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Um pouco da história

de Bom Despacho

Bom Despacho
2016
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processos, sem a permissão por escrito dos autores.

Bom Despacho – Minas Gerais


SUMÁRIO

Sumário ............................................................................................................................................... 3
Apresentação.................................................................................................................................... 5
Bom Despacho - Minas Gerais – Brasil ................................................................................ 6
Bandeira do Município ................................................................................................................ 7
Curiosidades ..................................................................................................................................... 9
Principais pontos turísticos da cidade:............................................................................ 10
Nossos Prefeitos .......................................................................................................................... 11
Região do Alto São Francisco ................................................................................................ 13
Centro_Oeste.................................................................................................................................. 15
História antiga e contemporânea de Bom Despacho ............................................... 20
Mapas Antigos da Região do Picão ..................................................................................... 21
Relatos sobre Picão Camacho ............................................................................................... 27
Museu da Cidade ......................................................................................................................... 30
Preservação é... ............................................................................................................................. 35
A Saga da Estrada-de-Ferro Paracatu (EFP) ................................................................. 37
os Giesbrechts Chegaram Finalmente A Paracatu! .................................................... 38
E.F. Paracatu Desgarrada nos gerais: — A estrada que não mudou o sertão
.............................................................................................................................................................. 39
A Locomotiva 325 ....................................................................................................................... 42
EFP e a Consolidação do Município (1a parte) ............................................................ 43
EFP e a Consolidação do Município (2a parte) ............................................................ 44
As Estações da Estrada-de-Ferro Paracatu (EFP) ...................................................... 48
A Praça da Estação - Contextualização Do Bem No Desenvolvimento
Histórico Do Município ............................................................................................................ 79
Cultura e Arte do nosso povo - Um linguajar que sobrevive ao tempo - O elo
perdido - Experiência do projeto Minas Afrodescendente comprova o poder
da língua em unir culturas separadas pela escravidão ........................................... 80
Cavalgadas em Bom Despacho ...........................................................................................104
A magia da dança catira .........................................................................................................105
História do Reinado .................................................................................................................108
Colônia dos Alemães em Bom Despacho/MG.............................................................116
Fotos Antigas – Locais ............................................................................................................125
APRESENTAÇÃO

Todos os textos e imagens aqui reunidos foram extraídos do site


www.senhoradosol.com.br. Constituem-se de informações acerca da história e
cultura de Bom Despacho.
BOM DESPACHO - MINAS GERAIS – BRASIL

Localiza-se no Centro-Oeste de MG, a 156 km da capital Belo


Horizonte, fica a 768 m de altitude.
A Cidade Sorriso encontra-se na Região do Alto São Francisco e é
banhada pelos rios Lambari, Picão e São Francisco. Destaca-se pela cultura,
beleza, artesanato e hospitalidade de seu povo.

Dados Gerais
Fundação: 1912
Área Total: 1.212,7 km²
Dens. Demográfica: 32,06 hab./km²
CEP: 35600-000
Área da unidade territorial = 1.209 Km2
Latitude = -19,7363
Longitude = -45,2522
Altitude = 768 m
Pessoas residentes = 37.699
Homens = 18.693
Mulheres = 19.006
Estabelecimentos de ensino pré-escolar = 17
Estabelecimentos de ensino fundamental = 20 Estabelecimento de ensino
médio = 3
Estabelecimento de ensino superior = 1
Hospitais = 2
Agências bancárias = 6
Aniversário da Cidade ............... 01 de junho
Fundação da Cidade .................. 01 de junho de 1912

Fonte: IBGE – 2001

BANDEIRA DO MUNICÍPIO
por Jacinto Guerra

O desenho da Bandeira de Bom Despacho é constituído de duas cores


principais - o verde e o vermelho -, tendo no centro o Brasão da Cidade. O
verde representa o Brasil e o vermelho lembra Portugal, pátria dos fundadores
da pequena aldeia que deu origem à cidade.
O Brasão é formado por um círculo azul, tendo em volta uma faixa
branca, com os seguintes dizeres: na parte superior, "Bom Despacho - Minas
Gerais" e, na parte inferior, "Fé, Energia e Trabalho".
Sobre o círculo, encontra-se um triângulo amarelo, lembrando o
triângulo da bandeira do Estado de Minas Gerais, tendo no seu interior o
desenho da Igreja Matriz de N.Sra.do Bom Despacho, o mais importante
monumento religioso, artístico e histórico da cidade. Abaixo do triângulo, "1º
de junho de 1912", dia histórico da instalação solene do novo município de
Minas Gerais, na república Federativa do Brasil.
O círculo azul é o céu do Brasil e o amarelo representa o brilho do
ouro e as riquezas de Minas Gerais.
Brasão do Município de Bom Despacho

Bandeira

1 dizeres: BOM DESPACHO - MINAS GERAIS


2 CÍRCULO AZUL
3 Igreja Matriz
4 TRIÂNGULO AMARELO
5 dizeres: 1 DE JUNHO DE 1912
6 dizeres: FÉ, ENERGIA E TRABALHO
7 cores Verde e Vermelho
A Bandeira de Bom Despacho foi instituída no primeiro governo do
prefeito Geraldo Simão Vaz (1967 - 1971), por iniciativa de Jacinto Guerra, no
exercício de seu mandato de vereador, no mesmo período, com estudo e
desenho da artista plástica Nilce Coutinho Guerra, atual museóloga-diretora do
Museu da Cidade.

CURIOSIDADES

Por que o nome Senhora do Sol?

Os escritores bom-despachenses Laércio Rodrigues e Jacinto Guerra, já


mencionaram em suas obras as origens do Arraial de Nossa Senhora do Bom
Despacho, existe um fato interessante: a santa também era adorada em
Portugal com o nome de Senhora do Sol, curiosamente existe no bairro
Babilônia, em nossa cidade, uma praça com o nome Praça Senhora do Sol.

"Cidade Sorriso": de onde surgiu este chamativo?

Por ter um vasto horizonte aberto, uma visão clara e límpida e pela sua
conhecida hospitalidade, Bom Despacho ganhou o batismo de cidade sorriso.
Segundo consta-se, o autor do batismo foi o radialista Roni Santos, que em 13
letras disse tudo sobre Bom Despacho. Quem por aqui passa percebe a
veracidade dessas palavras em todo canto de nossa Bom Despacho.

Você sabia?

:: Entre 1762 e 1765 portugueses fundam o Arraial de N. Sra. do Bom


Despacho do Picão. No início do século XX o município consegue a sua
emancipação política.

:: Bom Despacho está a 173 Km de Belo Horizonte, numa região que vai das
nascentes do Rio São Francisco até o grande Lago de Três Marias.
:: A cidade está em uma rota de turismo que liga as regiões do Pantanal e de
Caldas Novas às praias do litoral Sudeste o Norte de São Paulo ao Sul da
Bahia.

:: O SESC Pousada de Bom Despacho é uma opção de qualidade para quem


procura o lazer em um local interessante e belo.

:: A maioria da população é de origem lusitana. Os descendentes de africanos


são parte expressiva da população, como também os descendentes de alemães,
austríacos, libaneses, italianos e espanhóis.

:: A cidade tem uma grande vocação para o turismo, apresentando aos


visitantes histórias fantásticas e lugares inesquecíveis.

:: O SESC/MG oferece uma excelente estrutura para empresas que promovem


encontros de negócios, reuniões e seminários. São salas equipadas com
aparelhagem de som e vídeo e uma hospedagem de alto nível.

:: A Biquinha, no centro da cidade, era o sítio de descanso dos bandeirantes.


Hoje, há uma certeza em Bom Despacho: quem bebe a água da Biquinha e
come os biscoitos da Mariquinha garante a volta à cidade.

:: A padroeira da cidade, Nossa Senhora do Bom Despacho, era conhecida em


Portugal como a Senhora do Sol. Por esse motivo, Bom Despacho é chamada
de Cidade da Senhora do Sol.

:: O artesanato é um rico atrativo de Bom Despacho. A indústria noveleira,


com produtos de alta qualidade, atrai visitantes de outras localidades.

Fonte: SESC-MG

PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS DA CIDADE:

* AAB - contato: (37) 3522-2523 - conhecida como "Praça de Esportes"


Cristalino Esporte Clube
* Estátua do Cristo no Bairro Babilônia
* Hotel Fazenda Mata do Tio João
* Ipê Campestre Clube - contato: (37) 3521-2527 / 3522-6280, na saída para a
BR 262
* Pousada do SESC - inaugurada no ano de 2002, uma das mais belas pousadas
de Minas Gerais
* Praça Antônio Leite - antiga Praça São José
* Praça da Estação - construída pelo Batalhão de Infantaria em 1932
* Praça do Larguinho
* Praça Senhora do Sol - onde tem um Cristo com uma pomba na mão em
direção à nascente do R. São Francisco
* Rua da Biquinha - Biquinha - fonte natural histórica, fundada em 1900 e
reformada em 1977.
* Rua do Rosário - principal via de chegada da BR 262
* Rua São Vicente - com casas antigas
* Vila Militar - antiga vila dos trabalhadores da Estrada-de-ferro Paracatu
* Igrejas:
* Bairro São Vicente - Igreja São Vicente
* Bairro de Fátima - Igreja Nossa Senhora de Fátima
* Bairro São José - Igreja São José
* Bairro do Rosário - Igreja Nossa Senhora do Rosário
* Praça da Matriz - Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho
* Vila Militar - Igreja Santa Efigênia

NOSSOS PREFEITOS
A Prefeitura: Governantes Municipais

Jacinto Guerra - jacinto.guerra@rbsturbo.com.br

De 1912 a 1930, exerceram a presidência da Câmara Municipal – cargo que


hoje corresponde, também, ao de Prefeito – os seguintes cidadãos:
Faustino Assunção
Pedro de Paula Gontijo
Antônio Guerra da Silva
Faustino Teixeira
Sendo que Pedro de Paula Gontijo e Faustino Teixeira exerceram dois
mandatos. Guilhermino Rodrigues Filho lembra que Pedro de Paula Gontijo é
o único dos prefeitos antigos de Bom Despacho que não recebeu homenagem
alguma da cidade. Seu nome figura apenas nos documentos oficiais, embora
tenha sido um bom administrador público. É uma injustiça que precisa ser
corrigida.

De 1930 a 1945, Flávio Cançado Filho foi o Prefeito Municipal. Em 1936,


Miguel Marques Gontijo, presidente da Câmara Municipal, substitui o prefeito
por motivo de licença.

De 1945 a 1947, exerceram o cargo interinamente, no período de transição


democrática:
Erotides Diniz
Domingos Mendanha
Flávio Cançado Filho
Wilson Lopes do Couto
João Pedro Araújo
José de Paula Marques Gontijo
Nicolau Teixeira Leite
Sendo que alguns exerceram o cargo num período de poucos meses e outros
por alguns dias. Flávio Cançado Filho exerceu o cargo em caráter efetivo, de
1930 a 1945 e interinamente por um pequeno período, na transição
democrática.

De 1947 a 1997, exerceram o cargo de Prefeito, por escolha do povo, em


eleição direta, os seguintes cidadãos:
Hugo Marques Gontijo
Cisalpino Marques Gontijo
Francisco Araújo Lopes Cançado
Antônio Leite de Oliveira
Roberto de Melo Queiroz
Geraldo Simão Vaz
Célio Luquine
José Cardoso de Mesquita
Haroldo de Souza Queiroz
Geraldo Simão Vaz
No mandato de Hugo Marques Gontijo, o vice-prefeito Walfrido Teixeira de
Carvalho assumiu o governo, em curto período, por motivo de licença do
prefeito. Por razões especiais, Cisalpino Marques Gontijo, ilustre médico e
empresário, grande benfeitor da cidade, esteve licenciado do cargo de Prefeito
praticamente durante todo o seu mandato. Ao longo de todo esse período
administrativo, um caso raríssimo: assumiu o cargo o vice-prefeito Miguel
Marques Gontijo, mas Nicolau Teixeira Leite, como Secretário da Prefeitura,
foi uma espécie de Primeiro-Ministro, quem, de fato, exerceu o poder. A
mesma função foi também exercida por Walfrido Teixeira, no início do
mandato.
Por outro lado, os prefeitos Antônio Leite de Oliveira, Geraldo Simão Vaz e
Célio Luquine exerceram o mandato por mais de um período.

De 1947 a 1997, também exerceram, interinamente, o cargo de Prefeito os


vice-prefeitos Dácio Alves da Cunha e Gercino Antunes, substituindo
respectivamente, os prefeitos Antônio Leite de Oliveira e Célio Luquine, por
motivo de licença.
Como Presidente da Câmara Municipal, o vereador Roberto de Queiroz
Cançado, coronel Robertinho, exerceu a chefia do Governo Municipal,
substituindo o prefeito Francisco Araújo Lopes Cançado, por motivo de
campanha eleitoral. O Dr. Francisco era candidato à Assembleia Legislativa de
MG e João Araújo, vice-prefeito, foi candidato a prefeito de Bom Despacho.
O vice-prefeito Ivan José da Costa assumiu a Prefeitura por motivo de viagem
do prefeito José Cardoso de Mesquita à Europa.
Em 1997, assume Haroldo Queiroz. Nas eleições seguintes tenta a reeleição,
ano de 2000, mas perde para Geraldo Simão Vaz, que novamente assume o
governo municipal. Haroldo Queiroz volta a ser prefeito em 2004, tendo como
vice um médico, Dr. Marco Túlio.

REGIÃO DO ALTO SÃO FRANCISCO

A bacia do Rio São Francisco é dividida em 04 (quatro) regiões:


Alto Francisco: Das cabeceiras, na Serra da Canastra , até Pirapora (MG).
Médio São Francisco: Pirapora (MG) até Remanso (BA).
Sub-médio São Francisco: Remanso (BA) até Paulo Afonso (BA).
Baixo São Francisco: Paulo Afonso (BA) até a foz no Oceano Atlântico.
Algumas Informações sobre o Rio São Francisco
Sua foz foi descoberta a 4 de Outubro de 1501, dia de São Francisco.
São Francisco foi um santo que nasceu numa rica família italiana e que
marcou sua conversão despojando-se de todos os bens para voltar-se aos
pobres.
O São Francisco concentra 25% da área represada por hidrelétricas do
país · Rio São Francisco possui 2800 Km de extensão e drena uma área de
aproximadamente 641.000 Km2
Ocupa 8% do território nacional, nascendo no estado de Minas Gerais,
na Serra da Canastra e desembocando no Oceano Atlântico entre Sergipe e
Alagoas, atravessando regiões com condições naturais das mais diversas
O Velho Chico, pela sua importância, já foi chamado de o rio de
integração nacional. Sua bacia é a única totalmente brasileira atingindo Minas
Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
A sua importância se deve não só pelo volume de água transportado
numa região semiárida, mas, principalmente, pela sua contribuição histórica e
econômica na fixação das populações ribeirinhas e na criação das cidades hoje
plantadas ao longo do vale, bem como pelo potencial hídrico passível de
aproveitamento em futuros planos de irrigação dos excelentes solos situados à
sua margem.
As águas do Rio São Francisco são utilizadas para navegação, irrigação
e para gerar eletricidade e cria oportunidades de ecoturismo como o Cânion da
Baixa do Chico. Lá, a vegetação nativa, formada por mandacarus e outros tipos
de cactos, é um dos destaques. A melhor época para se fazer trilhas e visitar o
Cânion é entre junho e agosto, quando as temperaturas são mais amenas.
Algumas áreas oferecem condições para uma boa pescaria. Dourados,
surubins, matrinxãs, piaparas, corvinas, traíras, mandis, pirá (um bagre
endêmico da bacia), tucunarés (introduzidos em alguns reservatórios e no
baixo São Francisco), e outras espécies introduzidas e bem sucedidas podem
ser capturadas em suas águas, frequentadas principalmente por pescadores de
Minas Gerais, São Paulo, Goiás e do Distrito Federal.
O São Francisco acode quatro dos nove Estados da "sede" no
Nordeste. Mas desenha um cotovelo a leste, na altura de Cabrobó, PE, onde o
declive do planalto desvia sua correnteza para o litoral. A inflexão deixa ao
desabrigo o Ceará, Paraíba e o Rio Grande do Norte, que não tem fontes
expressivas de abastecimento perene. A ideia cirúrgica de intervir no cotovelo
para acudir os desassistidos e concluir a missão franciscana tem 150 anos. A
cada período seco e eleitoral ela é desarquivada mas nunca saiu do papel.
O Rio São Francisco também é vítima do descaso e da
irresponsabilidade e está com sua liberdade e vida ferida: desmatamentos e
queimadas desde sua nascente, hidrelétricas que destroem paisagens e cidades ,
lixos que são jogados em suas margens, recebimento de esgotos domésticos e
industriais, garimpos que assoreiam o Rio, número de peixes diminuindo
Fonte: Revista Globo Rural - agosto de 2000

CENTRO-OESTE
Antônio de Paiva Moura

Cada região tem sempre dois ou mais municípios responsáveis por sua
configuração territorial. Seus desmembramentos formam a malha da divisão
político-administrativa regional. No Centro-Oeste destacam-se Pitangui e
Itapecerica. O município de Itapecerica, criado em 1789, se desdobra em
Formiga, Campo Belo, Divinópolis, Camacho, Pedra do Indaiá e São Sebastião
do Oeste. Pitangui. Instalado em 1715, se desdobra em Pará de Minas, Dores
do Indaiá, Martinho Campos, Pompeu, Maravilhas, Nova Serrana, Papagaios,
Conceição do Pará e Leandro Pereira.
Os portugueses radicados na Bahia reivindicavam o direito de explorar,
demarcar e dominar a região com as penetrações pelos sertões. Conforme
longa pesquisa de Simão Pires a capitania da Bahia dominava todas as terras na
margem direita do Rio São Francisco e seus afluentes já na região mineradora
de Pitangui, do atual Rio Pará, compreendendo as terras do mestre de campo
Antônio Guedes de Brito, administradas por Manoel Nunes Viana. (PIRES,;
53) Em 1720 o Conde de Assumar, governador da Capitania de Minas Gerais,
contrariando o governo e o bispado da Bahia, estabeleceu a divisa de Minas
com aquela capitania, no Rio Verde Grande.
Os paulistas foram os primeiros descobridores do Rio Pitangui, o que
em tupi significa rio das crianças. (1) Não teria sido revelado por outros
estudiosos a existência de ouro na região. O São Francisco era caminho dos
bandeirantes paulistas. Embora a oficialidade portuguesa registre o ano de
1709, há dez anos o Pitangui, Rio Pará, já estava sendo habitado. Bartolomeu
Bueno da Siqueira lá esteve em 1695 mas a picada que abriu foi fechada.
Chegar primeiro nada significa. O que é digno de nota para a história é o feito:
a marca humana do construir, colonizar, povoar, construir, arraigar. Portanto,
baianos e portugueses são os primeiros colonizadores do Centro-Oeste
Mineiro. Foi o padre Toledo e o mestre de campo Inácio Correia Pamplona,
um dos delatores da Inconfidência Mineira, a organizar expedição oficial;
associado ao guarda-mor regente e chefe da legião da conquista do Pium-i,
Bambuí, Picada de Goiás. A expedição informa ao governador da capitania de
Minas Gerais sobre ataques de índios Caiapós e entradas para a região de
Bambuí e Serra da Marcela. A segunda entrada para a região de Bambuí,
realizada em 1769 cuja bandeira era constituída de cem homens, com capelão
cirurgião, botica. No mesmo ano celebra missa em Bambuí e segue para
Quilombo do Ambrósio, Fazenda da Babilônia, Quebra-Anzol, Salitre,
Paraibuna e Dourado. (BARBOSA,. 1971)
Como havia ocorrido no Campo das Vertentes em que Tomé Portes
Del Rei adquiriu o direito de passagem criando o Porto Real da Passagem do
Rio das Mortes em São João del Rei, na mesma época, Borba Gato criou uma
passagem particular no Rio Paraopeba, possivelmente no lugar denominado
Porto Velho, no distrito de São Joaquim de Bicas, município de Igarapé. Em
tupi, ygara-apé significa caminho da canoa. Logo depois, em 1714 foi criada a
Passagem Real de Joseph Vieira no Paraopeba, em Esmeraldas. (DINIZ, S. G.
1966; 25) Em suas canoas atravessavam o rio tanto os viandantes dos confins
do Serro Frio, passando por Sabará, como os da Bahia que preferiam o
caminho de Curvelo, Sete Lagoas, Andiroba, Contagem e Esmeraldas. (2)
A topografia da região foi favorável à agricultura e à pecuária. Planícies
extensas, enormes platôs, campos e Campinas que se estendem, às vezes, até
perder de vista. Os horizontes são mais amplos. (BARBOSA,. 1971; 48) Ao
contrário de Sabará, Ouro Preto, Serro e Diamantina o Centro-Oeste é dotado
de terras férteis o que ainda no século XVIII atraiu agricultores vindos de
Portugal e outros já radicados na região mineradora. Pitangui passa a ser um
centro irradiador de povoamento. Abaeté e Dores do indaiá foram povoados
com migrantes provenientes de São Romão e Curvelo. (BARBOSA, W. A.
1971; 49) Em 1741, José de Faria Pereira adquiriu quatro sesmarias, barra do
Rio Indaiá. Cosme Soares da Costa, em 1740, obteve sesmaria no Extrema, ao
lado das terras de José de Faria Pereira. Joaquim Correia da Silva, entre o
Funchal e o Indaiá; Vicente Teixeira , entre o Indaiá e o Borrachudo, em 1801,
Manoel Inácio da Fonseca, entre os rios Abaeté e Borrachudo, em 1807. José
Gonçalves da Silva, Antônio da Costa, entre o Abaeté e o Borrachudo, em
1804. Padre Antônio Correa da Silva, Francisco Antônio Monteiro de
Noronha, José Fernandes da Costa, Felipe Joaquim da Cunha, Ana Barbosa da
Silva, Alferes Antônio José da Silva nas margens do Marmelada. A margem
esquerda do São Francisco, compreendendo Dores do Indaiá, Quartel Geral e
Estrela do Indaiá foi doada em sesmarias, em 1738 a Domingos Brito, o
abridor de caminhos para Goiás. Com o desaparecimento de Brito, o terreno
foi doado a quatro irmãos de Itaverava, da família Costa Guimarães, 47 anos
depois, isto é, em 1785. Seguem outros assentamentos de 1790 a 1802,
conforme levantamento de Barbosa. Manoel Gonçalves Mascarenhas, no
Ribeirão dos Patos; José dos Santos Marques, em Boa Vista; Manoel e Antônio
Gomes Batista, no Rio Indaiá; Ana Batista de Santo Inácio, no Capim Branco;
José Simão de Oliveira no Ribeirão Mandassaia; Antônio Pereira de Castro,
Manoel Pereira da Silveira, José Gomes de Moura no Japão, atual Carmópolis
de Minas; Antônio Francisco Xavier, no Taquaral; Maria Gomes Teixeira,
Manoel Batista Gomes, Inês Clara de Jesus, no Ribeirão dos Veados; Padre
André de Figueiredo Mascarenhas, Manoel Figueiredo Mascarenhas, Francisco
Ribeiro Couto, Antônio Pereira Lima, Manoel Pinto Pereira, João Morais
Navarro proprietários em Pitangui; Manoel Monteiro Rosa, Antônio José Roiz,
Alferes José Queirós Ferreira, Manoel Machado e Companhia, Manoel
Rodrigues do Monte e Padre Manoel de Siqueira, em Itaúna; Tomé Luiz
Cardoso, Antônio Correa, Antônio Rodrigues Rocha, José Gomes da Silva,
Felix de Abreu Lima e Manoel Antônio Teixeira, na proximidade de Nova
Serrana. (BARBOSA, . 1971; 56)
Depois da Inconfidência mineira acelera-se o esgotamento das minas e
um movimento migratório inverso do ocorrido no auge da mineração aurífera.
A punição aos inconfidentes com degredos, confinamentos e pena de morte
foi aterrorizante, como revela o esquartejamento de Tiradentes. Igualmente
rigorosas foram as perseguições sobre os habitantes das cidades auríferas, com
prisões, confiscos de bens e humilhações públicas. A partir da Inconfidência
Mineira as cidades do ciclo do ouro passaram por um melancólico
esvaziamento. Os mineradores, os clérigos e escravos se distanciam das cidades
buscando longínquas terras. Por aonde chegam os ex-mineradores já
transformados em agropecuaristas, vão empurrando as linhas divisórias da
Província de Minas. No dizer de Carrato, uma verdadeira diáspora. Os
migrantes partiram em massa na busca de novas aventuras, encontrando
imensas florestas e terras desabitadas. Às vezes ainda tentavam a mineração de
ouro ou de gemas, mas acabavam abrindo currais, fazendas e pequenos
negócios; começam as ereções de capelas, criação de freguesias ou vilas.
(CARRATO, 1968) No momento da Inconfidência e logo depois do dia 21 de
abril de 1792, os espaços inexplorados nas imediações dos centros auríferos
começaram a ser ocupados, atestando isso a criação de novos municípios,
como em 1789, Itapecerica; em 1798 Paracatu; em 1831 Formiga, em 1841
Pium-y e em 1848 Pará de Minas.
A vinda da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro aumentou
consideravelmente o consumo no País, especialmente a carne bovina e a banha
de suínos. O Centro-Oeste mineiro contava grandes fazendas de criação, a
exemplo da fabulosa propriedade de Dona Joaquina do Pompeu.
1 - A lenda do Rio Pitangui contada por Diogo de Vasconcelos deixa-
nos certa dúvida pois fala de Bartolomeu Bueno da Siqueira em 1696 que teria
sido informado pelos índios de Santa Ana do Paraopeba, de que havia um
certo ribeirão que dava grande quantidade de ouro. Desviando-se da rota que
buscava, Pico Itacolomi, dirigiu-se para o Oeste até o Rio Pará. Quando foi se
aproximando do ribeirão, as índias que se banhavam pressentiram o tropel e,
pensando serem traficantes, fugiram aterrorizadas, deixando algumas crianças
de peito na margem. O rio tomou por isso o nome de "Pitang-y", rio das
crianças. (VASCONCELOS, 1948; 179)
2 - Joseph Vieira arrematou a Passagem Real em 15 de julho de 1714
pela importância de 910 oitavas de ouro, cerca de três milhões de dólares. No
local do Porto, Vieira fundou um sítio que foi confiscado pelo Conde de
Assumar, governador da capitania de Minas Gerais, em 1720, determinando a
condição de não cedê-lo a paulistas. (DINIZ, 1966; 25)

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, Waldemar de Almeida. A decadência das minas e a fuga da
mineração. Belo Horizonte: UFMG, 1971.
CARRATO, José Ferreira. Igreja, iluminismo e escolas mineiras coloniais. São
Paulo: Nacional, 1968.
DINIZ, Sílvio Gabriel. Capítulos da História de Pitangui. Belo Horizonte:
Autor, 1966.
PIRES, Simão Ribeiro. Raízes de Minas. Montes Claros: Autor, 1979.
VASCONCELOS, Diogo de. História Antiga de Minas Gerais. Rio de Janeiro:
Imprensa Nacional, 1948.
Antônio de Paiva Moura é mestre em História, professor do UNI-BH e
UEMG
HISTÓRIA ANTIGA E CONTEMPORÂNEA DE BOM DESPACHO

... da sua formação até a emancipação:

A História da formação de Bom Despacho iniciou-se na ponte do


Lambari, alongando-se para oeste, até atingir as nascentes do Picão, daí em
diante, à fazenda da Piraquara e ao Rio São Francisco.
No início da segunda metade do séc. XVIII cessada a febre do ouro e
com as minas quase já sem exploração, ocorreu uma decadência de Pitangui
assim como toda a Capitania.
Muitos dos que viviam nessa região partiram para a região entre os rios
Lambari e São Francisco em busca de subsistência por meios de outras
atividades econômicas. Na área deu formação de quilombos, mas que foram
liquidados.
As áreas conquistadas foram sendo distribuídas em sesmarias,
resultando na formação das primeiras fazendas de criação de gado.
A partir de 1770, o Capitão Francisco de Sá é mencionado como o
primeiro criador de gado, na condição de proprietário da fazenda do Picão. Daí
em diante intensificou-se o processo de ocupação, com o surgimento de novas
fazendas, estendendo-se até o final do século. Aproximadamente nessa época
foi erguida uma capela que tornou-se centro polarizador. Com o decorrer dos
anos ficou rodeada de outras construções, como casas, ranchos, e vendas
favorecendo a formação do Arraial da Nossa Senhora do Bom Despacho.
Existem controvérsias a respeito do nome do município. Uma vertente
o atribui à devoção do fundador da capela , Luiz Ribeiro da Silva, que como
outros portugueses povoadores do oeste mineiro, era procedente da Província
do Minho, norte de Portugal, onde era fervoroso o culto a Nossa Senhora do
Bom Despacho. Outra corrente afirma que a denominação surgiu na ocasião
de uma seca prolongada, ocorrida entre 1767 e 1770, penalizando pessoas,
animais e lavouras. Então os devotos de Nossa Senhora do Bom Despacho
fizeram súplicas e orações pedindo chuva. Certos de que suas preces foram
ouvidas, pois a chuva não demorou chegar, ergueram a capela em honra à
Santa. Foi em 1801 e 1831, que o arraial começou a desenvolver seu potencial.
A principal atividade econômica era criação de gado, secundada pela
produção de rapadura e aguardente, bem como as culturas de arroz, milho,
mandioca e algodão. Em 1812, o arraial constituído ao redor da Capela de Bom
Despacho, através da carta régia, atingiu a condição de instituição civil.
Com a aquisição de contornos urbanos, resultante do desenvolvimento
do comércio e do setor produtivo local, a comunidade requereu, inutilmente,
durante anos, a elevação do arraial à categoria de Vila.
O município só foi criado em 1911, em 30 de agosto, que o
desmembrou de Santo Antônio do Monte. A Vila foi efetivamente instalada
em 1º de junho de 1912, contando com dois distritos: Bom Despacho e
Engenho do Ribeiro.

Fonte: adaptado do diagnóstico do PRODER / SEBRAE

MAPAS ANTIGOS DA REGIÃO DO PICÃO

Os mapas, na verdade são encartes de livros, também encontrados no


APM - Arquivo Público Mineiro:
1 - Encarte do livro "Geografia Histórica da Capitania de Minas
Gerais" (1880), de José Joaquim da Rocha, lançado em 1995 pela Fundação
João Pinheiro, Coleção Mineriana; são cinco mapas. No APM tem e podem ser
copiados.
2 - O outro, o mais pobre que está cheio de riscos coloridos e com um
circulo amarelo em "Picão" é encarte do livro "Cadernos de Arquivo-1 - A
Escravidão em Minas", distribuído gratuitamente pelo próprio APM em 1988;
também pode ser copiado. Bons "guias" para decifrar a toponímia desses
mapas são: 1- Dicionário Histórico e Geográfico do Prof. Waldemar de
Almeida Barbosa; 2-Cronografia Histórica da Província de Minas Gerais/1837,
de Raimundo José da Cunha Matos.
Como demonstra Raimundo (livro acima) Santo Antônio do Monte
pertencia á Comarca do Rio das Mortes, sendo, diretamente, subordinado ao
Termo da Vila de Tamanduá. BOM DESPACHO, por sua vez, pertencia à
Comarca do Rio das Velhas, Sabará, e pertencia, diretamente, ao Termo da Vila
de Pitangui.
3 - Exatamente o resumo dos dados de Santo Antônio do Monte e o
resumo coma a descrição das vilas e arraiais que compunham o Termo de
Pitangui em 1837.
DICA: Para começar bem, sugiro que um mapa ou livro regional de geografia
ATUAIS e procure memorizar os nomes atuais de todo o relevo, rios e
córregos de nossa região, pois, será em cima desse conhecimento atual que é
possível ter melhor proveito para "amarrar" a toponímia do passado.
MENSAGEM FINAL: "...é uma alegria poder passar qualquer coisa que possa
ajudá-lo em suas buscas pela nossa História. Os meninos encardidos de Bom
Despacho e de Moema, em algum lugar do FUTURO, vão sorrir e
agradecer...."
Mapa Picão
Termo da Vila de Pitangui
RELATOS SOBRE PICÃO CAMACHO
por Tarcísio J. Martins

“Pitangui, a partir de 1720, ou talvez até um pouco antes, fundada e


ocupada por uma constelação de aventureiros, foragidos, frades e padres,
mocambeiros (mestiços e negros fugidos) etc., passou a ser o centro de onde se
irradiaram inúmeras expedições de procura de ouro, de devassamento e de
povoamento de nossa região. Neste sentido, sobre as origens de Bom
Despacho, nosso Laércio registra fato narrado pelo octogenário Nicolau
Valério Filho ao Monsenhor Vicente Soares, segundo o qual, quando o
revoltoso Domingos Rodrigues do Prado se retirava para Goiás, teria
acampado com sua gente em nossa região, sendo, por isto, considerado o
fundador de Bom Despacho. Inclusive, por ter ele prosseguido viagem abrindo
picadas e devastando matas, deram-lhe o apelido de “Picão Camacho”, razão
do nome do rio Picão, próximo a Bom Despacho. Laércio Rodrigues lança
luzes sobre o assunto, que podem eliminar esta versão, conforme veremos
mais adiante[1]. Moema, págs. 44/45 “Registra a “Enciclopédia dos Municípios
Brasileiros” que “foi um português, genro do bandeirante paulista Antônio
José Velho, chamado Manoel Picão CamaCHO, que primeiro se internou em
terras que constituem o atual município de Bom Despacho, onde se fixou, isto,
por volta de 1730”[2].
Até pouco tempo, tive como certo que o historiador Laércio
Rodrigues, salvo melhor interpretação, esclarecera quase que totalmente esta
questão. O nome verdadeiro do homem, segundo ele, era Manoel Picão
CamaRGO e não CamaCHO; sua nacionalidade, brasileira e não portuguesa ou
espanhola; era cunhado, e não genro, do Velho da Taipa. Neste sentido, teria
sido um dos companheiros do Velho da Taipa em suas expedições para nossa
região, no entanto, uma de suas filhas, Damiana, mudou seu nome para Joana
Maria Bicudo, excluindo o nome de seu pai, o qual, também, misteriosamente,
não consta do “Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil”. Para
explicar este fato, Laércio Rodrigues conta-nos que existe estória que há muito
contam, segundo a qual, em visita a um amigo, o garimpeiro Manoel Picão
Camargo viu sobre a mesa da sala do amigo um baita diamante que o simplório
pensava que fosse pedra sem valor. Então, fingindo que a pedra realmente não
valia nada, Picão Camargo pediu ao amigo que lhe desse a pedra para servir-lhe
de prendedor de papéis. O amigo bobalhão deu-lhe a pedra e ele foi-se embora
para Portugal, de onde nunca mais voltou para o Brasil[3].
Já na primeira edição deste livro, registrei que achava pouco
convincente a história supracitada. Neste sentido, o fato é que Damiana, filha
de Manoel Picão Camargo, antes de se casar com o reinol José Dias Maciel
(nascido na Freguesia de Nossa Senhora do Monte Serrat, na vila de Viana,
Arcebispado de Braga/Portugal), poderia ter mudado o seu nome por outras
razões, a exemplo de se envergonhar de seu pai que teria abandonado sua mãe,
ou por ter cometido algum crime - pode ter sido realmente companheiro do
revoltoso Domingos Rodrigues do Prado - ou pelo simples fato de não ter tido
sucesso em seus garimpos e, pobre, ter voltado para São Paulo. Este português
José Dias Maciel é tronco da linhagem dos Maciel, família de muito poder
político de onde, entre outros, saíram políticos como Olegário Maciel,
presidente do Estado de Minas Gerais.
Apesar de não sentir mais tanta certeza na tese do Dr. Laércio
Rodrigues, não tenho, ainda, nenhuma versão melhor que a sua para o fato
supra. Vale ressaltar que Picão significa picareta, alvião e almocafre
(instrumentos de mineração) e que Camacho, significa indivíduo manco ou
coxo. Quanto aos nomes Camargo e Camacho, estes, são realmente nomes de
paulistas ligados ao Velho da Taipa. Encontramos em Dicionário de
Bandeirantes e Sertanistas do Brasil mais atualizado, oito sertanistas com o
sobrenome Camacho, todos paulistas, entre os quais se destacam Manoel
Fernandes Camacho, irmão de Antônio Bicudo Camacho, filhos de Sebastião
Fernandes Camacho e de sua mulher Isabel Bicudo de Brito; em 1675 já
estavam em bandeiras pelo sertão, sem haver qualquer outra informação[4].
Consigne-se ainda, a existência, antiquíssima, do topônimo Camacho[5],
designando, primeiramente, o Distrito de Nossa Senhora das Dores do
Camacho, da Vila de Tamanduá (Itapecerica), elevado a cidade com esse
mesmo nome somente em 30.12.1962. Moema, p. 46/47
--------------------------------------------
[1] História de Bom Despacho, pg. 15 a 22.
[2] Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1957, verbete “Bom Despacho”.
[3] História de Bom Despacho, pg. 19/20.
[4] "Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil", Itatiaia/Edusp, 1989,
págs. 96/97 e 98/102.
[5] Francisco Camacho, homem casado, morador na Picada de Goiases, estava
presente na expedição de Pamplona de 1769; fez-lhe até uma poesia jocosa –
págs. 76/77 da Revista ABN nº 108 de 1988.
MUSEU DA CIDADE
Em Bom Despacho, o Museu da Cidade prepara-se para o futuro 05/06/06 –
Jacinto Guerra*
“Depois da cidade, o mundo; depois do mundo as estrelas.” Carlos
Drummond de Andrade.

No Rio Grande do Sul, o Sistema Estadual de Museus decidiu: Museu,


toda cidade merece o seu carinho. A cidade de Bom Despacho, em Minas
Gerais, fica situada a meio caminho entre Araxá e Belo Horizonte, na direção
da Serra da Saudade. É uma pequena capital da região que vai das nascentes do
Rio São Francisco até o grande lago de Três Marias. A povoação tem sua
origem nos fins do século XVIII, quando colonizadores portugueses, naturais
do Minho, fundaram a pequena aldeia de Nossa Senhora do Bom Despacho,
nas encostas de três colinas, lugar muito pitoresco pela beleza e amplidão de
seus horizontes.
Modernamente conhecida como a cidade da Senhora do Sol, Bom
Despacho tem, na Museologia, uma interessante história de pioneirismo. Uma
locomotiva-monumento, a Maria Fumaça, é a primeira peça do Museu
Ferroviário, em organização por iniciativa de trabalhadores de empresas que
sucederam a antiga Estrada de Ferro Paracatu. Esta ferrovia, cujos trilhos
começavam no centro de Minas Gerais e se dirigiam ao Planalto Central do
País, tinha em Bom Despacho sua sede e um grande canteiro de obras.
Desde a década de 1930, o edifício-sede, os escritórios e o setor
residencial de engenheiros, técnicos e operários da antiga ferrovia integram a
atual Vila Militar do 7º Batalhão da Polícia Militar, hoje moderna e dinâmica
cidadezinha-museu, de arquitetura inglesa, cercada de pequenas muralhas, onde
destacam-se a bela residência senhorial do comandante, alguns bangalôs, um
coreto em estilo chinês, uma igrejinha, áreas verdes, e um quartel que mais
parece um palácio. Gravadas em lugares diversos desta unidade militar estão as
iniciais EFP, preservando o nome da histórica Estrada de Ferro Paracatu.
No Quenta-Sol, periferia de Bom Despacho e antigo lugar de
população negra, rico em lendas e tradições afro-brasileiras, um acervo de
peças dos tempos da escravidão e dos quilombos está sendo organizado para
formar o Museu do Negro.
No primeiro governo do prefeito Haroldo Queiroz (1997-2000), a
cidade viveu um período de expressivo desenvolvimento, especialmente nas
áreas de educação, cultura e lazer. Com isto, um pequeno grupo de voluntários
instituiu o Museu da Cidade - MdC, que hoje funciona no interior de um
prédio da Prefeitura, na Avenida Ari Marques, ao lado do Paço Municipal
Antônio Leite, no centro da cidade.
Inaugurado com uma solenidade especial, no dia 30 de maio de 1998,
na abertura das comemorações do 86º Aniversário de Bom Despacho, o
Museu da Cidade é uma iniciativa de Nilce Coutinho Guerra, artista plástica e
professora de Educação Artística, formada pela UnB-Universidade de Brasília,
que idealizou e organizou o Museu, num trabalho voluntário, colocando a
serviço da comunidade seus conhecimentos, estudos e experiências na área da
Museologia.
O empreendimento tornou-se realidade em parceria com a Prefeitura,
através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o apoio de algumas
instituições, de empresas e famílias de Bom Despacho, destacando-se os
recursos humanos e a estrutura administrativa da Biblioteca Municipal.
A solenidade de inauguração do MdC, contou com a presença, ao lado
das autoridades municipais e lideranças da cidade, de uma delegação oficial de
Vila Verde, Portugal, cidade irmã de Bom Despacho, situada na província do
Minho, região de onde vieram os colonizadores da cidade da Senhora do Sol.
O MdC consolidou-se com a fundação da Associação Museu da
Cidade-AMC, instituída em 3 de maio de 1999. O presidente da AMC é o
empresário Júlio Benigno Fernández, cidadão argentino que mora em Bom
Despacho e atua na indústria de produtos com pedras semipreciosas. Natural
de Concepcion, Norte da Argentina, Júlio Fernández residiu muito tempo em
Buenos Aires e depois em São Paulo, adquirindo grande experiência de Brasil e
uma visão cosmopolita da cultura.
A fundadora do Museu, Nilce Coutinho Guerra, exerce as funções de
diretora e representante da AMC em Brasília, responsabilizando-se pelo
planejamento de ações administrativas de natureza técnica e pela supervisão de
atividades e coordenação de eventos especiais.
Nilce Coutinho afirma que “o Museu precisa de recursos financeiros
para aquisição de equipamentos de segurança e manutenção, vitrines especiais,
armários para a Reserva Técnica. Necessita, ainda, de mais funcionários, de
estagiários, especialmente de Museologia, História, Turismo, Ciências e de
voluntários de profissões diversas, interessados nas questões de patrimônio
cultural e artístico da cidade”. Declara a diretora do Museu que “em ocasiões
especiais, principalmente na promoção de eventos, os voluntários poderão
oferecer algumas horas de trabalho em benefício do Museu, num exercício de
cidadania que será registrado e divulgado”.
A museóloga entende, também, que a AMC precisa ampliar o seu
quadro de sócios, não só com moradores de Bom Despacho, mas também
com cidadãos bondespachenses e amigos da cidade residentes em outros
lugares, sobretudo em Brasília e Belo Horizonte. A diretora do Museu da
Cidade espera que a sociedade organizada dê um forte apoio à AMC, em sua
tarefa de manter e desenvolver uma instituição importante na preservação do
patrimônio cultural e da memória histórica da cidade.
Nilce Coutinho, em seu planejamento do Ano Nacional dos Museus
propõe a realização de uma campanha de doação de peças e documentos de
valor histórico e artístico. São importantes os objetos que documentem a
trajetória do homem: objetos de uso pessoal, utensílios domésticos,
ferramentas de trabalho, móveis, roupas, brinquedos, armas, máquinas, obras
de arte, instrumentos musicais, peças sacras e outras. As doações recebidas
serão devidamente registradas e incorporadas ao acervo do Museu, com o
nome de seus doadores.
Atualmente, integram os órgãos de direção e o Conselho Deliberativo
da AMC, cidadãos atuantes na comunidade, entre os quais o padre Robson
Teixeira Campos, o engenheiro Renato Campos, o empresário Ricardo
Alvarenga, os professores Ademar Garcia de Carvalho e Maria da Conceição
Costa, a funcionária municipal Maria Avelina de Jesus e outros voluntários,
especialmente Geraldo Pereira de Melo, Maria Eulália Eleutério e João Batista
da Silva.
Numa visão contemporânea, a equipe do MdC entende que “Museu é
um espaço de arte e cultura que, utilizando recursos e linguagens modernas,
oferece às pessoas a oportunidade de observar, admirar e estudar documentos
peças, objetos, saberes e experiências que comprovam as conquistas do
homem através dos tempos” e que “O museólogo estuda o passado numa
relação dinâmica com o presente. O seu objetivo é o futuro, com as exigências
cada vez maiores de domínio dos conhecimentos e das técnicas que constroem
as civilizações.”(Jacinto Guerra e Nilce Coutinho)
O Museu da Cidade possui, em seu acervo, variado material que
documenta fases da historia da cidade; de personalidades que marcaram
passagem e deram exemplos de cidadania, além de objetos de outros países e
de todo o Brasil. Duas peças, um quadro a óleo da Matriz de Bom Despacho,
de autor desconhecido, e um grande vaso de cerâmica pré-colombiana, com
ossadas humanas, encontrado na Fazenda Indaiá, nas imediações da cidade,
integram a relação de bens tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio
Cultural.
Na opinião de Ângelo Oswaldo de Araújo, atual prefeito de Ouro
Preto, que fez uma visita oficial a Bom Despacho, em 1999, quando era
Secretário de Estado da Cultura, “uma das características mais interessantes do
Museu da Cidade é a diversidade de seu acervo, que sinaliza perspectivas
empolgantes”.
De fato, nesse Museu, algumas surpresas aguardam, principalmente, os
turistas, que poderão conhecer registros da cultura afro-brasileira, como a
Língua da Tabatinga, objeto de tese universitária e um livro da professora
Sônia Queiroz, da UFMG, e matérias sobre o trabalho das lavadeiras da
Biquinha, que constituem saberes e conhecimentos do patrimônio imaterial de
nossa cultura. Os estudos de Sônia Queiroz têm repercussão internacional e,
nos meios universitários, a Tabatinga, periferia da cidade, é mais conhecida que
a própria Bom Despacho.
O Museu possui desde peças muito antigas como um tronco de
madeira petrificada há milhões de anos e a Igaçaba da Fazenda Indaiá, com
mais de mil anos, até produtos de indústrias modernas do Município: o
mobiliário do próprio Museu e artigos com pedras semipreciosas, que são
exportados para diversos países.
Encontra-se representado, no Museu da Cidade, o Reinado de Nossa
do Rosário, uma tradição centenária, também conhecida como Congado ou
Festa do Rosário, que o Correio Braziliense considerou como uma das festas
populares mais belas do interior do Brasil.
O visitante poderá, também, conhecer e admirar obras interessantes do
artesanato de Bom Despacho e de Vila Verde, Portugal, especialmente o Lenço
dos Namorados, bela tradição daquela cidade do Minho e objetos de outras
regiões do Brasil e de países como a Argentina, o Peru, a Bolívia e a Grécia.
A Exposição de Arte Infantil, o Concurso de Presépios e a Mostra de
Arte da Juventude são eventos que o MdC promove anualmente. Além de seu
valor educativo, atraem a atenção da mídia e divulgam a cidade, tendo o Museu
e seus eventos conseguido espaço, inclusive na Rede Globo de Televisão, no
Estado de Minas e na revista VEJA, sendo que, em 2005, o Concurso de
Presépios de Bom Despacho foi divulgado na Rádio Vaticano, a emissora do
Papa.
Para assegurar o desenvolvimento e a permanente atualização do
Museu da Cidade, o presidente da AMC, Júlio Fernández, entende que “é
necessário parcerias mais amplas, principalmente com os órgãos municipais de
Educação e Cultura”.
A Associação Museu da Cidade defende e propõe convênios com o
Sesc-MG – Serviço Social do Comércio de Minas Gerais, que possui, na
cidade, um grande centro de turismo, cultura e lazer, e com a Unipac-
Universidade Presidente Antônio Carlos / Campus de Bom Despacho,
instituições cujos objetivos se completam e se enriquecem com as finalidades
de um Museu ativo e moderno que, em 2008, estará comemorando o seu 10º
aniversário.
Atualmente, o MdC encontra-se instalado num imóvel que não permite
o seu desenvolvimento, uma vez que o espaço disponível não comporta
qualquer ampliação de serviços. Considerando o interesse do prefeito Haroldo
Queiroz em resolver, em caráter definitivo, o problema de espaço físico do
Museu, a AMC trabalha no sentido de construir um prédio para esta finalidade.
Em Bom Despacho, os imóveis de valor histórico e artístico, que são mais
adequados à instalação de um Museu, abrigam outras instituições ou pertencem
a particulares, que neles ainda residem. Desta forma, a AMC pretende
colaborar com a Prefeitura no sentido de conseguir a aquisição de um terreno
para a construção do Museu, em local de fácil acesso aos turistas e moradores
da cidade, especialmente pessoas idosas ou portadoras de necessidades
especiais.
Conseguido o terreno para as obras do Museu, a ideia é promover um
Concurso de Arquitetura para a escolha do melhor projeto de uma construção,
ao mesmo tempo, moderna, funcional e de baixo custo.
De posse do terreno e do projeto arquitetônico, existe a proposta de se
instituir uma Comissão Executiva de alto nível, que poderá ser presidida pelo
Prefeito e integrada por representantes da AMC e da sociedade civil. Essa
comissão deverá encarregar-se de coordenar uma grande campanha de
captação de recursos, verbas públicas, apoio empresarial e contribuição do
povo, com pequenas doações e trabalho voluntário para, até fins de 2008,
construir e inaugurar o MdC num prédio de arquitetura moderna, que deverá
ser um espaço de conhecimento, entusiasmo e alegria para o povo.
Em Bom Despacho, o Museu da Cidade tem uma frase-símbolo
garimpada na poesia de Carlos Drummond de Andrade: “Depois da cidade, o
mundo; depois do mundo, as estrelas”.

(Texto elaborado com a colaboração de Nilce Coutinho Guerra e pesquisas na


programação da Semana Nacional dos Museus / Iphan / Ministério da
Cultura, arquivo do Museu da Cidade / Bom Despacho, MG e no Correio
Braziliense ( 26-5-2006, página 32, “A filha da aviação”, reportagem de Renato
Alves).

*Jacinto Guerra, professor, escritor e estudioso de Museologia, foi Secretário


de Cultura e Turismo de Bom Despacho no primeiro governo de Haroldo
Queiroz (1997–2000), quando se instituiu o Museu da Cidade. É Secretário-
Geral e membro da Representação da AMC em Brasília.

PRESERVAÇÃO É...

Resistir, com destaque, simplicidade e beleza, entre prédios


contemporâneos na Praça da Estação... O conceito de preservação do
patrimônio cultural é muito confundido e deturpado, pois uma edificação sem
uso e fechada, nem sempre está preservada. Na foto, vemos a residência,
provavelmente da década de 20, repintada e revitalizada refletindo o resto
daquela ambiência formada pelas edificações das décadas anteriores. Progresso
não é sinônimo de prédios altos, como também, preservação não é sinônimo
de ruínas. O progresso reflete a história dos cidadãos, ou seremos cidadãos
sem história?
Carolina Moreira – arquiteta e urbanista, costamind@hotmail.com
Clique e conheça o fotoblog criado pela Carolina:
http://www.fotolog.net/bom_despacho
A SAGA DA ESTRADA-DE-FERRO PARACATU (EFP)
Entrevista com um dos últimos ferroviários
por Bruno Alexandre - brunoalexandre2003@yahoo.com.br
Entrevista realizada com Manoel Werneck em 06 de fevereiro de 2003:

“Começou a ser construída em 1914, em um local chamado Velho da


Taipa”. Foram construídos galpões (Para alojamento de funcionários e para a
oficina das locomotivas),e um reservatório para abastecimento das mesmas.
Construíram a "Vila dos Ferroviários" (Hoje "Vila Militar"),com o escritório da
rede ferroviária (Hoje quartel) sendo concluída a as construções em 1927. O
objetivo da estrada férrea era de atingir a cidade de Paracatu, e ir até Goiás,
mas foi interrompida em Barra do Funchal, por terem sido encontrados solos
rochosos (pois, o trabalho da época era manual, e os túneis não eram cavados
por máquinas).
Da cidade de Melo Viana até Barra do funchal foram construídos dois
grandes túneis. Os trens vindos da capital, com destino a Barra do Funchal
passavam pela cidade de Divinópolis, sendo ocupados pelos passageiros ou
cargas, ia até Velho da Taipa, onde ia para a bitola de metro do ramal Paracatu.
Os trens passavam nas cidades de Pitangui, Brumado de Minas, Pará de
Minas, Betim, Bom Despacho, e outras. O ramal Paracatu foi desativado,
devido construção da BR-262, suas cargas passaram a ser transportadas por
caminhões, por serem mais rápidos. A rede ferroviária fechou também por
começar a ter prejuízos, e era muito caro manter o ramal.
Em 1930, o núcleo ferroviário foi transferido para Divinópolis. “A Vila
dos Ferroviários foi então desocupada, dando lugar aos militares, por
determinação do governo Olegário Maciel.”
Segundo Manoel José Werneck, representante dos ferroviários
aposentados da Estrada de Ferro Paracatu.

* Manoel Werneck faleceu em 2007, mas seu sonho continua neste livro.
OS GIESBRECHTS CHEGARAM FINALMENTE A PARACATU!

No dia 18 de dezembro de 2007, escrevi para meus amigos e colegas de


listas de discussão na Internet a seguinte mensagem:
“Senhores:
Tenho a grata satisfação de informar a todos que a família Giesbrecht
finalmente chegou a Paracatu, com 117 anos de atraso, mas chegou.
Em 1890, um dos primeiros, senão o primeiro, emprego de meu bisavô
Wilhelm (Guilherme) Giesbrecht depois de chegar ao Brasil, então com 24
anos de idade, foi o de fazer a pesquisa para o leito da E. F. Paracatu, que
ligaria a E. F. Central do Brasil, na região de Sabará (Belo Horizonte ainda não
existia) à cidade de Paracatu, antiga cidade mineira fundada por bandeirantes
paulistas e hoje próxima à divisa com Goiás, a 220 km de Brasília.
Anos mais tarde, Wilhelm voltou a trabalhar para a construção da
ferrovia, no final dos anos 1890. Esta, no entanto, chegou apenas em 1937 à
estação da Barra do Funchal (município de Serra da Saudade, Minas Gerais),
dali não passou e jamais chegou a Paracatu, embora mantivesse seu nome e
depois ter sido encampada pela Rede Mineira de Viação, em 1934.
Hoje exatamente às 13 horas meu filho Filipe, trineto de Wilhelm,
chegou a Paracatu, vindo de Brasília pela BR-040, sendo o primeiro e o único
até agora da linhagem a conhecer a cidade.
Palmas para ele.
“Abraços, Ralph Giesbrecht”
Filipe foi para lá a trabalho. Fez um trajeto bem diferente do que
Wilhelm faria na época: São Paulo-Brasília de avião, alugando um carro em
Brasília e seguindo para Paracatu. Permaneceu ali por quase uma semana,
retornou pelo mesmo trajeto e jamais foi para lá novamente, mas a “missão”
foi cumprida.
A Estrada de Ferro de Paracatu ficou com o nome da cidade aonde
nunca chegou. Já foi extinta há anos e teve os trilhos arrancados.
Menos de um ano mais tarde nasceu Guilherme Giesbrecht, chamado de Willi,
filho de Alexandre, sobrinho de Filipe e meu neto.

Texto de Ralph Giesbrecht


http://blogdogiesbrecht.blogspot.com/2009/10/os-giesbrechts-chegaram-
finalmente.html

E.F. PARACATU DESGARRADA NOS GERAI S: — A ESTRADA QUE


NÃO MUDOU O SERTÃO
Délio Araújo - Centro-Oeste nº 23-12-87

A EF Paracatu, incorporada em 1931 à Rede Mineira de Viação (CO-


22), foi uma dessas ferrovias brasileiras que nunca alcançaram sequer a cidade
que lhes deu o nome e, em consequência, jamais obteve maior projeção
econômica e histórica.
A construção teve início em Velho da Taipa, estação da bitolinha de 76
cm da EF Oeste de Minas, na margem oeste do rio Pará, a 1/3 do caminho de
Divinópolis a Paraopeba, no alto São Francisco.
Na Taipa, a EFOM tinha uma ponte sobre o rio Pará e um ramal até
Pitangui. O material rodante seguiu em truques de bitola 76 cm de Divinópolis
a Velho da Taipa, pois a EF Paracatu teria a bitola de 1,00 m.
Em 1927, atingia Melo Viana, 154 km a oeste da Taipa e 24 km além de
Dores do Indaiá. Em 1930, já dispunha de mais 57 km na direção oposta, de
Água Suja, margem leste do rio Pará, até Pará de Minas, para ligar-se a Belo
Horizonte. Faltava adaptar a ponte da EFOM sobre o rio Pará, para unir os
dois trechos.
O trecho de Taipa a Bom Despacho (59 km) foi inaugurado em 31-
Out-1921; até Dores do Indaiá (70 km) em 28-Dez-1922; até Melo Viana (24
km) em 29-Jul-1925; e de Água Suja a Pará de Minas, em 8-Dez-1931. O
último trecho inaugurado, em 24-Abr-1937, atingiu a Barra do Funchal, 19 km
a oeste de Melo Viana. Aí, a EF Paracatu estancou, pois deveria seguir para o
norte até Paracatu, a 260 km em linha reta.
Em 19-1-1931 o decreto nº 19.602 autorizou o arrendamento ao
Estado de Minas da EFOM, Rede Sul Mineira (RSM), parte da EF Goiás em
território mineiro e a EF Paracatu. Em 24-Jan-1931 é celebrado o contrato e
forma-se a Rede Mineira de Viação (RMV). A EF Paracatu passou a ser
denominada Ramal de Paracatu.
Hoje só resta o trecho de Pará de Minas a Velho da Taipa. Por vários
anos, os trens ainda correram até Bom Despacho mas a siderúrgica que aí
funcionava passou a usar caminhões (!). Dadas as sucessivas crises da indústria
do ferro-gusa em Minas Gerais, talvez a indústria não exista mais."

fonte: http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/vfco/paracatu.htm

Links de Sites Interessantes:


http://www.anpf.com.br - Associação Nacional de Preservação Ferroviária
http://www.trembrasil.org.br - Preservação Ferroviária
http://www.unimep.br/mpf - Movimento de Preservação Ferroviária
http://www.trem.org.br - Memória do Trem
http://www.abpf.org.br - Associação Brasileira de Preservação Ferroviária
http://www.estacoesferroviarias.com.br - Estações Ferroviárias no Brasil
http://www.crl.edu/brazil/provincial/minas_gerais - Relatos dos Presidentes
da Província do Estado de Minas Gerais, entre os anos de 1917 e 1931 sobre a
ESTRADA DE FERRO PARACATU.
Mapa Bom Despacho Rural 1979 - EFP , Colônia David Campista

Colônia David Campista e Álvaro da Silveira


Croqui da EFP

A LOCOMOTIVA 325

A locomotiva a vapor nº 325, a Maria Fumaça é do tipo ‘Pacific’,


construída pela “Baldwin Locomotive Works”, em 1911. Foi importada dos
Estados Unidos em 1918, por ser uma possante locomotiva movida a lenha,
carvão e água e atender ao crescente transporte de cargas e de passageiros. Foi
importada com a numeração 80 e circulava nas estações de Velho da Taipa e
posteriormente, Bom Despacho.
A numeração da locomotiva foi alterada para 151, e sua rota transferida
para Ribeirão Vermelho, Lavras e Três Corações. Segundo Sr. Manoel
Werneck, novas locomotivas foram adquiridas para a E. F. Oeste de Minas, e
então, novamente a numeração da locomotiva foi alterada para nº325. As
locomotivas mais possantes deveriam ter maior numeração. Parou de circular
em 1977, juntamente com outras locomotivas, dando lugar `as diesel-elétricas,
mais possantes e econômicas. Ficando, com isso, estacionada num galpão em
Ribeirão Vermelho, por vários anos. Abandonada, ficou praticamente coberta
pelas águas, após grande período de chuvas, na década de 80.
Hoje se encontra exposta na plataforma de embarque que restou da
construção original da antiga Estação de Bom Despacho.
Representa um marco para a memória da comunidade, pois é o registro
de uma época de fundamental importância na formação e consolidação do
município.

EFP E A CONSOLIDAÇÃO DO MUNICÍPIO (1A PARTE)

A primeira Estação Ferroviária de Bom Despacho foi inaugurada em


1921, com a chegada da Estrada de Ferro Paracatu ao município. Sendo assim,
torna-se necessário que se faça um breve relato histórico desta ferrovia, para
uma melhor compreensão do assunto abordado.
A Estrada de Ferro Paracatu seria uma substituição das estradas de
ferro que ligariam Curvelo à Serra das Araras e de Pitangui a Patos. Esta
estrada estava prevista para cobrir o trecho que, partindo de Martinho Campos,
posteriormente denominada Velho da Taipa (Pitangui), Bom Despacho, Dores
do Indaiá, Carmo do Paranaíba, Patos, até atingir Alegre no município de
Paracatu, para então finalizar na Serra das Araras na divisa de Minas com
Goiás. A E. F. Paracatu tinha o objetivo de desenvolver uma vasta região do
estado que ainda encontrava-se segregada dos centros comerciais. Acreditava-
se que a estrada se sustentaria através do escoamento da produção da região
servida por ela.
Segundo relatórios feitos pelo Governo da Província de Minas Gerais,
denominados “Mensagens dos Presidentes das Províncias”, a concessão desta
estrada foi feita através de contrato datado de 31 de janeiro de 1912, firmado
entre o governo e a Companhia Norte de Minas, empresa encarregada de
executar as obras de construção da ferrovia. Entretanto, as partes entraram em
litígio e em 1920, o Estado declarou a caducidade da concessão, anulando o
contrato. Para resolver a questão, foi firmado um acordo no qual o Estado
adquiriu todo o patrimônio relativo à Estrada de Ferro Paracatu, pagando à
Companhia Norte de Minas um valor baseado em avaliação feita na época.
Assim, no início da década de vinte, todas as obras que estavam paralisadas
foram retomadas, trazendo para a região crescimento e progresso. Para auxiliar
na construção da ferrovia o governo incentivou a formação de colônias
formadas por imigrantes, principalmente alemães. Na região de Bom Despacho
foram criadas nesta época, as colônias de Álvaro da Silveira e David Campista.
Em 1921, os trilhos da Estrada de Ferro Paracatu chegam à Vila de
Bom Despacho e em 21 de outubro deste mesmo ano, é inaugurada a Estação
Ferroviária local. A década de vinte do século passado, não só foi testemunha,
mas também agente do processo de desenvolvimento experimentado pela
localidade. Nesta época são construídos o Escritório Central da Estrada de
Ferro Paracatu, galpões para alojamento de funcionários, armazéns, oficinas de
reparo das locomotivas além da Vila Operária e de várias outras edificações
que até hoje são referências urbanas importantes para o município. Dentre elas,
temos também, a Escola Coronel Praxedes, a Santa Casa e o Hotel Glória.
A evolução urbana, social e política do município de Bom Despacho
estão intimamente ligadas à chegada das locomotivas ao município, nos trilhos
da Estrada de Ferro Paracatu, na década de 20.

EFP E A CONSOLIDAÇÃO DO MUNICÍPIO (2A PARTE)

Em minha opinião, a vinda do Escritório da Estrada de Ferro Paracatu


concedeu à Vila de Bom Despacho uma importância regional naquela época.
Em 11 de outubro de 1925, em artigo do jornal “O Bom Despacho”, Nicolau
Teixeira Neto escreve sobre o Escritório Central da Estrada de Ferro Paracatu:
‘Depois de alguns meses de trabalho intenso, está finalmente terminada a
grande esplanada para as oficinas e escritórios da Estrada de Ferro Paracatu.
Mais de 20.000m2 é a área calculada, onde ficarão alojados com relativo
conforto, todos os departamentos da administração da futura e já bem
desenvolvida via férrea do Noroeste Mineiro. (...) é um Bom Despacho novo
que nasce e cresce dia a dia robustecido por esta seiva nova e bendita do
trabalho, da arte e do bom gosto. (...)
A construção da ferrovia seguiu seu curso normalmente, inaugurando
sucessivamente vários trechos e estações. A de Dores do Indaiá foi inaugurada
em 1922 e em 1925 a de Melo Viana. Em 1927, ao atingir a Serra da Saudade,
constatou-se que, dada a topografia local, a construção deste trecho seria muito
onerosa, pois exigiria a abertura de inúmeros túneis e grande movimentação de
terra.
Como a situação financeira, tanto do estado, quanto das ferrovias
mineiras, não era boa, cresce no âmbito governamental a ideia de se unificar as
administrações das companhias ferroviárias atuantes no estado. Cabe aqui
ressaltar, que vários fatores contribuíam para o agravamento da crise, entre eles
estavam a multiplicidade de bitolas, a preferência pelos traçados sinuosos (mais
dispendiosos para o governo, porém mais rentáveis para as empresas, que
ganhavam por quilometragem) e a própria concorrência entre as ferrovias.
Desta forma os serviços prestados iam sofrendo um processo de degradação
contínua.
Após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, a crise capitalista
atinge o Brasil e também a esfera ferroviária. Com a produtividade em baixa, o
escoamento das mercadorias diminuiu, prejudicando o faturamento das
empresas.
Unificação das Estradas de Ferro: R.M.V. Em 1931, foi feito pelo
Governo Federal um contrato com o Governo de Minas Gerais para o
arrendamento da Estrada de Ferro Oeste de Minas. Ficou resolvido que a
Oeste seria, como já estava sendo, explorada técnica e financeiramente, dentro
de um aglomerado que englobaria três ferrovias: além da própria Oeste de
Minas, a Estrada de Ferro Paracatu e a Rede de Viação Sul Mineira. A esta
união deu-se a denominação de Rede Mineira de Viação. Com isso, Estrada de
Ferro Paracatu se tornou Ramal de Paracatu, iniciando-se em Azurita e
terminando em Barra do Funchal. Mesmo assim, as obras continuaram e, em
24 de abril de 1937 foi aberta ao tráfego o trecho entre Melo Viana e a estação
de Barra do Funchal. Este trecho seria o último a ser concluído, pois devido à
variados fatores, a construção da ferrovia foi interrompida neste ponto, para
nunca mais ser retomada.
Em 1957, o processo de federalização ferroviária no Brasil se
consolidou com a formação da Rede Ferroviária Federal S. A – RFFSA, que
encampou, entre outras, a Rede Mineira de Viação.
A Estação Ferroviária de Bom Despacho funcionou por vários anos
atuando no transporte de cargas mas, principalmente, no embarque e
desembarque de passageiros. Mesmo com a interrupção da construção da linha
férrea, o trecho correspondente ao Ramal Paracatu continuou a ser muito
utilizado e por ele passavam centenas de passageiros e cargas variadas.
Nova Estação. Na década de 60, a antiga estação, de arquitetura
representativa das construções ferroviárias do início do século XX, foi
derrubada para dar lugar ao atual prédio da estação. Esse, construído de acordo
com o repertório formal moderno. Assim, a cobertura em duas águas anterior
deu lugar à laje plana. Sobre a plataforma, o telhado cerâmico sustentado por
mãos francesas, foi substituído por laje em balanço.
A circulação de locomotivas pela nova Estação de Bom Despacho
continuou acontecendo, a despeito da decadência do transporte ferroviário no
Brasil. Pela estação, passaram várias máquinas movidas a vapor, dentre elas a
Maria Fumaça, que hoje se encontra estacionada na plataforma aos cuidados
do Sr. Manoel Werneck, ex-ferroviário em Bom Despacho.
A Estrada de Ferro Paracatu não atingiu o objetivo de chegar à Serra
das Araras, na divisa de Minas com Goiás. Portanto, foi de extrema
importância para o desenvolvimento urbano, social, político, econômico e
cultural do município. Para citar um exemplo, vários congadeiros chegaram ao
município através da estrada de ferro.
O Tombamento da Maria Fumaça e Praça da Estação - Foi pensando
nessa importância que o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, presidido
por Nicozina Campos, em acordo com os 24 conselheiros e prefeito municipal,
indicaram como bens culturais com interesse de preservação municipal a Praça
Olegário Maciel e a Maria Fumaça. Através dos decretos Nº 2583/03 e Nº
2582/03 respectivamente, foram tombados na esfera municipal. Existe ainda
na esfera federal, a lei nº 10.413/02 que determina que o acervo ferroviário
passa a integrar o acervo histórico e artístico da União. Com isso, proteger e
zelar pelo acervo ferroviário deveria ser prioridade também no Legislativo
municipal.
Antiga Estação Ferroviária de Bom Despacho, locomotiva a vapor e caixa
d’água. Primeira estação construída em Bom Despacho. 1921. Acervo: Wilson
Fortunato

Estação Ferroviária de Bom Despacho, década de 60. Acervo: Wilson


Fortunato
Chegada do Trem – 1950

AS ESTAÇÕES DA ESTRADA-DE-FERRO PARACATU (EFP)

fonte:
A) site Estações Ferroviárias do Brasil (Autor: RALPH MENNUCCI
GIESBRECHT) www.estacoesferroviarias.com.br
B) Pesquisas diversas realizadas pelo Eng. Ítalo Coutinho
(engenharia@saletto.com.br)

As estações da Estrada-de-Ferro Paracatu foram:

Velho do Taipa - Pitangui/MG


Leandro Ferreira - Leandro Ferreira/MG
Parada (sem denominação) - Leandro Ferreira/MG
Trigueiro - Leandro Ferreira/MG
Álvaro da Silveira - Bom Despacho/MG
Daniel de Carvalho - Bom Despacho/MG
Bom Despacho - Bom Despacho/MG
Arthur Bernardes - Bom Despacho/MG
Clodomiro de Oliveira - Dores do Indaiá/MG
Pindaíba - Dores do Indaiá/MG
Dores do Indaiá - Dores do Indaiá/MG
Melo Viana - Serra da Saudade/MG
Barra do Funchal - Serra da Saudade/MG

Estação Álvaro da Silveira (Bom Despacho/MG)


E. F. Paracatu (1921-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Ramal de Paracatu - km 943,017 (1960) MG-2476
Inauguração: 31.10.1921
Uso atual: abandonada sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome ÁLVARO DA SILVEIRA?

A estação de Álvaro da Silveira foi inaugurada pela E. F. Paracatu em


1921 no trecho de linha aberto nesse dia até a estação de Bom Despacho, sede
do município do mesmo nome. Exatamente nessa época (1921 ou 1922, não
está bem claro), uma colônia para estrangeiros com o nome da estação Álvaro
Silveira foi fundada, a cerca de 5 km ao norte da estação. "Deixo assim
fundadas mais quatro grande colônias, Álvaro da Silveira, David Campista,
Bueno Brandão e Francisco Sá, situadas em pontos perfeitamente salubres e
favorecidas pela proximidade de estradas de ferro (...) As casas, em todas essas
colônias, são construídas de tijolos, assoalhadas e dotadas de instalações
sanitárias, de conformidade com o plano adotado pela Diretoria de Higiene e
Profilaxia, que, além disso, mantém em Álvaro da Silveira um posto médico
para combater as verminoses e o impaludismo" (Mensagem do Presidente do
Estado, Arthur Bernardes, 14/6/1922). Em 1929, a colônia de Álvaro da
Silveira era "composta por 179 lotes sendo 102 ocupados, 5 reservados e 72
vagos". Em 1930, "Esse núcleo tem a área de 4.289 hectares. Plantaram-se
2.274 litros de milho, 1.556 de arroz, 363 de feijão, 72.500 pés de mandioca,
1.000 de cana, 500 de café e 70 arrobas de algodão, tudo numa área de 328
hectares. A colônia está cortada por 47.387 m de estradas de rodagem, 22.500
metros de caminhos comuns e nela estão construídos um prédio público, 15
casas provisórias, 182 definitivas, funcionando uma escola, uma casa comercial,
uma olaria, 3 engenhos de cana e 11 moinhos de fubá. Existiam no núcleo aves
e animais diversos, no valor de 59:661$800, de propriedade dos colonos. As
construções, veículos, engenhos e olaria existentes podem ser avaliados em
675:530$200. A população do núcleo era de 75 famílias, com 444 pessoas"
(Mensagem do Presidente do Estado, Arthur Bernardes, 14/6/1922). "Eu
nasci em Belo Horizonte em 1939, vim para os Estados Unidos em 1953.
Agora sou aposentado do U.S. Customs Service. Estou escrevendo a história
de meus pais que viviam em 1923 na Colônia Álvaro da Silveira como
imigrantes alemães. Eu sempre tive um grande problema para achar esta
colônia exatamente. O nome não aparece nos mapas. Seu site é o primeiro
onde a encontrei. Meu pai e minha mãe foram em 1928 a cavalo por 3 horas
para se casarem na cidade de Bom Despacho" (Fred Hanke, 02/2007). As
perguntas: afinal, porque os pais de Fred não foram de trem para Bom
Despacho, se a linha já existia entre as duas cidades nessa época? Pelos mapas,
a colônia ficava a cerca de 5 km ao norte da estação do mesmo nome, e a uns
13 km, a mesma distância da estação, para a cidade de Bom Despacho. Consta
que os últimos trens que trafegaram pela linha agora erradicada foram
pequenas composições cargueiras tracionadas por locomotivas G8 e U5B. O
prédio da antiga estação está em ruínas. "Eu e outros fomos visitar a região da
colônia Álvaro da Silveira neste último sábado. Vimos que a antiga sede foi
demolida e em seu lugar foi construída uma moradia para os peões da fazenda,
só restaram restos do alicerce que estão visíveis em uma parte do curral. O
ultimo terreno que pertencia a uma família de descendentes dos Primus foi
vendido recentemente, ou seja, já não existe mais nenhuma família de origem
alemã na colônia Álvaro da Silveira. A estação está em ruínas, o proprietário do
local chegou a reformá-la, mas os pescadores que frequentam o rio Pará, que
fica a uns 300 metros da estação, depredaram o prédio e roubaram o que
podiam" (Vandeir Alves dos Santos, 01/2008).

Estação Daniel de Carvalho (Bom Despacho/MG)

E. F. Paracatu (1925-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Ramal de Paracatu - km 952,943 (1960) MG-3982
Inauguração: 22.07.1925
Uso atual: em ruínas sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
Por que o nome DANIEL DE CARVALHO?

A estação de Daniel de Carvalho foi inaugurada pela E. F. Paracatu em


1925. Depois de desativada, o local se esvaziou. Hoje (2008) não há morador
algum, o abandono é total, os urubus se divertem usando as casas como
poleiro.
Existem ainda casas da vila ferroviária, bastante isoladas em Daniel de
Carvalho. Tudo totalmente abandonado. Urubus sobre uma delas dão um
aspecto macabro ao local que um dia já teve seu movimento ferroviário. Hoje,
sem trilhos e sem absolutamente nada.

Estação Bom Despacho (Bom Despacho/MG)

E. F. Paracatu (1921-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Ramal de Paracatu - km 966,065 (1960) MG-1054
Inauguração: 31.10.1921
Uso atual: museu (nova) e Associação Comunitária (antiga) sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome BOM DESPACHO?

A estação ficava na sede do município de mesmo nome. Para saber


sobre a história dessa cidade.
A estação de Bom Despacho foi inaugurada pela E. F. Paracatu em 1921. Em
1968, com a erradicação definitiva do trecho Bom Despacho-Barra do
Funchal, a estação passou a ser ponta de linha. Havia na cidade uma
siderúrgica que justificava o tráfego de cargueiros de minério até ela. Porém,
essa situação não durou muito e os trens acabaram, com o minério passando a
seguir por caminhões. A estação original, de 1922, foi derrubada para a
construção de uma maior, que ainda está lá. Com uma variante construída já
pela RFFSA, a estação mais velha foi desativada e uma nova foi construída na
variante. Também existe até hoje. "A loco 325 é uma Baldwin Pacific, de 1911
(infelizmente a placa do fabricante foi roubada), originada da RMV e
reformada (embora esta reforma não tenha sido completada 100%) nas
oficinas de Divinópolis. Há um pequeno acervo numa das salas da estação,
além da loco e de outras peças, inclusive um trole. Não se trata propriamente
de um museu, pois nada está organizado. Contudo, o nosso prezado Manoel
Werneck, um "faz tudo" aposentado da rede, inclusive tendo sido maquinista, é
um lutador e está lá fazendo de tudo para conservar o pequeno patrimônio
histórico da ferrovia em Bom Despacho. Excelente companheiro para
expedições ferroviárias, conhece tudo da região e da história da EFP"
(Gutierrez L. Coelho, 11/2003). "A estação mais antiga abriga um pequeno
museu mantido por ex-ferroviários - velhos e saudosos homens do tempo da
maria-fumaça. O prédio está em mau estado, e a locomotiva, pior ainda. Dá
pena ver aquela máquina apodrecendo no tempo. Daria um excelente trem de
turismo na região. Queira Deus que algum dia a comunidade e os políticos da
região criem um projeto para ela" (Pedro Paulo Rezende, 2006). Nas fotos,
parece que é a mais nova estação que abriga o museu - pois é ela quem tem a
locomotiva. A mais antiga abriga a Câmara Municipal, como está em sua
fachada.
A estação mais nova, construída provavelmente nos anos 1960, sem
que fosse derrubada a estação antiga, abriga hoje um museu, com uma
locomotiva à sua frente.

Estação Arthur Bernardes (Bom Despacho/MG)

Rede Mineira de Viação (1943-1965)


V. F. Centro-Oeste (1965-1968)
Ramal de Paracatu - km 994,294 (1960) MG-1055
Inauguração: 01.05.1943
Uso atual: moradia sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1943?

Por que o nome ARTHUR BERNARDES?

A estação de Artur Bernardes foi inaugurada pela Rede Mineira de


Viação em 1943. Em 1968, com a erradicação definitiva do trecho Bom
Despacho-Barra do Funchal, a estação foi fechada. "Da estação de Arthur
Bernardes só restou a plataforma e no seu entorno alguns escombros dos
depósitos, casinhas, e nada mais, só restos" (Rodrigo José Matos, Uberaba,
MG, 11/2003). "Em 2007, chama-se fazenda São Francisco, cujo proprietário
aproveitou a plataforma, as paredes externas e internas e construiu a sede da
fazenda. Manteve a bilheteria, como comprovará na foto" (Rodrigo José
Matos, Uberaba, MG, 04/2007). Em agosto de 2008, a antiga estação, meio
descaracterizada, já estava pronta para sua nova função.

Álvaro da Silveira - Bom Despacho/MG

Á direita do mapa de cerca de 1960, acima, a Colônia Álvaro da


Silveira, cerca de 5 km a norte da estação do mesmo nome, e a uns 13 km da
sede do município (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1958, p.
107).

Os pais de Fred Hanke, na Colônia Álvaro da Silveira, preparando-se para


seguir para o casamento em Bom Despacho, em 1928 (Acervo Fred Hanke).
Foto Arquivo Público Mineiro - construção de uma vala próxima à linha da
EFP

Foto Arquivo Público Mineiro - construção de uma vala próxima à linha da


EFP
Foto Arquivo Público Mineiro - construção de passagem de córrego

Foto Arquivo Público Mineiro - construção de passagem de córrego


Foto Arquivo Público Mineiro - cortando o terreno

Foto Arquivo Público Mineiro - cortando o terreno


Estrutura metálica

Ponte sobre o Rio Lambari - divisa dos municípios de Leandro Ferreira e Bom
Despacho - entre as estações Trigueiro e Daniel de Carvalho.
A ponte é utilizada para passagem.

Ruínas da Estação Álvaro da Silveira


Daniel de Carvalho - Bom Despacho/MG - Caminho por onde o trem
passava, entre o povoado da Passagem e a estação Daniel de Carvalho, pode-se
perceber o corte na topografia local por onde a linha existia.

Estação Daniel de Carvalho, à direita a rampa.


Casa do pessoal de manutenção da linha.

Bilheteria
Primeira estação construída em Bom Despacho. 1921

Estação Bom Despacho - Bom Despacho/MG - Segunda estação. Gravura de


autor desconhecido, encontra-se no Museu dos Ferroviários de Bom
Despacho.
A estação nova de Bom Despacho, com os trilhos, 1960. Acervo Wanderley
Duck

Oficina onde atualmente funciona o Colégio Tiradentes.


Arthur Bernardes - Bom Despacho/MG

Passagem de água.

Estação VELHO DA TAIPA (Pitangui/MG)

E. F. Oeste de Minas (1891-1931)


Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Linha do Paraopeba - km 436,928 (1960) MG-1163
Inauguração: 01.07.1891
Uso atual: n/d sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome VELHO DA TAIPA?

Antônio Rodrigues Velho, figura legendária, conhecida também pelo


nome de Velho da Taipa, foi um dos primeiros bandeirantes a chegarem a
Pitangui, depois dos primeiros sucessos na Guerra dos Emboabas.
Descendente de bandeirantes, tornou-se capitão-mor de Pitangui e, na 1ª
Câmara da vila, tornou-se seu juiz ordinário.
A estação que levou o nome pelo qual Antônio era conhecido e foi
inaugurada em 1891 pela Oeste de Minas, já teve o nome de Martinho de
Campos durante um período. A partir de 1921, a estação, na linha original de
bitola de 76 cm da EFOM, passou a ser o ponto de saída da linha da E. F.
Paracatu, de bitola métrica, que atingiu, em seu ponto máximo, Barra do
Funchal, em 1937, sem jamais ter alcançado a cidade de Paracatu. Nessa época
o trecho já era parte da Rede Mineira de Viação e seria ligado a Azurita, na
linha que ligava Belo Horizonte a Garças de Minas. "O local é bonito, às
margens do Rio Pará, a ocupação humana desordenada ainda não é tão
agressiva. Um local me contou que o político João Leite, deputado e antigo
goleiro do Atlético Mineiro, estaria angariando recursos para a reforma do
prédio" (Gutierrez L. Coelho, 11/2003). O incrível é que, depois de tantos
anos, ainda se possa ler no dístico, abaixo das letras já meio apagadas onde se
lê embaixo da pintura de Velho da Taipa, o nome Martinho de Campos,
apagado...

(Fontes: Gutierrez L. Coelho, 2003; Bruno Nascimento Campos; Enciclopédia


dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1958; Guia Geral das Estradas de Ferro do
Brasil, 1960)

A estação de Velho da Taipa é o ponto de cruzamento das linhas de


Barra do Paraopeba (bitola 0,76 m, de sul a norte) e do ramal de Paracatu
(linha métrica, de leste a oeste). Pouco além, o ramal Água Suja-Pitangui
(Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1958).
A estação ainda com trilhos, provavelmente anos 1980. Foto cedida por Bruno
Campos

Mapa de parte do município de Pitangui, em 1958. A estação de Velho da


Taipa é o ponto de cruzamento das linhas de Barra do Paraopeba (bitola 0,76
m, de sul a norte) e do ramal de Paracatu (linha métrica, de leste a oeste).
Pouco além, o ramal Água Suja-Pitangui (Enciclopédia dos Municípios
Brasileiros, IBGE, 1958).
Corte no terreno entre Velho do Taipa e Leandro Ferreira.

Estação Leandro Ferreira (Leandro Ferreira/MG)


E. F. Paracatu (1921-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Ramal de Paracatu - km 926,193 (1960) MG-3981
Inauguração: 31.10.1921
Uso atual: n/d sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome LEANDRO FERREIRA?

Por estar próxima à cidade de Leandro Ferreira/MG.


A estação de Leandro Ferreira foi inaugurada em 1921. Sabe-se, por
mapas da época, que a localidade de Leandro Ferreira - já um distrito de
Pitangui - ficava a cerca de 2 quilômetros da estação.

A foto mostra a chegada na cidade de Leandro Ferreira, onde ao fundo


avistam-se antigas casas da EFP. Não foram encontrados vestígios da antiga
estação.
Saída da cidade, trecho onde a EFP passava.

Casa de turma, manutenção da linha.


Plataforma de embarque e desembarque de mercadorias.

Estação Trigueiro (Leandro Ferreira/MG)

E. F. Paracatu (1921-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Ramal de Paracatu - km 939,496 (1960) MG-2475
Inauguração: 31.10.1921
Uso atual: cocho para gado sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome TRIGUEIRO?

A parada do Trigueiro - inaugurada em 1921 - depois de arrancada a


linha nos anos 1970, foi convertida em cocho para alimentar gado. Ao lado há
uma caixa d'água toda em concreto e inteira (o fazendeiro não a usa)
(Gutierrez L. Coelho, 11/2003).
Caixa d´água ainda existente na estação de Trigueiro.

Estação Clodomiro de Oliveira (Dores do Indaiá/MG)

E. F. Paracatu (1923-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1994)
Ramal de Paracatu - km 1.010,729 (1960) MG-3983
Inauguração: 21.06.1923
Uso atual: n/d sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome CLODOMIRO DE OLIVEIRA?

A estação de Clodomiro de Oliveira foi inaugurada em 1923. Sem mais


informações. Pelas indicações do mapa de 1958, ali era o início de um longo
trecho de serra, onde a linha da Paracatu fazia uma série de curvas para atingir
a estação na sede de Dores do Indaiá.
Ponte sobre o Rio São Francisco - divisa dos municípios de Bom Despacho e
Dores do Indaiá - entre as estações Arthur Bernardes e Clodomiro de Oliveira

Pilar da ponte. A ponte encontra-se com os dois lados interditados, não


permitindo passagem.
Estrutura metálica.

Estação Dores do Indaiá (Dores do Indaiá/MG)

E. F. Paracatu (1922-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1968)
Ramal de Paracatu - km 1.036,360 (1960) MG-1433
Inauguração: 28.12.1922
Uso atual: bar e moradia sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome DORES DO INDAIÁ?

A estação de Dores do Indaiá foi inaugurada pela E. F. Paracatu em


1922. Foi desativada em 1968, com a erradicação definitiva do trecho Bom
Despacho-Barra do Funchal. O prédio da antiga estação ainda existe, segundo
informações de Ana Cláudia Vargas. Funciona como bar e moradia, de acordo
com Márcio Alves Vasconcellos.

(Fontes: Márcio Alves Vasconcellos; Ana Cláudia Vargas; Guia Geral das
Estradas de Ferro do Brasil, 1960)
A estação, talvez anos 1960. Autor desconhecido

A estação, talvez anos 1960. Autor desconhecido


Casa de turma em Dores do Indaiá

Atualmente a Estação em Dores do Indaiá - 2009

Estação Melo Viana (Serra da Saudade/MG)

E. F. Paracatu (1925-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1968)
Ramal de Paracatu - km 1.060,275 (1960) MG-2478
Inauguração: 22.07.1925
Uso atual: n/d sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome MELO VIANA?

A estação de Melo Viana foi inaugurada pela E. F. Paracatu em 1925.


Foi ponta de linha até 1937, quando finalmente foi aberto o prolongamento até
Barra do Funchal. Em 1958, o distrito, pertencente ao município de Dores do
Indaiá, se chamava Comendador Viana. Foi desativada em 1968, com a
erradicação definitiva do trecho Bom Despacho-Barra do Funchal. Com a
elevação do distrito a município com o nome de Serra da Saudade, o prédio da
estação vem sendo identificado com este nome, que nunca foi o nome da
estação.

Estação Melo Viana


Caixa d’água na estação Melo Viana

Detalhe da engenharia dos túneis.

Estação Barra do Funchal (Serra da Saudade/MG)

Rede Mineira de Viação (1937-1965)


V. F. Centro-Oeste (1965-1968)
Ramal de Paracatu - km 1.079,392 (1960) MG-2477
Inauguração: 24.04.1937
Uso atual: moradia sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d

Por que o nome BARRA DO FUNCHAL?

A estação de Barra do Funchal foi inaugurada já pela Rede Mineira de


Viação em 1937. Segundo historiadores locais, foram construídos dois túneis
entre as estações de Melo Viana e de Barra do Funchal, e nesta cidade a
ferrovia parou por ter sido encontrado solo demasiado rochoso para se
prolongar os trilhos até Paracatu. Foi desativada em 1968, com a erradicação
definitiva do trecho Bom Despacho-Barra do Funchal. Ainda está de pé e bem
conservada, servindo como moradia.

(Fontes: www.coisasdoindaia.com.br; IBGE: Enciclopédia dos Municípios


Brasileiros, 1960; www.youtube.com/watch?v=rKOI_SO_ea4, fotograma;
Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)

Estação Barra do Funchal


Casa do guarda-chaves

A PRAÇA DA ESTAÇÃO - CONTEXTUALIZAÇÃO DO BEM NO


DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO

A Praça Olegário Maciel, mais conhecida pela comunidade, por Praça


da Estação, é uma forte referência de um período bastante promissor para o
município.
A vinda da Estrada de Ferro Paracatu trouxe o desenvolvimento social,
urbano e também, o cultural para Bom Despacho. Porém, a saída das Oficinas
e do Escritório Central da cidade, com a unificação das estradas férreas, deixou
a incerteza no ar e também um esvaziamento populacional notado pela
comunidade.
O prefeito, Flávio Cançado Filho, conseguiu a vinda do 7º Batalhão de
Caçadores Mineiros da Força Pública do Estado de Minas Gerais para ocupar
o lugar dos ferroviários, em 1931.
Construída pelos Caçadores Mineiros, a Praça Olegário Maciel foi
implantada num vazio urbano determinado por um desnível entre duas vias. A
Praça estabelecia a ligação de quem chegava pela Estação com o município em
si. Hoje, porém, representa mais do que a conexão entre as vias públicas e
desníveis, pois estabelece uma ponte entre o auge da consolidação urbanística
do município (anos 20 e 30) e o presente, que necessita de diretrizes básicas
para estabelecer critérios para a execução de novas edificações, sem interferir
na ambiência ainda existente da Praça da Estação.
Atualmente, representa um local de encontros e de vários eventos. A
rua que divide a Praça da antiga Estação, quando fechada para veículos, é
suporte para acontecimentos culturais, como Feiras de Artesanato e o Carnaval
de rua. No entorno, o Museu Ferroviário, a Câmara Municipal, algumas
residências do início do século passado estão de pé, marcando seu lugar no
tempo e no espaço.
A locomotiva, meio de transporte rápido e possante, contribuiu com a
circulação e escoamento de mercadorias gerando riquezas ao município
auxiliando no desenvolvimento e na consolidação urbana de Bom Despacho.
Além da troca de mercadorias, o transporte de passageiros permitia o
intercâmbio cultural entre capital e municípios.
Esses textos integram o Processo de Tombamento da Maria Fumaça e
da Praça da Estação, feito em abril de 2003, por Carolina Costa Moreira. A
bibliografia usada partiu de relatos orais, textos microfilmados na Universidade
de Chicago e jornais locais da época.

CAROLINA COSTA MOREIRA


ARQUITETA E URBANISTA
e-mail: costamind@hotmail.com

CULTURA E ARTE DO NOSSO POVO - UM LINGUAJAR QUE


SOBREVIVE AO TEMPO - O ELO PERDIDO - EXPERIÊNCIA DO
PROJETO MINAS AFRODESCENDENTE COMPROVA O PODER DA
LÍNGUA EM UNIR CULTURAS SEPARADAS PELA ESCRAVIDÃO
Maurício Guilherme Silva Jr.

Sexta-feira, 13 de agosto. Quase lua nova em Bom Despacho,


município do oeste mineiro. Em sua pequena casa na Tabatinga, bairro
tradicional da cidade, dona Maria Joaquina da Silva, a Fiota, prepara-se para
dormir. Tudo corre em sua aparente normalidade cotidiana, até que a noite
proporciona-lhe um surpreendente encontro. Por volta das 21 horas, a
moradora recebe três ilustres visitantes, com quem a mera troca de palavras faz
com que dona Fiota reviva séculos da história de seus antepassados.
Remanescente de uma das duas famílias* de Bom Despacho detentoras
da tradição linguístico-cultural africana, Maria Joaquina conversou com seu
Crispim e seu Ivo, cantadores de vissungos _ cantos afro-brasileiros _ de Milho
Verde, e com o estudante angolano da UFMG, Amadeu Chitacumula. Depois
de se cumprimentarem em português, dona Fiota pronunciou frases no dialeto
que aprendera com a mãe: a língua do Negro da Costa ou da Tabatinga.
A cada expressão ou palavra dita pela anfitriã, seus convidados não
disfarçavam a emoção. Apesar de nascidos em terras distantes da pequena Bom
Despacho, Ivo, Crispim e o jovem estudante angolano entendiam tudo o que
dona Fiota dizia. Enquanto os cantadores sorriam surpresos, Amadeu
Chitacumula traduzia etimologicamente a origem das expressões de Maria
Joaquina e comparava determinadas pronúncias com dois dos dialetos
angolanos: o quimbundo e o umbundo.
O encontro dos representantes da cultura afro-brasileira aconteceu em
Bom Despacho por causa do evento Minas afrodescendente - Uma experiência
de revitalização de remanescentes de línguas africanas em Minas Gerais, fruto
de projeto da Faculdade de Letras da UFMG, coordenado pela professora
Sônia Queiroz (leia entrevista ao lado), que busca revitalizar as línguas africanas
faladas no Brasil. No dia seguinte ao encontro de dona Fiota com seus novos
amigos, a cidade mineira seria palco de uma série de atividades artísticas e
folclóricas

As origens

A língua da Tabatinga, que Dona Fiota apresentou a seus visitantes,


mistura o português rural do Brasil-Colônia a línguas de grupos Banto – com
predomínio do quimbundo e do umbundo –, faladas até hoje em Angola.
Segundo a professora Sônia Queiroz, a formação de dialetos em solo brasileiro
resulta da necessidade de sobrevivência dos escravos. À época, os senhores
misturavam, propositadamente, nas senzalas, negros vindos de pontos
diferentes da África. Como não conseguiam se comunicar, precisaram
desenvolver um dialeto próprio, que lhes servia de instrumento para o diálogo
e, ao mesmo tempo, de afronta aos patrões brancos.
Com relação ao surgimento da língua falada por clãs afro-brasileiros de
Bom Despacho, a professora Sônia Queiroz, no livro Pé preto no barro
branco: a língua dos negros da Tabatinga, remete ao ciclo da mineração.
Segundo ela, os escravos que ali chegaram teriam vindo de Pitangui, uma das
vilas do ouro, bem mais antiga que Bom Despacho. “Quando as minas de
Pitangui começam a escassear, os habitantes da região migram para outras
áreas do oeste mineiro. O processo culmina com o desenvolvimento de
fazendas de gado, onde trabalhavam os negros que formaram as famílias da
Tabatinga”, explica a pesquisadora. Quando passam a realizar serviços
domésticos no interior da casa de seus senhores, os escravos agregam
estruturas do português à língua criada nas senzalas.
Em 1981, havia em Bom Despacho 207 falantes da chamada Língua do
Negro da Costa - ou Língua da Tabatinga - pertencentes a duas famílias do
município. Passados mais de 20 anos, a professora Sônia Queiróz identificou
em suas pesquisas apenas duas mulheres da comunidade. Delas, apenas Maria
Joaquina da Silva fala a língua afro-brasileira. O idioma é composto por um
português rural do Brasil-Colônia e por línguas do grupo Banto, com
predomínio do quimbundo e umbundo, faladas até hoje em Angola.

Minha pátria é minha língua

Realizado no adro da capela da Cruz do Monte, no dia 14 de agosto, na


comunidade da Tabatinga, o evento Minas Afro-descendente buscou reforçar a
identidade dos afrodescendentes que vivem em Minas Gerais, por meio do
reconhecimento do valor de suas tradições linguísticas e culturais. Pretendeu,
ainda, valorizar a mistura de etnias – raças, cores, línguas, estilos de vida – que
caracteriza a riqueza da cultura brasileira.
O evento reuniu diversas vertentes afro-brasileiras. Logo às 10 horas,
dezenas de moradores assistiram à chegada dos ternos do reinado de Nossa
Senhora do Rosário, grupos compostos por homens e mulheres devidamente
paramentados com cores de sua comunidade, que dançam ao ritmo de
tambores, sanfonas, e seguram bandeiras com homenagens aos santos de
devoção.
Em seguida à passagem dos ternos, o estudante Amadeu Chitacumula e
outros quatro estudantes angolanos da UFMG mostraram aos participantes a
força da musicalidade africana. Integrantes do grupo Dikanza – termo que, em
quimbundo, é representativo de instrumentos musicais –, eles apresentaram, à
capela, canções de sua terra natal. Vindos de diversas partes de Angola,
Chitacumula e seus companheiros estão há alguns anos longe de seu país. O
português é a língua oficial dos estudantes, mas são os dialetos que denunciam
sua origem, num processo que pode ser resumido pela expressão Ofexa yange
elimi liange, (Minha pátria é minha língua).
Outra atração do evento foi o grupo belo-horizontino Tambolelê, que
apresentou, ao lado dos cantadores de vissungos de Milho Verde, o espetáculo
Macuco Canengue. “Foi uma honra nos apresentarmos ao lado de dois
mestres. Afinal, há anos trabalhamos com a difusão da cultura afro-mineira”,
diz o músico Sérgio Pererê, um dos integrantes do Tambolelê. Seu Ivo e seu
Crispim explicam que os vissungos são cantos entoados pelos negros durante a
lida diária e nos cortejos fúnebres. “Quando morre uma pessoa, rezamos o
ofício e entoamos cantos sagrados”, afirma seu Crispim. Atualmente, a tradição
foi deixada de lado na região em que moram nas proximidades de Diamantina.
A expressão artística do canto, no entanto, permanece viva.

Fonte: Boletim Informativo da UFMG


http://www.ufmg.br/boletim/bol1451/quarta.shtml

Associação Quilombola

A pretensão da Associação dos Quilombolas de Bom Despacho é a de


iniciar seus trabalhos de filiação, divulgação e possíveis parcerias para a difusão
e implantação dos projetos ligados às causas da mesma o mais rápido possível.
Telefone de contato: (37)3522-3324 - Endereço: R. Tabatinga. 520, bairro Ana
Rosa no município de Bom Despacho/MG

Língua (Gíria) da Tabatinga

A gíria (língua, gíria) da Tabatinga é uma língua afro-brasileira, de


origem predominantemente banto. Em extinção, é falada em parte do
município brasileiro de Bom Despacho.

Fonte: Wikipédia

Dona Fiota: A letra e a palavra


Texto de: José Ribamar Bessa freire

Dona Fiota. Ela é dona Fiota e pronto. Ninguém a conhece pelo nome
de Maria Joaquina da Silva. Mas também quem é que chama Tiradentes de
Joaquim José da Silva? Basta uma única conversa para perceber que dona Fiota
é uma mulher poderosa, um personagem da história do nosso país. Tive o
privilégio de ouvi-la em março de 2006, em Brasília, durante o seminário sobre
as línguas faladas no Brasil, organizado pela Comissão de Educação e Cultura
da Câmara dos Deputados e pelo IPHAN. Com seu charme e sua inteligência,
ela cativou a todos.
Dona Fiota contou, naquele seminário, que seu pai era um baiano que
vivia andando pelo mundo, no tempo do final da escravidão, que ele passou
pelo centro-oeste de Minas Gerais, que foi passando e viu sua mãe no cativeiro
trabalhando, fiando fio de algodão, que acenou para ela e perguntou se não
arrumava uma ocupação para ele, que acabou conseguindo um serviço na roça
de mandioca, que foi ficando e namorando, ficando e namorando, até que os
dois se casaram, tiveram filhos, netos, bisnetos.
Os descendentes do andarilho baiano com a ex-escrava se organizaram
depois de abolida a escravidão: “Quando rebentou a liberdade, minha mãe saiu
lá de Engenho do Ribeiro caçando um lugar. Chegou aqui. Tudo era mato. Na
subida, havia um barro branquinho. Ai foi minha mãe que deu o nome de
Tabatinga. Toda vida foi Tabatinga. Desde o tempo da escravidão. Só agora é
que o nome mudou pra Ana Rosa. Quero tirar esse nome de Ana Rosa”.
A história da comunidade Tabatinga - hoje uma área quilombola,
situada no bairro Ana Rosa, periferia da cidade de Bom Despacho (MG) - foi
contada por Dona Fiota aos participantes do seminário do IPHAN, mas teve
de ser traduzida, porque ela falou, não em português, mas numa língua afro-
brasileira, de origem banto, chamada Gíria da Tabatinga, ainda hoje usada por
um grupo de moradores. Foi a primeira vez que o plenário da Câmara Federal
ouviu o som de uma língua minoritária de base africana, reconhecendo sua
riqueza, sua função histórica e sua legitimidade.

A fala da senzala

A Gíria da Tabatinga era falada nas antigas senzalas das fazendas do


interior de Minas Gerais. Com ela, os escravos podiam se comunicar
livremente sem o patrão entender o que diziam. A língua libertava. Dona Fiota
conta: “A gente não podia falar o nome do trem. Tem assango? Não, não tem
assango. Tem cambelera? Não, cambelera também não. Tem caxô? Nada de
caxô. Então, minha mãe falava: ‘Catingueiro caxô. Caxô o quê? No Curimã’.
Ela estava avisando que o patrão havia chegado”.
Numa entrevista a Lúcio Emílio, Dona Fiota dá detalhes sobre a
formação da Gíria da Tabatinga, produto do sincretismo de várias línguas
africanas misturadas ao português: “Aprendi essa língua com a minha mãe. Ela
falava todo dia para mim até eu aprender. Isso traz toda uma história pra gente,
tanto das partes alegres, como das tristes”. Recentemente, os moradores
perceberam que aquela língua que os havia libertado, estava ameaçada de
extinção, porque não é mais usada por crianças e jovens, diz dona Fiota: -
“Aqui no bairro é muito difícil quem fala a língua”.
Foi aí que a comunidade decidiu fortalecer na sala de aula a língua
denominada Gíria da Tabatinga, aproveitando a lei sancionada em 2003 que
torna obrigatório o ensino de História e Culturas afro-brasileiras nas escolas de
ensino fundamental e médio. Duas pesquisadoras – Celeuta Batista Alves e
Tânia Maria T. Nakamura – acompanharam a luta pela revitalização da língua,
que no passado foi um poderoso instrumento de resistência dos escravos e
hoje é uma marca da identidade de seus falantes.
A comunidade conseguiu a promessa de que a Secretaria Municipal de
Educação remuneraria uma professora da Gíria da Tabatinga. A questão era: -
quem daria aulas? Os moradores não duvidaram: - dona Fiota. Afinal, ela era o
Aurélio, o Antônio Houaiss daquela língua quilombola. Acontece que após um
mês de trabalho, quando foi receber, o funcionário lhe disse:- “Ah, a
professora é a senhora? Então, não vou pagar. Como justifico o pagamento a
uma professora que é analfabeta?”. Dona Fiota deu uma resposta de bate-
pronto, que só os sábios podem dar: - Eu não tenho a letra. Eu tenho a
palavra.

A dona da palavra

Com isso, derrubou a postura quase racista que discrimina os que


vivem no mundo da oralidade. Ensinou que existe saber sem escrita; que na
situação em que ela, dona Fiota, se encontra, não precisa da letra, porque usa a
palavra para transmitir seus saberes, trocar experiências e desenvolver suas
práticas sociais. Foi nessa língua de forte tradição oral que ela criou e educou
seus filhos. É nela que hoje pensa, trabalha, narra, canta, reza, ama, sonha,
sofre, chora, reclama, ri e se diverte. Dona Fiota deixou claro que não é carente
de escrita, como dizem alguns letrados. Ela é independente da escrita.
Cerca de um milhão e meio de brasileiros para quem o português não é
a língua materna estão, hoje, na situação de dona Fiota. Falam uma das 210
línguas existentes dentro do território nacional, 190 das quais são línguas
indígenas, ágrafas, sem tradição escrita, mas que são depositárias de
sofisticados conhecimentos no campo das chamadas etnociências, da técnica e
das manifestações artísticas.
Esses cidadãos não são menos brasileiros que os outros – defende o
linguista Gilvan Muller, que além dos direitos das minorias, chama a atenção
para a diversidade cultural e linguística, tão importante para o país e para a
humanidade. Por isso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN), atendendo encaminhamento do então presidente da Comissão de
Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, Carlos Abicalil, organizou o
seminário em 2006 para discutir como proteger essas línguas e o rico
patrimônio intangível que elas representam.
Desse seminário participaram técnicos, especialistas e falantes de
diversas línguas, entre as quais o Guarani, o Nheengatu, a Língua de Sinais
(Libras) e até uma variedade do alemão falada no sul do Brasil chamada
Hunsrückisch. Na ocasião, foi criado um Grupo de Trabalho Interinstitucional,
formado por cinco ministérios, uma ONG e uma entidade internacional, que
produziu um relatório sobre como registrar essas línguas e proteger a
diversidade linguística do país.
Agora o relatório vai ser discutido. Nessa próxima quinta-feira, 13 de
dezembro, em Brasília, haverá uma Audiência Pública da Diversidade
Linguística do Brasil, organizada pela Comissão de Educação da Câmara dos
Deputados e pelo IPHAN. Tomara que dona Fiota, a dona da palavra, esteja lá
outra vez. Em caso afirmativo, voltarei a ouvi-la e conto tudo no próximo
domingo.

Links Interessantes
Site MG QUILOMBO - http://www.mgquilombo.com.br
Fundação Cultural Palmares - http://www.palmares.gov.br

Fiotinha e a Língua da Tabatinga

Tânia T. Nakamura e Lúcio E. do E. S. Júnior (*)


Na cidade de Bom Despacho temos uma comunidade de
afrodescendentes, no Bairro Tabatinga, onde reside Maria Joaquina da Silva,
conhecida como “Fiotinha”, última falante de uma língua (predominantemente
banto) que funcionava como espécie de código secreto para preservação de
troca de informações entre o grupo.
“Fiotinha” teve um papel destacado na preservação da “gíria” da
Tabatinga ao dar depoimentos a Sônia Queiroz, professora de Língua
Portuguesa da Faculdade de Letras da UFMG, mestre em Letras pela mesma
Universidade e doutora pela PUC/São Paulo, natural de Bom Despacho,
quando da realização de sua obra “Pé Preto no Barro Branco”, que aborda a
constituição da Língua do Negro da Costa.
O projeto tem como sua idealizadora principal a própria “Fiotinha”,
que com o objetivo de preservar a cultura local, quis criar uma escola em que
se ensinasse a língua da Tabatinga.
Assim iniciamos uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação
de Bom Despacho e comunidade local, os trabalhos em duas frentes que
interagiram: 1ª - Alfabetização de adultos, pois “Fiotinha” é analfabeta e
manifestou grande desejo em aprender a ler , também em reunião informal
feita no bairro foi levantado um número significativo de analfabetos no bairro;
2º: Conversação na língua da Tabatinga.
Consideramos este trabalho pioneiro no que se refere a uma sala de
conversação em língua de afrodescendentes e de suma importância para a
preservação da cultura negra local, como também com uma grande viabilidade
dentro da pesquisa em História Oral, definida aqui com beleza por Fiotinha:
“Não tenho a letra, só tenho a palavra”.
Importante destacarmos a co-orientação da professora Sônia Queiroz,
que atualmente é docente na Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade
de Letras, Departamento de Línguas Vernáculas, que nos possibilitará um
apoio fundamental no decorrer da pesquisa.
Observamos que o apoio e preservação de determinadas manifestações
culturais tradicionais têm se tornado uma bandeira na busca da identidade de
certas comunidades, em meio ao fenômeno que chamamos de “globalização”,
que tem se mostrado homogeneizador e massificante, principalmente por
atuar diluindo as diferenças. A busca da identidade e o respeito ao diferente
serão o núcleo do nosso projeto aqui apresentado.
Maria Joaquina da Silva, “Fiotinha”, a grande mentora do projeto que
aqui apresentamos. Filha de um dos falantes mais antigos da Língua do Negro
da Costa, chamado Zé Caria (ou Zacaria) e Joaquina Caria. Teve apenas um
irmão chamado Zé Baiano. “Fiotinha” teve seis filhos e seis netos e Zé Baiano,
dois filhos e seis netos.
Como aponta QUEIROZ (1998), trata-se de uma comunidade
historicamente “excluída” até na geografia, como sendo “um bairro de
negros”, ironicamente construída numa cidade que foi fundada sobre uma área
de quilombos destruídos: Os quilombos são, pois, fator importante no
povoamento da região de Bom Despacho: os negros, fugindo aos seus
senhores, entram pelo sertão em busca de esconderijos onde se organizar
como homens livres. Atrás deles vão os capitães-do-mato, que muitas vezes
encontram pelo caminho lugares atraentes onde resolveram fixar residência”
(QUEIROZ, 1998: 38)
Tendo em vista em nossa pesquisa a história de vida de “Fiotinha” o
diálogo com as fontes orais fornece ao seu trabalho um posicionamento diante
do estatuto do conhecimento histórico. A construção da memória pela sua
formação, manutenção e elaboração das identidades individuais e coletivas,
veiculada pela oralidade, expressa as várias faces da experiência humana ao
longo do processo histórico, estabelecendo relações e mediações com outros
tipos de registro do real, acrescentando segundo GATTAZ (1988) que: Os
aspectos individuais, na história de vida, são exacerbados, enquanto os
movimentos gerais da História assumem em geral um plano secundário, e isso
faz com que a nossa abordagem destes testemunhos seja diferente daquela que
daríamos a uma série estatística ou um relatório governamental. Neste sentido,
distingue-se a história oral de vida, preocupada com a experiência subjetiva, da
história oral temática, voltada ao fato objetivo e à reconstrução de um passado
ignorado. Na história de vida, a verdade dos fatos se subordina à verdade do
homem, pois é o homem que está em questão (GATTAZ, 1988: 877)
A história de vida de “Fiotinha” está sendo captada por nós através de
entrevistas onde: A gravação da entrevista entre o oralista e o colaborador
cristaliza uma manifestação histórica. Sua análise, portanto, deve considerá-la
como uma forma expressiva determinada pelo espaço e pelo tempo, refletindo
não o sentido que o narrador teve dos fatos no passado, mas aquele que lhe
ocorre no momento da entrevista – e não de forma inocente ou inconsequente,
como notam alguns estudiosos (GATTAZ, 1998:883).
A parte propriamente pedagógica, o processo de alfabetização, foi por
nós desenvolvida a partir de temas, os quais serão extraídos da própria
realidade dos alunos.
Nossa vivência com a “gíria” da Tabatinga e a figura de Fiota
aconteceu, digamos, em parte devido à nossa experiência de termos saído de
pequenas cidades do interior e agora termos retornado, acompanhando a
tendência de expansão para o interior das instituições de ensino superior.
Bom Despacho, nossa cidade, situa-se no centro-oeste de Minas
Gerais, estado repleto de cidades históricas e tradições. No entanto, nossa
comunidade não tem mitos como Xica da Silva, que se projetou nacionalmente
e ganhou eco com livros como Rei Branco Rainha Negra, de Paulo Amador, e
até um filme de sucesso, Xica da Silva, de Cacá Diegues nem grandes vultos
históricos como Juscelino Kubitschek. No entanto, a cultura popular da cidade
preserva singularidades bem pouco estudadas ou valorizadas.
Uma delas é a “gíria” da Tabatinga. Corre por toda a cidade que existe
esse vocabulário, muitos conhecem uma ou outra palavra, verifica-se interesse,
mas trata-se de algo anedótico e intermitente. Uma clínica veterinária e uma
cooperativa utilizam palavras como cambuá (cachorro) e mavero (leite) sem
que se saiba do conhecimento que os donos das empresas e seus usuários
possuem dessa “gíria”.
Primeiramente tínhamos ouvido falar da “gíria” e lido o livro de Sônia
Queiroz, Pé Preto no Barro Branco. A seguir, tivemos contato com Fiota, tida
pela comunidade como última falante autêntica da língua. Transcrevemos a
seguir trecho de uma de nossas entrevistas com D. Fiota:

Lúcio: Como era com seu pai, sua mãe, sua família? Você falou com a
Brigitte que aqui era tudo mato?
Fiota: Meu pai era baiano, vivia andando pelo mundo. Minha mãe
estava trabalhando no tempo da escravidão, no tempo do cativeiro. Ele foi
passano e acenou para ela. Ela foi e perguntou se ela não arrumava um serviço
para ele. O patrão falou: aqui só tem ranca de mandioca. Ele foi e deu ele o
serviço. E nesse tempo ela era sortera. Aí ele foi namorano, namorano. Ele
resolveu pedir a mão dela em casamento. Ela falou: não, não pede agora não,
minha mãe é muito nervosa. Aí pediu, foi aceito, eles arrumaro e casô. Logo
quando ês casô, ela contava para mim que ele falô: “Eu sei duma cultura que é
a mió coisa do mundo, e vou te ensinar ocês uma cultura, que quando a gente
tiver famia, isso vai ser muito bom procês”. Quando nós nascemo, ela falou,
vou ensinar para vocês uma cultura que seu pai deixou para vocês. Eu falei:
muito custosa? Ela falou: não. Ela estava sentada fiando fio de algodão e ia
dizendo, vamo hoje na linguagem, foi explicar a você cumé que é. E aí ela foi
contando para mim o jeito que ela explicou para ela. Meu irmão falou: vamos
brincá. Ele falou: não, não vô aprendê não. E eu aprendi, e hoje sou muito
percurada, recebo todo mundo de braços abertos, gosto muito do jeito que ês
me trata, agora tô até no salão [da Igreja Católica]. Agradeço muito ao Simão,
que abriu a mão para mim. Ao Beto, Beto me deu a maior força, maior apoio.
Eu falo para todo mundo quarqué hora a língua da gíria. Ela começou assim:
quando minha mãe tava lá, ele falava: cafingueiro caxô. Patrão chegava, eles
falavam: catingueiro caxô. Caxô o quê? No curima. Ela tava querendo dizer
que o patrão chegou. Essas tinham que tirar uma tarefa. Comia mandioca e
achava que era um almoço muito bacana. A gente não pode falar o nome do
trem. Não tem assango? Não, não tem assango não. Tem cambelera, não,
cambelera também não caxô não. Quando rebentô a liberdade, minha mãe saiu
lá Engenho do Ribeiro caçando um lugá. Isso aqui tudo era mato. Nós foi luitá
para fazer uma barraca de lona. Nós fizemo, entramo. A barraca acabou, nós
fizemos a piteira. Nossa casa era coberta de “apita” ao redor. A coberta era
apita. Não tinha jeito de buscar água mais perto, buscar água era lá no
chacrinha. A gente pegava a pineira e coava, tirava barro. Nós tirava barro era
no meio do garimpo aqui. Nós entrava dum lado e saída do outro. Nós ia com
as enxada atrás tirando a terra. Nós custô demais fazer um cômodo barreado
mas nós fizemo, e aí o povo, todo mundo foi fazendo. Nós amassava era de
pé,o barro. Não tinha amassador de barro, não tinha cavalo... Foi aonde que
cresceu esse bairro tão maravilhoso. Só uma coisa eu quero, quero ver se dou
conta de chegar lá. Quero tirá esse nome que botaram aqui, Ana Rosa. Pô o
nome que era. O nome Tabatinga foi minha mãe que colocou aqui. Na subida
era um barro branquinho. Não tinha carro automóvel, era carro de boi. Toda
vida foi Tabatinga. Desde o tempo da escravidão. Aí mandou por Ana Rosa. Se
Deus quiser, quero tirar Ana Rosa e voltar o nome Tabatinga. Pode parar por
aqui ou cês qué mais?
Aqui no bairro é muito difícil quem fala a língua. Uma das pena que
ficou de resto que pode contá foi só eu. Tem muita gente que grita aí só
aquelas paiaçada de cuete ocora, cuete cafuvira, mas não interessa pelo bairro.
O que vem a ser cuete ocora? (Pausa).
Lúcio: Ah, cuete ocara é preto.
Fiota: preto. Hoje quem falá do preto, acho que agora o viriango caxa,
né? Eu não vou retacar ninguém por causa da minha cor.
Tânia (rindo): É, o viriango caxa.
Lúcio: Como foi o trabalho do livro da Sônia?
Fiota: O pai dela foi o melhor médico que nós encontramo aqui em
Minas. Ele dava os remédio de graça, dava consulta de graça. Eu devia muita
obrigação ao pai dela. Ela me disse: quero aprender a língua da Tabatinga. Ficô
umas coisa no livro que ela não“intrerpretou” bem não. Demorô uns quinze
ano. No livro ficô umas coisas, ela aproximô. Tem muita coisa para a gente falá
e induzi. Não sei se é porque ela tava nervosa. Eu quero agora fazê um outro
livro com a Tânia.
Tânia: A gente chega lá (....).
Fiota: Eles fala que se eu continuá falando, todo mundo vai sabê e eu
num vô sê percurada mais. Mas eles tem que aprendé que vai sê uma cultura
boa para eles.
Devemos então notar o seguinte: Fiota fala de marcas, ou melhor,
certas marcas falam nela. Uma é a dura história dos negros após o cativeiro.
Notamos que Fiota referiu-se à vida de sua mãe, fundadora do bairro da
Tabatinga onde atualmente ela mora, demonstrando saber que sua história
começou antes de seu nascimento, com a história de seus pais. O “dialeto” da
Tabatinga foi uma herança paterna, quem sabe a única. A mãe foi a responsável
pela transmissão para a criança da língua herdada do pai. É curioso observar
que o filho do sexo masculino negou a língua do pai, acolhida carinhosamente
apenas pela filha. Fiota, apesar das dificuldades para garantir a sobrevivência e
o analfabetismo, observou certo avanço histórico (“Hoje quem falar do preto,
acho que o viriango caxa, né?” O que quer dizer: “Hoje quem falar do preto,
acho que o policial prende, né?”) e permaneceu firme no desejo de recuperar a
parte de suas tradições que foi apagada, no caso, o próprio nome do bairro,
Tabatinga, substituído por Ana Rosa. O nome se reveste de uma importância
que ressoou mesmo no livro já realizado sobre o bairro, de autoria de Sônia
Queiroz: o título “Pé Preto no Barro Branco” é uma referência, ao mesmo
tempo, ao barro existente na principal rua do atual bairro, amassado como o pé
para fazer casebres, e à “gíria” em si, que se utiliza da língua portuguesa para
inserir termos de origem africana, dando a entender, em sua própria estrutura,
a presença da mestiçagem.
Chamamos a atenção também para outro dado, presente indiretamente
na fala de D. Fiota: muitos repetem palavras na língua (“cuete ocora” e “cuete
cafuvira”, sinônimos de “negro”) mas não se interessam pelo bairro. A
discriminação e o preconceitos com relação aos falantes da “língua do negro da
costa” foi algo também sentido por nós no decorrer de nosso contato.
Após nossa aproximação, realizamos o desejo de D. Fiota e obtivemos
espaço no salão da Igreja Católica para a realização de um curso de
alfabetização, contando também com o apoio da prefeitura na figura do
secretário de educação, Carlos Alberto, que nos cedeu lápis e cadernos, além de
contratar como professora a então voluntária da Igreja Católica Maria Marilac.
A professora, já com experiência de alfabetização em escolas da rede
pública, teve também sua primeira experiência com alfabetização de adultos
nesta ocasião. Após as aulas, algumas vezes reunimos os alunos para uma
conversação na “gíria”, por vezes acompanhada de cafezinho e bolo. Com
frequência o tema discutido foi a língua da Tabatinga. Após a desistência de
alguns membros da comunidade, verificamos que existiam alunos interessados
na alfabetização, mas que resistiam à língua da Tabatinga, tida por esses
desistentes como “bobagem” e “coisa de vagabundos, malandros”. O motivo
seria que, por fornecer um código de difícil decodificação para aqueles situados
fora da comunidade, a “gíria” despertou desconfiança. Porém, desmistificando
o preconceito que envolve os falantes da língua, Sônia Queiroz mostrou em
seu livro que a maior parte da população do bairro constitui-se de
trabalhadores.
Decididos a contrariar o preconceito e a baixa autoestima encontrados
em certos círculos da comunidade, resolvemos orientar a professora Marilac a
inserir palavras na língua da Tabatinga no decorrer das aulas. Isso nos pareceu
altamente recomendável, por ligar-se, inclusive, à pedagogia ensinada por Paulo
Freire, pedagogia essa em que algumas palavras, obtidas no contexto da
comunidade, seriam “palavras geradoras”. No caso, as a palavras geradoras
foram “ingura” (dinheiro), “assango” (arroz) e “cuete” (homem). Verificamos
que a iniciativa obteve aceitação por parte do pequeno grupo de alunos.
Outra experiência que realizamos, paralelamente à alfabetização, foram
as entrevistas tais como a citada acima. Promovemos também o seguinte
diálogo: Brigitte, professora de francês de origem afro-belga e que ensina de
francês na cidade, tentou conversar com Fiota e comparar algumas palavras
nos dialetos africanos que sabe, sendo esses o swahili e um dialeto originário
do Zaire. Não observamos coincidência entre os termos falados por Fiota e
aqueles utilizados por Brigitte, mas o encontro resultou numa conversa
animada e simpática, e, de certa forma, ao receber em sua casa uma pessoa que
já esteve na África, fala suas línguas e conhece suas realidades, Fiota pode
reencontrar-se um pouco com suas raízes.
No decorrer dessas nossas vivências com a comunidade e com a
Língua do Negro da Costa, gostaríamos de anotar algumas produções culturais
ligadas ao bairro, mas que ainda permanecem pouco conhecidas. O livro
“Madrinha”, um pequeno livro de contos também autoria de Sônia Queiroz,
trouxe uma personagem negra também chamada Fiota:
Eu aqui sô chefe de turma. Os cavinguero passa no meu conjolo e vai
só tipurano: Ô Fiota! Ruma aí uns vinte home e muié pra prantá mio lá para
mim. Eu rumo. Se fô bão de ingura, se a ingura fô avura, eu caxo. Caxo os
cuete dos conjolo e nóis caxamo tudo pro sengue. Pegamos injira do
cavinguero, prantá pungue, tipoque, missango, quarqué embondo. Agora, se o
cavinguero fô ruim de ingura, ingura catita, num vai dá não, né, cuete? Mió ficá
no meu conjolo caxano urunanga na omenha, mió que i pro curimba sem
ingura. (Eu aqui sô chefe de turma. Os patrões passa na minha casa e vai só
olhando. Ô Fiota! Ruma aí uns vinte home e muié pra prantá mio lá para mim.
Eu rumo. Se for bom de dinheiro, se o dinheiro for bom, eu arranjo. Pego os
rapazes das casa e entramos no mato. Pegamos o caminho do trabalho para o
fazendeiro, prantá milho, feijão, arroz, qualquer coisa. Agora, se o patrão for
ruim de dinheiro, dinheiro bom, não vai dar não, né cara? Melhor ficar em casa
secando roupa na chuva do que trabalhar sem dinheiro). (QUEIROZ, 1987, p.
21)
Além desse uso ficcional do “dialeto” da Tabatinga, ficamos sabendo
também de uma composição de autoria de Ronniere Menezes, professor,
mestre em Letras e funcionário público da ASLEMG, cuja letra utiliza termos
da língua da Tabatinga, tais como, por exemplo: “O cuete avura comemora a
abolição da escravatura (algo como: ‘O belo rapaz comemora a abolição da
escravatura’)”. Não pudemos obter, devido ao curto prazo que tivemos, devido
às nossas atividades como professores, nem a letra na íntegra nem o
depoimento do referido autor.
Nesta altura de nosso trabalho, após o relato de nossas experiências e
de nos referirmos à bibliografia e produções ligadas à língua, passemos à
questão da oralidade. A “gíria” da Tabatinga é um exemplo de herança cultural
passada oralmente. Os negros da Tabatinga permaneceram na “oralidade
primária”, que segundo Walter Ong, seria:
A oralidade de uma cultura totalmente desprovida de qualquer
conhecimento da escrita ou da impressão. É “primária” por oposição à
“oralidade secundária” da atual cultura de alta tecnologia, na qual uma nova
oralidade é alimentada pelo telefone, pelo rádio, pela televisão ou por outros
dispositivos eletrônicos, cuja existência e funcionamento dependem da escrita e
da impressão. Atualmente, a cultura oral primária, no sentido estrito,
praticamente não existe, uma vez que todas as culturas têm conhecimento da
escrita e sofreram alguns de seus efeitos. Contudo, em diferentes graus, muitas
culturas e subculturas, até mesmo num meio de alta tecnologia, preservam
muito da estrutura mental da oralidade primária.
Curiosamente, podemos dizer que a “oralidade primária” da língua da
Tabatinga é um desses raros casos referidos acima. Trata-se de um caso em que
palavras de origem africana foram passadas adiante durante gerações, e estão,
diante de nós, vivendo sua ainda muito recente aparição na esfera da escrita e
da leitura.
Ressaltemos que essas palavras trazem consigo uma história. Elas falam
da resistência africana, apesar da violência, da marginalização, dos massacres
dos resistentes nos quilombos. A presença da Língua do Negro da Costa em
Bom Despacho subverte toda a história oficial da cidade, história essa que
explicou que Bom Despacho foi fundada por três portugueses que fizeram
uma promessa à chamada Nossa Senhora do Bom Despacho ou Nossa
Senhora do Sol ao chegarem a uma das três colinas que constituem, ainda, o
núcleo da cidade. A presença da “gíria” da Tabatinga mostrou-nos que, antes
de ser habitada por brancos portugueses, a região foi refúgio de negros fugidos
das regiões de mineração situadas próximo a Belo Horizonte e Pitangui.
Portanto, a “língua” seria um indício decisivo de que a cidade foi
primeiramente um quilombo. Aliás, vale a pena frisar que a presença dos
negros fugidos, neste período, motivou a chegada dos brancos portugueses,
muitos dos quais, tendo vindo no encalço dos quilombolas, resolveram,
permanecer na região.
Trata-se de um exemplo de uma “língua” oral transmitindo palavras
que minam, arruínam, põem abaixo uma versão que claramente foi a dos
vencedores e a chamada história oficial. O mesmo recalque ou superposição da
história das vítimas pelo nome dos mais poderosos verificou-se estar em ação
ainda hoje, ao lembrarmos da entrevista acima: Fiota demonstrou estar sentida
com a troca do nome “Tabatinga”, (que lembra a ela a luta de sua mãe, ex-
escrava, junto aos pioneiros que construíram o bairro), pelo outro, “Ana
Rosa”, nome de uma granja situada na região, ou, acrescentemos, “Nestlé”,
nome da multinacional fabricante de chocolates, adotado por alguns do bairro,
julgando que assim poderiam ficar livres da conotação pejorativa que tomou o
termo “Tabatinga”, ou seja, que se veriam livres de sua própria história. Ora,
mesmo um rico herdeiro de um milionário poderia entregar a outrem todos os
seus bens, fazer voto de pobreza, mas não ficaria livre de sua história.
Podemos perder todos nossos bens, trocar de nome ou de identidade, mas
mesmo assim não deixamos de ter uma história, ainda que negada ou
silenciada.

(*) = professores da Unipac Bom Despacho


Contato com os professores:
Tânia - tania@
Lúcio - lucio@bdonline.com.br

Tipura que cuete é viriango


“Cuidado, que o homem é policial”
Caxei o imbuete na cuxipa da ocaia
“Essa aí já ¨*(#¨%! ”
Cuete catiolá
“Ele é ladrão”
Dona Fiota

Dialetos Africanos Falados em Minas Gerais


Tarcísio Martins

Sobre os dialetos africanos falados em Minas Gerais, a maior


preservação cultural feita até hoje acha-se consubstanciada no livro “O Negro
e o Garimpo em Minas Gerais”, monumento à cultura mineira, onde Aires da
Mata Machado Filho, com a colaboração de seu preposto, Araújo Sobrinho,
preservou, entre 1928 a 1938, não só “umas cantigas africanas ouvidas outrora
nos serviços de mineração”, chamadas “vissungos”, mas “um dialeto crioulo de
negros bantos”, deixando, para os musicólogos as partituras musicais e as letras
dessas cantigas e, para os sociólogos e etnolinguistas, o folclore, o vocabulário
e uma gramática da chamada “língua de beguela” de São João da Chapada que
até hoje é distrito de Diamantina, sito a noroeste desse município.
Escrevi, em 1990, o romance-histórico “Cruzeiro, o Quilombo das
Luzes”, onde os negros falam a “língua de São João da Chapada”, explicada em
um glossário final, extraído em mais de 80% da obra de Mata Machado. Esse
livro me deu um trabalho dos diabos. Revelou-se, no entanto, verdadeiro
refugo cultural, pois ninguém o quis publicar nem que eu pagasse. Assim, eu o
“publiquei” de graça pela Internet em fevereiro de 2001[1]. As duas críticas
mais freqüentes têm sido: a) o romance é bom... mas será que não tem negros
demais? b) que diabo... os negros no Brasil falavam era yorubá; você não devia
ter “inventado” essa língua esquisita!
Quanto à primeira crítica, realmente, não me custava nada ter criado
um quilombo só com alemães. Quanto à “língua”, em meu livro “Quilombo
do Campo Grande” já havia afirmado que as línguas africanas mais faladas em
Minas sempre foram as do grupo bantu. A toponímia africana das Minas
Gerais é quase 100% bantu; acho que só isto bastaria.
O tempo é o pai da razão. Por volta março do ano 1999 fiquei sabendo
que em São Paulo, em 1995[2] se constatara uma comunidade que, por falar a
mesmíssima “língua” de São João da Chapada – claro que com algumas
diferenças de pronúncia - viria a ser divulgada em “Cafundó: a África no Brasil
- Linguagem e sociedade, de Carlos Vogt & Peter Fry. São Paulo: Editora da
UNICAMP & Companhia das Letras, 1996, 373p.(p. 100-103); Resenhado por
Margarida M. Taddoni Petter”. Analisei o vocabulário e constatei: quase 100%
bantu.
O meu livro “Cruzeiro, o Quilombo das Luzes”, na verdade, conta a
história em ficção romanceada dos primórdios que antecederam ao Povoado
do Doce, hoje município de Moema. Assim, vibrei também quando, em março
de 2000, fiquei sabendo que, alguém, além de mim, parece ter-se dado conta do
mesmo tesouro (na vizinha Bom Despacho) e que, em 1998, teria escrito “Pé
preto no barro branco: a língua dos negros da Tabatinga[3], de Sônia Queiroz,
1998, Belo Horizonte: Editora UFMG (p. 116-117), resenhado por Hildo H.
do Couto”. Pelo que vi no jornal é “língua” totalmente bantu em seus radicais
africanos, misturada porém com radicais da língua geral dos paulistas de
Pitangui.
-----------------------------------------------------
[1] http://tjmar.sites.uol.com.br
[2] Revista da Folha n. 160 de 14.05.1995.
[3] Bairro de Bom Despacho, habitado por pardos e negros que falam a mesma
“língua” que alguns negros velhos de Moema.

Gente da Tabatinga
Canção sertaneja, letra e música de José Raimundo Campos
A minha gente do lugar onde nasci
Eu quero relembrar pois jamais a esqueci
Lá no terreiro via o povo a bailar ao som
do Zé Vicente sanfoneiro do lugar
~//~
Maria Ferreira, Dona Nídia e a Sofia
A Ingerka, o Aristides e o Jeso cantador
A dona Rosa o Sô Dico rezador, espantava
assombração com seu hino de louvor.
~//~
Maria Branca, Dolores, Rita Pontinha,
Também Maria Manquinha, Mariposo do Arraiá
Quantas serestas vi rasgar a noite inteira
Cantadas por Paulinho nosso eterno violeiro
~//~
O Zeca Paiva, Zé Vilaça Garimpeiro
Zé Cacoco e Dico Berto personagem do lugar
O Sô Negrinho, Sô Zico boiadeiro
Com tropas e boiadas viajava o mês inteiro
~//~
Maria Baiana, Tecedeira e Anonita, o Sô Luca
E a Mariquinha vamos todos recordar
Na vendinha do Camargo ele bebia
Tô lembrando do Olavo que com a Diva vivia.
~//~
Chica Bacana, Lavínia e o Gustié
No bailar do imaginário quanta coisa é lembrado
Vicente Teixeira, Dona Arcina e seus parentes
A Sá Dona dos cachorros não sai da minha mente
~//~
O Tião Foeiro, Sô Pedro e Luizinha,
Raimundo pescador, também o Cascudinho.
O Sô Bicho tem um caso interessante,
costurado numa égua não sai da minha lembrança.
~//~
Esses versinhos não consigo terminar
Pois tem muita gente boa nesse alegre recordar
Certamente alguém irá falar
Esqueceram de mais um que fez proeza no lugar
~//~
Fonte: Jornal de Negócios, colunista Tadeu Araújo (2002)

Língua da Tabatinga na literatura de Jorge

Jorge Fernando dos Santos tem 48 anos, nasceu a 23 de abril, no bairro


Santo André, em Belo Horizonte (MG), filho do marceneiro Mário dos Santos
e de Maria Tereza Silva Santos. é jornalista, escritor e compositor. Trabalha no
jornal Estado de Minas como editor de suplementos e revistas e tem 22 livros
publicados. Entre eles, destaca-se o romance Sumidouro das Almas, lançado
em 2003 pela editora Ciência Moderna. Entre outras curiosidades, o livro traz
algumas palavras do dialeto da Tabatinga, em Bom Despacho (MG).
"Escrevi Sumidouro das Almas muito devagar. Levei oito anos para
conclui-lo e outros três para publicá-lo. Acho que é o meu livro mais completo.
Nele eu procuro dialogar com as tradições narrativas do século XX, com
destaque para o regionalismo brasileiro, a pulp fiction e histórias de faroeste e
alguns mitos da literatura clássica, como Fausto e Dom Quixote. Também cito
elementos do cinema, do teatro e da cultura popular brasileira, com destaque
para a literatura de cordel. É, portanto, uma obra ousada e arriscada.
Felizmente, a crítica e os professores que têm lido estão gostando. Parece que
acertei.
O dialeto da Tabatinga foi parar nesse livro por acaso. Fiz uma
reportagem com a professora Sônia Queirós e ela sugeriu que eu escrevesse
alguma coisa utilizando elementos do dialeto. Eu estava escrevendo Sumdiouro
das Almas e achei interessante usar algumas palavras na boca do antagonista,
Adriano Raposo, vulgo Nonô Carvoeiro, um pistoleiro sinistro nascido no
Pará, descendente de família africana. Procurei colocar as palavras de maneira
simples e direta, sem precisar traduzir no pé de página, pois isso não ficaria
legal num romance. O livro tem citações às nacionalidades que contribuíram
para formação do nosso povo e acho que a presença do dialeto ressalta a força
da cultura africana, que eu tanto respeito e admiro.
Toda obra de arte tem a ver com a cultura. Ela expressa aspectos da
alma do autor, mas este autor está ligado a determinado tempo e a determinado
lugar. Sumidouro das Almas não foge à regra. Tem tudo a ver com o nosso
tempo e com a minha formação cultural, que é extremamente popular. O livro
se passa em 1959, no Norte de Minas, um Jequitinhonha mítico. Mas é
também uma história acima de tudo brasileira. Nasci em Minas, com muito
orgulho, mas faço questão de ser brasileiro. Construir a nacionalidade é
fundamental para nos localizarmos neste mundo globalizado que aí está. Chega
dessa coisa de rivalizar com Rio, São Paulo ou Bahia. Somos todos brasileiros e
é isso o que devemos expressar, embora mantendo nossas características locais.
Por isso eu falo na letra de Folia Mineira, gravada por Helena Penna: "Eu sou a
alma das Minas Gerais... Sou da cidade e sou caipira". Com muita honra.",
palavras de Jorge, em entrevista por e-mail ao Programa Senhora do Sol.

e-mail do escritor:
jfsantos@task.com.br
website do escritor:
http://www.jorgefernandosantos.hpg.com.br

Pé Preto no Barro Branco - a Língua dos Negros da Tabatinga

Sônia Queiroz - e-mail: queiroz@lcc.ufmg.br


Área: Linguística
1998. 149p. 15,5 x 22,5cm. ISBN:85-7041-147-2

A autora registra a fala de uma comunidade negra que vive hoje nos
subúrbios de Bom Despacho/MG. Trata-se de uma língua peculiar, pois seus
falantes a adquirem depois de adultos em rodas de amigos e a utilizam quase
que unicamente nos momentos de lazer.
Para chegar a essa estrutura linguística, Sônia Queiroz mostra ao leitor
bem mais que o falar inusitado de uma comunidade. A autora recupera a
história da chegada do negro ao Brasil e, mais especificamente, a Minas Gerais.
Para contar a história da língua dos negros da Tabatinga, o livro fala da
importância da influência negra na constituição da cultura brasileira. E deixa
claro que os legados culturais dos negros não se restringem a influências.
Constituem parte fundamental da cultura estabelecida no país.
Sônia Queiroz conclui que a Língua do Negro da Costa, como também
é conhecida, parece fadada a desaparecer em poucas décadas. Por isso "deixá-la
morrer sem um registro seria desconhecer ou pelo menos subestimar a
importância que tem o estudo de falares como esse para um melhor
conhecimento de nossa realidade linguística e sociocultural".

Dicionário da Língua da Tabatinga

VOCABULÁRIO DA LÍNGUA DA TABACA


(Também chamada "Língua dos Negros da Costa" [Angola])
Acachar. Sinônimo de Cachar.
Assangue. Arroz. Var. de Missango.
Atchapo. Sin. Tchapo.
Avura. Grande. Também usado para designar pessoa boa, coisa boa, bonita, ou
coisa positiva de um modo geral (mais correto seria Opepa).
Bélude. Dia (por oposição a noite, que é Oteque).
Cachar. Pegar; trazer; cair (chuva); dar; entregar; tomar; roubar; beber; comer;
etc.
Cachar o Cureio. Almoçar; jantar; ceiar.
Cachar Cuxipa. Transar; fornicar; prostituir-se; etc. Rastar Cuxipa.
Cachar Janô. Sin. Cachar Cuxipa, só que mais usado para a atitude passiva.
Cafanhaque. Dente; mandíbula; queixada.
Cafuvira. Preto; negro; escuro; crioulo.
Cajuvira. Café.
Camba. Ônibus.
Camberela. Carne.
Cambuá. Cachorro, cão.
Camoná. Sin. Camoninho (mais usado).
Camoninho. Criança; menino; garoto; guri (masc. ou fem.).
Camoninho no Jequê. Grávida.
Canambóia. Sin. Carambóia.
Candambora. Sin. antigo Carambóia.
Cangura. Porco; leitão; cachaço (masc. ou fem.).
Cangura do Sengue. Bicho; animal selvagem.
Carambóia. Galinha; frango (masc. ou fem.).
Caranguela. Aparelho sexual feminino; vulva; vagina. Sin. Marcela.
Cassucara. Casamento; matrimônio.
Cassucarar. Casar-se; contrair matrimônio.
Catita. Pequeno. Por ext.: feio; sem valor; inútil; fraco etc.
Cavingueiro. [Fazendeiro?]
Conema. Variação de Conena.
Conena. Cocô; fezes; esterco.
Conjolo (ô). Casa; residência. Por ext.: prédio; repartição etc.
Conjolo das Ocaias. Zona boêmia; cabaré; rendez-vous.
Conjolo de Conena. Banheiro; instalações sanitárias.
Conjolo de Cuxipa. Sin. Conjolo das Ocaias; motel.
Conjolo do Granjão. Igreja.
Conjolo dos Viriangos. Cadeia. Por ext.: batalhão.
Coreã. Chapéu; cobertura.
Coreã de Gombê. Chifre.
Cuete (ê). Homem; moço; rapaz; cara; sujeito. Por ext.: macho.
Cuete-Ocaia. Homem homossexual; pederasta passivo; bicha; homem gay.
Cumba. Luz; lâmpada.
Cumba do Bélude. Sol.
Cumba do Oteque. Lua.
Cumbaro. Cidade.
Cumicove. Quitanda; salgado; tira-gosto.
Cureio. Comida; almoço; janta; ceia.
Curimba. Trabalho; ocupação; ofício.
Curimbar. Trabalhar.
Cuxipa. Pênis; órgão sexual masculino.
Cuxipar. Sin. Rastar Cuxipa.
Encachar. Sin. Cachar.
Esquife. Cama; leito.
Fute. Céu; firmamento; ar.
Gombê. Gado; vaca; boi.
Granjão. Deus; o Todo-Poderoso.
Imbera. Chuva.
Imbuete (ê). Pedaço de pau; cacete; porro; taco. Por ext.: pênis.
Ingirar. Andar; fugir; correr; voar; sair; sumir; escafeder-se; jogar (pedra ou
objeto); atirar etc.
Ingira. Carona; transporte.
Ingura. Dinheiro; numerário; riqueza.
Ingura Avura. Rico; cheio da nota.
Ingura Catita. Pobre; pobretão; sem dinheiro. Sin.: Tchapo.
Janô. Ânus; cu; bunda.
Jequê. Barriga; ventre; útero.
Mantambu. Mandioca.
Marcanjo. Cigarro; pito; fumo. Por ext.: Marcanjo Avura: maconha.
Marcanjo Cafuvira. Fumo de rolo.
Marcela. Sin. Caranguela.
Matuaba. Bebida alcoólica; cachaça.
Matuaba no Tué. Bêbado; borracho; bebum.
Mavero. Mama; peito de mulher; seio.
Mingüé. Gato; felino (masc. ou fem.).
Missango. Arroz. Missangue.
Ocaia. Mulher; moça; garota; fêmea etc.
Ocaia que Rasta Cuxipa. Prostituta; piranha; galinha.
Ocora. Homem velho; pai. Mulher velha; mãe.
Omana. Irmã.
Omano. Irmão.
Omenha. Água; água potável.
Omenha de Cuxipa. Urina; xixi; mijo.
Omenha do Fute. Sin. Imbera.
Opepa. Bonito; bom. Pessoa loura.
Orangê. Cabelo; cabelos.
Orongó. Cavalo; égua.
Oronha. Relógio.
Oteque (ê). Noite.
Oveva. Torto; feio; atrapalhado; machucado.
Percinê. Óculos.
Pungue. [Milho]
Rastar Cuxipa. Fornicar; transar; fazer amor.
Rastar Tiprequé. Dormir; deitar-se.
Sengue. Roça; mato; mata.
Tchapo. Esfarrapado; maltrapilho; roto; estragado; inutilizado etc. Sem
dinheiro; pobre.
Tibanga. Bobo; idiota; imbecil; otário; inepto; simplório; ingênuo; boçal; parvo
etc.
Tibanguara. Sin. Tibanga.
Tinhame. Coxa; coxa feminina. Por ext.: perna.
Tiparo. Olho.
Tiparo dos Imbondos. Rolo; quinquilharia; bricabraque; badulaque; coisa
confusa e desconexa; gambiarra; objeto não identificado etc.
Tiploque. Sapato; calçado de um modo geral.
Tipoque. [Feijão?]
Tiporê. Fruta.
Tiporê de Uíque. Laranja; tangerina.
Tiprequé. Ver: Rastar Tiprequé.
Tipurar. Olhar; observar; ver etc.
Tué. Cabeça; crânio; cérebro; inteligência etc.
Turisco. Pedra; seixo; cascalho; rocha.
Uíque. Doce; coisa doce; açúcar.
Undaro. Fogo; fósforo; isqueiro etc.
Uruma. Carro; veículo. Por ext.: máquina.
Uruma de Equilíbrio. Moto; motocicleta; motoneta; lambreta; vespa.
Uruma de Orongó. Carroça; charrete etc.
Uruma de Pedal. Bicicleta.
Uruma de Tempo. Sin. Oronha.
Urunanga. Roupa; vestimenta; calça; camisa; vestuário.
Viriango. Soldado; policial; polícia; meganha; samango etc.
Vissongue. Dinheiro (pouco usado, antiquado). Sin. Ingura.
Vissunga. [Festa?]

28 de maio de 1985.

Antônio Benício De Castro Cabral beniciocabral@gmail.com

Ivã Rodrigues Do Couto (Comodoro)

CAVALGADAS EM BOM DESPACHO


OS FUNDADORES DAS CAVALGADAS
João Batista Silva *

Benedito Alves (Bené Peão), peão de rodeio, atividade que o levou a se


tornar famoso e conhecido além das fronteiras brasileiras. Nasceu aos
20/09/1943, filho de Vicente Teixeira Braga e Conceição Maria de Jesus.
Bené Peão casou-se com Maria da Conceição Alves e tem quatro filhos.
Reside à Avenida Ana Rosa, n. 281, Bairro Ana Rosa, Bom Despacho - MG.
Do sítio onde reside, Bené costumava observar dezenas de devotos de
Nossa Senhora da Conceição passar nos dias 07 e 08 de dezembro, em direção
a Conceição do Pará - MG.

Cavalgada da Fé

Admirador do Padre Libério, com várias graças alcançadas, resolve


procurar o amigo José Januário da Silva (Zé Nego), peão boiadeiro, casado
com Zélia e pai de quatro filhos, Maurício, Marly, André e Nenzinho. Bené e
Zé Nego procuraram Antônio Ferreira Sobrinho e se entenderam. Receberam
o apoio desejado, da pessoa certa, na hora exata.
No dia 30 de setembro de 1989, às 6hs, iniciou-se a primeira Cavalgada
do Padre Libério para Leandro Ferreira, com 49 cavaleiros, que posteriormente
passou a ser realizada no dia 30 de junho.
Os devotos do Padre Libério deram à cavalgada o nome de "Cavalgada
da Fé", e uniram-se à Juliana, presidente do Clube dos Cavaleiros de Leandro
Ferreira e a festa se solidificou com apoio dos padres.
Estima-se que 1500 a 2000 cavaleiros participaram do evento, e de
centenas de pessoas em seus veículos nos últimos anos.
Acredita-se que todas as cavalgadas regionais são herdadas da
manifestação de solidariedade dos amigos: Bené, Zé Nego e Antônio Ferreira.
Depoimentos e documentários antigos confirmam grande número de
cavaleiros no passado. Nas épocas em que o Padre Libério celebrava por toda a
região.
Na ocasião os cavaleiros se deslocavam de forma isolada, sem se
organizarem.
Antônio Ferreira Sobrinho, Benedito Alves (Bené Peão), Adélio Silva,
Helenice Rodrigues e João Batista Silva uniram-se, conforme consta do projeto
das cavalgadas (Encontros dos Amigos Devotos do Padre Libério) para
Campo Redondo e com despacho favorável do Reverendíssimo Padre Paulo
Dias Barbosa que celebra, no 3o. domingo de setembro de 2000, o primeiro
que contou com número significante de fiéis.

Cavalgada De São Jorge

Antônio Ferreira é fundador/coordenador da Cavalgada de São Jorge,


realizada no mês de abril, em Bom Despacho, que no dia 20 de abril de 2003
contou com presença de 135 cavaleiros e amazonas. Antônio também foi
fundador do Clube dos Cavaleiros de Bom Despacho, no dia 20/04/1990.

* Fonte: livro "O Santo de nossa Fe, Padre Libério, origens históricas e o
clero", João Batista Silva - 3a edição 2004

A MAGIA DA DANÇA CATIRA


por Marco Túlio
A catira tem uma origem muito discutida. Alguns dizem que ela veio da
África junto com os negros, outros acham que é de origem espanhola,
enquanto estudiosos afirmam que ela é uma mistura com origens africana,
espanhola e também portuguesa – já que a viola se originou em Portugal, de
onde nos foi trazida pelos jesuítas.
A dança catira, para quem não sabe, surgiu em Bom Despacho há
muitos anos, na comunidade da Extrema, e se chama os extremeiros. Eles
foram o grupo que mais influenciaram a dança na região. Mas com o passar do
tempo o grupo foi se distanciando, seus integrantes foram se mudando para
outras cidades até parar de se reunir e de se apresentar.
Com a mudança do pessoal e a não preocupação de passar essa cultura
para os descendentes, a Catira deixou de existir em regiões como Vargem
Grande, Lagoa Verde, Picão e na própria Extrema. Contudo, os extremeiros
continuam se apresentando em Bom Despacho, ainda que com pouca
frequência.
Em nossa região, um dos grupos mais atuantes no momento é o
“Pedro Pedrinho”, que se originou no município de Martinho Campos, no
povoado de Monjolos, e tem como integrantes vários catireiros bom-
despachenses, entre eles o comandante do grupo, o médico José Maria
Campos, que atualmente reside em Bom Despacho.
A origem desse grupo é muito interessante, pois ele é formado só com
membros da família. O nome veio do pai do Dr. José Maria, que se chamava
Pedro Fernandes Filho, conhecido como Pedro Pedrinho, nascido e criado na
beira do São Francisco, na comunidade dos Monjolos. “Ali existia um grupo de
catira, formado por ele e seus irmãos e alguns outros parentes, e o pessoal que
trabalhava na fazenda de seu pai, que também era violeiro e dançador. Ele teve
a preocupação de passar para os filhos a dança da catira, conservando a
tradição na família Fernandes Campos”. Com uma família muito grande, de 14
filhos, Pedro Pedrinho conseguiu conservar e ensinar a arte de sapatear para
seus filhos, cultivando essa dança folclórica que, a meu ver, vai durar muito
tempo. Eles aprenderam também a tocar viola, formando assim o grupo de
catira Pedro Pedrinho – que constitui hoje a 4ª geração de catira na família
Fernandes Campos. Atualmente são 26 catireiros entre irmãos e sobrinhos.
Todos estão agora aprendendo a tocar viola, pois o sapatear e o bater palmas
todos já sabem.
Com isso se espera que o grupo não se acabe como aconteceu com
outros, que não foram passando para frente as suas raízes.
Para o ano que vem, o grupo espera se apresentar no programa “Viola
minha Viola”, da Inezita Barroso, que é um programa de raízes e que se
preocupa muito com o folclore brasileiro, levando assim mais uma vez o nome
de nossa cidade para o cenário nacional.

Descontração

A dança catira não se limita apenas em bater palma e sapatear,


constituindo-se num estilo de vida de quem está dançando. Naquele momento
o dançador se esquece de coisas ruins, trazendo assim muita alegria e
descontração, além da dança servir também como identidade familiar para os
integrantes do grupo.
Quem se interessar em aprender a catira, que de fato é muito
encantadora, deve procurar pelo Dr. José Maria Campos (Praça da Matriz, 164
– Bom Despacho), onde ele se dispõe a passar para os interessados os seus
conhecimentos sobre a dança.
Catira é folclore, é cultura. Vamos cultivar essa raiz em nossa cidade
para que ela seja sempre lembrada por todos como uma dança alegre e bonita.

E-mail para contato: marcotulio.ca@bol.com.br


Artigo Publicado no Jornal de Negócios.

A antiga dança do Centro-Oeste, quase esquecida entre os moradores de


Aparecida do Taboado, ressurge com a formação de um grupo de
dançadores mirins.

As origens da catira foram estudadas durante todo o projeto: o senhor


Felipe Leonel de Aquino, catireiro desde criança, apresenta aos futuros
dançadores um histórico sobre a manifestação folclórica, forte no passado do
município, e hoje praticamente esquecida; a professora Jucelma reconta para a
classe causos da tradição oral trazidos à cidade por tropeiros de Minas Gerais
que ali acampavam; os movimentos da dança são registrados pelas crianças em
desenhos; e a dupla formada pelo violeiro José e por seu irmão, o cantador
Clementino Leite de Souza, anima a apresentação.
Conhecida também como cateretê, a catira é típica no Centro-Oeste.
Existem pelo menos duas origens para essa manifestação folclórica, uma
indígena e outra, portuguesa. Nos tempos coloniais ela era um agradecimento
ao santo de devoção pela boa colheita. Originalmente a dança era exclusiva
para homens, mas com o passar do tempo a presença feminina começou a ser
aceita. Os catireiros, como são conhecidos, têm uma vestimenta típica: camisa
xadrez — de manga comprida — e calças jeans. Usam botas, chapéu de aba
larga e lenço no pescoço, lembrando os boiadeiros. Eles bailam ao som da
moda de viola, que trata de questões do dia-a-dia, como o trabalho e o amor.
Os dançarinos se colocam em duas fileiras, uma em frente à outra, e após a
introdução da canção, começam a sapatear e bater palmas, sempre ao ritmo das
violas. Logo depois os cantadores entoam a segunda parte da música. A dança
termina com o recortado, em que os dançadores vão trocando de lugar a cada
estrofe da moda. Quando voltam aos seus lugares originais, a dança termina.

Quer saber mais?


Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental João Luiz
Pereira, R. Princesa Maria Leopoldina, 4561, CEP 79570-000, Aparecida do
Taboado, MS, tel. (0_ _67) 565-1611

Fonte: Nova Escola on-line


http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/157_nov02/html/caderno_esp3

HISTÓRIA DO REINADO

"Congadas: As festas de Congado - também chamadas de Reinado ou


Reisado do Rosário - tiveram início na antiga capital de Minas: Ouro Preto. Os
principais polos festeiros estão concentrados na região metropolitana de Belo
Horizonte, Sete Lagoas, Montes Claros, Raposos, Oliveira, Bom Despacho e
Dores do Indaiá.

A lenda do Congado

A lenda de Chico-Rei nos conta que a origem das festas do Congado


está ligada à Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na antiga Vila Rica.
Segundo a lenda, o escravo batizado com o nome de Chico-Rei, viera da África
com outros membros de sua família. Na sofrida viagem, rumo às Novas
Terras, Francisco perdera a mulher e seus filhos, com exceção de um. Chico-
Rei se instalou em Vila Rica e com o passar do tempo, com as economias
obtidas no trabalho aos domingos e dias santos, conseguiu a alforria do filho.
Posteriormente, obteve a própria alforria e a dos demais súditos de sua nação
que lhe apelidaram de Chico-Rei. Unidos a ele, pelos laços de submissão e
solidariedade, adquiriram a riquíssima mina da Escandideira. Casado com a
nova rainha, a autoridade e o prestígio do "rei preto" sobre os de sua raça foi
crescendo. Organizaram a Irmandade do Rosário e Santa Efigênia, levantando
pedra a pedra, com recursos próprios, a Igreja do Alto da Cruz. Por ocasião da
festa dos Reis Magos, em janeiro, e na de Nossa Senhora do Rosário, em
outubro, havia grandes solenidades típicas, que foram generalizadas com o
nome de "Reisados". Nestas festas, Chico-Rei, de coroa e cetro, e sua côrte
apareciam lá pelas 10 horas, pouco antes da missa cantada, apresentando-se
com a rainha, os príncipes, os dignitários de sua realeza, cobertos de ricos
mantos e trajes de gala bordados a ouro, precedidos de batedores e seguidos de
músicos e dançarinos, batendo caxambus, pandeiros, marimbas e canzás,
entoando ladainhas."
fonte: http://www.mg.gov.br

Textos sobre a festa

Tempo de Reinado: cores, religiosidade e alegria em Bom Despacho

06/09/05 - Beatriz Araújo Campos

Mês de agosto é mês de muita festa em Bom Despacho, pois é época


de Reinado. Lembro-me de quando trabalhava na Escola Irmã Maria. Em
agosto era necessário fazer um horário mais flexível, pois grande parte dos
alunos eram dançadores e não iam à escola ou só iam durante parte do horário.
Pessoalmente, nunca achei muita graça nesta festa.! Não precisam me crucificar
por isto, me deixem explicar! Para mim, acostumada desde criança a ver o
Reinado andando pelas nossas ruas, o único grande significado eram os
almoços. Minha avó materna era festeira e eu adorava a comilança da época
dos reinados. Sentido religioso? Lamento. Nunca foi importante para mim.
Não acredito que os santos estejam disponíveis para barganhar favores
(pedidos de graças) em troca de um bando de gente dançando, comendo e
bebendo. Aliás, não acredito que os santos sejam a favor desta chantagem que
costuma ser feita (promessas se alcançar tal graça). Que me perdoem os
fervorosos devotos, mas é assim que penso.
Depois de adulta, via o Reinado apenas como uma curiosa
manifestação cultural. E ainda passei a observar mais detalhadamente alguns
dançadores. Não estou generalizando, mas alguns me parecem que só estão
interessados mesmo na comilança e na beberrança. Duvidam? Observem
melhor nos próximos anos. Alguns se encharcam de cachaça e tudo vira
mesmo uma grande festa!
Isto sem falar nas princesas, que me parecem mais interessadas nos
charmosos e fardados dançadores.( Não entendo esta fixação de certas
mulheres por fardas!) Ah! E por falar nas princesas, para onde vai o dinheiro
das esmolas? Para a igreja do Rosário, não creio. Para a Matriz? Para o Bispo?
Para o Vaticano? Sinceramente, gostaria de saber. E aí vou provocar mais um
pouco: como é que uma instituição rica como a Igreja Católica tem a cara de
pau de pedir esmolas? Enfim...
Bom, mas agora vamos ao motivo deste texto: agora, depois de mais
madura, aprendi a ver o Reinado realmente com outros olhos. Descobri a
origem desta dança e reconheço que é uma belíssima manifestação cultural
deste povo que foi tão covardemente oprimido, que é o africano.
Gosto do colorido das roupas, das coreografias, do cuidado em se
passar para os mais jovens os mesmos costumes dos antepassados. Acho
fantástico, num mundo em que há tão pouco respeito pelos valores, observar
como os dançadores obedecem aos capitães. Com certeza, uma forma de
mostrar que são necessários obediência e respeito para que as coisas funcionem
melhor.
Observo que hoje já não vemos tantos sanfoneiros nos cortes como
antes, e lamento. Por que será? Talvez os jovens não se interessem mais pela
sanfona. Guitarras, baterias são instrumentos mais interessantes para eles. Mas
será que não seria o momento de se fundar uma escola de tocadores de
sanfonas, antes que esta arte se perca? Em Bom Despacho temos verdadeiros
mestres da sanfona, como o Salgado, por exemplo. Talvez, se algo não for
feito, e rápido, esta arte pode se perder.
Na verdade, penso que algo deve ser feito para se registrar o Reinado
de Bom Despacho. Uma escritora bondespachense (Patrícia) acaba de lançar
um livro sobre esta festa. Quem sabe não está na hora de fazer também um
registro com imagens (exposição de fotos, documentário, sei lá)? Seria muito
bacana se durante a realização da festa, pudéssemos também conhecer um
pouco mais da história desta manifestação cultural tão rica.
Bom, mas agosto passou e com ele se foi mais uma vez o Reinado. Agora é
esperar o próximo ano.

beatrizcampos2004@yahoo.com.br

D. Sebastiana: Confiando nos Tambores da Dandara

Lúcio Emílio do Espírito Santo Júnior* - lucio@bdonline.com.br

Dia cinco de dezembro foi o aniversário de uma pessoa muito especial:


Sebastiana Geralda Ribeiro Silva, a “Vó Tiana”. Natural da cidade de Bom
Sucesso, veio para Bom Despacho em 1966, dia 2 de setembro. Ela ainda se
lembra do dia em que chegou, desembarcando numa jardineira. D. Elisa
Queiroz foi quem a trouxe para conhecer Bom Despacho. Estavam em BD
para fazerem juntas um trabalho social. Tiana foi criada com uma família
sempre trabalhando em projetos sociais. Ao chegar em Bom Despacho, sentiu
que havia uma carência muito grande de eventos culturais, então montou peças
teatrais e grupos de dança. Desses, um dos mais ativos hoje em dia é o corte de
reinado Moçambique de São Benedito. Dentre seus feitos está também uma
escola de samba, escola esta que em 1988 obteve o 1º lugar no carnaval em
Bom Despacho. Criou também um grupo de Afoxé, representando a África,
um grupo de capoeira que funcionava dentro de sua própria casa.
Recentemente ocorreu um avanço nas lutas da comunidade da
Tabatinga, que agora já conta com uma Associação dos Quilombolas. Foi
reconhecida pelo governo federal como Quilombo dos Carrapatos e Tabatinga,
o que representará um importante canal para o investimento de ONGs, do
movimento negro e do governo federal na cidade e região. Tiana passa por
dificuldades, mas confecciona as roupas. Faz as apresentações; com seus
grupos já se apresentou em Abaeté, e também em locais como o Minas
Shopping e o Palácio das Artes, em BH.
Em Bom Despacho já se apresentou em muitos lugares: SESC, Salão
São Vicente, 7º Batalhão da Polícia Militar, Colégio Millenium, Colégio Irmã
Maria, entre outros. Alimenta projetos de aulas de costura africana, penteados,
etc. Quer resgatar a cultura dos negros e a auto-estima. Quer resgatar a história
e fazer os negros deixarem de ter preconceitos, porque muitos têm preconceito
consigo mesmos, não gostam de ser negros. Quer que todos os quilombos que
existiram na região do Oeste de Minas venham procurá-la para ficarem unidos.
Quer fazer aqui em Bom Despacho a central desses Quilombos, como diz logo
a seguir, explicando que o conceito de quilombo, inclusive para o governo
federal, mudou:
Este é um projeto muito valioso, não precisa nem ser de Quilombo,
sendo negro, temos que nos reunir, para resgatar nossa cultura e nossos
direitos. Quero resgatar coisas que foram perdidas, que nos foram tiradas. Por
exemplo, foram tiradas todas as terras dos Quilombos. A única mensagem que
eu quero deixar: Meu querido povo do Brasil, confie nos tambores de Dandara.
Sou Umbandista, dentro de minha religião, Dandara é mãe de todos, aqui sou
eu quem a representa, sou muito feliz em ser uma Dandara.
“Vó Tiana”, nesse dia do seu aniversário, receba nossos parabéns pelos
anos de vida, pela sua grande e abençoada luta, na certeza das vitórias já
acontecidas e daquelas que ainda virão nesse caminho tão bonito que é o seu!

* Doutorando em Teoria e História Literária pela UNICAMP e mestre em


Estudos Literários pela UFMG.

Chico Rei - Verdade, lenda ou Mentira?

por Tarcísio J. Martins

Seguindo o exemplo de Carmo Gama, o monarquista Diogo de


Vasconcelos também resolveu trair o dever de fidelidade e fidedignidade à
História em seu livro “História Antiga de Minas”, que publicou no mesmo ano
1904. Melhor que comentar é transcrever a contrafação lançada em nota de
rodapé pelo autor:
“Os salteadores apreendiam ou compravam na África tribos e nações
inteiras, gente em vários graus de sociabilidade, embora rudimentária e além de
muitos exemplos para prová-la, tivemos o que deu lugar a legenda tão bizarra,
quão verdadeiramente poética do Xico Rei, que dominou Vila Rica. Esta figura
nobre de um preto, cuja vida acidentada aqui finalizou, imensa luz derrama aos
painéis daquela época sombria. (19)” .
Eis a nota de rodapé nº(19):
“19 Francisco foi aprisionado com toda sua tribo, e vendido com ela,
incluindo sua mulher, filhos e súditos. A mulher e todos os filhos morreram no
mar, menos um. Vieram os restantes para as minas de Ouro Preto. Resignado à
sorte, tida por costume na África, homem inteligente, trabalhou e forrou o
filho; ambos trabalharam e forraram um compatrício; os três, um quarto, e
assim por diante até que, liberta a tribo, passaram a forrar outros vizinhos da
mesma nação. Formaram assim em Vila Rica um Estado no Estado; Francisco
era Rei, seu filho o Príncipe, a nora a Princesa. Possuía o Rei para a sua
coletividade a mina riquíssima da Encardideira ou Palácio Velho. Antecipou-se
este negro a era das cooperativas, e precursou o socialismo cristão. Como
naquele tempo toda irmandade estava unida à ideia religiosa de um santo
patrono, tomou esta o patronato de Santa Efigênia, cuja intercessão foi-lhes
tão útil; e desse exemplo nasceu o culto ardente, que se volta ainda à milagrosa
imagem do Alto da Cruz. Os irmãos erigiram um belo templo que existe sob a
invocação do Rosário. No dia 6 de janeiro o Rei, a Rainha e os Príncipes
vestidos como tais eram conduzidos em ruidosas festas africanas à igreja para
assistirem à missa cantada e depois percorriam em danças características,
tocando instrumentos músicos indígenas da África, pelas ruas. Era o Reinado
do Rosário, festas que se imitaram em todos os povoados das Minas. Vem
também daí a nomenclatura dos mesários do Rosário em todas as irmandades
de pretos entre nós. No Alto da Cruz ainda se vê a pia de pedra na qual as
negras empoadas de ouro lavavam a cabeça para deixá-lo naquele dia por
esmola ou donativo”.
Voltando ao texto, o descendente daquele outro Diogo que vilipendiou
os restos mortais de Tiradentes arremata a contrafação:
“A legenda do rei africano é na história semelhante a um oásis florido e suave,
em que descansamos deste melancólico armeiro, que sua raça infeliz encharcou
de suor, de sangue e de lágrimas, (...)” e, assim, muda de assunto e NADA
MAIS fala sobre o tal “Xico Rei”.
Como se vê acima, Diogo de Vasconcelos confundiu reisado (festa dos
reis magos, em 6 de janeiro), com reinado, festa de Nossa Senhora do Rosário,
celebrada na primeira ou segunda semana de agosto que, hoje, para possibilitar
o acesso dos mineiros que vivem fora de suas cidades, foi transferida para final
de julho de cada ano. O erro de Diogo é grave, uma vez que as festas de Santos
Reis, celebradas em 06 de janeiro, só se firmaram a partir do final do século
XIX, inexistindo notícias das mesmas nos anos setecentos. Ora, como poderia
um autor que faz confusão entre a data da festa de Santos Reis e a data da festa
de Nossa Senhora do Rosário, guardar tão bem e se lembrar de tantos detalhes
da alegada tradição ouro-pretana sobre o tal Chico Rei?
Diogo fala da tal “legenda” como se ela fosse pública e notória. No entanto,
nunca encontrei ninguém – nem mesmo de Ouro Preto – que tivesse dela
tomado conhecimento, a não ser - direta ou indiretamente - pela falsa notícia
que o acadêmico piadista da Faculdade de Direito de São Paulo inculcou no
seu livro “História Antiga de Minas”. Por exemplo, inexiste até mesmo
qualquer depoimento de contemporâneos que pudesse dar alguma
credibilidade às alegações do autor. Diogo, como se sabe, era um tremendo
gozador; talvez sua intenção tenha mesmo sido a de nos fazer a todos de
“marrecos” .
A nota de rodapé do monarquista frustrado fez enorme estrago em
nossa historiografia. Dezenas de autores de respeito, pensando que – também
nesse caso – Diogo merecesse respeito, reproduziram sua nota de rodapé em
livros e mais livros.
Em 1966, o ROMANCISTA Agripa de Vasconcelos veio a publicar
pela Editora Itatiaia o seu livro “Chico Rei”, de 247 páginas. Diferentemente
de seus outros romances-históricos, neste, Agripa não menciona qualquer
bibliografia e a única referência que faz é mesmo à nota de rodapé do Diogo de
Vasconcelos. É, sem dúvida, mera ficção que teve como base a nota de rodapé
do Diogo, segundo consta, seu ancestral colateral.
Muita gente tem chamado Agripa de Historiador, quando ele mesmo
sempre se disse apenas um romancista.
A desinformação se multiplicou. Livros e mais livros foram escritos
reproduzindo a falsa lenda. “Chico Rei” virou tema de escola de samba, virou
filme; o comércio de Ouro Preto passou, sem saber que o faz, a enganar
turistas e a si mesmos, na medida em que deram evidências e corpo a uma falsa
história que também nunca foi lenda.
O próprio Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, sob a
gestão de seu presidente Miguel Augusto Gonçalves de Souza , na edição
comemorativa de 22 de abril de 2000 de sua Revista (Brasil – 500 anos), Vol. nº
XXIII, fez publicar o artigo do confrade Rogério de Alvarenga , intitulado
“Um Escravo Rei”, que sustenta falsa fidedignidade HISTÓRICA no
ROMANCE de Agripa e nas citações que outros quatro autores fizeram da
nota de rodapé do Diogo de Vasconcelos.
Em 20.05.98 tivéramos também uma reportagem na Revista “ISTO É”,
onde um repórter, através de um historiador local – que tinha como fonte
principal o livro do Agripa de Vasconcelos - disse ter encontrado, em
Pontinha-MG, nada mais nada menos, que os descendentes de Muzinga, o
filho do Chico Rei. Mandei dezenas de correios eletrônicos para essa revista,
mas ela nunca respondeu nada. Essa reportagem, a meu ver, visava apenas a
excluir os negros locais dos favorecimentos legais que teriam – na posse das
terras onde moravam - caso fossem remanescentes de quilombos. E era
mesmo! E eles, os negros, perderam.
Tenho convicção de que a “criação” do Chico Rei visou não só
esconder o Rei Ambrósio, personagem REAL da História de Minas, mas
também, criar para os negros um exemplo de que, negro, para “dar certo”,
precisa ser muito humilde e obedecer as sábias regras do jogo, criadas e
impostas pelo branco.
COLÔNIA DOS ALEMÃES EM BOM DESPACHO/MG
A imigração alemã no Brasil

"A Colônia de Leopoldina, na Bahia, foi o primeiro núcleo colonial


fundado com imigrantes alemães no Brasil, em 1818. A partir desta data,
imigrantes alemães entraram em vários Estados brasileiros (Minas Gerais,
Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná), embora sua maior
concentração tenha sido nos dois Estados meridionais do país: Rio Grande do
Sul e Santa Catarina. Sob o rótulo de "colonos alemães", englobamos todos os
imigrantes de língua alemã, sejam eles provenientes da Alemanha, Áustria ou
Polônia. Como área de "colonização alemã" consideramos aquelas regiões do
sul do Brasil povoadas predominantemente com imigrantes de origem alemã,
embora tenham recebido também colonos de outras origens, inclusive luso-
brasileiros.
Os imigrantes alemães, que entraram nas Províncias de Santa Catarina e
Rio Grande do Sul durante o século XIX, se localizaram nas áreas de florestas,
entre o litoral e o planalto, longe das regiões de grandes propriedades luso-
brasileiras empenhadas na criação de gado. Estes imigrantes, portanto, ficaram
separados dos luso-brasileiros e suas atividades não afetaram em nada as áreas
latifundiárias. As regiões colonizadas por alemães se caracterizaram
principalmente pelo regime de pequenas propriedades poli cultoras e pelo fato
de permanecerem relativamente isoladas, gozando de uma certa autonomia e
realizando um comércio em pequena escala, não especializado, dominado por
alguns comerciantes proprietários de pequenas lojas nos principais centros
coloniais. Nas duas Províncias citadas, a colonização alemã — no século XIX
— acompanhou os vales dos principais rios, desde o curso inferior até quase as
nascentes, já no planalto: trata-se dos vales dos rios Itajaí (Santa Catarina) e
Sinos, Jacuí, Taquari e Caí (Rio Grande do Sul).
A imigração alemã para o Rio Grande do Sul começou em 1824, com a
fundação da Colônia de São Leopoldo, no vale do rio dos Sinos. Esta
imigração sofreu uma interrupção com a Revolução Farroupilha e se reiniciou
muito mais tarde, na década de 1850, quando foi instalada a Colônia de Santa
Cruz (1849) e toda uma série de colônias privadas. Em Santa Catarina, os
primeiros alemães chegaram em 1828 e foram instalados na Colônia de São
Pedro de Alcântara, não muito distante da capital, na estrada que se abria para
Lajes. Só duas décadas depois é que começou o grande fluxo de imigrantes
alemães para este Estado, com a colonização do vale médio do rio Itajaí e das
terras a noroeste do Estado, próximas ao porto de São Francisco do Sul que
compunham o dote da Princesa D. Francisca, casada com o Príncipe de
Joinville. Da iniciativa privada de Hermann Blumenau, surgiu a Colônia
Blumenau, no médio Itajaí-Açu (1850); em seguida, foram fundadas as
Colônias de D. Francisca (1851), Itajaí-Brusque (1860) e Ibirama (1899), a
primeira nas terras da Princesa D. Francisca, a segunda no médio Itajaí-Mirim e
a terceira no alto Itajaí-Açu [1].
A fundação de colônias com imigrantes alemães no Rio Grande do Sul
e Santa Catarina se deve tanto à iniciativa privada como à iniciativa
governamental (seja do Governo Imperial ou Provincial). Entre as colônias
fundadas por iniciativa governamental estão São Leopoldo, Três Forquilhas e
Ijuí, no Rio Grande do Sul, e Itajaí-Brusque, em Santa Catarina. Blumenau
(depois transformada em colônia oficial a pedido do seu fundador), D.
Francisca (instalada pela Hamburger Kolonisationsverein) e Ibirama (instalada
pela Hanseatische Kolonisationsgesselschaft) são exemplos de iniciativa
privada na área da colonização. As sociedades de colonização tinham interesse
principalmente na venda das terras a longo prazo, que dava um lucro razoável,
acrescentando-se ainda o financiamento da passagem dos imigrantes e os
empréstimos iniciais para permitir a instalação dos mesmos nos lotes. Iniciativa
individual e idealista como a do Dr. Blumenau é uma exceção à regra e teria
fracassado se não fossem os esforços do mesmo para transformá-la em colônia
oficial. Ao Governo Imperial interessava povoar uma área de florestas com
pequenos proprietários agricultores e os esforços de colonização se
concentraram nas duas províncias meridionais em virtude da pressão dos
grandes proprietários de café quanto à concessão de terras a estrangeiros em
São Paulo. Sendo o café uma das principais fontes de divisas para o país,
argumentava-se no Senado que pequenas propriedades, poli cultoras ou não,
encravadas nas áreas cafeeiras seriam extremamente prejudiciais. Mas havia
uma razão bem mais importante para concentrar grandes contingentes
imigratórios entre o planalto e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
É evidente que não foram os imigrantes que deliberadamente escolheram essas
regiões de floresta para colonizar. Havia uma razão estratégica para que o
Governo Imperial destinasse essas áreas a colonização: era preciso abrir vias de
comunicação entre o litoral e o planalto e isto só seria viável acompanhando o
vale dos principais rios. Segundo Waibel (1958, p. 211-13), o que interessava ao
governo brasileiro era estabelecer nas áreas de floresta das províncias
meridionais colonos que fossem pequenos proprietários livres, "que
cultivassem as terras de mata com auxílio das respectivas famílias e que não
estivessem interessadas nem no trabalho escravo, nem na criação de gado". As
primeiras colônias foram estabelecidas em pontos estratégicos entre o planalto
e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a fim de garantir de alguma
forma as vias de penetração. Em Santa Catarina, principalmente, não havia
comunicação entre a capital Desterro e o planalto e foi com esta finalidade que
se deu estímulo à colonização alemã no vale do Itajaí.
A maior parte dos alemães que entraram no Brasil durante o século
XIX, portanto, se concentraram em algumas áreas dos dois Estados sulinos.
Nos demais Estados as cifras não chegam a ser significativas, a não ser para o
Paraná (onde a imigração chegou a ser importante só no século XX), e, em
menor escala, para o Espírito Santo. Os alemães que foram para o Paraná, em
grande parte saíram das colônias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina em
busca de melhores terras; os contingentes imigratórios mais numerosos no
Paraná foram de eslavos. O Estado de São Paulo atraiu imigrantes de origem
alemã durante a primeira metade do século XIX para trabalhar na lavoura de
café, mas uma série de circunstâncias limitaram a entrada de colonos na
segunda metade do século. O governo da Prússia, pelo Rescrito de Heydt em
1859, proibiu a propaganda a favor da emigração para o Brasil e a atividade dos
agentes de emigração, proibição que atingiu toda a Alemanha em 1871. O
decreto foi revogado no final do século (1896), mas só em relação aos três
Estados do sul do Brasil. A proibição prussiana foi consequência dos
problemas enfrentados pelos imigrantes nas grandes fazendas paulistas, por
causa do regime de parceria. O interesse do Governo Imperial também se
limitou às primeiras colônias fundadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina
— no caso, São Leopoldo, São Pedro de Alcântara e Rio Negro. Com a
mudança da política em 1830 foi proibida qualquer despesa do governo com
colonização estrangeira no Império e a responsabilidade dessa colonização
passou a ser dos governos provinciais a partir de 1834. A iniciativa privada na
área de colonização só começou a partir de 1850.
As grandes levas de imigrantes alemães entraram no Brasil entre 1850 e
o final do século, o que pode ser deduzido do grande número de colônias
fundadas nesse período. É difícil fazer a estatística exata dos imigrantes dessa
origem que chegaram ao Brasil. As informações mais precisas só existem a
partir de 1884: de acordo com estatísticas oficiais, entre 1884 e 1939 entraram
no Brasil 170.645 alemães. Eduardo Prado calcula que entre 1830 e 1884 o
número de imigrantes alemães chegou a ser de 71.247 e no período anterior
(isto é, 1818 a 1830) foi de apenas 6.856 (Cf. Willems, 1946, p. 64-5). Dos
cinco milhões de imigrantes que saíram da Alemanha entre 1824 e a Segunda
Guerra Mundial, o Brasil recebeu uma porcentagem mínima. De acordo com
Willems (op. cit., p. 66), somando os imigrantes de língua alemã que chegaram
nos cinquenta anos que vão de 1886 a 1936, teríamos uns 280.000 indivíduos
— apenas 7% do total de imigrantes que o Brasil recebeu neste período. Os
dados estatísticos, como se pode ver pela amostra acima, são muito
contraditórios; o número exato de imigrantes que entrou em cada área de
colonização, mais do que o número global, é praticamente impossível de ser
estipulado pois as estatísticas regionais são muito incompletas.
O que é extremamente importante no caso da imigração alemã não é a
quantidade de pessoas que entraram nos vários períodos, mas sim o fato de
que os colonos dessa origem se concentraram em determinadas áreas, longe do
contato com elementos luso-brasileiros. As colônias alemãs, em geral, ficaram
isoladas durante várias décadas antes de serem introduzidos nelas imigrantes de
outras procedências, principalmente italianos — o que sucedeu só depois de
1870. Formaram-se, então, no sul do Brasil, núcleos coloniais etnicamente
homogêneos nos quais a introdução posterior de imigrantes de outra origem
não alterou fundamentalmente o sistema de colonização. No vale do Itajaí,
onde a colonização foi predominantemente alemã, os colonos italianos
receberam terras em alguns distritos ainda não totalmente povoados com
imigrantes alemães, como Rodeio, Benedito Novo e Rio do Sul. Os colonos
franceses e italianos que entraram no Itajaí-Mirim foram encaminhados, em
sua maioria, para o vale do rio Tijucas"
[1] — Evidentemente outras colônias menos importantes foram
fundadas no vale do Itajaí. A primeira tentativa de colonização estrangeira na
área foi em 1845, quando o belga Charles van Lede fundou a Colônia Belga de
Ilhota. no baixo Itajaí-Açu, que fracassou alguns anos depois, tendo seus
colonos se dispersado. A Colônia Blumenau, na medida em que passou a ser
uma colônia oficial, pôr outro lado, abrangeu uma área muito grande, hoje
desmembrada em muitos municípios. Blumenau foi um centro de distribuição
de imigrantes alemães e italianos que receberam terras nas regiões que hoje
correspondem aos municípios de Indaial, Rodeio, Timbó, Gaspar e Benedito
Novo, entre outros.

Texto extraído de: 'A colonização alemã no Vale do Itajaí-Mirim', de Giralda


Seyferth, editora Movimento/SAB, 1974, p.29-33

Texto 2
A vinda dos alemães - Igreja Luterana

"...As primeiras famílias alemãs chegaram em Belo Horizonte antes da


Primeira Guerra Mundial. A razão da vinda foi a oportunidade de trabalho em
Belo Horizonte, que estava em construção. Por volta de 1930, já havia na
cidade uma pequena comunidade austríaco-germânica. Muitas famílias tinham
fixado residência no bairro Serra. Esse fato acabará por determinar o local da
construção da futura Igreja Luterana de Belo Horizonte.
Pastores da Comunidade Luterana de Juiz de Fora percorriam o
interior do Estado, visitando as colônias alemãs - João Pinheiro, David
Campista, Álvaro da Silveira e Raul Soares. Nessas ocasiões, o pastor também
realizava ofícios em Belo Horizonte. A primeira visita de um pastor luterano às
famílias residentes em Belo Horizonte ocorreu em 1912....."
Texto extraído do site da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em
Belo Horizonte.

link: http://www.luteranos.com.br/101/planejamento/2000.html

Colônia David Campista e outras colônias

"...As primeiras famílias alemãs chegaram em Belo Horizonte antes da


Primeira Guerra Mundial. A razão da vinda foi a oportunidade de trabalho em
Belo Horizonte, que estava em construção. Por volta de 1930, já havia na
cidade uma pequena comunidade austríaco-germânica. Muitas famílias tinham
fixado residência no bairro Serra. Esse fato acabará por determinar o local da
construção da futura Igreja Luterana de Belo Horizonte.
Pastores da Comunidade Luterana de Juiz de Fora percorriam o
interior do Estado, visitando as colônias alemãs - João Pinheiro, David
Campista, Álvaro da Silveira e Raul Soares. Nessas ocasiões, o pastor também
realizava ofícios em Belo Horizonte. A primeira visita de um pastor luterano às
famílias residentes em Belo Horizonte ocorreu em 1912..."

Texto extraído do site da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em


Belo Horizonte.

link: http://www.luteranos.com.br/101/planejamento/2000.html
Notas extraídas do jornal Bom Despacho, Novo Tempo, Fev/Mar 2005 p. 7:
* "A Colônia Álvaro da Silveira era formada por cem casas e ficava perto dos
rios Lambari e Água Doce.
* A Colônia David Campista tinha 50 a 57 lotes e se dividia em duas partes: a
que ficava ao longo do Córrego dos Carneiros era chamada de Fura Olho e a
que ficava ao longo do Corrégo da Chácara era conhecida como Perobas."
Da Tribuna Bondespachense Julho 1984, Ano 1:
"A colônia Álvaro da Silveira ficava ás margens do rio Lambari e dividia-se em
75 lotes.

A colônia David Campista situava-se na antiga fazenda de Gustavo


Lopes, nas imediações do córrego do Raposo, a aproximadamente 10 km da
cidade. Dos seus 50 lotes..."

Carnaval de 1924. #1 Erhardt Hanke, #2 Albert Krawczyk, #3 Josef


Krawczyk, #4 Berhardine Elbermann Krawczyk, #5 August Hanke, #6 Clara
Reinhold Hanke. Foto enviada por Fred Hanke (Álvaro da Silveira)
15 Abril de 1924, trabalho para abertura de estrada (Álvaro da Silveira)

1926, picada para instalação de linhas de transmissão de eletricidade. #2 Albert


Krawczyk (Álvaro da Silveira)
4. Jun 1926--my father #2 from the left, Albvert Krawczyk far right.

Imigrantes Colônia David Campista


Foto enviada por Jurgen Rudiger
Imigrantes na Colônia David Campista ( Emil & Martha Korell ) em frente a
sua casa. Foto enviada por Jurgen Rudiger
FOTOS ANTIGAS – LOCAIS

Estação e o 7o. Batalhão – Foto cedida pelo Wilson Fortunato

Rua do Rosário - Foto cedida pelo Wilson Fortunato


Não identificada - Foto cedida pelo Wilson Fortunato

Antiga Rua do Rosário e hoje Dr. Miguel - Foto cedida pelo Wilson Fortunato
Sede do 7º Batalhão - Foto cedida pelo Wilson Fortunato

Armazém da Rede Ferroviária - Foto cedida pelo Wilson Fortunato


Estação Nova - Foto cedida pelo Wilson Fortunato

Salão São Vicente - Foto cedida pelo Wilson Fortunato


Primeira Igreja do Rosário (onde fica atualmente a Praça da Inconfidência) -
Foto cedida pelo Wilson Fortunato

.
Salão São Vicente, Casa Paroquial – Foto cedida pelo Wilson Fortunato
Rua Dr. Miguel de 1927 (Rua de baixo) - Foto cedida pelo Wilson Fortunato

Bar central e Sorveteria Linde – Foto cedida pelo Wilson Fortunato


Sede do 7º Batalhão – Foto cedida pelo Wilson Fortunato

Antiga Rua do Rosário - Foto cedida pelo Wilson Fortunato


Matriz com portas de madeira - Arquivo pessoal – José Pessoa Marra

Matriz em 1939
Matriz em 1944
Matriz em 1948

Início das Obras da Matriz em 1927


Matriz vista da linha-férrea próximo à Escola Estadual Miguel Gontijo. Foto
cedida Wilson Fortunato

A Cinderela em frente à Matriz - Foto cedida pelo Wilson Fortunato


"Quem já bebeu água da Biquinha e comeu os biscoitos da Mariquinha, não
esquece jamais Bom Despacho..."