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BRUJERIA: OS DIABÓLICOS RITUAIS DE INICIAÇÃO

Os iniciados da sociedade criminosa chilena deveriam passar por um monstruoso ritual de passagem

M.R. TERCI PUBLICADO EM 24/05/2019, ÀS 05H00

As celebrações que marcam mudanças de status no seio de uma comunidade são chamadas ritos de
passagem. Na sociedade moderna estão ligados aos nascimentos, mortes, casamentos e formaturas e
desempenham um papel extremamente importante na formação social e cultural de uma pessoa.

Mas algumas dessas cerimônias são assustadoramente perigosas, como é o caso das luvas de
formigas tucandeiras da tribo amazônica Sateré-mawé. Os cultores do guaraná, obrigam os jovens a
colocarem suas mãos dentro da toca das formigas, cujas ferroadas, terríveis e dolorosas, são
comparadas a tiros de arma de fogo.

Outros rituais de passagem, no entanto, são ainda mais monstruosos.

Os iniciados da Brujeria, uma sociedade de criminosos e assassinos chilenos que submeteu, durante
quase um século, a ilha de Chiloé a um reinado de terror, acreditavam ter o poder de voar,
transmutar-se em animais, ler mentes, provocar mudanças nas marés e causar ferimentos graves ou
assassinar seus inimigos à distância.

Para obter o privilégio de ser aceito na Caverna existiam rigorosos testes de admissão. Vários
testemunhos, coligidos durante os julgamentos de 1880 e 1881, corroboraram o mesmo método para
admissão à sua hoste abominável:

1. O aspirante passaria 40 noites com a cabeça embaixo de uma pequena cachoeira para lavar seu
batismo cristão;

2. A cabeça e o corpo do iniciado deveriam ser lavados com o sangue de um recém-nascido, para
alcançar uma grande acuidade mental e sensitiva, com a qual ele poderia ler os pensamentos das
pessoas;

3. Cumpridas essas tarefas, ele era levado para a Caverna, para que o Rey lhe ordenasse matar um
parente em uma noite de terça-feira. Após isso, nu, ele deveria dar três voltas completas em redor da
ilha entoando um chamado para o Diabo;

4. Retornando à Caverna, o Rey lhe entregaria o colete feito da pele da vítima assassinada pelo
próprio iniciado;

5. Deveria, então, fazer o juramento diante do Diabo e, cumprida essa exigência, um grande
banquete antropofágico era servido;

6. O aprendiz de feiticeiro manteria, a partir dessa noite, um lagarto amarrado à sua testa com um
lenço vermelho, para assim adquirir sua sabedoria e testemunhar outros segredos inomináveis.

M.R. Terci é escritor e esteve na legião estrangeira, expoente no gênero fantasia sombria e horror,
seus livros mesclam história e o grande cabedal do folclore nacional às tramas autênticas e repletas
de criatividade
Chiloé, uma terra de lendas e sombras

Chiloé é a segunda maior ilha da America do Sul, perdendo apenas para Tierra del Fuego. Com uma
extensão de 180 km de norte a sul; Certos fenômenos geográficos tornam fáceis a existência de
ambientes totalmente distintos, dentro da mesma ilha. O povo nativo, em sua maioria pescadores,
constrói suas casas em palafitas, e essas são a marca registrada do local.

Mas não estamos aqui para fazer o passeio usual dos turistas, então vamos falar do outro motivo da
fama de Chiloé: deuses serpente, gnomos estupradores e feiticeiros que se vestem com pele
humana.

As lendas nativas contam, que há milhares de anos atrás, todo o arquipélago de Chiloé, era ligado
ao continente, mas Caicaivilu, a serpente do mal, inimiga de tudo que é vivo, desejava expandir
seus domínios, e resolveu engolir toda aquela região. Tentenvilú, a serpente bondosa, símbolo da
fertilidade, se apiedou do povo que vivia lá, e resolveu ajuda-los. Cada vez que a deusa maligna
mandava suas grandes ondas, a deusa bondosa ordenava às montanhas que crescessem mais. A
batalha durou muito tempo, e quando Caicaivilu se deu por vencida, a imensa faixa de terra que
outrora existia, estava quase toda submersa, e as montanhas criadas por Tentenvilu haviam se
tornado uma pequena dezena de ilhas.

Antes de dar as costas para a ilha, Caicaivilu deu uma grande mordida no solo da região, e o encheu
com seu veneno. Desse veneno surgiram as criaturas malignas que até hoje vagam por Chiloé, como
o Trauco, a Fiura e a Viúva. Algumas teorias dizem que foi também nesta época que a cabala de
feiticeiros chamada "Mayoria" surgiu, forjando pactos com os espíritos inferiores que agora
dominavam o lugar

Essa é a base para a mitologia de Chiloé (que no mundo real, é uma cidade bem simpática), à partir
daqui vou detalhar mais cada criatura e mito do local.

Brujeria, o Culto Negro de Caicaivilu


ORIGEM

Quando foi derrotada, a deusa serpente Caicaivilu cravou seus dentes sobre a terra, e do seu veneno
surgiram várias criaturas que hoje caçam na noite do Chile. Maravilhados com o poder da deusa,
muitos homens passaram a idolatra-la, alguns em troca de poder, outros em busca de algum tipo
nefasto de iluminação. Estes homens foram guiados por sonhos, até uma caverna profunda e
escura ,onde encontraram a serpente descansando, e escutaram as palavras profanas que ela
sussurrava enquanto dormia. Foi assim que surgiu a Brujeria, homens que possuem os segredos dos
deuses, e com as palavras certas são capazes de libertar coisas terríveis sobre o mundo.
INICIAÇÃO

Se tornar um bruxo, conforme as tradições da Brujeria, não é uma tarefa fácil, muitos diriam, que
não é nem mesmo algo desejável. As privações e os desafios no caminho de um jovem aprendiz são
tantas, que poucos chegam ao final da jornada, a maioria acaba morta, ou irremediavelmente
enlouquecida por tudo que viu. Mas os poucos que superam todas as dificuldades, e continuam
firmes, recebem conhecimento e poder suficiente para mudar suas vidas, e daqueles que os rodeiam.
Mudar para pior, sempre.

Conforme a tradição, um membro já conhecido da Brujeria pode apresentar seu candidato


(geralmente alguém da família) para a aprovação dos outros membros. O candidato pode ser testado
por até treze membros da Brujeria, sendo que cada um deles pode lhe apresentar um desafio ou
tarefa diferente. É dito que quanto mais duro o caminho de um aprendiz, mas poder ele será capaz
de acumular; Alguns são desafiados a assassinar e beber o sangue de um recém nascido não
batizado, outros são testados, passando um mês sem ver a luz do sol, outra imposição comum, é
obrigar o candidato ficar sob a queda d'água de uma cachoeira, sem comida ou descanso, até que ele
perca a consciência. Quando chega o dia de proferir seus votos, a maioria já perdeu boa parte da sua
humanidade.

Após passar por todos os testes, o jovem bruxo é levado para uma "Cova", o local de reunião dos
bruxos da região. Tradicionalmente a Cova é uma caverna ou gruta profunda, mas nos dias de hoje,
qualquer lugar afastado de olhos curiosos serve, desde que sejam subterrâneos. Nesse local são
feitos os votos do novo membro, os votos costumam mudar de região para região, mas existe uma
promessa que é universal: Um bruxo jamais usa magia em proveito próprio, a magia é um dom
sagrado, e só pode ser usado em benefício de Caicaivilu, a deusa serpente.

A hierarquia é algo de extremo valor para os membros da Brujeria, o aprendiz deve obediência ao
bruxo, assim como o bruxo deve ao membro do Mayoria. O Mayoria é conselho de treze bruxos,
que comanda todas células da ordem, estes anciões nunca deixaram o solo de Chioé, e algumas
lendas dizem que eles são os mesmos que em milênios antes, entraram na caverna onde dormia
Caicaivilu; Dizem também que seus misteriosos planos ainda são guiados pela própria deusa. Se é
fato ou ficção, ninguém de fora da ordem sobreviveu para contar.

RECTA PROVINCIA

Por conta da sua localização e clima instável, Chiloé só veio a se tornar realmente colônia da
Espanha em 1826 (a maior parte do Chile já havia sido colonizada em 1818). Aliados, o governo
colonialista e a igreja católica impuseram nas ilhas, um sistema de divisão de terras que beneficiava
apenas aos ricos. Muitos cidadãos perderam tudo o que tinham, da noite para o dia, e viam suas
famílias passando fome. Sem outra opção, os moradores passaram a recorrer a Brujeria, como uma
última fonte de apoio. Até hoje não se sabe exatamente o que fez os bruxos tomarem a decisão que
tomaram, se foi meramente para demonstrar o poder que possuíam, ou se era parte de algum plano
maior, O fato é que naquela época surgiu a Recta Provincia.

A Recta Provincia foi um modelo utilizado por muitos anos, que dava território próprio para
membros da Brujeria, que eram então chamados de "Reys". Cada bruxo devia lealdade ao seu Rey
local, que podiam ter suas próprias leis e agendas, ainda assim, era esperado que todo Rey dedicasse
seu tempo a fazer sua região prosperar, e minar a autoridade dos espanhóis.

Delegados e nobres menores eram assinados na calada da noite, bandeirantes se embrenhavam nas
matas e nunca voltavam, navios afundavam misteriosamente. Mais de uma igreja foi incendiada,
quando os padres começaram a tentar catequizar os moradores.

Somente em 1880 depois de duras batalhas, as autoridades conseguiram fazer um ataque certeiro, e
de uma só vez, eliminar a maior parte dos Reys e seus homens mais leais. Nessa época, tanto a
Recta Provincia, como toda a Brujeria se encontrava enfraquecida pelos anos sustentando uma
quase guerra civil.

A BRUJERIA HOJE

Após a derrota da Recta Provincia, a ordem resolveu sair de vista e atualmente se encontra com um
número bem menor de membros, apesar de ainda serem uma presença forte na América do Sul e em
partes da América Central. Alguns suspeitam de que a aparente inatividade da ordem seja
estratégica, e que a Mayoria deva estar tramando algo muito grande. Relatos esparsos de
avistamentos de invuches (detalho eles nos próximos posts) nos Estados Unidos, e México.só
colaboram com esta teoria.

Ninguém sabe ao certo quantas células ativas existem, estas são apenas as mais conhecidas;

Quicavi - O maior e mais antigo grupo, se reúne na grande Cova, onde dizem as lendas, Caicaivilu
dorme, enquanto recupera suas forças pra enfrentar novamente sua inimiga, Tentenvilu. Esse local
também é a sede do Mayoria, os membros fundadores da Brujeria, por isso mesmo, são a facção
mais conservadora, que ainda mantém antigos rituais religiosos, e sempre se vestem com o
tradicional macun (um casaco feito com pele humana). Optam pela extrema discrição e agem
sempre de forma calculada, seus inimigos são eliminados sem deixar vestígio. O maior desafio do
Mayoria tem sido se manter como liderança, já que as novas facções mais modernas, renegam o
aspecto religioso, e se apega mais a elementos práticos. A Cova de Quicavi fica nos arredores da
cidade de mesmo nome, na ilha de Chiloé.

Rufina - Um grupo bem pequeno, com aproximadamente dez integrantes, sua Cova fica de baixo do
Cemitério de Recoleta, na Argentina, um local de imenso poder. Avessos à maior parte das
tradições, os rufina tem sua origem estudiosos da Brujeria que viajavam a procura de objetos e
locais de poder. São a maior força no submundo ocultista da região, usam seus conhecimentos para
obter dinheiro e status; O usual, é que os rufina "aluguem" seus membros, para quem estiver
disposto a pagar a quantia certa. Proteger ou assassinar pessoas, roubos de obras de arte, venda e
compra de objetos mágicos, nenhuma tarefa é grande ou pequena de mais para eles. O nome da
facção, é em homenagem a Rufina Cambaccere, "a menina que morreu duas vezes" e está enterrada
no cemitério de Ricoleta.

Kalku - Os mapuches são o povo que tradicionalmente vivia em Chiloé, e kalku, é "bruxo", no seu
idioma. Essa facção é uma das poucas vitórias do grupo de Quicavi, que reuniu sob sua tutela uma
dezena de jovens nativos, e os organizou como um grupo próprio, para disseminar as tradições mais
antigas entre os grupos mais novos. Não é incomum que membros do Kalku viagem pela América
do Sul recrutando novos membros ou então, indo até as Covas de outras facções, para vistoriar suas
atividades. Mais de uma célula da Brujeria sofreu baixas, por subestimar os Kalku, que
informalmente, são o braço armado da Mayoria. Existem um ou duas covas deles, todas elas
próximas de Quicavi, mas é questão de tempo até que eles se espalhem para o continente.
Impostores - Não são realmente um grupo organizado, mas sim indivíduos que de alguma forma
usam magias ou artefatos que pertencem a Brujeria. No submundo ocultista, é comum as pessoas
conhecerem e utilizarem feitiços de diferentes origens culturais, mas se utilizar dos conhecimentos
da Brujeria, é o caminho mais rápido para se tornar um inimigo da ordem, que considera sua cultura
algo sagrado, e proibido para não iniciados. Em especial os Kalku têm movido uma guerra
silenciosa contra estes pobres azarados

Poder para os Corrompidos - O Arsenal da Brujeria


Já faz algum tempo que escrevi sobre a organização e as tradições da Brujeria, agora vou apresentar
uma lista de algumas das magias e rituais que eles utilizam.

Dente de Caicaivilu - Utilizando uma mistura especial de ervas nativas de Chiloé, o feiticeiro é
capaz de criar uma substância que causa demência, caso entre em conato com o sangue de um ser
humano. Não se trata realmente de uma magia, mas é um veneno poderoso conhecido apenas pelos
membros da Brujeria. Uma vez inoculado com a droga, a vítima passar a ser atormentado por
alucinações, e perde o controle de suas capacidades mentais, se tornando vulnerável e desatento, na
maioria das vezes não conseguindo nem mesmo revidar a ataques físicos. Pessoas que se perdem,
ou apresentam um comportamento muito estranho, podem ter sido visitadas pelos bruxos, que usam
uma agulha para infectar suas vítimas.Os efeitos costumam durar entre 12 e 48 horas.

Subjugar Animais - As crenças populares dizem que bruxos são capazes de possuir animais, e a
realidade é bem próxima do folclore. Utilizando um pouco do sangue do animal, (sendo ele qual for,
pássaro, cachorro) o bruxo é capaz de controlar suas ações, e ver e ouvir através dele.

Se Mover como Sombra - Apesar de não ser uma magia perigosa por si só, é extremamente útil
quando algum membro da ordem precisa invadir locais bem protegidos., ou passar desapercebido de
algum modo. Quando está sob o efeito deste encanto, o alvo não faz barulho nenhum, nem ativa
sistemas de segurança ou pode ser filmado, ficando visível apenas a olho nu. É comum que se lance
esta magia sobre um invuche, quando ele é enviado para executar um inimigo.

Espelho - Toda Cova possui uma sala onde o feitiço do Espelho está ativo, nas células mais
tradicionais, apenas o líder do grupo tem acesso a este lugar. Fazendo uma barganha com um
espírito dos espelhos, o bruxo consegue utilizar uma superfície refletora, como um posso de água
parada ou mesmo um vidro, para observar qualquer pessoa, basta que o feiticeiro saiba o nome dela.
É um método perfeito para espionagem, apesar de não transmitir os sons do ambiente, apenas
imagens. Para manter o espírito, é preciso que alguns sacrifícios e oferendas sejam feitas de tempos
em tempos.

Ferir os Mortos - Ser um inimigo da Brujeria pode ser um tormento, até mesmo para os que já estão
mortos. Através de um elaborado ritual, que envolve um sacrifício de sangue e cânticos, o bruxo é
capaz de reatar a alma de uma pessoa ao seu corpo morto, para lhe interrogar, ou simplesmente
tortura-lo. O "ressuscitado" sofre dores indizíveis, enquanto habita o que um dia foi seu corpo, e
agora é apenas uma casca podre; Mesmo o mais duro dos homens faz o que for preciso para cessar
o tormento; É o método comumente usado pela ordem para obter segredos de rivais.

Macuñ - A vestimenta tradicional de uma membro da Brujeria, seu maior símbolo. Quando entra
efetivamente para a ordem, o feiticeiro é instruído a criar seu próprio macuñ, um casaco feito de
pele humana. Depois dos devidos ritos, a vestimenta ganha um vínculo único com seu dono,
servindo proteger seu copo e amplificar seus poderes. Quando estiver usando o casaco, o mago se
torna invulnerável a qualquer tipo de ataque, exceto por magia e armas sagradas. Por conta da
ligação estreita, se for usado por outra pessoa, o casaco não conserva nenhum de seus poderes.

Praga - Uma das magias que fazem com que o nome da ordem seja balbuciado com temor, por toda
America. O bruxo lança uma maldição sobre a pessoa, fazendo que ela contraia uma doença lenta e
mortal. No primeiro dia, a pele da vítima se torna irritada, depois, locais do corpo passam a ulcerar,
e inchar, ficando vermelhos e cheios de pus. Qualquer leve toque na pale afetada é uma tortura,
mesmo o toque suave de um tecido é sentido como um ferro em brasa. Em três dias, os bulbo se
rompem e vertem uma água podre e amarelada, que faz com que nasçam ainda mais bulbos, nos
locais onde encostarem na pele. Não existe descanso para o adoentado, durante o sono, os
ferimentos se rompem com ainda mais frequência, e sem notar, ele espalha a infecção para o resto
de seu corpo. É necessário que o bruxo use seu próprio sangue para começar a infecção, seja
tocando em seu rival, ou em algum de seus pertences.

Bom, estas são algumas das magias usadas pela Brujeria, mas é claro que existem inúmeras outras,
a maioria delas ligadas à natureza, degradação e venenos.

Invunche

Na porção mais ao sul do Chile, é sabido que magia negra e uma forma terrível de feitiçaria de fato
existem. Os habitantes da Ilha de Chiloé aprenderam a temer os rituais de feitiçaria realizados por
esses bruxos, rituais estes que permitem criar verdadeiras abominações. Uma das criaturas
construídas com magia é especialmente temida: o Invunche, uma aberração distorcida que um dia
foi um ser humano, transformado em um monstro cuja função é guardar o covil dos bruxos.

O método através do qual o Invunche é criado envolve mais dor e sofrimento do que qualquer ser
humano seria capaz de suportar. As pobres vítimas utilizadas como matéria prima para dar vida a
essas criaturas são distorcidas em sua própria essência, ressurgindo para uma existência perpétua de
horror.

O nome Invunche (pronuncia-se in-voon-chay) pode ser traduzido como "mestre da ocultação" com
base no idioma Mapudungun. Outra interpretação pode ser "pessoa monstruosa" conforme alguns
dialetos Mapuche. A criatura também é conhecida como "Imbunche" ou "Achucho de la Cueva",
nomes opcionais usados por aqueles que acreditam ser arriscado dizer o nome da criatura em voz
alta.

O processo de criação de um Invunche envolve o sequestro de um bebê do sexo masculino, de


preferência o filho primogênito de uma família cristã. A criança não deve ter sido batizada e se a
abdução for realizada logo após o parto - com o recém-nascido ainda coberto de sangue, placenta e
líquidos amnióticos, tanto melhor. Do contrário, uma criança de até um ano pode ser usada no
horrível ritual. Segundo rumores, mães solteiras e pais inescrupulosos por vezes suprem os
feiticeiros com bebês vendidos ou entregues de bom grado para sofrer a transformação. Algumas
fontes atestam que uma criança fruto de incesto ou estupro, resulta em um Invunche especialmente
poderoso.

Uma vez nas garras do cabal de feiticeiros (chamados de Brujos Chilote), o terrível suplício se
inicia nas mãos de um membro da Brujeria, conhecido como Cirurgião (el cirurgiano), também
chamado de Deformador.

Primeiro ele quebra uma das pernas do bebê e a torce de forma dramática sobre as costas. A perna é
fixada nessa posição através de uma grotesca cirurgia. Em seguida, mãos, braços e a outra perna são
deslocadas e imobilizadas com talas em estranhas posições. Em algumas descrições, o cirurgião
escava a pele abaixo do ombro direito do bebê usando uma faca, criando dessa forma um orifício
onde a mão direita é inserida e a pele costurada. Segundo a lenda, ao longo de todo esse cruel
processo, a única coisa que mantém o bebê vivo é a utilização de magia negra que previne sua
morte. A cabeça da criança é então moldada com o uso de prensas, para que se torne disforme, ao
mesmo tempo o pescoço é torcido com um torniquete, fazendo com que a face fique voltada 180
graus na direção das costas. Finalmente quando todas as fraturas e torções são concluídas, os bruxos
espalham uma espécie de unguento sobre todo o corpo da criança. Essa infusão, obtida com a
mistura de vários ingredientes nativos de Chiloé, faz com que a pele se torne escura e grossa,
parecendo madeira. Para finalizar, a língua é cortada na ponta para parecer a sibilante língua de uma
serpente.

No decorrer de todo ritual, os membros da Brujeria rezam e dançam ao redor de um círculo de


proteção, canalizando energias curativas para que as feridas cicatrizem rapidamente e a vítima não
morra. Fatalidades contudo podem ocorrer, principalmente se o Deformador cometer erros, nesse
caso, uma nova vítima tem que ser obtida e o procedimento repetido. Alguns feiticeiros acreditam
que os restos de um Invunche devem ser atirados num caldeirão e cozidos até os ossos se
desprenderem da carne. Do contrário, mesmo morta, a criatura pode retornar com o objetivo único
de se vingar daqueles que a torturaram e mataram.

Após a conclusão do ritual, são necessários vários anos para que os encantamentos continuem
transformando o corpo desfigurado da vítima. Nesse meio tempo, a criança (se é que a pobre
coitada ainda pode ser reconhecida como tal), é trancada em uma cela na parte mais profunda da
Caverna. Ela é alimentada por uma ama de leite, em geral, uma mulher com sangue Mapuche,
nascida em Chiloé e sequestrada pela Brujeria. Nas noites de lua cheia, também cabe à ama, lavar o
corpo do Invunche com unguentos mágicos para preservar a potência das magias. Quando o
Invunche atinge uma certa idade, ele recebe um cabrito (a carne de uma criança) da qual se
alimenta. A ama então é dispensada de sua função, recebendo um presente da Brujeria - na forma de
ouro ou prata. Uma vez que o Invunche atinge a adolescência, sua mente e inteligência já
desapareceram por completo, o que marca o final da transformação.

Como dito antes, o Invunche serve como um Guardião, protegendo e vigiando o covil de seus
mestres. A criatura é particularmente adequada a esse papel, uma vez que a transformação de
humano em monstro concede a ela habilidade únicas. Embora não seja muito ágil, o Invunche tem
sua força aumentada de forma sobrenatural. Além disso, a mera visão do Invunche pode paralisar
uma pessoa de medo, impedindo que ela escape. Apenas bruxos são capazes de encarar a horrível
forma de um Invunche sem maiores repercussões. Um dos testes para candidatos a ingressar na
Brujeria envolvia justamente ser confrontado por ele e reagir à altura.
O Invunche é um pesadelo com o corpo deformado, coberto de marcas escuras, ele se limita a
murmurar de forma medonha. A criatura possui uma barriga arredondada, longas unhas amareladas
e uma língua de serpente. Não veste roupas ou usa qualquer ferramenta. Ele se move de forma
desengonçada com sua única perna e com o auxílio do braço, mas é capaz de saltar e cair sempre de
pé. Se consegue chegar perto o bastante, o Invunche ataca tentando derrubar seu alvo no chão e
depois salta sobre ele. Com sua força descomunal ele pode facilmente quebrar o pescoço de um
homem adulto. Sua pele áspera e dura, quase coreácea, resiste a golpes e a criatura parece
abençoada por um tipo de regeneração, possivelmente uma capacidade residual das magias
curativas lançadas no momento de sua criação.

O Invunche não é capaz de se comunicar, mas consegue entender as palavras de seus mestres e
obedece suas ordens prontamente. Ele costuma se manter escondido na entrada da Caverna que
hospeda os rituais da Brujeria e sempre que detecta a presença de um invasor se aproxima para
interceptá-lo. Se a pessoa não for escoltada por um feiticeiro, o mais provável é que o Invunche a
ataque e arraste seu corpo inconsciente ou morto para o interior do covil, a fim de mostrar para um
dos bruxos. Cruel por natureza, o Invunche se diverte cometendo atos de tortura, quebrando ossos
ou mordendo seus prisioneiros até arrancar-lhes pedaços.

Um monstro não pode se afastar da entrada da Caverna que foi incumbido de defender. Se um
invasor consegue vencer o terror de ver o Invunche e corre imediatamente, ele tem uma chance de
escapar. A única circunstância em que o guardião pode abandonar seu posto, é se um feiticeiro
assim ordenar. Em geral, isso ocorre quando o Conselho de Bruxos decide assassinar um inimigo
especialmente perigoso ou intimidar um vilarejo que ousou se rebelar. Esses casos são
consideravelmente raros, pois a cabala dificilmente libera seu Guardião correndo o risco de ficar
desprotegida.

Embora seja uma verdadeira façanha, é possível matar essa abominação. Uma vez que ele ainda é
em parte humano, o Invunche pode ser ferido por armas feitas pelo homem. Contudo, a densidade
da pele do Invunche - magicamente transformada, apresenta um sério obstáculo para lâminas e até
mesmo armas de fogo. Além disso, as magias de cura lançadas sobre o monstro, fazem com que
ferimentos cicatrizem quase que imediatamente. Uma vez gravemente ferido, o Invunche tenta
escapar para dentro da caverna de seus mestres até se recuperar. Mesmo ferido ao ponto da
incapacitação, o Invunche precisa ser decapitado, esquartejado e queimado para não regenerar.
Infelizmente não há muitos detalhes sobre como deve ser o procedimento para eliminar de vez essa
monstruosidade.

O Invunche representa o ápice da crueldade da Brujeria Chilote e seus impronunciáveis crimes


contra a humanidade. Ele é uma aberração, uma criatura pervertida pela magia negra e que existe
apenas para fazer o mal e disseminar a desgraça.

O Invunche (ou Imbunche, sign:"pessoa deformada"), é uma criatura da mitologia mapuche e


chilena. Em Chiloé também chamado de Machucho, Butamacho ou Chivato. Esta criatura é um
homem deformado com sua cabeça inclinada para trás, e tem os braços, dedos, nariz, boca e orelhas
torcidos. Anda em uma perna ou três pés (um pé e as mãos), pois a outra perna está ligada ao
pescoço, por trás da nuca. O invunche não tem o poder de falar, apenas lançando gutural, áspero e
desagradável.

Lendas dizem que o Invunche protege a entrada da Caverna de feiticeiros ou praticantes de magia
negra. As lendas chilotas também dizem que ele é um tipo de consultor dos bruxos de Chiloé, já
que, apesar de não ser iniciado na bruxaria, adquiriu uma grande quantidade de conhecimento
durante a sua vida na caverna. Ele também seria usado como um instrumento para sua vingança e
maldições.

O Invunche sai da caverna, algumas vezes, quando está de mudança, quando sua casa for destruída
ou descoberta, e às vezes quando os bruxos necessitam deles. Os bruxos o levam chicoteando-o
pelo caminho, até o lugar onde pretendem causar o mal. Ao longo do caminho, o Invunche vai
gritando e assustando os aldeões, e assim anunciam alguma desgraça próxima.

Em outros casos eles deslocam os feiticeiros para levá-lo para outro distrito, onde se celebra o
conselho dos bruxos de duas ou mais jurisdições. O Invunche obtém seu alimento com feiticeiros, e
só quando a comida esta escassa, os bruxos permitem que ele saia da caverna que protege, para
procurar comida.

Se alguém quiser entrar na caverna guardada por um Invunche, primeiro deve-se fazer uma
reverencia ao Invunche e depois beijá-lo em seu traseiro.

Diz-se que os bruxos quiserem obter um guardião para sua caverna, eles devem sequestrar um filho
primogênito recém-nascido de uma família ou, em muitos casos comprar a criança do pai que queira
vendê-la, ou dar em troca de favores feiticeiros, e com um ritual a criança se transformaria em um
Invunche.

Para fazer a transformar uma criança em Invunche, os bruxos lhe quebram uma perna, e a torcem
sobre suas costas. Então lhe aplicariam um unguento magico que faria crescer pêlos grossos. Por
ultimo lhe partem a língua em duas, para imitar a língua das cobras. Após este ritual, deve-se
alimentar o novo Invunche de uma forma especial, primeiro lhe dar leite de gato ou o leite de uma
mãe indiana, quando tiver dentes, dar-lhe carne de cabrito, e quando esta mais adulto alimentar com
carne de cabra.