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Universidade de Brası́lia

Ciências Aeroespaciais
Resolução Lista 3

Questão 1
Um anel de cobre de 20,0 g a 0,000o C tem diâmetro interno D = 2,54000 cm. Uma
esfera de alumı́nio a 100o C tem um diâmetro d = 2,54508 cm. A esfera é colocada acima
do anel até que os dois atinjam o equilı́brio térmico, sem perda de calor para o
ambiente. A esfera se ajusta exatamente ao anel na temperatura do equilı́brio.
Dados: coeficiente de dilatação linear do cobre: 1,7×10−5 /Co ; coeficiente de dilatação
linear do alumı́nio: 2,3×10−5 / o C;calor especı́fico do cobre: 386 J/kg.K; calor especı́fico
do alumı́nio 900 J/kg.K.
a) Qual a temperatura de equilı́brio?
Vamos analisar a expansão térmica da esfera de alumı́nio (Al) e do anel de cobre (Cu).
Após a expansão, o diâmetro d da esfera de alumı́nio será:
d = dAl (1 + αAl ∆TAl )
O diâmetro do anel de cobre será:
d = dCu (1 + αCu ∆TCu )
Nas expressões acima, dAl e dCu são os diâmetros iniciais da esfera e do anel,
respectivamente, e α é o coeficiente de expansão linear. Como na temperatura final os
diâmetros da esfera e do anel serão iguais, temos:
dAl [1 + αAl (T − TAl )] = dCu [1 + αCu (T − TCu )]
Resolvendo para T:
dAl − dCu − dAl αAl TAl + dCu αCu TCu
T=
dCu αCu − dAl αAl
(2, 54508cm) − (2, 54000cm) − (2, 54508cm)(2, 3 × 10−5 /C o )(100o C)
T=
(2, 54000cm)(1, 7 × 10−5 /C o ) − (2, 54508cm)(2, 3 × 10−5 /C o )
T = 50,38o C
b) Quanto vale o calor transferido entre os dois objetos?
c) Qual é a massa da esfera?
A massa da esfera de alumı́nio é calculada por meio das trocas de calor:
QcedidoAl + QrecebCu = 0
mAl cAl ∆TAl + mCu cCu ∆TCu = 0
mCu cCu (T − TCu )
mAl =
cAl (TAl − T )
(0, 020kg)(386J/kg.K)[(323, 53K) − (273, 15K)]
mAl =
(900J/kg.K)[(373, 15K) − (323, 53K)]
mAl = 8, 6g
Questão 2
Um lı́quido é colocado em um sistema de resfriamento que remove calor a uma taxa
constante de 50 J/min. A amostra congela durante o processo e sua temperatura se
comporta de acordo com o ilustrado abaixo.
Sabendo que o calor latente de fusão da amostra é de 60 J/g, encontre:
a) A temperatura de fusão da amostra, em graus Celsius;
Tc = Tk − 273, 15
Tc = 250K − 273, 15
Tc = −23, 15o C
b) A energia removida durante o processo de congelamento da amostra;
| Q |= P t
| Q |= (50J/min)(60min) = 3000J
c) A massa da amostra;

1
| Q |= P t = 3000J = Lm
Com L = 60 J/g, temos 50 g
c) O calor especı́fico no estado lı́quido.
Durante os 40 minutos iniciais, a amostra é lı́quida e passa por uma mudança de
temperatura de | ∆T | = 100 K = 100o C
|Q| Pt (50J/min)(40min)
c= = = = 400J/kg.o C
m | ∆T | m | ∆T | (100o C)(0, 05kg)
Questão 3
O álcool etı́lico tem um ponto de ebulição de 78,0o C, um ponto de congelamento de
-114o C, um calor de vaporização de 879 kJ/kg, um calor de fusão de 109 kJ/kg e um
calor especı́fico de 2,43 kJ/kg.K. Quanta energia deve ser removida de 0,510 kg de álcool
etı́lico que está inicialmente na forma de gás a 78,0o C para se obter um sólido a -114o C?
Para completar a mudança de fase em 78o C,
Q = Lv m = (879kJ/kg)(0, 510kg) = 448, 29kJ
deve ser removido. Para resfriar o lı́quido a -114o C,
Q = cm | ∆T |= (2, 43kJ/kg.K)(0, 510kg)(192K) = 237, 95kJ,
deve ser removido. Finalmente, para completar a mudança de fase em -114o C,
Q = LF m = (109kJ/kg)(0, 510kg) = 55, 59kJ
deve ser removido. O total de calor removido é então (448,29 + 237,95 + 55,59) kJ =
742 kJ
Questão 4
Dois cubos de gelo, de 50 g cada, estão inicialmente em um freezer a -15o C e são
transferidos para um recipiente isolado termicamente contendo 500 g de água a 55o C no
seu interior.
Dados: calor especı́fico da água: 1 cal/g.K; calor especı́fico do gelo: 0,53 cal/g.K; calor
latente de fusão da água: 80 cal/g.
a) Qual é a energia necessária para derreter os cubos de gelo?
Q = cg mg (0 − T ) + mLF
O primeiro termo é a energia necessária para aquecer todo o gelo da sua temperatura
inicial para 0o C e o segundo termo é a energia necessária para derreter a massa m do
gelo.
Q = (0, 53cal/g.K)(100g)(15K) + (100g)(80cal/g)
Q = 8795 cal
b) Qual a temperatura final de equilı́brio do sistema?
Trabalhamos com temperatura em Celsius, o que não impõe dificuldade para os valores
de calor especı́fico de cal/g.K, pois a mudança na temperatura Kelvin é numericamente
igual à mudança correspondente na escala Celsius. Aqui existe três possibilidades:
O gelo não derrete e o sistema água-gelo atinge o equilı́brio térmico numa temperatura
que fica abaixo do ponto de fusão do gelo.
O sistema atinge equilı́brio térmico no ponto de derretimento do gelo, com algum gelo
derretido
Todo o gelo derrete e o sistema atinge equilı́brio térmico numa temperatura acima do
ponto de fusão do gelo
Primeiro, suponha que nenhum gelo derrete. A temperatura da água decresce de
Tai = 55o C para alguma temperatura final Tf e a temperatura do gelo aumenta de
Tgi = −15o C para Tf . Se ma é a massa da água e ca é o seu calor especı́fico então a água
libera um calor de
| Q |= ca ma (Tai − Tf )
Se mg é a massa do gelo e cg é o seu calor especı́fico então o gelo absorve um calor de
Q = cg mg (Tf − Tgi )

2
Como nenhuma energia é perdida para o ambiente, esses dois calores (em valores
absolutos) devem ser iguais. Consequentemente,
ca ma (Tai − Tf ) = cg mg (Tf − Tgi )
A solução para a temperatura de equilı́brio é
ma Tai + cg mg Tgi
Tf =
ca ma + cg mg
(1cal/g.K)(500g)(55o C) + (0, 53cal/g.K)(100g)(−15o C)
(1cal/g.K)(500g) + (0, 53cal/g.K)(100g)
T = 48, 29o C
Isso está além do ponto de fusão da água, o que invalida a hipótese de que o gelo não
derreteu. Ou seja, o cálculo feito não leva em conta o gelo derretido e isso é um erro.
Consequentemente, é preciso uma nova hipótese: que o gelo e a água atingem o
equilı́brio térmico em Tf = 0o C, com uma massa m ¡ mg derretida. A magnitude do
calor liberado pela água é
| Q |= ca ma Tai
e o calor absorvido pelo gelo é
Q = cg mg (0 − Tgi ) + mLf ,
Os dois calores são iguais, então
ca ma Tai = −cg mg Tgi + mLf
A equação pode ser resolvida para m do gelo derretido
ca ma Tai + cg mg Tgi
m=
Lf
(1cal/g.K)(500g)(55o C) + (0, 53cal/g.K)(100g)(−15o C)
=
80cal/g
= 333,81 g
A massa resultante é maior do que a massa total do gelo, logo essa hipótese também
está errada
Terceira e última hipótese. Agora todo o gelo derrete e a temperatura final está acima
do ponto de fusão. O calor liberado pela água é
| Q |= ca ma (Tai − Tf )
e o calor absorvido pelo gelo e pela água que ele vira após derreter é
Q = cg mg (0 − Tgi ) + ca mg (Tf − 0) + mg Lf
O primeiro termo é a energia necessária para elevar a temperatura do gelo até 0o C, o
segundo termo é a energia necessária para elevar a temperatura do gelo derretido de 0o C
para Tf , e o terceiro termo é a energia necessária para derreter todo o gelo. Como os
dois calores são iguais,
ca ma (Tai − Tf ) = cg mg (−Tg i) + ca mg Tf + mg Lf
Resolvendo para Tf
ca ma Tai + cg mg Tgi − mg Lf
Tf =
ca (ma + mg )
Inserindo os valores dados, obtemos Tf = 31,18o C
Questão 5
Duas barras cilı́ndricas, uma de latão (de comprimento 20 cm) e outra de cobre (com 80
cm de comprimento), são conectadas pelas extremidades. Ambas possuem uma seção
reta de 0,006 m2 e estão bem isoladas de maneira a não perder energia através das
superfı́cies laterais. A extremidade livre da barra de latão está imersa em água fervente
enquanto a extremidade livre da barra de cobre está numa mistura de água e gelo,
ambas a uma pressão atmosférica.
Dados: condutividade térmica do latão: 109 W/m.K, condutividade térmica do cobre:
401 W/m.K
a) Qual a temperatura da extremidade na qual as duas barras estão unidas

3
Chamamos de Th = 100o C, Tc = 0o C, a temperatura do ponto de união das barras de
T1 , então
kb A kc A
Pcond = (Th − T1 ) = (T1 − Tc )
Lb Lc
Resolvendo para T1
kb Th kc Tc kb kc
T1 = ( + )( + )−1
Lb Lc Lb Lc
Substituindo os valores numéricos T1 = 325,24 K
b) Qual a massa de gelo que derrete em 5 minutos devido ao calor conduzido pelas
barras?
Relembrando que a mudança na temperatura em kelvin é numericamente equivalente à
mudança na escala celsius, achamos a taxa de condução de calor com
kA(Th − t1 ) (401W/m.K)(0, 006m2 )(52, 09o C)
Pcond = = = 156, 66J/s
L (0, 8m)
A taxa de derretimento do gelo é
dm Pcond 156, 66J/s
= = = 0, 470g/s
dt LF 333J/g
m = (0, 470g/s)(300s) = 141g
Questão 6
Um gâs em uma câmara fechada passa do estado A para o estado C através da trajetória
ABC mostrada abaixo e depois retorna para o estado inicial através da trajetória CA.
a) Qual a variação de energia interna do sistema durante o processo?
Ciclo fechado, logo a variação de energia interna é zero
b) Qual o trabalho realizado pelo gás durante o percurso ABC?
O trabalho realizado do ponto A ao ponto B corresponde à area abaixo da curva, ou
seja, a área do triângulo de catetos iguais a 0,4 e 300000 e o retângulo abaixo dele, de
lados 0,4 e 100000.
O trabalho total de AB WAB = 100000 J
O trabalho de BC se encontra de forma semelhante, com o triângulo de catetos 1 e
300000 e o retângulo abaixo dele de lados 1 e 100000
O trabalho total de BC é WBC = 250000 J
c) Qual a energia transferida para o gás sob a forma de calor durante o ciclo completo?
Como a variação de energia interna total em um ciclo fechado é zero, então
∆UAB + ∆UBC + ∆UCA = 0
QAB − WAB + QBC − WBC + QCA − WCA = 0
Q = WAB + WBC + WCA
Já sabemos os trabalhos WAB e WBC , resta o WCA
A porção CA do ciclo tem pressão constante e o trabalho feito pelo gás é
WCA = p∆V = (100000P a)(0, 4m3 − 1m3 ) = -60000 J
Assim Q = 290000 J
d) Se a energia interna do sistema no estado A é de 20 kJ e 240 kJ são transferidos para
o gás sob a forma de calor para levá-lo de A a B, qual é a energia interna no estado B?
Usando a primeira lei da termodinâmica ∆U = Q - W
UB − UA = Q − W
Sabemos o trabalho realizado de A para B, então
UB = Q − W + UA = 240 kJ - 100 kJ + 20 kJ = 160 kJ
Questão 7
Quando 12,63 J foram adicionados como calor a 0,2 mol de um certo gás ideal, o volume
do gás variou de 50 cm3 para 100 cm3 , enquanto a pressão permaneceu em 1,0 atm.
a) Qual foi o trabalho realizado pelo gás?
W = p∆V = (1, 01 × 10105 Pa)(50 × 10−6 m3 ) = 5,05 J

4
b) De quanto variou a energia interna do gás?
A variação da energia interna do gás pode ser calculada diretamente a partir da primeira
lei da termodinâmica
∆U = Q - W = 12,63 J - 5,05 J = 7,58 J
c) De quanto variou a temperatura do gás durante esta adição de calor?
Usando PV = nRT e isolando T
PV
T=
nR
(1, 01 × 105 P a)(50 × 10−6 m3 )
Ti = = 3, 04K
(0, 2mol)(8, 31J/mol.K)
(1, 01 × 105 P a)(100 × 10−6 m3 )
Tf = = 6,08 K
(0, 2mol)(8, 31J/mol.K)
∆T = Tf − Ti = 6,08 K - 3,04 K = 3,04K
d) Determine o calor especı́fico molar a volume constante do gás em questão.
O calor especı́fico molar a pressão constante é
Q Q R Q (8, 31J/mol.K)(12, 63J)
Cp = = = = = 20, 78J/mol.K
n∆T n(p∆V /nR) p ∆V (1, 01 × 105 P a)(50 × 106 m3 )
Usando Cv = Cp − R = 12, 74J/mol.K
e) Este gás é monoatômico, diatômico ou poliatômico? Justifique.
Monoatômico
Questão 8
Um cilindro contém 0,325 mol de oxigênio a uma pressão de 2 atm. Seu volume é 4 L e
a temperatura e 300 K. Suponha que o oxigênio possa ser considerado um gás ideal e
seja submetido aos seguintes processos:
i) Aquecido à pressão constante do estado 1 até o estado 2, cuja temperatura é 450 K.
ii) Resfriado a volume constante até o estado 3, no qual a temperatura é 250 K.
iii) Comprimido à temperatura constante até o estado 4, com um volume de 4 L.
iv) Aquecido a volume constante até 300 K, quando retorna ao estado 1.
a) Mostre os quatro processos num diagrama PV, fornecendo os valores numéricos de P
e V em cada um dos quatro estados envolvidos.
Usando a equação de Clapeyron para gases ideais
pV = nRT
Estado 1:
n = 0,325 mol. V = 4L. T = 300 K. p = 2 atm.
Estado 2:
n = 0,325 mol. V = ?. T = 450 K. p = 2 atm.
nRT (0, 325mol)(8, 31J/mol.K)(450K)
V= = 5P a = 6, 02 × 10−3 m3 = 6,02 L
p 2atm× | 1,01×10
1atm
|
Estado 3:
n = 0,325 mol. V = 6,02 L. T = 250 K. p = ?
nRT (0, 325mol)(8, 31J/mol.K)(250K) 1atm
p= = −3 3
= 112157, 39P a× | 1,01×10 5P a |
V 6, 02 × 10 m
p = 1,11 atm
Estado 4:
n = 0,325 mol. V = 4L. T = 250K. p = ?
nRT (0, 325mol)(8, 31J/mol.K)(250K) 1atm
p= = −3 3
= 168796, 88P a× | 1,01×10 5 P a = 1,67 atm
V 4 × 10 m )
b) Sabendo que o calor especı́fico molar a volume constante do oxigênio é de 20,8
J/mol.K, calcule Q e W em cada um dos quatro processos.
Cv = 20, 8J/mol.K
Cp = Cv + R = 20,8 J/mol.K + 8,31 J/mol.K = 29,11 J/mol.K

5
Processo 1-2
W = pV2 − pV1 = nR(T2 − T1 ) = (0,325 mol)(8,31 J/mol.K)(150K) = 405,11 J
Q = nCp ∆T = (0,325 mol)(29,11 J/mol.K)(150 K) = 1419,11 J
Processo 2-3
Volume constante, trabalho zero
Q = nCv ∆T =(0,325 mol)(20,8 Jmol.K)(-200 K) = -1352 J
Processo
R V2 3-4
W = V1 p dV
pV = nRT então p = nRT/V
RV RV
W = V12(nRT /V ) dV = nRT V12 dV /V nRT ln(V2 /V1 ) (Trabalho realizado durante o
processo isotérmico)
(0,325 mol)(8,31 J/mol.K)(250K)ln(4L/6,02L) = (675, 19 J)ln(0,66) = -276,01 J
∆U = nCv ∆T para qualquer processo de gás ideal
∆T = 0 (isotérmico) então ∆U = 0
∆U = Q − W
∆U = 0 então Q = W = -276,01 J
Processo 4-1
Volume constante trabalho zero
Q = nCv ∆T = (0, 325mol)(20, 8J/mol.K)(50K) = 338 J
Questão 9
Suponha que a temperatura de 4,0 mols de um gás ideal diatômico sofra um aumento de
temperatura de 60 K enquanto sua pressão é mantida constante a 3 atm. Considere que
as moléculas giram, mas não oscilam.
a) Quantos graus de liberdade possuem as moléculas que constituem este gás? Justifique.
Para gases diatômicos, f = 5 (três graus de translação e dois de rotação)
b) Qual a energia transferida para o gás sob a forma de calor?
Como o processo ocorre q pressão constante, a energia transferida para o gás sob forma
de calor é dada por Q = nCp ∆T , onde n é o número de moles no gás, Cp é o calor
especı́fico molar a pressão constante, e ∆T é o incremento de temperatura. Para um gás
ideal diatômico Cp = 27 R. Logo,
7 7
Q = nR∆T = (4,0 mol)(8,31 J/mol.K)(60 K) = 6,98×103 J
2 2
c) Qual a variação da energia interna do gás?
A variação de energia interna no gás é dada por ∆U = nCv ∆T , onde Cv é o calor
especı́fico a volume constante. Para um gás ideal diatômico Cv = 25 R, então
5 5
∆U = nR∆T = (4, 0mol)(8, 31J/mol.K)(60K) = 4, 99 × 103 J
2 2
d) Qual o trabalho realizado pelo gás durante este processo?
De acordo com a primeira lei da termodinâmica, ∆U = Q − W , então
W = Q − ∆U = 6, 98 × 103 J − 4, 99 × 103 J = 1, 99 × 103 J
e) Qual a variação de volume sofrida pelo gás?
À pressão constante, W = p∆V
1, 99 × 103 J
∆V = W/p = 1,01×105 P a
= 6,57 ×10−3 m3
3atm× | 1atm |
Questão 10
A figura abaixo mostra uma distribuição de velocidades hipotética f(v) para uma
amostra de 3 mols de um gás.
a) Qual a velocidade mais provável das partı́culas Rque compõem o gás?
2
A velocidade média quadrática é dada por vrms = v 2 f (v)dv. A contribuição da porção
de 0 à 1,5 é

6
R 1,5 4
8 8 (1,5)
15 0
v 3 dv = 15 4
= 0, 675
A contribuição da segunda porção é
R 2,5 4 3 4 3

1,5
−0, 8v 3 + 2v 2 dv = −0, 8 (2,5) 4
+ 2 (2,5)
3
+ 0, 8 (1,5)
4
− 2 (1,5)
3
= 1, 3667
Logo, √
vrms = 0, 675 + 1, 3667 = 1, 43 × 105 m/s
b) Qual o valor de a?
A distribuição de funçao dá uma fração de partı́culas R com velocidade entre v e v + dv,
então a integral sobre toda a velocidade é unitária: f (v) dv = 1. Compare a integral
calculando a área abaixo da curva. A área do triângulo é metade do produto da base e
da altura, ou 1,25a. Logo,
1,25a = 1 e a = 0,8
c) Qual a velocidade média das partı́culas? R
A velocidade média é dada por vavg = vf (v)dv. Para a porção de distribuição de v 0
8
até 1,5×105 m/s f(v) = v, e a contribuição dessa porção é
3
15
8
R 1,5 8 1,5
15 0
v 2 dv = 15 3
= 0, 6
f(v) = -0,8v + 2 para a segunda porção, e a contribuição dessa porção é
R 2,5 2 0,8(2,5)3 2 0,8(1,5)3
1,5
−0, 8v + 2v dv = − 3
+ (2, 5) + 3
− (1, 5)2 = 0, 7333
Assim, vavg = 0, 6 + 0, 7333 = 1, 333 × 105 m/s
d) Quantas partı́culas possuem velocidade entre 2,5×105 m/s e 3,5×105 m/s?
Nenhuma partı́cula, pois f(v) = 0 para v > 2,5
Questão 11
A figura abaixo ilustra a distribuição de probabilidade de velocidades para uma amostra
de nitrogênio. A escala do eixo horizontal é definida por vs = 1200 m/s.
a) Em que temperatura se encontra a amostra?
Do gráfico vemos que vp = 400 m/s. Usando o fato de que M = 28 g/mol = 0,028
kg/mol para o nitrogênio gasoso (N2 ), usamos a equação T = 21 M vp /R = 2, 7 × 102 K
b) Encontre a energia cinética translacional média das moléculas.
Kmed = 23 kT = 1, 5(1, 38 × 10−23 m2 kgs−2 K −1 )(2, 7 × 102 K) = 5, 589 × 10−21 J
Questão 12
Em uma garrafa de espumante, o bolsão de gás (dióxido de carbono, principalmente)
que fica entre o lı́quido e a rolha está a uma pressão pi = 4,0 atm. Quando a rolha é
removida da garrada, o gás sofre uma expansão adiabática até que sua pressão se torne
igual à pressão ambiente, 1,0 atm.
a) Sabendo que as moléculas de CO2 não são lineares e desconsiderando qualquer efeito
relacionado à vibração molecular, determine o número de graus de liberdade das
partı́culas que constituem o bolsão de gás sob a rolha. (Justifique!)
O dióxido de carbono é uma molécula poliatômica, logo ele possue 6 graus de liberdade.
b) Qual o calor especı́fico molar a volume constante do gás?
Para gases poliatômicos, Cv = 3R = 24, 93 J/mol.K
c) Qual a razão entre os calores especı́ficos molares do gás?
Para gases poliatômicos, Cv = 3R e Cp = 4R, logo γ = Cp /Cv = 4/3
d) Qual o calor trocado entre o gás e o meio durante este processo?
Como se trata de um processo adiabático, não há calor trocado entre o meio e o gás
e) Qual a variação de volume do gás (em termos percentuais) ao fim da expansão?
Para processos adiabáticos, Pi Viγ = Pf Vfγ
pi Vf
= ( )γ
pf Vi
Vf γ
( ) =4
Vi

7
Vf 4/3
( ) =4
Vi
Vf √4
= 43
Vi
Vf
= 2, 83
Vi
Variação de volume em termos percentuais:
Vf − Vi Vf
× 100( − 1) × 100 = (2, 83 − 1) × 100 = 1, 83 × 100 = 183%
Vi Vi
Houve um aumento de 83% do gás
f) Se a temperatura inicial do gás é Ti = 3,0o C, qual é a sua temperatura no fim da
expansão adiabática?
pi , Vi e Ti representam a pressão, o volume e a temperatura do estado inicial do gás, e
pf , Vf e Tf representam a pressão, o volume e a temperatura do estado final. Como o
processo é adiabático pi Viγ = pf Vfγ . Combinando com a lei do gás ideal, pV = NkT,
obtemos
pi Viγ = pi (Ti /pi )γ = p1−γ
i Tiγ = constante
p1−γ
i Tiγ = p1−γ
f Tfγ
Com γ = 4/3 que dá (1 - γ)/γ = -1/4, a temperatura no fim do processo adiabático é
1−γ
Tf = ( ppfi ) γ Ti = ( 4atm
1atm
)−1/4 (276, 15K) = 195, 26K = −77, 88o C
Questão 13
Em temperaturas muito baixas, o calor especı́fico molar Cv de muitos sólidos é dado
aproximadamente por Cv = AT3 , onde A depende da substância em particular. Para o
alumı́nio A = 3,15×10−5 J/mol K4 . Encontre a variação de entropia de uma amostra 4
mols de alumı́nio quando a temperatura é elevada de 5,0 K para 10,0 K.
R nCv dT R 10 nA
∆S = = nA 5 T 2 dT = [(10)3 − (5)3 ] = 0, 0368J/K
T 3
Questão 14
Para aquecer uma xı́cara de água (250 cm3 ) para fazer café, você coloca um resistor de
aquecimento dentro da água. Enquanto a temperatura da água aumenta de 20 o C até 65
o
C, a temperatura do resistor mantém-se constante e igual a 120 o C. Supondo que o
calor especı́fico da água seja constante e igual a 4190 J/kg.K, encontre:
20o C = 293,15 K, 65o C = 338,15 K e 120 o C = 393,15 K
a) A variação de entropia da água;
∆S = mcln(T2 /T1 ) = (250×10−3 kg)(4190 J/kg.K)ln(338,15 K/293,15 K) = 150 J/K
b) A variação de entropia do resistor;
−mc∆T −(250 × 10−3 kg)(4190J/kg.K)(338, 15K − 293, 15K)
∆S = = = −120J/K
Telement (393, 15K)
c) Este processo é reversı́vel ou irreversı́vel? Justifique.
Aquecimento de um lı́quido não é reversı́vel. Qualquer que seja a fonte de energia para o
elemento de aquecimento, o calor esta sendo entregue a uma temperatura mais alta do
que a da água, e a perda de entropia da fonte será menor em magnitude do que a
entropia ganha pela água.
Questão 15
Uma amostra de 2,0 mols de um gás monoatômico ideal é submetida ao processo
reversı́vel da figura abaixo. A escala do eixo vertical é definida por Ts = 400 K e a
escala do eixo horizontal é definida por Ss = 20 J/K
a)Qual é a energia absorvida pelo gás na forma de calor?
O calor pode ser achado pela área abaixo do gráfico em um diagrama TS. Da geometria
(área do trapézio)
Ti + Tf
Q=( ∆S
2

8
Q = (300 K)(15 J/K) = 4,5 ×103 J
b)Qual é a variação de energia interna do gás?
3
∆U = n( R)∆T = (2 mol)(8,31 J/mol.K)(200 K - 400 K) = -5×103 J
2
c)Qual é o trabalho realizado pelo gás?
Pela primeira lei da termodinâmica,
W = Q - ∆U = 4,5 kJ - (-5 kJ) = 9,5 kJ
Questão 16
Um cubo de gelo de 10 g a -8o C é colocado em um lago cuja temperatura é 20o C. Em
relação a esta situação, responda os itens a seguir:
a) Quanto vale o calor cedido do lago para o gelo, até que estes atinjam o equilı́brio
térmico?
O gelo esquenta até 0o C, e então derrete, e a água resultante esquenta a temperatura da
água do lago, que é 20o C. Sendo m a massa do gelo e cg o calor especı́fico do gelo. Se Ti
é a temperatura inicial (=265,15 K) e Tf é a temperatura finla (=273,15 K)
Como a temperatura do lago não muda significativamente quando o gelo derrete, a
mudança na entropia é ∆S = Q/T, onde Q é a energia recebida como calor e T é a
temperatura. Quando o gelo esquenta para 0o C,
Q = -mcg (Tf − Ti ) = -(0,010kg)(2220 J/kg)(8K) = -177,6 J
Quando o gelo derrete
Q = -mLF = -(0,010 kg)(333×103 J/kg) = -3,33×103 J
Quando a água do gelo aquece
Q = -mca (Tf − Ti ) = - (0,010 kg)(4190 J /kg.K)(20 K) = - 838 J
A energia total deixando a água do lago é
Q = -177,6 J - 3,33×103 J - 838 J = -4,34×103 J
b)Qual a variação de entropia do lago?
A mudança na entropia é
−4, 34 × 103 J
∆S = − = −14, 80 J/K
293, 15K
c)Qual a variação de entropia do gelo?
À medida que o gelo aquece, a energia que ele recebe em forma de calor quando a
temperatura muda de dT é dQ = mcg dT.
RT T 273, 15K
∆S = dQ = mcg Tif dT
R
T T
= mcg ln Tfi = (0, 010kg)(2220J/kg.K)ln( ) = 0, 66J/K
265, 15K
O derretimento é um processo isotérmico. A energia deixando o gelo como calor é mLF ,
onde LF é o calor de fusão do gelo. Então,
∆S = Q/T = mLF /T = (0,010 kg)(333×103 J/kg)/(273,15 K) = 12,19 J/K
Para o aquecimento da água que veio do gelo derretido, a mudança na entropia é
Tf
∆S = mca ln ,
Ti
onde ca é p calor especı́fico da água (4190 J/kg.K). Então,
293, 15K
∆S = (0,010 kg)(4190 J/kg.K)ln( = 2,96 J/K
273, 15K
A troca total da entropia do gelo e da água que ele vira é
∆S = 0,66 J/K + 12,19 J/K + 2,96 J/K = 15,81 J/K
d)Este processo é reversı́vel? Justifique.
Questão 17
a)Durante cada ciclo, uma máquina de Carnot absorve 750 J em forma de calor de uma
fonte quente a 360 K, com a fonte fria a 280 K. Qual é o trabalho realizado por ciclo?
A eficiência de Carnot é dada por 1 - TL /TH . Nesse caso 0,222
W = (0,222)(750 J) = 167 J

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b)A máquina é operada em sentido inverso para funcionar como um refrigerador de
Carnot entre as mesmas fontes. Durante cada ciclo, que trabalho é necessário para
remover 1200 J em forma de calor da fonte fria?
O coeficiente de desempenho do refrigerador de Carnot
TF
Kc =
TQ − TF
| QF |
Nesse caso, KC = 3, 5, Então, K =
|W |
| W |= 1200/3, 5 = 343 J
Questão 18
Um gás ideal (1 mol) é a substância de trabalho em uma máquina que opera através do
ciclo mostrado na figura abaixo. Os processos BC e DA são reversı́veis e adiabáticos.
a)O gás em questão é monoatômico, diatômico ou poliatômico?
Usando a equação para processos adiabáticos para o processo D → A
p0
pD VDγ = pA VAγ ⇒ (8V0 )γ = p0 V0γ
32
o que leva a 8γ = 32 ⇒ γ = 5/3. O que implica que o gás é monoatômico.
b)Qual é (em termos de p0 e V0 ) a energia é absorvida pelo sistema sob a forma de calor
durante o processo AB?
O calor que é absorvido durante o processo A ⇒ B:
5 TB 5 5
QH = nCp ∆T = n( R)TA ( − 1) = nRTA ( )(2 − 1) = p0 V0 ( )
2 TA 2 2
c)Qual é o trabalho realizado pelo gás durante cada ciclo?
O calor liberado durante o processo C ⇒ D:
5 TL 5 1 5
QL = nCP ∆T = n( 2)TD (1 − ) = nRTD ( )(1 − 2) = − p0 V0 ( )
2 TD 2 4 2
No último passo usamos o fato de que TD = 14 TA (da lei dos gases na forma de razão)
Num ciclo fechado, a variação de energia interna é zero e
5 1 5 3 5
W = Q = p0 V0 ( ) − p0 V0 ( ) = p0 V0 ( )
2 4 2 4 2
d)Qual é a eficiência da máquina?
ε = 1− | QQHL |= 1 − 14 = 0, 75 = 75%
Questão 19
A figura abaixo mostra um ciclo reversı́vel a que é submetido 1,0 mol de um gás
monoatômico ideal. Suponha que p = 2p0 , V = 2V0 , p0 = 1,01×105 Pa e
V0 = 0, 0225m3 .
a)Calcule o trabalho realizado durante o ciclo.
O trabalho feito na área retangular no diagrama pV:
W = (V - V0 )(p − p0 ) = (2V0 − V0 )(2p0 − p0 ) = V0 p0
Inserindo os valores dados na questão, obtemos W = 2,27 kJ
b)Calcule a energia adicionada em forma de calor durante o percurso abc.
3 Tb 5 Tc Tb
Qabc = nCv (Tb − Ta ) + nCp (Tc − Tb ) = n( R)Ta ( − 1) + n( R)Ta ( − )
2 Ta 2 Ta Ta
3 Tb 5 Tc Tb 3 5
= nRTa ( ( − 1) + ( − )) = p0 V0 ( (2 − 1) + (4 − 2))
2 Ta 2 Ta Ta 2 2
13
= p0 V 0
2
Sendo W = p0 V0 , temos Qabc = 13W/2 = 14,8 kJ
c)Encontre a eficiência desse ciclo.
W 2
ε= = = 0, 154 = 15, 4%
| QH | 13

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d)Qual é a eficiência de uma máquina de Carnot operando entre a temperatura mais
alta e a temperatura mais baixa desse ciclo?
Ta 1
ε=1− = 1 − = 0, 750 = 75%
Tc 4

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