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CANTO 1

[110] O grego bebia o vinho diluindo-o em água.


[122] O sentido da fórmula “palavras plumadas” não é mais inequívoco para
nós, mas “plumadas” pode se referir ao voo das aves ou de flechas, ou seja,
ao modo como um discurso se dirige do falante para o ouvinte ou, mais
precisamente, ao discurso que atinge seu alvo.
[344] Hélade refere-se a uma região da Grécia continental.
[349] “Come-grão”: fórmula que reforça, através do modo de alimentação, a
mortalidade dos humanos, ou seja, a diferença entre eles e os deuses.
[440] “Leito bem-perfurado”, o sentido exato do epíteto se perdeu; uma
possibilidade é que se referia ao modo como cordas eram presas no leito para
sustentar um colchão.
CANTO 2
[80] O cetro é marca de autoridade, utilizado em diferentes contextos; na
assembleia, ele fica na mão daquele que tem a palavra.
[135] Erínias são divindades ctônicas terríveis, ligadas sobretudo à vingança.
[227] “Ancião” refere-se a Laerte.
CANTO 3
[2] “Páramo muito-bronze” refere-se ao céu, portanto, talvez, a sua firmeza e
solidez, ou ao brilho das moradas dos deuses.
CANTO 5
[333-34] Leucoteia é o nome que essa heroína, Ino, ganhou após morrer e ser
divinizada.
CANTO 6
[106] Leto, fecundada por Zeus, gerou Apolo e Ártemis, deuses flecheiros.
[162] Broto de palmeira no templo de Apolo em Delos, aqui utilizado para
enfatizar a altura (portanto, a beleza), a juventude e o valor de Nausícaa (de
Jong 2001).
CANTO 10
[81-82] Comentadores divergem na interpretação de Lamos e Telépilos: o
primeiro talvez seja outro nome do rei dos lestrigões ou, mais provavelmente,
do fundador da cidade, e o segundo o nome da cidade.
CANTO 11
[235] Aqui se inicia o que os eruditos chamam de “catálogo de heroínas”, ou
seja, uma sucessão de mulheres da idade dos heróis, boa parte delas, parceira
sexual de deuses de quem geraram filhos homens.
[271] Epicasta é outro nome de Jocasta, mãe e esposa de Édipo.
[291] A história do adivinho que conquistou a filha de Neleu é contada com
outras informações no canto 15 (versos 225ss.).
[300] O destino post-mortem dos gêmeos Castor e Pólux (ou Polideuces) varia
nas fontes; aqui, às vezes estão no Hades, às vezes, entre os deuses tal
imortais.
[601] Héracles, aqui, é tratado como possuidor de dupla natureza, pois, ao
morrer, sua alma ou espectro rumou para o Hades, mas, ao mesmo tempo,
foi imortalizado e está no Olimpo, casado com Juventude.
[623] Cérbero é o cão que vigia a entrada, ou melhor, a saída da morada de
Hades.
[634] Gorgô é um monstro que inspira terror em quem para ele olha.
CANTO 12
[172] “Branquearam a água com os pinhos polidos”: refere-se à espuma
produzida na água do mar pelo movimento incessante dos remos.
CANTO 14
[145-7] Eumeu, por excesso de zelo, não nomeia Odisseu porque seu nome
remete a “ódio”.
CANTO 18
[6] O trocadilho é com Íris, a mensageira dos deuses na Ilíada (na Odisseia é
Hermes).
CANTO 19
[179] Minos tem uma relação especial com Zeus, mas o que exatamente é
dito aqui permance obscuro; é provável a relação com algum ritual de
renovação da ordem social (por meio de leis?), portanto, com o renascimento,
reinício de uma comunidade (Levaniouk 2011).
[404] O que Euricleia discretamente sugere é que Odisseu receba o nome
Muito-rogado.
[518] Difícil reconstituir a história aludida por Penélope, pois pode remeter a
duas histórias conhecidas distintas, ainda que inter-relacionadas; em uma
delas as personagens são as irmãs Procne, Filomela, o rei Tereu e seu filho
Ítis; nessa se conta de uma mãe que mata seu filho para vingar-se da
violência do marido contra sua irmã. Todas as personagens envolvidas, no
final, transformam-se em pássaros. Na outra versão, aquela à qual
provavelmente Penélope alude (Levaniouk 2011), Filomela é casada com
Zeto, rei que construiu as muralhas de Tebas, e, por ter somente um filho,
Ítilo, tem inveja de Anfíon, irmão gêmeo do rei, e de sua esposa Níobe, que
têm vasta prole. Ao tentar matar o primogênito desse casal, mata, sem
querer, o próprio filho, e se transforma no rouxinol que, à noite, entoa
lamentoso canto.
[573-75] Aqui é mencionado pela primeira vez o procedimento do concurso
com o arco, cujos detalhes serão informados nos cantos 20 e, sobretudo, 21. O
arco é de um modelo tal que a corda não permanece fixa nas duas
extremidades, ou seja, cada atirador precisa retesá-la (armar o arco) antes de
vergá-lo, o que é bastante difícil. Os machados que deveriam ser atravessados
pelo arco são fixados no pátio ou no salão onde, na sequência, Odisseu matará
todos os pretendentes.
CANTO 20
[66] As filhas de Pandareu têm uma vida tão desafortunada que,
“literalmente, perdem sua face humana e são transformadas em criaturas
terríveis, vingativas” como as Erínias (Levaniouk 2011, p. 278).
[156] Trata-se de um festa anual em honra de Apolo, que acontece no início
da primavera, ou seja: na segunda metade do poema, o frio do final do
inverno ainda é constante.