palavras de F. B. Meyer. 67:6-7 Os dois últimos versículos tratam da situa- ção do mundo
durante o milênio. As grandes colheitas e os armazéns repletos demonstram as bênçãos de Deus
a Israel. Essas bênçãos serão um testemunho poderoso às nações. Franz Delitzsch, perito em
hebraico, resume: “É a vontade do Senhor que toda a sua bondade para com Israel se reflita em
bem-estar para toda a humanidade”. Salmo 68: Nosso Deus marcha! Esse salmo narra uma
procissão nacional em Israel. A jornada da arca da aliança do monte Sinai para o monte Sião é
percebida como um símbolo da marcha de Deus em direção à vitória total. Para os judeus, a arca
representava a presença divina: quando a arca se movia, era o próprio Senhor quem se estava
movimentando. De modo geral, acredita-se que a canção foi composta para celebrar um
acontecimento em particular: o retomo da arca ao monte Sião depois da vergonhosa captura
pelos filisteus e após ter permanecido três meses na casa de Obede-Edom (2Sm 6:2-18). Esse
salmo pode ser apreciado com mais entusiasmo ao identificarmos sete divisões: 1. Hino
introdutório de louvor ao Senhor (v. 1-6). 2. 0 movimento da arca através do deserto do Sinai (v.
7-8). 3. Entrada e conquista da terra de Canaã {v. 9-14). 4. Davi conquista Jerusalém (v. 15-18).
5. Canção de louvor a Deus pela vitória sobre os jebuseus (v. 19-23). 6. 0 cortejo para levar a
arca ao santuário em Jerusalém (v. 24-27). 7. A entrada triunfante da multidão, uma representa-
ção antecipada da vitória final de Deus (v. 28-35). Analisado desse ponto de vista messiânico, o
salmo representa a encarnação de Cristo, a obra realizada no Calvário, sua ascensão e segunda
vinda. Hino introdutório (68:1-6) 68:1-3 O versículo 1 fornece indicações de que o transporte da
arca é o assunto principal do salmo. As palavras do salmista são praticamente as mesmas que
Moisés proferiu quando a arca partiu do Sinai (Nm 10:35). A visão da arca sagrada em
movimento sugere os períodos em que o Senhor se levanta e age. Para seus inimigos, imphca
destruição e dispersão; para os justos, alegria e regozijo. Os inimigos do Senhor são espalhados
em todas as direções enquanto fogem em desespero; atordoados, cambaleiam rumo à destruição,
inócuos como a fumaça e fracos como cera derretida. Para os justos, trata-se de um momento de
vindicação, recompensa, alegria e júbilo. 68:4-6 E hora de cantar louvores ao Senhor (Jeová),
Deus da aliança, aquele que é digno de louvores eternos. Apesar de habitar as alturas do céu, é
amigo íntimo dos desamparados e necessitados, pai dos órfãos 47 (68:11-13) A palavra hebraica
.original [hamebasserôt] está no feminino plural. e juiz das viúvas, aquele que provê um lar
amoroso e acolhedor para os solitários e leva prosperidade aos inocentes condenados à prisão.
Quanto aos rebeldes, o Senhor os leva para o deserto. Esses versículos de introdução mostram o
contraste de atitudes quando Deus marcha a favor dos justos e contra os rebeldes. A tradução
em português não permite perceber os sete nomes de Deus apresentados nesse salmo: Elohim
(v. 1), Yah (v. 4) Jeová (v. 10), El Shaddai (v. 14), Yah Elohim (v. 18), Adonai (v. 19) eJeová
Adonai (v. 20). O movimento da arca através do deserto do Sinai (68:7-8) Foi emocionante
quando os israelitas partiram do monte Sinai em direção à terra prometida, levando a arca da
aliança à frente. Nesse momento, a própria natureza pareceu participar de modo impressionante:
tremeu a terra, os céus despejaram chuva em abundância e o monte Sinai se abalou. A entrada e
a conquista da terra de Canaã (68:9-14). 68:9-10 0 versículo 9 mostra Israel em Canaã e Deus
alterando o clima a fim de prover chuva copiosa aos israelitas, uma mudança bem-vinda em
relação ao sistema de irrigação do Egito e a aridez do deserto. Canaã passava por uma
renovação de vida à medida que a vegetação florescia. 0 povo finalmente se estabeleceu em suas
casas, e o Senhor o abastecia em abundância. 68:11-13 A narrativa avança para a conquista de
Canaã, onde o Senhor deu a palavra, isto é, ordenou que o povo marchasse contra os inimigos
da terra. A palavra de Deus toma implícita a garantia de vitória. Em seguida, o texto fala sobre
um grande exército de mulheres47 mensageiras que saíram a espalhar as boas notícias na região:
“Reis de exércitos fogem e fogem”. Linguagem semelhante aparece na canção de Débora (Jz 5),
que menciona mulheres dividindo os despojos de guerra, apesar de nunca terem deixado os
apriscos. Enquanto provam roupas e joias belíssimas, parecem pombas [...] cobertas de prata ou,
conforme o ângulo da luz sobre os ornamentos, parecem brilhar como penas de ouro. 68:14 Para
os inimigos, foi uma ocasião desastrosa, pois Deus dispersou seus reis como a neve sobre o
monte Zalmom. Davi captura Jerusalém (68:15-18) Jerusalém ainda estava sob o controle dos
pagãos jebuseus. A primeira coisa que Davi fez após ser ungido rei de Israel foi atacar a cidade,
cujos defensores consideravam tão invencível que afirmavam poder ser defendida apenas por
cegos e coxos. Apesar disso, Davi e seus homens capturaram a fortaleza e a denominaram
cidade de Davi (2Sm 5:1-9). Este é o enfoque do salmista aqui: a conquista revelou Jerusalém
como cidade escolhida de Deus; por isso, a montanha de Hermom, situada ao norte de Basã,
ficou com inveja do monte Sião. Hermom é uma imponente cadeia de montanhas com vários
montes belíssimos. Porém, Deus escolheu Sião como sua morada permanente, levando Hermom
a ficar com ciúmes de Sião. 68:17 Davi relembra a captura de Jerusalém das mãos dos jebuseus,
mas não se ilude quanto à verdadeira fonte de sua vitória. Sabia que sua força não provinha de
boas estratégias ou de seus valentes. Em vez disso, foram os carros de Deus que marcharam
desde o monte Sinai e triunfaram sobre Sião. 68:18 À medida que rememora a invasão de
Jerusalém, Davi contempla circunstâncias além da for- ça humana e vê Deus subindo às alturas,
levando consigo os cativos, junto com os despojos de vitória para entregar àqueles que antes
eram rebeldes, com o intuito de habitar no meio daquele povo como Senhor e Salvador. Paulo
aphca o versículo 18 à ascensão de Cristo (Ef 4:8-10). Quando este ascendeu ao céu, levou
cativo o cativeiro, ou seja, triunfou sobre os inimigos e recebeu homens por dádivas como
recompensa pela obra realizada na cruz [SI 68:18). Cristo concedeu dádivas a esses homens a
fim de estabelecer e expandir sua igreja (Ef 4:8). Canção de louvor a Deus pela vitória sobre os
jebuseus (68:19-23) 68:19-20 As memórias da captura do monte Sião provocam manifestações
de louvor a Deus. A canção o apresenta como libertador e destruidor. Como libertador, Deus
“leva o nosso fardo!”. Além disso, o Senhor é a nossa salvação, Deus poderoso para nos livrar
da morté. 68:21-23 Como destruidor, o Senhor esmagará seus inimigos, cujos cabelos
compridos simbolizam uma vida de rebeldia e crimes. Ele havia prometido que os perseguiria
nos desertos de Basã e nos mares, a fim de que Israel banhasse o pé em sangue e os cães se
alimentassem de seus cadáveres. O versículo 22 não se refere ao reajuntamento de Israel, mas à
caçada de seus inimigos. Cortejo para levar a arca ao santuário em Jerusalém (68:24-27) Pouco
tempo depois de capturar Jerusalém, Davi organizou um grupo para trazer a arca a uma tenda
construída para essa finalidade (2Sm 6:12-19). A passagem narra o cortejo em direção ao
santuário. Conforme caminham, o salmista exclama: “Vejam, aqui vai o Senhor”.48 Os cantores
lideravam a comitiva, a banda vinha tocando na retaguarda, e entre os dois grupos caminhavam
donzelas com adufes. Leia as palavras da canção: “Bendizei a Deus nas congregações, bendizei
ao Senhor, vós que sois da estirpe de Israel” . Todas as tribos enviaram representantes, desde as
tribos do sul (Benjamim e Judá), até as do norte (Zebulom e Naftali). A entrada exultante da
multidão, uma representação antecipada da vitória final de Deus (68:28-35) Conforme a arca
entra no tabemáculo, o povo faz uma oração (v. 28-31) em forma de canção, convidando todos
os habitantes da terra para louvarem ao Senhor (v. 32-35). 68:28-29 Em primeiro lugar, a oração
invoca o Senhor, para que demonstre sua força a favor de seu povo e termine o que havia
começado a fazer no meio dele. Essa oração será respondida integralmente durante o milênio,
período em que o templo se tomará a glória de Jerusalém e os reis oferecerão presentes de ouro
e incenso (Is 60:6) ao grande Rei. 68:30 O hebraico do versículo 30 é difícil de ser
compreendido; porém, o pensamento parece ser este: o povo invoca o Senhor, pedindo que
reprima a fera e os fortes como touros. As feras que vivem nos canaviais (provavelmente
crocodilos e hipopótamos) representam os líderes do Egito. Os touros representam outros
homens poderosos que “governam sobre os rebanhos pacíficos das nações” (Knox). A frase
traduzida por “calcai aos pés os que cobi­ çam barras de prata” pode significar “até que aquelas
nações se inclinem a ti oferecendo tributos de prata” ou “subjugando as nações que prosperaram
por meio de tributos de prata”. 0 sentido da frase é adequado em ambos os casos. Com tal
significado em mente, o salmista prossegue com a oração e pede que Deus disperse “os povos
que se comprazem na guerra”. Esses pedidos serão atendidos integralmente somente na segunda
vinda de Cristo, ocasião em que Deus destruirá todos os agressores e provocadores. 68:31
Naquele dia, diplomatas do Egito trarão tributos, e a Etiópia estenderá as mãos em atitude de
súplica e adoração ao Rei de toda a terra. 68:32-35 Os versículos finais convidam os reinos da
terra a reconhecerem o Deus de Israel como Senhor digno de reverência e louvor. As palavras
transmitem o sentido de grandeza e magnificência de Deus, Senhor transcendente que habita as
alturas dos céus. Ele é o Deus da revelação, aquele que fala com voz poderosa, o Senhor
onipotente que opera com mão forte a favor de Israel e se mostra poderosíssimo nos espaços
siderais. Embora tremendo em majestade em seu santuário celestial, o Senhor se inclina para
conceder força e poder ao seu povo. Resta apenas uma coisa a dizer: Bendito seja Deus! Salmo
69: Salva-me, ó Deus! A morte e os sofrimentos de nosso bendito Redentor representaram, para
ele, um mergulho no oceano da ira de Deus. 0 próprio Cristo se referiu a esse sofrimento como
um batismo: Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio
até que o mesmo se realize! (Lc 12:50). No Salmo 42:7, Jesus exclama: Um abismo chama
outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.
Em sua morte repleta de sofrimento e angústia, Cristo desceu às profundezas do julgamento de
Deus contra nosso pecado. 69:1-3 Nesse salmo, temos o privilégio de conhecer um pouco da
agonia profunda que a alma santa de Jesus experimentou enquanto descia à morte e as águas lhe
subiam até o pescoço a ponto de afogá-lo. Não há nada em que possa segurar-se, nada senão
profundo lamaçal abaixo de seus pés. De repente, a corrente o submerge e o leva para as
profundezas das águas, um lugar que nenhum dos redimidos jamais conhecerá. Em sentido
figurativo, Deus juntou todas as águas num único lugar, o Calvário, onde o Filho de seu amor
enfrentou o gigantesco oceano do julgamento da ha de Deus a fim de pagar a penalidade por
nossos pecados. Acima da agitação das águas, ouve-se seu apelo urgente e contínuo: “Salva-me,
ó Deus”. Parece que ele está a implorar desde a eternidade; tem a garganta ressecada e rouca de
tanto clamar, e os olhos inchados de tanto observar o horizonte, à espera do auxílio de Deus.
Mas não há ninguém por perto para ajudá-lo. 69:4 A multidão furiosa brada diante da cruz,
numa ebulição ruidosa de ódio, malignidade, amargura e crueldade. Atacam-no com mentiras.
Querem vê-lo morto. Que coisa absurda: o Criador e sustentador de todo o universo pendurado
na cruz como se fosse um criminoso! Como se não bastasse, seus assassinos riem diante dele.
Quem são essas pessoas? Homens e mulheres que lhe devem até mesmo o ar que respiram e,
apesar disso, odeiam-no sem razão. 0 que meu Senhor fez, Para merecer tanta raiva e desprezo?
Fez os coxos andarem, E os cegos verem. Doces ofensas! Mas há aqueles que Delas se
desagradam E contra ele se levantam. Samuel Crossman Nesse momento, o Salvador pronuncia
uma frase comovente: “tenho de restituir o que não furtei”. 0 pecado do homem roubou de Deus
a adoração, a obediência, o serviço e a glória que lhe eram devidos. Além disso, o próprio
homem roubou de si mesmo a vida, a paz e a alegria que provêm da comunhão com Deus.
Cristo veio, literalmente, restituir aquilo que não roubou. De lado colocou seus ricos trajes reais
E velou sua divindade com o manto dos mortais. Com essas vestes, amor maravilho demonstrou
Ao restaurar ao mundo aquilo que não tomou. Autor desconhecido Nesse sentido, o sacrifício de
Cristo lembra a oferta pela culpa (Lv 5). A característica principal dessa oferta era restituir
qualquer dano que o ofertante tivesse causado, adicionado da quinta parte. Como nossa oferta
pela culpa, o Senhor Jesus não só restaurou aquilo que foi roubado por meio do pecado, como
também adicionou muito mais, pois Deus recebeu muito mais glória por meio da obra de Cristo
do que se o pecado nunca tivesse entrado no mundo. 0 Senhorperdeu suas criaturas por causa do
pecado. Contudo, ganhou filhos por meio de sua graça. Nossa condição em Cristo é muito
melhor do que se Adão jamais tivesse pecado. Nele os filhos de Adão desfrutam Mais bênçãos
do que seus pais perderam. 69:5 0 versículo 5 se refere às nossas culpas, as quais Jesus tomou
voluntariamente sobre si. Ele não tinha erros, nem defeitos, porém “tomou nossos pecados e
sofrimentos e os considerou seus”. Que graça maravilhosa Cristo se identificar conosco e se
referir aos nossos pecados como se fossem dele! 69:6 0 medo se apodera de sua mente santa.
Jesus teme que alguns crentes verdadeiros venham a trope- çar pelo fato de suas orações não
receberem resposta de Deus. Então, ora pedindo que isso não aconteça, ou seja, que nenhum
daqueles que esperam em Deus se envergonhe por causa de seu sofrimento. Além disso, pede
que as pessoas que buscarem o Deus de Israel jamais sofram vexame por causa de sua
humilhação e desamparo. 69:7-8 Afinal, sua obediência à vontade do Pai havia causado aquelas
afrontas. Sua devoção em agradar a Deus causou revolta nos homens e os levou a cuspirem em
seu rosto e a pronunciar ofensas indizíveis. Parte do custo da obediência se referia à amargura
de ter sido abandonado pelos filhos de sua mãe, isto é, seus meios-irmãos, que o consideravam
louco. 69:9 O Senhor Jesus viveu consagrado ao zelo pela casa do Pai. Sempre que ouvia
alguém injuriar o nome de Deus, considerava um insulto a si mesmo. Quando expulsou os
mercadores do templo em Jerusalém, seus discípulos entenderam que esse versículo de Salmos
se referia a ele: “0 zelo da tua casa me consumirá” (Jo 2:17). 69:10-12 Nada que Jesus fazia
como homem aqui na terra parecia agradar as pessoas. Quando chorava e jejuava, era criticado
(provavelmente porque tentava parecer piedoso). Caso demonstrasse pesar e lamentação, em
vez de receber simpatia, tomava-se objeto de escárnio. Era criticado em todas as esferas sociais,
desde os senhores que se assentavam à porta da cidade até os beberrões nos bares que
tagarelavam cantigas a fim de ridicularizá-lo. De fato, trata-se de algo muito estranho: o Senhor
da vida e da glória veio ao mundo e se tomou motivo para cantigas de beberrões! 69:13-18
Novamente, Jesus se volta para Deus, seu único consolo. Observe o ardor e a urgência em sua
oração enquanto adentra os céus com contínuos apelos por auxílio. Mesmo assim, Cristo
entregou ao Pai o direito de responder às suas orações em ocasião favorável. Enquanto afunda
no tremedal, implora a Deus que o salve dos inimigos, das profundezas das águas, da voragem e
da boca do poço. Em angústia profunda, Jesus fundamenta seus apelos na graça e nas
misericórdias de Deus, enunciando petições curtas e específicas: Responda-me [...] volta-te [...]
Não escondas [...] teu rosto [...] Aproxima-te [...] resgata-me. As palavras: “resgata-me por
causa dos meus inimigos” sem dúvida significam “para que não se regozijem sobre minha
contínua aflição”. 69:19-20 A menção aos inimigos abrange toda uma vida de sofrimento
marcada por afronta, vergonha e vexame que Cristo experimentou nas mãos dos homens. Desde
sua infância, foi perseguido por adversários; só Deus sabe quantos. Os insultos das pessoas
partiam seu coração, que desejava somente o bem dos filhos dos homens. A tristeza e o opróbrio
o levaram ao desespero. Em seu sofrimento, ninguém demonstrou piedade, e em vão procurou
consoladores. Até mesmo seus discípulos o abandonaram e fugiram. Cristo ficou literalmente
sozinho. 69:21 Temos aqui outra profecia surpreendente escrita por Davi, cujo cumprimento
ocorreu somente na vida de Jesus: “Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a
beber vinagre”. 0 cumprimento dessa profecia se encontra em Mateus 27:34,48: Deram-lhe a
beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber [...]. E, logo, um deles correu a
buscar uma esponja e, tendo-a embebido de vinagre e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe
a beber. 0 fel era uma substância amarga, talvez tóxica, que, em quantidades pequenas, podia
agir como anestésico. 0 Senhor se recusou a beber, pois, como nosso substituto, precisava sofrer
em estado de total consciência. 0 vinagre se tratava de vinho azedo, que poderia ter acentuado a
sede, em vez de aliviá-la. 69:22 0 tom do salmo muda bruscamente no versí- culo 22. Nos sete
versículos seguintes, vemos o Salvador agonizante clamando a Deus e pedindo punição à nação
que o condenou à morte. A princípio, parece um pedido surpreendente, pois na cruz o Senhor
Jesus também orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34). Na verdade,
não há conflito entre as duas orações. Aliás, o perdão estava disponível, caso se arrependessem.
Mas, como não houve mudança, nada mais restava, senão o julgamento descrito aqui. É
importante perceber que esses versículos se aplicam particularmente à nação de Israel. Paulo
utiliza os versículos 22 e 23 para se referir a Israel em Romanos 11:9-10. Além disso, a
expressão “suas tendas” (v. 25) significa acampamento, uma clara referência judaica. Esses
versículos profetizam o julgamento que sobreviria sobre o povo que rejeitou seu Messias e o
condenou à morte. A mesa deles se transformaria em laço. A palavra “mesa” se refere a todos os
privilégios que Deus conferiu a Israel como povo escolhido aqui na terra. Em vez de trazer
bênçãos, esses privilégios determinariam a medida de sua condenação. Quando
experimentassem prosperidade [paz, heb. shãlôm), esta se tomaria em armadilha. Tribulações
sobreviriam sem aviso no momento em que o povo imaginasse que tudo estava bem. 69:23 Seus
olhos seriam obscurecidos para que não vissem, uma referência à cegueira judicial que Israel
sofre até hoje (2Co 3:14). Por terem rejeitado a luz, esta lhes foi negada. Além disso, seus
dorsos vacilariam continuamente e, dispersos entre as nações, não encontrariam descanso para
os pés, “porquanto o S e n h o r ah te dará coração tremente, olhos mortiços e desmaio de alma”
(Dt 28:65). 69:24 A indignação de Deus seria derramada sobre eles, e o ardor de sua ira os
consumiria. Esse cumprimento pode ser percebido, com grande pesar, nos massacres
antissemíticos, nos campos de concentra- ção, nas câmaras de gás e nas fornalhas. Apesar de
essas atrocidades terem sido cometidas por homens perversos, sem dúvida Deus não as impediu
de atingirem os descendentes dos que disseram: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos
filhos!” (Mt 27:25). 69:25 A morada deles ficaria deserta, e não haveria quem habitasse as suas
tendas. Esse versículo chama a atenção para as palavras do Messias em Mateus 23:38: “Eis que
a vossa casa vos ficará deserta”. Essa profecia foi cumprida integralmente no ano 70 d.C.,
quando Tito e seu exército romano saquearam Jerusalém e destruíram o templo. 69:26 Se a
punição parece severa demais, lembremo-nos do crime que a motivou. “Pois perseguem a quem
tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste”. Na parábola da vinha, os arrendatários
exclamam o seguinte com relação ao filho do dono: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo e
apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21:38). Em outras palavras, os judeus sabiam que Jesus era
o Filho e mesmo assim o mataram. A última parte do versículo 26 descreve o martírio dos
seguidores do Messias. 69:27-28 Levando em consideração esses fatos, não há necessidade de
justificar a severidade das palavras do Salvador: “Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não
gozem da tua absolvição. Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os
justos”. Não obstante, precisamos lembrar que, mesmo depois da crucificação do Filho de Deus,
o Espírito Santo continuou a chamar a nação de Israel para se arrepender e aceitar Jesus como o
Messias. 0 livro de Atos mostra o desejo ardente de Deus ao convidar seu povo, com carinho e
amor, para aceitar sua misericórdia e graça. Ainda hoje, o evangelho continua convidando os
judeus, bem como os gentios. As únicas pessoas a sofrer o julgamento descrito nos versículos
22-28 serão aquelas que rejeitarem de forma deliberada o Cristo. 69:29 O amigo dos pecadores
ainda tem uma palavra final a dizer. Aflito e em dor excruciante, pede que o socorro de Deus o
leve para um alto refúgio. E foi exatamente isso que aconteceu. O Senhor o ressuscitou dos
mortos no terceiro dia, o trouxe para junto de si, à sua direita, e o tornou Príncipe e Salvador. Os
sofrimentos que Jesus enfrentou por causa do pecado da humanidade jamais retomarão.
Portanto, alegremo-nos! Nunca mais o Deus Jeová 0 Pastor com sua espada ferirá; Nunca mais
os cruéis pecadores Desprezarão o Senhor da glória. Robert C. Chapman E cantemos! A
tormenta que fez tua cabeça bendita encurvar Foi para sempre silenciada, E agora gozamos
descanso sem par, Enquanto a glória coroa tua fronte exaltada. H. Rossier 69:30-33 0 orador dos
sete versículos restantes é o Redentor ressuscitado. Em primeiro lugar, promete louvar a Deus
por tê-lo livrado da morte e da sepultura. Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá- lo-ei
com ações de graças, diz. Esse louvor é mais valioso para o Senhor que os mais caros sacrifícios
de animais. O coração dos aflitos e oprimidos reviverá ao perceberem que, da mesma forma que
o Senhor ouviu a oração do Redentor e o salvou, ouvirá os necessitados e libertará os
prisioneiros que vêm a Deus. 69:34-36 E quanto à nação de Israel? Os últimos três versículos
apontam para um futuro promissor. Embora temporariamente abandonado, o povo de Israel será
restaurado quando finalmente enxergar com os próprios olhos aquele ao qual traspassou.
Naquele dia, lamentará pelo Salvador como quem lamenta a morte de seu único filho e dirá:
“Bendito o que vem em nome do Senhor”. Então Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de
Judá. Não mais viverão espalhados entre as nações, mas habitarão [...] seus servos na terra
prometida, e sua descendência a possuirá. Evidentemente, essa profecia aguarda a chegada do
milênio, ocasião na qual o Senhor Jesus remará como Rei-Messias e Israel habitará em
segurança na terra.

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