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FACULDADE ESTÁCIO DE CURITIBA.

SISTEMAS DE PROTEÇÃO E MEDIÇÃO

Professora: Fernando Felice

André Luís Guimarães Azevedo


Douglas Pereira Gomes
Volnei de Carli

PROTEÇÃO EM SEP EM SISTEMAS DE SMART GRID.

Curitiba
2019
Resumo:
Neste trabalho acadêmico tem-se como objetivo, realizar uma pesquisa da
motivação e tendência de implantação das redes inteligentes no sistema elétrico
de distribuição brasileiro, chamado de proteção em SEP em sistemas de Smart
Grid visando conhecimento possível das melhorias dos indicadores de
qualidade. Serão abordadas características positivas que justificam a sua
implantação, seus desafios, bem como a implementação de estratégias que
permitam através da análise de uma rede de distribuição de energia elétrica.

Introdução:
A rede de energia elétrica de distribuição tem evoluído pouco nos últimos anos,
e a energia tem sido fornecida aos consumidores da mesma forma, sem sofrer
grandes alterações, predominando como redes aéreas de cabos nus e
transformadores, com fluxo de dados unidirecional e características passivas.
Recentemente, devido a novos desafios advindos das mudanças modernas, tais
como ameaças à segurança, uso de energias intermitentes, metas de melhoria
dos indicadores de qualidade, redução dos picos de demanda e aumento da
confiabilidade, fica evidente a necessidade de evolução tecnológica das redes
de energia em geral, que permitam a integração de sensores e medidores
inteligentes na rede. A demanda de energia elétrica nacional vem crescendo nos
últimos anos, assim como o crescimento populacional e econômico.
Analogamente ao crescimento na demanda, existe uma quantidade relevante de
perdas inerentes aos sistemas de distribuição e transmissão de energia.
Empregar a energia elétrica de forma eficiente, mantendo as condições de
conforto e segurança, se torna necessário, devido ao crescimento constante do
seu consumo e a escassez de recursos naturais para a produção de energia.
Neste caso a implantação de novas tecnologias no sistema pode promover
melhorias na utilização de energia, garantindo eficiência e reduzindo a
necessidade da implantação de novos projetos de geração para suprir a
demanda crescente, reduzindo o potencial de degradação ambiental. A Smart
Grid, ou rede inteligente é o sistema de transmissão e distribuição de energia
elétrica capacitado de tecnologias que possibilitam um elevado grau de
automação. A utilização dessa tecnologia garante uma ampla gama de
benefícios aos consumidores e concessionarias de energia, possibilitando
ampliar substancialmente a eficiência operacional, garantindo uma resposta
rápida às demandas inerentes ao sistema. A rede inteligente é o futuro da
distribuição de energia elétrica, pois a partir da atualização da infraestrutura já
existente possibilita a eficiência mais adequada para o sistema elétrico. Assim
que houver uma solicitação, visando atingir uma melhor qualidade do serviço
com o mínimo de interrupções no fornecimento de energia, para os clientes de
qualquer natureza conectados à rede. Através da implantação desse conceito
pode ser possível identificar de forma instantânea e precisa as falhas e quedas
no fornecimento de energia, com a realização automática de manobras para
reestabelecer o sistema.
Essa tecnologia possibilita também o conhecimento mais aprofundado do
comportamento do consumo de cada cliente, garantindo um melhor
planejamento da ampliação da oferta, além de garantir um controle por parte das
concessionárias de forma mais apurada das fraudes ou perdas operacionais no
sistema de distribuição através das mudanças do comportamento do consumo.
A integração, controle e transporte da energia elétrica através das redes
inteligentes, detém o potencial para transformar o modo como o setor elétrico
atua, trazendo o desafio da modernização de toda a estrutura física e regulatória
brasileira, incentivando o desenvolvimento de novas abordagens e trazendo
grandes propostas tecnológicas para otimizar o sistema. Nessa abordagem o
trabalho compõe um estudo a implantação dessa filosofia e sua proposta de
mudança para os indicadores de duração da interrupção no sistema elétrico de
distribuição visando a melhora na qualidade dos serviços prestados.

Interligação de todo o sistema elétrico.


O smart grid:

Dá-se o nome de Smart Grid à nova concepção da rede, que se diferencia da


tradicional pelo uso intensivo de recursos de comunicação e informática, da
geração ao consumidor final, com o objetivo de atender os requisitos.
Cada vez mais coisas estão conectadas na rede, a demanda de energia
aumentou muito, e a tendência é que cresça cada vez mais. De acordo com a
IBM, 14,7% do total da energia produzida no Brasil é dissipada no processo de
distribuição.
Sendo assim, fica clara a real necessidade de implantar um modelo distribuído,
além da inclusão de fontes de energia limpa, como energia solar e eólica.
É aí que entra o conceito de Smart Grid, ou rede elétrica inteligente, que tem
como base uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, mais segura
e inteligente, que promove a integração e possibilita ações aos usuários.
A proposta de rede elétrica inteligente, não é só criar uma rede de energia que
funcione de maneira eficiente, mas que também contribua para o movimento de
uso de energia limpa, atendendo às expectativas quando o assunto é
sustentabilidade.
Levando em consideração, que estamos vivendo um momento de maior
conscientização e preocupação em relação as questões de sustentabilidade e
melhor uso dos recursos naturais, hoje, é de extrema importância utilizar esses
recursos de maneira mais eficiente, consciente e inteligente. E além disso, é uma
ação inteligente, já que a partir disso teremos um aproveitamento maior
garantido pela redução do desperdício.

SMART GRID
Vantagens de uma rede com smart grid:
Possibilita uma transmissão de energia elétrica eficiente da geração, distribuição
e consumo de energia elétrica. Evitando desperdícios, fazendo um uso mais
consciente e fornecendo informações em tempo real. Ou seja, a lógica da Smart
Grid é a inteligência!

Sistema de energias elétrica interligado

Desvantagem:
Quando digitalizamos a estrutura e tornamos tudo eletrônico, estamos expostos
aos mesmos riscos digitais que qualquer dispositivo, como o computador por
exemplo.
Custo de instalação e manutenção também são pontos que geram resistência a
implementação do Smart Grid. Os equipamentos utilizados tem custo mais alto
pela tecnologia embarcada.

Redes com smart grid:

Seguindo o conceito de Smart Grid, as novas redes serão automatizadas com


medidores de qualidade, proporcionando um consumo de energia mais eficiente,
e permitindo o envio e recebimento de informações em tempo real.
A Smart Grid introduz um diálogo de duas vias, onde eletricidade e informação
podem ser trocadas entre fornecedores e os consumidores.
Ou seja, a partir da digitalização de processos, equipamentos e protocolos, os
sensores inteligentes serão capazes de medir a qualidade da energia, além de
acompanhar o consumo de energia, revolucionando a infraestrutura elétrica.
A tabela mostra a comparação entre o sistema de distribuição atual e um sistema
Smart Grid:

E é importante destacar que, esses processos não envolvem somente o meio de


distribuição, mas a cadeia como um todo.
Para que isso seja possível, precisamos adotar um modelo distribuído, onde
cada parte do sistema seja capaz de captar e armazenar energia de maneira
independente. Em outras palavras o consumidor poderá produzir energia.
Cenário brasileiro:
Na américa latina, o Brasil é apontado por ser o país proeminente e líder na
implementação de projetos de redes inteligentes de energia. Há pontos
desafiadores na implantação real de projetos com Smart Grids no Brasil:
 A indústria brasileira de energia é diferente da maioria dos países pelo
fato de haver um baixo consumo de potência per capita;
 Alto volume de perdas, técnicas e não técnicas, no sistema de
transmissão e distribuição de energia;
 Cada grid de energia deve ser estudado e adaptado para um melhor
aproveitamento do sistema inteligente;
 Regulamentações sobre Smart Grids, smart meters, sistemas de
infraestrutura de tecnologia de informação e comunicação ainda estão em
discussão;
 Aceitação e adaptação dos consumidores ao sistema, uma vez que estas
pessoas passam a ter um papel mais importante sobree a supervisão e
utilização da energia elétrica.
Apesar das dificuldades, a implementação dos equipamentos utilizados em
Smart Grids também previne problemas, por exemplo o uso de smart meters
inviabiliza adulterações como as que podem ocorrem nos medidores que se
encontram presentes em quase toda a totalidade de instalações elétricas e
industriais atuais no Brasil. Além disso, a integração desses medidores
inteligentes com redes inteligentes é capaz ainda de proporcionar um controle
em tempo real sobre a demanda e consumo de energia.
Proteção de Redes Smart Grid:
O tradicional sistema elétrico de distribuição é de característica topológica radial,
sendo assim, é suprido por uma única fonte (subestação), necessitando de um
sistema de proteção com características adequadas para a operação radial da
rede. Recentemente, com a inserção da geração distribuída, a presença destes
geradores resulta em um sistema não radial, fazendo com que aumente os
problemas com a perda de coordenação dos dispositivos de proteção.
Fusíveis e religadores convencionais não possuem características direcionais
como o relé. Logo, a troca de todos os fusíveis e religadores por dispositivos
bidirecionais seria economicamente inviável. Sendo assim, é necessário
desenvolver estratégias que solucionem tal problema de coordenação,
independentemente do tamanho, número ou alocação da GD no sistema de
distribuição.
Para solucionar as necessidades de proteção de Smart Grid, existe a proposta
de proteção adaptativa. O principal propósito do esquema de proteção
adaptativo estudado é identificar e diagnosticar a falta e isolar a área defeituosa
do resto do sistema. Adaptativo no sentido de qualquer que seja a quantidade
de geradores inseridos na rede o esquema de proteção deve operar
adequadamente e mudanças na topologia e quantidade de geradores em
operação não afetem o desempenho da proteção.
Nos sistemas de distribuição tradicionais, quando uma falta ocorre em uma parte
específica, todas as cargas que estão a jusante do ponto de falta são
desconectadas do sistema e, em alguns casos, algumas cargas são supridas por
alimentadores adjacentes. Então, considerando que a jusante de uma parte da
rede com falta existe GD, de acordo com a lógica da proteção convencional, não
será possível utilizar a GD no momento da falta, pois é desconectada do sistema.
Isto leva ao "desperdício" de várias fontes geradoras de energia que não estão
sendo aproveitadas e portanto redução da confiabilidade do sistema de
distribuição.
Uma proposta para solucionar é um esquema que baseia-se na divisão do
sistema de distribuição em várias zonas como proposto em, de tal forma que
cada zona não contenha GD, ou caso contenha alguma, deve-se haver balanço
entre geração e consumo nesta zona e só utilizando a energia gerada por GDs
que estejam na zona. Em outras palavras, serão dois tipos de zonas: 1) inclui
aquelas zonas as quais não possuam GD e as cargas são totalmente supridas
através da concessionária e outras zonas da rede de distribuição; e 2) inclui
aquelas zonas as quais possuam GD. Deve-se ter pelo menos uma unidade
geradora equipada com sistema de controle de frequência, de modo a ser capaz
de controlar a frequência da zona, caso a mesma esteja em operação de
ilhamento.
O grupo Endesa – por meio de suas duas empresas de distribuição, a AMPLA e
a COELCE – está implantando pilotos com diferentes objetivos. No primeiro
caso, a AMPLA está implantando projeto denominado CIDADE INTELIGENTE
no município de Búzios (RJ), englobando Medição Inteligente, Telecomunicação,
Automação, Geração Distribuída e Armazenamento, Prédio Inteligente e
Veículos Elétricos. A abrangência do projeto envolverá a instalação de 10 mil
medidores inteligentes e automação de 25 pontos da rede de média tensão. Já,
a COELCE está implantando no município de Aquiraz (CE) um Sistema de
Reposição Automática (SRA) e de um Sistema Inteligente para Mudança
Automática de Ajuste do Sistema de Proteção (SIAP) na rede de média tensão.

Proteção Adaptativa:
A proteção tradicional para alimentadores de distribuição prevê o ajuste fixo, ou
seja, são realizados estudos prévios do sistema de distribuição para que sejam
determinadas as parametrizações dos componentes de proteção. Em sistemas
elétricos de distribuição, mudanças na operação da rede são verificadas em
diversos casos como: adição de novos consumidores à rede, condições de
contingência, e mais recentemente conexões de geração distribuída. Tais
eventos são capazes de modificar a topologia de operação da rede, o que
geralmente altera níveis de curto-circuito no sistema. Geralmente as
modificações nos sistemas elétricos de potência impactam diretamente na
performance e confiabilidade da rede. Os sistemas de proteção também são
afetados em grandes mudanças e devem ter seus parâmetros reavaliados. A
utilização de sistemas de proteção desatualizados, ou erroneamente
parametrizados, pode acarretar na atuação indevida da proteção, causando o
risco de danificar equipamentos dos alimentadores no caso de falhas na rede. A
proteção adaptativa é apresentada na literatura como uma alternativa para os
esquemas de proteção se manterem frente às mudanças nas topologias dos
sistemas de potência.
A proteção adaptativa pode ser definida como a habilidade dos sistemas de
proteção de se adaptar as atuais condições de operação do sistema de potência.
Podendo ser encarada como uma filosofia de proteção que permite fazer ajustes
nas funções de proteção para tornar os esquemas de proteção mais sintonizados
com o modo de operação da rede. Esta definição de proteção adaptativa indica
que seu principal objetivo é o de manter os requisitos básicos de seletividade e
coordenação dos sistemas de proteção, durante a operação de diferentes
topologias dos sistemas de potência, através da configuração automática dos
ajustes de dispositivos inteligentes de proteção.

Soluções típicas para sistemas de proteção adaptativa são baseadas nas


funções de relés microprocessados. Tais relés possuem habilidades de
armazenar diferentes ajustes pré-determinados em sua memória (Grupos de
Ajustes), o que permitem uma simples aplicação de adaptação em parâmetros
de proteção. Os relés digitais ainda são munidos lógicas de programação que
auxiliam nas transições entre parâmetros de proteção.
O segundo método envolve efetuar o cálculo dos parâmetros durante a operação
em resposta a mudanças do sistema de potência. Esta opção se torna valiosa
para sistemas que possibilitem uma grande variedade de topologias. Há estudos
que descrevem que sistemas que sejam capazes de executar os cálculos online
necessitam de grande capacidade computacional.
Os requisitos funcionais dos esquemas de proteção adaptativa englobam a
seleção válida dos parâmetros de proteção em resposta aos eventos do sistema,
determinados previamente pelo usuário. É necessário que o sistema de ajustes
automáticos verifique a performance dos ajustes selecionados e demande
mudanças caso seja necessário.
Os dispositivos de proteção munidos de controle microprocessado, também
chamados de IED (Intelligent Electronic Devices), compõe a camada de
execução da proteção adaptativa.

Conclusão:
Com este trabalho acadêmico pode-se concluir que há vantagens em um
sistema de distribuição com smart grid. Esta modalidade nas redes elétricas é a
tendência do futuro, pode-se perceber que há muitas perdas de energia elétrica
desde a geração até o consumo. A partir da implantação de sistemas
automatizados de monitoramento, que trazem as informações em tempo real é
possível ter um controle mais eficiente e seguro, a todas as pessoas que estão
conectados a rede smart grid. Existe também a questão de manutenção, que é
mais eficiente fazendo com que os consumidores fiquem menos tempo sem
energia elétrica. Sendo assim todas as pessoas ganham com a economia e
controle da distribuição deste sistema, que controla o consumo de cargas em
tempo real.
Referências:
ALONSO, Augusto Matheus dos Santos. SMART GRIDS: TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO E
SUA REALIDADE NO BRASIL. Ouro Preto, 2014.

CHAVES, Roberto C. P.; LEÃO, Fábio B. SISTEMA DE PROTEÇÃO ADAPTATIVO PARA REDES DE
DISTRIBUIÇÃO COM INSERÇÃO DE GERADORES DISTRIBUÍDOS. Anais do XX Congresso
Brasileiro de Automática, Belo Horizonte, 2014.

PACHECO, Bruno Alberto. ANÁLISE DA ADAPTAÇÃO DA PROTEÇÃO DE SOBRECORRENTE PARA


SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO SUBTERRÂNEOS COM SELF-HEALING. Florianópolis, 2018.

https://www.proof.com.br/blog/smart-grid/

http://redesinteligentesbrasil.org.br/o-projeto.html

https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2018/07/enel-dara-1-mil-para-quem-
denunciar-gato-na-rede-eletrica/34393