Você está na página 1de 73

Processo Civil IV

AULA 1 – 06/02/2017

AÇÃO MONITÓRIA A partir do art. 700, CPC

Existem algumas demandas que possuem, por uma escolha do legislador,


procedimento específico: os chamados procedimentos especiais. A ação monitória
é uma dessas ações que seguem um procedimento próprio, que está previsto a
partir do art. 700 do CPC.

Todas as ações que possuem procedimentos especiais seguem regras


procedimentais próprias, e utilizam subsidiariamente o procedimento comum,
previsto no CPC.

Imagine que foi proposta uma ação monitória e determinado ato processual
precisa ser realizado, o operador do direito recorrerá aos artigos correspondentes
ao procedimento da monitória. Se houver regra específica a respeito do
procedimento, esta será utilizada. Se inexistir regra específica, recorrer-se-á ao
procedimento comum, utilizado subsidiariamente.

O procedimento comum, por ser o básico, irradia os seus efeitos em todo o


sistema processual.

O art. 700 prevê a ação monitória:

Art. 700. A ação monitória pode ser proposta por aquele que
afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título
executivo, ter direito de exigir do devedor capaz:

(...)

O NCPC avançou muito em relação ao CPC/73. No código antigo, o


cabimento da ação monitória se restringia a obrigações de pagar e obrigações de
dar coisa, desde que a coisa fosse fungível. O legislador de 2015 ampliou o
cabimento, de modo que a ação monitória poderá ser proposta por aquele que tem
uma prova escrita sem eficácia executiva, consignando na prova qualquer tipo de
obrigação, podendo ser de pagar, dar (fungível ou infungível), fazer ou não fazer.

Se o credor dispõe de título executivo, deverá ajuizar a ação de execução. Se


o título executivo é judicial, significa dizer que ele já passou por uma fase de
conhecimento. Se ele tem título executivo extrajudicial, poderá desde logo
ingressar com ação de execução.

Portanto, para a monitória, é necessária a presença de um documento


escrito que não seja título executivo.

Alguns exemplos de documentos que podem instruir ações monitórias:

1
Processo Civil IV

Um documento assinado por credor e devedor no qual o devedor reconhece


que deve. Esse mesmo documento teria eficácia executiva se duas testemunhas
assinassem o documento, de modo que o credor poderia ir diretamente para a
execução. Sem as assinaturas das testemunhas há uma prova documental que
embasa uma ação de conhecimento (monitória), mas que não pode embasar uma
ação de execução.

Quando se pede um cartão de crédito, geralmente o cliente preenche um


formulário, manda para a operadora de cartão de crédito e aguarda a verificação.
Quando a proposta é acolhida pela administradora, o cartão é mandado pelo
correio. O documento assinado para a solicitação do cartão de crédito não é um
título executivo, pois não é considerado um contrato. É considerado, para fins
legais, uma proposta de solicitação, até porque muitas vezes quem pede não tem
acolhido o seu pedido. Aquele documento pode instruir ação monitória, pois é uma
prova escrita.

Outro exemplo é a troca de e-mails, pois pode ficar delimitada a obrigação


de dar e a obrigação de pagar.

No caso de conversas no Whatsapp há prova eletrônica. Não se pode pura e


simplesmente imprimir os prints do Whatsapp e usar como prova. Pode, contudo,
levar o celular para um tabelião no cartório, a fim de que ele lavre uma ata
notarial, que é um documento escrito, no qual há, inclusive, presunção de
veracidade, por conta da fé pública do tabelião. O tabelião afirmará que, analisando
um aparelho de celular iPhone, visualizou o Whatsapp e pôde constatar a
ocorrência de conversa nos determinados dias e horários. Assim, a conversa no
Whatsapp foi transformada em prova documental.

A SKY pode cobrar com base na fatura mensal, que é prova escrita
ensejadora de ação monitória.

Cheque prescrito pode instruir monitória, pois o valor que consta no cheque
não deixou de ser devido.

2
Processo Civil IV

AULA 2 – 08/02/2017

AÇÃO MONITÓRIA A partir do art. 700, CPC

Diante do rito especial, é possível a constituição do título executivo de uma


forma muito mais rápida do que acontece se fosse ajuizada ação de cobrança, que
seguiria o rito comum.

A lei prevê que o juiz, ao receber a petição inicial, se estiver convencido do


documento escrito apresentado pelo requerente, existe a possibilidade de
deferimento de mandado imediato de pagamento. Trata-se, portanto, de
acolhimento da petição inicial com a determinação de um mandado de injunção,
para que o réu pague, entregue, faça ou deixe de fazer, dependendo do tipo de
obrigação.

Dentro dessa perspectiva, se o réu, uma vez citado, pagar, fizer, deixar de
fazer ou entregar a coisa objeto do litígio, a pretensão do autor já estará satisfeita,
sem que haja a necessidade de passar por todo o procedimento.

A ação monitória é extremamente vantajosa, porque com base em prova


escrita apresentada pelo autor, antes mesmo do réu se manifestar, já há a
possibilidade de mandado de injunção.

A escolha entre a ação monitória e a ação de cobrança pelo rito comum


compete ao autor, pois o autor pode optar pela propositura de ação de rito comum.

É uma ação de conhecimento que possui procedimento mais célere que o


procedimento comum estudado anteriormente.

O art. 700 aduz:

Art. 700. A ação monitória pode ser proposta por aquele que
afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título
executivo, ter direito de exigir do devedor capaz:

I - o pagamento de quantia em dinheiro;

II - a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou


imóvel;

III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer.

A ação monitória com base no NCPC tem cabimento bem mais amplo do que
com base no CPC/73.

Cabe ação monitória, por exemplo, se o cheque estiver prescrito. Se o prazo


de 6 meses vencer, a dívida continua existindo, mas não pode ser objeto de

3
Processo Civil IV

cobrança via execução. Portanto, há o dever de pagar e prova escrita. Essa prova
escrita goza de liquidez, exigibilidade e há como identificar quem é credor e quem
é devedor.

Legitimidade

O legitimado ativo é um suposto credor, que seja portador de uma prova


escrita sem eficácia executiva.

É possível a formação de um litisconsórcio entre credores? Sim, se todos


estiverem constantes na prova escrita.

No tocante à legitimidade passiva, o caput do art. 700 exige que o devedor


seja capaz. A legitimidade passiva, portanto, para a ação monitória é restrita a
devedores capazes. Incapazes, apesar de devedores, não podem ser réus na ação
monitória.

Como o mandado expedido na ação monitória é para pagamento, entrega,


fazer ou desfazer algo, o incapaz não pode agir por conta própria dessa forma,
dependendo de representação ou assistência.

Não há expedição de mandado para comparecimento em audiência de


conciliação. Na monitória o mandado é injuntivo e o incapaz não tem condições de,
por iniciativa própria, agir de tal maneira.

Injunção
substantivo feminino
1. ato de injungir, de ordenar expressamente uma coisa; ordem
precisa e formal.
2. influência coercitiva de leis, regras, costumes ou circunstâncias;
imposição, exigência, pressão.

Com base na prova escrita apresentada pelo autor, o juiz está convencido de
que o autor tem que cumprir o requerido. Isso equivale a uma tutela de evidência.

Por uma questão de eficácia do mandado injuntivo, as ações monitórias


somente podem ser propostas contra devedores capazes.

A lei fala devedor capaz, mas não se deve ter a impressão de que o réu da
ação monitória necessariamente tem que ser uma pessoa física. Se for pessoa física,
tem que ser capaz, mas não significa dizer que pessoas jurídicas não possam ser
rés em ações monitórias. Portanto, pessoa jurídica e fazenda pública podem ser rés
de ações monitórias.

O principal requisito para a propositura de ação rescisória é a presença de


uma prova escrita sem eficácia executiva, na qual conste uma obrigação de pagar,
fazer, não fazer ou dar.

4
Processo Civil IV

É possível que na mesma prova escrita constem duas ou mais obrigações,


inclusive de naturezas diferentes. Em uma só prova escrita podem constar, por
exemplo, uma obrigação de fazer e uma obrigação de não fazer. Nesse caso, não
haverá a necessidade de propositura de duas ações monitórias, poderá ser
proposta somente uma monitória e serão expedidos dois mandados: um para cada
obrigação constante na mesma prova escrita.

Se forem duas provas escritas contra a mesma pessoa (mesmo credor e


mesmo devedor), por exemplo, também poderá ser proposta somente uma
monitória.

Ações monitórias não podem ser ajuizadas nos juizados especiais cíveis,
pois seriam dois procedimentos especiais.

Se quiser demandar no juizado especial cível, deverá respeitar o


procedimento do JEC: citação para audiência de conciliação e assim por diante.

O art. 700, §1º aduz o seguinte:

§ 1o A prova escrita pode consistir em prova oral documentada,


produzida antecipadamente nos termos do art. 381.

Bruna pediu dinheiro emprestado a Michel e duas testemunhas


presenciaram o ato. Se Michel ajuizar uma ação monitória cobrando o dinheiro
emprestado e pura e simplesmente arrolar as testemunhas, a inicial será
indeferida liminarmente, em razão da ausência de prova escrita, pois Michel quer
produzir provas para embasar o que alegou, de modo que somente caberá o rito
comum ou dos juizados.

O §1º permite que Michel entre com uma produção antecipada de provas,
pedindo para ouvir as testemunhas. As testemunhas prestam seus depoimentos,
confirmando que houve a negociação e, com base nesse documento, Michel poderá
seguir com uma ação monitória.

Da mesma forma é possível que um tabelião lavre uma ata notarial com os
depoimentos das testemunhas. A prova era inicialmente oral e foi lavrada em
prova escrita.

Pode-se produzir prova antecipadamente e, com base nela, seguir com a


ação de rito especial.

A prova será, num primeiro momento, suficiente para a expedição do


mandado de injunção.

No CPC/73, para pedir produção antecipada de provas, era necessário


provar a urgência. Contudo, no NCPC pode produzir antecipadamente qualquer
prova a qualquer título.

5
Processo Civil IV

Inclusive, a produção antecipada de provas pode ser um instrumento para


forçar uma conciliação.

O mandado de injunção diz: pague, faça, não faça ou dê em 15 dias, ou


embargue a monitória. O “embargue a monitória” equivale a uma contestação. Os
embargos têm efeito suspensivo.

O mandado que vai ser expedido é de pagamento, fazer, não fazer ou dar ou
embargar. Portanto, o devedor tem duas alternativas: ou cumpre o mandado ou se
opõe à monitória com os embargos. Se ele cumpre o mandado, acabou a ação
porque a obrigação foi cumprida. Se ele não cumpre o mandado e opta por
embargar, esses embargos têm efeito suspensivo, suspendendo a eficácia do
mandado injuntivo, de modo que a ação monitória que estava correndo no rito
especial, vira uma ação de rito comum. Quando o réu embarga a monitória, a
celeridade é perdida, pois vira uma ação de rito comum.

Se o réu não embarga a monitória e não cumpre o mandado, a decisão


inicial que determinou o processamento da monitória com a expedição do
mandado é suficiente para constituir um título executivo, tanto que a lei aduz que
cabe ação rescisória da decisão inaugural que acolhe o processamento da ação.

Se o réu embarga a monitória ele está dizendo para o juiz que a prova
escrita não tem condições de virar título executivo. O réu tem a oportunidade,
através de todas as provas admitidas, provar que não tem obrigação com o autor.

A ação é proposta como monitória, na petição inicial, sinalizando para o juiz


que é uma demanda de conhecimento de rito especial, mas o juiz pode ou não se
convencer disso. Se o juiz não se convencer de que a prova escrita não pode
embasar uma ação monitória (se ele entender que aquela prova não é um
documento hábil e confiável para uma monitória), o juiz intimará o autor para que
ele adapte a petição inicial para o procedimento comum.

Se o juiz não se convencer, ele deverá oportunizar o autor a transformar a


ação monitória em ação comum. Se o autor optar por não emendar a inicial, ele
extinguirá a ação monitória.

§ 5o Havendo dúvida quanto à idoneidade de prova documental


apresentada pelo autor, o juiz intimá-lo-á para, querendo,
emendar a petição inicial, adaptando-a ao procedimento comum.

Há três níveis de prova escrita: 1) prova escrita com eficácia executiva,


executável, 2) prova escrita sem eficácia executiva, digna de monitória, 3) prova
escrita somente para ação de conhecimento comum.

§ 2o Na petição inicial, incumbe ao autor explicitar, conforme o


caso:
I - a importância devida, instruindo-a com memória de cálculo;

6
Processo Civil IV

II - o valor atual da coisa reclamada;


III - o conteúdo patrimonial em discussão ou o proveito
econômico perseguido.

A memória de cálculo é semelhante ao que se faz em ação de execução.

O conteúdo patrimonial é nas hipóteses de ação de fazer ou não fazer. Por


exemplo, contratou uma empreiteira para fazer um muro e ela não fez, deverá
explicitar quanto custaria o muro.

7
Processo Civil IV

AULA 3 – 13/02/2017

AÇÃO MONITÓRIA A partir do art. 700, CPC

Na ação monitória deverá ser instruída uma cópia ou o documento original


escrito sem força executiva. É o documento escrito que garante que o autor tenha a
possibilidade de demandar perante o procedimento especial da ação monitória.

O §2º do art. 700 prevê que a petição inicial da monitória deverá constar a
importância devida, com a memória de cálculo (semelhante ao que acontece com a
demanda de execução) e, se se tratar de obrigações específicas, o autor deve
demonstrar o valor atual da coisa demandada (obrigação de dar) e o conteúdo
atual em discussão (obrigações de fazer ou não fazer).

Se o juiz verificar que o documento apresentado pelo autor não tem


credibilidade, ele pode determinar que o autor promova a emenda da petição
inicial, a fim de adequá-la ao procedimento comum.

Ao despachar inaugurando a monitória, o juiz deverá determinar a


expedição do mandado injuntivo, que é o mandado de pagamento, fazer, não fazer
ou entrega. Além disso, ao despachar a inicial, o juiz deverá determinar os
honorários advocatícios, de acordo com o art. 701:

Art. 701. Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a


expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para
execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao
réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento
de honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à
causa.

A monitória nada mais é do que uma tutela de evidência.

O CPC/73 determinava que se o réu pagasse a dívida no prazo de 15 dias,


ficaria isento do pagamento de honorários e custas processuais. O NCPC manteve a
isenção do pagamento de custas (art. 701, §1º), contudo, estabeleceu o pagamento
de honorários em 5% do proveito econômico que está sendo buscado pelo autor.

É vantajoso para o advogado que ele celebre contrato com o cliente,


estabelecendo honorários de êxito, pois o advogado receberá do cliente e o
advogado será remunerado através de honorários de sucumbência pagos pelo réu
e dos honorários compactuados com o cliente.

Petição inicial distribuída, o juiz fará a análise prévia. Se o juiz se convencer


da prova apresentada pelo autor, determinará a expedição do mandado de
injunção.

8
Processo Civil IV

O réu, ao invés de dar cumprimento ao mandado injuntivo, pode pretender


se opor à ação monitória, perdendo, assim, os benefícios estabelecidos na lei
(isenção de custas e honorários em 5%).

A defesa que o réu pode apresentar na ação monitória é chamada de


embargos monitórios. O prazo para apresentação dos embargos monitórios é de 15
dias.

Os embargos monitórios não dependem de penhora para serem


apresentados. Não há a necessidade de garantia patrimonial para apresentar os
embargos e, ainda assim, os embargos monitórios terão o condão de suspender o
mandado injuntivo.

Os embargos à execução têm natureza de ação de conhecimento incidental,


enquanto os embargos monitórios equivalem a uma contestação. As matérias de
defesa que um devedor pode apresentar em uma ação de rito comum poderão ser
inseridas nos embargos monitórios.

A manifestação do autor aos embargos monitórios é equivalente à réplica, é


chamada de impugnação aos embargos monitórios.

Os 15 dias para pagamento serão contados de forma corrida, porque é prazo


para satisfação do direito material. O prazo para apresentação dos embargos
monitórios será contado em dias úteis, porque é prazo processual.

Se o réu não cumprir o mandado de injunção e não apresentar embargos à


execução, a decisão que determinou a expedição do mandado vira título executivo
e, sabendo que o processo é sincrético, segue-se para a execução, expedindo o
mandado de pagamento, penhora e possível expropriação.

Art. 701, § 2o Constituir-se-á de pleno direito o título executivo


judicial, independentemente de qualquer formalidade, se não
realizado o pagamento e não apresentados os embargos previstos
no art. 702, observando-se, no que couber, o Título II do Livro I da
Parte Especial.

Se seguir para a etapa de execução, ao apresentar impugnação à execução, o


réu somente poderá alegar as matérias restritas à impugnação à execução.

Imagine que o réu ofereceu os embargos monitórios, portanto, os embargos


monitórios suspendem a eficácia do mandado injuntivo e transformam o rito
especial em rito comum. Haverá a possibilidade de audiência de saneamento,
instrução processual... Muitas vezes o réu alega que a assinatura que está no
documento não é sua, então deve abrir para exame grafotécnico.

Terminada a instrução processual, será prolatada sentença.

9
Processo Civil IV

Se o réu não apresentar embargos, a tutela de evidência vira tutela


executiva. Se houver embargos monitórios a ação monitória se transforma em
procedimento comum, a fim de que o juiz prolate sentença e essa sentença será
título executivo judicial.

Art. 702. Independentemente de prévia segurança do juízo, o réu


poderá opor, nos próprios autos, no prazo previsto no art. 701,
embargos à ação monitória.
§ 1o Os embargos podem se fundar em matéria passível de
alegação como defesa no procedimento comum.
§ 2o Quando o réu alegar que o autor pleiteia quantia superior à
devida, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende
correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado
da dívida.
§ 3o Não apontado o valor correto ou não apresentado o
demonstrativo, os embargos serão liminarmente rejeitados, se
esse for o seu único fundamento, e, se houver outro fundamento,
os embargos serão processados, mas o juiz deixará de examinar a
alegação de excesso.
§ 4o A oposição dos embargos suspende a eficácia da decisão
referida no caput do art. 701 até o julgamento em primeiro grau.
§ 5o O autor será intimado para responder aos embargos no prazo
de 15 (quinze) dias.
§ 6o Na ação monitória admite-se a reconvenção, sendo vedado o
oferecimento de reconvenção à reconvenção.
§ 7o A critério do juiz, os embargos serão autuados em apartado,
se parciais, constituindo-se de pleno direito o título executivo
judicial em relação à parcela incontroversa.
§ 8o Rejeitados os embargos, constituir-se-á de pleno direito o
título executivo judicial, prosseguindo-se o processo em
observância ao disposto no Título II do Livro I da Parte Especial,
no que for cabível.
§ 9o Cabe apelação contra a sentença que acolhe ou rejeita os
embargos.
§ 10. O juiz condenará o autor de ação monitória proposta
indevidamente e de má-fé ao pagamento, em favor do réu, de
multa de até dez por cento sobre o valor da causa.
§ 11. O juiz condenará o réu que de má-fé opuser embargos à ação
monitória ao pagamento de multa de até dez por cento sobre o
valor atribuído à causa, em favor do autor.

Se houver o oferecimento de embargos monitórios, transforma-se em


procedimento comum, que será finalizado com a prolação de sentença e,
evidentemente, o recurso cabível é a apelação.

Há uma dúvida que ainda não foi efetivamente respondida pela doutrina: a
sentença que julga a ação monitória é recorrível por apelação. O recurso de
apelação, em regra, é recebido no efeito suspensivo, o que impede a instalação do
módulo executivo. Contudo, o art. 1.012 (artigo que trata da apelação) prevê que
naqueles incisos do 1.012 eventual apelação não terá efeito suspensivo, permitindo
eventual execução provisória.

10
Processo Civil IV

Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo.


§ 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir
efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que:
III - extingue sem resolução do mérito ou julga
improcedentes os embargos do executado;

Esse inciso III não pode ser interpretado de maneira ampla, em outras
palavras, não se pode imaginar que porque os embargos à execução, quando
julgados improcedentes, atacados pela apelação, tal recurso não terá efeito
suspensivo, isso não se aplicará aos embargos monitórios. Nota-se que não há
previsão específica para os embargos monitórios.

Entretanto, o § que enumera os incisos aduz: além de outras hipóteses


previstas em lei. A redação do § provoca problemas, porque essa afirmação deixa
claro que o rol não é taxativo.

Remete-se o leitor aos artigos da ação monitória, em especial o art. 702, §4º,
que prevê o seguinte:

§ 4o A oposição dos embargos suspende a eficácia da decisão


referida no caput do art. 701 até o julgamento em primeiro grau.

Pode-se defender que uma eventual apelação contra a sentença dos


embargos monitórios não teria efeito suspensivo, pois o § supramencionado aduz
que será suspensa a eficácia da decisão até o julgamento em 1º grau.

Outro ramo da doutrina sustenta o contrário, pois uma vez julgado, é


preciso aguardar os 15 dias da apelação, lembrando que a sentença nasce com
condição de suspensividade. Se interposta a apelação, para esse entendimento,
continua o efeito suspensivo.

Decisões interlocutórias deverão ser impugnadas ou em preliminar da


apelação, ou via agravo de instrumento, de acordo com o cabimento do art. 1.015.

Eventuais decisões omissas, contraditórias, obscuras ou com erro material


deverão ser impugnadas por embargos de declaração.

Ação monitória e a Fazenda Pública

Quando a fazenda é devedora de obrigações de fazer, não fazer ou dar, o


procedimento executivo contra ela será igual ao contra particulares. Em
obrigações de pagar, há a necessidade de um procedimento de conhecimento
prévio, com a sua condenação e o pagamento será por precatório.

A fazenda pode ser devedora de título extrajudicial e o pagamento será por


precatório também.

11
Processo Civil IV

Como pode a ação monitória, que é ação de conhecimento, ser proposta


contra a fazenda pública se ainda não há contra ela um título executivo?

Pode se impor à fazenda pública pagar algo em 15 dias, se o precatório leva


1 ano? Pode. A fazenda pública pode pagar o que deve voluntariamente.

Art. 700, § 6o É admissível ação monitória em face da Fazenda


Pública.

Para a fazenda pública cumprir com as suas obrigações, ela não precisa ser
condenada a pagar. Ora, se a fazenda é demandada em uma ação monitória e
entende que deve pagar, ela pode pagar. Somente se necessita de precatório
quando há condenação. Se a fazenda não pagou a conta de energia de um órgão
público, ela pode pagar, se perceber que está errada, assim como pode optar por
oferecer embargos monitórios.

Se a fazenda opta por apresentar embargos monitórios, haverá a


necessidade de uma sentença condenatória lhe impondo uma obrigação.

Art. 701, § 4o Sendo a ré Fazenda Pública, não apresentados os


embargos previstos no art. 702, aplicar-se-á o disposto no art.
496, observando-se, a seguir, no que couber, o Título II do Livro I
da Parte Especial.

Esse § faz referência à remessa necessária, disposta no art. 496.

12
Processo Civil IV

AULA 4 – 15/02/2017

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS Lei 9.099/95

Como é cediço, a Lei nº 9.099/95 regulamenta o procedimento sumaríssimo


nos Juizados Especiais Cíveis. Além dos JECs, existem os Juizados Fazendários:
Fazendas Públicas Federais, Estaduais e Municipais. Esses juizados fazendários são
regulamentados por outras duas leis, posteriores à 9.099/95.

Essas três leis dos juizados especiais compõem um sistema à parte do


regulamentado no CPC, de modo que as ações tramitadas nos juizados, as leis que
deverão ser aplicadas prioritariamente são as específicas e, em caso de omissão
legislativa, o CPC poderá ser utilizado de maneira subsidiária.

A expressão juizado de pequenas causas não é correta e deve ser evitada


porque dá a falsa impressão de que as causas que tramitam nos juizados são de
pouca importância.

As ações que são de competência dos JECs não são pequenas ações, são
somente ações com menor complexidade, que não dependem de ampla instrução
processual, podendo ser resolvidas com uma instrução processual mais limitada,
diferentemente do que acontece com as ações que tramitam pelo procedimento
comum.

A instrução processual do rito sumaríssimo é mais enxuta, dada a menor


complexidade daquela causa.

Além disso, somente ações cujo proveito econômico pretendido seja de até
40 salários mínimos são de competência dos JECs.

Princípios que regem os JECs:

Os princípios informativos do procedimento sumaríssimo dos JECs estão


previstos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 9.099/95.

Art. 1º Os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, órgãos da Justiça


Ordinária, serão criados pela União, no Distrito Federal e nos
Territórios, e pelos Estados, para conciliação, processo,
julgamento e execução, nas causas de sua competência.

Art. 2º O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade,


simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade,
buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação.

É princípio fundamental dos juizados a conciliação, vez que a tentativa de


conciliação é obrigatória. No procedimento sumaríssimo dos juizados, desde 1995

13
Processo Civil IV

(quando foi promulgada a lei), cita-se o réu para comparecimento na audiência de


conciliação.

O NCPC, seguindo a tendência conciliadora que começou com a Lei nº


9.099/95, alterou o procedimento comum, a fim de citar o réu para a audiência de
conciliação.

Essa audiência de tentativa de conciliação não pode ser realizada somente


com o propósito de respeitar o que diz a Lei nº 9.099/95, isto é, deve-se
demonstrar para as partes as vantagens da conciliação.

No procedimento comum, as partes podem optar por não realizar a


audiência de conciliação, na petição inicial e na contestação. No procedimento
sumaríssimo, contudo, isso não é possível, as partes são obrigadas a comparecer na
audiência de conciliação.

No procedimento comum, se a parte não comparecer à audiência de


conciliação, ela será multada, pois significa ato atentatório à dignidade da justiça.

No procedimento sumaríssimo, se o autor não comparecer à audiência de


conciliação, o processo será arquivado. A ausência do réu, por sua vez, provoca a
sua revelia.

O autor não pode abdicar da audiência de conciliação, porque estaria


abdicando de um dos principais princípios dos juizados.

Pode-se designar também a audiência UNA, que é de conciliação, instrução e


julgamento.

Se a audiência é só de conciliação, basta o comparecimento do réu, ao passo


que se a audiência é UNA, o réu deve levar a contestação, sob pena de decretação
de sua revelia.

Através do princípio da oralidade, os principais atos do procedimento


sumaríssimo podem ser orais. O requerimento inicial (petição inicial), por
exemplo, pode ser oral. Se a causa tiver pretensão inferior a 20 salários mínimos,
não há a necessidade de advogado.

Do mesmo modo, a contestação pode ser oral, na audiência de instrução e


julgamento.

A economia processual é outro princípio do procedimento sumaríssimo, o


qual deve ser visto sob duas perspectivas: 1) até o primeiro grau haverá
gratuidade da justiça (apenas a partir do recurso é que as custas são devidas), o
mesmo acontece com honorários, que somente serão devidos a partir do recurso;
2) deve ser possibilitada a maior quantidade de resolução de pretensões com
menor carga de trabalho por parte do judiciário.

14
Processo Civil IV

Admite-se no procedimento sumaríssimo a cumulação de pedidos e de


partes. Em uma mesma ação de rito sumaríssimo, pode o autor pleitear o
recebimento de dano moral e dano material, sem que haja a necessidade de ajuizar
duas ações. Quando houver cumulação de pedidos, a somatória deles não poderá
ultrapassar 40 salários mínimos.

Além disso, é possível cumular as partes, isto é, é permitido o litisconsórcio


nos juizados.

Em primeiro grau é permitida a ausência de advogado, contudo, se houver a


necessidade de interposição de recurso ou de oferecimento de contrarrazões a um
recurso, a parte deverá ter advogado. O ato de recorrer é técnico, pois existem
regras da técnica recursal que somente um profissional tem conhecimento.

No mais, a celeridade processual é um dos princípios dos JECs.

Competência

Art. 3º O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação,


processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade,
assim consideradas:
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário
mínimo;
II - as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de Processo
Civil;
III - a ação de despejo para uso próprio;
IV - as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não
excedente ao fixado no inciso I deste artigo.

Os juizados têm competência para promover a execução de suas decisões. O


juizado prolator da sentença, se ela não for comprida, promove-lhe a execução.

Promove a execução de qualquer tipo de obrigação, inclusive.

O mesmo poder de polícia que um juiz de juizado tem, é o poder de polícia


do juiz de uma vara cível comum.

A competência é de causas de menor complexidade, são elas: 1) proveito


econômico menor de 40 salários mínimos; 2) as ações do inciso II do art. 275, que
são as ações do rito sumário (antigo CPC), o procedimento sumário atendia
basicamente as mesmas ações do procedimento sumaríssimo, como caiu em
desuso, esse artigo perdeu o efeito, já que o rito sumário não existe mais no NCPC;
3) ação de despejo para uso próprio, se for para qualquer outra finalidade (por
exemplo, comercial), não poderá ser pelo procedimento sumaríssimo; 4) ações
possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a 40 salários mínimos.

15
Processo Civil IV

É possível demandar em juizado com ações cuja pretensão seja superior a


40 salários mínimos, mas ao agir assim, o autor estará renunciando a diferença. Se
demandar em pretensão de 50 salários mínimos, ele está abrindo mão dos 10
salários mínimos de diferença, exceto nos casos de conciliação. Se as partes
conciliarem a condenação aos 50 salários mínimos, o juiz poderá homologar, mas
não poderá, contudo, decidir condenando em 50 salários mínimos.

Em casos de multa, o montante também poderá ultrapassar os 40 salários


mínimos.

Nas ações de despejo para uso próprio é irrelevante o valor do bem. O bem
que se busca pode ser de valor superior ao de 40 salários mínimos.

Se for ação de manutenção de posse, somente poderá tramitar pelo rito


sumaríssimo se o bem esbulhado ou turbado for até 40 salários mínimos.

A ação é abaixo de 40 salários mínimos, mas precisa da realização de uma


perícia. Para tramitar em juizado, depende da complexidade da perícia. Se for uma
perícia simples, há o entendimento de que pode tramitar em juizado. Se, contudo,
houver a necessidade de elaboração de laudo e de trabalho complexo, não poderá
tramitar em juizado.

Ações monitórias não podem tramitar em juizado, porque o procedimento


monitório é especial tanto quanto o sumaríssimo, de modo que haveria conflito de
procedimentos. Isso não significa dizer que não se pode ajuizar no JEC ação de
conhecimento com base em prova escrita.

16
Processo Civil IV

AULA 5 – 20/02/2017

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS Lei 9.099/95

Legitimidade ativa e passiva

Art. 8º Não poderão ser partes, no processo instituído por esta


Lei, o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de direito público, as
empresas públicas da União, a massa falida e o insolvente civil.

O artigo diz que não poderão ser partes, quer atuando como autores ou
como réus, os mencionados no caput do art. 8º.

O incapaz não pode ser parte por conta dos princípios que regulamentam os
juizados especiais: informalidade, celeridade, simplicidade... Se fosse possível que o
incapaz demandasse nos juizados, teria que ser verificado se a representação dele
estava adequada, o que poderia gerar um incidente em um processo que tem que
ser célere e simples.

Além disso, seria complicado permitir que o incapaz fosse parte por conta
do princípio conciliador dos juizados, pois o representante teria que anuir.

Com relação ao preso, as partes, seja o autor ou o réu, precisam comparecer


nas audiências. A audiência da parte autora em qualquer das audiências provoca o
arquivamento do processo, enquanto a ausência do réu provoca a revelia. Portanto,
ficaria complicado exigir que o preso estivesse presente nas audiências, pois o
Estado teria que arcar com custo de deslocamento do preso até a audiência e
depois o retorno dele para o presídio, fora o risco de ele conseguir escapar.

As pessoas jurídicas de direito público não podem ser parte porque são rés
no procedimento sumaríssimo dos juizados fazendários. Quando se pretender
demandar contra a união federal, a ação deverá ser ajuizada no juizado fazendário.
O mesmo vale para os estados e os municípios.

Com relação à massa falida e o insolvente civil, a justificativa é de que em


ambos os casos existe procedimento próprio, tanto para decretação de falência,
quanto para decretação de insolvência civil. Portanto, sabendo que já são
procedimentos especiais, não poderão ser feitos nos juizados, pois entrariam em
conflito com o procedimento especial da Lei nº 9.099/95.

Somente poderá ser autor:


§ 1o Somente serão admitidas a propor ação perante o Juizado
Especial:
I - as pessoas físicas capazes, excluídos os cessionários de direito
de pessoas jurídicas;
II - as pessoas enquadradas como microempreendedores
individuais, microempresas e empresas de pequeno porte na
forma da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006;

17
Processo Civil IV

III - as pessoas jurídicas qualificadas como Organização da


Sociedade Civil de Interesse Público, nos termos da Lei no 9.790,
de 23 de março de 1999;
IV - as sociedades de crédito ao microempreendedor, nos termos
do art. 1o da Lei no 10.194, de 14 de fevereiro de 2001.

Quanto ao réu, somente há restrições daqueles arrolados no caput, ou seja,


não há o menor problema demandar contra grandes empresas, por exemplo.

A Lei nº 9.099/95 permite a formação de litisconsórcio, seja ele necessário


ou facultativo.

A Lei nº 9.099/95 não permite intervenção de terceiros, em suas diversas


modalidades.

Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de


intervenção de terceiro nem de assistência. Admitir-se-á o
litisconsórcio.

A Lei nº 9.099/95 veda a intervenção de terceiros, ocorre que o NCPC


permite em sede de juizado o incidente de desconsideração da personalidade
jurídica. Como o NCPC é posterior à Lei nº 9.099/95 e foi o NCPC quem trouxe essa
nova modalidade de intervenção de terceiros, hoje não é mais correto se dizer que
não cabe modalidade alguma de intervenção de terceiros, vez que é admitida uma
modalidade de intervenção: o incidente de desconsideração da personalidade
jurídica.

Art. 1.062. O incidente de desconsideração da personalidade


jurídica aplica-se ao processo de competência dos juizados
especiais.

Isso faz muito sentido, uma vez que o grande cliente dos juizados é o
consumidor.

Um dos princípios informativos dos JECs é o da informalidade, ao lado da


simplicidade, celeridade, economia. Portanto, tendo em vista a informalidade, a Lei
nº 9.099/95 permite que o pedido inicial seja apresentado oralmente, bastando
que o autor se dirija a um juizado e lá relate os fatos que justificariam a instauração
de uma demanda.

É possível, contudo, que o autor apresente pedido por escrito,


evidentemente sem os rigores de uma petição inicial, nos moldes do CPC.

O art. 14 da Lei nº 9.099/95 reforça a ideia da informalidade e simplicidade:

Art. 14. O processo instaurar-se-á com a apresentação do pedido,


escrito ou oral, à Secretaria do Juizado.
§ 1º Do pedido constarão, de forma simples e em linguagem
acessível:

18
Processo Civil IV

I - o nome, a qualificação e o endereço das partes;


II - os fatos e os fundamentos, de forma sucinta;
III - o objeto e seu valor.

É possível que o titular do direito passe uma procuração para outra pessoa
contratar um advogado, a fim de que este advogado promova uma demanda no
nome do titular.

Aspectos procedimentais

Apresentado o requerimento inicial (oral ou escrito), o juiz determinará que


se promova a citação do réu para comparecimento na audiência de conciliação ou
na audiência UNA (conciliação, instrução e julgamento).

Se as partes resolverem conciliar, lavra-se no termo de audiência o acordo


celebrado e este será homologado por sentença. Se no acordo estiver constante
obrigação de fazer, não fazer, dar ou pagar, virou um título judicial e o autor
poderá requerer sua execução em caso de descumprimento.

Se as partes não transigirem na audiência de conciliação, deverá ser


designada nova data para audiência de instrução e julgamento.

Na audiência de conciliação não há a necessidade de oferecimento da


contestação.

Nem todo juizado fraciona as audiências, existem juizados que optam pela
realização de audiências UNAS, que serão de conciliação, instrução e julgamento.

Se for UNA a audiência, deve-se apresentar a contestação (protocolar no


sistema até antes da audiência), a menos que a parte queira fazer contestação oral.

No procedimento sumaríssimo dos juizados não cabe reconvenção, mas


cabe o chamado pedido contraposto. Essa discussão fica prejudicada no NCPC,
porque no CPC/73 a contestação era apresentada em uma peça e a reconvenção
em outra, contudo, no NCPC podem ser apresentadas conjuntamente a contestação
e a reconvenção.

O pedido contraposto deve ficar limitado ao teto de 40 salários mínimos.

Não raro as sentenças são prolatadas em audiência de instrução e


julgamento. Se a sentença for prolatada na audiência, todos estarão intimados no
ato e o prazo começa a contar no dia seguinte à realização da audiência.

As sentenças eletrônicas gerarão intimações eletrônicas.

Há prazo para abertura do arquivo eletrônico de intimação, sob pena de


considerar intimado o advogado que não abriu o arquivo.

19
Processo Civil IV

Contra a sentença prolatada em juizado especial cível cabe embargos de


declaração, no prazo de 5 dias.

A Lei nº 9.099/95 previa que os embargos de declaração tinham efeito


suspensivo do prazo nos JECs, e não interruptivo. Antigamente acontecia de
apresentar os ED no 5º dia, suspendia o prazo de 10 para apresentação dos
embargos, prolatada a decisão que julgou os ED, restava somente os 5 dias do resto
do prazo de 10 dias para o recurso inominado.

O NCPC determina que os embargos de declaração terão efeito interruptivo


nos JECs.

Art. 1.065. O art. 50 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995,


passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)

“Art. 50. Os embargos de declaração interrompem o prazo para a


interposição de recurso.” (NR)

Quando os ED forem julgados, serão novos 10 dias para que o recurso


inominado seja interposto.

Os juizados adotam a contagem dos prazos processuais em dias corridos.

O recurso cabível contra sentenças prolatadas nos juizados tem algumas


peculiaridades e não pode ser confundido com o recurso de apelação.

O recurso inominado tem prazo de 10 dias.

Quem tem competência para julgar o recurso inominado são as turmas


recursais dos juizados, compostas por juízes de primeiro grau, que continuam
respondendo por suas varas e respondem pela turma recursal dos juizados.

No recurso inominado, há a possibilidade de recolher as custas processuais


no prazo de até 48h após a interposição do recurso.

O único recurso cabível contra o acórdão que julga o recurso inominado é o


recurso extraordinário, eis a razão:

O art. 102, III, que trata do recurso extraordinário, aduz o seguinte:

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a


guarda da Constituição, cabendo-lhe:

III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas


em única ou última instância, quando a decisão recorrida:

Por sua vez, o art. 105, III, que trata do recurso especial, leciona:

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

20
Processo Civil IV

III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou


última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a
decisão recorrida:

Nota-se que o inciso que trata do recurso especial fala que caberá especial
contra decisões de tribunais, enquanto no art. 102, III, não há a necessidade da
decisão ser oriunda de tribunal, e a turma recursal não é tribunal, portanto, caberá
somente recurso extraordinário contra o acórdão que julgar o recurso inominado.

Por fim, o juizado tem competência para executar suas decisões e o


procedimento será igual ao procedimento de execução comum.

21
Processo Civil IV

AULA 6 – 22/02/2017

JUIZADOS FAZENDÁRIOS Leis nº 10.259 e 12.153

Duas leis regulamentam o procedimento sumaríssimo dos juizados das


fazendas públicas: Lei nº 10.259 e Lei nº 12.153. A Lei nº 10.259 regulamenta os
juizados da fazenda federal, enquanto a Lei nº 12.153 regulamenta os juizados
fazendários estaduais e municipais.

Em ambos os casos, seja no juizado da fazenda federal, seja no juizado das


fazendas estaduais e municipais, será aplicada subsidiariamente, a Lei nº 9.099/95.
Naquilo que não estiver regulamentado pelas duas leis dos juizados fazendários,
aplica-se subsidiariamente a Lei dos Juizados Especiais Cíveis.

Art. 1o São instituídos os Juizados Especiais Cíveis e Criminais da


Justiça Federal, aos quais se aplica, no que não conflitar com esta
Lei, o disposto na Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.

Os mesmos princípios estudados na Lei nº 9.099/95 serão aplicados aos


juizados fazendários: celeridade, simplicidade, informalidade, conciliação.

A conciliação é plenamente viável nas demandas contra o poder público,


pois ambas as leis claramente têm dispositivos voltados à conciliação. Deve-se
verificar se a conciliação é vantajosa para o poder público e, caso positivo, não há
óbice para realizar a conciliação.

A advocacia geral da união tem uma série de instruções que são inerentes a
determinadas demandas, colocando requisitos para algumas demandas e, se o
sujeito se encaixar naqueles requisitos, a própria união apresenta acordo.

Na Lei nº 9.099/95 há o princípio da opcionalidade, vez que o autor pode


escolher pelo procedimento sumaríssimo ou por outros procedimentos, dentre
eles, o comum. Em se tratando dos juizados fazendários, inexiste essa opção. A
competência dos juizados fazendários é absoluta em ações de até 60 salários
mínimos. Qualquer ação contra união, estados e municípios, se o valor pretendido
for até 60 salários mínimos, serão de competência de juizados fazendários.

Quando não existir juizado fazendário na comarca, o demandante deverá


buscar o juizado fazendário mais próximo e ali apresentar o seu requerimento.

O art. 3º, §3º da Lei nº 10.259 aduz:

§ 3o No foro onde estiver instalada Vara do Juizado Especial, a sua


competência é absoluta.

O art. 2º, §4º da Lei 12.153 aduz:

22
Processo Civil IV

§ 4o No foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda


Pública, a sua competência é absoluta.

Portanto, ambas as leis afastam o princípio da opcionalidade nos juizados


fazendários.

Além disso, o art. 20 da Lei nº 10.259 sustenta:

Art. 20. Onde não houver Vara Federal, a causa poderá ser
proposta no Juizado Especial Federal mais próximo do foro
definido no art. 4o da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995,
vedada a aplicação desta Lei no juízo estadual.

Competência

A competência do juizado fazendário federal está no art. 3º da Lei nº


10.259:

Art. 3o Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar,


conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o
valor de sessenta salários mínimos, bem como executar as suas
sentenças.

Tem competência para conciliar, processar, julgar e executar.

Demandas com valores superiores a 60 salários mínimos poderão ser


ajuizadas nos juizados federais, mas a diferença do montante será renunciada.

§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível as


causas:
I - referidas no art. 109, incisos II, III e XI, da Constituição Federal,
as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão
e demarcação, populares, execuções fiscais e por improbidade
administrativa e as demandas sobre direitos ou interesses difusos,
coletivos ou individuais homogêneos;
II - sobre bens imóveis da União, autarquias e fundações públicas
federais;
III - para a anulação ou cancelamento de ato administrativo
federal, salvo o de natureza previdenciária e o de lançamento
fiscal;
IV - que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão
imposta a servidores públicos civis ou de sanções disciplinares
aplicadas a militares.

Segundo o inciso I, não competirá aos juizados fazendários julgar:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

23
Processo Civil IV

II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional


e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com
Estado estrangeiro ou organismo internacional;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.

Ações envolvendo estados estrangeiros ou organismos internacionais e


municípios ou pessoas residentes no Brasil são de competência privativa das varas
federais.

Imagine que o Brasil firmou um tratado com a Inglaterra para transferência


de conhecimento científico tecnológico. Se esse contrato não for cumprido,
somente poderá tramitar o processo na vara federal.

Finalmente, o inciso XI aduz que as ações que envolvam disputa sobre


direitos indígenas não são de competência dos juizados fazendários. Nesse caso,
não se fala de questões de direitos individuais de indígenas, mas em questões de
direito coletivo de indígenas, será de competência privativa de varas federais.

Não poderão tramitar nos juizados fazendários as ações de mandado de


segurança (Lei nº 12.016). O mandado de segurança já possui um procedimento
especial, o qual é totalmente conflitante com o procedimento especial nos juizados
fazendários. Não existe em mandado de segurança audiência de conciliação,
instrução processual, por exemplo.

Não raro, são impetrados mandados de segurança contra decisões


interlocutórias tomadas no procedimento sumaríssimo. Esse caso é diferente,
porque o objeto do mandado de segurança não é o objeto principal da demanda. O
mandado de segurança estará sendo utilizado como sucedâneo recursal, diante do
fato de que decisões interlocutórias em juizados especiais cíveis são irrecorríveis.

Nos juizados fazendários, as decisões interlocutórias podem ser objeto de


recurso inominado.

Um mandado de segurança originário não é de competência de juizado


fazendário, o que pode acontecer é a necessidade de impetração de mandado de
segurança contra decisão tomada por um magistrado que tem sua função atrelada
a um juizado. Há um processo em curso, uma decisão irrecorrível e o mandado de
segurança é usado como sucedâneo recursal.

Ações de desapropriação possuem rito próprio e complexo, incompatível


com a celeridade dos juizados especiais. O mesmo vale para as ações de
demarcação de terras, constante no inciso II.

Em ações de juizados fazendários, só quem pode ser réu é a administração


pública. Nas execuções fiscais, a administração pública é a exequente credora,
portanto, não podem tramitar nos juizados as execuções fiscais.

24
Processo Civil IV

As ações de improbidade administrativa possuem procedimento especial.

Um dos principais legitimados ativos para a ação civil pública é o MP, ao


lado da defensoria. As ações civis públicas são regulamentadas por lei específica,
tendo um procedimento específico.

A competência dos juizados estaduais e municipais tem previsão no art. 2º


da Lei nº 12.153:

Art. 2o É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda


Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos
Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até
o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.
§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial da
Fazenda Pública:
I – as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de
divisão e demarcação, populares, por improbidade administrativa,
execuções fiscais e as demandas sobre direitos ou interesses
difusos e coletivos;
II – as causas sobre bens imóveis dos Estados, Distrito Federal,
Territórios e Municípios, autarquias e fundações públicas a eles
vinculadas;
III – as causas que tenham como objeto a impugnação da pena de
demissão imposta a servidores públicos civis ou sanções
disciplinares aplicadas a militares.

O §1º, I, do art. 2º da Lei nº 12.153 repete o da Lei nº 10.259, exceto no que


tange aos incisos do art. 109 da CF, por uma razão clara: o art. 109 fala da
competência federal.

Legitimidade

O art. 6º da Lei nº 10.259 sustenta:

Art. 6o Podem ser partes no Juizado Especial Federal Cível:


I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e
empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei no 9.317, de 5
de dezembro de 1996;
II – como rés, a União, autarquias, fundações e empresas públicas
federais.

As sociedades de economia mista deverão ser demandas em juizados


especiais cíveis, porque seu regime jurídico é de direito privado.

O art. 5º da Lei nº 12.153 aduz:

Art. 5o Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública:

25
Processo Civil IV

I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e


empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar
no 123, de 14 de dezembro de 2006;
II – como réus, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os
Municípios, bem como autarquias, fundações e empresas públicas
a eles vinculadas.

Para demandar contra o Banco do Brasil, essa ação não é de competência de


juizado federal, portanto, deverá ser ajuizada em juizado especial cível, porque o
BB é uma sociedade de economia mista.

A Caixa Econômica é uma autarquia federal, portanto, deverá ser


demandada nos juizados fazendários.

Para demandar contra a UFPA, a competência é dos juizados fazendários.

As Leis dos juizados fazendários não falam sobre o teto para os autores sem
advogado, portanto, pode-se entender pela aplicação subsidiária de 20 salários
mínimos sem advogado e 60 salários mínimos com advogado.

Aspectos procedimentais

Nos juizados fazendários não há o benefício do prazo dobrado para o


Estado.

Lei nº 10.259, art. 9o Não haverá prazo diferenciado para a prática


de qualquer ato processual pelas pessoas jurídicas de direito
público, inclusive a interposição de recursos, devendo a citação
para audiência de conciliação ser efetuada com antecedência
mínima de trinta dias.

Lei nº 12.153, art. 7o Não haverá prazo diferenciado para a prática


de qualquer ato processual pelas pessoas jurídicas de direito
público, inclusive a interposição de recursos, devendo a citação
para a audiência de conciliação ser efetuada com antecedência
mínima de 30 (trinta) dias.

Em ações de juizados fazendários, não há remessa necessária em hipótese


alguma, uma vez que o teto do juizado sequer chega ao valor necessário para a
ocorrência da remessa necessária prevista no art. 496, CPC. Portanto, ou as
fazendas recorrem pelo recurso inominado, ou as decisões transitam em julgado e
seguem para a execução.

Lei nº 10.259, art. 13. Nas causas de que trata esta Lei, não haverá
reexame necessário.

Lei nº 12.152, art. 11. Nas causas de que trata esta Lei, não haverá
reexame necessário.

26
Processo Civil IV

As audiências podem ser de conciliação ou UNAS.

A defesa deverá ser apresentada de igual modo aos juizados especiais cíveis.

O juiz do juizado fazendário (seja federal, estadual ou municipal) pode ver a


necessidade da concessão de tutela de urgência, a qual poderá ser concedida de
ofício ou mediante requerimento da parte interessada. Serão deferidas por
intermédio de decisões interlocutórias.

Decisões interlocutórias em juizados especiais cíveis são decisões


irrecorríveis. Nos juizados fazendários, entretanto, são recorríveis as decisões
interlocutórias que concederem tutelas de urgência, dessa forma, utiliza-se o
recurso inominado. Lei nº 10.259:

Art. 4o O Juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes,


deferir medidas cautelares no curso do processo, para evitar dano
de difícil reparação.

Art. 5o Exceto nos casos do art. 4o, somente será admitido recurso
de sentença definitiva.

Portanto, não é toda interlocutória que pode ser objeto de inominado,


somente as que tratarem de tutela de urgência nos juizados fazendários.

Decisões interlocutórias no curso de ações que tramitem em juizados


fazendários não são recorríveis, contudo, se a decisão interlocutória for concessiva
de tutela de urgência, caberá recurso inominado.

Cabe embargos de declaração contra decisões interlocutórias em juizados.

O pedido de reconsideração pode ser utilizado, mas não é recurso e, por


isso, não tem a eficácia de impedir a preclusão, portanto, o prazo continuará
correndo. O correto é entrar com o inominado e, com base no inominado, tentar
conversar com o juiz. Só o pedido de reconsideração é deveras perigoso, porque
não há nada que assegure que o magistrado vai mudar de ideia e o prazo
continuará correndo.

Uma decisão que julgue o juizado absolutamente incompetente também é


recorrível por recurso inominado, porque é uma sentença sem resolução de
mérito.

O art. 489 do CPC exige que as decisões sejam fundamentadas. Esse artigo
se aplica aos juizados ou há incompatibilidade com a simplicidade dos juizados?
Obviamente que sim, pois a Constituição Federal elenca como garantia
constitucional a fundamentação das decisões judiciais.

27
Processo Civil IV

Na execução, se as obrigações forem de fazer, não fazer e dar, basta que o


juiz oficie a autoridade. Obrigações específicas serão executadas de ofício com
determinação apresentada à autoridade ré.

Quando a obrigação é de pagar, não há como fazer a execução com penhora


de bens, pois bens públicos são impenhoráveis. Nesses casos, os pagamentos serão
pagos por RPV ou precatório.

O RPV pode ser utilizado quando a condenação da união for de até 60


salários, dos estados for de 40 salários e dos municípios for de 30 salários.

Se for acima disso, será feito o pagamento por precatório.

Não pode fracionar o pagamento em RPV e precatório. Deve-se receber o


RPV com renúncia do crédito remanescente, ou aguardar o pagamento por
precatório.

Se houver multa além da condenação, somará o valor das duas e, caso


ultrapasse o limite para RPV, tudo será pago em precatório.

28
Processo Civil IV

AULA 7 – 15/03/2017

TUTELAS PROVISÓRIAS Art. 294, CPC

1. Noções gerais

Sofreu consideráveis modificações com o NCPC.

As tutelas provisórias podem ser de urgência e de evidência. Exemplo de


uma tutela de evidência é o mandado de injunção da ação monitória. O documento
apresentado pelo autor demonstra de maneira satisfatória que existe uma
obrigação que lhe une ao réu.

2. Tutela de urgência

Não raro a parte necessita de uma resposta rápida por parte do judiciário,
de modo que não há como aguardar, precisa que o judiciário dê uma resposta
imediata. A parte não pode se submeter a demora, complexidade do procedimento.

Situações em que as partes pleiteiam tutelas de urgência, justamente pelo


fato de que não podem arcar com o tempo do processo. Por mais que exista a
garantia da duração razoável do processo, mas isso é no plano abstrato, porque na
realidade do plano forense, a demora acontece.

Imagine que alguém tenha protestado um título que está pago e, em razão
desse protesto, inúmeras restrições de crédito estão sendo provocadas ao que teve
seu nome protestado, o suposto devedor daquela obrigação. Não dá para essa
pessoa aguardar o desfecho com a prolação de uma decisão final para que esse
protesto seja baixado.

Imagine uma situação que envolve uma pessoa que vai ao judiciário em
busca de um tratamento médico, de recebimento de créditos alimentares, outra
que busca ter o direito de abandonar o lar porque está sendo agredida pelo
cônjuge, uma situação na qual exista uma ameaça de desmoronamento em uma
construção, ou situação que envolva dano ambiental iminente.

Em todos esses exemplos, a parte precisa que o judiciário intervenha de


maneira imediata, porque se demorar para que a tutela jurisdicional seja prestada
ao término do processo, o direito ameaçado pode perecer, de modo que a decisão
final será inócua.

Existem inúmeras situações que justificam a intervenção do judiciário de


maneira imediata, que são as tutelas de urgência.

29
Processo Civil IV

2.1. Classificação
2.1.1. Quanto à espécie Art. 294, §único

As tutelas de urgência podem ser, nos termos do §único do art. 294, de


natureza cautelar ou de natureza antecipada. Esta seria a classificação das tutelas
de urgência quanto à espécie.

A tutela cautelar é aquela que objetiva proteger o resultado útil do processo.


É o que acontece quando se pede o sequestro de um bem, para que se possa
discutir a propriedade desse bem em uma ação de conhecimento. Sequestra a
coisa, tira das mãos do demandado, para que ela não corra o risco de perecimento.
Uma vez guardada nas mãos do depositário, existirá tranquilidade para discutir
quem é o titular. Portanto, a cautelar de sequestro está protegendo o resultado útil
do processo.

É o que acontece também quando há o arresto de bens. O credor percebe


que o devedor está dilapidando seu patrimônio, portanto, não existirão bens
penhoráveis se não for concedida a tutela cautelar. Apesar da possível
caracterização de fraude contra credores em ação pauliana, é melhor evitar que o
problema aconteça, como prevenção, através da tutela cautelar.

No antigo CPC havia um processo cautelar, que, juntamente com o processo


de conhecimento e o processo de execução, representava as três principais
modalidades de tutela jurisdicional. No CPC/73, primeiramente a parte
prejudicada teria que ajuizar uma ação cautelar, obter uma liminar e depois ajuizar
o processo principal, de conhecimento ou executivo, para que a medida cautelar
deferida tivesse utilidade.

O CPC/2015, em que pese prever o cabimento de tutelas cautelares


preventivas, simplificou, já não é mais preciso um processo cautelar, é preciso
somente pedidos cautelares, que poderão ser apresentados antes de um pedido
principal, ou de maneira incidental.

As tutelas cautelares visam resguardar a pretensão que a parte está


discutindo.

Por outro lado, as tutelas antecipadas se assemelham às antigas tutelas


antecipadas do CPC/73. São aquelas marcadas pela satisfatividade, não objetivam
resguardar um direito, o que buscam é permitir que a parte usufrua de seus efeitos
desde logo, o que nada mais é do que a tutela antecipada que havia no CPC/73.

É o que acontece com alguém que vai ao judiciário pedir um tratamento


médico, alegando que o plano de saúde está negando o tratamento, por uma
carência, por exemplo, quando na verdade nada dessas justificativas é plausível.

30
Processo Civil IV

Aqui não se busca proteger o resultado útil do processo, o que se busca é


permitir que a parte já usufrua dos efeitos de uma decisão que somente virá
tempos depois, quando, na verdade, o tempo é tudo o que a parte não dispõe.

Tutelas cautelares visam a proteção do resultado útil do processo, é o que


acontece com o arresto, o sequestro, a produção antecipada de provas. Ao passo
que as tutelas antecipadas são marcadas por um objetivo de satisfação. Em que
pese serem tutelas de urgência, já há claramente a intenção de gozar de
consequências que decorram eventualmente do deferimento de uma tutela dessa
natureza.

Quando se defere tutela antecipada e não há defesa em relação a ela,


dependendo do que foi pedido, poderá ser entendido como pedido incontroverso,
que poderá trazer consequências severas para o réu.

2.1.2. Quanto ao momento

O art. 294, §único prevê que essas tutelas de urgência podem ser cautelares
e antecipadas, poderão ser classificadas quanto ao momento, como tutelas
antecedentes ou incidentais.

Quando é antecedente, ela é apresentada antes de o requerente ter levado a


conhecimento do judiciário o seu pedido principal, é o que acontece, por exemplo,
nos exemplos de sequestro e arresto de um bem. Primeiramente vem a tutela de
urgência antecedente e depois o requerente apresenta a sua tutela principal. Esta
será a tutela de urgência antecedente.

Já a tutela incidental, como o nome diz, é aquela que ocorre quando já há um


processo em curso e se mostra necessária a adoção de uma providência de
urgência. Incidentalmente, o pedido de urgência poderá ser formulado.

É o exemplo de um divórcio litigioso em que o marido está dilapidando o


patrimônio, a esposa entra com pedido de tutela de urgência cautelar e incidental.

O CPC prevê que quando a cautelar é incidental, como já é apresentada no


curso do processo, não há a necessidade de pagamento de custas. As custas já
foram recolhidas quando o requerente apresentou o pedido originário (art. 295,
CPC).

2.2. Revogabilidade Art. 296, CPC

31
Processo Civil IV

Todas essas tutelas de urgência, sejam elas de urgência ou evidência,


incidentais ou antecedentes, uma das características é a revogabilidade. Da mesma
forma que tais tutelas podem ser preenchidas, desde que preenchidos os
requisitos, pode ser que no curso do processo se constate que já não há mais
justificativa para as suas manutenções.

A revogação precisa ser feita de maneira motivada e provocada. Sempre tem


que haver provocação, pois isto ocasionaria tremenda insegurança jurídica.

As decisões sempre deverão ser reversíveis, pois pode acontecer uma


modificação do status.

O contraditório fica postergado. O juiz analisa a urgência e adota o


procedimento cabível. O juiz pode ter se convencido da necessidade da tutela de
urgência em um primeiro momento, mas tempos depois pode se convencer do
contrário. Em razão disso, desde que o faça de maneira motivada, pode entender
por sua revogação.

As tutelas de urgência geralmente são pedidas sem que a parte contrária


tenha a oportunidade de se manifestar. Inclusive, essa é uma das exceções da
norma fundamental do CPC que exige que o juiz, ao decidir, ouça ambas as partes.

2.3. Necessidade de motivação Art. 298, CPC

A decisão interlocutória concessiva da tutela de urgência é um dos casos de


interposição de agravo de instrumento. Poderá acontecer a revogação no juízo de
2º grau ou em juízo de 1º grau (retratação da decisão).

Deve dizer o motivo da revogação.

O objeto do agravo de instrumento é reverter a decisão que concedeu a


tutela de urgência.

É possível a concessão de tutelas de urgência em grau de recurso, é a


chamada tutela recursal.

Pode acontecer de ter pedido a tutela de urgência em 1º grau, o juiz não ter
concedido. Quem pediu a tutela entra com agravo de instrumento, reiterando o
pedido, é possível que seja concedido ou negado novamente. Seja concedida a
tutela recursal ou negada a tutela recursal, cabe agravo interno, para levar o
julgamento à turma.

Características: provisoriedade e revogabilidade. Podem ser revistas pelo


juízo que as prolatou ou em grau de recurso.

32
Processo Civil IV

A decisão denegatória ou de acolhimento da retratação também tem que ser


motivada.

A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, isto é,


enquanto não for revogada, produz seus efeitos.

2.4. Requisitos Art. 300, CPC

Tutelas de urgência são deferidas com base em 2 requisitos: perigo da


demora por parte do judiciário, aliado a uma alegação razoável de que existe uma
ameaça a um direito que precisa de uma tutela emergencial.

Isso nada mais é que o fumus boni iuris e o periculum in mora.

O CPC/73 falava em verossimilhança das alegações.

2.5. Liminar ou justificação prévia Art. 300, §2º, CPC

A concessão pode acontecer de maneira liminar, ou seja, inaudita altera


pars. É uma das hipóteses em que a lei permite a postergação do contraditório. A
tutela será deferida de modo liminar.

É possível, contudo, que o juiz não se convença do preenchimento dos


requisitos e, consequentemente, nos termos do art. 300, §2º, o juiz pode designar
uma audiência de justificação prévia. É possível a designação de uma audiência de
justificação prévia para que o autor possa convencer o magistrado do
preenchimento dos requisitos do art. 300.

A audiência de justificação prévia acontecerá antes da audiência de


conciliação. Essa audiência é do autor, quem vai produzir provas é o requerente da
tutela de urgência. Sequer há motivos para a participação do réu.

Em casos de pedido de tutela incidental e o réu já está integralizado na


relação processual, o réu pode participar da audiência de justificação, entretanto,
não poderá se manifestar ou intervir.

Não pode se manifestar na audiência de justificação porque a tutela, se


deferida, é revogável e poderá ser objeto de recurso.

2.6. Irreversibilidade Art. 300, §3º, CPC

As tutelas não podem ser deferidas quando forem irreversíveis, mas isso
não deve ser interpretado de maneira absoluta. Não raro os juízes se deparam com

33
Processo Civil IV

situações em que há a necessidade de se ponderar valores: uma tutela de urgência


requerendo uma cirurgia. Se o juiz defere, é irreversível. No caso concreto, o juiz
terá que ponderar o direito à vida do requerente e o interesse público envolvido.

Existem instrumentos que podem minimizar esse risco (art. 300, §1º).

34
Processo Civil IV

AULA 8 – 20/03/2017

TUTELAS PROVISÓRIAS Art. 294, CPC

Responsabilidade objetiva Art. 302, CPC

Responsabilidade objetiva pela apresentação de pedidos de tutela de


urgência. A parte responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência
causar à parte adversa, se:

a) A sentença lhe for desfavorável: a parte se valeu de tutela e a sentença lhe


foi desfavorável. Se houve prejuízo patrimonial, a parte deverá arcar
com a indenização correspondente. Toda a estrutura do art. 302 é
baseada na ideia de responsabilidade objetiva, ou seja,
independentemente da intenção de praticar o prejuízo, se as situações
tiverem acontecido, somado ao possível dano sofrido pelo demandado, o
dever de indenizar existirá.
b) Quando obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não
fornecer os meios necessários para citação do requerido, no prazo de 5
dias. Quando é antecedente, num primeiro momento, o autor apresenta
somente o pedido de urgência, deixando para apresentar o principal
somente mais adiante (chama-se complementação da petição inicial ou
formulação do pedido principal). Pode ser que num primeiro momento o
autor da ação necessite apenas da tutela de urgência, como uma
separação de corpos, uma busca e apreensão de um menor, alimentos
provisórios, deixando para formular a sua pretensão principal em um
momento posterior, no mesmo processo. Quando for formulado o
pedido de tutela de urgência em caráter antecedente, é preciso que o réu
seja integralizado à relação processual, obedecendo ao prazo de 5 dias.
O autor não pode ser penalizado pela morosidade do judiciário, se o
autor indicou todos os elementos necessários para a citação.
c) Ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal. Se a
medida de urgência tiver seus efeitos cessados e causar prejuízo ao
demandado, esses prejuízos serão apurados e lhe darão direito a
indenização.
d) Se o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do
autor.

A indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver sido


concedida, sempre que possível. Ou seja, a apuração dos danos será feita no
próprio processo principal, que já está em curso, sem que haja a necessidade do
demandado promover o ajuizamento de outra demanda para buscar a liquidez do
seu prejuízo.

35
Processo Civil IV

No tocante às modalidades de liquidação, se a obtenção do dano puder ser


feita por meros cálculos aritméticos, o credor liquida. Se for algo mais complexo,
será por arbitramento ou pelo procedimento comum.

TUTELA CAUTELAR EM CARÁTER ANTECEDENTE Art. 305


Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela
cautelar em caráter antecedente indicará a lide e seu fundamento,
a exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o
caput tem natureza antecipada, o juiz observará o disposto no art.
303.

Quando se formula um pedido de tutela de urgência de caráter antecedente,


na petição inicial apenas o pedido de urgência será formulado: é o arresto de bens,
sequestro de uma coisa, busca e apreensão de alguém ou de algo, deixando-se para
a apresentação do pedido principal momentos depois.

Contudo, o art. 305 obriga que quando a tutela for cautelar em caráter
antecedente, já se indique a pretensão principal que vai ser formulada: a lide e o
seu fundamento. Por “lide e seu fundamento” deve-se vislumbrar a pretensão
principal que será posteriormente apresentada.

Deve-se apresentar os fundamentos de fato e de direito que justificam a


apresentação do principal, do qual o cautelar será útil.

Se foi apresentada uma cautelar de arresto com a justificativa de que o


devedor está dilapidando o seu patrimônio, a lide e o fundamento para a concessão
da tutela de urgência seria assegurar ao credor requerente o direito de em uma
futura execução ter a possibilidade de penhorar bens, a fim de que tais bens
possam ser devidamente utilizados como forma de satisfação.

O §único do art. 305 estabelece a fungibilidade que há entre tutelas


antecipadas e tutelas cautelares. Ambas as tutelas fazem parte de uma mesma
base, que são as tutelas de urgência. As tutelas antecipadas têm como principal
característica a satisfatividade, ao passo que a cautelar tem como principal
característica a protetividade, ou seja, é utilizada para proteger o resultado útil de
determinado processo.

Diante do fato de que têm os mesmos requisitos e que partem de uma


mesma ideia, muitas vezes elas se confundem. Não raro o autor acha que precisa
de uma tutela cautelar, quando na realidade precisa de uma antecipada. Dessa
forma, pode haver a fungibilidade entre as tutelas.

36
Processo Civil IV

Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 dias, contestar o


pedido e indicar as provas que pretende produzir.

Este pedido não é o pedido principal, é apenas contestar o pedido cautelar.


Contestar a desnecessidade do sequestro, do arresto, da busca e apreensão...
Quando o autor só formulou o pedido cautelar, o réu se manifesta somente sobre
ele.

O art. 307 aduz:

Art. 307. Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados pelo


autor presumir-se-ão aceitos pelo réu como ocorridos, caso em
que o juiz decidirá dentro de 5 dias.

Parágrafo único. Contestado o pedido no prazo legal, observar-se-


á o procedimento comum.

Poderá ocorrer uma revelia limitada ao pedido cautelar, uma veracidade


dos fatos alegados pelo autor no tocante ao pleito cautelar, o que não retira do réu
o direito de contestar o pedido principal.

Art. 308. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser


formulado pelo autor no prazo de 30 dias, caso em que será
apresentado nos mesmos autos em que deduzido o pedido de
tutela cautelar, não dependendo do adiantamento de novas custas
processuais.

A tutela cautelar poderá ser apresentada em caráter antecedente, que


poderá ser apresentada sozinha. Se for apresentada sozinha, o procedimento será
citar o réu para contesta-la no prazo de 5 dias. Se não se manifestar a respeito da
cautelar, o pedido da cautelar passará a ser incontroverso. Por outro lado, uma vez
cumprida a cautelar em caráter antecedente, deverá o autor complementar a
inicial, a fim de que o pedido principal seja formulado e, uma vez formulado o
pedido principal, o réu terá a oportunidade de contesta-lo.

Pode acontecer da tutela cautelar ser apresentada concomitantemente com


o pedido principal, ocasião em que o réu será citado para contestar tudo.

De resto, terá audiência de conciliação e seguirá o procedimento comum.

Se o pedido principal não for formulado no prazo de 30 dias, haverá a


cessação da eficácia e, cessando a eficácia da cautelar, se o cumprimento dela tiver
provocado prejuízo patrimonial, deverá ocorrer a indenização por conta da
responsabilidade objetiva.

Quando é incidental, não há custas. Quando é antecedente, haverá o


pagamento de custas.

37
Processo Civil IV

O prazo de 30 dias é em dias úteis, pois é prazo processual.

Não havendo conciliação, a contestação será feita na forma do art. 335 (ou
seja, normalmente).

Hipóteses em que cessa a eficácia da cautelar antecedente:

Art. 309. Cessa a eficácia da tutela concedida em caráter


antecedente, se:
I – o autor não deduzir o pedido principal no prazo legal;
II – não for efetivada dentro do prazo de 30 dias;
III – o juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo
autor ou extinguir o processo sem resolução de mérito.

O inciso II fala de não ser efetivada a tutela cautelar em 30 dias, ou seja, se


não for dado cumprimento a ela. Não se pode responsabilizar o autor pela
morosidade judiciária, portanto, o não cessa a eficácia, porque o autor não pode ser
responsabilizado. Faz-se a interpretação de que só se justifica a cessação da
eficácia com base neste inciso se a culpa for do autor, por exemplo, se ele não
pagou as custas.

Julgado improcedente o pedido principal, não há razão para manter o


pedido cautelar, sendo revogado, portanto.

Se o juiz indeferiu a cautelar, nada impede que o pedido principal seja


formulado. Talvez não existam motivos para concessão da tutela de urgência, mas
isto não quer dizer que o autor não poderá apresentar a sua pretensão principal.

38
Processo Civil IV

AULA 9 – 29/03/2017

TUTELAS PROVISÓRIAS

TUTELA ANTECIPADA EM CARÁTER ANTECEDENTE

Há a possibilidade de se ajuizar monitória com base em prova escrita que


não contenha eficácia executiva. A partir dessa prova escrita, o autor pode optar
pela propositura da monitória que, uma vez acolhida pelo órgão jurisdicional,
expedirá o mandado de injunção. A expedição deste mandado é pautada em uma
cognição sumária, sumariamente, com base nas alegações do autor e na prova
escrita, o juiz determina a expedição do mandado monitório.

Uma vez cumprido o mandado monitório, pode o réu cumprir a obrigação


ou apresentar embargos monitórios e, uma vez apresentados, a ação prosseguirá
pelo procedimento comum.

A possibilidade de concessão de tutelas provisórias antecipadas em caráter


antecedente se baseia na ideia do procedimento monitório. Em outras palavras,
dependendo do que o autor alegar e das provas que ele trouxer, pode o órgão
jurisdicional antecipar os efeitos de uma decisão, em face a uma urgência suscitada
pela parte requerente.

Existem medidas urgentes que não são voltadas para a proteção do


resultado útil do processo. Quando a medida é voltada para a proteção do
resultado útil do processo haverá a tutela provisória de natureza cautelar,
podendo o autor formular somente o pedido cautelar, deixando para aditar a
inicial com a apresentação do pedido principal depois.

A tutela provisória antecipada é a concessão de tutela, ainda que provisória,


satisfativa. É fazer com que o autor usufrua dos efeitos de algo que somente viria
em sede de sentença.

Tutelas de urgência incidentais são as apresentadas com o processo já em


curso, ao passo que as antecedentes são formuladas ao judiciário antes da
apresentação de um pedido principal.

Imagine que a pessoa sofreu uma restrição de crédito indevida, o sujeito foi
protestado por um título que pagou. A partir do momento em que ocorre o
protesto, duas pretensões a pessoa pode ter: uma pretensão para que o protesto
seja baixado e uma pretensão que poderá ser de um dano moral ou material. Há
uma pretensão para a baixa do protesto e uma para o dano moral. Essa pessoa
pode ajuizar uma única ação formulando os dois pedidos. Contudo, se o autor
formular um pedido de baixa de protesto, nesses termos, ele terá que aguardar o
desfecho de todo o processo para que através de uma sentença o órgão
jurisdicional determine a baixa, isto poderá levar anos.

39
Processo Civil IV

Nesse caso, o autor precisa de uma resposta imediata por parte do


judiciário, a qual poderá ser obtida por uma tutela provisória de urgência de
natureza antecipada, no início do processo, através de um decisão interlocutória, a
baixa do protesto poderá ser determinada pelo órgão jurisdicional.

O NCPC permite que o autor apresente apenas em sua inicial o pedido de


tutela antecipada, deixando de apresentar, por ora, o pedido referente aos danos
morais. O autor vai ao judiciário para formular momentaneamente o pedido de
urgência, porque o protesto tem que ser baixado de maneira imediata. Após isto,
um aditamento permitirá que o autor inclua o pedido referente à pretensão
principal.

Portanto, o autor não é obrigado a formular somente o pedido de urgência,


podendo cumular em sua inicial todos os pedidos que tem contra o réu.

Dependendo do que o réu não fizer neste processo, acontecerá um


fenômeno diferente da coisa julgada, que é a estabilização da tutela provisória.

Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à


propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao
requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de
tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca
realizar e do perigo de dano ou de risco ao resultado útil do
processo.

A tutela antecipada, por ser uma tutela de urgência, tem os mesmos


requisitos que a tutela cautelar: perigo da demora e indícios de que há um direito
que merece a tutela jurisdicional.

A lei exige que, na inicial, o autor indique o seu pedido final.

Os autos vão conclusos para que o juiz analise se estão ou não presentes os
requisitos da tutela antecipada e, se presentes, decisão interlocutória concedendo
a tutela antecipada em caráter antecedente. Essa interlocutória desafia agravo de
instrumento (art. 1.015, I).

Então o autor já obteve o que queria no primeiro momento: a baixa do


protesto já está determinada pelo órgão jurisdicional.

§1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste


artigo:

I – o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação


de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a
confirmação do pedido de tutela final, em 15 dias ou em outro
prazo maior que o juiz fixar;

40
Processo Civil IV

Uma vez intimado da decisão concessiva da tutela provisória antecipada, a


lei obriga que o autor adite a petição inicial, complementando o seu pedido,
enriquecendo o seu pedido e fazendo referência ao pedido principal.

O prazo é de 15 dias, contados da data em que a parte autora for intimada


da concessão da tutela.

II – o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou


de mediação.

III – não havendo autocomposição, o prazo para contestação será


contado na forma do art. 335.

O réu será citado para comparecer na audiência de conciliação e mediação,


se conciliar, resolvido o processo. Se não conciliar, começa o prazo para a
contestação.

O contraditório fica postergado, porque não pode ficar condicionado à


análise da tutela de urgência, e quando o réu oferecer a contestação, ele falará
tanto da tutela provisória, quanto do próprio mérito, em razão do aditamento que
o autor apresentou.

Existem ações em que não há audiência de conciliação e mediação. Pode


acontecer de o réu ser citado antes do aditamento, de modo que o prazo para
contestação nessas hipóteses deverá ser computado a partir do aditamento.

O fato de a contestação só ter o seu prazo iniciado tempos depois não


significa dizer que o réu não terá que impugnar a interlocutória, pois ele terá que
interpor agravo de instrumento contra a interlocutória, sob pena de 1) preclusão e
2) estabilização dos efeitos da tutela antecipada.

Se o aditamento não for feito, o processo será extinto sem resolução de


mérito (art. 303, §2º).

O aditamento não é uma nova ação, é feito no processo que já está em curso.

Se o autor não aditar a petição inicial e o réu não agravar de instrumento a


concessão da tutela, ocorrerá a extinção do processo, contudo, haverá a
estabilização da tutela.

Essa estabilização da tutela antecipada não é coisa julgada, pois não houve
julgamento. Para os propósitos do autor, pode ser que a estabilização da tutela seja
o suficiente.

Com a interposição do recurso, não será mais possível a estabilização da


tutela provisória.

41
Processo Civil IV

O réu ainda terá que contestar a ação e, fazendo, o procedimento que já era
comum, continuará sendo comum.

Se o réu interpuser o agravo de instrumento, evita a estabilização da tutela


provisória. Contudo, se ele não contesta a ação, será revel, de modo que a tutela
provisória será ratificada em sede de sentença.

A tutela provisória anteriormente deferida, em caso de revelia, será


substituída por uma sentença e haverá ou não o trânsito em julgado, dependendo
da interposição de recurso.

Em nome da lealdade e de um sistema cooperativo, o autor deverá dizer


expressamente em sua inicial que se não houver agravo de instrumento pelo réu,
requer a estabilização da tutela provisória. Se o réu não agravar, o juiz extinguirá o
processo, mas estará estabilizada a decisão concessiva da tutela provisória.

O que impede a estabilização da tutela é a interposição do agravo de


instrumento.

Os instrumentos de desconstituição da coisa julgada, isto é, a ação


rescisória, não poderão ser utilizados contra a tutela provisória estabilizada, pois a
tutela provisória estabilizada não é coisa julgada.

A forma que se tem para desconstituir a tutela provisória é uma ação, com o
prazo de 2 anos, que será julgada pelo juízo de primeiro grau que concedeu a tutela
provisória.

TUTELA DE EVIDÊNCIA

Apesar de ser uma tutela provisória, não é pautada na urgência, pois as


tutelas de urgência são as cautelares e as antecipadas.

Art. 311. A tutela de evidência será concedida,


independentemente da demonstração de perigo de dano ou de
risco ao resultado útil do processo, quando:
I – ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto
propósito protelatório da parte;
II – as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas
documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos
repetitivos ou em súmula vinculante;
III – se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova
documental adequada do contrato de depósito, caso em que será
decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob
cominação de multa;

42
Processo Civil IV

IV – a petição inicial for instruída com prova documental


suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu
não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá
decidir liminarmente.

Na hipótese do inciso I, necessariamente deverá aguardar a resposta do


demandado, pois só se pode imaginar que a defesa apresentada pelo réu tem
caráter protelatório depois que ela for apresentada, é o abuso do direito de defesa.
Em tempos passados, o autor teria que aguardar o desfecho do processo para ter
seu direito satisfeito. O art. 311, I, permite que seja concedida tutela de evidência
quando a defesa do réu for protelatória, permitindo que o autor usufrua de efeitos
de uma decisão que ainda vai ser prolatada no desfecho do processo.

Essa decisão é provisória e também desafiará agravo de instrumento. É


como se fosse um julgamento antecipado, só não é julgamento antecipado porque o
pedido não é incontroverso, já que houve contestação.

O inciso II traz hipóteses em que as alegações são comprovadas


documentalmente e a tese é firmada em precedentes. Nesse caso, poderá ser
concedida a tutela antes do contraditório do réu.

Por sua vez, o inciso III traz o caso de obrigações reipersecutórias. O autor
busca a devolução da coisa e prova a existência de um contrato no qual o réu se
nega a devolver, de modo que o juiz, através de tutela provisória, determinará a
devolução.

Essa tutela de evidência do inciso III poderá se valer de medidas de apoio,


mandando entregar o bem depositado, ou até mesmo a utilização de mandados de
busca e apreensão, de imissão, se for o caso.

Em tempo, o inciso IV traz à baila o caso em que a prova documental do


autor seja tão boa que nada do que o réu possa fazer fará com que não seja
concedida a tutela de evidência.

Todas essas tutelas de evidência podem ser concedidas contra a Fazenda


Pública.

43
Processo Civil IV

AULA 10 – 03/04/2017

INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA

O IAC e o IRDR estão sendo reiteradamente estudados.

Art. 947. É admissível a assunção de competência quando


julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de
competência originária envolver relevante questão de direito, com
grande repercussão social, sem repetição em múltiplos
processos.

A lei fala de cabimento de IAC em 3 hipóteses: 1) remessa necessária, 2)


julgamento de recurso ou 3) processo de competência originária.

Pode ocorrer de o assunto envolvido em uma apelação ter uma grande


relevância do ponto de vista social, jurídico, econômico. Neste caso, se o relator
perceber que o tema tratado na apelação tem essa relevância, ao invés de o recurso
ser julgado por um órgão fracionário (composto pelo relator + 2), leva-se o
julgamento dessa apelação para um órgão colegiado maior, o qual tratará de fixar o
entendimento correto a respeito daquela relevante questão de direito.

O que se permite com o IAC é fazer com que o recurso, no caso do exemplo,
de apelação, deixe de ser julgado num órgão fracionário comum e passe a ser
julgado num órgão colegiado com composição maior, a fim de fazer com que aquela
questão de direito seja apreciada com uma composição maior se o julgamento do
recurso fosse mantido perante 3 membros.

Isso é uma possibilidade de se fixar um precedente.

Uma ação rescisória que vise rescindir uma sentença. Essa ação será
distribuída no tribunal para um relator e, se ele detectar relevante questão de
direito, pode determinar a instauração do incidente para que um órgão colegiado
maior julgue o caso e fixe a tese.

A vantagem de fixar a tese é o efeito vinculante, pois a questão passará a ser


um precedente a ser seguido pelo tribunal como um todo, evitando que decisões
sobre o mesmo assunto sejam tomadas de maneira diferente.

Para que se tenha abrangência para todo e qualquer tribunal, o IAC deveria
ser instaurado em tribunal superior, entretanto, existem outras ferramentas que
possibilitam essa consequência, como o RE/RESP repetitivo.

No IAC não pode haver repetitividade (processos múltiplos tratando da


mesma controvérsia), pois se houver o incidente correto será o IRDR.

O relator tem competência para instaurar o IAC de ofício.

44
Processo Civil IV

A lei fala em repercussão social, que é semelhante à repercussão geral do


recurso extraordinário.

Requisitos:

São 3, dois positivos e um negativo.

 Que ocorra relevante questão de direito, não há a necessidade de


relevância fática (positivo).
 Repercussão social, semelhante ao que acontece com a repercussão geral
do recurso extraordinário (positivo).
 Não haja repetição em múltiplos processos, se o relator perceber a
multiplicidade, deverá optar pela instauração do IRDR.

O IAC tem cabimento em recursos, ações de competência originária dos


tribunais e na remessa necessária.

Legitimidade:

§1º Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator


proporá, de ofício ou a requerimento da parte, do Ministério
Público ou da Defensoria Pública, que seja o recurso, a remessa
necessária ou o processo de competência originária julgado pelo
órgão colegiado que o regimento indicar.

Portanto, o IAC poderá ser instaurado de ofício ou a requerimento da parte,


do MP ou da defensoria. Não necessariamente é de ofício, o próprio apelante pode
pedir a instauração do IAC.

O regimento interno do TJPA prevê que quando se pede a instauração do


IAC, ao invés de o recurso ser julgado na turma composta por 3 desembargadores,
vai para uma câmara composta por todas as turmas. Os desembargadores das
câmaras criminais não participarão do julgamento do IAC, ficando restrito aos
desembargadores da área cível.

Aquilo que ficar decidido no IAC será aplicado no caso concreto e a tese
fixada no julgamento da assunção passará a ser replicada nos casos futuros em
todas as ações que envolverem a mesma questão de direito, que serão decididas
com base naquele incidente consolidado.

É caso de reclamação constitucional quando a tese fixada não é aplicada.

O IAC tem como propósito evitar a divergência entre órgãos menores,


fixando o entendimento.

Se o órgão maior achar que não há a repercussão social, devolverá para o


órgão menor, a fim de que ele faça o julgamento. Há, portanto, admissibilidade do
IAC.

45
Processo Civil IV

INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS

O IRDR está previsto a partir do art. 976 do CPC:

Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de


demandas repetitivas quando houver, simultaneamente:

I – efetiva repetição de processos que contenham controvérsia


sobre a mesma questão unicamente de direito;

II – Risco de ofensa à isonomia e segurança jurídica.

Em primeiro grau, houve a instauração de vários processos envolvendo a


mesma questão de direito. Não precisa identidade fática, somente de direito. Todas
as ações já foram sentenciadas e contra elas houve a interposição de apelações.
Essas apelações, uma vez mandadas para o tribunal, serão distribuídas para órgãos
fracionários diferentes, sob relatorias diferentes.

Se o julgamento de todos esses recursos acontecer de maneira separada e


em momentos diferentes, existe a real possibilidade de se ter decisões dentro do
mesmo tribunal tomadas de maneira diferente.

O julgamento do IRDR só atingirá os processos em aberto, o que tiver


transitado em julgado não será afetado pelo IRDR.

O IRDR é um processo coletivo? Não. A ação coletiva envolve direito coletivo


desde o início e, na execução da sentença, dependerá do tipo de direito envolvido.
Por sua vez, no IRDR é diferente, porque as ações começaram separadamente e em
um determinado momento é que foram coletivizadas. A instauração do IRDR
coletiviza, mas coletiviza processos propostos em demandas individuais.

Requisitos:

 Efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma


questão unicamente de direito;
 Risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica, pois se cada processo
for julgado por órgãos diferentes haverá a grande probabilidade de
desencontros de entendimentos.

Não é necessária a relevância, pois, enquanto requisito, ela é necessária


somente para o IAC.

No IAC, é necessário que haja questão de direito e relevância do ponto de


vista econômico, jurídico, social, e que não haja a repetitividade.

O efeito final do IRDR é a fixação do precedente.

46
Processo Civil IV

47
Processo Civil IV

AULA 11 – 05/04/2017

INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS

A questão de direito pode ser tanto de direito material, quanto de direito


processual.

Além dos requisitos positivos do art. 976, existe um requisito negativo para
a instauração do IRDR, previsto no art. 976, §4º:

§4º É incabível o incidente de resolução de demandas repetitivas


quando um dos tribunais superiores, no âmbito de sua respectiva
competência, já tiver afetado recurso para definição de tese sobre
questão de direito material ou processual repetitiva.

No TJPA foram identificadas dezenas de ações envolvendo a mesma


controvérsia de direito, chamada de questão X. Mesmo que essas ações ainda
estejam tramitando no juízo de 1º grau, é possível que no tribunal seja instaurado
o IRDR. Resolve-se, de ofício ou por provocação, instaurar o IRDR no TJPA. Com a
instauração do IRDR, todos os processos que tramitam envolvendo a mesma
controvérsia ficarão suspensos, aguardando definição do TJPA sobre aquela
questão de direito.

Para que o IRDR seja instaurado, não pode ter havido afetação de RE/RESP
sob o regime de julgamento de RE/RESP repetitivos. A justificativa para isso é que
se o IRDR for instaurado e julgado, o entendimento adotado valerá, no exemplo,
somente para o TJPA, ao passo que no regime de repetitividade dos recursos
excepcionais, a partir do momento que o STJ fixa um entendimento a respeito da
questão X, esse entendimento valerá para todos os tribunais da federação.

Além dos requisitos positivos previstos no art. 976, I e II, é preciso que não
tenha sido afetado recurso no STJ ou STF para julgamento sob o regime de
repetitividade.

Pode-se verificar a ausência de um requisito à data do requerimento da


instauração do IRDR, como, por exemplo, a ausência de casos repetitivos. Tempos
depois, o requisito que estava faltando surgiu, de modo que os processos
repetitivos foram acontecendo, havendo motivo para a instauração do IRDR. Se em
um determinado momento foi indeferida a instauração do IRDR sob o argumento
de que não havia o preenchimento dos requisitos necessários, pode ser que no
futuro, presentes os requisitos, seja instaurado o IRDR.

§3º A inadmissão do incidente de resolução de demandas


repetitivas por ausência de qualquer de seus pressupostos de
admissibilidade não impede que, uma vez satisfeito o requisito,
seja o incidente novamente suscitado.

48
Processo Civil IV

Diferentemente do que ocorre no IAC, que exige para o seu cabimento que o
incidente seja decorrente da remessa necessária, do recurso ou de processos de
competência originária, no IRDR não existe isso, pois ele pode ser suscitado em
processos ainda em 1º grau, basta que haja a mesma questão de direito. As
hipóteses de cabimento do IRDR são muito mais amplas do que no IAC.

Se as causas estão esparsas em vários tribunais de justiça, ou se pede a


instauração em cada um dos tribunais, ou se pede nos tribunais superiores.

Legitimidade:

O art. 977 aduz quem são os legitimados. O pedido de instauração do


incidente será dirigido ao presidente do tribunal.

Art. 977. O pedido de instauração do incidente será dirigido ao


presidente de tribunal:
I – pelo juiz ou relator, por ofício;
II – pelas partes, por petição;
III – pelo Ministério Público ou pela defensoria Pública, por
petição.
Parágrafo único. O ofício ou a petição será instruído com os
documentos necessários à demonstração do preenchimento dos
pressupostos para a instauração do incidente.

Será feito pelo juiz ou relator, de ofício. O incidente de resolução de


demandas repetitivas não necessariamente precisa ser suscitado por um relator e
não necessariamente a repetitividade deverá ser de processos em tribunal, de
modo que um juiz de primeiro grau pode requerer a instauração do IRDR.

Além do magistrado ou do relator, podem pedir a instauração do IRDR as


partes, por petição apresentada à presidência do tribunal.

Finalmente, poderão suscitar a instauração do IRDR o MP ou a defensoria. O


MP só terá legitimidade para aqueles casos em que é parte ou fiscal da norma
jurídica. Da mesma forma, a defensoria só poderá requerer quando estiver
representando parte em um dos processos múltiplos.

Nas hipóteses em que há litisconsórcio, qualquer litisconsorte poderá


suscitar a instauração do IRDR.

Competência:

Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo


regimento interno dentre aqueles responsáveis pela
uniformização de jurisprudência do tribunal.
Parágrafo único. O órgão colegiado incumbido de julgar o
incidente e de fixar a tese jurídica julgará igualmente o recurso, a

49
Processo Civil IV

remessa necessária ou o processo de competência originária de


onde se originou o incidente.

O presidente do tribunal não tem competência para julgar o IRDR, ele


apenas recebe o requerimento, determina a distribuição para um relator, que vai
analisar a questão de direito. O relator prepara a sua manifestação e leva ao
conhecimento do órgão colegiado previsto no regimento interno do tribunal.

Portanto, quem tem competência para julgar o IRDR não é o presidente,


tampouco o relator, é, na verdade, um órgão colegiado previsto regimentalmente.
O regimento interno do TJPA prevê que será julgado o IRDR nas câmaras cíveis.

50
Processo Civil IV

AULA 12 – 10/04/2017

INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS

O pedido de instauração do IRDR deverá ser endereçado para o presidente


do tribunal. Uma vez apresentado o pedido de instauração, o órgão colegiado
estabelecido regimentalmente deverá fazer a sua admissibilidade. O órgão
colegiado é que tem competência para verificar a legitimidade do IRDR, conforme
está previsto no art. 981. Esse juízo de admissibilidade poderá ser negativo.

Art. 981. Após a distribuição, o órgão colegiado competente para


julgar o incidente procederá ao seu juízo de admissibilidade,
considerando a presença dos pressupostos do art. 976.

Se for positivo o juízo de admissibilidade, o relator do IRDR tomará as


providências do art. 982.

Art. 982. Admitido o incidente, o relator:


I – suspenderá os processos pendentes, individuais ou coletivos,
que tramitam no Estado ou na região, conforme o caso;
II – poderá requisitar informações a órgãos em cujo juízo tramita
processo no qual se discute o objeto do incidente, que as prestarão
no prazo de 15 dias;
III – intimará o Ministério Público para, querendo, manifestar-se
no prazo de 15 dias.

O IRDR provoca a suspensão de todas as ações que estejam tramitando


naquele tribunal envolvendo a mesma questão de direito.

O prazo de suspensão dos processos individuais ou coletivos é de até 1 ano,


contado da data da instauração do IRDR.

Art. 980. O incidente será julgado no prazo de 1 ano e terá


preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam
réu preso e os pedidos de habeas corpus.

O art. 982 exige a manifestação do MP somente em incidentes de resolução


que justifiquem a sua atuação. Se o MP entender que não precisa se manifestar,
deverá aduzir isso.

Ultimadas essas providências, a instauração do IRDR deverá ser divulgada


de maneira ampla, para que se dê publicidade à instauração do incidente.

Após realizado o que está no art. 982, as partes serão ouvidas.

Art. 983. O relator ouvirá as partes e demais interessados,


inclusive pessoas, órgãos e entidades com interesse na
controvérsia, que, no prazo comum de 15 dias, poderão requerer a
julgada de documentos, bem como as diligências necessárias para

51
Processo Civil IV

a elucidação da questão de direito controvertida, e, em seguida,


manifestar-se-á o Ministério Público, no mesmo prazo.

Pode acontecer a participação de amicus curiae no IRDR.

Art. 983, §1º Para instruir o incidente, o relator poderá designar


data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas
com experiência e conhecimento na matéria.

Após essas manifestações, o relator requererá data para julgamento do


IRDR. Evidentemente, o relator confeccionará o seu voto. Nessa seção de
julgamento, o art. 984 prevê:

Art. 984. No julgamento do incidente, observar-se-á a seguinte


ordem:
I – o relator fará a exposição do objeto do incidente;
II – poderão sustentar suas razões, sucessivamente:

a) O autor e o réu do processo originário e o Ministério Público,


pelo prazo de 30 minutos;
b) Os demais interessados, no prazo de 30 minutos, divididos
entre todos, sendo exigida inscrição com 2 dias de
antecedência.

Serão 30 minutos para o autor, 30 para o réu e 30 para o MP. A tese


vencedora deverá ser tomada pela maioria dos membros do plenário (50% +1).

O acórdão fixa a questão de direito controvertida e julga o processo no qual


o incidente foi suscitado.

Esse acórdão do tribunal poderá ser objeto dos recursos excepcionais.


Quem se pedir prejudicado poderá interpor extraordinário, especial ou ambos,
desde que o acórdão tenha provocado as respectivas ofensas.

Esses recursos excepcionais, diferentemente do que acontece em


regra, são dotados de efeito suspensivo, independentemente de o recorrente
ter ou não pedido a concessão de tal efeito.

Art. 987. Do julgamento do mérito do incidente caberá recurso


extraordinário ou especial, conforme o caso.
§1º O recurso tem efeito suspensivo, presumindo-se a
repercussão geral de questão constitucional eventualmente
discutida.
§2º Apreciado o mérito do recurso, a tese jurídica adotada pelo
STF ou STJ será aplicada no território nacional a todos os
processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica
questão de direito.

52
Processo Civil IV

Caso interposto o RE, a repercussão geral é automática, não devendo o


recorrente demonstra-la.

Como serão aplicados os efeitos do julgamento do IRDR? Se o IRDR tiver


sido julgado num tribunal local, os efeitos do acórdão serão produzidos para todo
aquele tribunal. Se algum magistrado ou o tribunal deixar de aplicar aquele
entendimento, caberá à parte interessada promover reclamação constitucional.

Se a decisão for exarada por STF/STJ, ocorrerá o efeito em cascata para


todos os tribunais brasileiros.

Os juizados se submetem ao entendimento adotado no julgamento do IRDR.

Art. 985. Julgado o incidente, a tere jurídica será aplicada:


I – a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre
idêntica questão de direito e que tramitem na área de jurisdição
do respectivo tribunal, inclusive àqueles que tramitem nos
juizados especiais do respectivo Estado ou região;
II – nos casos futuros que versem idêntica questão de drieito e que
venham a tramitar no território de competência do tribunal, salvo
revisão na forma do art. 986.
§1º Não observada a tese adotada no incidente, caberá
reclamação.
§2º Se o incidente tiver por objeto questão relativa a prestação de
serviço concedido, permitido ou autorizado, o resultado do
julgamento será comunicado ao órgão, ao ente ou à agência
reguladora competente para fiscalização da efetiva aplicação, por
parte dos entes sujeitos a regulação da tese adotada.

RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL

Imagine que um juízo de 1º grau resolva inadmitir a apelação na origem


(lembrando que o juízo de admissibilidade, segundo o CPC/2015, será feito
somente no juízo ad quem). O juízo de primeiro grau usurpou a competência do
juízo de segundo grau, avançando em uma competência que não é sua. O
magistrado de primeiro grau, por mais que perceba que o juízo de admissibilidade
deve ser negativo, nada pode fazer, devendo somente abrir prazo para
contrarrazões e subir para que se faça juízo de admissibilidade em segundo grau.

Essa é uma decisão completamente equivocada, em total falta de sintonia


com o sistema recursal atual, portanto, não caberá agravo de instrumento contra
essa decisão. Contra ela não cabe recurso, pois esta decisão interlocutória está
totalmente errada.

53
Processo Civil IV

Sendo assim, contra a decisão de primeiro grau que inadmitiu a apelação


caberá o ajuizamento de uma reclamação constitucional.

Se essa reclamação for julgada procedente, ela tem o condão de cassar a


decisão que inadmitiu a apelação.

A reclamação constitucional, que tem natureza jurídica semelhante a de


uma ação, não se confunde com a ação rescisória. Se a parte ajuizar apenas a
reclamação contra a decisão equivocada, a sentença transitará em julgado. Se nada
fizer e só ajuizar a reclamação constitucional, pode-se entender que a decisão
transitou em julgado e a reclamação não terá como desconstituir a sentença.

Observe que essa decisão que inadmitiu a apelação em primeiro grau é uma
decisão interlocutória, contra a qual, entretanto, não cabe recurso algum. Note
também que a sentença não tem porquê ser desconstituída, pois, apesar de
possivelmente estar errada, processualmente ela está ok, o que não está em
consonância com o ordenamento jurídico é a interlocutória proferida após a
sentença.

O que se recomenda a fazer, portanto, é embargar a interlocutória, evitando


a preclusão. Nos embargos, a parte alegará contradição, uma vez que o juiz
usurpou a competência do tribunal.

Outro exemplo é uma apelação sem efeito suspensivo, na qual o apelante


colocou nas razões do seu recurso o pedido de efeito suspensivo. Como a apelação
é apresentada em primeiro grau, o efeito suspensivo somente deveria ser
analisado no tribunal, entretanto, o juiz do juízo a quo concedeu o efeito
suspensivo à apelação. Está sendo desrespeitada uma regra de competência, de
modo que o instituto que deverá ser utilizado é a reclamação constitucional.

Ações envolvendo estado estrangeiro, organismo internacional de um lado,


pessoa residente no Brasil ou município brasileiro de outro serão de competência
da justiça federal de primeiro grau. O magistrado sentenciou e o prejudicado
interpôs recurso ordinário. O competente para julgar esse RO é o STJ, mas o
recurso foi mandado para o TRF, está sendo desrespeitada a competência
constitucional do STJ de julgar o RO, cabendo, portanto, reclamação.

No julgamento de recursos repetitivos, se o entendimento não for replicado


nos outros tribunais, pode-se ajuizar reclamação.

Outro caso é o tribunal de justiça barrar um extraordinário alegando


ausência de repercussão geral, enquanto que quem tem competência para analisar
a repercussão geral é o STF. Sendo assim, caberá reclamação.

Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério


Público para:
I – preservar a competência do tribunal;

54
Processo Civil IV

II – garantir a autoridade das decisões do tribunal;


III – garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e
de decisão do STF em controle concentrado de
constitucionalidade;
IV – garantir a observância de acórdão proferido em julgamento
de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente
de assunção de competência.

Para garantir a autoridade das decisões do tribunal, a sentença condenou o


réu a pagar R$100.000,00, em segundo grau, o acórdão determinou o pagamento
de R$30.000,00. Efeito substitutivo da decisão. O juízo de primeiro grau é o
competente para executar. Mediante requerimento, o devedor será intimado para
pagamento em até 15 dias. O autor se valeu da sentença para promover a execução,
ignorando o acórdão, não respeitando, portanto, a autoridade da decisão de
segundo grau.

O devedor pode, além de impugnar a execução alegando excesso, apresentar


reclamação com base no inciso II.

Outro exemplo é que a sentença condenou a pagar dano material e moral, o


réu recorreu, o tribunal entendeu que só houve dano material. O autor executou o
dano material e o dano moral, de modo que, além de impugnar a execução, o réu
poderá apresentar reclamação.

Se o magistrado em primeiro grau mandar prender o infiel depositário,


estará violando a Súmula Vinculante nº 25. Poderá pensar na interposição de um
agravo de instrumento, habeas corpus para evitar a prisão e a reclamação para que
a súmula seja respeitada.

O inciso III, por sua vez, traz o caso em que o STF declarou a lei X como
inconstitucional e o magistrado em primeiro grau utilizou a lei X como principal
fundamento de sua decisão. Caberá a propositura da reclamação.

§5º É inadmissível a reclamação:

I – proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada;

Atentando a esse dispositivo, não se pode esquecer de interpor recurso


conjuntamente com a reclamação, a fim de evitar o trânsito em julgado.

55
Processo Civil IV

AULA 13 – 12/04/2017

RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL
Art. 988, §5º É inadmissível reclamação:
II – proposta para garantir a observância de acórdão de recurso
extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão
proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial
repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias.

O STF, no julgamento de um recurso extraordinário repetitivo, fixou um


entendimento X. O entendimento fixado pela corte suprema tem que ser utilizado
nas instâncias ordinárias. Acontece que um magistrado de 1º grau, num
julgamento de ação que envolvia justamente esta questão de direito, entendeu Y,
mas não poderia ter decidido dessa forma, por conta da obrigatoriedade de
utilização do entendimento adotado pelo STF.

Contra essa sentença de primeiro grau cabe apelação, podendo o tribunal de


segundo grau reformar a decisão de primeiro grau, adotando o entendimento
utilizado pela corte suprema. Nesse caso, é mais fácil resolver o problema com a
utilização do recurso cabível, e não com a reclamação.

Se esgotaram as instâncias ordinárias e não está sendo respeitado o


entendimento X, além dos recursos excepcionais, poderá ser apresentada a
reclamação.

Procedimento:

Imagine que a competência do TJPA não está sendo respeitada em


decorrência de um processo instaurado em primeiro grau. Essa reclamação deverá
ser distribuída no TJPA, pois é o órgão cuja competência não está sendo respeitada.

A competência será sempre do tribunal cuja competência não está sendo


respeitada ou cuja autoridade de suas decisões não seja seguida.

Se o TJPA está desrespeitando o entendimento fixado pelo STJ no


julgamento de recursos repetitivos. A reclamação será ajuizada no STJ, porque é a
autoridade de suas decisões que está sendo desrespeitada.

Distribuída a reclamação, observar-se-á:

Art. 989. Ao despachar a reclamação, o relator:


I – requisitará informações da autoridade a quem for imputada a
prática do ato impugnado, que as prestará no prazo de 10 dias;
II – se necessário, ordenará a suspensão do processo ou do ato
impugnado para evitar dano irreparável;
III – determinará a citação do beneficiário da decisão impugnada,
que terá prazo de 15 dias para apresentar sua contestação.

56
Processo Civil IV

O ministro relator do STJ vai solicitar informações ao tribunal local do


porquê que o entendimento adotado em julgamento de recursos repetitivos não
está sendo adotado pelo tribunal local, por exemplo.

Imagine que um juízo de primeiro grau tenha condenado o réu de uma ação
indenizatória ao pagamento de R$50.000,00. O réu condenado interpôs apelação, a
qual tem efeito suspensivo. Na pendência do julgamento dessa apelação não pode
ser feita execução provisória dessa sentença. Em que pese isso, o credor pediu na
vara originária a execução da sentença e o juiz autorizou a execução, com a
realização de penhora de bens do devedor. Após a penhora, ocorrem atos
expropriatórios, de modo que existe lesão grave provocada ao executado. O
executado reclamou que está sendo inobservada uma regra elementar. Com base
nesse inciso II, o relator da reclamação pode atribuir efeito suspensivo para que
não prossiga a execução.

As autoridades prestarão apenas informações, mas quem irá apresentar


contestação é o beneficiário da decisão equivocada.

Se a reclamação for julgada procedente, ela não reforma a decisão, ela cassa
a decisão reclamada.

A diferença de dizer que se reformou a decisão para dizer que ela foi
cassada é o efeito produzido caso a reclamação seja julgada procedente, o que
reforma a decisão, daí a importância de sua utilização também, é o recurso.

O presidente do tribunal competente para julgamento da ação determinará


o cumprimento da decisão que julga a reclamação, que é um acórdão. Pode-se
imaginar, portanto, a interposição de ED, RE e RESP.

A reclamação acaba sendo um sucedâneo recursal, diante do fato de que não


há a possibilidade de interpor agravo de instrumento contra qualquer decisão
interlocutória.

AÇÃO POPULAR Art. 5º, LXXIII, CF


Art. 5º, LXXIII – Qualquer cidadão é parte legítima para propor
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio publico ou
de entidade de que o Estado participe, à moralidade

57
Processo Civil IV

administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e


cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência;

A regulamentação da ação popular se dá através de uma lei ordinária, que é


a Lei nº 4.917/1965, a qual foi recepcionada pela CF/88 e ainda produz
normalmente os seus efeitos.

O cidadão poderá propor ação popular. O cidadão, na qualidade de


substituto processual, estará agindo em seu nome na defesa de seus interesses.

Imagine que a Assembleia Legislativa do Estado tenha aprovado a


demolição do Theatro da Paz. Qualquer pessoa poderá ajuizar ação popular para
defender esse direito.

O que é inafastável é que essa ação seja proposta por um cidadão. Cidadão é
aquele nato ou naturalizado que pode votar e ser votado. É preciso que seja
brasileiro e eleitor.

Acompanhando a petição inicial da ação popular deverá vir anexo o


comprovante de que é eleitor, como a cópia do título de eleitor, por exemplo.

É a forma que a lei prevê de o cidadão participar de atos do governo,


impugnando-os quando não concordar.

Será réu da ação popular em litisconsórcio necessário todas as pessoas que


tiverem autorizado, contribuído e sido beneficiadas pelo ato impugnado pela ação.

Se o autor ajuizar ação popular despropositada, se a ação for julgada


manifestamente infundada, é condenado a pagar 10x o valor da causa.

É possível que se forme litisconsórcio ativo na ação popular, podendo ser


inaugural ou ulterior.

No Brasil há a figura do eleitor que não tem capacidade civil plena, que é
aquele eleitor de 16 e 17 anos, pois não goza de capacidade civil plena. Pode o
eleitor menor de idade ser autor de ação popular? Não podem outorgar poderes
para um advogado, a menos que estejam devidamente assistidos por seus pais e
responsáveis.

O menor de idade e maior de 16 anos não poderá ajuizar ação popular


representado por seus pais se não tiver título de eleitor.

Não há a necessidade de juntada de comprovante de votação, de modo que


não é necessário ter votado na última eleição. No caso do menor de idade que
ainda não votou, ele ainda não exerceu o seu papel de cidadão, de modo que não
poderá ajuizar a ação popular. O entendimento é divergente, mas o que predomina
é este.

58
Processo Civil IV

Nenhuma pessoa jurídica é legítima para o polo ativo, seja de direito


privado ou público.

Busca-se estender a legitimidade ativa para estrangeiros residentes


regularmente no Brasil, o que poderia ser feito por meio de emenda constitucional.

59
Processo Civil IV

AULA 14 – 17/04/2017

AÇÃO POPULAR Art. 5º, LXXIII, CF

Possui lei própria que regulamenta os aspectos procedimentais desta ação.


Tem como objetivo proteger direitos coletivos: probidade administrativa,
patrimônio histórico, meio ambiente, por exemplo. O cidadão que se sentir à
vontade, justamente para proteger esses bens citados, poderá, independentemente
da anuência de quem quer que seja, promover o ajuizamento de uma ação popular.
O cidadão brasileiro, nato ou naturalizado, eleitor, pode promover o ajuizamento
de ações populares. Esta é uma ação privativa de pessoas físicas cidadãs.

A prova da cidadania é exigida no ato da propositura da ação.

Poderá haver litisconsórcio ativo inaugural ou ulterior.

Quanto à legitimidade passiva, a lei exige a formação de um litisconsórcio


necessário passivo. A lei prevê que serão réus da ação popular pessoas jurídicas e
pessoas físicas que tiverem autorizado, participado ou beneficiado atos que
tenham objeto de questionamento na ação popular. Imagine ação popular
colocando como legitimado passivo a união, um ministro de estado, presidente da
República, assessores, procuradores autárquicos, advogados da união que deram
pareceres favoráveis e até mesmo pessoas que foram beneficiadas pelo ato
impugnado.

Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou


privadas e as entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades,
funcionários ou administradores que houverem autorizado,
aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por
omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os
beneficiários diretos do mesmo.

A competência para julgamento é, independentemente de quem seja o réu,


esta será uma ação de competência de varas. Ainda que exista uma ação popular
proposta contra o presidente da República, a ação é de competência de vara,
obviamente por envolver o interesse da união federal, no caso, será de
competência da justiça federal.

Se o secretário se baseou em pareceres de procuradores, esses


procuradores também serão colocados como legitimados passivos. Imagine que o
desmatamento da área será para fazer uma fazenda no local, os beneficiados serão
colocados como legitimados passivos.

Todas as pessoas que tiverem relação com o objeto da ação popular serão
colocadas como legitimados no polo passivo da ação popular.

60
Processo Civil IV

A Lei nº 4.017 prevê que se no curso da ação popular forem identificados


novos responsáveis pelo ato impugnado, essas pessoas serão citadas para
integralizarem o polo passivo da ação popular. O interesse maior é a apuração do
fato e consequente sanção civil para todas as pessoas envolvidas.

Em que pese ser um litisconsórcio necessário, não é um litisconsórcio


unitário, ou seja, o conteúdo da decisão final a ser prolatada na ação popular não
necessariamente terá que ser o mesmo para os litisconsortes passivos. Sendo
assim, é litisconsórcio simples.

Empresas públicas poderão ser rés em ações populares, desde que tenham
capital público, como é o caso da Petrobras.

A ação é proposta na defesa dos entes, porque a partir do momento que se


ingressa com ação que busca a sanção civil do servidor e pensa em ressarcimento
ao erário, quem será beneficiado com o provimento da ação será o poder público.
Inclusive, a Lei nº 4.017 possibilita que as pessoas de direito público ou privado
não contestem a ação e passem a auxiliar o autor popular. Isso ocorre porque a
ação popular não é proposta contra a pessoa jurídica, mas em defesa dela.

Uma vez proposta a ação, os órgãos de representatividade da pessoa


jurídica podem chegar à conclusão de que realmente houve lesão à pessoa jurídica,
o Estado tem interesse no desfazimento do ato e aplicação de sanção civil a todas
as pessoas que prejudicaram a pessoa jurídica. Sendo assim, a pessoa jurídica
pode, ao invés de contestar o ato, transferir-se para o polo ativo e dar assistência
ao autor. As pessoas jurídicas só contestarão a ação se elas entenderem que o ato
questionado está correto. Art. 6º, §3º.

Só as pessoas jurídicas podem se abster de contestar, pessoas físicas têm


que contestar, sob pena de serem aplicadas à elas as consequências da revelia.

Se não houver beneficiário do ato lesivo, a ação será proposta contra as


outras pessoas indicadas no art. 6º.

O MP tem participação obrigatória nas ações populares, na qualidade de


fiscal da norma jurídica. Além disso, o MP não defenderá pessoa alguma, mas tão
somente atuará como fiscal da lei.

A pessoa jurídica não pode tomar a iniciativa de ajuizar a ação popular, mas
poderá ajuizar outras ações.

Competência Art. 5º

Essa é uma ação de competência de juízo de primeiro grau, dependendo do


interesse da união (para ser federal) ou estados/municípios (para ser estadual).

61
Processo Civil IV

Se o presidente é demandado em uma ação popular, não é a AGU que fará


sua defesa, mas sim um advogado particular. A AGU cuidará dos interesses da
pessoa jurídica, mas não da pessoa do presidente.

Deve-se verificar se o dano foi provocado de maneira local, de maneira


regional ou nacional. O foro será o do dano. Se ocorreu dano em Ananindeua,
deverá ser ajuizada em Ananindeua.

Se o dano foi regional, ocorrendo em vários locais, poderá ser ajuizada a


ação popular em qualquer um deles. A simples propositura da ação gera a
prevenção do juízo, ou seja, o juízo prevento será o que tiver primeiramente
recebido a petição inicial.

Poderá, entretanto, formar litisconsórcio ativo ulterior, unindo os autores


que apresentaram pedidos.

No caso de danos nacionais, a doutrina recomenda que a ação popular seja


proposta ou na capital federal, ou nas capitais de estados.

Em que pese a ideia de incompetência relativa, não se pode tomar a regra de


processo individual para o processo coletivo. Se a ação é proposta em uma
comarca que nada tem a ver com o caso, o juízo que recebeu a ação deve mandar
redistribui-la de ofício. Em processos coletivos existem princípios que permitem
que o juízo se manifeste de ofício acerca da competência territorial, que em
processos individuais é relativa, é o princípio da competência adequada.

Quando o pleito interessar simultaneamente à união e à qualquer pessoa ou


entidade, será competente o juiz das causas da união. Ou seja, se ao mesmo tempo
estão envolvidos união, dois ou mais estados, dois ou mais municípios, a ação será
de competência da justiça federal, pois o ente maior acaba se sobrepondo.

Procedimento

A petição inicial da ação popular deverá vir acompanhada da prova da


cidadania (comprovante de eleitor). Muito provavelmente haverá pedido de
concessão de tutela provisória na petição inicial da ação popular.

Concessão de providência liminar significa dizer sem a oitiva da parte


contrária, podendo ser concedida inaudita altera pars, deixando a manifestação
dos réus para um momento posterior.

Se é tutela provisória, deferida ou não, caberá a interposição do recurso que


ataca tutelas provisórias, que é o agravo de instrumento, no art. 1.015, I, CPC.

O art. 7º, IV prevê que o prazo de contestação é de 20 dias, prorrogáveis por


mais 20. Ou seja, pode-se ter 40 dias para oferecimento de defesa.

62
Processo Civil IV

O prazo será comum, ou seja, pessoas jurídicas de direito público não terão
prazo dobrado.

O dispositivo fala que o prazo só será prorrogado mediante pedido do réu e


com justificativa do motivo pelo qual precisa ser prorrogado.

Esgotado o prazo de oferecimento de contestação, o procedimento será


semelhante ao comum. Entretanto, deve-se atentar à conciliação. A conciliação é
possível em ações populares, mas o cidadão não pode conciliar prejudicando o
interesse coletivo.

No curso da instrução, descobriu-se mais um demandado que não foi


arrolado inicialmente. Em razão de ser ação popular e do interesse público, o que
ficou faltando poderá ser integralizado à relação processual.

Ações populares isentam o autor do pagamento de custas, contudo, de


acordo com o art. 13, a sentença que julgar a ação manifestamente temerária
condenará o autor ao pagamento de 10x o valor das custas.

Se a sentença for de carência do direito de ação ou de improcedência do


pedido do autor, ela se sujeitará à remessa necessária. Há a diferença em
relação às ações que condenam a administração pública, pois a regra estudada até
então é que a remessa necessária acontecerá quando a administração pública é
condenada. Entretanto, no caso da ação popular ocorrerá remessa necessária
quando a ação for julgada improcedente ou se ficar reconhecida a carência de ação.
Dentro da perspectiva de que a ação popular não é proposta contra a
administração, mas sim em benefício dela, a decisão de improcedência da ação
popular, em sua essência, é desfavorável à administração, pois na ação popular o
autor defende direitos coletivos referentes a atos praticados pela administração
pública.

Das decisões interlocutórias cabe agravo de instrumento, devendo-se


observar o cabimento do CPC/2015.

A lei da ação popular estabelece, nos termos do art. 7º, VI, que quando a
audiência não tiver sido prolatada na audiência de instrução e julgamento, o juiz
tem o prazo de 15 dias para fazê-lo. O proferimento da sentença fora do prazo de
15 dias, o juiz será penalizado, demonstrando a intenção do legislador de fazer
com que o juiz julgue logo a ação popular.

Entretanto, o juiz pode justificar a extrapolação do prazo de 15 dias, desde


que demonstre justo motivo.

O art. 9º da lei de ação popular prevê que se o autor desistir da ação popular
ou abandona-la, serão publicados editais, ficando assegurado a qualquer cidadão,
bem como ao representante do MP, promover o prosseguimento da ação.

63
Processo Civil IV

O MP não tem legitimidade originária, mas pode vir a ter legitimidade


ulterior, em razão da desistência ou do abandono.

Na ação popular existe a possibilidade de o autor formular pedidos de


invalidação do ato e condenação a uma indenização, restituição de valores ao
erário, por exemplo. Se a ação for julgada procedente, o juiz decretará a invalidade
do ato e condenará os responsáveis pelos danos patrimoniais eventualmente
causados. Essa condenação de valores pode fazer com que os réus se sujeitem a
sequestro e arresto de bens, que serão utilizados como forma de indenizar os
cofres públicos. A responsabilidade dos réus é individual.

A lei prevê que os efeitos da sentença de procedência da ação popular são


erga omnes, pois o cidadão ajuíza a ação em nome próprio, mas em defesa de
direito coletivo, de modo que os efeitos devem ser interpretados de maneira
macro.

Entretanto, se a ação popular for julgada improcedente por ausência de


provas qualquer cidadão poderá reajuizar a ação. Isto difere dos processos
individuais, onde haveria a formação de coisa julgada. Nos casos de ação popular,
poderá ser reajuizada a ação popular, como dito. Nesse caso, haverá a formação da
coisa julgada, mas não haverá a imutabilidade da decisão.

Das decisões tomadas na ação popular podem recorrer as partes, assim


como qualquer cidadão poderá recorrer, ainda que não seja parte. O MP também é
legitimado para recorrer das decisões.

Há prazo prescricional para a propositura da ação popular, previsto no art.


21, que é de 5 anos, contados a partir do momento que se toma conhecimento do
ato que poderá ser objeto de impugnação na ação.

64
Processo Civil IV

AULA 15 – 19/04/2017

MANDADO DE SEGURANÇA Lei nº 12.016

O mandado de segurança tem suas bases na Constituição Federal: art. 5º,


LXIX e LXX. Além da base constitucional, o MS possui uma lei específica que cuida
de seus aspectos procedimentais: Lei nº 12.016.

O mandado de segurança é um remédio utilizado na defesa de direito


líquido e certo, o qual foi ofendido ou que está em vias de sofrer agressão. Há,
portanto, a possibilidade do mandado de segurança ser impetrado
preventivamente ou repressivamente.

O indivíduo fez concurso e passou, mas ao invés de ele ter sido empossado,
nomearam outra pessoa que sequer prestou o concurso. Claramente há a
possibilidade de impetração do mandado de segurança.

É importante ter em mente que o mandado de segurança não é uma ação


indenizatória, o que se busca é a obrigação específica, e não o recebimento de
indenização, seja moral ou material. O mandado de segurança objetiva o alcance da
prestação in natura.

As petições iniciais de mandado de segurança que peçam a produção de


provas podem, inclusive, ser consideradas ineptas.

Ou há prova documental do direito líquido e certo e faz jus ao mandado de


segurança, ou não há razão para insistir no mandado de segurança.

Poderá ser classificado, primeiramente, entre mandado de segurança


preventivo ou repressivo. Preventivamente o dano ainda não aconteceu e a pessoa
que tem o direito líquido e certo opta por ajuizar logo o direito líquido e certo.
Repressivo é quando o direito líquido e certo já foi ofendido.

O mandado de segurança também pode ser classificado como individual ou


coletivo.

Mandados de segurança individuais são aqueles impetrados pelo titular do


direito líquido e certo. Mandados de segurança individuais podem ser plúrimos, ou
seja, litisconsórcio ativo. Mandados de segurança plúrimos não são coletivos, pois
há autores na defesa de seus direitos líquidos e certos.

Será coletivo quando, por exemplo, o mandado for impetrado por um


partido político, o qual, em nome próprio, estará defendendo direito líquido e certo
da coletividade. Quando proposto por um sindicato, o sindicato estará defendendo
direito líquido e certo de seus sindicalizados.

65
Processo Civil IV

AULA 16 – 24/04/2017

MANDADO DE SEGURANÇA Lei nº 12.016

O mandado de segurança será preventivo quando ocorrer ameaça de lesão


ao direito líquido e certo, ao passo que será repressivo quando é impetrado para
reparar lesão já ocorrida.

O mandado de segurança poderá ser proposto sob a forma individual ou


coletiva. Será individual quando o impetrante age em nome próprio na defesa de
seu direito. Em mandado de segurança individual poderá haver litisconsórcio
ativo, o que não fará com que ele perca a sua qualidade de MS individual.

Por sua vez, o mandado de segurança coletivo é aquele impetrado por


alguns legitimados previamente estabelecidos pela legislação processual, como
associações, entidades sindicais. Em todas as hipóteses, os legitimados agem em
nome próprio na defesa do direito da coletividade. Há claramente a figura do
substituto processual: o sindicato age em nome dos sindicalizados.

O mandado de segurança pode ser impetrado nas mais variadas instâncias.


Há mandados de segurança de competência do STF, do STJ, do TRF, TJ ou de vara.
Essa é uma demanda que pode ser proposta desde o STF até as varas comuns. O
que define onde será distribuído o mandado de segurança é o status da autoridade
coatora.

Dessa forma, a análise da competência sempre deve começar do STF, que


tem a competência disposta no art. 102, I, “d”, CF.

Art. 102 Compete ao STF, precipuamente, a guarda da


Constituição, cabendo-lhe:

I – processar e julgar, originariamente:

d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas


nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas data
contra atos do presidente da República, das mesas da câmara dos
deputados e do senado federal, do tribunal de contas da união, do
procurador geral da República e do próprio STF;

Nesse caso, o mandado de segurança é impetrado diretamente no Supremo,


processado lá e julgado lá. Isso acontece, por exemplo, se o mandado de segurança
for impetrado contra o presidente da República. É o que acontece quando o ato
questionado tiver sido praticado pelas mesas da câmara dos deputados ou do
senado. O mesmo ocorrerá se a autoridade coatora for o PGR.

Se não é de competência do STF, pode ser de competência do STJ, seguindo


o art. 105, I, “b”, CF:

66
Processo Civil IV

Art. 105 Compete ao STJ:

I – processar e julgar, originariamente:

b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de


ministro de estado, dos comandantes da marinha, do exército e da
aeronáutica ou do próprio tribunal;

Se não forem essas autoridades mencionadas, não será competência dos


tribunais superiores, vez que os dispositivos da Constituição que tratam de
competência dos superiores em MS são taxativos.

Se não é STF ou STJ, pode ser competência de tribunal.

Art. 108 Compete aos tribunais regionais federais:

I – processar e julgar, originariamente:

c) os mandados de segurança e os habeas data contra ato do


próprio tribunal ou de juiz federal;

Se não é de competência de TRF, pode ser de competência de tribunais de


justiça. A competência do TJPA está na constituição estadual, são exemplos:
governador, secretários de estado, desembargadores do TJPA, dentre outros.

Se não é de competência do Supremo, nem do STJ, nem do TRF, nem do TJ,


por exclusão, será de competência de vara, sendo vara federal (se a autoridade for
da administração pública federal) e de varas estaduais fazendárias (se a autoridade
for estadual ou municipal).

A ação de mandado de segurança não pode tramitar em juizados.

Qual a natureza jurídica do mandado de segurança? Não é recurso, vez que a


lei não lhe confere tal natureza jurídica.

O mandado de segurança é, na verdade, uma ação. A natureza jurídica do MS


é uma demanda, mas não se busca uma indenização por meio de MS, o MS é uma
ação que objetiva o cumprimento específico de obrigações por parte da
administração. Quando se move o mandado de segurança, busca-se o cumprimento
in natura de determinada obrigação, para que a administração pública seja
condenada a fazer ou não fazer algo.

O real significado de direito líquido e certo é a comprovação de fatos líquidos


e certos, isto é, os fatos são tão evidentes que já estão comprovados
documentalmente, não precisam de comprovação em instrução processual. Se o
impetrante pedir para produzir prova, a petição inicial do mandado será
indeferida.

67
Processo Civil IV

Se a prova que o impetrante dispõe não é capaz de comprovar de modo


imediato o direito, é melhor procurar uma ação de conhecimento.

Em alguns casos, o MS é utilizado como sucedâneo recursal, fazendo papel


de recurso nos casos em que a decisão judicial não pode ser recorrida de imediato,
como nos casos das decisões interlocutórias que não podem ser objeto de agravo
de instrumento.

O art. 5º, LIX, CF exige a existência do direito líquido e certo, o qual já


deverá estar provado documentalmente.

O mandado pode ser impetrado sem a prova do direito líquido e certo


quando ela ainda está nas mãos da autoridade coatora. Pode-se ajuizar o MS
alegando o direito líquido e certo, mas sem prova-lo documentalmente, desde que
alegue que o documento está com a autoridade coatora. A autoridade coatora será,
portanto, intimada para apresentar o documento.

O MS é utilizado por exclusão, ou seja, se não é caso de habeas corpus ou


habeas data, pode ser caso de MS.

O ato questionado deve ser de responsabilidade de autoridade pública ou de


agente do poder público no exercício de suas funções.

O ato praticado ou em vias de ser praticado deve ser marcado por


ilegalidade ou pelo abuso de poder.

Existem atos vinculados (previamente estabelecidos em lei) e atos


discricionários da administração pública e ambos podem ser objeto de mandado
de segurança. Se o ato discricionário desrespeitou os princípios dos atos da
administração pública, pode-se pensar na utilização do remédio, que é a
administração pública.

Existe um quinto requisito, previsto na legislação extravagante: o prazo


decadencial de 120 dias. Essa previsão está na Lei nº 12.016. O STF foi chamado
para se manifestar a respeito, pois existia entendimento de que prazo para
impetrar MS seria inconstitucional, vez que não está na CF. O STF entendeu que
não é inconstitucional e sumulou, estabelecendo a constitucionalidade do prazo
para propositura da ação, contados do conhecimento do ato. Como é ato praticado
pela autoridade pública, o ato tem que ser público.

Pode ser impetrado MS contra ato omissivo, que é o que acontece quando a
pessoa passou no concurso e não foi nomeada.

68
Processo Civil IV

AULA 17 – 26/04/2017

MANDADO DE SEGURANÇA Lei nº 12.016

São 5 requisitos para cabimento do mandado de segurança, tanto para os


individuais, quanto para os coletivos.

O impetrante deve provar documentalmente a presença do direito líquido e


certo. Não pode ser caso de habeas corpus e habeas data, de modo que o MS é
utilizado por exclusão. O ato questionado pelo impetrante deve estar marcado por
abuso de poder ou por ilegalidade. Esse ato comissivo ou omissivo deve ter sido
praticado por autoridade pública ou por pessoa no exercício de função pública. O
MS deve ser impetrado dentro do prazo de 120 dias, o qual possui natureza
decadencial e improrrogável.

Os 120 dias são contados de maneira corrida.

Legitimidade ativa

MS individual

Diferentemente do que acontece nas ações populares, as quais só podem ser


propostas pelo cidadão, o MS não tem limitação, podendo ser impetrado por
pessoa física, jurídica, física não cidadã, estrangeiro... qualquer pessoa.

Admite-se MS de pessoa jurídica de direito público contra pessoa jurídica de


direito público. Município contra a união, por exemplo.

É possível a formação de litisconsórcio entre legitimados ativos, o que


define quantos são os impetrantes é a quantidade de titulares do mesmo direito
líquido e certo.

A lei de MS prevê que o litisconsórcio ativo só poderá ser feito de maneira


inaugural, isto é, se não for feito no momento de impetrar o MS, não poderá ser
feito posteriormente. A lei impede, contudo, a formação do litisconsórcio ulterior,
com a justificativa de que isso poderia provocar ofensa ao princípio do juízo
natural, pois os ulteriores estariam escolhendo aonde demandar, diferentemente
de quem ajuizou a ação, que teve sua ação distribuída aleatoriamente.

Há quem entenda que pode, sim, ocorrer a formação de litisconsórcio


ulterior. O limite de tempo é a prestação de informações da autoridade coatora,
não permitindo que novos litisconsortes integrem o polo ativo.

MS coletivo

Art. 5º, LXX, CF:

69
Processo Civil IV

Qualquer partido político que tenha mínima participação no congresso é


legitimado a impetrar mandado de segurança coletivo. Participação no congresso
significa dizer que basta uma vaga no congresso, já haverá legitimidade.

Existe um entendimento de que os partidos políticos só teriam legitimidade


para defender os interesses de seus afiliados.

Tem legitimidade as organizações sindicais, que defenderão os interesses


daquela determinada categoria.

As entidades de classe também têm legitimidade, da mesma forma,


defendendo os interesses daquela categoria, salvo uma entidade de classe: a OAB.
A OAB não é apenas uma entidade de classe, pois zela pelos interesses coletivos de
um modo geral.

Finalmente, tem legitimidade as associações legalmente constituídas e em


funcionamento a pelo menos 1 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou
associados. É preciso que a associação esteja defendendo direito líquido e certo de
seus associados.

Nas hipóteses da letra “b” (entidades sindicais, entidades de classe a


associações) a doutrina fala de pertinência temática, que é um elo de ligação do
ente com os representados e o direito líquido e certo envolvido.

O ministério público também tem legitimidade para impetrar mandado de


segurança. Mais que isso, tem o dever institucional de defender os interesses
coletivos.

Legitimidade passiva

É a autoridade coatora. A lei exige que além de se notificar a autoridade


coatora, também se dê ciência à pessoa jurídica de direito público da qual ela faz
parte.

Nesse caso, existe a formação de um litisconsórcio passivo necessário.

A pessoa jurídica de direito público arcará com as consequências de


eventual procedência do mandado de segurança.

Essa cientificação da pessoa jurídica de direito público deverá ser realizada


nos órgãos de representação (PGE, AGU, procuradoria do município... dependendo
de qual for a pessoa jurídica de direito público).

A pessoa jurídica de direito público, uma vez cientificada, pode participar do


mandado de segurança. Pode recorrer, pode atuar no processo, em geral. Art. 7º da
lei de MS.

70
Processo Civil IV

Também é preciso que dependendo do MS seja cientificado um possível


interessado. Terceiros interessados no eventual mandando de segurança.
Terceiros que possam ser prejudicados pela decisão a ser tomada na ação.

A pessoa que tomou posse no cargo e não poderia, em razão do concurso


público, é terceiro interessado, tendo o direito de contestar o mandado e recorrer
da decisão.

Súmula 631, STF.

Não é todo MS que exigirá a participação de um terceiro.

A autoridade coatora, quando presta as informações, está representando a


pessoa jurídica de direito público.

A pessoa jurídica de direito público, além de poder recorrer da decisão que


concede a liminar, ela pode se valer do pedido de suspensão de segurança.

A petição inicial evidentemente deverá preencher os requisitos do art. 319


do CPC. Todos os elementos que compõem qualquer petição inicial devem ser
observados na petição inicial do MS, exceto o requerimento de provas, pois não se
produz prova em mandado de segurança, já que o direito líquido e certo deve estar
comprovado documentalmente.

71
Processo Civil IV

72