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CONVERSANDO E ESCREVENDO

EM LIBRAS

Professoras: Dra. Clélia Maria Ignatius Nogueira


Esp. Marília Ignatius Nogueira Carneiro
Esp. Beatriz Ignatius Nogueira
Me. Beatriz Dittrich Schmitt
DIREÇÃO

Reitor Wilson de Matos Silva


Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho


Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha
Head de Produção de Conteúdos Rodolfo Pinelli
Head de Planejamento de Ensino Camilla Cocchia
Gerência de Produção de Conteúdos Gabriel Araújo
Supervisão do Núcleo de Produção
de Materiais Nádila de Almeida Toledo
Supervisão de Projetos Especiais Daniel F. Hey
Projeto Gráfico Thayla Guimarães
Design Educacional Marcus Vinicius Almeida da Silva Machado
Design Gráfico Victor Augusto Thomazini

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação


a Distância; NOGUEIRA, Clélia Maria Ignatius; CARNEIRO, Marília
Ignatius Nogueira; NOGUEIRA, Beatriz Ignatius; SCHMITT, Beatriz
Dittrich Schmitt.

Linguagem Brasileira de Sinais. Clélia Maria Ignatius
Nogueira; Marília Ignatius Nogueira Carneiro; Beatriz Ignatius Nogueira;
Beatriz Dittrich Schmitt.
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017.
37 p.
“Pós-graduação Universo - EaD”.
1. Libras. 2. Linguagem. 3. Sinais. 4. EaD. I. Título.
ISBN: 978-85-459-1123-4
CDD - 22 ed. 370
CIP - NBR 12899 - AACR/2

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900
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sumário
01 09| DESCONSTRUINDO CRENÇAS SOBRE A LIBRAS

02 13| DIÁLOGOS EM LIBRAS

03 27| ESCREVENDO EM LIBRAS – O SISTEMA SIGN WRITING


CONVERSANDO E ESCREVENDO EM LIBRAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
•• Discutir crenças sobre a Libras.
•• Produzir sinais em Libras.
•• Construir frases em Libras.

PLANO DE ESTUDO

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:


•• Desconstruindo crenças sobre a Libras
•• Diálogos em Libras
•• Escrevendo em Libras – o sistema Sign Writing
INTRODUÇÃO

Estudamos que a língua de sinais é imprescindível para o desenvolvimento do


surdo. Por isso, é fundamental que a criança a adquira bem cedo a fim de favorecer
seu desenvolvimento social e cognitivo. Contudo, sabemos que a maioria das crian-
ças surdas são filhas de pais ouvintes que possuem conhecimentos restritos sobre a
surdez e sobre a língua de sinais.
Com base nessas considerações, este estudo visa a desvelar a língua de sinais
mediante a discussão das principais dúvidas sobre esses assuntos. Além disso, serão
propostos diálogos contextualizados que favorecem a conversação. Para cada diálogo,
estabelecemos o tema, o contexto, o vocabulário e o tipo de frases envolvidas. Você
deve procurar pelo vocabulário e o tipo de frase, e se não tiver um colega para rea-
lizar a conversação, treine sozinho, com auxílio de um espelho.
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Esses diálogos foram elaborados pelas autoras surdas citadas nas aulas e refletem
a maneira surda de se relacionar. Vamos apresentar as frases escritas em português e,
entre parênteses, em letras maiúsculas, como fica a construção da frase em Libras e,
em itálico, eventuais comentários. Se você não se lembrar dos sinais, consulte sítios
eletrônicos (alguns deles foram especificados nos materiais complementares).
Uma observação: como na Libras não existe flexão de gênero, na transcrição de
sinais utilizamos o símbolo @. Ele é utilizado para representar sinais que, diferente-
mente do português, não possuem marca para gênero (masculino/feminino). Assim,
o sinal traduzido por fei@, por exemplo, pode tanto ser usado para feio ou feia.
Finalizamos este estudo abordando de maneira sucinta a forma como se estabe-
lece a escrita de sinais utilizando o sistema Sign Writing.
8 Pós-Universo
Pós-Universo 9

DESCONSTRUINDO
CRENÇAS SOBRE A
LIBRAS
Você sabia que existem algumas crenças a respeito da Língua Brasileira de Sinais
(Libras) que precisam ser “destruídas”? Uma delas é a de que as línguas de sinais
não possuem gramática. Isso não faz sentido, pois Libras tem gramática própria e se
apresenta estruturada nos mesmos níveis das línguas orais, a saber, fonológico, mor-
fológico, sintático e semântico, portanto não pode ser considerada mímica. A seguir
vamos desmitificar alguns dessas crenças sobre a linguagem de sinais.

LÍNGUA DE SINAIS NÃO É MÍMICA


Para demonstrar que a língua de sinais não é mímica, foram realizadas diversas pes-
quisas com pessoas que não conheciam nenhuma língua de sinais e lhes foi solicitado
para demonstrar, usando gestos, algumas palavras. A principal constatação foi a de
que as mímicas utilizadas pelos não sinalizadores eram muito mais detalhadas (porque
pretendiam representar o objeto) do que os sinais que as representavam. “A panto-
mima quer fazer com que você veja ‘o objeto’, enquanto o sinal quer fazer com que
você veja o símbolo convencionado para esse objeto” (GESSER, 2009, p. 21).
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LÍNGUA DE SINAIS NÃO SE RESUME


AO ALFABETO MANUAL
Sabemos que o alfabeto manual é um recurso utilizado pelos surdos sinalizadores
para soletrar manualmente as palavras (soletração e datilologia). Assim, apesar de
possuir importante função na interação entre sinalizadores, o alfabeto digital não é
uma língua, e sim apenas um código para a representação manual das letras alfabéti-
cas. Detalhe importante: a soletração só é possível entre interlocutores alfabetizados.
Gesser (2009) ressalta que crianças surdas em processo de alfabetização da escrita
oral poderão apresentar dificuldades com essa habilidade.
O alfabeto digital da Libras não é o mesmo utilizado pelos surdos-cegos que pre-
cisam pegar na mão do interlocutor para nela produzir o sinal.

LÍNGUA DE SINAIS É INERENTE AO


SER HUMANO
A comunicação manual existia entre os hominídeos pré-históricos – portanto, natural
e inerente ao ser humano. Diz-se que uma língua é artificial quando é construída
por um grupo de indivíduos com um objetivo específico, como o caso do esperan-
to, criada pelo oftalmologista e filósofo Polonês Ludwik Zamenhof em 1887 com
o objetivo de estabelecer uma comunicação internacional fácil. De maneira seme-
lhante, foi criado o gestuno, com a intenção de ser uma língua de sinais universal;
ele foi apresentado pela primeira vez em 1951 no Congresso Mundial da Federação
Mundial dos Surdos, mas não conseguiu aceitação plena entre os surdos por ser in-
ventada. Portanto, a língua de sinais não é artificial!
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LINGUAGEM BRASILEIRA DE SINAIS


A língua de sinais utilizada pelos surdos brasileiros teve origem na sistematização rea-
lizada por religiosos franceses, desenvolvida a partir de 1760, particularmente pelo
abade De L’Épée, o primeiro a reconhecer a necessidade de usar sinais para o ensino.
De L’Épée se interessou pelos surdos quando teve de dar prosseguimento à educa-
ção religiosa de duas irmãs gêmeas surdas que estavam sendo educadas por meio de
gravuras. Optou por mudar a metodologia por julgar que dessa forma a compreen-
são das alunas ficaria restrita ao significado físico da imagem e se tornaria impossível
transmitir por figuras o sentido mais profundo da fé.

““
Resolveu ensinar linguagem pelos olhos, em vez de pelos ouvidos, apontando
os objetos com uma mão e escrevendo o nome correspondente numa lousa,
com a outra. [...] logo as meninas estavam lendo e escrevendo os nomes das
coisas. No entanto, esse sistema não permitia maiores avanços, porque não
contemplava nenhuma gramática, nem sentidos abstratos, essenciais para o
ensino religioso, restringindo-se à nomeação de objetos presentes, visíveis,
perceptíveis pelos sentidos. [...] porém, deu-se conta de que as meninas já
deveriam possuir um sistema gramatical, pois elas se comunicavam entre si
com muita fluência. (REILY, 2004, p. 115)

De L´Épée aprendeu os sinais com suas alunas surdas, adaptou-os e acrescentou


outros, desenvolvendo um método para aproximar os sinais da língua francesa, os
quais ficaram conhecidos como Sinais Metódicos. Em 1775, De L’Epée fundou uma
escola para surdos, a primeira em seu gênero com aulas coletivas, na qual professores
e alunos usavam os chamados sinais metódicos. A proposta educativa da escola era
que os professores deveriam aprender tais sinais para se comunicar com os surdos;
eles aprendiam com os surdos e, com essa forma de comunicação, ensinavam o
francês falado e escrito.
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Diferentemente de outros professores que escondiam seus métodos, De L’Epée


divulgava seus trabalhos em reuniões periódicas e se propunha discutir seus resul-
tados. Em 1776, publicou um livro no qual divulgou suas técnicas. Os alunos usavam
bem a escrita, e muitos deles ocuparam mais tarde o lugar de professores de outros
surdos. Nesse período, alguns surdos se destacaram e passaram a ocupar posições
importantes na sociedade de seu tempo, além de escrever vários livros falando de
suas dificuldades de comunicação e dos problemas causados pela surdez.
A escolarização do surdo brasileiro teve início ainda no período imperial, em
1855, com a chegada do professor surdo francês Ernest Huet. Ele veio para o país a
convite do imperador D. Pedro II a fim de iniciar um trabalho de educação de duas
crianças surdas. Estas tinham bolsas de estudo pagas pelo governo (SABANAI, 2007).
Em 26 de setembro de 1857, foi fundado o Instituto Nacional de Surdos-Mudos,
atual Instituto Nacional de Educação do Surdo (INES), que adotava a língua de sinais.
Essa língua de sinais que deu origem à L. constitui-se, naturalmente, pela interação
da Língua de Sinais francesa (LSF), já constituída em seus aspectos gramaticais, com
conjunto de sinais utilizados pelos surdos brasileiros.

fatos e dados

Segundo o Censo Escolar (INEP, 2012) o total de alunos surdos na Educação


Básica é de 74.547. Os dados indicam a fragilidade da oferta e, consequen-
temente, da matrícula na educação infantil (4.485); a dificuldade de acesso
à educação profissional (370), a predominância de matrículas no ensino
fundamental (51.330); a queda das matrículas no ensino médio (8.751); a
crescente evolução de matrícula na EJA (9.611). De acordo com o Censo
da Educação Superior (INEP, 2011), há 5.660 estudantes matriculados em
cursos superiores, dos quais 1.582 surdos, 4.078 com deficiência auditiva e
148 com surdocegueira.
Fonte: BRASIL, 2014.
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DIÁLOGOS EM LIBRAS
Em uma língua oral ou escrita, sabemos que os fonemas dão origem aos morfemas
que, combinados, constituem as palavras, as quais, por sua vez, constituem as frases
que irão formar os parágrafos que compõem o texto ou discurso. Embora todas as
línguas, sejam orais, sejam de sinais, apresentem a produtividade como característica
possibilitando combinar fonemas, morfemas ou palavras de várias formas visando à
produção de novos conceitos, para cada uma das etapas existem regras que deter-
minam a posição que cada elemento pode ocupar.

reflita
Há muito se fala nos benefícios do uso de língua de sinais na escolarização do
surdo, mas ainda há resistências quanto a isso, indicando que existe enorme
distância entre o dizer e o fazer. Como professor, que educação defende e
que papel pretende ocupar na educação de surdos das gerações futuras?
Fonte: Elaborado pelas autoras.

Em se tratando de frases, apesar de existirem inúmeras possibilidades de combinar


as palavras que constituem o léxico de uma língua, essas combinações obedecem
a regras que são específicas de cada língua.
Por exemplo, observe as frases a seguir:

1. Os alunos vestiam seus uniformes.

2. Seus uniformes os alunos vestiam.

3. Os alunos seus uniformes vestiam.

4. Vestiam seus uniformes os alunos.

5. Seus alunos os vestiam uniformes.

6. Alunos os uniformes vestiam seus.


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Podemos falar ou escrever as quatro primeiras frases porque estão de acordo com
as regras da língua portuguesa; já as duas últimas não podem ser ditas ou escritas,
pois as normas não permitem. O mesmo acontece com a Libras. Vamos ver cada
uma dessas frases. A de número 1 está construída obedecendo ao modelo Sujeito (S)
Verbo (V) Objeto (O), que é resumido por SVO; na frase 2, a ordem é OSV; na terceira,
o modelo é SOV; e na frase 4, VOS. Os dois primeiros modelos são os mais usuais na
língua portuguesa, a ordem da frase 3 já não é tão usual, e a da frase 4 praticamen-
te só é utilizada na língua culta.
Em relação à ordem das frases na Língua Brasileira de Sinais, de acordo com Quadros
e Karnopp (2004), a construção SVO (Sujeito – Verbo – Objeto) é a mais comum,
embora sejam encontradas também construções do tipo SOV e OSV. Entretanto, há
escritos de surdos que afirmam ser a ordem OSV a mais usual nas conversas coti-
dianas. Assim, para a frase “Você tem um gato?”, os surdos diriam: “GATO VOCÊ TER?”.
Respeitamos essas peculiaridades na elaboração dos diálogos a seguir que
compõem o conteúdo desta aula.

a. Diálogo 1

Tema: Saudações cotidianas

Contexto: Encontro de amigos.


Utiliza o alfabeto digital e números. Utiliza apontação.

Vocabulário: oi – boa tarde – tudo bem – qual – quem – nome – idade


– sinal – meu – seu – dela – eu – você – ela – família – mãe – pai – irmão
– irmã – surda – certo – verdade – ter – querer- conhecer – viver – morrer
– mais – já – obrigado – Deus – que legal.

Tipos de frases: interrogativa, afirmativa, exclamativa e negativa.

1 – Boa tarde. Tudo bem? (BOA TARDE. TUDO BEM?).

2 – Oi. Tudo bem. Qual é o seu nome? (OI. BEM. VOCÊ NOME?).

1 – Meu nome é Beatriz. (B-E-A-T-R-I-Z).

2 – Qual é o seu sinal? (VOCÊ SINAL?).

1 – Meu sinal é (faz o sinal) – (SINAL – configuração de mão em B no ombro


oposto).
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2 – Quem é ela? (QUEM? – apontação).

1 – É a minha irmã, ela é surda e o nome dela é Marilia e o sinal dela é (faz
o sinal). (MEU MULHER IRM@. SURDA. M-A-R-I-L-I-A. SINAL – configuração
de mão em W na bochecha correspondente).

2 – Quantos anos a Marilia tem? (IDADE? – apontação).

1 – Ela tem 29 ANOS. (29 IDADE).

2 – Que legal. Você tem mais irmãos? (LEGAL. IRM@ TER?).

1 – Sim, tenho mais três irmãos. (SIM 3 HOMEM IRM@).

2 – Gostaria de conhecer sua família. (EU QUERER CONHECER SUA FAMÍLIA).

1 – E você, tem família? Irmãos? (VOCÊ TEM FAMÍLIA? IRM@?).

2 – Tenho mãe. Meu pai já faleceu. Tenho uma irmã e não tenho irmão. (MÃE
(mulher^benção) VIV@ PAI (homem^benção) MORT@ JÁ. TER UM IRM@
MULHER NÃO TER IRM@ HOMEM).

1– Certo, entendi. Que bom que você tem família. (CERT@. ENTENDER. BOM
VOCÊ TER FAMÍLIA).

2 – É verdade. Graças a Deus. (VERDADE. OBRIGADO DEUS).

b. Diálogo 2

Tema: Cores.

Contexto: Conversa na calçada.


Utiliza apontação.

Vocabulário: amarelo – cinza – preto – vermelho – branco – laranja – rosa


– roxa – verde – marrom – prata – ouro – azul – escuro e claro – carro –
portão – casa – blusa – xadrez – gostar – jaqueta – obrigado – pai – almoço
– esposa – mulher – casar – fazer – macarrão – carne – molho – delicioso –
atrasado – bolsa – material – escola – usar –trabalhar – morar – ter – quem
– de quem – qual – aquela – seu – meu – eu – você – ela – irmã – essa – lá
– já – agora – bonito – também – almoçar.

Tipos de frases: interrogativa, afirmativa e negativa.


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1 – De quem é esse carro? (QUEM CARRO ESSE? – apontação).

2 – É o carro do meu pai. (CARRO MEU PAI).

1 – Você tem carro? (VOCÊ TER CARRO?).

2 – Sim. Eu tenho. (SIM TER).

1 – Qual é a cor do seu carro? (SEU CARRO COR?).

2 – É amarela. (AMAREL@).

1 – É naquela casa que você mora? (LÁ CASA VOCÊ?).

2 – Não, ali é a casa da minha irmã. (NÃO ME@. CASA ME@ MULHER IRM@ MORA).

1 – E qual é a cor do portão da sua casa? (COR PORTÃO SUA CASA?).

2 – Marrom e vermelho. (MARROM VERMELH@).

1 – Bonito. Gostei da sua blusa xadrez verde, azul e cinza. (BONIT@. EU GOSTAR
BLUSA (apontação) XADREZ VERDE AZUL CINZA).

2 – Obrigado. Também gostei da sua jaqueta preta e branca. (OBRIGAD@. EU


GOSTAR SUA JAQUETA PRET@ BRANC@ TAMBÉM).

1 – Você já almoçou? (VOCÊ ALMOÇAR JÁ?).

2 – Sim. (SIM JÁ).

1 – Quem fez o almoço? (QUEM FAZER ALMOÇO?).

2 – Minha esposa. (MEU ESPOS@ (mulher casar)).

1 – O que ela fez de almoço? (O QUE SEU ESPOS@ MULHER COZINHAR ALMOÇO?).

2 – Macarrão à bolonhesa. Estava delicioso. (MACARRÃO JUNTO CARNE MOLHO.


DELICIOS@).

1 – Tchau. Vou trabalhar agora. Já estou atrasado. (ATRASAD@ JÁ TRABALHO


TCHAU).

2 – Essa bolsa é sua? (BOLSA SEU? (apontação).

1 – Sim, é minha. É do meu trabalho. É o material da escola que uso. (SIM


MEU. MEU TRABALHO. USO MATERIAL ESCOLA).
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c. Diálogo 3

Tema: Família.

Contexto: Conversa em uma lanchonete.


Utiliza o alfabeto digital e números. Utiliza apontação.

Vocabulário: legal – chato – bom – ruim – quieto – bagunça – educado –


mulherengo – triste – coragem – medo – alegre – feliz – mágoa – zangado
– sério – gentil – honesto – falso – inteligente – burro – estudioso – traba-
lhador – cuidar – ensinar – estudar – solteiro – casado – curto – comprido
– paciência – nervoso – preocupada – alto – baixo – gordo – magro – bonito
– feio – cabelo (liso, enrolado, crespo, curto, branquinho) – avô – avó – neto
– namorado – sentir – jeito – tudo bem – onde – lanchonete – conhecer
– ok – conversar – bate-papo – convidar – duração – obrigado – gêmeos.

Tipos de frases: interrogativa, afirmativa, exclamativa e negativa.

1 – Oi, tudo bem? (OI TUDO BEM?)

2 – Tudo bem. (BEM.)

1 – Vamos comer alguma coisa? Estou com fome. (QUERER COMER? EU


FOME.)

2 – Onde vamos comer? (ONDE NÓS DOIS COMER?)

1 – Vamos à lanchonete ali perto. Eu já conheço. É uma boa lanchonete.


(VAMOS LANCHONETE BO@ PERTO EU CONHECER JÁ.)

2 – Ah é? Então vamos lá. (IR AGORA) (“Ah” e “então” são traduzidos apenas
pela expressão facial.)

1 – Você tem pais? (TER PAI E MÃE?).

2 – Sim. (SIM.)

1 – Estão vivos e ainda casados? (VIV@ E CASAD@?)

2 – Estão vivos e casados há mais de 30 anos. Graças a Deus. (VIV@ CASAD@


MAIS 30 ANOS DURAÇÃO. OBRIGAD@ DEUS.)
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1 – Que bom. Tem avós paternos e maternos? (BOM. TEM AV@ PAI AV@ MAE?)

2 – Sim. Só o pai de minha mãe que já faleceu há mais 20 anos. (SIM. AV@
HOMEM PAI MEU MAE MORRER JÁ 20 ANOS PASSAD@.)

1 – Ah. Sinto muito. Tem irmãos? São casados ou não? (SINTO. TEM IRM@?
JÁ CASAD@ OU NÃO?)

2 – Só um irmão que é solteiro. E você? (SÓ UM IRM@ SOLTEIR@. VOCÊ?)

1 – Tenho 4 irmãos. O Lucas e a Bia são solteiros, mas têm namorados. Raul,
o mais velho, e Vitor, o do meio, são casados. Lucas, Bia e eu somos trigê-
meos. (EU TER 4 IRM@. L-U-C-A-S B-I-A SOLTEIR@ TER NAMORAR. R-A-U-L
MAIS VELH@ V-I-T-O-R SEGUND@ SIM CASAD@, L-U-C-A-S B-I-A EU 3 GÊME@.)

2 – Nossa! Que Legal! Sua mãe e o pai já são avós? (LEGAL SEU MÃE SEU PAI
JÁ AV@S? (“nossa” é indicado pela expressão facial.).

1 – Sim, meus pais têm 2 netos. São dois meninos, um é o Gabriel, filho
da Bia, e o outro é o Jorge, filho do Vitor. (SIM. TER 2 NET@ HOMEM. FILH@
HOMEM B-I-A G-A-B-R-I-E-L. OUTRO FILH@ HOMEM V-I-T-O-R J-O-R-G-E).

2 – Como a sua família é? (COMO JEITO SEU FAMILIA?)

1 – Meu pai tem cabelos brancos, gordo, bom, quieto, tem paciência, mas
às vezes fica nervoso. Ele trabalha e ajuda cuidar da casa. Minha mãe tem
olhos verdes, cabelos curtos grisalhos, trabalha muito, preocupada, estu-
diosa, ensina os filhos e os netos, é legal. Irmãos são bons, trabalhadores,
educados, inteligentes, sérios e legais. (MEU PAI CABELO BRANC@ GORD@.
BO@ QUIET@ ÀS VEZES PACIÊNCIA NERVOS@ TRABALHAR AJUDAR CUIDAR
CASA - MEU MÃE OLHOS VERDES CABELO CURT@ CINZA TRABALHA (“muito”:
grau expressão facial) ESTUDAR (“muito”: grau expressão facial) ENSINAR
FILH@S NET@S LEGAL. IRM@ BO@ TRABALHAR (“muito”: grau expressão
facial) EDUCAÇÃO INTELIGENTE SERI@ LEGAL).

2 – Legal, meu irmão Matheus é alto e magro, trabalha, é bonzinho e corajoso.


(LEGAL. MEU IRM@ M-A-T-H-E-U-S ALT@ MAGR@, TRABALHAR, BONZINH@,
CORAGEM).
Pós-Universo 19

d. Diálogo 4

Tema: Profissões.

Contexto: Agência de trabalho.

Vocabulário: procurar – emprego – sentar – vaga – por favor – marcar –


entrevista – professor – substituto – técnico de informática – matemática
– secretária – bancário – telefonista – produção – auxiliar – administrativo
– banco Itaú – empresa – entrevista – perto – boa sorte.

Tipos de frases: interrogativa, afirmativa, exclamativa e negativa.

1 – Bom dia. Estou procurando emprego, tem alguma vaga para mim? (BO@
DIA EU PROCURAR EMPREGO, TER VAGA EU?)

2 – Sim, temos. Sente-se, por favor. Vou consultar aqui no computador e já


lhe informo. Aguarde um pouco. (SIM TER. SENTAR POR FAVOR EU OLHAR
COMPUTADOR AVISAR VOCÊ, ESPERAR POUCO).

1 – Tudo bem. (TUDO BEM).

2 – Temos vagas para técnico de Informática, professor substituto de


Matemática, auxiliar administrativo, secretária, telefonista e bancário. (TER
VAGA VOCÊ TRABALHAR INFORMÁTICA PROFESSOR SUBSTITUIR MATEMÁTICA
AJUDAR ADMINISTRATIVO SECRETÁRIA TELEFONISTA BANCO).

1 – Que bom! Por favor, marque entrevista para mim. Gostaria de traba-
lhar como auxiliar administrativo ou no banco. (LEGAL! VOCÊ MARCAR
ENTREVISTA MIM QUER ADMINISTRATIVO OU BANCO. POR FAVOR.)

2 – Sim, já marco para você. Sua entrevista será amanhã às 13:30 no Banco
Itaú e às 16:00 para auxiliar administrativo na empresa Tupã, que fica perto
do banco. Boa sorte! (SIM EU MARCAR ENTREVISTA VOCÊ 1:30 TARDE HS
BANCO ITAÚ AMANHÃ 4 HS TARDE ADMINISTRATIVO EMPRESA T-U-P-Ã
PERTO BANCO. BO@ SORTE.)

1 – Obrigado. (OBRIGAD@.)

2 – De nada. (DE NADA.)


20 Pós-Universo

e. Diálogo 5

Tema: Sistema e espaço físico escolar.

Contexto: Escola (diálogo coordenadora e aluno) e residência (diálogo


mãe e filho).
Utiliza apontação.

Observação: Nessa situação temos dois diálogos diferentes: o primeiro se


dá na escola, entre o aluno e a coordenadora. Representamos a coordena-
ção da escola por C e o aluno por A. Na segunda parte, o aluno retorna para
casa e conversa com sua mãe. Representamos a mãe por M e o filho por F.

Vocabulário: sala de professor – banheiro – biblioteca – cantina – sala de


aula e reunião – reunião – coordenador – diretoria – estacionamento –
quadra – campo de futebol – faculdade – universidade – formar – reprovar
– aprovar – ensinar – aprender – professor – aluno – mensalidade – privada
– pública – estudar – estudos – sempre – amar – pagar – lutar – futuro –
até – doutorado – esforçar – gostar – conhecer – querer – espaço – escola
– grande – bonita – verdade – orgulho – nunca – mãe – filho.

Tipos de frases: afirmativa, negativa, exclamativa e interrogativa.

C – Bem-vindo à nossa escola! Vou apresentar nossa escola a você. (BEM


VIND@ ESCOLA AQUI! EU MOSTRAR VOCÊ ESPAÇO ESCOLA)

A – Obrigado. Gostaria mesmo de conhecer a escola. (OBRIGAD@. EU GOSTAR


CONHECER).

C – Que bom que você quer conhecer. Aqui tem sala de professor, banheiro,
biblioteca, cantina, sala de aula e reunião, coordenação, diretoria, estaciona-
mento, quadra, campo de futebol e mais. (BO@ VOCÊ QUERER CONHECER.
AQUI TEM SALA PROFESSOR SALA BANHEIRO BIBLIOTECA CANTINA SALA
AULA REUNIÃO COORDENADOR DIRETORIA ESTACIONAMENTO QUADRA
CAMPO FUTEBOL TUDO.)

A – Nossa, como é grande e bonita! (NOSSA (expressão facial) GRANDE


BONITA (“muito”: grau expressão facial)).
Pós-Universo 21

C – De fato. Temos muito orgulho da nossa escola. (VERDADE. NÓS ORGULHO


ESCOLA.)

A – Como são os professores? (PROFESSOR BO@ RUIM QUAL?)

C – Os professores são sérios e bons para ensinar. (PROFESSORES SERI@S


BO@ ENSINAR.)

A – Então, obrigado. Amanhã eu volto para começar a estudar e ficar por


aqui até me formar. (VERDADE. OBRIGAD@. AMANHÃ EU VOLTAR COMEÇAR
ESTUDAR ATÉ FORMAR FUTURO.)

C – De nada. Qualquer coisa é só me chamar. (NADA. QUALQUER VOCÊ


CHAMAR ME.)

Continuando o tema: Término da aula e voltando para casa.

M – Filho, já chegou? É cedo. Como foi na escola? (JÁ CHEGAR? CEDO.


COMO ESCOLA?)

F – Gostei da escola, os professores são legais e sérios. Já aprendi muita


coisa hoje. (EU GOSTAR ESCOLA PROFESSORES LEGAIS TAMBÉM SERI@S.
APRENDER COISAS (“muito”: grau expressão facial) HOJE.)

M – Que bom! Estude bastante, porque a mensalidade é cara, pois não é


escola pública, é privada. (QUE BO@. ESTUDAR MUITO PORQUE EU PAGAR
MENSALIDADE CAR@ NÃO ESCOLA PÚBLIC@. SIM PRIVAD@)

F – Eu sei, mãe, pode acreditar. Eu vou ser sempre aprovado, nunca repro-
vado. Um dia vou me formar na universidade e fazer até o doutorado. (EU
SABER VOCÊ ACREDITAR. EU APROVAR SEMPRE. NUNCA REPROVAR. EU
FORMAR UNIVERSIDADE ATÉ DOUTORAR.)

M – É? Que maravilha! Então continue se esforçando. (BOM. CONTINUAR


ESFORÇAR ESTUDOS SEMPRE.)

F – Claro, mãe. Obrigado por me ajudar, sustentar e lutar pelo meu futuro.
Amo você, mãe. (CLARO. OBRIGAD@ VOCÊ AJUDAR ME PAGAR DINHEIRO
LUTAR POR CAUSA EU FUTURO. EU AMAR VOCÊ)

M – Amo você, meu filho. (EU AMAR VOCÊ MEU FILH@.)


22 Pós-Universo

f. Diálogo 6

Tema: passeio no zoológico – classificadores sobre animais em geral

Contexto: zoológico.
Utiliza apontação.

Vocabulários: animais domésticos – cavalo – boi – vaca – porco – cachorro


– gato – aves – tucano – papagaio – pato – arara – beija-flor – animais sel-
vagens – leão – onça pintada – onça preta – tigre – elefante – rinoceronte
– hipopótamo – zebra – búfalo – veado – alce – macaco – gorila – jacaré
– cobra – urso –– aquário – tubarão – golfinho – baleia – foca – pinguim –
polvo – siri – caranguejo – tartaruga – ostra.

Tipos de frases: afirmativa, negativa, interrogativa e exclamativa.

1– Vamos passear no zoológico? (NÓS DOIS VAMOS PASSEAR ZOOLÓGICO


AGORA?)

2 – Zoológico? Legal, vamos. (ZOOLÓGICO? LEGAL VAMOS.)

1 – Olha a girafa, o leão, o macaco. Jacaré é perigoso. Tem muitos animais


aqui no zoológico. (GIRAFA. LEÃO. MACACO. JACARÉ PERIGOS@ (aponta-
ção). VÁRI@S ANIMAIS AQUI.)

2 – É, o zoológico é grande e tem todos animais. (CERT@ ZOOLÓGICO


GRANDE TEM TUDO.)

1 – Não tem todos, falta rinoceronte, urso, zebra e baleia, por exemplo. Ah,
que chato! Eu gostaria de conhecer. (NÃO TER TUDO POR EXEMPLO FALTA
RINOCERONTE, URSO ZEBRA BALEIA. EU QUER CONHECER DROGA).

2 – Eu também gostaria. Um dia nós vamos conhecer. (TAMBÉM EU QUER


CONHECER UM DIA NÓS CONHECER.)

1 – Você gosta de animais marinhos? Eu fui a um grande aquário e vi tubarão,


golfinho, foca, pinguim, polvo, siri, caranguejo, tartaruga e ostra. (VOCÊ
GOSTAR ANIMAIS MAR? EU IR JÁ GRANDE AQUÁRIO. VER JÁ TUBARÃO,
GOLFINHO, FOCA, PINGUIM, POLVO, SIRI, CARANGUEJO, TARTARUGA OSTRA.)
Pós-Universo 23

2 – Eu gosto de todos os animais, mas prefiro os animais selvagens. Um tigre,


um gorila, um alce! São lindos! (EU GOSTAR TODOS ANIMAIS, MAS PREFERIR
ANIMAIS SELVAGENS. TIGRE, GORILA, ALCE. BONIT@! (“muito”: grau expres-
são facial))

1 – Gosto muito dos felinos brasileiros: a onça pintada e a onça preta.


(GOSTAR FELIN@ BRASIL ONÇA PINTADA ONÇA PRETA.)

2 – Eu também. Mas vamos conhecer o elefante, o búfalo, o veado e o hipo-


pótamo! (EU TAMBÉM. MAS VAMOS CONHECER ELEFANTE, BÚFALO, VEADO
HIPOPÓTAMO.)

1 – Olha, a parte das aves! Tem beija-flor e arara! Que lindo! Como o tucano
e o papagaio são fofos. (VÁRI@ AVES (apontação) TER BEIJA-FLOR ARARA!
BONIT@ (“muito”: grau expressão facial) TUCANO PAPAGAIO (apontação)
FOF@S.)

2 – Você adora animais e aves? (VOCÊ ADORAR ANIMAIS AVES?)

1– Adoro, também gosto muito de insetos. (EU ADORAR TAMBÉM ADORAR


INSETOS.)

2 – Insetos? Credo. Eu prefiro os animais domésticos, cachorro, cavalo, gato,


coelho, boi, porco, pato, galinha. Adoro carneiro. (INSETOS? CREDO (ex-
pressão). EU PREFERIR ANIMAIS DOMÉSTIC@. CACHORRO CAVALO GATO
COELHO, BOI, PORCO PATO GALINHA. ADORAR CARNEIRO.)

1 – E de sapo? Cobras? Você gosta? (VOCÊ GOSTAR SAP@ COBRA?)

2 – Não gosto nem de ver.

Vamos para casa que eu preciso estudar para prova. (VAMOS CASA PORQUE
EU PRECISAR ESTUDAR PROVA.)

1– Está certa. Vamos embora. (CERT@. VAMOS EMBORA.)


24 Pós-Universo

g. Diálogo 7

Tema: dia do seu aniversário.

Contexto: Conversa entre duas amigas.

Vocabulário: anos – ano – hora – horas – ontem – hoje – amanhã – fim


de semana – 2 semanas – 3 semanas – 4 semanas – 8 semanas – mês – 1
mês – 2 meses – 3 meses – 4 meses – 5 meses – 6 meses – segunda-feira
– terça-feira – quarta-feira – quinta-feira – sexta-feira – sábado – domingo
– todos dias.

Observação: Existem diferentes sinais para ano (idade), ano (duração), ano
determinado (por exemplo ano de nascimento, este ano); ano que vem, ano
passado. Também os sinais para hora mudam, quando o sentido é duração
(viagem de 4 horas) ou hora determinada (4 horas da tarde).

Tipos de frases: afirmativa, negativa, interrogativa e exclamativa.

1 – Qual o dia do seu aniversário? (DIA SEU ANIVERSÁRIO.)

2 – Meu aniversário é no dia 09 de fevereiro. (MEU ANIVERSÁRIO 09 FEVEREIRO)

1 – Em que ano você nasceu? (ANO VOCÊ NASCER?)

2 – Nasci em 1982. (EU NASCER ANO 1982.)

1 – Quantos anos você tem? (IDADE SUA?)

2 – 29 anos de idade. (29 IDADE.)

1 – Você é bem jovem. Há quanto tempo você mora em Maringá? (JOVEM


(NOV@) TEMPO (DURAÇÃO) VOCÊ MORAR MARINGÁ?)

2 – Há 29 anos, desde que nasci. (29 ANOS (DURAÇÃO) NASCER AQUI.)

1 – Que dia é hoje? (DIA HOJE?)

2 – Hoje é dia 20, segunda-feira. (HOJE DIA 20 SEGUNDA-FEIRA)


Pós-Universo 25

1 – Que horas são? (HORAS?)

2 – São 16:45. (4:45 TARDE)

1 – Já? O que vamos fazer amanhã e no fim de semana? (JÁ! O QUE DUAS
FAZER AMANHÃ? FAZER FIM DE SEMANA?)

2 – Amanhã vou à casa do meu amigo para estudar. No fim de semana, vou
viajar com o meu irmão e o amigo dele para passear. (EU IR CASA AMIGO
ESTUDAR AMANHÃ. FINAL SEMANA EU VIAJAR JUNTO MEU IRM@ HOMEM
AMIG@ HOMEM PASSEAR)

1 – Quantas horas de viagem? (HORAS DURAÇÃO VIAGEM?)

2 – São 4 horas de viagem. (4 HORAS DURAÇÃO VIAGEM).

1 – Quanto tempo você vai ficar lá? Uma semana ou duas? (QUANTO TEMPO
VOCÊ FICAR LÁ (apontação)? UMA SEMANA DUAS SEMANAS QUAL?)

2 – Quero ficar três ou quatro semanas. Faz muito tempo que eu não viajo.
Mais de 2 ou 3 anos! (FICAR TRÊS OU QUATRO SEMANAS. FAZER MUITO
TEMPO EU NÃO VIAJAR. MAIS 2 OU 3 ANOS!).

1 – Fazia seis meses que eu não viajava. Então viajei no mês passado, no
dia 10, um domingo. Fiquei segunda, terça, quarta, quinta e sexta. Voltei no
sábado. Fiquei só uma semana. (FAZER SEIS MESES EU NÃO VIAJAR. VIAJAR
JÁ MÊS PASSADO, DIA 10, DOMINGO. FICAR SEGUNDA, TERÇA, QUARTA,
QUINTA, SEXTA. VOLTAR NO SÁBADO. SÓ UMA SEMANA).

2 – Legal. Preciso ir embora. Outro dia a gente se encontra. (LEGAL. EU


PRECISAR EMBORA. OUTR@ DIA GENTE ENCONTRAR.)

1 – Tudo bem. Tchau. (TUDO BEM. TCHAU.)


26 Pós-Universo
Pós-Universo 27

ESCREVENDO EM
LIBRAS – O SISTEMA
SIGN WRITING
A escrita de qualquer língua verbal é um sistema de representação, uma convenção
da realidade extremamente sofisticada, que se constitui em um conjunto de símbo-
los e de regras, conforme ensina Gesser (2009). Durante muito tempo, a língua de
sinais foi considerada ágrafa, isto é, sem escrita, porém vários estudos têm sido feitos
a fim de comprovar sua possibilidade e validade como código de registro.
A ideia de representar graficamente as línguas de sinais teve origem num sistema
para escrever passos de dança, criado pela coreógrafa americana Valerie Sutton, que
acabou despertando, em 1974, o interesse de pesquisadores da língua de sinais di-
namarquesa que estavam procurando uma forma de escrever os sinais. Gesser (2009)
reitera que estudos de Valeria e de pesquisadores da Universidade de Copenhagen
deram origem à escrita dos sinais por meio do sistema de Sign Writting.
Embora não tenha sido pioneiro no sistema de escrita para línguas gestuais, o
Sign Writing foi a primeira que conseguiu representar adequadamente as expres-
sões faciais e as nuances de postura do gestuante ou a incluir informações como,
por exemplo, se a frase é longa ou curta. É o único sistema usado em base regular,
por exemplo, para publicar informações universitárias em ASL etc.

HISTÓRIA DO SIGN WRITTING


Na década de 1980, Sutton apresentou um trabalho, no Simpósio Nacional em Pesquisa
e Ensino da Língua de Sinais, intitulado “Uma forma de analisar a ASL e qualquer outra
língua gestual sem passar pela tradução da língua falada”. Depois disso, Sign Writing
se desenvolveu cada vez mais. De um sistema escrito a mão, passou a ser possível de
ser feito no computador – dessa forma se tornou mais popular nos Estados Unidos.
O sistema evoluiu ao longo dos anos e não tem mais a forma como foi criado, em
1974. Em Portugal, faz parte do programa escolar da Escola Superior de Educação de
Coimbra, do curso de LGP, vertente de formação. No Brasil, também existe essa dis-
ciplina no curso de Letras-Libras, na Universidade Federal de Santa Catarina.
28 Pós-Universo

O Sign Writing pode registrar qualquer língua de sinais do mundo sem passar pela
tradução da língua falada (STUMPF, 2004). Cada língua de sinais vai adaptá-lo a sua própria
ortografia. Segundo Quadros ([S.d.]), a escrita de sinais é um sistema de representação
gráfica das línguas de sinais que permite, utilizando símbolos visuais, representar as
configurações das mãos, seus movimentos, as expressões faciais e os deslocamentos
corporais. Dessa mesma forma, os símbolos do alfabeto Sign Writing também podem
ser utilizados para escrever diferentes línguas de sinais. Atualmente, o sistema se en-
contra em uso em vários países, como Dinamarca, Irlanda, Itália, México, Nicarágua,
Holanda, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Brasil (CAPOVILLA; RAPHAEL, 2002).

atenção
No Brasil a Libras é considerada ágrafa porque sua escrita não foi reconhe-
cida oficialmente.

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Além disso, o Sign Writing possui um alfabeto que pode ser comparado àquele usado
para escrever qualquer língua verbal que seja expressa no alfabeto romano.
Os primeiros estudos brasileiros sobre a escrita da língua de sinais, mais preci-
samente sobre o Sign Writing, tiveram início com Antônio Carlos da Rocha Costa,
Marianne Stumpf (surda) e a professora Márcia Borba, na Pontifícia Universidade
Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, em 1996.

ORIENTAÇÕES PARA A ESCRITA EM


LIBRAS
Para exemplificar como se processa essa escrita, reproduzimos informações que se
baseiam nos slides utilizados em uma aula de Marianne Stumpf sobre Escrita da Língua
de Sinais (ELS), ministrada no curso de Licenciatura em Letras/Libras da Universidade
Federal de Santa Catarina, em 2008, do qual participou uma das autoras.
Pós-Universo 29

Sendo assim, a seguir você verá algumas indicações e exemplos de como se re-
presentam as configurações de mão, a orientação das palmas das mãos, a maneira
de toque e o movimento.
Configurações básicas das mãos Adicionar linhas para os dedos

Punho Mão
Fechado Indicadora

Punho
Aberto Mão - D

Mão Mão
Plana Aberta

Figura 1: Configurações
Fonte: STUMPF, 2008.

Para representar a adição de dedos ao punho fechado, as pontas dos dedos tocam
uma na outra, no punho fechado. Se um dedo se estende, uma linha é estendida a
partir do quadrado. Se dois dedos se estendem, duas linhas são estendidas a partir
do quadrado. Essa informação pode ser observada na ilustração a seguir, juntamen-
te com a imagem referente ao ponto de vista de sinais que utilizam a palma da mão,
o dorso da mão ou a(s) mão(s) esquerda ou direita como referência.
Adicionar dedos ao punho fechado Ponto de vista

Um dedo
para cima
com o punho Palma Dorso
fechado da Mão da Mão
Lado da Mão
Dois dedos
para cima
com o punho Mão Mão
fechado Esquerda Direita

Figura 2: Adições e ponto de vista


Fonte: STUMPF, 2008.
30 Pós-Universo

Orientação da palma – plano da parede (visão de frente)

Carro Um

Surdo
Sábado

Lavar Não

Figura 3: Orientação da palma – plano da parede (visão de frente)


Fonte: STUMPF, 2008.

Eventualmente os sinais requerem o uso de ambas as mãos. Assim, os sinais são re-
presentados de forma gráfica e, para tanto, utilizam o símbolo de asterisco (*) no local
próximo onde as mãos se tocam, conforme consta na ilustração a seguir.

Sinal de tempo (futebol) Sinal de casa Sinal de aplaudir (ouvinte)


Figura 4: Sinais
Fonte: STUMPF, 2008.

A Libras também utiliza movimentos para cima e para baixo (paralelo à parede) ou
ainda para frente e para trás (paralelo ao chão). A seguir apresentamos algumas pa-
lavras e sua representação gráfica.
Tipo de movimento para cima e para baixo Símbolo

Reto para cima e para baixo

Diagonal para baixo

Para o lado e para baixo

Para o lado e diagonal para baixo

Para o lado e para baixo e para o lado

Para o lado e diagonal e para o lado

Diagonal para cima e para baixo


Pós-Universo 31

Tipo de movimento para frente e para trás Símbolo

Reto para frente ou para trás

Para o lado e para frente

Para o lado e para frente e para o lado

Para o lado e diagonal e para o lado

Diagonal e para trás


Figura 5: Tipo de movimento e símbolo
Fonte: STUMPF, 2008.

Apesar do esforço de pesquisadores e da comunidade surda que permitiu todos


esses avanços, a Libras ainda é considerada ágrafa no Brasil. Além disso, um número
ainda restrito de pessoas utilizam esse sistema de escrita. Entretanto, a publicação
do Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira, de
autoria de Fernando César Capovilla e Walkiria Duarte Raphael, em 2002, pela Editora
da Universidade de São Paulo, já apresenta a transcrição dos sinais no sistema Sign
Writing, o que caracteriza a grafia da Libras. O dicionário é trilíngue por apresentar
as palavras em Português, Inglês e Libras, com as respectivas grafias.
De acordo com Stumpf (2004), a introdução de uma escrita para a língua de sinais
nas escolas de surdos acarretaria uma mudança ainda mais significativa do que aquela
de introduzir a Libras como língua oficial de comunicação dos surdos brasileiros, pois
exigiria, entre outras providências, a total reformulação dos currículos.

““
A adoção dessas diretrizes na educação dos surdos está apenas começando
a ser implementada, algumas vezes pela falta de compreensão ou decisão
dos responsáveis pela educação, outras pela falta de pessoal com todos esses
conhecimentos necessários, muitos dos quais são novos e ainda não estão
incluídos na preparação exigida para um profissional que irá atuar em uma
escola ou classe para surdos. (STUMPF, 2004, p. 153)

Podemos dizer que a inserção da referida escrita nesse tipo de escola exige, entre
outras providências, a total reformulação dos currículos, com vistas a atender a tal
mudança.
atividades de estudo

1. Demonstre seus conhecimentos acerca das linguagens de sinais e auxilie a des-


construir crenças sobre essa temática. Analise as afirmações a seguir e assinale a
alternativa correta.

a) A língua de sinais não possui gramática.


b) A língua de sinais consiste em um conjunto de mímicas.
c) A língua de sinais é composta unicamente pelo alfabeto manual.
d) A língua de sinais é inerente aos seres humanos.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.

2. A língua de sinais se caracteriza por ser visual-espacial. Contudo, é possível repre-


sentar-se por meio da escrita. No que se refere à grafia da língua de sinais, assinale
a alternativa correta.

a) Todos os surdos alfabetizados nas línguas orais sabem escrever também a língua
de sinais.
b) A escrita da língua de sinais obedece às mesmas regras gramaticais das línguas
orais.
c) As línguas de sinais possuem poucas características gramaticais, por isso é difícil
representá-las de forma escrita.
d) A escrita da Libras é reconhecida oficialmente no Brasil.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
atividades de estudo

3. A partir dos estudos estudados, nos quais abordamos aspectos históricos e caracterís-
ticas da Libras, bem como o sistema Sign Writing, leia atentamente as frases a seguir.

I – Atualmente se considera que a língua de sinais é ágrafa.

II – O primeiro sistema de escrita para línguas gestuais foi denominado Sign Writting.

III – Utilizam-se imagens de setas para representar de forma escrita os movimentos


das mãos.

É correto o que se afirma em:

a) I e II apenas.
b) II e III apenas.
c) II apenas.
d) todas as afirmações.
e) nenhuma das afirmações.
resumo

Ao longo destes encontros esperamos que alguns preconceitos em relação à Libras tenham
sido derrubados. Apresentamos uma sequência de diálogos redigidos em língua portuguesa e
apontamos, para cada frase, os sinais a serem utilizados para traduzi-la para a Libras. Abordamos
também noções básicas sobre a escrita de sinais.

Mais do que simplesmente mostrar a estrutura gramatical dessa língua, objetivamos, com os diá-
logos aqui mostrados, destacar um pouco da cultura surda, a maneira como os surdos conduzem
as conversas e, mais do que tudo, inserir você nesse contexto.

A Libras tem ganhado espaço na sociedade em função da contínua luta dos movimentos surdos
em prol de seus direitos. É uma batalha de muitos anos pelo reconhecimento de que o povo surdo
possui cultura e língua própria. Atualmente, ele conquistou o direito de usar sua língua que pos-
sibilita não só a comunicação, mas também a efetiva participação na sociedade.

O momento agora é de luta pelo reconhecimento de que a Libras não é mais uma língua ágrafa,
que a escrita de sinais, ou gestografia como está sendo chamada atualmente, possibilita o regis-
tro escrito das línguas de sinais. Alguns pesquisadores importantes como Fernando Capovilla,
professor da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador da área de neurolinguística e um
dos autores do Dicionário Trilíngue (Libras, Português e Inglês), defendem que o letramento dos
surdos deva ser feito inicialmente em Sign Writing. Afinal, para o surdo, a alfabetização utilizando
o alfabeto latino, que está intimamente ligado aos sons, não faz nenhum sentido. Para o surdo,
falar em Libras e ser alfabetizado em língua portuguesa é o equivalente para nós ouvintes, que
falamos a língua portuguesa, não aprendermos escrever em português, mas em chinês, ou, pior
ainda, representar os sons de nossa fala utilizando notas musicais!

Mas, para que essa mudança se efetive, é necessário que cada vez mais pessoas conheçam e uti-
lizem a Libras, o Sign Writing, bem como o mundo surdo.
material complementar

Título: Surdez e a relação pais-filhos na primeira infância

Autora: Rita Simone Silveira Furtado

Editora: ULBRA

Sinopse: No livro, originado da monografia de especialização da


autora, ela descreve a investigação realizada com nove casais que
possuíam pelo menos um filho surdo (um casal possuía dois filhos
surdos) procurando compreender como ocorre a chegada de um
bebê surdo na família e quais as reações dos pais ao saberem que
o filho não ouve. Mas talvez o principal mérito da obra seja des-
crever com detalhes como ocorre a construção do vínculo afetivo
entre pais ouvintes e filhos surdos nos três primeiros anos de vida
da criança.

NA WEB

Apresentação: Para estudar mais sobre a linguagem de sinais e procurar por sinais específicos, há
materiais muito interessantes na web, entre eles o disponibilizado na organização Acessibilidade
Brasil e aquele que pode ser encontrado no Dicionário Libras.

Link: Muitos sinais podem ser procurados em dicionários on-line, disponíveis em: <www.aces-
sobrasil.org.br/libras> e <www.dicionariolibras.com.br>.
referências

BRASIL. Ministério da Educação. Relatório sobre a Política Linguística de Educação Bilíngue –


Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SECADI, 2014. Disponível em: <www.
bibliotecadigital.unicamp.br/document/?down=56513>. Acesso em: 24 abr. 2017.

CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. R. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de


Sinais Brasileira. Volume II: sinais de M a Z. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 2002.

DANESI, M. C. Reflexões sobre dúvidas, sentimentos e recomendações dos pais de crianças surdas,
adolescentes e adultos surdos. In: ______ (Org.). O admirável mundo dos surdos: novos olhares
dos fonoaudiólogos sobre a surdez. Porto Alegre: EDIPECRS: 2007. Cap. 2, p. 67-80.

FURTADO, R. S. S. Surdez e a relação pais-filhos na primeira infância. Porto Alegre: Editora da


ULBRA, 2008.

GESSER, A. Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da
realidade surda. São Paulo: Parábola, 2009.

QUADROS, R. M. Um capítulo da história do Sign Writing. [S.d.]. Disponível em: <http://www.


signwriting.org/library/history/hist010.html>. Acesso em: 24 abr. 2017.

QUADROS, R. M; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre:


Artes Médicas, 2004.

REILY, L. Escola Inclusiva: linguagem e mediação. Campinas: Papirus, 2004.

SABANAI, N. L. A evolução da comunicação entre e com surdos no Brasil. História do ensino de


línguas no Brasil, ano 1, v. 1, p. 1-4. jan. 2007.

STUMPF, M. R. Sistema Signwriting: por uma escrita funcional para o surdo. In: THOMA, A. da S.;
LOPES, M. C. A Invenção da surdez: cultura, alteridade, identidades e diferença no campo da
educação. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004. Cap. 9, p. 143-159.

______. Importância da escrita de língua de sinais para a Comunidade Surda. Florianópolis:


Universidade Federal de Santa Catarina, 2008.
resolução de exercícios

1. d) A língua de sinais é inerente aos seres humanos.

2. e) Nenhuma das alternativas anteriores.

3. b) II e III apenas.