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Daniel Alexandre de Morais e Sousa

TRABALHO FINAL DE PORTUGUÊS

12º ANO

ANO LETIVO 2018-2019

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Introdução

Este trabalho de português consiste numa síntese da obra escolhida para leitura individual,

segundo o PNL. Foi escolhida em função das minhas preferências literárias, pois, embora

não goste muito de ler, ainda assim gosto mais de intrigas policiais.

O trabalho vai decompor-se em 3 partes: uma primeira será constituída pela síntese da

obra escolhida, Novelas Policiárias, de Fernando Pessoa; uma segunda parte refletirá uma

síntese das obras lecionadas no decorrer dos 3 anos do secundário; a terceira e última

parte será a tentativa de estudo comparativo entre a obra escolhida no 12º ano e as obras

lecionadas no decorrer dos 3 anos letivos.

Este tipo de trabalho, na minha opinião, serve de revisão para o exame nacional visto ter

que se retomar os conteúdos dados anteriormente e muitas vezes esquecidos de um ano

para o outro. Também serve como texto de opinião, pois, o facto de comparar a obra em

estudo com esses conteúdos previamente citados, pede bastante reflexão.

Desenvolvimento

I- Síntese da obra escolhida para leitura individual

Tal como já tinha justificado nos trabalhos anteriores apresentados nos dois

primeiros períodos, escolhi a obra Novelas Policiárias, uma antologia, de Fernando

Pessoa, da editora Assírio e Alvim, por ser uma obra bastante diferente de tudo o que já

tinha lido até agora sobre esse mesmo autor. Pois, trata-se de uma série de “novelas”,

estórias de detetives que o ortónimo escreveu, muito longe daquilo que estudamos no 12º

ano, podendo fazer assim um contraponto ou uma comparação com o que foi dado este

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último ano letivo, escrito pelo mesmo escritor, mas também fazendo uma pequena

comparação com o tipo de obras completas que foram estudadas ao longo dos três anos.

O livro, apresenta trechos de seis novelas da série Quaresma:

-“o Caso Vargas”;

-“o Pergaminho Roubado”;

-“o Caso da Janela Estreita”;

-“a Morte de D. João”;

-“a Carta Mágica”;

-“Crime”.

As últimas duas novelas citadas estão completas.

As seis novelas apresentam um elo comum na presença da personagem de

Decifrador dos casos relatados. O seu nome é Abílio Fernandes Quaresma, solteiro, maior

de idade e médico sem clínica, que mora num 3º andar da rua dos Franqueiros., num

quarto pequeno, desarrumado, com janela aberta para os telhados, por onde entrava a luz

de Lisboa. Vai ser esse personagem, o fio condutor de todos os relatos embora não se

manifeste como um outro heterónimo de Fernando Pessoa, pois, é apresentado, no

prefácio, como amigo de longa data.

Logo à partida, a primeira novela que abre a antologia, “o Caso Vargas”, é

apresentada como um relato policial. Primeiro, estabelece-se uma introdução do crime

sucedido, apresenta-se, a seguir, o Dr. Quaresma e sucessivamente as teorias sobre como

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resolver um caso policial com uma subdivisão, como se de um tratado de filosofia se

tratasse, por capítulos tal como segue:

-“a Arte de raciocinar”;

-“Aplicação do processo hipotético ao caso Vargas”;

-“Aplicação do processo psicológico”; para se chegar ao depoimento final.

Com esta forma de escrita, temos mesmo na pessoa de Quaresma, um verdadeiro

Decifrador porque resolve os enigmas de forma muito lógica, racional quase à maneira

de Sherlock Holmes, o detetive inventado por Arthur Conan Doyle, no século xix.

Sherlock Holmes não é o primeiro investigador do romance policial. Contudo, foi e ainda

é famoso por utilizar, na resolução dos seus mistérios, o método científico e a lógica

dedutiva. Não podemos esquecer as influências inglesas de Fernando Pessoa.

Dado o facto de serem novelas incompletas à exceção das duas últimas, “a Carta

Mágica” e “Crime”, como já referido, é acerca de uma das duas que vou escrever um

pequeno resumo. Aparece outra personagem já comum a outras estórias, o Chefe de

polícia Guedes.

Francisco de Almeida Sá, engenheiro, dirige-se à uma esquadra específica,

pedindo para falar com o Chefe Guedes acerca do desaparecimento de uma carta que o

pai lhe tinha deixado, dois anos antes dos acontecimentos, aquando do seu falecimento.

A missão do engenheiro, seria de entregar a dita carta a um amigo do pai, Amaro Simas,

que na altura se encontrava em África. A instrução principal era não perder a carta sob

nenhum pretexto porque essa continha informações muito valiosas.

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Depois de muito cuidado ao combinar a melhor maneira de entregar a dita carta

ao Simas, que se encontra em Lisboa, essa desaparece de casa do engenheiro de uma

forma enigmática. Perante a situação relatada pelo engenheiro, o Chefe Guedes vê-se

obrigado a expor o sucedido ao Dr. Quaresma que depois de uma pequena reflexão,

afirma ter elucidado o caso de uma forma psicológica. Pois, explicando que existem 3

estados mentais distintos: o normal, o anormal mas não louco e o estado mental da

loucura, acaba por concluir que quem tirou a carta de casa do sr. Engenheiro, foi nem

mais nem menos do que a sua própria esposa.

Para ser sincero, não é que tenha percebido muito bem como Quaresma chega a

essa conclusão. Mas aparecem aqui traços óbvios da personalidade de Fernando Pessoa

ligados à filosofia, à psicologia ao esoterismo e à matemática.

II- Síntese dos conteúdos lecionados nos 10º, 11º e 12º anos

Como a obra de leitura escolhida por mim, foi escrita por um autor que consta do

programa de 12º ano, vou começar por fazer um levantamento dos conteúdos lecionados

neste ano letivo, iniciando com Fernando Pessoa.

FERNANDO PESSOA (ortónimo)

As suas características temáticas são as seguintes: Identidade Perdida, Consciência do

absurdo da existência, Tensão sinceridade/fingimento, consciência/inconsciência,

sonho/realidade, Oposição sentir/pensar, pensamento/vontade, esperança/desilusão,

Anti-sentimentalismo: intelectualização da emoção, Estados negativos: solidão,

cepticismo, tédio, angústia, cansaço, desespero, frustração, Inquietação metafísica, dor

de viver, Autoanálise.

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 O fingimento poético (A arte nasce da realidade, A poesia consiste no

fingimento dessa realidade: a dor fingida ou intelectualizada, A intelectualização é

expressa de forma tão artística que parece mais autêntica que a realidade, Relação do

leitor com a obra de arte. Há uma intelectualização da emoção: é recebido um estímulo

(emoção) – dado pelo coração – que é intelectualizado – pela razão; o que surge na criação

são as emoções intelectualizadas. Ou seja, o pensar domina o sentir – a poesia é um acto

intelectual).

 A dor de pensar (O poeta não quer intelectualizar as emoções, quer permanecer

ao nível do sensível para poder disfrutar dos momentos – porque a constante

intelectualização não o permite. Sente-se como enclausurado numa cela pois sabe que

não consegue deixar de raciocinar. Sente-se mal porque, assim que sente,

automaticamente intelectualiza essa emoção e, através disso, tudo fica distante, confuso

e negro. Ele nunca teve prazer na realidade porque para ele tudo é perda, quando ele

observa a realidade parece que tudo se evaporou).

 O eu fragmentado (O poeta é múltiplo: dentro deles encerram-se vários “eus”

e ele não se consegue encontrar nem definir em nenhum deles, é incapaz de se reconhecer

a si próprio – é um observador de si próprio).

 O tempo: factor de degradação (Para o poeta viver é o presente. O passado não

interessa, porque recordar não é viver, é estar preso a algo que não volta – “O futuro é

algo que não conheço e o passado algo que já não tenho. Um pesa-me como a

possibilidade de tudo, outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem

saudades”. Esta atitude mostra que o poeta está descontente em relação ao que foi, porque

não foi nada do que quis, e revela desmotivação e falta de esperança pois crê que também

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no futuro as coisas não melhoram, também nele os sonhos não vão passar disso. Assim,

ele surge como uma sombra, um vestígio da si próprio).

 O tédio, o cansaço de viver (O poeta constata que não é ninguém, ele é nada –

o sonho de ir mais além desaparece. Diz que não sabe nada, não sabe sentir, não sabe

pensar, não sabe querer, ele é um livro que ficou por escrever. Ele é o tédio de si p róprio:

está cansado da sua vida, está cansado de si :(apatia, cansaço total); revela um certo desejo

de morte pk já n quer nada; desejo de comunhão com a natureza).

ALBERTO CAEIRO

Alberto Caeiro, desejando-se um simples homem da natureza, inteiramente

desligado dos valores da cultura, pretendeu, sobretudo, ser. Tentou, assim, desenvolver

uma arte de ser.

As características temáticas são: o Objectivismo, Apagamento do sujeito, Atitude

antilírica, Atenção à “eterna novidade do mundo”, Integração e comunhão com a

Natureza, Poeta da natureza, Poeta deambulatório ,Sensacionismo (Poeta das sensações

tais como são, Poeta do olhar, Predomínio das sensações visuais e auditivas),

Antimetafísico (Recusa do pensamento, do mistério, do misticismo), Paganismo,

Desvalorização do tempo enquanto categoria conceptual, Contradição entre a “teoria” e

a “prática” – apesar do poeta afirmar que não se preocupa com o estilo dos seus versos, a

verdade é que ele acaba por se preocupar com o que escreve

RICARDO REIS

Ricardo Reis não desejou mais que viver segundo o ensinamento de todas as

culturas, sinteticamente recolhidas numa sabedoria que vem de longe e que nem por isso

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deixou de ser pessoal. Viver conforme a Natureza, liberto das paixões, indiferente às

circunstâncias e aceitando voluntariamente um destino voluntário era uma parte da sua

filosofia. Ele desenvolveu, assim, uma arte de viver.

As características temáticas são : Epicurismo (Busca da felicidade relativa,

Moderação dos prazeres, Fuga à dor, Ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a

perturbação), Estoicismo (Aceitação das leis do destino, voluntária de um destino

involuntário, Indiferença face às paixões e à dor, Abdicação de lutar, Autodisciplina),

Horacianismo (Carpe diem: vive o momento, Aurea mediocritas: a felicidade possível no

sossego do campo (proximidade de Caeiro), Paganismo (Crença nos Deuses, na

civilização da Grécia), Culto do Belo como forma de superar a efemeridade dos bens e a

miséria da vida), Intelectualização das emoções, Medo da morte

ÁLVARO DE CAMPOS

Esforçou-se principalmente por sentir, em lúcida histeria, de acordo com os ritmos

do mundo moderno – uma arte de sentir. Poeta do Futurismo, faz o elogio da civilização

industrial e da técnica, Ruptura com o subjectivismo da lírica tradicional, Atitude

escandalosa: transgressão da moral estabelecida. Poeta do Sensacionismo (Vivência em

excesso das emoções (“Sentir tudo de todas as maneiras”  afastamento de Caeiro),

Sadismo e masoquismo, Cantor lúcido do mundo moderno

Comparação entre Alberto Caeiro e Ricardo Reis: A nível de conteúdo estes

dois heterónimos aproximam-se principalmente pelo modo como tentam encarar a vida:

tanto Caeiro como Reis, além de considerarem que a felicidade só se alcança através de

uma vida serena e em comunhão com a natureza (aurea mediocritas), defendem a vivência

plena do presente, sem preocupação nem com o passado nem com o futuro (carpe diem,

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disfrutar de cada momento).No entanto, pode verificar-se que são grandes as diferenças

entre eles. Enquanto que RR é caracterizado pela intelectualização das emoções e pelo

medo perante a morte, A. Caeiro é exatamente o poeta das sensações, considerando o

pensamento como uma entrave à observação da natureza, e é o poeta que não se preocupa

com a passagem do tempo. Outra grande diferença é que A. Caeiro acredita (num só)

Deus enquanto elemento da natureza (tudo é divino), ao passo que RR crê em vários

deuses pois identifica-se com a civilização grega.

Comparação entre Alberto Caeiro e Álvaro de Campos: Não é de estranhar

que estes dois poetas não tenham muito em comum, uma vez que um é o poeta natural e

pacífico, e o outro é o poeta da modernidade, da técnica e é caracterizado por uma certa

violência e agressividade. No entanto, apesar destes contrastes, têm alguns fatores em

comum, ambos são poetas solitários, rejeitam a subjetividade da lírica tradicional,

tentando ser objetivos na observação do real, e neles predominam as sensações visuais.

As maiores divergências, a nível temático, verificam-se na conceção do tempo (para

Caeiro só existe o presente, para Campos o presente é a concentração de todos os tempos),

no objeto da sua poesia (Caeiro exulta as qualidades da natureza e Campos, exulta as da

civilização moderna), e na atitude perante a vida (enquanto que Caeiro é feliz, Campos é

um homem sem identidade e cansado de viver, pois a vida nunca lhe trouxe nada de bom).

Comparação entre Álvaro de Campos e Ricardo Reis: Álvaro de Campos foi

um poeta que, pelo seu estilo eufórico e, mais tarde, disfórico, se afastou dos outros

heterónimos, já que estes procuravam a serenidade, que Campos também procurava, de

uma forma mais tranquila. Assim, são poucas as semelhanças entre RR e Campos: tanto

Campos como Reis se angustiam perante a efemeridade da vida, consideram a infância

como momento de maior felicidade e aceitam o seu destino (conformismo). No entanto,

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neste último ponto, os motivos para essa aceitação são diferentes: enquanto Reis o aceita

pois considera que essa é a melhor forma de ser feliz, Campos fá-lo numa atitude de

resignação perante a vida, não deixando de se sentir infeliz por aquilo que ela lhe

reservou. Aquilo que mais os distancia é a sua relação com a realidade – campos vive em

eterno conflito com a humanidade e Reis “dá-lhe conselhos”.

Características comuns aos três: encontram-se, nos heterónimos, dois factores

comuns a todos eles. Primeiro, a descoberta de um equilíbrio entre o sentir e o pensar:

Caeiro encontra-se através da natureza; Reis encontra-se através do equilíbrio entre a dor

e o prazer; e Campos não se encontra. Em segundo lugar, verifica-se que todos associam

à infância o momento em que foram verdadeiramente felizes – porque ingénuos e

inocentes. No entanto, enquanto Reis e Caeiro acreditam poder voltar a ser felizes como

foram em criança, Campos considera essa felicidade perdida, pois só é feliz se for

inconsciente, o que só aconteceu na sua infância, na pré-consciência.

O LIVRO DO DESASSOSSEGO DE BERNARDO SOARES

O Livro do Desassossego foi publicado pela primeira vez em 1982 (quase 50 anos depois

da morte de Fernando Pessoa) e resulta da junção de textos avulsos encontrados no

espólio de Fernando Pessoa. O “autor”, Bernardo Soares, que assina esses textos, é o

Heterónimo pessoano que mais se aproxima do Ortónimo Fernando Pessoa pois surge

como um auto retrato do próprio autor. Como é escrito sob a forma de diário sem datas,

o Livro do Desassossego é uma obra fragmentária.

Bernardo Soares faz da Deambulação a principal matéria da sua prosa, isto é,

comporta-se como um observador acidental da sociedade exterior. A essência da

existência de Soares é marcada pela centralidade dos atos de sonhar e de olhar,

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empregando, assim, com frequência os verbos ver, reparar e persentir. Para além disso,

foca a vida citadina evidenciando a modernidade do imaginário urbano, enternecendo-se

com o quotidiano. As pessoas com quem se cruza são-nos apresentadas de forma emotiva

e introspetiva, levando a que nos tornemos íntimas delas. A observação da realidade

exterior e a focalização do pormenor são, na prosa de Bernardo Soares, o ponto de partida

para a transfiguração poética da realidade e para uma introspeção intensa que culmina

numa vida interior vivida de uma forma impar. De um lado, o imaginário urbano – A

descrição da cidade de Lisboa na sua vertente física e humana; A inspiração em Cesário

Verde. De outro lado, o Quotidiano – A fixação instantânea do dia a dia; A rotina da vida

quotidiana; a atenção conferida aos espaços e aos figurantes do quotidiano lisboeta.

Finalmente, a Deambulação e o sonho: o observador acidental – A deambulação pela

cidade de Lisboa; O ambiente envolvente como inspiração; A observação pormenorizada

do real; A constante ideação (imaginação); A mistura de sensações e sonhos. Existe uma

perceção e transfiguração poética do real – O mundo exterior como ponto de partida para

divagações subjetivas; A análise intimista de realidades objetivas; A transfiguração da

rotina da vida quotidiana.

Não é uma narrativa com princípio, meio e fim. É um anti livro. É uma compilação

de fragmentos organizados depois da morte de Fernando Pessoa, pois não existe uma

ordem definida pelo mesmo. Pela voz de Bernardo Soares, Pessoa confia ao leitor a sua

angústia existencial, as suas reflexões sobre o sentido ou ausência de sentido das coisas,

o refúgio efémero encontrado no sonho, a sua incapacidade de viver a sua própria vida,

de ser ator da sua própria existência.

Assim, O Livro do Desassossego apresenta muitas semelhanças com um Diário

(“autobiografia sem factos”). O narrador lê o mundo sobre a “forma de uma nuvem, um

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encontro num café, o som de um elétrico, a geografia de um bairro”. - O mais pequeno

detalhe do quotidiano torna-se num mundo gigantesco e em pura poesia.

Existem pontos de Contacto da Poesia de Bernardo Soares, com Cesário Verde é

comum a deambulação pela cidade e a transfiguração poética do real e com Fernando

Pessoa Ortónimo é comum a dor de pensa

MENSAGEM, DE FERNANDO PESSOA

Mensagem é uma obra lírica, épica, simbólica e mítica. A estrutura da Mensagem,

sendo a de um mito, numa teoria cíclica, transfigura e repete a história de uma pátria como

o mito de um nascimento, vida e morte de um mundo (morte que será seguida de um

renascimento). Está simbolicamente tripartida – Brasão, Mar Português e O Encoberto.

Esta é, assim, uma obra simbólica.

1ªparte – Brasão (consituída por poemas que fazem referência a figuras e mitos

que estão relacionados com a fundação e nascimento de Portugal)

• Os campos (2 poemas)

۰ “O dos Castelos”

۰ “O das Quinas”

• Os castelos (7 poemas)

۰ “Ulisses”

۰ “Viriato”

۰ “O Conde D. Henrique”

۰ “D. Tareja”

۰ “D. Afonso Henriques”

۰ “D. João, o Primeiro” e “D. Filipa de Lencastre”

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• As quinas (5 poemas)

۰ “D. Duarte, Rei de Portugal”

۰ “D. Fernando, Infante de Portugal”

۰ “D. Pedro, Regente de Portugal”

۰ “D. João, Infante de Portugal”

۰ D. Sebastião”

• A coroa (1 poema)

۰ “Nun’Álvares Pereira”

• O timbre (3 poemas)

۰ “A Cabeça do Grifo: O Infante D. Henrique”

۰ “Uma Asa do Grifo. D. Jão o Segundo”

۰ “A Outra Asa do Grigo: Afonso de Albuquerque”

2ªparte – Mar Português (corresponde à evocação de todas as proezas que

possibilitaram a construção do império português)

۰ “O Infante”

۰ “”Horizonte”

۰ “Padrão”

۰ “O Mostrengo”

۰ “Epitáfio de Bartolomeu Dias”

۰ “Os Colombos”

۰ “Ocidente”

۰ “Fernão de Magalhães”

۰ “Ascenção de Vasco da Gama”

۰ “Mar Português”

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۰ “A Última Nau”

۰ “Prece”

3ªparte – O Encoberto (esta parte é toda ela um fim, uma desintegração; mas

também toda ela cheia de avisos e pressentimentos, de forças latentes prestes a ressurgir,

que irão ser o motor para a construção do 5º Império, o império espiritual, que é aquele

que a tudo resiste – para Pessoa)

• Os símbolos (5 poemas)

۰ “D. Sebastião”

۰ “O Quinto Império”

۰ “O Desejado”

۰ “As Ilhas Afortunadas”

۰ “O Encoberto”

• Os avisos (3 poemas)

۰ “O Bandarra”

۰ “António Vieira”

۰ “Screvo o meu livro à beira-mágoa”

• Os tempos (5 poemas)

۰ “Noite”

”Tormenta”

۰ “Calma”

۰ “Antemanhã”

۰ “Nevoeiro”

Em Mensagem, O mito é tudo: sem ele a realidade não existe, pois é dele que ela parte.

Deus é o agente da história; ou seja, é ele quem tem as vontades; nós somos os seus

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instrumentos que realizam a sua vontade. É assim que a obra nasce e se atinge a perfeição.

O sonho é aquilo que dá vida ao homem: sem ele a vida não tem sentido e limita-se à

mediocridade. A verdadeira grandeza está na alma; É através do sonho e da vontade de

lutar que se alcança a glória. Portugal encontra-se num estado de decadência. Por isso, é

necessário voltar a sonhar, voltar a arriscar, de modo a que se possa construir um outro

império, um império que não se destrói, por não ser material: é o Quinto Império, o

Império Civilizacional-Espiritual. D.Sebastião, além de ser o exemplo a seguir (pois

deixa-se levar pela loucura/sonho), é também visto como o salvador, aquele que trará de

novo a glória ao povo português e que virá completar o sonho, cumprindo-se assim

Portugal.

O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS, JOSÉ SARAMAGO

Em 1936, assiste-se a uma Europa politicamente conturbada entre as ditaduras de

índole fascista e os movimentos de esquerda que tentavam triunfar. Foi o que aconteceu

em França e em Espanha. Neste último caso, a eleiçaõ de um governo republicano

democrático de esquerda, em coligaçaõ com o Partido Socialista (e com aliança com

comunistas e anarquis- tas), conduziu a um golpe de Estado levado a cabo pelas forças

nacionalistas (falangistas) e encabeçado pelo general Franco, culminando numa sangrenta

guerra civil. A Alemanha e a Itália afirmavam-se, em contrapartida, como grandes

potências económicas e tentavam alargar o seu domiń io territorial: ocupando a Renânia

(no caso alemaõ ) e anexando a Etiópia (no caso italiano). A tudo isto assistia indiferente

a Sociedade das Nações, e a Inglaterra, que, ao mesmo tempo que se escusava a tomar

uma posiçaõ sancionatória em relaçaõ à Alemanha e à Itália, reivindicava a redistribuiçaõ

de colónias portuguesas.

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Em Portugal, vivia-se um regime ditatorial, liderado por Salazar, fortemente enraizado

através de uma intensa propaganda política, que pretendia fomentar a ideia da

prosperidade e da grandeza do império, da conivência da Igreja, assente na visaõ de

Salazar como o salvador da moralidade crista,̃ e da criaçaõ de movimentos, como o da

Mocidade Portuguesa, que desde cedo incutiam na populaçaõ os valores e a ideologia do

regime. A censura, a repressaõ policial, a tortura ou a prisaõ eram as armas usadas contra

quem se opunha à ordem vigente, tendo sido para o efeito criada a Polić ia de Vigilância

e Defesa do Estado. De uma forma geral, o povo vivia na miséria e o paiś estava

mergulhado num estado de estagnaçaõ . É para estas realidades que o narrador, velada e

indiretamente, pretende chamar a aten- çaõ . A cidade de Lisboa, palco da açaõ , apresenta-

se como um labirinto, monótona, pobre, sombria, silenciosa, chuvosa, de águas turvas,

metáforas que contribuem para evidenciar a opressaõ e a repressaõ exercidas pelo regime

sobre o povo. Desta forma se percebe a afirmaçaõ final: a terra aguarda pela mudança.

Deambulação geográfica e viagem literária

Ao fim de dezasseis anos, Ricardo Reis regressa à pátria e revisita a cidade de

Lisboa, constatando que pouco mudou – sinal da estagnaçaõ do país. No entanto, o

percurso pelas ruas (desde a rua do Comércio ao Terreiro do Paço, do Chiado à praça da

Figueira ou da rua do Alecrim ao Alto de Santa Catarina) permite deambulações de

natureza literária. Assiste- se, assim, a pretexto do que Reis vai observando e captando

da realidade, à evocaçaõ de diversos textos, entre os quais a Bib́ lia, e de autores como

Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Camões, Eça de

Queirós, Cesário Verde, Almeida Garrett, Jorge Luiś Borges, Dante, Cervantes ou

Virgiĺ io.

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Representações do amor

Marcenda Lídia

Mulher ativa, perspicaz e questionadora, preocupada com o mundo que


Mulher passiva, sem vontade e sem convicções,
a rodeia – representa a possibilidade de Ricardo Reis vingar e viver
deficiente – representa a inércia, a apatia, a
sem o seu criador, transformando-se num agente ativo e naõ num mero
desistência de Ricardo Reis.
espetador.

Aquela que murcha, que naõ é eterna – contrasta


Contrasta com a Lídia das odes – platónica, tranquila, quieta.
com as musas das odes.

Intertextualidade: José Saramago, leitor de Camões, Cesário Verde e Fernando

Pessoa

 ParódiadoversodeOsLusíadas“Ondeaterraseacabaeomarcomeça”noinić ioenofechoda obra.

 Citaçaõ de versos de Os Lusíadas, como “esta apagada e vil tristeza”, com vista a ridicularizar

ataõ propagada prosperidade dopaís.

 Presença constante da estátua de Camões e do Adamastor, como forma de realçar a produçaõ ca-
Luís de Camoẽ s
moniana enquanto marco de fundamental importância na literatura portuguesa (“todos os caminhos

portugueses vaõ dar a Camões”).

 Denúncia da subversão e do aproveitamento das palavras e da figura de Camões por parte do

regime.

  Configuraçaõ do espaço da cidade de Lisboa como uma realidade confinadora e

destrutiva (“Ricardo Reis atravessou o Bairro Alto, descendo pela Rua do Norte chegou ao
Cesário Verde
Camões, era como se estivesse dentro de um labirinto que o conduzisse sempre ao mesmo

lugar”).

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  Deambulaçaõ geográfica como ponto de partida para outras evasões (viagem literária).

  Comiseraçaõ e identificaçaõ do narrador com certas figuras do povo observadas.

  Remissaõ para a evocaçaõ de um passado glorioso contrastante com a estagnaçaõ de um

presente moribundo.

  Visualismo de pendor impressionista e convergência dos sentidos.

  Construçaõ da personagem Ricardo Reis à luz das características fiś icas, psicológicas e

literárias fixadas pelo seu criador, patentes, por exemplo, nas conversas entre o heterónimo

e o ortónimo.
Fernando Pessoa
  Citações, alusões, paródia e paráfrases de versos do ortónimo e dos principais

heterónimos.

Já que se estabelece a comparação com Cesário Verde e luís de Camões, aproveito para

aqui fazer a síntese dos conteúdos relativos aos poetas.

CESÁRIO VERDE

Tem como influências artísticas o Impressionismo (constitui uma fuga ao

sentimento de decadência), a Impressão pura, a Perceção imediata, a Cor, luminosidade

e textura, as Construções impessoais, a qualidade ótica do objeto (cor) é mais importante

que o objeto. Também o Parnasianismo (reacção anti-romântica). O poeta não diz o que

sente, mostra os objectos e desperta ideias – objectividade e impessoalidade. Ainda o

Realismo (apresentação de situações concretas, do real objectivo; representação da

sociedade – crítica de denúncia social)e o Naturalismo (funcionalidade – pôr em prática

– do real objectivo)

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As suas temáticas são o Contraste cidade/campo (Campo = vida; Cidade = morte,

repressão, Mulher do campo: simples, frágil; Mulher da cidade: fatal, fútil, Poesia

pictórica – pinta quadros por letras. A poesia é um olhar crítico acerca de uma realidade

social – realismo. Alternância dos planos objectivo e subjectivo. Descrição objectiva do

real – objectividade (realismo).

Como vimos, existe Deambulação do sujeito poético: olha, vê, sente, dá conta do

que vê e do que sente (Visualismo: preocupação pela ordem das descrições (primeiro os

aspetos genéricos e depois os mais específicos) e por descrever tudo o que vê. O Sujeito

poético solidário com os que trabalham e são explorados sublinha-se a Importância da

luz, da cor, da forma e da textura - impressionismo

OS MAIAS, EÇA DE QUEIROZ

Romance onde, através do fio condutor da famiĺ ia Maia, se vê Portugal através três

gerações diferentes tanto cultural como historico-politicamente: desde o avô do

protagonista, Afonso, até ele mesmo, Carlos. Neste romance saõ desfiladas três histórias

individuais diferentes:

  a de Afonso da Maia;

  a de Pedro da Maia, seu filho;

  a de Carlos da Maia, filho de Pedro e neto de Afonso.

Admitindo que Carlos da Maia é o protagonista, e que toda a narrativa gira à volta

do seu caso, podemos organizar o romance como se segue:

  As origens de Carlos - o Ramalhete; histórias de Afonso e de seu filho

Pedro (Cap. I e II);

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  A educação de Carlos (Cap. III e IV);

A temática da educação é muito importante para Eça de Queiroz. Na obra são

apresentadas 2 perspetivas, uma educação tradicional à portuguesa que levou à fraqueza

e fragilidades do pai de Carlos que acabou por se suicidar devido às lacunas dessa

educação onde existe uma proteção demasiado intensa e uma não formação da

personalidade individual, e uma educação à inglesa que também parece não resultar. No

caso de Carlos, acabou por torná-lo demasiado independente do meio no qual evoluiu e

fazer com que fosse demasiado laxista.

  Vida em Lisboa até ao encontro com Maria Eduarda (Cap. V);

  O idiĺ io, com projetos de vida em comum (Cap. XII e XIII);

  A verdadeira identidade de Maria Eduarda (Cap. XIV a XVII);

  Epílogo da tragédia - Carlos como vencido da vida (Cap. XVIII).

Podemos ainda induzir este resumo a uma versaõ reduzida, em que se traduzem

as traves mestras do drama:

 A história de Carlos até ao seu encontro com Maria Eduarda (Cap. I a XI);

 O idílio entre ambos (Cap. XII e XIII);

 A tragédia do incesto e as suas consequências para ambos (Cap. XIV a XVIII).

Esta é uma estrutura do romance enquanto realizaçaõ do desiǵ nio de Eça de

estudar uma "paixaõ ou drama excecional", no caso do incesto.

Na perspetiva dos "costumes gerais da nossa sociedade", podemos apontar:

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  O viver dos notáveis rurais (Cap. III);

  O ambiente académico de Coimbra (Cap. IV);

  O ambiente da alta burguesia lisboeta (a partir do Cap.V).

Nesta perspetiva destacam-se os saraus e as corridas de cavalos onde toda a

burguesia veste uma máscara e onde a sociedade pseudo-intelectual se reúne para discutir

assuntos sem muitas vezes os saber discutir.

Estrutura trágica:

 Momentos da tragédia:

1. 1) peripécia – mudança súbita e radical do curso dos acontecimentos;

2. 2) reconhecimento - revelaçaõ de dados novos;

3) catástrofe - desenlace com puniçaõ , geralmente morte fiś ica ou moral

 Presença do destino  Presságios

 Temática do incesto

Personagens:

Pedro da Maia (Personagem naturalista) - Apresentado pelo narrador na

infância e adolescência, apresenta uma enorme instabilidade emocional que deixa

entrever uma mente pouco equilibrada, fruto da hereditariedade naõ corrigida pela

educaçaõ (fraco como a maẽ e fruto de uma educaçaõ portuguesa). Alia a valentia fiś ica

à cobardia moral (o suicídio face à fuga da mulher);

21
Carlos da Maia (Personagem realista) - Rico, bem-educado, adivinha-se culto,

de gostos requintados, e é o resultado de uma educaçaõ à inglesa, em contraposiçaõ à

figura de Pedro (seu pai). Naõ teme o esforço físico, é corajoso e frontal - forte como os

Maias. Sofre, no entanto, de diletantismo (é incapaz de se fixar num projeto sério).

Maria Eduarda (Personagem híbrida) - Bondosa, culta e requintada no gosto.

Herda a beleza da maẽ , resulta de uma educaçaõ de convento e vem de um meio ambiente

decadente e boémio.

Afonso da Maia - A personagem mais duradoura no romance: a sua figura

acompanha toda a história, enquanto que a figura de Carlos só entra verdadeiramente em

cena depois de esgotada a história de Pedro (Cap I e II). Homem de carácter, culto e

requintado. Partidário das ideias liberais, ama o progresso. Tem altos e firmes princípios

de que naõ abdica.

Maria Monforte - "Pobre, formosa, doida, excessiva. " - Pobre apenas na fase

final da vida, é nela que radicam todas as desgraças da famiĺ ia Maia (pelo menos o drama

em causa, note-se que faz o mal naõ por maldade, mas por paixaõ ).

A obra está repleta de figurantes, usados por Eça para representar os defeitos

caracterizadores da sociedade da segunda metade do séc. XIX.

 João da Ega e Tomás de Alencar (Literatura Portuguesa)

1. 1) Ega - boémio, excêntrico, exagerado. Anarquista sem Deus e sem

moral. É o companheiro inseparável de

Carlos e sofre com ele o diletantismo. Revela-se um romântico.

22
2. 2) Alencar - protótipo do poeta romântico. Figura as discussões de escola

entre naturalistas e românticos.

  Dâmaso (Corrupçaõ /Decadência Moral) - presumido e cobarde. Naõ

tem dignidade, é uma fonte de traiçaõ .

  Eusebiozinho (Educaçaõ Portuguesa) - educado por um padre e pela

maẽ , leva uma existência doentia. Mais velho, procurava a sordidez dos bordéis ou

pensões reles para se distrair.

  Craft (Aristocracia Inglesa) - impõe-se como o arquétipo do que deve

se um homem.

  Cohen (Alta Finança)

  Steinbroken e filho de Sousa Neto (Diplomacia)

  Cruges (Talento naõ reconhecido)

  Sousa Neto (Administraçaõ Pública)

  Conde de Gouvarinho (Polit́ ica)

  Rufino (Oratória"balofa")

  Pala "Cavalão" e Neves (Jornalismo)

  Mulheres da alta sociedade (Mulher Portuguesa)

Ver Anexo 3

Numa outra época, na do renascimento já existia essa preocupação pela crítica da

sociedade através do escritor Gil Vicente que escrevia Autos e Farsas para divertir a

sociedade enquanto, de forma disfarçada, a criticava: “ridendo castigat mores”

23
A FARSA DE INÊS PEREIRA, GIL VICENTE

O objetivo do autor foi denunciar ou chamar a atenção para as mudanças que

afetavam a sociedade quinhentista que a corrompiam, através de comportamentos

viciosos como por exemplo o desejo de promoção social, como apresentado nesta Farsa.

Estes comportamentos são denunciados, essencialmente, através das

personagens-tipo, que representam modos de estar, pensar e sentir, e do cómico de

linguagem, situação ou carácter. Também se faz uma representação do quotidiano

daquela época com referência aqui à vida doméstica à qual a personagem principal , Inês

Pereira quer escapar, à vida palaciana da qual Inês ambiciona fazer parte através do seu

casamento com o Escudeiro, à vida simples do campo representada através da

personagem de Pêro Marques com quem Inês também acaba por casar embora lhe seja

infiel. Também se representa a vida do clero cujos comportamentos imorais são

denunciados.

O casamento e o estatuto de mulher são aqui apresentados nas pessoas de Inês, da

sua mãe e de Lianor Vaz (a alcoviteira) com conceções completamente antagónicas. Inês

representa a moça da vila que ambiciona uma promoção social e de alguma forma cultural

através do seu casamento com o Escudeiro, também representa a mulher falsa que engana

o marido. A sua mãe representa também uma mulher da vila que sonha com um

casamento de interesse para a filha. Quer casá-la com um rico lavrador,

independentemente do estatuto cultural do mesmo. Pensa, principalmente, no seu

conforto material.

24
Acabo aqui a minha síntese falando do primeiro conteúdo abordado no 10º

ano, a Poesia trovadoresca. É a designação dada ao conjunto de composições poéticas

medievais que floresceram de meados do século XII a meados do Século XIV.

A poesia trovadoresca reflete vivências do seu tempo tendo por base os

sentimentos, as emoções e as atitudes dos intervenientes. Um dos temas predominantes é

o amor, mas esse sentimento pode assumir diferentes perspetivas, podendo assim

distinguir-se dois géneros: as cantigas de amigo e as de amor.

As cantigas de amigo têm como sujeito poético uma voz feminina que confidencia

à natureza, as amigas ou à mãe, o seu amor, saudade, tristeza, mágoa, alegria ou

ansiedade. As cantigas de amor tem com sujeito poético uma voz masculina que se dirige

à sua amada habitualmente casada e a quem presta vassalagem. Manifesta a coita de amor,

isto é, a paixão infeliz, o sofrimento por amor que pode levar à morte, ou então faz o

elogio cortês da senhor, modelo de beleza e de virtude.

Os trovadores também escreviam cantigas de escárnio e maldizer que faziam uma

crítica, indireta no caso das primeiras ou direta no caso das segundas, aos costumes ou ao

próprio amor cortês.

25
III- Comparação da obra escolhida com os conteúdos lecionados ao longo

dos 3 anos letivos

Ao escolher esta obra de Fernando Pessoa, concentrei-me mais nos conteúdos

lecionados no 12º ano, porque o autor ocupa grande parte do espaço de conteúdos desse

mesmo ano letivo seja como escritor seja como “personagem” de uma obra escrita por

outro escritor.

Ao longo destes 3 anos estudámos conteúdos que embora se dissociem pelos

variados géneros a que pertencem, têm, no entanto, pontos comuns. De facto, passámos

pela poesia, pelos textos trágicos, dramáticos, pelas farsas, pelas epopeias, pelo sermão,

pelos contos, pelos romances, mas as temáticas são muito semelhantes.

Abordam-se os temas do amor, da crítica dos costumes, da educação, do papel da

mulher, da liberdade, de um certo amor pela pátria, da história de Portugal como nação

valente, do contraste cidade campo, da angústia existencial, da deambulação e da procura

de uma personalidade, de modos diferentes, em épocas diferentes, definindo esses temas

como universais.

A minha atenção focou-se mais em Fernando Pessoa e até se estudou uma obra cujo

heterónimo, Ricardo Reis, aparece como personagem principal. É analisado sempre na

sua preocupação com os seus dilemas existenciais, mas também como escritor exímio e

muito informado. Assim sendo, achei interessante abordar uma obra que pensei

totalmente diferente daquilo estudado em aula. Mostra uma escrita de um género

completamente diferente dos abordados ao longo dos 3 anos, mas que continua presente

no nosso dia à dia, não só na realidade do nosso quotidiano como também no seu aspeto

ficcional, pois há cada vez mais livros ou séries policiais a invadir o nosso espaço cultural.

26
Quis ver uma perspetiva diferente de escrita pela mão de Fernando Pessoa, mas

para ser sincero achei-o um texto muito difícil de ler. Se por um lado a escrita é diferente,

o pensamento metódico, organizado, filosófico e a maneira de resolver as estórias

continua muito à maneira de Pessoa, um pouco difícil de entender, como o seu método

próprio de investigação. Fez-me compará-la mais com o trabalho metódico e minucioso

de um Ricardo Reis que, sendo médico, de certeza que se aproximaria, na sua escrita, de

um método muito científico. O facto de Quaresma viver sozinho, na rua dos Franqueiros,

em Lisboa, sem consultório, também me fez lembrar Os Maias, com Carlos da Maia e o

seu espaço privativo. Dois mundos completamente diferentes. As deambulações de

Quaresma e o seu espírito de síntese e de dedução, fizeram-me aproximá-lo das

deambulações poéticas de Cesário Verde, poeta da cidade e do campo, pois a cidade de

Lisboa descrita nas estórias de Fernando Pessoa encontram 2 mundos bem diferentes, o

do populismo lisboeta, mas também o da burguesia.

Conclusão

Assim termino este meu trabalho que me serviu para rever os conteúdos lecionados

ao longo dos 3 anos letivos, alguns dos quais já muito esquecidos. É uma excelente

preparação para o Exame Nacional embora me tenha dado uma dor de cabeça bastante

grande, pois tive de recorrer aos apontamentos já esquecidos e aos esquemas propostos

nos anos anteriores.

27
Anexos

1-

JOSÉ SARAMAGO – O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS Visão global da

obra

Ao fim de dezasseis anos no Brasil, Ricardo Reis desembarca em Lisboa e hospeda-

I se no Hotel Bragança, onde vê, pela primeira vez, Marcenda, figura que lhe

desperta interesse por ter a maõ esquerda paralisada.

Ricardo Reis lê jornais para se inteirar das notícias sobre a morte de Fernando

Pessoa e, posteriormente, visita o túmulo do poeta no Cemitério dos Prazeres.


II
Já no Bragança, contacta pela primeira vez com Lid́ ia, criada do hotel, cujo nome

o deixa surpreso.

Ricardo Reis presencia o “bodo do Século”, onde foram distribuídos dez escudos a

cada um de mais de mil necessitados.

Na noite da passagem de ano, depois de regressar do Rossio, Reis depara-se no


III
quarto com a visita de Fernando Pessoa, que o informa de que tem ainda oito meses

para circular à vontade no mundo dos vivos.

Ricardo Reis tem o primeiro contacto fiś ico com Lid́ ia – põe-lhe a maõ no braço –

e diz-lhe que a acha bonita. No entanto, estes atos fazem-no sentir-se ridículo.
IV
Fernando Pessoa volta a encontrar-se com Ricardo Reis, na esquina da rua de Santa

Justa, e os dois conversam sobre a multiplicidade de eus e sobre a vida e a morte.

28
Ricardo Reis envolve-se com a criada, que entra no seu quarto, durante a noite,

deitando-se com ele.

Ricardo Reis vai ao Teatro D. Maria com a intençaõ de travar conhecimento com

o doutor Sampaio e com Marcenda. À noite, recebe a visita de Fernando Pessoa no


V
seu quarto e os dois falam sobre Lídia e sobre o fingimento. Lid́ ia volta a dormir

com Ricardo Reis.

Ricardo Reis e Marcenda conversam na sala de estar do hotel sobre a sua debilidade

física e a jovem pede- lhe a sua opiniaõ profissional. Nessa noite, Ricardo Reis
VI
janta com o doutor Sampaio e com Marcenda e Lídia naõ o visita porque está com

ciúmes.

Ricardo Reis lê a Conspiraç ão, obra que lhe foi recomendada pelo doutor Sampaio

e que relata a lealdade da jovem Marília ao sistema.

VII Lid́ ia volta a dormir com Ricardo Reis ao fim de cinco dias.

Ricardo Reis encontra Fernando Pessoa num café do bairro e, a propósito da vitória

da esquerda em Espanha, falam sobre o comunismo e o regresso de Reis

Ricardo Reis fica doente, com febre, e Lídia dispensa-lhe todos os cuidados. Dias

depois, ele recebe uma intimaçaõ para se apresentar na PVDE − Polić ia de

Vigilância e Defesa do Estado, situaçaõ que desperta a desconfiança entre o pessoal

e entre os hóspedes do hotel.


VIII
Lid́ ia fica preocupada e tenta prevenir Reis das práticas dessa instituiçaõ .

Marcenda marca um encontro com Ricardo Reis, no Alto de Santa Catarina.

Enquanto aguarda por ela, Reis é “visitado” por Fernando Pessoa, que o questiona

sobre as suas relações amorosas.

29
Durante o encontro, a filha do doutor Sampaio pede a Ricardo Reis que lhe escreva

a dar notić ias da entrevista para que fora intimado.

Ricardo Reis vai à polícia e é interrogado num clima de suspeiçaõ . Regressado ao

hotel, diz a Lid́ ia que tudo correu bem e escreve a Marcenda tranquilizando-a. Mais

IX tarde, informa a criada de que vai deixar o Bragança, e esta prontifica-se a ir visitá-

lo nos seus dias de folga. Ricardo Reis aluga casa no Alto de Santa Catarina,

defronte à estátua do Adamastor.

Ricardo Reis escreve a Marcenda para a informar da nova morada. Dias depois

X deixa o hotel. Na sua primeira noite na casa alugada, recebe a visita de Fernando

Pessoa e falam sobre solidaõ .

Lid́ ia vai visitar Ricardo Reis para verificar se está bem instalado e ele acaba por

XI beijá-la na boca. Dias depois, recebe a visita de Marcenda, que, pela primeira vez

na vida, é beijada por um homem.

Lid́ ia prontifica-se a cuidar da limpeza da nova casa e os dois acabam por se

envolver.

Ricardo Reis escreve uma carta confusa a Marcenda. Começa, entretanto, a

trabalhar, substi- tuindo temporariamente um colega especialista em coraçaõ e


XII
pulmões. Esta situaçaõ leva-o a escrever novamente a Marcenda. Entretanto, quase

ao fim de um mês, recebe uma carta da jovem, de Coimbra, anunciando que o

visitará no consultório.

Ricardo Reis encontra-se com Fernando Pessoa junto à estátua do Adamastor e os

XII dois conver- sam acerca da relaçaõ de Reis com Lid́ ia e com Marcenda e sobre a

vida e a morte.

30
Ao chegar a casa, Ricardo Reis depara-se com Victor e, a propósito disso, falam da

ida de Ricardo Reis à polić ia, de Salazar e de Hitler.

Lid́ ia, enquanto faz limpeza, é seduzida por Reis. Contudo, percebendo que está

com um problema de impotência, o médico repele-a, o que a deixa tristiś sima e

sem perceber o que se passava.

Marcenda aparece no consultório e Ricardo propõe que se casem. Ela recusa,

alegando que naõ seriam felizes.

Reis recebe uma carta de Marcenda a assegurar que nunca mais se voltarão a ver,

a pedir-lhe para nunca mais lhe escrever e a informá-lo de que irá a Fátima.
XIV
Restabelece-se, entretanto, a relaçaõ de Reis com Lid́ ia, mas o médico vai a Fátima,

com o intuito de ver Marcenda. No entanto, naõ consegue encontrá-la.

Ricardo Reis fica a saber que o colega que está a substituir vai retomar o seu lugar

e isso leva-o a começar a pensar em regressar ao Brasil.

XV Fernando Pessoa visita novamente Ricardo Reis e os dois falam sobre o facto de

Reis continuar a ser vigiado por Victor, sobre as relações amorosas de ambos e

sobre o destino e a ordem.

Ricardo Reis escreve um poema dedicado a Marcenda.

Lid́ ia comunica-lhe que está grávida e que naõ tenciona abortar.

Fernando Pessoa faz nova visita a Ricardo Reis e os dois falam sobre a perspetiva
XVI
do regime em relaçaõ a diferentes personalidades e sobre o seu obscurantismo.

Durante a conversa, Ricardo Reis confessa-lhe que vai ser pai e que ainda naõ

decidiu se vai ou naõ perfilhar a criança.

Ricardo Reis vai visitar Fernando Pessoa ao Cemitério dos Prazeres e dialogam
XVII
sobre o golpe militar ocorrido em Espanha.

31
Enquanto lava a loiça na cozinha de Ricardo Reis, Lid́ ia questiona-se sobre o seu

papel naquela casa e chega a pensar em naõ voltar mais.


XVIII
Ricardo Reis vai assistir a um comić io em defesa do Estado Novo e de Salazar.

Dias depois, envia para Marcenda o poema que lhe dedicou.

Lid́ ia chega a casa de Ricardo Reis, chorosa, e anuncia que o seu irmaõ e outros

marinheiros se vaõ revoltar. No dia seguinte, Ricardo Reis assiste ao

bombardeamento do Afonso de Albuquerque, barco onde seguia o irmaõ de Lid́ ia,

e do Daõ .
XIX
Ricardo Reis vai ao Hotel Bragança à procura de Lid́ ia, mas naõ a encontra. Mais

tarde fica a saber que Daniel morreu.

Fernando Pessoa visita pela última vez Ricardo Reis e este decide acompanhá-lo

em direçaõ à morte.

Anexos

32
3-

OS MAIAS, EÇA DE QUEIROZ

RESUMO DO ROMANCE

No Outono de 1875 fixa-se em Lisboa Afonso da Maia e o seu único neto, Carlos,

que após se ter formado em medicina, regressade uma longa viagem e traz grandes

projetos de trabalho profissional. Carlos era o último descendente dos Maias. Após o

casamento de seu pai, Pedro da Maia, (contra a vontade de Afonso) com a negreira Maria

Monforte, de quem tem dois filhos (um menino e uma menina), a esposa acabaria por o

abandonar para fugir com um Napolitano, levando consigo a filha, de quem nunca mais

se soube o paradeiro. Carlos da Maia viria a ser entregue aos cuidados do avô, após o

suicid́ io de Pedro da Maia.

Carlos passa a infância com o avô, formando-se depois, em Medicina em

Coimbra. Carlos regressa a Lisboa, ao Ramalhete, após a formatura, onde se vai rodear

de alguns amigos, como o Joaõ da Ega, Alencar, Dâmaso Salcede, Palma de Cavalaõ ,

Euzébiozinho, o maestro Cruges, entre outros. Seguindo os hábitos dos que o rodeavam,

Carlos envolve-se com a Condessa de Gouvarinho, que depois irá abandonar. Um dia fica

deslumbrado ao conhecer Maria Eduarda, que julgava ser mulher do brasileiro Castro

Gomes. Carlos seguiu-a algum tempo sem êxito, mas acaba por conseguir uma

aproximaçaõ quando é chamado a Maria Eduarda para a visitar, como médico da

governanta. Começam entaõ os seus encontros com Maria Eduarda, visto que Castro

Gomes estava ausente. Carlos chega mesmo a comprar uma casa onde instala a amante.

Castro Gomes descobre o sucedido e procura Carlos, dizendo que Maria Eduarda

naõ era sua mulher, mas sim sua amante e que, portanto, podia ficar com ela.

33
Entretanto, chega de Paris um emigrante, que diz ter conhecido a maẽ de Maria Eduarda

e que a procura para lhe entregar um cofre destaque, segundo ela lhe disse, continha

documentos que identificariam e garantiriam para a filha uma boa herança. Essa mulher

era Maria Monforte – a maẽ de Maria Eduarda era, portanto, também a maẽ de Carlos.

Os amantes eram portanto irmaõ s.

Contudo, Carlos naõ aceita este facto e mantém abertamente a relaçaõ –

incestuosa – com a irmã. Afonso da Maia, o velho avô, ao receber a notícia morre de

desgosto. Ao tomar conhecimento, Maria Eduarda, agora rica, parte para o estrangeiro; e

Carlos, para se distrair, vai correr o mundo. O romance termina com o regresso de Carlos

a Lisboa, passados 10 anos, e o seu reencontro com Portugal e com Ega, que lhe diz: -

"Falhámos a vida, menino!".

34
Bibliografia

Preparação para o Exame Nacional de Português, 12º ano, Porto Editora, 2018

Preparar o Exame Nacional de Português 12, Areal editores, 2018

Preparar os testes de Português, 10º ano, Areal editores, 2018

Preparar os testes de Português, 11º ano, Areal editores, 2018

Apontamentos da Professora Isabel da Silva Valente

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