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I.

PRINCÍPIOS DO DIREITO CIVIL


1. AUTONOMIA DA VONTADE (CONSENSUALISMO)
Art. 421 CC/02
Respeitando a função social
“Pacta sunt servanda” – O contrato faz lei entre as partes
Liberdade de: Contratar + Escolher com quem contratar + Escolher o conteúdo do
contrato
Princípio decorrente do liberalismo pós revolução francesa: (a) Privatismo, (b)
Possibilidade de criação de relações jurídicas *quase livres da ingerência do Estado.
*Por conta da socialização do direito civil, o Estado adentra nas relações privadas visando
coibir abusos e garantir o interesse social.
2. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO E DA PROPRIEDADE
(SOCIALIDADE)
Art. 421 CC/02
A relação contratual deverá compreender os deveres jurídicos gerais e de cunho
patrimonial (de dar, fazer ou não-fazer) bem como deverão ser levados em conta os
deveres anexos ou colaterais que derivam desse esforço socializante;
Sistema voltado principalmente para a proteção da pessoa humana;
Não pretende aniquilar os princípios da autonomia da vontade e/ou do “pacta sunt
servanda”, apenas tenta amenizá-los, tornando-os mais vocacionados para o bem comum.
3. ETICIDADE
Afasta o excessivo rigorismo formal ao conferir ao juiz “não só poder para suprir lacunas,
mas também para resolver, onde e quando previsto, de conformidade com valores éticos”
– Miguel Reale
“Interpretar as regras do Código Civil com base em princípios éticos e contribuir para que
a ideia de justiça aplicada concretamente torne-se realidade” – José Augusto Delgado
Leva em conta os padrões de comportamento da sociedade - O juiz não deve julgar uma
causa baseado somente na lei ou no contrato.
4. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
Princípio geral – fundamento do ordenamento jurídico brasileiro
A vida humana é um bem incalculável
Art. 1°, III, CRFB/88
Inegociável – Ex: Caso do lançamento de anões da França
5. BOA-FÉ OBJETIVA
Diretriz principiológica de fundo ético e espectro eficacial jurídico
*OBS: Boa fé subjetiva – situação psicológica em que o agente que realiza determinado
ato não tem ciência do “vício” que a inquina; ignorância do agente com relação a uma
dada circunstância; respaldado pela lei (Art. 1214 ao art. 1220, e art. 1242 CC/02)
Boa fé objetiva: Regra de comportamento, de fundo ético e exigibilidade jurídica; dever
jurídico principalmente de dar, fazer ou não fazer + deveres jurídicos anexos (impostos
tanto ao sujeito ativo quanto ao sujeito passivo)
 Funções da boa-fé objetiva
a) Interpretativa + Colmatação
b) Função criadora de deveres jurídicos anexos:
 Deveres de lealdade e confiança recíprocas
Fidelidade dos compromissos assumidos
Estabelecimento de relações calcadas na transparência e verdade
Confiança das partes
Explicitação dos direitos e deveres
 Deveres de assistência
Dever de cooperação
Se o contrato é feito para ser cumprido, cabe às partes facilitar o
cumprimento e dar assistência durante a extensão
Ex: não dificultar o pagamento, por parte do devedor, ou o recebimento de
crédito, pelo sujeito ativo da relação obrigacional
 Dever de informação
Comunicar à outra parte todas as características e circunstâncias do
negócio e, bem assim, do bem jurídico, que é seu objeto, por ser imperativo
de lealdade entre os contratantes
 Dever de sigilo ou confidencialidade
Resguarda o direito da personalidade
 Função delimitadora do exercício de direitos subjetivos
Evitar o exercício abusivo, tira a legitimidade das “cláusulas leoninas”
Art. 51 CDC
Art. 422 CC/02

*A boa fé deve ser encontrada nas fases pré-contratual, contratual e pós-contratual


c) Desdobramentos:
 Venire contra factum proprium
Proibição do comportamento contraditório
 Supressio
Perda de um direito pela falta de seu exercício em um razoável lapso
temporal
 Surrectio
Surgimento de um direito exigível, como decorrência lógica do
comportamento de uma das partes
 Tu quoque
Quando um comportamento que quebra a confiança e surpreende uma das
partes da relação comercial colocando-a em situação de injusta
desvantagem
Se uma parte não executou a sua prestação no contrato, não poderá exigir
da outra parte uma contraprestação
 Exceptio doli
Sancionar condutas em que o exercício do direito tenha sido realizado com
o intuito de prejudicar a parte contrária
 Inalegablidade das nulidades formais
Ninguém se deve valer da própria torpeza (comportamento repugnante)
 Desequilíbrio no exercício jurídico
Abuso de direitos não pode ser tolerado pelo ordenamento
 Cláusula de Stoppel
Vedação do comportamento contraditório no campo do direito
internacional
Deve ser devidamente fundamentado