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Assistência de Formação Shalom

Setor intracomunitário
Manual Tempo Comum
Bloco II – Contemplação
Castelo Interior ou Moradas
2° semana

DVD 02
Emmir Nogueira

Olá! Como é que vocês passaram esse tempo da pregação passada para cá? Decoraram aquilo que
pedi que decorassem? Vamos começar com isso!

“Esquecimento do criado
Memória do Criador
Atenção ao interior
Estar amando o Amado”

Vamos entrar hoje nas 3as Moradas. Quer dizer, entrar, quem dera! Vamos abordar as 3as
Moradas. São as últimas Moradas primordialmente ascéticas, ou seja, 1as, 2 as e 3 as Moradas são ainda
aquelas Moradas das quais fala Santa Teresa no balde. Você ainda tem de ficar puxando o balde. Você pode
de vez em quando nas 3as Moradas ter uma roldana que te ajuda a puxar a corda com mais facilidade.
Vimos isso no bloco passado, mas ainda é aquela morada onde você tem de realmente se determinar a
rezar. Lembrando-se do que disse Santa Teresa: “É justo que custe muito, o que muito vale”. Então, a
oração é a santidade. O que vale a santidade? Qual é o preço da santidade?
As 1as, 2as e 3 as Moradas são ascéticas, em que você tem de lutar contra o pecado, contra os
vícios, as concupiscências, lutar contra você mesmo, contra a ocasião de pecado, contra o mundo, o
demônio, e ter a coragem, como diz o Papa Francisco, de ir contra a corrente.
Uma vez eu estava no encontro do Rio Amazonas com o Rio Negro, no Amazonas. Eu estava num
barco de 2 andares, e muitas pessoas começaram a se aventurar. Pulavam do 1° andar do barco e iam
nadando ali naquele encontro das águas. A pessoa lá avisou: “Quem for pular, pule perto do barco, porque
mais adiante tem uma corrente”. Eu, imprudente, pulei do 2° andar do barco, e pulei para frente. Caí
exatamente no meio da corrente. Eu experimentei o que é nadar contra a corrente. É nadar, nadar, nadar,
e você persiste em nadar porque precisa salvar a sua vida. A corrente te leva, e você não tem medo de
corrente, porque você precisa chegar ao barco. Graças a Deus, quando o Sérgio viu a situação, eles o
amarraram em uma boia e ele foi nadando me resgatar. Eles puxaram a boia por uma corda e salvaram a
nós dois.
É preciso ter coragem de nadar contra a corrente. É muito mais fácil se deixar levar pela corrente, e
Deus quer que provemos o nosso amor a Ele. Nós precisamos saber que amor não é imaginação. Amor é
uma decisão que envolve sacrifício.
3as Moradas. Quem é que entra nas 3as Moradas? São os covardes, os corajosos, ou são os que
venceram a luta? E porque você acha isso? A resposta está óbvia! Entra nas 3as Moradas aqueles que
venceram a luta contra o mundo, contra a carne, contra o pecado, contra o demônio e contra si próprios,
contra o egoísmo, a centralização em si. Entram nas 3as Moradas aqueles que venceram os vícios, que
perseveram na oração, e que cuidam da sua alma, que tem atenção ao interior.
Aí você diz: “Ah Emmir, agora entrei nas 3as Moradas. Posso descansar!”. Como assim? Nesse
castelo só descansa quem quer ser posto para fora, quem quer sair por própria vontade. Nesse castelo, até
que você entre nas moradas místicas, você continua em perigo, e olha o que diz Santa Teresa! De se perder
para sempre! Nas 3as Moradas você continua em perigo de se perder para sempre, quer porque você
comete aqueles pecados habituais, capitais ou mortais, quer porque você não lute contra o pecado, quer
porque você tenha uma vontade fraca, e vá para fora, para o fosso fedorento, cheio de tudo o que você
pode imaginar, quer porque você ache que está ótimo nas 3as Moradas. Vou repetir! Você está nas 3as
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Moradas, conseguiu vencer. Venceu o pecado mortal, sempre que possível o pecado venial. Venceu a si
próprio, às concupiscências, o mundo, a carne. “Ah, estou ótimo!”. Perdeu-se. Perdeu a vida, porque você
não acabou a luta, não chegou. A primeira opção é essa. A segunda opção é ter vencido essa luta toda e
ainda assim cometeu um pecado mortal. Vai para fora do castelo. Perdeu a sua vida.
Só que Santa Teresa diz uma expressão mais forte. Ela diz: “Perder-se para sempre”. Nós podemos
nos perder para sempre, quer pela acomodação, quer pela escolha pelo pecado e a falta de
arrependimento, porque quando você se arrepende Deus sempre faz. Por isso é que essas 3as Moradas são
tão difíceis. Elas são é traiçoeira, porque você pensa que está bem. Na oração, uma hora ou outra vem um
consolo. Você já deixou aqueles pecados mortais terríveis que você cometia: adultério, fornicação, roubo,
corrupção, outros pecados. Você já deixou, nas palavras do Papa Francisco, não só o pecado, mas a
corrupção pelo pecado. Você acha que agora você está até legalzinha, gente fina, gente boa. Você acha que
Jesus está até gostando de você agora, e começa a se achar e se acomoda.
Esse é o principal ardil do demônio. Com certeza é o principal ardil do demônio nas 3as Moradas. O
demônio sabe que você não vai mais cair no pecado mortal como antigamente, porque você já venceu. Ele
sabe que você não vai ser mais enganada por ele bestamente. Então, o que ele faz? Ele começa a te tentar
através da vaidade, da falta de humildade, do orgulho, e vai fazer você achar que está muito bem.
Por isso é que Santa Teresa diz que nas 1as Moradas você tem todo o tipo de sevandijas, nas 2as
tem-se as sevandijas que são venenosas, tipo aranha, escorpião, cobra. Mas nas 3as você está cercado de
serpentes. Qual é a característica da serpente? Além daquele chocalho que ela tem no rabo, ela fica quieta,
e na hora de dar o bote ela dá de uma vez, te pega e te mata. Têm vários tipos de serpentes. O pior deles é
aquela da Índia, a cobra Naja, que seu bote pode chegar à altura de um homem. Ela pode pegar uma
pessoa adulta no pescoço. Então, nas 3as Moradas, estamos cercados por serpentes.
Sei que ficamos um pouco apavorados. Não tem nada não. Pode ficar mesmo. É tranquilo. É melhor
ficarmos apavorados do que acharmos que estamos muito bem.
Nessas 3as Moradas começam muitas vezes, nas 3as e 4as, porque como eu disse, a alma passeia
no castelo, vamos de uma morada à outra, e às vezes têm coisas da 2as junto com a 3as, da 4as junto com a
3as. Começam aqui também algumas provas de Deus, que é o teu grande amigo. Ele começa a provar o teu
amor por Ele. Alguns chamam de prova de amigo. Deus começa a permitir que você de repente tenha uma
tentação que você nunca mais teve, e você diz: “Peraí! Essa tentação eu já venci quando tinha 20 anos.
Como é que ela aparece agora?”. É uma prova. O teu amigo está te provando, está te fazendo mais
robusto, mais forte, mais capaz de amá-lo.
Queria que você abrisse comigo, sobre esses perigos das 3as Moradas, na página 54. No finalzinho
do n°2: “Por isso, filhas, a felicidade que havemos de pedir a Deus é a de estarmos em segurança”. É uma
coisa que você com certeza já experimentou andando numa rua ou numa selva perigosa, estando numa
situação de perigo, em um assalto. A felicidade que havemos de pedir a Deus é a de estarmos em
segurança, porque nas 3as Moradas você não está ainda em segurança.
“Como os bem-aventurados”. Eu aqui nas 3as Moradas, que ainda tenho tantas imperfeições,
tantos pecados, eu preciso pedir: “Senhor, põe a minha alma em segurança, como a dos santos que estão
aqui nas 7as Moradas”. Você está pedindo a Deus para não se afastar Dele, embora você esteja nas 3as
Moradas. É como se andamos numa rua muito escura, que tem muitos assaltos, num ambiente terrível, ou
numa guerra você andando entre as bombas: “Senhor, me dá segurança, embora eu esteja num terreno
minado. Dá-me, Senhor, segurança, embora eu esteja arrodeado de assaltantes”. Santa Teresa tem essa
frase que me parece maravilhosa: “Jesus, eu estou na 3ª Morada. Estou cercada de serpentes. Já foi fogo
para tirar aquele horror de sevandijas de cima de mim. já foi fogo para eu vencer as cobras e animais
pestilentos das 2as Moradas. Jesus, faz com que minha alma esteja em segurança, como se eu já estivesse
nas 7as Moradas”. É assim mesmo. Pedimos uma coisa que não merecemos, como pedimos para um pai.
Vamos continuar: “Junto com tantos temores, que alegria pode ter quem só se contenta em
contentar a Deus?”. Quer dizer, se a minha alma está ainda tão cercada de perigos, qual é a alegria que eu
posso ter? Qual a alegria que o mundo pode me oferecer? Que a carne pode me oferecer? Que o prazer, o
poder ou o possuir pode me oferecer? O possuir é o grande Deus do nosso tempo. O que o mundo, a carne,
as concupiscências, o demônio podem oferecer a mim, que só quero contentar a Deus? Nada! Eles não
podem me oferecer nada! A minha alma está em perigo, eu vou ser conivente com o mundo? Usar a roupa
que não devo? Comportar-me como não devo? Ir a bares onde não devo ir? E agora está uma tal de história

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de mulheres no Brasil, não sei como está nos outros continentes, mas mulheres casadas que vão a bares.
Como é? Você está pondo em risco a sua alma, e não venha me dizer que você quer ter vida de oração...
Não combina! Estou enchendo a cara e quero ter vida de oração. Não vai ter nunca! Estou fornicando com
a minha namorada, transando, estou ficando, tomando pílula, vou laquear as trompas, mas quero ter vida
de oração. Não quer! Não quer! Junto com tantos temores, o mundo, o prazer, o possuir, a vaidade, etc,
que alegria pode ter quem só se contenta em contentar a Deus? Se não queremos contentar a Deus,
saímos do castelo e pronto. O fosso te aguarda, e o fosso é fedorento, imundo, e às vezes, Deus me livre, é
eterno.
Diz Santa Teresa: “Considerai que esta disposição e outras muito maiores tinham alguns santos,
que depois caíram em graves pecados”, e saíram do castelo, foram para o fosso. Essa disposição de só
querer contentar a Deus, os santos também tinham, e caíram.
Santa Teresa continua dizendo: “Não sabemos se Deus nos dará a mão, como deu a eles, com
auxílios particulares para nos levantarmos e fazermos penitência pelos nossos pecados”. O quê que Santa
Teresa está dizendo? Nós queremos amar a Deus, queremos contentar a Deus. Se nós queremos contentar
a Deus, o mundo, a carne e o demônio não tem nada a ver conosco. A sede exacerbada do prazer, do
poder, do possuir, a concupiscência dos sentidos, dos olhos, não tem nada a ver conosco. Nada! Porque nós
queremos contentar a Deus, e nós estamos dispostos a contentar a Deus de qualquer forma. Porém, alguns
santos também estavam dispostos a só contentar a Deus, e caíram em graves pecados.
Meus irmãos, essas 3as Moradas são na verdade uma grande prova, e às vezes ficamos rodando
nas 3as Moradas porque não temos a virilidade, a coragem, a renúncia, a disposição, a determinada
determinação de rezar, de fazer a vontade de Deus. Queremos ser santos como uma mágica. Hoje em dia
estou com dor de cabeça. Se está do lado direito tomo o remédio tal. Se está do lado esquerdo tomo o
remédio tal. Se está em cima é outro remédio. Se é enxaqueca é outro remédio. Se é sinusite é outro
remédio. Não é assim? Em 20 minutos eu nem sei o que é dor de cabeça. Mas na oração, na vida de
santidade, ela é uma vida de amor, de renúncia, de sacrifício e de coragem. E Santa Teresa mostra como
alguns santos voltaram a cair em graves pecados. Por isso nós devemos pedir: “Senhor, protege a minha
alma!”.
Quando nós, por acaso, livre-nos Deus, cairmos, como grandes santos caíram, nós não sabemos se
Deus nos dará a mão, sabe por quê? Porque nós não merecemos. “Ah Emmir, mas Deus é misericórdia”,
sim, Deus é misericórdia, mas Ele não consegue me alcançar porque continuo no pecado mortal. Deus é
misericórdia, mas Ele não consegue me alcançar porque eu não me arrependo do meu pecado mortal ou
do meu vício, da minha insistência nos pecados veniais. Ele não tem como me alcançar. E como que Ele vai
me dar a mão se eu não estendo a mão para Ele, não é verdade?
A Santa diz: “Não sabemos se Deus nos dará a mão, como deu a eles, com auxílios particulares”,
graças particulares. Não é qualquer graça não. É graça particular. Particular quer dizer para aquela pessoa,
naquele momento. “Para nos levantarmos e fazermos penitência pelos nossos pecados”. É uma coisa que
nem nos lembramos hoje, de fazer penitência pelos nossos pecados.
Escreve num papel o quê que esse parágrafo te falou.
Eu teria partilhado assim: “Ai meu Deus do céu! Fulana reza por mim, pelo amor de Deus, porque
eu estou aí nesse negócio!”. Talvez alguém tenha partilhado assim. É melhor partilhar assim do que
partilhar: “Não, estou tranquilo. Isso aí não é comigo. eu cair outra vez em pecado? De jeito nenhum!”.
Cuidado! Cuidado! É melhor ter medo de cair do que achar que não vai cair.
Vamos agora ler o parágrafo n°03, na página 54. Você viu como Santa Teresa fala dela mesma? As
pessoas que estudam Santa Teresa dizem que quando ela escreveu o Castelo Interior ela já estava nas 7as
Moradas, talvez passando das 6as para as 7as, depende do estudioso. Mas ela já estava totalmente em
Deus. Ela diz, por exemplo: “Quando me lembro destas verdades”, o que falamos acima, “o que acontece
muitíssimas vezes”, ou seja, ela sempre está se lembrando de que ela pode cair como alguns santos caíram.
Imagina ela que se considera pecadora. Então, ela diz assim: “Acontece-me muitas vezes me lembrar
disso”, que acabei de dizer aí em cima, que nos apavorou tanto, “bem sei eu como vivo”. Santa Teresa, nas
7as Moradas, ainda tinha medo de cair e de que Deus não lhe desse a mão, porque ela sabia que ela não
merecia, e ninguém merece, ninguém merece. Mas é espantoso ver essa mulher no cume da santidade
dizendo que tem medo desses terrores que nos amedrontam nas 3as Moradas.

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Ela continua: “Rogai a Sua Majestade, filhas minhas, que Ele viva sempre em mim”. Olha só! Ela
está nas 7as Moradas, está pedindo oração porque sabe que é fraca. “Sem isto”, sem a oração, “que
segurança haverá para quem, como eu, gastou tão mal a vida?”. Isso se chama humildade.
Vamos passar para a última frase: “Perdi tão grande bem e só por minha culpa”. Ela fala que perdeu
o grande bem, que é a presença de Deus. “Não me queixarei de Deus, que sempre me deu auxílios
suficientes para realizar os vossos desejos”. Aqui tem uma coisa crucial. Vou repetir! “Não me queixarei de
Deus, que sempre me deu auxílios suficientes para realizar os vossos desejos. Não me lembro disso sem
lágrimas. Grande confusão para mim é escrever avisos para as que me podem ensinar. Dura obediência
tem sido esta!”.
Presta atenção! Qual é o teu ministério? Cura, que hoje em dia se chama ministério de oração, mas
é cura e libertação; pregação; ensino; pastoreio; música; artes; formador comunitário e formador auxiliar;
rádio; pobres. O quê que Santa Teresa está querendo dizer aqui? No ministério eu tenho uma graça
especial que independe da minha santidade. Às vezes, o quê que pode acontecer? “Hoje, na evangelização,
olha que eu peguei um cara todo tatuado, muito lombrado. Conversei com ele, dei comida, dei um banho
de mar para ele acordar, um café. Esperei ele ficar bem, conversei com ele, o demônio se manifestou, eu
rezei e o demônio foi embora. Pense como estou bom!”. Bom de quê? Bom de levar uma surra! A graça
que Deus lhe deu foi por causa do rapaz, e não foi porque você é santo. Foi pelo amor que Ele tem ao
rapaz. É a missão. É o que Santa Teresa diz aqui. “Não me queixarei de Deus, que sempre me deu auxílios
suficientes para realizar os vossos desejos”, os desejos das monjas, as necessidades das monjas. Santa
Teresa, em seu vocabulário, muitas vezes desejo e necessidade se confundem. Ela diz: “Deus me deu graças
para socorrer vocês, para ser canal de graças para vocês. E eu me lembro disso em lágrimas, porque como é
que eu, tão pecadora, posso fazer alguma coisa para vocês, que são muito melhores do que eu?”.
O maior perigo das 3as Moradas é o orgulho e a vaidade. São essas duas serpentes, essas cobras
Naja que eu odeio, que tenho raiva, que queria matar tudinho. São essas duas serpentes que mais
impedem a nossa passagem das 3as para as 4as Moradas. E Santa Teresa deixa isso aqui logo muito claro.
Não vamos confundir a graça que Deus nos dá numa pregação, numa evangelização, numa oração pela
cura, num espetáculo, numa missa, no aconselhamento. Não vamos confundir essa graça com santidade
pessoal. Quem é santo de verdade não se considera santo, por quê? Porque se conhece, porque reza, e aí
conhece a Deus e conhece a si mesmo, e sabe muito bem do que é capaz. Santa Teresa, aqui nas 7as
Moradas, estava com medo de sair do castelo. Pode acontecer? Sim, pode, mas não com o mesmo perigo
de quem está nas 1as, 2as ou 3as. Então, cuidado para não confundir aquilo que Deus faz no seu ministério,
aquilo que Deus faz quando você está cumprindo a sua missão, e a sua caminhada para a santidade.
Essa semana, vamos seguir o nosso manual. Vamos ler as 3as Moradas inteiras. Elas só têm 1
capítulo e só são 6 páginas. Com certeza você vai conseguir ler inteiro. Vamos decorar a frase dessa
semana. Nós já temos duas coisas decoradas: o poeminha de São João da Cruz e a frase dessa semana. E
vamos fazer aquilo que o manual pede. Na próxima semana começamos por isso.
Deus te abençoe. Nossa Senhora te guarde. Santa Teresa de Jesus, rogai por nós! Amém.