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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICURITIBA

BACHARELADO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS


RESENHA CRÍTICA
ALUNA: MANUELA PAOLA BATISTA BARBOSA

OBRA ANALISADA:

Cap. 5 e 6. WALTZ, Kenneth. Teoria das Relações Internacionais. Gradiva.


Berkeley: 1979, 334p.

CREDENCIAIS DO AUTOR

Kenneth Neal Waltz foi um cientista político e professor, conhecido por


ser o idealizador do teoria neorrealista das relações internacionais. Foi PhD
em ciência política pela Universidade de Columbia e professor da mesma
matéria no Swarthmore College, Universidade de Brandeis e na Universidade
da Califórnia. Na Universidade de Columbia, tornou-se professor emérito.
Além da obra a ser apresentada, Waltz fez outras publicações: a
primeira, de 1954, foi O Homem, o Estado e a Guerra: uma análise teórica.
Também foi coautor do livro The Spread Of Nuclear Weapons(sem tradução
para o português), de Scott D. Segan.

OBJETIVO DO AUTOR:

Nos capítulos 5 e 6 de sua obra mais famosa, o objetivo de Kenneth


Waltz é fazer o leitor entender como se dá a posição internacional dos
Estados, em dois sistemas internacionais: o hierárquico e o anárquico,
explicando o que são estruturas e unidades e como elas se integram para
formar o sistema internacional. Explica, também, como testar a teoria
apresentada.
Os capítulos aqui apresentados(e o livro em geral) são indicados para
estudantes de Relações Internacionais que desejam entender a organização
internacional dos Estados e como ela acontece.
IDEIAS CENTRAIS DOS CAPÍTULOS:

No primeira parte do capítulo 5 de seu livro Teoria das Relações


Internacionais, Kenneth Waltz disserta sobre o sistema e como ele é
composto por uma estrutura e por unidades em interação. A definição de
estrutura é difícil uma vez que ela deve ser livre dos atributos e das
interações das unidades e deve deixar de lado as características, as
unidades, os comportamentos e suas interações, ou seja, o que se procura
aqui não é definir o que é estrutura(que levaria em conta como as unidade
interagem entre si, uma vez que as interações acontecem ao nível das
unidades), mas sim esclarecer como as unidades estão organizadas e
formam a estrutura, que acontece ao nível do sistema. Portanto, a estrutura
deve ser definida pela disposição das partes do sistema e pelo princípio
dessa disposição, e não pelas unidades em si.
Na segunda parte do capítulo, o tema ainda é estruturas políticas, mas
com o enfoque dos resultados das interações entre as unidades. Antes de
discorrer sobre a estrutura internacional, é importante entender como se dá a
estrutura interna. A constituição pode descrever algumas partes da
organização, mas o desenvolvimento das estruturas políticas não é o mesmo
que da constituição. O sistema interno de um Estado é ordenado
hierarquicamente, ou seja, as unidades têm uma relação de superioridade e
subordinação. Nesse caso, os atores políticos são formalmente diferenciados
de acordo com o grau de sua autoridade e suas funções são especificadas.
Logo, as estruturas políticas internas são definidas pelo princípio ordenador,
pela diferenciação das unidades e pela distribuição das capacidades.
Essas características se aplicam, também, às relações internacionais.
A primeira delas, o princípio ordenador, é dividido em dois: princípio de
subordinação, no qual prevalece a ordem hierárquica e centralizadora; esta
acontece no plano interno dos estados; e o princípio de coordenação, que
acontece num sistema anárquico descentralizado, ou seja, no sistema
internacional, que é formado pela cooperação entre unidades
egoístas(sistema de auto-ajuda), o que significa dizer que a estrutura surge
da coexistência dos estados, que acontece involuntária e espontaneamente.
O que se pode extrair dessas informações é que o objetivo mínimo de um
Estado é a sua sobrevivência, que é pré-requisito para outros objetivos que
possam aparecer, como por exemplo conquistar o mundo ou apenas ser
deixado em paz. O motivo desse objetivo primário é que não há garantias em
relação à segurança dos estados. Isso leva em consideração que nenhum
estado busca exclusivamente sua sobrevivência; pode preferir se fundir à
outro estado. Isso se deve ao fato de que os estados podem alterar seu
comportamento de acordo com a estrutura formada pela interação com outro
estados.
A segunda característica das estruturas é a especificação das funções
das unidades. No plano hierárquico, há relações de superioridade e de
subordinação, que implicam a diferenciação das unidades. No sistema
internacional, que é anárquico, há relações de coordenação, ou seja, as
unidades são semelhantes. E por que são semelhantes, uma vez que há uma
grande variedade de estados? Enquanto unidades políticas autônomas, todos
os estados são parecidos, por causa de sua soberania. Ser soberano não
significa fazer o que bem desejar nem que é livre da influência de outros
estados. Significa que o estado tem autonomia para decidir como enfrenta
seus problemas internos e externos, uma vez que desenvolvem suas próprias
estratégias, decidem seus próprios caminhos e tomam suas próprias
decisões, porém, tudo isso leva em consideração o plano internacional, ou
seja, o estado soberano também sofre pressões dos outros estados e muitas
vezes toma decisões indesejadas. É nesse sentido que podemos dizer que
os estados são semelhantes; as diferenças entre eles são de capacidade e
não de função.
A terceira e última característica das estruturas denomina-se
distribuição das capacidades(apesar de parecer, não é um atributo das
unidades). Aqui, não são incluídas características como ideologia, forma de
governo, paz, força militar, recursos naturais, economia, entre outras, mas
justamente por causa desses fatores, alguns estados têm mais capacidade
para realizar determinadas tarefas, que são comuns para todas as unidades.
Assim, as mudanças nesta distribuição acaba por mudar o sistema, seja ele
anárquico ou hierárquico.
O capítulo 6, intitulado Ordens anárquicas e balanças de poder,
examina as característica do sistema anárquico e as formas como as
expectativas variam de acordo com a mudança nas distribuições de
capacidades.
A primeira parte deste capítulo desenvolve o argumento de que uma
vez que um anarquia significa ausência de governo, isso significa também a
ocorrência de violência. Como alguns estados podem usar a força, todos os
outros têm de estar preparados para usá-la também. Logo, a ameaça de
violência diferem os assuntos internacionais dos internacionais. Como isso
acontece? Dentro de um estado, o uso da força não é de seu monopólio, mas
seu uso legítimo da força sim, portanto, o uso da força privada é evitado
pelos agentes do governo. Internacionalmente, isso não acontece, uma vez
que não um estado maior que todos para organizar todos os outros. Logo, o
sistema internacional é um sistema de auto-ajuda.
A segunda parte infere sobre interdependência e integração entre os
estados. O autor difere esses dois termos da seguinte maneira:
interdependência é usado para descrever a condição entre as
nações(sistema anárquico e internacional) e como ela aproxima as partes da
mesma, enquanto integração significa a condição dentro das nações e como
ela deixa essas partes vagamente ligadas(no sistema hierárquico e interno).
Na anarquia, as unidades semelhantes(que lutam para manter sua
independência) cooperam; na hierarquia, unidades diferentes interagem e
tornam-se interdependentes. Logo, surge a questão: por que a integração
internacional não acontece? A estrutura dessa relação limita a cooperação
entre as nações de duas formas: a primeira delas é o fato de que uma divisão
de ganhos pode beneficiar um estado mais do que a si mesmo e a segunda é
que há a preocupação de não se tornar dependente de outros estados pelos
esforços cooperativos e trocas de bens e serviços. Apesar de a interação
entre as nações e sua maior divisão de trabalho causar um bem-estar melhor
para todos, isso não acontece por causa do medo da dependência.
Sobre as estruturas e estratégias, Waltz afirma que o egoísmo pode
levar a resultados coletivos indesejados e os indivíduos, comportando-se
diferentemente, irão se prejudicar sem alterar o resultado. É isso que
acontece com os estados. Portanto, se a estrutura não muda(e ela pode ser
mudada), o resultado também não.
No sistema anárquico, uma situação de auto-ajuda, que é o princípio
de ação nesse sistema, tem um risco muito alto, apesar de os custos
organizacionais serem baixos. Para evitar os riscos, bastaria passar da
anarquia para a hierarquia, que mesmo com vantagens, exibe altos custos de
organização. O que se deduz dessa parte do capítulo é que os estados não
podem confiar num ente maior, como uma agência central, para regular e
administrar as partes, porque isso inevitavelmente geraria uma competição
entre os estados para, de certa forma, governar o mundo, o que traria
consequências indesejadas para todos os envolvidos. Então, basicamente, a
ameaça de conflitos entre as nações gera um esforço mútuo para evitá-las.
Apesar de existirem muitas categorias de ordens políticas, apenas
duas são necessárias para explicar as políticas internas e externas: anarquia
e hierarquia, uma vez que ambos os conceitos abarcam todos os assuntos
existentes. Por mais que eles se misturem em determinados casos, isso não
significa que devemos definir um terceiro sistema.
Na última parte do capítulo 6, Waltz discorre sobre a teoria das
relações internacionais. O autor a imagina como um domínio específico(que
foi visto no capítulo 5), que possui regularidades(início do presente capítulo)
e que desenvolve uma forma de explicar essas regularidades. A resposta é o
Realpolitk e a balança de poder. O primeiro termo descreve os métodos pelos
quais a política externa é conduzida e, consequentemente, nos leva até a
balança de poder, que explica os resultados de tais métodos. Aqui surge,
novamente, a ideia de auto-ajuda. Os estados que não ajudam a si mesmos
ou que fazem poucos esforços para tal, não prosperarão e sofrerão. O temor
dessas consequências faz com que os estados se comportem de forma a
criar as balanças de poder - que podem existir tanto com dois estados quanto
com mais de três.
Para finalizar o capítulo, é constatado que, da teoria das relações
internacionais, a tendendência é justamente criar uma balança de poder entre
os estados e que a preocupação não é mantê-la, e sim restaurá-la, caso ela
seja perdida.
APRECIAÇÃO CRÍTICA DA OBRA:

Uma das muitas preocupações de Kenneth Waltz era responder quais


eram as causas da guerra. Em um mundo pós-Guerra Fria, e portanto,
bipolarizado, a ameaça do uso das bombas nucleares era suficiente para
evitar um conflito direto entre EUA e URSS. Logo, a guerra é uma
consequência da anarquia internacional, que significa que os estados
competem entre si para manter a sua sobrevivência.
Nos capítulos apresentados, o autor nos dá uma visão clara das
razões dos conflitos, primeiro explicando a formação do sistema internacional
e porque ele é uma anarquia. Utilizando de exemplos da teoria
microeconômica, Waltz se faz entender muito didaticamente porque os
estados agem de determinadas formas e como isso leva até a balança de
poder, fazendo com que os estados evitem os conflitos.
O autor é certeiro ao dizer que a perspectiva de um governo mundial
seria um convite para a preparação para a guerra civil mundial. Pensar em
uma agência maior para controlar todos os outros estados é inocente, uma
vez que o controle dessa agência seria disputado pelos mais fortes, o que
levaria a diversos conflitos indesejados pelos maiores, e deixaria de lado os
estados menores.

REFERÊNCIAS:
Kenneth Waltz and his Legacy, 22 de maio de 2013, acesso em
04/04/2019: https://www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2013-
05-22/kenneth-waltz-and-his-legacy

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