Você está na página 1de 376

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES


INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL

EDER AMARAL E SILVA

A CRUZADA DAS CRIANÇAS:


CONSTELAÇÕES DA INFÂNCIA À PENUMBRA

Rio de Janeiro
2016
EDER AMARAL E SILVA

A CRUZADA DAS CRIANÇAS:


CONSTELAÇÕES DA INFÂNCIA À PENUMBRA
Seguida da tradução para o português de “Co-ire: album systématique de l’enfance”
de René Schérer e Guy Hocquenghem, 1976

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-


Graduação em Psicologia Social da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro como requisito parcial à
obtenção do título de Doutor em Psicologia Social.

Orientadora:
Profª. Drª. Heliana de Barros Conde Rodrigues

Rio de Janeiro
2016
BANCA EXAMINADORA

Profª. Drª. Heliana de Barros Conde Rodrigues (Orientadora)


Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Prof. Dr. Edson Passetti


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Prof. Dr. Walter Omar Kohan


Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Prof. Dr. Marcelo de Almeida Ferreri


Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Prof. Dr. Luis Antonio dos Santos Baptista


Universidade Federal Fluminense (UFF)

Profª. Drª. Aline Ribeiro Nascimento


Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Prof. Dr. Danichi Hausen Mizoguchi


Universidade Federal Fluminense (UFF)
RESUMO
O presente projeto de tese contempla um duplo desenvolvimento: por um lado, a pesquisa
da genealogia histórica do problema da infância no pensamento francês contemporâneo,
perspectivada a partir da obra conjunta do filósofo e professor da Université Paris VIII
(Vincennes/Saint Denis) René SCHÉRER (1922 – ) com o ativista e escritor Guy
HOCQUENGHEM (1946 – 1988); por outro, o empreendimento da tradução de um dos
principais trabalhos resultantes desta parceria, qual seja, o livro intitulado Co-ire: album
systématique de l’enfance (“Co-ire: álbum sistemático da infância”, inédito em
português), originalmente publicado em 1976 sob o vigésimo segundo número de
Recherches, revista francesa de pesquisas coletivas, obras autorais e relatórios técnico-
científicos do Centre d’Études, de Recherches et de Formation Institutionnelles (CERFI).
O Co-ire apresenta uma constelação (histórica, literária, filosófica, pictural etc.) de
imagens “não familiares” da infância, nas quais a criança deixa de ser tomada da
perspectiva de um objeto ou categoria de análise para ser pensada na multiplicidade de
seus agenciamentos com o mundo. Trata-se de uma obra que não pretende catalogar e
classificar objetos, mas de “considerar” (observar e pôr em relação novos sentidos),
fazendo diferir o acervo de imagens do problema da infância no presente, a partir do
reposicionamento crítico do debate sobre a relação entre a infância e sociedade. Decorre
que a criança seja então constelada em imagens não parentais, fornecidas pela literatura
e pela fotografia, pelas histórias infantis ou pelo cinema, mostrando-se “contemporânea”
dos adultos, recusando a ideia de estado germinal ou pré-desenvolvido do humano.
Segundo esta perspectiva, são as potências imprevisíveis da criança (e não seu suposto
“inacabamento”) que nos interpelam a pensar de outro modo a infância. O trabalho de
Schérer e Hocquenghem investe num modo outro de apresentar a infância, que não se
ocupa de totalizar o que mostra, explorando a força que as imagens da infância, sendo
consteladas, passam a contrair e ressoar – não por se exibirem à plena luz da racionalidade
moderna, mas, ao contrário, por se colocarem à propícia penumbra, como algo que se
insinua sem se entregar. É que a força do Co-ire não se esgota neste livro: desde sua
primeira página, a obra se oferece como um convite, na expectativa de “encontrar
cúmplices” na tarefa sistemática de mostrar e forjar imagens outras da infância, de pensá-
la diferentemente, para além do círculo familiar e do sistema pedagógico. Schérer e
Hocquenghem montam sua constelação da infância como um chamamento e um desafio
que ultrapassa a tarefa do livro em questão: como favorecer uma prática de pensamento
que trace outras constelações do infantil? No que implicaria pensar a criança segundo
uma imagem propriamente “contemporânea” da infância? A partir deste recorte do campo
problemático e para além da contribuição bibliográfica resultante da referida tradução
para os leitores e pesquisadores de língua portuguesa, este projeto de tese se orienta por
uma perspectiva de análise do tema da infância a partir da história de sua problematização
no pensamento francês pós 68, cujo nó se constitui na tensão entre educação, sexualidade
e expressão do desejo infantil.

Palavras-chave: infância, constelação, tradução, René Schérer, Guy Hocquenghem


LA CROISADE DES ENFANTS : CONSTELLATIONS DE L’ENFANCE A PENOMBRE
Suivi de la traduction au portugais de « Co-ire : album systématique de l’enfance »,
de René Schérer et Guy Hocquenghem, 1976.

RÉSUMÉ
Ce projet de thèse envisage un double développement : d’abord, la recherche de la
généalogie historique du problème de l’enfance dans la pensée française contemporaine,
particulièrement les idées qui nourrissent le débat sur la liberté enfantine aprè-Mai 1968.
En ce sens, le projet se propose à l’approfondissement dans l’étude du travail commun du
philosophe et professeur à l’Université Paris VIII (Vincennes-Saint Denis) René
SCHERER avec l’écrivain et activiste Guy HOCQUENGHEM (1946-1988) ; parallèlement, il
s’agit de problématiser les conceptions de l’enfance tensionnées entre les régimes
scientifique-disciplinaire et philosophique-artistique, à travers la traduction, l’analyse
historiographique et le commentaire de l’ouvrage « Co-ire: album systématique de
l’enfance », de Schérer et Hocquenghem (inédit en Portugais), l’un des principaux travaux
de ce duo, initialement publiée en 1976 sous le numéro 22 de « Recherches », revue du
Centre d’Études, de Recherches et de Formation Institutionnelles (CERFI). Le Co-ire
présente une constellation (historique, littéraire, philosophique, picturale etc.) des images
« esthétiques » de l’enfance, en faisant que l’enfant ne soit pas envisagée dans la
perspective d’un objet ou d’une catégorie d’analyse scientifique, mais qu’il soit considéré
dans l’imagerie de ses devenirs et de la multiplicité de ses passions. Il s’agit d’une quête
qui ne souhaite pas cataloguer ou classifier des objets, mais « envisager » (regarder et
mettre en relation des nouveaux sens), en débouchant un déplacement radical du débat
sur la relation entre l’éducation, la sexualité et l’expression du désir enfantine. Il s’ensuit
que l’enfant soit constellée dans les images non parentales, fournies par la littérature et la
photographie, par des contes enfantines ou par le cinéma, de façon que l’enfance devienne
« contemporaine » des adultes – en écartant absolument les antinomies que la conforment
à quelque idée de dépendance ou de l’enfance comme un espèce d’état prédéveloppé de
l’homme. Selon cette perspective, sont les puissances ingouvernables le propre de
l’enfant, et non sa « incomplétude » présumée par les spécialismes que nourrissent le
renfermement de l’enfant entre nous, dès la psychologie jusqu’à la pédagogie, dès la
psychiatrie à la justice. Il s’agit, ainsi, de penser l’enfance autrement. Cependant, la force
du Co-ire ne s’épuise pas dans ce livre : depuis sa première page, il nous a fait une
invitation, dans l’espoir de « trouver des complices » dans cette tâche critique et créatrice
de montrer d’autres images de l’enfance, en pensant qu’il y a une autre façon de la voir,
au-delà du cercle familial et du système éducatif moderne. Schérer et Hocquenghem
assemblent sa constellation comme un appel et un défi qui va même au-delà de la tâche
de ce livre : comment montrer et mise en place ces autres constellations de l’enfance sans
menacer sa fragile existence ? Comment leur préserver à pénombre des savoirs et
pouvoirs d’aujourd’hui ? Et, dans cette même direction, qu’est-ce que signifie penser
l’enfant selon une image que soit exactement « contemporaine » ? À partir de cette
délimitation de la recherche – et au-delà de la contribution bibliographique pour les
lecteurs et les chercheurs brésiliens, résultant de la traduction proposée ci-dessus –, ce
projet de thèse est orienté par une perspective qui envisage l’enfance tout d’abord comme
champ problématique en mouvement. Ce pourquoi cette recherche est tout simplement
une tentative de renouveler l’alliance intensive avec l’enfance constellée par Schérer et
Hocquenghem, dont la force et la beauté sont célébrés dans le Co-ire, vers une complicité
esthétique avec les mouvements passionnelles que font de l’enfance même une puissance
bouleversante du monde.

Mots-clés : enfance, constellation, traduction, René Schérer, Guy Hocquenghem


11
TRÊS BILHÕES DE PERVERSOS
Março de 1973, 270 p., 23 Francos
(C.C.P. 15 25 75 Paris)

Este número explosivo de Recherches, dedicado à homossexualidade, corre o risco


de ser apreendido. O que sem dúvida explica que Gilles Deleuze, Michel Foucault, Jean
Genet, Félix Guattari, Daniel Guérin, Jean-Paul Sartre e alguns outros tenham assinado textos
coletivamente anônimos. Na verdade, não se trata de uma reflexão sobre os problemas da
homossexualidade, mas de testemunhos diretos, até mesmo agressivos, cujo papel é enunciar
o ato homossexual e, assim, frustrar a tolerância silenciosa dos liberais. De fato, os
homossexuais de Recherches não querem nem se explicar, nem convencer; ao contrário,
pretendem chocar, de uma vez por todas, a consciência – boa ou má – da sociedade. No que
ecoam refrãos gays de Maio de 68 e, especialmente, o humor corrosivo da FHAR (Frente
Homossexual de Ação Revolucionária).
Os textos-entrevistas de Recherches são voluntariosamente trágicos, na medida em
que se interrogam sobre as práticas – sodomia e masturbação –, consequentemente sobre o
desejo e o prazer despojados de qualquer conteúdo sentimental ou amoroso. Mas, através de
seus textos e desenhos, deliberadamente pornográficos em sua maioria, é a própria condição
social da homossexualidade que é colocada em questão, sem disfarces ideológicos ou
literários, na concretude de sua realidade cotidiana, nas suas relações com os outros, inclusive
com os amantes berberes que incitam ao extremo as contradições da virilidade e da repressão
definidas por esta frase: “Nós os oprimimos, mas são eles [os árabes] que nos fodem.”80
153
154

155 156
157

158

159

160

157
161

162

163

164

164
165

166

167

168
169

170

171

172
173

174

175

176

177
178

179

180
181
182

183

184
185

186

187

188

189

190
191

192

193
194

195

196

197

198 199
200

201

202

203

204
205

206

207

208

209

210
211
212
213

214

215

216
217

*
218

219
220

221

222

223

224
225

226

227

228

229

230
231

232

233

234

235

233
236

237

238

239
240

241

242
274
275

276

277

278

279

280

281

282
283

284

284
285

286

287

288
289

290

291

292
293

294

295

296

297

298

299
300

301

302 303
304

305

306

307
308

309

310

311
312

313

314

315

316
317

318
319
320 321

322

323
324

325

326

327

328

327
329

330

331

332

333

334

330
335

336

337
338

339

340

341

342

341
343

344

345

346

347

348
349

350

351

352
353

354
355

356

357

358
http://www.criticalsecret.com/n8/htsum/index.html
́

http://raforum.info/spip.php?article1615

http://www.liberation.fr/tribune/2001/03/13/non-a-l-amalgame_357669

http://www.cairn.info/revue-multitudes-2001-4-page-177.htm

http://leportique.revues.org/571

http://www.periodicos.proped.pro.br/index.php/childhood/article/view/1057/796
http://www.revue-silene.comf/index.php?sp=liv&livre_id=40

http://www.charlesfourier.fr/spip.php?article800

http://www.revue-
chimeres.fr/drupal_chimeres/files/crise_utopie_sch%C3%A9rer.pdf

http://www.les-lettres-francaises.fr/2010/11/rencontre-avec-rene-
scherer/

http://www.ifl.pt/private/admin/ficheiros/uploads/bcf306c4dcd834e73ac8237f215a0fee.pdf

http://www.lasca.fr/pdf/entretiens/Rene_Scherer.pdf
http://www.periodicos.proped.pro.br/index.php/childhood/article/viewFile/1112/877
http://www.cairn.info/revue-chimeres-2009-1-page-171.htm

http://www.congres-
afsp.fr/st/st33/st33berard.pdf

http://1895.revues.org/281
http://entrelacs.revues.org/357

http://lectures.revues.org/11443

http://www.liberation.fr/tribune/2001/03/13/non-a-l-amalgame_357669
http://www.cairn.info/load_pdf.php?ID_ARTICLE=CHIME_064_0023

http://www.ac-
versailles.fr/PEDAGOGI/SES/vie-ses/hodebas/roger-pol_droit1.htm

https://papyrus.bib.umontreal.ca/xmlui/handle/1866/3605

http://www.bafweb.com/Lib19790410.html

https://cinemaperladidattica.wordpress.com/damore-si-vive-
scheda-del-film/

http://tahin-party.org/textes/firestone.pdf
http://www.multitudes.net/Histoire-du-CERFI/

http://www.rhizomes.net/issue11/genosko.html
http://www.periodicos.proped.pro.br/index.php/childhood/article/view/990/767

http://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/2988
http://www.bafweb.com/Lem19780217.html

http://www.les-lettres-
francaises.fr/2010/11/rene-scherer-eveilleur/

http://tel.archives-ouvertes.fr/docs/00/78/01/76/PDF/ThA_se_mazaleigue.pdf

http://scholarspace.manoa.hawaii.edu/handle/10125/11971?show=full
http://leportique.revues.org/642

http://www.entrevues.org/rdr-
extrait/recherches-1966-1982-histoires-dune-revue/

http://uninomade.net/lugarcomum/25-26/

http://www.criticalsecret.com/n8/quer/1fr/index.html
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
80232006000200003&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/pdf/psoc/v24nspe/12.pdf

́
René Schérer
e
Guy Hocquenghem

Coir
Álbum sistemático da infância
138
ʀ

ɔʀ

ɔʀ

139
ɔt

140
2

141
3

142
4

143
5
6
7

144
8

145
146
C
147
148
149
E

150
151
A

152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
NT
[No original, infantile (ver NOTA PRELIMINAR, item IV)].

178
179
NT
[Nationalpolitische Erziehungsanstalt (“Instituto Nacional de Educação Política” oficialmente
abreviado como NPEA, mas popularmente conhecido como “NAPOLA”) foi uma instituição educacional
fomentada pelo Estado Nazista entre 1933 e 1944, tendo como objetivo principal a formação da juventude
alemã para ocupar funções de liderança nos mais diversos âmbitos].

180
181
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
Q

195
196
197
198
199
200
201
A

202
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
A

NT

225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
O

243
244
245
246
247
248
249
250
251
252
Γανυ ήδης γάνος
ήδεσθαι

253
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
F

269
270
271
272
273
D

274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
NT
[No original, infantile (ver NOTA PRELIMINAR, item IV)].

284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
E

299
300
301
302
303
304
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
N

320
F

321
BEER, Alan E. e BILLINGHAM, R. E., “The embryo as a transplant”, Scientific American,
1974, nº 4, pp. 36-46.

BERTHON, A. Les aventures d’un enfant, journal instructif et moral, Paris, Martial
Ardant Frères, 1855.

BERTRAND, Pierre, L’oubli, révolution ou mort de l’histoire, PUF, 1975.

BOUILLET, Marie-Nicolas, Dictionnaire universel d’histoire et de géographie, Paris,


Hachette, 1860.

BRANDÃO, Junito de Souza, Mitologia Grega, Petrópolis, Vozes, 1987 (3 vols).

BURAUD, Georges, Les masques, Paris, Le Seuil, 1948.

CARROLL, Lewis, Lettres adresseés a des petites filles, Paris, Flammarion, 1975.
[Cartas às suas amiguinhas, Rio de Janeiro, Sette Letras, 1997].

322
CHATEAU, J., “Qu’est-ce qu’un enfant?”, Psychologie de l’enfant, Cahiers de pédagogie
moderne, Bourrelier, 1962.

DELEUZE, Gilles, Différence et répétition, PUF, 1968. [Diferença e repetição, trad. Luiz
Orlandi e Roberto Machado, 2. ed., Rio de Janeiro, Graal, 2006].

DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix, « Comment se faire un corps sans organes ? »,


Minuit, nº 10, septembre, 1974. [Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia II, vol. 3, São
Paulo, Editora 34, 1996].

DELIGNY, Fernand, Entretien avec Issac Joseph, dossier « Le droit au silence »,


Libération, 10 mai 1974.

DESCARTES, René, Méditations métaphysiques, 1641. [Meditações, trad. Jacó Guinsburg


e Bento Prado Júnior, São Paulo, Abril Cultural, 1983].

DIDEROT, Dennis, « Entretien entre D'Alembert et Diderot », Œuvres complètes,


Éditions Assezat, tome 2. [“Diálogo entre D’Alembert e Diderot”, Diderot, Coleção Os
Pensadores, trad. Marilena de Souza Chauí e Jacó Guinsburg, São Paulo, Nova Cultural,
2005]

323
EWERS, Hanns Heinz, Mandragore, trad. François Truchaud, 10/18, 1970.

FOUCAULT, Michel, Surveiller et punir, Gallimard, 1975. [Vigiar e punir, trad. Raquel
Ramalhete, 42. ed., Petrópolis, Vozes, 1987 (2014)].

FOURIER, Charles, Théorie de l'unité universelle, Livre deuxième, De l’éducation


unitaire ou intégrale composée (Troisième notice – Éducation ultérieure, Antienne),
Œuvres, tome V, Éditions Anthropos, 1966.

FREUD, Sigmund, La vie sexuelle, PUF, 1972. [“A vida sexual humana”, Obras
completas, vol. 13: Conferências introdutórias à psicanálise (1916-1917), trad. Sergio
Tellarolli; rev. Paulo César de Souza, São Paulo, Companhia das Letras, 2014].

FREUD, Sigmund, “Análise terminável e interminável”, Edição Standard Brasileira das


Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. 23 – “Moisés e o monoteísmo,
Esboço de psicanálise e outros trabalhos”, Rio de Janeiro, Imago, 1996.

324
GOLDING, Willian, Sa Majesté des mouches, trad. Lola Tranec, Paris, Gallimard, 1956.
[O senhor das moscas, trad. Sergio Flaksman, Rio de Janeiro, Objetiva/Alfaguara,
2014].

GROGAN, Emmet, Ringolevio, Paris, J’ai Lu / Flammarion, 1973.

HARTLEY, Leslie Poles, Le messager, trad. Denis Morrens e Andrée Martinerie, Paris,
Editions France Loisirs, 1955. [O mensageiro, trad. Paulo Cezar de Mello, São Paulo,
Nova Alexandria, 2003].

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich, Phénoménologie de l’Esprit, trad. Jean Hyppolite, 2


vol., Paris, Aubier, 1939. [Fenomenologia do espírito, 2 vols., trad. Paulo Meneses,
Petrópolis, Vozes, 1992].

ITARD, Jean. Mémoire et rapport sur Victor de l’Aveyron, In: Les enfants sauvages,
Paris, 10/18, 1964, pp. 117-246.

JORGENSEN, Mosse, Un lycée aux lycéens, préface de Gérard Mendel, Paris, Éditions du
Cerf, 1975.

KANT, Emmanuel, Réflexions sur l’éducation, trad. Alexis Philonenko, Paris, Vrin,
1966. [Sobre a pedagogia, trad. Francisco Cock Fontanella, 4. ed., Piracicaba, Ed.
Unimep, 2002].

KANT, Emmanuel, Critique de la faculté de juger, trad. Alexis Philonenko, Paris, Vrin,
1993. [Crítica da faculdade do juízo, trad. Valerio Rohden e António Marques, 2. ed.,
Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2002].

KEY, Ellen, Le siècle de l’enfant, Paris, Flammarion, 1908.

KLEIN, Melanie, Essais de psychanalyse, Paris, Payot, 1968.

325
LAGERLÖF, Selma, Le Merveilleux Voyage de Nils Holgersson à travers la Suède, trad.
Thekla Hammar, Paris, Perrin, 1912. [A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson
através da Suécia, Lisboa, Portugal, Relógio D’água, 1998].

LAÏK, Madeleine, Fille ou garçon, Paris, Denoël-Gonthier, 1976.

LÉVI-STRAUSS, Claude, Anthropologie structurale, Plon, 1958. [Antropologia


estrutural, trad. Beatriz Perrone-Moisés, São Paulo, Cosac Naify, 2008].

LEVI-STRAUSS, Claude, La pensée sauvage, Plon, 1962. [O pensamento selvagem, trad.


Tânia Pellegrini, Campinas, Papirus, 1989].

LEWINTER, Roger, Groddeck et le royaume millénaire de Jerome Bosch, Galilée, 1975.

LONDON, Jack, The people of the abyss, New York, Macmillan, 1903. [O povo do
abismo, trad. Hélio Guimarães e Flávio Moura, São Paulo, Fundação Perseu Abramo,
2004].

LONDON, Jack, O chamado da floresta, trad. William Lagos, Porto Alegre, L&PM,
2003.

LYOTARD, Jean-François, « Capitalisme énergumène », Critique, nº 306, novembre


1972.

MACHIAVEL, Nicolas, « La mandragore », Œuvres complètes, La Pléiade, Gallimard,


1952. [MAQUIAVEL, Nicolau, A mandrágora, trad. Mário da Silva, São Paulo, Abril
Cultural, 1976]

326
MALSON, Lucien, Les enfants sauvages, Paris, 10/18, 1964. [As crianças selvagens:
mito e realidade, trad. Carlos Cidrais Rodrigues, Porto, Ed. Civilização, 1978].

MANN, Thomas, L’élu, trad. Louise Servicen, Albin Michel, 1952. [O eleito, trad, Lya
Luft, São Paulo, Mandarim, 2010].

MATZNEFF, Gabriel, Les moins de seize ans, Paris, Julliard, 1975.

MAURY, Hervé, MOZERE, Liane, PLINVAL-IMBERT, Bernadette e PRELI, Nicole, Les


garde d’enfants de 0 à 3 ans comme surface d’inscription des relations entre la famille
et le champ social, obra coletiva, Paris, Éditions du CERFI, 1975.

MENDEL, Gérard, Le Manifeste éducatif, Payot, 1974.

MEYER, Philippe, Nomades et vagabonds, cause commune, 10/18, 1975.

MUSIL, Robert, L’homme sans qualités, 2 tomes, trad. Philippe Jaccottet, Paris, Le seuil,
1957. [O homem sem qualidades, trad. Lya Luft e Carlos Abbenseth, Rio de Janeiro,
Nova Fronteira, 2006].

327
PASCON, Paul e BENTAHAR, Mekki, Ce que disent 296 jeunes ruraux, Revue du
B.E.S.M., nº 112-113, jan.-jui. 1969.

PLATON, Le Banquet / Phèdre, Paris, Garnier-Flammarion, 1964. [PLATÃO, O Banquete,


ed. bilíngue, trad. Carlos Alberto Nunes, Belém, Ed.UFPA, 2011].

PONTALIS, Jean-Bertrand, « L'enfant-question » (À propos de la première observation de


Melanie Klein), Critique, nº 249, fevereiro de 1968, pp. 220-240.

QUERRIEN, Anne, Généalogie des équipements collectifs, les équipements de


normalisation, l'école primaire, Paris, Éditions du CERFI, 1975.

RANK, Otto, Don Juan et le double, Payot, 1973. [O duplo: um estudo psicanalítico,
trad. Erica Luisa Sofia Foerthmann Schultz, Porto Alegre, Dublinense, 2013].

RILKE, Rainer Maria, Les élegies de Duino / Les sonnets a Orphée, Paris, Points / Seuil,
1974. [Elegias de Duíno, edição bilíngue, trad. Dora Ferreira da Silva, 6. ed., Rio de
Janeiro, Globo, 2013].

ROCHEFORT, Christiane, Encore heureux qu’on va vers l’été, Paris, Grasset, 1975.

328
SCHERER, René e LAGASNERIE, Geoffroy de, Après tout. Entretiens sur une vie
intellectuelle, Paris, Éditions Cartouche, 2007.

SCHILLER, Friedrich, Poésie naïve et poésie sentimentale, trad. R. Leroux, Aubier-


Montaigne, 1947. [Poesia ingênua e sentimental, trad. Marcio Suzuki, São Paulo,
Iluminuras, 1995].

THIBON, Daniel, Le Crispougne, Paris, Stock, 1975.

TOURNIER, Michel, Vendredi ou les limbes du Pacifique, Gallimard, 1967. [Sexta-Feira


ou os limbos do Pacífico, trad. Fernanda Botelho, São Paulo, Difel, 1985].

WEDEKIND, Frank, L’éveil du printemps – tragédie enfantine, trad. François Regnault,


préface de Jacques Lacan, suivi de l’Intervention de Freud sur L'éveil du printemps à la
Société psychologique à Vienne, en 1907, Paris, Gallimard, 1974. [O despertar da
primavera e Mine-Haha, trad. Claudia Abeling, São Paulo, Luzes no Asfalto, 2010].

WOLFF, Étienne, « Embryologie et cancer », La Recherche, 1970, nº 4, pp. 311-317.

ZAZZO, René (coord.), Des garçons de 6 à 12 ans, Paris, PUF, 1969.

329
CE GAMIN LA [Ce gamin là], de Renaud Victor e Fernand Deligny, França, 1975.

JEUX INTERDITS [Brinquedo proibido], de René Clément, França, 1952.

MONKEY BUSINESS [O inventor da mocidade], de Howard Hawks, Estados Unidos, 1952.

NUMÉRO DEUX [Número dois], de Jean-Luc Godard, França, 1975.

THE BOY WITH GREEN HAIR [O menino dos cabelos verdes], de Joseph Losey, Inglaterra,
1948.

THE LEFT HANDED GUN [Um de nós morrerá], de Arthur Penn, Estados Unidos, 1958.

TOMATO KECCHAPPU KÔTEI [O Imperador Ketchup], de Shuji Terayama, Japão, 1971.

330
331
332
333
334
335
336
NT
[« James-Stevenson ». In: Anne Querrien, René Schérer e Guy Hocquenghem, L’ensaignement 1: l’école
primaire. Recherches, n. 23, Paris, Centre d’Études, de Recherches et de Formation Institutionnelles – CERFI,
1976, pp. 200-4. Publicado no número imediatamente posterior àquele sob o qual foi lançado Co-ire: album
systematique de l’enfance (Recherches, nº 22),
337
338
339
340
341
*
François Châtelet, « La constellation de l’enfance », Les nouvelles littéraires, Jeudi, 17 juin 1976, Année 54, nº
2536, section Essais, p. 8. Tradução Eder Amaral. Agradeço particularmente a Nathalie Périn, professora e
pesquisadora da obra de François Châtelet na França, cuja generosidade e atenção diligente tornou acessível este
texto, encontrado nos arquivos da Bibliothèque nationale de France – BnF. E, evidentemente, a René Schérer, por
ter nos colocado em contato.
342
343
NT
[Em francês, louveteau (literalmente, “filhote de lobo”, “lobinho”) é um epíteto que se refere aos escoteiros
mais novos, destacando assim sua doçura e docilidade. Adotamos aqui uma solução por contraste, uma vez que,
em português, esta conotação, quando relacionada ao universo dos animais, se associa mais diretamente ao
cordeiro, como vemos, por exemplo, no ditado popular: “ele é um lobo em pele de cordeiro”].
344
Nínfica, quer dizer, demoníaca

NT
[No original: “Co-ire – aller de concert...”. Em geral, a locução de concert remete à ação realizada de bom
grado, cuja tradução mais literal resultaria em “ir de comum acordo”. É preciso, contudo, ressaltar que o livro de
Schérer e Hocquenghem, assim como toda a direção da leitura aqui apresentada por Châtelet problematizam a
armadilha de pensar a criança como “sujeito autônomo”, bem como a armadilha da categoria de consentimento no
que concerne à infância; trata-se, mais precisamente, de situar a condição extraordinária (inumana, atemporal,
inominável) das atrações passionais que a atravessam como “corpo de desejo”].
345
*

3 4

346
8

347
9

10

348
*

10

349