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Lua Negra

O que é Lua Negra:


A Lua Negra é o oposto da Lua Cheia, é o que chamam de lua nova. É quando
ela desaparece no céu e dizemos que é noite da lua que está e não está...
A fase lunar denominada Lua Negra acontece mensalmente, nos três dias que
antecedem a Lua Nova. Durante este período, o fino disco da Lua Minguante
diminui até desaparecer na escuridão da noite. Tendo em vista que a luz da Lua é,
na verdade, a luz solar refletida pelo disco lunar, poderíamos dizer que a Lua
negra "mostra" a verdadeira face oculta da Lua.

Lua Negra na História:


Os antigos certamente se questionavam muito ao não ver nos céus, a Rainha da
Noite.
Durante esta fase de escuridão mensal, os povos antigos reverenciavam as Deusas
Escuras, dedicando este tempo a rituais divinatórios, de cura e transformação.
Com o advento das sociedades patriarcais, os mistérios da Lua Negra tornaram-se
sinônimo de terror e malefícios. Incapacitados de ver ou compreender o
"desaparecimento" da Lua surgiram lendas e supertições sobre os demônios ou
forças malignas que "comiam" a Lua. Dessa maneira, a Lua Negra passou a
representar o auge dos poderes destrutivos, vaticinando cataclismos naturais, como
inundações, tempestades ou secas e humanos, como guerras, doenças e fome. A
Lua Negra era tida como aziaga para qualquer empreendimento, por ser
considerada a Lua do momento em que os fantasmas e os espíritos malévolos
perambulam sobre a Terra e as bruxas executam seus rituais de magia negra.
Atribuía-se a Lua Negra a conexão com o mundo subterrâneo por ser regida por
divindades em forma de serpente ou com serpente nos cabelos.

Na verdade, a Lua Negra facilita o acesso aos mundos e planos sutis e às


profundezas de nossa psique. Por isso, atualmente é considerada uma fase
favorável para trabalhos de transformação e renovação. Somente mergulhando no
nosso lado escuro, desvendamos os mistérios e as sombras de nosso inconsciente,
podemos achar os meios secretos para nossa renovação.

A Lua Negra tem o poder de criar e de destruir, de curar, de regenerar e de


descobrir e fluir com o ritmo das mudanças e dos ciclos naturais, dependendo da
capacidade individual em reconhecer e integrar sua sombra.

Sugestão de Ritual:
Ao entrar na fase da Lua Negra, podemos presenciar a transição entre a
destruição do velho e a criação do novo. É, portanto, um período favorável para
rituais de cura, renovação e regeneração. O processo de transformação destrói os
padrões ultrapassados de condicionamento, comportamento e estruturação,
liberando-nos daquilo que não serve mais, daquilo que é limitante, impedindo
nossa expansão.
Os objetivos dos rituais são variados e de acordo com as necessidades de cada um.
Podemos citar a remoção de uma maldição, a correção de uma disfunção, o
afastamento dos obstáculos ou das dificuldades na realização afetiva ou
profissional, a limpeza de resíduos energéticos negativos de pessoas, objetos,
ambientes, a preparação e imantação do espelho negro, entrando em contato com
os ancestrais ou com as Deusas Escuras como Hécate, Medusa, Kali,
Ereshkigal, Hell, Sekhmet, Sheelah Na Gig, Oyá e Cailleach.
As palavras chaves para estes rituais são contemplação, finalização, dissolução,
introspecção, tradição, sabedoria, morte e transmutação.

Os elementos ritualísticos são as velas pretas para afastar a negatividade, as


brancas para os novos inícios e as vermelhas para realização, correspondendo às
três cores da Deusa e aos três estágios da condição feminina: idosa, jovem e
adulta.
Por ser a Anciã a Deusa regente dessa Lua, são oferecidas no altar, em vez de
flores, um xale preto, galhos e folhagens secas ou penas pretas, teia ou imagem de
uma aranha, além de representações do poder transmutador da Serpente.
Os objetos mais importantes para o Ritual da Lua Negra são o caldeirão - para
queimar e transmutar as energias negativas - e o espelho negro ou bola de cristal,
além de Tarot e Runas para orientação e autoconhecimento.
A meditação ao som de tambor ajuda a mergulhar no ventre escuro da Mãe Terra,
trazendo mensagens e sugestões para a cura, a regeneração e a transformação.

Podemos comparar o simbolismo da lua negra com o arquétipo Sombra


concebida por Carl Jung. Seria este arquétipo o nosso Eu mais sombrio, a parte
mais primitiva e animalesca da personalidade. Este arquétipo contém todos os
desejos e atividades imorais, passionais e inaceitáveis socialmente. Vemos, que
todos trazemos dentro de nós este lado Sombra que por vezes nos traz angustias e
ansiedades.
Na noite de lua negra, devemos fazer um longo momento de reflexão buscando
compreender certos atos ou por vezes apenas desejos nossos e o incômodo que nos
trouxeram ou nos trazem. Devemos transforma-lo em energia produtiva, pois como
concebido por Jung, o arquétipo Sombra, além de conter um aspecto negativo
contém também um aspecto positivo, pois é ele a fonte da espontaneidade, da
criatividade, da percepção e da emoção profunda, todas elas necessárias ao pleno
desenvolvimento humano.
Compreender, aceitar e canalizar os elementos do nosso lado Sombra para produzir
efeitos adequados em nossas vidas é o que buscamos realizar nas reflexões das
noites de lua negra. Como utilizar nosso lado instintivo para impulsionar nossa
vida rumo a transcendental experiência da plenitude.
Na lua cheia nos energizamos, nas Luas Negras, nos compreendemos e nos
aceitamos como somos e conseqüentemente, aceitamos ao outro.

O Ritual da Lua Vazia - A Grande Morte Negra da Deusa Mãe


Anciã

A grande morte preta da mãe lua anciã.


Kãm rax ty tykza ru nã kesha sainanduc.

Os índios são na verdade os seres iluminados por Kesha (lua). Somente sobre a
luz dela eles dançam o toré. Mas quando Kesha ty (morte da lua), eles então,
entoam o toré mais alto, até que ela volte ao seu lugar. Kamát (Deusa noite) é a
mãe de Kesha. Ela é evocada com o seguinte cântico:

Rax kesha
sainanduc
ten há
akupynm
prinre kuprí
prinre tykz
ten há ty
akupynm
hiri
hiri
hiri
hiri

(tradução)

Grande lua
anciã
Vá e
volte
Jovem branca
Jovem preta
Vá e morra
volte
criança
criança
criança
criança

Esta é a evocação a Deusa Kesha. É com este cântico que o toré ru tyru rax nã
kesha é iniciado. Com fervor, desde o início do eclipse, os índios cantam e dançam
em volta da fogueira. É oferecido um sacrifício em forma de remédio, incensos de
flores de vários tipos, para que Kamát venha de volta, pois no dia em que Kamát
não quiser mais que Kesha apareça (lua nova), nada dá certo para a tribo.
Quando é o fechamento do eclipse (ponto maior, quando a lua é completamente
coberta), todos os elementos do círculo são evocados. Em um canto animalesco,
cada um se transforma em seu elemento criador (tartaruga, tapir negro, palmeira
vermelha, peixe dourado, etc...) até que Kamát dê a luz a Kesha novamente.
Quando kesha aparece, o toré muda, e se transforma em toré ru kesha tykza,
pedindo saúde e sorte assim como vida eterna a ela, que se segue:
Rax kesha
oeruru
kãm ty pikunok
pê kãm nã
kuprí
kushon
ten há kari
oeruru
oeruru
oeruru
oeruru

(tradução)

Grande lua
Jovem
A morte perdeu
Chame a mãe
branco
vermelho
Vá e dance
jovem
jovem
jovem
jovem

E é assim sempre que a lua mãe anciã preta tem a grande morte e ressurreição.
É a renovação do feminino. O mesmo rito se segue quando o sol tem a morte negra,
mas isto envolve outra história, outros torés e outras crenças!

História da Morte da mãe lua anciã preta:

“... Quando a mãe Kesha está sainanduc, ela tem de passar por ty para se tornar
prinre (criança), e a roda começar a rodar de novo. Então, quando chega o tempo,
Kamát chama Mbeaceas, e pede a ele que chame o fim. Neste dia, Kesha fica
tykza (preta), e seu povo canta o toré, para que ela renasça. Sem o toré de seu povo,
o útero de Kamát não cria, e Kesha não nasce. Quando todo o povo está no toré,
Kamát dá a luz a Kesha, e ela aparece, no parto, iniciando pequena, e aparecendo
totalmente. A grande morte é levada por Mbeaceas, que agora irá aguardar até a
chamada de Kamát novamente, ou de seu Pai Aringro. Então, Kesha sainanduc
se torna Kesha Prinre, e a roda continua...".

RITUAL DA LUA NEGRA OU NOVA


Este Ritual pode ser feito tanto na Lua Negra como no primeiro dia da Lua
Nova.
Material:
- caldeirão
- maçã
- pano preto
- sal
Além dos instrumentos comuns.

Abra o círculo como de costume. Com o seu bastão na mão de poder, toque no
caldeirão por cinco vezes e diga:

"SÁBIA HÉCATE, EU PEÇO A TUA BENÇÃO. ERGA O VÉU PARA QUE EU


POSSA SAUDAR MEUS AJUDANTES ESPIRITUAIS, ANTIGOS AMIGOS
DE OUTRAS VIDAS, E OS QUE SÃO NOVOS. QUE APENAS AQUELES QUE ME
DESEJAM BEM PENETREM NESTE LOCAL SAGRADO".

Descubra o caldeirão. Apanhe a maçã, erga-a em oferenda e deposite-a no altar.

"HÉCATE, SEU CALDEIRÃO MÁGICO É A FONTE DA MORTE E DO


RENASCIMENTO, UMA EXPERIÊNCIA PELA QUAL CADA UM DE NÓS PASSA
REPETIDAS VEZES. QUE EU NÃO TEMA, POIS SEI DE SUA DELICADEZA. EIS
AQUI SEU SÍMBOLO DE VIDA E MORTE".

Corte a maçã transversalmente com a adaga. Contemple o pentagrama revelado no


miolo. Devolva as duas metades da maçã ao caldeirão e cubra-o novamente com o
pano preto.

"APENAS OS INICIADOS TEM ACESSO AOS SEUS MISTÉRIOS OCULTOS.


APENAS AQUELES QUE REALMENTE BUSCAM CONSEGUEM ENCONTRAR O
CAMINHO ESPIRITUAL. APENAS AQUELES QUE CONHECEM SUAS MUITAS
FACES SECRETAS PODEM ENCONTRAR A LUZ QUE LEVA AO CAMINHO
INTERIOR".

Ponha uma pitada de sal em sua língua.

"EU SOU MORTAL, MAS AINDA ASSIM IMORTAL! NÃO HÁ FIM PARA A VIDA,
APENAS NOVOS RECOMEÇOS. EU CAMINHO AO LADO DA DEUSA EM SUAS
MUITAS FORMAS. NADA HÁ PORTANTO, A TEMER ABRA MINHA MENTE,
MEU CORAÇÃO E MINHA ALMA. AOS PROFUNDOS MISTÉRIOS DO
CALDEIRÃO, Ó HÉCATE."

Efetue uma meditação de busca à Deusa da Lua Nova. Ouça suas mensagens.
Esteja alerta a novos guias e mestres que podem surgir para ajudá-lo.

Feitiço de Lua Negra


Adaptado do folclore brasileiro pela Igreja do Crescente das Fadas
Este é um pequeno feitiço que deve ser realizado no período da minguante, três
dias antes que entre a lua nova. Nesta data específica (dia da Lua Negra), faça
um pequeno corte em seu dedo anular esquerdo (um furo com uma agulha
basta). Com o sangue, trace uma lua minguante em um pano branco. Coloque-o
a seus pés. Se possível, vista-se de céu. Concentre-se e ligue-se a Terra. Olhe
para o céu na direção da lua, faça um desejo e repita três vezes o seguinte
encanto:

Diana, és a lua nova,


E serás lua crescente,
Quando a Mãe chegar bem cheia
Mande-a trazer meu presente.

Dobre o pano em três, e leve-o sempre com você até o primeiro dia da lua cheia.
Alguns conselhos: não peça nada que possa arrepender-se depois; evite pedido
relacionado à paixão; seja razoável. Afinal, você está trabalhando com a Deusa
Negra, aquela cuja maior lição é “o que é recebido facilmente, facilmente é
perdido”.

FONTES:
1. O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur.
2. Livro Mágico da Lua - D. J. Conway.
3. Lua Negra Lado Sombra – Fernando Martins.
4. O Ritual da Lua Vazia - A Grande Morte Negra da Deusa Mãe Anciã – Ritual
do Toré no Brasil.

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