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CARL SCHMITT

Aula GRADUAÇÃO

Livro base:

MACEDO JR, Ronaldo Porto. Carl Schmitt E a Fundamentação Do Direito . Editora


Saraiva, 2000.

Introdução
Mudanças no pensamento de Carl Schmitt entre os anos de 1922 a 1934,
quando Schmitt alcança a maturidade intelectual.
Carl Schmitt é conhecido como representante do pensamento jurídico
decisionista.
1920: influência do pensamento jurídico institucionalista de Maurice Hauriou e
Santi Romano.
Pode-se falar da existência de um institucionalismo no pensamento de Schmitt
a partir dos anos 1930.
Pluralismo institucionalista + monismo decisionista: Teoria da Constituição
(Verfasungslehre) e O Nomos da Terra (Der Nomos der Erde).
Schmitt era um intelectual militante, foi considerado o Kronjurist da Alemanha
nazista do início dos anos 1930. No entanto, a partir de 1935 recebeu ameaças de morte
da SS em razão de suas ideias incomodas para o Reich alemão. Afinidade com o
princípio do Fuhrer e com regimes autoritários.
Schmitt foi um dos principais interlocutores do pensamento jurídico liberal,
positivista e jusnaturalista do período da República de Weimar. Schmitt criticava o
parlamentarismo, a concepção de democracia e o romantismo político.
Schmitt é conhecido por suas polêmicas com Kelsen e Laski, e de sua afinidade
com Friedrich Hayek (Ver Direito, Legislação e Liberdade, de Hayek; e Carl Schmitt -
The End of Law, de William Scheuerman).
Há poucos trabalhos que expõem de forma coerente o pensamento schmittiano,
a citar George Schwab e Joseph Bendesky.
De acordo com George Schwab, a intenção de Schmitt entre 1933 e 1936 era
esboçar um projeto constitucional para o sistema monopartidário nacional socialista e
desenvolver o conceito de ordenamento concreto para a teoria do direito alemão.
Representante que seguiram a escola de Schmitt: Ernst Forsthoff (Stato di Diritto
in Trasformazione ou Rechtstaat im wandel) e Julien Freund (L’Essence du politique).
Tripartição do pensamento jurídico: na obra Sobre os Três tipos de Pensamento
Jurídico, de 1934, Schmitt afirma que há três tipos básicos de pensamentos jurídicos:
normativisma, decisionista e institucionalista.
Dois tipos de pensamento jurídico: em 1920 Schmitt identificava apenas dois
tipos de pensamento jurídico: normativismo de Hans Kelsen e o decisionismo de Bodin,
Hobbes e Schmitt. Em 1922 Schmitt na obra Teologia Politica distinguiu apenas dois,
porém na reedição de 1933 mudou sua teoria.
Schmitt: traça uma relação entre ordenamento, normalidade, soberania e
decisão. Radical definição de soberania: soberano é quem decide na situação de
exceção, a decisão soberana instaura uma ordem a partir de um caos.

Capítulo 1

Carl Schmitt nasceu em Plettenberg, na Alemanha, em 1988, pais católicos, forte


educação religiosa. Insistente crítica ao positivismo jurídico kelseniano. Formado em
Direito em 1910.
O advento da República de Weimar e a mudança do regime autoritário para o
parlamentarismo marcaram as preocupações intelectuais de Schmitt.
1919: publicação do livro O Romantismo Político (Politische Romantik): estudos
sobre hamletismo político (ou incapacidade do Estado decidir) e o uso dos poderes de
exceção pelo governante.
Schmitt menosprezou o poder dos nazistas em 1930, era contrário à ascensão
nazista e a crise política, não confiava em Adolf Hitler.
No texto Legalidade e Legitimidade, de 1932, Schmitt alertava para o perigo da
destruição da Constituição de Weimar e de como grupos radicais como nazistas e
comunistas chegassem ao poder e alterassem o sistema político-institucional.
Após a tomada do poder pelos nazistas Schmitt acreditou que o presidente
Hindenburg poderia atuar como contrapeso ao novo chanceler Adolf Hitler, porém as
leis que Schmitt ajudou a fazer colocaram mais poder nas mãos dos nazistas.
Doutrinadores perseguidos pelos nazistas: Radbruch, Bonn, Cohn, Heller,
Kantorowics e Kelsen.
Em 22 de abril de 1933 Martin Heidegger escreveu para Schmitt convidando-o a
colaborar com o regime: carta publicada e traduzida na revista Telos número 72,
Summer, 1987, p.132.
Schmitt era o mais notável e destacado constitucionalista alemão a aderir ao
nazismo.
1933: tornou-se membro do Grupo dos Professores Universitários da Liga
Nacional-Socialista de Juristas Alemães. Textos da época voltados para o estado
totalitário: Sobre os três tipos de pensamento jurídico; Estado, Movimento e Povo; O
conceito de Estado Total.
Schmitt em sua nova edição do Conceito do Político de 1933, eliminou suas
referências a Marx e Lukács de modo a tornar o texto mais aceitável aos nazistas.
Schmitt jamais se filiou a teoria nazista oficial do racismo biológico.
Schmitt precisou dar provas de sua adesão ao nazismo. Ele aparenta ter-se
utilizado do oportunismo político.
1934: O Fuhrer protege o direito – Der Fuhrer schutz das Recht, nele Schmitt
advoga a legalidade dos atos praticados por Hitler.
Obs: com o fim da segunda guerra mundial Schmitt alegou que estava apenas
obedecendo a autoridade legalmente constituída.
1935: Schmitt chamou as leis de Nuremberg que revogaram os direitos de
cidadania dos judeus de “Constituição da Liberdade”.
1936: textos de Schmitt sobre a insignificância do pensamento jurídico judeu,
chamou os judeus de parasitas estéreis que nada tinham a oferecer aos alemães.

Capítulo 2
Decisionismo jurídico
Ideia de ordenamento jurídico concreto:o direito está estruturado não só em
normas, mas em decisões e instituições. A Ditadura 1921, Teologia Política 1922, e
Sobre as três espécies de pensamento jurídico 1934.
Pesquisas sobre ditadura e soberania: Politische Theologie (1922) e
Verfassungslehre (1922). Soberania como a decisão no estado de exceção, da qual
depende a validade de todo ordenamento jurídico.
Concepção inicialmente desenvolvida por Bodin e depois Hobbes.
Jean Bodin: primeiro precursos do decisionismo.
Hobbes: Auctoritas, non veritas facit legem. O ditador acaba com a desordem
(guerra de todos contra todos) do Estado de Natureza e funda as leis e o ordenamento.
Surgem os estados totalitários da União Soviética, da Itália fascista e da
Alemanha nazista, os quais representam novidade para a teoria política.
Karl Lowith aponta para a afinidade dos trabalhos de Carl Schmitt de 1920 para
os de Adam Muller, criador da teoria do estado total.
Schmitt como um suposto teórico do nazismo: não há certezas para isso apesar
de Schmitt insistir na homogeneidade do povo para a existência de uma identidade entre
o Fuhrer e o povo, o que abriu brecha para uma interpretação racista e antissemita da
teoria do direito.
A teoria das formas de governo dos pensadores iluministas do século XVIII
fundou-se em dois princípios básicos: identidade e representação. A unidade do povo
poderia ser mantida pelo princípio da identidade ou pelo princípio da representação.
A democracia enquanto forma de governo não se opõe necessariamente a
ditadura, nem se define a partir da liberdade. Para Schmitt pode haver ditadura com
democracia, ditadura sem democracia e democracia sem liberdade.
Para definir ditadura, Schmitt se baseou na distinção feita por Bodin entre
soberania e ditadura.
Para Schmitt, os traços fundamentais da ditadura soberana são os seguintes:
ela se impõe num momento de crise, quando um estado de coisas está ameaçado; o
ditador é nomeado pelo soberano; para o exercício do poder ditatorial delegado, o
ditador pode suspender a Constituição e as leis, mas não pode ab-rogar as leis
emanadas. O ditador comissário suspende a Constituição para torna-la vigente num
momento futuro.
A luta de Schmitt durante a República de Weimar era combater o hamletismo do
estado alemão (a sua incapacidade de decidir), agravado pelo processo de
fragmentação acarretado pela policracia, pelo pluralismo e pelo federalismo.
República de Weimar: pluralismo, policracia e federalismo.Esses três conceitos
fragmentarem o estado alemão. O pluralismo policrático do Estado Federal moderno
condiz à falência do Estado Legislativo e à crise do Parlamento enquanto órgão capaz
de decidir.
O sistema pluralista e policrático transforma as instituições em pontos de apoio
para a formação da vontade estatal e obriga as instituições sociais a politizarem-se, a
organizarem-se em função dos critérios de amigo-inimigo. Tal politização conduz à
politização geral de todo o direito, em particular o direito constitucional.

5 – Conclusão: o Decisionismo institucionalista de Schmitt

Carl Schmitt alerta na segunda edição de Teologia Política (1933) para os


perigos das concepções fundadas exclusivamente na norma, decisão ou instituição.
O pensamento de ordenamento concreto é uma forma de decisionismo
institucionalista.
Ernst Fraenkel, “O Estado Dual/ Der Doppelstaat”, analisa a estrutura política e
jurídica do Estado Nazista. Para Fraenkel existem duas ordens jurídicas coexistentes
no Terceiro Reich: o Estado Discricionário, ordem política dos direitos sociais e políticos
controlada pelo poder ditatorial; e o Estado Normativo, ordem das relações econômicas,
uma ordem capitalista, de proteção ao mercado, e da previsibilidade e segurança das
relações jurídicas.
Sobre os três tipos de pensamento jurídico constitui uma chave importante para
compreender o pensamento jurídico e político de Schmitt.
Durante os anos 1933 e 1934 Schmitt cultiva a ambição de ampliar sua influência
no regime e se tornar o grande jurista da nova ordem (Kronjurist).
O Fuhrer protege o direito. Sobre o discurso de Adolf Hitler no Reichstag em 13
de julho de 1934 – marca o oportunismo e conservadorismo de Carl Schmitt.
Schmitt adere ao partido nacional-socialista em 1º de maio de 1933.
A Constituição de Weimar jamais foi formalmente revogada. O Ato dos Plenos
Poderes poderia ser visto como uma nova constituição – semelhante ao que ocorreu no
Brasil, com o Ato Institucional 5, de 13 de dezembro de 1968.