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Periodização de treinamento.

O conceito de periodização no treinamento foi revelado originalmente em


1972 por um cientista russo e incorporado nos esquemas de treinamento para
atletas, tanto novatos quanto de elite. A ideia de periodização consiste em subdividir
um período específico de treinamento (macrociclo) em períodos menores ou fases
(mesociclos), com cada mesociclo sendo separado novamente em microciclos
semanais.
O fracionamento do macrociclo em suas partes componentes tem por
finalidade manipular a intensidade do treinamento, o volume, a frequência, as séries,
as repetições e os períodos de repouso (para prevenir o supertreinamento) e alterar
a variedade das sessões de treino. Espera-se com isso uma redução de quaisquer
efeitos negativos do treinamento e culminar em um desempenho máximo do
indivíduo ao final do período do macrociclo.

Macrociclo
Representa a organização de todo o treinamento que será desenvolvido em
um determinado período de tempo. A estruturação desse período de treinamento
obedece a um plano de expectativas e, geralmente, encerra-se num ponto máximo
de performance (peak) do individuo.
Divide-se em fase de preparação, que abrange duas etapas: uma básica (ou
de base) e outra específica (ou de especialização). Visando proporcionar um
condicionamento da aptidão do individuo que o permita alcançar “performances
máximas” em etapas mais avançadas do treinamento; na fase básica trabalha-se
com maior volume e menor intensidade, visando desenvolver a resistência aeróbia,
a resistência muscular localizada, a resistência da força estática, a flexibilidade, etc.;
já na fase específica diminui-se o volume e aumenta a intensidade, uma vez que o
objetivo do treinamento é dar ênfase na resistência anaeróbia, na força dinâmica,
estática e explosiva. Além também, de se proporcionar a manutenção dos ganhos,
das qualidades físicas, obtidos na fase básica.
Período de Performance, ou de competição, é o período onde se atinge o
auge da performance do indivíduo, onde se reduz o volume e a intensidade (em 20 a
30%) do treinamento visando o “polimento final” da condição atlética, a performance
máxima.
Período de transição, que é o final do macrociclo, e situa-se entre o período
de competição e reinicio de um novo ciclo de treinamento (macrociclo). Sua função
principal é promover uma recuperação total do individuo em função dos exigentes
esforços a que foi submetido nas fases anteriores do treinamento.

Mesociclo
Um macrociclo é composto de vários mesociclos (no mínimo quatro). Um
mesociclo é formado por vários microciclos – normalmente de três a seis (Dantas,
1985).
Esse ciclo de treinamento encontra-se intimamente correlacionado aos
princípios da sobrecarga e da interdependência volume-intensidade, com vistas a
proporcionar a aplicação de cargas crescentes com respectiva recuperação, visando
progressos na performance.

Microciclo
É o menor ciclo de treinamento. Normalmente possui a duração de sete dias,
coincidindo com o período de uma semana.
Observamos nessa etapa a alternância de intensidade das cargas de
treinamento. Dependendo da etapa do treinamento e da qualidade física
desenvolvida essa composição de intensidades vai variar. O importante a destacar é
que essa variação das cargas de trabalho é que vai proporcionar as adaptações
fisiológicas que objetivamos naquele momento. A manutenção de cargas sempre
fortes poderá levar a um estado de supertreinamento (overtraining), já a manutenção
de cargas de trabalho sempre fracas não proporcionará os benefícios que
desejamos, caracterizando uma estagnação do treinamento.
Assim sendo, devemos variar os estímulos de forma que haja um estímulo,
uma adaptação ao estímulo e conseqüente recuperação para podermos dar um
novo estimulo, isto para não gerar fadiga por estímulos fortes consecutivos.

Princípios do Treinamento Desportivo


Todo o trabalho desenvolvido na periodização do treinamento deve encontrar-
se enquadrado nos Princípios do treinamento desportivo. Sendo assim, o valor
dessa periodização assume dois papéis de grande relevância: organização de todos
os estímulos de forma apropriada, em consonância com todos os objetivos
previamente determinados; e proporcionar a otimização da performance através de
um equilíbrio entre os esforços de treinamento e o tempo de recuperação necessário
para o restabelecimento das reservas orgânicas.
O respeito a esses princípios, proporcionará o desenvolvimento de um
treinamento seguro, rápido (não confundir com rapidez, aceleração do processo; é o
“tempo”, correto do treinamento), e eficiente.

Princípio da Individualidade biológica


Onde se baseia o principio das diferenças individuais, ou seja, somos
resultado da associação do genótipo - nossa carga genética, adquirida de nossos
ancestrais, principalmente dos pais - com o fenótipo - as influências que o meio-
ambiente exerce sobre nós.
Segundo Dantas (1985), “pode-se dizer que os potenciais são determinados
geneticamente, e as capacidades ou habilidades expressas são decorrentes do
fenótipo”. Assim, respeitando este principio estaremos respeitando as possíveis
limitações oferecidas por esse indivíduo oportunizando uma melhor adaptação sua à
esse tipo de atividade.
Segundo Dantas (1985,24), o princípio da adaptação no treinamento tem por
objetivo “quebrar”, através de stresses físicos, a homeostase do organismo (estado
de equilíbrio instável mantido entre os sistemas constitutivos do organismo vivo, e o
existente entre este e o meio ambiente), desencadeando um processo denominado
de Síndrome de Adaptação Geral (SAG). Os agentes estressantes (esforços físicos)
desencadeiam a SAG em três etapas: fase de excitação, fase de resistência (que
provoca adaptações ao organismo), e fase de exaustão (que provoca danos ao
organismo). A periodização tem por objetivo desencadear essa SAG até a sua
segunda etapa, evitando os processos de “over training”, ou seja, os excessos do
treinamento.

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