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Discente: Lara Ferreira Rezende Camargo

RODRIGUES, S. B.; DUARTE, R. G.; CARRIERI, A. P. Indigenous or imported knowledge


in Brazilian Management Studies: a quest for legitimacy? Management and Organization
Studies. 2011. DOI 10.1111/j.1740-8784.2011.00276.x.
O principal foco do artigo, segundo os autores, é em relação a “questão da
endogeneidade com foco no escopo e no status dos estudos de gestão no Brasil”. Citando
pesquisas de outros autores, o artigo traz a informação de que a pesquisa brasileira depende dos
paradigmas anglo-saxônicos, indicando que essa dependência e a pouca expressão internacional
dos estudos brasileiros é reflexo de um problema de legitimidade.
Os autores brasileiros acabam por aplicar perspectivas importadas para reproduzir
pesquisas feitas em locais diferentes, porém não aproveita as oportunidades para avançar as
perspectivas utilizadas. Algumas barreiras são apresentadas para tentar explicar a pouca
participação internacional, como por exemplo a “teorização incipiente”, o ambiente
institucional brasileiro, integridade local e problemas de idioma.
Os pesquisadores afirmam que a credibilidade internacional pode ser construída por
meio de duas abordagens, a primeira é em relação a dimensão cognitiva do problema da
legitimidade e a segunda por meio de soluções de natureza institucional. Sendo assim, o
surgimento de uma teoria melhor e mais integrada da administração e organização pode ser
decorrente de percepções absorvidas de teorias geradas nacionalmente. A medida em que essas
teorias nacionais passam a ser interpretadas como “teorias em ação” além de contribuir para a
teorização global também contribuem para mudanças na prática, onde as teorias se explicam e
se moldam.
Rodrigues, Duarte e Carrieri (2011) trazem algumas informações e dados mais
relevantes, como a crescente globalização e diversidade da Academia de Administração, onde
houve um aumento dos membros da Academia entre os anos 2000 e 2009, passando de 10.000
para 19.000 de acordo com resultados de pesquisas de outro autor. Outro dado apontado foi o
de que com o PACTI em 2007 o governo brasileiro comprometeu-se em promover o
desenvolvimento das capacidades em Ciências e Tecnologias, promovendo um aumento de
alocação de financiamento para o desenvolvimento de pesquisas e fomentação de programas de
pesquisas relacionados à ciência, tecnologia e comércio.
Outro ponto relevante abordado no artigo diz respeito ao crescimento do número de
programas de pós-graduação em 168%, no período de 1998 a 2008. Ressalvam também a
importância da criação da ANPAD – Academia Brasileira de Administração em 1975, que vem
promovendo conjuntamente com outros atores institucionais o desenvolvimento de práticas
acadêmicas, estimulando o desenvolvimento da pesquisa e suas publicações em instituições de
ensino superior. De acordo com informações provenientes da CAPES, em relação aos
programas de pós-graduação, afirma que a colaboração entre pesquisadores brasileiros e
estrangeiros está melhorando no campo da gestão.
Por fim, as conclusões apresentadas pelo autores no artigo diz respeito ao porque dos
estudos brasileiros de gestão ainda não terem alcançado públicos além da comunidade
brasileira, como era esperado. Fornece também discussões para entender porque os estudos
brasileiros de gestão possuem uma integração limitada no mainstream internacional, sugerindo
um modelo para o avanço dessa situação. Além disso o artigo promove a construção de um
framework que leva em consideração fatores cognitivos e institucionais, simultaneamente,
como limitadores e parte da solução do problema.