Você está na página 1de 4

Câmpus de Fanca

Alexandre Bolzani Morello

Resenhas Nove Clássicos do Desenvolvimento Econômico


Resenhas dos capítulos IV, V e VI

Atividade de Economia Política

Trabalho solicitado à disciplina de


Economia Política sob a
responsabilidade do Professor
Pedro Geraldo Saadi Tosi

FRANCA 2019
CAPÍTULO IV
Lewis traz que para a superação do subdesenvolvimento seria necessário que os
diversos setores crescessem simultaneamente, levando à expansão das ilhas de
desenvolvimento e modernidade. Dessa maneira, a mão de obra excedente também seria
absorvida de maneira produtiva.

Para isso, propõe que o instrumento necessário à formação e acumulação do capital


externo seria a modificação da distribuição funcional da renda, pois isso incrementaria a
parcela dos salários em detrimento da renda da terra.
Vale destacar o papel, também, das instituições que se revelem e retroalimentem
aspectos importantes ao desenvolvimento. Por fim, Lewis faz uma ponderação sensata acerca
do real papel do Estado na economia. De um lado, deve ele intervir, de maneira estratégica,
para alavancar o desenvolvimento econômico; de outro, deverá se atentar para não sobrepujar
a iniciativa privada.

CAPÍTULO V
Albert O. Hirschman critica a utilização das teorias de crescimento que explicam o
desenvolvimento dos países centrais aos países periféricos, como uma espécie de “atalho”.
Para o autor, esse atalho pode se transformar em uma longa curva, em função das adaptações
necessárias a uma boa aplicação da teoria à realidade.
Em suma, Hirschman propõe uma teoria, na qual não existe um modelo rígido para o
desenvolvimento dos países e na qual a “habilidade para o investimento” possui uma
relevância central no processo de crescimento, cabendo às autoridades a condução do
processo de modo que sejam eliminados os entraves para que essa habilidade se concretize em
projetos e crescimento econômico.
Além disso, o autor critica a abordagem da teoria do desenvolvimento equilibrado, pois essa
não considera as diferenças econômicas, sociais, políticas e culturais entre as sociedades. Para
Hirschman, o equilíbrio é muito mais negativo do que positivo para o desenvolvimento. O
desequilíbrio, para o autor, é justamente, com suas inúmeras forças e características, o que
deixa viva a circulação do sangue do crescimento, de modo que a primeira preocupação dos
condutores da política de desenvolvimento é procurar conservar e, não, eliminar os
desequilíbrios”.
De mesma forma, Friedrich List reconhece a importância das peculiaridades internas das
nações, assim como as diferenças que acabam definindo as dinâmicas econômicas mundiais.
Assim como Hirschman, List percebeu que o único interesse dos países desenvolvidos é
perpetuar seu ciclo de dominação a partir de trocas comerciais com benefícios desiguais.
Baseando-se na experiência histórica, o economista alemão chegou à conclusão de que o livre
comércio entre duas nações civilizadas só poderia ser mutuamente benéfico se ambas
estivessem em um mesmo grau de desenvolvimento industrial. Apenas sob essas
circunstancias, o livre comércio pode prover as diversas nações do mundo com as mesmas
vantagens. Caso contrário, qualquer nação que estivesse atrasada em relação à outra deveria,
antes, aparelhar-se para entrar na livre concorrência com nações mais desenvolvidas.
Diferenciando estratégias para cada estágio de desenvolvimento diferente, como é
característico da Escola Histórica Alemã, List opunha-se a adoção de medidas protecionistas
em países que não haviam chegado ao mínimo nível politico, econômico e cultural.
Constatava que o comércio era fundamental para a modernização de um país, mas que, se ele
não tivesse uma base interna forte, com condições que poderiam ser chamadas de
“competitividade sistêmica”, o capital e o comércio tenderiam a fugir para centros mais
adequados. Daí a importância da segurança jurídica, da democracia, de uma infra-estrutura
adequada, do controle das rotas comerciais, da visão geopolítica.

CAPÍTULO VI

Myrdal nos traz, a partir de uma crítica teórico-metodológica, a inadequaçã


o da abordagem econômica convencional para tratar das especificidades dos países
subdesenvolvidos. Para isso, Myrdal destaca os mecanismos de causação circular cumulativa.
O comércio internacional, guiado pela especialização produtiva, funciona como uma espécie
de perpetuador das desigualdades crescentes entre os países subdesenvolvidos e
desenvolvidos.

Partindo para outro ponto teórico de Myrdal, é destacado os efeitos propulsores fracos que
explicam e perpetuam as próprias desigualdades internas dessas nações. Para ele, nos países
subdesenvolvido os propulsores são fracos e ineficientes ; já nos países desenvolvidos, fortes
e eficientes.

Por fim, em um último, não menos importante, ponto teórico, Myrdal nos diz que, para de fato
haver chance de êxito no programa de desenvolvimento econômico, deve-se priorizar a
criação de escolas e universidades, destinadas à preparação de estudiosos e cientistas dessa
área. A teoria econômica deveria transforma-se em uma teoria social.