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terça-feira,

14 de agosto de 2018 07:41

Objeto do Dipri
• Concepção mais ampla (francesa)
○ Nacionalidade
○ Condição jurídica de estrangeiro
○ Conflito de leis
○ Conflito de jurisdições
- Exemplo: Homem nascido em Paris, de pais brasileiros, casado com uma
francesa, que tenha firmado, na capital francesa, juntamente com sua
esposa, com quem é casado pelo regime da separação de bens, um contrato
de compra de controle acionário de uma sociedade brasileira, proprietária de
um órgão jornalístico e que descumpre as obrigações assumidas com o
vendedor.
Críticas a denominação
○ Internacional
○ Privado
- Conflito de leis de regiões ou províncias integraria o objeto do dipri?
Monista (Kelsen) x Dualista
- Brasil: Monismo moderado
Fontes do DIPRI?
§ Leis
§ Tratados
§ Costume internacional
§ Jurisprudência
§ Doutrina
§ Princípios gerais do direito
- Objeto de conexão + Elemento de conexão
Elementos de conexão:
§ Nacionalidade (lex patriae)
§ Domicílio (lex domicilii)
§ Lex rei
§ Lex
§ Lex
§ Lex
§ Lex
§ Lex
§ Lex rei
§ Lex
§ Lex
§ Lex
§ Lex
§ Lex
§ Lex

Determinadas questões jurídicas surgem em decorrência das relações globalizadas


estabelecidas entre os particulares. No entanto, em determinadas situações, há
conflitos entre as legislações dos Estados envolvidos.

A primeira crítica à denominação "direito internacional privado" refere-se a


afirmação de que se trata de uma direito internacional. Na verdade, a maior parte
das leis que integram o DIPRI são leis internas. Preponderantemente, são as
normas internas de cada Estado que trazem as normas de Direito internacional
privado. No caso do Direito Internacional Público, há uma incidência maior de
tratados e convenções, que são normas estabelecidas entre os estados membros.

A segunda crítica refere-se a ideia de que um direito internacional lidaria com


interesses de Estados, no entanto, o direito cuida das relações de pessoas, relações
pessoais.

A terceira crítica refere-se ao fato de que o direito internacional privado envolve


também alguns aspectos do direito público. Por exemplo, esse direito traz algumas
regras de competência.

Em relação ao objeto do DIPRI, há uma certa divergência doutrinária. Alguns


autores entendem que o dipri só diria respeito a conflito de leis e convenções,
outros que só diria respeito a definição da lei aplicada. No entanto, hoje vem sendo
adotada pela doutrina a concepção francesa, que é mais ampla, ou seja, diz
respeito à caracterização do nacional de cada Estado e também abrangeria a
condição jurídica do estrangeiro. Ou seja, o direito do estrangeiro de entrar ou sair
de um país e também os direitos que ele possui estando nesse país. Além desses
dois objetos principais do dipri, temos também conflitos de leis (ou seja, dois
sistemas jurídicos que preveem normas que de alguma forma colidem, por isso
precisamos definir qual a legislação aplicável a cada hipótese) e conflito de
competência do judiciário, ou seja, qual será o juiz competente para aplicar aquela
norma.

"Homem nascido em Paris, de pais brasileiros, casado com uma francesa, que tenha
firmado, na capital francesa, juntamente com sua esposa, com quem é casado pelo
regime da separação de bens, um contrato de compra de controle acionário de
uma sociedade brasileira, proprietária de um órgão jornalístico e que descumpre as
obrigações assumidas com o vendedor." Caso retirado do livro da Carmen Tiburcio:

• Qual a nacionalidade? Brasileiro


firmado, na capital francesa, juntamente com sua esposa, com quem é casado pelo
regime da separação de bens, um contrato de compra de controle acionário de
uma sociedade brasileira, proprietária de um órgão jornalístico e que descumpre as
obrigações assumidas com o vendedor." Caso retirado do livro da Carmen Tiburcio:

• Qual a nacionalidade? Brasileiro


• Qual deve ser a lei aplicada nesse caso?
• Qual o juiz competente para analisar o descumprimento dessa obrigação?
• Todas essas questões serão objeto do DIPRI.
• São questões relevantes hoje, em que as pessoas se deslocam com mais
facilidade.

Outro ponto da doutrina diz respeito a conflito de leis de regiões e províncias que
integram o mesmo Estado. Poderia o DIPRI integrar também conflitos de normas,
regiões, províncias de um mesmo Estado nação?
Há uma divergência na doutrina em relação a isso. Para Pontes de Miranda e Oscar,
as leis deveriam ser decorrentes de soberanias diferentes, então o dipri não trataria
desse tipo de conflito. Haroldo Valadão entende que o dipri também abrange essas
relações, que não se restringem as relações dos Estados nações, mas também de
diferentes províncias ou regiões.

Essa relação entre o DIPRI e o Direito interno foi objeto de análise por muito
tempo.

Como se dará essa relação entre essas normas jurídicas produzidas internamente
dentro dos Estados no âmbito de suas soberanias e as normas internacionais, que
dizem respeito as normas entre estados diferentes?

Monista - O direito constitui um sistema único do qual decorreriam, integrariam o


Direito interno e o Direito Internacional. Por essa ótica, tem-se uma visão unitária
do Direito e a consequência prática disso é que não seria necessário nenhum
procedimento para internalizar as normas internacionais.

Monismo Moderado - Pela lógica dessa corrente, o juiz aplica tanto o direito
interno como o direito internacional, podendo a Constituição daquele estado nação
prever aquele procedimento de internalização.

Dualismo - O direito internacional regularia essa relação entre Estados e o Direito


interno regularia somente a relação entre pessoas dentro daquele Estado nação.
Nesse sentido, para aplicar a norma do direito internacional no Direito interno,
seria necessária uma internalização. Por serem dois sistemas distintos, um sistema
precisa autorizar a aplicação do outro (internalização).

Em tese, o Direito Brasileiro admite que possa existir o conflito entre uma norma
interna e uma norma internacional. Há elementos dos dois, é parte dualista e parte
monista. E em relação as fontes do DIPRI, temos as leis e, aqui no Brasil as
principais normas são a Lindb e o CC. Também temos tratados internacionais.
Em tese, o Direito Brasileiro admite que possa existir o conflito entre uma norma
interna e uma norma internacional. Há elementos dos dois, é parte dualista e parte
monista. E em relação as fontes do DIPRI, temos as leis e, aqui no Brasil as
principais normas são a Lindb e o CC. Também temos tratados internacionais.

A finalidade do DPRI é identificar e trazer normas que se chamam de sobre direito,


ou seja. A norma que vai definir, no conflito de outras normas, qual será a norma
aplicável. - sobre direito
Nessa situação, podemos ter conflitos de direito intertemporal (normas elaboradas
em momentos distintos, que precisam de definição quanto a aplicação da lei antiga
ou nova), inter espaciais (norma aplicada em um determinado local e norma
prevista em um outro Estado). Então, o direito internacional privado será
composto, principalmente, por essas normas indicativas. 'Elas não resolvem
propriamente a relação jurídica de direito material que está ali posta. Ela expõe,
sobre tudo, qual será o direito aplicado naquele caso.

Dentro desse contexto, para definir e identificar qual será a lei aplicável àquela
relação jurídica, é necessário analisar tanto o objeto de conexão (matéria contida
naquela relação jurídica) e o elemento de conexão (a norma, o critério utilizado
para indicar o Direito aplicado).

Para definir questões relativas a direito de família, teremos como elemento de


conexão o domicílio.

Os principais elementos de conexão (Não peguei essa parte, copiei do jusbrasil)

Lex Patriae: lei da nacionalidade da pessoa natural, pela qual se rege seu estatuto
pessoal e sua capacidade (país em que nasceu.
· Não há dispositivo específico.
Lex Domicili: lei do domicílio que rege o estatuto e a capacidade da pessoa natural, a
sucessão e o direito de família.
· LINDB arts 7º, 8º § 2º, 10.
Lex Loci Actus: lei do local da realização do ato jurídico para reger sua substância.
· LINDB art 7º § 1º.
Lex Regit Actus: lei do local da realização do ato jurídico para reger suas formalidades.
· LINDB art 9º § 1º.
Lex Loci Contractus: lei do local onde o contrato foi firmado para reger sua
interpretação e seu cumprimento.
· LINDB art 9º § 2º.
Lex Loci Solucionis: lei do local onde as obrigações ou a obrigação principal do contrato
deve ser cumprida.
· Não há dispositivo específico.
Lex Voluntatis: lei do país escolhida pelos contratantes (princípio da autonomia das
vontades).
· Aplicável na Arbitragem.
Lex Loci Delict: lei do lugar onde o ato ilícito foi cometido, que rege a obrigação de
indenizar.
· CP art 5º
Lex Damni: lei do lugar onde se manifestaram as consequências do ato ilícito, para
reger a obrigação de indenizar.
vontades).
· Aplicável na Arbitragem.
Lex Loci Delict: lei do lugar onde o ato ilícito foi cometido, que rege a obrigação de
indenizar.
· CP art 5º
Lex Damni: lei do lugar onde se manifestaram as consequências do ato ilícito, para
reger a obrigação de indenizar.
· CP arts 5º, 6º e 7º.
Lex Rei Sitae (Lex Situs): a coisa é regida pela lei do local em que está situada.
· LINDB arts 8º e 12 § 1º.
Mobilia Sequntur Personam: o bem móvel é regido pela lei do local em que seu
proprietário está domiciliado.
· LINDB art 8º § 1º.
Lex Loci Celebrationis: o casamento é regido, no que tange às suas formalidades, pela
lei do local da sua celebração.
· LINDB art 7º § 1º.
The Proper Law at the Contract: indica o sistema jurídico com o qual o contrato tem
mais significativa relação (princípio da proximidade, centro de gravidade ou dos
vínculos mais estreitos).
· Não há dispositivo específico (DIPriv Americano e Britânico).
Lex Monetae: a lei do país em cuja moeda a dívida ou outra obrigação legal é expressa.
· Não há dispositivo específico.
Lex Loci Executionis: Lei da jurisdição em que se efetua a execução forçada de uma
obrigação (confunde com Lex Fori).
· Não há dispositivo específico.
Lex Fori: lei do foro, no qual se trava a demanda judicial.
· Não há dispositivo específico.
Lei mais Favorável: critério da lei mais benéfica, quando trata-se de proteção de
menores, trabalhadores, consumidores – lei que considera válido o ato (favor negotii).

Princípios do DIPRI:

1. Proximidade - deve ser regido pela lei do país que há mais íntima relação. Esse
princípio afasta uma abordagem mais técnica, priorizando as realidades sociais e
econômicas. Essa análise perpassaria por uma análise fática das peculiaridades
dessa situação.

2. Autonomia da Vontade - Aplicável sobretudo no âmbito dos contratos


internacionais

3. Princípio da proteção - Observa-se a aplicação desse princípio sobretudo em


relações internacionais de família, a proteção do filho nesse contexto.

4. Lei mais favorável - Recomenda-se a aplicação daquela lei que considera o ato
válido e eficaz. Aplica-se sobretudo em casos em que o princípio da proteção não
seja aplicado.