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+Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Direito

Trabalho de grupo de Ética e Deontologia Jurídica

2º Grupo
4º Ano/Laboral

ÉTICA DO ESTUDANTE DE DIREITO


ÉTICA NA PROFISSÃO JURÍDICA

Nampula
2019
Universidade Católica de Moçambique
Faculdade de Direito

Elementos do 2º Grupo:
Belmiro Carlos Augusto Alide
Célio Julião Emua
Nádia Porfírio
Sílvia Da Úrsula David
Stella Meireles Ramos dos Santos
Zéfora Carvalho José

Trabalho de carácter avaliativo da cadeira


de Ética e Deontologia Jurídica, I,
referente ao 1º semestre, curso de Direito,
4º ano, período laboral. Leccionada pelo
docente: M/A. Tomás

Nampula
2019
ÍNDICE
Introdução ................................................................................................................................... 2

1 CAPÍTULO I: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS .................................................................. 3

1.1 Etimologia do termo “ética” ..................................................................................... 3

1.2 Conceito de ética ...................................................................................................... 3

1.3 Ética profissional ...................................................................................................... 3

1.4 Deontologia Profissional .......................................................................................... 3

2 CAPÍTULO II: ÉTICA DO ESTUDANTE DE DIREITO ................................................ 4

2.1 Ética é assunto para todas as idades ......................................................................... 4

2.2 Ética do estudante de Direito ................................................................................... 4

2.3 Participação do estudante na vida académica .......................................................... 5

2.4 Deveres para consigo mesmo ................................................................................... 5

2.5 Relacionamento com o colega.................................................................................. 7

2.6 O relacionamento com os professores ...................................................................... 8

O estudante e a sociedade ................................................................................................. 10

2.7 A ética do professor de direito ............................................................................... 11

3 CAPÍTULO II: ÉTICA NA PROFISSÃO JURÍDICA .................................................... 11

3.1 Profissão ................................................................................................................. 11

3.2 Ética na profissão jurídica ...................................................................................... 11

3.3 Deontologia forense ............................................................................................... 12

3.4 Conduta ética na profissão jurídica ........................................................................ 12

3.5 O princípio fundamental da deontologia forense ................................................... 12

Conclusão ................................................................................................................................. 14

Referências bibliográficas ........................................................................................................ 15


Introdução
O presente trabalho tem como tema imprescindível e fulcral “Ética do Estudante de
Direito e Ética na profissão jurídica ” constitui uma abordagem bastante relevante, na medida
que a ética é conjunto de regras que visa regular o comportamento do ser humano enquanto
membro integrante de uma sociedade.

Também nota-se que a ética é considerada uma componente da grade curricular dos
cursos de Direito e, ainda, é a área do saber que se dedica a estimular e orientar o académico
para o desenvolvimento da consciência moral, o que inclui ter uma formação clara entre a
realidade e a actuação profissional, numa visão reflexiva da real função do Direito na
sociedade.
É de extrema relevância o estudo ético para o exercício da profissão jurídica, visto que
ocorre, no quotidiano da sociedade Moçambicana, a deparação com infindáveis situações, as
quais exigirão um mínimo de formação moral capaz de nortear o sentido da justiça.

Neste contexto, o grupo ira bordar conceitos imprescindíveis para percepção do tema em
alusão, iremos abordar aspectos da ética do estudante de Direito, a participação do estudante
na vida académica, ética do estudante de Direito, Deveres consigo mesmo, relacionamento
com colegas, bem como com os docentes. Não obstante, o grupo fará menção dos aspectos da
ética na profissão jurídica e dos princípios norteadores do profissional de Direito.

O trabalho encontra-se estruturado em três capítulos, nomeadamente:


Capítulo I: Noções Introdutórias;
Capítulo II: Ética do Estudante; e
Capítulo III: Ética na profissão jurídica.

Quanto aos aspectos metodológicos, o grupo usou o método dedutivo, e tipo de pesquisa
foi a pesquisa qualitativa e bibliográfica.

Com a realização do trabalho, o grupo tem como objectivo contribuir e proporcionar


reflexões necessárias para mudanças que se fazem a cada dia mais urgentes na conduta ética
do estudante de Direito e, posteriormente, no profissional que actuará na área jurídica.

2
1 CAPÍTULO I: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
1.1 Etimologia do termo “ética”
Etimologicamente, o termo “ética” vem do grego ethos. Quando escrito éthos, com acento
agudo (em grego, inicia com a letra épsilon), representa a ideia fundamental de usos,
costumes, que na vida de um povo ocupam um lugar importante no conceito próprio de
moralidade, e, portanto, identificando-se mais com a moral1.
1.2 Conceito de ética
Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. É uma ciência, pois
tem objecto próprio, leis próprias e método próprio, na singela identificação do carácter
científico de um determinado ramo do conhecimento2. O objecto da Ética é a moral. A moral
é um dos aspectos do comportamento humano. A expressão moral deriva da palavra romana
mores, com o sentido de costumes, conjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de
sua prática.
1.2.1 Fundamento da ética
Segundo Sertillanges, a ética é a ciência do que homem dever ser em função daquilo
que ele é. Neste contexto, conclui-se que a ética tem como fundamento o próprio ser do
homem, é a natureza que surge a fonte de seu comportamento3.
1.3 Ética profissional
A ética profissional é a aplicação da ética geral no campo das actividades profissionais,
isto é, a pessoa tem que estar imbuída de certos princípios ou valores próprios do ser humano
para vivência nas suas actividades laborais4.
1.4 Deontologia Profissional
Deontologia profissional é o conjunto de normas jurídicas pelas quais um determinado
profissional deve pautar o seu comportamento. A deontologia de uma determinada profissão
inclui, assim, as regras éticas e jurídicas no caso dos profissionais existe uma preocupação do
legislador destes profissionais através da Lei.

1
LAISSONE, Elton João C, et al; Manual Geral de Ética, Beira, 2017. Pág. 3-4.
2
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 7ª Edição Revista, Actualizada e ampliada, Editora do
Tribunais, Brasil, 2009. Pág. 15.
3
CAMARGO, Marcolino, Fundamentos de ética geral e profissional, Editora Vozes, Brasil, 1999. Pág.17.
4
Idem, pág.31-32.
3
2 CAPÍTULO II: ÉTICA DO ESTUDANTE DE DIREITO
2.1 Ética é assunto para todas as idades
Preocupar-se com a conduta ética não é privativo dos idosos ou dos formados, assim
como o aprendizado técnico é uma gradual evolução sem previsão de termo final, assimilar
conceitos éticos e empenhar-se em vivencia-los deve ser tarefa com a duração da vida.
As crianças precisavam receber noções de postura compatíveis com as necessidades de
convivência, pois não é fácil treinar para a verdade, para lealdade, para o companheirismo e a
solidariedade a que quem nasce numa era competitiva, onde se deve levar vantagem em tudo.
Mas, nem por isso deve abandonar o projecto de torná-las mais sensíveis e solidarias. EE hora
de desobstruir canais pouco utilizados como os sentimentos, as sensações e a intuição.5
Se a humanidade não se converter e não vivenciar a solidariedade, pouca esperança
haverá de subsistência de um padrão civilizatório preservador da dignidade.
A melhor lição é o exemplo, pois não se pode esperar de escolares cujas mães quase se
agridem fisicamente na disputa de vaga para estacionar seu carro a saída da escola venham a
se portar eticamente quando adultos.
2.2 Ética do estudante de Direito
O estudante de Direito optou por uma carreira cujo núcleo é trabalhar com o certo e com
o errado. Ele tem, responsabilidade mais intensificada, diante dos estudantes destinados a
outras carreiras, de conhecer o que é moralmente certo e o que vem a ser eticamente
reprovável.6
Na Faculdade de Direito ele desenvolverá essa formação ética inicial, e depois de
cinco anos queira-se ou não, estará ele entregue a um mercado de trabalho com normativa
ética bem definida.
É ilusão acreditar que o salto qualitativo nas carreiras jurídicas, a depender de um
incremento ético de seus integrantes decorra de um processo de aperfeiçoamento espontâneo
da comunidade. O momento de se pensar em ética era ontem, ano amanha, pois o futuro
cobrará do profissional postura cujo fundamento-lhe não entenderá perfeitamente e de cuja
experiência não dispõe, pois nada se lhe transmitiu ou cobrou.7

5
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 4. Edição revista, aumentada e actualizada, Editora da
Revista dos Tribunais São Paulo, , 2004, pág. 168.
6
Idem, pág. 169.
7
Ibidem, pág.170.
4
O entusiasmo da mocidade e o convívio com heterogeneidades próprias à actual
formação jurídica se encarregaram de fornecer aos mais lúcidos os instrumentos de sua
conversão em profissional irrepreensivelmente ético.

2.3 Participação do estudante na vida académica


O processo de preparação para enfrentar a vida social dá condições para que se
adquiram valores que marcarão as decisões a serem tomadas durante o exercício de futuras
actividades. Da natureza dos conhecimentos adquiridos decorre a oportunidade de formação
de cidadãos capazes de desempenhar um papel fundamental na sociedade. O interesse em
preencher os requisitos importantes para uma profícua participação académica subentende a
necessidade do aperfeiçoamento para o exercício da cidadania.
A participação do Estudante na vida concreta do direito é essencial. Sem dúvida, as
contribuições das Universidades, Faculdades e dos professores são fundamentais para
proporcionar aos Estudantes uma formação consciente, numa tentativa de desenvolver acções
que neutralizam o descrédito crescente do estudante em relação a situações que vêm
ocorrendo; como exemplo, pode-se citar: a corrupção, a lentidão nos processos, o
desemprego, enfim, vários outros factores que contribuem para o enfraquecimento e possíveis
ilusões que se acenam para os incautos na sociedade vigente.
Falta a esses estudantes a percepção de que uma dedicação maior à vida académica
leva à maior qualificação profissional e à gratificante posição de representante da consciência
pública. Formando-se, portanto, um cidadão que velará para que menos arbitrariedades sejam
cometidas8.
2.4 Deveres para consigo mesmo
Os princípios que regem a conduta humana devem contemplar, em primeiro lugar, os
deveres postos em relação a própria pessoa, pois ninguém contesta a existência de deveres
para com a própria identidade. Assim, o dever de subsistir, ínsito ao instinto de sobrevivência,
o dever de se manter corporal e espiritualmente hígido, o dever de higiene pessoal e de se
apresentar em condições compatíveis com o local, momentos e circunstâncias.9
A criatura humana é destinada a perfectibilidade, pois todos podem tornar-se cada dia
melhor. Esse é um projecto individual que depende apenas de cada consciência. Ao se propor
a estudar Direito, o estudante assume um compromisso que é o de realmente estudar.

8
NALINI, José Renato, Ob. Cit. Pág. 219.
9
Idem, Pág. 170.
5
A juventude é naturalmente inquieta e revoltada contra a injustiça, pois fora
despertada a descobrir a potencialidade do Direito para solução de todas as grandes
indagações do final do milénio e mergulharia num projecto de transformação do mundo com
início na conversão pessoal, onde tal conversão causa da justiça e justiça que tem início em se
auto propiciar um curso de Direito de melhor qualidade.
O primeiro dever do estudante de Direito é se manter lúcido e consciente, indagar-se
sobre o seu papel no mundo, a missão que lhe foi confiada e que depende, exclusivamente, de
sua vontade atingindo discernimento, o estudo continuo, sério e aprofundado será
consequência natural. A pessoa lucida sabe que é pode, no seu universo pequeno
insignificante lhe pareça transformar o mundo.10
Estimuladas por um alunado entusiasta, reagirá para converter a Faculdade de Direito
em usina de criatividade, concretizado a reforma do ensino jurídico hoje delineado. Tanto
pode ser feito pelo universitário de Direito para melhorar a situação dos seus semelhantes,
basta, para isso, accionar a sua vontade. Assim, os mutirões jurídicos para resolver problemas
de documentação das pessoas necessitadas, o atendimento para a resolução de dúvidas
jurídicas, as cruzadas da cidadania, para alertar a população quanto aos seus direitos.
Muitos projectos especiais podem ser desenvolvidos e já encontram exemplos em
inúmeras Faculdades. A Faculdade é formadora de líderes, e estes precisam treinar os seus
talentos de liderança, de maneira a estarem preparados quando recorrerem a eles na vida
profissional.
O treino político auxilia o enfrentamento de tensão dialéctica, sem qual o Direito não
opera. Se existe pretensão a uma ética na política esse paradigma há-de iniciar na disputa
democrática dos cargos directoriais, para que a política propriamente dita não perca
qualidade.11
O estudante de Direito deve procurar agir eticamente e ser virtuoso desde os bancos
escolares. A prática de virtude não significa perder a alegria, renunciar ao prazer ou aos jogos
lúdicos de sua idade. Ser virtuoso não equivale a ser circunspecto, árido, azedo mal-
humorado. A verdadeira virtude é aquela que Aristóteles já encontrava na parte superior na
alma sobre a forma dúplice12: a sabedoria, a considerar as supremas razões dos seres e a
sabedoria pratica.

10
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 4. Edição revista, aumentada e actualizada, Editora da
Revista dos Tribunais São Paulo, 2004 pág. 171.
11
Idem, Pág.173
12
Ibidem, pág. 173.
6
Todo sistema ético está centrado na sabedoria pratica, pois as tendências, apetites e
desejos deve estar num justo meio-termo, no equilíbrio que deriva da prudência. A ideia de
moderação, ou de justo, consiste em fazer o que se deve, quando se deve nas devidas
circunstâncias, em relação às pessoas as quais se deve, para o fim devido e como é devido.13
A reiteração de condutas equilibradas conduz a racionalidade, pois quando se é
racional, pode-se afirmar que a virtude triunfou. O ser humano venceu a paixão, que não
deixa de ser paixão, mas segue racionalizada.
A ética serve para alimentar discussões teóricas, mas para a vidas. Se não houver
compromisso de viver eticamente, o estudo e o aprendizado da ética nada servirá.14
2.5 Relacionamento com o colega
O companheirismo académico é sempre espontâneo e prazeroso. Os anos passados na
Universidade, soam dos mais felizes na vida de qualquer profissional pois costuma se
recordar com saudades desse tempo que, enquanto transcorre, é célere e inconsequente.
Mesmo assim, a massificação do ensino fez com que algumas práticas fossem
relegadas. As antigas turmas das academias tradicionais levavam muito a sério a circunstância
de integrarem homogéneo grupo que, a partir da formatura, era designado pelo respectivo ano.
Os laços de convívio eram verdadeiramente fraternos, onde as turmas seguiam unidas pela
vida, reunindo-se a cada aniversário de formatura, irmanadas na memória de um tempo de
sadia e boa de convivência.
Um dever ético para com o colega é conhece-lo, identifica-lo pelo nome, participar da
sua vida, ser solidário nas dores e nas alegrias, pois não se está por acaso na mesma turma,
essa é a oportunidade de fazer amigos, de se irmanar com aqueles que estão submetidos aa
mesma experiência convivida em tempo idêntico. EE triste respirar o mesmo ar de um
semelhante dias, meses e anos seguidos, sem chegar a apreender o universo de suas
qualidades e partilhar com ele as próprias angústias.15
Interessar-se pelo colega leva também a um dever ético de solidariedade, onde a
ausência de um companheiro durante alguns dias deve motivar a indagação da classe e a sua
proposta de auxilia-lo a enfrentar eventual problema. E, de maneira idêntica, a ética impõe
que se visite o colega acidentado ou enfermo, que se faça presente no funeral do seu familiar,
que se compareça à sua casa quando convidado. Exactamente como se faz com os amigos,

13
ARISTOTELES, Ética a Nicomaco, V
14
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, Editora Revista dos Tribunais LTDA, Brasil, 1997.
Pág.174.
15
Idem, Pág. 174.
7
não se exclui a oportunidade de se proceder a uma colecta, sem alarde e sem constranger o
beneficiado, quando algo lhe tenha ocorrido que impeça de satisfazer as mensalidades ou
taxas de Faculdade.
2.6 O relacionamento com os professores
Recrutam-se professores para a Faculdade de Direito, dentre os profissionais existosos
em suas respectivas carreiras, os formados em Direitos, fornecendo assim quadros para o
poder judiciário do Estado, e instituições prestigiadas como o Ministério Públio e a Advocacia
que ambas essências a administração da Justiça16.
Tal circunstância vai condicionar o perfil do professor de Direito. O juiz é convidado a
leccionar porque venceu o severo concurso de ingresso e tornou-se expressão da soberania
estatal. Não se indaga sobre seus pendores didáctico-pedagógicos. A exigência de uma
formação para o magistério sempre foi encarada com resistência pelos operadores jurídicos.
A questão é realmente polémica. O sucesso na carreira já credencia o profissional
como vitorioso, apto a demonstrar com sua experiência que a opção do estudante está no recto
caminho, valeu a pena e propicia êxito. Nem sempre, contudo, a proficiência na carreira se faz
acompanhar por inequívocos dotes na transmissão do conhecimento. Profissionais de
reconhecido prestígio não, são professores de mérito. Outros há, privilegiados, que acumulam
as qualidades.
Novamente se invoque o princípio do justo-termo. O operador jurídico bem-sucedido,
respeitado em sua profissão, reveste condições para ser um educador eficiente. Para isso, não
constitui demasia reclamar-se formação específica. Não parece necessário um curso
universitário regular de pedagogia, mas algumas noções de didáctica, de metodologia do
ensino jurídico poderiam formar o formador, com reflexos evidentes na qualidade da
educação do Direito17.
Em virtude da especialíssima situação do corpo docente da Faculdade de Direito, nem
sempre o convívio com o alunado é o ideal. As turmas ainda são muito numerosas. Isso
impede o contacto pessoal entre professor e Estudante. É raro tenha o mestre condições de
identificar por nome os estudantes de sua classe. Não lhe é permitido trabalhar em grupos,
orientar estudos e privar da companhia dos seus discípulos.
O fato de dedicar-se a outra carreira, que é a responsável por seu sustento, faz com que
as aulas sejam objecto de preocupação secundária. A remuneração nas Faculdades não

16
NALINI, José Renato, Ob. Cit. Pág. 175.
17
Idem, pág. 176.
8
estimula o professor a uma dedicação mais intensa. Envolvido com seus afazeres
profissionais, devota-se ao ensino pelo tempo necessário à ministração das aulas. São factores
de distanciamento para os quais o Estudante deve atentar, pois os mestres do Direito sempre
são estimulados quando o discente demonstra um interesse genuíno por sua formação.
Todo universitário que fizer chegar ao seu mestre a pretensão legítima a uma
orientação intelectual direccionada a determinado concurso ou actividade sem dúvida será
bem recebido. A aproximação mestre/Estudante é sempre benéfica ao processo do
aprendizado. Nada obsta que o passo inicial parta do discípulo, se não brotar do próprio
mestre pequenos gestos denunciadores de respeito, como prestigiar a aula, atentar para a
exposição, indagar e contribuir para um debate fecundo18.
Os Estudantes de antigamente faziam saudação inicial aos professores, quando
tomavam contacto com eles pela primeira vez. Saudavam-nos no dia do professor e, a final,
agradeciam pela oportunidade de convivência acrescentadora de seus conhecimentos e
experiência.
Os tempos são outros. Mas as pessoas continuam as mesmas. Susceptíveis de se
sensibilizarem com gestos singelos, mas que predispõem o professor a conferir maior afinco à
missão de ensinar. Ética é também a conduta do Estudante que, tendo razões de queixa em
relação ao professor, as expõe ao próprio interessado, antes de procurar direcção ou entidade
mantenedora para solicitar a substituição do docente19.
Essa praxe até ocorre em grandes empresas de prestação educacional, onde o
consumidor é o Estudante e ele deve estar sempre satisfeito com o produto. Afasta-se ela,
todavia, do ideal ético da verdade, da transparência, da lealdade e da correcção. O profissional
do Direito deve enfrentar todas as questões de maneira frontal, sem se abrigar no anonimato é
sem recorrer a técnicas pouco preservadoras da dignidade do próximo.
A relação professor/Estudante deve ser franca, amistosa, cooperativa. Se assim for, o
ensino fluirá mais naturalmente, o aprendizado será um processo espontâneo. O encontro
entre estudantes de Direito menos experientes e mais experientes outra coisa não é o professor
deve ser uma parcela prazenteira do período regular de estudo. O ideal seria o estabelecimento
de laços de amizade entre eles. Onde existe afeição, a conduta ética virá por acréscimo,
desnecessárias profundas cogitações20

18
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 4. Edição revista, aumentada e actualizada, Editora da
Revista dos Tribunais São Paulo, 2004. Pág. 176.
19
Idem, pág. 176.
20
Ibidem, Pág. 177.
9
O estudante e a sociedade
Todo estudante é devedor da comunidade: em, que se integra. Para assegurar-lhe vaga
no sistema reconhecido de educação regular, ela investiu consideravelmente. Num país de
escassos recursos ante inesgotáveis necessidades, outros bens da vida foram sacrificados para
garantir essa oportunidade de conclusão do ciclo normal de formação.
O estudante deve devolver à sociedade um pouco daquilo que ela investiu nele,
mediante participação efectiva no processo político, não deixando de se interessar por
eleições, votando e podendo ser eleito, e mediante aproveitamento efectivo dos recursos
postos à sua disposição, E engano pensar que a mensalidade atende a todas as necessidades da
escola, todo estudante pode melhorar seu país21.
A nacionalidade parece haver despertado para a vergonha da miséria e o movimento
Comunidade solidária precisa de todos os moçambicanos, para reduzir os índices de exclusão
que envergonham qualquer compatriota. Inúmeras organizações não-governamentais “ONGs”
se prestam a motivar a comunidade a zelar por interesses descuidados e de cuja tutela pode
depender a própria subsistência da humanidade. Os detentores de funções públicas são
exercícios transitórios de um mandato outorgado pela cidadania. Esta tem o dever ético de
fiscalizar o eleito, para que a sua postura parlamentar ou de governo não se afaste do ideal
assinalado pela comunidade.
O estudante de Direito tem grande poder e a História está pontuada de episódios
heróicos em que a luta dos académicos serviu à defesa da democracia, da liberdade e da
ordem jurídica. Moçambique está a viver uma tem experiência democrática, de futuro ainda
condicionado ao êxito da estabilização económica. Por isso toda actuação académica tendente
ao fortalecimento democrático é bem-vinda22.
Frequentar aulas, estudar, fazer trabalhos, pesquisar e se submeter a avaliações é o
mínimo ético reclamado ao universitário. Mais do que isso, ele precisa ingressar na vida
política, num sentido bastante amplo, favorecendo com as luzes de seu conhecimento e com o
entusiasmo de sua juventude, a consecução de objectivos propiciadores de um futuro cada vez
mais digno à sua Pátria23

21
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 4. Edição revista, aumentada e actualizada, Editora da
Revista dos Tribunais São Paulo, 2004 Pág. 177.
22
Idem, Pág. 177.
23
Ibidem, Pág. 178.
10
2.7 A ética do professor de direito
Este tópico não está deslocado no capítulo dedicado à ética dos estudantes de Direito,
O professor de Direito não é senão um estudante qualificado, mais experiente e responsável
pelo despertar de outros colegas para viver a paixão fascinante pelas ciências jurídicas. O que
leva uma pessoa a aceitar uma função de professor de Direito24.
As respostas iodem ser múltiplas, A menos provável delas é a de que pretende, com isso,
sustentar-se e à família. A remuneração, quase sempre, chega a ser indecorosa, mesmo
naqueles estabelecimentos integrados em grandes empresas educacionais, voltadas
explorações de uma actividade lucrativa como uma outra qualquer no desenfreado capitalismo
da própria modernidade25.

3 CAPÍTULO II: ÉTICA NA PROFISSÃO JURÍDICA


3.1 Profissão
Sob enfoque eminentemente moral, conceitua-se profissão como uma actividade pessoal,
desenvolvida de maneira estável e honrada, ao serviço dos outros e a benefício próprio, de
conformidade com a própria vocação e em atenção à dignidade da pessoa humana26.
Convém o exame de alguns dos elementos contidos na definição. Dentre eles sobreleva o
aspecto de actividade a serviço dos outros. O exercício de uma profissão pressupõe um
conjunto organizado de pessoas, com racional divisão do trabalho, na consecução da
finalidade social: o bem comum.
3.2 Ética na profissão jurídica
Todas as profissões reclamam proceder ético. A disseminação de códigos deontológicos
de muitas categorias profissionais, médicos, engenheiros, dentistas, jornalistas, publicitários,
dentre outros, apenas evidencia a oportunidade e relevância do tema, por si permanente.
Na actividade profissional jurídica, porém, essa importância avulta. Pois o homem das
leis "examina o torto e o direito do cidadão no mundo social em que opera, é, a um tempo,
homem de estudo e homem público, persuasivo e psicólogo, orador e escritor. A sua acção
defensiva e a sua conduta incidem profundamente sobre o contexto social em que atua"27.

24
NALINI, José Renato, Ob. Cit. Pág. 178.
25
Idem, Pág.178.
26
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 7ª Edição Revista, Actualizada e ampliada, Editora do
Tribunais, Brasil, 2009. Pág.295.
27
Idem, pág.295.
11
3.3 Deontologia forense
A deontologia é a teoria dos deveres. Deontologia profissional se chama o complexo de
princípios e regras que disciplinam particulares comportamentos do integrante de uma
determinada profissão.
Deontologia Forense designa o conjunto das normas éticas e comportamentais a serem
observadas pelo profissional jurídico.
As normas deontológicas não se confundem com as regras de costume, de educação e de
estilo. Estas são de cumprimento espontâneo.
Segundo R. Danovi, oferece um elenco de preceitos que não são deontológicos, mas se
inserem naqueles concernentes à boa educação.
Assim as relações entre colegas: o respeito e a deferência dos mais jovens quanto aos mais
antigos, a ajuda e a assistência prestada ao colega enfermo, a participação nos funerais de um
advogado falecido, a pontualidade nas reuniões com os colegas, a hospitalidade ao colega em
visita profissional ao escritório, a entrega de documentos ao colega sem exigir recibo, o
telefonema ao colega em caso de sua ausência a uma audiência. Todas estas regras são
desprovidas de conteúdo preceptivo28. Caracterizam os profissionais educados, polidos.
3.4 Conduta ética na profissão jurídica
A esfera da conduta ética não é, contudo, delineada de maneira precisa. Muitas posturas
há que podem restar na fronteira entre a conduta ética e a conduta não-ética. Segundo Manzini
preferia afirmar que, "para conduzir-se dignamente, o defensor não tem senão que seguir a
própria consciência, os conselhos dos colegas mais respeitados e as regras da educação moral.
O bom senso, a prudência, a descrição, a rectidão, a civilidade são coisas que não se
podem ensinar com um elenco de preceitos ou com a casuística".
3.5 O princípio fundamental da deontologia forense
A deontologia profissional e, particularmente, à deontologia forense aplica-se um
princípio fundamental, agir segundo ciência e consciência. Essa a ideia, força a inspirar todo o
comportamento profissional.
3.5.1 A ciência
A Ciência, a significar o conhecimento técnico adequado, exigível a todo profissional.
O primeiro dever ético do profissional é dominar as regras para um desempenho eficiente na
actividade que exerce. Para isso, precisará ter sido um aprendiz aplicado, seja no processo

28
NALINI, José Renato, Ob. Cit. Pág.296
12
educacional formal, seja mediante inserção directa no mercado de trabalho, onde a
experiência é forma de aprendizado29.
3.5.2 A Consciência
Mas, além da ciência, ele deverá actuar com consciência. Existe uma função social a
ser desenvolvida em sua profissão. Ele não pode estar dela descomprometido, mas se lhe
reclama empenho em sua concretização.
A consciência se reconhece um primado na vida humana. Sobre isso, afirmou Paulo
VI: "Ouve-se frequentemente repetir, como aforismo indiscutível, que toda a moralidade do
homem deve consistir no seguir a própria consciência. Pois bem, ter por guia a própria
consciência não só é coisa boa, mas coisa obrigatória. Quem age contra a consciência está
fora da recta via".
Com isso não se resolvem todos os problemas morais. Há limites postos ao princípio
da consciência. Ele não é o último ou o absoluto critério. Uma consciência enferma ou mal
orientada poderia conduzir o ser humano a errar ou a se equivocar30.
A consciência, portanto, deve ser objecto de contínuo aperfeiçoamento, mediante
exercício permanente, ela se manterá orientada. A tendência natural será a sua lassidão, o seu
afrouxamento e a auto-indulgência própria ao egocentrismo humano.
Os estudiosos de ética natural se utilizam da expressão consciência "para significar
não já o juízo sobre a moralidade das acções singulares que competem ao sujeito, mas, acima
disso, o modo habitual de julgar em uma certa matéria no campo ético: fala-se então de
consciência recta (aquela que sói judicar exactamente), de consciência lassa (aquela que sói
julgar lícito e bom também aquilo que é ilícito e mau) e de consciência escrupulosa (aquela
que sói julgar ilícito e mau até aquilo que é lícito e bom) ".
A consciência é o resultado do trabalho individual, na reiteração dos actos singulares
de juízo, como se cada julgamento fora ponto palpável na edificação de um produto
consistente.

29
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 7ª Edição Revista, Actualizada e ampliada, Editora do
Tribunais, Brasil, 2009. Pág. 297.
30
Idem, 297-298.
13
Conclusão
Depois da realização do trabalho, a doutrina pertinente permitiu ao grupo chegar as
seguintes conclusões:

Quanto a ética na profissão jurídica, notamos que o profissional de Direito dever agir
segundo a ciência e consciência. Onde a Ciência traduz-se no conhecimento técnico
adequado, exigível a todo profissional. O primeiro dever ético do profissional é dominar as
regras para um desempenho eficiente na actividade que exerce.
Também, para além da ciência, o profissional de Direito deve agir segundo a
consciência, e esta deve ser objecto de contínuo aperfeiçoamento, mediante exercício
permanente, ela se manterá orientada.

Quanto a ética na profissão jurídica, nota-se que existem princípios norteadores da


conduta do profissional do Direito, e neste contexto, encontramos princípio da conduta
ilibada, dignidade e do decoro profissional, incompatibilidade, correcção profissional,
coleguismo, diligência, desinteresse e a confiança.
No que tange a ética do estudante, nota-se que a conduta ética não é privativo dos idosos
ou dos formados, assim como o aprendizado técnico é uma gradual evolução sem previsão de
termo final, assimilar conceitos éticos e empenhar-se em vivencia-los deve ser tarefa com a
duração da vida.

Em relação a ética do estudante, se este optou por uma carreira cujo núcleo é trabalhar
com o certo e com o errado. Ele tem, uma responsabilidade mais intensificada, diante dos
estudantes destinados a outras carreiras, de conhecer o que é moralmente certo e o que vem a
ser eticamente reprovável.
A participação do Estudante na vida concreta do direito é essencial. Visto que, as
contribuições das Universidades, Faculdades e dos professores são fundamentais para
proporcionar aos Estudantes uma formação consciente, numa tentativa de desenvolver acções
que neutralizam o descrédito crescente do estudante em relação a situações que vêm
ocorrendo; como exemplo, pode-se citar: a corrupção, a lentidão nos processos, o
desemprego, enfim, vários outros factores que contribuem para o enfraquecimento e possíveis
ilusões que se acenam para os incautos na sociedade vigente.

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Referências bibliográficas
Doutrinas
CAMARGO, Marcolino, Fundamentos de ética geral e profissional, Editora Vozes,
Brasil, 1999.
LAISSONE, Elton João C, et al; Manual Geral de Ética, Beira, 2017.
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 4. Edição revista, aumentada e
actualizada, Editora da Revista dos Tribunais São Paulo, 2004.
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, 7ª Edição Revista, Actualizada e
ampliada, Editora do Tribunais, Brasil, 2009.
NALINI, José Renato, Ética Geral e Profissional, Revista dos Tribunais, Brasil,
1997.

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