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SAVIANI, D. Formação de professores no Brasil: dilemas e perspectivas.

Poíesis
Pedagógica, v. 9, n. 1, p. 7–19, 2011.

 Analisa os modelos e dilemas do processo de formação docente e apresenta


estratégias de enfrentamento desses dilemas

PARAFRASE PALAVRA / IDEIA CHAVE


Em aproximadamente 70 anos, o número Avanço quantitativo no campo
de matrículas na educação básica educacional no Brasil no século XX (1933
brasileira aumentou vinte vezes, refletindo a 1998)
um avanço quantitativo no campo
educacional.
Avanço quantitativo representou a
universalização do acesso ao Ensino
Fundamental.
Avanço quantitativo não foi acompanhado Qualidade da educação baixa demonstrada
por avanço qualitativo, como demonstram pelas avaliações oficiais
as estatísticas das avaliações oficiais sobre
a qualidade da educação.
A questão da formação de professores é a Responsabilização do professor e das
de maior visibilidade no debate sobre o instituições formadoras para a má
problema da qualidade do ensino, sendo qualidade do ensino
apontados muitas vezes como vilões pelas
autoridades educacionais e por intelectuais
de visibilidade na mídia.
Conteúdo e forma, dois aspectos que Na história da formação docente, dois
constituem o ato docente, deram origem a modelos se contrapõem
duas maneiras de encaminhar a formação
dos professores
Em um dos modelos, o dos conteúdos Modelo dos conteúdos culturais-
culturais-cognitivos, a formação de cognitivos
professores se esgota na cultura e no
domínio dos conteúdos e considera-se que
a formação pedagógico-didática virá em
decorrência da prática docente.
No modelo pedagógico-didático, a Modelo pedagógico-didático
formação de professores só se completa
com o efetivo preparo pedagógico-
didático. A instituição formadora deve
assegurar, além da formação específica da
área de conhecimento, esse preparo.
Na história da formação docente, o Predomínio de um ou outro modelo nas
modelo de conteúdos culturais-cognitivos universidades e demais instituições de
prevaleceu na formação de professores ensino superior (cultural-cognitivo) e nas
secundários, enquanto o modelo escolas normais (pedagógico-didático)
pedagógico-didático predominou na
formação de professores primários
Ao longo dos últimos dois séculos, o Não há padrão de preparação docente para
processo de formação docente no Brasil enfrentar os problemas da educação no
passou por muitas mudanças, porém a país
precariedade das políticas formativas é
constante
Os pareceres do Conselho Nacional de
Educação que tratam das diretrizes
curriculares nacionais para a formação de
professores e para o curso de pedagogia
partem de diagnósticos da situação da
área, mas não encaminha soluções
A política educacional vigente se guia Crítica à Universidade pela formação
pela redução de custos. Isso se traduz na docente onde se enfatiza aspecto teórico
formação de professores no objetivo de em detrimento do prático vem da visão de
formar professores técnicos (transmitem redução de custos que permeia a política
conhecimento) em cursos de curta duração educacional vigente.
e não professores cultos (formam os
alunos)
Nos pareceres, a dicotomia entre os dois Modelo cultural-cognitivo prevalece nas
modelos de formação (cultural-cognitivo e diretrizes para formação de professores do
pedagógico-didático) é acentuada, CNE
fortalecendo-se o modelo cultural-
cognitivo inclusive nas licenciaturas de
educação infantil, onde anteriormente
predominava o pedagógico-didático
Os desafios a serem enfrentados na Desafios da formação docente
política de formação docente são:
a) Fragmentação e diversificação de
iniciativas de formação
b) descontinuidade das políticas
educacionais
c) Nos cursos de formação, o formalismo
de cumprimento das normas se sobrepõe
ao domínio dos conhecimento necessários
ao exercício da profissão
d) Separação entre instituições formativas
e escolas
e) Paradoxo da contraposição entre teoria
e prática, conteúdo e forma, conhecimento
disciplinar e saber pedagógico-didático
f) Jornada de trabalho precária e baixos
salários
Perspectivas para o enfrentamento dos Perspectivas
desafios:
a) Desafio: fragmentação e dispersão de
iniciativas: Concepção orgânica da
formação de professores centrada no
padrão universitário e faculdades de
educação com privilégio na formação de
professores
b) Desafio: descontinuidade das políticas
educacionais: Política educacional de
longo prazo que priorize a formação de
professores cultos de longa duração
c) Desafio: burocratismo da organização e
funcionamento dos cursos: Transformação
das faculdade de educação em espaços de
ensino e pesquisa, colocando os
candidatos ao magistério em ambiente de
intenso estímulo intelectual
d) Desafio: Separação das instituições
formativas e funcionamento das escolas:
Articulação entre cursos de formação e
escolas, tomando o modo de
funcionamento das escolas como ponto de
partida para reorganização do processo
formativo e redimensionar os estágios
para que funcionem conjuntamente com
as escolas e as faculdades de educação
e) Desafio: paradoxo pedagógico:
Formulação teórica para uma solução que
superaria as oposições excludentes e
articularia teoria e prática, como proposto
pela Pedagogia Histórico-crítica, cuja
orientação metodológica recupera a
unidade da atividade educativa no interior
da prática social
f) Desafio: Jornadas de trabalho precárias
e baixos salários: Medidas relativas às
carreiras e condições de trabalho que
valorizem o professor, envolvendo dois
aspectos - jornada integral em única
escola, com participação docente e na
gestão da escola, e salários dignos que
atraiam candidatos dispostos a investir
tempo e recursos em formação de longa
duração