Você está na página 1de 9

INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DO ACRE-IESACRE

UNIÃO EDUCACIONAL DO NORTE-UNINORTE

ENGENHARIA CIVIL-3º PERÍODO

FLÁVIA ROLDES DE SOUZA

CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Rio Branco-Acre, Junho de 2017.


FLÁVIA ROLDES DE SOUZA

CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Trabalho apresentado ao curso


De engenharia civil como nota
Parcial da B2, disciplina de Ética,
Política e Sociedade orientada pela
professora Patrícia Albuquerque.

Rio Branco –Acre, Junho de 2017.


INTRODUÇÃO

A construção sustentável é uma forma de se construir casas e edifícios,


harmonizando-os com o meio ambiente. Ela procura, durante toda sua
produção e pós-construção, amenizar os impactos à natureza, reduzindo o
máximo possível os resíduos e utilizando com eficiência os materiais e bens
naturais, como água e energia. Além disso, é imprescindível a aplicação de
materiais recicláveis e de menor impacto ambiental, como madeiras
reflorestadas e tijolo de adobe, por exemplo.

A aplicação desse conceito entrou na pauta dos arquitetos após a Crise do


Petróleo, dada na década de 1970, amenizando a utilização de energia e
procurando novas formas de utilizá-la. Após o término da crise, o conceito não
sumiu, pois, a tendência de levar a sustentabilidade cada vez mais a sério só
evoluiu a partir de então.
CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Reconhecidamente, o setor da construção civil tem papel fundamental para a


realização dos objetivos globais do desenvolvimento sustentável. O Conselho
Internacional da Construção – CIB aponta a indústria da construção como o
setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza
energia de forma intensiva, gerando consideráveis impactos ambientais. Além
dos impactos relacionados ao consumo de matéria e energia, há aqueles
associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Estima-se que
mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades
humanas sejam provenientes da construção. Tais aspectos ambientais,
somados à qualidade de vida que o ambiente construído proporciona,
sintetizam as relações entre construção e meio ambiente.

Na busca de minimizar os impactos ambientais provocados pela construção,


surge o paradigma da construção sustentável. No âmbito da Agenda 21 para a
Construção Sustentável em Países em Desenvolvimento, a construção
sustentável é definida como: "um processo holístico que aspira a restauração e
manutenção da harmonia entre os ambientes natural e construído, e a criação
de assentamentos que afirmem a dignidade humana e encorajem a equidade
econômica". No contexto do desenvolvimento sustentável, o conceito
transcende a sustentabilidade ambiental, para abraçar a sustentabilidade
econômica e social, que enfatiza a adição de valor à qualidade de vida dos
indivíduos e das comunidades.

Os desafios para o setor da construção são diversos, porém, em síntese,


consistem na redução e otimização do consumo de materiais e energia, na
redução dos resíduos gerados, na preservação do ambiente natural e na
melhoria da qualidade do ambiente construído. Para tanto, recomenda-se:

 Mudança dos conceitos da arquitetura convencional na direção de


projetos flexíveis com possibilidade de readequação para futuras mudanças
de uso e atendimento de novas necessidades, reduzindo as demolições;
 Busca de soluções que potencializem o uso racional de energia ou de
energias renováveis;
 Gestão ecológica da água;
 Redução do uso de materiais com alto impacto ambiental;
 Redução dos resíduos da construção com modulação de componentes
para diminuir perdas e especificações que permitam a reutilização de
materiais.

Além disso, a construção e o gerenciamento do ambiente construído devem ser


encarados dentro da perspectiva de ciclo de vida.
As tendências atuais em relação ao tema da construção sustentável caminham
em duas direções. De um lado, centros de pesquisa em tecnologias
alternativas pregam o resgate de materiais e tecnologias vernáculas com o uso
da terra crua, da palha, da pedra, do bambu, entre outros materiais naturais e
pouco processados a serem organizados em Ecovilas e comunidades
alternativas. De outro lado, empresários apostam em "empreendimentos
verdes", com as certificações, tanto no âmbito da edificação quanto no âmbito
do urbano. No entanto, muito edifícios rotulados como verdes refletem apenas
esforços para reduzir a energia incorporada e são, em muitos outros aspectos,
convencionais, tanto na aparência quanto no processo construtivo. Além disso,
deve-se questionar os benefícios que um selo desenvolvido para outra
realidade pode trazer, especialmente para países como o Brasil que ainda não
resolveram seus problemas mais básicos como pobreza e desigualdade social.

Os governos municipais possuem grande potencial de atuação na temática das


construções sustentáveis. As prefeituras podem induzir e fomentar boas
práticas por meio da legislação urbanística e código de edificações, incentivos
tributários e convênios com as concessionárias dos serviços públicos de água,
esgotos e energia. Para contribuir com tais iniciativas, segue um conjunto de
prescrições adequadas à realidade brasileira abrangendo aspectos
urbanísticos e edilícios.

Para a implantação urbana, recomenda-se: adaptação à topografia local, com


redução da movimentação de terra; preservação de espécies nativas; previsão
de ruas e caminhos que privilegiem o pedestre e o ciclista e contemplem a
acessibilidade universal; previsão de espaços de uso comum para integração
da comunidade; e, preferencialmente, de usos do solo diversificados,
minimizando os deslocamentos.

No âmbito da edificação, entende-se como essenciais: adequação do projeto


ao clima do local, minimizando o consumo de energia e otimizando as
condições de ventilação, iluminação e aquecimento naturais; previsão de
requisitos de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida ou, no
mínimo, possibilidade de adaptação posterior; atenção para a orientação solar
adequada, evitando-se a repetição do mesmo projeto em orientações
diferentes; utilização de coberturas verdes; e a suspensão da construção do
solo (a depender do clima).

Na escolha dos materiais de construção: a utilização de materiais disponíveis


no local, pouco processados, não tóxicos, potencialmente recicláveis,
culturalmente aceitos, propícios para a autoconstrução e para a construção em
regime de mutirões, com conteúdo reciclado. Além disso, deve-se evitar
sempre o uso de materiais químicos prejudiciais à saúde humana ou ao meio
ambiente, como amianto, CFC, HCFC, formaldeído, policloreto de vinila (PVC),
tratamento de madeira com CCA, entre outros. Quanto aos resíduos da
construção civil, deve-se atentar para a sua redução e disposição adequada,
promovendo-se a reciclagem e reuso dos materiais.

Com relação à energia, recomenda-se o uso do coletor solar térmico para


aquecimento de água, de energia eólica para bombeamento de água e de
energia solar fotovoltaica, com possibilidade de se injetar o excedente na rede
pública. Sobre águas e esgoto, é interessante prever: a coleta e utilização de
águas pluviais, utilização de dispositivos economizadores de água, reuso de
águas, tratamento adequado de esgoto no local e, quando possível, o uso de
banheiro seco.

A respeito do tratamento das áreas externas, recomenda-se a valorização dos


elementos naturais no tratamento paisagístico e o uso de espécies nativas, a
destinação de espaços para produção de alimentos e compostagem de
resíduos orgânicos, o uso de reciclados da construção na pavimentação e de
pavimentação permeável, a previsão de passeios sombreados no verão e
ensolarados no inverno.

Muitas empresas e construtoras já erguem prédios, casas, pontes, entre outros,


com tecnologias e processos ambientalmente corretos, que agridem menos a
natureza.Alguns exemplos são:
Tubulação verde: Para canalizar a água até o esgoto, ao invés de utilizar PVC,
principal componente dos tubos e conexões, algumas empreiteiras utilizam um
plástico verde extraído de etanol de cana-de-açúcar, desenvolvido pela
brasileira Braskem. O plástico criado é feito 100% de fontes renováveis,
diferente do tradicional polietileno, de origem fóssil.

Energia Fotovoltaica: Ainda no que se refere ao telhado, esse espaço pode


também ser aproveitado para a instalação de Módulos Solar Fotovoltaicos, que
convertem a luz do Sol em energia elétrica confiável, limpa e sem interferências
externas. A tecnologia permite, inclusive, armazenar a energia utilizando
baterias estacionárias, geralmente suficientes para suprir por até quatro dias
uma residência.

Telhado Verde: A opção ecologicamente correta é ideal para áreas urbanas,


que estão cada vez menos arborizadas. A tecnologia permite transformar o
telhado em um ambiente agradável e, de quebra, mitigar os impactos
ambientais. Por funcionar como um isolante térmico, esse telhado melhora
significativamente a qualidade do ar e do ambiente, gerando economia em
energia elétrica, já que se faz desnecessário o uso de ar condicionado. Em
geral, para a criação desse telhado, são escolhidas plantas que necessitam de
pouca poda e irrigação, mantendo-se verdes por todo ano.

USO DO BAMBU NA CONSTRUÇÃO CIVIL


Desde os tempos remotos da história oriental, chineses e japoneses já
conheciam e dominavam muito bem a arte de se construir tomando como base
estruturas em bambu. Desde templos dedicados à Buda até conjuntos
habitacionais familiares que prezavam pela discrição e possibilidades na
mobilidade da planta baixa, esse material era o mais utilizado, por ser
facilmente encontrado na região e por conferir leveza, resistência,
durabilidade e praticidade aos ambientes. As janelas eram constituídas de um
papel espesso e as paredes de bambu podiam ser móveis, possibilitando,
assim, a integração dos espaços das casas.
Infelizmente, poucas construções desse tipo resistiram aos incêndios e ao
desgaste natural ao longo dos anos. Entretanto, o bambu ressurge no cenário
contemporâneo como um material promissor com grande potencial. As
civilizações passaram a utilizá-lo em monumentos públicos, mas seu
aproveitamento não para por aí.

Há cerca de 30 anos pesquisando esse recurso, o professor Khosrow


Ghavami, do Departamento de Engenharia Civil da PUC-RJ, defende
firmemente o uso do bambu na construção civil. Ele estudou 14 espécies e 3,
em especial, com 10 cm ou mais de diâmetro são excelentes para o ramo da
construção. As 3 espécies são: guadua (Guadua angustifolia), ao bambu-
gigante (Dendrocalamus giganteus) e ao bambu-mossô (Phyllostachys
pubescens). Todas podem ser encontradas no Brasil; por exemplo, no estado
do Acre, em que 38% da superfície é coberta por bambuzais.

É inegável a beleza desse recurso, mas ela não é a única vantagem:


ambientalmente falando, a extração não é danosa, visto que a gramínea
gigante atinge um tamanho satisfatório em cerca de três anos.

Sua resistência também surpreende até os pesquisadores: “Sua compressão,


sua flexão e sua tração ja foram amplamente testadas e aprovadas em
laboratório”, afirma Marco Antônio Pereira, professor do Departamento de
Engenharia Mecânica da Unesp. Em geral, apresenta durabilidade superior a
vinte e cinco anos, mas, se submetido a tratamentos especiais, como o
preenchimento dos canais de seiva por um composto de cromo, cloro e bromo,
esse período pode ter um acréscimo bastante interessante.

Tanto fora quanto dentro do Brasil, os arquitetos apostam no bambu para


conferir traços marcantes a seus projetos. Eles conciliam natureza e tecnologia
em um contraste que se torna agradável aos olhos.

Em países como China, Equador e Colômbia, o bambu já é utilizado na parte


estrutural de pontes e de edifícios de pequeno porte. O Laboratório Future
Cities de Cingapura está estudando todas as possibilidades do material cuja
resistência verificada em testes foi considerada maior, inclusive, que a do aço
reforçado.

A extração desse material é ambientalmente menos danosa que a de metal e é


economicamente mais viável, com transporte mais fácil. Pode perfeitamente vir
a substituir o aço na construção civil, com sua estrutura oca e tubular resistente
aos milênios de intempéries da natureza. Entretanto, deve-se aprimorar os
estudos para potencializar seus benefícios e aprender a lidar com seus pontos
fracos: como o comportamento durante a submissão às variações de
temperatura, às chuvas e à degradação biológica. Se vencidas essas barreiras,
um novo material pode tomar o lugar do aço com uma performance maior e
uma pegada ecológica bem menor.

Portanto, não há dúvidas: quanto mais se estudar, mais surpresas boas


aparecerão sobre o material do futuro da construção civil: O Bambu.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/42-eco-design/2062-
conheca-tudo-sobre-construcao-sustentavel.html
http://www.pensamentoverde.com.br/arquitetura-verde/exemplos-de-tecnologia-
sustentavel-na-construcao-civil/
http://www.pensamentoverde.com.br/arquitetura-verde/bambu-construcao-civil/
https://blogdopetcivil.com/2015/05/14/versatilidade-e-qualidade-uso-do-bambu-
na-construcao-civil/