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SEMINÁRIO TEOLOGICO BATISTA DO NORDESTE

DISCIPLINA: ANTIGO TESTAMENTO II


PROFESSOR: DAVID COSTA
ALUNO:JEISON SORIANO SILVA
PERÍODO : 3 SEMESTRE

AVALIAÇÃO II - Livros Poéticos e Sapienciais

1. Os livros de Salmos podem ser classificados de várias formas, como objetivo


de melhor entendimento deles. Classifique os Salmos pelo gênero literário,
por assunto, e por autores.

Os Salmos são uma verdadeira coleção de orações, em hebraico é chamado de


Seper Tehillim ou livro de hinos. A palavra "Salmo" originalmente significava uma
música cantada com acompanhamento de harpa ou de um instrumento de cordas
semelhante. Desta forma podem ser divididos em algumas classificações.

Vamos iniciar classificando pelo gênero literário. Josef Schreiner em sua obra,
Palavra e mensagem do Antigo Testamento classifica da seguinte maneira:
 De lamentação e de imprecação
 De Ação de graças.
 Hinos.
 Da realeza de Iahweh.
 Do reino de Sião.
 Sapienciais

Ivan Pereira Guedes classifica por assunto da seguinte forma:


 Salmos de Petição:
 Súplicas e Lamentos da Comunidade: 12, 44, 58, 60, 74, 77, 79, 80, 82,
83, 85,90, 94, 106, 108, 123, 125, 126, 129, 137. Enfatizando a
confiança: 115, 125, 129.
 Súplicas e Lamentos do Individuo: 3-7, 9-11, 13, 16, 17, 22, 23, 25, 26,
27:7–14, 28, 31, 32, 35, 36, 38, 39, 43, 51, 54, 55, 56, 57, 59, 61, 63,
64, 69, 70, 71, 86, 88, 102, 109, 120, 130, 140, 141, 142, 143.
Enfatizando a confiança: 3, 4, 11, 16, 23, 27:1–6, 62, 63, 67, 91, 121,
131
 Salmos Imprecatórios: 7, 28:4 ss., 35, 54:5, 55:15, 56:7, 58, 59, 69, 79,
83, 109, 137, 139.
 Salmos Penitenciais: 6, 32, 38, 51, 102, 130, 143
 Salmos de Louvor (Ações de Graças): 18.3-7, 30, 32.3-7, 34, 40:2–12, 41.5-13,
52, 65, 66.13-20, 67, (68?), (75?), 92, 107, 116, 124, 136, 138, 139
 Hinos (Adoração): 8, 19, 29, 33, (47), 65, 66, 67, 68, 93, (96-99), 100, 103, 104,
105, 111, 113, 114, 117, 118, 135, 136, 145-150.
 Salmos Litúrgicos:
 Salmos do Pacto: 50, 78, 81, 89, 132
 Salmos de Entronização Real: 2, 8, 15, 18, 20, 21, 24, 29, 33, 45, 47,
50, 66, 72, 81, 84, 93, 95-99, 101, 103, 110, 114, 118, 132, 144, 149.
 Salmos de Sião: 46, 48, 76, 84, 87, 122
 Salmos do Templo: 15, 24, 68, 82, 95*, 115, 134
 Salmos Didáticos:
 Salmos Acrósticos: 9-10, 25, 34, 37, 111, 112, 119, 145 [Pv 31.10-31].
 Salmos Sapienciais: 1, 37, 49, 73, 78, 91, 101, 112, 119, 127, 128, 133.
 Salmos Históricos: 8, 19, 29, 33, 46, 47, 48, 76, 84, 87, 93, 96, 97, 98,
99, 103, 104, 105, 106, 113, 114, 117, 122, 135, 136, 137
 Salmos Messiânicos: 2, 8, 16, [21], 22, [23, 24, 34], 40, 41, 45, [61], 68, 69, [72,
75], 89, 91, 97, 102, 109, 110, 118, 132

Por autores temos a seguinte classificação:


 Davi 73 salmos atribuem-se a ele nos títulos hebraicos (dois criticamente
duvidosos); o grego lhe acrescenta outros 14; em latim se lhe atribuem 85.
 Asaf aparece como autor de doze,
 Família Coré, de onze;
 Salomão leva um ou dois
 Moisés um;
 Jeremias um segundo a Vulgata;.
 No hebraico figuram 52 salmos sem nome de autor.

GUEDES, Ivan Pereira. Classificação dos Salmos. Disponível:


http://reflexaoipg.blogspot.com/2017/06/classificacao-dos-salmos.html Acessado em
06 maio 2019

SCHREINER, Josef. Palavra e Mensagem do Antigo Testamento. São Paulo: Editora


Teológica, 2004

FEE, G. D. & STUART, D. Entendes o que lês. Um guia para entender a Bíblia com o
auxílio da exegese e hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 1997.

2. A palavra hebraica "selá" aparece 77 vezes no Livro de Salmos. Quais os


possíveis significados para essa palavra?

Sabemos que os Salmos eram entoados na liturgia do culto hebraico e por este
motivo acompanhados de instrumentos musicais. O termo “selá” encontrado neste
livro é encontrado por diversas vezes e seu significado é muito discutido e não tem um
parecer definitivo sobre o assunto.

Os estudiosos atribuem alguns possíveis significados a este termo encontrado


no livro de Salmos que podemos demonstrar.

Alguns estudiosos atribuem que essa palavra se referia a um sinal litúrgico, onde
talvez indicasse um movimento corporal, como o ato de elevar as mãos em atitude de
oração. Defendem estes que nesse caso, a palavra poderia ser derivada de salal,
“elevar”.

Há também outros que consideram que essa palavra poderia ser um lembre-te
para que o verso fosse repetido, assim seria transmitido o sentido de “elevar-se os
olhos” voltando ao início do verso.

Vemos alguns outros, que defendem que essa palavra tenha sido derivada de uma
raiz aramaica, sl, que significa “prostrar-se”, assim, portanto, seria um sinal para que
num determinado ponto o adorador devesse se prostrar.

Outra sugestão de interpretação sugere que Selá seria um tipo de expressão de


adoração que era utilizada na liturgia, talvez transmitindo o algo semelhante às
palavras Amém e Aleluia. A Vulgata, a tradução da Bíblia para o latim, parece
favorecer esse sentido, traduzindo a palavra Selá em um sentido de “para sempre”.

A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, traduz a palavra Selá


por diapsalma, o que provavelmente implica num intervalo, interlúdio musical,
mudança de tom ou até mesmo num comando para que o instrumental fosse tocado
mais forte, ou a própria voz fosse entoada com mais intensidade. Apesar das demais
sugestões, essa última é a mais aceita como o provável significado de Selá na Bíblia.

DARYL J. Lucas. Dicionário bíblico ilustrado para a família. São Paulo: Eclesia, 1998

DAVIS John H. Dicionário da Bíblia. São Paulo: Hagnos, 2005

3. Que Papel a literatura de sabedoria deve ter na educação da igreja cristã


contemporânea? Há espaço para o "sábio" na atual igreja?

Primeiro precisamos conceituar o termo sabedoria no contexto bíblico. O termo


utilizado na Bíblia é hokmâh (ser sábio). Podemos observar a presença desse termo
nos livros de Jó, Provérbios e Eclesiastes estes classificados como sapenciais.

Em textos diversos do Antigo Testamento, a sabedoria está ligada a aptidões em


relação “ao funcionamento das artes, ao aconselhamento, à administração de pessoas
ou tarefas ou à sagacidade intelectual”. Isso é verificável em textos como: a) Êx 28.3:
os alfaiates que confeccionavam roupas para o sacerdote Arão; b) Êx 35.30-36.2: os
trabalhadores que construíram o Tabernáculo - trabalhos com metais, escultores em
pedra, em madeira, bordadores, tecelões e designers, e c) Êx 35.25-26: mulheres que
fiavam tecidos e linho.

Assim, embora seja difícil definir sabedoria, por meio do termo hokmâh é possível
dizer que a sabedoria designa a capacidade, inata ou adquirida, do ser humano de
bem conduzir a própria vida. Ela pode sim ser inata no ser humano, mas também é
enriquecida com a experiência pessoal, com observações e reflexões, bem como por
formas de educação.

Diante dessa informação podemos notar claramente a importância do ensino no


ambiente cristão pois através da educação os “membros” obterão conhecimentos
necessários para conduzir a vida e para desenvolver habilidades que possam
contribuir para o desenvolvimento pessoal.
Hoje percebemos um fenômeno que tem afastado as artes das igrejas e as
relegado um papel secundário dentro da liturgia com a secularização da mesma. A
igreja de Roma já foi uma das maiores patrocinadoras da arte com as pinturas, vitrais
e estátuas, mas após a reforma protestante muitos caíram no erro de acreditar que
arte não tem valor religioso e não valorizam o valor da arte em si.

ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São


Paulo: Vida Nova, 2009

4. O que Provérbios 31.10-31 sugere sobre o papel de algumas mulheres no


antigo Israel?

O livro de Provérbios nos apresenta como tema central e relevante a


sabedoria. Neste livro ocorre um fato curioso que é a personificação na mulher da
sabedoria. Essa representação ocorre por meio de duas imagens. Nos capítulos
iniciais vemos uma mulher retratada como alguém que sai pelas ruas ensinando aos
jovens. Já no final do livro vemos uma representação da mulher perfeita.

O texto citado de Provérbios 31: 10-31 possui uma das características da


poesia hebraica que é a escrita de forma acróstica. Esse acróstico é construído a partir
do alfabeto hebraico. Este poema escrito dessa forma demonstra a grandeza dessa
mulher e enfatiza que ela é muito competente e cumpre suas obrigações com
presteza.
Esse talento e grandeza demonstram que ela faz mais do que cumprir com sua
obrigações e revelam que ela é o símbolo da sabedoria.

Ceresko faz uma citação de Claudia Camp. Ela afirma que:

essas imagens femininas nos Provérbios constituem uma


legitimação simbólica da promoção do status das
mulheres no período pós-exílico. Com o final da
monarquia, o lar emergiu como foco central da identidade
e da vida da comunidade judaica. O papel central da
mulher na criação e manutenção do lar tornou-se uma
metáfora do papel de Deus como Genitor Divino que cria
e mantém a morada da comunidade humana.

Desta forma podemos notar que o papel da mulher naquela sociedade era
relevante e o uso de suas habilidades e talentos para cuidar de sua família era algo
valorizado.

Esse pensamento não é consenso entre os autores. Kidner, por exemplo,


discorda dessa opinião e acredita que esta mulher apresenta um padrão elevado e
isso não é habitual, pois ela possui certa posição, muitos bens materiais e
empregados. Demonstra ser uma pessoa de certa influência e responsabilidade, algo
não habitual no contexto da sociedade.

CERESKO, Anthony R. A sabedoria no Antigo Testamento: espiritualidade


libertadora. São Paulo: Paulus, 2004

KIDNER, Derek. Provérbios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1990.

KUNZ, Marivete Zanoni. A atuação da mulher no Antigo Testamento e seu papel na


sociedade. On-line. Revista Batista Pioneira v.3, nº1, Junho 2014. Disponível:
http://revista.batistapioneira.edu.br/index.php/rbp/article/view/46/55. Acesso em 05
maio 2019

5. O que é " o temor do Senhor?" Como essa ideia se relaciona aos


ensinamentos da lei de Moisés?

"O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é


entendimento. Pv 9:10. Esse texto nos ajuda a compreender o significado do termo
bíblico “Temor do Senhor”. Deus é a fonte do conhecimento e da sabedoria e somente
aqueles que buscam conhece-lo poderão obter os benefícios advindos dessa relação.

Após compreender melhor o significado do termor podemos correlacionar


corretamente com as orientações do Pentateuco. Se obedecer a Deus favorece ao
homem para que o mesmo obtenha sabedoria e conhecimento vindo do alto, aquele
que segue os mandamentos dados por Deus diretamente a Moisés, obtêm as
recompensas desse comportamento.
Já os que não agem da mesma maneira e conduzem as suas vidas segundo
sua própria vontade também colherão os frutos de suas decisões. Este é o princípio da
retribuição, onde bênçãos e maldições são resultados da observância ou não das
ordenanças divinas ao seu povo.

O maior benefício advindo de tal atitude é o desenvolvimento do caráter


daquele que teme a Deus e segue o caminho da sabedoria.

Nesse sentido Andrew E. Hill declara:

Mais que prosperidade material, os melhores


frutos do conhecimento são as qualidades de caráter
pessoal como discrição, prudência, bom senso, boa
conduta, justiça e integridade.

HILL, Andrew E., Panorama do Antigo Testamento, São Paulo: Editora Vida, 2007

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