Você está na página 1de 9

USO DE TESTES NA ORIENTAÇÃO – ESTUDO DE CASO

1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho - estudo de caso - objetivou compreender até que ponto o uso dos testes nos
Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da Escola Portuguesa de Moçambique – EPM-CELP,
contribui para o sucesso do processo de orientação. Trata-se de um estudo de caso efectuado no âmbito
de exame de frequência da cadeira de Psicologia de Orientação Profissional, realizado nos Serviços de
Psicologia e Orientação Vocacional da Escola Portuguesa de Moçambique – EPM-CELP e subordina-se
ao tema uso de testes na orientação.
O uso de instrumentos psicometricamente ajustados ao contexto em que serão utilizados é fundamental
para a confiabilidade dos processos de avaliação psicológica. Em situações de orientação vocacional tal
preceito tem igual importância, na medida em que a avaliação de diferentes constructos, pelo orientador,
deve levar o sujeito a se conhecer melhor, proporcionando-lhe uma escolha adequada que esteja em
concordância com os seus interesses vocacionais ou as actividades das diversas áreas de estudo.
Sendo os testes instrumentos importantes para qualquer processo de orientação, por fornecerem uma
informação precisa sobre o sujeito a ser orientado, no que diz respeito aos seus interesses vocacionais;
suas capacidades intelectuais gerais; suas aptidões mentais; seus valores e sua personalidade, o seu
uso no processo de orientação como uma das etapas de avaliação torna-se imprescindível.
Contudo, o trabalho está estruturado nos seguintes termos: a presente introdução; a apresentação da
instituição; o problema de pesquisa; a justificativa; os objectivos; a hipótese; a fundamentação teórica; a
metodologia; a apresentação dos resultados que inclui os testes usados nos Serviços de Psicologia e
Orientação Vocacional da Escola Portuguesa de Moçambique – EPM-CELP; a discussão dos resultados;
a conclusão e as referências bibliográficas.

2. APRESENTAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
2.1. Localização
A Escola Portuguesa de Moçambique–EPM - CELP, tem instalações próprias construídas de raiz na
cidade de Maputo. Situa-se no bairro Costa do Sol, junto à orla marítima e tem uma área de cerca de
27000m2 e uma parcela adjacente com 3000m2 que serve de parque de estacionamento de veículos.

2.2. Historial da instituição


A EPM-CELP, foi criada na titularidade do estado português à luz da cooperação celebrada entre
Portugal e Moçambique pelo decreto-lei nº 241/99 de 25 de Junho, complementado pelo decreto-lei nº
177/2002, de 31 de Julho, é dotada de personalidade jurídica e de autonomia cultural, pedagógica,
financeira e património próprio. Nesta perspectiva, no contexto da política de relações internacionais e de
cooperação, a missão da EPM-CELP visa promover e difundir a língua e a cultura portuguesa, assumida
como valência substantiva na implementação de uma política cultural e educativa em Moçambique tendo
iniciado as suas actividades no ano 1999/2000.

7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
7.1. Conceitos-chave
7.1.1. Teste
De acordo com Gordon & Kalha (2000), teste é um conjunto de tarefas ou questões com o objectivo de
elucidar tipos particulares de comportamento quando apresentados em condições padronizadas.
Segundo Cronbach (1970) citado por Gordon & Kalha (2000), testeé um procedimento sistemático de
observação e descrição de uma ou mais características de uma pessoa, com a ajuda de uma escala
métrica ou de um sistema de categorias.

7.1.2. Teste psicológico


Um teste psicologico é um procedimento sistematico (caracterizam-se por planeamento, uniformidade e
meticulosidade) para a obtencao de amostras de comportamento (subconjuntos de um todo muito maior)
relevantes para o funcionamento cognitivo ou afectivo e para a avaliacao dessas amostras de acordo
com certos padroes (Urbina, 2007).

7.1.3. Orientação
A Orientação é um processo de natureza progressiva, no qual se auxilia um indivíduo a entender, aceitar
e usar as suas habilidades, atitudes, interesses e padrões de atitude, face às suas aspirações (Gordon &
Kalha, 2000).

7.1.4. Orientação Vocacional (OV)


A Orientação Vocacional é um processo que ajuda os indivíduos a escolher uma profissão, prepara-os
para tal profissão, seu ingresso e desenvolvimento (Gordon & Kalha, 2000).
Segundo Noronha, Freitas & Ottati (2003), a orientação vocacional é um processo que ajuda os
indivíduos a escolher uma profissão, prepara-os para tal profissão, seu ingresso e desenvolvimento. A
satisfação vocacional requer que os interesses, aptidões, atitudes e personalidade de uma pessoa sejam
adequados ao seu trabalho.

7.2. Uso de testes psicológicos na orientação


Os testes na orientação normalmente são usados para recolher informações sobre os indivíduos e usar
estas informações para avaliá-los. O orientador e/ou aconselhador usará a avaliação de dados de testes
e outras fontes porém ele deve, entretanto, ter um bom entendimento do campo geral da medição
(Gordon & Kalha, 2000). No entanto, antes de proceder à discussão detalhada de como os testes são
usados na orientação, é necessário referir a sua pertinência nesse processo e, de acordo com Gordon &
Kalha (2000), pode-se destacar:
Primeiro: supõe-se que os testes sejam os mais objectivos e precisos na medida em que a partir dos
resultados dos testes, pode-se verificar, rejeitar ou modificar as convicções previamente existentes sobre
um indivíduo.
Segundo: os testes fornecem novas informações sobre a qualidade do futuro desempenho do indivíduo
em situações novas ou informações difíceis de serem extraídas pelo indivíduo a partir de uma
experiência prévia. Nesta perspectiva, a maior razão para o uso dos testes psicológicos na orientação é
que as opções surgem para o indivíduo e os estudantes devem tomar as suas próprias decisões e
conviver com elas e, deste modo, espera-se que os testes possam conter informações úteis que podem
ser usadas na sua tomada de decisões.
7.3. Programa escolar de testes
Como parte da aplicação geral de testes na orientação, o orientador deve organizar um programa de
testes na escola. Um programa de testes deve ser bem organizado, deve estar relacionado com o uso e
deve haver integração e continuidade. Relação com o uso significa que os testes usados devem ser
aplicáveis ou relevantes ao problema. Integração refere-se a em que medida existe uma relação lógica e
clara entre os diferentes instrumentos de teste usados e entre os testes gradualmente aplicados. Deste
modo, um programa de testes deve ter continuidade por muitos anos, pois isto ajuda a seguir o
crescimento individual de um estudante de ano para ano e ajuda também o orientador a conhecer melhor
os seus instrumentos - testes (Gordon & Kalha, 2000).
7.4. Funções de um programa de testes
Segundo Gordon & Kalha (2000), se os testes estão para ser introduzidos, é essencial que todo o
pessoal do ensino saiba dizer como devem ser introduzidos e o que devem conter. Os testes
devem estar integrados no sistema escolar como um todo. Só poderão funcionar se forem vistos
como uma ajuda para atingir os objectivos gerais da escola. Organizado desta forma, como refere
Gordon & Kalha (2000), um programa de testes pode servir às seguintes funções:
 ajudar a melhorar a qualidade e a natureza do processo de ensino-aprendizagem, provendo os
professores de feedback sobre a eficiência das suas técnicas;
 fazer a orientação vocacional mais efectivas;
 agir como estímulo para uma definição dos objectivos educacionais na escola;
 ajudar os estudantes a entenderem-se a si próprios, as suas necessidades, interesses,
habilidades, limitações, preconceitos e potencial de desenvolvimento.

7.5. Tipos de teste que podem ser usados num programa de testes
Qualquer programa de testes numa escola provavelmente consistirá em dois tipos de teste: os que todos
os estudantes se submetem de tempo em tempo e os usados somente quando necessário, na ajuda de
um determinado estudante (Gordon & Kalha, 2000). Nesta perspectiva, um programa geral mínimo de
testes deve consistir em: medidas de capacidades de realização em assuntos específicos; testes de
habilidades gerais; medidas dos ajustes pessoal e social; e medidas de interesses vocacionais.

Testes de realização: medem o conhecimento, habilidades e práticas que resultam da instrução dada
pela escola. Geralmente representam uma avaliação definitiva do estatuto do indivíduo ao completar o
treinamento, por exemplo, exames para mudança de nível.
Testes de habilidades gerais: medem o desenvolvimento intelectual padrão e a aptidão, ou potencial, do
indivíduo. Esses testes são úteis como ferramentas de diagnóstico, por exemplo, testes de inteligência e
aptidão.
Testes de personalidade: medem características tais como o ajuste emocional, relações inter-pessoais,
motivação e atitudes, por exemplo, Inventário de Personalidades Multifásicas de Minnesota (MMPI).
Inventários de interesses: medem o que o indivíduo gosta ou não gosta. Na Orientação, são muito
importantes as informações sobre os interesses do indivíduo voltados para a vocação e a são muito
importantes carreira profissional. Estas informações devem ajudar o aconselhador a orientar um
indivíduo a seguir o seu interesse, por exemplo, Levantamento de Interesses Gerais de Kuder.

8. METODOLOGIA
Pelo carácter descritivo do tipo de pesquisa em questão neste singelo trabalho - estudo de caso - foi
usada uma metodologia qualitativa que, de acordo com Gil (2008), possui um forte cunho descritivo que
conduz à um profundo alcance analítico sobre o caso em estudo que, para este trabalho, é uma
instituição - Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP. Para tal, fez-se uma revisão
bibliográfica a partir de livros e artigos científicos inseridos em revistas electrónicas, pois ela tem uma
importância consagrada e disponibiliza um perfil de conhecimento actualizado.
Em seguida, em consequência do tipo de pesquisa em questão neste trabalho, optou-se por se usar a
análise documental e entrevista como instrumentos de colheita de dados. Assim, efectuou-se a recolha
de dados através de um trabalho de campo usando-se os instrumentos acima referidos. Portanto, o
critério para a análise e discussão dos resultados foi meramente de carácter descritivo.

8.1. Procedimentos
A recolha de dados através da análise documental foi efectuada sob consentimento e autorização da
psicóloga que trabalha no serviço de orientação ora em questão, drª. Alexandra Melo, que disponibilizou
material escrito sobre o caso em estudo que serviu como fonte de dados.
A entrevista foi efectuada com a própria drª. Alexandra Melo, psicóloga e orientadora que trabalha nos
serviços de Psicologia e Orientação ora em questão. Foi uma entrevista estruturada, cujo guião tinha 13
questões concebidas na perspectiva de responder os objectivos pré-estabelecidos. Veja o guião de
entrevista em anexo.

9. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS
9.1. Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP
De acordo com os dados recolhidos através dos instrumentos acima referidos, a EPM- CELP realiza
serviços de orientação desde o início das suas actividades no ano 1999/2000, quando as suas
instalações situavam-se no recinto da Feira Internacional de Maputo (FACIM). Quando passou às novas
instalações, a EPM- CELP continuou com os serviços de orientação, tendo-os melhorando cada vez
mais.

Os serviços de apoio educativo abrangem todos os ciclos, desde o pré-escolar até o ensino secundário.
Em particular os serviços de orientação destinam-se aos alunos do 9º ano do 3ºciclo do ensino básico,
de forma a fornecer aos alunos uma ajuda e orientação na escolha da área de estudo a partir do 10º ano.

Em termos de organização e funcionamento do serviço de orientação para os níveis pré escolar e 1º


ciclo (1ª a 4ª classes), a EPM-CELP sensibiliza os professores a estar atentos aos problemas de
aprendizagem. A sensibilização incide sobre as áreas: cognitiva, desenvolvimento, comportamental,
aptidões, prevenção e avaliação. Na área cognitiva são explorados aspectos como atenção, memória e
linguagem. De entre estes o aspecto atenção é o mais frequente. Para a exploração da área cognitiva
são aplicados os seguintes testes: WPPSI, WISC, Columbia, Raven, My e D2.

No que diz respeito à linguagem explora-se o vocabulário, a compreensão da leitura (dislexia) e a


expressão escrita (disortografia). Quanto as aptidões para aprendizagem, para o nível pré-escolar
explora-se a iniciação da leitura e escrita; para o 1º ciclo explora-se o desenvolvimento psicomotor, a
organização espacial, a linguagem, percepção visual e auditiva. Para a avaliação desta área é aplicado o
teste de Maturidade pré-escolar e BAPAE e, por último, para a avaliação da área de prevenção é
aplicado o teste PIAAR.
No 2º (5ª a 6ª classes) e 3º ciclos (7ª a 9ª classes), incluindo o ensino secundário, a EPM-CELP nos
seus serviços de orientação desenvolve trabalhos em aspectos relacionados a atenção; organização do
estudo (responsabilidade pessoal, organização do tempo e espaço, conteúdos de estudo, método de
estudo); orientação vocacional (no 9ºano); comportamento (hiperactividade, oposição); emoção,
aspectos sócio-afectivos, auto-estima, familiares; sexualidade (prevenção de comportamentos de risco) e
toxico-dependência. Porém, é importante salientar que a orientação vocacional propriamente dita é
efectuada apenas com os alunos do 3º ciclo, especificamente os do 9ºano.

10. Testes usados nos Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP


Os Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da Escola Portuguesa de Moçambique - EPM-CELP,
que normalmente efectua orientação a partir do 9ºano de escolaridade, usa vários testes como uma das
etapas de avaliação durante o processo de orientação vocacional, dos quais os mais usados estão
subdivididos em três áreas principais: área de interesses; área da personalidade e área das aptidões
mentais e raciocínio lógico.

Sendo os testes instrumentos com carácter preditivo e diagnóstico, é importante deixar claro que os
testes não definem certamente a profissão exacta, mas sim ajudam a clarificar as suas idéias sobre os
seus interesses; as suas aptidões, o seu raciocínio, seus valores e a sua personalidade. Deste modo, os
resultados obtidos nos testes de orientação vocacional oferecem um melhor conhecimento de si próprio
e ajudam aos alunos a tomarem a decisão mais acertada em relação aos seus interesses vocacionais.

10.1. Inventário de interesses vocacionais


Para a avaliação dos interesses vocacionais (ciências exatas, biológicas e/ou ciências sociais) dos
alunos, cujo perfil de interesse constitui as áreas que motivam os alunos, os Serviços de Psicologia e
Orientação Vocacional da EPM-CELP usa os seguintes testes: KUDER, IPP, IIP e COPS.
10.1.1. Principais vantagens dos inventários de interesses
 Identifica os interesses vocacionais ao longo do 3º ciclo de escolaridade;
 Fornece análises e gráficos de interesses; e
 Podem se aplicar individual ou colectivamente.

10.1.2. KUDER - Registo de Preferências Vocacionais


Avalia os interesses vocacionais ou profissionais dos alunos a partir das actividades preferidas ou
rejeitadas em campos de preferências. Inclui ainda uma escala de verificação que funciona como escala
de validação. Permite elaborar um perfil de interesses, em que os valores considerados elevados tomam
um carácter indicativo do tipo de campo que o sujeito prefere. Aplica-se à adolescentes que estejam no
9ºano de escolaridade, num tempo de +/- 45min e pode-se aplicar de forma individual ou colectiva.

10.1.3. IPP - Inventário de Interesses e Preferências Profissionais


É um inventário que avalia os alunos segundo seus interesses vocacionais (ciências exatas, biológicas
e/ou ciências sociais), tendo em consideração as tarefas que integram em cada uma dessas
preferências. A partir dos resultados obtidos elabora-se o perfil do aluno, especificando as suas
preferências vocacionais ou por actividades em cada área de estudo. A análise do perfil deverá ter em
consideração a existência ou não de discrepâncias entre as pontuações em áreas de estudo e as
respectivas actividades. Aplica-se à alunos do 9ºano de escolaridade, num tempo de +/- 45min e aplica-
se de forma colectiva.

10.2. Testes de personalidade


Com vista a se efectuar uma orientação que esteja compatível com a personalidade do aluno, os
Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP usa os seguintes testes para avaliar a
personalidade dos alunos: COM-73 e 16PF.

10.2.1. 16PF - Questionário Factorial de Personalidade


É um questionário constituído por 185 itens que avaliam 16 traços primários da personalidade. A
combinação destes traços permite a obtenção de resultados para 5 factores de segunda ordem, referidos
como: extroversão, ansiedade, dureza, independência e auto-controlo. Uma análise mais detalhada do
perfil permite obter informações quanto ao potencial de liderança, à criatividade, à empatia, às
competências sociais, à auto-estima e à capacidade de adaptação e ajustamento do sujeito.
Normalmente, os Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP aplica à alunos do
9ºano de escolaridade, num tempo de +/- 45min e aplica-se de forma colectiva.

10.3. Teste de Aptidões Mentais Primárias e de Raciocínio Lógico


Para a avaliação da aptidões mentais primárias e do raciocínio lógico nos Serviços de Psicologia e
Orientação Vocacional da EPM-CELP, como uma das etapas do processo de orientação, usa-se o PMA
que é um teste que avalia as aptidões mentais primárias e o D48 que avalia as capacidades intelectuais
gerais dos alunos.

10.3.1. Testes de Aptidões Mentais Primárias - PMA


O PMA é um teste que os Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP usa para
avaliar as aptidões mentais primárias dos alunos do 9ºano de escolaridade e constitui uma bateria de
aplicação individual ou colectiva. Tem como finalidade avaliar o perfil das aptidões básicas dos alunos
em 5 factores: compreensão verbal, concepção espacial, raciocínio lógico, cálculo numérico e fluência
verbal.
Compreensão verbal: capacidade para captar ideias expressas através da linguagem escrita ou oral. É
indispensável em actividades em que predomina o uso da linguagem.
Concepção espacial: capacidade para imaginar e reconhecer estruturas espaciais e compará-las entre
si, ou aptidão para reconhecer objectos que mudam de posição no espaço mantendo a sua estrutura
interna.
Raciocínio lógico: é a capacidade para seguir um processo descobrindo a relação causal que existe
entre diversos factores, ou inferir do particular ao geral e extrair das premissas a conclusão lógica.
Cálculo numérico: capacidade para manejar números e para resolver rapidamente problemas
quantitativos simples.
Fluência verbal: capacidade para exprimir com facilidade as próprias ideias de modo convincente.

10.3.2. D48 - Teste de Dominós


É um teste de inteligência geral que constitui uma excelente medida de factor "g". Os Serviços de
Psicologia e Orientação Vocacional da EPM-CELP usa este teste para avaliar as capacidades intelectual
dos alunos do 9ºano de escolaridade, para conceptualizar e aplicar o raciocínio sistemático à novas
situações. Aplica-se durante 25min de forma colectiva.

Tabela de sessões de orientção vocacional na prática – e as respectivas sessões onde se usam


os testes, durante o processo de orientação vocacional na EPM-CELP. O processos é constituido
por 6 sessões de 60 minutos cada.

1ª Sessão 2ª Sessão 3ª Sessão 4ª Sessão 5ª Sessão 6ª Sessão

-Questionário - Teste das - Inventário -Investigação e


e Entrevista Aptidões de Interesses (COPS). exploração de
inicial de - Avaliação do Mentais preferências - Entrevista
Orientação Primárias vocacionais. final
Vocacional (PMA).
Testes de - Investigação e
- Avaliação da Nível de personalidade(16PF e exploração de
Maturidade Inteligência COM-73). cursos de - Entrevista
Vocacional Geral D48 carácter geral ou com os pais
profissional . (opcional)
Avaliação dos
interesses
(KUDER, IPP e
IIP). - Entrega de
A primeira Relatório Final
sessão consiste
numa entrevista
e na realização
de um
questionário
que vai permitir Testes
recolher psicotécnicos
informação de que permitem
forma fidedigna avaliar as Capacitar o aluno
acerca dos aptidões verbais, para uma correcta
preferências e numéricas, ulitização e
interesses dos abstractas, pesquisa de
alunos. mecânicas e Testes informação oficial e
espaciais dos psicotécnicos para actualizada de A ultima sessão
alunos. confirmar interesses e cursos e profissões consiste na
avaliar o modo de entrega de um
funcionamento relatório, onde
emocional, ou seja a são discutidos
A segunda personalidade do os resultados
sessão consiste sujeito - aluno. obtidos nos
na aplicação de testes.
teste
psicotécnicos.

11. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


Os instrumentos de avaliação de interesses oferecem oportunidades de o indivíduo estudar e relacionar
os resultados do teste com informações ocupacionais; e também oferecem uma expansão nas opções
de carreiras, já que muitos inventários já trazem não só ocupações que necessitam formação
universitária, mas também opções de carreiras de nível técnico (Anastasi; Urbina, 2000; Cronbach, 1996)
citados por (Ottati & Noronha, 2003).
Anastasi & Urbina (2000) citadas por Ottati & Noronha (2003) enfatizam que os instrumentos de
avaliação de interesses possuem ainda uma outra característica, muito peculiar, que diz respeito à
facilidade que as pessoas têm em responder às questões. Neste sentido, Anastasi e Urbina (2000)
citadas por Ottati & Noronha (2003), afirmam ainda que as atitudes, as aptidões e os interesses
representam um importante aspecto da personalidade de uma pessoa. Assim, pode ser de fundamental
importância avaliar esses aspectos dos indivíduos envolvidos na orientação. Essa seria uma das formas
de alcançar alguns dos objectivos propostos da orientação.
Sbardelini (2000) citado por Ottati & Noronha (2003), considera que o uso de testes na
orientação constitui uma etapa importante no processo de avaliação para a orientação, pois fornecerem
uma informação precisa sobre o sujeito a ser orientado no que diz rspeito aos seus interesses
vocacionais; suas capacidades intelectuais gerais; suas aptidões mentais; seus valores e sua
personalidade. Ou seja, é um meio que oferece possibilidades de apreender a subjectividade do sujeito
diante das condições objectivas que lhe são apresentadas. Nesse sentido, o teste visa enriquecer as
informações já levantadas por outros meios, atribuindo um significado mais preciso, compreensivo e
dinâmico da personalidade do sujeito e dos mecanismos que interferem no processo de orientação
vocacional.
O uso dos testes na orientação não deve ser a única fonte de informação sobre o indivíduo, já que os
programas de orientação envolvem outros métodos, como dinâmicas de grupo e entrevista psicológica,
para a recolha de informação do sujeito. Souza (1995) citada por Ottati & Noronha (2003), afirma que os
testes têm um papel instrumental na orientação, ou seja, não substituem a função do psicólogo, nem dos
outros métodos de avaliação, mas sim vêm a ser mais uma das etapas de avaliação. Entretanto, os
testes vêm para oferecer mais informações sobre os indivíduos e, o processo de orientação não se inicia
a partir dos testes.
Ao utilizar os testes, o orientador deve atentar para não fazer uso de forma fechada e estática, mas sim
dar importância a todas as dimensões do instrumento, incluindo as deficiências e limitações, até mesmo
para saber como lidar com elas. Nesse sentido, ele deve realizar avaliações psicológicas com mais
propriedade, usando diversos intrumentos para obter informações do sujeito.
12. CONCLUSÃO
Os testes psicológicos são instrumentos importantes para a prática profissional do psicólogo, auxiliando-
o na realização de avaliação psicológica, no ensino e na pesquisa. Pela sua validade, precisão,
padronização e normalização, são considerados instrumentos de medida que oferecem informação
precisa sobre qualquer indivíduo que esteja num processo de avaliação psicológica.
Tomando-se como norte os objectivos pré-estabelecidos neste trabalho, constatou-se que num processo
de orientação, o uso dos testes constitui uma das etapas importantes que serve de meio que oferece
possibilidades de apreender a subjectividade do sujeito diante das condições objectivas que lhe são
apresentadas.
Diante das evidências teóricas e dos resultados obtidos no presente estudo de caso, tornou-se claro que
o uso de testes na orientação, precisamente, nos Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional da
Escola Portuguesa de Moçambique – EPM-CELP, é indispensável para garantir o grau de confiabilidade
da informação obtida do sujeito a ser orientado, que permitirá ao mesmo tomar decisões certas e
seguras sobre as suas preferências vocacionais ou seus interesses profissionais. O outro facto que ficou
evidente depois deste estudo, é que o sucesso de um processo de orientção subordina-se, entre outros
elementos, no uso de testes durante o processo de orientação, como uma das etapas de avaliação
psicológica; ainda que tal uso dos testes não possa ser olhado como a única fonte de informação sobre o
sujeito a ser orientado, na medida em que existem outros instrumentos de recolha de informação como a
entrevista psicológica e as dinâmicas de grupo, igualmente importantes e indispensáveis para a
avaliacção psicológica. Portanto, para uma efectiva completidão e sucesso do processo de orientação,
não se deve dispensar o uso de testes, pelo seu carácter instrumental, visto que do mesmo modo que
eles não podem substituir os outros métodos de avaliação, também não podem ser substituidos por tais
métodos.

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Bianchi, A. C. de M.; Alvarenga, M. & Bianchi, R. (2003). Manual de Orientação: Estágio Supervisionado.
3ª edição. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.

Gil, A. C. (2008). Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6ª edição. São Paulo: Atlas S.A.

Gordon, W & Kalha, U. (2000). Orientação – Módulo I. Botswana: Editores Wilma Guez e John Allen
UNESCO.

Marconi, M. A. & Lakatos, E. M. (1992). Metodologia Científica. 2ª edição. São Paulo: atlas.

Noronha, A. P. P.; Freitas, F. A. & Ottati, F. (2003). Análise de instrumentos de avaliação de interesses
profissionais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, vol.19 no.3. Brasília. Disponível
em: http://www.pciconcursos.com.br/provas/seap. Acessado em: 17 de Novembro de 2010.

Ottati, F. Noronha, A. P. P. (2003). Parâmetros psicométricos de instrumentos de interesse profissional.


Disponível em: http://www.pciconcursos.com.br/provas/seap. Acessado em: 17 de Novembro de 2010.
Urbina, S. (2007). Fundamentos da Testagem Psicológica. Porto Alegre: Artmed.