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CBM-BA

Corpo de Bombeiros Militar da Bahia

Soldado do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia


Edital de Abertura de Inscrições – SAEB – 01/2017, de 09 de Maio de 2017
MA041-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Corpo de Bombeiros Militar da Bahia - CBM-BA

Cargo: Soldado do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia

(Baseado no Edital de Abertura de Inscrições – SAEB – 01/2017, de 09 de Maio de 2017)

• Língua Portuguesa
• Matemática
• Ciências Humanas e Naturais
• Língua Inglesa
• Noções de Igualdade Racial e de Gênero
• Noções de Direito Constitucional
• Noções de Direito Administrativo
• Noções de Direito Penal Militar
• Noções de Direitos Humanos

Autoras:
Jaqueline Lima
Bruna Pinotti Garcia Oliveira

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Suelen Domenica Pereira

Capa
Rosa Thaina dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

1. Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados.......................................................................................................... 01


1.1. Reconhecimento de tipos e gêneros textuais................................................................................................................................. 01
2. Domínio da ortografia oficial. ........................................................................................................................................................................ 28
3. Emprego das letras............................................................................................................................................................................................. 33
3.1. Emprego da acentuação gráfica. ......................................................................................................................................................... 33
4. Domínio dos mecanismos de coesão textual. ......................................................................................................................................... 36
4.1. Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e outros elementos de sequen-
ciação textual. ...................................................................................................................................................................................................... 36
4.2. Emprego/correlação de tempos e modos verbais. ...................................................................................................................... 47
5. Domínio da estrutura morfossintática do período. ............................................................................................................................... 60
5.1. Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. .................................................................................... 60
5.2. Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração. ................................................................................... 60
5.3. Emprego dos sinais de pontuação. .................................................................................................................................................... 71
5.4. Concordância verbal e nominal. .......................................................................................................................................................... 74
5.5. Emprego do sinal indicativo de crase. ............................................................................................................................................... 80
5.6. Colocação dos pronomes átonos. ...................................................................................................................................................... 85
6. Reescritura de frases e parágrafos do texto. ........................................................................................................................................... 93
6.1. Substituição de palavras ou de trechos de texto. ......................................................................................................................... 93
6.2. Retextualização de diferentes gêneros e níveis de formalidade. ............................................................................................ 93
7. Correspondência oficial. ................................................................................................................................................................................104
7.1. Adequação da linguagem ao tipo de documento. ....................................................................................................................104
7.2. Adequação do formato do texto ao gênero..................................................................................................................................104

Matemática

1. Sistemas de unidades de medidas: comprimento, área, volume, massa, tempo, ângulo e arco; transformação de uni-
dades de medida...................................................................................................................................................................................................... 01
2. Sequências numéricas, progressões aritméticas e geométricas....................................................................................................... 06
3. Geometria analítica: coordenadas cartesianas; gráficos, tabelas, distância entre dois pontos, estudo analítico da
reta, paralelismo e perpendicularismo de retas, estudo analítico da circunferência, da elipse, da parábola e da hipér-
bole.......................................................................................................................................................................................................................14
4. Análise combinatória e probabilidade: princípios fundamentais da contagem, arranjos, permutações, combina-
ções; binômio de Newton; introdução aos fenômenos aleatórios, conceitos de probabilidade, cálculo de probabi-
lidades........................................................................................................................................................................................................22
5. Geometria plana e geometria espacial: reta, semirreta, segmentos, ângulos, polígonos, circunferência e círculo, lu-
gares geométricos, congruências de figuras, estudo do triângulo, teorema de Thales, teorema de Pitágoras, aspectos
históricos da geometria, áreas de figuras planas; posições relativas de retas e planos no espaço, volumes e áreas de
sólidos: prismas e pirâmides, poliedros regulares, aspectos históricos da geometria espacial, sólidos de revolução: áreas
e volumes de cilindro, cone e esfera................................................................................................................................................................. 31
6. Noções de estatística: população e amostra, variáveis contínuas e discretas, gráficos, distribuição de frequências,
média, mediana, moda, variância e desvio padrão..................................................................................................................................... 70

Ciências Humanas e Naturais

1. Domínio na construção e na aplicação de conceitos das diversas áreas de conhecimento para compreender os pro-
cessos histórico e geográfico internacional, nacional e regional diante da problemática mundial........................................ 01
2. Análise crítica e reflexiva de conjunturas econômicas, sociais, políticas, sociológicas, filosóficas, científicas e culturais
que permitam valorizar os acontecimentos do passado como recurso ao entendimento do mundo atual....................... 14
3. Compreensão da organização do espaço geográfico onde a natureza e a sociedade interagem e identificam-se, atra-
vés das relações entre seres humanos e meio ambiente......................................................................................................................... 24
SUMÁRIO

4. Contribuições que incluam aspectos diversificados das relações filosóficas, sociológicas, culturais, geográficas, histó-
ricas, econômicas, científicas e políticas para a formação das sociedades e suas inter-relações............................................. 28
5. Os sistemas econômicos - a propriedade e a produção...................................................................................................................... 32
6. O homem no espaço global e suas relações com os bens materiais e valores sociais............................................................ 38
7. O conhecimento como forma de poder..................................................................................................................................................... 49
8. Visão unificada do mundo físico, químico e biológico, com base nos aspectos do funcionamento e da aplicação de
conhecimentos à situações encontradas na vida cotidiana..................................................................................................................... 51
9. Estabelecimento de relações entre os vários fenômenos e as principais leis e teorias da Física, relacionando o conhe-
cimento e a compreensão de seus princípios, leis e conceitos fundamentais à vida prática. .................................................. 53
10. Identificação de compostos químicos, correlacionando estruturas, propriedades e utilização tecnológicas.............. 57
11. Aplicações modernas de materiais e de substâncias químicas....................................................................................................... 59
12. Realização de cálculos envolvendo variáveis, tabelas, equações, gráficos, a partir de leis e de princípios de conheci-
mentos químicos relacionados à vida diária. ............................................................................................................................................... 64
13. Compreensão da organização da vida em seus diferentes níveis de expressão. Interpretação da biodiversidade ma-
nifesta as estruturas especializadas de plantas e de animais. ............................................................................................................... 66
14. Análise do potencial de utilização de ecossistemas naturais.......................................................................................................... 71
15. A Vida em seu contexto ecológico - Os fundamentos da ecologia: a biosfera, a grande teia da vida........................... 77
16. As estratégias ecológicas de sobrevivência............................................................................................................................................ 80
17. Interferência do Homem na dinâmica dos ecossistemas.................................................................................................................. 83
18. Saúde como compreensão de vida - As epidemias e as endemias no Brasil............................................................................ 88
19. A natureza mutável e repleta de transformações contínuas..........................................................................................................107
20. A tecnologia a serviço do desenvolvimento social e da manutenção da vida no Planeta.................................................126

Língua Inglesa

1. Compreensão de textos verbais e não-verbais. ...................................................................................................................................... 01


2. Substantivos: Formação do plural: regular, irregular e casos especiais. ....................................................................................... 05
3. Gênero. Contáveis e não-contáveis. ............................................................................................................................................................ 08
4. Formas possessivas dos nomes. Modificadores do nome. ................................................................................................................ 08
5. Artigos e Demonstrativos: Definidos, indefinidos e outros determinantes. Demonstrativo de acordo com a posição,
singular e plural. ...................................................................................................................................................................................................... 09
6. Adjetivos: Grau comparativo e superlativo: regulares e irregulares. Indefinidos. ..................................................................... 13
7. Numerais Cardinais e Ordinais. ..................................................................................................................................................................... 15
8. Pronomes: Pessoais: sujeito e objeto. ......................................................................................................................................................... 16
9. Possessivos: substantivos e adjetivos. Reflexivos. Indefinidos. Interrogativos. Relativos. ...................................................... 16
10. Verbos (Modos, tempos e formas): Regulares e irregulares. Auxiliares e impessoais. Modais. Two-word verbs. Voz
ativa e voz passiva. O gerúndio e seu uso específico. .............................................................................................................................. 19
11. Discurso direto e indireto. Sentenças condicionais............................................................................................................................. 30
12. Advérbios: Tipos: frequência, modo, lugar, tempo, intensidade, dúvida, afirmação. ............................................................ 32
13. Expressões adverbiais. .................................................................................................................................................................................... 32
14. Palavras de relação: Preposições. Conjunções. ..................................................................................................................................... 33
15. Derivação de palavras pelos processos de prefixação e sufixação. Semântica / sinonímia e antonímia....................... 34

Noções de Igualdade Racial e de Gênero

1. Constituição da República Federativa do Brasil (art. 1°, 3°, 4° e 5°)................................................................................................. 01


2. Constituição do Estado da Bahia, (Cap. XXIII “Do Negro”).................................................................................................................. 03
3. Lei federal n° 12.288, de 20 de julho de 2010 (Estatuto da Igualdade Racial)............................................................................. 03
4. Lei federal nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 (Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor) e Lei
federal n° 9.459, de 13 de maio de 1997 (Tipificação dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor)............ 11
5. Decreto federal n° 65.810, de 08 de dezembro de 1969 (Convenção internacional sobre a eliminação de todas as
formas de discriminação racial).......................................................................................................................................................................... 15
SUMÁRIO

6. Decreto federal n° 4.377, de 13 de setembro de 2002 (Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discrimi-
nação contra a mulher).......................................................................................................................................................................................... 20
7. Lei federal nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha).............................................................................................. 27
8. Código Penal Brasileiro (art. 140).................................................................................................................................................................. 35
9. Lei federal n° 9.455, de 7 de abril de 1997 (Crime de Tortura).......................................................................................................... 36
10. Lei federal n° 2.889, de 1º de outubro de 1956 (Define e pune o Crime de Genocídio)...................................................... 38
11. Lei federal nº 7.437, de 20 de dezembro de 1985 (Lei Caó)............................................................................................................. 39
12. Lei estadual n° 10.549, de 28 de dezembro de 2006 (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial); alterada pela Lei
estadual n° 12.212, de 04 de maio de 2011................................................................................................................................................... 40
13. Lei federal nº 10.678, de 23 de maio de 2003, com as alterações da Lei federal nº 13.341, de 29 de setembro de 2016
(Referente à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República)................................... 12

Noções de Direito Penal Militar

1. Dos crimes contra a autoridade ou disciplina militar: Motim. Revolta. Conspiração. Aliciação para motim ou revolta.
Da violência contra superior ou militar de serviço: Violência contra superior................................................................................. 01
Violência contra militar de serviço. Desrespeito a superior..................................................................................................................... 01
Recusa de obediência. Oposição à ordem de sentinela. Reunião ilícita. Publicação ou crítica indevida. Resistência me-
diante ameaça ou violência. ................................................................................................................................................................................ 02
2. Dos crimes contra o serviço militar e o dever militar: Deserção. Abandono de posto. Descumprimento de missão.
Embriaguez em serviço. Dormir em serviço................................................................................................................................................... 02
3. Dos crimes contra a Administração Militar: Desacato a Superior. Desacato a militar. Desobediência. Peculato. Pecu-
lato-furto. Concussão. Corrupção ativa. Corrupção passiva. Falsificação de documento. Falsidade ideológica. Uso de
documento falso....................................................................................................................................................................................................... 03
4. Dos crimes contra o dever funcional: Prevaricação................................................................................................................................ 05

Noções de Direitos Humanos

1. Precedentes históricos, Direito Humanitário, Liga das Nações e Organização Internacional do Trabalho (OIT)........... 01
2. A Declaração Universal dos Direitos Humanos/1948............................................................................................................................ 10
3. Convenção Americana sobre Direitos Humanos/1969 (Pacto de São José da Costa Rica) (arts. 1° ao 32)..................... 18
4. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (arts. 1° ao 15)..................................................................... 27
5. Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos/1966 (arts. 1° ao 271)....................................................................................... 30

Noções de Direito Constitucional

1. Constituição da República Federativa do Brasil: Poder Constituinte............................................................................................... 01


2. Dos princípios fundamentais. ........................................................................................................................................................................ 03
3. Dos direitos e garantias fundamentais. ..................................................................................................................................................... 08
3.1. Dos direitos e deveres individuais e coletivos. .............................................................................................................................. 09
3.2. Da nacionalidade. ...................................................................................................................................................................................... 25
3.3. Dos direitos políticos. ............................................................................................................................................................................... 30
4. Da organização do Estado. ............................................................................................................................................................................. 35
4.1. Da organização político-administrativa. ................................................................................................................................................ 35
4.2. Da União. ...................................................................................................................................................................................................... 36
4.3. Dos Estados federados. ........................................................................................................................................................................... 39
4.4. Do Distrito Federal e dos Territórios. ................................................................................................................................................. 40
4.5. Da administração pública: ...................................................................................................................................................................... 40
4.5.1. Disposições gerais. ................................................................................................................................................................................ 40
4.5.2. Dos servidores públicos. ...................................................................................................................................................................... 51
4.5.3. Dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. ........................................................................................ 54
SUMÁRIO

5. Da organização dos poderes. ........................................................................................................................................................................ 55


5.1. Do poder Legislativo. ............................................................................................................................................................................... 55
5.1.1. Do Congresso Nacional. ...................................................................................................................................................................... 55
5.1.2. Das atribuições do Congresso Nacional........................................................................................................................................ 56
5.1.3. Da Câmara dos Deputados. ............................................................................................................................................................... 57
5.1.4. Do Senado Federal. ............................................................................................................................................................................... 57
5.2. Do Poder Executivo. .................................................................................................................................................................................. 58
5.2.1. Do Presidente e do Vice-Presidente da República. .................................................................................................................. 58
5.2.2. Das atribuições do Presidente da República. .............................................................................................................................. 59
5.2.3. Do Conselho da República e do Conselho de Defesa Nacional. ......................................................................................... 60
5.3. Do Poder Judiciário. .................................................................................................................................................................................. 61
5.3.1. Disposições gerais. ................................................................................................................................................................................ 61
5.4. Das funções essenciais à Justiça. ......................................................................................................................................................... 65
5.4.1. Do Ministério Público. .......................................................................................................................................................................... 65
6. Da defesa do Estado e das instituições democráticas.......................................................................................................................... 69
6.1. Do estado de defesa e do estado de sítio. ...................................................................................................................................... 69
6.2. Das Forças Armadas. ................................................................................................................................................................................ 71
6.3. Da segurança pública................................................................................................................................................................................ 72
7. Constituição do Estado da Bahia. ................................................................................................................................................................. 73
7.1 Dos servidores públicos militares. ........................................................................................................................................................ 73
7.2. Da Segurança Pública................................................................................................................................................................................ 74
Noções de Direito Administrativo

1. Administração pública: conceito e princípios...................................................................................................................................... 01


2. Poderes administrativos.................................................................................................................................................................................... 06
3. Atos administrativos........................................................................................................................................................................................... 10
3.1. Conceito......................................................................................................................................................................................................... 10
3.2. Atributos......................................................................................................................................................................................................... 10
3.3. Requisitos....................................................................................................................................................................................................... 10
3.4. Classificação.................................................................................................................................................................................................. 10
3.5. Extinção........................................................................................................................................................................................................... 10
4. Organização administrativa............................................................................................................................................................................. 16
4.1. Órgãos públicos: conceito e classificação........................................................................................................................................ 16
4.2. Entidades administrativas: conceito e espécies. Agentes públicos: espécies. ............................................................. 17
5. Lei estadual nº 7.990, de 27 de dezembro de 2001 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia)........... 24
6. Lei estadual nº 13.202, de 09 de dezembro de 2014 (Institui a Organização Básica do Corpo de Bombeiros Militar da
Bahia)............................................................................................................................................................................................................................. 55
7. Lei estadual nº 12.929, de 27 de dezembro de 2013 (Dispõe sobre a Segurança Contra Incêndio e Pânico nas edifica-
ções e áreas de risco no Estado da Bahia, cria o Fundo Estadual do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia - FUNEBOM,
altera a Lei estadual nº 6.896, de 28 de julho de 1995, e dá outras providências)........................................................................ 64
8. Decreto estadual nº 16.302, de 27 de agosto de 2015 (Regulamenta a Lei estadual nº 12.929, de 27 de dezembro de
2013, que dispõe sobre a Segurança contra Incêndio e Pânico e dá outras providências)........................................................ 67
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados.......................................................................................................... 01


1.1. Reconhecimento de tipos e gêneros textuais................................................................................................................................. 01
2. Domínio da ortografia oficial. ........................................................................................................................................................................ 28
3. Emprego das letras............................................................................................................................................................................................. 33
3.1. Emprego da acentuação gráfica. ......................................................................................................................................................... 33
4. Domínio dos mecanismos de coesão textual. ......................................................................................................................................... 36
4.1. Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e outros elementos de sequen-
ciação textual. ...................................................................................................................................................................................................... 36
4.2. Emprego/correlação de tempos e modos verbais. ...................................................................................................................... 47
5. Domínio da estrutura morfossintática do período. ............................................................................................................................... 60
5.1. Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. .................................................................................... 60
5.2. Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração. ................................................................................... 60
5.3. Emprego dos sinais de pontuação. .................................................................................................................................................... 71
5.4. Concordância verbal e nominal. .......................................................................................................................................................... 74
5.5. Emprego do sinal indicativo de crase. ............................................................................................................................................... 80
5.6. Colocação dos pronomes átonos. ...................................................................................................................................................... 85
6. Reescritura de frases e parágrafos do texto. ........................................................................................................................................... 93
6.1. Substituição de palavras ou de trechos de texto. ......................................................................................................................... 93
6.2. Retextualização de diferentes gêneros e níveis de formalidade. ............................................................................................ 93
7. Correspondência oficial. ................................................................................................................................................................................104
7.1. Adequação da linguagem ao tipo de documento. ....................................................................................................................104
7.2. Adequação do formato do texto ao gênero..................................................................................................................................104
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação – na semântica (significado das palavras)


1.1. COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS. tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
1.1. RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS gem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese e
TEXTUAIS. OFICIAL.
- Capacidade de raciocínio.

Interpretar X compreender
É muito comum, entre os candidatos a um cargo públi-
co, a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, Interpretar significa
vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
de responder às questões relacionadas a textos. - Através do texto, infere-se que...
- É possível deduzir que...
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- - O autor permite concluir que...
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
e decodificar ). Compreender significa
- intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. está escrito.
Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz - o texto diz que...
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con- - é sugerido pelo autor que...
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que ção...
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma - o narrador afirma...
frase for retirada de seu contexto original e analisada se-
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele Erros de interpretação
inicial.
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência
Intertexto - comumente, os textos apresentam referên- de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
cias diretas ou indiretas a outros autores através de cita- - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um con-
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, junto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas entendimento do tema desenvolvido.
na prova.
- Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias con-
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: trárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen- cadas e, consequentemente, errando a questão.
tais de uma argumentação, de um processo, de uma época
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor
definem o tempo). e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou de concurso, o que deve ser levado em consideração é o
de diferenças entre as situações do texto. que o autor diz e nada mais.
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado
com uma realidade, opinando a respeito. Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun- relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
dárias em um só parágrafo. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala- pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
vras. me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
vai dizer e o que já foi dito.
Condições básicas para interpretar OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia
-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e
Fazem-se necessários: do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do
- Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer
literários, estrutura do texto), leitura e prática; também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante-
texto) e semântico; cedente.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes relativos são muito importantes na in- nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de é capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janei-
a saber: ro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
mas depende das condições da frase. No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo
- qual (neutro) idem ao anterior. reduzido no qual o menino detém sua atenção é
- quem (pessoa) (A) fresta.
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois (B) marca.
o objeto possuído. (C) alma.
- como (modo) (D) solidão.
(E) penumbra.
- onde (lugar)
quando (tempo)
Texto para a questão 2:
quanto (montante)
DA DISCRIÇÃO
Exemplo:
Falou tudo QUANTO queria (correto) Mário Quintana
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
aparecer o demonstrativo O ). Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
Dicas para melhorar a interpretação de textos E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do (http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade)
assunto;
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa 2-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMUNI-
a leitura; TÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o poema,
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto é correto afirmar que
pelo menos duas vezes; (A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade é
- Inferir; algo ruim.
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; (B) amigo que não guarda segredos não merece respeito.
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do (C) o melhor amigo é aquele que não possui outros ami-
autor; gos.
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor (D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado.
compreensão; (E) entre amigos, não devem existir segredos.
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada
questão; 3-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO – SE-
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. CRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE PENITENCIÁ-
RIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder à questão.
Fonte:
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- Casamento
gues/como-interpretar-textos
Há mulheres que dizem:
QUESTÕES Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
1-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – FCC/2014 Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
- ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão, conside- ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
re o texto abaixo. É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
A marca da solidão
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a
atravessa a cozinha como um rio profundo.
testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de Por fim, os peixes na travessa,
penumbra na tarde quente. vamos dormir.
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den- Coisas prateadas espocam:
tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com somos noivo e noiva.
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque- (Adélia Prado, Poesia Reunida)

2
LÍNGUA PORTUGUESA

A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar
(A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não que, em sua estrutura sintática, houve supressão da ex-
gostam que os maridos frequentem pescarias, pois acham pressão
difícil limpar os peixes. a) vigilantes.
(B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulhe- b) carga.
res que não gostam de limpar os peixes, embora valorizem c) viatura.
os esbarrões de cotovelos na cozinha. d) foi.
(C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozi- e) desviada.
nhas com seus maridos na cozinha, enquanto limpam os
peixes. 7-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
(D) as mulheres que amam valorizam os momentos Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
mais simples do cotidiano vividos com a pessoa amada. — Carta para o 9.326!!!
(E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noi- Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está
te, para limpar, abrir e salgar o peixe. em
branco, e um outro pergunta:
4-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- — Quem te mandou essa carta?
PE/2012) — Minha irmã.
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a — Mas por que não está escrito nada?
totalidade do universo, toda a sociedade, a história, a con- — Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com
que se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de adaptações).
alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação do O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto
mundo. acima decorre
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o
A) da identificação numérica atribuída ao louco.
Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações).
carta no hospício.
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente tex-
C) do fato de outro louco querer saber quem enviou
tual “O riso”.
a carta.
(...) CERTO ( ) ERRADO
D) da explicação dada pelo louco para a carta em
branco.
5-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
PE/2010)
Só agora, quase cinco meses depois do apagão que
atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, 8-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
surge uma explicação oficial satisfatória para o corte abrup- Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
to e generalizado de energia no final de 2009. — Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elé- — O senhor tem hora?
trica (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa es- O sujeito olha para o relógio e diz:
tatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de — Sim. São duas e meia.
900 km que separam Itaipu de São Paulo. — Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente.
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de in- — O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não
vestimentos e também erros operacionais conspiraram para me paga o aluguel do consultório...
produzir a mais séria falha do sistema de geração e distri- Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com
buição de energia do país desde o traumático racionamento adaptações).
de 2001.
Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta- No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes
ções). ao homem para saber se ele
A) verificou o horário de chegada e está sob os cuida-
Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas dos do dr. Pedro.
do texto acima apresentado, julgue os próximos itens. B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o paga-
A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em mento do aluguel.
18 estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo. C) tem relógio e sabe esperar.
(...) CERTO ( ) ERRADO D) marcou consulta e está calmo.
E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cui-
6-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI- dados do dr. Pedro.
NISTRAÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a via-
tura, com os vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona
norte de São Paulo.”

3
LÍNGUA PORTUGUESA

(GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO DA 10-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Atenção: NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa
As questões de números 09 a 12 referem-se ao texto abai- claro que
xo. (A) a importância do líder baseia-se na valorização de
Liderança é uma palavra frequentemente associada a todo o grupo em torno da realização de um objetivo co-
feitos e realizações de grandes personagens da história e da mum.
vida social ou, então, a uma dimensão mágica, em que al- (B) o líder é o elemento essencial dentro de uma orga-
gumas poucas pessoas teriam habilidades inatas ou o dom nização, pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta
de transformar-se em grandes líderes, capazes de influenciar ou objetivo.
outras e, assim, obter e manter o poder. (C) pode não haver condições de liderança em algumas
Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a equipes, caso não se estabeleçam atividades específicas
maioria das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos de- para cada um de seus membros.
senvolver consideravelmente as suas capacidades de liderança. (D) a liderança é um dom que independe da participa-
Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns ção dos componentes de uma equipe em um ambiente de
que aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjun- trabalho.
to, formam uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias
algumas habilidades, mas elas podem ser aprendidas tanto 11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
através das experiências da vida, quanto da formação volta- CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno da
da para essa finalidade. liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo)
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; en- No contexto, inter-relação significa
volve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades (A) o respeito que os membros de uma equipe devem
para serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, demonstrar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por
que requerem a interação cooperativa dos membros envol- resultarem em benefício de todo o grupo.
vidos. Não pressupõe proximidade física ou temporal: pode- (B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um
se ter a mente e/ou o comportamento influenciado por um grupo devidamente orientado pelo líder e aqueles propos-
escritor ou por um líder religioso que nunca se viu ou que tos pela organização a que prestam serviço.
viveu noutra época. [...] (C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em
Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação equipe, de modo que os mais capacitados colaborem com
do poder de influência do líder, implica dizer que parte desse os de menor capacidade.
poder encontra-se no próprio grupo. É nessa premissa que (D) a criação de interesses mútuos entre membros de
se fundamenta a maioria das teorias contemporâneas sobre uma equipe e de respeito às metas que devem ser alcan-
liderança. çadas por todos.
Daí definirem liderança como a arte de usar o poder
que existe nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para
fazerem o que se requer delas, da maneira mais efetiva e 12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
humana possível. [...] CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo)
Pinto. Gestão de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que
Administração pública do Estado de São Paulo, org. Lais Ma- (A) a presença física de um líder natural é fundamen-
cedo de Oliveira e Maria Cristina Pinto Galvão, Secretaria de tal para que seus ensinamentos possam ser divulgados e
Gestão pública, São Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p. 290 e 292, aceitos.
com adaptações) (B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sem-
pre se atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de
09-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI- autores diversos.
CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o (C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo,
texto, liderança mesmo se houver distância no tempo e no espaço entre
(A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não aquele que influencia e aquele que é influenciado.
pode ser desenvolvida por aqueles que somente executam (D) as influências recebidas devem ser bem analisadas
tarefas em seu ambiente de trabalho. e postas em prática em seu devido tempo e na ocasião
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de mais propícia.
heróis da história da humanidade, que realizaram grandes
feitos e se tornaram poderosos através deles.
(C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até
mesmo adquirida, de conseguir resultados desejáveis da-
queles que constituem a equipe de trabalho.
(D) torna-se legítima se houver consenso em todos os
grupos quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá
mobilizar esses grupos em torno de seus objetivos pes-
soais.

4
LÍNGUA PORTUGUESA

13-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR – 14-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA-


FGV PROJETOS/2010) LHO – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descre-
ver a maneira como se preparam para suas férias, a autora
Painel do leitor (Carta do leitor) mostra que seus amigos estão
(A) serenos.
Resgate no Chile (B) descuidados.
(C) apreensivos.
Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de (D) indiferentes.
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo (E) relaxados.
de uma mina de cobre e ouro no Chile.
Um a um os mineiros soterrados foram içados com su- 15-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
cesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cumprimen- – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
tando seus companheiros de trabalho. Não se pode esquecer que, assim como seus amigos, a autora viaja para
a ajuda técnica e material que os Estados Unidos, Canadá e (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
China ofereceram à equipe chilena de salvamento, num ges- (B) escapar do lugar em que está.
to humanitário que só enobrece esses países. E, também, dos (C) reencontrar familiares queridos.
dois médicos e dois “socorristas” que, demonstrando coragem (D) praticar esportes radicais.
e desprendimento, desceram na mina para ajudar no salva- (E) dedicar-se ao trabalho.
mento.
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai- 16-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde,
nel do leitor – 17/10/2010) “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como
um bosque” (último parágrafo), a autora sugere que viajará
Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- para um lugar
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor (A) repulsivo e populoso.
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem (B) sombrio e desabitado.
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO:
(C) comercial e movimentado.
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...”
(D) bucólico e sossegado.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma
(E) opressivo e agitado.
mina de cobre e ouro no Chile.”
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...”
17) (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSUL-
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
PLAN/2013 - ADAPTADA) Texto para responder à questão.
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, des-
ceram na mina...”

(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO –


VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
questões de números 14 a 16.

Férias na Ilha do Nanja

Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as ma-


las nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo faz,
pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissu-
ras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre as (Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1.
fissuras, as pedras soltas e as barreiras... Porto Alegre: L&PM, 1976. p. 95.)
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de
tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra- A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunis-
mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver ta mineiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar
numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da que o tema apresentado é
própria vida. (A) a oposição entre o modo de pensar e agir.
E eu vou para a Ilha do Nanja. (B) a rapidez da comunicação na Era da Informática.
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as (C) a comunicação e sua importância na vida das pes-
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio soas.
cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já estou (D) a massificação do pensamento na sociedade mo-
vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a moça derna.
à janela a namorar um moço na outra janela de outra ilha.
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. Adap-
tado)

*fissuras: fendas, rachaduras

5
LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO 8-)
“O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se
1-) o senhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun- marcou horário e se é paciente do Dr. Pedro.
do cabe numa fresta.
RESPOSTA: “E”.
RESPOSTA: “A”.
9-)
2-) Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar
Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informa- à conclusão: O fenômeno da liderança só ocorre na in-
ção contida na alternativa: revelar segredos para o amigo ter-relação; envolve duas ou mais pessoas e a existência
pode ser arriscado. de necessidades para serem atendidas ou objetivos para
serem alcançados, que requerem a interação cooperativa
RESPOSTA: “D”.
dos membros envolvidos = equipe
3-)
Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a au- RESPOSTA: “C”.
tora narra um momento simples, mas que é prazeroso ao
casal. 10-)
O texto deixa claro que a importância do líder baseia-
RESPOSTA: “D”. se na valorização de todo o grupo em torno da realização
de um objetivo comum.
4-)
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a serie- RESPOSTA: “A”.
dade; ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos
relacionam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”. 11-)
Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresen-
RESPOSTA: “CERTO”. tadas, a que está coerente com o sentido dado à palavra
“inter-relação” é: “a criação de interesses mútuos entre
5-) membros de uma equipe e de respeito às metas que de-
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo vem ser alcançadas por todos”.
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por
“o qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (ora- RESPOSTA: “D”.
ção subordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula,
temos uma adjetiva explicativa (generaliza a informação 12-)
da oração principal. A construção seria: “do apagão, que Não pressupõe proximidade física ou temporal = o
atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados do país”); aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se
quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe, houver distância no tempo e no espaço entre aquele que
delimita a informação – como no caso do exercício). influencia e aquele que é influenciado.
RESPOSTA: “CERTO’.
RESPOSTA: “C”.
6-)
13-)
“A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes,
Em todas as alternativas há expressões que represen-
abandonada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.” Tra-
ta-se da figura de linguagem (de construção ou sintaxe) tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da
“zeugma”, que consiste na omissão de um termo já citado Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só
anteriormente (diferente da elipse, que o termo não é ci- enobrece / demonstrando coragem e desprendimento.
tado, mas facilmente identificado). No enunciado temos a
narração de que a carga foi desviada e de que a viatura foi RESPOSTA: “B”.
abandonada.
14-)
RESPOSTA: “D”. “pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos en-
7-) tre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos.
aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah,
porque nós brigamos e não estamos nos falando”. RESPOSTA: “C”.

RESPOSTA: “D”.

6
LÍNGUA PORTUGUESA

15-) Texto Dissertativo - a dissertação é um texto que ana-


Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta lisa, interpreta, explica e avalia dados da realidade. Esse
da própria autora! tipo textual requer reflexão, pois as opiniões sobre os fatos
e a postura crítica em relação ao que se discute têm grande
RESPOSTA: “B”. importância. O texto dissertativo é temático, pois trata de
análises e interpretações; o tempo explorado é o presente
16-) no seu valor atemporal; é constituído por uma introdução
Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim. onde o assunto a ser discutido é apresentado, seguido por
uma argumentação que caracteriza o ponto de vista do au-
RESPOSTA: “D”. tor sobre o assunto em evidência. Nesse tipo de texto a
expressão das ideias, valores, crenças são claras, evidentes,
17-) pois é um tipo de texto que propõe a reflexão, o debate
Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta de ideias. A linguagem explorada é a denotativa, embora o
observar o que as personagens “dizem” e o que “pensam”. uso da conotação possa marcar um estilo pessoal. A obje-
tividade é um fator importante, pois dá ao texto um valor
RESPOSTA: “A”.
universal, por isso geralmente o enunciador não aparece
porque o mais importante é o assunto em questão e não
TIPOLOGIA TEXTUAL
quem fala dele. A ausência do emissor é importante para
Tipo textual é a forma como um texto se apresenta. As que a ideia defendida torne algo partilhado entre muitas
únicas tipologias existentes são: narração, descrição, dis- pessoas, sendo admitido o emprego da 1ª pessoa do plural
sertação ou exposição, informação e injunção. É impor- - nós, pois esse não descaracteriza o discurso dissertativo.
tante que não se confunda tipo textual com gênero textual. - expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
- é um tipo de texto argumentativo.
Texto Narrativo - tipo textual em que se conta fatos - defesa de um argumento: apresentação de uma tese
que ocorreram num determinado tempo e lugar, envol- que será defendida; desenvolvimento ou argumentação;
vendo personagens e um narrador. Refere-se a objeto do fechamento;
mundo real ou fictício. Possui uma relação de anterioridade - predomínio da linguagem objetiva;
e posterioridade. O tempo verbal predominante é o pas- - prevalece a denotação.
sado.
- expõe um fato, relaciona mudanças de situação, Texto Argumentativo - esse texto tem a função de
aponta antes, durante e depois dos acontecimentos (ge- persuadir o leitor, convencendo-o de aceitar uma ideia im-
ralmente); posta pelo texto. É o tipo textual mais presente em ma-
- é um tipo de texto sequencial; nifestos e cartas abertas, e quando também mostra fatos
- relato de fatos; para embasar a argumentação, se torna um texto disserta-
- presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tivo-argumentativo.
tempo;
- apresentação de um conflito; Texto Injuntivo/Instrucional - indica como realizar
- uso de verbos de ação; uma ação. Também é utilizado para predizer acontecimen-
- geralmente, é mesclada de descrições; tos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e sim-
- o diálogo direto é frequente. ples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo
imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e
Texto Descritivo - um texto em que se faz um retrato
o uso do futuro do presente do modo indicativo. Ex: Pre-
por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um
visões do tempo, receitas culinárias, manuais, leis, bula de
objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção
remédio, convenções, regras e eventos.
é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abor-
dagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou
sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterio- Narração
ridade. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da
personagem a que o texto refere. Nessa espécie textual as A Narração é um tipo de texto que relata uma história
coisas acontecem ao mesmo tempo. real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto
- expõe características dos seres ou das coisas, apre- narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo
senta uma visão; e em um espaço, organizados por uma narração feita por
- é um tipo de texto figurativo; um narrador. É uma série de fatos situados em um espa-
- retrato de pessoas, ambientes, objetos; ço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro,
- predomínio de atributos; segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não
- uso de verbos de ligação; simultâneos como na descrição. Expressa as relações entre
- frequente emprego de metáforas, comparações e os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre es-
outras figuras de linguagem; ses indivíduos e o mundo, utilizando situações que contêm
- tem como resultado a imagem física ou psicológica. essa vivência.

7
LÍNGUA PORTUGUESA

Todas as vezes que uma história é contada (é narra- Elementos Estruturais (II):
da), o narrador acaba sempre contando onde, quando,
como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista
numa narração predomina a ação: o texto narrativo é um Acontecimento - O quê? Fato
conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos verbos Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato
que compõem esse tipo de texto são os verbos de ação. Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato
O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou Modo - Como? De que forma ocorreu o fato
seja, a história que é contada nesse tipo de texto recebe Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato
o nome de enredo. Resultado - previsível ou imprevisível.
As ações contidas no texto narrativo são praticadas Final - Fechado ou Aberto.
pelas personagens, que são justamente as pessoas en-
volvidas no episódio que está sendo contado. As persona- Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-
gens são identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos se de tal forma, que não é possível compreendê-los iso-
substantivos próprios. ladamente, como simples exemplos de uma narração. Há
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mes- uma relação de implicação mútua entre eles, para garantir
mo sem querer) ele acaba contando “onde” (em que lugar)  coerência e verossimilhança à história narrada. Quanto aos
as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente
O lugar onde ocorre uma ação ou ações  é chamado de sempre presentes no discurso, exceto as personagens ou o
espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar. fato a ser narrado.
Além de contar onde, o narrador também pode es-
clarecer “quando” ocorreram as ações da história. Esse Exemplo:
elemento da narrativa é o tempo, representado no texto
narrativo através dos tempos verbais, mas principalmente Porquinho-da-índia
pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações
no texto narrativo: é ele que indica ao leitor “como” o fato Quando eu tinha seis anos
narrado aconteceu. Ganhei um porquinho-da-índía.
A história contada, por isso, passa por uma introdução Que dor de coração me dava
(parte inicial da história, também chamada de prólogo), Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
pelo desenvolvimento do enredo (é a história propria- Levava ele pra sala
mente dita, o meio, o “miolo” da narrativa, também cha- Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
mada de trama) e termina com a conclusão da história (é o Ele não gostava:
final ou epílogo). Aquele que conta a história é o narrador,  Queria era estar debaixo do fogão.
que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu...) ou impes- Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
soal (narra em 3ª pessoa: Ele...). - O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira na-
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por ver- morada.
bos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de
lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed.
que são os agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, pág. 110.
fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma
rede: a própria história contada. Observe que, no texto acima, há um conjunto de trans-
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que formações de situação: ganhar um porquinho-da-índia é
conta a história. passar da situação de não ter o animalzinho para a de tê
-lo; levá-lo para a sala ou para outros lugares é passar da
Elementos Estruturais (I): situação de ele estar debaixo do fogão para a de estar em
outros lugares; ele não gostava: “queria era estar debaixo
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos. do fogão” implica a volta à situação anterior; “não fazia caso
- Personagens: são seres que se movimentam, se re- nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender que o me-
lacionam e dão lugar à trama que se estabelece na ação. nino passava de uma situação de não ser terno com o ani-
Revelam-se por meio de características físicas ou psicológi- malzinho para uma situação de ser; no último verso tem-se
cas. Os personagens podem ser lineares (previsíveis), com- a passagem da situação de não ter namorada para a de ter.
plexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande con-
ou tipos humanos (o medroso, o tímido, o avarento etc.), junto de mudanças de situação. É isso que define o que se
heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas. chama o componente narrativo do texto, ou seja, narrativa
- Narrador: é quem conta a história. é uma mudança de estado pela ação de alguma persona-
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. gem, é uma transformação de situação. Mesmo que essa
- Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: personagem não apareça no texto, ela está logicamente
o tempo convencional (horas, dias, meses); Psicológico: o implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou um por-
tempo interior, subjetivo. quinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzinho.
Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele em

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LÍNGUA PORTUGUESA

que alguém recebe alguma coisa (o menino passou a ter o Observador: é como se dissesse: É verdade, pode
porquinho-da índia) e aquele alguém perde alguma coisa acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo:
(o porquinho perdia, a cada vez que o menino o levava para
outro lugar, o espaço confortável de debaixo do fogão). As- “Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre
sim, temos dois tipos de narrativas: de aquisição e de pri- teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de
vação. contrabandista que fez cancha nos banhados do Ibirocaí.
Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a
Existem três tipos de foco narrativo: cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado
da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madru-
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história gadas...; ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que
na qual é participante. Nesse caso ele é narrador e persona- ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca
gem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa. perdeu atalho, nunca desandou cruzada!...
- Narrador-observador: é aquele que conta a história (...)
como alguém que observa tudo que acontece e transmite Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento
ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa. dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não no víamos
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enre- desde muito tempo. (...)
do e as personagens, revelando seus pensamentos e senti- Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na
mentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, matança dos leitões e no tiramento dos assados com couro.
aparece misturada com pensamentos dos personagens (dis- (J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)
curso indireto livre).
- Em 3ª pessoa:
Estrutura:
Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira
- Apresentação: é a parte do texto em que são apre- pessoa. Exemplo:
sentados alguns personagens e expostas algumas circuns-
tâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação “Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fanta-
se desenvolverá.
siaram de borboleta. Por isso não pôde defender-se. E saiu à
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia pro-
rua com ar menos carnavalesco deste mundo, morrendo de
priamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem,
vergonha da malha de cetim, das asas e das antenas e, mais
conduzindo ao clímax.
ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa para disfarçar
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge
o sentimento impreciso de ridículo.”
seu momento crítico, tornando o desfecho inevitável.
(Ilka Laurito. Sal do Lírico)
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas
ações dos personagens.
Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história
Tipos de Personagens: como sendo vista por uma câmara ou filmadora. Exemplo:

Os personagens têm muita importância na construção de Festa


um texto narrativo, são elementos vitais. Podem ser princi-
pais ou secundários, conforme o papel que desempenham Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental
no enredo, podem ser apresentados direta ou indiretamente. olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanhado
A apresentação direta acontece quando o personagem de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro
aparece de forma clara no texto, retratando suas caracterís- mais novo, mas ambos com menos de dez anos.
ticas físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas reso-
dá quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor lutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde
vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, há seis mesas desertas.
ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O
modo como vai fazendo. homem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guara-
nás e dois pãezinhos.
- Em 1ª pessoa: __ Duzentos e vinte.
O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
Personagem Principal: há um “eu” participante que __Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.
conta a história e é o protagonista. Exemplo: __ Como?
__ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bam- mais gostoso.
bas, o coração parecendo querer sair-me pela boca fora. O homem olha para os meninos.
Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vi- __ O preço é o mesmo – informa o rapaz.
zinho. Comecei a andar de um lado para outro, estacando __ Está certo.
para amparar-me, e andava outra vez e estacava.” Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra,
(Machado de Assis. Dom Casmurro) como se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os co- Discurso Indireto: o narrador conta o que o persona-
pos e, em seguida, num pratinho, os dois pães com meia gem diz, sem lhe passar diretamente a palavra. Exemplo:
almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os
meninos olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz Frio
cúmplice se retira.
Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene O menino tinha só dez anos.
o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu Quase meia hora andando. No começo pensou num
guaraná e morde o primeiro bocado do pão. bonde. Mas lembrou-se do embrulhinho branco e bem
O homem toma a cerveja em pequenos goles, obser- feito que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo
vando criteriosamente o menino mais velho e o menino uma coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, po-
mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida. deriam roubá-lo, sem que percebesse; e depois?... Que é
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois me- que diria a Paraná?)
ninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutí- Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando
veis, sentados naquela mesa. as vitrines, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias co-
(Wander Piroli)
muns. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada,
nem olhar muito para nada.
Tipos de Discurso:
__ Olho vivo – como dizia Paraná.
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das
Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamen-
te para o personagem, sem a sua interferência. Exemplo: ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava
um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
Caso de Desquite Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma
mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali,
__ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na à noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland.
boca). Veja, doutor, este velho caducando. Bisavô, um neto Ela lhe deu, ele seguiu. Ignorava a exatidão de seus cálcu-
casado. Agora com mania de mulher. Todo velho é sem- los, mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora
vergonha. para chegar em casa. Os bondes passavam.
__ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só (João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço)
não me pise, fico uma jararaca. Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a
__ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão. fala do personagem e a fala do narrador. É um recurso re-
__ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está lativamente recente. Surgiu com romancistas inovadores
bom? Ela não contribuiu com nada, doutor. Só deu de ma- do século XX. Exemplo:
mar no primeiro mês.
__Você desempregado, quem é que fazia roça? A Morte da Porta-Estandarte
__ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava.
Fui jogado na estrada, doutor. Desde onze anos estou no Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus
mundo sem ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e braços. Rosinha está dormindo. Não acordem Rosinha.
dia o hominho aqui na carroça. Sempre o mais sacrificado, Não é preciso segurá-lo, que ele não está bêbado... O céu
está bom? baixou, se abriu... Esse temporal assim é bom, porque Ro-
__ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende? sinha não sai. Tenham paciência... Largar Rosinha ali, ele
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém não larga não... Não! E esses tambores? Ui! Que venham...
morre só. Sempre tem um cristão que enterra o pobre. É guerra... ele vai se espalhar... Por que não está malhando
__ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher... em sua cabeça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da cama... Ele
__ Eu arranjo.
está dormindo, Rosinha... Fugir com ela, para o fundo do
__ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem
País... Abraçá-la no alto de uma colina...
dois cavalos. A carroça e os dois cavalos, o que há de me-
(Aníbal Machado)
lhor. Vai me deixar sem nada?
__ Você tinha amula e a potranca. A mula vendeu e a
potranca, deixou morrer. Tenho culpa? Só quero paz, um Sequência Narrativa:
prato de comida e roupa lavada.
__ Para onde foi a lavadeira? Uma narrativa não tem uma única mudança, mas vá-
__ Quem? rias: uma coordena-se a outra, uma implica a outra, uma
__ A mulata. subordina-se a outra.
(...) A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
(Dalton Trevisan – A guerra Conjugal) - uma em que uma personagem passa a ter um que-
rer ou um dever (um desejo ou uma necessidade de fazer
algo);
- uma em que ela adquire um saber ou um poder
(uma competência para fazer algo);

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LÍNGUA PORTUGUESA

- uma em que a personagem executa aquilo que que- Resumindo: na narração, as três características expli-
ria ou devia fazer (é a mudança principal da narrativa); cadas acima (transformação de situações, figuratividade
- uma em que se constata que uma transformação se e relações de anterioridade e posterioridade entre os epi-
deu e em que se podem atribuir prêmios ou castigos às sódios relatados) devem estar presentes conjuntamente.
personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e Um texto que tenha só uma ou duas dessas características
os castigos, para os maus). não é uma narração.

Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto
se pressupõem logicamente. Com efeito, quando se cons- narrativo:
tata a realização de uma mudança é porque ela se veri-
ficou, e ela efetua-se porque quem a realiza pode, sabe, - Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o
quer ou deve fazê-la. Tomemos, por exemplo, o ato de que aconteceu, quando e onde.
comprar um apartamento: quando se assina a escritura, - Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos
realiza-se o ato de compra; para isso, é necessário poder personagens.
(ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente, - Desenvolvimento: detalhes do fato.
querer deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mu- - Conclusão: consequências do fato.
dar, por ter sido despejado, por exemplo).
Algumas mudanças são necessárias para que outras se Caracterização Formal:
deem. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apa-
nhar um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspec-
Para ter um carro, é preciso antes conseguir o dinheiro. to narrativo apresenta, até certo ponto, alguma subjetivi-
dade, porquanto a criação e o colorido do contexto estão
Narrativa e Narração em função da individualidade e do estilo do narrador. De-
pendendo do enfoque do redator, a narração terá diversas
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narra- abordagens. Assim é de grande importância saber se o
tividade é um componente narrativo que pode existir em relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No
textos que não são narrações. A narrativa é a transforma- primeiro caso, há a participação do narrador; segundo, há
ção de situações. Por exemplo, quando se diz “Depois da uma inferência do último através da onipresença e onis-
abolição, incentivou-se a imigração de europeus”, temos ciência.
um texto dissertativo, que, no entanto, apresenta um com-
Quanto à temporalidade, não há rigor na ordena-
ponente narrativo, pois contém uma mudança de situação:
ção dos acontecimentos: esses podem oscilar no tempo,
do não incentivo ao incentivo da imigração européia.
transgredindo o aspecto linear e constituindo o que se
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos
denomina “flashback”. O narrador que usa essa técnica
de texto, o que é narração?
(característica comum no cinema moderno) demonstra
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três carac-
maior criatividade e originalidade, podendo observar as
terísticas:
ações ziguezagueando no tempo e no espaço.
- é um conjunto de transformações de situação (o
texto de Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como
Exemplo - Personagens
vimos, preenche essa condição);
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens
e fatos concretos (o texto “Porquinho-da-índia” preenche “Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr.
também esse requisito); Amâncio não viu a mulher chegar.
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira - Não quer que se carpa o quintal, moço?
tal que, entre elas, existe sempre uma relação de anterio- Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a
ridade e posterioridade (no texto “Porquinho-da-índia” o face escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam algu-
fato de ganhar o animal é anterior ao de ele estar debai- ma coisa do passado, os olhos).”
xo do fogão, que por sua vez é anterior ao de o menino
levá-lo para a sala, que por seu turno é anterior ao de o (Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Ale-
porquinho-da-índia voltar ao fogão). gre: Mercado Aberto, p. 5O)

Essa relação de anterioridade e posterioridade é sem- Exemplo - Espaço


pre pertinente num texto narrativo, mesmo que a sequên- Considerarei longamente meu pequeno deserto, a re-
cia linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por dondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco
exemplo, no romance machadiano Memórias póstumas de de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe
Brás Cubas, quando o narrador começa contando sua mor- a insipidez.”
te para em seguida relatar sua vida, a sequência temporal (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann.
foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao longo Porto Alegre: Movimento, 1981, p. 51)
da leitura, as relações de anterioridade e de posterioridade.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo - Tempo (II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole,


aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cin-
a mulher lhe pediu que a chamasse cedo.” quenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fa-
(Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4) zer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai.
Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava
Tipologia da Narrativa Ficcional: alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes.
O mestre era mais severo com ele do que conosco.
- Romance (Machado de Assis. “Conto de escola”. Contos. 3ed.
- Conto São Paulo, Ática, 1974, págs. 31-32.)
- Crônica
- Fábula Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do pro-
- Lenda fessor da escola que o escritor frequentava. Deve-se notar:
- Parábola
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas
- Anedota
(ao mesmo tempo que gastava duas horas para reter aqui-
- Poema Épico
lo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Rai-
Tipologia da Narrativa Não-Ficcional: mundo tinha grande medo ao pai);
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser
- Memorialismo considerada cronologicamente anterior a outra do ponto
- Notícias de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na
- Relatos escola é cronologicamente anterior a retirar-se dela; no ní-
- História da Civilização vel do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é
indiferente: o que o escritor quer é explicitar uma caracte-
Apresentação da Narrativa: rística do menino, e não traçar a cronologia de suas ações);
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-
- visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que indica
quadrinhos) e desenhos. concomitância em relação a um marco temporal instalado
- auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e discos. no texto (no caso, o ano de 1840, em que o escritor fre-
- audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas. quentava a escola da rua da Costa) e, portanto, não denota
nenhuma transformação de estado;
Descrição - se invertêssemos a sequência dos enunciados, não
correríamos o risco de alterar nenhuma relação cronológi-
É a representação com palavras de um objeto, lugar, si- ca - poderíamos mesmo colocar o últímo período em pri-
tuação ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais meiro lugar e ler o texto do fim para o começo: O mestre
particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola
elemento que seja apreendido pelos sentidos e transforma- depois do pai e retirava-se antes...
do, com palavras, em imagens. Sempre que se expõe com
detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a al- Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enun-
guém, está fazendo uso da descrição. Não é necessário que ciados pode ser invertida, está-se pensando apenas na
seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador ordem cronológica, pois, como veremos adiante, a ordem
varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, em que os elementos são descritos produz determinados
o que será importante ser analisado para um, não será para
efeitos de sentido.
outro. A vivência de quem descreve também influencia na
Quando alteramos a ordem dos enunciados, preci-
hora de transmitir a impressão alcançada sobre determina-
samos fazer certas modificações no texto, pois este con-
do objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida
ou sentimento. tém anafóricos (palavras que retomam o que foi dito an-
tes, como ele, os, aquele, etc. ou catafóricos (palavras que
Exemplos: anunciam o que vai ser dito, como este, etc.), que podem
perder sua função e assim não ser compreendidos. Se to-
(I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda. marmos uma descrição como As flores manifestavam
Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho. todo o seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao inver-
Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, termos a ordem das frases, precisamos fazer algumas al-
pequenas surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado terações, para que o texto possa ser compreendido: O Sol
pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o fazia as flores brilhar. Elas manifestavam todo o seu
meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido esplendor. Como, na versão original, o pronome oblíquo
de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande as é um anafórico que retoma flores, se alterarmos a or-
demais.” dem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos
(extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lis- mudar a palavra flores para a primeira frase e retomá-la
pector) com o anafórico elas na segunda.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Por todas essas características, diz-se que o fragmento Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintá-
do conto de Machado é descritivo. Descrição é o tipo de tico-semânticas encontradas no texto que vão facilitar a
texto em que se expõem características de seres concretos compreensão:
(pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da re- - Predominância de verbos de estado, situação ou in-
lação de anterioridade e de posterioridade. dicadores de propriedades, atitudes, qualidades, usados
principalmente no presente e no imperfeito do indicativo
Características: (ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar).
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que
- Ao fazer a descrição enumeramos características, é descrito;
comparações e inúmeros elementos sensoriais;
- As personagens podem ser caracterizadas física e psi- Exemplo:
cologicamente, ou pelas ações;
- A descrição pode ser considerada um dos elementos “Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço
constitutivos da dissertação e da argumentação; entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no quei-
- É impossível separar narração de descrição; xo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma orelha à
mas sim a capacidade de observação que deve revelar outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto
aquele que a realiza. lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exem- tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos
plo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais ve- da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras.
lha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnu- Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito
da, sanguínea e fogosa, era um desses exemplares exces- despegadas do crânio.”
sivos do sexo que parecem conformados expressamente (Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
para esposas da multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu)
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, - Emprego de figuras (metáforas, metonímias, compa-
não existe relação de anterioridade e posterioridade entre rações, sinestesias). Exemplo:
seus enunciados.
“Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível,
muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês.
que se usem então as formas nominais, o presente e o pre-
Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade
tério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferên-
buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz e ca-
cia aos verbos que indiquem estado ou fenômeno.
sava perfeitamente com os olhinhos de azougue.”
- Todavia deve predominar o emprego das compara-
(José de Alencar - Senhora)
ções, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido
ao texto. - Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo:
A característica fundamental de um texto descritivo é “Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa ve-
essa inexistência de progressão temporal. Pode-se apre- lha, e essa casa era assim: na frente, uma grade de ferro;
sentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha
desde que eles sejam sempre simultâneos, não indicando uma escadinha que devia ter uns cinco degraus; aí você
progressão de uma situação anterior para outra posterior. entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido
Tanto é que uma das marcas linguísticas da descrição é o de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a co-
predomínio de verbos no presente ou no pretérito imper- zinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e
feito do indicativo: o primeiro expressa concomitância em atrás ainda tinha um galpão, que era o lugar da bagunça...”
relação ao momento da fala; o segundo, em relação a um (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
marco temporal pretérito instalado no texto.
Para transformar uma descrição numa narração, basta- Recursos:
ria introduzir um enunciado que indicasse a passagem de
um estado anterior para um posterior. No caso do texto II - Usar impressões cromáticas (cores) e sensações tér-
inicial, para transformá-lo em narração, bastaria dizer: Re- micas. Ex: O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor
unia a isso grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se alegre do sol.
desse medo... - Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exa-
tas, concretas. Ex: As criaturas humanas transpareciam um
Características Linguísticas: céu sereno, uma pureza de cristal.
- As sensações de movimento e cor embelezam o po-
O enunciado narrativo, por ter a representação de um der da natureza e a figura do homem. Ex: Era um verde
acontecimento, fazer-transformador, é marcado pela tem- transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
poralidade, na relação situação inicial e situação final, en- - A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez
quanto que o enunciado descritivo, não tendo transforma- do texto. Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O
ção, é atemporal. pessoal, muito crente.

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LÍNGUA PORTUGUESA

A descrição pode ser apresentada sob duas formas: Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Pró-
prio”, de Bocage:
Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena,
a passagem são apresentadas como realmente são, con- Magro, de olhos azuis, carão moreno,
cretamente. Exemplo: bem servido de pés, meão de altura,
triste de facha, o mesmo de figura,
“Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70kg. Aparência atléti- nariz alto no meio, e não pequeno.
ca, ombros largos, pele bronzeada. Moreno, olhos negros,
cabelos negros e lisos”. Incapaz de assistir num só terreno,
mais propenso ao furor do que à ternura;
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. bebendo em níveas mãos por taça escura
Exemplo: de zelos infernais letal veneno.

“A casa velha era enorme, toda em largura, com por- Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão, 1968, pág.
ta central que se alcançava por três degraus de pedra e 497.
quatro janelas de guilhotina para cada lado. Era feita de
pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de can- O poeta descreve-se das características físicas para as
tos e apoios de madeira-de-lei. Telhado de quatro águas. características morais. Se fizesse o inverso, o sentido não
Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de seria o mesmo, pois as características físicas perderiam
Fora, provavelmente sede de alguma fazenda que tivesse qualquer relevo.
ficado, capricho da sorte, na linha de passagem da va- O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a vi-
riante do Caminho Novo que veio a ser a Rua Principal, sualizar uma cena. É como traçar com palavras o retrato de
depois a Rua Direita – sobre a qual ela se punha um pou- um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas característi-
co de esguelha e fugindo ligeiramente do alinhamento cas exteriores, facilmente identificáveis (descrição objetiva),
(...).” ou suas características psicológicas e até emocionais (des-
(Pedro Nava – Baú de Ossos) crição subjetiva).
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de ad-
Descrição Subjetiva: quando há maior participação jetivos, também denominado adjetivação. Para facilitar o
da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando,
paisagem são transfigurados pela emoção de quem es- após escrever seu texto, sublinhe todos os substantivos,
creve, podendo opinar ou expressar seus sentimentos. acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma
Exemplo: locução adjetiva.
“Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso
ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe no pei- Descrição de objetos constituídos de uma só parte:
to como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco
todo era um anúncio; os gestos, calmos, soberanos, cal- - Introdução: observações de caráter geral referentes à
mos, eram de um rei...” procedência ou localização do objeto descrito.
(“O Ateneu”, Raul Pompéia) - Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (com-
paração com figuras geométricas e com objetos semelhan-
“(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou ou- tes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro
tra esperança maior: para ele, Joca Ramiro era único ho- etc.)
mem, par-de-frança, capaz de tomar conta deste sertão - Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso,
nosso, mandando por lei, de sobregoverno.” cor/brilho, textura.
(Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas) - Conclusão: observações de caráter geral referentes a
sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o
Os efeitos de sentido criados pela disposição dos ele- objeto como um todo.
mentos descritivos: Descrição de objetos constituídos por várias partes:
- Introdução: observações de caráter geral referentes à
Como se disse anteriormente, do ponto de vista da procedência ou localização do objeto descrito.
progressão temporal, a ordem dos enunciados na descri- - Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentá-
ção é indiferente, uma vez que eles indicam propriedades rios das partes que compõem o objeto, associados à expli-
ou características que ocorrem simultaneamente. No en- cação de como as partes se agrupam para formar o todo.
tanto, ela não é indiferente do ponto de vista dos efeitos - Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um
de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do todo (externamente) - formato, dimensões, material, peso,
detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos textura, cor e brilho.
de sentido distintos. - Conclusão: observações de caráter geral referentes a
sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o
objeto em sua totalidade.

14
LÍNGUA PORTUGUESA

Descrição de ambientes: Textos descritivos não-literários: A descrição técnica


- Introdução: comentário de caráter geral. é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto usando
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura glo- uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usa-
bal do ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, lumi- do para descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças
nosidade e aroma (se houver). que os compõem, para descrever experiências, processos,
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a etc. Exemplo:
objetos lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros,
esculturas ou quaisquer outros objetos. Folheto de propaganda de carro
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira
no ambiente. Conforto interno - É impossível falar de conforto sem
incluir o espaço interno. Os seus interiores são amplos, aco-
Descrição de paisagens: modando tranquilamente passageiros e bagagens. O Passat
- Introdução: comentário sobre sua localização ou e o Passat Variant possuem direção hidráulica e ar condicio-
qualquer outra referência de caráter geral. nado de elevada capacidade, proporcionando a climatização
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo (ex- perfeita do ambiente.
plicação do que se vê ao longe). Porta-malas - O compartimento de bagagens possui ca-
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais pacidade de 465 litros, que pode ser ampliada para até 1500
próximos do observador - explicação detalhada dos ele- litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado.
mentos que compõem a paisagem, de acordo com deter- Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em
minada ordem. plástico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras,
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluin- para evitar a deformação em caso de colisão.
do acerca da impressão que a paisagem causa em quem
a contempla. Textos descritivos literários: Na descrição literária pre-
domina o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto de as-
sociações conotativas que podem ser exploradas a partir de
Descrição de pessoas (I):
descrições de pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambien-
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de
tes; situações e coisas. Vale lembrar que textos descritivos
qualquer aspecto de caráter geral.
também podem ocorrer tanto em prosa como em verso.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso,
cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas).
Dissertação
- Desenvolvimento: características psicológicas (perso-
nalidade, temperamento, caráter, preferências, inclinações,
A dissertação é uma exposição, discussão ou interpre-
postura, objetivos). tação de uma determinada ideia. É, sobretudo, analisar al-
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de gum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica,
caráter geral. raciocínio, clareza, coerência, objetividade na exposição, um
planejamento de trabalho e uma habilidade de expressão. É
Descrição de pessoas (II): em função da capacidade crítica que se questionam pontos
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de da realidade social, histórica e psicológica do mundo e dos
qualquer aspecto de caráter geral. semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu sig-
- Desenvolvimento: análise das características físicas, nificado diz respeito a um tipo de texto em que a exposição
associadas às características psicológicas (1ª parte). de uma ideia, através de argumentos, é feita com a finalida-
- Desenvolvimento: análise das características físicas, de de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou
associadas às características psicológicas (2ª parte). artístico. Exemplo:
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de
caráter geral. Há três métodos pelos quais pode um homem chegar
a ser primeiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência,
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã;
É uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais o segundo, como trair ou solapar os predecessores; e o ter-
predominam. Porque toda técnica descritiva implica con- ceiro, como clamar, com zelo furioso, contra a corrupção da
templação e apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear os que se va-
redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensi- lem do último desses métodos, pois os tais fanáticos sempre
bilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou se revelam os mais obsequiosos e subservientes à vontade
interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza e às paixões do amo. Tendo à sua disposição todos os car-
cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade. gos, conservam-se no poder esses ministros subordinando a
maioria do senado, ou grande conselho, e, afinal, por via de
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser um expediente chamado anistia (cuja natureza lhe expliquei),
não-literária ou literária. Na descrição não-literária, há garantem-se contra futuras prestações de contas e retiram-se
maior preocupação com a exatidão dos detalhes e a pre- da vida pública carregados com os despojos da nação.
cisão vocabular. Por ser objetiva, há predominância da de- Jonathan Swift. Viagens de Gulliver.
notação. São Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Esse texto explica os três métodos pelos quais um ho- - Características: caracterização de espaços ou aspectos.
mem chega a ser primeiro-ministro, aconselha o príncipe - Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex:
discreto a escolhê-lo entre os que clamam contra a cor- “Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com
rupção na corte e justifica esse conselho. Observe-se que: televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque
- o texto é temático, pois analisa e interpreta a realida- de aparelhos receptores instalados do mundo). Ao todo,
de com conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar
homem particular e do que faz para chegar a ser primeiro- programas) e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem
ministro, mas do homem em geral e de todos os métodos sinais recebidos). (...)”
para atingir o poder); - Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
- existe mudança de situação no texto (por exemplo, a - Citação: opinião de alguém de destaque sobre o as-
mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção da sunto do texto. Ex: “A principal característica do déspota
corte no momento em que se tornam primeiros-ministros); encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das
- a progressão temporal dos enunciados não tem im- normas e das regras que definem a vida familiar, isto é, o
portância, pois o que importa é a relação de implicação espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário,
(clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto pois decorre exclusivamente de sua vontade, de seu prazer
depois da nomeação para primeiro-ministro). e de suas necessidades.”
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos
Características: que compõem o texto.
- Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entu-
temático; siasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?”
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de si- - Suspense: alguma informação que faça aumentar a
tuação; curiosidade do leitor.
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de - Comparação: social e geográfica.
anterioridade e de posterioridade dos enunciados não têm - Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à
maior importância - o que importa são suas relações ló- distância, velocidade, comunicação, linha de montagem,
gicas: analogia, pertinência, causalidade, coexistência, cor- triunfo das massas, Holocausto: através das metáforas e
respondência, implicação, etc. das realidades que marcaram esses 100 últimos anos, apa-
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos rece a verdadeira doença do século...”
de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística pos- - Narração: narrar um fato.
suem características próprias a cada tipo de texto.
  Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial,
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvi- de forma organizada e progressiva. É a parte maior e mais
mento / Conclusão. importante do texto. Podem ser desenvolvidos de várias
formas:
Introdução: em que se apresenta o assunto; se apre-
senta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu de- - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova
senvolvimento. Tipos: com este tipo de abordagem.
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem dis- a idéia principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a
cutidos. Ex: “Cada criatura humana traz duas almas consi- definição.
go: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de - Comparação: estabelecer analogias, confrontar si-
fora para dentro...” tuações distintas.
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona - Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta
a um fato presente. Ex: “A crise econômica que teve início pontos favoráveis e desfavoráveis.
no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices - Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato
de inflação que a década colecionou, agravou vários dos ou descrever uma cena.
históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, - Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados es-
principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente tatísticos.
identificada pela população brasileira.” - Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para
- Proposição: o autor explicita seus objetivos. prováveis resultados.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de al- - Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve
guma coisa apresentada no texto. Ex: Você quer estar “na apresentar questionamento e reflexão.
sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não - Refutação: questiona-se praticamente tudo: concei-
entre pelo cano! Faça parte desse time de vencedores des- tos, valores, juízos.
de a escolha desse momento! - Causa e Consequência: estruturar o texto através
- Contestação: contestar uma idéia ou uma situação. dos porquês de uma determinada situação.
Ex: “É importante que o cidadão saiba que portar arma de - Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
fogo não é a solução no combate à insegurança.” - Exemplificação: dar exemplos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fe- 2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento


chamento integrado de tudo que se argumentou. Para ela
convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas. B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que
remetem a uma análise do tema em questão.
- Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese. C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro
- Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um dado da realidade.
pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sincerida-
de quem lê. de de quem propõe soluções.
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposi-
Exemplo: ção.

Direito de Trabalho 7º Parágrafo: Conclusão


F. Uma possível solução é apresentada.
Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um G. O texto conclui que desigualdade não se casa com
novo modelo econômico: o capitalismo, que até o século modernidade.
XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje pas-
sou a agir por meio da exclusão. (A) É bom lembrarmos que é praticamente impossível
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo opinar sobre o que não se conhece. A leitura de bons tex-
o trabalho automático, devido à evolução tecnológica e a tos é um dos recursos que permite uma segurança maior
necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca no momento de dissertar sobre algum assunto. Debater
o desemprego. Outro fator que também leva ao desempre- e pesquisar são atitudes que favorecem o senso crítico,
go de um sem número de trabalhadores é a contenção de essencial no desenvolvimento de um texto dissertativo.
despesas, de gastos. (B)
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa cri- Ainda temos:
se social que provém dessa automatização e qualificação,
obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta Tema: compreende o assunto proposto para discus-
garantia aos trabalhadores, de que, mesmo que as empre- são, o assunto que vai ser abordado.
sas sejam automatizadas, não perderão eles seu mercado Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo
de trabalho. (C) discutido.
Não é uma utopia?! Argumentação: é um conjunto de procedimentos
Um exemplo vivo são os bóias-frias que trabalham na linguísticos com os quais a pessoa que escreve sustenta
colheita da cana de açúcar que devido ao avanço tecnoló- suas opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor.
gico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o É fornecer argumentos, ou seja, razões a favor ou contra
meio ambiente, proibindo a queima da cana de açúcar para uma determinada tese.
a colheita e substituindo-os então pelas máquinas, desem- Estes assuntos serão vistos com mais afinco posterior-
prega milhares deles. (D) mente.
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão
cursos de cabeleleiro, marcenaria, eletricista, para não per- Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
derem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a
classe de trabalhos informais. - toda dissertação é uma demonstração, daí a neces-
Como ficam então aqueles trabalhadores que passa- sidade de pleno domínio do assunto e habilidade de ar-
ram à vida estudando, se especializando, para se diferen- gumentação;
ciarem e ainda estão desempregados?, como vimos no úl- - em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao
timo concurso da prefeitura do Rio de Janeiro para “gari”, tema;
havia até advogado na fila de inscrição. (E) - a coerência é tida como regra de ouro da disserta-
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos ção;
têm o direito de trabalho, cabe aos governantes desse país, - impõem-se sempre o raciocínio lógico;
que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse - a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer
processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demons-
para combater a crise generalizada (F), pois a uma nação tração do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, na-
doente, miserável e desigual, não compete a tão sonhada tural, original, nobre, correta gramaticalmente. O discurso
modernidade. (G) deve ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa).

1º Parágrafo – Introdução O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve


apresentar: uma frase contendo a ideia principal (frase
A. Tema: Desemprego no Brasil. nuclear) e uma ou mais frases que explicitem tal ideia.
Contextualização: decorrência de um processo histó- Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealiza-
rico problemático. da (ideia central) porque oculta os problemas sociais real-
mente graves. (ideia secundária)”.

17
LÍNGUA PORTUGUESA

Vejamos: Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver


Ideia central: A poluição atmosférica deve ser combati- através da comparação, que confronta ideias, fatos, fenô-
da urgentemente. menos e apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança.
Exemplo:
Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser
combatida urgentemente, pois a alta concentração de ele- “A juventude é uma infatigável aspiração de felicida-
mentos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas, de; a velhice, pelo contrário, é dominada por um vago e
sobretudo daquelas que sofrem de problemas respiratórios: persistente sentimento de dor, porque já estamos nos con-
vencendo de que a felicidade é uma ilusão, que só o sofri-
- A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem le- mento é real”.
vado muita gente ao vício. (Arthur Schopenhauer)
- A televisão é um dos mais eficazes meios de comuni-
cação criados pelo homem. Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes,
- A violência tem aumentado assustadoramente nas ci- encontra no seu desenvolvimento um segmento causal
dades e hoje parece claro que esse problema não pode ser (fato motivador) e, em outras situações, um segmento in-
resolvido apenas pela polícia. dicando consequências (fatos decorrentes).
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise Exemplos:
atualmente.
- O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a - O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanida-
sociedade brasileira. de que abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas
em ver as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam.
O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras:
- O espírito competitivo foi excessivamente exercido
Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma entre nós, de modo que hoje somos obrigados a viver
série de coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de
numa sociedade fria e inamistosa.
características, funções, processos, situações, sempre ofere-
cendo o complemente necessário à afirmação estabelecida
Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos mar-
na frase nuclear. Pode-se enumerar, seguindo-se os crité-
cam temporal e espacialmente a evolução de ideias, pro-
rios de importância, preferência, classificação ou aleatoria-
cessos.
mente.
Exemplos:
Exemplo:

1- O adolescente moderno está se tornando obeso por Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma
várias causas: alimentação inadequada, falta de exercícios lenta evolução. Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. De-
sistemáticos e demasiada permanência diante de computa- pois deu um significado a cada grunhido. Muito depois,
dores e aparelhos de Televisão. inventou a escrita e só muitos séculos mais tarde é que
passou à comunicação de massa.
2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas
número de emissoras que dedicam parte da sua programa- úmidos, os solos são profundos. Existe nessas regiões uma
ção à veiculação de programas religiosos de crenças variadas. forte decomposição de rochas, isto é, uma forte transfor-
mação da rocha em terra pela umidade e calor. Nas regiões
3- temperadas e ainda nas mais frias, a camada do solo é pou-
- A Santa Missa em seu lar. co profunda. (Melhem Adas)
- Terço Bizantino.
- Despertar da Fé. Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se
- Palavra de Vida. conceituar, exemplificar e aclarar as ideias para torná-las
- Igreja da Graça no Lar. mais compreensíveis.
Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue prove-
4- niente do coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão
- Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o umbilical e na ligação entre os pulmões e o coração, todas
governo brasileiro diante de tantos desmatamentos, dese- as artérias contém sangue vermelho-vivo, recém oxigena-
quilíbrios sociológicos e poluição. do. Na artéria pulmonar, porém, corre sangue venoso, mais
- Existem várias razões que levam um homem a envere- escuro e desoxigenado, que o coração remete para os pul-
dar pelos caminhos do crime. mões para receber oxigênio e liberar gás carbônico”.
- A gravidez na adolescência é um problema seríssimo,
porque pode trazer muitas consequências indesejáveis. Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação,
- O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua so- deve delimitar-se o tema que será desenvolvido e que po-
brevivência no mundo atual e vários são os tipos de lazer. derá ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo,
- O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas o tema é a questão indígena, ela poderá ser desenvolvida a
em várias categorias. partir das seguintes ideias:

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LÍNGUA PORTUGUESA

- A violência contra os povos indígenas é uma constan- A Estrutura de um Texto Argumentativo


te na história do Brasil.
- O surgimento de várias entidades de defesa das po- A argumentação Formal
pulações indígenas.
- A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio A nomenclatura é de Othon Garcia, em sua obra “Co-
brasileiro. municação em Prosa Moderna”. O autor, na mencionada
- A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena. obra, apresenta o seguinte plano-padrão para o que cha-
ma de argumentação formal:
Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, Proposição (tese): afirmativa suficientemente definida
deve fazer a estruturação do texto. e limitada; não deve conter em si mesma nenhum argu-
mento.
A estrutura do texto dissertativo constitui-se de: Análise da proposição ou tese: definição do sentido
da proposição ou de alguns de seus termos, a fim de evitar
Introdução: deve conter a ideia principal a ser desen- mal-entendidos.
volvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura Formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados
do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar estatísticos, testemunhos, etc.
a atenção para dois itens básicos: os objetivos do texto e o Conclusão.
plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema,
seus limites, ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser Observe o texto a seguir, que contém os elementos re-
defendida. feridos do plano-padrão da argumentação formal.
Desenvolvimento: exposição de elementos que vão
fundamentar a ideia principal que pode vir especificada Gramática e desempenho Linguístico
através da argumentação, de pormenores, da ilustração, da
causa e da consequência, das definições, dos dados esta- Pretende-se demonstrar no presente artigo que o es-
tísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da tudo intencional da gramática não traz benefícios signifi-
citação. No desenvolvimento são usados tantos parágrafos cativos para o desempenho linguístico dos utentes de uma
quantos forem necessários para a completa exposição da língua.
ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco Por “estudo intencional da gramática” entende-se o
maneiras expostas acima. estudo de definições, classificações e nomenclatura; a rea-
Conclusão: é a retomada da ideia principal, que ago- lização de análises (fonológica, morfológica, sintática); a
ra deve aparecer de forma muito mais convincente, uma memorização de regras (de concordância, regência e colo-
vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento cação) - para citar algumas áreas. O “desempenho linguís-
da dissertação (um parágrafo). Deve, pois, conter de forma tico”, por outro lado, é expressão técnica definida como
sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação sendo o processo de atualização da competência na pro-
da hipótese ou da tese, acrescida da argumentação básica dução e interpretação de enunciados; dito de maneira mais
empregada no desenvolvimento. simples, é o que se fala, é o que se escreve em condições
reais de comunicação.
Texto Argumentativo A polêmica pró-gramática x contra gramática é bem
antiga; na verdade, surgiu com os gregos, quando surgi-
Texto Argumentativo é o texto em que defendemos ram as primeiras gramáticas. Definida como “arte”, “arte
uma ideia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procuran- de escrever”, percebe-se que subjaz à definição a ideia da
do (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor sua importância para a prática da língua. São da mesma
aceite-a, creia nela. Num texto argumentativo, distinguem- época também as primeiras críticas, como se pode ler em
se três componentes: a tese, os argumentos e as estraté- Apolônio de Rodes, poeta Alexandrino do séc. II a.C.: “Raça
gias argumentativas. de gramáticos, roedores que ratais na musa de outrem, es-
túpidas lagartas que sujais as grandes obras, ó flagelo dos
Tese, ou proposição, é a ideia que defendemos, neces- poetas que mergulhais o espírito das crianças na escuridão,
sariamente polêmica, pois a argumentação implica diver- ide para o diabo, percevejos que devorais os versos belos”.
gência de opinião. Na atualidade, é grande o número de educadores, filó-
Argumento tem uma origem curiosa: vem do latim Ar- logos e linguistas de reconhecido saber que negam a rela-
gumentum, que tem o tema ARGU, cujo sentido primeiro ção entre o estudo intencional da gramática e a melhora do
é “fazer brilhar”, “iluminar”, a mesma raiz de “argênteo”, desempenho linguístico do usuário. Entre esses especialis-
“argúcia”, “arguto”. Os argumentos de um texto são facil- tas, deve-se mencionar o nome do Prof. Celso Pedro Luft
mente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta com sus obra “Língua e liberdade: por uma nova concepção
por quê? Exemplo: o autor é contra a pena de morte (tese). de língua materna e seu ensino” (L&PM, 1995). Com efeito,
Por que... (argumentos). o velho pesquisar apaixonado pelos problemas da língua,
Estratégias argumentativas são todos os recursos teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística,
(verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ou- reúne numa mesma obra convincente fundamentação para
vinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para seu combate veemente contra o ensino da gramática em
persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc. sala de aula. Por oportuno, uma citação apenas:

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Quem sabe, lendo este livro muitos professores talvez dificilmente um Luis Fernando Veríssimo saberia o que é um
abandonem a superstição da teoria gramatical, desistindo morfema; nem é de se crer que todos os nossos bons es-
de querer ensinar a língua por definições, classificações, critores seriam aprovados num teste de Português à maneira
análises inconsistentes e precárias hauridas em gramáticas. tradicional (e, no entanto eles são os senhores da língua!).
Já seria um grande benefício”. Portanto, não há como salvar o ensino da língua, como
Deixando-se de lado a perspectiva teórica do Mestre, recuperar linguisticamente os alunos, como promover um
acima referida suponha-se que se deva recuperar linguisti- melhor desempenho linguístico mediante o ensino-estudo
camente um jovem estudante universitário cujo texto apre- da teoria gramatical. O caminho é seguramente outro.
sente preocupantes problemas de concordância, regência,
colocação, ortografia, pontuação, adequação vocabular, Gilberto Scarton
coesão, coerência, informatividade, entre outros. E, esti-
mando-lhe melhoras, lhe fosse dada uma gramática que Eis o esquema do texto em seus quatro estágios:
ele passaria a estudar: que é fonética? Que é fonologia?
Que é fonemas? Morfema? Qual é coletivo de borboleta? Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se enun-
cia claramente a tese a ser defendida.
O feminino de cupim? Como se chama quem nasce na
Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se defi-
Província de Entre-Douro-e-Minho? Que é oração subor-
nem as expressões “estudo intencional da gramática” e “de-
dinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio? E de-
sempenho lingüístico”, citadas na tese.
corasse regras de ortografia, fizesse lista de homônimos, Terceiro Estágio: terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo
parônimos, de verbos irregulares... e estudasse o plural de e oitavo parágrafos, em que se apresentam os argumentos.
compostos, todas regras de concordância, regências... os - Terceiro parágrafo: parágrafo introdutório à argumen-
casos de próclise, mesóclise e ênclise. E que, ao cabo de tação.
todo esse processo, se voltasse a examinar o desempenho - Quarto parágrafo: argumento de autoridade.
do jovem estudante na produção de um texto. A melhora - Quinto parágrafo: argumento com base em ilustração
seria, indubitavelmente, pouco significativa; uma pequena hipotética.
melhora, talvez, na gramática da frase, mas o problema de - Sexto parágrafo: argumento com base em dados es-
coesão, de coerência, de informatividade - quem sabe os tatísticos.
mais graves - haveriam de continuar. Quanto mais não seja - Sétimo e oitavo parágrafo: argumento com base em
porque a gramática tradicional não dá conta dos mecanis- fatos.
mos que presidem à construção do texto. Quarto Estágio: último parágrafo, em que se apresenta
Poder-se-á objetar que a ilustração de há pouco é ape- a conclusão.
nas hipotética e que, por isso, um argumento de pouco
valor. Contra argumentar-se-ia dizendo que situação como A Argumentação Informal
essa ocorre de fato na prática. Na verdade, todo o ensino
de 1° e 2° graus é gramaticalista, descritivista, definitório, A nomenclatura também é de Othon Garcia, na obra já
classificatório, nomenclaturista, prescritivista, teórico. O re- referida. A argumentação informal apresenta os seguintes
sultado? Aí estão as estatísticas dos vestibulares. Valendo estágios:
40 pontos a prova de redação, os escores foram estes no - Citação da tese adversária.
vestibular 1996/1, na PUC-RS: nota zero: 10% dos candida- - Argumentos da tese adversária.
tos, nota 01: 30%; nota 02: 40%; nota 03: 15%; nota 04: 5%. - Introdução da tese a ser defendida.
Ou seja, apenas 20% dos candidatos escreveram um texto - Argumentos da tese a ser defendida.
que pode ser considerado bom. - Conclusão.
Finalmente pode-se invocar mais um argumento, lem-
Observe o texto exemplar de Luís Alberto Thompson
brando que são os gramáticos, os linguistas - como es-
Flores Lenz, Promotor de Justiça.
pecialistas das línguas - as pessoas que conhecem mais a
fundo a estrutura e o funcionamento dos códigos linguís- Considerações sobre justiça e equidade
ticos. Que se esperaria, de fato, se houvesse significativa
influência do conhecimento teórico da língua sobre o de- Hoje, floresce cada vez mais, no mundo jurídico a aca-
sempenho? A resposta é óbvia: os gramáticos e os linguis- dêmico nacional, a ideia de que o julgador, ao apreciar os
tas seriam sempre os melhores escritores. Como na prática caos concretos que são apresentados perante os tribunais,
isso realmente não acontece, fica provada uma vez mais a deve nortear o seu proceder mais por critérios de justiça e
tese que se vem defendendo. equidade e menos por razões de estrita legalidade, no in-
Vale também o raciocínio inverso: se a relação fosse sig- tuito de alcançar, sempre, o escopo da real pacificação dos
nificativa, deveriam os melhores escritores conhecer - teori- conflitos submetidos à sua apreciação.
camente - a língua em profundidade. Isso, no entanto, não se Semelhante entendimento tem sido sistematicamente
confirma na realidade: Monteiro Lobato, quando estudante, reiterado, na atualidade, ao ponto de inúmeros magistrados
foi reprovado em língua portuguesa (muito provavelmente simplesmente desprezarem ou desconsiderarem determina-
por desconhecer teoria gramatical); Machado de Assis, ao dos preceitos de lei, fulminando ditos dilemas legais sob
folhar uma gramática declarou que nada havia entendido; a pecha de injustiça ou inadequação à realidade nacional.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Abstraída qualquer pretensão de crítica ou censura Para encerrar, basta salientar que a eleição dos meios
pessoal aos insignes juízes que se filiam a esta corrente, concretos de efetivação da Justiça social compete, funda-
alguns dos quais reconhecidos como dos mais brilhantes mentalmente, ao Legislativo e ao Executivo, eis que seus
do país, não nos furtamos, todavia, de tecer breves consi- membros são indicados diretamente pelo povo.
derações sobre os perigos da generalização desse enten- Ao Judiciário cabe administrar a justiça da legalidade,
dimento. adequando o proceder daqueles aos ditames da Constitui-
Primeiro, porque o mesmo, além de violar os preceitos ção e da Legislação.
dos arts. 126 e 127 do CPC, atenta de forma direta e fron- Luís Alberto Thompson Flores Lenz
tal contra os princípios da legalidade e da separação de
poderes, esteio no qual se assenta toda e qualquer ideia Eis o esquema do texto em seus cinco estágios;
de democracia ou limitação de atribuições dos órgãos do
Estado. Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se cita
Isso é o que salientou, e com a costumeira maestria, o a tese adversária.
insuperável José Alberto dos Reis, o maior processualista Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se cita
português, ao afirmar que: “O magistrado não pode so- um argumento da tese adversária “... fulminando ditos di-
brepor os seus próprios juízos de valor aos que estão en- lemas legais sob a pecha de injustiça ou inadequação à
carnados na lei. Não o pode fazer quando o caso se acha realidade nacional”.
previsto legalmente, não o pode fazer mesmo quando o Terceiro Estágio: terceiro parágrafo, em que se intro-
caso é omisso”. duz a tese a ser defendida.
Aceitar tal aberração seria o mesmo que ferir de morte Quarto Estágio: do quarto ao décimo quinto, em que
qualquer espécie de legalidade ou garantia de soberania se apresentam os argumentos.
popular proveniente dos parlamentos, até porque, na lúci- Quinto Estágio: os últimos dois parágrafos, em que
da visão desse mesmo processualista, o juiz estaria, nessa se conclui o texto mediante afirmação que salienta o que
situação, se arvorando, de forma absolutamente espúria, ficou dito ao longo da argumentação.
na condição de legislador.
A esta altura, adotando tal entendimento, estaria insti- Texto Injuntivo/Instrucional
tucionalizada a insegurança social, sendo que não haveria
mais qualquer garantia, na medida em que tudo estaria ao No texto injuntivo-instrucional, o leitor recebe orien-
sabor dos humores e amores do juiz de plantão. tações precisas no sentido de efetuar uma transformação.
De nada adiantariam as eleições, eis que os represen- É marcado pela presença de tempos e modos verbais que
tantes indicados pelo povo não poderiam se valer de sua apresentam um valor diretivo. Este tipo de texto distingue-
maior atribuição, ou seja, a prerrogativa de editar as leis. se de uma sequencia narrativa pela ausência de um sujeito
Desapareceriam também os juízes de conveniência e responsável pelas ações a praticar e pelo caráter diretivo
oportunidade política típicos dessas casas legislativas, na dos tempos e modos verbais usado e uma sequência des-
medida em que sempre poderiam ser afastados por uma critiva pela transformação desejada.
esfera revisora excepcional. Nota: Uma frase injuntiva é uma frase que exprime
A própria independência do parlamento sucumbiria uma ordem, dada ao locutor, para executar (ou não exe-
integralmente frente à possibilidade de inobservância e cutar) tal ou tal ação. As formas verbais específicas destas
desconsideração de suas deliberações. frases estão no modo injuntivo e o imperativo é uma das
Ou seja, nada restaria, de cunho democrático, em nos- formas do injuntivo.
sa civilização.
Já o Poder Judiciário, a quem legitimamente compete Textos Injuntivo-Instrucionais: Instruções de monta-
fiscalizar a constitucionalidade e legalidade dos atos dos gem, receitas, horóscopos, provérbios, slogans... são tex-
demais poderes do Estado, praticamente aniquilaria as tos que incitam à ação, impõem regras; textos que forne-
atribuições destes, ditando a eles, a todo momento, como cem instruções. São orientados para um comportamento
proceder. futuro do destinatário.
Nada mais é preciso dizer para demonstrar o desacer-
to dessa concepção. Texto Injuntivo - A necessidade de explicar e orien-
Entretanto, a defesa desse entendimento demonstra, tar por escrito o modo de realizar determinados proce-
sem sombra de dúvidas, o desconhecimento do próprio dimentos, manipular instrumentos, desenvolver atividades
conceito de justiça, incorrendo inclusive numa contradictio lúdicas e desempenhar algumas funções profissionais, por
in adjecto. exemplo, deu origem aos chamados textos injuntivos, nos
Isto porque, e como magistralmente o salientou o in- quais prevalece a função apelativa da linguagem, criando-
superável Calamandrei, “a justiça que o juiz administra é, se uma relação direta com o receptor. É comum aos textos
no sistema da legalidade, a justiça em sentido jurídico, isto dessa natureza o uso dos verbos no imperativo (Abra o
é, no sentido mais apertado, mas menos incerto, da con- caderno de questões) ou no infinitivo (É preciso abrir o
formidade com o direito constituído, independentemente caderno de questões, verificar o número de alternativas...).
da correspondente com a justiça social”. Não apresenta caráter coercitivo, haja vista que apenas

21
LÍNGUA PORTUGUESA

induz o interlocutor a proceder desta ou daquela forma. mente pelas sugestões dos vendedores nem pelos apelos
Assim, torna-se possível substituir um determinado proce- das propagandas e opte pela forma de pagamento mais
dimento em função de outro, como é o caso do que ocorre cômoda: não se esqueça de que o uso do cartão de crédito
com os ingredientes de uma receita culinária, por exemplo. exige certa cautela e planejamento.
São exemplos dessa modalidade: Do mais, aproveite as compras!
- A mensagem revelada pela maioria dos livros de au- Observe que, embora ambos os textos tratem do mes-
toajuda; mo assunto, o segundo é uma adaptação do primeiro:
- O discurso manifestado mediante um manual de ins- tanto o modo verbal quanto a pontuação sofreram alte-
truções; rações; além disso, algumas palavras foram omitidas e ou-
- As instruções materializadas por meio de uma receita tras acrescentadas. Isso ocorreu para que o aspecto instru-
culinária. cional, conferido pelos itens do primeiro exemplo, não se
perdesse no segundo texto, o qual, sem essas adaptações,
Texto Instrucional - o texto instrucional é um tipo de passaria a impressão de ser um mero texto expositivo.
texto injuntivo, didático, que tem por objetivo justamen-
te apresentar orientações ao receptor para que ele realize GÊNEROS TEXTUAIS
determinada atividade. Como as palavras do texto serão
transformadas em ações visando a um objetivo, ou seja, Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio-
algo deverá ser concretizado, é de suma importância que nadas entre si, formando um todo significativo capaz de
nele haja clareza e objetividade. Dependendo do que se produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
trata, é imprescindível haver explicações ou enumerações e decodificar).
em que estejam elencados os materiais a serem utilizados,
bem como os itens de determinados objetos que serão Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
manipulados. Por conta dessas características, é necessário Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-
um título objetivo. Quanto à pontuação, frequentemente se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições
empregam-se dois pontos, vírgulas e pontos e vírgulas. É para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa
possível separar as orientações por itens ou de modo coe- interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o rela-
so, por meio de períodos. Alguns textos instrucionais pos- cionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase
suem subtítulos separando em tópicos as instruções, basta for retirada de seu contexto original e analisada separada-
reparar nas bulas de remédios, manuais de instruções e mente, poderá ter um significado diferente daquele inicial.
receitas. Pelo fato de o espaço destinado aos textos instru-
cionais geralmente não ser muito extenso, recomenda-se o Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
uso de períodos. Leia os exemplos. rências diretas ou indiretas a outros autores através de ci-
tações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
Texto organizado em itens:
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma
Para economizar nas compras interpretação de um texto é a identificação de sua ideia
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias,
Quem deseja economizar ao comprar deve: ou fundamentações, as argumentações, ou explicações,
- estabelecer um valor máximo para gastar; que levem ao esclarecimento das questões apresentadas
- escolher previamente aquilo que deseja comprar an- na prova.
tes de ir à loja ou entrar em sites de compra;
- pesquisar os preços em diferentes lojas e sites, se Textos Ficcionais e Não Ficcionais
possível;
- não se deixar levar completamente pelas sugestões Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, e os
dos vendedores nem pelos apelos das propagandas; ficcionais inventam um mundo, onde os acontecimentos
- optar pela forma de pagamento mais cômoda, sem ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da
se esquecer de que o uso do cartão de crédito exige certa história.
cautela e planejamento.
Do mais, é só ir às compras e aproveitar! Ficcionais: Conto; Crônica; Romance; Poemas; História
em Quadrinhos.
Texto organizado em períodos:
Não Ficcionais:
Para economizar nas compras - Jornalísticos: notícia, editorial, artigos, cartas e tex-
tos de divulgação científica.
Para economizar ao comprar, primeiramente estabe- - Instrucionais: didáticos, resumos, receitas, catálogos,
leça um valor máximo para gastar e então escolha pre- índices, listas, verbetes em geral, bulas e notas explicativas
viamente aquilo que deseja comprar antes de ir à loja ou de embalagens.
entrar em sites de compra. Se possível, pesquise os preços - Epistolares: bilhetes, cartas familiares e cartas formais.
em diferentes lojas e sites; não se deixe levar completa- - Administrativos: requerimentos, ofícios e etc.

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LÍNGUA PORTUGUESA

FICCIONAIS entre outras) que escreve com periodicidade para uma se-
ção (por exemplo, todos os domingos para o Caderno de
CONTO Economia). Esses textos, conhecidos como crônicas, são
curtos e em geral predominantemente narrativos, podendo
É um gênero textual que apresenta um único conflito, apresentar alguns trechos dissertativos. Exemplo:
tomado já próximo do seu desfecho. Encerra uma história
com poucas personagens, e também tempo e espaço reduzi- A luta e a lição
do. A linguagem pode ser formal ou informal. É uma obra de
ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no
fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante
conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vis- do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de
ta e enredo. Classicamente, diz-se que o conto se define um cilindro de oxigênio para suportar a altura. Na segunda
pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral,
romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve que era considerado ótimo. As façanhas dele me emocio-
uma história e tem apenas um clímax. Exemplo: naram, a bem sucedida e a malograda. Aqui do meu canto,
temendo e tremendo toda a vez que viajo no bondinho do
Lépida Pão de Açúcar, fico meditando sobre os motivos que levam
alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume
Tudo lento, parado, paralisado. mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada
- Maldição! - dizia um homem que tinha sido o melhor sem a ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser
corredor daquele lugar. humano bem sucedido a vencer desafios assim?
- Que tristeza a minha - lamentava uma pequena baila- Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a hu-
rina, olhando para as suas sapatilhas cor-de-rosa. manidade. Se cada um repetisse meu exemplo, ficando so-
Assim estava Lépida, uma cidade muito alegre que no lidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda
passado fora reconhecida pela leveza e agilidade de seus estaríamos nas cavernas, lascando o fogo com pedras, co-
habitantes. Todos muito fortes, andavam, corriam e nada- mendo animais crus e puxando nossas mulheres pelos ca-
vam pelos seus limpos canais. belos, como os trogloditas - se é que os trogloditas faziam
Até que chegou um terrível pirata à procura da riqueza isso. Somos o que somos hoje devido a heróis que trocam
do lugar. Para dominar Lépida, roubou de um mago um a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas, em
elixir paralisante e despejou no principal rio. Após beberem si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que
a água, os habitantes ficaram muito lentos, tão lentos que prefere ficar na cômoda planície da segurança.
não conseguiram impedir a maldade do terrível pirata. Seu Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura
povo nunca mais foi o mesmo. Lépida foi roubada em seu de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar
maior tesouro e permaneceu estagnada por muitos anos. marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até
Um dia nasceu um menino, que foi chamado de Zim. O que ponto ele foi temerário ao recusar o oxigênio suple-
único entre tantos que ficou livre da maldição que passara mentar. Mas seu exemplo - e seu sacrifício - é uma lição de
de geração em geração. Diferente de todos, era muito ágil luta, mesmo sendo uma luta perdida.
e, ao crescer, saiu em busca de uma solução. Encontrou (Autor: Carlos Heitor Cony.
pelo caminho bruxas de olhar feroz, gigantes de três, cinco Publicado na Folha Online)
e sete cabeças, noites escuras, dias de chuva, sol intenso.
Zim tudo enfrentou. ROMANCE
E numa noite morna, ao deitar-se em sua cama de fo-
lhas, viu ao seu lado um velho de olhos amarelos e brilhan- O termo romance pode referir-se a dois gêneros literá-
tes. Era o mago que havia sido roubado pelo pirata muitos rios. O primeiro deles é uma composição poética popular,
anos antes. Zim ficou apreensivo. Mas o velho mago (que histórica ou lírica, transmitida pela tradição oral, sendo ge-
tudo sabia) deu-lhe um frasco. Nele havia um antídoto e ralmente de autor anônimo; corresponde aproximadamen-
Zim compreendeu o que deveria fazer. Despejou o líquido te à balada medieval. E como forma literária moderna, o
no rio de sua cidade. termo designa uma composição em prosa. Todo Romance
Lépida despertou diferente naquela manhã. Um copo se organiza a partir de uma trama, ou seja, em torno dos
de água aqui, um banho ali e eram novamente braços que acontecimentos que são organizados em uma sequência
se mexiam, pernas que corriam, saltos e sorrisos. E a dança temporal. A linguagem utilizada em um Romance é muito
das sapatilhas cor-de-rosa. variável, vai depender de quem escreve, de uma boa dife-
(Carla Caruso) renciação entre linguagem escrita e linguagem oral e prin-
cipalmente do tipo de Romance.
CRÔNICA Quanto ao tipo de abordagem o Romance pode ser:
Urbano, Regionalista, Indianista e Histórico. E quanto à
Em jornais e revistas, há textos normalmente assinados época ou Escola Literária, o Romance pode ser: Romântico,
por um escritor de ficção ou por uma pessoa especializada Realista, Naturalista e Modernista.
em determinada área (economia, gastronomia, negócios,

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LÍNGUA PORTUGUESA

POEMA A leitura interpretativa de Histórias em Quadrinhos, as-


sim como de charges, requer uma construção de sentidos
Um poema é uma obra literária geralmente apresen- que, para que ocorra, é necessário mobilizar alguns proces-
tada em versos e estrofes (ainda que possa existir prosa sos de significação, como a percepção da atualidade, a re-
poética, assim designada pelo uso de temas específicos e presentação do mundo, a observação dos detalhes visuais
de figuras de estilo próprias da poesia). Efetivamente, exis- e/ou linguísticos, a transformação de linguagem conotativa
te uma diferença entre poesia e poema. Segundo vários (sentido mais usual) em denotativa (sentido amplificado
autores, o poema é um objeto literário com existência ma- pelo contexto, pelos aspetos socioculturais etc). Em suma,
terial concreta, a poesia tem um carácter imaterial e trans- usa-se o conhecimento da realidade e de processos linguís-
cendente. Fortemente relacionado com a música, beleza e ticos para “inverter” ou “subverter” produzindo, assim, sen-
arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de tidos alternativos a partir de situações extremas. Exemplo:
acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Média, Observe a tirinha em quadrinhos do Calvin:
os poemas eram cantados. Só depois o texto foi separa-
do do acompanhamento musical. Tal como na música, o
ritmo tem uma grande importância. Um poema também
faz parte de um sarau (reuniões em casas particulares para
expressar artes, canções, poemas, poesias etc). Obra em
verso em que há poesia. Exemplo:

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado


Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado


Com olhos que contêm o olhar antigo O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho
Sempre comigo um pouco atribulado de sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares. Ele
E como sempre singular comigo. optou por valorizar o desenho, mostrando todas as habi-
Um bicho igual a mim, simples e humano lidades conquistadas para conseguir produzi-lo. O pai, no
Sabendo se mover e comover último quadrinho, reconhece o empenho do filho, utilizan-
E a disfarçar com o meu próprio engano. do-se de um conector de concessão (“Ainda assim”), valo-
rizando a importância de tudo aquilo. Contudo, afirma que
O amigo: um ser que a vida não explica não pagaria o valor pedido (como se dissesse: “sim, filho,
Que só se vai ao ver outro nascer foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”).
E o espelho de minha alma multiplica... A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso “ma-
duro” em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e motor
Vinicius de Moraes nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois, ficar claro
para nós, leitores, que toda a força argumentativa foi em prol
HISTÓRIA EM QUADRINHOS da cobrança pelo desenho que ele mesmo fez. Em outras
palavras, o personagem empenha-se na construção de um
As primeiras manifestações das Histórias em Quadri- raciocínio em prol de uma finalidade absurda – o que nos
nhos surgiram no começo do século XX, na busca de novos faz sorrir no último quadrinho, já que é somente nele que
meios de comunicação e expressão gráfica e visual. Entre conseguimos “completar” o sentido. Claro, se você conhece
os primeiros autores das histórias em quadrinhos estão o os quadrinhos do Calvin, sabe que ele tem apenas 6 anos, o
suíço Rudolph Töpffer, o alemão Wilhelm Bush, o francês que torna tudo ainda mais hilário, mas a falta deste conheci-
Georges, e o brasileiro Ângelo Agostini. A origem dos ba- mento não prejudica em nada a interpretação textual.
lões presentes nas histórias em quadrinhos pode ser atri-
buída a personagens, observadas em ilustrações europeias NÃO FICCIONAIS - JORNALÍSTICOS
desde o século XIV.
As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no NOTÍCIA
século XIX, adotando um estilo satírico conhecido como
cartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabelece- O principal objetivo da notícia é levar informação atual
ria com as populares tiras. A publicação de revistas próprias a um público específico. A notícia conta o que ocorreu,
de histórias em quadrinhos no Brasil começou no início do quando, onde, como e por quê. Para verificar se ela está
século XX também. Atualmente, o estilo cômicos dos super bem elaborada, o emissor deve responder às perguntas:
-heróis americanos é o predominante, mas vem perdendo O quê? (fato ou fatos); Quando? (tempo); Onde? (local);
espaço para uma expansão muito rápida dos quadrinhos Como? (de que forma) e Por quê? (causas). A notícia apre-
japoneses (conhecidos como Mangá). senta três partes:

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Manchete (ou título principal) – resume, com obje- O que parecia ser um grande desafio tornou-se rea-
tividade, o assunto da notícia. Essa frase curta e de impac- lidade e, hoje, a cidade inteira orgulha-se de seus filhos
to, em geral, aparece em letras grandes e destacadas. campeões olímpicos. Os estudantes paraibanos devem ser
- Lide (ou lead) – complementa o título principal, exemplo para todo o País, que anda precisando, sim, de
fornecendo as principais informações da notícia. Como a modelos a se inspirar. O Programa Internacional de Ava-
manchete, sua função é despertar a atenção do leitor para liação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês) – o mais sé-
o texto. rio teste internacional para avaliar o desempenho escolar e
- Corpo – contém o desenvolvimento mais amplo e de- coordenado pela Organização para a Cooperação e Desen-
talhado dos fatos. volvimento Econômico – continua sendo implacável com o
Brasil. No exame publicado de 2012, o País aparece na incô-
A notícia usa uma linguagem formal, que segue a nor- moda penúltima posição entre 40 países avaliados.
ma culta da língua. A ordem direta, a voz ativa, os verbos O teste aponta que o aprendizado de Matemática,
de ação e as frases curtas permitem fluir as ideias. É pre- Leitura e Ciências durante o ciclo fundamental é sofrível, e
ferível a linguagem acessível e simples. Evite gírias, termos perdemos para países como Colômbia, Tailândia e México.
coloquiais e frases intercaladas. Já passa da hora de as autoridades melhorarem a gestão
Os fatos, em geral, são apresentados de forma impes- de nossa Educação Pública e seguir o exemplo da pequena
soal e escritos em 3ª pessoa, com o predomínio da função Paulista.
referencial, já que esse texto visa à informação. Fonte: http://www.oestadoce.com.br/noticia/
A falta de tempo do leitor exige a seleção das informa- editorial-cidade-paraibana-e-exemplo-ao-pais
ções mais relevantes, vocabulário preciso e termos espe-
cíficos que o ajudem a compreender melhor os fatos. Em ARTIGOS
jornais ou revistas impressos ou on-line, e em programas
de rádio ou televisão, a informação transmitida pela notícia É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas re-
precisa ser verídica, atual e despertar o interesse do leitor. vistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição
por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o au-
EDITORIAL
tor geralmente apresenta seu ponto de vista sobre o tema em
questão através do artigo (texto jornalístico).
Os editoriais são textos de um jornal em que o conteú-
Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a
do expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe
intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, pre-
de redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialida-
cisa apresentar bons argumentos, que consistem em ver-
de ou objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam
um espaço predeterminado para os editoriais em duas ou dades e opiniões. O artigo de opinião é fundamentado em
mais colunas logo nas primeiras páginas internas. Os bo- impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis
xes (quadros) dos editoriais são normalmente demarcados de contestar.
com uma borda ou tipografia diferente para marcar cla- O artigo deve começar com uma breve introdução, que
ramente que aquele texto é opinativo, e não informativo. descreva sucintamente o tema e refira os pontos mais im-
Exemplo: portantes. Um leitor deve conseguir formar uma ideia clara
sobre o assunto e o conteúdo do artigo ao ler apenas a in-
Cidade paraibana é exemplo ao País trodução. Por favor tenha em mente que embora esteja fa-
miliarizado com o tema sobre o qual está a escrever, outros
Em tempos em que estudantes escrevem receita de leitores da podem não o estar. Assim, é importante clarificar
macarrão instantâneo e transcrevem hino de clube de fu- cedo o contexto do artigo. Por exemplo, em vez de escrever:
tebol na redação do Exame Nacional do Ensino Médio e Guano é um personagem que faz o papel de mascote
ainda obtém nota máxima no teste, uma boa notícia vem do grupo Lily Mu. Seria mais informativo escrever:
de uma pequena cidade no interior da Paraíba chamada Guano é um personagem da série de desenho animado
Paulista, de cerca de 12 mil habitantes. Alunos da Escola Kappa Mikey que faz o papel de mascote do grupo Lily Mu.
Municipal Cândido de Assis Queiroga obtiveram destaque Caracterize o assunto, especialmente se existirem opi-
nas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática niões diferentes sobre o tema. Seja objetivo. Evite o uso de
das Escolas Públicas. eufemismos e de calão ou gíria, e explique o jargão. No final
O segredo é absolutamente simples, e quem explica é do artigo deve listar as referências utilizadas, e ao longo do
a professora Jonilda Alves Ferreira: a chave é ensinar Ma- artigo deve citar a fonte das afirmações feitas, especialmen-
temática através de atividades do cotidiano, como fazer te se estas forem controversas ou suscitarem dúvidas.
compras na feira ou medir ingredientes para uma receita.
Com essas ações práticas, na edição de 2012 da Olimpíada, CARTAS
a escola conquistou nada menos do que cinco medalhas de
ouro, duas de prata, três de bronze e 12 menções honro- Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção desti-
sas. Orgulhosa, a professora conta que se sentia triste com nada a cartas do leitor. Ela oferece um espaço para o leitor
a repulsa dos estudantes aos números, e teve a ideia de elogiar ou criticar uma matéria publicada, ou fazer suges-
pô-los para vivenciar a Matemática em suas vidas, aproxi- tões. Os comentários podem referir-se às ideias de um tex-
mando-os da disciplina. to, com as quais o leitor concorda ou não; à maneira como

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LÍNGUA PORTUGUESA

o assunto foi abordado; ou à qualidade do texto em si. É ca dá maior rigor à exposição, pois evita as conotações e as
possível também fazer alusão a outras cartas de leitores, imprecisões dos termos da linguagem cotidiana. Por outro
para concordar ou não com o ponto de vista expresso ne- lado, a definição dos termos depende do nível de público
las. A linguagem da carta costuma variar conforme o perfil a que se destina.
dos leitores da publicação. Pode ser mais descontraída, se Um manual de introdução à física, destinado a alunos
o público é jovem, ou ter um aspecto mais formal. Esse de primeiro grau, expõe um conceito de cada vez e, por
tipo de carta apresenta formato parecido com o das cartas conseguinte, vai definindo paulatinamente os termos es-
pessoais: data, vocativo (a quem ela é dirigida), corpo do pecíficos dessa ciência. Num livro de física para universi-
texto, despedida e assinatura. tários não cabe a definição de termos que os alunos já
deveriam saber, pois senão quem escreve precisaria escre-
TEXTOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA ver sobre tudo o que a ciência em que ele é especialista
já estudou.
Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de
conhecimentos acerca do saber científico, assemelhando- RESUMOS
se, portanto, com os demais gêneros circundantes no meio
educacional como um todo, entre eles, textos didáticos e Resumo é uma exposição abreviada de um aconteci-
verbetes de enciclopédias. Mediante tal pressuposto, já te- mento. Fazer um resumo significa apresentar o conteúdo
mos a ideia do caráter condizente à linguagem, uma vez de forma sintética, destacando as informações essenciais
que esta se perfaz de características marcantes - a obje- do conteúdo de um livro, artigo, argumento de filme, peça
tividade, isentando-se de traços pessoais por parte do teatral, etc. A elaboração de um resumo exige análise e
emissor, como também por obedecer ao padrão formal da interpretação do conteúdo para que sejam transmitidas as
língua. Outro aspecto passível de destaque é o fato de que ideias mais importantes.
no texto científico, às vezes, temos a oportunidade de nos Escrever um texto em poucas linhas ajuda o aluno a
deparar com determinadas terminologias e conceitos pró- desenvolver a sua capacidade de síntese, objetividade e
prios da área científica a que eles se referem. clareza: três fatores que serão muito importantes ao longo
Veiculados por diversos meios de comunicação, seja
da vida escolar. Além de ser um ótimo instrumento de es-
em jornais, revistas, livros ou meio eletrônico, comparti-
tudo da matéria para fazer um teste. Resumo é sinônimo
lham-se com uma gama de interlocutores. Razão esta que
de “recapitulação”, quando, ao final de cada capítulo de
incide na forma como se estruturam, não seguindo um
um livro é apresentado um breve texto com as ideias cha-
padrão rígido, uma vez que este se interliga a vários fa-
ve do assunto introduzido. Outros sinônimos de resumo
tores, tais como: assunto, público-alvo, emissor, momento
são: sinopse, sumário, síntese, epítome e compêndio.
histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no primeiro e
segundo parágrafos, o autor expõe a ideia principal, sendo
RECEITAS
representada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos
que seguem, ocorre o desenvolvimento propriamente dito
da ideia, lembrando que tais argumentos são subsidiados A receita tem como objetivo informar a fórmula de um
em fontes verdadeiramente passíveis de comprovação - produto seja ele industrial ou caseiro, contando detalha-
comparações, dados estatísticos, relações de causa e efei- damente sobre seu preparo. É uma sequência de passos
to, dentre outras. para a preparação de alimentos. As receitas geralmente
vêm com seus verbos no modo imperativo, para dar or-
NÃO FICCIONAIS – INSTRUCIONAIS dens de como preparar seu prato seja ele qual for. Elas
são encontradas em diversas fontes como: livros, sites,
DIDÁTICOS programas (TV/Rádio), revistas ou até mesmo em jornais
e panfletos. A receita também ajuda a fazer vários tipos
Na leitura de um texto didático, é preciso apanhar suas de pratos típicos e saudáveis e até sobremesas deliciosas.
ideias fundamentais. Um texto didático é um texto con-
ceitual, ou seja, não figurativo. Nele os termos significam CATÁLOGOS
exatamente aquilo que denotam, sendo descabida a atri-
buição de segundos sentidos ou valores conotativos aos Catálogo é uma relação ordenada de coisas ou pes-
termos. Num texto didático devem se analisar ainda com soas com descrições curtas a respeito de cada uma. Es-
todo o cuidado os elementos de coesão. Deve-se observar pécie de livro, guia ou sumário que contém informações
a expectativa de sentido que eles criam, para que possa sobre lugares, pessoas, produtos e outros. Têm o objetivo
entender bem o texto. de dar opções para uma melhor escolha.
O entendimento do texto didático de uma determina-
da disciplina requer o conhecimento do significado exato ÍNDICES
dos termos com que ela opera. Conhecer esses termos sig-
nifica conhecer um conjunto de princípios e de conceitos Enumeração detalhada dos assuntos, nomes de pes-
sobre os quais repousa uma determinada ciência, certa soas, nomes geográficos, acontecimentos, etc., com a indi-
teoria, um campo do saber. O uso da terminologia científi- cação de sua localização no texto.

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LÍNGUA PORTUGUESA

LISTAS Bula (medicamento) - folha com informações sobre


medicamentos. Nome que se dá ao conjunto de informa-
Enumeração de elementos selecionados do texto, tais ções sobre um medicamento que obrigatoriamente os la-
como datas, ilustrações, exemplo, tabelas etc., na ordem de boratórios farmacêuticos devem acrescentar à embalagem
sua ocorrência. de seus produtos vendidos no varejo. As informações po-
dem ser direcionadas aos usuários dos medicamentos, aos
VERBETES EM GERAL profissionais de saúde ou a ambos.

O verbete é um tipo de texto predominantemente des- NOTAS EXPLICATIVAS DE EMBALAGENS


critivo. A elaboração reflete o conflito seminal que define
a elegância científica: a negociação constante entre síntese As notas explicativas servem para que o fabricante do
e exaustividade. Os padrões do gênero valorizam tanto a produto esclareça ou explique aspectos da composição,
brevidade e a abordagem direta dos temas quanto o deta-
nutrição, advertências a respeito do produto.
lhamento e a completude da informação.
É um texto escrito, de caráter informativo, destinado
NÃO FICCIONAIS – EPISTOLARES
a explicar um conceito segundo padrões descritivos sis-
temáticos, determinados pela obra de referência da qual
faz parte: mais comumente, um dicionário ou uma enciclo- BILHETES
pédia. O verbete é essencialmente destinado a consulta,
o que lhe impõe uma construção discursiva sucinta e de O bilhete é uma mensagem curta, trocada entre as pes-
acesso imediato, embora isso não incorra necessariamente soas, para pedir, agradecer, oferecer, informar, desculpar
em curta extensão. Geralmente, os verbetes abordam con- ou perguntar. O bilhete é composto normalmente de: data,
ceitos bem estabelecidos em algum paradigma acadêmi- nome do destinatário antecedido de um cumprimento,
co-científico, ao invés de entrar em polêmicas referentes a mensagem, despedida e nome do remetente. Exemplo:
categorias teóricas discutíveis.
Por sua pretensão universalista e pela posição respei- Belinha,
tável que ocupa no sistema de valores da cultura raciona- Passei na sua casa para contar o que aconteceu comigo
lista, espera-se que todo verbete siga as normas padrão de ontem à noite.
uso da língua escrita, em um nível elevado de formalidade. Telefone para mim hoje à tarde, que eu vou contar tudi-
Por sua natureza sistemática e por ser destinado à consul- nho para você!
ta, espera-se que a linguagem do verbete seja também o Um beijinho da amiga Juliana. 14/03/2013
mais objetiva possível. As consequências gramaticais desse
princípio são: no nível lexical, precisão na escolha dos ter- CARTAS FAMILIARES E CARTAS FORMAIS
mos e ausência de palavras que expressem subjetividade
(opiniões, impressões e sensações); no nível sintático, sim- A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações
plificação das construções; e no nível estilístico, denotação diversas. É um dos mais antigos meios de comunicação.
(ausência de ornamentos e figuras de linguagem). Em uma carta formal é preciso ter cuidado na coerência do
É comum a presença de terminologia especializada na tratamento, por exemplo, se começamos a carta no trata-
construção do verbete, embora sua frequência varie confor- mento em terceira pessoa devemos ir até o fim em terceira
me o público consumidor da obra de referência em que se in- pessoa, seguindo também os pronomes e formas verbais
sere o texto. Elementos de linguagens não verbais (especial- na terceira pessoa. Há vários tipos de cartas, o formato da
mente pictóricos) são tradicionalmente agregados ao verbete
carta depende do seu conteúdo:
com função de esclarecimento.
- Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos,
parentes, namorado(a), o remetente é a própria pessoa que
BULAS
assina a carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são
Bula pode referir-se a: escritas de uma maneira particular.
- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e segu-
Bula Pontifícia - documento expedido pela Santa Sé. ro de comunicação dentro de uma organização. A lingua-
Refere-se não ao conteúdo e à solenidade de um documen- gem deve ser clara, simples, correta e objetiva. 
to pontifício, como tal, mas à apresentação, à forma exter-
na do documento, a saber, lacrado com pequena bola (em A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem
latim, “bulla”) de cera ou metal, em geral, chumbo. Assim, analisada em termos de língua portuguesa, ou seja, deve-
existem Litterae Apostolicae (carta apostólica) em forma ou se observar a concordância, a pontuação e a maneira de
não de bula e também Constituição Apostólica em forma escrever com início, meio e então o fim, contendo tam-
de bula. Por exemplo, a carta apostólica “Munificentissimus bém um cabeçalho e se for uma carta formal, deve conter
Deus”, bem como as Constituições Apostólicas de criação pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V. Ex.ª etc.) e
de dioceses. A bula mais antiga que se conhece é do Papa por fim a finalização da carta que deve conter somente um
Agapito I (535), conservada apenas em desenho. O mais an- cumprimento formal ou não (grato, beijos, abraços, adeus
tigo original conservado é do Papa Adeodato I (615-618). etc.). Depois de todos esses itens terem sido colocados na

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LÍNGUA PORTUGUESA

carta, a mesma deverá ser colocada em um envelope para - Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem
ser enviado ao destinatário. Na parte de trás e superior do é dirigida a comunicação. No caso do ofício, deve ser in-
envelope deve-se conter alguns dados muito importantes cluído também o endereço.
tais como: nome do destinatário, endereço (rua, bairro e
cidade) e por fim o CEP. Já o remetente (quem vai enviar - Texto. Nos casos em que não for de mero encami-
a carta), também deve inserir na carta os mesmos dados nhamento de documentos, o expediente deve conter a se-
que o do destinatário, que devem ser escritos na parte guinte estrutura:
da frente do envelope. E por fim deve ser colocado no
envelope um selo que serve para que a carta seja levada à Introdução: que se confunde com o parágrafo de
pessoa mencionada. abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”,
NÃO FICCIONAIS – ADMINISTRATIVOS “Tenho o prazer de”, “Cumpreme informar que”, empregue
a forma direta;
REQUERIMENTOS Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se
o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas
devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere
É o instrumento por meio do qual o interessado re-
maior clareza à exposição;
quer a uma autoridade administrativa um direito do qual
Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente rea-
se julga detentor. Estrutura:
presentada a posição recomendada sobre o assunto.
- Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário),
ou seja, da autoridade competente. Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do re- nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
querente (grafado em letras maiúsculas) e respectiva qua- títulos e subtítulos.
lificação: nacionalidade, estado civil, profissão, documen-
to de identidade, idade (se maior de 60 anos, para fins
de preferência na tramitação do processo, segundo a Lei
10.741/03), e domicílio (caso o requerente seja servidor 2. DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL.
da Câmara dos Deputados, precedendo à qualificação ci-
vil deve ser colocado o número do registro funcional e a
lotação); Exposição do pedido, de preferência indicando
os fundamentos legais do requerimento e os elementos A ortografia é a parte da língua responsável pela gra-
probatórios de natureza fática. fia correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão
- Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”. culto da língua.
- Local e data. As palavras podem apresentar igualdade total ou par-
- Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten-
cargo. do significados diferentes. Essas palavras são chamadas
de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto,
OFÍCIOS do latim, significa música vocal). As palavras homônimas
dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia
O Ofício deve conter as seguintes partes: (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo
gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa-
- Tipo e número do expediente, seguido da sigla do lácio ou passo, movimento durante o andar).
órgão que o expede. Exemplos: Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-
se observar as seguintes regras:

Of. 123/2002-MME
O fonema s:
Aviso 123/2002-SG
Mem. 123/2002-MF Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan-
tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel,
- Local e data. Devem vir por extenso com alinha- corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão /
mento à direita. Exemplo: ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão
/ submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im-
Brasília, 20 de maio de 2013 pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos: - recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir
- consensual
Assunto: Produtividade do órgão em 2012.
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computa- Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri-
dores. vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir
- agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /

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LÍNGUA PORTUGUESA

ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão / Observação: Exceção: pajem


regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer - *as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
compromisso / submeter - submissão litígio, relógio, refúgio.
*quando o prefixo termina com vogal que se junta *os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir.
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - *depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, sur-
assimétrico / re + surgir - ressurgir gir.
*no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem- *depois da letra “a”, desde que não seja radical termi-
plos: ficasse, falasse nado com j: ágil, agente.

Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos Escreve-se com J e não com G:


de origem árabe: cetim, açucena, açúcar *as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
*os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: *as palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji-
cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique boia, manjerona.
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, *as palavras terminada com aje: aje, ultraje.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
esperança, carapuça, dentuço O fonema ch:
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / Escreve-se com X e não com CH:
deter - detenção / ater - atenção / reter - retenção *as palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
*após ditongos: foice, coice, traição caxi, muxoxo, xucro.
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): *as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J):
marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção xampu, lagartixa.
*depois de ditongo: frouxo, feixe.
O fonema z: *depois de “en”: enxurrada, enxoval.
Escreve-se com S e não com Z: Observação: Exceção: quando a palavra de origem
*os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-
não derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês,
freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.
Escreve-se com CH e não com X:
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
tamorfose.
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
quiseste.
As letras e e i:
*nomes derivados de verbos com radicais terminados
*os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender -
empresa / difundir - difusão Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - *os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho escritos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os
*após ditongos: coisa, pausa, pouso verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina - atenção para as palavras que mudam de sentido
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pes- quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (su-
quisar perfície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (ex-
pandir) / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão
Escreve-se com Z e não com S: (de estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje-
tivo: macio - maciez / rico - riqueza Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portu-
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de gues/ortografia
origem não termine com s): final - finalizar / concreto -
concretizar Questões sobre Ortografia
*como consoante de ligação se o radical não terminar
com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis + 01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
inho - lapisinho as frases que seguem, a única correta é:
a) Ele se esqueceu de que?
O fonema j: b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distri-
Escreve-se com G e não com J: bui-lo entre os presentes.
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas crí-
gesso. ticas.
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações
gim. dos funcionários.
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge.

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LÍNGUA PORTUGUESA

02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alter- 06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU-
nativa cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas ela
com a norma- -padrão. cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o verbo
(A) Os tabeliãos devem preparar o documento. no tempo futuro.
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. (A) Mas elas cresceram...
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório lo- (B) Mas elas cresciam...
cal. (C) Mas elas cresçam...
(D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos. (D) Mas elas crescem...
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos! (E) Mas elas crescerão...

03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 07. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – FUJB/2011)
2013). Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria a norma culta:
informar os usuários sobre o festival Sounderground. A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios, por
isso posso me queixar com razão.
Prezado Usuário B) Sempre houveram várias formas eficazes para ultra-
________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do passarmos os infortúnios da vida.
metrô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30, C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que
começa o Sounderground, festival internacional que presti- vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida.
gia os músicos que tocam em estações do metrô. D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento, prin-
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen- cipalmente daqueles que procuram viver com dignidade e
tarão e divirta-se! simplicidade.
Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se E) As dificuldades por que passamos certamente nos fa-
preencher as lacunas, correta e respectivamente, com as zem mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.
expressões
A) A fim ...a partir ... as GABARITO
B) A fim ...à partir ... às
C) A fim ...a partir ... às 01.E 02. D 03. C
D) Afim ...a partir ... às 04. A 05. B 06. E 07. E
E) Afim ...à partir ... as
RESOLUÇÃO
04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na se- 1-)
guinte frase: (A) Ele se esqueceu de que? = quê?
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é (B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa- distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
geiros nos aeroportos. (C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos exces-
(B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontanei- sivos nas críticas.
dade, mas nada que ponha em cheque sua reputação de (D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindica-
pessoa cortês. ções dos funcionários.
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do só- (E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
cio de descançar após o almoço sob a frondoza árvore do
pátio. 2-)
(D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa má- (A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = tabe-
goa pode estar sendo o grande impecilho na superação liães
dessa sua crise. (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
(E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta = cidadãos
quantia, mas não quiz ser taxado de conivente na conces- (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
são de privilégios ilegítimos. = certidões
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = degraus
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente
escrita? 3-) Prezado Usuário
A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou- A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do metrô,
pansa. a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa o Sou-
B) O mendigo não depositou na caderneta de pou- nderground, festival internacional que prestigia os músicos que
pança. tocam em estações do metrô.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de pou- Confira o dia e a estação em que os artistas se apresenta-
panssa. rão e divirta-se!
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado;
pansa. antes de horas: há crase

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LÍNGUA PORTUGUESA

4-) Fiz a correção entre parênteses: 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa- menina, erva-doce, feijão-verde.
geiros nos aeroportos. 3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém
(B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casa-
espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque) do, aquém- -fiar, etc.
sua reputação de pessoa cortês. 4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu-
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio mas exceções continuam por já estarem consagradas pelo
de descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza uso: cor- -de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-
(frondosa) árvore do pátio. de-meia, água-de- -colônia, queima-roupa, deus-dará.
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência
dessa mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empe- 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
cilho) na superação dessa sua crise. Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações
(E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Al-
dessa alta quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de coni- sácia-Lorena, etc.
vente na concessão de privilégios ilegítimos. 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-
quando associados com outro termo que é iniciado por r:
5-) hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc.
A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou- 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
pansa. = mendigo/caderneta/poupança ex- -presidente, vice-governador, vice-prefeito.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans- 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-
sa. = mendigo/caderneta/poupança natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
pansa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
10. Nas formações em que o prefixo tem como segun-
6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, ele-
elas crescerão...
tro-higrómetro, geo-história, neo-helênico, extra-humano,
7-) Fiz as correções entre parênteses:
semi-hospitalar, super- -homem.
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infor-
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo
túnios, por isso posso me queixar com razão.
termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-on-
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes
das, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc.
para ultrapassarmos os infortúnios da vida.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes
Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros
que vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte
de nossa vida. termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto so-
frimento, principalmente daqueles que procuram viver com - Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mu-
dignidade e simplicidade. dança de linha), caso a última palavra a ser escrita seja for-
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) pas- mada por hífen, repita-o na próxima linha. Exemplo: escre-
samos certamente nos fazem mais fortes e preparados verei anti-inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. Na
para os infortúnios da vida. linha debaixo escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas
as linhas).
HÍFEN
Não se emprega o hífen:
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter-
para ligar os elementos de palavras compostas (couve-flor, mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou “s”.
ex-presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofe- Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antirreli-
receram-me; vê-lo-ei). gioso, contrarregra, infrassom, microssistema, minissaia, mi-
Serve igualmente para fazer a translineação de pala- crorradiografia, etc.
vras, isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo
duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro). termina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal
diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada,
Uso do hífen que continua depois da Reforma Or- autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, in-
tográfica: fraestrutura, etc.
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
1. Em palavras compostas por justaposição que formam “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o h inicial: desu-
uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem mano, inábil, desabilitar, etc.
para formam um novo significado: tio-avô, porto-alegrense, 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o
luso-brasileiro, tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas, segundo elemento começar com “o”: cooperação, coobriga-
guarda-chuva, arco- -íris, primeiro-ministro, azul-escuro. ção, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.

31
LÍNGUA PORTUGUESA

5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção 07.Assinale a alternativa em que todas as palavras es-
de composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedis- tão grafadas corretamente:
ta, etc. A) autocrítica, contramestre, extra-oficial
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei- B) infra-assinado, infra-vermelho, infra-som
to, benquerer, benquerido, etc. C) semi-círculo, semi-humano, semi-internato
D) supervida, superelegante, supermoda
Questões sobre Hífen E) sobre-saia, mini-saia, superssaia

01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o 08.Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto.
novo Acordo, está sendo usado corretamente: A) infraestrutura / super-homem / autoeducação
A) Ele fez sua auto-crítica ontem. B) bem-vindo / antessala /contra-regra
B) Ela é muito mal-educada. C) contramestre / infravermelho / autoescola
C) Ele tomou um belo ponta-pé. D) neoescolástico / ultrassom / pseudo-herói
D) Fui ao super-mercado, mas não entrei. E) extraoficial / infra-hepático /semirreta
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões.
09.Uma das alternativas abaixo apresenta incorreção
02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do quanto ao emprego do hífen.
hífen: A) O pseudo-hermafrodita não tinha infraestrutura para
A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que relacionamento extraconjugal.
faria uma superalimentação. B) Era extraoficial a notícia da vinda de um extraterreno.
B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada. C) Ele estudou línguas neolatinas nas colônias ultramarinas.
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido. D) O anti-semita tomou um anti-biótico e vacina antir-
D) Nossos antepassados realizaram vários anteproje- rábica.
tos. E) Era um suboficial de uma superpotência.
E) O autodidata fez uma autoanálise.
10.Assinale a alternativa em que ocorre erro quanto ao
03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego emprego do hífen.
do hífen, respeitando-se o novo Acordo. A) Foi iniciada a campanha pró-leite.
A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo. B) O ex-aluno fez a sua autodefesa.
B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal C) O contrarregra comeu um contra-filé.
do campeonato. D) Sua vida é um verdadeiro contrassenso.
C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu. E) O meia-direita deu início ao contra-ataque.
D) O recém-chegado veio de além-mar.
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório. GABARITO

04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro 01. B 02. B 03. A 04. E 05. C
(avarento), copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o 06. D 07. D 08. B 09. D 10. C
hífen é obrigatório:
A) em nenhuma delas. RESOLUÇÃO
B) na segunda palavra.
C) na terceira palavra. 1-)
D) em todas as palavras. A) autocrítica
E) na primeira e na segunda palavra. C) pontapé
D) supermercado
05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __. E) infravermelhos
Qual alternativa completa corretamente as lacunas?
A) sobreumano/interregional 2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assombrada.
B) sobrehumano-interregional
C) sobre-humano / inter-regional 3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo.
D) sobrehumano/ inter-regional
E) sobre-humano /interegional 4-)
a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de mo-
06. Suponha que você tenha que agregar o prefixo leque (doce)
sub- às palavras que aparecem nas alternativas a seguir. a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apre-
Assinale aquela que tem de ser escrita com hífen: sentam elementos de ligação.
A) (sub) chefe b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espé-
B) (sub) entender cies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos,
C) (sub) solo raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação.
D) (sub) reptício c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam
E) (sub) liminar elementos de ligação.

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LÍNGUA PORTUGUESA

5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o cam- Como podemos observar, os vocábulos possuem mais
peonato inter-regional. de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com
- Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. uma sílaba somente: são os chamados monossílabos que,
- Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma quando pronunciados, apresentam certa diferenciação
letra com que se inicia a outra palavra quanto à intensidade.
Tal diferenciação só é percebida quando os pronun-
6-) Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também ciamos em uma dada sequência de palavras. Assim como
diante de palavra iniciada por r. : subchefe, subentender, podemos observar no exemplo a seguir:
subsolo, sub- -reptício (sem o hífen até a leitura da pala-
vra será alterada; /subre/, ao invés de /sub re/), subliminar “Sei que não vai dar em nada,
7-) Seus segredos sei de cor”.
A) autocrítica, contramestre, extraoficial
B) infra-assinado, infravermelho, infrassom Os monossílabos classificam-se como tônicos; os de-
C) semicírculo, semi-humano, semi-internato mais, como átonos (que, em, de).
D) supervida, superelegante, supermoda = corretas
E) sobressaia, minissaia, supersaia Os acentos
8-) B) bem-vindo / antessala / contrarregra
acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i»,
9-) D) O antissemita tomou um antibiótico e vacina an- «u» e sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras
tirrábica. representam as vogais tônicas de palavras como Amapá,
caí, público, parabéns. Sobre as letras “e” e “o” indica, além
10-) C) O contrarregra comeu um contrafilé. da tonicidade, timbre aberto.Ex.: herói – médico – céu (di-
tongos abertos)

acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”,


“e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.:
3. EMPREGO DAS LETRAS. tâmara – Atlântico – pêssego – supôs
3.1. EMPREGO DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
A acentuação é um dos requisitos que perfazem as re-
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi total-
gras estabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se com-
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
põe de algumas particularidades, às quais devemos estar
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.:
atentos, procurando estabelecer uma relação de familia-
mülleriano (de Müller)
ridade e, consequentemente, colocando-as em prática na
linguagem escrita. til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vo-
À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a gais nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
prática de redigir, automaticamente aprimoramos essas
competências, e logo nos adequamos à forma padrão. Regras fundamentais:
Regras básicas – Acentuação tônica Palavras oxítonas:
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”,
A acentuação tônica implica na intensidade com que “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – ci-
são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá pó(s) – armazém(s)
de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
As demais, como são pronunciadas com menos intensida- Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
de, são denominadas de átonas. guidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
cadas como: guidas de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – com-
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a pô-lo
última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai Paroxítonas:
na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
– passível - i, is : táxi – lápis – júri
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica - us, um, uns : vírus – álbuns – fórum
está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tím- - l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax –
pano – médico – ônibus fórceps
- ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos

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LÍNGUA PORTUGUESA

-- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan-
quê? Repare que essa palavra apresenta as terminações das do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM = -im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz
fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização! Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
-ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
não de “s”: água – pônei – mágoa – jóquei Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Regras especiais: As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos “e” ou “i” não serão mais acentuadas. Ex.:
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento Antes Depois
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em apazigúe (apaziguar) apazigue
palavras paroxítonas. averigúe (averiguar) averigue
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma argúi (arguir) argui
palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
acentuados. Ex.: herói, céu, dói, escarcéu. Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do
Antes Agora plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo vir)
assembléia assembleia A regra prevalece também para os verbos conter, ob-
idéia ideia ter, reter, deter, abster.
geléia geleia ele contém – eles contêm
jibóia jiboia ele obtém – eles obtêm
apóia (verbo apoiar) apoia ele retém – eles retêm
paranóico paranoico ele convém – eles convêm

Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acom- Não se acentuam mais as palavras homógrafas que
panhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca antes eram acentuadas para diferenciá-las de outras seme-
– baú – país – Luís lhantes (regra do acento diferencial). Apenas em algumas
exceções, como:
Observação importante: A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando pretérito perfeito do modo indicativo) ainda continua sen-
hiato quando vierem depois de ditongo: Ex.: do acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa
Antes Agora do singular do presente do indicativo). Ex:
bocaiúva bocaiuva Ela pode fazer isso agora.
feiúra feiura Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou...
Sauípe Sauipe O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
preposição por.
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi - Quando, na frase, der para substituir o “por” por “co-
abolido. Ex.: locar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto:
Antes Agora “pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex:
crêem creem Faço isso por você.
lêem leem Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
vôo voo
enjôo enjoo Questões sobre Acentuação Gráfica

- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos 01. (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA –
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER. são acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que
Repare: justificam, respectivamente, as acentuações de: década,
1-) O menino crê em você relógios, suíços.
Os meninos creem em você. (A) flexíveis, cartório, tênis.
2-) Elza lê bem! (B) inferência, provável, saída.
Todas leem bem! (C) óbvio, após, países.
3-) Espero que ele dê o recado à sala. (D) islâmico, cenário, propôs.
Esperamos que os garotos deem o recado! (E) república, empresária, graúda.
4-) Rubens vê tudo!
Eles veem tudo! 02. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
* Cuidado! Há o verbo vir: Assinale a alternativa com as palavras acentuadas segundo
Ele vem à tarde! as regras de acentuação, respectivamente, de intercâmbio
Eles vêm à tarde! e antropológico.

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LÍNGUA PORTUGUESA

(A) Distúrbio e acórdão. RESOLUÇÃO


(B) Máquina e jiló.
(C) Alvará e Vândalo. 1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona
(D) Consciência e características. terminada em ditongo / suíços = regra do hiato
(E) Órgão e órfãs. (A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em
ditongo / tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida
03. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE – de “s”)
TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As pa- (B) inferência = paroxítona terminada em ditongo /
lavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de provável = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do
acordo com a mesma regra de acentuação gráfica. hiato
( ) CERTO ( ) ERRADO (C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após
= oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato
04. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS (D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona
GERAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em
afirmativa em que se aplica a mesma regra de acentuação. “o” + “s”
A) tevê – pôde – vê (E) república = proparoxítona / empresária = paroxíto-
B) únicas – histórias – saudáveis na terminada em ditongo / graúda = regra do hiato
C) indivíduo – séria – noticiários
D) diário – máximo – satélite 2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, pri-
meiro temos que classificar as palavras do enunciado
05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- quanto à posição de sua sílaba tônica:
PE/2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; An-
do acento gráfico tem justificativas gramaticais diferentes. tropológico = proparoxítona (todas são acentuadas). Ago-
(...) CERTO ( ) ERRADO ra, vamos à análise dos itens apresentados:
(A) Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo;
06. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- acórdão = paroxítona terminada em “ão”
PE/2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” (B) Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada
recebem acento gráfico com base na mesma regra de em “o”
acentuação gráfica. (C) Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = pro-
(...) CERTO ( ) ERRADO paroxítona
(D) Consciência = paroxítona terminada em ditongo;
07. (BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL – CES- características = proparoxítona
GRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas mes- (E) Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em
mas regras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”, “ão” e “ã”, respectivamente.
respectivamente, são
a) trajetória, inútil, café e baú. 3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hiato;
b) exercício, balaústre, níveis e sofá. calúnia = paroxítona terminada em ditongo; injúria = paro-
c) necessário, túnel, infindáveis e só. xítona terminada em ditongo.
d) médio, nível, raízes e você. RESPOSTA: “ERRADO”.
e) éter, hífen, propôs e saída.
4-)
08. (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São acen- A) tevê – pôde – vê
tuados graficamente de acordo com a mesma regra de Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito per-
acentuação gráfica os vocábulos feito do Indicativo) = acento diferencial (que ainda preva-
A) também e coincidência. lece após o Novo Acordo Ortográfico) para diferenciar de
B) quilômetros e tivéssemos. “pode” – presente do Indicativo; vê = monossílaba termi-
C) jogá-la e incrível. nada em “e”
D) Escócia e nós. B) únicas – histórias – saudáveis
E) correspondência e três. Únicas = proparoxítona; história = paroxítona termi-
nada em ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em
09. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- ditongo.
PE/2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de C) indivíduo – séria – noticiários
acordo com a mesma regra de acentuação gráfica. Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria =
(...) CERTO ( ) ERRADO paroxítona terminada em ditongo; noticiários = paroxítona
terminada em ditongo.
GABARITO D) diário – máximo – satélite
Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo =
01. E 02. D 03. E 04. C 05. E proparoxítona; satélite = proparoxítona.
06. C 07. D 08. B 09. E

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LÍNGUA PORTUGUESA

5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxíto-


na. Ambas são acentuadas pela mesma regra (antepenúlti- 4. DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COESÃO
ma sílaba é tônica, “mais forte”). TEXTUAL.
RESPOSTA: “ERRADO”. 4.1. EMPREGO DE ELEMENTOS DE
REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO E
6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diá- REPETIÇÃO, DE CONECTORES E OUTROS
ria = paroxítona terminada em ditongo; paciência = paro-
ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL.
xítona terminada em ditongo. Os três vocábulos são acen-
tuados devido à mesma regra.
RESPOSTA: “CERTO”.
7-) Vamos classificar as palavras do enunciado: COESÃO
1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
2-) razoável = paroxítona terminada em “l’ Uma das propriedades que distinguem um texto de um
3-) países = regra do hiato amontoado de frases é a relação existente entre os ele-
4-) será = oxítona terminada em “a” mentos que os constituem. A coesão textual é a ligação,
a relação, a conexão entre palavras, expressões ou frases
a) trajetória, inútil, café e baú. do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que
Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil = servem para estabelecer vínculos entre os componentes do
paroxítona terminada em “l’; café = oxítona terminada em texto. Observe:
“e” “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum
b) exercício, balaústre, níveis e sofá. de anotações, que segurava na mão.”
Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaús-
tre = regra do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i + Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece
s”; sofá = oxítona terminada em “a”. conexão entre as duas orações. O iraquiano leu sua decla-
c) necessário, túnel, infindáveis e só. ração num bloquinho comum de anotações e segurava na
Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel mão, retomando na segunda um dos termos da primeira:
= paroxítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a
terminada em “i + s”; só = monossílaba terminada em “o”. conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão.
d) médio, nível, raízes e você. Leia o texto que segue:
Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = pa-
roxítona terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será = Arroz-doce da infância
oxítona terminada em “a”.
e) éter, hífen, propôs e saída. Ingredientes
1 litro de leite desnatado
Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona
150g de arroz cru lavado
terminada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”;
1 pitada de sal
saída = regra do hiato.
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó
8-)
A) também e coincidência.
Preparo
Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada
= paroxítona terminada em ditongo de sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o
B) quilômetros e tivéssemos. açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em
Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparo- um recipiente, polvilhe a canela. Sirva.
xítona Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4.
C) jogá-la e incrível. São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona termi-
nada em “l’ Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingre-
D) Escócia e nós. dientes e modo de preparar. As informações apresentadas
Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós = na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes
monossílaba terminada em “o + s” mencionados pela primeira vez na lista de ingredientes
E) correspondência e três. vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre
Correspondência = paroxítona terminada em ditongo; outras funções, a de indicar que o termo determinado por
três = monossílaba terminada em “e + s” ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já
fizera menção.
9-) Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monos- No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se
sílaba terminada em “o”; céu = monossílaba terminada em adiciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se
ditongo aberto “éu”. dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se
RESPOSTA: “ERRADO”. trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos
ingredientes.

36
LÍNGUA PORTUGUESA

Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: re- - Em princípio, o termo a que o anafórico se refere
tomada ou antecipação de palavras, expressões ou frases e deve estar presente no texto, senão a coesão fica compro-
encadeamento de segmentos. metida, como neste exemplo:

Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra “André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há
gramatical vários meses.”
(pronome, verbos ou advérbios)
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há anafórico, pois não está retomando nenhuma das palavras
total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ga- citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica
nham menos do que aqueles em cargos equivalentes.” totalmente prejudicado: não há possibilidade de se de-
preender o sentido desse pronome.
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” reto- Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refi-
ma o termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a pa- ra a nenhuma palavra citada anteriormente no interior do
lavra homens. texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos
Os termos que servem para retomar outros são deno- típicos da cultura em que se inscreve o texto. É o caso de
minados anafóricos; os que servem para anunciar, para an- um exemplo como este:
tecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a se-
guir, desta antecipa abandonar a faculdade no último ano: “O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava
desesperado, porque eram 21 horas e ela não havia com-
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no parecido.”
último ano?”
São anafóricos ou catafóricos os pronomes demons- Por dados do contexto cultural, sabe-se que o prono-
trativos, os pronomes relativos, certos advérbios ou locu- me “ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à
ções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer,
palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo,
o artigo definido, os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele,
o desespero só pode ser pelo atraso da noiva (representa-
o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:
da por “ela” no exemplo citado).
- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera
informações novas ao texto. Quando elas forem retoma-
na cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.”
das, deverão ser precedidas do artigo definido, pois este
é que tem a função de indicar que o termo por ele deter-
O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mes-
minado é idêntico, em termos de valor referencial, a um
tre.
termo já mencionado.
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem
como um pensador cín iço e descrente do amor e da ami- “O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na
zade.” sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito
dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pes-
soas; o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de - Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-
Assis. se a dois termos distintos, há uma ruptura de coesão, por-
que ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos tra- texto seja escrito de tal forma que o leitor possa determi-
jando roupa escura.” nar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.

O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens. “Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor
por causa da sua arrogância.”
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desani-
mado com a fila.” O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à pa-
lavra ator quanto a diretor.
O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos trabalha na mesma firma.”
funcionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço
aos servidores.” Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao
termo amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico
A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria des-
inaugurar e seu complemento. feita.

37
LÍNGUA PORTUGUESA

Retomada por palavra lexical de em nosso corpo. Eram quatro os humores: o sangue, a
(substantivo, adjetivo ou verbo) fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra.
E eram também estes quatro fluidos ligados aos quatro ele-
Uma palavra pode ser retomada, que por uma repeti- mentos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), ao Fogo
ção, quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
hipônimo ou antonomásia. Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que pos-
sui o mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproxi- Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro
mado: injúria e afronta, alegre e contente. períodos se faz pela repetição da palavra humores; entre
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo
relação do tipo contém/está contido; fluidos.
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma É preciso manejar com muito cuidado a repetição de
relação do tipo está contido/contém. O significado do termo palavras, pois, se ela não for usada para criar um efeito de
rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
pois toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma rosa. No trecho transcrito a seguir, por exemplo, fica claro o uso
Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes,
daquela. vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a
Antonomásia é a substituição de um nome próprio por condição secundária que um provável flamenguista atribui
um nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é de-
signada por uma característica notória ou quando o nome “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de pia-
próprio de uma personagem famosa é usada para designar das sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me
outras pessoas que possuam a mesma característica que a provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um fla-
distingue: menguista.”
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice
“O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.” -presidente do clube, vice-campeão carioca e bi vice-cam-
peão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal,
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa no Carioca de basquete, no Brasileiro de basquete e na
recente minissérie de tevê.” Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que
não viciem.
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo,
lutado pela liberdade na Europa e na América. 08/03/2000, p. 4-7.
“Ele é um hércules (=um homem muito forte).
A elipse é o apagamento de um segmento de frase
Referência à força física que caracteriza o herói grego que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Tam-
Hércules. bém constitui um expediente de coesão, pois é o apaga-
mento de um termo que seria repetido, e o preenchimento
“Um presidente da República tem uma agenda de tra- do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, ne-
balho extremamente carregada. Deve receber ministros, em- cessariamente, que se faça correlação com outros termos
baixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a presentes no contexto, ou referidos na situação em que se
todo momento tomar graves decisões que afetam a vida de desenrola a fala.
muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de
no Brasil e no mundo. Um presidente deve começar a traba- Machado de Assis:
lhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da
noite.” (...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
A repetição do termo presidente estabelece a coesão
entre o último período e o que vem antes dele. “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imorta, que toda a luz resume!”
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979,
sempre o atraíram. v.III, p. 151.

Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes
astros, que recupera os hipônimos estrelas, planetas, saté- daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica suben-
lites. tendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidi-
homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que per- do (ou apagado) antes de sentiu e parou:
corriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensida-

38
LÍNGUA PORTUGUESA

“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada “Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem
no peito e parou.” articulado, conhece bem o assunto de que fala e é até se-
dutor.”
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No
exemplo que segue, aquela promoção é complemento tan- Toda a série de qualidades está orientada no sentido
to de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas de comprovar que ele é bom conferencista; dentro dessa
depois do segundo verbo: série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.

“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho.
Afinal, queria muito, desejava ardentemente aquela promo- Chegará a ser pelo menos diretor da empresa.”
ção.”
Pelo menos introduz um argumento orientado no
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos
mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade
que têm regência diferente, a coesão é rompida. Por exem-
de trabalho; por outro lado, subentende que há argumen-
plo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois
tos mais fortes para comprovar que ele tem as qualidades
o verbo conhecer rege complemento não introduzido por
requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presi-
preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, por-
tanto teríamos uma preposição indevida: “Conheço (deste dente da empresa) e que se está usando o menos forte;
livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de
os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento valor positivo.
em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo verbo
implicar. “Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o se-
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendá- gundo grau.”
vel é colocar o complemento junto ao primeiro verbo, res-
peitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um No máximo introduz um argumento orientado no
anafórico, acrescentando a preposição devida (Conheço mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender; su-
este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico põe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer
com estranhos palpiteiros e os dispenso sem dó). uma faculdade) e que se está usando o argumento menos
forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior;
Coesão por Conexão no máximo e quando muito estabelecem ligação entre ar-
gumentos de valor depreciativo.
Há na língua uma série de palavras ou locuções que
são responsáveis pela concatenação ou relação entre seg- - Conjunção Argumentativa: há operadores que
mentos do texto. Esses elementos denominam-se conecto- assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam
res ou operadores discursivos. Por exemplo: visto que, até, um conjunto de argumentos orientados em favor de uma
ora, no entanto, contudo, ou seja. dada conclusão: e, também, ainda, nem, não só... mas tam-
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do bém, tanto... como, além de, a par de.
texto: estabelecem entre elas relações semânticas de di-
versos tipos, como contrariedade, causa, consequência, “Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o
condição, conclusão, etc. Essas relações exercem função diretor da escola, é muito respeitado pelos funcionários e
argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos também é muito querido pelos alunos.”
não podem ser usados indiscriminadamente.
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é
alcançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está
o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. O úl-
adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com
timo deles é introduzido por “e também”, que indica um
orientação argumentativa contrária.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o argumento final na mesma direção argumentativa dos
resultado seria um paradoxo semântico, pois esse opera- precedentes.
dor discursivo liga dois segmentos com a mesma orienta- Esses operadores introduzem novos argumentos; não
ção argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele significam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já
a conclusão do anterior. foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de
conjunção segmentos que representam uma progressão
- Gradação: há operadores que marcam uma grada- discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o
ção numa série de argumentos orientados para uma mes- assaltaram e continuou seu discurso”, porque o segundo
ma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não
indicam o argumento mais forte de uma série: até, mesmo, teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois
até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram
com argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no mí- e escondeu o choro que tomou conta dele”.
nimo, no máximo, quando muito.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Disjunção Argumentativa: há também operadores Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os
que indicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem segmentos na sua fala:
uma conexão entre segmentos que levam a conclusões
opostas, que têm orientação argumentativa diferente: ou, ou “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto
então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário. os das divisões de base.”

“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade
briga, para que ele não apanhasse.” da promoção, pois ele estaria declarando que os atletas do
time principal são tão bons quanto os das divisões de base.
O argumento introduzido por ao contrário é diametral-
mente oposto àquele de que o falante teria agredido al- - Explicação ou Justificativa: há operadores que in-
guém. troduzem uma explicação ou uma justificativa em relação
ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.
- Conclusão: existem operadores que marcam uma
conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais enun- “Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem au-
ciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que torização da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da
decorre a conclusão fica implícita, por manifestar uma voz guerra.”
geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto,
por conseguinte, pois (o pois é conclusivo quando não en- Já que inicia um argumento que dá uma justificativa
cabeça a oração). para a tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos
com o custo da guerra contra o Iraque.
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao con-
trole dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é - Contrajunção: os operadores discursivos que as-
moralmente defensável.” sinalam uma relação de contrajunção, isto é, que ligam
enunciados com orientação argumentativa contrária, são
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à as conjunções adversativas (mas, contudo, todavia, no en-
afirmação exposta no primeiro período. tanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar
de, apesar de que, conquanto, ainda que, posto que, se bem
- Comparação: outros importantes operadores discur- que).
sivos são os que estabelecem uma comparação de igual- Qual é a diferença entre as adversativas e as conces-
dade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, sivas, se tanto umas como outras ligam enunciados com
com vistas a uma conclusão contrária ou favorável a certa orientação argumentativa contrária?
ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento
introduzido pela conjunção.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves
quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.” “O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levan-
ta mais decidido a vencer.”
O comparativo de igualdade tem no texto uma função
argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclu-
cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agen- são negativa sobre um processo ocorrido com o atleta,
tes penitenciários; por isso, os segmentos podem até ser enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma
permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do conclusão positiva. Essa segunda orientação é a mais forte.
ponto de vista argumentativo, pois não há igualdade argu- Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é
mentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primei-
agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da ro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplanta-
fuga de presos”. da pela falta de beleza; no segundo, que a falta de beleza
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a con- perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as
clusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diá- conjunções adversativas, introduz-se um argumento com
logo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de vistas a determinada conclusão, para, em seguida, apresen-
futebol: tar um argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argu-
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para mentativa que predomina é a do segmento não introduzi-
reforçar nosso time. do pela conjunção.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto
os do time principal.” “Embora haja conexão entre saber escrever e saber gra-
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da pro- mática, trata-se de capacidades diferentes.”
moção, pois ele declara que qualquer atleta das divisões de A oração iniciada por “embora” apresenta uma orien-
base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, tação argumentativa no sentido de que saber escrever e
o que significa que estes não primam exatamente pela ex- saber gramática são duas coisas interligadas; a oração prin-
celência em relação aos outros. cipal conduz à direção argumentativa contrária.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Quando se utilizam conjunções concessivas, a estraté- Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
gia argumentativa é a de introduzir no texto um argumen- exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenô-
to que, embora tido como verdadeiro, será anulado por meno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da
outro mais forte com orientação contrária. população”.
A diferença entre as adversativas e as concessivas, por-
tanto, é de estratégia argumentativa. Compare os seguin- - Retificação ou Correção: há ainda os que indicam
tes períodos: uma retificação, uma correção do que foi afirmado antes:
ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação dizer, ou seja, em outras palavras. Exemplo:
(argumento mais fraco), a realidade mostrou-se mais com-
plexa (argumento mais forte).” “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou
“O exército planejou minuciosamente a operação (argu- passar a viver junto com minha namorada.”
mento mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais com-
plexa (argumento mais forte).”
O conector inicia um segmento que retifica o que foi
dito antes.
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que
Esses operadores servem também para marcar um es-
introduzem um argumento decisivo para derrubar a argu-
mentação contrária, mas apresentando-o como se fosse clarecimento, um desenvolvimento, uma redefinição do
um acréscimo, como se fosse apenas algo mais numa sé- conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo:
rie argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso,
ademais. “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros
nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses
“Ele está num período muito bom da vida: começou a dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da
namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empre- saúde.”
sa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo
e, além disso, ganhou uma bolada na loteria.” O conector introduz um esclarecimento sobre o que
foi dito antes.
O operador discursivo introduz o que se considera a Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um re-
prova mais forte de que “Ele está num período muito bom forço do conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se
fosse apenas mais uma. “Quando a atual oposição estava no comando do país,
não fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário,
- Generalização ou Amplificação: existem operado- suas políticas iam na direção contrária do que prega atual-
res que assinalam uma generalização ou uma amplificação mente.
do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, tam-
bém, é verdade que. O conector introduz um argumento que reforça o que
foi dito antes.
“O problema da erradicação da pobreza passa pela ge-
ração de empregos. De fato, só o crescimento econômico - Explicação: há operadores que desencadeiam uma
leva ao aumento de renda da população.” explicação, uma confirmação, uma ilustração do que foi
afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
O conector introduz uma amplificação do que foi dito
antes.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto
se processavam as negociações, atacou de surpresa.”
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os
que atualmente militam no nosso futebol.
O conector introduz uma generalização ao que foi afir- O operador introduz uma confirmação do que foi afir-
mado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol mado antes.
são retranqueiros.
Coesão por Justaposição
- Especificação ou Exemplificação: também há ope-
radores que marcam uma especificação ou uma exempli- É a coesão que se estabelece com base na sequência
ficação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, dos enunciados, marcada ou não com sequenciadores.
como. Examinemos os principais sequenciadores.

“A violência não é um fenômeno que está dissemina- - Sequenciadores Temporais: são os indicadores de
do apenas entre as camadas mais pobres da população. Por anterioridade, concomitância ou posterioridade: dois meses
exemplo, é crescente o número de jovens da classe média depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são
que estão envolvidos em toda sorte de delitos, dos menos utilizados predominantemente nas narrações).
aos mais graves.”

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Uma semana antes de ser internado gravemente rupturas na coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou,
doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha co-
para o futuro.” mum no que tange a coesão é a falta de partes indispen-
sáveis da oração ou do período. Analisemos este exemplo:
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de po-
sição relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. “As empresas que anunciaram que apoiariam a cam-
(são usados principalmente nas descrições). panha de combate à fome que foi lançada pelo governo
federal.”
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, repre- O período compõe-se de:
sentando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval - As empresas
de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bam- - que anunciaram (oração subordinada adjetiva restri-
bolins de cassa finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira, tiva da primeira oração)
não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, - que apoiariam a campanha de combate à fome (ora-
ainda na maior força do inverno.” ção subordinada substantiva objetiva direta da segunda
José de Alencar. Senhora. oração)
São Paulo, FTD, 1992, p. 77. - que foi lançada pelo governo federal (oração subordi-
nada adjetiva restritiva da terceira oração).
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a
ordem dos assuntos numa exposição: primeiramente, em se- Observe-se que falta o predicado da primeira oração.
gunda, a seguir, finalmente, etc. Quem escreveu o período começou a encadear orações
subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em
das agruras por que passam as populações civis; em seguida, períodos longos. No entanto, mesmo quando se elaboram
discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; fi- períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintati-
nalmente, exporei suas consequências para a economia mun- camente completos e para que suas partes estejam bem
dial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes
conectadas entre si.
do planeta.”
Para que um conjunto de frases constitua um texto,
não basta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na con-
de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas
versação principalmente, servem para introduzir um tema
não passarão de um amontoado injustificado. Exemplo:
ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas vol-
tando ao assunto, fazendo um parêntese, etc.
“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem exce-
lentes restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas
pessoas. A propósito, era um homem que sabia agradar às o Rio de Janeiro tem favelas.”
mulheres.”
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade reto-
- Operadores discursivos não explicitados: se o tex- ma o substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação
to for construído sem marcadores de sequenciação, o leitor entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela”
deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os ope- recupera a palavra cidade, vinculando o terceiro ao segun-
radores discursivos não explicitados na superfície textual. do período. O operador também realiza uma conjunção
Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão argumentativa, relacionando o quarto período ao terceiro.
indicados, na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apre-
vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. senta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coe-
são, portanto, é condição necessária, mas não suficiente,
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da para produzir um texto.
fidelidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus in-
teresses e não de acordo com um programa partidário. Assim, COERÊNCIA
não há bases governamentais sólidas.”
Infância
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a
causa de a reforma política ser indispensável. Portanto o O camisolão
ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque. O jarro
O passarinho
A língua tem um grande número de conectores e se- O oceano
quenciadores. Apresentamos os principais e explicamos sua A vista na casa que a gente sentava no sofá
função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão.
Mostramos que o uso inadequado dos conectores e a uti-
lização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram

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LÍNGUA PORTUGUESA

Adolescência Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova


que um conjunto de enunciados pode formar um todo
Aquele amor coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos,
Nem me fale isto é, mesmo sem a presença explícita de marcadores de
relação entre as diferentes unidades linguísticas. Em outros
Maturidade termos, a coesão funciona apenas como um mecanismo
auxiliar na produção da unidade de sentido, pois esta de-
O Sr. e a Sra. Amadeu pende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da
Participam a V. Exa. não-contradição entre as partes, da continuidade semânti-
O feliz nascimento ca, em síntese, da coerência.
De sua filha A coerência é um fator de interpretabilidade do texto,
Gilberta pois possibilita que todas as suas partes sejam englobadas
Velhice num único significado que explique cada uma delas. Quan-
do esse sentido não pode ser alcançado por faltar relação
O netinho jogou os óculos de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente,
Na latrina como este:
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas. A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a
4ª Ed. Rio de Janeiro mediocridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161. uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfren-
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao tam. De repente vejo que não sou mais uma “criancinha”
menos à primeira vista, seja a ausência de elementos de dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho
coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer enca- que escolher uma profissão para me realizar e ser indepen-
deando segmentos textuais. No entanto, percebemos nele dente financeiramente.
um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu No país em que vivemos, que predomina o capitalismo,
título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro estações. o mais rico sempre é quem vence!
Com essa informação, podemos imaginar que se tra- Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira
ta de flashes de cada uma das quatro grandes fases da (orgs).
vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987,
A primeira é caracterizada pelas descobertas (o oceano), p. 53.
por ações (o jarro, que certamente a criança quebrara; o
passarinho que ela caçara) e por experiências marcantes Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção;
(a visita que se percebia na sala apropriada e o camiso- adolescência e escolha profissional; relações sociais sob o
lão que se usava para dormir); a segunda é caracterizada capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si.
por amores perdidos, de que não se quer mais falar; a ter- Esse fato, prejudicando a continuidade semântica entre as
ceira, pela formalidade e pela responsabilidade indicadas partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura
pela participação formal do nascimento da filha; a última, um texto incoerente.
pela condescendência para com a traquinagem do neto Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que
(a quem cabe a vez de assumir a ação). A primeira parte é o compõem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis
uma sucessão de palavras; a segunda, uma frase em que de coerência.
falta um nexo sintático; a terceira, a participação do nas-
cimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, Coerência Narrativa
porém aparentemente desgarrada das demais.
Como se explica que sejamos capazes de entender A coerência narrativa consiste no respeito às implica-
esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de ções lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para
marcadores de coesão entre as partes? que um sujeito realize uma ação, é preciso que ele tenha
A explicação está no fato de que ele tem uma quali- competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá
dade indispensável para a existência de um texto: a coe- -la. Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exem-
rência. plo: o narrador conta que foi a uma festa onde todos fu-
Que é a unidade de sentido resultante da relação que mavam e, por isso, a espessa fumaça impedia que se visse
se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma mu-
compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz dança dessa situação, ele diz que se encostou a uma colu-
do qual cada uma das partes ganha sentido. No poema na e passou a observar as pessoas, que eram ruivas, loiras,
acima, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturida- morenas. Se o narrador diz que não podia enxergar nada,
de” e “Velhice” garantem essa unidade. Colocar a partici- é incoerente dizer que via as pessoas com tanta nitidez.
pação formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o Em outros termos, se nega a competência para a realização
título “Maturidade” dá a conotação da responsabilidade de um desempenho qualquer, esse desempenho não pode
habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um ocorrer. Isso por respeito às leis da coerência narrativa. Ob-
sentido unitário. serve outro exemplo:

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Por coerência temporal entende-se aquela que concer-
Clube, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Pa- ne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enun-
raná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campi- ciados do ponto de vista de sua localização no tempo. Não
nas, alguns dias antes. O repórter queria saber o que tinha se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi executado
acontecido. Edinho não teve dúvida sobre os motivos: na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.
__ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo
ataque do Guarani.” Coerência Espacial
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina.
A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos
A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser sur- enunciados do ponto de vista da localização no espaço.
preendido com o que já se esperava que acontecesse. Seria incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A
Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um homem
Coerência Argumentativa que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a di-
versidade da vida na capital, pois aqui já não suportava mais
A coerência argumentativa diz respeito às relações de a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no interior, o enunciador
implicação ou de adequação entre premissas e conclusões dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de
ou entre afirmações e consequências. Não é possível al- algum lugar distante do interior; portanto ele não poderia
guém dizer que é a favor da pena de morte porque é con- usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o té-
tra tirar a vida de alguém. Da mesma forma, é incoerente dio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem.
defender o respeito à lei e à Constituição Brasileira e ser Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o
favorável à execução de assaltantes no interior de prisões. mesmo lugar.
Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
premissas. Não há coerência, por exemplo, num raciocínio
como este: A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela
que concerne à compatibilidade do léxico e das estrutu-
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verda- ras morfossintáticas com a variante escolhida numa dada
deiros marajás. situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada
O candidato a governador é funcionário público. ao nível de linguagem quando, por exemplo, o enunciador
Portanto o candidato é um marajá. utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem infor-
mal num texto caracterizado pela norma culta formal. Tan-
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode con- to sabemos que isso não é permitido que, quando o faze-
cluir nada com certeza baseado em duas premissas parti- mos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra,
culares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência
não permite concluir que qualquer um seja. nesse nível:
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito
anteriormente também constitui incoerência. É o que se vê “Tendo recebido a notificação para pagamento da cha-
neste diálogo: mada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita,
para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida,
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento porque o IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6%
de pedágio para circular no centro da cidade? para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir
__ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes as despesas da municipalidade com os gastos de coleta e
cidades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por con- destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos moradores
seguinte, é necessário reabilitar as áreas que contam com de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta
abundante oferta de serviços públicos.” armação da Prefeitura: jogar mais um gasto nas costas da
gente.”
Coerência Figurativa
Como se vê, o léxico usado no último período do texto
A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das destoa completamente do utilizado no período anterior.
figuras que manifestam determinado tema. Para que o lei-
tor possa perceber o tema que está sendo veiculado por Ninguém há de negar a incoerência de um texto como
uma série de figuras encadeadas, estas precisam ser com- este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e dei-
patíveis umas com as outras. Seria estranho (para dizer o xou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu sui-
mínimo) que alguém, ao descrever um jantar oferecido no cídio, em que há evidente violação da lei sucessivamente
palácio do Itamarati a um governador estrangeiro, depois dos eventos. Entretanto talvez nem todo mundo concorde
de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flores, can- que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar
delabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa,
guardanapos de papel. alguém poderia objetivar que é preconceito considerá-los
inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal,
Coerência Temporal determina se um texto é ou não coerente?

44
LÍNGUA PORTUGUESA

A natureza da coerência está relacionada a dois concei- 100 motivos para gostar de São Paulo
tos básicos de verdade: adequação à realidade e conformi-
dade lógica entre os enunciados. 1. Um chopps
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: nar- 2. E dois pastel
rativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos (...)
duas espécies diversas de coerência: 5. O polpettone do Jardim de Napoli
- extratextual: aquela que diz respeito à adequação (...)
entre o texto e uma “realidade” exterior a ele. 30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
- intratextual: aquela que diz respeito à compatibili- (...)
dade, à adequação, à não-contradição entre os enunciados 43. O “Parmera”
do texto. (...)
45. O “Curíntia”
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajus- (..)
tar-se pode ser: 59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados (...)
referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao con-
teúdo das ciências, etc. que constitui o repertório com que O texto apresenta os traços culturais da cidade, e to-
se produzem e se entendem textos. O período “O homem dos convergem para um único significado: a celebração da
olhou através das paredes e viu onde os bandidos escon- capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois
diam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente, primeiros itens de nosso exemplo referem-se a marcas lin-
pois nosso conhecimento do mundo diz que homens não guísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tor-
vêem através das paredes. Temos, então, uma incoerência nou conhecido o restaurante chamado Jardim de Napoli; o
figurativa extratextual. quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
- os mecanismos semânticos e gramaticais da lín- o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais
gua: o conjunto dos conhecimentos sobre o código lin- populares da cidade são denominados na variante linguís-
guístico necessário à codificação de mensagens decodifi-
tica popular; o último à obediência a uma lei que na época
cáveis por outros usuários da mesma língua. O texto se-
ainda não vigorava no resto do país.
guinte, por exemplo, está absolutamente sem sentido por
- A situação de comunicação:
inobservância de mecanismos desse tipo:
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma
__A telefônica.
carreira universitária informações críticas a respeito da
__Era hoje?
realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos
métodos criativos nos ensinos de primeiro e segundo grau:
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação
estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as
quais, serão a praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão de interlocução, porque deixa implícitos certos enunciados
associadas a testes vocacionais sérios de maneira discursiva que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:
a analisar conceituações fundamentais.”
__ O empregado da companhia telefônica que vinha
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58. consertar o telefone está aí.
__ Era hoje que ele viria?

Fatores de Coerência - O conhecimento de mundo:

- O contexto: para uma dada unidade linguística, fun- 31 de março / 1º de abril


ciona como contexto a unidade linguística maior que ela: Dúvida Revolucionária
a sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba;
a oração, para a palavra; o período, para a oração; o texto, Ontem foi hoje?
para o período, e assim por diante. Ou hoje é que foi ontem?

“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Na- Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema:
poli, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Parmera”, o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”.
o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.” No entanto, as duas datas colocadas no início do poema
e o título remetem a um episódio da História do Brasil, o
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse
na enumeração desses elementos. Quando ficamos saben- fato deve fazer parte de nosso conhecimento de mundo,
do, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril,
“100 motivos para gostar de São Paulo”, o que aparente- mas sua comemoração foi mudada para 31 de março, para
mente era caótico torna-se coerente: evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.

45
LÍNGUA PORTUGUESA

- As regras do gênero: Incoerência Proposital

“O homem olhou através das paredes e viu onde os ban- Existem textos em que há uma quebra proposital da
didos escondiam a vítima que havia sido sequestrada.” coerência, com vistas a produzir determinado efeito de
sentido, assim como existem outros que fazem da não-
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é coerência o próprio princípio constitutivo da produção de
completamente coerente no mundo criado pelas histórias sentido. Poderia alguém perguntar, então, se realmente
de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele em
tem força praticamente ilimitada; pode voar no espaço a
que a incoerência é produzida involuntariamente, por
uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa ve-
inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador, e não
locidade, vence a barreira do tempo e pode transferir-se
para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver usada funcionalmente para construir certo sentido.
através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc. Quando se trata de incoerência proposital, o enuncia-
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que dor dissemina pistas no texto, para que o leitor perceba
efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele in- que ela faz parte de um programa intencionalmente dire-
clui também os mundos criados pela linguagem nos dife- cionado para veicular determinado tema. Se, por exemplo,
rentes gêneros de texto, ficção científica, contos maravi- num texto que mostra uma festa muito luxuosa, apare-
lhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras ló- cem figuras como pessoas comendo de boca aberta, falan-
gicas. Assim, o que é incoerente num determinado gênero do em voz muito alta e em linguagem chula, ostentando
não o é, necessariamente, em outro. sua últimas aquisições, o enunciador certamente não está
querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o
- O sentido não literal: da vulgaridade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da
festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão ex- Penny Marshall em 1988, com Tom Hanks) e “Um convida-
plodir a qualquer momento.” do bem trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com
Peter Sellers), há cenas em que os respectivos protagonis-
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, tas exibem comportamento incompatível com a ocasião,
pois, nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualifica-
mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo con-
do por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo
verge para que o espectador se solidarize com eles, por
ser, ao mesmo tempo, as qualidades verde e incolor; o ver-
sua ingenuidade e falta de traquejo social. Mas, se aparece
bo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado.
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido num texto uma figura incoerente uma única vez, o leitor
não literal, como concepções ambientalistas, o período não pode ter certeza de que se trata de uma quebra de
pode ser lido da seguinte maneira: “As idéias ambientalis- coerência proposital, com vistas a criar determinado efeito
tas sem atrativo estão latentes, mas poderão manifestar-se a de sentido, vai pensar que se trata de contradição devida a
qualquer momento.” inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da
- O intertexto: inversão da realidade seu princípio constitutivo; da incoe-
rência, um fator de coerência. São exemplos as obras de
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro Lewis Carrol “Alice no país das maravilhas” e “Através do es-
pelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido,
__ a chuva me deixa triste... subverter o princípio da realidade, mostrar as aporias da
__ a mim me deixa molhado. lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.
José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que
Muitos textos retomam outros, constroem-se com contém mais de um exemplo do que foi abordado:
base em outros e, por isso, só ganham coerência nessa re-
lação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja,
Teresa
na relação de intertextualidade. É o caso desse poema. Para
compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um
dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa; que heterô- A primeira vez que vi Teresa
nimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica Achei que ela tinha pernas estúpidas
distinta da do autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é Achei também que a cara parecia uma perna
a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões
subjetivas; que sua posição é antimetafísica; que não deve- Quando vi Teresa de novo
mos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa in- Achei que seus olhos eram muito mais velhos
terpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese, [que o resto do corpo
é preciso ter lido textos de Caeiro. Por outro lado, é preciso (Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) expri- [que o resto do corpo nascesse)
me suas emoções, falando da solidão interior, do tédio, etc.

46
LÍNGUA PORTUGUESA

Da terceira vez não vi mais nada - Desinência modo-temporal: é o elemento que desig-
Os céus se misturaram com a terra na o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
[das águas. falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214. - Desinência número-pessoal: é o elemento que desig-
na a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular
Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, ou plural):
no mínimo, que nosso conhecimento de mundo inclua o falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
poema: falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)
Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
O Adeus de Teresa (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois
a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar
A primeira vez que fitei Teresa, de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas
Como as plantas que arrasta a correnteza, formas do verbo: põe, pões, põem, etc.
A valsa nos levou nos giros seus...
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
Castro Alves
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
Para identificarmos a relação de intertextualidade en- dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
tre eles; que tenhamos noção da crítica do Modernismo bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por
em que nenhuma musa seria tratada com tanta cerimônia exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai
e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprenderão,
literal; que percebamos sua lógica interna, criada pela dis- nutriríamos.
seminação proposital de elementos que pareceriam absur-
dos em outro contexto. Classificação dos Verbos

Classificam-se em:
4.2. EMPREGO/CORRELAÇÃO DE TEMPOS E
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências nor-
MODOS VERBAIS.
mais de sua conjugação e cuja flexão não provoca alterações
no radical: canto cantei cantarei cantava cantasse.
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações
Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa, no radical ou nas desinências: faço fiz farei fizesse.
número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros - Defectivos: são aqueles que não apresentam conjuga-
processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover); ção completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais e
ocorrência (nascer); desejo (querer). pessoais:
O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não * Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Normal-
os seus possíveis significados. Observe que palavras como mente, são usados na terceira pessoa do singular. Os princi-
corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo pais verbos impessoais são:
ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam,
porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos ** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-
possuem. se ou fazer (em orações temporais).
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam)
Estrutura das Formas Verbais Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão)
Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz)
apresentar os seguintes elementos: ** fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
- Radical: é a parte invariável, que expressa o significa- Era primavera quando a conheci.
do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am. Estava frio naquele dia.
(radical fal-)
- Tema: é o radical seguido da vogal temática que in- ** Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza
dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhe-
fala-r cer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar), mal- -humorado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sen-
2ª - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I - tido figurado. Qualquer verbo impessoal, empregado em
(partir). sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)


Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

** São impessoais, ainda:


1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blasfêmias.
3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a
sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos,
então, pessoais.

4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uns trocados?

* Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
A fruta amadureceu.
As frutas amadureceram.

Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadureceu
bastante.
Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo, caca-
rejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo

Os principais verbos unipessoais são:


1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário, etc.):
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bastante.)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)

2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fumar.)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.
* Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
- verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que
provavelmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.

- verbo computar. Este verbo teria como formas do presente do indicativo computo, computas, computa - formas de
sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso efetivo de
formas verbais repudiadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com o desenvolvimento
e a popularização da informática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.
- Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma
ocorrer no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas
(particípio irregular). Observe:
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).
- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês
SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles
ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

49
LÍNGUA PORTUGUESA

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

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LÍNGUA PORTUGUESA

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mes-
ma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:

- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abs-
ter-se, ater- -se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia re-
flexiva expressa pelo radical do próprio verbo.

Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):


Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem
- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em
geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados,
formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

Observações:
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
- Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais, são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à do
sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me (objeto direto) - 1ª pessoa do singular

Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, existem três
modos:
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sempre estudo.

Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.

Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda agora, menino.

51
LÍNGUA PORTUGUESA

Formas Nominais Tempos Verbais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for- Tomando-se como referência o momento em que se
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo, fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas tempos. Veja:
nominais. Observe:
1. Tempos do Indicativo
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo
de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de - Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste co-
substantivo. Por exemplo: légio.
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
num momento anterior ao atual, mas que não foi comple-
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen- tamente terminado: Ele estudava as lições quando foi inter-
te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por rompido.
exemplo:
É preciso ler este livro. - Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
Era preciso ter lido este livro. momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
Ele estudou as lições ontem à noite.
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três
pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não - Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im- ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha es-
pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira: tudado as lições quando os amigos chegaram. (forma com-
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu) posta) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram.
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós) (forma simples).
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles) - Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve
ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma atual: Ele estudará as lições amanhã.
boa colocação.
- Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode
- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ocorrer posteriormente a um determinado fato passado:
ou advérbio. Por exemplo: Se eu tivesse dinheiro, viajaria nas férias.
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad-
vérbio) 2. Tempos do Subjuntivo
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de ad-
jetivo) - Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no mo-
mento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado,
curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exem- mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele ven-
plo: cesse o jogo.
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro. Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas cons-
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. truções em que se expressa a ideia de condição ou desejo.
- Particípio: quando não é empregado na formação Por exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do cam-
dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o peonato.
resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gê-
nero, número e grau. Por exemplo: - Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode
Terminados os exames, os candidatos saíram. ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando
ele vier à loja, levará as encomendas.
Obs.: o futuro do presente é também usado em frases
Quando o particípio exprime somente estado, sem ne- que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele
nhuma relação temporal, assume verdadeiramente a fun- vier à loja, levará as encomendas.
ção de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a alu-
na escolhida para representar a escola.

52
LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

53
LÍNGUA PORTUGUESA

Futuro do Pretérito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.

CANTAR VENDER PARTIR


cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS
vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-
se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa
correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

54
LÍNGUA PORTUGUESA

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - ASSISTENTE SOCIAL JUDICIÁRIO - VUNESP/2012) Assinale a
alternativa em que todos os verbos estão conjugados segundo a norma-padrão.
(A) Absteu-se do álcool durante anos; agora, voltou ao vício.
(B) Perderam seus documentos durante a viagem, mas já os reaveram.
(C) Avisem-me, se vocês verem que estão ocorrendo conflitos.
(D) Só haverá acordo se nós propormos uma boa indenização.
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos eletrônicos.

02. (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014)


... e então percorriam as pouco povoadas estepes da Ásia Central até o mar Cáspio e além.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em:
(A) ... e de lá por navios que contornam a Índia...
(B) ... era a capital da China.
(C) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
(D) ... dispararam na última década.
(E) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas...

55
LÍNGUA PORTUGUESA

03. (TRF - 2ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - 07. (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) É importante
FCC/2012) O emprego, a grafia e a flexão dos verbos estão que a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultura
corretos em: empresarial, por meio das ações e projetos de Educação Am-
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty biental, esteja alinhada a esses conceitos.
não prescindiram e não requiseram mais do que o esqueci- O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
mento e a passagem do tempo. verbo grifado na frase acima está em:
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para (A) ... a Empresa desenvolve todas as suas ações, polí-
sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge ticas...
do esquecimento, em 1974. (B) ... as definições de Educação Ambiental são abran-
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor- gentes...
tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so- (C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá-
breviram longos anos de esquecimento. vel...
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando (D) ... e incorporou [...] também aspectos de desenvolvi-
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos mento humano.
(E)... e reforce a identidade das comunidades.
atropelos do turismo selvagem.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para
08. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JA-
que obtesse, agora em definitivo, o prestígio de um polo
NEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIOTE-
turístico de inegável valor histórico. CONOMIA – FGV PROJETOS /2014) Na frase “se você quiser
ir mais longe”, a forma verbal empregada tem sua forma
04. (TRF - 3ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - corretamente conjugada. A frase abaixo em que a forma
FCC/2014) Tinham seus prediletos ... verbal está ERRADA é
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o (A) se você se opuser a esse desejo.
grifado acima está em: (B) se você requerer este documento.
(A) Dumas consentiu. (C) se você ver esse quadro.
(B) ... levaram com eles a instituição do “lector”. (D) se você provier da China.
(C) ... enquanto uma fileira de trabalhadores enrolam (E) se você se entretiver com o jogo.
charutos...
(D) Despontava a nova capital mundial do Havana. 09. (PREFEITURA DE SÃO CARLOS/SP – ENGENHEIRO –
(E) ... que cedesse o nome de seu herói... ÁREA CIVIL – VUNESP/2011) Considere as frases:
I. Há diversos projetos de lei em tramitação na Câmara.
05.(Analista – Arquitetura – FCC – 2013-adap.). Está ade- II. Caso a bondade seja aprovada, haverá custo adicional
quada a correlação entre tempos e modos verbais na frase: de 5,4 bilhões de reais por ano.
A) Os que levariam a vida pensando apenas nos valores Assinale a alternativa que, respectivamente, substitui o ver-
absolutos talvez façam melhor se pensassem no encanto bo haver pelo verbo existir, conservando o tempo e o modo.
dos pequenos bons momentos. (A) Existe – existe
B) Há até quem queira saber quem fosse o maior ban- (B) Existem – existirão
dido entre os que recebessem destaque nos popularescos (C) Existirão – existirá
programas da TV. (D) Existem – existirá
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- (E) Existiriam – existiria
tam tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tenha
aspirações a ser metafísica. 10. (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
... pois assim se via transportado de volta “à glória que foi
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levarem em
a Grécia e à grandeza que foi Roma”.
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu-
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
par-se com os degraus da notoriedade.
grifado acima está em:
E) Quanto mais aproveitássemos o que houvesse de a) Poe certamente acreditava nisso...
grande nos momentos felizes, menos precisaríamos nos b) Se Grécia e Roma foram, para Poe, uma espécie de
preocupar com conquistas superlativas. casa...
c) ... ainda seja por nós obscuramente sentido como ver-
06. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – dadeiro, embora não de modo consciente.
FCC/2012) ...Ou pretendia. d) ... como um legado que provê o fundamento de nos-
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o sas sensibilidades.
grifado acima está em: e) Seria ela efetivamente, para o poeta, uma encarnação
a) ... ao que der ... da princesa homérica?
b) ... virava a palavra pelo avesso ...
c) Não teria graça ... GABARITO
d) ... um conto que sai de um palíndromo ...
e) ... como decidiu o seu destino de escritor. 01.E 02. B 03. D 04. D 05. E
06.B 07. E 08. C 09. D 10.B

56
LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO 6-) Pretendia = pretérito imperfeito do Indicativo


a) ... ao que der ... = futuro do Subjuntivo
1-) Correção à frente: b) ... virava = pretérito imperfeito do Indicativo
(A) Absteu-se = absteve-se c) Não teria = futuro do pretérito do Indicativo
(B) mas já os reaveram = reouveram d) ... um conto que sai = presente do Indicativo
(C) se vocês verem = virem e) ... como decidiu = pretérito perfeito do Indicativo
(D) Só haverá acordo se nós propormos = propusermos
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos 7-) O verbo “esteja” está no presente do Subjuntivo.
eletrônicos. (A) ... a Empresa desenvolve = presente do Indicativo
(B) ... as definições de Educação Ambiental são = presen-
2-) Percorriam = Pretérito Imperfeito do Indicativo te do Indicativo
(C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá-
A = contornam – presente do Indicativo
vel... = presente do Indicativo
B = era = pretérito imperfeito do Indicativo
(D) ... e incorporou [...] = pretérito perfeito do Indicativo
C = foi = pretérito perfeito do Indicativo (E)... e reforce a identidade das comunidades. = presente
D = dispararam = pretérito mais-que-perfeito do Indi- do Subjuntivo.
cativo
E = acompanham = presente do Indicativo 8-)
(A) se você se opuser a esse desejo.
3-) Acrescentei as formas verbais adequadas nas ora- (B) se você requerer este documento.
ções analisadas: (C) se você ver esse quadro.= se você vir
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty (D) se você provier da China.
não prescindiram e não requiseram (requereram) mais do (E) se você se entretiver com o jogo.
que o esquecimento e a passagem do tempo.
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para 9-) Há = presente do Indicativo / haverá = futuro do pre-
sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge sente do indicativo.
(emerge) do esquecimento, em 1974. Ao substituirmos pelo verbo “existir”, lembremo-nos de
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor- que esse sofrerá flexão de número (irá para o plural, caso
tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so- seja necessário):
breviram (sobrevieram) longos anos de esquecimento. I. Existem diversos projetos de lei em tramitação na Câ-
mara.
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando
II. Caso a bondade seja aprovada, existirá custo adicional
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos
de 5,4 bilhões de reais por ano.
atropelos do turismo selvagem. Existem / existirá.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para
que obtesse, (obtivesse) agora em definitivo, o prestígio de 10-) Foi = pretérito perfeito do Indicativo
um polo turístico de inegável valor histórico. a) Poe certamente acreditava = pretérito imperfeito do
Indicativo
4-)Tinham = pretérito imperfeito do Indicativo. Vamos b) Se Grécia e Roma foram = pretérito perfeito do Indi-
às alternativas: cativo
Consentiu = pretérito perfeito / levaram = pretérito c) ... ainda seja = presente do Subjuntivo
perfeito (e mais-que-perfeito) do Indicativo d) ... como um legado que provê = presente do Indicativo
Despontava = pretérito imperfeito do Indicativo e) Seria = futuro do pretérito do Indicativo
Cedesse = pretérito do Subjuntivo
Vozes do Verbo
5-)
A) Os que levam a vida pensando apenas nos valores Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para
absolutos talvez fariam melhor se pensassem no encanto indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação.
dos pequenos bons momentos. São três as vozes verbais:
B) Há até quem queira saber quem é o maior bandido
- Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação
entre os que recebem destaque nos popularescos progra-
expressa pelo verbo. Por exemplo:
mas da TV. Ele fez o trabalho.
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- sujeito agente ação objeto (paciente)
tem tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tem
aspirações a ser metafísica. - Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a ação
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levassem em expressa pelo verbo. Por exemplo:
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu- O trabalho foi feito por ele.
par-se com os degraus da notoriedade. sujeito paciente ação agente da pas-
siva

57
LÍNGUA PORTUGUESA

- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen- Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz latina
te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo: de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacionam com
O menino feriu-se. o significado sofrimento, padecimento. Daí vem o significado
de voz passiva como sendo a voz que expressa a ação sofrida
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com pelo sujeito. Na voz passiva temos dois elementos que nem
a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE e AGENTE DA PASSIVA.
outro)
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
Formação da Voz Passiva
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
A voz passiva pode ser formada por dois processos: tancialmente o sentido da frase.
analítico e sintético.
Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
1- Voz Passiva Analítica Sujeito da Ativa objeto Direto

Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particí- A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Pas-
siva)
pio do verbo principal. Por exemplo:
Sujeito da Passiva Agente da Passiva
A escola será pintada.
O trabalho é feito por ele.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o
sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a Observe mais exemplos:
preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de sol-
dados. - Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
esteja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã. mestres.
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
(SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma- - Eu o acompanharei.
ção das frases seguintes: Ele será acompanhado por mim.
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi- Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado,
cativo) não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) Saiba que:
- Aos verbos que não são ativos nem passivos ou refle-
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) xivos, são chamados neutros.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) O vinho é bom.
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume Aqui chove muito.
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte: - Há formas passivas com sentido ativo:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva
- Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo:
analítica com outros verbos que podem eventualmente
Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
funcionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou mar- Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
cada pela doença.
- Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido
2- Voz Passiva Sintética cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o
sujeito é paciente.
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com Chamo-me Luís.
o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador Batizei-me na Igreja do Carmo.
SE. Por exemplo: Operou-se de hérnia.
Abriram-se as inscrições para o concurso. Vacinaram-se contra a gripe.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
sintética. morf54.php

58
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Vozes dos Verbos A transposição para a voz passiva da oração grifada aci-
ma teria, de acordo com a norma culta, como forma verbal
01. (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) A fra- resultante:
se que admite transposição para a voz passiva é: (A) ameaçavam.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. (B) foram ameaçadas.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma (C) ameaçarem.
grande diversidade de fenômenos. (D) estiver sendo ameaçada.
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- (E) forem ameaçados.
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação.
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da 07. (INFRAERO – ENGENHEIRO SANITARISTA –
vida (...). FCC/2011) Transpondo-se para a voz passiva a frase Um
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido figurante pode obscurecer a atuação de um protagonista, a
e da falsa consciência. forma verbal obtida será:
(A) pode ser obscurecido.
02. (TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) ... a (B) obscurecerá.
Coreia do Norte interrompeu comunicações com o vizinho ... (C) pode ter obscurecido.
Transpondo a frase acima para a voz passiva, a forma (D) pode ser obscurecida.
verbal corretamente obtida é: (E) será obscurecida.
a) tinha interrompido.
b) foram interrompidas. 08.(GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PRO-
c) fora interrompido. CON – ADVOGADO – CEPERJ/2012) “todos que são impac-
d) haviam sido interrompidas. tados pelas mídias de massa”
e) haveriam de ser interrompidas. O fragmento transcrito acima apresenta uma constru-
03. (FCC-TRE-Analista Judiciário – 2011) Transpondo-se ção na voz passiva do verbo. Outro exemplo de voz passiva
para a voz passiva a frase Hoje a autoria institucional en-
encontra-se em:
frenta séria concorrência dos autores anônimos, obter-se-á
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões
a seguinte forma verbal:
de compra de uma família”
(A) são enfrentados.
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do mer-
(B) tem enfrentado.
cado para a persuasão do público infantil”
(C) tem sido enfrentada.
C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as
(D) têm sido enfrentados.
crianças brasileiras nas práticas de consumo.”
(E) é enfrentada.
D) “Elas são assediadas pelo mercado”
04. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – E) “valores distorcidos são de fato um problema de or-
FCC/2012) Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a dem ética”
responsabilidade de proteger pela via militar, a comunida-
de internacional [...] observe outro preceito ... 09. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – CASA CI-
Transpondo-se o segmento grifado acima para a voz VIL – EXECUTIVO PÚBLICO – FCC/2010) Transpondo a frase
passiva, a forma verbal resultante será: o diretor estava promovendo seu filme para a voz passiva,
a) é observado. obtém-se corretamente o seguinte segmento:
b) seja observado. (A) tinha recebido promoção.
c) ser observado. (B) estaria sendo promovido.
d) é observada. (C) fizera a promoção.
e) for observado. (D) estava sendo promovido.
(E) havia sido promovido.
05. (Analista de Procuradoria – FCC – 2013-adap) Trans-
pondo- -se para a voz passiva a frase O poeta teria 10. -) (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
aberto um diálogo entre as duas partes, a forma verbal re- Da sede do poder no Brasil holandês, Marcgrave acompa-
sultante será: nhou e anotou, sempre sozinho, alguns fenômenos celestes,
A) fora aberto. sobretudo eclipses lunares e solares.
B) abriria. Ao transpor-se a frase acima para a voz passiva, as for-
C) teria sido aberto. mas verbais resultantes serão:
D) teriam sido abertas. a) eram anotados e acompanhados.
E) foi aberto. b) fora anotado e acompanhado.
c) foram anotados e acompanhados.
06.(SEE/SP – PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA II E PRO- d) anota-se e acompanha-se.
FESSOR II – LÍNGUA PORTUGUESA - FCC/2011) ...permite e) foi anotado e acompanhado.
que os criadores tomem atitudes quando a proliferação de
algas tóxicas ameaça os peixes.

59
LÍNGUA PORTUGUESA

GABARITO 9-) o diretor estava promovendo seu filme = dois ver-


bos na voz ativa, três na passiva: seu filme estava sendo
01. B 02.B 03. E 04.B 05. C produzido.
06. E 07. D 08. D 09.D 10.C
10-)Marcgrave acompanhou e anotou alguns fenômenos
RESOLUÇÃO celestes = voz ativa com um verbo (sem auxiliar!), então na
passiva teremos dois: alguns fenômenos foram acompanha-
1-) dos e anotados por Marcgrave.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma
grande diversidade de fenômenos. 5. DOMÍNIO DA ESTRUTURA
- Uma grande diversidade de fenômenos é unificada e MORFOSSINTÁTICA DO PERÍODO.
explicada pelo conceito... 5.1. RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO ENTRE
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO.
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. 5.2. RELAÇÕES DE SUBORDINAÇÃO ENTRE
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO.
vida (...).
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido
e da falsa consciência.
SINTAXE
2-) ... a Coreia do Norte interrompeu comunicações
com o vizinho = voz ativa com um verbo, então a passiva O princípio é o verbo.
terá dois: comunicações com o vizinho foram interrompi- Essa é a premissa fundamental da Sintaxe, que é a parte
das pela Coreia... da gramática que estuda as palavras enquanto elementos de
uma frase, as suas relações de concordância, de subordinação
e de ordem. Significa que, ao se realizar a análise sintática de
3-) Hoje a autoria institucional enfrenta séria concor-
uma oração, sempre se inicia pelo verbo. É a partir dele que
rência dos autores anônimos = Séria concorrência é en-
se descobre qual o sujeito da oração, se há a indicação de
frentada pela autoria...
qualidade, estado ou modo de ser do sujeito, se ele pratica
uma ação ou se a sofre, se há complemento verbal, se há cir-
4-) a comunidade internacional [...] observe outro pre-
cunstância (adjunto adverbial), etc.
ceito = se na voz ativa temos um verbo, na passiva tere-
Nem sempre o verbo se apresenta sozinho em uma ora-
mos dois: outro preceito seja observado.
ção. Em muitos casos, surgem dois ou mais verbos juntos,
para indicar que se pratica ou se sofre uma ação, ou que o
5-) O poeta teria aberto um diálogo entre as duas par- sujeito possui uma qualidade. A essa junção, dá-se o nome de
tes = Um diálogo teria sido aberto... locução verbal. Toda locução verbal é formada por um verbo
auxiliar (ou mais de um) e um verbo principal (somente um).
6-) Quando a proliferação ameaça os peixes = voz ativa O verbo auxiliar é o que se relaciona com o sujeito, por
Quando os peixes forem ameaçados pela proliferação... isso concorda com este, ou seja, se o sujeito estiver no sin-
= voz passiva gular, o verbo auxiliar também ficará no singular; se o sujeito
estiver no plural, o verbo auxiliar também ficará no plural. Na
7-) Um figurante pode obscurecer a atuação de um Língua Portuguesa os verbos auxiliares são os seguintes: ser,
protagonista. estar, ter, haver, dever, poder, ir, dentre outros.
Se na voz ativa temos um verbo, na passiva teremos O verbo principal é o que indica se o sujeito possui uma
dois; se na ativa temos dois, na passiva teremos três. Então: qualidade, se ele pratica uma ação ou se a sofre. É o mais im-
A atuação de um protagonista pode ser obscurecida por portante da locução. Na Língua Portuguesa, o verbo principal
um figurante. surge sempre no infinitivo (terminado em –ar, -er, ou –ir), no
gerúndio (terminado em –ndo) ou no particípio (terminado
8-) em –ado ou –ido, dentre outras terminações).
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das deci- Veja alguns exemplos de locuções verbais:
sões de compra de uma família” = voz ativa Os funcionários FORAM CONVOCADOS pelo diretor.
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do (aux.: SER; princ.: CONVOCAR)
mercado para a persuasão do público infantil” = ativa (ver- Os estudantes ESTÃO RESPONDENDO às questões. (aux.:
bo de ligação); não dá para passar para a passiva ESTAR; princ.: RESPONDER)
C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as Os trabalhadores TÊM ENFRENTADO muitos problemas.
crianças brasileiras nas práticas de consumo.” = ativa (aux.: TER; princ.: ENFRENTAR)
D) “Elas são assediadas pelo mercado” = voz passiva O vereador HAVIA DENUNCIADO seus companheiros.
E) “valores distorcidos são de fato um problema de or- (aux.: HAVER; princ.: DENUNCIAR)
dem ética” = ativa (verbo de ligação); não dá para passar Os alunos DEVEM ESTUDAR todos os dias. (aux.: DEVER;
para a passiva princ.: ESTUDAR)

60
LÍNGUA PORTUGUESA

Sujeito: É importante salientar que um verbo só será TRAN-


SITIVO se houver complemento (objeto direto ou objeto
Para se descobrir qual o sujeito do verbo (ou da locu- indireto). A análise de um verbo depende, portanto, do
ção verbal), deve-se perguntar a ele (ou a ela) o seguinte: ambiente sintático em que ele se encontra. Um verbo que
Que(m) é que ..........? A resposta será o sujeito. Por exemplo, aparentemente seja transitivo direto pode ser, na realida-
analisemos a primeira frase dentre as apresentadas acima: de, intransitivo, caso não haja complemento. Por exemplo,
Os funcionários foram convocados pelo diretor. observe a seguinte frase:
O pior cego é aquele que não quer ver.
O princípio é o verbo. Procura-se, portanto, o verbo: é O verbo “ver” é, aparentemente, transitivo direto, uma
a locução verbal foram convocados. - - Pergunta-se a ela: vez que se encaixa na frase Quem vê, vê algo. Ocorre, po-
Que(m) é que foi convocado? rém, que não há o “algo”. O pior cego é aquele que não
- Resposta: Os funcionários. quer ver o quê? Não aparece na oração; não há, portanto,
- O sujeito da oração, então, é o seguinte: os funcioná-
o objeto direto. Como não o há, o verbo não pode ser tran-
rios.
sitivo direto, e sim intransitivo.
Encontrado o sujeito, parte-se para a análise do verbo:
Observe, agora, esta frase: Quem dá aos pobres, empres-
Se ele indicar que o sujeito possui uma qualidade, um
ta a Deus.
estado ou um modo de ser, sem praticar ação alguma, será
denominado de VERBO DE LIGAÇÃO. Os verbos de ligação Os verbos “dar” e “emprestar” são, aparentemente,
mais comuns são os seguintes: ser, estar, parecer, ficar, per- transitivos diretos e indiretos, uma vez que se encaixam nas
manecer e continuar. Não se esqueça, porém, de que só frases Quem dá, dá algo a alguém e Quem empresta, em-
será verbo de ligação o que indicar qualidade, estado ou presta algo a alguém. Ocorre, porém, que não há o “algo”.
modo de ser do sujeito, sem praticar ação alguma. Observe Quem dá o que aos pobres empresta o que a Deus? Não
as seguintes frases: aparece na oração; não há, portanto, o objeto direto. Como
O político continuou seu discurso mesmo com todas as não o há, os verbos não podem ser transitivos diretos e
vaias recebidas. indiretos, e sim somente transitivos indiretos.
Continuar, nesta frase, não é de ligação já que não indi-
ca qualidade do sujeito, e sim ação. FONTE: http://www.gramaticaonline.com.br/texto/1231

A professora estava na sala de aula. Questões sobre Análise Sintática


Estar, nesta frase, não é de ligação já que não indica
qualidade do sujeito, e sim fato. 01. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013). Os
A garota estava muito alegre. trabalhadores passaram mais tempo na escola...
Estar é verbo de ligação porque indica qualidade do O segmento grifado acima possui a mesma função sin-
sujeito. tática que o destacado em:
Se o verbo indicar que o sujeito pratica uma ação, ou A) ...o que reduz a média de ganho da categoria.
que participa ativamente de um fato, será denominado de B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe.
VERBO INTRANSITIVO ou VERBO TRANSITIVO, de acordo C) O crescimento da escolaridade também foi impul-
com o seguinte: sionado...
D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino mé-
- Quem ............ , ................. : Todo verbo que se encaixar dio...
nessa frase será INTRANSITIVO. Por exemplo, o verbo cor-
E) ...impulsionado pelo aumento do número de uni-
rer: Quem corre, corre.
versidades...
- Quem ............ , ................. algo/alguém: Todo verbo
que se encaixar nessa frase será TRANSITIVO DIRETO. Por
02.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013). Donos
exemplo, o verbo comer: Quem come, come algo; ou o ver-
bo amar: Quem ama, ama alguém. de uma capacidade de orientação nas brenhas selvagens [...],
sabiam os paulistas como...
- Quem ............ , ................. + prep. + algo/alguém: Todo O segmento em destaque na frase acima exerce a mes-
verbo que se encaixar nessa frase será TRANSITIVO INDI- ma função sintática que o elemento grifado em:
RETO. Por exemplo, o verbo gostar: Quem gosta, gosta de A) Nas expedições breves serviam de balizas ou mos-
algo ou de alguém. As preposições mais comuns são as tradores para a volta.
seguintes: a, de, em, por, para, sem e com. B) Às estreitas veredas e atalhos [...], nada acrescenta-
riam aqueles de considerável...
- Quem ............ , ................. algo/alguém + prep. + algo/ C) Só a um olhar muito exercitado seria perceptível o
alguém: Todo verbo que se encaixar nessa frase será TRAN- sinal.
SITIVO DIRETO E INDIRETO - também denominado de BI- D) Uma sequência de tais galhos, em qualquer flores-
TRANSITIVO. Por exemplo, o verbo mostrar: Quem mostra, ta, podia significar uma pista.
mostra algo a alguém; ou o verbo informar: Quem informa, E) Alguns mapas e textos do século XVII apresentam-
informa alguém de algo ou Quem informa, informa algo a nos a vila de São Paulo como centro...
alguém.

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LÍNGUA PORTUGUESA

03. Há complemento nominal em: C) O crescimento da escolaridade também foi impulsio-


A)Você devia vir cá fora receber o beijo da madrugada. nado... = sujeito paciente
B)... embora fosse quase certa a sua possibilidade de D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio...
ganhar a vida. = objeto direto
C)Ela estava na janela do edifício. E) ...impulsionado pelo aumento do número de universi-
D)... sem saber ao certo se gostávamos dele. dades... = agente da passiva
E)Pouco depois começaram a brincar de bandido e mo-
cinho de cinema. 2-) Donos de uma capacidade de orientação nas bre-
nhas selvagens [...], sabiam os paulistas como... = SUJEITO
04. (ESPM-SP) Em “esta lhe deu cem mil contos”, o ter- A) Nas expedições breves = ADJUNTO ADVERBIAL
mo destacado é: B) nada acrescentariam aqueles de considerável...= ad-
A) pronome possessivo junto adverbial
B) complemento nominal C) seria perceptível o sinal. = predicativo
C) objeto indireto D) Uma sequência de tais galhos = sujeito
D) adjunto adnominal E) apresentam-nos a vila de São Paulo como = objeto
E) objeto direto direto
05. Assinale a alternativa correta e identifique o sujeito
das seguintes orações em relação aos verbos destacados: 3-)
- Amanhã teremos uma palestra sobre qualidade de A) o beijo da madrugada. = adjunto adnominal
vida. B)a sua possibilidade de ganhar a vida. = complemento
- Neste ano, quero prestar serviço voluntário. nominal (possibilidade de quê?)
A)Tu – vós C)na janela do edifício. = adjunto adnominal
B)Nós – eu D)... sem saber ao certo se gostávamos dele. = objeto
C)Vós – nós indireto
D) Ele - tu E) a brincar de bandido e mocinho de cinema = objeto
indireto
06. Classifique o sujeito das orações destacadas no tex-
to seguinte e, a seguir, assinale a sequência correta.
4-) esta lhe deu cem mil contos = o verbo DAR é bitran-
É notável, nos textos épicos, a participação do sobrenatu-
sitivo, ou seja, transitivo direto e indireto, portanto precisa
ral. É frequente a mistura de assuntos relativos ao naciona-
de dois complementos – dois objetos: direto e indireto.
lismo com o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deuses
Deu o quê? = cem mil contos (direto)
tomam partido e interferem nas aventuras dos heróis, aju-
Deu a quem? lhe (=a ele, a ela) = indireto
dando-os ou atrapalhando- -os.
A)simples, composto
5-) - Amanhã ( nós ) teremos uma palestra sobre quali-
B)indeterminado, composto
dade de vida.
C)simples, simples
D) oculto, indeterminado - Neste ano, ( eu ) quero prestar serviço voluntário.

07. (ESPM-SP) “Surgiram fotógrafos e repórteres”. 6-) É notável, nos textos épicos, a participação do so-
Identifique a alternativa que classifica corretamente a fun- brenatural. É frequente a mistura de assuntos relativos ao
ção sintática e a classe morfológica dos termos destacados: nacionalismo com o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os
A) objeto indireto – substantivo deuses tomam partido e interferem nas aventuras dos he-
B) objeto direto - substantivo róis, ajudando-os ou atrapalhando-os.
C) sujeito – adjetivo Ambos os termos apresentam sujeito simples
D) objeto direto – adjetivo 7-) Surgiram fotógrafos e repórteres.
E) sujeito - substantivo O sujeito está deslocado, colocado na ordem indireta
(final da oração). Portanto: função sintática: sujeito (com-
GABARITO posto); classe morfológica (classe de palavras): substantivos.

01. C 02. D 03. B 04. C 05. B 06. C 07. E Períodos Compostos

RESOLUÇÃO O período composto caracteriza-se por possuir mais de


uma oração em sua composição. Sendo Assim:
1-) Os trabalhadores passaram mais tempo na escola - Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma ora-
= SUJEITO ção)
A) ...o que reduz a média de ganho da categoria. = ob- - Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
jeto direto (Período Composto =locução verbal, verbo, duas orações)
B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. - Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um pro-
= objeto direto tetor solar. (Período Composto = três verbos, três orações).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Cada verbo ou locução verbal sublinhada acima corres- Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas
ponde a uma oração. Isso implica que o primeiro exemplo principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por con-
é um período simples, pois tem apenas uma oração, os dois seguinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo)
outros exemplos são períodos compostos, pois têm mais de - Passei no vestibular, portanto irei comemorar.
uma oração. - Conclui o meu projeto, logo posso descansar.
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer en- - Tomou muito sol, consequentemente ficou adoentada.
tre as orações de um período composto: uma relação de - A situação é delicada; devemos, pois, agir
coordenação ou uma relação de subordinação.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas em Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas
um mesmo período (ou seja, em um mesmo bloco de in- principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verdade,
formações, marcado pela pontuação final), mas têm, ambas, pois (anteposto ao verbo).
estruturas individuais, como é o exemplo de: - Só passei na prova porque me esforcei por muito tempo.
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. - Só fiquei triste por você não ter viajado comigo.
(Período Composto) - Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
Podemos dizer: mingo.
1. Estou comprando um protetor solar.
2. Irei à praia. Fonte: http://www.infoescola.com/portugues/oracoes-
Separando as duas, vemos que elas são independentes. coordenadas-assindeticas-e-sindeticas/
É esse tipo de período que veremos: o Período Compos-
to por Coordenação. Questões sobre Orações Coordenadas
Quanto à classificação das orações coordenadas, temos dois
tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Sindéticas. 01. A oração “Não se verificou, todavia, uma transplanta-
ção integral de gosto e de estilo” tem valor:
Coordenadas Assindéticas A) conclusivo
B) adversativo
São orações coordenadas entre si e que não são ligadas C) concessivo
através de nenhum conectivo. Estão apenas justapostas. D) explicativo
E) alternativo
Coordenadas Sindéticas
02. “Estudamos, logo deveremos passar nos exames”. A
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas entre oração em destaque é:
si, mas que são ligadas através de uma conjunção coorde- a) coordenada explicativa
nativa. Esse caráter vai trazer para esse tipo de oração uma b) coordenada adversativa
classificação. As orações coordenadas sindéticas são clas- c) coordenada aditiva
sificadas em cinco tipos: aditivas, adversativas, alternativas, d) coordenada conclusiva
conclusivas e explicativas. e) coordenada assindética

Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas princi- 03. (Agente Educacional – VUNESP – 2013-adap.) Releia
pais conjunções são: e, nem, não só... mas também, não só... o seguinte trecho:
como, assim... como. Joyce e Mozart são ótimos, mas eles, como quase toda a
- Não só cantei como também dancei. cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida
- Nem comprei o protetor solar, nem fui à praia. prática.
- Comprei o protetor solar e fui à praia. Sem que haja alteração de sentido, e de acordo com a nor-
ma- -padrão da língua portuguesa, ao se substituir o termo
Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas em destaque, o trecho estará corretamente reescrito em:
principais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretanto, A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como qua-
porém, no entanto, ainda, assim, senão. se toda a cultura humanística, têm pouca relevância para
- Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante. nossa vida prática.
- Ainda que a noite acabasse, nós continuaríamos dan- B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como qua-
çando. se toda a cultura humanística, têm pouca relevância para
- Não comprei o protetor solar, mas mesmo assim fui à nossa vida prática.
praia. C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos-
Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas sa vida prática.
principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja... D) Joyce e Mozart são ótimos, todavia eles, como quase
seja. toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos-
- Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador. sa vida prática.
- Ora sei que carreira seguir, ora penso em várias carreiras E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase
diferentes. toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos-
- Quer eu durma quer eu fique acordado, ficarei no quarto. sa vida prática.

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LÍNGUA PORTUGUESA

04. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013-adap.) 10- Na oração “Pedro não joga E NEM ASSISTE”, te-
Em – ...fruto não só do novo acesso da população ao auto- mos a presença de uma oração coordenada que pode ser
móvel mas também da necessidade de maior número de classificada em:
viagens... –, os termos em destaque estabelecem relação de A) Coordenada assindética;
A) explicação. B) Coordenada assindética aditiva;
B) oposição. C) Coordenada sindética alternativa;
C) alternância. D) Coordenada sindética aditiva.
D) conclusão.
E) adição. GABARITO

05. Analise a oração destacada: Não se desespere, que 01. B 02. E 03. D 04. E 05. D
estaremos a seu lado sempre. 06. A 07. B 08. A 09. D 10. D
Marque a opção correta quanto à sua classificação:
A) Coordenada sindética aditiva. RESOLUÇÃO
B) Coordenada sindética alternativa.
C) Coordenada sindética conclusiva. 1-) “Não se verificou, todavia, uma transplantação inte-
D) Coordenada sindética explicativa. gral de gosto e de estilo” = conjunção adversativa, portan-
to: oração coordenada sindética adversativa
06. A frase abaixo em que o conectivo E tem valor ad-
versativo é: 2-) Estudamos, logo deveremos passar nos exames =
A) “O gesto é fácil E não ajuda em nada”. a oração em destaque não é introduzida por conjunção,
B )“O que vemos na esquina E nos sinais de trânsito...”. então: coordenada assindética
C) “..adultos submetem crianças E adolescentes à tarefa
de pedir esmola”. 3-) Joyce e Mozart são ótimos, mas eles... = conjunção
D) “Quem dá esmola nas ruas contribui para a manu- (e ideia) adversativa
tenção da miséria E prejudica o desenvolvimento da socie-
A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como
dade”.
quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância
E) “A vida dessas pessoas é marcada pela falta de dinhei-
para nossa vida prática. = conclusiva
ro, de moradia digna, emprego, segurança, lazer, cultura,
B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como
acesso à saúde E à educação”.
quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância
para nossa vida prática. = conformativa
07. Assinale a alternativa em que o sentido da conjunção
C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como qua-
sublinhada está corretamente indicado entre parênteses.
A) Meu primo formou-se em Direito, porém não preten- se toda a cultura humanística, têm pouca relevância para
de trabalhar como advogado. (explicação) nossa vida prática. = conclusiva
B) Não fui ao cinema nem assisti ao jogo. (adição) E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase
C) Você está preparado para a prova; por isso, não se toda a cultura humanística, têm pouca relevância para
preocupe. (oposição) nossa vida prática. = explicativa
D) Vá dormir mais cedo, pois o vestibular será amanhã.
(alternância) Dica: conjunção pois como explicativa = dá para eu
E) Os meninos deviam correr para casa ou apanhariam substituir por porque; como conclusiva: substituo por por-
toda a chuva. (conclusão) tanto.

08. Analise sintaticamente as duas orações destacadas 4-) fruto não só do novo acesso da população ao au-
no texto “O assaltante pulou o muro, mas não penetrou na tomóvel mas também da necessidade de maior número
casa, nem assustou seus habitantes.” A seguir, classifique de viagens... estabelecem relação de adição de ideias, de
-as, respectivamente, como coordenadas: fatos
A) adversativa e aditiva.
B) explicativa e aditiva. 5-) Não se desespere, que estaremos a seu lado sem-
C) adversativa e alternativa. pre.
D) aditiva e alternativa. = conjunção explicativa (= porque) - coordenada sin-
dética explicativa
09. Um livro de receita é um bom presente porque ajuda
as pessoas que não sabem cozinhar. A palavra “porque” pode 6-)
ser substituída, sem alteração de sentido, por A) “O gesto é fácil E não ajuda em nada”. = mas não
A) entretanto. ajuda (ideia contrária)
B) então. B )“O que vemos na esquina E nos sinais de trânsito...”.
C) assim. = adição
D) pois. C) “..adultos submetem crianças E adolescentes à tarefa
E) porém. de pedir esmola”. = adição

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LÍNGUA PORTUGUESA

D) “Quem dá esmola nas ruas contribui para a manu- 1) ORAÇÕES SUBORDINADAS


tenção da miséria E prejudica o desenvolvimento da socie- SUBSTANTIVAS
dade”. = adição
E) “A vida dessas pessoas é marcada pela falta de di- A oração subordinada substantiva tem valor de subs-
nheiro, de moradia digna, emprego, segurança, lazer, cul- tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in-
tura, acesso à saúde E à educação”. = adição tegrante (que, se).

7-) Suponho que você foi à biblioteca hoje.


A) Meu primo formou-se em Direito, porém não pre- Oração Subordinada Substantiva
tende trabalhar como advogado. = adversativa
C) Você está preparado para a prova; por isso, não se Você sabe se o presidente já chegou?
preocupe. = conclusão Oração Subordinada Substantiva
D) Vá dormir mais cedo, pois o vestibular será amanhã.
= explicativa Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também
E) Os meninos deviam correr para casa ou apanhariam introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
toda a chuva. = alternativa como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde,
8-) - mas não penetrou na casa = conjunção adversa- como). Veja os exemplos:
tiva O garoto perguntou qual era o telefone da moça.
- nem assustou seus habitantes = conjunção aditiva Oração Subordinada Substantiva

9-) Um livro de receita é um bom presente porque aju- Não sabemos por que a vizinha se mudou.
da as pessoas que não sabem cozinhar. Oração Subordinada Substantiva
= conjunção explicativa: pois
Classificação das Orações Subordinadas
10-) E NEM ASSISTE= conjunção aditiva (ideia de adi- Substantivas
ção, soma de fatos) = Coordenada sindética aditiva.
De acordo com a função que exerce no período, a ora-
ção subordinada substantiva pode ser:
Observe o exemplo abaixo de Vinícius de Moraes:
a) Subjetiva
É subjetiva quando exerce a função sintática de sujeito
“Eu sinto que em meu gesto existe o
do verbo da oração principal. Observe:
teu gesto.”
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Oração Principal Oração Subordinada
Sujeito
Observe que na oração subordinada temos o verbo

“existe”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
É fundamental que você compareça à reunião.
do presente do indicativo. As orações subordinadas que Oração Principal Oração Subordinada Substantiva
apresentam verbo em qualquer dos tempos finitos (tem- Subjetiva
pos do modo do indicativo, subjuntivo e imperativo), são
chamadas de orações desenvolvidas ou explícitas. Pode- Atenção: Observe que a oração subordinada substanti-
mos modificar o período acima. Veja: va pode ser substituída pelo pronome “ isso”. Assim, temos
um período simples:
Eu sinto existir em meu gesto o teu É fundamental isso. ou Isso é fundamental.
gesto.
Oração Principal Oração Subordinada Dessa forma, a oração correspondente a “isso” exercerá
a função de sujeito
A análise das orações continua sendo a mesma: “Eu Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração
sinto” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração principal:
subordinada “existir em meu gesto o teu gesto”. Note que
a oração subordinada apresenta agora verbo no infiniti- 1- Verbos de ligação + predicativo, em construções
vo. Além disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo
duas orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo - É claro - Está evidente - Está comprovado
verbo surge numa das formas nominais (infinitivo - flexio- É bom que você compareça à minha festa.
nado ou não -, gerúndio ou particípio) chamamos orações
reduzidas ou implícitas. 2- Expressões na voz passiva, como: Sabe-se - Soube-
Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por se - Conta-se - Diz-se - Comenta-se - É sabido - Foi anun-
conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual- ciado - Ficou provado
mente, introduzidas por preposição. Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

65
LÍNGUA PORTUGUESA

3- Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - Lembre-se: as orações subordinadas substantivas ob-
importar - ocorrer - acontecer jetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto
Convém que não se atrase na entrevista. que orações subordinadas substantivas completivas nomi-
Obs.: quando a oração subordinada substantiva é sub- nais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma
jetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3ª. pes- da outra, é necessário levar em conta o termo complemen-
soa do singular. tado. Essa é, aliás, a diferença entre o objeto indireto e o
complemento nominal: o primeiro complementa um verbo,
b) Objetiva Direta o segundo, um nome.
A oração subordinada substantiva objetiva direta exer-
ce função de objeto direto do verbo da oração principal. e) Predicativa
A oração subordinada substantiva predicativa exerce
Todos querem sua aprovação no concurso. papel de predicativo do sujeito do verbo da oração princi-
Objeto Direto pal e vem sempre depois do verbo ser.
Todos querem que você seja aprovado. (= Todos Nosso desejo era sua desistência.
querem isso) Predicativo do Sujeito
Oração Principal oração Subordinada Substantiva
Objetiva Direta Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo
era isso)
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas Oração Subordinada Substantiva Predicativa
desenvolvidas são iniciadas por: Obs.: em certos casos, usa-se a preposição expletiva
- Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “de” para realce. Veja o exemplo: A impressão é de que não
“se”: fui bem na prova.
A professora verificou se todos alunos estavam presentes.
f) Apositiva
- Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às A oração subordinada substantiva apositiva exerce fun-
vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: ção de aposto de algum termo da oração principal.
O pessoal queria saber quem era o dono do carro importado. Fernanda tinha um grande sonho: a chegada do dia de
seu casamento. Aposto
- Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às (Fernanda tinha um grande sonho: isso.)
vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Fernanda tinha um grande sonho: que o dia do seu
Eu não sei por que ela fez isso. casamento chegasse.
c) Objetiva Indireta Oração Subordinada Substantiva Apositiva
A oração subordinada substantiva objetiva indireta atua
como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem 2) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
precedida de preposição.
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui
Meu pai insiste em meu estudo. valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
Objeto Indireto orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem
a função de adjunto adnominal do antecedente. Observe
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste o exemplo:
nisso) Esta foi uma redação bem-sucedida.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)
Indireta
Note que o substantivo redação foi caracterizado pelo
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elíptica adjetivo bem-sucedida. Nesse caso, é possível formarmos
na oração. outra construção, a qual exerce exatamente o mesmo pa-
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora. pel. Veja:
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Esta foi uma redação que fez sucesso.
d) Completiva Nominal Oração Principal Oração Subordinada Ad-
A oração subordinada substantiva completiva nominal jetiva
completa um nome que pertence à oração principal e tam-
bém vem marcada por preposição. Perceba que a conexão entre a oração subordinada ad-
Sentimos orgulho de seu comportamento. jetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
Complemento Nominal pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacio-
nar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma
de que você se comportou. (= Sen- função sintática na oração subordinada: ocupa o papel que
timos orgulho disso.) seria exercido pelo termo que o antecede.
Oração Subordinada Substantiva Completiva Obs.: para que dois períodos se unam num período
Nominal composto, altera-se o modo verbal da segunda oração.

66
LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: Vale lembrar um recurso didático para re- Saiba que:


conhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser A oração subordinada adjetiva explicativa é separada
substituído por: o qual - a qual - os quais - as quais da oração principal por uma pausa, que, na escrita, é repre-
Refiro-me ao aluno que é estudioso. sentada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação
Essa oração é equivalente a: seja indicada como forma de diferenciar as orações expli-
Refiro-me ao aluno o qual estuda. cativas das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre
isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
3) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Quando são introduzidas por um pronome relativo e
apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvi- a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal.
das. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas Dessa forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo,
reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida,
(podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o vem introduzida por uma das conjunções subordinativas
verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou (com exclusão das integrantes). Classifica-se de acordo
particípio). com a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz.
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. Oração Subordinada Adverbial
No primeiro período, há uma oração subordinada ad- Observe que a oração em destaque agrega uma cir-
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome cunstância de tempo. É, portanto, chamada de oração
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito subordinada adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subor- são termos acessórios que indicam uma circunstância refe-
dinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome re- rente, via de regra, a um verbo. A classificação do adjunto
lativo e seu verbo está no infinitivo. adverbial depende da exata compreensão da circunstância
que exprime. Observe os exemplos abaixo:
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
minha vida.
Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de
Na relação que estabelecem com o termo que caracte-
minha vida.
rizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou
No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto
especificam o sentido do termo a que se referem, indivi-
adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”.
dualizando-o. Nessas orações não há marcação de pausa,
No segundo período, esse papel é exercido pela oração
sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem
“Quando vi a estátua”, que é, portanto, uma oração su-
também orações que realçam um detalhe ou amplificam
bordinada adverbial temporal. Essa oração é desenvolvi-
dados sobre o antecedente, que já se encontra suficiente- da, pois é introduzida por uma conjunção subordinativa
mente definido, as quais denominam-se subordinadas ad- (quando) e apresenta uma forma verbal do modo indicati-
jetivas explicativas. vo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria possível
Exemplo 1: reduzi-la, obtendo-se:
Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de
homem que passava naquele momento. minha vida.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma
Nesse período, observe que a oração em destaque res- das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é
tringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: trata- introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma
se de um homem específico, único. A oração limita o uni- preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
verso de homens, isto é, não se refere a todos os homens, Obs.: a classificação das orações subordinadas adver-
mas sim àquele que estava passando naquele momento. biais é feita do mesmo modo que a classificação dos ad-
juntos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
Exemplo 2: oração.
O homem, que se considera racional, muitas vezes age
animalescamente. Circunstâncias Expressas
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa pelas Orações Subordinadas Adverbiais

Nesse período, a oração em destaque não tem sentido a) Causa


restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade, essa A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que
oração apenas explicita uma ideia que já sabemos estar provoca um determinado fato, ao motivo do que se decla-
contida no conceito de “homem”. ra na oração principal. “É aquilo ou aquele que determina
um acontecimento”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE Embora fizesse calor, levei agasalho.
Outras conjunções e locuções causais: como (sempre in- Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos me-
troduzido na oração anteposta à oração principal), pois, pois tade da população continua à margem do mercado de con-
que, já que, uma vez que, visto que. sumo.
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve al- bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
ternativa a não ser cancelá-lo.
Já que você não vai, eu também não vou. e) Comparação
As orações subordinadas adverbiais comparativas esta-
b) Consequência belecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo
As orações subordinadas adverbiais consecutivas expri- da oração principal.
mem um fato que é consequência, que é efeito do que se Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO
declara na oração principal. São introduzidas pelas conjun- Ele dorme como um urso.
ções e locuções: que, de forma que, de sorte que, tanto que, Saiba que: É comum a omissão do verbo nas orações
etc., e pelas estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. subordinadas adverbiais comparativas. Por exemplo:
Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE Agem como crianças. (agem)
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) Oração Subordinada Adverbial Comparativa
É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa dor.) No entanto, quando se comparam ações diferentes, isso
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con- não ocorre. Por exemplo: Ela fala mais do que faz. (compa-
cretizando-os. ração do verbo falar e do verbo fazer).
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida
de Infinitivo) f) Conformidade
As orações subordinadas adverbiais conformativas indi-
c) Condição cam ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma regra,
Condição é aquilo que se impõe como necessário para a um modelo adotado para a execução do que se declara na
realização ou não de um fato. As orações subordinadas ad- oração principal.
verbiais condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer Principal conjunção subordinativa conformativa: CON-
para que se realize ou deixe de se realizar o fato expresso FORME
na oração principal. Outras conjunções conformativas: como, consoante e
Principal conjunção subordinativa condicional: SE segundo (todas com o mesmo valor de conforme).
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- Fiz o bolo conforme ensina a receita.
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). direitos iguais.
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, cer-
tamente o melhor time será campeão. g) Finalidade
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o As orações subordinadas adverbiais finais indicam a in-
contrato. tenção, a finalidade daquilo que se declara na oração prin-
Caso você se case, convide-me para a festa. cipal.
Principal conjunção subordinativa final: A FIM DE QUE
d) Concessão Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a
As orações subordinadas adverbiais concessivas indicam locução conjuntiva para que.
concessão às ações do verbo da oração principal, isto é, ad- Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
mitem uma contradição ou um fato inesperado. A ideia de Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada
concessão está diretamente ligada ao contraste, à quebra entrasse.
de expectativa.
Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA h) Proporção
Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções As orações subordinadas adverbiais proporcionais ex-
ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto que, primem ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao
apesar de que. expresso na oração principal.
Só irei se ele for. Principal locução conjuntiva subordinativa proporcio-
nal: À PROPORÇÃO QUE
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” ir Outras locuções conjuntivas proporcionais: à medida
só se realizará caso essa condição seja satisfeita. Compare que, ao passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
agora com: (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...(maior),
Irei mesmo que ele não vá. quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), quanto mais...
(menos), quanto menos...(mais), quanto menos...(menos).
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei À proporção que estudávamos, acertávamos mais ques-
de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A tões.
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con- Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
cessiva. Observe outros exemplos: Quanto maior for a altura, maior será o tombo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

i) Tempo As expressões mais denso e menos trânsito, no título,


As orações subordinadas adverbiais temporais acres- estabelecem entre si uma relação de
centam uma ideia de tempo ao fato expresso na oração (A) comparação e adição.
principal, podendo exprimir noções de simultaneidade, an- (B) causa e consequência.
terioridade ou posterioridade. (C) conformidade e negação.
Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO (D) hipótese e concessão.
Outras conjunções subordinativas temporais: enquanto, (E) alternância e explicação
mal e locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as
vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde que, etc. 02. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
Quando você foi embora, chegaram outros convidados. NESP – 2013). No trecho – Tem surtido um efeito positi-
Sempre que ele vem, ocorrem problemas. vo por eles se tornarem uma referência positiva dentro da
Mal você saiu, ela chegou. unidade, já que cumprem melhor as regras, respeitam o
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi- próximo e pensam melhor nas suas ações, refletem antes
nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) de tomar uma atitude. – o termo em destaque estabelece
entre as orações uma relação de
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/ A) condição.
sint29.php B) causa.
C) comparação.
Questões sobre Orações Subordinadas D) tempo.
E) concessão.
01. (Papiloscopista Policial – Vunesp/2013).
Mais denso, menos trânsito 03. (UFV-MG) As orações subordinadas substantivas
que aparecem nos períodos abaixo são todas subjetivas,
As grandes cidades brasileiras estão congestionadas e exceto:
em processo de deterioração agudizado pelo crescimento
A) Decidiu-se que o petróleo subiria de preço.
econômico da última década. Existem deficiências evidentes
B) É muito bom que o homem, vez por outra, reflita
em infraestrutura, mas é importante também considerar o
sobre sua vida.
planejamento urbano.
C) Ignoras quanto custou meu relógio?
Muitas grandes cidades adotaram uma abordagem de
D) Perguntou-se ao diretor quando seríamos recebidos.
desconcentração, incentivando a criação de diversos centros
E) Convinha-nos que você estivesse presente à reunião
urbanos, na visão de que isso levaria a uma maior facilidade
de deslocamento.
Mas o efeito tem sido o inverso. A criação de diversos 04. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
centros e o aumento das distâncias multiplicam o número de Considere a tirinha em que se vê Honi conversando com
viagens, dificultando o investimento em transporte coletivo e seu Namorado Lute.
aumentando a necessidade do transporte individual.
Se olharmos Los Angeles como a região que levou a des-
concentração ao extremo, ficam claras as consequências.
Numa região rica como a Califórnia, com enorme investi-
mento viário, temos engarrafamentos gigantescos que vira-
ram característica da cidade.
Os modelos urbanos bem-sucedidos são aqueles com
elevado adensamento e predominância do transporte coleti-
vo, como mostram Manhattan e Tóquio.
O centro histórico de São Paulo é a região da cidade
mais bem servida de transporte coletivo, com infraestrutura
de telecomunicação, água, eletricidade etc. Como em outras
grandes cidades, essa deveria ser a região mais adensada da
metrópole. Mas não é o caso. Temos, hoje, um esvaziamento
gradual do centro, com deslocamento das atividades para
diversas regiões da cidade.
A visão de adensamento com uso abundante de trans-
porte coletivo precisa ser recuperada. Desse modo, será pos-
sível reverter esse processo de uso cada vez mais intenso do
transporte individual, fruto não só do novo acesso da popu-
lação ao automóvel, mas também da necessidade de maior
número de viagens em função da distância cada vez maior
entre os destinos da população.
(Henrique Meirelles, Folha de S.Paulo, 13.01.2013. Adap-
tado) (Dik Browne, Folha de S. Paulo, 26.01.2013)

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LÍNGUA PORTUGUESA

É correto afirmar que a expressão contanto que estabe- 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
lece entre as orações relação de Públicas – VUNESP – 2013-adap.) No trecho – “Fio, disjun-
A) causa, pois Honi quer ter filhos e não deseja trabalhar tor, tomada, tudo!”, insiste o motorista, com tanto orgulho
depois de casada. que chega a contaminar-me. –, a construção tanto ... que
B) comparação, pois o namorado espera ter sucesso estabelece entre as construções [com tanto orgulho] e [que
como cantor romântico. chega a contaminar-me] uma relação de
C) tempo, pois ambos ainda são adolescentes, mas já A) condição e finalidade.
pensam em casamento. B) conformidade e proporção.
D) condição, pois Lute sabe que exercendo a profissão C) finalidade e concessão.
de músico provavelmente ganhará pouco. D) proporção e comparação.
E) finalidade, pois Honi espera que seu futuro marido E) causa e consequência.
torne-se um artista famoso.
09. “Os Estados Unidos são considerados hoje um país
05. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Em – bem mais fechado – embora em doze dias recebam o mes-
Apesar da desconcentração e do aumento da extensão mo número de imigrantes que o Brasil em um ano.” A alter-
urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e nativa que substitui a expressão em negrito, sem prejuízo
adensar ainda mais os diversos centros já existentes... –, sem ao conteúdo, é:
que tenha seu sentido alterado, o trecho em destaque está A) já que.
corretamente reescrito em: B) todavia.
A) Mesmo com a desconcentração e o aumento da Ex- C) ainda que.
tensão urbana verificados no Brasil, é importante desenvol- D) entretanto.
ver e adensar ainda mais os diversos centros já existentes... E) talvez.
B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o au-
mento da extensão urbana no Brasil, é importante desen- 10. (Escrevente TJ SP – Vunesp – 2013) Assinale a alter-
volver e adensar ainda mais os diversos centros já existen- nativa que substitui o trecho em destaque na frase – Assi-
tes... narei o documento, contanto que garantam sua autenti-
C) Assim como são verificados a desconcentração e o cidade. – sem que haja prejuízo de sentido.
aumento da extensão urbana no Brasil, é importante de- (A) desde que garantam sua autenticidade.
senvolver e adensar ainda mais os diversos centros já exis- (B) no entanto garantam sua autenticidade.
tentes... (C) embora garantam sua autenticidade.
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da ex- (D) portanto garantam sua autenticidade.
tensão urbana verificados no Brasil, é importante desenvol- (E) a menos que garantam sua autenticidade.
ver e adensar ainda mais os diversos centros já existentes...
E) De maneira que, com a desconcentração e o aumento GABARITO
da extensão urbana verificados no Brasil, é importante de-
senvolver e adensar ainda mais os diversos centros já exis- 01. B 02. B 03. C 04. D 05. A
tentes... 06. C 07. D 08. E 09. C 10. A

06. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Em – É RESOLUÇÃO


fundamental que essa visão de adensamento com uso
abundante de transporte coletivo seja recuperada para que 1-) mais denso e menos trânsito = mais denso, conse-
possamos reverter esse processo de uso… –, a expressão em quentemente, menos trânsito, então: causa e consequência
destaque estabelece entre as orações relação de
A) consequência. 2-) já que cumprem melhor as regras = estabelece en-
B) condição. tre as orações uma relação de causa com a consequência
C) finalidade. de “tem um efeito positivo”.
D) causa. 3-) Ignoras quanto custou meu relógio? = oração su-
E) concessão. bordinada substantiva objetiva direta
A oração não atende aos requisitos de tais orações, ou
07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013 – adap.). seja, não se inicia com verbo de ligação, tampouco pelos
Considere o trecho: “Como as músicas eram de protesto, verbos “convir”, “parecer”, “importar”, “constar” etc., e tam-
naquele mesmo ano foi enquadrado na lei de segurança na- bém não inicia com as conjunções integrantes “que” e “se”.
cional pela ditadura militar e exilado.” O termo Como, em
destaque na primeira parte do enunciado, expressa ideia de 4-) a expressão contanto que estabelece uma relação
A) contraste e tem sentido equivalente a porém. de condição (condicional)
B) concessão e tem sentido equivalente a mesmo que.
C) conformidade e tem sentido equivalente a conforme.
D) causa e tem sentido equivalente a visto que.
E) finalidade e tem sentido equivalente a para que.

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LÍNGUA PORTUGUESA

5-) Apesar da desconcentração e do aumento da ex- 3- Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-
tensão urbana verificados no Brasil = conjunção concessiva tivos, decreto de lei, etc.
B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o au- - Ir ao supermercado;
mento da extensão urbana no Brasil, = causal - Pegar as crianças na escola;
C) Assim como são verificados a desconcentração e o - Caminhada na praia;
aumento da extensão urbana no Brasil = comparativa - Reunião com amigos.
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da
extensão urbana verificados no Brasil = causal Dois pontos
E) De maneira que, com a desconcentração e o aumen- 1- Antes de uma citação
to da extensão urbana verificados no Brasil = consecutivas - Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
2- Antes de um aposto
6-) para que possamos = conjunção final (finalidade) - Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à
tarde e calor à noite.
7-) “Como as músicas eram de protesto = expressa 3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
ideia de causa da consequência “foi enquadrado” = causa - Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, viven-
e tem sentido equivalente a visto que. do a rotina de sempre.
8-) com tanto orgulho que chega a contaminar-me. – a
construção estabelece uma relação de causa e consequên- 4- Em frases de estilo direto
cia. (a causa da “contaminação” – consequência) Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?
9-) Os Estados Unidos são considerados hoje um país
bem mais fechado – embora em doze dias recebam o mes- Ponto de Exclamação
mo número de imigrantes que o Brasil em um ano.” = 1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
conjunção concessiva: ainda que susto, súplica, etc.
- Sim! Claro que eu quero me casar com você!
10-) contanto que garantam sua autenticidade. = con- 2- Depois de interjeições ou vocativos
- Ai! Que susto!
junção condicional = desde que
- João! Há quanto tempo!
Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
5.3. EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO. “- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
vedo)

Reticências
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que 1- Indica que palavras foram suprimidas.
servem para compor a coesão e a coerência textual, além - Comprei lápis, canetas, cadernos...
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Ve-
jamos as principais funções dos sinais de pontuação co- 2- Indica interrupção violenta da frase.
nhecidos pelo uso da língua portuguesa. “- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
Ponto 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
1- Indica o término do discurso ou de parte dele. - Este mal... pega doutor?
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
que se encontra. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. - Deixa, depois, o coração falar...
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.
Vírgula
2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr.
Não se usa vírgula
Ponto e Vírgula ( ; ) *separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma gam-se diretamente entre si:
importância.
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo - entre sujeito e predicado.
pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; Todos os alunos da sala foram advertidos.
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) Sujeito predicado

2- Separa partes de frases que já estão separadas por - entre o verbo e seus objetos.
vírgulas. O trabalho custou sacrifício aos realiza-
- Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, monta- dores.
nhas, frio e cobertor. V.T.D.I. O.D. O.I.

71
LÍNGUA PORTUGUESA

Usa-se a vírgula: 02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAP-


- Para marcar intercalação: TADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun- campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do
dância, vem caindo de preço. Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa 4 re-
b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão duzir o número de pessoas que não possuem o nome do pai
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos. em sua certidão de nascimento. (...)
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indús- A oração subordinada “que não possuem o nome do
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não pai em sua certidão de nascimento” não é antecedida por
querem abrir mão dos lucros altos. vírgula porque tem natureza restritiva.
- Para marcar inversão: ( ) Certo ( ) Errado
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fecha- 03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN-
das. DES/2012) Em que período a vírgula pode ser retirada,
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos mantendo-se o sentido e a obediência à norma-padrão?
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de treino.
maio de 1982. (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos es-
- Para separar entre si elementos coordenados (dispos- portes?
tos em enumeração): (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. prepara para o evento.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. (D) Atualmente, várias áreas contribuem para o apri-
moramento do desportista.
- Para marcar elipse (omissão) do verbo: (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. judô, natação e canoagem.
- Para isolar:
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasilei- 04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)
ra, possui um trânsito caótico. Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da tran-
Fontes: sação.
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ c) Maria, você trouxe os documentos?
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula. d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
htm e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimen-
tação estranha.
Questões sobre Pontuação
05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.).
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alterna- Assinale a alternativa em que a frase mantém-se correta
tiva em que a pontuação está corretamente empregada, de após o acréscimo das vírgulas.
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrô-
embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimi- nica ao grupo ou acione o código na internet.
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encon- (B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de
trar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. onde o código foi acionado.
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
embora experimentasse a sensação, de violar uma intimida- dos, recebem automaticamente, uma mensagem dizendo
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar que a criança foi encontrada.
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, primeiro às, areias do Guarujá.
embora experimentasse a sensação de violar uma intimida- (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o te-
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar lefone de quem a encontrou e informar um ponto de re-
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. ferência
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimida- 06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramatical-
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. mente correto, é necessário inserir sinais de pontuação.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- Assinale a posição em que não deve ser usado o sinal de
bora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade, ponto, e sim a vírgula, para que sejam respeitadas as re-
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar gras gramaticais. Desconsidere os ajustes nas letras iniciais
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. minúsculas.

72
LÍNGUA PORTUGUESA

O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas (D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau- riscos iminentes que comprometem, a sobrevivência.
lo(A) o programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as (E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a
crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B) liberdade, nada poderia parecer, realmente intransponível.
os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam de ati-
vidades sobre cidadania e reciclagem(C) as escolas partici- GABARITO
pantes se tornam também centros de descarte de garrafas
PET(D) destinadas depois para reciclagem(E) o programa 01. C 02. C 03. D 04. C 05. E
possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde das crian- 06. D 07. A 08. B 09.B
ças e transformação das comunidades em lugares melhores
para se viver. RESOLUÇÃO
(Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117)
a) A 1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
b) B (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
c) C embora, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma
d) D intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando
e) E encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a
sua dona.
07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – VU- (B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa
NESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da e, embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma
pontuação. intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali- sua dona.
viada. (D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa
(B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, por- e, embora experimentasse a sensação de violar uma inti-
que você está junto; com os outros motoristas cujos com-
midade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando ,
portamentos, são desconhecidos.
(X) encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era
(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem
a sua dona.
ser uma extensão de nossa personalidade.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; au-
embora , (X) experimentasse a sensação de violar uma
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas.
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando ,
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas
(X) encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era
na rua, são as principais causas da ira de trânsito.
a sua dona.
08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- 2-) A oração restringe o grupo que participará da cam-
MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo panha (apenas os que não têm o nome do pai na certidão
econômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame, de nascimento). Se colocarmos uma vírgula, a oração tor-
você aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada nar-se-á “explicativa”, generalizando a informação, o que
para te dizer, agora afasta que abriu o sinal.” dará a entender que TODAS as pessoa não têm o nome do
No período acima, as vírgulas foram empregadas em pai na certidão.
“Paciência, minha filha, este é [...]”, para separar RESPOSTA: “CERTO”.
(A) aposto.
(B) vocativo. 3-)
(C) adjunto adverbial. (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o
(D) expressão explicativa. treino. = mantê-la (termo deslocado)
(B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos es-
09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL portes? = mantê-la (vocativo)
PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O perío- (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se
do corretamente pontuado é: prepara para o evento.
(A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência = mantê-la (explicação)
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, aos (D) Atualmente, várias áreas contribuem para o apri-
espectadores. moramento do desportista.
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en- = pode retirá-la (advérbio de tempo)
tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
história ficcional. judô, natação e canoagem.
(C) A história de heroísmo e de determinação que nem = mantê-la (enumeração)
sempre, é convincente, se passa em um cenário marcado,
pelo frio.

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LÍNGUA PORTUGUESA

4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou fal- (C) A história de heroísmo e de determinação (X) que
tante: nem sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário
a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem! marcado, (X) pelo frio.
b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da transação. (D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é
c) Maria, você trouxe os documentos? correr riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobre-
d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema. vivência.
e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma mo- (E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar
vimentação estranha. a liberdade, nada poderia parecer, (X) realmente intrans-
ponível.
5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade-
quadas
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá
na pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem 5.4. CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os pais
de onde o código foi acionado. Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra- nos referindo à relação de dependência estabelecida entre
dos , (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem um termo e outro mediante um contexto oracional. Desta
dizendo que a criança foi encontrada. feita, os agentes principais desse processo são representa-
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega dos pelo sujeito, que no caso funciona como subordinante;
primeiro às , (X) areias do Guarujá. e o verbo, o qual desempenha a função de subordinado.
Dessa forma, temos que a concordância verbal carac-
6-) teriza-se pela adaptação do verbo, tendo em vista os que-
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de sitos “número e pessoa” em relação ao sujeito. Exemplifi-
bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A). O cando, temos: O aluno chegou atrasado. Temos que o verbo
programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças apresenta-se na terceira pessoa do singular, pois faz refe-
utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B). Os alunos
rência a um sujeito, assim também expresso (ele). Como
ajudam a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre
poderíamos também dizer: os alunos chegaram atrasados.
cidadania e reciclagem(C). As escolas participantes se tornam
também centros de descarte de garrafas PET(D), destinadas
Casos referentes a sujeito simples
depois para reciclagem(E). O programa possibilitará o retorno
das bicicletas pela saúde das crianças e transformação das
1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com
comunidades em lugares melhores para se viver.
o núcleo em número e pessoa: O aluno chegou atrasado.
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posi-
ção (D), pois antecipa um termo explicativo.
2) Nos casos referentes a sujeito representado por
7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas: substantivo coletivo, o verbo permanece na terceira pes-
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas cir- soa do singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos.
cunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada. Observação:
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse, - No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto
porque você está junto; (X) com os outros motoristas cujos adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular ou
comportamentos, (X) são desconhecidos. poderá ir para o plural:
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros po- Uma multidão de pessoas saiu aos gritos.
dem ser uma extensão de nossa personalidade. Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X)
aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. 3) Quando o sujeito é representado por expressões
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte
rua, (X) são as principais causas da ira de trânsito. de, a metade de, uma porção de” entre outras, o verbo tanto
pode concordar com o núcleo dessas expressões quanto
8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado com o substantivo que a segue: A maioria dos alunos resol-
para se dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo. veu ficar. A maioria dos alunos resolveram ficar.

9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão ina- 4) No caso de o sujeito ser representado por expres-
dequadas ou faltantes: sões aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”,
(A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência o verbo concorda com o substantivo determinado por elas:
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X) Cerca de mil candidatos se inscreveram no concurso.
aos espectadores.
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en- 5) Em casos em que o sujeito é representado pela ex-
tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma pressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais
história ficcional. de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Observação: 12) Casos relativos a sujeito representado por substan-


- No caso da referida expressão aparecer repetida ou tivo próprio no plural se encontram relacionados a alguns
associada a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo, aspectos que os determinam:
necessariamente, deverá permanecer no plural: - Diante de nomes de obras no plural, seguidos do ver-
Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram bo ser, este permanece no singular, contanto que o predi-
na campanha de doação de alimentos. cativo também esteja no singular: Memórias póstumas de
Mais de um formando se abraçaram durante as soleni- Brás Cubas é uma criação de Machado de Assis.
dades de formatura. - Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo tam-
bém permanece no plural: Os Estados Unidos são uma po-
6) Quando o sujeito for composto da expressão “um tência mundial.
dos que”, o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi - Casos em que o artigo figura no singular ou em que
um dos que atuaram na Copa América. ele nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados
Unidos é uma potência mundial.
7) Em casos relativos à concordância com locuções
pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós, Casos referentes a sujeito composto
quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
nos atermos a duas questões básicas: 1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas
- No caso de o primeiro pronome estar expresso no gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, es-
plural, o verbo poderá com ele concordar, como poderá tando relacionado a dois pressupostos básicos:
também concordar com o pronome pessoal: Alguns de nós - Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre
o receberemos. / Alguns de nós o receberão. as demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio.
- Quando o primeiro pronome da locução estiver ex- - Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexio-
presso no singular, o verbo permanecerá, também, no sin- nar na 2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são
gular: Algum de nós o receberá. primos.
8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo 2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer an-
pronome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa teposto ao verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus
do singular ou poderá concordar com o antecedente desse dois filhos compareceram ao evento.
pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para
ela. / Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao
verbo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo
9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
ou permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai
palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
e seus dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois
antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós que toma-
filhos.
mos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém
10) No caso de o sujeito aparecer representado por ex-
com mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no
pressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa singular: Meu esposo e grande companheiro merece toda a
porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão felicidade do mundo.
da diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinô-
Observações: nimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo
- Caso o verbo apareça anteposto à expressão de por- poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha
centagem, esse deverá concordar com o numeral: Aprova- vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de
ram a decisão da diretoria 50% dos funcionários. meu esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha pre-
- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no sin- miação é fruto de meu esforço.
gular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da dire-
toria. Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos
- Em casos em que o numeral estiver acompanhado de demais termos da oração para que concordem em gê-
determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural: nero e número com o substantivo. Teremos que alterar,
Os 50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria. portanto, o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome.
Além disso, temos também o verbo, que se flexionará à
11) Nos casos em que o sujeito estiver representado sua maneira.
por pronomes de tratamento, o verbo deverá ser empre- Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o prono-
gado na terceira pessoa do singular ou do plural: Vossas me concordam em gênero e número com o substantivo.
Majestades gostaram das homenagens. Vossa Majestade - A pequena criança é uma gracinha.
agradeceu o convite. - O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à h) Muito, pouco, caro
regra geral mostrada acima. - Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem.
a) Um adjetivo após vários substantivos Pouco arroz é suficiente para mim.
- Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o Os sapatos estavam caros.
plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui. - Como advérbios: são invariáveis.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui. Comi muito durante a viagem.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
- Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural Comprei caro os sapatos.
masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Ela tem pai e mãe louros. i) Mesmo, bastante
- Ela tem pai e mãe loura. - Como advérbios: invariáveis
- Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoria- Preciso mesmo da sua ajuda.
mente para o plural. Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
- O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui. - Como pronomes: seguem a regra geral.
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o
mais próximo. j) Menos, alerta
Comi delicioso almoço e sobremesa. - Em todas as ocasiões são invariáveis.
Provei deliciosa fruta e suco. Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
concorda com o mais próximo ou vai para o plural. k) Tal Qual
Estavam feridos o pai e os filhos.
- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda
Estava ferido o pai e os filhos.
com o consequente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
- antecede todos os adjetivos com um artigo.
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
l) Possível
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “me-
- coloca o substantivo no plural.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola. lhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as ex-
pressões.
d) Pronomes de tratamento A mais possível das alternativas é a que você expôs.
- sempre concordam com a 3ª pessoa. Os melhores cargos possíveis estão neste setor da em-
Vossa Santidade esteve no Brasil. presa.
As piores situações possíveis são encontradas nas fave-
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado las da cidade.
- Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas. m) Meio
A bebida está inclusa. - Como advérbio: invariável.
Precisamos de nomes próprios. Estou meio (um pouco) insegura.
Obrigado, disse o rapaz.
- Como numeral: segue a regra geral.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) Comi meia (metade) laranja pela manhã.
- Após essas expressões o substantivo fica sempre no
singular e o adjetivo no plural. n) Só
Renato advogou um e outro caso fáceis. - apenas, somente (advérbio): invariável.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe. Só consegui comprar uma passagem.

g) É bom, é necessário, é proibido - sozinho (adjetivo): variável.


- Essas expressões não variam se o sujeito não vier pre- Estiveram sós durante horas.
cedido de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa. Fonte:
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença. http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia-
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A en- verbal.htm
trada é proibida.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Concordância Nominal e Verbal De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res-
01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con- pectivamente, com:
cordância verbal e nominal está inteiramente correta na (A) Restam… faça… será
frase: (B) Resta… faz… será
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores (C) Restam… faz... serão
que determinam as escolhas dos governantes, para conferir (D) Restam… façam… serão
legitimidade a suas decisões. (E) Resta… fazem… será
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem
ser embasados na percepção dos valores e princípios que 04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alterna-
regem a prática política. tiva em que o trecho
(C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro – Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma-
regime democrático, em que se respeita tanto as liberdades neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.–
individuais quanto as coletivas. está corretamente reescrito, de acordo com a norma-pa-
(D) As instituições fundamentais de um regime demo- drão da língua portuguesa.
crático não pode estar subordinado às ordens indiscrimina- (A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encon-
das de um único poder central. trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados insumos básicos.
para o momento eleitoral, que expõem as diferentes opi- (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
niões existentes na sociedade. trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
cos ser quantificados.
02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de con- (C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou
cordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas até agora uma maneira adequada para que os insumos bá-
em: sicos sejam quantificado.
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei- (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora- trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor, mos básicos seja quantificado.
mediante palavras, sua matéria-prima. (E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem
delineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor os insumos básicos.
ao ultrapassar os limites da época em que vivem seus au-
tores, gênios no domínio das palavras, sua matéria-prima. 05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATIVO
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, - VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto:
lhe permitem criar todo um mundo de ficção, em que per- I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota negativa...
sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classi-
leitores, numa verdadeira interação com a realidade. ficação do continente americano (2,0)...
D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei- Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e
tor somente se realiza plenamente caso haja afinidade de II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem dos
ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o exemplos, em:
crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura. (A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o
E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que próximo ano. Será que alguém tem opinião diferente da
constitui leitura obrigatória e se tornam referências por seu maioria?
conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época. (B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas.
Vêm pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para (C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase
responder à questão. todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia.
_________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas
está claro até onde pode realmente chegar uma política ba- também existem umas que não merecem nossa atenção.
seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam.
o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É
verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono e 06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
da água em si ___________diferença, as companhias não po- Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de
dem suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares peregrinação.
por tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portan- O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plu-
to, elas começam a usar preços- -sombra. Ainda assim, ral caso o segmento grifado seja substituído por:
ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar (A) Há folheteiros que
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das (B) A maior parte dos folheteiros
políticas de crescimento verde sempre ___________ a segunda (C) O folheteiro e sua família
opção. (D) O grosso dos folheteiros
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado) (E) Cada um dos folheteiros

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LÍNGUA PORTUGUESA

07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - 10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi-
FCC/2012) Todas as formas verbais estão corretamente nale a alternativa em que a concordância das formas verbais
flexionadas em: destacadas está de acordo com a norma-padrão da língua.
(A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel (A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higieni-
sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir zação subterrânea.
dessas criações poéticas tão originais. (B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os tra-
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status balhadores da área de limpeza.
atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje (C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos
nas melhores universidades do país. riscos de se contrair alguma doença.
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que (D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles sete da manhã, eu já estava fazendo meu serviço.
mesmos requizessem o respeito que faziam por merecer. (E) As companhias de limpeza, apenas recentemente,
(D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e começou a adotar medidas mais rigorosas para a proteção
a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser de seus funcionários.
resultado do puro e simples desconhecimento.
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os proble- GABARITO
mas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de
representatividade. 01. A 02. A 03. A 04. E 05. A
06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C
08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de con- RESOLUÇÃO
cordância verbal e nominal em:
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como 1-) Fiz os acertos entre parênteses:
entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofistica- (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores
que determinam as escolhas dos governantes, para conferir
das às mais humildes, são cada vez mais comuns nos dias
legitimidade a suas decisões.
de hoje.
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem
b) A importância de intelectuais como Edward Said e
(deve) ser embasados (embasada) na percepção dos valores
Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
e princípios que regem a prática política.
polêmicas de seu tempo, não estão apenas nos livros que
(C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver-
escreveram.
dadeiro regime democrático, em que se respeita (respei-
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre
tam) tanto as liberdades individuais quanto as coletivas.
árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto so- (D) As instituições fundamentais de um regime demo-
frimento, estejam próximos de serem resolvidos ou pelo crático não pode (podem) estar subordinado (subordina-
menos de terem alguma trégua. das) às ordens indiscriminadas de um único poder central.
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a (E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) vol-
verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo tados (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex-
ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade.
que admiradores.
e) No final do século XX já não se via muitos intelec- 2-)
tuais e escritores como Edward Said, que não apenas era A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei-
notícia pelos livros que publicavam como pelas posições tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora-
que corajosamente assumiam. mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor,
mediante palavras, sua matéria-prima. = correta
09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) B) Obras que se consideram clássicas na literatura sem-
O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propos- pre delineiam novos caminhos, pois são capazes de encan-
tas para o segmento grifado, deverá ser colocado no plural, tar o leitor ao ultrapassarem os limites da época em que
está em: vivem seus autores, gênios no domínio das palavras, sua
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) matéria-prima.
(B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do pla- C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
neta) lhes permite criar todo um mundo de ficção, em que per-
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os
consumo mundial de barris de petróleo) leitores, numa verdadeira interação com a realidade.
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
no custo da matéria-prima... (Constantes aumentos) tor somente se realizam plenamente caso haja afinidade
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es- de ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o
forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura.
climáticas) E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que
constituem leitura obrigatória e se tornam referências por
seu conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época.

78
LÍNGUA PORTUGUESA

3-) _Restam___dúvidas (D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desva-


mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da lorização e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica
água em si __faça __diferença só pode (podem) ser resultado do puro e simples desco-
a maioria das políticas de crescimento verde sempre nhecimento.
____será_____ a segunda opção. (E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que
Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tan- os problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados
to no plural quanto no singular. Nas alternativas não há à falta de representatividade.
“restam/faça/serão”, portanto a A é que apresenta as op-
ções adequadas. 8-) Fiz as correções entre parênteses:
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
4-) entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofis-
(A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- ticadas às mais humildes, são (é) cada vez mais comuns
trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os (comum) nos dias de hoje.
insumos básicos. b) A importância de intelectuais como Edward Said e
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási- polêmicas de seu tempo, não estão (está) apenas nos livros
cos serem quantificados. que escreveram.
(C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio en-
trou até agora uma maneira adequada para que os insu- tre árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto
mos básicos sejam quantificados. sofrimento, estejam (esteja) próximos (próximo) de serem
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- (ser) resolvidos (resolvido) ou pelo menos de terem (ter)
trou até agora uma maneira adequada para que os insu- alguma trégua.
mos básicos sejam quantificados. d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo
trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores
que admiradores.
os insumos básicos. = correta
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos
intelectuais e escritores como Edward Said, que não apenas
5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos
era (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas
aos itens:
posições que corajosamente assumiam.
(A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém
tem (singular)
9-)
(B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) =
(C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quise-
“há” permaneceria no singular
ram (plural) (B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do pla-
(D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem neta) = “sabe” permaneceria no singular
umas (plural) (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas consumo mundial de barris de petróleo) = “dá” permane-
as formas estão no plural) ceria no singular
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se
6-) no custo da matéria-prima... Constantes aumentos) = “re-
A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto flete” passaria para “refletem-se”
“folheterios”) (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es-
B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional) forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças
C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto) climáticas) = “pressiona” permaneceria no singular
D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional)
E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular 10-) Fiz as correções:
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular)
7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta: (B) Ainda existe muitas pessoas = existem
(A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a conside- (C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos
rar o cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capa- riscos
zes de fruir dessas criações poéticas tão originais. (D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status sete da manhã = eram
atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje (E) As companhias de limpeza, apenas recentemente,
nas melhores universidades do país. começou = começaram
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
mesmos requizessem (requeressem) o respeito que faziam
por merecer.

79
LÍNGUA PORTUGUESA

- diante da maioria dos pronomes e das expressões


5.5. EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE de tratamento, com exceção das formas senhora, se-
CRASE. nhorita e dona:
Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de on-
A palavra crase é de origem grega e significa “fusão”, tem.
“mistura”. Na língua portuguesa, é o nome que se dá à Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
“junção” de duas vogais idênticas. É de grande importân- Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pro-
cia a crase da preposição “a” com o artigo feminino “a” nomes podem ser identificados pelo método: troque a pa-
(s), com o “a” inicial dos pronomes aquele(s), aquela (s), lavra feminina por uma masculina, caso na nova constru-
aquilo e com o “a” do relativo a qual (as quais). Na escrita, ção surgir a forma ao, ocorrerá crase. Por exemplo:
utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O uso Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo in-
apropriado do acento grave depende da compreensão divíduo.)
da fusão das duas vogais. É fundamental também, para Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao
o entendimento da crase, dominar a regência dos verbos senhor.)
e nomes que exigem a preposição “a”. Aprender a usar a Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao
crase, portanto, consiste em aprender a verificar a ocor- próprio Cláudio para sair mais cedo.)
rência simultânea de uma preposição e um artigo ou pro-
nome. Observe: - diante de numerais cardinais:
Vou a + a igreja. Chegou a duzentos o número de feridos.
Vou à igreja. Daqui a uma semana começa o campeonato.

No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição Casos em que a crase SEMPRE ocorre:
“a”, exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência
do artigo “a” que está determinando o substantivo femini- - diante de palavras femininas:
no igreja. Quando ocorre esse encontro das duas vogais e Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
elas se unem, a união delas é indicada pelo acento grave. Sempre vamos à praia no verão.
Observe os outros exemplos: Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
Conheço a aluna. Sou grata à população.
Refiro-me à aluna. Fumar é prejudicial à saúde.
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (co- Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
nhecer algo ou alguém), logo não exige preposição e a
crase não pode ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é - diante da palavra “moda”, com o sentido de “à
transitivo indireto (referir--se a algo ou a alguém) e exige moda de” (mesmo que a expressão moda de fique su-
a preposição “a”. Portanto, a crase é possível, desde que o bentendida):
termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
“a” ou um dos pronomes já especificados. Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
Estava com vontade de comer frango à (moda de) pas-
Casos em que a crase NÃO ocorre: sarinho.
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro.
- diante de substantivos masculinos:
Andamos a cavalo. - na indicação de horas:
Fomos a pé. Acordei às sete horas da manhã.
Passou a camisa a ferro. Elas chegaram às dez horas.
Fazer o exercício a lápis. Foram dormir à meia-noite.
Compramos os móveis a prazo.

- diante de verbos no infinitivo:


A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer.

Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos


exemplos acima é apenas preposição, logo não ocorrerá
crase.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas. Por exemplo:
à tarde às ocultas às pressas à medida que
à noite às claras às escondidas à força
à vontade à beça à larga à escuta
às avessas à revelia à exceção de à imitação de
à esquerda às turras às vezes à chave
à direita à procura à deriva à toa
à luz à sombra de à frente de à proporção que
à semelhança de às ordens à beira de

Crase diante de Nomes de Lugar


Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que
diante deles haverá crase, desde que o termo regente exija a preposição “a”. Para saber se um nome de lugar admite ou não
a anteposição do artigo feminino “a”, deve-se substituir o termo regente por um verbo que peça a preposição “de” ou “em”.
A ocorrência da contração “da” ou “na” prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por isso, haverá crase. Por exemplo:

Vou à França. (Vim da [de+a] França. Estou na [em+a] França.)


Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)

*- Dica da Zê!: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou A volto DE, crase PRA QUÊ?”
Ex: Vou a Campinas. = Volto de Campinas.
Vou à praia. = Volto da praia.

- ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase. Veja:


Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado.

Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Aquela (s), Aquilo

Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo regente exigir a preposição “a”. Por exemplo:

Refiro-me a + aquele atentado.


Preposição Pronome

Refiro-me àquele atentado.

O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indireto referir (referir-se a algo ou alguém) e exige preposição,
portanto, ocorre a crase. Observe este outro exemplo:
Aluguei aquela casa.
O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não exige preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso. Veja
outros exemplos:
Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.

Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais

A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses pro-
nomes exigir a preposição “a”, haverá crase. É possível detectar a ocorrência da crase nesses casos utilizando a substituição
do termo regido feminino por um termo regido masculino. Por exemplo:

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LÍNGUA PORTUGUESA

A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade. - diante de pronome possessivo feminino:
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade. Observação: é facultativo o uso da crase diante de pro-
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a nomes possessivos femininos porque é facultativo o uso do
crase. Veja outros exemplos: artigo. Observe:
São normas às quais todos os alunos devem obedecer. Minha avó tem setenta anos. Minha irmã está esperando
Esta foi a conclusão à qual ele chegou. por você.
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam A minha avó tem setenta anos. A minha irmã está espe-
responder nenhuma das questões. rando por você.
A sessão à qual assisti estava vazia. Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de
pronomes possessivos femininos, então podemos escrever
Crase com o Pronome Demonstrativo “a” as frases abaixo das seguintes formas:
Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
“a” também pode ser detectada através da substituição do
termo regente feminino por um termo regido masculino. - depois da preposição até:
Veja: Fui até a praia. ou Fui até à praia.
Minha revolta é ligada à do meu país. Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o até à porta.
Meu luto é ligado ao do meu país. A palestra vai até as cinco horas da tarde. ou A
As orações são semelhantes às de antes. palestra vai até às cinco horas da tarde.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Suas perguntas são superiores às dele. Questões sobre Crase
Seus argumentos são superiores aos dele.
Sua blusa é idêntica à de minha colega. 01.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) No Brasil, as dis-
Seu casaco é idêntico ao de minha colega. cussões sobre drogas parecem limitar-se ______aspectos ju-
A Palavra Distância rídicos ou policiais. É como se suas únicas consequências
estivessem em legalismos, tecnicalidades e estatísticas cri-
Se a palavra distância estiver especificada, determinada, minais. Raro ler ____respeito envolvendo questões de saúde
a crase deve ocorrer. Por exemplo: Sua casa fica à distância pública como programas de esclarecimento e prevenção, de
de 100km daqui. (A palavra está determinada) tratamento para dependentes e de reintegração desses____
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A vida. Quantos de nós sabemos o nome de um médico ou
palavra está especificada.) clínica ____quem tentar encaminhar um drogado da nossa
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase própria família?
não pode ocorrer. Por exemplo: (Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo,
Os militares ficaram a distância. 17.09.2012. Adaptado)
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância. As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e
Dizem que aquele médico cura a distância. respectivamente, com:
Reconheci o menino a distância. (A) aos … à … a … a
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambigui- (B) aos … a … à … a
dade, pode-se usar a crase. Veja: (C) a … a … à … à
Gostava de fotografar à distância. (D) à … à … à … à
Ensinou à distância. (E) a … a … a … a
Dizem que aquele médico cura à distância.
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013).Leia
Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA o texto a seguir.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, cor-
- diante de nomes próprios femininos: reu ______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira
Observação: é facultativo o uso da crase diante de no- causa do procedimento de Camilo. Vimos que ______ carto-
mes próprios femininos porque é facultativo o uso do ar- mante restituiu--lhe ______ confiança, e que o rapaz repreen-
tigo. Observe: deu-a por ter feito o que fez.
Paula é muito bonita. Laura é minha amiga. (Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias.
A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga. Rio de Janeiro: Globo, 1997, p. 6)
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo ordem dada:
feminino diante de nomes próprios femininos, então pode- A) à – a – a
mos escrever as frases abaixo das seguintes formas: B) a – a – à
Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Roberto. C) à – a – à
Entreguei o cartão à Paula. Entreguei o cartão ao Ro- D) à – à – a
berto. E) a – à – à

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LÍNGUA PORTUGUESA

03 (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU- 07. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
NESP/2013) De acordo com a norma-padrão da língua NESP – 2013-adap) O acento indicativo de crase está cor-
portuguesa, o acento indicativo de crase está corretamente retamente empregado em:
empregado em: A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas
(A) A população, de um modo geral, está à espera de com as dificuldades para lidar com as frustrações de seus
que, com o novo texto, a lei seca possa coibir os acidentes. desejos.
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repen- B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações
sarem a sua postura. nos mecanismos biológicos de controle emocional.
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
punições muito mais severas. D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade
(D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco a alimentam a violência crescente nas cidades.
vida dos demais motoristas e de pedestres. E) Um ambiente desfavorável à formação da personali-
(E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumprimento dade atinge os mais vulneráveis.
da nova lei para que ela possa funcionar.
08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.) Claro que não O sinal indicativo de crase está correto em:
me estou referindo a essa vulgar comunicação festiva e A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na
efervescente. área de biotecnologia.
O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar
se o segmento grifado for substituído por: à educação dos filhos.
A) leitura apressada e sem profundidade. C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as
B) cada um de nós neste formigueiro. instalações do prédio.
C) exemplo de obras publicadas recentemente. D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer
D) uma comunicação festiva e virtual. detalhe que envolva a segurança das pessoas.
E) respeito de autores reconhecidos pelo público. E) É função da política é dedicar-se à todo problema
que comprometa o bem-estar do cidadão.
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
NESP – 2013).
09. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP)
O detetive Gervase Fen, que apareceu em 1944, é um ho-
também desenvolve atividades lúdicas de apoio______ res-
mem de face corada, muito afeito ...... frases inteligentes e
socialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará-
citações dos clássicos; sua esposa, Dolly, uma dama meiga e
-lo para o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em
sossegada, fica sentada tricotando tranquilamente, impassí-
liberdade, ele estará capacitado______ ter uma profissão e
vel ...... propensão de seu marido ...... investigar assassinatos.
uma vida digna.
(Disponível em: www.metropolitana.com.br/blog/ (Adaptado de P.D.James, op.cit.)
qual_e_a_importancia_da_ressocializacao_de_presos. Aces-
so em: 18.08.2012. Adaptado) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
Assinale a alternativa que preenche, correta e respecti- (A) à - à - a
vamente, as lacunas do texto, de acordo com a norma-pa- (B) a - à - a
drão da língua portuguesa. (C) à - a - à
A) à … à … à (D) a - à - à
B) a … a … à (E) à - a – a
C) a … à … à
D) à … à ... a 10. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO
E) a … à … a SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) Em qual das op-
ções abaixo o acento indicativo de crase foi corretamente
06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- indicado?
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) A) O dia fora quente, mas à noite estava fria e escura.
Assinale a alternativa que completa as lacunas do trecho a B) Ninguém se referira à essa ideia antes.
seguir, empregando o sinal indicativo de crase de acordo C) Esta era à medida certa do quarto.
com a norma-padrão. D) Ela fechou a porta e saiu às pressas.
Não nos sujeitamos ____ corrupção; tampouco cederemos E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo.
espaço ____ nenhuma ação que se proponha ____ prejudicar
nossas instituições. GABARITO
(A) à … à … à
(B) a … à … à 01. B 02. A 03. A 04. A 05. D
(C) à … a … a 06.C 07. E 08. B 09.B 10. D
(D) à … à … a
(E) a … a … à

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LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO * ceder espaço (objeto direto) A nenhuma ação (objeto


indireto. Não há acento indicativo de crase, pois “nenhu-
1-) limitar-se _aos _aspectos jurídicos ou policiais. ma” é pronome indefinido);
Raro ler __a__respeito (antes de palavra masculina * que se proponha A prejudicar (objeto indireto, no
não há crase) caso, oração subordinada com função de objeto indireto.
de reintegração desses_à_ vida. (reintegrar a + a Não há acento indicativo de crase porque temos um verbo
vida = à) no infinitivo – “prejudicar”).
o nome de um médico ou clínica __a_quem tentar en-
caminhar um drogado da nossa própria família? (antes de 7-)
pronome indefinido/relativo) A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas
com as dificuldades para lidar com as frustrações de seus
2-) correu _à (= para a ) cartomante para consultá-la desejos. (antes de verbo no infinitivo não há crase)
sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações
Vimos que _a__cartomante (objeto direto)restituiu-lhe nos mecanismos biológicos de controle emocional. (se
___a___ confiança (objeto direto), e que o rapaz repreen- o “a” está no singular e antecede palavra no plural, não há
deu-a por ter feito o que fez. crase)
3-) C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
(A) A população, de um modo geral, está à espera (dá (artigo indefinido)
para substituir por “esperando”) de que D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunida-
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à re- de alimentam a violência crescente nas cidades. (palavra
pensarem (antes de verbo) masculina)
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à E) Um ambiente desfavorável à formação da personali-
punições (generalizando, palavra no plural) dade atinge os mais vulneráveis. = correta (regência nomi-
(D) À ninguém (pronome indefinido) nal: desfavorável a?)
(E) Cabe à todos (pronome indefinido)
8-)
A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na
4-) Claro que não me estou referindo à leitura apressa-
área de biotecnologia. (artigo indefinido)
da e sem profundidade.
B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à
a cada um de nós neste formigueiro. (antes de prono-
educação dos filhos. = correta (regência verbal: dedicar a )
me indefinido)
C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as
a exemplo de obras publicadas recentemente. (palavra
instalações do prédio. (verbo no infinitivo)
masculina)
D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer
a uma comunicação festiva e virtual. (artigo indefini-
detalhe que envolva a segurança das pessoas. (pronome
do) indefinido)
a respeito de autores reconhecidos pelo público. (pa- E) É função da política é dedicar-se à todo problema
lavra masculina) que comprometa o bem-estar do cidadão. (pronome in-
definido)
5-) O Instituto Nacional de Administração Prisional
(INAP) também desenvolve atividades lúdicas de apoio___à__ 9-) Afeito a frases (generalizando, já que o “a” está no
ressocialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepa- singular e “frases”, no plural)
rá--lo para o retorno___à__ sociedade. Dessa forma, quando Impassível à propensão (regência nominal: pede pre-
em liberdade, ele estará capacitado__a___ ter uma profissão posição)
e uma vida digna. A investigar (antes de verbo no infinitivo não há acen-
- Apoio a ? Regência nominal pede preposição; to indicativo de crase)
- retorno a? regência nominal pede preposição; Sequência: a / à / a.
- antes de verbo no infinitivo não há crase.
10-)
6-) Vamos por partes! A) O dia fora quente, mas à noite = mas a noite (artigo e
- Quem se sujeita, sujeita-se A algo ou A alguém, por- substantivo. Diferente de: Estudo à noite = período do dia)
tanto: pede preposição; B) Ninguém se referira à essa ideia antes.= a essa (antes
- quem cede, cede algo A alguém, então teremos ob- de pronome demonstrativo)
jeto direto e indireto; C) Esta era à medida certa do quarto. = a medida (artigo
- quem se propõe, propõe-se A alguma coisa. e substantivo, no caso. Diferente da conjunção proporcio-
Vejamos: nal: À medida que lia, mais aprendia)
Não nos sujeitamos À corrupção; tampouco cedere- D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. = correta (advér-
mos espaço A nenhuma ação que se proponha A prejudi- bio de modo = apressadamente)
car nossas instituições. E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. =
* Sujeitar A + A corrupção; palavra masculina

84
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes Pessoais
5.6. COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS.
São aqueles que substituem os substantivos, indicando
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve
assume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”,
Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou “vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e
a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa
de alguma forma. ou às pessoas de quem fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos! ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
[substituição do nome] ou do caso oblíquo.

A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita! Pronome Reto
[referência ao nome]
Essa moça morava nos meus sonhos! Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
[qualificação do nome] tença, exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito.
Grande parte dos pronomes não possuem significados Nós lhe ofertamos flores.
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê-
de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên- nero (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a
cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso.
pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro- Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi-
nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes gurado:
têm por função principal apontar para as pessoas do dis- - 1ª pessoa do singular: eu
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação - 2ª pessoa do singular: tu
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, - 3ª pessoa do singular: ele, ela
os pronomes apresentam uma forma específica para cada - 1ª pessoa do plural: nós
pessoa do discurso. - 2ª pessoa do plural: vós
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. - 3ª pessoa do plural: eles, elas
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala]
Atenção: esses pronomes não costumam ser usados
como complementos verbais na língua-padrão. Frases
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se
eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser
fala]
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem
me até aqui”.
se fala]
Obs.: frequentemente observamos a omissão do pro-
nome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras próprias formas verbais marcam, através de suas desinên-
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme- cias, as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fi-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência zemos boa viagem. (Nós)
através do pronome seja coerente em termos de gênero
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, Pronome Oblíquo
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos- tença, exerce a função de complemento verbal (objeto di-
sa escola neste ano. reto ou indireto) ou complemento nominal.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
adequada] Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma
[neste: pronome que determina “ano” = concordância variante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação
adequada] indica a função diversa que eles desempenham na oração:
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor- pronome reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo
dância inadequada] marca o complemento da oração.
Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. tônicos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pronome Oblíquo Átono O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con-
figurado:
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não - 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica - 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
fraca: Ele me deu um presente. - 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela
O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim con- - 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
figurado: - 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
- 1ª pessoa do singular (eu): me - 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
- 2ª pessoa do singular (tu): te
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe Observe que as únicas formas próprias do pronome tô-
- 1ª pessoa do plural (nós): nos nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
- 2ª pessoa do plural (vós): vos demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
- As preposições essenciais introduzem sempre prono-
Observações: mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união en- língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
tre o pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por forma:
acompanhar diretamente uma preposição, o pronome Não há mais nada entre mim e ti.
“lhe” exerce sempre a função de objeto indireto na oração. Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos Não há nenhuma acusação contra mim.
diretos como objetos indiretos. Não vá sem mim.
Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como Atenção: Há construções em que a preposição, apesar
objetos diretos. de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combi- uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o
nar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a for- verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
mas como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, nome, deverá ser do caso reto.
lhas; no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Observe o uso dessas formas nos exemplos que seguem: Não vá sem eu mandar.
- Trouxeste o pacote?
- Sim, entreguei-to ainda há pouco. - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
- Não contaram a novidade a vocês? mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
- Não, no-la contaram. conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
No português do Brasil, essas combinações não são quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego companhia.
é muito raro. Ele carregava o documento consigo.
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
especiais depois de certas terminações verbais. Quando o são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma todos, ambos ou algum numeral.
lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal Você terá de viajar com nós todos.
é suprimida. Por exemplo: Estávamos com vós outros quando chegaram as más no-
fiz + o = fi-lo tícias.
fazeis + o = fazei-lo Ele disse que iria com nós três.
dizer + a = dizê-la
Pronome Reflexivo
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as-
sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo: São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
viram + o: viram-no nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
repõe + os = repõe-nos da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
retém + a: retém-na expressa pelo verbo.
tem + as = tem-nas O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Pronome Oblíquo Tônico Eu não me vanglorio disso.
Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de Assim tu te prejudicas.
objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica forte. Conhece a ti mesmo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.


Guilherme já se preparou.
Ela deu a si um presente.
Antônio conversou consigo mesmo.

- 1ª pessoa do plural (nós): nos.


Lavamo-nos no rio.

- 2ª pessoa do plural (vós): vos.


Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
Eles se conheceram.
Elas deram a si um dia de folga.

A Segunda Pessoa Indireta

A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso interlo-
cutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados pronomes de tratamento,
que podem ser observados no quadro seguinte:

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.
- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª
pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na
3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não
poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes Possessivos Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o
carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical pessoa que fala.
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que
(coisa possuída). o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do quem falo.
singular)
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo
NÚMERO PESSOA PRONOME quanto por meio de correspondência, que é uma moda-
singular primeira meu(s), minha(s) lidade escrita de fala), são particularmente importantes o
singular segunda teu(s), tua(s) este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao
singular terceira seu(s), sua(s) emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los
plural primeira nosso(s), nossa(s) pode causar ambiguidade.
plural segunda vosso(s), vossa(s) Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar
plural terceira seu(s), sua(s)
informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da uni-
versidade destinatária).
Note que: A forma do possessivo depende da pessoa
Reafirmamos a disposição desta universidade em parti-
gramatical a que se refere; o gênero e o número concor-
cipar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universi-
dam com o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua con-
tribuição naquele momento difícil. dade que envia a mensagem).

Observações: No tempo:
Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar refere ao ano presente.
da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se
seu José. refere a um passado próximo.
Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos- está se referindo a um passado distante.
se. Podem ter outros empregos, como:
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
anos. la(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá
seus defeitos, mas eu gosto muito dela. - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
- o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
trouxe sua mensagem? Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
que te indiquei.)
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- - mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e o procuraram ontem.
anotações.
- próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblí-
o problema.
quos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe
- semelhante(s): Não compre semelhante livro.
os passos. (= Vou seguir seus passos.)

Pronomes Demonstrativos - tal, tais: Tal era a solução para o problema.

Os pronomes demonstrativos são utilizados para expli- Note que:


citar a posição de uma certa palavra em relação a outras
ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de - Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
espaço, no tempo ou discurso. construções redundantes, com finalidade expressiva, para
salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela,
No espaço: essa é que dera em cheio casando com o José Afonso. Des-
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o frutar das belezas brasileiras, isso é que é sorte!
carro está perto da pessoa que fala.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- O pronome demonstrativo neutro ou pode representar Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário,
um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso em tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca,
que aparece, geralmente, como objeto direto, predicativo ou vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne-
aposto: O casamento seria um desastre. Todos o pressentiam. nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos,
- Para evitar a repetição de um verbo anteriormente ex- algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas,
presso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo fazer, outras, quantas.
chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que faz as Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que ela o algo, cada.
fizesse.
- Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa São locuções pronominais indefinidas:
mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que),
amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele
solteiro, aquele casado] (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro,
uma ou outra, etc.
- O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irô- Cada um escolheu o vinho desejado.
nica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Indefinidos Sistemáticos
- Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, per-
disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no cebemos que existem alguns grupos que criam oposição
= naquilo) de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sen-
Pronomes Indefinidos tido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm sentido
negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade afirmati-
va, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade negativa;
São palavras que se referem à terceira pessoa do dis-
alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e algo/nada,
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
que se referem à coisa; certo, que particulariza, e qualquer,
quantidade indeterminada.
que generaliza.
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém
Essas oposições de sentido são muito importantes na
-plantadas.
construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- de que fazem parte:
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: prático.
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- Czrávamos no exterior.
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. - Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa-
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- lavras:
guém, outrem, quem, tudo. - como (= pelo qual): Não me parece correto o modo
Algo o incomoda? como você agiu semana passada.
Quem avisa amigo é. - quando (= em que): Bons eram os tempos quando po-
díamos jogar videogame.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser - Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade numa só frase.
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s). O futebol é um esporte.
Cada povo tem seus costumes. O povo gosta muito deste esporte.
Certas pessoas exercem várias profissões. O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ora pronomes indefinidos adjetivos: ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), gente que conversava, (que) ria, (que) fumava.
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, Pronomes Interrogativos
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
Menos palavras e mais ações. retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
Alguns se contentam pouco. referem- -se à 3ª pessoa do discurso de modo
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual
riáveis e invariáveis. Observe: (e variações), quanto (e variações).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço. Próclise


Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
preferes. A próclise é aplicada antes do verbo quando temos:
Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quan- - Palavras com sentido negativo:
tos passageiros desembarcaram. Nada me faz querer sair dessa cama.
Não se trata de nenhuma novidade.
Sobre os pronomes: - Advérbios:
Nesta casa se fala alemão.
O pronome pessoal é do caso reto quando tem função Naquele dia me falaram que a professora não veio.
de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quando desempenha função de complemento. Vamos en- - Pronomes relativos:
tender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje.
frase e que função exerce. Observe as orações: Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia - Pronomes indefinidos:
lhe ajudar. Quem me disse isso?
Todos se comoveram durante o discurso de despedida.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso - Pronomes demonstrativos:
reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe” Isso me deixa muito feliz!
exercendo função de complemento, e, consequentemen- Aquilo me incentivou a mudar de atitude!
te, é do caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, - Preposição seguida de gerúndio:
o pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais
a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se indicado à pesquisa escolar.
devia ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe).
- Conjunção subordinativa:
Importante: Em observação à segunda oração, o em- Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do
verbo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo Ênclise
pode estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o
verbo principal (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta
gerúndio. não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto-
Eu desejo lhe perguntar algo. nos. A ênclise vai acontecer quando:
Eu estou perguntando-lhe algo. - O verbo estiver no imperativo afirmativo:
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou Amem-se uns aos outros.
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, Sigam-me e não terão derrotas.
diferentemente dos segundos que são sempre precedidos - O verbo iniciar a oração:
de preposição. Diga-lhe que está tudo bem.
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que Chamaram-me para ser sócio.
eu estava fazendo.
- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim - O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre-
o que eu estava fazendo. posição “a”:
Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
Colocação Pronominal Passaram a cumprimentar-se mutuamente.

A colocação pronominal é a posição que os pronomes - O verbo estiver no gerúndio:


pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreo-
verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: cupada.
me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos. Despediu-se, beijando-me a face.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições
na oração em relação ao verbo: - Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
1. próclise: pronome antes do verbo Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no
2. ênclise: pronome depois do verbo mesmo instante.
3. mesóclise: pronome no meio do verbo Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Mesóclise 04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a


alternativa em que o pronome destacado está posicionado
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado de acordo com a norma-padrão da língua.
no futuro do presente ou no futuro do pretérito: (A) Ela não lembrava-se do caminho de volta.
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela (B) A menina tinha distanciado-se muito da família.
se realizará) (C) A garota disse que perdeu-se dos pais.
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma (D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
proposta a você) (E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança.

Questões sobre Pronome 05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alterna-


tiva cujo emprego do pronome está em conformidade com
01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012). a norma padrão da língua.
Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
está claro até onde pode realmente chegar uma política ba- (B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba-
seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para lada.
o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra. (C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono (D) Conformado, se rendeu às punições.
e da água faça em si diferença, as companhias não podem (E) Todos querem que combata-se a corrupção.
suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares por
tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portanto, 06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale
elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de
encontrou até agora uma maneira de quantificar adequa- acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
damente os insumos básicos. E sem eles a maioria das po- (A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que
líticas de crescimento verde sempre será a segunda opção. eles sejam sempre trazidos junto ao corpo.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado) (B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa-
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida.
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re- (C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos
ferem- -se, respectivamente, a restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
(A) dúvidas e preços. (D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que
(B) dúvidas e insumos básicos. abrisse a bolsa que encontrara.
(C) companhias e insumos básicos. (E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma ten-
(D) companhias e preços do carbono e da água. dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
(E) políticas de crescimento e preços adequados.
07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013).
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho gri- tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______
fado está corretamente substituído por um pronome em: prazo.
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo- e respectivamente, considerando a norma culta da língua.
lhes desalentado A) a que … acaba … à
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem B) com que … acabam … à
de conhecê-lo? C) de que … acabam … a
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não D) em que … acaba … a
parecia ser-lhe E) dos quais … acaba … à
E) incomodaram o general... − incomodaram-no
08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013-
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e res-
A substituição do elemento grifado pelo pronome cor- pectivamente, as lacunas do trecho.
respondente, com os necessários ajustes, foi realizada de ______alguns anos, num programa de televisão, uma jo-
modo INCORRETO em: vem fazia referência______ violência______ o brasileiro estava
A) mostrando o rio= mostrando-o. sujeito de forma cômica.
B) como escolher sítio= como escolhê-lo. A) Fazem... a ... de que
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes. B) Faz ...a ... que
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada C) Fazem ...à ... com que
lhes acrescentariam. D) Faz ...à ... que
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas. E) Faz ...à ... a que

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LÍNGUA PORTUGUESA

09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014) 4-)


As sereias então devoravam impiedosamente os tripu- (A) Ela não se lembrava do caminho de volta.
lantes. (B) A menina tinha se distanciado muito da família.
... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabe- (C) A garota disse que se perdeu dos pais.
ça... (E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança
... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos 5-)
grifados acima foram corretamente substituídos por um (A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos.
pronome, na ordem dada, em: (B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba-
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los lada.
(B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes (D) Conformado, rendeu-se às punições.
(C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes (E) Todos querem que se combata a corrupção.
(D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los 6-)
(E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los (B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação
de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida.
10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013- (C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos
adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
estabelecimentos felizmente comprovam os acontecimen- (D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que
tos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investigação. abrisse a bolsa que encontrara.
– de acordo com a norma-padrão, os pronomes que subs- (E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma ten-
tituem, corretamente, os termos em destaque são: dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
A) os comprovam … ajudá-la.
B) os comprovam …ajudar-la. 7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram
C) os comprovam … ajudar-lhe. produtos de que não necessitam e acabam tendo
D) lhes comprovam … ajudar-lhe. de pagar tudo a prazo.
E) lhes comprovam … ajudá-la.
8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma
GABARITO jovem fazia referência à violência a que o brasileiro
estava sujeito de forma cômica.
01. C 02. E 03. C 04. D 05. C Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular
06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
9-)
RESOLUÇÃO devoravam - verbo terminado em “m” = pronome oblí-
quo no/na (fizeram-na, colocaram-no)
1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primei- impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
ro, não está claro até onde pode realmente chegar uma “lhe” é para objeto indireto
política baseada em melhorar a eficiência sem preços ade- convencer - verbo transitivo direto = pede objeto dire-
quados para o carbono, a água e (na maioria dos países to; “lhe” é para objeto indireto
pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
preços do carbono e da água faça em si diferença, as com-
panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di- 10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabeleci-
gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer mentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste-
preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som- munhas vão ajudar a polícia na investigação.
bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma- felizmente os comprovam ... ajudá-la
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos. (advérbio)
E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde
sempre será a segunda opção.

2-)
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os
desalentado
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
conhecê-las ?
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
parecia sê-lo

3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las

92
LÍNGUA PORTUGUESA

No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-


6. REESCRITURA DE FRASES E PARÁGRAFOS sando desemprego.
DO TEXTO.
6.1. SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS OU DE Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, ape-
nas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase a al-
TRECHOS DE TEXTO.
guns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare que,
6.2. RETEXTUALIZAÇÃO DE DIFERENTES para obter a clareza tivemos que fazer o uso de vírgulas.
GÊNEROS E NÍVEIS DE FORMALIDADE. Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e
o que mais nos auxilia na organização de um período, pois
facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula
ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando produzimos
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase frases complexas. Com isto, “entregamos” frases bem orga-
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um nizadas aos nossos leitores.
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmen- O básico para a organização sintática das frases é a or-
te devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar dem direta dos termos da oração. Os gramáticos estrutu-
e, posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo, ram tal ordem da seguinte maneira:
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e a SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO VERBAL+ CIR-
experiência de vida antecedem o ato de escrever. CUNSTÂNCIAS
Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos
escrever, feito o esquema de exposição da matéria, é ne- A globalização + está causando+ desemprego + no Bra-
cessário saber ordenar as ideias em frases bem estrutura- sil nos dias de hoje.
das. Logo, não basta conhecer bem um determinado as-
sunto, temos que o transmitir de maneira clara aos leitores. Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso alia- contêm todos estes elementos, portanto cabem algumas
do para organizarmos as ideias de maneira clara em frases. observações:
Para tanto, é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sin- - As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
taxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a “parte da gramá- normalmente são representadas por adjuntos adverbiais
tica que estuda a disposição das palavras na frase e a das de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quan-
frases no discurso, bem como a relação lógica das frases en- do queremos recordar algo ou narrar uma história, existe
tre si”; ou em outras palavras, sintaxe quer dizer “mistura”, a tendência a colocar os adjuntos nos começos das frases:
isto é, saber misturar as palavras de maneira a produzirem “No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas minhas
um sentido evidente para os receptores das nossas men- férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos e outros ele-
sagens. Observe: mentos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil existe…”
Observações:
1)A desemprego globalização no Brasil e no na está La- - tais construções não estão erradas, mas rompem com
tina América causando. a ordem direta;
2) A globalização está causando desemprego no Brasil e - é preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas
na América Latina. frases que não têm sujeito, somente predicado. Por exem-
plo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo.
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma São quatro horas agora;
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização de - Outras frases são construídas com verbos intransiti-
“uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem relação vos, que não têm complemento: O menino morreu na Ale-
inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe ocorreu de manha, (sujeito +verbo+ adjunto adverbial), A globalização
maneira perfeita e o sentido está claro para receptores de nasceu no século XX. (idem)
língua portuguesa inteirados da situação econômica e cul- - Há ainda frases nominais que não possuem verbos:
tural do mundo atual. Cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a ordem
A Ordem dos Termos na Frase direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os termos exis-
tentes nelas.
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que Levando em consideração a ordem direta, podemos
ela é organizada de maneira clara para produzir sentido. estabelecer três regras básicas para o uso da vírgula:
Todavia, há diferentes maneiras de se organizar gramatical- 1)Se os termos estão colocados na ordem direta não
mente tal frase, tudo depende da necessidade ou da von- haverá a necessidade de vírgulas. A frase (2) é um exemplo
tade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, porém, disto:
acrescentado ênfase a algum dos seus termos. Significa A globalização está causando desemprego no Brasil e na
dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série de inver- América Latina.
sões e intercalações em nossas frases, conforme a nossa Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração
vontade e estilo. Tudo depende da maneira como quere- por três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula,
mos transmitir uma ideia. Por exemplo, podemos expressar mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a re-
a mensagem da frase 2 da seguinte maneira: gra básica nº1 para a colocação da vírgula. Veja:

93
LÍNGUA PORTUGUESA

A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” Muitas vezes, elas são colocadas em orações chamadas
causam desemprego… = (três núcleos do sujeito) adverbiais que têm uma função semelhante a dos adjuntos
A globalização causa desemprego no Brasil, na América adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar, etc. Exemplos:
Latina e na África. = (três adjuntos adverbiais) Quando o século XX estava terminando, a globalização
A globalização está causando desemprego, insatisfação começou a causar desemprego.
e sucateamento industrial no Brasil e na América Latina. = Enquanto os países portadores de alta tecnologia de-
(três complementos verbais) senvolvem--se, a globalização causa desemprego nos países
pobres.
2)Em princípio, não devemos, na ordem direta, separar Durante o século XX, a Globalização causou desemprego
com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu com- no Brasil.
plemento, nem o complemento e as circunstâncias, ou seja,
não devemos separar com vírgula os termos da oração. Veja Obs 1: alguns gramáticos, Sacconi, por exemplo, consi-
exemplos de tal incorreção: deram que as orações subordinadas adverbiais devem ser
O Brasil, será feliz. A globalização causa, o desemprego. isoladas pela vírgula também quando colocadas após as
suas orações principais, mas só quando
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre os a) a oração principal tiver uma extensão grande: por
termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas, assim exemplo: A globalização causa… , enquanto os países…(vide
o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é a re- frase acima);
gra básica nº2 para a colocação da vírgula. Dito em outras b) Se houver uma outra oração após a principal e antes
palavras: quando intercalamos expressões e frases entre os da oração adverbial: A globalização causa desemprego no
termos da oração, devemos isolar os mesmos com vírgulas. Brasil e as pessoas aqui estão morrendo de fome , enquanto
Vejamos: nos países portadores de alta tecnologia…
A globalização, fenômeno econômico deste fim de século
XX, causa desemprego no Brasil. Obs 2: quando os adjuntos adverbiais são mínimos, isto
é, têm apenas uma ou duas palavras não há necessidade do
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o uso da vírgula:
sujeito e o verbo. Outros exemplos: Hoje a globalização causa desemprego no Panamá.
A globalização, que é um fenômeno econômico e cultu- Ali a globalização também causou…
ral, está causando desemprego no Brasil e na América Latina. A não ser que queiramos dar ênfase: Aqui, a globalização…

Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada. Obs3: na língua escrita, normalmente, ao realizarmos a
As orações adjetivas explicativas desempenham fre- ordem inversa, emprestamos ênfase aos termos que princi-
quentemente um papel semelhante ao do aposto explicati- piam as frases. Veja este exemplo de Rui Barbosa destacado
vo, por isto são também isoladas por vírgula. por Garcia:
A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil… “A mim, na minha longa e aturada e continua prática
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu do escrever, me tem sucedido inúmeras vezes, depois de con-
complemento. siderar por muito tempo necessária e insuprível uma locução
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, nova, encontrar vertida em expressões antigas mais clara, ex-
no Brasil… pressiva e elegante a mesma ideia.”
Estas três regras básicas não solucionam todos os proble-
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não per- mas de organização das frases, mas já dão um razoável suporte
tence ao assunto: globalização, da frase principal, tal oração para que possamos começar a ordenar a expressão das nossas
é apenas um comentário à parte entre o complemento ver- ideias. Em suma: o importante é não separar os termos básicos
bal e os adjuntos. das orações, mas, se assim o fizermos, seja intercalando ou in-
Obs: a simples negação em uma frase não exige vír- vertendo elementos, então devemos usar a vírgula.
gula:
A globalização não causou desemprego no Brasil e na - Quanto à equivalência e transformação de estrutu-
América Latina. ras, outro exemplo muito comum cobrado em provas é o
enunciado trazer uma frase no singular, por exemplo, e
3)Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a, pedir que o aluno passe a frase para o plural, mantendo
tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra nº3 da o sentido. Outro exemplo é o enunciado dar a frase em
colocação da vírgula. um tempo verbal, e pedir para que a passe para outro
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- tempo verbal.
sando desemprego…
No fim do século XX, a globalização causou desemprego Níveis de linguagem
no Brasil…
Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemen- A língua é um código de que se serve o homem para
te se dá com a colocação das circunstâncias antes do su- elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica-
jeito. Trata- -se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas
gramática, são representadas pelos adjuntos adverbiais. funcionais:

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LÍNGUA PORTUGUESA

1) a língua funcional de modalidade culta, língua culta Eu não a vi hoje.


ou língua-padrão, que compreende a língua literária, tem por Ninguém o deixou falar.
base a norma culta, forma linguística utilizada pelo segmento Deixe-me ver isso!
mais culto e influente de uma sociedade. Constitui, em suma, Eu te amo, sim, mas não abuses!
a língua utilizada pelos veículos de comunicação de massa Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
(emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, painéis, anún- Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
cios, etc.), cuja função é a de serem aliados da escola, prestan-
do serviço à sociedade, colaborando na educação; Considera-se momento neutro o utilizado nos veículos
2) a língua funcional de modalidade popular; língua po- de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista,
pular ou língua cotidiana, que apresenta gradações as mais etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou transgres-
diversas, tem o seu limite na gíria e no calão. sões da norma culta na pena ou na boca de jornalistas,
quando no exercício do trabalho, que deve refletir serviço
Norma culta: à causa do ensino.
A norma culta, forma linguística que todo povo civiliza- O momento solene, acessível a poucos, é o da arte
do possui, é a que assegura a unidade da língua nacional. poética, caracterizado por construções de rara beleza.
E justamente em nome dessa unidade, tão importante do Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume.
ponto de vista político--cultural, que é ensinada nas escolas Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontânea e cria- de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o co-
tiva, a língua popular afigura-se mais expressiva e dinâmica. mete, passando, assim, a constituir fato linguístico registro
Temos, assim, à guisa de exemplificação: de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda
Estou preocupado. (norma culta) que não tenha amparo gramatical. Exemplos:
Tô preocupado. (língua popular) Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir.)
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
Não basta conhecer apenas uma modalidade de língua; dispersar e Não vamos dispersar-nos.)
urge conhecer a língua popular, captando-lhe a esponta- Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de
neidade, expressividade e enorme criatividade, para viver; sair daqui bem depressa.)
urge conhecer a língua culta para conviver. O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das nor-
seu posto.)
mas da língua culta.
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos im-
O conceito de erro em língua:
pedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são exemplos
também de transgressões ou “erros” que se tornaram fatos
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos
linguísticos, já que só correm hoje porque a maioria viu
casos de ortografia. O que normalmente se comete são
tais verbos como derivados de pedir, que tem início, na sua
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num
momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele fa- conjugação, com peço. Tanto bastou para se arcaizarem as
lar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgride formas então legítimas impido, despido e desimpido, que
a norma culta. hoje nenhuma pessoa bem escolarizada tem coragem de
Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala, usar.
transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe-
praia, vestido de fraque e cartola. rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases
pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o da língua popular para a língua culta”.
das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre ami- Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
gos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada
perfeitamente normais construções do tipo: conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a
Eu não vi ela hoje. norma culta.
Ninguém deixou ele falar.
Deixe eu ver isso! Língua escrita e língua falada. Nível de linguagem:
Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo. A língua escrita, estática, mais elaborada e menos eco-
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo. nômica, não dispõe dos recursos próprios da língua falada.
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
norma culta, deixando mais livres os inter locutores. (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no de-
O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que é correr do discurso), além da possibilidade de gestos, olhares,
a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se por piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade mais ex-
base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou seja, a pressiva, mais criativa, mais espontânea e natural, estando,
norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se alteram: por isso mesmo, mais sujeita a transformações e a evoluções.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor- Introdução


tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar a
língua falada com base na língua escrita, considerada su- Caracterizada pela entrada no assunto e a argumen-
perior. Decorrem daí as correções, as retificações, as emen- tação inicial. A ideia central do texto é apresentada nessa
das, a que os professores sempre estão atentos. etapa. Entretanto, essa apresentação deve ser direta, sem
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos- rodeios. O seu tamanho raramente excede a 1/5 de todo o
trando as características e as vantagens de uma e outra, texto. Porém, em textos mais curtos, essa proporção não é
sem deixar transparecer nenhum caráter de superioridade equivalente. Neles, a introdução pode ser o próprio título.
ou inferioridade, que em verdade inexiste. Já nos textos mais longos, em que o assunto é exposto
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na lín- em várias páginas, ela pode ter o tamanho de um capítulo
gua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação de ou de uma parte precedida por subtítulo. Nessa situação,
línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de diale- pode ter vários parágrafos. Em redações mais comuns, que
tos, consequência natural do enorme distanciamento entre em média têm de 25 a 80 linhas, a introdução será o pri-
uma modalidade e outra. meiro parágrafo.
A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela-
borada que a língua falada, porque é a modalidade que Desenvolvimento
mantém a unidade linguística de um povo, além de ser a
que faz o pensamento atravessar o espaço e o tempo. Ne- A maior parte do texto está inserida no desenvolvi-
nhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será possível mento. Ele é responsável por estabelecer uma ligação entre
sem a língua escrita, cujas transformações, por isso mesmo, a introdução e a conclusão. É nessa etapa que são elabo-
processam-se lentamente e em número consideravelmen- radas as ideias, os dados e os argumentos que sustentam
te menor, quando cotejada com a modalidade falada. e dão base às explicações e posições do autor. É carac-
Importante é fazer o educando perceber que o nível da terizado por uma “ponte” formada pela organização das
linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo com ideias em uma sequência que permite formar uma relação
a situação em que se desenvolve o discurso. equilibrada entre os dois lados.
O ambiente sociocultural determina o nível da lingua- O autor do texto revela sua capacidade de discutir um
determinado tema no desenvolvimento. Nessa parte, ele
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia
se torna capaz de defender seus pontos de vista, além de
e até a entoação variam segundo esse nível. Um padre não
dirigir a atenção do leitor para a conclusão. As conclusões
fala com uma criança como se estivesse em uma missa, as-
são fundamentadas a partir daqui.
sim como uma criança não fala como um adulto. Um enge-
Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, o
nheiro não usará um mesmo discurso, ou um mesmo nível
escritor já deve ter uma ideia clara de como vai ser a con-
de fala, para colegas e para pedreiros, assim como nenhum
clusão. Por isso a importância do planejamento de texto.
professor utiliza o mesmo nível de fala no recesso do lar e
Em média, ocupa 3/5 do texto, no mínimo. Já nos tex-
na sala de aula.
tos mais longos, pode estar inserido em capítulos ou tre-
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre chos destacados por subtítulos. Deverá se apresentar no
esses níveis, destacam-se em importância o culto e o coti- formato de parágrafos medianos e curtos.
diano, a que já fizemos referência. Os principais erros cometidos no desenvolvimento são
o desvio e a desconexão da argumentação. O primeiro está
relacionado ao autor tomar um argumento secundário que
COESÃO TEXTUAL se distancia da discussão inicial, ou quando se concentra
em apenas um aspecto do tema e esquece o seu todo. O
Primeiramente, o que nos faz produzir um texto é a ca- segundo caso acontece quando quem redige tem muitas
pacidade que temos de pensar. Por meio do pensamento, ideias ou informações sobre o que está sendo discutido,
elaboramos todas as informações que recebemos e orien- não conseguindo estruturá-las. Surge também a dificul-
tamos as ações que interferem na realidade e organização dade de organizar seus pensamentos e definir uma linha
de nossos escritos. O que lemos é produto de um pensa- lógica de raciocínio.
mento transformado em texto.
Logo, como cada um de nós tem seu modo de pen- Conclusão
sar, quando escrevemos sempre procuramos uma maneira Considerada como a parte mais importante do texto,
organizada do leitor compreender as nossas ideias. A fina- é o ponto de chegada de todas as argumentações elabo-
lidade da escrita é direcionar totalmente o que você quer radas. As ideias e os dados utilizados convergem para essa
dizer, por meio da comunicação. parte, em que a exposição ou discussão se fecha.
Para isso, os elementos que compõem o texto se sub- Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma
dividem em: introdução, desenvolvimento e conclusão. To- brecha para uma possível continuidade do assunto; ou
dos eles devem ser organizados de maneira equilibrada. seja, possui atributos de síntese. A discussão não deve ser
encerrada com argumentos repetitivos, sendo evitados na
medida do possível. Alguns exemplos: “Portanto, como já
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão...”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Sua proporção em relação à totalidade do texto deve reto, mas apresentar ideias sem nexo, sem uma sequência
ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das lógica: há coesão, mas não coerência. Por outro lado, um
características de textos bem redigidos. texto pode apresentar ideias coerentes e bem encadeadas,
Os seguintes erros aparecem quando as conclusões fi- sem que no plano da expressão as estruturas frasais sejam
cam muito longas: gramaticalmente aceitáveis: há coerência, mas não coesão.
→ O problema aparece quando não ocorre uma ex- A coerência textual subjaz ao texto e é responsável
ploração devida do desenvolvimento. Logo, acontece uma pela hierarquização dos elementos textuais, ou seja, ela
invasão das ideias de desenvolvimento na conclusão. tem origem nas estruturas profundas, no conhecimento do
→ Outro fator consequente da insuficiência de funda- mundo de cada pessoa, aliada à competência linguística.
mentação do desenvolvimento está na conclusão precisar Deduz-se que é difícil ensinar coerência textual, intima-
de maiores explicações, ficando bastante vazia. mente ligada à visão de mundo, à origem das ideias no
→ Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no pensamento. A coesão, porém, refere-se à expressão lin-
texto em que o autor fica girando em torno de ideias re- guística, aos processos sintáticos e gramaticais do texto.
dundantes ou paralelas. O seguinte resumo caracteriza coerência e coesão:
→ Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeita- Coerência: rede de sintonia entre as partes e o todo de
mente dispensáveis. um texto. Conjunto de unidades sistematizadas numa ade-
→ Quando não tem clareza de qual é a melhor con- quada relação semântica, que se manifesta na compatibi-
clusão, o autor acaba se perdendo na argumentação final. lidade entre as ideias. (Na linguagem popular: “dizer coisa
Em relação à abertura para novas discussões, a con- com coisa” ou “uma coisa bate com outra”).
clusão não pode ter esse formato, exceto pelos seguintes Coesão: conjunto de elementos posicionados ao longo
fatores: do texto, numa linha de sequência e com os quais se es-
→ Para não influenciar a conclusão do leitor sobre te- tabelece um vínculo ou conexão sequencial. Se o vínculo
mas polêmicos, o autor deixa a conclusão em aberto. coesivo faz-se via gramática, fala-se em coesão gramatical.
→ Para estimular o leitor a ler uma possível continuida- Se se faz por meio do vocabulário, tem-se a coesão lexical.
de do texto, ou autor não fecha a discussão de propósito.
→ Por apenas apresentar dados e informações sobre Coerência
o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja concluir o - assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do
assunto. texto;
→ Para que o leitor tire suas próprias conclusões, o au- - situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão
tor enumera algumas perguntas no final do texto. conceitual;
- relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o
A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o au- todo, com o aspecto global do texto;
tor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técnica - estabelece relações de conteúdo entre palavras e fra-
é um roteiro, em que estão presentes os planejamentos. ses.
Nele devem estar indicadas as melhores sequências a se-
rem utilizadas na redação. O roteiro deve ser o mais enxuto Coesão
possível. - assenta-se no plano gramatical e no nível frasal;
Fonte: http://producao-de-textos.info/mos/view/Carac- - situa-se na superfície do texto, estabelece conexão
ter%C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/ sequencial;
- relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as
Não basta conhecer o conteúdo das partes de um tra- partes componentes do texto;
balho: introdução, desenvolvimento e conclusão. Além de - Estabelece relações entre os vocábulos no interior
saber o que se deve (e o que não se deve) escrever em das frases.
cada parte constituinte do texto, é preciso saber escrever
obedecendo às normas de coerência e coesão. Antes de Coerência e coesão são responsáveis pela inteligibili-
mais nada, é necessário definir os termos: coerência diz res- dade ou compreensão do texto. Um texto bem redigido
peito à articulação do texto, à compatibilidade das ideias, tem parágrafos bem estruturados e articulados pelo enca-
à lógica do raciocínio, a seu conteúdo. Coesão refere-se à deamento das ideias neles contidas. As estruturas frasais
expressão linguística, ao nível gramatical, às estruturas fra- devem ser coerentes e gramaticalmente corretas, no que
sais e ao emprego do vocabulário. diz respeito à sintaxe. O vocabulário precisa ser adequado
e essa adequação só se consegue pelo conhecimento dos
Coerência e coesão relacionam-se com o processo de significados possíveis de cada palavra. Talvez os erros mais
produção e compreensão do texto. A coesão contribui para comuns de redação sejam devidos à impropriedade do vo-
a coerência, mas nem sempre um texto coerente apresenta cabulário e ao mau emprego dos conectivos (conjunções,
coesão. Pode ocorrer que o texto sem coerência apresente que têm por função ligar uma frase ou período a outro). Eis
coesão, ou que um texto tenha coesão sem coerência. Em alguns exemplos de impropriedade do vocabulário, colhi-
outras palavras: um texto pode ser gramaticalmente bem dos em redações sobre censura e os meios de comunica-
construído, com frases bem estruturadas, vocabulário cor- ção e outras.

97
LÍNGUA PORTUGUESA

“Nosso direito é frisado na Constituição.” Pedir o =n(transitivo direto) significa solicitar, pleitear
Nosso direito é assegurado pela Constituição. = correta (Pedi o jornal do dia).
Pedir que =,contém uma ordem (A professora pediu que
“Estabelecer os limites as quais a programação deveria fizessem silêncio).
estar exposta.” Pedir para = pedir permissão (Pediu para sair da clas-
Estabelecer os limites aos quais a programação deveria se); significa também pedir em favor de alguém (A Diretora
estar sujeita. = correta pediu ajuda para os alunos carentes) em favor dos alunos,
pedir algo a alguém (para si): (Pediu ao colega para aju-
“A censura deveria punir as notícias sensacionalistas.” dá-lo); pode significar ainda exigir, reclamar (Os professores
A censura deveria proibir (ou coibir) as notícias sensa- pedem aumento de salário).
cionalistas ou punir os meios de comunicação que veiculam
tais notícias. = correta O mau emprego dos pronomes relativos também pode
levar à falta de coesão gramatical. Frequentemente, empre-
“Retomada das rédeas da programação.” ga-se no qual ou ao qual em lugar do que, com prejuízo da
Retomada das rédeas dos meios de comunicação, no clareza do texto; outras vezes, o emprego é desnecessário
que diz respeito à programação. = correta ou inadequado.
O emprego de vocabulário inadequado prejudica mui- “Pela manhã o carteiro chegou com um envelope para
tas vezes a compreensão das ideias. É importante, ao redi- mim no qual estava sem remetente”. (Chegou com um en-
gir, empregar palavras cujo significado seja conhecido pelo velope que (o qual) estava sem remetente).
enunciador, e cujo emprego faça parte de seus conheci-
mentos linguísticos. Muitas vezes, quem redige conhece o “Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da
significado de determinada palavra, mas não sabe empre- sensibilidade...”
gá-la adequadamente, isso ocorre frequentemente com o Encontrei belas palavras e não duvido da sensibilidade
emprego dos conectivos (preposições e conjunções). Não delas (palavras cheias de sensibilidade).
basta saber que as preposições ligam nomes ou sintagmas
nominais no interior das frases e que as conjunções ligam Para evitar a falta de coerência e coesão na articulação
frases dentro do período; é necessário empregar adequa- das frases, aconselha-se levar em conta as seguintes suges-
damente tanto umas como outras. É bem verdade que, na tões para o emprego correto dos articuladores sintáticos
maioria das vezes, o emprego inadequado dos conectivos (conjunções, preposições, locuções prepositivas e locuções
remete aos problemas de regência verbal e nominal. conjuntivas).
Exemplos: - Para dar ideia de oposição ou contradição, a articu-
lação sintática faz-se por meio de conjunções adversativas:
“Estar inteirada com os fatos” significa participação, in- mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto. Po-
teração. dem também ser empregadas as conjunções concessivas e
“Estar inteirada dos fatos” significa ter conhecimento locuções prepositivas para introduzir a ideia de oposição
dos fatos, estar informada. aliada à concessão: embora, ou muito embora, apesar de,
ainda que, conquanto, posto que, a despeito de, não obstante.
“Ir de encontro” significa divergir, não concordar. - A articulação sintática de causa pode ser feita por
“Ir ao encontro” quer dizer concordar. meio de conjunções e locuções conjuntivas: pois, porque,
como, por isso que, visto que, uma vez que, já que. Também
“Ameaça de liberdade de expressão e transmissão de podem ser empregadas as preposições e locuções preposi-
ideias” significa a liberdade não é ameaça; tivas: por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a,
“Ameaça à liberdade de expressão e transmissão de em consequência de, por motivo de, por razões de.
ideias”, isto é, a liberdade fica ameaçada. - O principal articulador sintático de condição é o “se”:
Se o time ganhar esse jogo, será campeão. Pode-se também
Quanto à regência verbal, convém sempre consul- expressar condição pelo emprego dos conectivos: caso,
tar um dicionário de verbos, pois muitos deles admitem contanto que, desde que, a menos que, a não ser que.
duas ou três regências diferentes; cada uma, porém, tem - O emprego da preposição “para” é a maneira mais
um significado específico. Lembre-se, a propósito, de que comum de expressar finalidade. “É necessário baixar as taxas
as dúvidas sobre o emprego da crase decorrem do fato de juros para que a economia se estabilize” ou para a eco-
de considerar-se crase como sinal de acentuação apenas, nomia estabilizar-se. “Teresa vai estudar bastante para fazer
quando o problema refere-se à regência nominal e verbal. boa prova.” Há outros articuladores que expressam finalida-
Exemplos: de: a fim de, com o propósito de, na finalidade de, com a in-
tenção de, com o objetivo de, com o fito de, com o intuito de.
O verbo assistir admite duas regências: - A ideia de conclusão pode ser introduzida por meio
assistir o/a (transitivo direto) significa dar ou prestar dos articuladores: assim, desse modo, então, logo, portanto,
assistência (O médico assiste o doente): pois, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso.
Assistir ao (transitivo indireto): ser espectador (Assisti Para introduzir mais um argumento a favor de determinada
ao jogo da seleção). conclusão emprega-

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LÍNGUA PORTUGUESA

-se ainda. Os articuladores aliás, além do mais, além A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
disso, além de tudo, introduzem um argumento decisivo, significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é
cabal, apresentado como um acréscimo, para justificar de polissemia porque os diferentes significados para a palavra
forma incontestável o argumento contrário. manga têm origens diferentes, e por isso alguns estudiosos
- Para introduzir esclarecimentos, retificações ou desen- mencionam que a palavra manga deveria ter mais do que
volvimento do que foi dito empregam-se os articuladores: uma entrada no dicionário.
isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. A conjunção “Letra” é uma palavra polissêmica. Letra pode significar
aditiva “e” anuncia não a repetição, mas o desenvolvimento o elemento básico do alfabeto, o texto de uma canção ou
do discurso, pois acrescenta uma informação nova, um dado a caligrafia de um determinado indivíduo. Neste caso, os
novo, e se não acrescentar nada, é pura repetição e deve ser diferentes significados estão interligados porque remetem
evitada. para o mesmo conceito, o da escrita.
- Alguns articuladores servem para estabelecer uma
gradação entre os correspondentes de determinada escala. Polissemia e ambiguidade
No alto dessa escala acham-se: mesmo, até, até mesmo; no
plano mais baixo: ao menos, pelo menos, no mínimo. Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na
interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS ser ambíguo, ou seja, apresenta mais de uma interpreta-
ção. Essa ambiguidade pode ocorrer devido à colocação
Consideremos as seguintes frases: específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em
Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja! uma frase. Vejamos a seguinte frase: Pessoas que têm uma
Vamos! Coloque logo a mão na massa! alimentação equilibrada frequentemente são felizes. Neste
As crianças estão com as mãos sujas. caso podem existir duas interpretações diferentes. As pes-
Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi. soas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são
felizes porque têm uma alimentação equilibrada.
Chegamos à conclusão de que se trata de palavras idên- De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela
ticas no que se refere à grafia, mas será que possuem o mes-
pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma inter-
mo significado?
pretação. Para fazer a interpretação correta é muito impor-
Existe uma parte da gramática normativa denominada
tante saber qual o contexto em que a frase é proferida.
Semântica. Ela trabalha a questão dos diferentes significados
Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabo-
que uma mesma palavra apresenta de acordo com o contex-
la, que por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser de-
to em que se insere.
finida como sendo um conjunto de letras ou sons de uma
Tomando como exemplo as frases já mencionadas, ana-
língua, juntamente com a ideia associada a este conjunto.
lisaremos os vocábulos de mesma grafia, de acordo com seu
sentido denotativo, isto é, aquele retratado pelo dicionário.
Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade, efi- Sentido Próprio e Figurado das Palavras
ciência diante do ato praticado. Nas outras que seguem o
significado é de: participação, interação mediante a uma Pela própria definição acima destacada podemos per-
tarefa realizada; mão como parte do corpo humano e por ceber que a palavra é composta por duas partes, uma delas
último simboliza o roubo, visto de maneira pejorativa. relacionada a sua forma escrita e os seus sons (denominada
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo perce- significante) e a outra relacionada ao que ela (palavra) ex-
bemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. pressa, ao conceito que ela traz (denominada significado).
Possibilidades de várias interpretações levando-se em con- Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdivi-
sideração as situações de aplicabilidade. dem-se assim:
Há uma infinidade de outros exemplos em que pode- - Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o senti-
mos verificar a ocorrência da polissemia, como por exemplo: do comum que costumamos dar a uma palavra.
O rapaz é um tremendo gato. - Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figura-
O gato do vizinho é peralta. do”, que podemos dar a uma palavra.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse. Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so- contextos:
brevivência 1. A cobra picou o menino. (cobra = réptil peçonhento)
O passarinho foi atingido no bico. 2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagra-
dável, que adota condutas pouco apreciáveis)
Polissemia e homonímia 3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que co-
nhece muito sobre alguma coisa, “expert”)
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido co-
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários signi- mum (ou literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado
ficados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado, em sentido figurado.
quando duas ou mais palavras com origens e significados Podemos então concluir que um mesmo significante
distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos uma ho- (parte concreta) pode ter vários significados (conceitos).
monímia.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Denotação e Conotação 3-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-


LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 -
- Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra ADAPTADA) Para responder a esta questão, considere as
com o seu significado primitivo e original, com o sentido palavras destacadas nas seguintes passagens do texto:
do dicionário; usada de modo automatizado; linguagem Desde o surgimento da ideia de hipertexto...
comum. Veja este exemplo: Cortaram as asas da ave para ... informações ligadas especialmente à pesquisa aca-
que não voasse mais. dêmica,
Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido ... uma “máquina poética”, algo que funcionasse por
próprio, comum, usual, literal. analogia e associação...
Quando o cientista Vannevar Bush [...] concebeu a
MINHA DICA - Procure associar Denotação com Di- ideia de hipertexto...
cionário: trata-se de definição literal, quando o termo é uti- ... 20 anos depois de seu artigo fundador...
lizado em seu sentido dicionarístico.
As palavras destacadas que expressam ideia de tempo
- Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra são:
com o seu significado secundário, com o sentido amplo (ou (A) algo, especialmente e Quando.
simbólico); usada de modo criativo, figurado, numa lingua- (B) Desde, especialmente e algo.
gem rica e expressiva. Veja este exemplo: (C) especialmente, Quando e depois.
Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes (D) Desde, Quando e depois.
que seja tarde demais. (E) Desde, algo e depois.
Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma
figurada, fazendo alusão à ideia de restrição e/ou controle 4-) (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
de ações; disciplina, limitação de conduta e comportamen- A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o mo-
to. vimento cordelista pode ser comparada à de outros dois
grandes nomes...
Fonte:
Sem qualquer outra alteração da frase acima e sem
http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/oficial-de-
prejuízo da correção, o elemento grifado pode ser subs-
justica-tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-e-figu-
tituído por:
rado-das-palavras.html
(A) contrastada.
(B) confrontada.
Questões sobre Denotação e Conotação
(C) ombreada.
(D) rivalizada.
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
(E) equiparada.
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) O
sentido de marmóreo (adjetivo) equivale ao da expressão
de mármore. Assinale a alternativa contendo as expressões 5-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU-
com sentidos equivalentes, respectivamente, aos das pala- NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) No verso – Não te
vras ígneo e pétreo. abras com teu amigo – o verbo em destaque foi emprega-
(A) De corda; de plástico. do em sentido figurado.
(B) De fogo; de madeira. Assinale a alternativa em que esse mesmo verbo “abrir”
(C) De madeira; de pedra. continua sendo empregado em sentido figurado.
(D) De fogo; de pedra. (A) Ao abrir a porta, não havia ninguém.
(E) De plástico; de cinza. (B) Ele não pôde abrir a lata porque não tinha um abri-
dor.
2-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- (C) Para aprender, é preciso abrir a mente.
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 (D) Pela manhã, quando abri os olhos, já estava em
- ADAPTADO) Para responder à questão, considere a se- casa.
guinte passagem: Sem querer estereotipar, mas já estereoti- (E) Os ladrões abriram o cofre com um maçarico.
pando: trata-se de um ser cujas interações sociais terminam,
99% das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”. 6-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 –
FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à ques-
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de tão, considere o texto abaixo.
(A) considerar ao acaso, sem premeditação.
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido A marca da solidão
dela.
(C) adotar como referência de qualidade. Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
(D) julgar de acordo com normas legais. paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a
(E) classificar segundo ideias preconcebidas. testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de
penumbra na tarde quente.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den- (A) O menino leva o material adequado para a escola.
tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com (B) João levou uma surra da mãe.
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque- (C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo.
nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é (D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso.
capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a (E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar
marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta. a prova.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Ja-
neiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47) RESOLUÇÃO
No primeiro parágrafo, a palavra utilizada em sentido
figurado é 1-)
(A) menino. Questão que pode ser resolvida usando a lógica ou
(B) chão. associação de palavras! Veja: a ignição do carro lembra-
(C) testa. nos fogo, combustão... Pedra, petrificado. Encontrou a
(D) penumbra. resposta?
(E) tenda.
RESPOSTA: “D”.
7-) (UFTM/MG – AUXILIAR DE BIBLIOTECA – VU-
NESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder à 2-)
questão. Classificar conforme regras conhecidas, mas não con-
firmadas se verdadeiras.
RIO DE JANEIRO – A Prefeitura do Rio está lançando a
Operação Lixo Zero, que vai multar quem emporcalhar a ci- RESPOSTA: “E”.
dade. Em primeira instância, a campanha é educativa. Equi-
pes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana estão per- 3-)
correndo as ruas para flagrar maus cidadãos jogando coisas As palavras que nos dão a noção, ideia de tempo são:
onde não devem e alertá-los para o que os espera. Em breve,
desde, quando e depois.
com guardas municipais, policiais militares e 600 fiscais em
ação, as multas começarão a chegar para quem tratar a via
RESPOSTA: “D”.
pública como a casa da sogra.
Imagina-se que, quando essa lei começar para valer, os
4-)
recordistas de multas serão os cerca de 300 jovens golpistas
Ao participar de um concurso, não temos acesso a di-
que, nas últimas semanas, se habituaram a tomar as ruas,
cionários para que verifiquemos o significado das palavras,
pichar monumentos, vandalizar prédios públicos, quebrar
por isso, caso não saibamos o que significam, devemos
orelhões, arrancar postes, apedrejar vitrines, depredar bancos,
saquear lojas e, por uma estranha compulsão, destruir lixeiras, analisá-las dentro do contexto em que se encontram. No
jogar o lixo no asfalto e armar barricadas de fogo com ele. exercício acima, a que se “encaixa” é “equiparada”.
É verdade que, no seu “bullying” político, eles não estão
nem aí para a cidade, que é de todos – e que, por algum RESPOSTA: “E”.
motivo, parecem querer levar ao colapso.
Pois, já que a lei não permite prendê-los por vandalis- 5-)
mo, saque, formação de quadrilha, desacato à autoridade, Em todas as alternativas o verbo “abrir” está empre-
resistência à prisão e nem mesmo por ataque aos órgãos gado em seu sentido denotativo. No item C, conotativo
públicos, talvez seja possível enquadrá-los por sujar a rua. (“abrir a mente” = aberto a mudanças, novas ideias).
(Ruy Castro, Por sujar a rua. Folha de S.Paulo, 21.08.2013.
Adaptado) RESPOSTA: “C”.

Na oração – ... parecem querer levar ao colapso. – (3.º 6-)


parágrafo), o termo em destaque é sinônimo de Novamente, responderemos com frase do texto: seu
(A) progresso. rosto formando uma tenda.
(B) descaso.
(C) vitória. RESPOSTA: “E”.
(D) tédio.
(E) ruína. 7-)
Pela leitura do texto, compreende-se que a intenção
8-) (BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN- do autor ao utilizar a expressão” levar ao colapso” refere-se
DES/2012) Considere o emprego do verbo levar no trecho: à queda, ao fim, à ruína da cidade.
“Uma competição não dura apenas alguns minutos. Leva
anos”. A frase em que esse verbo está usado com o mesmo RESPOSTA: “E”.
sentido é:

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LÍNGUA PORTUGUESA

8-) - Parônimos
No enunciado, o verbo “levar” está empregado com o São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: coro e
sentido de “duração/tempo” couro; cesta e sesta; eminente e iminente; osso e ouço; sede e
(A) O menino leva o material adequado para a escola. cede; comprimento e cumprimento; tetânico e titânico; au-
= carrega tuar e atuar; degradar e degredar; infligir e infringir; deferir
(B) João levou uma surra da mãe. = apanhou e diferir; suar e soar.
(C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo. = arrasta
(D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso. = http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-an-
direciona tonimos,-homonimos-e-paronimos
(E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar
a prova = duração/tempo Questões sobre Significação das Palavras

RESPOSTA: “E”. 01. Assinale a alternativa que preenche corretamente


as lacunas da frase abaixo:
- Sinônimos Da mesma forma que os italianos e japoneses _________
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________
- abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abo- para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor;
lir. internamente, __________ para o Sul, pelo mesmo motivo.
Observação: A contribuição greco-latina é responsável a) imigraram - emigram - migram
pela existência de numerosos pares de sinônimos: adver- b) migraram - imigram - emigram
sário e antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e he- c) emigraram - migram - imigram.
miciclo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e d) emigraram - imigram - migram.
diálogo; transformação e metamorfose; oposição e antítese. e) imigraram - migram – emigram
- Antônimos Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013
São palavras de significação oposta: ordem - anarquia; - Leia o texto para responder às questões de números 02
soberba - humildade; louvar - censurar; mal - bem. e 03.
Observação: A antonímia pode originar-se de um pre-
fixo de sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer;
Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica
simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e dis-
córdia; ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e
Você comprou um smartphone e acha que aquele seu
anticomunista; simétrico e assimétrico.
celular antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo
para alguns pode ser matéria-prima para outros. O CMID
O que são Homônimos e Parônimos:
– Centro Marista de Inclusão Digital –, que funciona junto
- Homônimos
ao Colégio Marista de Santa Maria, no Rio Grande do Sul,
a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e dife-
ensina os alunos do colégio a fazer robôs a partir de lixo
rentes na pronúncia:
eletrônico.
rego (subst.) e rego (verbo);
colher (verbo) e colher (subst.); Os alunos da turma avançada de robótica, por exem-
jogo (subst.) e jogo (verbo); plo, constroem carros com sensores de movimento que
denúncia (subst.) e denuncia (verbo); respondem à aproximação das pessoas. A fonte de energia
providência (subst.) e providencia (verbo). vem de baterias de celular. “Tirando alguns sensores, que
precisamos comprar, é tudo reciclagem”, comentou o ins-
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e di- trutor de robótica do CMID, Leandro Schneider. Esses alunos
ferentes na escrita: também aprendem a consertar computadores antigos. “O
acender (atear) e ascender (subir); nosso projeto só funciona por causa do lixo eletrônico. Se
concertar (harmonizar) e consertar (reparar); tivéssemos que comprar tudo, não seria viável”, completou.
cela (compartimento) e sela (arreio); Em uma época em que celebridades do mundo digital
censo (recenseamento) e senso ( juízo); fazem campanha a favor do ensino de programação nas
paço (palácio) e passo (andar). escolas, é inspirador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da
turma avançada de robótica do CMID que, aos 16 anos, já
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São sabe qual será sua profissão. “Quero ser programador. No
palavras iguais na escrita e na pronúncia: início das aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me
caminho (subst.) e caminho (verbo); interessando”, disse.
cedo (verbo) e cedo (adv.); (Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013.
livre (adj.) e livre (verbo). Adaptado)

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LÍNGUA PORTUGUESA

02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns 06. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
sensores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... – NESP – 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para res-
pode ser substituída, sem alteração do sentido da mensa- ponder à questão.
gem, pela seguinte expressão: Adolescentes vivendo em famílias que não lhes trans-
A) Pelo menos mitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não
B) A contar de lhes impuseram limites de disciplina.
C) Em substituição a O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse
D) Com exceção de trecho, é:
E) No que se refere a A) de desprendimento.
B) de responsabilidade.
03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo C) de abnegação.
para o termo destacado em – …“No início das aulas, eu D) de amor.
achava meio chato, mas depois fui me interessando”, disse. E) de egoísmo.
A) Estimulante.
B) Cansativo. 07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser
C) Irritante. preenchida com a primeira alternativa da série dada nos
D) Confuso. parênteses:
E) Improdutivo. A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das en-
chentes. (afim- a fim).
04. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU- B) A bandeira está ________. (arreada - arriada).
NESP – 2013). Analise as afirmações a seguir. C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (in-
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso
flingirem - infringirem).
por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituí-
D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos.
do, sem alteração do sentido do texto, por “faz”.
(concelhos - conselhos).
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser
E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cer-
reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à liberta-
ca de - acerca de).
ção.
III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma dife-
08. Assinale a alternativa correta, considerando que à
rente aqui no presídio devido ao bom comportamento. –
direita de cada palavra há um sinônimo.
pode-se substituir a expressão em destaque por “em razão
a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar
do”, sem alterar o sentido do texto.
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país)
está correto o que se afirma em c) delatar = expandir; dilatar = denunciar
A) I, II e III. d) deferir = diferenciar; diferir = conceder
B) III, apenas. e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação
C) I e III, apenas.
D) I, apenas. GABARITO
E) I e II, apenas.
01. A 02. D 03. A 04. A
05. Leia as frases abaixo: 05. D 06. E 07. E 08. A
1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi;
2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em RESOLUÇÃO
Marte.
3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas 1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses
de humor. imigraram para o Brasil no século passado, hoje os
4 - ___________ dias que não falo com Alfredo. brasileiros emigram para a Europa e para o Japão,
à busca de uma vida melhor; internamente, migram
Escolha a alternativa que oferece a sequência correta para o Sul, pelo mesmo motivo.
de vocábulos para as lacunas existentes:
a) concerto – há – a – cessões – há; 2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos
b) conserto – a – há – sessões – há; comprar, é tudo reciclagem”...
c) concerto – a – há – seções – a;
d) concerto – a – há – sessões – há; 3-) antônimo para o termo destacado : “No início das
e) conserto – há – a – sessões – a . aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me interes-
sando”
“No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas
depois fui me interessando”

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LÍNGUA PORTUGUESA

4-)
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso 7. CORRESPONDÊNCIA OFICIAL.
por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituí- 7.1. ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM AO TIPO
do, sem alteração do sentido do texto, por “faz”. = correta DE DOCUMENTO.
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser 7.2. ADEQUAÇÃO DO FORMATO DO TEXTO
reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à liberta- AO GÊNERO.
ção. = correta
III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma dife-
rente aqui no presídio devido ao bom comportamento. –
pode-se substituir a expressão em destaque por “em razão Pronomes de tratamento na redação oficial
do”, sem alterar o sentido do texto. = correta
A redação Oficial é a maneira para o poder público redi-
5-) gir atos normativos. Para redigi-los, muitas regras fazem-se
1 - Assisti ao concerto do balé Bolshoi; necessárias. Entre elas, escrever de forma clara, concisa, sem
2 - Daqui a pouco vão dizer que há (= existe) muito comprometimento, bem como um uso adequado das
vida em Marte. formas de tratamento. Tais regras, acompanhadas de uma
3 – As sessões da câmara são verdadeiros pro- boa redação, com um bom uso da linguagem, asseguram
gramas de humor. que os atos normativos sejam bem executados.
4- Há dias que não falo com Alfredo. (= No Poder Público, a todo momento nós nos deparamos
tempo passado) com situações em que precisamos escrever – ou falar – com
pessoas com as quais não temos familiaridade. Nesses ca-
6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes sos, os pronomes de tratamento assumem uma condição e
transmitiram valores sociais altruísticos, formação moral e precisam estar adequados à categoria hierárquica da pes-
não lhes impuseram limites de disciplina. soa a quem nos dirigimos. E mais, exige-se, em discurso
falado ou escrito, uma homogeneidade na forma de trata-
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse
mento, não só nos pronomes como também nos verbos.
trecho, é de egoísmo
No entanto, as formas de tratamento não são do conhe-
Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado
cimento de todos. Para tanto, a partir do Manual da Presi-
nos seres humanos e outros seres vivos, em que as ações
dência da República, apresentaremos as discriminações de
de um indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filan-
usos dos pronomes de tratamento:
tropia. No sentido comum do termo, é muitas vezes per-
São de uso consagrado: Vossa Excelência, para as se-
cebida, também, como sinônimo de solidariedade. Esse
guintes autoridades:
conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as incli- a) do Poder Executivo
nações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou Presidente da República;
coletivas). Vice-Presidente da República;
Ministro de Estado;
7-) Secretário-Geral da Presidência da República;
A) Estou aqui a fim de de ajudar os flagelados das Consultor-Geral da República;
enchentes. (afim = O adjetivo “afim” é empregado para in- Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas;
dicar que uma coisa tem afinidade com a outra. Há pessoas Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República;
que têm temperamentos afins, ou seja, parecidos) Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República;
B) A bandeira está arriada . (arrear = colocar Secretários da Presidência da República;
arreio no cavalo) Procurador – Geral da República;
C) Serão punidos os que infringirem o regulamen- Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Dis-
to. (inflingirem = aplicarem a pena) trito Federal;
D) São sempre valiosos os conselhos dos mais ve- Chefes de Estado – Maior das Três Armas;
lhos; (concelhos= Porção territorial ou parte administrativa Oficiais Generais das Forças Armadas;
de um distrito). Embaixadores;
E) Moro a cerca de cem metros da praça principal. Secretário Executivo e Secretário Nacional de Ministérios;
(acerca de = Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.). Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.
8-)
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) = b) do Poder Legislativo:
significados invertidos Presidente, Vice–Presidente e Membros da Câmara dos
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = signifi- Deputados e do Senado Federal;
cados invertidos Presidente e Membros do Tribunal de Contas da União;
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder = signifi- Presidente e Membros dos Tribunais de Contas Estaduais;
cados invertidos Presidente e Membros das Assembleias Legislativas Esta-
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação = duais;
significados invertido Presidente das Câmaras Municipais.

104
LÍNGUA PORTUGUESA

c) do Poder Judiciário: Fica claro também que as comunicações oficiais são ne-
Presidente e Membros do Supremo Tribunal Federal; cessariamente uniformes, pois há sempre um único comu-
Presidente e Membros do Superior Tribunal de Justiça; nicador (o Serviço Público) e o receptor dessas comunica-
Presidente e Membros do Superior Tribunal Militar; ções ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedien-
Presidente e Membros do Tribunal Superior Eleitoral; tes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos
Presidente e Membros do Tribunal Superior do Trabalho; cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o
Presidente e Membros dos Tribunais de Justiça; público).
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Federais; A redação oficial não é necessariamente árida e infensa
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Eleitorais; à evolução da língua. É que sua finalidade básica – comu-
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais do Trabalho; nicar com impessoalidade e máxima clareza – impõe certos
Juízes e Desembargadores; parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira diversa
Auditores da Justiça Militar.” daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspon-
dência particular, etc.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas Apresentadas essas características fundamentais da re-
aos Chefes do Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do car- dação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada
go respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República; uma delas.
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional; Ex-
celentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. A Impessoalidade

E mais: As demais autoridades serão tratadas com o vo- A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer
cativo Senhor, seguido do cargo respectivo: Senhor Senador, pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários:
Senhor Juiz, Senhor Ministro, Senhor Governador. a) alguém que comunique, b) algo a ser comunicado, e c)
O Manual ainda preceitua que a forma de tratamento alguém que receba essa comunicação. No caso da redação
“Digníssimo” fica abolida para as autoridades descritas acima, oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou
afinal, a dignidade é condição primordial para que tais cargos aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Ser-
públicos sejam ocupados. viço, Seção); o que se comunica é sempre algum assunto
Fica ainda dito que doutor não é forma de tratamento, relativo às atribuições do órgão que comunica; o destinatá-
mas titulação acadêmica de quem defende tese de douto- rio dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cida-
rado. Portanto, é aconselhável que não se use discriminada- dãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros
mente tal termo. Poderes da União.
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que
deve ser dado aos assuntos que constam das comunica-
1. ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL ções oficiais decorre:
a) da ausência de impressões individuais de quem co-
O que é Redação Oficial munica: embora se trate, por exemplo, de um expediente
assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a ma- nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Ob-
neira pela qual o Poder Público redige atos normativos e tém-se, assim, uma desejável padronização, que permite
comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do que comunicações elaboradas em diferentes setores da
Poder Executivo. Administração guardem entre si certa uniformidade;
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoali- b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação,
dade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cida-
formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atri- dão, sempre concebido como público, ou a outro órgão
butos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: público. Nos dois casos, temos um destinatário concebido
“A administração pública direta, indireta ou fundacional, de de forma homogênea e impessoal;
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Fe- c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o
deral e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, universo temático das comunicações oficiais restringe-se a
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sen- questões que dizem respeito ao interesse público, é natural
do a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais que não caiba qualquer tom particular ou pessoal.
de toda administração pública, claro que devem igualmente Desta forma, não há lugar na redação oficial para im-
nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais. pressões pessoais, como as que, por exemplo, constam de
Não se concebe que um ato normativo de qualquer na- uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal,
tureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou im- ou mesmo de um texto literário. A redação oficial deve ser
possibilite sua compreensão. A transparência do sentido dos isenta da interferência da individualidade que a elabora.
atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são requisi- A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade
tos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade im- contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
plica, pois, necessariamente, clareza e concisão. impessoalidade.

105
LÍNGUA PORTUGUESA

A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis-
A necessidade de empregar determinado nível de lin- criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um vocabulário próprio a determinada área, são de difícil en-
lado, do próprio caráter público desses atos e comuni- tendimento por quem não esteja com eles familiarizado.
cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comu-
entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe- nicações encaminhadas a outros órgãos da administração
lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan-
çado se em sua elaboração for empregada a linguagem Formalidade e Padronização
adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais,
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
objetividade. isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já
As comunicações que partem dos órgãos públicos fe- mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa-
derais devem ser compreendidas por todo e qualquer ci- drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa forma-
dadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar lidade de tratamento. Não se trata somente da eterna dúvi-
o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos. da quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome
Não há dúvida de que um texto marcado por expressões de tratamento para uma autoridade de certo nível; mais do
de circulação restrita, como a gíria, os regionalismos vo- que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade
cabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão di- no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a co-
ficultada. municação.
Ressalte-se que há necessariamente uma distância A formalidade de tratamento vincula-se, também, à ne-
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente cessária uniformidade das comunicações. Ora, se a admi-
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração de nistração federal é una, é natural que as comunicações que
costumes, e pode eventualmente contar com outros ele- expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimento des-
mentos que auxiliem a sua compreensão, como os gestos, se padrão exige que se atente para todas as características
a entoação, etc., para mencionar apenas alguns dos fa- da redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação
tores responsáveis por essa distância. Já a língua escrita dos textos.
incorpora mais lentamente as transformações, tem maior A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para
vocação para a permanência e vale-se apenas de si mes- o texto definitivo e a correta diagramação do texto são in-
ma para comunicar. dispensáveis para a padronização.
Os textos oficiais, devido ao seu caráter impessoal e
sua finalidade de informar com o máximo de clareza e Concisão e Clareza
concisão, requerem o uso do padrão culto da língua. Há
consenso de que o padrão culto é aquele em que a) se A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
observam as regras da gramática formal e b) se emprega terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idio- transmitir um máximo de informações com um mínimo de
ma. É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso palavras. Para que se redija com essa qualidade, é funda-
do padrão culto na redação oficial decorre do fato de que mental que se tenha, além de conhecimento do assunto
ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revisar o
sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, das idios- texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes
sincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se se percebem eventuais redundâncias ou repetições desne-
atinja a pretendida compreensão por todos os cidadãos. cessárias de ideias.
Lembre-se de que o padrão culto nada tem contra a O esforço de sermos concisos atende, basicamente, ao
simplicidade de expressão, desde que não seja confundi- princípio de economia linguística, à mencionada fórmula
da com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso de empregar o mínimo de palavras para informar o má-
do padrão culto implica emprego de linguagem rebusca- ximo. Não se deve, de forma alguma, entendê-la como
da, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de lin- economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar
guagem próprios da língua literária. passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em ta-
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente manho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inúteis,
um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do redundâncias, passagens que nada acrescentem ao que já
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que foi dito.
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões, A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto ofi-
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas cial. Pode-se definir como claro aquele texto que possibili-
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se ta imediata compreensão pelo leitor. No entanto a clareza
consagre a utilização de uma forma de linguagem buro- não é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente
crática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser das demais características da redação oficial. Para ela con-
evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. correm:

106
LÍNGUA PORTUGUESA

- a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpre- Fechos para Comunicações


tações que poderia decorrer de um tratamento personalista
dado ao texto; O fecho das comunicações oficiais possui, além da fi-
- o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de nalidade de arrematar o texto, a de saudar o destinatário.
entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de Os modelos para fecho que vinham sendo utilizados fo-
circulação restrita, como a gíria e o jargão; ram regulados pela Portaria no 1 do Ministério da Justiça,
- a formalidade e a padronização, que possibilitam a im- de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com o fito de
prescindível uniformidade dos textos; simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o
- a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos emprego de somente dois fechos diferentes para todas as
linguísticos que nada lhe acrescentam. modalidades de comunicação oficial:
É pela correta observação dessas características que se a) para autoridades superiores, inclusive o Presiden-
redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável relei- te da República: Respeitosamente,
tura de todo texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais, b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie-
de trechos obscuros e de erros gramaticais provém principal- rarquia inferior: Atenciosamente,
mente da falta da releitura que torna possível sua correção.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
com que são elaboradas certas comunicações quase sempre das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tra-
compromete sua clareza. Não se deve proceder à redação de dição próprios, devidamente disciplinados no Manual de
um texto que não seja seguida por sua revisão. “Não há as- Redação do Ministério das Relações Exteriores.
suntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite-
se, pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no redigir. Identificação do Signatário

Pronomes de Tratamento Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente


da República, todas as demais comunicações oficiais de-
Concordância com os Pronomes de Tratamento vem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede,
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indi- abaixo do local de sua assinatura. A forma da identificação
reta) apresentam certas peculiaridades quanto à concordân- deve ser a seguinte:
cia verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segun- (espaço para assinatura)
da pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a quem Nome
se dirige a comunicação), levam a concordância para a ter- Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
ceira pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que
integra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria (espaço para assinatura)
nomeará o substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”. Nome
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a Ministro de Estado da Justiça
pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as-
“Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa ... vos- sinatura em página isolada do expediente. Transfira para
so...”). essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gê-
nero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que Forma de diagramação
se refere, e não com o substantivo que compõe a locução.
Assim, se nosso interlocutor for homem, o correto é “Vossa Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à se-
Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria deve estar satis- guinte forma de apresentação:
feito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa - deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de
Senhoria deve estar satisfeita”. corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas
No envelope, o endereçamento das comunicações di- de rodapé;
rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a - para símbolos não existentes na fonte Times New Ro-
seguinte forma: man poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
A Sua Excelência o Senhor - é obrigatório constar a partir da segunda página o
Fulano de Tal número da página;
Ministro de Estado da Justiça - os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser
70.064-900 – Brasília. DF impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as mar-
A Sua Excelência o Senhor gens esquerda e direta terão as distâncias invertidas nas
Senador Fulano de Tal páginas pares (“margem espelho”);
Senado Federal - o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
70.165-900 – Brasília. DF no mínimo, 3,0 cm de largura;
- o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de
Senhor Ministro, distância da margem esquerda;
- o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5
Submeto a Vossa Excelência projeto (...) cm;

107
LÍNGUA PORTUGUESA

- deve ser utilizado espaçamento simples entre as li- Memorando


nhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor
de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha Definição e Finalidade
em branco; O memorando é a modalidade de comunicação entre
- não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, subli- unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem
nhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bor- estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível dife-
das ou qualquer outra forma de formatação que afete a rente. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação
elegância e a sobriedade do documento; eminentemente interna.
- a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser em-
papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas pregado para a exposição de projetos, ideias, diretrizes,
para gráficos e ilustrações; etc. a serem adotados por determinado setor do serviço
- todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem público.
ser impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 Sua característica principal é a agilidade. A tramitação
cm; do memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela ra-
- deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de ar- pidez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos.
quivo Rich Text nos documentos de texto; Para evitar desnecessário aumento do número de comu-
- dentro do possível, todos os documentos elaborados nicações, os despachos ao memorando devem ser dados
devem ter o arquivo de texto preservado para consulta pos- no próprio documento e, no caso de falta de espaço, em
terior ou aproveitamento de trechos para casos análogos; folha de continuação. Esse procedimento permite formar
- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos de- uma espécie de processo simplificado, assegurando maior
vem ser formados da seguinte maneira: transparência à tomada de decisões, e permitindo que se
tipo do documento + número do documento + pala- historie o andamento da matéria tratada no memorando.
vras-chaves do conteúdo
Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano 2002” Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do
Aviso e Ofício padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário
deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Ex:
Definição e Finalidade Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que
o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado,
Exposição de Motivos
para autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o ofí-
cio é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm
Definição e Finalidade
como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos ór-
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presi-
gãos da Administração Pública entre si e, no caso do ofício,
dente da República ou ao Vice-Presidente para: a) informá
também com particulares.
-lo de determinado assunto; b) propor alguma medida; ou
c) submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi-
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o dente da República por um Ministro de Estado.
destinatário, seguido de vírgula. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de
Exemplos: um Ministério, a exposição de motivos deverá ser assinada
Excelentíssimo Senhor Presidente da República por todos os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão,
Senhora Ministra chamada de interministerial.
Senhor Chefe de Gabinete Forma e Estrutura
Formalmente, a exposição de motivos tem a apresenta-
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as ção do padrão ofício. A exposição de motivos, de acordo
seguintes informações do remetente: com sua finalidade, apresenta duas formas básicas de es-
– nome do órgão ou setor; trutura: uma para aquela que tenha caráter exclusivamente
– endereço postal; informativo e outra para a que proponha alguma medida
– telefone e e-mail. ou submeta projeto de ato normativo.
No primeiro caso, o da exposição de motivos que sim-
OBS: Estas informações estão ausentes no memorando, plesmente leva algum assunto ao conhecimento do Presi-
pois trata-se de comunicação interna, destinatário e reme- dente da República, sua estrutura segue o modelo antes
tente possuem o mesmo endereço. No caso se o Aviso é de referido para o padrão ofício.
um Ministério para outro Ministério, também não precisa
especificar o endereço. O Ofício é enviado para outras insti-
tuições, logo, são necessárias as informações do remetente
e o endereço do destinatário para que o ofício possa ser
entregue e o remetente possa receber resposta.

108
LÍNGUA PORTUGUESA

Mensagem não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax e que


a urgência justifique sua utilização e, também em razão de
Definição e Finalidade seu custo elevado, esta forma de comunicação deve pau-
É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes tar-se pela concisão.
dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas
pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para in- Forma e Estrutura
formar sobre fato da Administração Pública; expor o plano Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
de governo por ocasião da abertura de sessão legislativa; a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem Correios e em seu sítio na Internet.
de deliberação de suas Casas; apresentar veto; enfim, fazer
e agradecer comunicações de tudo quanto seja de interes- Fax
se dos poderes públicos e da Nação.
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Mi- Definição e Finalidade
nistérios à Presidência da República, a cujas assessorias ca- O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é
berá a redação final. uma forma de comunicação que está sendo menos usada
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Con- devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a
gresso Nacional têm as seguintes finalidades: transmissão de mensagens urgentes e para o envio ante-
- encaminhamento de projeto de lei ordinária, comple- cipado de documentos, de cujo conhecimento há premên-
mentar ou financeira; cia, quando não há condições de envio do documento por
- encaminhamento de medida provisória; meio eletrônico. Quando necessário o original, ele segue
- indicação de autoridades; posteriormente pela via e na forma de praxe.
- pedido de autorização para o Presidente ou o Vice Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com có-
-Presidente da República ausentarem-se do País por mais pia do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos
de 15 dias; modelos, deteriora-se rapidamente.
- encaminhamento de atos de concessão e renovação
de concessão de emissoras de rádio e TV; Forma e Estrutura
- encaminhamento das contas referentes ao exercício Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a
anterior;
estrutura que lhes são inerentes.
- mensagem de abertura da sessão legislativa;
É conveniente o envio, juntamente com o documento
- comunicação de sanção (com restituição de autógra-
principal, de folha de rosto, e de pequeno formulário com
fos);
os dados de identificação da mensagem a ser enviada, con-
- comunicação de veto;
forme exemplo a seguir:
- outras mensagens.
[Órgão Expedidor]
Forma e Estrutura
[setor do órgão expedidor]
As mensagens contêm: a) a indicação do tipo de ex-
pediente e de seu número, horizontalmente, no início da [endereço do órgão expedidor]
margem esquerda; b) vocativo, de acordo com o pronome Destinatário:____________________________________
de tratamento e o cargo do destinatário, horizontalmente, No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___
no início da margem esquerda (Excelentíssimo Senhor Pre- Remetente: ____________________________________
sidente do Senado Federal); c) o texto, iniciando a 2 cm do Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____
vocativo; d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final No de páginas: ________No do documento:____________
do texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com
a margem direita. Observações:___________________________________

A mensagem, como os demais atos assinados pelo Pre- Correio Eletrônico


sidente da República, não traz identificação de seu signa-
tário. Definição e finalidade

Telegrama O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e


celeridade, transformou-se na principal forma de comuni-
Definição e Finalidade cação para transmissão de documentos.
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
os procedimentos burocráticos, passa a receber o título de Forma e Estrutura
telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de
telegrafia, telex, etc. Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô-
Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma
cofres públicos e tecnologicamente superada, deve restrin- rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso
gir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações que de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.

109
LÍNGUA PORTUGUESA

O campo “assunto” do formulário de correio eletrôni- 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (adjunto
co mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a adverbial)
organização documental tanto do destinatário quanto do O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
remetente. manhã de terça-feira).
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utili-
zado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto - (ad-
que encaminha algum arquivo deve trazer informações mí- junto adverbial).
nimas sobre seu conteúdo. O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os seto-
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de con- res).
firmação de leitura. Caso não seja disponível, deve constar
da mensagem pedido de confirmação de recebimento. 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto -
obj. indireto - (adj. Adv.)
Valor documental Os desempregados - entregaram - suas reivindicações - ao
Deputado - (no Congresso).
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensa-
5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento adver-
gem de correio eletrônico tenha valor documental, e para
bial - (adjunto adverbial)
que possa ser aceito como documento original, é neces-
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos
sário existir certificação digital que ateste a identidade do Aires - (na próxima semana).
remetente, na forma estabelecida em lei. O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
ELEMENTOS DE ORTOGRAFIA E GRAMÁTICA 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad-
verbial)
Problemas de Construção de Frases O problema - será - resolvido - prontamente.

A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas Esses seriam os padrões básicos para as orações, ou
principalmente pela construção adequada da frase, “a me- seja, as frases que possuem apenas um verbo conjugado.
nor unidade autônoma da comunicação”, na definição de Na construção de períodos, as várias funções podem ocorrer
Celso Pedro Luft. em ordem inversa à mencionada, misturando-se e confun-
A função essencial da frase é desempenhada pelo pre- dindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva de todos os
dicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser entendi- padrões existentes na língua portuguesa. O que importa é
do como “a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre fixar a ordem normal dos elementos nesses seis padrões bá-
que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe o nome sicos. Acrescente-se que períodos mais complexos, compos-
de período, que terá tantas orações quantos forem os ver- tos por duas ou mais orações, em geral podem ser reduzidos
bos não auxiliares que o constituem. aos padrões básicos (de que derivam).
Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis- Os problemas mais frequentemente encontrados na
pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –, construção de frases dizem respeito à má pontuação, à am-
de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo. biguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos paralelis-
Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações substan- mos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral, do des-
tivos (nomes ou pronomes) que desempenham a função conhecimento da ordem das palavras na frase. Indicam-se,
de complementos (objetos direto e indireto, predicativo e a seguir, alguns desses defeitos mais comuns e recorrentes
na construção de frases, registrados em documentos oficiais.
complemento adverbial). Função acessória desempenham
Sujeito
os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente ao final da
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que exe-
oração, mas que podem ser ou intercalados aos elementos
cuta a ação enunciada na oração. Ele pode ter complemen-
que desempenham as outras funções, ou deslocados para
to, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, portanto,
o início da oração. construções como:
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos ele- Errado: É tempo do Congresso votar a emenda.
mentos que compõem uma oração (Observação: os parên- Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda.
teses indicam os elementos que podem não ocorrer): Errado: Apesar das relações entre os países estarem cor-
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adverbial). tadas, (...).
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cor-
Podem ser identificados seis padrões básicos para as tadas, (...).
orações pessoais (i. é, com sujeito) na língua portuguesa Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim.
(a função que vem entre parênteses é facultativa e pode Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
ocorrer em ordem diversa): Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...).
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial) Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...).
O Presidente - regressou - (ontem). Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo,
(...).

110
LÍNGUA PORTUGUESA

Frases Fragmentadas 3-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO


A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma FORENSE - CESPE/2013) A concisão, uma das qualidades
oração subordinada ou uma simples locução como se fosse essenciais ao texto oficial, para a qual concorrem o domí-
uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma nio do assunto tratado e a revisão textual, consiste em se
frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico na transmitir, no texto escrito, o máximo de informações em-
literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos tex- pregando-se um mínimo de palavras.
tos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão. Ex.: ( ) Certo ( ) Errado
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso
Nacional. Depois de ser longamente debatido. É a qualidade esperada de um bom texto, assim ele não
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso se torna prolixo: “fala, fala, mas não diz nada!”.
Nacional, depois de ser longamente debatido. RESPOSTA: “CERTO”.
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa
recebeu a aprovação do Congresso Nacional. 4-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- FORENSE - CESPE/2013) Na parte superior do ofício, do
metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consulta- aviso e do memorando, antes do assunto, devem constar
das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
o nome e o endereço da autoridade a quem é direcionada
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente subme-
a comunicação.
tido ao Presidente da República, que o aprovou, consultadas
( ) Certo ( ) Errado
as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as se-
Fontes: guintes partes:
http://www.redacaooficial.com.br/redacao_oficial_publi- a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do
cacoes_ver.php?id=2 órgão que o expede:
http://portuguesxconcursos.blogspot.com.br/p/redacao b) local e data em que foi assinado, por extenso, com
-oficial-para-concursos.html alinhamento à direita:
c) assunto: resumo do teor do documento
ATIVIDADES d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é
dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser incluído
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE – TÉC- também o endereço.
NICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) O correio ele- e) texto;
trônico é uma forma de comunicação célere, na qual deve ser f) fecho;
utilizada linguagem compatível com a comunicação oficial, g) assinatura do autor da comunicação; e
embora não seja definida uma forma rígida para sua estrutura. h) identificação do signatário
( ) Certo ( ) Errado (Fonte: http://webcache.googleusercontent.com/
search?q=cache:omaLJnt2UtQJ:www.planalto.gov.br/cci-
O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e ce- vil_03/manual/Manual_Rich_RedPR2aEd.rtf+&cd=1&hl=p-
leridade, transformou-se na principal forma de comunicação t-BR&ct=clnk&gl=br)
para transmissão de documentos. RESPOSTA: “ERRADO”.
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico
é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida 5-) (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA
para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de lin- E COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO ADMINIS-
guagem incompatível com uma comunicação oficial (v. 1.2 A TRATIVO – CESPE/2014) Em “Vossa Excelência deve estar
Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais). satisfeita com os resultados das negociações”, o adjetivo
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/
estará corretamente empregado se dirigido a ministro de
manual.htm)
Estado do sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve
RESPOSTA: “CERTO”.
concordar com a locução pronominal de tratamento “Vos-
2-) (POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE ALAGOAS – AGENTE sa Excelência”.
DE POLÍCIA – CESPE/2012) O vocativo a ser empregado em ( ) Certo ( ) Errado
comunicações dirigidas ao chefe do Poder Executivo da Re- Se a pessoa, no caso o ministro, for do sexo femini-
pública Federativa do Brasil é Excelentíssimo Senhor. no (ministra), o adjetivo está correto; mas, se for do sexo
( ) Certo ( ) Errado masculino, o adjetivo sofrerá flexão de gênero: satisfeito. O
pronome de tratamento é apenas a maneira como tratar a
(...) O vocativo a ser empregado em comunicações diri- autoridade, não regendo as demais concordâncias.
gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, segui- RESPOSTA: “ERRADO”.
do do cargo respectivo:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República (...) 6-) (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/ GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU-
manual.htm) MARC/2013) Sobre a Redação Oficial, NÃO é correto afir-
RESPOSTA: “CERTO”. mar que

111
LÍNGUA PORTUGUESA

(A) exige emprego do padrão formal de linguagem. Mensagem – é o instrumento de comunicação ofi-
(B) deve permitir uma única interpretação e ser estrita- cial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente
mente impessoal. as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo
(C) sua finalidade básica é comunicar com impessoali- ao Poder Legislativo para informar sobre fato da Admi-
dade e máxima clareza. nistração Pública; expor o plano de governo por ocasião
(D) dispensa a formalidade de tratamento, uma vez que da abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso
o comunicador e o receptor são o Serviço Público. Nacional matérias que dependem de deliberação de suas
Casas; apresentar veto; enfim, fazer e agradecer comuni-
As comunicações oficiais devem ser sempre formais, cações de tudo quanto seja de interesse dos poderes pú-
isto é, obedecem a certas regras de forma: além das (...) blicos e da Nação.
exigências de impessoalidade e uso do padrão culto de Aviso e Ofício - são modalidades de comunicação ofi-
linguagem, é imperativo, ainda, certa formalidade de tra- cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é
tamento. Não se trata somente da eterna dúvida quanto que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de
ao correto emprego deste ou daquele pronome de tra- Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo
tamento para uma autoridade de certo nível (...); mais do que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades.
que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos ofi-
no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a co- ciais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no
municação. caso do ofício, também com particulares.
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/ (Fonte: http://www.fontedosaber.com/portugues/re-
manual.htm_) dacao-oficial-dicas-e-macetes.html)
RESPOSTA: “D”. RESPOSTA: “ERRADO”.

7-) (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS 9-) (ANP – CONHECIMENTO BÁSICO PARA TODOS OS
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- CARGOS – CESPE/2013) Na redação de uma ata, devem-se
MARC/2013 - adaptada) “Na revisão de um expediente, relatar exaustivamente, com o máximo de detalhamento
deve-se avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por possível, incluindo-se os aspectos subjetivos, as discus-
seu destinatário. O que nos parece óbvio pode ser desco- sões, as propostas, as resoluções e as deliberações ocorri-
nhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre das em reuniões e eventos que exigem registro.
certos assuntos em decorrência de nossa experiência pro- ( ) Certo ( ) Errado
fissional muitas vezes faz com que os tomemos como de
conhecimento geral, o que nem sempre é verdade. Explici- Ata é um documento administrativo que tem a finali-
te, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o sig- dade de registrar de modo sucinto a sequência de eventos
nificado das siglas e abreviações e os conceitos específicos de uma reunião ou assembleia de pessoas com um fim
que não possam ser dispensados.” específico. É característica da Ata apresentar um resumo,
(Manual de Redação Oficial da Presidência da Repúbli- cronologicamente disposto, de modo infalível, de todo o
ca. p. 14). desenrolar da reunião.
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
Sobre a Redação Oficial, pode-se concluir que redacao_oficial_ata/)
(A) a concisão de um texto está relacionada ao grau de RESPOSTA: “ERRADO”.
especificação dos termos. 10-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011) Se-
(B) a padronização de termos e conceitos viabiliza a gundo o Manual de Redação da Presidência da República,
uniformidade dos documentos. NÃO se deve usar Vossa Excelência para
(C) a revisão possibilita a substituição de termos, mui- (A) embaixadores.
tas vezes, desconhecidos pelo leitor. (B) conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais.
(D) claro é o texto que exige releituras mais aprofun- (C) prefeitos municipais.
dadas. (D) presidentes das Câmaras de Vereadores.
(E) vereadores.
Através da leitura do excerto e das próprias alterna-
tivas, chegamos à conclusão de que um texto, principal- (...) O uso do pronome de tratamento Vossa Senhoria
mente oficial, deve priorizar a revisão. (abreviado V. Sa.) para vereadores está correto, sim. Numa
RESPOSTA: “C”. Câmara de Vereadores só se usa Vossa Excelência para o
seu presidente, de acordo com o Manual de Redação da
8-) (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013) O expe- Presidência da República (1991).
diente adequado para a comunicação entre ministros de (Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-
Estado é a mensagem. detail.php?id=393)
( ) Certo ( ) Errado RESPOSTA: “E”.

112
LÍNGUA PORTUGUESA

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES (C) Um levantamento mostrou que os adolescentes


americanos consomem, em média, 357 calorias diárias des-
1-) (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC/ sa fonte.
SP – ADMINISTRADOR - VUNESP/2013) Assinale a al- (D) Um levantamento, (X) mostrou que os adolescentes
ternativa correta quanto à concordância, de acordo americanos, (X) consomem (X) em média (X) 357 calorias
com a norma-padrão da língua portuguesa. diárias dessa fonte.
(A) A má distribuição de riquezas e a desigualdade (E) Um levantamento mostrou que os adolescentes
social está no centro dos debates atuais. americanos, (X) consomem (X) em média (X) 357 calorias
(B) Políticos, economistas e teóricos diverge em re- diárias, (X) dessa fonte.
lação aos efeitos da desigualdade social.
(C) A diferença entre a renda dos mais ricos e a dos RESPOSTA: “C”.
mais pobres é um fenômeno crescente.
(D) A má distribuição de riquezas tem sido muito 3-) (TRT/RO E AC – ANALISTA JUDICIÁRIO –
criticado por alguns teóricos. FCC/2011) Estão plenamente observadas as normas de
(E) Os debates relacionado à distribuição de rique- concordância verbal na frase:
zas não são de exclusividade dos economistas. a) Destinam-se aos homens-placa um lugar visível
nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é suprimida a
Realizei a correção nos itens: visibilidade social.
(A) A má distribuição de riquezas e a desigualdade so- b) As duas tábuas em que se comprimem o famige-
cial está = estão rado homem-placa carregam ditos que soam irônicos,
(B) Políticos, economistas e teóricos diverge = diver- como “compro ouro”.
gem c) Não se compara aos vexames dos homens-placa
(C) A diferença entre a renda dos mais ricos e a dos a exposição pública a que se submetem os guardadores
mais pobres é um fenômeno crescente. de carros.
(D) A má distribuição de riquezas tem sido muito criti- d) Ao se revogarem o emprego de carros-placa na
cado = criticada propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma de-
(E) Os debates relacionado = relacionados monstração de mau gosto.
e) Não sensibilizavam aos possíveis interessados
RESPOSTA: “C”. em apartamentos de luxo a visão grotesca daqueles ve-
lhos carros-placa.
2-) (COREN/SP – ADVOGADO – VUNESP/2013) Se-
guindo a norma-padrão da língua portuguesa, a frase Fiz as correções entre parênteses:
– Um levantamento mostrou que os adolescentes ame- a) Destinam-se (destina-se) aos homens-placa um lu-
ricanos consomem em média 357 calorias diárias dessa gar visível nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é supri-
fonte. – recebe o acréscimo correto das vírgulas em: mida a visibilidade social.
(A) Um levantamento mostrou, que os adolescentes b) As duas tábuas em que se comprimem (comprime)
americanos consomem em média 357 calorias, diárias o famigerado homem-placa carregam ditos que soam irô-
dessa fonte. nicos, como “compro ouro”.
(B) Um levantamento mostrou que, os adolescentes c) Não se compara aos vexames dos homens-placa a
americanos consomem, em média 357 calorias diárias exposição pública a que se submetem os guardadores de
dessa fonte. carros.
(C) Um levantamento mostrou que os adolescentes d) Ao se revogarem (revogar) o emprego de carros
americanos consomem, em média, 357 calorias diárias -placa na propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma
dessa fonte. demonstração de mau gosto.
(D) Um levantamento, mostrou que os adolescentes e) Não sensibilizavam (sensibilizava) aos possíveis in-
americanos, consomem em média 357 calorias diárias teressados em apartamentos de luxo a visão grotesca da-
dessa fonte. queles velhos carros-placa.
(E) Um levantamento mostrou que os adolescentes
americanos, consomem em média 357 calorias diárias, RESPOSTA: “C”.
dessa fonte.
4-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011)
Assinalei com um “X” onde há pontuação inadequada Assinale a palavra que tenha sido acentuada seguindo a
ou faltante: mesma regra que distribuídos.
(A) Um levantamento mostrou, (X) que os adolescentes (A) sócio
americanos consomem (X) em média (X) 357 calorias, (X) (B) sofrê-lo
diárias dessa fonte. (C) lúcidos
(B) Um levantamento mostrou que, (X) os adolescentes (D) constituí
americanos consomem, em média (X) 357 calorias diárias (E) órfãos
dessa fonte.

113
LÍNGUA PORTUGUESA

Distribuímos = regra do hiato (...) O uso do pronome de tratamento Vossa Senhoria


(A) sócio = paroxítona terminada em ditongo (abreviado V. Sa.) para vereadores está correto, sim. Numa
(B) sofrê-lo = oxítona (não se considera o pronome Câmara de Vereadores só se usa Vossa Excelência para o seu
oblíquo. Nunca!) presidente, de acordo com o Manual de Redação da Presi-
(C) lúcidos = proparoxítona dência da República (1991).
(D) constituí = regra do hiato (diferente de “constitui” (Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-
– oxítona: cons-ti-tui) detail.php?id=393)
(E) órfãos = paroxítona terminada em “ão”
RESPOSTA: “E”.
RESPOSTA: “D”.
7-) (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
5-) (TRT/PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2012) ... valores e princípios que sejam percebidos pela
A concordância verbal está plenamente observada na sociedade como tais.
frase:
Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo
(A) Provocam muitas polêmicas, entre crentes e
passará a ser, corretamente,
materialistas, o posicionamento de alguns religiosos e
(A) perceba.
parlamentares acerca da educação religiosa nas escolas
(B) foi percebido.
públicas.
(B) Sempre deverão haver bons motivos, junto (C) tenham percebido.
àqueles que são contra a obrigatoriedade do ensino (D) devam perceber.
religioso, para se reservar essa prática a setores da ini- (E) estava percebendo.
ciativa privada.
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do tex- ... valores e princípios que sejam percebidos pela so-
to, contra os que votam a favor do ensino religioso na ciedade como tais = dois verbos na voz passiva, então te-
escola pública, consistem nos altos custos econômicos remos um na ativa: que a sociedade perceba os valores e
que acarretarão tal medida. princípios...
(D) O número de templos em atividade na cidade
de São Paulo vêm gradativamente aumentando, em RESPOSTA: “A”
proporção maior do que ocorrem com o número de es-
colas públicas. 8-) (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação A concordância verbal e nominal está inteiramente
como a regulação natural do mercado sinalizam para correta na frase:
as inconveniências que adviriam da adoção do ensino (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e
religioso nas escolas públicas. valores que determinam as escolhas dos governantes,
para conferir legitimidade a suas decisões.
(A) Provocam = provoca (o posicionamento) (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes
(B) Sempre deverão haver bons motivos = deverá haver devem ser embasados na percepção dos valores e prin-
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do texto, cípios que regem a prática política.
contra os que votam a favor do ensino religioso na escola (C) Eleições livres e diretas é garantia de um verda-
pública, consistem = consiste. deiro regime democrático, em que se respeita tanto as
(D) O número de templos em atividade na cidade de liberdades individuais quanto as coletivas.
São Paulo vêm gradativamente aumentando, em propor- (D) As instituições fundamentais de um regime de-
ção maior do que ocorrem = ocorre
mocrático não pode estar subordinado às ordens indis-
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação como
criminadas de um único poder central.
a regulação natural do mercado sinalizam para as inconve-
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados
niências que adviriam da adoção do ensino religioso nas
para o momento eleitoral, que expõem as diferentes
escolas públicas.
opiniões existentes na sociedade.
RESPOSTA: “E”. Fiz os acertos entre parênteses:
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e va-
6-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011) lores que determinam as escolhas dos governantes, para
Segundo o Manual de Redação da Presidência da Repú- conferir legitimidade a suas decisões.
blica, NÃO se deve usar Vossa Excelência para (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes de-
(A) embaixadores. vem (deve) ser embasados (embasada) na percepção dos
(B) conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais. valores e princípios que regem a prática política.
(C) prefeitos municipais. (C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver-
(D) presidentes das Câmaras de Vereadores. dadeiro regime democrático, em que se respeita (respei-
(E) vereadores. tam) tanto as liberdades individuais quanto as coletivas.

114
LÍNGUA PORTUGUESA

(D) As instituições fundamentais de um regime demo- 11-) (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010)
crático não pode (podem) estar subordinado (subordina- A pontuação está inteiramente adequada na frase:
das) às ordens indiscriminadas de um único poder central. a) Será preciso, talvez, redefinir a infância já que as
(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) vol- crianças de hoje, ao que tudo indica nada mais têm a
tados (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex- ver com as de ontem.
põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade. b) Será preciso, talvez redefinir a infância: já que
as crianças, de hoje, ao que tudo indica nada têm a ver,
RESPOSTA: “A”. com as de ontem.
c) Será preciso, talvez: redefinir a infância, já que
9-) (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) as crianças de hoje ao que tudo indica, nada têm a ver
A frase que admite transposição para a voz passiva é: com as de ontem.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sa- d) Será preciso, talvez redefinir a infância? - já que
grado. as crianças de hoje ao que tudo indica, nada têm a ver
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma com as de ontem.
grande diversidade de fenômenos. e) Será preciso, talvez, redefinir a infância, já que
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da so- as crianças de hoje, ao que tudo indica, nada têm a ver
ciedade, a própria sociedade e seu instrumento de uni- com as de ontem.
ficação.
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto Devido à igualdade textual entre os itens, a apresenta-
da vida (...). ção da alternativa correta indica quais são as inadequações
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar ilu- nas demais.
dido e da falsa consciência.
RESPOSTA: “E”.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagra-
do. 12-) (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE –
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma ALUNO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012)
grande diversidade de fenômenos. No trecho: “O crescimento econômico, se associado à
- Uma grande diversidade de fenômenos é unificada e ampliação do emprego, PODE melhorar o quadro aqui
explicada pelo conceito... sumariamente descrito.”, se passarmos o verbo desta-
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- cado para o futuro do pretérito do indicativo, teremos
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. a forma:
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da A) puder.
vida (...). B) poderia.
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido C) pôde.
e da falsa consciência. D) poderá.
E) pudesse.
RESPOSTA: “B”.
Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito do
10-) (MPE/AM - AGENTE DE APOIO ADMINISTRA- Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós pode-
TIVO - FCC/2013) “Quando a gente entra nas serrarias, ríamos, vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração
vê dezenas de caminhões parados”, revelou o analista é crescimento econômico (singular), portanto, terceira pes-
ambiental Geraldo Motta. soa do singular (ele) = poderia.
Substituindo-se Quando por Se, os verbos subli-
nhados devem sofrer as seguintes alterações: RESPOSTA: “B”.
(A) entrar − vira
(B) entrava − tinha visto 13-) (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011)
(C) entrasse − veria Entre as frases que seguem, a única correta é:
(D) entraria − veria a) Ele se esqueceu de que?
(E) entrava − teria visto b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para dis-
tribui-lo entre os presentes.
Se a gente entrasse (verbo no singular) na serraria, ve- c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas
ria = entrasse / veria. críticas.
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindica-
RESPOSTA: “C”. ções dos funcionários.
e) Não sei por que ele mereceria minha conside-
ração.

115
LÍNGUA PORTUGUESA

(A) Ele se esqueceu de que? = quê? (A) … soubemos respeitar os mais velhos! / E quan-
(B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para do eles falaram nós calamos a boca!
distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes. (B) … saberíamos respeitar os mais velhos! / E quan-
(C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos ex- do eles falassem nós calaríamos a boca!
cessivos nas críticas. (C) … soubéssemos respeitar os mais velhos! / E
(D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindi- quando eles falassem nós calaríamos a boca!
cações dos funcionários. (D) … saberemos respeitar os mais velhos! / E quan-
(E) Não sei por que ele mereceria minha consideração. do eles falarem nós calaremos a boca!
(E) … sabemos respeitar os mais velhos! / E quando
eles falam nós calamos a boca!
RESPOSTA: “E”.
No presente: nós sabemos / eles falam.
14-) (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINIS-
TRATIVO - VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as
RESPOSTA: “E”.
frases do texto:
I, Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota ne- 16-) (UNESP/SP - ASSISTENTE TÉCNICO ADMINIS-
gativa... TRATIVO - VUNESP/2012) A correlação entre as formas
II,... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior clas- verbais está correta em:
sificação do continente americano (2,0)... (A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o
Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases planeta não resistiu.
I e II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem (B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto
dos exemplos, em: poder de consumo, o planeta em breve sofrerá um co-
(A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o lapso.
próximo ano. Será que alguém tem opinião diferente (C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebi-
da maioria? da, o do jogo, o do sexo e o do consumo não conheces-
(B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas ju- se distorções patológicas, não haverá vícios.
ninas. Vêm pessoas de muito longe para brincar de qua- (D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tor-
drilha. nado tão eficientes, talvez as coisas não ficaram tão
(C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. baratas.
Quase todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia. (E) Se as pessoas não se propuserem a consumir cons-
(D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, cientemente, a oferta de produtos supérfluos crescia.
mas também existem umas que não merecem nossa
atenção. Fiz as correções necessárias:
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam. (A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o plane-
ta não resistiu = resistirá
Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos (B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto
aos itens: poder de consumo, o planeta em breve sofrerá um colapso.
(C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebida,
(A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém
o do jogo, o do sexo e o do consumo não conhecesse dis-
tem (singular)
torções patológicas, não haverá = haveria
(B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
(D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tornado
(C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quise-
tão eficientes, talvez as coisas não ficaram = ficariam (ou
ram (plural) teriam ficado)
(D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem (E) Se as pessoas não se propuserem a consumir cons-
umas (plural) cientemente, a oferta de produtos supérfluos crescia =
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas crescerá
as formas estão no plural)
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “A”.
17-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁ-
15-) (CETESB/SP - ANALISTA ADMINISTRATIVO - RIA – VUNESP/2010) Assinale a alternativa que preen-
RECURSOS HUMANOS - VUNESP/2013 - ADAPTADA) che adequadamente e de acordo com a norma culta a
Considere as orações: … sabíamos respeitar os mais lacuna da frase: Quando um candidato trêmulo ______ eu
velhos! / E quando eles falavam nós calávamos a boca! lhe faria a pergunta mais deliciosa de todas.
Alterando apenas o tempo dos verbos destacados (A) entrasse
para o tempo presente, sem qualquer outro ajuste, (B) entraria
tem-se, de acordo com a norma-padrão da língua por- (C) entrava
tuguesa: (D) entrar
(E) entrou

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LÍNGUA PORTUGUESA

O verbo “faria” está no futuro do pretérito, ou seja, in- (C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após
dica que é uma ação que, para acontecer, depende de ou- = oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato
tra. Exemplo: Quando um candidato entrasse, eu faria / Se (D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona
ele entrar, eu farei / Caso ele entre, eu faço... terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em
“o” + “s”
RESPOSTA: “A”. (E) república = proparoxítona / empresária = paroxíto-
na terminada em ditongo / graúda = regra do hiato
18-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁ-
RIA – VUNESP/2010 - ADAPTADA) RESPOSTA: “E”.
Assinale a alternativa de concordância que pode ser
considerada correta como variante da frase do texto – 20-) (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU-
A maioria considera aceitável que um convidado che- NESP/2013) De acordo com a norma- padrão da
gue mais de duas horas ... língua portuguesa, o acento indicativo de crase está
(A) A maioria dos cariocas consideram aceitável corretamente empregado em:
que um convidado chegue mais de duas horas... (A) A população, de um modo geral, está à espera
(B) A maioria dos cariocas considera aceitáveis que de que, com o novo texto, a lei seca possa coibir os aci-
um convidado chegue mais de duas horas... dentes.
(C) As maiorias dos cariocas considera aceitáveis (B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à
que um convidado chegue mais de duas horas... repensarem a sua postura.
(D) As maiorias dos cariocas consideram aceitáveis (C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos
que um convidado chegue mais de duas horas... à punições muito mais severas.
(E) As maiorias dos cariocas consideram aceitável (D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco
que um convidado cheguem mais de duas horas... a vida dos demais motoristas e de pedestres.
(E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumpri-
Fiz as indicações: mento da nova lei para que ela possa funcionar.
(A) A maioria dos cariocas consideram (ou considera,
tanto faz) aceitável que um convidado chegue mais de
(A) A população, de um modo geral, está à espera (dá
duas horas...
para substituir por “esperando”) de que
(B) A maioria dos cariocas considera (ok) aceitáveis
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à re-
(aceitável) que um convidado chegue mais de duas horas...
pensarem (antes de verbo)
(C) As (A) maiorias (maioria) dos cariocas considera (ok)
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à
aceitáveis (aceitável) que um convidado chegue mais de
punições (generalizando, palavra no plural)
duas horas.