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INSTALAÇÕES ELÉTRICAS PREDIAIS DE BAIXA TENSÃO – NBR 5410

A) CONCEITO:

As Instalações Elétricas existem para dar conforto aos habitantes das moradias, fornecendo luz, calor
e até mesmos garantindo temperaturas baixas nos freezer e geladeiras. Além dessas comodidades, uma coisa
é primordial é a segurança, daí a necessidade de sabermos como desenvolver um projeto correto das
Instalações Elétricas Prediais.

B) PARTES DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS:

b-1) Fornecimento de Energia: Toda moradia poderá ter fornecimento publico na tensão de 110/127V
(Volts) ou 220V (Volts). A tensão de 127V é denominada de monofásica (um fio fase + um fio neutro) e a
tensão de 220V é denominada de bifásica (dois fios fases + um fio neutro).
b-2) Toda moradia, por mais simples que seja deverá ter a sua distribuição elétrica interna, dividida
em circuitos, de maneira que alguns setores da moradia tenham seu próprio circuito, isto para que se ocorrer
uma interrupção de energia interna, provocada por um curto circuito, ou um conserto, ou uma troca de
equipamento, etc, apenas aquele circuito seja desligado sem afetar algum outro setor da moradia. Ex: sempre
que possível, montar um circuito somente para o chuveiro elétrico.
b-3) Quando se elabora um projeto onde existe uma distribuição de circuitos, é necessário a
colocação de um Quadro de Distribuição, onde estão colocados os elementos de segurança, os Disjuntores.
OBS: Para a região de São José do Rio Preto a tensão monofásica é de 127V; nas demais regiões
verificar na concessionária.

C) DIMENSIONAMENTO DE CONDUTORES ELÉTRICOS:

Os fios de cobre existente no mercado e nas moradias, são chamados de Condutores Elétricos, e nós
sabemos que a eletricidade que passa nesses condutores, é provocada por uma diferença de potencial,
denominada de Tensão, que conhecemos por Voltagem (127V ou 220V).
Em decorrência dessa Tensão existente, ao ligarmos uma lâmpada, provocamos a diferença de
potencial e com isso iniciamos o que chamamos de Corrente Elétrica (Ampere = A), isto é, acionamos o
caminhamento dos elétrons pelo condutor. É com o valor da corrente elétrica que com o auxilio de tabelas já
elaboradas de acordo com a NBR-5410 P/Instalações Elétricas de Baixa Tensão de 2014, dimensionamos
os condutores e os elementos de segurança (Disjuntores) a serem usados em cada circuito.
Para obter a corrente elétrica nos circuitos, nos valemos da Lei de Ohm conforme abaixo:

P=V* I Potência = Voltagem x Corrente


(W) (V) (I)

A corrente elétrica fica toda baseada na Potência instalada no circuito, isto porque todos os
equipamentos existentes que atendem as moradias, assim como as lâmpadas , geladeiras, fornos, etc, são
fornecidos nas tensões de 127V ou 220V com a indicação da potencia de trabalho. A potencia elétrica é dada
em Watts (W), com isso ao lermos em uma lâmpada: Lâmpadas de 120V e 60W; rapidamente com o apoio da
fórmula acima podemos obter a corrente necessária. É oportuno informar que, o consumo de energia elétrica
é medido com base na quantidade de corrente elétrica que percorre nos circuitos, em decorrência da
quantidade existente da potência exigida.
D) CONSIDERAÇÕES A SEREM LEVADAS POR NORMAS:

d-1) Todas os pontos de consumo não especiais (TUG’s) serão consideradas de 100w cada uma.
d-2) Por norma todo circuito interno deverá ter condutor # 2,5 mm² de bitola mínima do fio.
d-3) Na cozinha deverá ter obrigatóriamente dois pontos de consumo (TUE’s) de 600w cada um.
d-4) A potência máxima nos circuitos monofásicos de tomadas e ou Lâmpadas, por norma deverá ser
de 1200W.
d-5) Cada circuito deverá ter seu fio neutro e fio terra no mesmo diâmetro do fio fase.
d-6) Na entrada (Medidor de Consumo e no Quadro de Distribuição) deverá existir aterramento.
d-7) Toda tomada para computador deverá ter aterramento exclusivo, isto é, independente.
d-8) Nos ramais secundários podemos utilizar a tabela de seções mínimas abaixo:

SEÇÕES MÍNIMAS DOS CONDUTORES FASE E NEUTRO NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

1) Tomada de corrente em quartos, salas e similares ..................................... # 2,5 mm²


2) Iluminação ................................................................................................... # 2,5 mm²
3) Tomadas de corrente em cozinhas, áreas de serviço, garagens .................. # 2,5 mm²
4) Aquecedores de água em geral ................................................................... # 4,0 mm²
5) Aparelhos de Ar condicionado ................................................................... # 2,5 mm²
6) Fogões, fornos, churrasqueiras elétricas .................................................. # 6,0 mm²

TABELA – 01 - AMPERAGEM MÁXIMA NOS CONDUTORES

Equivalência AWG e a Série métrica de Fios e Cabos Pirelli (Pirastic Antiflam)

Corrente Comprimento do circuito em metros


mm² máxima
admissível Monofásico Bifásico Trifásico Trifásico
(A) 127V 220V 380V 440V
1,5 15,5 6m 12 m ---- ----
2,5 21,0 8m 14 m ---- ----
4,0 28,0 9m 18 m ---- ----
6,0 36,0 11 m 21 m ---- ----
10,0 50,0 19 m 38 m 65 m 75 m
16,0 68,0 21 m 42 m 73 m 84 m
25,0 89,0 25 m 50 m 86 m 99 m
50,0 134,0 ---- 60 m 103 m 119 m

E) DIMENSIONAMENTO DE CONDUTORES PELA CORRENTE ELÉTRICA ( I ) –


AMPERAGEM

Ex: Dimensionamento do fio que irá alimentar um chuveiro elétrico para uma tensão de 220V e que
desenvolve uma potência máxima de 4400W e que está a 9,5 m de distância do quadro de distribuição. Esses
valores são tirados da placa de identificação obrigatória existente em cada aparelho elétrico e a distancia do
projeto.

P 4400w
Solução: pela fórmula acima temos: Ir = ------ = ------------ = 20 A  Ir =20 A em cada fase.
V 220v

Ir = corrente real
Entrando na Tabela 01, com o valor de Ir = 20 A e a distancia de 9,5 m teremos: fio # 2,5 mm².
Esse valor obtido é para os dois fios fase, se o circuito for de 127V esse valor é para o fio fase e neutro.

F) DIMENSIONAMENTO POR QUEDA DE TENSÃO ( V ) – VOLTAGEM

Sabemos que todo condutor por melhor que seja tem uma resistência, isto é, os elétrons encontram
uma certa dificuldade em caminhar pelo condutor (fio). Com isso podemos concluir que a distancia que
separa o aparelho do quadro de distribuição influi no dimensionamento.
Para que possamos efetuar o dimensionamento nessas condições temos abaixo a Tabela 02 que
relaciona Tensão. Distancia e seção dos fios e cabos.


TABELA 02 – QUEDA DE TENSÃO

Produto Ampere x metros para cálculo de queda de tensão de 1%, com fator de potência de 0,8 para fios e
cabos em eletrodutos não magnéticos (PVC)

Seção Circuitos
nominal Monofásico Bifásico Trifásico
mm² 110v 115v 127v 220v 220v
1,5 47 50 55 95 110
2,5 78 82 90 157 183
4 126 132 145 252 293
6 189 198 218 379 431
10 314 328 365 628 733
16 478 500 552 956 1128
25 733 766 846 1466 1732
35 1000 1045 1154 2000 2315
50 1325 1385 1530 2650 3055
70 1803 1885 2081 3606 4150
95 2340 2446 2702 4680 5365

Ex: Dimensionamento dos fios de alimentação para um chuveiro com tensão de 220v e que
desenvolve uma potência máxima de 4400W e que está a 12 m de distância do quadro de distribuição.

P 4400w
Pela fórmula anterior teremos: Ir = ------ = ------------ = 20 A
V 220v

Qt (queda de tensão) = distância x corrente  Qt = 12 m x 20 A = 240 mA

Entrando na Tabela 02 , na coluna do circuito Bifásico teremos: fios # 4,0 mm².

TABELA 03 - ELETRODUTOS

Ocupação máxima de fios e cabos em eletrodutos de PVC conforme NBR-5410, para fios e cabos Pirastic
Antiflam.
Seção Número de condutores no eletroduto
nominal 2 3 4 5 6 7 8 9 10
mm²
1,5 16 16 16 16 16 16 20 20 20
2,5 16 16 16 20 20 20 20 25 25
4 16 16 20 20 20 25 25 25 25
6 16 20 20 25 25 25 25 32 32
10 20 20 25 25 32 32 32 40 40
16 20 25 25 32 32 40 40 40 40
25 25 32 32 40 40 40 50 50 50
35 25 32 40 40 50 50 50 50 60
Eletroduto
Ø (mm) 16 20 25 32 40 50 60 75 85
Ø (pol) 3/8 ½ ¾ 1” 1¼ 1½ 2” 2½ 3”


G) DIMENSIONAMENTO DE DISJUNTORES – ELEMENTOS DE SEGURANÇA

g-1) Dimensionamento dos Disjuntores dos circuitos internos da moradia.

O dimensionamento dos disjuntores sempre deverá ser feito em função da Corrente Real (Ir) do
circuito que ele irá proteger. O valor da corrente que o disjuntor irá garantir sempre será 80% de sua
capacidade nominal, aquela que sempre vem estampada na peça.
No mercado encontramos as seguintes capacidades para disjuntores: 5A; 10A; 15A; 20A; 25A; 30A;
35 ; 40 ; 50A; 60A; 70A; 80A; 90A; 100A 110A, 120A, 130A.
A A

Quando tivermos circuitos bifásicos, podemos adquirir disjuntores duplos na capacidade exigida no
projeto.

Ex: Dimensionar os Disjuntores necessários para atender ao circuito de um chuveiro elétrico de


220V e que desenvolve uma potência máxima de 4400W. Conforme já calculamos a corrente real acima que
é: Ir = 20A.

A primeira vista compraríamos um disjuntor de 20 A, mas devemos utilizar somente 80% da


capacidade nominal da peça que iremos adquirir, vejamos abaixo o exemplo:
Disjuntor de 20A  Verif.: 20A x 0,80 = 16A  não serve, pois 16A < 20A
Disjuntor de 25A  Verif.: 25A x 0,80 = 20A  serve.  25A > 20A

Então para este circuito usaremos 1 disjuntores bipolar de 25 A.

g-2) Dimensionamento dos Disjuntores do Quadro de Distribuição e do Medidor de entrada.

Como vimos anteriormente, cada circuito interno da moradia possui uma potência, a qual é levantada
em função das tomadas, lâmpadas e aparelhos pré-definidos. Com a potência levantadas dos circuitos,
podemos soma-las e obter a potência total da moradia, denominada POTÊNCIA INSTALADA, valor este de
interesse das concessionárias de abastecimento elétrico, pois é em função deste valor que é determinado o
índice ou fator para a cobrança da conta de luz.
Tendo o valor da Potência total instalada, determinamos 80% desse valor e com o valor obtido é que
determinamos a corrente real geral para determinação dos disjuntores. Este procedimento se prende ao fato
de nunca ocorrer de uma moradia estar com todos os pontos de consumo utilizando energia.
Ex: Dimensionar os disjuntores de uma moradia que tem uma potência total instalada de 12.780
watts e a tensão de abastecimento é de 220 volts (bifásica).

Pcalc. = Ptot. x 80% = 12.780 x 0,80 = 10.224 watts.

Pcalc 10224w
Ir = ------ = ------------ = 46,47 A  Disj. de 60A x 0,80 = 48A > 46,47A
V 220v

Utilizando o método de dimensionamento de disjuntores, usaremos como geral (1) disjuntor bipolar de 60 A.

H) QUADROS DE DISTRIBUIÇÃO

O quadro de distribuição é o local onde se localiza os disjuntores e onde se define os circuitos


existente na moradia.
Existe três tipos de quadros para baixa tensão, Monofásico, Bifásico e Trifásico, sendo os mais
usados, monofásicos e bifásicos.
O quadro monofásico possui somente um barramento fase e o bifásico possui dois barramentos,
conforme exemplo abaixo. Nos quadros bifásico e trifásico é necessário equilibrar as fases, isto é, deixar o
mais próximo possível a potência de uma fase com a potência de outra fase, mas admite-se uma diferença de
10%. Quando possuímos um quadro bifásico ou trifásico, e circuitos internos com tensão de 220 volts, a
potência desses circuitos se dividem.

Ex: Circuito para um chuveiro 220V e P = 4400W, para cada fase do quadro será considerado
2200W.

QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO

(Neutro)
C-01 (Terra)
C-02
C-07
C-03
C-08
C-04
C-09
C-05
C-10
C-06
C-11
C-11
C-13
C-12
C-13
C-13

(C-01) (C-02)
2x4,0mm 2x4,0mm

(C-03) (C-04)
2x4,0mm 2x6,0mm

(C-06)
(C-05)
2x6,0mm
2x6,0mm

(C-11) (C-12)
1x2,5mm 1x2,5mm
(C-07) (C-10)
1x2,5mm 1x2,5mm
(C-09) (C-08)
1x2,5mm 1x2,5mm
(C-13)
RESERV.
1x2,5mm

No desenho acima, que representa um quadro de distribuição bifásico, podemos notar o barramento vertical
que conduz as duas fases, e o barramento horizontal que faz a interligação do barramento vertical com os
respectivos disjuntores.
Podemos observar também que os circuitos C-01; C-02; C-03; C-04; C-05 e C-06, são bifásico, pois
os disjuntores estão indicando através de sua união no topo da haste. Os demais circuitos são monofásicos.
Observamos ainda que no lado esquerdo abaixo consta um disjuntor reserva, pode se ficar apenas o
local sem o respectivo elemento de segurança.
Acima do lado direito vemos o barramento referente aos fios neutros, cujo barramento deve estar
ligado ao terra para evitar algum choque ao se manipular o quadro, e como garantia, todo quadro possui
lugar para colocação de disjuntores ou seccionadores geral, conforme mostra a figura na parte superior.

QUADRO DE POTÊNCIA

Nos projeto, colocamos um quadro que é uma síntese do dimensionamento, onde consta os circuitos,
ambientes, potência das lâmpadas e tipos, tensão, corrente, potência dos circuitos e muito mais conforme
podem observar abaixo.

QUADRO DE POTÊNCIAS
Circuit. Lâmpadas Tomadas Tensão Corrente Potência Fios Disjunt.
Ambientes
100W 60W 100W 600W Volts Amper Watts Fas/Neut Amper
C-01 Ar – Dorm. -1 - - - - 220 V 7,3 A 1600 W 2,5 mm 1Bip-10 A
C-02 Ar – Dorm. -2 - - - - 220 V 7,3 A 1600 W 2,5 mm 1Bip-10 A
C-03 Ar – Dorm. -3 - - - - 220 V 7,3 A 1600 W 2,5 mm 1Bip-10 A
C-04 Chuv. – Social - - - - 220 V 20,0 A 4400 W 4,0 mm 1Bip-25 A
C-05 Chuv – Apart. - - - - 220 V 20,0 A 4400 W 4,0 mm 1Bip-25 A
C-06 Torneira Elet./Coz. - - - - 220 V 20,0 A 4400 W 6,0 mm 1Bip-25 A
C-07 Banheiros e Hall 2 2 3 - 127 V 4,9 A 620 W 2,5 mm 1 x 10 A
C-08 Copa e Dorm. – 3 2 - 8 - 127 V 7,9 A 1000 W 2,5 mm 1 x 10 A
C-09 Dorm – 1 e 2 2 - 6 - 127 V 6,2 A 800 W 2,5 mm 1 x 10 A
C-10 Cozinha 1 2 2 1 127 V 8,0 A 1020 W 4,0 mm 1 x 10 A
C-11 Sala e Abrigo 1 3 7 - 127 V 7,7 A 980 W 2,5 mm 1 x 10 A
C-12 Gelad./Freez/Micro - - - 2 127 V 9,4 A 1200 W 6,0 mm 1 x 15 A
C-13 Área de Serviço 4 - 2 1 127 V 9,4 A 1200 W 2,5 mm 1 x 15 A
Totais 14 7 28 4 24820 W
Ramal de Entrada 220 V 90,2ª 19856 W 35 mm 1Bip-120ª

O Ramal de Entrada tem seus condutores dimensionado como os condutores internos da moradia
porém, a SEÇÃO MÍNIMA exigida pelas concessionária elétrica é de # 16 mm 2


SIMBOLOGIAS PARA PROJETOS ELÉTRICOS RESIDENCIAIS.

OBS: Todo projeto deverá conter as simbologias que representam


os elementos elétricos utilizados no projeto desenvolvido.
A NBR 5410, atualizou as simbologias, passando ter os símbolos antigos e atuais, mas iremos
utilizar algumas atualizadas e outras antigas facilitando o entendimento do projeto. O que importa é
que nos projetos conste a simbologia e a informação da mesma.


EXEMPLO DE UM PROJETO ELÉTRICO


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