Você está na página 1de 276

PRÓLOGO: O SONHO

O vento uivava como uma criança gritando de dor.

Apesar de que sua hirsuta pelagem lhes protege-se da tempestade, os Os


colmipalas daquele rebanho se amontoavam para se aquecer. Eles formaram
um círculo em cujo centro os bebês estavam tremendo e balindo. As cabeças,
coroadas por um grande chifre, inclinavam-se para a terra coberta de neve; e
todos tinham os olhos fechados para se proteger daquela neve inclemente. O
próprio fôlego deles congelava seus focinhos quando se mantinham de pé o
melhor que podiam. Enquanto isso, em seus covis, lobos e ursos esperavam
que a tempestade passasse; alguns desfrutavam da companhia de sua matilha
e outros se resignavam à solidão. Não importava o quão faminto eles
estivessem, nada os tiraria de lá até que aquele vento penetrante cessasse de
gritar e a neve ofuscante tivesse parado de cair.

O vento, que rugia desde o oceano até chegar à aldeia de Kamagua,


chicoteou as peles que cobriam as construções feitas com as espinhas de
grandes criaturas do mar. Quando a tempestade diminui-se, os Tuskarr, que
haviam estabelecido sua casa há alguns anos naquele local, sabiam que
teriam de consertar ou substituir suas redes e armadilhas. Suas habitações,
apesar de muito sólidas, sempre sofriram danos quando estas tempestades
eram desencadeadas. Todos se reuniram no interior do grande abrigo
escavado para se proteger da tempestade, e fecharam as tendas de pele sem
deixar nenhuma fenda e acenderam algumas lâmpadas fumegantes.

O ancião Atuik aguardava em silencio e estoicamente o final da


tempestade, já que havia visto muitas como aquela nos últimos sete anos e
havia vivido muito. A largura e cor amarelada de suas presas, assim como as
rugas de su pele marrom eram prova disso. No entanto, essas tempestades
eram mais que um simples fenómeno natural, visto que tinham uma origem
sobrenatural.
Atuik observou aos mais jovens, que não tremiam de frio, já que eram
tuskarrs e isso era impossível, mas sim de medo.
—Está sonhando—murmurou um deles, que tinha bigodes eriçados e
cujos olhos brilhavam.
—Silencio—replicou Atuik de um modo muito mais brusco do que no
principio pretendia.
O menino ficou surpreso e permaneceu em silêncio; Mais uma vez o único
som que foi ouvido foi o gemido de neve e vento.

Aquele rugido profundo se elevou como a fumaça, e embora não fosse uma
mensagem articulada em palavras, era cheia de significado. Na verdade, foi
uma música em que várias vozes participavam. O som dos tambores,
matracas e de osso ao roçar contra o osso formou um acompanhamento
intenso para aquela ligação sem palavras. Um círculo de postes e peles
impedia que aquele vento raivoso atingisse a aldeia Taunka; do mesmo
modo, suas cabanas com telhados curvos, que formavam um arco sobre o
espaço interior tão amplo que desafiava as inclemências daquela terra,
eram muito resistentes. Acima dos sons daquele antigo ritual de grande
transcendência, o uivo do vento ainda podia ser ouvido. O taunka que
dançava um xamã chamado Kamiku, cometeu um erro em um passo e seu
casco bateu no chão de uma maneira estranha. Mas ele recuperou o
equilíbrio e continuou dançando. Ele tinha que se concentrar. Tudo era
uma questão de concentração. Era assim que dobrariam os elementos
para obedecê-los; foi assim que seu povo sobreviveu em uma terra hostil
e impiedosa.
O suor encharcou e escureceu sua pele enquanto dançava. Seus enormes
olhos castanhos estavam fechados para se concentrar melhor e os cascos
voltaram a esse ritmo energético. Ele balançou a cabeça bruscamente, de
modo que os chifres curtos dividiram o ar, e ele abanava nervosamente a
cauda. Outros taunkas dançaram ao lado dele. O calor de seu corpo foi o que
lhes deu aquele fogo, que queimava com força apesar dos flocos de neve e do
vento entrando pela abertura do telhado onde a fumaça saía, fizeram a cabana
aconchegante manter uma boa temperatura.
Todos sabiam o que ocorria do lado de fora. Não podiam controlar esse
vento e essa neve, como Eles costumavam fazer coisas semelhantes em
outras ocasiões. Não, porque era coisa dele. Mas eles podiam dançar
comer e rir desafiando aquela tempestade violenta. Eles eram taunkas;
eles resistiriam.

Lá fora, o mundo era azul e branco e rugia furiosamente, mas dentro do


Grande Salão estava a uma temperatura boa e tudo estava calmo. Havia uma
chaminé alta o suficiente para que um homem pudesse ficar dentro dela, cheia
de troncos grossos crepitando enquanto queimava; esse foi o único barulho
que era ouvido na sala. Na lareira decorada com imagens esculpidas de
criaturas fantásticas havia um chifre gigante de colmipala. Cabeças de
dragões esculpidas serviam de suporte para as tochas, cujas chamas brilhavam
intensamente. Vigas fortes e maciças suportavam o peso de um salão de
banquetes que poderia ter abrigado muitos convidados, onde a cor quente e
alaranjada do fogo afugentava as sombras que corriam para se esconder nos
cantos. O chão de pedra fria adquiriu um caráter mais agradável e acolhedor
graças às peles grossas de ursos, colmipala e outras criaturas que o
atapetavam.
Uma longa e pesada mesa de madeira entalhada ocupava a maior parte
do espaço da sala. Onde cerca de quarenta convidados poderiam ter ficado
com grande facilidade. Embora apenas três seres estivessem sentados à
mesa naquele momento: um homem, um orc e um menino. No entanto, nada
disso era real, claro. O homem que se sentou no lugar de honra da mesa, em
uma cadeira de madeira entalhada que se assemelhava a um trono sem ser
um, um pouco mais alto que os outros, sabia disso. Sabia que estava
sonhando; Estava sonhando muito, muito tempo. A sala, os troféus de
colmipalas, o fogo, a mesa e até o orc e o menino não existiam, eram apenas
parte do seu sonho.
O orc, que estava à sua esquerda, era muito velho, mas ainda era forte.
O tremeluzir do fogo laranja e as luzes da tocha fizeram o horrível crânio
pintado em sua face de mandíbula proeminente aparecer e desaparecer. Há
muito tempo ele tinha sido um xamã dotado de grandes poderes, e mesmo
agora, quando ele era apenas um produto da imaginação daquele homem,
era intimidante.
No entanto, o menino não se intimidou. Em seus dias ele poderia ter
sido um menino muito bonito, com olhos grandes e verdes como o mar,
com belos traços e cabelos dourados. Mas não mais. Aquele menino estava
doente. Ele era muito magro, tão emaciado que seus ossos pareciam
perfurar sua pele de um momento para o outro. Seu olhar, que outrora fora
muito brilhante, estava subjugado e afundado, e uma fina membrana
cobria seus olhos. As pústulas atormentavam sua pele e, quando
explodiam, escorriam um líquido esverdeado. Parecia que era difícil
respirar e seu peito estremecia toda vez que ele engasgava em intervalos
curtos. O homem achava que ele era praticamente capaz de ver o
batimento cardíaco fatigante daquela criança; um coração que deveria ter
parado há muito tempo, mas que não desistiu de seu esforço.
"Vá em frente", disse o orc, apontando com o dedo para o menino.
"Não vai durar", respondeu o homem.
O menino tossiu como se quisesse confirmar aquelas palavras. Sangue e ranho
espirraram na mesa à sua frente. Então ele limpou aquele rosto pálido com a manga
do braço magro de uma maneira extremamente rude. Em seguida ele respirou para
poder falar com uma voz vacilante; Era óbvio que esse esforço estava testando seus
limites.
-Você ainda não o conquistou. E eu vou provar isso.
—Você é tão tolo quanto teimoso— grunhiu o orc—. Essa batalha foi ganha
há muito.
O homem pressionou firmemente aos braços da cadeira enquanto escutava.
Esse era um sonho recorrente que ele tivera nos últimos anos e, depois de
tantas reiterações, parecia mais entediante do que divertido.
"Eu me cansei de tal luta. Vamos acabar com isso de uma vez por todas",
respondeu o homem.
O orc olhou para o rapaz com malícia e a cara de caveira sorriu
horrivelmente. O menino tossiu de novo, mas não se intimidou perante o orc.
Ele se endireitou com lentidão e dignidade, e seu olhar leitoso se moveu do
orc para o homem a grande velocidade.
"Sim", respondeu o orc, “isso é inútil”. Logo será hora de acordar. Para
acordar e entrar mais uma vez nesse mundo.
E então ele se virou na direção do homem, com um brilho especial em seu
olhar.
"Para refazer o caminho que você escolheu", acrescentou.
O crânio parecia se destacar de seu rosto, deslizar sobre sua façe como se
fosse uma entidade diferente, e naquele exato momento o quarto mudou
completamente. Os suportes esculpidos que um momento antes eram meros
dragões de madeira estremeceram e voltaram à vida; as tochas que
carregavam em suas bocas brilhavam e projetavam sombras grotescas que
continuavam se movendo enquanto balançavam a cabeça. O vento uivou alto
lá fora e a porta da sala se abriu com um estrondo.
A neve cercou esses três seres. O homem abriu os braços e deixou que o
vento gelado envolvesse-o como um manto. O orc riu, e o crânio que
flutuava em seu rosto lançou sua própria risada frenética de alegria.
Deixe-me mostrar-lhe que o seu destino está ligado ao ou meu, e que você só
saberá qual é o poder da verdade se você o eliminar.
As violentas rajadas da respiração glacial haviam derrubado aquele garoto
frágil e magro na cadeira em que ele estava sentado. Mas ele se sentou com
grande esforço, tremendo e dando pequenas baforadas de ar enquanto
tentava subir de volta à cadeira. Então, ele olhou para o homem cheio de
esperança, medo e de uma determinação estranha.
"Nem tudo está perdido", ele sussurrou, e de alguma forma, apesar do orc e
do riso do crânio, apesar do uivo do vento, o homem ouviu.

PRIMERA PARTE
ESCOLHIDO PARA
A GLORIA

CAPÍTULO
UM
Segure a cabeça, sim, assim. Bem feito menino. A égua, a pele era
normalmente branca e agora cinza de suor, olhos em branco enquanto
relinchava. E naquele momento o príncipe Arthas Menethil, o único filho do
Rei Terenas Menethil II, que governaria o reino de Lordaeron todos os dias,
agarrava o arreio e murmurava algo em voz baixa. Então, a égua balançou a
cabeça violentamente, de modo que não demorou muito para que ela derrubasse
aquela criança de nove anos. -Calma, Crina Brilhante! - exclamou Arthas-calma
menina-não acontecera nada. Não tem nada de que se preocupar.
Jorum Balnir soltou um grunhido de risada. "Duvido muito que você
pensaria isso, se algo do tamanho de um jumentinho estivesse saindo de
suas entranhas, garoto. Seu filho Jarim, que estava agachado ao lado de seu
pai e do príncipe, riu como Arthas, que estava cambaleando de tanto rir,
apesar do fato de ter caído na perna a saliva espumosa e quente de Crina
Brilhante que não deixava de mexer a cabeça. “Mais um empurrão, garota",
Balnir disse encorajadoramente, Ele aproximou-se lentamente da parte do
corpo da égua, onde o potro, envolto em uma membrana brilhante que se
assemelhava a uma mortalha, estava a meio caminho de sua jornada ao
mundo.
Supunha-se que Arthas não deveria estar lá. Mas quando ele não tinha
aulas, frequentemente corria para a Fazenda Balnir para admirar os cavalos
que ele criava uma atividade que lhe deu reconhecimento e fama, e brincar
com seu amigo Jarim. Ambos os jovens estavam bem conscientes de que o
filho de um criador de cavalos, mesmo aquele cujos animais eram utilizados
somente como montaria para a casa real, não era a companhia mais
"adequada" para um príncipe. Nenhum deles se importava muito, e até
agora, nenhum adulto havia tentado acabar com a amizade. Naquele dia, ele
havia passado seu tempo na fazenda construindo fortes, jogando bolas de
neve e brincando de guardas e bandidos com Harim até que Jorum lhes
havia chamado para vir e testemunhar o milagre do nascimento.
Diante do que estava testemunhando, Arthas concluiu que "o milagre do
nascimento" era realmente muito desagradável. Ele nunca imaginou que
havia "tantos... fluidos nauseante`. Então, Crina Brilhante gemeu e suspirou
de novo; permanecendo com as patas esticas imóveis, em seguida, ouviu um
splash e seu bebê veio ao mundo.
Sua cabeça pesada despencou no colo de Arthas e depois fechou os
olhos por um momento. Seus lombos subiram e caíram enquanto ele
respirava. O menino sorriu, acariciou aquele pescoço úmido e robusto,
aquela cabeleira cabeluda e olhou para o lugar onde Jarim e seu pai
estavam cuidando do potro. Fazia frio nos estábulos naquela época do ano,
o que causava um vapor que emanava fracamente do corpo quente da égua
encharcado de suor. Pai e filho usaram uma toalha e uma caixa secas para
remover o potro dos restos daquele manto perturbador que lembrava uma
mortalha; Arthas sentiu um sorriso no rosto.
O potro encharcado e cinzento, que nada mais era do que um conjunto de
pernas e olhos grandes e emaranhados olhou ao redor dele, piscando na fraca
luz da lanterna. Aqueles enormes olhos castanhos se fixaram em Arthas. Você é
muito bonito, pensou o príncipe, prendendo a respiração por um momento, ao
perceber que o tão mirado "milagre da vida" era realmente miraculoso.
Crina Brilhante tentou se levantar. Arthas sentou-se e aproximou-se das
paredes de madeira do celeiro para que o enorme animal pudesse se virar sem
esmagá-lo. A mãe e o recém-nascido cheiraram um ao outro e, imediatamente,
Crina Brilhante resmungou e começou a limpar o filho com a língua comprida.
"Ei, garoto, você está horrível", ressaltou Jorum.
Arthas olhou para baixo para verificar e seu coração deu um pulo. Ele viu
que estava coberto de palha e baba de égua, deu de ombros e disse:
"Talvez eu deva entrar em um banco de neve quando eu voltar para o
palácio", ele sugeriu com um sorriso zombeteiro.
Embora, ficando um pouco mais sério. Ele acrescentou abaixo:
-Não se preocupe. Tenho nove anos. Eu não sou mais um bebê. Eu posso ir
aonde quiser. As galinhas gritaram de repente e a voz estrondosa de um homem
foi ouvida, e então o mundo chegou a Arthas. Ele se endireitou, tentou por todos
os meios sacudir a palha pela última vez sem sucesso e saiu do celeiro.
"Sir Uther," ele disse em um tom de voz que parecia indicar, "Eu sou o
príncipe e é melhor você não se esquecer disso", essas pessoas me trataram com
bondade peço-lhe que não pise em suas aves no curral.
Nem mesmo em suas bocas de dragão, ele pensou, enquanto olhava fugazmente para
alguns montes de terra coberta de neve, onde lindas flores, das quais Vara Balnir se
sentia tremendamente orgulhosa, germinariam em poucos meses. Naquele momento
ele ouviu alguns ruídos que lhe disseram que Jorum e Jarim tinham acabado de sair
do estábulo, mas ele não olhou para trás, mas continuou olhando para aquele
cavalheiro que estava montado em um cavalo e vestido com uma armadura.
- Por que você está vestindo armadura? - Arthas exclamou. O que
aconteceu? "Eu vou explicar para você no caminho", Uther respondeu em
uma voz lúgubre. Logo eu mandarei alguém pegar seu cavalo, Príncipe
Arthas. Firme irá andar mais rápido que o seu, mesmo que ele tenha que
nos transportar. O homem da armadura se abaixou e uma mão grande se
fechou ao redor do braço de Arthas para levantá-lo como se ele não
pesasse nada e o coloca-lo nas costas do cavalo à sua frente. Vara, que
havia saído de casa assim que soube que um cavalo se aproximava a
galope, ainda estava enxugando as mãos com um trapo e tinha uma
mancha de farinha no nariz. Seus olhos azuis eram tão largos que pareciam
sair de suas órbitas, e ela lançou um olhar preocupado para o marido.
Uther cumprimentou-a com uma leve inclinação de cabeça.
"Vamos conversar sobre isso depois", disse Uther-senhora.
Em seguida, tocou a testa com a mão coberta por uma cota de malha como
um cumprimento educado, e esporeu seu cavalo Firme, que também carregava
armadura como seu cavaleiro, para que o animal começa-se a andar.
O braço de Uther apertou a cintura de Arthas como se fosse um cinto de aço.
O medo do menino aumentou, mas ele conseguiu dominá-lo ao tentar se livrar do
abraço de Uther.
"Eu sei montar", ele reclamou, de modo que sua petulância escondia o
desconforto que o preenchia. Diga-me o que acontece.
-Um cavaleiro da Costasul trouxe, mais notícias. “Há alguns dias, centenas de
pequenos barcos cheios de refugiados da cidade de Ventobravo chegaram à nossa
costa”, disse Uther sem afrouxar seu abraço.
Arthas parou de resistir e esticou o pescoço, pronto para escutar com grande
atenção, enquanto os olhos bem abertos de verde-mar estavam pregados no rosto
sombrio de Uther, que naquele momento retrucou:
—A Cidade de Ventobravo caiu.
—Que? A Cidade de Ventobravo? Perante quem? O que?
-Isso saberemos em breve. Sobreviventes, inclusive ou o Príncipe Varian, são
guiados aqui por quem foi antigamente o Campeão da Cidade de Ventobravo,
Lorde Anduin Lothar. Ele e o Príncipe Varian chegaram a Cidade Capital em
alguns dias. Lothar nos alertou que traz notícias alarmantes; o que é óbvio, pois
algo destruiu a Cidade de Ventobravo. É por isso que me confiaram a missão de
encontrá-lo e levá-lo de volta ao palácio, Príncipe. Neste momento você não
pode perder seu tempo brincando com o povo.
Arthas ficou atordoado e olhou para frente novamente, agarrando-se
firmemente à crina de Firme. A cidade de Ventobravo! Ele nunca esteve lá, mas
ouvira falar muito sobre aquela cidade. Era um lugar imponente, com enormes
paredes de pedra e belos edifícios. Há construíram para ser muito robusta, para
resistir ao ataque dos ventos intensos de onde tinha tomado seu nome. Parecia
inconcebível que tivesse caído, mas quem ou o que poderia ser tão poderoso a ponto
de tomar uma cidade assim?- Quantas pessoas trazem? - o príncipe perguntou-
enquanto retornaram à capital, com um tom de voz muito mais alto e mais aguçado
do que ele gostaria para ser ouvido sobre o rugido causado pelos cascos do
cavalo.-Não se sabe. Mas sabemos com certeza que eles não serão poucos ... O
emissário nos informou que todos aqueles que sobreviveram estão vindo.
Sobreviveram ao que? Arthas perguntou a si mesmo."E o príncipe Varian? - ele
perguntou.
Ele ouvira falar de Varian a vida toda, é claro. Além disso, ele sabia os
nomes de todos os reis, rainhas, príncipes e princesas vizinhas. De repente, ele
notou um detalhe que ele havia ignorado e abriu os olhos arregalados. Uther
mencionara Varian, mas não o pai do príncipe, o rei Llane.-Logo se tornará rei
Varian. O rei Llane caiu em Ventobravo. Essa tragédia individual atingiu Arthas
muito mais do que o fato de que milhares de pessoas haviam subitamente se
tornado desabrigadas. A família de Arthas, composta por ele; sua irmã, Calia;
sua mãe, a rainha Lianne; e, claro, o rei Terenas estava muito unida. Além disso,
ele havia testemunhado como alguns monarcas tratavam suas famílias e estava
ciente de que esse era um caso excepcional. Mas que tragédia teria comparado
a perder sua cidade, a vida que você conheceu e seu pai ao mesmo
tempo?Pobre Varian ... - afirmou, enquanto lágrimas de compaixão apareceram
em seus olhos. Uther deu um tapinha nas costas um pouco desconfortável com
a situação."Sim", ele respondeu. É um dia sombrio para aquele garoto. Arthas
estremeceu de repente, e não por causa do tempo frio naquele dia ensolarado
de inverno. Aquela bela tarde, com o céu azul e a paisagem coberta de neve que
se curvava suavemente, de repente se voltou para ele em uma tarde tenebrosa.

Uns días depois, Arthas se encontrava junto as muralhas do castelo


fazendo companhía a Falric, um dos guardas que acabara de trazer uma
xícara de chá quente. Tal visita, como as que ele costumava fazer à família
Balnir e às empregadas domésticas, aos cocheiros, aos ferreiros e, em geral, a
todos os criados que estavam no palácio real, não era um evento incomum.
Terenas aceitava com ressignação esse costume de seu filho, e Arthas sabia que
nunca punia ninguém por falar com ele, e mesmo assim se perguntava se sua
pai aprovava no fundo que ele agisse assim.
Falric lhe soriu grato e curvou a cabeça em sinal de respeito genuíno;
depois tirou as manoplas para poder esquentar as mãos geladas com a xícara
quente. Ameaçava nevar e o céu era de um cinza pálido, mas até então não
havia sido um dia ruim. Arthas encostou-se à parede e apoiou o queixo nos
braços cruzados. Ele olhou para as colinas brancas de Tirisfal e olhou para o
caminho que levava através da floresta de Prata até Costasul. O caminho pelo
qual Anduin Lothar, o mago Hadggar e o Príncipe Varian viajariam.- Você
sabe alguma coisa sobre eles?
"Não, Alteza," Falric respondeu, tomando um gole daquela bebida quente.
Eles poderiam chegar hoje, amanhã ou depois de amanhã. Eu sei que você está
morrendo de impaciência para vê-los, mas você provavelmente terá que
esperar muito tempo, senhor. Arthas deu um sorriso zombeteiro com os olhos
indo de um lado a outro e semicerrados."É melhor esperar do que estar na
aula", disse ele."Bem, senhor, você saberá melhor do que eu o que você tem
que fazer," Falric respondeu diplomaticamente, suprimindo o impulso de
devolver o sorriso.Enquanto o guarda apreciava o chá, Arthas suspirou e se
virou para observar o caminho como fizera várias vezes antes. No início, essa
espera foi empolgante, mas agora estava ficando entediante. Ele queria voltar
para o Fazenda Balnir para descobrir como o potro de Crina Brilhante era, e ele
se perguntou se seria difícil fugir do palácio por algumas horas sem que
ninguém sentisse falta dele. Falric estava certo. Lothar e Varian ainda podem
levar alguns dias em...
Arthas piscou. Lentamente, ele ergueu o queixo e estreitou os olhos.
La vem! Ele gritou, apontando para o horizonte. Falric estava
completamente despreocupado com seu chá e foi para o lado quase que
instantaneamente.Então, o guarda assentiu."Você tem uma visão muito afiada,
Príncipe Arthas! Marwyn! Ele exclamou. E outro soldado que estava por perto
imediatamente se apresentou. Vá dizer ao rei que Lothar e Varian estão vindo
para cá. Eles devem chegar em uma hora."Sim, capitão", respondeu o jovem,
cumprimentando-o com respeito.
- Eu mesmo digo! Estão chegando! - gritou Arthas, que já estava
correndo rápido e veloz enquanto falava. Marwyn hesitou e olhou para o
oficial superior, mas Arthas estava determinado a chegar antes dele para dar a
notícia. Ele desceu correndo as escadas, escorregou por causa do gelo e teve
que pular o resto do caminho. Depois correu pelo pátio e parou, depois de
escorregar um pouco, quando se aproximou da sala do trono, lembrando-se
com dificuldade que tinha que guardar os formulários. Era o dia em que
Terenas se encontrava com os representantes da cidade para ouvir suas
preocupações e fazer o que pudesse para ajudá-los.
Arthas puxou o capuz de seu manto vermelho de tecido ricamente bordado.
Ele inalou fortemente e então deixou escapar através de seus lábios na forma
de uma leve névoa; depois aproximou-se de dois guardas que ele
cumprimentou com uma leve reverência da cabeça, e estes, depois de
responder com uma saudação muito energética, se viraram para abrir as
portas.
Havia uma temperatura muito mais quente na sala do trono do que na quadra
externa, embora fosse uma grande sala feita de mármore e pedra que tinha
um teto muito alto em forma de cúpula. Mesmo em dias nublados como este,
a janela octogonal no topo da cúpula permitia a entrada de luz natural. Nas
paredes havia tochas acesas que aqueciam a sala e a coloriam de cor laranja.
Um intrincado desenho de padrões circulares cercava o selo de Lordaeron
que adornava o solo; que, naqueles momentos, estava escondido sob os pés
das pessoas reunidas ali e que respeitosamente esperavam sua vez de se
dirigir ao seu senhor.
O homem sentado no trono de jóias em uma plataforma escalonada era o rei
Terenas II. Seu cabelo loiro havia cedido às cinzas apenas nas têmporas e seu
rosto tinha uma ruga ocasional não muito profunda; Rugas causadas pelo
riso ao invés de franzir a testa e deixar sua marca na alma e em sua face. Ele
estava vestido com uma túnica primorosamente feita de tons de azul e roxo,
com brilhantes bordados dourados que refletiam a luz das tochas e faziam
sua coroa brilhar. Terenas inclinou-se um pouco para a frente, absorto no que
o homem à sua frente dizia, um nobre de baixo nascimento cujo nome Arthas
não conseguia lembrar naquele momento. Seus olhos, de cor
azul-esverdeada e penetrante, estavam ancorados naquele indivíduo.
Sabendo que ele estava prestes a anunciar a chegada de alguém muito
importante, Arthas simplesmente ficou olhando para o pai por um momento.
Ele, como Varian, era filho de um rei, era um príncipe por direito de
nascença.
Mas Varian não tinha mais pai. Pensando na possibilidade de algum dia ver
aquele trono vazio, de ouvir o antigo hino da coroação cantado em sua
homenagem, Arthas sentiu um nó se formando em sua garganta.
Pela Luz, que esse dia não venha por um longo, longo tempo, Arthas
implorou mentalmente.T
alvez Terenas percebesse a intensidade do olhar de seu filho e é por isso que
ele se virou na direção da porta. Seus olhos se estreitaram por um momento
enquanto sorria, e então voltou sua atenção para o peticionário.
Arthas pigarreou e deu um passo à frente.-Desculpe a interrupção, pai. Mas
eles estão vindo! Eu os vi!Eles devem chegar aqui em uma hora.O rosto de
Terenas ficou tenso. Eu sabia quem ele estava se referindo.Ele balançou a cabeça
com um leve gesto e disse:-Obrigado meu filho.As pessoas ali reunidas se
entreolharam; a maioria delas também sabia a quem ele se referia e começaram a
se dispersar como se a audiencia tivesse chegado ao fim. Então, Terenas levantou
a mão.-Não vão embora. No momento não chove e a estrada é claro. Então eles
vão chegar quando tiverem que fazer-lo e não antes. Até lá, vamos continuar com
o que é nosso ", disse ele, sorrindo um pouco pesaroso. Tenho a sensação de que,
uma vez que estejam aqui, as audiencias como estas terão que ser adiadas.Então,
quanto mais problemas resolvermos antes da sua chegada, melhor. Arthas olhou
para o pai com orgulho. É por isso que a cidade amava tanto Terenas; e por essa
razão o rei costumava olhar para o outro lado quando seu filho "se aventurava" a
se relacionar com o povo. Terenas se importava profundamente com seus súditos
e instilara esse sentimento em seu filho."Você quer que eu saia para recebe-lo a
cavalo, pai?
Terenas examinou o filho por um momento e depois indicou que não com
um leve gesto de cabeça.
-Não Acho melhor você não estar presente quando os recebermos. Arthas
sentiu como se tivesse sido golpeado. Como não podia estar presente? Mas tinha
nove anos de idade! Algo muito ruim aconteceu com um valioso aliado e um
menino não muito mais velho do que ele perdeu o pai por causa daquele desastre.
Raiva invadiu-o de repente. Por que seu pai insistiu em protegê-lo tanto? Por que
ele não permitiu que ela comparecesse a reuniões importantes?Ele mordeu a
língua para suprimir a resposta que teria vindo de seus lábios tendo ficado
sozinho com Terenas. Além disso, ele sabia que discutir com o pai naqueles
momentos, na frente de todas aquelas pessoas, não teria qualquer utilidade.
Embora estivesse absolutamente certo sobre isso. Então ele respirou e depois de
se curvar, ele saiu.Uma hora depois, Arthas Menethil estava em um dos muitos
camarotes que levavam à sala do trono. Ele sorriu para si mesmo; Ainda era
pequeno o suficiente para se esconder embaixo dos assentos, se alguém entrasse
para procurar ou dar uma olhada rápida. Ele se agitou inquietamente por causa
dos nervos e pensou que em alguns anos ele não seria capaz de fazer algo assim.
Mas em alguns anos meu pai iria entender que merecia estar presente
em tais eventos e não teria que se esconder, refletiu.
Esse pensamento agradou-lhe. Então ele enrolou sua capa para usar
como travesseiro enquanto esperava. A sala estava aquecida graças aos
braseiros, às tochas e ao calor emitido pelo grande número de pessoas
que se aglomeravam naquele pequeno espaço. O calor e o murmúrio
das conversas o embalaram e ele quase adormeceu.
-Majestade.
Aquela voz poderosa, trovejante e alta fez Arthas acordar.
—Sou Anduin Lothar, cavaleiro da Cidade de Ventobravo.
Já haviam chegado! Lorde Anduin Lothar, que em seu tempo foi o
Campeão da Cidade de Ventobravo... Artas saiu de debaixo do assento e ficou de
pé com muito cuidado, certificando-se de que, em todos os momentos, a cortina azul
que cobria o camarote escondia sua presença enquanto examinava o que estava
acontecendo.
Lothar tem o aspecto típico de um guerreiro, pensou Arthas ao
contemplar aquele homem. Era alto de constituição forte e e estava vestido
com armadura pesada que carregava com grande facilidade, o que indicava
que ele estava muito acostumado a suportar seu peso.Embora no lábio
superior ele usasse um bigode felpudo e uma barba curta no resto do rosto,
ele era praticamente careca, e o resto do cabelo que lhe restava estava preso
com um pequeno rabo de cavalo. Ao lado dele estava um homem velho com
uma túnica violeta. Arthas voltou seu olhar sobre o menino que só poderia
ser o príncipe Varian Wrynn. Ele era alto e esguio, mas de ombros largos, o
que indicava que aquela magreza acabaria preenchida de músculos um dia, e
ele parecia pálido e exausto. Arthas estremeceu ao ver o rapaz, apenas alguns
anos mais velho que ele, que parecia tão perdido, sozinho e
assustado.Quando o rei se dirigiu a ele, Varian pareceu recuperar a
compostura e respondeu com grande cortesia. Terenas tinha muita
experiência em fazer as pessoas se sentirem confortáveis em sua presença. O
monarca estava lentamente despachando o povo e, quando apenas alguns
cortesãos e guardas permaneceram na sala, ele se levantou do trono para
cumprimentar os visitantes.
"Por favor, sente-se", disse-lhes ele, e em vez de se sentar naquele
trono glorioso como era devido, decidiu ficar no primeiro degrau da
plataforma.Então ele colocou Varian ao lado dele como um gesto paternal
e Arthas sorriu.O jovem príncipe de Lordaeron escutou com grande
atenção as vozes que ascendiam ao lugar onde ele estava e que pareciam
pronunciar palavras inventadas. Mesmo assim, enquanto observava o
poderoso guerreiro de Ventobravo e estudava o rosto lânguido e lívido do
futuro rei daquele reino magnífico, Arthas percebeu como um arrepio
percorrendo sua espinha que nada disso era uma fantasia, mas sim era
terrivelmente real, o que era muito assustador.
Os ali reunidos falaram de criaturas chamadas «orcs» que de algum
modo, haviam invadido Azeroth. Eram enormes, verdes e tinham presas em
vez de dentes e uma grande sede de sangue; além disso, haviam formado uma
«horda» que avançava como una maré imparavel.
—Poderiam cobrir toda a terra de costa a costa-apontou com tom serio
Lothar.
Esses monstros eram os responsáveis pelo ataque da Cidade de Ventobravo e de
ter convertido a seus cidadãos em refugiados. Ou em cadáveres, pensou
Arthas. O debate ficou tenso quando um dos cortesãos disse que não
acreditava em nada que Lothar estivesse dizendo. E embora ele tenha
perdido a paciência, Terenas acalmou as coisas e decidiu pôr fim a discussão
.
—Convocarei uma reunião com os monarcas vizinhos - anunciou—.
Estes terríveis feitos nos afetam a todos. Majestade ofereço-lhe meu lar e
proteção por todo o tempo que acredite necessário.
Arthas sorriu. Varian ia ficar no palácio. Ele gostava da ideia de que havia
outro nobre no castelo para brincar. Embora ele estivesse familiarizado com sua
irmã Calia, ela tinha a desvantagem de ser uma menina e dois anos mais velha
que ele. E embora ele também gostasse muito de Jarim, ele sabia que as
oportunidades que poderiam brincar seriam limitadas devido às circunstâncias.
Como Varian, no entanto, era um príncipe de direito inato como Arthas, os dois
podiam treinar, montar, explorar e fazer muitas outras coisas juntos."Você está
sugerindo que nos preparemos para a guerra", disse seu pai enquanto sua voz
cortava as meditações de seu filho com tremenda eficiência, fazendo com que
Arthas caísse novamente no desânimo.
—Sim-replicou Lothar—. Para uma guerra da qual dependera a
sobrevivência de nossa espécie.
Arthas engoliu o máximo que pôde, depois deixou a cena tão
silenciosamente quanto entrara. Como Arthas esperava, pouco tempo depois
levaram o príncipe Varian para os quartos de hóspedes. O próprio Terenas
acompanhou o menino, apoiando em todos os momentos com delicadeza uma
mão no ombro do jovem. No entanto, se ele ficou surpreso ao ver seu filho
esperando por eles nos quartos, ele não demonstrou. -Arthas, este é o príncipe
Varian Wrynn, futuro rei da Cidade de Ventobravo. Arthas fez uma reverência ao
seu igual. -Alteza-lhe disse de saudação formal-, dou como boas vindas a
Lordaeron. Eu gostaria que pudéssemos ter nos encontrado em melhores
circunstâncias. Varian fez uma reverência educada. - Como já indiquei ao rei
Terenas, agradeço muito a vocês por terem nos dado seu apoio e oferecido sua
amizade nestes tempos difíceis.
Ele falou com uma voz forçada, tensa e cansada. Arthas pegou as roupas
que Varian havia removido: o manto, a túnica e as calças; peças de vestuário
muito bem bordadas e feitas de panos rúnicos e tecidos mágicos. Parecia que
Varian usara quase todas as roupas da vida do jeito sujo que estava. E, embora
fosse inegável que ele havia lavado o rosto, ainda havia vestígios de sujeira nas
têmporas e sob as unhas.
"Vou mandar alguns criados para você em breve com um pouco de comida
e toalhas, água quente e uma bacia para que você possa se refrescar Príncipe
Varian", destacou Terena.
O rei continuou referindo-se a ele pelo seu título nobre. Era um costume
que acabaria caindo em desuso com a passagem do tempo, mas Arthas
entendeu por que o rei teve tal efeito em repetir a palavra "príncipe" naquele
momento. Agora, mais do que nunca, quando acabara de perder tudo, exceto a
vida, Varian precisava saber que ainda o respeitavam que ainda reconheciam
que ainda pertencia a uma casa real. Então Varian franziu os lábios e assentiu.
"Obrigado", ele conseguiu dizer.
"Arthas, eu deixo em suas mãos", disse Terenas para seu filho enquanto dava
um tapa paterno no ombro dele antes de fechar a porta e sair.
Os dois garotos se entreolharam de cima a baixo. Arthas tinha uma mente
totalmente vazia.
Aquele silêncio constrangedor durou muito tempo. No final, Arthas não
poderia segurar mais aquela quietude e disse:
-Sinto muito pelo seu pai.
Varian fez uma careta de dor e se virou; então ele se aproximou das
enormes janelas de onde se podia ver o lago Lordamere. A neve que ameaçava
cair toda manhã finalmente chegou e tocou o chão com suavidade cobrindo a
terra como um manto silencioso. Ele teve muito azar, pois, em um dia claro,
podia-se ver o castelo de Fenris.
"Obrigado", respondeu Varian.
Tenho certeza de que ele morreu lutando nobremente até o último suspiro.
"Ele foi assassinado", esclareceu Varian com grande franqueza num tom
desprovido de emoção.
Arthas ficou perplexo ao ver o perfil de Varian iluminado pela luz fria
daquele dia de inverno e teve a impressão de que as feições do menino
permaneciam serenas de um modo não natural. Apenas seus olhos castanhos,
injetados com sangue e cheios de dor, pareciam ter alguma vida.
-Um amigo de confiança conseguiu convencê-lo a falar com ela sozinho. E
aquela mulher aproveitou a oportunidade para matá-lo. Ela o esfaqueou bem
no coração.
Arthas olhou para ele atentamente. A morte em uma batalha gloriosa já era
difícil de aceitar, mas...
Ele impulsivamente agarrou o príncipe pelo braço e disse:
- Eu vi um potro nascido ontem.

Parecia estupidez, mas como foi a primeira coisa que veio à mente, ele
continuou falando sobre o assunto com grande seriedade.
-Quando o tempo melhorar vou te levar para ver. É a coisa mais
incrível do mundo.
Varian se virou para ele e o encarou por um longo tempo. Uma grande
variedade de emoções cruzou seu rosto: indignação, descrença, gratidão,
ansiedade, compreensão. De repente, seus olhos castanhos se encheram de
lágrimas e Varian desviou o olhar; Ele cruzou os braços e se enrolou em
uma bola, enquanto seus ombros tremiam ao ritmo dos soluços que ele
tentava silenciar como podia. Mas ele já não era mais capaz de reprimir seus
sentimentos. Através daqueles sons discordantes e atrozes ele lamentou a
morte de um pai, um reino e um modo de vida para o qual ele provavelmente
não tinha sido capaz de chorar até aquele momento. Então Arthas agarrou
seu braço e sentiu que o que ele segurava entre os dedos estava duro como
pedra.
"Eu odeio o inverno", soluçou Varian.
E a imensidão da dor expressar essas três palavras simples,
aparentemente incongruentes, impacto Arthas, que, incapaz de
testemunhar tanta dor ou fazer nada para aliviá-la, soltou o braço dela,
virou-se e caminhou em direção à janela.
Fora, a neve seguia caindo.

CAPÍTULO
DOIS

A rthas se sentia frustrado.


.Ele pensou que, assim que se espalhasse a notícia sobre os crimes dos orcs, ele
finalmente começaria seu treinamento a sério; talvez ao lado de Varian, seu novo
amigo de alma. Mas o oposto aconteceu. A guerra contra a Horda resultou em
qualquer um que fosse capaz de empunhar uma espada que se unisse ao exército,
até mesmo o mais humilde mestre ferreiro. Varian teve pena de seu colega mais
jovem e fez o que pôde para incentivar seu amigo inconsolável por um tempo até
que, finalmente, um dia, depois de um suspiro e olhar para ele com alguma pena,
disse,-Arthas, não me leve a mal, mas...
-Mas eu sou insuportável.
Varian fez beicinho. Ambos estavam no arsenal, onde lutavam vestidos com
capacetes, couraças de couro e espadas de treinamento de madeira. Varian se
aproximou da prateleira, onde ele deixou a espada pendurada, e tirou o elmo ao
fazer esta observação:-Estou surpreso que você seja tão rápido e atlético.
Arthas ficou sem graça. Ele conhecia Varian bem o suficiente para saber que o
príncipe estava tentando tirar a conversa da questão. Ele fez o mesmo que seu
amigo:Ele pendurou a espada e tirou o equipamento de proteção, mas com uma
atitude bastante brusca.
-Na cidade de Ventobravo começamos a treinar quando éramos crianças. Na sua
idade, eu já tive minha própria armadura projetada especificamente para
mim."Não adicione mais sal à ferida", Arthas resmungou."Com licença",
respondeu Varian, sorrindo para ele, ao que Arthas respondeu com um pequeno
sorriso relutante.Embora o primeiro encontro tivesse sido emocionalmente
violento e tivesse sido marcado por tristeza, Arthas descobrira que Varian tinha
uma vontade de ferro e uma visão bastante otimista da vida em geral.-Eu me
pergunto por que seu pai não fez o mesmo com você. Arthas sabia a
resposta.-Porque tenta me proteger. Varian adotou uma atitude mais séria quando
ele pendurou seu peitoral de couro e acrescentou:-Meu pai também estava
tentando me proteger, mas não ajudou. A realidade da vida acaba se impondo aos
nossos desejos.Então ele se virou, olhou para Arthas e avisou-o do seguinte:-Eles
me treinaram para lutar, não para ensinar como lutar. Eu poderia te machucar.
Arthas corou. Varian nem pensara em sugerir que Arthas pudesse machucá-lo. O
Príncipe de Ventobravo percebeu que ele tinha acabado de estragar o seu
comentário e decidiu dar um tapinha no ombro dele enquanto fazia-o:"Olha,
quando a guerra acabar e pudermos ter um treinador adequado novamente, eu vou
com você para conversar com o rei Terenas. Tenho certeza que então, em menos
de um cantar de galo, você estará me dando uma boa surra.

A guerra terminou e a Aliança acabou vitoriosa. O líder da Horda, o outrora


poderoso Orgrim Martelo da Perdição, havía sido levado até a Cidade
Capital acorrentado. Ver como aquele poderoso orc foi humilhado por ser exibido nas
ruas de Lordaeron tinha causado uma profunda impressão em ambos Arthas e Varian. O
tenente Turalyon, o jovem campeão que tinha derrotado Martelo da Perdição após o orc
ter matado o nobre Anduin Lothar, tinha sido muito solidário com a besta para poupar sua
vida. Terenas, que basicamente era um homem muito piedoso, respeitou essa decisão e
proibiu que atacasse aquela criatura. Embora seja verdade que houveram muitos
protestos e reclamações em primeiro lugar, quando viram que o orc que havia
aterrorizado por tanto tempo marchara impotente em torno da cidade, enquanto era
ridicularizado e escarnecido, foram silenciados e a moral do povo se levantou como a
espuma. Em qualquer caso, Orgrim Martelo da Perdição nunca sofreria nenhum dano
enquanto estivesse sob a proteção do monarca.Esta foi a única vez que Arthas viu Varian
dominado pelo ódio,embora soubesse que não podia culpá-lo. Se orcs tivessem
assassinado Terenas e Uther, ele assumiu que também iria cuspir para aquelas coisas
verdes hediondas.
Deveriam mata-lo, Varian rosnou com seus olhos brilhando de raiva, enquanto observava
a partir dos parapeitos como Martelo da Perdição era dirigido ao palácio. E eu gostaria de
poder ser o eu a faze-lo.
"Eles estão levando ele para a Cidade Baixa", apontou Arthas. Não se sabe exatamente
como eles terminaram apelidados assim o conjunto formado por criptas antigas,
masmorras, esgotos e ruas labirínticas que eram realmente nas profundezas da terra, logo
abaixo do palácio. A cidade era escura, fria, úmida e imunda; viviam apenas prisioneiros
ou mortos, mesmo os mais pobres dessas terras sempre conseguiram encontrar o
caminho para chegar lá. Se alguém não tinha casa, era melhor se viver viver ali do que
ficar ao ar livre e congelar até a morte, e até mesmo Arthas sabia que, se você precisava
de algo... que não era inteiramente legal, tinha que ir lá para obtê-lo. Ocasionalmente, os
guardas iam la em baixo e realizavam rondas em uma tentativa desesperada, mas em vão
para limpar este lugar.- Ninguém deixa a Cidade Baixa - Arthas disse ao amigo para
confortá-lo. Ele vai morrer na prisão."Estou feliz", admitiu Varian. Turalyon deveria tê-lo
matado quando teve a chance.
Aquelas palavras que Varian acabara de pronunciar provaram ser
proféticas. Embora parecesse que o escárnio e o ódio acumulados contra
ele tivessem prejudicado o grande líder dos orcs, isso estava longe de ser
verdade. Arthas aprendeu um dia, enquanto escutava, que os guardas não
o observavam mais de perto. A aparente desmoralização do prisioneiro
levou-os a confiar em excesso. Ninguém sabe com certeza como Orgrim
Martelo da perdição planejou sua fuga, porque ninguém sobreviveu para
contar: ele quebrou o pescoço de todos os guardas que encontrou. Mas,
em uma exibição para deixar claro que não estava discriminando
ninguém por causa de seu status social, Martelo da Perdição deixou um
rastro de cadáveres de guardas, indigentes e criminosos que começaram
em uma céla aberta e por toda Cidade Baixa para alcançar a única rota de
fuga: os esgotos fétidos. Martelo da Perdição foi recapturado pouco
depois e desta vez ele foi trancado em um campo de concentração.
Quando ele também escapou de lá, toda a Aliança prendeu a respiração
enquanto esperava por um novo ataque da sua parte. Mas isso não
aconteceu. Ou Martelo da Perdição tinha morrido afinal, ou eles
finalmente haviam esmagado seu espírito combativo.
Faziam dois anos desde tudo aquilo e agora haviam rumores de que o Portal
Negro através do qual a Horda tinha entrado Azeroth na primeira vez e que a
Aliança tinha fechado no final da Segunda Guerra Mundial, seria reaberto ou já
estava aberto; Arthas não tinha certeza disso, pois ninguém se dava ao trabalho
de lhe dizer "nada", mesmo que um dia ele fosse rei.Era um dia muito lindo,
ensolarado, claro e quente, e ele queria sair da Cidade Capital para andar em seu
novo corcel, que ele chamara de invencível. Era o mesmo potro que vira nascer
dois anos antes, naquele desagradável dia de inverno. Ele decidiu que talvez
desce esse passeio mais tarde. Por agora, ele preferia passar pelo arsenal, onde
ele e Varian tinham treinado tantas vezes e onde o príncipe de Ventobravo o
havia humilhado tantas vezes. Arthas sabia que, embora seu amigo sempre não
quisesse esnobá-lo, não podia deixar de incomodá-lo.Foram dois anos.Arthas se
aproximou do suporte de espadas de treinamento de madeira e pegou uma delas.
Ao chegar aos 11 anos, havia dado o que sua governanta havia chamado de "o
surto de crescimento". Ou, pelo menos, essa era a palavra que ela usara na última
vez em que haviam se encontrado antes de dizer: "Agora você é um homem
pequeno e não precisa de uma governanta". Sim, a espada com a qual ele treinou
aos nove anos era uma espada para crianças. Agora ele era, de fato, um
homenzinho que media mais de um setenta e que, com toda a probabilidade,
cresceria ainda mais a julgar pela altura dos membros de sua linhagem, se isso
servisse de referência. Ele ergueu a espada, deu os golpes para a direita e para a
esquerda e, de repente, sorriu.Ele atacou uma dessas armaduras antigas,
segurando a espada com firmeza. "Hey!" Ele gritou enquanto desejava que fosse
um daqueles monstros verdes repugnantes que tinham sido um incômodo para
seu pai por tanto tempo. Então se endireitou as costas, estufou o peito e levantou
a ponta da espada para alcançar a garganta da armadura."Você quer passar por
aqui, vil orc?" Você está nas terras da Aliança! Desta vez eu serei misericordioso
com você. Saia daqui e nunca mais volte!
Ah, mas os orcs não sabiam o significado da palavra "rendição" ou a palavra
"honra". E já que eles eram meros animais, ele se recusou a se ajoelhar
diante dele.Como? Você não pensa em fugir? Tudo bem, eu te dei uma
chance e você desperdiçou. Agora lute!E ele atacou como ele tinha visto
Varian fazer. Mas não contra a armadura diretamente, porque o aparelho era
muito antigo e valioso, mas contra o espaço vazio ao lado. Ataque, bloqueio,
finta, defesa com espada de corpo inteiro, girou...e engasgou quando a
espada pareceu ganhar vida própria e saiu voando. A arma acabou com o
vôo que caiu no chão de mármore e deslizou com um guincho enquanto
girava sobre si mesma antes de parar lentamente.-Maldita seja! Ele
jurou.Então ele olhou na direção da porta e encontrou-se cara a cara com
Muradin Barbabronze. Muradin era o embaixador anão de Lordaeron, irmão
do Rei Magni Barbabronze e um dos personagens mais populares da corte
pelo humor jovial e alegre com o qual ele fazia tudo de uma boa cerveja ou
alguns bolos requintados atéos assuntos de Estado. Também tinha a
reputação de ser um excelente guerreiro, astuto e feroz na batalha.Ele tinha
acabado de ver como o futuro rei de Lordaeron havia perdido uma espada de
suas mãos enquanto fingia lutar com orcs. Arthas notou que estava suando
como um porco e tinha bochechas vermelhas, então ele tentou recuperar o
fôlego.-Isto... embaixador... estava...
O anão pigarreou e desviou o olhar.
—Busco seu pai, menino. Podo me levar até ele? Este lugar infernal tem
muitos comodos.
Arthas apontou para uma escada à sua esquerda sem uma palavra. Então ele
observou o anão sair enquanto um silêncio desconfortável reinava.Arthas nunca
se sentiu tão envergonhado em sua vida. Lágrimas vieram aos seus olhos por
causa da vergonha que sentiu, mas ele piscou com força para evitar que caissem.
E ele saiu daquele quarto ruidosa e velozmente sem sequer se dar ao trabalho de
pegar a espada de madeira.Dez minutos depois, ele se sentiu livre, depois de
deixar os estábulos em um corcel e cavalgar para o leste em direção às colinas das
Clareiras de Tirisfal. Ele tinha dois cavalos com ele: um belo cavalo de cor cinza
salpicado chamado Coração Verdadeiro, no qual ele andava, e o potro de dois
anos de idade, cujo nome era Invincivel, que ele levava com rédeas de
treinamento.A partir do momento em que se conheceram, alguns momentos após
o nascimento do potro, Arthas sentiu que havia um vínculo especial entre eles. O
príncipe sabia, a partir de então, que esse cavalo seria seu corcel, seu amigo, o
cavalo de coração grande que também faria parte dele, ou até mais, do que sua
armadura ou suas armas. Cavalos bem criados assim poderiam viver vinte anos
ou mais se fossem bem cuidados; essa seria a montaria que Arthas utilizaria
com elegância nas cerimônias e fielmente nas caminhadas diárias. Não era um
cavalo de guerra. Esse tipo de equino era criado separadamente e era usado para
determinados fins em determinados momentos. Teria uma para essas tarefas
quando tivesse que lutar. De qualquer forma, Invincivel faria parte de sua vida
mesmo se não o usasse em combate; na verdade, ele já fazia parte dela.O pêlo, a
crina e a cauda do garanhão, que no nascimento eram cinzas, haviam se tornado
um branco muito semelhante à neve que cobria o solo naquele mesmo dia. Essa
cor não era frequente mesmo entre os cavalos criados por Balnir, cujas pelagens
"brancas" eram, em geral, de cor cinza clara. Arthas havia considerado colocar
um nome como Nevada ou Luz Estelar; mas no final ele cumpriu a lei não escrita
geralmente observada pelos cavaleiros de Lordaeron, que consiste em batizar
seus cavalos com um traço de personalidade. É por isso que a montaria de Uther
se chamava Firme e a de Terenas, Valeroso.
A sua era Invencivel.
Arthas desejava montar Invincivel, mas o cuidador de cavalos tinha
avisado que por ter apenas dois anos, ainda faltava pelo menos um ano para
poder fazê-lo, "Com dois anos ainda é um bebê", alertou . "Está crescendo;
seus ossos estão se formando. Seja paciente, alteza. Esperar um ano não é
muito, se tiver em conta que este cavalo estará ao seu serviço durante mais de
duas décadas ».Mas para o príncipe, um ano, era uma longa espera. Demais.
Arthas olhou para trás para contemplar o cavalo, ficando cada vez mais
impaciente com o meio-galope que, aparentemente, era o ritmo máximo que,
com grande ousadia, Coração Vivaz conseguia alcançar. Em contraste com
aquele velho castrado, o potro de dois anos andava quase como se flutuasse,
mal fazendo qualquer esforço. Suas orelhas estavam eretas e suas narinas se
arregalaram quando sentiu o cheiro intenso da clareira. Seus olhos brilhavam
e ele parecia estar dizendo: "Vamos, Arthas, eu nasci para isso."Sem dúvida,
andar com ele uma vez não ia fazer mal. Ele só pretendia dar uma volta
rápida a galope e depois voltar aos estábulos como se nada tivesse
acontecido.Ele forçou Coração Vivaz a ir mais devagar até um mero
caminhar e amarrou suas rédeas no galho baixo de uma árvore.
Invencível, ele relinchou quando Arthas se aproximou dele. O príncipe sorriu com a
suavidade aveludada daquele focinho que ele acariciou com a palma da mão enquanto
lhe dava um pedaço de maçã. Invincivel já estava acostumado a carregar uma sela; fazer
com que o cavalo se acostumasse a carregar algo nas costas era outro passo que fazia
parte de um processo muito lento capaz de exaurir a paciência de qualquer um. Mas
transportar uma cadeira vazia era muito diferente de ter que carregar um ser humano
vivo. Mesmo assim, ele esperava que tudo desse certo, já que ele passara muito tempo
com o animal. Arthas fez uma breve oração e, rapidamente, antes que Invincivel pudesse
se afastar, ele subiu a cavalo.Invencível, se levantou e relinchou furiosamente. Arthas
segurou a crina desgrenhada com as mãos e se firmou com seus quadris com toda a força
que ele nutria naquelas longas pernas. O cavalo saltou e relinchou, mas Arthas resistiu. No
entanto, ele soltou um grito quando Invincivel tentou soltar-se dele, acelerando sob o
galho de uma árvore. Mas Arthas não soltou.Pouco depois, Invincivel estava
galopando.Ou melhor, "voando". Ou, pelo menos, isso pareceu àquele jovem príncipe, um
pouco tonto, que, curvando-se sobre o pescoço do cavalo, sorriu amplamente. Ele nunca
havia montado um animal assim antes; seu coração estava acelerado, oprimido pela
emoção. Ele nem tentou controlar Invincivel; a única coisa que ele podia fazer era
suportar. Era algo glorioso, selvagem e belo, assim como ele sonhara. Seria...
Antes que eu pudesse estar ciente do que tinha acontecido. Arthas viu-se voando pelo ar
até bater com força no chão.Por um momento que pareceu eterno, ele não conseguiu
respirar por causa do impacto. Então, ele se levantou devagar. Todo o corpo dele doía,
mas nada havia sido quebrado.No entanto, Invincivel era um ponto que desapareceu com
grande rapidez à distância. Arthas fez um juramento com extrema violência, chutando um
monte e levantando os punhos. Esta vez não foi a ultima.
Sir Uther ou Iluminado estava esperando. Arthas desmontou com uma cara feia de
Coração Vivaz e entregou as rédeas a um criado que disse:
-Invencível retornou apenas recentemente. Ele teve um corte muito ruim em
sua pata, mas tenho certeza que ele ficará feliz em saber que o tratador do
cavalo diz que vai se recuperar. Arthas considerou a possibilidade de mentir, de
contar a Uther que algo os assustara, e Invincivel fugira. No entanto, era óbvio,
pelas manchas de grama que salpicavam suas roupas que tinham caído e Uther
nunca iria acreditar que, tanto medo que tinha levado o príncipe não tinha sido
capaz de manter-se montando o bom e velho Coração Vivaz ."Você sabe que
não deveria montá-lo ainda", Uther repreendeu-o sem a menor cerimônia.
Arthas suspirou. -Eu sei.-Arthas, você não entende? Se você forçar demais
nessa idade...
-Eu entendi perfeitamente, ok? Eu sei que eu poderia aleijar ele. Só foi
desta vez. Não voltara à acontecer.
-Mais é melhor.
"Sim, senhor", Arthas respondeu sombriamente.
-Você faltou as aulas...mais uma vez.Arthas permaneceu em silêncio e não
se atreveu a olhar para Uther. Ele estava zangado, envergonhado e
magoado; só queria tomar um bom banho quente e tomar um chá de
brezospine para aliviar a dor. Além disso, o joelho direito estava
inchado."Pelo menos você está em tempo para as preces desta tarde", disse
Uther enquanto ele olhava para cima e para baixo. Mas seria melhor se
você se arrumasse um pouco.A verdade era que Arthas estava encharcado
de suor e percebeu o que também fedia a cavalo. Embora ele considerasse
um bom cheiro; um aroma honesto.- Apresse-se. Estaremos na capela ",
disse Uther a Arthas.
Arthas nem sabia o que as orações daquele dia se centrariam, e ele se
sentiu um pouco mal com isso precisamente. A Luz era muito importante
tanto para seu pai quanto para Uther e ele sabia que eles queriam que ele
fosse tão dedicado quanto eles. Enquanto ele não poderia refutar a evidência
de que a luz era certamente real, uma vez que ele tinha visto com seus
próprios olhos como os sacerdotes e a nova ordem de paladinos estava
trabalhando milagres em matéria de cura e proteção, ele nunca se sentiu
disposto a sentar meditar por horas como Uther, ou se referir à Luz com um
tom reverente como seu pai. Para ele, era algo que estava ali.Uma hora
depois, depois de se lavar e trocar as roupas de montaria por um traje
simples, mas elegante, Arthas correu para a pequena capela familiar que
ficava na ala real.Não era um quarto muito grande, mas era muito bonito. Era
uma versão reduzida da capela tradicional que se podia encontrar em
qualquer cidade humana, embora talvez um pouco mais esplêndida e luxuosa
nos detalhes. Por exemplo: o cálice foi forjado em ouro e incrustado com
pedras preciosas; e a mesa na qual ele estava era uma antiguidade muito
valiosa. Até mesmo os bancos foram acolchoados para proporcionar mais
conforto aos fiéis, enquanto as pessoas comuns tiveram que se contentar em
sentar em madeira nua.Ele entrou sem fazer barulho, imediatamente
percebeu que era o último e fez um beicinho de desgosto quando lembrou
que várias pessoas importantes estavam visitando seu pai. Dessa forma, além
dos fiéis usuais como sua família, Uther e Muradin, o rei Matatrolls também
compareceu à cerimônia, embora parecesse ainda menos feliz que Arthas.
Mas havia outra pessoa. Uma garota esbelta e bonita, com longos cabelos
loiros, da qual o príncipe só podia ver suas costas. Arthas examinou
curiosamente, distraiu-se e tropeçou em um dos bancos.
Foi como se eu tivesse quebrado um prato. A rainha Lianne, que ainda
era bela aos cinquenta anos, virou-se a ouvir aquele barulho e sorriu
carinhosamente para o filho. O vestido que ela usava era perfeito e seu
cabelo estava puxado para trás em uma touca dourada que não escapava nem
mesmo de uma mecha rebelde. Calia, agora com catorze anos e parecendo
tão deselegante quanto Invencível no nascimento, lançou-lhe um olhar
carrancudo de desaprovação. Era óbvio que qualquer uma das palavras já
havia se espalhado sobre os erros de Arthas, ou ela estava apenas zangada
com ele porque ele havia chegado atrasado. Terenas cumprimentou-o com
uma leve reverência e imediatamente voltou seu olhar para o bispo que
oficiou a cerimônia. Arthas sentiu-se envergonhado por causa da silenciosa
desaprovação que aquele olhar transmitia. Matatrolls não deu atenção a ele e
Muradin também não se virou.
Arthas sentou-se encolhido num dos bancos de trás encostados na parede
dos fundos. Então o bispo falou e levantou os braços, enquanto uma fraca
luminosidade branca beirava sua silhueta. Arthas ansiava que a garota se
virasse para poder vislumbrar seu rosto. Quem era? Era óbvio que devia ser
filha de algum nobre ou alguém de alto nível; caso contrário, eles não a
convidariam para participar daquela cerimônia religiosa íntima e familiar.
Pensou em quem poderia ser, já que estava mais interessado em apurar a
identidade daquela garota do que no serviço religioso.
...E sua alteza real, Arthas Menethil", disse o bispo com um certo
tom sonoro.Ao ouvir essas palavras, Arthas abandonou suas reflexões
e e prestou atenção, já que não sabia se algo importante tinha sido
perdido.
-Que a bênção da Luz caia sobre ele em todo pensamento, toda
palavra e todo ato, de modo que possa germinar e florescer sob ela e
servir a ela como seu paladino", continuou a falar. Arthas sentiu como
um fluxo de calma flui-se através dele quando recebeu a bênção. A
rigidez e as dores que sentia desapareceram deixando-o como novo e
com uma grande sensação de paz. O bispo virou na direção da rainha
e da princesa e acrescentou:Deixe a Luz brilhar em sua majestade,
Lianne Menethil, para que...
Arthas sorriu e esperou que o bispo terminasse com as bênçãos
individuais, visto que então pronunciaria o nome da menina. Enquanto
isso, Arthas encostou-se à parede nos fundos da capela.E nós
humildemente pedimos que a bênção da Luz caia sobre a Senhora
Jaina Proudmoore. Que sua sabedoria e poder de cura a abençoem,
para que... Aha! A garota misteriosa não era mais um mistério. Jaina
Proudmoore, filha do almirante Daelin Proudmoore, o herói de guerra
e monarca de Kul Tiras, era um ano mais nova do que ele. Mas o que
mais o intrigou foi por que ela estava lá e...
-...e que seus estudos em Dalaran deem frutos. Nós pedimos que
ela se torne uma representante da Luz e que em seu papel de maga
ela sirva seu povo com honestidade e sabedoria.
Isso fez algum sentido. Estava a caminho de Dalaran, a bela cidade
localizada perto da capital. Mas, conhecendo as regras rígidas de
etiqueta e hospitalidade que prevaleciam em círculos reais e nobres,
ela permaneceria no palácio por mais alguns dias antes de continuar
sua jornada.O que poderia ser muito divertido, ele pensou.
No final do culto, Arthas, que estava mais próximo da porta, foi o
primeiro a sair da capela. Muradin eMatatrolls saíram em seguida; Ambos
pareciam aliviados com o término da cerimônia. Terenas, Uther, Lianne,
Calia e Jaina foram os próximos a sair.Sua irmã e a filha de Proudmoore
eram loiras e esbeltas. Mas é aí que as semelhanças terminaram. Calia era
de constituição delicada e seu rosto de pele pálida e macia parecia ter sido
tirado de um retrato antigo. Jaina, por outro lado, tinha olhos brilhantes e
um sorriso cativante; além disso, pelo modo como ela se movia, podia-se
deduzir que ela estava acostumada a andar a cavalo e viajar a pé. Era óbvio
que passava grande parte do tempo ao ar livre porque seu rosto estava
bronzeado e ela tinha algumas sardas no nariz. Arthas concluiu que era
uma garota que não se importaria de receber uma bola de neve no rosto ou
nadar em um dia quente. Alguém com quem, ao contrário de sua irmã,
poderia brincar."Arthas, eu gostaria de falar com você", ele ouviu alguém
dizer com uma voz áspera. Arthas se virou e viu que o embaixador anão
estava se dirigindo a ele."Claro, senhor", Arthas respondeu com
tristeza.Tudo o que ela queria fazer agora era conversar com sua nova
amiga, porque, embora ainda não tivessem sido apresentados, Arthas tinha
certeza de que eles iriam se dar muito bem. Além disso, Muradin
provavelmente iria querer repreendê-lo pelo show embaraçoso do arsenal.
Pelo menos o anão era discreto o suficiente para se distanciar
discretamente do resto do povo.Ele se virou para encarar o príncipe; os
polegares eram grossos estavam cinto e a testa franzida pela intensa
concentração com que ele pensava:"Garoto", ele disse, "eu vou direto ao
ponto. Sua técnica de luta é horrenda.Mais uma vez, Arthas corou."Eu
sei", ele disse, "mas meu pai"-Sim, seu pai tem muitas coisas na sua
cabeça. Você não deveria criticá-lo.
Então, o que ele queria que eu dissesse?
-Bem, é que eu não sou muito bom em ter que aprender sozinho a lutar.
Você viu o que acontece quando eu tento.Sim Mas eu posso te ensinar se
você quiser.
-Vo... você vai me ensinar?Arthas, a princípio, ficou incrédulo; então
feliz. Os anões eram famosos por suas proezas de combate, entre muitas
outras coisas. Arthas se perguntou se Muradin também o instruiria na arte
de beber cerveja, outra habilidade "única" pela qual os anões também eram
bem conhecidos, mas no final ele decidiu que era melhor não perguntar a
ele.Sim, foi o que eu disse, certo? Eu falei com seu pai e está tudo bem
para ele. Nós já atrasamos demais. Mas vamos deixar uma coisa clara: não
me servem desculpas e vou forçá-lo a trabalhar muito. E se em algum
momento eu disser a mim mesmo: "Muradin, você está perdendo seu
tempo", vou deixar de ser seu professor. Você concorda, garoto?
Arthas reprimiu uma risadinha que estaria totalmente fora de lugar, percebendo
que alguém muito mais baixo que ele o estava chamando de "menino".
"Sim, senhor", respondeu o príncipe fervorosamente.
Muradin assentiu e estendeu o braço para oferecer uma mão grande e calejada.
Arthas deu-lhe a sua. Ele sorriu e olhou para o pai, que estava imerso em uma
conversa com Uther. Ambos se voltaram em uníssono para observá-lo e estreitaram
os olhos, especulando sobre o que estava acontecendo; Arthas suspirou em seu
coração. Conhecia esse olhar. Já podia dizer adeus a brincar com Jaina; Ele
provavelmente nem teria tempo de vê-la novamente antes de sair.
Ele se virou para ver como Calia estava levando Jaina, que colocou o braço sobre
o ombro em um gesto gentil. Pouco antes de a porta se abrir, a filha do almirante
Proudmore virou a cabeça loira, cruzou o olhar com Arthas e sorriu.

CAPÍTULO
TRES

E stou muito orgulhoso de você, Arthas-afirmou seu pai—. Por assumir


uma responsabilidade como esta.
Durante a semana, Jaina Proudmore tinha sido a convidada de honra da
família real Menethil, a palavra que ele mais ouvia era "responsabilidade".
Não só ele já havia começado seu treinamento com Muradin, como também
a dor muscular e as contusões eram acompanhadas por uma eventual
paulada quando Arthas não prestava atenção suficiente na fala de Muradin;
mas, como Arthas temia, Uther e Terenas haviam decidido que chegara a
hora de o treinamento do príncipe ser completo em outras áreas. Arthas se
levantava antes do amanhecer, tomava um café da manhã rápido
basicamente consistindo de pão e queijo e estava indo montar com Muradin.
Depois do passeio a cavalo, davam uma boa caminhada, e sempre era o
menino de doze anos que ficava destruído e exausto. Arthas se perguntou se
os anões tinham uma afinidade tão grande com pedras que até a própria terra
tornava as coisas mais fáceis para eles quando passavam por ela. De volta a
casa, tomava banho e depois tinha aulas de história, matemática e caligrafia.
Depois do almoço ao meio-dia, ele passava a tarde inteira na capela com
Uther, orando, meditando e debatendo a razão de ser dos paladinos e a
disciplina rigorosa que deveriam observar. Então, era a hora do jantar e
Arthas tropeçava na cama para dormir o sono desprovido dos sonhos
daqueles que estão exaustos.
Ele só via Jaina em raras ocasiões durante os jantares e aparentemente
ela e sua irmã haviam se tornado carne e osso. Finalmente Arthas decidiu
que era o suficiente e, colocando em prática as lições da história e da
política que o forçaram a aprender, ele se aproximou de seu pai e de
Uther, oferecer-se para acompanhar sua convidada Lady Jaina
Proudmoore, para a própria Dalaran. Obviamente, ele omitiu dizer-lhes
que queria fazê-lo apenas para se livrar de suas obrigações incapacitantes
por alguns dias. Terenas ficou muito satisfeito porque a disposição de seu
filho de assumir responsabilidades era um sinal de maturidade. Jaina
mostrou um sorriso cativante naquela proposta e Arthas conseguiu o que
queria. Todos estavam felizes.Assim, no início do verão, quando as flores
atingiram seu auge, as florestas estavam mais uma vez repletas de
animais que se podiam caçar e o Sol brilhou acima deles no céu azul
brilhante, Príncipe Arthas encontrou-se acompanhando uma jovem loira
de sorriso cativante em sua viagem à maravilhosa cidade de magos.Eles
partiram com algum atraso, mas Arthas não se importou, mas serviu para
notar que Jaina Proudmoore não era exatamente muito pontual. Eles não
estavam com pressa. No entanto, não viajaram sozinhos, é claro. O
protocolo exigia que o acompanhante e alguns guardas os
acompanhassem. Mesmo assim, seus servos estavam sempre a alguns
metros atrás para permitir alguma intimidade aos jovens nobres. Eles
cavalgaram por um tempo e depois pararam para desfrutar de um
piquenique. Enquanto saboreavam pão, queijo e vinho aguado, um dos
homens de Arthas aproximou-se do príncipe.- Senhor, com sua
permissão, vamos fazer os preparativos para passar a noite em Amber
Mill. De manhã faremos o resto da viagem até chegarmos a Dalaran. Nós
devemos chegar lá ao anoitecer. Arthas sacudiu a cabeça.-Não,
continuaremos a viagem.Nós podemos passar a noite na área de
Hillsbrad. Então Lady Jaina pode chegar a Dalaran amanhã ao
meio-dia.Então ele virou a cabeça e sorriu para Jaina.Ela devolveu o
sorriso, embora Arthas conseguisse vislumbrar uma decepção em seus
olhos.- Tem certeza, senhor? Nós tínhamos planejado dormir sob um teto
aproveitando a hospitalidade dos moradores. Não queríamos que a
senhora dormisse ao ar livre.
—Não se preocupe, Kayvan — interveio Jaina—. Não sou uma frágil
boneca de porcelana.
O sorriso de Arthas se alargou.Esperava que Jaina se sentisse assim, como uma
estatueta de porcelana, em poucas horas.
Enquanto os servos preparavam o local onde passariam a noite, Arthas e
Jaina foram explorar os arredores. Eles subiram uma colina de onde podiam
admirar vistas incomparáveis. A oeste, avistaram a aldeia de pequenos
agricultores de Amber Mill e até as torres distantes do castelo do barão
Filargenta. A leste, a própria Dalaran podia ser distinguida, e mais
claramente o campo de concentração ao sul da cidade. Desde o final da
Segunda Guerra, os orcs foram enviados para esse tipo de campo. Como
Terenas explicou a Arthas, os campos eram uma solução muito mais
misericordiosa do que simplesmente massacrá-los assim que os
encontrassem. Além disso, os orcs pareciam estar sofrendo de uma doença
estranha. Na maioria das vezes, os humanos tropeçavam neles ou caçavam,
lutavam com muito pouco encorajamento e entravam nos campos de
prisioneiros sem resistência. Esse campo não era o único que existia.
Eles provaram um jantar um tanto rústico que consistia em coelho assado e
quando ficou escuro eles se retiraram para descansar. Assim que teve certeza de
que todos haviam adormecido, Arthas, que estava dormindo com as calças,
vestiu uma túnica e calçou as botas rapidamente. No último momento,
ocorreu-lhe que ele poderia pegar um de seus punhais apenas por precaução;
então ele enfiou no cinto e se aproximou de Jaina furtivamente."Jaina", ele
sussurrou, "acorde.A garota acordou em silêncio e sem sofrer nenhum susto;
seus olhos brilhavam ao luar. Arthas se agachou e colocou o dedo indicador nos
lábios, dizendo-lhe para não fazer barulho quando se sentasse. Então ela disse
em voz baixa:-Arthas? O que houve? Ele sorriu.-Você gosta de um pouco de
aventura?Jaina inclinou a cabeça.- Que tipo de aventura? -Você confia em
mim.Jaina olhou para ele por um momento e assentiu.-Sim.
Jaina, como a maioria deles, dormira com quase todas as suas roupas, então
só precisou colocar as botas e colocar a capa para seguir em frente. Levantou-se,
tentou pentear o cabelo loiro com os dedos, embora o fizesse com muito pouca
convicção; Ela assentiu com a cabeça,Jaina seguiu o príncipe enquanto subiam
a mesma cordilheira que haviam explorado naquele dia. A subida era muito
mais difícil à noite, mas a lua brilhante lhes dava luz suficiente e não
escorregaram.
—Esse é nosso destino —assinalou Arthas.
Jaina tragou saliva.
—O campo de concentração?
—Alguma vez viu um de perto?
—Não, e não quero ver-lo.
O príncipe franziu a testa desapontado."Vamos, Jaina, é a nossa única
chance de dar uma boa olhada em um orc. Não sente curiosidade?Sob a luz
da lua, era muito difícil deduzir o que ela pensava pela expressão em seu
rosto, já que seus olhos eram dois buracos escuros envoltos em
sombras.-Eles mataram o Derek. Meu irmão mais velho.-Um deles também
assassinou o pai de Varian. Eles mataram muitas pessoas, é por isso que
estão trancados nesses campos. É o melhor lugar para eles. Muitos não
gostam que meu pai arrecade impostos para pagar pela manutenção desses
locais, mas, bem, venha julgar por si mesma. Eu perdi a oportunidade de dar
uma boa olhada no Martelo da Perdição quando ele estava na Cidade Baixa,
e eu não quero perder a oportunidade de ver um orc novamente.Jaina
permaneceu em silêncio até que, finalmente, suspirou."Ok, vamos voltar",
disse Arthas, resignado."Não", a princesa respondeu surpresa. Vamos.
"Tudo bem", Arthas sussurrou. Quando estávamos lá em cima durante o
dia, notei como as patrulhas sentinelas eram distribuídas. Não parece que à
noite a coisa difere muito, exceto pelo fato de que eles podem sair para
patrulhar com menos frequência. Como os orcs perderam muito de seu
espírito de luta, suponho que os guardas considerem que não há muita
chance de ocorrer uma fuga.Então ele sorriu para consolá-la.- O que é muito
bom para nós - continuou ele. Além das patrulhas, há sempre alguém em
ambas as torres de vigia. Esses são os guardas com quem deveríamos ter
mais cuidado, mas, com sorte, serão mais vigilantes a qualquer incidente que
ocorra na frente do campo do que na parte traseira, uma vez que este dá para
um muro totalmente vertical de uma montanha . Se deixarmos esse
terminarem sua ronda, devemos ter tempo de sobra para nos aproximarmos
daquela parede para dar uma boa olhada.
Esperaram que o guarda, que parecia muito entediado, passasse por eles;
depois esperaram mais alguns instantes."Levante seu capuz", Arthas
ordenou.Era necessário colocar o capuz porque ambos tinham cabelos loiros,
o que facilitava que os guardas pudessem vê-los. Jaina parecia nervosa, mas
também excitada, e obedeceu-lhe. Felizmente, ambos usavam roupas de cor
escura.-Pronta?
Ele perguntou, e ela assentiu. Muito bem. Adiante!Eles desceram o
resto do caminho, deslizando rápida e silenciosamente. Arthas instruiu Jaina
a parar por um momento até que o guarda da torre de vigia olha-se em outra
direção, depois gesticulou para que ela seguisse em frente. Eles correram
certificando-se em todos os momentos que o capuz permaneceu no lugar e
logo depois se encostaram na parede do campo.Os campos não eram
maravilhosos em termos de design, mas eram muito eficientes. Eles eram
feitos de madeira e eram pouco mais que troncos unidos, afiados no alto e
enterrados profundamente na terra. Havia muitas lacunas naquela "parede"
por meio da qual meninos curiosos podiam ver o que havia dentro.

No começo, foi difícil para eles verem algo, até que viram várias silhuetas
enormes. Então Arthas virou a cabeça para ver melhor. Eles eram orcs, não havia
dúvidas sobre isso. Alguns deles estavam deitados no chão, retraídos ou entre
cobertores. Outros vagavam de lá para cá, praticamente sem direção, como
animais enjaulados, embora não se percebesse o desejo quase palpável de
liberdade própria de todos os animais enjaulados. Um pouco mais adiante,
podia-se ver o que parecia ser uma família: um macho, uma fêmea e um filhote.
A fêmea, que era menos corpulenta que o macho, segurava algo muito pequeno
perto do peito; Arthas percebeu que era um bebê."Oh," Jaina sussurrou atrás
dele. Eles parecem tão tristes. Arthas bufou e lembrou-se de que deveriam
permanecer em silêncio.Ele rapidamente olhou para cima para ver o guarda da
torre, mas ele não tinha ouvido nada.-Tristes? Jaina, aquelas feras destruíram a
cidade de Ventobravo. Eles queriam extinguir a raça humana. Eles assassinaram
seu irmão, pelo amor da Luz. Não perca seu tempo com pena deles."Mesmo
assim, nunca imaginei que tivessem filhos", comentou Jaina. Você vê aquela
com um bebê em seus braços?- É claro que eles têm filhos, até ratos têm bebês -
retrucou Arthas. Ele estava com raiva, embora talvez ele devesse ter esperado
essa reação de uma menina de onze anos de idade.Eles parecem bastante
inofensivos. Tem certeza que eles deveriam estar aqui? Depois de dizer isso, ela
virou o rosto, que era um oval branco sob o luar, na direção de Arthas com a
intenção de saber sua opinião. Segurá-los aqui é muito caro. Talvez devessem ser
libertados.
"Jaina", respondeu Arthas, que ainda estava falando em voz baixa, "eles são
assassinos. Embora agora pareçam letárgicos, quem sabe o que poderia
acontecer se eles forem liberados?Jaina soltou um leve suspiro na escuridão e
não respondeu. Arthas fez um gesto de decepção. Já tinha visto o suficiente e o
guarda que patrulhava a área passaria novamente.- Pronta para voltar?Jaina
assentiu, afastou-se da parede e ela correu ao lado dele para retornar ao morro.
Arthas olhou para trás e viu o guarda na torre de vigia se virar. Ele atacou Jaina,
agarrou-a na cintura e empurrou-a para o chão, caindo com todo seu peso sobre
ela.-Não se mova! Ele avisou. Aquele guarda está olhando bem nessa
direção!Apesar da queda repentina que acabara de experimentar, Jaina foi
esperta o suficiente para ficar imóvel imediatamente. Cuidadosamente,
mantendo o rosto escondido nas sombras o máximo possível, Arthas virou a
cabeça para olhar o guarda. Não conseguia ver o rosto a essa distância, mas, por
causa de sua linguagem corporal, podia-se inferir que ele estava muito entediado
e cansado. Depois de um instante que parecia ser eterno e durante o qual Arthas
ouviu a batida de seu coração trovejando em seus ouvidos, o guarda virou-se
para olhar na direção oposta."Desculpe por isso", Arthas disse enquanto ajudava
Jaina alevantar-se-. Está bem?"Sim", respondeu Jaina, sorrindo para ele.Alguns
momentos depois, eles voltaram para o acampamento e foram dormir. Arthas
olhou para cima para ver as estrelas, totalmente satisfeito.Foi um bom dia.
Na manhã seguinte, chegaram a Dalaran. Arthas nunca estivera naquela
cidade, embora ele tivesse ouvido muito sobre ela, é claro. Os magos eram
um grupo fechado e misterioso; e apesar de serem bastante poderosos, eles
geralmente não interferiam nos assuntos do resto do mundo, exceto quando
sua ajuda era necessária. Arthas lembrou-se de quando o mago Hadggar
acompanhou Anduin Lothar e o príncipe, agora rei Varian Wrynn, para
falar com Terenas, para avisá-los da ameaça dos orcs. Sua presença havia
dado credibilidade às afirmações de Anduin sobre a verdadeira gravidade
da ameaça, já que aqueles que o ouviam sabiam que os magos da Kirin Tor
nunca se envolveram em questões políticas, exceto em casos de grave
perigo.
Nem tinham o hábito de seguir o protocolo que governava as relações
políticas e diplomáticas, de modo que não ofereciam sua hospitalidade à
realeza. Apenas Arthas e sua comitiva foram autorizadas a entrar na cidade
porque Jaina iria estudar lá. Dalaran era muito bonita, mais gloriosa até do
que a Cidade Capital. Parecia quase impossível que uma cidade pudesse
ser tão limpa e arrumada, mas era; Era tão impecável quanto qualquer
cidade que alega ter raízes na magia. Havia várias torres magníficas que
pareciam alcançar o céu e cujas bases eram de pedra branca e suas
cúspides de cor violeta com círculos de ouro. Muitas possuíam pedras
radiantes que flutuavam ao redor delas. Outras tinham vitrais que
captavam a luz do sol. Os jardins floresciam e, daquelas fantásticas flores
silvestres, emanava um perfume tão intoxicante que Arthas quase ficou
tonto. Ou talvez tenha sido a constante vibração da magia no ambiente que
causou essa sensação.

Ele se sentia muito vulgar e sujo quando andavam a cavalo naquela cidade,
e ele praticamente desejou que eles não tivessem dormido ao ar livre na
noite anterior. Se eles tivessem passado a noite na Amber Mill, pelo menos
teriam tido a chance de se banhar. Ainda assim, Jaina e ele não teriam tido
a chance de escapar para espionar o campo de prisioneiros.
Ele observou sua companheira de viagem. Seus olhos azuis
estavam abertos como luas deslumbrantes e excitadas, e seus lábios
estavam entreabertos. Jaina se virou para Arthas e seus lábios se
curvaram para sorrir.- Que sorte de poder estudar aqui, hein?"Sim",
respondeu o príncipe, sorrindo para ela.Jaina agia como alguém que
acabara de tomar água depois de passar uma semana no deserto, mas
se sentiu... deslocado. Ficou claro que Arthas não tinha a mesma
afinidade com a magia que ela."Dizem que os estrangeiros
geralmente não são bem vindos aqui", explicou Jaina. Acho uma pena,
porque adoraria te ver de novo.A garota corou, e por um momento
Arthas esqueceu o ar ameaçador que a cidade emitia e ele concordou
totalmente que adoraria ver Lady Jaina Proudmoore novamente, sem
duvida nenhuma.

-De novo gnomo desalmado! Eu vou arrancar essas tranças, é


uuuf!O escudo impactou diretamente no rosto protegido pelo elmo
daquele anão zombeteiro, que tropeçou alguns passos para trás.
Arthas atacou com sua espada, rindo sob o capacete. Então, de
repente, viu-se jogado pelo ar e acabou batendo com as costas no
chão. Seu campo de visão estava inteiramente ocupado por um rosto
com uma longa barba que se agitava sobre ele; mal deu tempo de
levantar a espada para parar o ataque. Ele deu um grunhido, dobrou
as pernas sobre o peito, depois estendeu-as completamente e atacou
Muradin na barriga. Desta vez foi o anão que foi jogado para trás.
Arthas abaixou as pernas com a maior celeridade e levantou-se com
um salto ágil, depois atacou seu instrutor, que ainda estava no chão.
O príncipe deu um golpe no anão após o outro até que Muradin
proferiu algumas palavras que, para ser honesto, Arthas nunca
pensou que ele iria ouvir:-Me rendo!Arthas teve que fazer uma
grande força de vontade para parar o golpe: já tendo inclinado o
corpo para frente e tendo que recuar tão repentinamente, ele perdeu
o equilíbrio e tropeçou. Muradin permaneceu deitado onde estava,
enquanto seu peito caía e subia ritmicamente.Então o medo tomou
conta de Arthas.-Muradin? Muradin!Uma leve risadinha afogou-se
naquela barba desgrenhada cor de bronze.- Muito bem rapaz! Muito
bem! O anão exclamou.Quando ele tentou se sentar, ele encontrou a
mão estendida Arthas, disposto a ajudá-lo a se levantar. Muradin
deu-lhe uma mão extremamente feliz.
-Então, afinal, você prestou atenção quando mostrei meu truque
especial.Arthas sorriu de alívio após o choque e a alegria do elogio.
Algumas das coisas que Muradin lhe ensinara seriam repetidas,
aperfeiçoadas e melhoradas durante todo o seu treinamento como
paladino. Mas outras, bem, não achava que Uther, o Iluminado, sabia
aquela tática que consistia em dar um bom chute no estômago, ou o
truque útil em que uma garrafa de vinho provou ser realmente eficaz.
Houveram técnicas de luta e "técnicas de luta", e Muradin
Barbabronze parecia disposto a fazer Arthas Menethil dominar todos
os aspectos do combate. Arthas já tinha catorze anos e vinha
treinando com Muradin várias vezes por semana, exceto quando o
anão estava ausente por causa de suas atividades diplomáticas. No
início, tudo tinha sido como as duas partes esperavam: ruim. Arthas
terminou as primeiras lições machucado, sangrando e mancando. Por
teimosia, ele se recusou a curar suas feridas e insistiu que a dor era
parte do processo de aprendizagem. Muradin aprovou sua atitude e
mostrou isso pressionando Arthas ainda mais. O príncipe nunca
reclamou, nem mesmo quando ele mais queria, ou quando Muradin o
insultou ou continuou atacando-o mesmo que Arthas estivesse
exausto demais para segurar o escudo.Graças a sua teimosa recusa
em reclamar ou deixar aulas, ele recebeu uma recompensa dupla:
aprendeu e o fez muito bem, e ganhou o respeito de Muradin
Barbabronze.-Ah sim. É claro que prestei atenção, senhor - retrucou
Arthas, sorrindo.
-Bom menino, bom menino.
Muradin repetiu quando ele deu um tapinha no ombro dele. E agora,
chega. Hoje você já levou uma boa surra; você mereceu um merecido
descanso.Seus olhos brilhavam enquanto ele falava e Arthas assentiu
como se quisesse indicar que concordava com ele. Hoje foi Muradin que
levou uma boa surra. Na verdade, ele parecia tão feliz com o que acabara
de acontecer como o próprio Arthas. O príncipe de repente sentiu um
grande sentimento de afeição pelo anão. Embora Muradin fosse um
instrutor muito rigoroso, Arthas gostava muito dele.Ele foi para seus
aposentos assobiando, mas depois, gritos repentinos o deixaram parado
no lugar.
-Não, pai! Não o farei!-Calia, esta conversa deve ter terminado há um
tempo atrás. Você não tem nada a dizer sobre isso.- Papai, não, por
favor!Arthas se aproximou um pouco mais dos aposentos de Calia.
Quando a porta estava entreaberta, prestou uma atenção um pouco
preocupada. Terenas dava tudo a Calia. Que coisa ele estava pedindo para
ela fazer, que faria ela implorar a ele assim e usar o carinho que Arthas e
sua irmã pararam de usar quando se aproximavam da idade adulta?Calia
chorou inconsolável. Arthas não aguentou mais e abriu a porta.-Sinto
muito, não pude deixar de ouvir.
Ultimamente, Terenas parecia se comportar de forma bastante
estranha, e agora ele também parecia estar zangado com sua filha de
dezesseis anos."Isso não é da sua conta, Arthas", rugiu Terenas. Eu
ordenei que Calia cumprisse meus desejos. E ele vai me obedecer. Calia
desabou na cama soluçando. Arthas, estupefato, mudou o olhar de seu pai
para sua irmã, Terenas murmurou algo e saiu de lá feito um basilisco.
Arthas voltou o olhar para Calia e depois seguiu os passos do pai.
—Pai, por favor, diga-me o que aconteceu.
—No me interrogue. Calia é obrigada a obedecer a seu pai, não há mais
o que falar.
Terenas cruzou uma porta que levava à sala de recepção. Arthas se encontrou
com Lorde Daval Prestor, um jovem nobre que Terenas parecia ter grande
estima, e um par de magos de Dalaran que estavam visitando, a quem ele não
conhecia."Volte rapidamente com sua irmã, Arthas, e tente acalmá-la. Eu
falarei com você assim que puder, eu prometo.Depois de dar uma última
olhada nesses três visitantes, Arthas assentiu com um ligeiro aceno de cabeça e
voltou para o quarto de Calia. Embora sua irmã mais velha não tenha se
redirado de lá, o choro diminuiu ligeiramente. Não sabendo o que fazer ou
dizer, Arthas sentou-se na cama ao lado dela; Ele se sentiu sobrecarregado pela
situação. Calia sentou-se com o rosto coberto de lágrimas."Sinto muito que
você tenha visto isso, Arthas, mas talvez seja melhor assim.
-O que nosso pai quer que você faça?
- Ele quer que eu case contra minha vontade. Arthas piscou surpreso.-Calia,
você tem apenas dezesseis anos e nem sequer é "velha o suficiente" para poder
se casar.Sua irmã pegou um lenço e segurou-o nos olhos inchados.- Isso
mesmo eu argumentei com ele. Mas nosso pai respondeu que isso não é um
problema; que iríamos formalizar o noivado e eu me casaria no dia do meu
aniversário com lorde Prestor. Os olhos verdes de Arthas se arregalaram
quando ele ligou os pontos.É por isso que esse cavalheiro estava lá"Bem", ele
conseguiu dizer um tanto apressadamente, "ele está muito bem relacionado e
eu acho que ele é bonito". Todo mundo diz que é. Pelo menos ele não é um
homem velho.-Você não entende, Arthas. Eu não me importo com o quão bom
ele seja ou quão bonito ou gentil ele seja. O que realmente importa é que não
tenho nada a dizer sobre isso. Eu sou como o seu cavalo. Uma coisa, não uma
pessoa. Uma coisa que meu pai vai dar como achar melhor para selar um pacto
político.
—Não... não ama Prestor.
-E se eu o amar? respondeu, seus olhos azuis injetados e estreitos
de raiva. Mas eu mal o conheço! Se você nem sequer se incomodou em
Oh, mas qual é a diferença? Eu sei que é uma prática muito normal entre
realeza e nobreza. Que somos apenas peões. Mas eu nunca imaginei que
nosso pai... Arthas também não. A verdade era que ele nunca havia
pensado muito sobre a possibilidade de que ele ou sua irmã se casassem
algum dia. Ele estava muito mais interessado em treinar com Muradin e
em cavalgar Invencivel, mas Calia estava certa. Era bastante comum entre
a nobreza arranjar casamentos para manter ou melhorar sua posição
social e política.Ele nunca imaginou que seu pai acabaria vendendo sua
filha como...como uma égua reprodutora.-Calia, sinto muito ", disse ele
muito a sério. Você não tem outro pretendente? Talvez você possa
convencer nosso pai de que há um pretendente mais adequado para
você... um que também lhe agrade. Calia sacudiu a cabeça
amargamente.-Isso seria inútil. Você já ouviu-o, Ele não me perguntou,
nem sugeriu que lorde Prestor fosse um bom marido, mas ele ordenou
que eu o fizesse.Sua irmã olhou para ele suplicante."Arthas, quando você
for rei, prometa-me ... prometa-me que você não fará isso com seus
filhos.
Crianças? Arthas não estava pronto para pensar em ter filhos ainda.
Não havia nem mesmo uma... bem, havia "uma", mas ele não tinha
pensado nela...
A Você... a você o pai, não pode mandar se casar com quem ele
quiser. Certifique-se de se importar com aquela garota e que ela se
preocupe com você. Ou que, pelo menos, eles perguntem a você com
quem você quer compartilhar a vida e sua cama.Ela começou a chorar de
novo; Arthas ficou chocado com a revelação que acabara de ouvir. Ela
tinha apenas quatorze anos, mas em quatro curtos anos ela teria idade
suficiente para se casar. De repente ele se lembrou de alguns fragmentos
de conversas que ouvira aqui e ali sobre o futuro da dinastia Menethil. Sua
esposa seria a mãe dos reis. Não só deveria escolhê-la com cuidado, mas
também, como Calia tinha pedido, com seu coração. Era óbvio que seus
pais gostavam muito um do outro. Isso se refletiu em seus sorrisos e
gestos, apesar dos muitos anos em que se casaram. Arthas queria isso
também. Queria uma parceira, uma amiga, uma igual. E se ele não
pudesse encontrar alguém assim?
"Sinto muito, Calia, mas talvez você tenha mais sorte do que pensa.
Pode ser pior ter a liberdade de escolher e saber que você não conseguiu
o que queria.-Eu preferiria passar por algo assim para ser um mero
pedaço de carne, sem dúvida."Cada um tem suas obrigações, suponho",
disse Arthas em voz baixa, sombrio. Você vai se casar com quem o pai
escolher, e eu vou casar com quem devo fazê-lo de acordo com os
interesses do reino.O príncipe se levantou abruptamente. "Sinto muito,
Calia", acrescentou.-Arthas? Onde você está indo?Ele não respondeu, mas
atravessou o palácio correndo em direção aos estábulos e, sem esperar
por um criado, selou Invincivel sozinho. Arthas sabia que fugir era uma
solução temporária, mas ele tinha catorze anos e uma solução temporária
ainda era uma solução para ele.Ele se inclinou sobre a garupa de
Invencivel, que era uma excelente combinação de músculos e elegância e
pelagem branca chicoteava seu rosto quando ele galopava. Arthas sorriu
amplamente. Ele só alcançou felicidade absoluta quando cavalgou
daquele jeito e os dois, montaria e cavaleiro, fundiram-se em um todo
glorioso. Sua paciência fora testada em extremos incomuns, tendo que
esperar tanto tempo para poder montar o animal que ele vira vir ao
mundo. Mas valeu a pena. Eles eram um time perfeito. Invincivel não
queria nada dele, nem pedia nada; ele só parecia querer sair dos confins
dos estábulos da mesma maneira que Arthas desejava escapar dos
deveres da realeza. E foi isso que eles estavam fazendo juntos:
escapar.Eles se aproximaram do lugar onde Arthas gostava de pular. A
leste da capital e perto da fazenda Balnir havia um pequeno grupo de
morros.Invencível acelerou e seus estrondosos cascos castigaram a terra,
enquanto subia o penhasco quase tão depressa como se estivessem em
terreno plano. Ele se passou uma e outra vez por caminhos estreitos,
espalhando pedras com seus cascos, enquanto seu coração e o coração de
Arthas batiam descontroladamente, superados pela emoção. Então Arthas
conduziu o cavalo para a esquerda, em direção a um aterro; foi um atalho
que levou à propriedade de Balnir. Invincivel não hesitou, já que não
duvidara nem da primeira vez que Arthas lhe pedira para pular. Ele tomou
impulso e saltou para a frente e, por um momento glorioso, capaz de
congelar o coração de qualquer um, montaria e cavaleiro voaram. Então
eles pousaram sãos e salvos naquela grama macia e fofa, e retomaram sua
marcha.
Invencivel.

CAPÍTULO
QUATRO
`”`C omo pode ver, Alteza ” , disse o tenente-general Aedelas
Blackmoore,`` nós colocamos o dinheiro dos impostos em bom uso.
Tomamos todos os tipos de precauções para tornar essas instalações mais
seguras. De fato, há tanta segurança que somos capazes até mesmo de
realizar combates de gladiadores. "Isso eu entendi", Arthas respondeu,
caminhando com o comandante dos campos de prisioneiros em uma
ronda de inspeção.Durnholde não era um campo de prisioneiros, mas o
centro nervoso de todos os outros.

Era enorme e transmitia certo sentimento de que, de vez em quando,


uma festa estava sendo realizada. Era um dia frio e claro de outono, e a
brisa fez as bandeiras azuis e brancas que tremulavam sobre o castelo
estalarem energeticamente. Enquanto caminhavam pelas muralhas, o vento
agitava os longos cabelos negros como as penas de um corvo de
Blackmoore e puxava com força o manto de Arthas. "Você verá com seus
próprios olhos", prometeu Blackmoore com um sorriso lisonjeiro para seu
príncipe.
Realizar essa inspeção surpresa fora a ideia de Arthas. Terenas
parabenizou Arthas por sua iniciativa e compaixão. "É a coisa certa, pai",
afirmara Arthas; e ele havia dito isso com convicção, embora a razão que o
levou a fazer essa sugestão fosse satisfazer sua curiosidade: ele queria ver o
mascote orc do tenente-general. Ele acrescentou: "Devemos ter certeza de
que o dinheiro arrecadado realmente acaba nos cofres dos campos e não no
bolso de Blackmoore. E, a propósito, podemos descobrir se ele se importa
com os participantes dos combates de gladiadores; Além disso, nos
certificamos de que ele não siga os passos de seu pai. "
O pai de Blackmoore, General Aedelyn Blackmoore, tinha sido um
traidor infame que foi julgado e condenado por vender segredos de Estado.
Apesar do fato de seus crimes terem ocorrido há muito tempo, quando seu
filho era apenas uma criança, essa mancha na reputação da família havia
perseguido Edeas durante toda a sua carreira militar. Somente graças ao seu
histórico de vitórias no campo de batalha e à ferocidade com que ele lutou
contra os orcs em particular, o atual Blackmoore levantou sua reputação.
Mesmo assim, Arthas pôde detectar que a respiração daquele homem
cheirava a bebida, mesmo em uma hora tão precoce. Suspeitava que se
tratasse de informação que não surpreenderia Terenas, mas, em todo caso,
não se esqueceria de contar a seu pai.
Arthas olhou para baixo, fingindo certo interesse em observar o grande
número de guardas que ficavam estupidamente firmes em seus postos. Ele se
perguntou se eles seriam tão firmes quando seu futuro rei não os estivesse
observando. "Estou ansioso para ver a luta hoje", admitiu Arthas. Terei a
oportunidade de ver seu Thrall em ação? Eu ouvi muito sobre ele.
Blackmoore sorriu e sua barba elegantemente aparada separou-se para
revelar a presença de alguns dentes brancos. - Não era esperado que lutasse
hoje, mas por você, alteza, irei coloca-lo com os rivais de nível mais alto
disponíveis.
Duas horas depois, eles contemplaram o corrego e Arthas compartilhou uma
refeição deliciosa com Blackmoore e um jovem chamado Lorde Karramyn Langston,
que Blackmoore introduziu como seu "protegido". Arthas não gostava de Langston
desde o começo, por puro instinto, tão logo percebeu que suas mãos eram macias e seu
comportamento lânguido. Blackmoore, pelo menos, tinha lutado para conseguir essa
classificação no campo de batalha, enquanto o menino, a quem Arthas chamava assim
embora Langston fosse mais velho do que ele que tinha apenas dezessete anos, tinha
ganhado tudo de bandeja.
Bem, eu também, ele pensou, embora também soubesse que tipo de sacrifícios um
rei deveria fazer. Langston transmitiu a sensação de nunca ter sido privado de nada na
vida. Nem o fez naquele momento, pois usava os melhores pedaços de carne, os doces
mais esplêndidos, e regava tudo com mais de um copo de vinho. Blackmoore, pelo
contrário, comeu com moderação, embora tenha ingerido consideravelmente mais álcool
do que Langston.
A antipatia que sentia por esses dois homens intensificou-se quando uma criada
entrou e Blackmoore a tratou como se pertencesse a ele, tocando-a sem nenhum
decoro. Aquela menina com cabelos loiros e vestido simplesmente, seu rosto não
precisava de artifício para ser bonito, sorriu como se desfruta-se com sua caricia,
mas Arthas pegou um flash de tristeza em seus olhos azuis."O nome dela é Taretha
Foxton", disse Blackmoore, acariciando o braço da menina enquanto ela pegava os
pratos. Ela é a filha do meu servo pessoal, Tammis, a quem você certamente verá
mais tarde.
Arthas mostrou aquela garota seu sorriso mais encantador. Isso o
lembrou um pouco de jaina; pelos cabelos parecendo raios de sol, pela pele
bronzeada. A empregada devolveu o sorriso brevemente e depois desviou o
olhar demoradamente enquanto pegava os pratos. Antes de sair, se curvou
rapidamente."Logo você vai ter uma assim, zagal", disse Blackmoore,
rindo.Arthas levou um momento para entender o que o soldado estava
sugerindo, mas quando o fez, ele piscou surpreso. Aqueles dois homens
riram ainda mais alto e Blackmoore ergueu o copo para fazer um brinde"Para
as loiras", ele ofereceu em uma voz suave. Arthas olhou para Taretha, que já
estava saindo; Pensou em Jaina e depois se obrigou a levantar o copo.
Uma hora depois, Arthas esquecera-se completamente de Taretha
Foxton e do ultraje que sentira por ela ter sido tratada daquela forma. Sua voz
estava rouca de gritos e suas mãos estavam doloridas de aplaudir; estava
fazendo isso como nunca antes.No começo, ele se sentiu um pouco
desconfortável com tudo aquilo. Os primeiros combatentes que tinham saído
para a arena não eram mais do que meros animais que lutaram entre si, que
lutaram até a morte por nenhuma outra razão além do simples prazer dos
espectadores.Como as feras são tratadas antes de fazê-las lutar? Arthas
perguntara. Ele gostava de animais e o incomodava vê-los serem usados
dessa maneira. Langston abriu a boca para começar a falar, mas Blackmoore
o silenciara com um gesto rápido. O tenente-general sorriu quando se
reclinou no sofá e pegou um cacho de uvas."Obviamente, queremos que eles
sejam totalmente capazes de combater", explicou ele. Então, uma vez
capturados, eles são tratados muito bem. Como você pode ver, a luta
acontece muito rapidamente. Se um animal sobreviver e não for capaz de
lutar novamente, nós o matamos imediatamente, por pena.
Arthas esperava que o homem não estivesse mentindo para ele. Ele sentiu o
desagradável sentimento de que Blackmoore o estava engando, mas decidiu
ignorá-la.Essa impressão desapareceu completamente assim que a luta colocou os
homens contra as feras. Enquanto contemplava o espetáculo fascinado,
Blackmoore comentou:Os homens lutam bem. De fato, eles se tornam
relativamente populares.Mas o "relativamente" popular não se aplicava ao orc, já
que era muito famoso. Circunstância que Arthas conheceu e aprovou. Era
exatamente o que ele estava esperando: ter a chance de ver o orc de Blackmoore
em ação, uma fera que o soldado havia adotado e treinado como um gladiador
desde que era um bebê.
E ele não teve nenhuma decepção. Aparentemente, tudo o que havia acontecido
até então era apenas pré-aquecimento para encorajar a multidão. Quando as portas
se abriram com um guincho e uma silhueta verde imponente deu um passo à
frente, todos ficaram gritando. Sem saber como ou por que, Arthas foi um dos que
gritou. Thrall era enorme e dava a impressão de ser muito maior porque,
obviamente, ele era mais saudável e mais alerta do que os outros espécimes que
Arthas havia visto nos campos de concentração. Ele usava uma armadura
minúscula, mas não usava elmo e sua pele verde ficava tensa ao máximo em seus
poderosos músculos.Além disso, ele não era tão encurvado quanto os outros orcs.
Os aplausos eram ensurdecedores. Thrall circulou a areia, levantando os punhos
enquanto levantava o rosto para receber uma chuva de pétalas de rosa que se
reservaram para grandes eventos.- Ensinei-o a fazer isso - assegurou Blackmoore
com orgulho. É estranho mesmo. A torcida o aplaude apesar do que realmente
quer que desta vez ele seja derrotado.-Já perdeu uma luta?
Nunca, alteza. Nem vai. Mesmo assim, as pessoas continuarão a sonhar com sua
derrota e o dinheiro continuará a fluir. Arthas olhou para Blackmoore e
avisou-o:Enquanto os cofres reais continuarem a receber uma porcentagem
adequada de seus lucros, você pode continuar celebrando esses combates,
tenente-general.Ele observou o orc novamente quando terminou sua rodada de
apresentação.- É isso? Está totalmente sob controle, certo?
-"Claro", Blackmoore respondeu imediatamente. Ele foi criado por humanos e
nós o ensinamos a nos temer e respeitar.Então Thrall se virou para o Camarote de
Arthas, Blackmoore e Langston como se tivesse ouvido o comentário, embora
isso não fosse possível por causa dos gritos estridentes da multidão. Então ele
bateu no peito em saudação e curvou-se profundamente.- Você vê? Eu tenho
aquele monstro domesticado - disse Blackmoore com voz suave.Então o
tenente-general se levantou e acenou uma pequena bandeira no ar, e do outro lado
da arena um homem ruivo de constituição muito robusta acenou com outra.E
Thrall se virou na direção da porta enquanto segurava o gigantesco machado de
batalha que seria sua arma naquela luta.
Os guardas levantaram a porta e, antes que ela estivesse totalmente aberta,
um urso do tamanho de Invincivel saiu disparado. Tinha o pelo de seu pescoço
eriçado de tensão e atacou diretamente Thrall como se fosse uma flecha
disparada; Seu grunhido foi ouvido sobre o rugido da multidão. Thrall não
moveu a mão do seu lugar até o último momento. Então ele se afastou e segurou
aquele enorme machado como se não pesasse nada. De uma só vez, ele abriu
uma grande ferida no flanco do urso e o animal berrou enlouquecido pela dor,
contorcendo-se e espalhando sangue por toda parte. Mais uma vez, o orc não se
moveu de seu lugar, mas, em vez disso, inclinou todo o peso de seu corpo sobre
a sola de seus pés descalços, até que decidiu entrar em ação com uma velocidade
que não era adequada ao seu tamanho. Ele encontrou o urso na frente, zombou
dele em uma voz gutural e em perfeito comum; Ele atacou novamente com o
machado, que traçou um arco de cima para baixo. A cabeça do urso estava
praticamente cortada do pescoço, mas o animal continuou a correr por alguns
instantes até desmoronar e apenas muita carne com espasmos. Thrall jogou a
cabeça para trás e soltou um grito de vitória. A multidão ficou louca. Arthas
olhou para ele todos os momentos.O orc não tinha nenhum arranhão e, até onde
Arthas podia ver, ele não estava nem mesmo cansado."Este é apenas o
aperitivo", disse Blackmoore, que sorriu para a reação de Arthas.
-Agora ele será atacado por três humanos e terá uma dificuldade adicional:
ele não poderá matá-los, apenas derrota-los. É mais um combate de estratégia do
que a força bruta; mas devo confessar que sempre que o vejo decapitar um urso
de uma só vez, sinto muito orgulho dele.Os três gladiadores humanos, homens
grandes e muito musculosos, entraram na arena e cumprimentaram o adversário
e o público. Arthas assistiu Thrall examiná-los e se perguntou se ensinar seu
animal de estimação orc a ser um lutador tão bom fora uma decisão inteligente
por parte de Blackmoore. Se Thrall escapasse, ele poderia ensinar a outros orcs
essas técnicas de luta.Era possível que algo assim acontecesse, mesmo que a
segurança tivesse aumentado. Afinal, se Orgrim Martelo da Perdição tinha
escapado de Cidade Baixa, um lugar que estava sob um palácio, Thrall também
poderia escapar de Durnholde.
Aquela visita oficial durou cinco dias. Um dia, quando era noite, Taretha
Foxton apareceu nos aposentos privados do príncipe. Arthas ficou perplexo
com o fato de seus criados não terem respondido à fraca batida na porta e
ele ficou ainda mais chocado quando viu aquela linda menina loira na frente
dele segurando uma bandeja cheia de iguarias. Seus olhos estavam fixos no
chão, mas como seu vestido era bastante "revelador", Arthas ficou sem
palavras. Taretha fez uma reverência.
-Meu senhor Blackmoore me envia para tentá-lo com essas iguarias",
anunciou.O rubor se espalhou por suas bochechas. E a confusão tomou
conta de Arthas.-Eu vou dizer ao seu senhor que eu aprecio, mas não estou
com fome. Além disso, não sei o que ele fez com meus servos.
-"Eles foram convidados para jantar com os outros criados", explicou sem
levantar os olhos do chão.
-Vejo, bem, o tenente-general é muito gentil; Tenho certeza de que meus
servos vão apreciar o gesto, mas Taretha não se moveu do lugar dela. -Você
tem que me dizer outra coisa,Taretha?O rubor em suas bochechas se
intensificou e ela olhou para cima. Seus olhos transmitiram calma e
resignação."Meu senhor Blackmoore me envia para tentá-lo com essas
iguarias", repetiu. Iguarias que você pode desfrutar.Então ele entendeu. Ele
entendeu e ficou envergonhado, e sentiu raiva e colera. Ele teve que fazer
um grande esforço para recuperar a compostura. Na verdade, a situação
embaraçosa em que ele se encontrava não era culpa daquela garota, já que
ela era assediada e humilhada."Taretha", disse ele, "tomarei esta refeição
com muita gratidão, mas não preciso de mais nada.
-"Sua Alteza, receio que meu senhor vai insistir.- Diga a ele que estou mais
do que satisfeito.- Senhor, você não entende. Se eu voltar agora, eu vo...
uArthas olhou para as mãos que seguravam a bandeja e o cabelo que as
cobria. Ele deu um passo à frente, empurrou o cabelo para trás e franziu a
testa para as marcas marrons fracas.azulada nos pulsos e na garganta."Eu
vejo", ele admitiu. Entre então.Assim que a garota entrou, Arthas fechou a
porta e se virou para ela.- Fique aqui pelo tempo que achar necessário;
Então, volte para ele. Nesse meio tempo, vou comer algumas dessas
iguarias, embora duvide muito que só possa fazer tudo. Arthas fez sinal para
que ela se sentasse enquanto se sentava na cadeira à sua frente e sorria para
uma massa sem mais demora. Taretha piscou surpresa. Levou um momento
para entender o que ele estava dizendo, mas assim que entendeu, um gesto
cauteloso de alívio e gratidão passou pelo seu rosto enquanto ela servia o
vinho. Depois de um tempo, a garota começou a responder às perguntas do
príncipe com mais do que uma breve série de palavras educadas. As horas
seguintes foram gastas conversando até que eles concordaram que tinha
chegado a hora de ele retornar ao seu mestre. A empregada, enquanto
pegava a bandeja, virou-se para ele para dizer:"Alteza, estou muito feliz em
saber que o homem que será nosso próximo rei é alguém tão gentil. A
senhora que você escolher para ser sua rainha será uma mulher de muita
sorte. Arthas sorriu e, assim que a garota saiu do quarto, fechou a porta e
depois se inclinou por um momento.A senhora que você escolher para ser
sua rainha, ele repetiu mentalmente. Então ele se lembrou da conversa que
teve com Calia sobre isso. Felizmente para sua irmã, Prestor despertou
certas suspeitas em Terenas e, embora elas não se materializassem em nada
concreto, eram suficientes para o rei pensar melhor. Arthas quase atingira a
maioridade; Agora ela era um ano mais velha que Calia quando seu pai
quase acabara prometendo-a em casamento a Prestor. Pensou que teria que
começar a pensar que, mais cedo ou mais tarde, deveria escolher uma
rainha.No dia seguinte ele saiu daquele lugar; vontade não lhe faltava de
partir.

O frio invernal reinava no meio ambiente. Os últimos dias gloriosos


do outono já haviam passado e as árvores, que em antigamente eram
dominadas portons dourados, vermelhos e alaranjados, agora eram
esqueletos nus contra um céu cinzento. Em poucos meses, Arthas teria
dezenove anos e seria admitido na Ordem da Mão de Prata, o objetivo que
vinha se preparando há algum tempo. Seu treinamento com Muradin
havia terminado meses atrás e ele começou a treinar com Uther. Foi
diferente, mas semelhante ao mesmo tempo. Muradin havia lhe ensinado
a prestar atenção e ter a firme vontade de vencer a batalha, não
importando como. Em contraste, os paladinos tinham um conceito muito
mais ritualístico da batalha e se concentravam mais na atitude com a qual
lutavam do que nas técnicas concretas de manipulação de espadas. Arthas
achava que os dois métodos eram válidos, embora se perguntasse se
algum dia teria a oportunidade de usar o que aprendera em uma batalha
real.
Normalmente, naquela hora do dia ele deveria estar rezando, mas seu
pai saíra para fazer uma visita por razões diplomáticas a Stromgarde e
Uther tinha ido com ele. O que implicava que Arthas tivera algumas
tardes livres até que voltassem, e não estava disposto a desperdiçá-las,
embora o tempo estivesse longe de ser perfeito. Arthas montou
confortavelmente em Invencível, graças à familiaridade que existia entre
eles, apesar de que o avanço do animal não era tão fluido por causa dos
poucos centímetros de neve cobrindo o chão. Ele também podia ver sua
respiração e a de Invencível virando fumaça branca toda vez que o cavalo
virava a cabeça e bufava.
Estava nevando de novo, e desta vez não eram flocos de neve suaves
caindo preguiçosamente, mas pequenos cristais duros que doíam. Arthas
franziu a testa e seguiu em frente. Um pouco depois, ele daria a volta,
disse a si mesmo. Talvez ele até parasse na Fazenda Balnir. Fazia muito
tempo desde a última vez que ele estivera lá; além disso, Jorum e Jarim,
certamente gostariam de conhecer aquele magnífico cavalo em que seu
potro deselegante havia se tornado.Assim que essa idéia lhe ocorreu, ele
não conseguiu conter o impulso de realizá-la. Arthas forçou Invencivel a
mudar de curso pressionando levemente um lado com a perna esquerda.
O cavalo ficou completamente em sintonia com os desejos de seu mestre.
Como a neve estava ficando mais intensa e os flocos de neve agora eram
pequenas agulhas presas onde a pele permanecia ao ar livre, Arthas
cobriu a cabeça com a capa para ter um pouco mais de proteção.
Invincivel balançou a cabeça um pouco nervoso, como quando os insetos
o atacavam no verão. Mesmo assim ele galopou pelo caminho, o pescoço
esticado para frente, aproveitando tanto o esforço quanto Arthas. Logo
eles chegariam ao local do salto, e pouco depois de retornar ao palácio, o
corcel receberia um estábulo acolhedor e seu cavaleiro uma xícara de chá
quente. O rosto de Arthas estava entorpecido por causa do frio e, apesar
de usar boas luvas de couro, as mãos não eram muito melhores. Embora
suas mãos estivessem geladas, ele apertou as rédeas com força, forçando
os dedos a se dobrarem e se preparou para o salto de Invencível; mas
então ele se lembrou que ele não ia pular, mas voar, eles voariam sobre
aquele lugar como...Mas eles não voaram.
No último momento, Arthas teve a terrível sensação de que as patas traseiras do
Invincivel estavam escorregando na pedra congelada; Então o cavalo perdeu o
equilíbrio e relinchou quando suas pernas freneticamente tentaram encontrar uma
segurança no ar. De repente Arthas sentiu a garganta doer e percebeu que estava
gritando quando viu como uma pedra de formato irregular, e não a grama fofa coberta
de neve, se aproximava deles a uma velocidade letal. Ele puxou as rédeas com força,
como se pudesse fazer alguma coisa, como se alguma coisa pudesse ser útil.O barulho
rompeu a névoa de seu estupor. Ele piscou e recuperou a consciência graças ao grito
estremecido de uma fera agonizante que o inquietava. No começo, ele tentou se
aproximar da fonte daqueles terríveis gritos, mas foi incapaz de se mexer enquanto seu
corpo sofria espasmos involuntários. No final, ele conseguiu se sentar até estar
sentado. A dor percorreu todo o corpo dele de cima a baixo, então ele adicionou seus
próprios gritos de agonia afogados àquela cacofonia assustadora; Naquele momento,
ele percebeu que provavelmente havia quebrado uma costela, ou talvez mais.A neve
estava caindo mais do que antes. Ele mal conseguia ver o que estava a um metro dele.
Ele gritou de dor e esticou o pescoço para tentar achar...Invincivel. Um movimento
chamou a atenção de Arthas e então ele viu uma poça escarlate cada vez mais larga
que derreteu a neve e soltou fumaça em contraste com o frio."Não", Arthas sussurrou,
e se levantou da melhor maneira que pôde. O mundo parecia desaparecer das margens
de seu campo de visão e ele estava prestes a perder a consciência novamente, mas
graças a sua vontade inabalável ele conseguiu resistir. Lutando contra a dor, o vento
açoitado e a neve que ameaçava derrubá-lo, ele caminhou lentamente até o animal
assustado, Invincivel agitou a neve ensanguentada com suas duas poderosas pernas
traseiras ilesas e suas duas patas dianteiras quebradas. Arthas sentiu o estômago revirar
quando viu a condição dos membros de seu cavalo, que anteriormente era tão longas e
imaculadas e poderosas, e agora adotava posturas muito estranhas. Invincivel tentou
se levantar, falhando de novo e de novo.
Então, a neve e o manancial de lágrimas quentes que escorriam por suas bochechas,
difundidas compassivamente, em um cenário dantesco.Ele lutou na direção de seu
cavalo, soluçando, e se ajoelhou ao lado do animal enlouquecido para tentar o quê?
Não foi um mero arranhão. Se fosse esse o caso, bastaria colocar um curativo
imediatamente e levá-lo para um estábulo quente onde ele pudesse saborear um bom
punhado de farelo. Arthas aproximou-se da cabeça do animal, pois queria tocá-lo e
acalmá-lo de alguma forma, mas a agonia estava deixando Invincivel louco. E Arthas
não parou de gritar.

Socorro. Os sacerdotes e sir Uther...talvez possam cura-lo, pensou.


Uma dor muito maior do que a que ele sentia fisicamente apoderou-se
do jovem.O bispo havia saído com o pai para Stromgarde, assim como
Uther. Talvez pudesse encontrar outro padre em alguma aldeia, mas Arthas
não sabia onde procurar e com aquela tempestade...
Ele se afastou do animal, tapou as orelhas e fechou os olhos, chorando,
fazendo com que todo o corpo estremecesse. Por causa da tempestade, nunca
encontraria um curandeiro antes que Invincivel morresse de feridas ou
congelado. Arthas nem tinha certeza se seria capaz de encontrar o Fazenda
Balnir, embora não pudesse estar longe. O mundo era um cobertor branco
em todos os lugares, exceto onde estava o cavalo moribundo, que confiara
nele tanto que ousara saltar sobre um aterro gelado e agora estava mexendo
com as patas em uma poça carmesim fumegante. Arthas sabia o que deveria
fazer, mas não conseguiu fazer-lo.
Ele não estava ciente de quanto tempo ficou ali sentado, chorando,
tentando não ver ou ouvir seu amado cavalo morrendo, até que finalmente os
espasmos mortais de Invincivel foram espaçados. O animal jazia na neve,
com seus lombos subindo e descendo exageradamente porque era difícil
respirar, e seus olhos estavam vazios por causa do sofrimento. Arthas não
conseguia sentir as extremidades ou o rosto, mas, de algum modo conseguiu
se aproximar daquela fera. Cada sopro de ar era uma tortura para ele e assim
acolheu a dor. Tudo isso era culpa dele. Sua. Então ele colocou a enorme
cabeça do cavalo em seu colo e por um breve e misericordioso momento não
estava mais na neve com um animal ferido, mas em um celeiro com uma égua
reprodutora prestes a dar à luz. Nesse momento, tudo estava começando e não
chegando a esse final chocante, nauseante e evitável.Suas lágrimas caíram na
bochecha larga do cavalo. Invencível tremeu, com grandes olhos castanhos
tingidos de uma dor agora silenciosa. Arthas tirou as luvas e acariciou a mão
dele com um nariz cinza-rosa, sentindo o calor da respiração de Invincivel
nela. Então, pouco a pouco, ele levantou a cabeça do colo, levantou-se e com
a mão que aqueceu pegou a espada. Seus pés afundaram na poça vermelha de
neve derretida enquanto ele permanecia ereto ao lado do animal
caído.-Desculpe,-se desculpou. -- Sinto muito. Invincivel observou-o com
calma, confiantemente, como se, de certo modo, ele soubesse o que iria
acontecer e achasse necessário. Isso foi mais do que Arthas podia aguentar, e
por um momento as lágrimas nublaram seus olhos e ele piscou para se livrar
delas. Arthas ergueu a espada e deu um golpe.Pelo menos, ele tinha feito bem;
Ele cruzou o enorme coração Invincivel de uma só vez, apesar de sentir os
braços congelados. Ele sentiu a espada rasgar pele e carne, roçar o osso e
chegar sob o cavalo, Invincivel arqueou uma vez, depois estremeceu e depois
permaneceu imóvel.
Jorum e Jarim encontraram o príncipe um pouco depois, quando a
nevasca diminuiu. Estava encolhido e se agarrando ao cadáver cada vez
mais frio daquele animal que até recentemente tinha sido esplêndido,
cheio de vida e energia. Quando o mais velho dos dois homens se abaixou
para buscá-lo, Arthas gritou de dor."Desculpe garoto," Jorum disse, sua
voz quase insuportavelmente gentil. Me desculpe, eu te machuquei e
sinto muito pelo acidente."Sim", disse Arthas com uma voz fina, "o
acidente. ele caiu...-Com esse tempo não me surpreende. A tempestade
surpreendeu a todos nós. Você tem sorte de permanecer vivo. Nós vamos
levá-lo para nossa casa e mandar alguém para o palácio para que ele saiba
o que aconteceu.Quando se levantou com a ajuda dos braços fortes do
fazendeiro,Arthas fez um apelo:- enterre-o aqui. Para eu pode vir
visitá-lo. Balnir trocou um olhar com o filho e assentiu.-Sim, claro. Foi
um corcel muito nobre.Arthas esticou o pescoço para olhar o corpo do
cavalo que ele chamara de Invencível. Ele não pensou em desmentir o
erro de que isso tivesse sido um acidente, porque ele era incapaz de dizer
a alguém o que ele tinha feito.Naquele exato momento, ali mesmo, ele
jurou que, se um dia alguém precisasse de proteção, ele providenciaria;
Se houvesse algum sacrifício pelo bem-estar dos outros, o faria.
Custe o que custar, pensou.

CAPÍTULO
CINCO

O Verão estava no seu máximo esplendor , e o sol caía impiedosamente


sobre sua alteza real o Príncipe Arthas Menethil enquanto ele cavalgava pelas
ruas de Ventobravo. Ele estava de muito mau humor, apesar de supostamente
ter esperado a chegada deste dia a vida toda. Sua armadura de corpo inteiro
brilhava nos raios do sol e Arthas pensou que iria assar até a morte antes de
chegar à catedral. Montar em uma nova montaria só conseguiu lembrá-lo de que
o cavalo, apesar de ser forte, bem treinado e com bom pedigree, não era
invencível. Seu cavalo havia morrido apenas alguns meses atrás e Arthas ficou
amargamente desapontado. De repente, ele percebeu que tinha ficado em branco
sobre o que deveria fazer assim que a cerimônia começasse.Ao lado dele,
montou seu pai, que parecia alheio ao incomodo de seu filho."Demorou muito
tempo para chegar aqui, meu filho", disse Terenas quando se virou para sorrir
para Arthas, apesar do fato de que o capacete o incomodava muito, Arthas
estava feliz em usá-lo, já que escondia seu rosto e não tinha certeza se naqueles
momentos ele seria capaz de fingir um sorriso convincente."Isso mesmo, pai",
respondeu o príncipe, mantendo um tom de voz calmo em todos os momentos.
Esta foi uma das maiores celebrações que Ventobravo já tinha visto.
Além de Terenas, muitos outros reis, nobres e celebridades tinha vindo
para o evento, formando uma espécie de desfile a cavalo que andava pelas
ruas de paralelepípedos de pedras brancas da gigante Catedral da Luz; uma
catedral que havia sido seriamente danificada na Primeira Guerra, mas que
depois de sua restauração estava ainda mais esplêndida do que antes.
Varian, amigo de infância de Arthas e rei de Ventobravo, casara e já
tinha um filho. Ele havia aberto as portas do palácio para todos os
monarcas que participaram do evento, bem como seus séquitos. Para
Arthas, tendo estado com Varian na noite anterior, bebendo hidromel e
conversando, foi o ponto alto daquela viagem até agora. Ele tinha visto
como o jovem traumatizado e ferido de uma década atrás se tornou um rei
confiante, bonito e equilibrado. Em algum momento da manhã, entre
meia-noite e madrugada, eles tinham ido para a casa das armas, tinham
pego espadas de treinamento de madeira e tinham lutado por um longo
tempo, enquanto riram lembrado histórias antigas com sua habilidade um
pouco diminuídas pelo álcool que eles haviam consumido. Varian tinha
sido treinado para o combate desde que era criança e sempre foi muito
bom, mas agora era melhor. Mas Arthas também melhorou muito e foi um
adversário valoroso.
Agora, no entanto, tudo se resumia a cumprir as formalidades apropriadas,
enfiado em uma armadura que estava queimando enquanto ele sentia que não
merecia a honra que eles lhe concederiam.Em um raro momento de fraqueza,
Arthas contou a Uther como se sentia. Aquele paladino intimidador, que desde
que Arthas lembrava era a própria encarnação da firmeza inabalável da Luz,
surpreendeu o príncipe com sua resposta:- Menino, ninguém se sente preparado.
Ninguém acha que merece. E você sabe porque? Porque ninguém merece isso.
A Luz é pura e simples graça divina. Nós somos indignos dela por natureza, só
porque somos humanos e todos os seres humanos, incluindo elfos, anões e
outras raças, são imperfeitos. Mas a Luz nos ama de qualquer maneira. Ela nos
ama porque às vezes, raramente, podemos alcançar a grandeza. Ela nos ama
pelo que podemos fazer para ajudar os outros.Ela nos ama porque podemos
contribuir para transmitir sua mensagem se lutarmos todos os dias para sermos
dignos disso, embora saibamos que nunca podemos realmente ser.Ele deu um
tapinha no ombro de Arthas, esboçou um simples sorriso,algo incomum nele, e
acrescentou:-Então quando você estiver diante daquele altar como eu estive em
meu dia e pensar que você não merece isso ou que você nunca será digno da
Luz, você deve estar ciente de que você estará sentindo a mesma coisa que todo
paladino sentiu naquele momento.Isso confortou Arthas um pouco.

Depois de lembrar sua conversa com Uther, ele endireitou os ombros, jogou a
viseira do capacete para trás e sorriu para a multidão aplaudindo alegremente
naquele dia quente de verão. Pétalas de rosa foram jogadas nele e de algum
lugar as trombetas trovejaram. Eles chegaram à entrada da catedral. Arthas
desmontou e um criado pegou sua montaria. Então outro empregado se
aproximou dele para pegar o capacete que havia removido. Seu cabelo loiro
estava encharcado de suor e ele passou a mão enluvada rapidamente. Arthas
nunca esteve em Ventobravo e ficou surpreso com a conjunção de serenidade e
poder que irradiava da catedral. Lentamente, ele subiu a escada acarpetada e
ficou grato pela frieza do interior pedregoso do templo. A fragrância do incenso
acalmou-o desde que era familiar; Era o mesmo que costumavam usar na
pequena capela familiar.Não havia mais uma multidão barulhenta, apenas filas
silenciosas e respeitosas compostas de figuras proeminentes e clérigos. Arthas
reconheceu vários rostos: Genn Greymane, Thoras Terrier, almirante Daelin
Proudmore...
De repente, Arthas piscou surpreso e seus lábios se curvaram para sorrir. Jaina!
Certamente havia mudado muito durante todos os anos que se passaram desde
a última vez que a vira. Embora não fosse uma beleza impressionante, era muito
bonita; e a vivacidade e a inteligência que tanto o haviam atraído quando criança
ainda a faziam brilhar e se destacar como a luz de um farol à noite. Seu olhar se
encontrou com o de Arthas e ele sorriu de volta para ela enquanto abaixava a
cabeça em respeito.Imediatamente, a atenção de Arthas se concentrou no altar que
ele se aproximou e sentiu a sua inquietação diminuir um pouco. Esperava ter a
oportunidade de conversar com ela depois que todas as formalidades tivessem sido
cumpridas.
O arcebispo Alonsus Faol o aguardava no altar. Ele parecia mais Grande Pai
Inverno mais do que qualquer outro dos governantes que ele conhecia até hoje. Ele
era baixo e corpulento, tinha uma longa barba branca como a neve, tinha uma
aparência muito viva e, mesmo no meio daquela solene cerimônia, Faol irradiava
bondade e ternura. O arcebispo esperou até Arthas se aproximar para ajoelhar-se
respeitosamente antes de abrir um enorme livro e começar a falar.
-Nos reunimos sob a proteção da Luz para nomear nosso irmão como
um cavaleiro. Através de sua graça, ele renascerá. Através de seu poder,
ele instruirá as massas. Através de sua força, ele lutará com a sombra. E
através de sua sabedoria, ele guiará seus irmãos para a eterna
recompensa do paraíso. Arthas notou que à sua esquerda havia um grupo
de vários homens e algumas mulheres, vestidos com vestes brancas soltas,
que permaneciam imóveis e expectantes. Alguns seguravam incensários
cujas chamas balançavam quase hipnoticamente. Outros carregavam
enormes velas. E o último estava segurando uma estola azul bordada.
Arthas já havia sido apresentado à maioria deles antes, mas não conseguia
lembrar seus nomes. Isso não era muito comum nele, já que realmente se
importava com as pessoas que trabalhavam para ele e o serviam. Ele
sempre costumava fazer um esforço para lembrar seus nomes.O arcebispo
Faol pediu aos clérigos que abençoassem Arthas e eles obedeceram. O
que levava a estola azul aproximou-se do príncipe para colocá-la em
volta do seu pescoço e ungiu a testa com um óleo sagrado.- Que pela
graça da Luz você possa curar seus irmãos - abençoou o clérigo. Faol se
virou para os homens à direita de Arthas.- Cavaleiros da Mão de Prata,
abençoe meste homem se vocês o considerarem digno disso.
Ao contrário do que aconteceu com o primeiro grupo, Arthas conhecia
todos esses cavalheiros que estavam em posição de sentido, vestidos com
armaduras pesadas e reluzentes. Eles eram os paladinos originais da Mão de
Prata e foi a primeira vez que se encontraram desde a fundação da Ordem,
muitos anos atrás. Havia Uther, claro; e também Vadín, o atual governador de
Vega de Amparo, que ainda era tão poderoso e elegante quanto sempre, apesar
do envelhecimento; Saidan Dathrohan e seus impressionantes quase dois a
metros de altura, e o piedoso e peludo Gavinrad. No entanto, havia uma notável
ausência em suas fileiras: Turalyon, a mão direita de Anduin Lothar na
Segunda Guerra, que fizera parte da companhia que desaparecera para sempre
depois de atravessar o Portal Negro quando Arthas tinha doze anos de idade.
Gavinrad deu um passo à frente segurando em suas mãos um enorme
martelo que parecia muito pesado. Na cabeça haviam sido gravadas runas
e o cabo robusto estava envolto em couro azul. Ele colocou o martelo na
frente de Arthas e depois voltou para seus irmãos. Foi Uther, o Iluminado,
o mentor de Arthas na ordem, o próximo a se aproximar dele. Ele tinha
nas mãos um par de ombreiras metálicas cerimoniais, embora Uther fosse
o homem que melhor controlava suas emoções de todos o que Arthas
conhecera, enquanto colocava as ombreiras nos ombros largos de Arthas,
ele podia ver que seus olhos brilhavam por causa das lágrimas que ele
estava tentando conter. Então, Uther falou com uma voz poderosa, mas
trêmula de emoção.
—Que teus inimigos pereçam pela força da Luz.
Su mano reposó un instante en el hombro de Arthas y acto seguido se
retiró.
El arzobispo Faol sonrió al príncipe amablemente. Arthas le miró a los
ojos con tranquilidad, pues ya no se sentía inquieto. Al fin recordaba todo lo
que debía hacer en la ceremonia.
—Põe-se de pé e ocupa teu lugar entre seus iguais - lhe ordenou Faol.
E Arthas lhe obedeceu.
—Arthas Menethil, jura defender a honra e o código da Ordem da
Mão de Prata?

Arthas parpadeó vacilou frente a falta de menção a seu título nobiliario.


Logico, pensou, me nomeiam cavaleiro como homem, não como príncipe.
— Juro.
—Juras que caminhara sob a graça da Luz e estenderá sua sabedoria entre
teus irmãos?
—Juro.
—Juras que derrotará o mal aonde quer que o encontre e protegerás os
inocentes com sua vida?
—Sim... e por meu sangue e honra, eu juro.
Por pouco quase errara.

Faol imediatamente piscou para ele para dispensar sua hesitação e então se virou
para falar com os clérigos e os paladinos.- Irmãos e irmãs, que se reuniram aqui
para serem testemunhas deste ato, levantem suas mãos e deixem a Luz iluminar
este homem.Todos os clérigos e paladinos levantaram suas mãos direitas, todas
banhadas em uma luz dourada suave. Eles apontaram para Arthas e dirigiram o
olhar para ele. Arthas arregalou os olhos, maravilhou-se e esperou que aquele
brilho glorioso o envolvesse.Mas nada aconteceu.
Esse momento parecia ser eterno.O suor começou a cobrir a testa de Arthas. O
que estava acontecendo? Por que a Luz não o cercou para abençoá-lo?Então os
raios do sol, entrando pelas janelas do telhado, aproximaram-se pouco a pouco
ao príncipe que estava de pé diante do altar, vestido com sua armadura brilhante;
Finalmente, Arthas suspirou de alívio. Ele supôs que era o momento em que
Uther falara com ele naquela conversa. Como ele não se sentia digno de receber
a Luz, um sentimento que, segundo Uther, era muito comum entre os paladinos;
esse momento se tornou eterno. Nesse momento, lembrou-se das palavras que
Uther lhe dissera:
«Ninguem se sente preparado...A Luz é pura e simple graça divina... porem nos
ama a todos».
Agora a Luz o iluminava, fluía dentro dele e através dele; e se viu
obrigado a fechar os olhos para proteger-se daquela luminosidade quase
cegante. No principio sentiu calor e logo acreditou que se queimava, não
pode evitar esboçar uma leve careta de dor. Se sentia... examinado muito a
fundo, como se o esvaviassem, o limpaçem e o enchessem. Em seguida sentiu
como a Luz se expandía em seu interior e depois minguava até um nivel
toleravel . Ele piscou e fez um gesto para pegar o martelo, o símbolo da ordem. Mas
quando sua mão já estava fechada no cabo, ele parou e olhou para o arcebispo Faol,
cujo sorriso benigno se ampliou ao dizer:
—Levante-se, Arthas Menethil, paladino e defensor de
Lordaeron. Bem vindo a Ordem da Mão de Prata.
Arthas não pôde deixar de sorrir abertamente ao agarrar aquele
enorme martelo. Era tão colossal que, por um breve momento, pensou
que talvez não fosse capaz de levantá-lo, mas finalmente conseguiu e
celebrou-o com um grito de alegria. Então ele percebeu que a Luz estava
fazendo com que o martelo parecesse mais leve em suas
mãos.Imediatamente, a catedral foi preenchida com aplausos e urros que
surgiram em resposta a esse grito exultante. Os novos irmãos e irmãs de
Arthas o abraçaram, e assim que seu pai, Varian e os outros invadiram o
altar, a formalidade que havia presidido até então desmoronou. Houve
muita risada quando o rei de Ventobravo tentou dar-lhe um tapinha no
ombro e machucou a mão ao bater no metal duro das ombreiras
cerimoniais. Então, sem realmente saber como, Arthas se virou e seu
olhar encontrou o sorridente rosto de olhos azuis de Lady Jaina
Proudmoore. Uma distância de apenas alguns centímetros os separava,
enquanto a multidão, que girava em volta do novo membro da Ordem da
Mão de Prata, o empurrava e puxava. Além disso, Arthas não estava
disposto a desperdiçar, talvez, a única oportunidade que ele teria para
conversar com ela. Quase imediatamente, colocou o braço esquerdo ao
redor da cintura fina da dama e puxou-a para ele. Jaina ficou surpresa,
mas Arthas não teve a impressão de que ela havia se irritado. Jaina
devolveu o abraço e riu contra seu peito por um momento, depois do que
ela saiu sorrindo ainda.
Por um momento, o tumulto da comemoração daquela tarde quente de
verão desapareceu e a única coisa que Arthas viu foi aquela garota bronzeada
pelo sol sorrindo. Seria certo beijá-la? Deveria beijá-la? A verdade é que
queria fazer isso. Mas quando ele decidiu, Jaina se libertou de seu abraço e
caminhou alguns passos para longe. No mesmo momento, a menina de
cabelos loiros foi substituída por outra garota com a mesma cor de cabelo.
Calia riu e abraçou seu irmão.- Estamos tão orgulhosos de você, Arthas! Ela
exclamou.O príncipe sorriu e devolveu o abraço; Ele estava feliz pelos
parabéns de sua irmã e ao mesmo tempo arrependido por não ter ousado
beijar a filha do almirante.
—Será um magnifico paladíno, estou certa —falou a princesa.
—Muito bem, meu filho - lhe congratulou Terenas—. Hoje sou um pai
muito orgulhoso.
Arthas estreitou os olhos. Hoje? O que ele quis dizer com isso? Não era seu
pai orgulhoso dele o resto dos dias? De repente ele ficou furioso sem ter certeza
do porquê ou com quem. Talvez ele estivesse zangado com a Luz por atrasar sua
aprovação; ou com Jaina por se afastar dele quando ele poderia tê-la beijado; ou
com Terenas, por fazer esse comentário. Ele sorriu um sorriso de puro
compromisso e abriu caminho através da multidão. Ele já tinha suportado todas
aquelas pessoas. Muito poucos dos convidados realmente o conheciam e, o que
era pior, nenhum deles o entendia. Arthas tinha dezenove anos. Naquela mesma
idade, Varian tinha sido rei por um ano. Ele sentiu que na sua idade ele deveria ser
capaz de fazer o que quisesse; Além disso, ele agora tinha a bênção da Mão de
Prata para guiá-lo. Ele não queria ficar de braços cruzados no palácio de
Lordaeron, nem aguentar visitas de estado chatas. Ele queria fazer algo...
divertido. Algo que seu poder, sua posição e suas habilidades lhe permitiram
realizar. E ele sabia exatamente qual algo era.

SEGUNDA
PARTE
A DAMA DA LUZ

INTERLUDIO

E ra o tipo de día que Jaina Proudmore odiava: pesado, tempestuoso e muito


frio. A pesar de que em Theramore sempre fazia frío por culpa da brisa do
mar, inclusive nos meses mais quentes do verão, aquele vento frío e a chuva
constante que atingia a cidade e era sentido até em seus ossos. O oceano
estava descontente e o céu acima dele era cinzento e ameaçador. Além disso, o dia
não parecia que ia se levantar. Ao longe, os campos de treinamento estavam
enlameados, os viajantes procuravam abrigo nas estalagens e o dr. Van Hozen
teria que examinar cuidadosamente os pacientes sob seu poder, a fim de detectar
qualquer sintoma de doença que o frio súbito e a umidade pudessem causar. Os
guardas de Jaina ficaram firmes na chuva torrencial sem reclamar. Sem dúvida,
eles sentiram os homens mais infelizes do mundo naquela época. Jaina ordenou a
um de seus servos que levasse o chá que ela acabara de preparar para ela e sua
tutora, para os guardas leais que cumpriam seu dever sem piscar. Ela poderia
esperar até que eles preparassem mais.
Então um trovão rugiu e um raio relampejou no céu. Jaina, que se reunira
naquela torre onde estava cercada pelos livros e papéis que tanto amava,
estremeceu e se envolveu ainda mais em seu manto; então se virou para
alguém que, sem dúvida, se sentia muito mais desconfortável do que ela.
Magna Aegwynn, a antiga Guardiã de Tirisfal, mãe do grande mago
Medivh, e que outrora fora a mulher mais poderosa do mundo; Ela estava
sentada em uma cadeira perto do fogo, tomando uma xícara de chá. Suas
mãos retorcidas se agarraram a xicara, procurando por seu calor; e seus
longos cabelos esvoaçantes, brancos como a neve recém-caída,
repousavam sobre seus ombros. Ela olhou para cima quando Jaina se
aproximou e observou a jovem sentada na cadeira à sua frente. Nada
poderia se esconder daqueles olhos verdes esmeralda, profundos e sábios
que não negligenciavam nenhum detalhe.
-Você está pensando nele. Jaina franziu a testa e olhou para o fogo com
cuidado, procurando uma distração naquelas chamas dançantes. -Eu não
sabia que entre suas habilidades como Guardiã estava incluída a
capacidade de ler mentes. Ler mentes? Buf. É o seu semblante e seu porte
que eu posso ler como um livro, garota. Essa ruga na testa aparece
quando é ele quem ocupa seus pensamentos. Além disso, sempre
acontece a mesma coisa quando o tempo muda. Jaina estremeceu. - Eu
sou realmente tão transparente? As feições marcadas de Aegwynn
relaxaram enquanto ela acariciava a mão de Jaina. Bem, eu tenho
aperfeiçoado a arte de observação. Então, sou muito melhor em deduzir o
que as pessoas pensam do que a maioria. Jaina soltou um suspiro. -É
certo. Quando está tão frio penso nele. Eu penso sobre o que aconteceu.
Em se eu pudesse ter feito alguma coisa. Agora foi Aegwynn quem
suspirou.
-Eu acredito que em mil anos eu nunca me apaixonei realmente, já que
minha atenção esteve concentrada em muitas outras preocupações. Mas se
isso é algum consolo, devo admitir que também pensei nisso.Jaina piscou
surpresa e um pouco desconfortável com aquele comentário.- Você já
pensou em Arthas?A velha Guardiã fixou seu olhar penetrante nela.- Não, no
Rei Lich. Lembre-se que não é mais Arthas."Você não precisa me lembrar",
Jaina repreendeu de uma maneira um pouco abrupta. Por quê?
- Você não percebe isso?
Lentamente, Jaina assentiu. Ela tentara culpar seu mau humor pelo mau
tempo e pelas tensões que sempre atingiam seu apogeu quando estava tão
úmido e o tempo era tão desagradável. Mas Aegwynn acabara de sugerir
que havia outra coisa e Jaina Proudmore, de trinta anos, governante da ilha
de Theramore, sabia que a velha tinha razão. Velha mulher, ela pensou, e
um sorriso fugaz piscou em seus lábios quando essas palavras cruzaram sua
mente. Ela havia deixado sua juventude para trás; uma juventude em que
Arthas Menethil teve um papel muito importante. “Conte-me sobre ele",
implorou Aegwynn enquanto se acomodava no quarto.
Naquele momento, um dos criados apareceu com chá quente e biscoitos
recém-saídos do forno. Jaina aceitou aquela xícara de chá com grande prazer.
- Eu já te disse tudo o que sei. “Não", disse Aegwynn. Você me contou os
eventos que aconteceram, mas eu quero que você me fale sobre ele. De Arthas
Menethil. Porque embora eu não saiba o que está acontecendo lá em cima, eu sei
com certeza que algo está acontecendo relacionado à Arthas e não ao Rei Lich.
Pelo menos, ainda não. Além disso... A velha sorriu abertamente e o brilho jovial
de seus olhos de esmeralda eclipsou as rugas que cruzaram seu rosto quando
acrescentou:- É um dia frio e chuvoso. Histórias foram inventadas para serem
contadas em dias como esses.

CAPÍTULO
SEIS

J aina Proudmoore cantarolava enquanto passeava pelos jardins de


Dalaran. Ela estava na cidade há oito anos, mas a metrópole nunca deixou de
surpreendê-la. Tudo naquela cidade exalava magia; para ela, era quase como
um perfume, uma fragrância que inalou com um sorriso.Naturalmente, parte
daquela "fragrância" realmente vinha das flores dos jardins daquele lugar,
tão saturadas de magia quanto qualquer outro canto da cidade. Nunca tinha
visto flores e cores mais saudáveis tão intensas e variadas, nem comido
frutas e vegetais mais deliciosos do que aqueles que ali cresciam. E quanto
aprendeu! Jaina tinha a sensação de que ela tinha adquirido mais
conhecimento nos últimos oito anos de sua vida e muito do que a sabedoria
havia adquirido nos últimos dois anos, desde que o Arquimago Antonidas
tinha formalmente feito-a sua aprendiz. Poucas coisas ela gostava mais do
que ficar deita sob o sol acompanhado por um copo de néctar fresco e uma
pilha de livros. Embora, como alguns dos pergaminhos mais valiosos que
ele usava deveriam ser protegidos da luz solar e néctar que poderia derramar
também gostava de ficar a estudar em um dos muitos quartos que existiam
lá, o uso de luvas para evitar que suas mãos prejudicassem o papel frágil e,
assim, ser capaz de examinar cuidadosamente os textos que poderiam ser
inconcebivelmente antigos.No entanto, naquela época só queria passear por
esses jardins, sentir o pulso da vida sob seus pés e apreciar os incríveis
aromas. Da mesma forma, ela sabia que quando a fome a atingisse, ela
poderia arrancar uma maçã madura de casca de ouro aquecida pelo sol,
enchendo-se de prazer
-."Em Quel'Thalas", disse ele em uma voz suave e cultivada, "há árvores
muito mais altas que estas que compõem um conjunto glorioso de casca
branca e folhas douradas e cantam sob a brisa da noite. Eu acho que você
deveria um dia testemunhar esse show maravilhoso.Jaina se virou para
oferecer ao príncipe Kael'thas Andarilho do Sol, filho de Anasterian, o rei
dos elfos quel'dorei, um sorriso e uma profunda reverência."Sua Alteza",
cumprimentou, "Eu não sabia que você tinha retornado. É um grande prazer.
E sim, tenho certeza que adoraria ver esse show maravilhoso ... algum
dia.Jaina era filha de um governante que não pertencia à realeza, mas à
nobreza. No entanto, como seu pai, almirante Daelin Proudmoore,
governava a cidade-estado de Kul Tiras, Jaina estava acostumada a interagir
com a realeza. Mesmo assim, o príncipe Kael'thas a deixava nervosa. Não
sabia porque. Ele era bonito, certamente, possuía aquela elegância e beleza
dos elfos: ele era alto e os cabelos, que pareciam feitos de ouro tecido,
estendiam-se até o meio das costas. Jaina sempre tinha a impressão de que
ele era um ser de lenda em vez de uma pessoa real. Mesmo que agora ele
estivesse usando apenas a túnica violeta e dourada simples usada por todos
os magos de Dalaran, e não as vestes suntuosas que ele usava em atos
oficiais; ele nunca pareceu perder sua rigidez característica por completo.
Talvez fosse precisamente isso, que seu comportamento fosse governado
por formalidades um pouco desatualizadas. Além disso, ele era muito mais
velho que ela, embora por sua aparência parecesse ter sua idade. Ele era
tremendamente inteligente e um mago de enorme talento e poder; Entre os
estudantes, havia rumores de que seria um dos Seis, o círculo secreto do qual
os mais poderosos magos de Dalaran faziam parte. Por todas essas razões,
Jaina concluiu que ela não deveria se sentir como uma ignorante de cidade
pequena por achá-lo tão intimidante.

Kael'thas arrancou uma maçã e deu uma mordida.- Há uma certa autenticidade
na comida das terras humanas que eu passei a apreciar muito - ele afirmou
enquanto sorria como se escondesse alguma coisa -. Às vezes, a comida dos
elfos, embora seja indubitavelmente deliciosa e muitas vezes apresentada de
maneira muito atraente, deixa alguém querendo experimentar algo mais
substancial.Jaina sorriu. Embora o Príncipe Kael'thas sempre tentasse fazê-la se
sentir confortável em sua presença, ele sempre falhava na tentativa."Poucas
coisas são mais saborosas do que uma maçã e uma fatia de queijo de Dalaran",
disse Jaina.Um silêncio prevaleceu entre eles, desconfortável apesar da
atmosfera informal do lugar e do calor do sol.-Eu suponho que você vai ficar
aqui por um tempo, certo?Sim Como o assunto que me levou a Luaprata
resolvido por enquanto, não precisarei sair em breve.O príncipe a observou
enquanto dava outra mordida na maçã. Jaina sabia que Kael'thas dominava
perfeitamente a arte de manter o olhar impassível no rosto bonito não importa o
que acontecer, então também sabia que, apesar de não transmitir qualquer
emoção, o elfo estava realmente esperando que Jaina continua-se a
conversa."Estamos todos muito felizes por você ter retornado, Alteza.O
príncipe elfo apontou para ela e soltou:Já te disse mil vezes, prefiro que me
chame simplesmente Kael.
—Desculpe, Kael.
O mago a observou de perto e a tristeza obscureceu suas feições perfeitas,
mas desapareceu com tal velocidade que Jaina se perguntou se tinha
imaginado.-Como estão indo seus estudos?"Muito bom", disse Jaina, que
finalmente conseguiu relaxar enquanto a conversa se aproximava de questões
acadêmicas.- Olhe!A menina apontou para um esquilo que estava empoleirado
em um galho muito alto e mordiscando uma maçã, e então murmurou um feitiço.
Ele imediatamente se transformou em uma ovelha que fez um gesto muito
engraçado quando o galho quebrou antes do súbito aumento de peso. Sem
demora, Jaina estendeu um braço e a ovelha esquilo foi suspensa no ar. Com
grande cuidado ela o fez descer ao chão sem sofrer nenhum dano. Então a ovelha
soltou um balido dirigido a Jaina,mexeu nervosamente as orelhas e, de repente, e
de um momento para o outro recuperou a forma de um esquilo muito confuso. O
animal sentou-se em suas patas traseiras, chiou furioso com Jaina e então, depois
de fazer um movimento repentino com a cauda macia, voltou a subir na árvore
com um salto.Kael'thas riu.-Bem feito! Espero que você não tenha posto fogo em
nenhum livro novamente.Jaina corou quando se lembrou do incidente. Assim que
chegou à cidade, teve que aprender a controlar sua capacidade de convocar o
fogo; especialmente depois de um dia, enquanto estudava com Kael'thas, um
volume com o qual estava trabalhando acidentalmente queimou.A reação do elfo
foi forçar Jaina a praticar implacavelmente, no entanto, perto dos poços de água
que cercavam a área da prisão.-Eu não... nada parecido aconteceu comigo a muito
tempo."Estou feliz que seja assim", disse Kael'thas, movendo-se em direção a ela
enquanto jogava a maçã meio comida no chão e sorria com grande gentileza. Ele
não falei por falar quando convidei você a visitar Quel'Thalas. Embora eu deva
admitir que Dalaran é uma cidade maravilhosa e que alguns dos melhores magos
de Azeroth vivem aqui, e que eu sei que você está aprendendo muito; Eu acho
que você adoraria visitar uma terra onde a magia é parte integrante da cultura. Lá
a magia não é encerrada dentro de uma cidade nem está nas mãos de uma
pequena elite de magos cultivados. Lá a magia é um direito inalienável de todo
cidadão. Lá estamos todos protegidos pela Fonte do Sol. Bem, com tudo isto
tenho a certeza que despertei sua curiosidade, certo?Jaina sorriu.
-Assim é. A verdade é que eu adoraria visitar esse reino algum dia. Mas eu
acho que no momento eu posso fazer mais progressos com meus estudos ficando
aqui ", respondeu, sorrindo um sorriso mais amplo. Onde as pessoas sabem o que
fazer quando coloco fogo nos livros.Embora o príncipe sorri-se com os dentes,
soltou um suspiro de tristeza.- Talvez você esteja certa agora, se você me der
licença... ", disse ele, empunhando um sorriso irônico. Arquimago Antonidas
quer que eu apresente um relatório sobre minha estada em Luaprata. No entanto,
este príncipe e mago esta ansioso para uma nova oportunidade para testemunhar
mais demonstrações de quanto você avançou em seu treinamento e desfrutar de
sua companhia por mais tempo.Então Kael'thas colocou a mão em seu peito na
altura do seu coração e se curvou. Como ela não sabia o que fazer com tal gesto,
Jaina devolveu-lhe outra reverência. Então observou como o elfo cruzou aqueles
jardins com uma majestade da estrela solar: com a cabeça erguida e exalando
confiança e elegância, como raios de sol, através de todos os poros de sua pele.
Até a terra parecia não querer manchar suas botas ou a bainha de sua túnica.Jaina
deu uma última mordida na maçã e depois jogou-a no chão. O esquilo que havia
metamorfoseado alguns momentos antes saiu em disparada do tronco para
reivindicar um prêmio mais facilmente acessível do que a maçã que ainda estava
pendurada na árvore.De repente, um par de mãos cobriu seus os olhos.Ela ficou
surpreso, mas não muito, já que ninguém que poderia representar uma ameaça
poderia ter quebrado os poderosos feitiços de proteção erguidos em torno daquela
cidade mágica.-Quem sou eu? Uma voz masculina sussurrou em um tom
jubiloso.Jaina, que permaneceu com os olhos cobertos, pensou enquanto
reprimia um sorriso.-Hum. Desde que você tem calos nas mãos, eu sei que você
não é um feiticeiro, deduzo. Você também cheira a cavalo e couro,Jaina acariciou
com as mãos pequenas e muito delicadamente os dedos vigorosos que não a
deixaram ver, até tocar um grande anel. Então sentiu a forma daquela pedra e
reconheceu o desenho: era o selo de Lordaeron. Arthas! Ele exclamou, e surpresa
e alegria tomaram posse de seu tom de voz quando ela se virou para contemplar
seu rosto por fim.
Arthas imediatamente tirou as mãos de seus olhos e sorriu. Fisicamente
ele não era tão perfeito quanto Kael'thas; embora tivesse o cabelo loiro como o
príncipe elfo, era de uma tonalidade mais amarela cor de tecido do que cor de
ouro. Como ele era alto e bem construído, Jaina sentiu uma certa sensação de
solidez, mas não de elegância ou fluidez de movimentos, como era o caso do
elfo. Kael'thas e Arthas estavam no mesmo nível na hierarquia real, embora
Jaina se pergunta-se se o elfo colocaria essa questão em particular, uma vez
que, em geral, sua raça era considerada superior aos seres humanos,
independentemente da sua posição. E, apesar de tudo, Arthas transmitia uma
simplicidade e uma cumplicidade perante a qual Jaina se rendeu
imediatamente, ao contrário do que lhe aconteceu com o elfo. Então a garota
recuperou a compostura e se curvou."Sua Alteza, esta é uma surpresa do tipo
mais inesperado. O que você está fazendo aqui, se puder falar?
Perguntou como um pensamento cruzou sua mente imediatamente,
aplacando sua efusividade. Tudo está indo bem na capital, certo? Arthas,
responda, por favor. Você é obrigado a responder porque, como em Dalaran, os
magos governam, as pessoas normais devem ser respeitosos e corteses. Os
olhos verdes como o mar de Arthas brilhavam por causa de seu bom
humor."Além disso, desde que escapamos juntos para observar de perto um
campo de prisioneiros, somos companheiros de crime, certo?Jaina relaxou e
sorriu. -Eu suponho que sim.-Em resposta a sua pergunta eu tenho que dizer
que tudo corre perfeitamente. Na verdade, tudo é tão calmo que meu pai me
deu permissão para ficar aqui para estudar alguns meses.-Estudar? Mas, se
você pertence à Ordem da Mão de Prata. Você não vai se transformar em um
mago agora, vai?Arthas desatou a rir e agarrou o braço dela enquanto se
encaminhavam para os alojamentos dos estudantes. Com grande facilidade,
Jaina acompanhou ao ritmo de seus passos.
-Não, não vou? Temo que tanto esforço intelectual seja algo que me supere.
No entanto, ocorreu-me que um dos melhores lugares em Azeroth para
aprender história e saber mais sobre a natureza da magia, bem como outras
coisas que todo rei deveria saber, é esta cidade. Felizmente, meu pai e o
arquimago concordaram comigo.

Enquanto falava, Arthas cobriu a mão de Jaina que descansava em seu braço,
com a sua. Foi um gesto educado de amizade, mas Jaina sentiu uma pequena faísca
acender dentro dela. Ela olhou para cima e para ele e disse:-Estou impressionada.
Aquele menino que me convenceu a fugir no meio da noite com ele para espionar
os orcs não estava tão interessado em história ou conhecimento .Arthas sorriu para
si mesmo e inclinou a cabeça como se escondesse algum segredo.-Na realidade,
ainda não tenho interesse em tais assuntos. Bem, para dizer a verdade, estou
interessado em parte, mas eles não são o verdadeiro motivo que me levou a vir a
este lugar.-Muito bem, agora estou perdida. Então, por que você veio a Dalaran
realmente?Assim que chegaram ao quarto da garota, ela parou e se virou para olhar
para o rosto dele quando parou de segurar o braço dele.A princípio, Arthas não
respondeu, simplesmente sustentou seu olhar e sorriu conscientemente. Então ele
pegou a mão dela e a beijou; um gesto cortês do qual já havia sido submetido por
outros nobres cavalheiros. No entanto, os lábios de Arthas permaneceram na mão
por mais tempo do que o apropriado; além disso, ele não soltou a mão
imediatamente.Seus olhos se arregalaram. Arthas estava sugerindo isso? Teria ele
conseguido superar as famosas apreensões de Antonidas pelas pessoas no exterior,
um feito e tanto, ficar em Dalaran simplesmente para estar com ela? Antes de Jaina
ter recuperado o suficiente de seu espanto para lhe fazer essas perguntas, Arthas
piscou e fez uma reverência."Eu vou te ver hoje à noite no jantar, minha senhora.
O jantar foi um evento formal. O retorno do príncipe Kael'thas e a chegada do
príncipe Arthas no mesmo dia tinham causado aos servos do Kirin Tor
implantando atividade frenética para celebrar o jantar em uma sala enorme usada
apenas em ocasiões especiais.Uma mesa grande o suficiente para acomodar mais
de uma dúzia de pessoas ocupava a sala de uma ponta à outra. Três candelabros
pendiam do teto, cintilando com velas bem iluminadas, cujo brilho refletia-se na
mesa. Das paredes tochas foram colocadas e para manter uma atmosfera amigável
e, simultaneamente, proporcionar uma boa iluminação, diversos globos flutuavam
perto das paredes preparadas para ser invocados, pronto para entrar em ação
sempre que for necessário um pouco mais de luz . Servos raramente apareciam,
exceto para servir os pratos e removê-los; as garrafas de vinho foram derramadas
por conta própria com apenas um toque do dedo. Uma flauta, uma harpa e um
alaúde tocavam uma música de fundo muito relaxante, cujas elegantes notas
surgiam da magia e não das mãos ou bocas humanas.
O Arquimago Antonidas presidiu a mesa em uma de suas
inusitadasaparições públicas. Ele era um homem alto que parecia ainda mais por
causa de sua forma extremamente magra. Sua longa barba era mais cinza do que
castanha e ele era totalmente careca, mas seu olhar profundo permaneciam alerta
o tempo todo. O Arquimago Krasus também estava presente, muito rígido e
atento; Seu cabelo refletia a luz de velas e tochas, sob cujo brilho brilhava com
brilhos prateados pontilhados de reflexos vermelhos e pretos aqui e ali. Além
disso, muitas outras personalidades de alto nível estavam sentadas à mesa. De
fato, Jaina era a pessoa de menor escalão; no entanto, ela participou do jantar
porque era aprendiz do arquimago.
Jaina tinha treinamento militar e uma das lições que seu pai lhe ensinara era
que ela deveria saber perfeitamente quais eram seus pontos fortes e fracos.
"Subestimar e superestimar são um grande erro", aconselhou Daelin. "A falsa
modéstia é tão prejudicial quanto o falso orgulho. É preciso saber exatamente o
que é capaz de fazer a qualquer momento e agir de acordo. Seguir outro caminho
seria tolo e poderia ter consequências fatais em uma batalha "

Sabia que habilmente dominava as artes mágicas. Ela era inteligente e focada
em seus estudos. Ele aprendera muito no curto período em que esteve lá. Além
disso, era óbvio que Antonidas não a escolhera como aprendiz por caridade. Ela
estava ciente de que o potencial para ela se tornar uma mága muito poderosa
estava lá; No entanto, ela não sentiu aquele falso orgulho que seu pai havia lhe
dito. Ela queria atingir o objetivo por seus próprios méritos e não porque um
príncipe elfo gostasse de sua companhia e recomendasse isso. Ela reprimiu um
gesto de raiva enquanto dava uma boa conta de outra colherada de sopa de
tartaruga.
A conversa girou em torno dos orcs, o que não foi uma surpresa, já que os
campos de prisioneiros eram bem próximos de Dalaran. No entanto,
normalmente a cidade dos magos costumava ser considerada acima de assuntos
mundanos.
Kael esticou um braço longo e elegante para pegar outra fatia de pão, que ele
espalhou na manteiga.
enquanto comentando:
- Letargicos ou não, eles são perigosos.
-Meu pai,o rei Terenas, esta de acordo com essa declaração, príncipe Kael'thas
", respondeu Arthas, sorrindo encantadoramente para o elfo.
- É por isso que existem esses campos. Embora seja uma pena que custe
tanto sua manutenção, tenho certeza de que investir um pouco de ouro
neles é um preço baixo que devemos pagar pela segurança do povo de
Azeroth.
-São apenas bestas, animais, retrucou Kael'thas; sua voz de tenor
tornou-se mais gutural devido à raiva. Esses bárbaros infligiram sérios danos
a Quel'Thalas com a ajuda de seus dragões. Apenas as energias da Nascente
do Sol impediram que causassem mais destruição. A verdade é que os
humanos poderiam resolver o problema de proteger o seu povo sem
necessidade de encher-lhes de impostos: bastaria executar essas
criaturas.Jaina lembrou da breve visita aos campos de prisioneiros. Ela tinha
a impressão de que os orcs estavam exaustos, quebrados e abatidos.Ela
também lembrou que eles também tiveram filhos.
"Você já esteve nesses campos, Príncipe Kael'thas? perguntou
secamente, incapaz de conter a vontade de falar. Você já viu o que eles se
tornaram?
Enquanto as bochechas de Kael'thas coraram brevemente, ele conseguiu
manter uma expressão plácida em seu rosto.
-Não, Lady Jaina, não. Eu não acho que tenha alguma necessidade. Eu
vejo o que eles fizeram toda vez que eu olhava para os troncos carbonizados
das árvores gloriosas da minha terra natal, toda vez que eu presto minhas
homenagens àqueles que eles assassinaram. Além disso, tenho certeza de
que você também não os viu. Eu não posso acreditar que uma senhora tão
refinada como você já visitou um desses campos.Jaina se certificou de não
olhar para Arthas quando respondeu o seguinte:"Se a sua Alteza me enviou
um elogio encantador, eu não acho que o refinamento tenha algo a ver com
o desejo de que a justiça seja feita. Na verdade, acho que é bem provável
que uma pessoa refinada não queira ver seres inteligentes e conscientes
massacrados como animais. Ela sorriu gentilmente para o príncipe elfo e
continuou a provar a sopa. Kael'thas olhou para ela, pois ele estava confuso
com a reação dela.
-Como a lei de Lordaeron é aplicada neste assunto, Terenas pode fazer o
que ele considera conveniente em seu reino, ele é quem decide sobre isso -
explicou Antonidas.-Dalaran e ou restos dois reinos da Aliança também
devem contribuir com seu dinheiro para sua manutenção - disse um mago
que Jaina não conhecia-. Portanto, nossa voz deve ser ouvida neste assunto,
uma vez que pagamos impostos por isso, certo?Antonidas descartou o
comentário com um aceno de mão.
-Para mim, o mais importante sobre o problema dos orcs não é quem
paga esses campos, nem se são realmente necessários. O que me intriga é a
estranha letargia dos prisioneiros. Eu pesquisei um pouco sobre a história
dos orcs e não acho que sejam tão apáticos só porque estão confinados. Eu
não acho que seja uma doença; pelo menos não um de cujo contágio
devemos nos preocupar.
Como Antonidas nunca falava por falar, todos pararam de discutir e se
prepararam para ouvir. Jaina ficou surpresa. Foi a primeira vez que ouvi
um mago comentar sobre a situação dos orcs. Não duvidava que Antonidas
tivesse deliberadamente decidido revelar essa informação naquele
momento em particular. Quando Arthas e Kael'thas estavam presentes
naquele jantar, a notícia logo se espalharia por Lordaeron e Quel'Thalas.
Era óbvio que Antonidas deixava muito poucas coisas ao acaso.
"Se não é uma doença ou uma conseqüência direta de estarem
presos", disse Arthas com muita delicadeza, "então o que você acha que é,
arquimago?"Antonidas virou-se para o jovem príncipe e respondeu:"Pelo
que entendi, os orcs nem sempre mostraram uma sede tão brutal de
sangue. Hadggar me disse que ele havia aprendido com Garona que...
—Garona era uma mestiça, una mescla de humano e orc que asassinou o
rei Llane Afirmou Arthas num tom de voz no qual não havia nem o menor
indício de bom humor. Com todo o respeito, não acredito que se possa confiar
em qualquer coisa que tal criatura diga.Imediatamente, alguns dos presentes
começaram a murmurar em voz baixa para mostrar sua concordância com
Arthas, que forçou Antonidas a levantar a mão para pedir calma."Esta
informação foi fornecida antes de se tornar uma traidora", argumentou. E isso
foi verificado através de outras fontes. O arquimago sorriu ligeiramente,
recusando-se deliberadamente a identificar quais eram as "outras fontes" que
ele consultara. Aparentemente, eles concordaram voluntariamente com uma
força demoníaca. Sua pele ficou verde; seus olhos vermelhos. Eu acho que a
escuridão vinda de uma fonte externa dominou completamente quando eles
empreenderam a primeira invasão. No entanto, o vinculo que os ligou a essa
fonte está quebrado hoje. Eu acho que não é uma doença, mas uma retirada
maciça de energia. Nós devemos ter em mente que a energia demoníaca é
muito poderosa e se a pessoa é subitamente privada dela, sofre sérias
conseqüências. Kael'thas acenou com a mão para indicar que ele não aceitou
esse argumento.-Mesmo que sua teoria seja verdadeira, por que deveríamos
nos importar com eles? Eles eram tolos o suficiente para confiar em
demônios. Eles estavam tão inconscientes que se tornaram viciados nessas
energias corruptas. Na minha opinião, não acho que seja uma decisão muito
sábia "ajudá-los" a encontrar uma cura para o seu vício, mesmo que
pudéssemos fazê-los voltar a ser um povo pacífico. Agora eles estão
desamparados e desmoralizados. É assim que eu e qualquer pessoa em sã
consciência preferimos vê-los depois do que fizeram conosco.
-Ah, mas se podemos recuperar o caráter pacífico do passado não
teriamos que continuar a mantê-los trancados nestes campos e o dinheiro
poderia ser usado para outros fins - explicou Antonidas com um tom muito
moderado antes de toda a mesa começasse a explodir em intermináveis
discussões.
-Tenho certeza de que o Rei Terenas não impõe esses impostos
simplesmente para encher seus bolsos. A propósito, como está seu pai, o
príncipe Arthas? E a sua familia? Eu me arrependo de não ter podido assistir à
sua cerimônia de iniciação, eu entendo que se tornou uma celebração sem
precedentes.
A Cidade de Ventobravo me acolheu de braços abertos - Arthas disse, e
sorriu educadamente, dando boa conta de prato principa: uma delicada truta
grelhada servida com verduras—. Voltar a reencontrar-me com o rei Varian
foi uma grande alegria para mim.
"Ouvi dizer, que sua encantadora rainha recentemente lhe deu um
herdeiro.
-Assim é. E se, quando for mais velho, o pequeno Anduin segurar a
espada com a mesma força que o meu dedo, não há dúvida de que ele
será um excelente guerreiro.
-Sem bem que todos rezamos para que o dia de sua coroação
chegue só daqui a muito tempo, querido Arthas, ouso dizer que um
casamento real seria motivo de alegria e exultação acrescentou
Antonidas -. Alguma jovem senhora chamou sua atenção ou você ainda
é o solteiro de ouro de Lordaeron?
Apesar de Kael'thas parecer focado em seu prato, Jaina sabia que
ele estava seguindo a conversa com grande interesse. É por isso que ela
evitou cuidadosamente fazer qualquer gesto que revelasse o que ele
pensava. Arthas não olhou para ela e apenas riu enquanto se servia
mais vinho.-Ah, isso significaria revelar informações muito sensíveis e
prejudicaria o assunto. Além disso, ainda tenho muito tempo pela frente
para aproveitar certos tipos de coisas.Vários sentimentos contraditórios
tomaram Jaina. Por um lado, ela estava um pouco desapontada, mas
por outro ela se sentiu um pouco aliviada. Talvez fosse melhor que
Arthas e ela ainda fossem apenas amigos. Afinal, ela tinha ido àquele
lugar para aprender, a fim de se tornar a maga mais extraordinária que
seu potencial permitia que ela fosse, não flertar. Um estudante de
magia precisa de disciplina, deve ser racional e não deve ser levado
pelas emoções. Ela tinha obrigações e tinha que cumpri-las com os cinco
sentidos colocados em todos os momentos.
Tinha que estudar.
-"Eu tenho que estudar", Jaina protestou alguns dias depois do
jantar, quando Arthas se aproximou dela puxando dois cavalos."Venha,
Jaina", Arthas insistiu com um sorriso. Até mesmo o aluno mais diligente
precisa fazer uma pausa de tempos em tempos. É um dia lindo e você
deveria estar se divertindo.-Estou me divertindo -replicou.E isso era
verdade; Ela estava nos jardins com seus livros, em vez de trancada em
uma das salas de leitura."Um pequeno exercício vai ajudá-la a esclarecer
seu dia", aconselhou-o e estendeu a mão para a menina sentada
debaixo de uma árvore. Jaina sorriu apesar de tudo.
"Arthas, um dia você será um rei magnífico", disse zombeteiramente
quando ele pegou a mão dela e permitiu que a puxasse para coloca-la em
pé. Ninguém parece capaz de negar nada a você.Arthas riu do comentário
e segurou as rédeas do cavalo para que Jaina pudesse montar. Naquele
dia, usava calças, um par de calças de linho fino, ele podia montar de
maneira tradicional ao inves de montar de lado. Um momento depois, o
príncipe subiu facilmente em sua sela.Jaina olhou para o cavalo que Arthas
montava: era um cavalo baio e não o garanhão branco que o destino tirara
dele.Acho que nunca te contei o quanto lamento a morte de Invencível ",
ela murmurou baixinho.A alegria deixou o rosto do príncipe, como se uma
sombra tivesse escondido o sol. No entanto, imediatamente um sorriso
voltou ao seu rosto, embora menos amplo.-Obrigado, embora já tenha
superado isso. Bem, eu trouxe comida para um piquenique e nós temos o
dia todo à frente Em marcha!
Jaina se lembraria daquele dia toda a sua vida. Foi um daqueles dias
perfeitos típicos do final do verão, onde a luz do sol parece tão densa e
dourada quanto o mel. Arthas impôs um ritmo muito alto, mas como Jaina
era uma cavaleira experiente, ela foi capaz de segui-lo facilmente. Ele a
levou para longe da cidade para cruzar vastos campos verdes e prados
intermináveis. Os cavalos pareciam estar se divertindo tanto quanto os
cavaleiros. As orelhas rígidas apontavam para a frente e as narinas, que
cheiravam os deliciosos aromas do campo, incendiavam
incessantemente.O piquenique era simples e delicioso. Consistia em pão,
queijo, frutas e um pouco de vinho branco de baixa qualidade. Então
Arthas deitou-se com as mãos atrás da cabeça para tirar uma soneca;
Enquanto isso, Jaina tirou as botas para acariciar com os pés descalços a
grama macia e grossa enquanto se inclinava contra uma árvore com a
intenção de ler por um tempo. O livro foi intitulado Tratado sobre a
natureza do teletransporte e foi muito interessante; mas devido ao calor
lânguido daquele dia, ao vigoroso exercício e ao suave sussurro das
cigarras, ele também caiu num sono profundo.
Algum tempo depois, quando o sol já estava se escondendo, Jaina acordou
com um pouco de frio. Se endireitou, esfregou os olhos com força e percebeu
que Arthas havia desaparecido. Sua égua também não estava visível em
nenhum lugar. Entretanto, a montaria de Jaina, cujas rédeas estavam amarradas
ao galho de uma árvore, pastava alegremente e contente.
Se levantou com desânimo.-Arthas?
Não recebeu uma resposta. Muito provavelmente, o príncipe teria
decidido sair para explorar os arredores brevemente e voltar a qualquer
momento. Ela se esforçou para ouvir se ouviu o som dos cascos de um cavalo,
mas não ouviu nada.Supunha-se que ainda havia orcs vagando livremente
nesses lugares, ou assim os rumores diziam. Havia também pumas e ursos que,
embora menos estranhos, eram igualmente perigosos. Jaina mentalmente
revisou os feitiços que ela conhecia. Ela tinha certeza de que poderia se
defender muito bem se eles a atacassem.Bem,... bem segura.O ataque veio de
repente e silenciosamente.Ele sentiu um golpe no pescoço que deixou-o frio e
úmido, e esse foi o único aviso que recebeu do agressor. Seu atacante era um
borrão que se movia com grande velocidade, saltando de um canto escondido
para outro com a velocidade de um cervo e parou apenas o tempo suficiente
para lançar outro projétil. O último atingiu-a na boca e a fez começar a engasgar
no riso. Ela limpou a neve e estremeceu quando parte dela escorregou por baixo
da camisa. Arthas! Esta não é uma luta justa!Quatro bolas de neve rolaram para
Jaina em resposta à sua observação e ela se arrastou para pegá-las. Ficou claro
que Arthas havia subido a algum lugar da montanha onde o inverno chegara
prematuramente e voltara com aquelas bolas de neve como troféu. Onde ele
tinha conseguido? Então vislumbrou seu casaco vermelho...
batalha durou muito tempo, até que ambos ficaram sem munição.
—Trégua! —gritou Arthas.
Assim que Jaina disse que concordava com o pedido, rindo tão alto que mal
conseguia falar, Arthas deixou seu esconderijo entre as rochas e correu para ela.
O príncipe abraçou-a, rindo também, e Jaina ficou muito feliz ao perceber que
ele, como ela, tinha neve no cabelo."Eu sempre soube, todos esses anos", disse
Arthas.-O que?Jaina recebera tantas bolas de neve que, embora estivessem no
final do verão, estava com muito frio. Arthas notou que ela estava tremendo e a
abraçou com mais força.Jaina sabia que ela deveria se afastar dele; Um abraço
amigável e espontâneo era uma coisa, mas não se afastar de seus braços naquele
momento era outra completamente diferente. Ela permaneceu imóvel e
descansou a cabeça no peito do príncipe, onde podia ouvir as batidas rítmicas e
aceleradas do seu coração. Fechou os olhos assim que sentiu uma mão
acariciando seu cabelo para remover a neve e ouviu Arthas dizer:-A primeira vez
que te vi, pensei que você fosse uma garota com quem eu tinha certeza que
poderia me divertir. Alguém que não se importaria de nadar em um dia quente de
verão, ou ... - Ele se afastou um pouco para remover os traços de neve de Jaina
do rosto, ainda sorrindo. Ou receber uma bola de neve no rosto. Eu não te
machuquei, certo?Jaina devolveu o sorriso e sentiu uma súbita onda de calor
percorrendo-a.Não Em absoluto.Seus olhos se encontraram e Jaina sentiu um
certo rubor em suas bochechas. Ela fez um movimento para recuar, mas então o
braço de Arthas envolveu-a com firmeza como uma faixa de ferro. O príncipe
não parou de acariciar seu rosto, correndo com dedos fortes e calejados a curva
que traçava sua bochecha.
"Jaina", ele sussurrou baixinho, e a garota estremeceu, embora desta vez não fosse por
causa do frio.Isso não estava certo. Ela sabia que precisava se afastar. Mas em vez
disso, levantou o rosto e fechou os olhos. ,Aquele beijo, o primeiro beijo que Jaina
recebeu em sua vida, foi muito terno e doce a princípio. Ela imediatamente ergueu os
braços, que pareciam possuídos por uma vontade própria, envolvendo o pescoço dele
e se apertando contra ele enquanto o beijo se tornava cada vez mais apaixonado.
Então experimentou a sensação de que estava se afogando no mar e ele era o único
sólido no mundo ao qual poderia se agarrar para não afundar.Por fim, o que ela
queria tanto se tornou realidade. Por fim, ela tinha em seus braços quem desejara
tanto; um jovem que, apesar de seu título real, era seu amigo, que compreendia sua
parte intelectual, mas também sabia como persuadir sua parte brincalhão e aventureira
de sua personalidade, o que raramente teve a oportunidade de dar livre curso, que ela
raramente mostrava o mundo.Mas esse menino sabia quem era Jaina em todas as suas
facetas, ele não conhecia apenas a parte que exibia em público."Arthas," ele sussurrou
enquanto se agarrava a ele. Arthas...

CAPÍTULO
SETE

A rthas disfrutou de poucos meses estupendos em Dalaran, aonde


descobriu, para sua surpresa, que realmente estava aprendendo coisas que lhe
seriam úteis quando fosse rei. Além disso, ele também teve muitas
oportunidades para aproveitar aquele verão que parecia durar mais do que
deveria e os primeiros vislumbres frios do outono. Ele também adorava
andar, embora toda vez que montava um cavalo que não era invencível,
sentia uma pontada no peito.
E, acima de tudo, podia estar com Jaina.
No começo não tinha planejado beijá-la. Mas assim que ele a viu em
seus braços, diante daquele deslumbrante olhar tingido de riso e bom humor,
ele teve que fazê-lo. E Jaina reagiu a essa ousadia da melhor maneira
possível. No entanto, ela tinha um cronograma muito mais exigente e rígido
do que o dele, então eles não tinham sido capazes de ver um ao outro tanto
quanto eles queriam. Quando se viram, quase sempre estiveram na presença
de outros. Ambos concordaram, sem a necessidade de falar sobre isso, que
não queriam alimentar os rumores.Isso deu um toque de morbidade extra ao
relacionamento. Eles estavam procurando por momentos roubados onde
podiam: um beijo fugaz em cantos escuros, breves olhares em jantares
formais. Seu primeiro "encontro" tinha sido totalmente inocente desde o
começo, e agora ele conscientemente evitavam esse tipo de coisa. Arthas
memorizou a programação de Jaina para que ela pudesse "colidir" com ela
por acaso. Jaina, por sua vez, procurou desculpas para passear os estábulos
ou para o pátio, onde Arthas e seus homens usavam para treinar para manter
a forma e praticar suas habilidades de combate.Arthas adorava saborear o
perigo, a emoção que acompanhava cada minuto daquele relacionamento
clandestino.
Naquele momento, o príncipe Jaina esperou perto de um pequeno
corredor vazio, em pé na frente de uma estante de livros, fingindo examinar
os títulos de alguns deles. Jaina passaria por aquele lugar depois de suas
aulas práticas de fogo. A menina havia dito o príncipe, sorrindo um sorriso
um pouco envergonhado que o hábito estava ensaiando seus feitiços ao
redor da prisão, tiveram de atravessar o corredor para chegar ao seu quarto.
Arthas escutou e ouviu o som abafado de seus passos suaves e rápidos. Sim,
ali estava. Ele imediatamente se virou, pegou um livro e fingiu ler, embora
com o canto do olho ele esperava vê-la de um momento para o outro.
Jaina estava vestida como sempre, na tradicional túnica de aprendiz. Seu
cabelo parecia ser feito do mesmo brilho do sol e seu rosto mostrava aquele
cenho tão típico dela que indicava que ela estava perdida em seus
pensamentos, não que ela se sentisse aborrecida. Ela estava tão absorta que
nem notara a presença de Arthas, que deixou o livro imediatamente e foi
ruidoso e rapidamente para o corredor antes que Jaina se afastasse. Então o
príncipe agarrou seu braço e arrastou-a para as sombras.
Como sempre, ele não surpreendeu Jaina porque ela já havia percebido
sua proximidade. A garota, que pressionava os livros com força contra o peito,
recebeu Arthas no meio do corredor e, com o braço livre, colocou ao redor do
pescoço dele para beijá-lo.
"Bem, minha senhora", Arthas sussurrou enquanto beijava seu
pescoço e acariciava sua pele com seu sorriso."Muito bem, meu
príncipe", ela respondeu em um sussurro cheio de felicidade
enquanto suspirava."Jaina", ela se ouviu dizer em uma voz, "por
que....?"Jaina e Arthas assustaram-se e olharam para o intruso. Jaina
soltou um grito estrangulado e sentiu a cor subir às suas bochechas.
—Kael....
Embora o rosto do elfo permanecesse petreo, a raiva queimava em seus
olhos e a tensão parecia dominá-lo."Você deixou cair este livro quando você
saiu", disse, mostrando-lhe o tomo. Eu segui você para entrega-lo.Jaina olhou
para cima e viu Arthas mordendo o lábio inferior. Enquanto Arthas estava tão
chocado quanto ela, ele finalmente conseguiu forçar um sorriso. Ainda olhando
para Kael'thas em pouco tempo, ele colocou o braço em volta da cintura de
Jaina e disse:-É uma delicadeza da sua parte, Kael. Obrigado.
Por um momento ele achou que o elfo ia atacá-lo. Raiva e humilhação
envolveram o mago em uma aura. Kael'thas era muito poderoso, e Arthas sabia
que ele não teria nenhuma chance se fosse forçado a confrontá-lo. Mesmo
assim, ele mantinha os olhos fixos nos do príncipes dos elfos, não se mexendo
nem um pouco. Enquanto isso, Kael'thas cerrou os punhos com força, mas não
se moveu um milímetro de onde ele estava."Você tem vergonha dela, Arthas?
Ele murmurou sob sua respiração.Só merece que você dedique seu tempo e sua
atenção se ninguém sabe que você mantém um caso com ela?Arthas estreitou os
olhos.- Eu ajo assim para evitar o dano terrível que causaria os rumores - ele
respondeu com muita calma. Você sabe como essas coisas são, Kael, certo?
Alguém diz algo que não deveria e, em pouco tempo, todos acreditam que é
verdade. Eu protejo sua reputação para ...- Proteger? Rugiu Kael'thas. Se você
realmente se importasse com ela, você a cortejaria orgulhosamente à vista de
todos. Como qualquer bom homem faria.Então ele olhou para Jaina e a raiva
deixou seus olhos para serem substituídos por uma expressão fugaz de
sofrimento. Então esse gesto também desapareceu e Jaina não pôde fazer mais
do que abaixar a cabeça.-Eu te deixo em paz para que você possa aproveitar o
seu ... «encontro clandestino». Não tenha medo, não direi nada. Kael'thas jogou
o livro para Jaina com desdém, ao mesmo tempo soltando um bufo irritado. O
tomo, provavelmente de valor incalculável, caiu com um baque aos pés da
garota, que se assustou com o ruído inesperado. Então o elfo saiu no meio do
redemoinho violeta e dourado de sua túnica. Jaina suspirou de alívio e encostou
a cabeça no peito de Arthas, que lhe deu um tapinha nas costas com grande
ternura.-Acabou, ele se foi.-Sinto muito. Eu acho que deveria ter te contado.O
peito de Arthas ficou tenso.- Você tem algo para me dizer?Jaina? Você e ele
...?-Não! Ela exclamou imediatamente, olhando para ele. Não. Mas ... Acho que
ele teria gostado ... Olha, ele é um bom homem e um mágico muito poderoso. E
um príncipe elfo.
-Mas não é...
Sua voz desapareceu.-Mas não é o que? Ele estalou.Aquelas palavras
saíram de sua boca com mais brusquidão do que ele pretendia.Kael
possuía uma série de atributos que Arthas invejava. Ele era mais velho que
ele; mais sofisticado, experiente e poderoso; O ciúme cresceu dentro dele
e sentiu um frio e tenso nó no estômago. Se o elfo reaparecesse naquele
momento, Arthas poderia ter tentado atacá-lo.Jaina sorriu docemente,
franzindo a testa.
-Ele não é meu Arthas.
O nó que Arthas tinha em seu estômago se derreteu como o inverno antes
da chegada do calor da primavera. Então ele puxou Jaina para mais perto
dele e a beijou novamente.Além disso, quem se importava com o que um
príncipe elfo pensava?

O ano passou praticamente sem incidentes. Como o verão deu lugar a um


outono frio, e isso ao inverno, as reclamações sobre o custo de manutenção
dos campos orcs aumentaram. Mas ambos Terenas e seu filho, não deram
ouvidos as reclamações . Arthas
continuou treinando com Uther. O velho manteve naqueles seus treze
anos que, ao treinar com armas, era importante, assim como a oração e a
meditação. "Sim, devemos ser capazes de matar nossos inimigos", disse ele.
"Mas também devemos ser capazes de curar nossos amigos e nos
curar."Arthas pensou em Invencível. No inverno, seus pensamentos sempre
giravam em torno daquele cavalo, e o comentário de Uther o recordara mais
uma vez do único grande fracasso, o único grande desapontamento que
sofrera na vida. Se ele tivesse começado seu treinamento antes, o grande
garanhão branco ainda estaria vivo. Ele nunca contou a ninguém o que
aconteceu naquele dia de neve. Todos acreditavam que tinha sido um
acidente. E foi, Arthas disse para si mesmo. Ele não pretendia ferir Invincivel
de propósito. Queria o bem daquele cavalo; em vez de machucá-lo, ele
preferiria cortar sua perna. Se ele tivesse começado seu treinamento como
paladino antes, como Varian fez com a esgrima, ele tinha certeza de que teria
sido capaz de salvar seu amigo. Ele jurou que isso não aconteceria novamente,
que ele faria o que fosse necessário para estar preparado em qualquer situação
e evitar ficar à mercê dos caprichos do destino. Sempre faria a coisa certa.
O inverno passou como todos os invernos devem passar; e a primavera
retornou aos Claros de Tirisfal. Assim como Jaina Proudmore retornara, que
para Arthas era uma visão tão bela, revigorante e acolhedora quanto as flores
que brotavam nas árvores que agora despertavam. Ele veio para acompanhá-la
na celebração do Jardim Nobre, o maior festival de primavera em Lordaeron e
na cidade de Ventobravo. Arthas então descobriu que ficar até tarde na noite
anterior aos goles de vinho e se enchendo os ovos com doces e outros
presentes, não era uma tarefa tão estafante se tivesse que Jaina ao lado, que
estava franzindo a testa dessa forma Cativante que era tão típico dela enquanto
enchia os ovos com cuidado e maior atenção e deixando-os de lado.Apesar de
nenhum anúncio público ter sido feito, tanto Arthas quanto Jaina sabiam que
seus pais tinham conversado um com o outro e tinham chegado a um acordo
não dito pelo qual eles davam sua bênção ao namoro. Deste modo, Arthas, a
quem o seu povo já adorava, era enviado cada vez com mais frequência para
representar Lordaeron em eventos oficiais em vez de Uther ou Terenas.Com o
passar do tempo, Uther se refugiara cada vez mais no aspecto espiritual da
Luz e Terenas parecia feliz o suficiente para não ter de viajar.
"Quando você é jovem, é emocionante andar a cavalo e dormir sob as
estrelas", disse ele a Arthas. "Mas quando você tem a minha idade, você
se contenta com as estrelas que você pode ver da janela, e montar a
cavalo é melhor deixar para os momentos de descansar."Arthas havia
sorrido largamente para essas palavras e assumido entusiasticamente
suas novas responsabilidades. O almirante Proudmore e o arquimago
Antonidas tinham chegado à mesma conclusão, aparentemente, já que
cada vez que enviavam mensageiros de Dalaran para a capital, Lady
Jaina Proudmore os acompanhava."Venha para o festival do fogo do
solstício de verão", Arthas implorou de repente.Jaina olhou para cima
enquanto segurava um ovo com cuidado em uma mão e com a outra tirou
uma mecha dourada que pendia sobre sua cabeça.-Não posso. O verão é
um período de grande atividade para os Estudantes de Dalaran.
Antonidas já me disse que espera que eu fique lá toda a estação ",
explicou, arrependida."Então eu vou ser o único a visitá-la no solstício
de verão e você pode vir me ver no Halloween", propôs Arthas.No
entanto, Jaina balançou a cabeça e riu para ele.-Você é muito insistente,
Arthas Menethil. Eu tentarei.-Não; você virá.
Ele esticou o braço sobre a mesa, que estava cheia de doces e ovos vazios
com cuidado e pintados com cores brilhantes, e colocou a mão sobre a
dela.Jaina sorriu com uma pitada de timidez, ao contrário do tempo que
passaram juntos, e suas bochechas coraram.
Claro que iría.
Haviam várias festividades menores antes do Halloween. Uma era um
pouco sombria; outra, muito alegre; e isso, em particular, foi um pouco dos
dois ao mesmo tempo. Acreditava-se que, naquele momento, a barreira entre
os vivos e os mortos era turva e que o falecido podia ser percebido por
aqueles que ainda estavam vivos. A tradição apontou que, no final da época
de colheita, antes que o vento do inverno começasse a soprar, uma efígie de
palha tinha que ser erguida do lado de fora do palácio, que seria incendiada
ao pôr do sol. Ver esse homem gigante feito de palha, envolto em chamas,
brilhando com grande intensidade contra o manto cada vez maior da noite,
era um espetáculo incrível. Qualquer um que quisesse poderia abordar a
efígie de fogo, lançando um galho em suas chamas crepitantes e queimar
assim metaforicamente, qualquer coisa que não quissese nesse período de
quietude e auto-reflexão profunda de inatividade forçada implicada pelo
inverno.Era um ritual de camponeses, cujas origens remontavam a tempos
imemoriais. Arthas suspeitava que muito poucos de seus contemporâneos
acreditavam na verdade que jogando um ramo no fogo seus problemas
seriam resolvidos, e muitos menos acreditavam que era possível entrar em
contato com os mortos. Ele certamente não tinha fé nesse tipo de coisa. Mas
foi uma celebração popular e, graças a isso, Jaina retornou a Lordaeron; Por
essa razão, Arthas ansiara tanto pela chegada daquele dia.E tinha uma
pequena surpresa para ela.
O sol tinha acabado de ser esconder e a multidão estava se reunindo lá
desde o final da tarde. Alguns até trouxeram comida e aproveitaram a
ocasião para desfrutar de um dos últimos dias de outono entre as colinas de
Tirisfal. Havia guardas estacionados na área circundante, aguardando os
possíveis incidentes que geralmente ocorriam quando um grande número
de pessoas se reunia em um só lugar. No entanto, Arthas não esperava que
os problemas realmente surgissem. Quando ele saiu do palácio, vestindo
uma jaqueta, calças e uma capa com ricos tons de outono, os aplausos
aumentaram. Ele parou e cumprimentou as pessoas reunidas lá, aceitou seu
aplauso e então se virou para Jaina e estendeu a mão para ela.Embora ela
parecesse um tanto surpresa com aquele gesto, Jaina conseguiu sorrir. Os
gritos aplaudiram seu nome junto com o de Arthas sob aquele céu que
lentamente escurecia. Os dois desceram o caminho que levava ao gigante
homem de palha e pararam diante dele. O príncipe, então, levantou a mão
pedindo silêncio.- Compatriotas, eu me junto a vocês nesta celebração da
noite mais reverenciada do ano. A noite que nos lembramos daqueles que
não estão mais entre nós e nos livramos das coisas que não nos deixam
progredir. Na noite em que queimamos a efígie do homem de palha como
símbolo do ano que passou, assim como os fazendeiros queimam os campos
que colheram. Como as cinzas alimentam os campos, da mesma forma este
ritual alimenta nossas almas. Além disso, estou feliz em ver tantos de vocês
aqui hoje à noite; Tanto quanto eu estou feliz em oferecer a distinta honra
de atear fogo ao homem de palha para Lady Jaina Proudmoore . Ela abriu os
olhos de forma espantada e Arthas se virou para ela, empunhando um
sorriso malicioso."Ela é filha de um herói de guerra, o almirante Daelin
Proudmoore, e se tornará uma poderosa maga por direito próprio. Uma vez
que os magos são os mestres e senhores do fogo, acho que a coisa mais
lógica é que é ela quem incendeia nosso homem de palha esta noite. Você
não concordam?Os homens reunidos rugiram em êxtase, como Arthas sabia
que eles iriam. O príncipe se curvou para Jaina; Então ele veio e
sussurrou:-Ofereça- um bom show! Certamente você vai adorar.Jaina
assentiu imperceptivelmente e depois voltou-se para a multidão, acenando
com a mão. Os gritos aumentaram. Então uma mecha de cabelo foi
colocada atrás de uma orelha, revelando seu nervosismo, embora ela
recompusesse imediatamente o gesto. Então fechou os olhos e levantou as
mãos para sussurrar um encantamento.
Jaina estava vestida com roupas vermelhas, amarelas e laranja, como as
bolas de fogo que se materializavam em suas mãos, brilhando um pouco a
princípio e depois aumentando sua luminosidade. Então ela olhou para
Arthas por um momento, com tanta intensidade como se ela mesma fosse a
personificação do fogo. Ela segurava aquelas chamas em suas mãos com
grande facilidade, destreza e maestria, e naquele momento o príncipe
percebeu que os dias em que sua amada mal controlava seus feitiços
estavam muito distantes. Ela não iria "tornar-se" uma poderosa maga; Era
óbvio que já era, de fato, embora não em nome.
Jaina estendeu as duas mãos. As bolas de fogo saltaram como uma bala
disparada de uma arma e caíram sobre a enorme efígie de palha, que
explodiu em chamas imediatamente. O povo reunido ficou atônito por um
momento, mas depois uma ovação estrondosa foi ouvida. Arthas deu um
sorriso largo. O homem de palha nunca queimou tão rápido quando era
incendiado com uma corrente e moagem de carvão.
Jaina abriu os olhos para aquele barulho e cumprimentou enquanto
sorria deliciada. Arthas se aproximou dela e sussurrou:-Você foi
espetacular, Jaina."Você me pediu para lhe oferecer um bom show", disse
ela com um sorriso.- Efetivamente. Mas tem sido um show muito bom.
Temo que eles vão exigir que você incendeie o homem de palha todos os
anos.Então Jaina se virou para ele e comentou:-Isso não seria um
problema, certo?
À luz das chamas ardentes dançou sobre ela, iluminando suas feições
alegres, enquanto refletido no diadema de ouro que ela usava em seu
cabelo. Arthas prendeu a respiração enquanto a observava. Ele sempre foi
atraído por Jaina, e a garota gostava dele desde o começo. Ela era sua
amiga e confidente, e tinha sido muito emocionante flertar com ela. Mas
agora podia ver isso literalmente sob uma nova luz.Levou um momento
para encontrar as palavras."Não", disse ele, arrebatado. Não será
problema algum.Juntaram a multidão que dançava ao redor do fogo
naquela noite, o que causou sérias dores de cabeça para os guardas: Arthas
e Jaina se juntaram com as pessoas e se dedicaram a apertar as mãos com
qualquer desconhecido e para a troca de saudações em todos os lugares.
Embora mais tarde eles conseguissem despistar a guarda quando eles se
perderam na multidão e saíram da festa sem que ninguém percebesse.
Pouco tempo depois, Arthas guiou Jaina através dos corredores do palácio
menos percorridos para chegar a seus aposentos particulares, onde quase
surpreendeu alguns funcionários que tinham tomado um atalho para as
cozinhas. Para evitá-los, eles tinham que se manter na parede e
permanecer imóveis por alguns momentos que pareciam eternos.Então
eles entraram nos aposentos de Arthas, que, depois de fechar a porta, se
inclinou sobre ela e puxou Jaina em direção a ele para beijá-la
apaixonadamente. No entanto, foi a tímida e estudiosa Jaina que
interrompeu o beijo. Ele pegou a mão de Arthas e levou-a para a cama
enquanto o reflexo laranja das chamas do homem de palha penetrava pelas
janelas e dançava em sua pele.Ele a seguiu como se estivesse atordoado,
ou talvez sonhando.
Ficaram ao lado da cama e suas mãos se apertaram com tanta força
que Arthas temeu que ele pudesse quebrar seus dedos
inconscientemente.-Jaina -ele sussurrou."Arthas," ela respondeu com um
gemido e beijou seu príncipe novamente enquanto ele acariciava suas
bochechas com as mãos. Arthas ficou impressionado com o desejo e se
sentiu vazio quando Jaina se separou dele. No entanto, o hálito doce e
quente da menina acariciou o rosto de Arthas quando ela sussurrou para
ele:
—¿Estamos... preparados para dar este passo?
Arthas pensou em responder brincando com essa pergunta, mas sabia o que
realmente queria dizer. Arthas nunca estivera mais preparado para permitir
que aquela garota ocupasse em seu coração o lugar certo. Lembrou-se de que
uma vez teve que rejeitar mulheres, como aconteceu com Taretha; e ele sabia
que Jaina tinha menos experiência do que ele naqueles assuntos."Eu estou se
você estiver", ele sussurrou com voz rouca.E quando ele se inclinou para
beijá-la novamente, ele encontrou aquele cenho que era tão familiar. Meus
beijos farão desaparecer essa carranca que mancha seu rosto, jurou enquanto
estava deitado na cama. Conseguirei que tudo que te preocupa desapareça
para sempre.Mais tarde, quando o homem de palha já havia queimado e a
única luz que tocava o corpo adormecido de Jaina era o frio reflexo azul e
branco da lua; Arthas ficou acordado imaginando o que o futuro traria e
sentindo-se plenamente feliz ao acariciar as curvas do corpo de Jaina com os
dedos.Ele não jogara um galho no fogo do homem de palha porque, quando
apareceu diante dele, Arthas percebera que não havia nada em sua vida que
quisesse se livrar. Agora não há, ele pensou quando se inclinou para beijá-la.
Jaina acordou com um leve suspiro e o abraçou."Ninguém parece capaz de
negar nada a você", sussurrou, repetindo as palavras que dissera no dia em que
se beijaram pela primeira vez, "e muito menos eu".Ele a abraçou com força e
sentiu um calafrio repentino sem saber exatamente por quê.-Não me negue,
Jaina.Nunca me renuncie, por favor.A garota olhou para cima; seus olhos
brilhavam no brilho frio da lua.
—Nunca o farei, Arthas. Nunca.

CAPÍTULO
OITO

O palácio nunca havía sido decorado de uma forma tão alegre para o
Festival de Inverno como aquele ano. Muradin, que sempre havia sido um
excelente embaixador de seu povo e seus costumes, havia trazido consigo
esta tradição anã a Lordaeron quando foi destinado a esse reino. Com o passar
do tempo, a popularidade de tal festival havia crescido, e aquele ano as
pessoas pareciam levar isso a sério.
A atmosfera festiva era palpável no ar por algumas semanas, quando Jaina os
entusiasmou incendiando o homem de palha de maneira tão teatral. Ela havia
recebido permissão para ficar lá no inverno se quisesse, embora Dalaran não
estivesse longe para alguém que fosse capaz de se teletransportar. No entanto,
algo havia mudado. Foi algo muito sutil e profundo. Jaina Proudmore estava
começando a ser tratada como alguém que era algo mais que a filha do
governante de Kul Tiras, algo mais que uma simples amiga.
Eles começaram a tratá-la como se ela fosse um membro da família real.
Arthas percebeu isso pela primeira vez quando sua mãe convenceu Jaina e
Calia de que deveriam experimentar os vestidos que usariam no baile noturno
do Festival de Inverno. Embora em festivais anteriores tivessem tido outros
convidados de honra, Lianne nunca quis combinar o vestido dela e o de sua
filha com o da hóspede.
Além disso, Terenas frequentemente pedia a Jaina que se juntasse a ele e a
Arthas, quando realizavam audiências em que se sentavam para ouvir os
pedidos das pessoas. Ela costumava se sentar à esquerda do rei, em uma
posição que quase igualava o príncipe, e Arthas à direita.Arthas supôs que
tudo o que estava acontecendo era a conclusão lógica do processo que ambos
haviam iniciado. Ou não? Então lembrou-se das palavras que dissera a Calia
anos antes: "Todos têm suas obrigações, suponho. Você vai se casar com
quem nosso pai escolher, e eu vou casar com quem eu deva de acordo com os
interesses do reino. "Jaina seria boa para o reino. E ele também acreditava
que seria boa para ele.Então, por que ele se sentiu tão desconfortável só de
pensar nisso?
A noite anterior ao Veu do Inverno nevou. . Arthas observava de uma
larga janela o lago Lordamere, que naquela época do ano estava congelado.
Começou a nevar ao amanhecer e havia parado há uma hora. O céu era da cor
de veludo negro, as estrelas eram como diamantes congelados que brilhavam
na escuridão suave e a luz da lua fazia tudo parecer imóvel, silencioso e
mágico.Uma mão macia entrelaçada com a dele.-É lindo não é? Jaina disse
calmamente. Arthas assentiu, nem mesmo olhando para ela."Quanta
munição", acrescentou a jovem.-O que?"Quanta munição", reiterou Jaina,
"para uma luta de bolas de neve. Arthas se virou para ela ao mesmo tempo
em que respirava com força. Até então Jaina não o havia permitido ver os
vestidos que ela, Calia e sua mãe iriam usar para o banquete e dança da noite,
então ele ficou perplexo com a beleza insuperável diante dele. Jaina
Proudmoore parecia uma donzela feita de neve com sapatos que eram como
gelo, um vestido branco com reflexões do azul pálido que poderia ser
imaginado e um diadema de prata que adornava o cabelo pegando o brilho
das tochas. Mas não havia nenhuma rainha da neve ou qualquer estátua, mas
um ambiente aconchegante, sim uma pessoa gentil, suave e viva cujo cabelo
dourado parecia flutuar em volta dos ombros, cujo rosto assumiu um tom
avermelhado ao olhar de admiração de Arthas e cujos olhos azul brilhava de
felicidade.
-Você é como uma vela branca, ele disse. De branco e dourado. Arthas
aproximou-se de sua amada para pegar uma mecha de cabelo, com a qual ele
brincou entre os dedos.
Jaina sorriu.Sim, disse, rindo enquanto tentava acariciar os fios claros de
Arthas. -Nossos filhos quase certamente serão loiros.
O príncipe estava congelado.-Jaina, você não esta?Então ela sorriu
largamente.Não Ainda não. Mas não há razão para acreditar que não teremos
filhos.Crianças Mais uma vez, essa palavra petrificou-o e deixou-o chocado,
vítima de uma angústia muito peculiar. Jaina estava falando sobre seus filhos.
Sua mente voou para o futuro; um futuro em que Jaina era sua esposa, eles
tiveram filhos e seus pais já haviam morrido. Um futuro em que ele ocupava o
trono e podia até sentir o peso da coroa em sua cabeça. Uma parte dele queria
desesperadamente que o futuro se realiza-se. Ele adorava que Jaina estivesse ao
seu lado, ele adorava tê-la em seus braços, ele amava seu gosto e aroma, ele
amava seu riso, puro como o toque de sinos e doce como a fragrância das
rosas.Ele adorava, mas e se ele arruinasse tudo?De repente, ele percebeu que,
até aquele momento, tudo havia sido um mero jogo de crianças. Pensou em
Jaina como companheira, como sempre fora desde que eram crianças, exceto
pelo fato de seus jogos serem agora de caráter mais adulto. Mas uma dúvida
surgiu subitamente nele. E se esse sentimento fosse real? E se ele realmente
estivesse apaixonado por ela e ela por ele? E se ele fosse um mau marido e um
rei mau? E o que?"Não estou pronto para dar esse passo", ele murmurou.Jaina
franziu a testa com essa afirmação.-Bem, não precisamos mais ter filhos.Ela
apertou a mão dele. Sua intenção com esse gesto era tranquilizá-lo.De repente,
ele soltou a mão e deu um passo para trás. E então sua amada ficou com o rosto
confuso.-Arthas, o que há de errado?
"Jaina, somos muito jovens", disse ele, falando rapidamente e elevando um
pouco a voz. Eu sou muito jovem Eu ainda tenho... eu não posso ... eu não estou
pronto.
Jaina empalideceu.-Você não é? Eu pensei que...
Culpa corroeu Arthas. Foi justo o que ela lhe perguntou na noite em que se
tornaram amantes: "Estamos prontos para dar esse passo?", ela sussurrara. "Eu
estou, se você estiver", ele respondeu, e acreditou nessas palavras ... Ele
realmente acreditava que disse isso com todo coração...
Arthas pegou de ambas as mãos, tentando desesperadamente expressar em
palavras o carrossel de emoções que sentia.Eu ainda tenho muito a aprender. Eu
ainda tenho que completar meu treinamento. E meu pai precisa de mim. Uther
ainda tem muito a me ensinar e, além de Jaina, sempre fomos amigos. Você
sempre me entendeu tão bem. Você não é mais capaz de me entender? Não
podemos mais permanecer amigos?Jaina abriu os lábios pálidos para dizer
alguma coisa, mas nenhuma palavra saiu deles. Suas mãos estavam inertes na de
Arthas, que as segurava com os nervos apertados.Jaina, por favor, entenda,
mesmo que eu nem sequer entenda, pensou o príncipe."Claro, Arthas", sua
amada respondeu em um tom de voz muito monótono.-.Você e eu sempre
seremos amigos.
Tudo nela falava de sua dor e choque, da postura do corpo, da expressão
do rosto e do tom de voz. No entanto, Arthas se agarrava a essas palavras
como um prego em chamas e uma onda de alívio o invadiu tão
profundamente que suas pernas tremeram. Tudo ficaria bem. Talvez Jaina
estivesse com raiva por um tempo, mas logo ela entenderia. Eles se
conheciam muito bem. Ela acabaria percebendo que ele estava certo, que era
cedo demais."Ou seja, não temos que acabar para sempre", disse ele,
motivado pela necessidade de se explicar. Será temporário. Você tem que
estudar? Tenho certeza que tenho sido uma distração para você. Antonidas
certamente se ressentirá de mim.Jaina não disse nada.-É o melhor. Talvez
um dia, quando as circunstâncias forem diferentes, possamos tentar
novamente. Não é que eu ... que você ... Arthas a puxou para ele e a abraçou.
Jaina permaneceu rígida como uma pedra por um momento, mas depois se
abandonou ao calor dos braços que a rodeavam. Eles permaneceram de pé,
imóveis naquela sala por um longo tempo. Arthas apoiou o rosto no lustroso
cabelo dourado de Jaina, sobre o mesmo cabelo com o qual seus filhos
nasceriam sem dúvida. E talvez eles ainda pudessem nascer."Eu não quero
fechar esta porta para sempre", ele apontou em voz baixa. Apenas... tudo
bem, Arthas. Te entendo.Então o príncipe afastou-se dela, apoiou as mãos
nos ombros de sua amada e olhou em seus olhos.- Verdade?Jaina riu
relutantemente.-Para ser sincera, não. Mas estou bem. Bem, eu ficarei. Eu
sei.-Jaina, eu só quero estar convencido de que esta é a coisa certa a fazer.
Para ambos.Eu não quero estragar tudo. Eu não posso estragar tudo, o
príncipe pensou.A jovem assentiu. Respirou fundo, recuperou a compostura
e deu-lhe um sorriso - um sorriso franco, embora tingido de sofrimento.
—Vamos, príncipe Arthas. Você tem que acompanhar sua amiga ao
Baile.De alguma forma, Arthas e Jaina conseguiram sobreviver naquela
noite, embora Terenas não parasse de lançar olhares cheios de surpresa para
seu filho. Arthas não queria contar ao pai, ainda não. Na verdade, foi uma
noite muito triste e tensa. Em um ponto, quando houve uma pausa na dança,
Arthas tomou um momento para contemplar o manto branco de neve e o
lago prateado pelo efeito da lua, e se perguntou por que tudo de ruim parecia
sempre ocorrem no inverno .
O tenente-general Aedelas Blackmoore não parecia especialmente feliz
por ter uma audiência com o rei Terenas e com o príncipe Arthas. Na
verdade, parecia que ele queria desesperadamente sair de lá sem que
ninguém percebesse.Os anos não passaram em branco por ele, nem no
aspecto físico nem em seu modo de ser. Arthas lembrou um comandante
bonito e refinado que, apesar de seu gosto inquestionável para a bebida, pelo
menos, parecia ser capaz de adiar os estragos que o álcool causava; mas isso
não era mais o caso. O cabelo de Blackmoore tinha listras cinzentas; além
disso, ele ganhou peso e seus olhos estavam vermelhos. Por sorte, estava
totalmente sóbrio. Se ele tivesse se apresentado àquela reunião intoxicado,
Terenas, um firme defensor da moderação em todas as áreas da vida, teria se
recusado a recebê-lo.
Naquela ocasião, Blackmoore estava na presença do rei porque ele havia metido os pés
pelas mãos. De alguma forma, o valioso gladiador orc de sua propriedade chamado Thrall
havia escapado de Durnholde, aproveitando-se do fato de que um incêndio havia ocorrido
lá. Blackmoore tentou esconder os fatos e foi em busca do orc pessoalmente apoiado por
um pequeno grupo de homens; mas como um gigantesco orc verde que vagava livremente
atraía muita atenção, sua fuga não foi mantida em segredo por muito tempo. Assim que a
notícia se espalhou, os rumores foram disparados, é claro: foi dito que um rival havia
libertado o orc para garantir que seus gladiadores vencessem na arena; que era o plano de
uma dama ciumenta que esperava assim envergonhar Blackmoore; que foi resgatado por
um bando de orcs que não foram afetados por essa estranha letargia; que mesmo Orgrim
Martelo da Perdição o tirou de lá; e até mesmo que foram os dragões que soltaram o fogo
com sua respiração ardente depois de se infiltrarem disfarçados de humanos.
Arthas se lembrava de ter se divertido muito ao assistir luta de Thrall,
mas mesmo naquele momento, perguntou-se se teria sido uma boa ideia
educar e treinar um orc. Assim que Terenas soube que Thrall havia escapado,
ele exigiu que Blackmoore aparecesse diante dele para relatar a
situação.-Para que isso não fosse suficiente adestrou um orc para lutar com
gladiadores -repreendeu Terenas-, você também o ensinou estratégia militar,
a ler e escrever... Então eu tenho que perguntar, Tenente general... Em nome
da luz, em que estava pensando?Arthas reprimiu um sorriso enquanto
Aedelas Blackmoore parecia diminuir diante de seus próprios olhos."Você
me garantiu que os fundos e materiais que fornecemos foram usados
somente para melhorar a segurança das instalações e que seu animal de
estimação orc estava perfeitamente preso", continuou o rei. Mesmo assim, de
alguma forma, agora ele está à solta em vez de ficar trancado em Durnholde.
Como é possível que algo assim aconteceu? Blackmoore franziu a testa e
pareceu recuperar um pouco a compostura.- Sim, é uma desgraça que Thrall
tenha escapado. Embora eu tenha certeza que você sabe como me sinto.Isso
foi um golpe muito baixo que Blackmoore tentou usar contra o rei, já que ele
sabia que Terenas ainda ainda se irritava de que Doomhammer houvesse
escapado de Cidade Baixa de baixo de eus narizes. No entanto, não foi uma
estratégia muito precisa, já que Terenas franziu a testa e acrescentou:
Espero que esta não seja uma mera consequência de um problema
muito mais sério. Como você bem sabe, tenente-general, as pessoas têm
dificuldade em ganhar o pão com o suor de suas testas, e ainda mais pagar
seus impostos. É por isso que temos a obrigação de garantir que o
dinheiro arrecadado sirva para protegê-los. Será necessário enviar um
representante a Durnholde para garantir que os fundos sejam distribuídos
adequadamente?
Não! Não, não, isso não será necessário. Vou justificar até o último centavo gasto.
-Sim-replicou Terenas como uma amabilidade enganosa, o fara
.Assim que Blackmoore finalmente saiu da sala, depois de fazer várias reverências
a caminho da porta, Terenas se virou para o filho.-Você viu Thrall em ação. O que você
acha dessa situação?
Arthas assentiu.-Não era como imaginava que os orcs fossem. Quero dizer, era
enorme. E ele lutou com grande ferocidade. Era óbvio que ele era esperto e que tinha
sido bem treinado.Terenas esfregou a barba pensativamente e apontou:"Ainda existem
remanescentes de orcs renegados, alguns dos quais podem não estar afetados pela
apatia mostrada por aqueles que trancamos. Se Thrall correr para eles e ensinar tudo o
que sabe, as coisas podem dar muito errado.
Arthas permaneceu sentado, embora se endireitou para indicar o seguinte:-Eu
tenho treinado muito duro com o Uther.
Era verdade. Como ele não era capaz de explicar aos outros, ou a si
mesmo, por que ele havia terminado seu relacionamento com Jaina, Arthas
havia se voltado totalmente ao treinamento. Ele lutava por horas todos os
dias até que todo o corpo doesse, exaurindo-se para apagar a imagem do
rosto de Jaina de sua mente.Eu tomei a decisão certa, certo? E Jaina a levara
muito bem. Então, por que ele ficou acordado durante a noite, ansiando por
seu calor e presença, sofrendo uma dor que beirava a agonia? Ele havia
passado horas e horas praticando meditação silenciosa em uma tentativa vã
de afastá-la de seus pensamentos, algo que anteriormente teria sido
considerado uma perda de tempo. Talvez se ele se concentrasse no combate,
em saber aceitar, canalizar e dirigir a Luz, ele poderia superá-lo. Superar o
fato de que ele mesmo havia rompido com a garota que amava.
- Poderíamos ir em busca desses orcs para encontrá-los antes de Thrall.
Terenas assentiu.
"Uther me contou muito sobre a imensa dedicação com que você treina. Ele
está impressionado com o quanto você progrediu ultimamente ", disse ele. E então
ele tomou uma decisão. Muito bem. Vá informar Uther.
Prepare-se para sair. É hora de você experimentar pela primeira vez o que é
uma verdadeira batalha.
Arthas mal conseguiu conter um grito de alegria. Ele se absteve de perceber o
gesto de sofrimento e preocupação que estava no rosto de seu pai. Então, e só então,
depois de matar aquelas peles verdes, talvez Arthas pudesse apagar de sua mente a
expressão dolorida de Jaina, instantes depois de terminar seu relacionamento.
-Obrigado senhor. Eu vou te deixar orgulhoso.
Mesmo que os olhos azul-esverdeados de seu pai, tão semelhantes aos de Arthas
ficassem tingidos de tristeza, Terenas sorriu.
-Isso, meu filho, é o que menos me preocupa.

CAPÍTULO
NOVE

J aina atravesou correndo os jardins, estava atrasada para a sua aula com
o arquimago Antonidas. o que havia se tornado habito: ela estava tão
absorvida em um livro que perdera a noção do tempo. Seu professor sempre
a repreendeu sobre isso, mas ela não podia evitar. Através das fileiras de
árvores de maçã de crosta dourada, de cujos galhos pendurados grandes
frutos maduros, sentiu um ligeiro ataque de melancolia, lembrando de uma
conversa que teve no mesmo lugar há alguns anos; quando Arthas a
surpreendeu por trás, ele cobriu os olhos com as mãos e sussurrou: "Quem
sou eu?"Ela ainda sentia muita falta de Arthas e achava que sempre sentiria
falta dele. O rompimento foi algo tão inesperado e doloroso. Além disso,
Arthas não tinha conseguido escolher um momento pior e Jaina lembrou-se
de como se sentiu envergonhada quando teve que esconder sua tristeza
durante toda a dança de gala do Festival de Inverno. Mas depois de superar o
impacto inicial, Jaina conseguiu entender o raciocínio de Arthas. Ambos
eram jovens e, como o príncipe havia apontado na época, eles tinham
responsabilidades a cumprir e treinamento para completar. Jaina prometera
que sempre seriam amigos, ela dissera isso de todo coração e reafirmava seu
propósito mais tarde. No entanto, a fim de cumprir essa promessa, ela teve
que fechar as feridas de seu coração. E foi precisamente isso que fez.Desde
então, muitas coisas aconteceram que a mantiveram concentrada em outros
assuntos e ocupada com outras tarefas. Cinco anos antes, um poderoso mago
chamado Kel'Thuzad desencadeara a ira do Kirin Tor enquanto se
aventurava pelo caminho da magia necromatica não natural. Kel'Thuzad
havia deixado a cidade, repentina e misteriosamente, depois de sofrer uma
severa reprimenda e receber, de maneira muito clara, a ordem de cessar
imediatamente essas experiências. Esse mistério foi um dos muitos que a
ajudaram a se manter entretida nos últimos três anos.
Além das muralhas da cidade mágica, muitas coisas também aconteceram,
embora a informação a respeito fosse muito fragmentada, caótica e repleta de
rumores. Jaina tinha deduzido que Thrall, o orc fugido de Durnholde, tinha
havia se proclamado Chefe Guerreiro da Nova Horda e iniciou uma série de
ataques contra os campos de concentração para libertar os orcs que
permaneceram lá encarcerados. Mais tarde, a própria Durnholde foi destruída
pelo auto-intitulado Chefe da guerra, e pelo que Jaina pode saber, foi reduzido a
ruínas, quando Thrall recorreu a antiga magia xamanica de seu povo.
Blackmoore também caíra, mas, pelo que lhe chegara aos seus ouvidos, não
sentiria muito a sua falta. Embora preocupada com o fato de que essa nova
horda pudesse representar uma ameaça para seu povo, Jaina não se arrependia
de que os campos de prisioneiros tivessem sido destruídos. Não depois de ter
testemunhado o que estava acontecendo atrás de seus muros.
Então ela ouviu vozes que a tiraram de seus pensamentos, uma das quais
tentou se impor sobre a outra cheia de raiva. Esse tipo de argumento era tão
incomum naquele lugar que Jaina parou abruptamente."Eu já avisei a Terenas
que seu povo está aprisionado dentro dos limites de suas próprias terras. E
agora eu reitero para você: a humanidade está em perigo. A escuridão
ressurgiu novamente e o mundo inteiro está à beira de uma guerra!Jaina não
reconheceu aquela voz masculina ressonante e poderosa.-Ah, agora eu sei
quem você é.Você é o profeta incoerente mencionado pelo rei Terenas em sua
última missiva. Estou interessado em seu absurdo tanto quanto o rei.O outro
interlocutor era Antonidas, que estava tão calmo quanto aquele insistente
estranho. Jaina sabia que o melhor que podia fazer era se retirar discretamente
antes que percebessem sua presença; No entanto, a mesma curiosidade que a
levou a acompanhar Arthas para espiar um campo de prisioneiros de orcs
quando criança, fez com que ela se tornasse invisível, a fim de saber mais
sobre o objeto de sua conversa. Aproximou-se deles furtivamente até poder
ver claramente os dois: o primeiro interlocutor, a quem Antonidas
sarcasticamente chamara de "profeta", usava uma capa e um capuz decorado
com penas negras; o segundo, o professor de Jaina, andava a cavalo.-Eu
pensei que Terenas tinha expressado com clareza clara qual era sua opinião
sobre suas previsões.-Você deveria ser mais sábio que o rei. O fim está
próximo!"Eu já lhe disse antes: não estou interessada em suas artimanhas",
Antonidas respondeu baixinho, mas rudemente.Jaina conhecia aquele tom de
voz perfeitamente.O profeta permaneceu em silêncio por alguns segundos e
depois lançou um suspiro e disse- Então perco meu tempo falando com você.
perante o olhar atordoado de Jaina, a silhueta do estranho se desvaneceu,
diminuiu e mudou de forma, de modo que, onde um momento antes de um
homem de túnica com capuz, havia agora um enorme pássaro negro, que
soltou um grito de frustração, subiu para o céu batendo as asas e
desapareceu.Instantaneamente, Antonidas, sem desviar o olhar do intruso,
que agora era apenas um ponto de fuga no céu azul, disse o seguinte:-Você
pode se mostrar, Jaina.Uma onda de calor invadiu o rosto da maga, que
murmurou um contra feitiço e tornou-se visível para o seu mentor.-Lamento
ter te espiado, mestre, mas- Aquele tolo demente está convencido de que o
mundo está prestes a chegar ao fim. Na minha opinião, isso está levando a
questão da praga longe demais.
—Praga? —questionou Jaina.
Antonidas desmontou com um suspiro, e em seguida , ele deu um tapa
amigável na parte traseira do seu cavalo para dizer-lhe para andar. O cavalo
saltou ligeiramente e trotou obedientemente para os estábulos, onde um
criado iria atendê-lo. O arquimago fez um sinal para que sua aprendiz se
aproximasse. Jaina se aproximou dele para pegar a mão envelhecida que seu
mentor lhe ofereceu.-Claro que você se lembra que eu enviei alguns
mensageiros para a Cidade Capital recentemente, comentou Antonidas.-Eu
pensei que essas mensagens estavam relacionadas ao problema dos
orcs.Então Antonidas murmurou um encantamento e, momentos depois,
reapareceram em seus aposentos particulares. Jaina amava aquele lugar:
desordem; o cheiro de pergaminho, couro e tinta; e aquelas velhas cadeiras
nas quais alguém poderia ser acomodado para se perder em um oceano de
sabedoria. Antonidas fez sinal para ela se sentar e foi o suficiente que ele
simplesmente flexiona-se um dedo para que um jarro servisse néctar para os
dois.- Bem, esse assunto também foi incluído na agenda; no entanto,
consideramos que uma ameaça maior está à nossa porta.- Maior que o
renascimento da Horda?Jaina estendeu a mão e uma taça de cristal, cheia de
líquido dourado, flutuou no ar para pousar na palma de sua mão.- Com os
orcs, alguém poderia raciocinar, pelo menos em teoria. Mas com uma
doença você não pode fazer isso. De acordo com os relatórios que
recebemos, a praga está se espalhando pelas terras do norte. Então eu acho
que o Kirin Tor deveria prestar mais atenção a esse fenômeno.Jaina
observou-o atentamente e franziu a testa enquanto bebia aquele néctar.
Normalmente, as doenças são da competência dos clérigos, não dos mágos.
A menos que...
-Você acha que poderia ter uma origem mágica?Seu professor acenou com a
cabeça calva.-É mais do que provável. Por isso, Jaina Proudmore, vou
pedir-lhe que viaje a estas terras para investigar este assunto.- Eu? Jaina
exclamou e quase se afogou com o néctar.Sim, sim você. Você aprendeu
tudo que tenho para ensinar. Além disso, é hora de você aplicar o que
aprendeu fora do abrigo e da segurança fornecidos por essas torres ",
explicou Antonidas, que sorriu gentilmente enquanto seus olhos brilhavam.
Além disso, organizei um enviado muito especial para ajudá-la em sua
missão.

Arthas descansava encostado a uma árvore e, com o rosto voltado para o


céu, desfrutava da luz fraca do sol com os olhos fechados. Ele sabia que
irradiava calma e confiança. De fato, ele foi forçado a tê-la. Seus homens já
estavam suficientemente preocupados por todos eles. Não podia deixá-los saber
que ele também estava muito nervoso. Depois de tanto tempo, como seria sua
reunião? Talvez não tenha sido uma decisão tão sábia, afinal. Mas os relatos da
peste continuavam chegando e, por outro lado, sabia que ela era muito
equilibrada e inteligente. Tudo ficaria bem. Tinha que ficar bem.Um de seus
capitães, Falric, que Arthas conhecia há anos, entrou com passo firme em um
dos quatro caminhos que formavam a encruzilhada, depois refazendo seus
passos e se aventurando em outro caminho. Estava muito frio e sua respiração
era evidente na forma de neblina; Além disso, sua raiva aumentava às
vezes."Príncipe Arthas", ele finalmente disse, "estamos esperando há horas.
Tem certeza de que seu amigo virá?Os lábios de Arthas se curvaram em um
leve sorriso. Eles não informaram aos homens de quem a pessoa que esperavam
era por razões de segurança. O príncipe respondeu com os olhos
fechados.-Estou certo. E era verdade. Arthas pensou em todas as vezes que teve
que esperar pacientemente por sua amiga. Jaina sempre chega um pouco
atrasada.Assim que essas palavras saíram de seus lábios, ele ouviu um berro e
algumas palavras mal decifráveis:- Eu ESMAGO!Arthas, como uma pantera
que estivera se bronzeando ao sol e despertara ao menor sinal de ameaça,
preparou-se para enfrentar o inimigo com um martelo na mão. Ele observou a
estrada e viu a silhueta de uma mulher esbelta correndo em sua direção assim
que chegou ao topo de uma colina. Atrás dela vinha o que Arthas supunha ser
um servo elemental: um ponto com uma cabeça muito áspera e extremidades
que giravam sobre si mesmas e pareciam ser compostas de água colorida.E atrás
daquele ser surgiram dois ogros.
—Pela Luz! —gritou Falric enquanto faz um gesto para correr em
direção a esse grupo singular de seres.Arthas teria ido antes de seus
homens para o resgate da donzela se ele não tivesse percebido que era
Jaina Proudmore. A maga tinha um sorriso largo."Guarde sua espada,
capitão", Arthas ordenou, sorrindo. Aquela senhora sabe como cuidar de
si mesma.Assim foi. A donzela foi capaz de se defender sozinha com
muita eficácia. Naquele exato momento, Jaina se virou e invocou o fogo.
Arthas percebeu que aqueles pobres e estupefatos ogros iriam ficar
muito mal na briga; e, de fato, assim que o fogo acariciou seus corpos
rechonchudos e pálidos, os ogros gritaram de dor e assombro, incapazes
de acreditar que aquele pequeno humano pudesse ter tanto poder. Um
deles fugiu, como era de se esperar, mas o outro, incapaz de acreditar no
que ainda estava acontecendo, continuou avançando. Jaina lançou uma
rajada de chamas alaranjadas sobre ele, que gritou e desmaiou,
morrendo imediatamente queimado. O fedor de carne queimada invadiu
as narinas de Arthas.Jaina observou o outro ogro fugir, depois apertou as
duas mãos e assentiu com um leve aceno de cabeça. Eu nem sequer
comecei a suar.- Senhores, eu apresento a senhorita Jaina Proudmore -
anunciou Arthas arrastando as vogais um pouco, quando ela se
aproximou de sua amiga de infância. Ela é uma agente especial do Kirin
Tor e uma das magas mais talentosas dessas terras. Tenho a impressão
de que ela não perdeu seu toque magistral.A maga se virou para olhá -lo
e sorriu. Não foi um momento desconfortável como temia, mas muito
feliz. Jaina ficou feliz em vê-lo e Arthas a vê-la. O príncipe sentiu uma
onda de satisfação enchê-lo por dentro.-Estou feliz em ver você de novo
- acrescentou o príncipe.Essas palavras, aparentemente educadas,
expressavam mais do que parecia a olho nu. E ela entendeu isso. sempre
entendia. É por isso que seus olhos brilharam quando ele respondeu:-O
mesmo digo. Faz tanto tempo desde a última vez que um príncipe me
escoltou."Sim", disse, com um tom de voz que revelou um certo
arrependimento. Tem razão.Aquele momento foi desconfortável, o que
fez com que Jaina olhasse para o chão e Arthas pigarreou.para
dizer:-Bem, acho que seria melhor se prosseguirmos.

A maga assentiu com um aceno de mão e indicou ao elemental que a


acompanhara que poderia retirar-se."Agora que esses soldados leais me
escoltam, eu não preciso mais da proteção desse amigo", disse, enquanto dava a
Falric e seus homens o melhor sorriso. Bem, alteza, diga-me: o que se sabe
sobre essa praga que devemos investigar?"Não muito", ele foi forçado a
confessar quando começaram a andar. Eu só sei que meu pai me enviou para
trabalhar com você.Ultimamente tenho lutado ao lado de Uther, lado a lado,
para acabar com a ameaça dos orcs e não ouvi muito sobre essa praga. De
qualquer forma, eu tomo como certo que, se os magos de Dalaran querem saber
mais sobre isso, esse fenômeno deve ter algo a ver com magia.A maga assentiu
sem perder o sorriso a qualquer momento, embora já estivesse franzindo o
cenho habitual nela. Arthas sentiu uma estranha pontada de nostalgia quando
notou aquele gesto.-Assim é. Embora eu não saiba com certeza qual é o elo
exato entre esse fato e as artes arcanas. É por isso que o Mestre Antonidas me
confiou a missão de informar-lhe tudo o que vêr nesses lugares. Devemos ter
certeza de que tudo está em ordem nas populações de Caminho do Rei.
Devemos conversar com os moradores locais para ver se eles sabem alguma
coisa que possa ser útil para nós. Com sorte, eles não estarão infectados ainda e
não estaremos enfrentando uma epidemia séria, mas, simplesmente, antes do
surto localizado de alguma doença ", explicou Jaina.Arthas, que a conhecia
muito bem, foi capaz de detectar um certo tom de dúvida em sua voz. Eu
entendi perfeitamente. Se Antonidas não acreditasse que fosse algo sério, ele
não teria enviado sua amado aprendiz para avaliar a situação no solo; Da
mesma forma, o rei Terenas também não teria enviado seu filho Então o
príncipe decidiu que seria melhor mudar o ponto de vista"Eu me pergunto se a
praga terá algo a ver com os orcs", disse Arthas, insistindo nessa teoria apesar
da expressão de surpresa de Jaina. Tenho certeza que você já ouviu falar sobre
as fugas que ocorreram nos campos de prisioneiros.Sim Às vezes me pergunto
se a família que vimos em seu dia estará entre aqueles que escaparam ", Jaina
refletiu enquanto assentia."Bem, se assim for, talvez eles agora estejam
adorando alguns demônios", respondeu o príncipe, revelando em sua
linguagem corporal que estava desconfortável com o que sua interlocutora
acabara de dizer.-O que? Ele acreditava que essa opção havia sido descartada
há muito tempo; Os orcs não devem mais ter acesso a essa energia demoníaca
", respondeu a maga, com os olhos bem abertos."Meu pai enviou Uther e eu
para ajudar a defender Strahnbrad dos ataques dos orcs. Mas quando chegamos
à cidade, os orcs já haviam sequestrado alguns moradores. Mesmo que nós os
tenhamos caçado em seu acampamento, três homens foram massacrados ",
disse Arthas dando de ombros. Jaina ouvia-o como sempre fazia, mas não
apenas com os ouvidos, mas com todo o corpo, concentrando-se em cada
palavra com a intensa meditação que Arthas recordava. Pela Luz, como era
lindo.Os orcs alegaram que os humanos tinham sido oferecidos como sacrifício
aos seus mestres demônios. Eles também apontaram que era uma oferta
escassa; É óbvio que eles gostariam de sacrificar mais vítimas - Arthas
continuou.
—Antonidas parece crer que esta peste é de natureza mágica — murmurou
Jaina—. Me pegunto se haveria alguma relação entre ambos os fenómenos. É
desanimador saber que eles retornaram aos seus caminhos perversos. Embora
talvez seja um caso isolado, de um único clã.Talvez sim, ou talvez não -Arthas
lembrou-se da fúria com que Thrall havia lutado na arena, mesmo se
lembrando de que não tinha sido fácil vencer esses orcs que não eram nada
mais do que ralé-. Mas não podemos correr riscos. Se eles nos atacarem, meus
homens têm ordens para matá-los.De um modo fugaz, ele pensou na fúria que o
dominara quando o líder dos orcs lhe enviou a resposta ao pacto que Uther lhes
oferecera em troca de sua rendição. Thrall havia ordenado o assassinato dos
dois homens enviados para negociação. Os cavalos haviam retornado sem seus
cavaleiros. Era uma mensagem sem palavras, mas o conteúdo havia sido
esclarecido de maneira brutal."Vamos até lá destruir estas bestas!", Gritou
Arthas levantando o martelo brilhante, que lhe tinha sido dado no início da Mão
de Prata. O príncipe teria imediatamente saído em busca do inimigo se Uther
não o tivesse agarrado pelo braço."Lembre-se, Arthas", seu mentor disse
calmamente, "somos paladinos. A vingança não faz parte do nosso caminho. Se
permitirmos que as emoções alimentem nossa sede de sangue, nos tornaremos
seres tão desprezíveis quanto os orcs. "
Essas palavras haviam penetrado, de alguma forma, na parede de raiva que
Arthas levantara em torno de sua mente. O príncipe observara, com os dentes
cerrados, como haviam levado os cavalos assustados cujos cavaleiros haviam sido
massacrados. Embora as palavras de Uther tivessem sido muito sábias, Arthas
continuara acreditando que ele falhara com os cavaleiros daquelas montarias. Ele
falhou com eles, assim como ele falhou com Invencível antigamente, e agora eles
estavam tão mortos quanto aquele magnífico corcel. Então ele respirou fundo para
se acalmar e respondeu: "Eu sei, Uther".Sua paciência teve sua recompensa, uma
vez que Uther, mais tarde, o confiou para liderar o ataque contra os orcs. Embora eu
gostaria de ter chegado a tempo de salvar aqueles três pobres infelizes que foram
sacrificados.
Uma mão descansou em seu braço e isso o fez retornar ao presente. Sem pensar
duas vezes, por puro hábito, ele cobriu a mão de Jaina com a dele. A maga tentou
afastá-la e deu-lhe um sorriso tenso."Estou tão feliz, tão feliz em vê-lo novamente",
disse o príncipe impulsivamente.A tensão que dominava o sorriso de Jaina
desapareceu, tornando-se mais sincera quando agarrou Arthas pelo braço.O mesmo,
alteza. Falando nisso, obrigado por restringir o seu homem quando nos conhecemos
", disse, enquanto seu sorriso era ainda maior. Eu lhe disse uma vez: não sou uma
frágil estátua de porcelana.-Claro que não, minha senhora. Você vai lutar ao nosso
lado nas batalhas que nos esperam ", disse o príncipe com uma risada.-Eu rezo para
que nenhuma luta seja desencadeada, porque só temos que investigar. Mas eu não
hesitarei se você tiver que entrar em combate. Eu farei o que tenho que fazer. Como
sempre fiz, "disse enquanto suspirava.Jaina retirou a mão do braço de Arthas e o
príncipe sentiu-se desapontado, embora ele disfarçasse.-Como todo mundo, minha
senhora.-Oh, pare de falar assim comigo, sou Jaina.E eu Arthas. Prazer em
conhecê-la.
Jaina deu-lhe um empurrão e ambos desataram a rir. Assim, de repente, a
parede que se erguia entre eles desmoronou. O príncipe inclinou a cabeça para
olhá-la mais de perto e sentiu a emoção dominá-lo quando soube que ela estava
de volta ao seu lado. Mas como iam enfrentar um perigo muito real juntos pela
primeira vez, Arthas sentiu emoções contraditórias. Ele queria protegê-la, mas ao
mesmo tempo queria deslumbrar o mundo, mostrando todo o seu talento nessa
missão. Ele também se perguntou se, naquele dia, ele fizera a coisa certa, ou se já
era tarde demais para uma reconciliação. Era verdade que ele lhe dissera que não
estava pronto; e era verdade, porque naquela época ele não achava que estava
pronto para assumir certas responsabilidades. Mas muitas coisas mudaram desde
o Festival de Inverno. Embora outras não. Além disso, certas emoções
conflitantes o rasgavam por dentro, mas ele conseguiu encurralá-las a não ser
uma: o prazer que sentia pelo simples fato de estar na presença dela.Eles
acamparam naquela noite antes do crepúsculo em uma pequena clareira perto da
estrada. A lua não brilhava no céu, apenas as estrelas cintilavam na escuridão de
ébano que se elevava acima deles. Jaina acendeu o fogo com seus poderes como
uma brincadeira e conjurou pães suculentos e bebidas deliciosas; imediatamente
anunciando:Eu fiz a minha parte.
Os homens riram e prepararam o resto da refeição de maneira solícita:
espetaram os coelhos no espeto e tiraram a fruta dos alforjes. O vinho corria
de mão em mão e dava a impressão de que era mais um grupo de camaradas
que passava uma noite juntos, do que uma unidade de batalha que
investigava uma praga mortal.Depois, Jaina sentou-se um pouco à parte do
grupo. Tinha os olhos voltados para o céu e um sorriso desenhado em seus
lábios. Arthas aproximou-se dela e ofereceu-lhe mais vinho. A maga
segurou a taça enquanto o príncipe a servia, e depois tomou um gole para
saboreá-lo."Um excelente vinho estrangeiro, Alte... Arthas", disse."Ha uma
vantagem em ser um príncipe", respondeu ele. Arthas esticou as pernas
compridas e deitou-se ao lado dela, com um braço atrás da cabeça, como
um travesseiro, enquanto o outro segurava firmemente uma xícara no peito,
enquanto olhava para as estrelas.- O que você acha que vamos encontrar?
Arthas perguntou.-Não sei. Se eu soubesse, eles não teriam me enviado
para investigar. Embora depois do que você me contou sobre seu encontro
com os orcs, eu me pergunto se isso não terá algo a ver com aqueles
demônios que eles adoram.O príncipe assentiu, envolto na escuridão
daquela noite sem lua. Assim que ela percebeu que a maga não podia vê-lo,
ela disse:-Estou de acordo. Talvez devêssemos ter trazido um clerigo
conosco para esta missão.-Nós não precisamos disso. Você é um paladino,
Arthas. A Luz age através de você. Além disso, você lida com uma arma
muito melhor do que qualquer clerigo que eu conheço, "lhe lisonjeou. se
virou para ele e sorriu.O príncipe sorriu largamente para essas palavras.
Então o silêncio reinou por um momento, e quando Arthas estava prestes a
acariciá-la, Jaina suspirou, levantou-se e esvaziou seu copo de vinho.-É
tarde. Eu não sei sobre você, mas estou exausta. Eu te vejo de manhã.
Durma bem, Arthas.No entanto, o príncipe não conseguiu dormir. Ele não
parou de girar em sua cama improvisada enquanto olhava para o céu. Os
sons da noite conspiraram para atrair sua atenção, assim como ele estava
ficando entorpecido. Ele não aguentava mais. Ele sempre foi impulsivo, ele
sabia, mas ... Droga, pensou.Ele removeu os cobertores e se endireitou. No
acampamento havia calma. Como não havia perigo naquele lugar, não
havia nenhum homem parado como vigia. Silenciosamente, Arthas se
levantou e foi até a área onde ele sabia que Jaina estava dormindo. Ele se
ajoelhou ao lado dela e afastou o cabelo que cobria seu lindo rosto."Jaina",
ele sussurrou, "acorde.
Assim como ela havia feito naquela noite tão distante no tempo, Jaina
acordou em silêncio e sem medo, piscando diante dele em sua
curiosidade.O príncipe sorriu e perguntou:-Disposta a viver uma
aventura?A maga inclinou a cabeça sorrindo; Era óbvio que as lembranças
daquela noite também voltaram para ela.- Que tipo de aventura? Jaina
respondeu.-Confie em mim.Eu sempre fiz isso, Arthas.Eles falaram em
sussurros e sua respiração era visível no ar gelado da noite. Jaina estava
deitada de lado e apoiada em um cotovelo; Arthas copiou sua postura, para
que com a mão livre pudesse acariciar seu rosto. A maga não fez nenhum
movimento para se afastar.-Jaina Acho que há uma razão pela qual estamos
juntos novamente.-Claro. Seu pai te mandou porque? "Jaina respondeu,
franzindo a testa em sua maneira tão típica dela.-Não, não É algo mais.
Agora somos uma equipe. Nós trabalhamos muito bem assim.Jaina
permaneceu em silêncio.Enquanto isso, o príncipe continuou a acariciar a
curva suave de uma de suas bochechas."E quando tudo isso acabar,
poderemos conversar." Você me entende ", acrescentou Arthas.-Sobre o
que terminou no Festival de Inverno?
-Não Nas terminações, mas sobre começos. Sem você senti que algo
estava faltando. Eu ansiava por você porque você me conhece melhor do
que ninguém, Jaina.A maga permaneceu em silêncio por um longo tempo;
Então suspirou levemente e colocou uma face na mão do príncipe, que
estremeceu quando ela virou a cabeça e beijou sua mão."Eu nunca consegui
te negar nada, Arthas," respondeu com um tom de voz que indicava algum
júbilo. Sim. Também senti que algo estava faltando. Eu senti tanto a sua
falta.Uma grande sensação de alívio invadiu Arthas, e então ele se inclinou
para abraçá-la e beijá-la apaixonadamente. Eles chegariam ao fundo do
mistério juntos, eles resolveriam e voltariam para casa como heróis. Então
eles se casariam, talvez na primavera. Arthas queria vê-la coberta de pétalas
de rosa. E, mais tarde, aquelas crianças loiras de que Jaina falara em seu dia
chegariam.Lá eles não tinham muita privacidade, já que estavam cercados
por soldados, mas mesmo assim eles dividiam uma cama até que a
madrugada fria o forçou a retornar relutantemente à sua cama. Embora,
antes de sair, ele passou os braços ao redor de Jaina e a abraçou com força.
Logo dormiu um pouco, reconfortado pela idea de que nada, nenhuma
praga, nenhum demonio misterio poderia derrotar a equipe que se formava
com o príncipe Arthas Menethil, paladíno da Luz, e lady Jaina Proudmore,
maga. Superariam aquele desafío, custa-se o que custar.

CAPÍTULO
DEZ

N o meio do dia seguinte se encontram com algumas fazendas


esparçadas pelo caminho.
—Essa aldeia não se encontra muito longe daqui —afirmou Arthas, após
consultar o mapa—. Que estranho. Nenhuma destas fazendas aparece no
mapa.
—Não —replicou Falric com firmeza.
Havia um certo grau de familiaridade no modo como ele se dirigira ao
príncipe; era porque se conheciam há muito tempo. Arthas confiava
plenamente na franqueza deste homem, então Falric tinha colocado em
primeiro lugar na lista de soldados que queria que o acompanhassem na
missão. Naquele momento, aquele homem de confiança, cujo cabelo estava
ficando grisalho, fez um aceno de cabeça e disse:Eu cresci nesta área,
senhor, e esses agricultores vivem principalmente isolados do resto do
mundo. Eles só visitam as aldeias para vender seus produtos e seus animais.-
Há brigas entre essas pessoas e as aldeias?-Nenhuma forma,
alteza.Simplesmente, é assim que as coisas funcionam neste lugar.-Se é esse
o relacionamento que eles têm com o resto do mundo -Jaina conjecturou, é
muito provável que, se alguém fica doente se recusem a procurar ajuda
exterior. Portanto, essas pessoas já poderiam estar doentes e ninguém
saberia.
-Jaina acaba de levantar uma possibilidade que devemos levar em conta.
Vamos ver o que podemos descobrir graças a esses agricultores- Arthas disse
enquanto ordenou sua montaria para a frente.Eles se aproximaram
lentamente, para que os agricultores pudessem notá-lo e se preparar para
recebê-los corretamente. Se eles gostavam de viver isolados e praga tinha
fincado um dente naquele lugar, sem dúvida, seria mostrar aos agricultores
suspeitos do súbito aparecimento de um grande grupo de estranhos. Arthas
olhou ao redor da área enquanto se aproximavam da fazenda."Olhe", disse
ele, apontando com o dedo. A porta está despedaçada e o gado escapou."Isso
não é um bom sinal", Jaina murmurou."Ninguém saiu para nós encontrar
também", disse Falric. Ou nos encarar .Arthas e Jaina trocaram olhares.
Então o príncipe sinalizou para o grupo parar.- Bom dia, fazendeiros! - Ele
cumprimentou em voz alta. Sou Arthas, Príncipe de Lordaeron. Meus
homens e eu não pretendemos prejudicá-los. Por favor, deixem suas moradas
para falar conosco; Temos que fazer algumas perguntas com o único
propósito de garantir sua segurança.
Eles só receberam silêncio comio resposta. Então o vento veio em sua
direção e embalou hectares de grama onde deveria haver pastagem de gado.
No entanto, o único som que chegaram a ouvir era o suave sussurro de
grama e o ranger de armaduras, enquanto se agitavam inquietos montado
em suas montarias."Não há ninguém aqui", disse Arthas.Ou talvez estejam
tão doentes que até mesmo ser capaz de deixar suas casas- respondeu Jaina.
Arthas, devemos entrar para verificar se tudo está em ordem. Eles podem
precisar da nossa ajuda!O príncipe observou seus homens. Eles não davam a
impressão de estar muito dispostos a entrar em uma casa que poderia ser
infestada de vítimas da peste e, francamente, nem ele. No entanto, Jaina
estava certa. Eram seus súditos, a quem ele havia jurado ajudar e que ele iria
fazer, independentemente das consequências, a qualquer preço."Vamos",
ele ordenou, e depois desmontou.Ao lado dele, Jaina fez o mesmo."Não,
você fica aqui", ordenou Arthas.As sobrancelhas loiras da maga tentaram se
unir quando ela franziu a testa. fez uma careta e soltou: -Já lhe disse mil
vezes: não sou uma frágil estátua de porcelana, Arthas. Além disso, eles me
enviaram para investigar essa praga, então se houver vítimas lá, eu vou ter
que verificar com meus próprios olhos."Tudo bem", disse o príncipe,
suspirando enquanto assentia. Arthas dirigiu-se para a casa. Assim que
chegaram ao limiar do jardim, o vento mudou de direção.Então um horrendo
fedor os atingiu. Jaina cobriu a boca com a mão e até Arthas precisou
reprimir a ânsia de vômito. Era o fedor enjoativo de um matadouro. Mas ele
nem sequer cheirava a algo que morrera há pouco tempo, e sim a pestilencia
própria da carniça. Naquele instante, um de seus homens se virou e vomitou.
Arthas teria feito o mesmo de bom grado, mas graças a sua vontade de ferro,
ele evitou. Aquele odor nauseante veio de dentro da casa, então eles não
tinham mais nenhuma dúvida sobre o que havia acontecido com seus
moradores.Jaina se virou para ele, lívida, mas determinada a entrar.-Eu
tenho que examinar...
Horríveis guinchos líquidos se juntaram ao fedor da morte, e de dentro da
construção alguns monstros emergiram com incrível velocidade. O martelo
de Arthas de repente brilhou com uma luz ofuscante que o obrigou a apertar
os olhos. Ele virou-se rapidamente, levantou o martelo e viu-se encarando a
órbita dos olhos de um pesadelo ambulante.Este monstro estava vestido com
uma camisa rasgada sob um grande peitoral, e carregava como arma a
forca de um fazendeiro. Em outro tempo, aquele homem tinha sido um
fazendeiro. Agora, obviamente, ele estava morto: a carne cinza-esverdeada
estava em farrapos de seu esqueleto, e no cabo daquela forca seus dedos
putrefatos deixavam restos decompostos. Líquidos enegrecidos e
coagulados escorriam de suas pústulas e, com um rugido gorgolejante,
liberavam expectoração cheia de icor que caía sobre o rosto desprotegido de
Arthas. O príncipe ficou tão chocado com aquela aparição que a forca estava
prestes a atingir seu objetivo. Felizmente, ele reagiu imediatamente e ergueu
sua arma abençoada bem a tempo, de modo que o utensílio de lavoura foi
jogado das mãos dos mortos-vivos e o martelo radiante continuou sua
trajetória letal até atingir seu torso. O monstro caiu no chão e nunca mais se
levantou.Mas outros monstros tomaram o seu lugar. Então Arthas ouviu o
clarão e o crepitar que costumavam acompanhar as descargas ígneas de
Jaina e, de repente, outro fedor acrescentado àquele miasma repugnante: o
da carne queimada. Ao redor dele, em toda parte, ele ouviu o choque de
armas, os gritos de batalha proferidos por seus homens e o crepitar de
chamas Em um ponto, um daqueles cadáveres vivos completamente
envoltos em fogo entrou na casa. Alguns momentos depois, a fumaça saiu da
porta quebrada. Então o príncipe tomou uma decisão-Retirada! Arthas
gritou. Jaina! Queime tudo! ¡Queime-a até as fundações!Os homens de
Arthas eram soldados bem treinados e tinham experiência em todos os tipos
de luta, mas eles nunca haviam enfrentado algo assim. No entanto, graças a
esse treinamento, eles conseguiram superar seu terror e obedecer às ordens
de seu senhor. Arthas olhou para Jaina. A maga tinha uma expressão séria
no rosto, os olhos fixos naquela construção e, nas mãos pequenas, o fogo
crepitava tão naturalmente que as chamas pareciam tão inofensivas quanto
um ramo de flores.Uma enorme bola de fogo, do tamanho de um homem,
explodiu a habitação. Arthas teve que levantar um braço para se proteger da
explosão. Alguns dos cadáveres animados estavam presos ali. Por um
momento, Arthas observou fascinado a conflagração, incapaz de desviar o
olhar. Então ele se forçou a focar sua atenção na destruição dos monstros
que não pereceram na pira improvisada. Levou apenas alguns instantes para
matar todas essas aberrações. E desta vez eles morreram de verdade.Por um
longo momento o silêncio reinou, quebrado apenas pelo crepitar do fogo
consumido pela construção em chamas. De repente, o prédio deu um longo
suspiro e desmoronou. Naquele momento, Arthas deu graças por não ter que
ver como aqueles cadáveres se transformavam em cinzas.Ele respirou fundo
e se virou para Jaina para lhe fazer uma pergunta:

-O que...?
- Os chamam de mortos-vivos - Jaina respondeu engolindo saliva.O
rosto da maga estava coberto de fuligem, exceto nos lugares onde o
suor havia surgido."Que a Luz nos ajude", murmurou um Falric
completamente pálido. Parecia que seus olhos sairiam de suas órbitas.
-Acreditava que essas aberrações eram apenas histórias para assustar as
crianças.-Não; Eles são reais, sem dúvida. Embora ... eu nunca tivesse
visto um até agora. Eu nunca esperei vê-los. O... eh... Jaina interrompeu
sua explicação e respirou fundo para se acalmar e controlar seu tom de
voz. -Os mortos às vezes permanecem neste mundo, se suas mortes
ocorrerem de maneira traumática. Essa é a origem das histórias de
fantasmas.As explicações de Jaina foram muito reconfortantes depois de
tanto horror. Arthas percebeu que seus homens estavam ouvindo
ansiosamente para entender o que diabos acabara de acontecer. Nunca
ficara mais grato por sua ex-amante ter sido tão instruída.-É sabido que,
no passado, alguns necromantes poderosos conseguiram dar vida a
alguns cadáveres. Como pudemos ver na Primeira Guerra, quando os
orcs conseguiram dar vida àqueles esqueletos; como na segunda, com a
aparição das entidades que viriam a ser conhecidas como os cavaleiros
da morte. Jaina continuou sua explicação como se recitasse a passagem
de um livro em vez de explicar um horror que a mente mal compreendia.
Mas como eu mencionei antes, eu não tinha visto nenhum até
agora."Bem, agora eles estão mortos", disse um dos homens, a quem
Arthas respondeu com um sorriso de encorajamento."Obrigado a suas
espadas, a Luz e ao Fogo da Senhora Jaina", acrescentou o príncipe,
grato.-Arthas, você pode me dar um momento? Jaina implorou.Eles se
afastaram um pouco do grupo enquanto os homens limpavam e se
recuperavam depois daquele encontro desconcertante de horror."Acho
que sei o que você vai dizer", disse Arthas. Eles enviaram-lhe com a
missão de verificar se esta peste era de natureza mágica.
Aparentemente, é. Se trata de magia necromântica.
Jaina assentiu sem dizer uma palavra. O príncipe olhou de lado para seus
homens.-Nós ainda não atingimos nenhuma população importante. Mas quando
fizermos isso, tenho a sensação de que vamos nos deparar com mais mortos....
- Eu acho que você está certo - disse Jaina severamente.Assim que deixaram para
trás o conjunto de fazendas dispersas, Jaina foi à frente do resto do grupo para parar
mais tarde.-O que você esta olhando? Arthas questionou quando se posicionou junto a
ela.Jaina apontou para a frente e o príncipe olhou para o lugar onde a maga havia
fixado o olhar: ao longe, havia um celeiro solitário no topo de uma colina.O que
acontece com aquele celeiro? - Arthas perguntou."Com o celeiro, nada", respondeu
Jaina, sacudindo a cabeça. No entanto, olhe para a terra circundante.A maga
desmontou, ajoelhou-se e sentiu o chão. Então pegou um punhado de terra seca e
grama morta que se propôs a examinar. Um inseto minúsculo tocado com o dedo,
cujas seis pernas estavam encolhidas, depois de ter morrido e, instantaneamente,
deixou a terra escapar por entre os dedos por uma rajada de luz de vento levá-la
longe.-É como se a terra ao redor do celeiro estivesse
morrendo concluiu Jaina.O olhar de Arthas moveu-se da maga para a terra e
então ele percebeu que estava certa. Vários metros atrás dele, a grama estava verde e
saudável.Provavelmente lá o solo ainda era muito rico e fértil. No entanto, sob seus
pés e na área ao redor do celeiro, tudo parecia morto, como se estivessem no meio do
inverno. Não; essa não foi uma boa analogia, já que no inverno a terra dorme, não
morre. Ainda há vida adormecida, pronta para acordar com a chegada da
primavera.Mas não havia nenhum traço de vida detectado lá. Arthas olhou para o
celeiro, seus olhos verdes se estreitando.-O que poderia causar algo assim? O príncipe
perguntou.-Eu não tenho certeza. Isso me lembra o que aconteceu com o Portal Negro
e as Terras Devastadas. Quando o portal se abriu, as forças demoníacas que
capturaram a energia vital de Draenor foram espalhadas por Azeroth e pela terra ao
redor do mesmo.
-...morreu —disse Arthas para completar a frase de Jaina.
Então lhe ocorreu uma idea.
—Jaina, seria possível que o grão porte a praga? Poderia ser o agente
transmissor de...essa energia demoníaca? —inquiriu o príncipe.
—Esperemos que não- respondeu a maga preocupada e apontou para as
caixas que alguns homens estavam retirando do celeiro. Essas caixas trazem o
selo de Andorhal, o centro de distribuição de grãos dos distritos do norte. “Se
esse grão for capaz de espalhar a praga, é dificil dizer quantas populações já
podem estar infectadas “, disse Jaina. Ela falou essas palavras quase num
sussurro; além disso, ela estava lívida e parecia doente. Arthas observou as
mãos de sua ex-amante, muito pálida do pó daquela terra morta. De repente, o
medo tomou conta de Arthas e ele pegou a mão dela sem mais demora. Ele
fechou os olhos e murmurou uma oração. Uma luz quente correu através dele
e imediatamente passou para a mão da maga. Jaina olhou para ele confusa e
depois olhou para baixo para ver sua própria mão, envolta na mão enluvada de
Arthas. O horror transfigurou seu rosto depois de perceber que ela havia
escapado por pouco de um possível destino fatal.
"Obrigado", Jaina sussurrou.O príncipe devolveu um sorriso
trêmulo.-Manoplas a postos! Todos devem usar luvas nesta área! Sem
exceção! Ele ordenou a seus homens.O capitão assentiu e repetiu a
ordem. A maioria dos homens usava armaduras que os cobriam
completamente e, portanto, já usavam manoplas. Arthas sacudiu a
cabeça, como se conseguisse exorcizar a angústia que ainda lhe dava um
nó no coração. Mas não havia razão para justificar essa preocupação, uma
vez que ele já não percebia qualquer vestígio daquele mal em Jaina.Graças
à luz.Ele beijou a maga na mão. Jaina,moveu-se, corou e sorriu
docemente.
-Eu fiz uma estupidez. fiz isso sem pensar ", reconheceu Jaina.
-"Felizmente para você, eu estava ao seu lado", respondeu Arthas.
-"Nossos papeis se inverteram", ele disse ironicamente quando lhe
ofereceu um largo sorriso e a beijou para tirar o comentário sarcástico.
O objetivo da missão agora estava mais claro do que nunca: eles
tinham que encontrar e destruir todos os celeiros infectados que
pudessem. No dia seguinte, as tropas de Arthas encontraram dois
sacerdotes Quel'dorei, que também perceberam que uma ameaça estava
se aproximando.naquelas terras, eles vieram oferecer sua ajuda para curar
corpos e almas. Eles também lhes deram uma ajuda muito mais tangível,
uma vez que disseram a Arthas onde estava localizado o depósito de grãos
de uma aldeia que eles estavam se aproximando.
"Vejo algumas casas lá, senhor", disse Falric."Muito bem", respondeu
Arthas. O rugido de uma detonação pegou-o completamente
desprevenido e seu cavalo recuou assustado.-Mas o que? -Ele conseguiu
dizer.Então olhou para o lugar onde a explosão havia surgido. Embora
vislumbrasse apenas pequenas silhuetas, pouco visíveis, não havia dúvida
de que pertenciam aos responsáveis pela detonação.-Isso é fogo de
morteiro.
Em frente! Arthas ordenou.O príncipe recuperou o controle de sua
montaria, puxou as rédeas para forçá-lo a girar e imediatamente galopou
em direção à fonte daquele ruído.Vários anões olharam para cima quando
perceberam que o grupo de homens do príncipe de Lordaeron se
aproximava. Eles ficaram tão surpresos ao ver Arthas como ele estava para
vê-los.O príncipe parou seu corcel.- Em que diabos estão disparando?
-Naqueles malditos esqueletos. Esta vila demoníaca está infestada
deles!Um arrepio percorreu a espinha de Arthas. Já podia ver as silhuetas
familiares dos mortos-vivos se aproximando com seu jeito característico
de andar.-Fogo! -Gritou ou líder dois anões.Vários esqueletos explodiram
em pedaços que voaram em todas as direções."Bem, eu poderia usar sua
ajuda muito bem", sugeriu Arthas. Temos que destruir um armazém de
grãos localizado no outro extremo da cidade.O anão se virou para ele e
olhou para ele com curiosidade.-Um armazem? Ele repetiu como se não
acreditasse no que acabara de ouvir. Os mortos-vivos nos atacam e você
se importa com um depósito?Arthas não teve tempo a perder em
discussões absurdas."O que está dentro dele é o que está matando essas
pessoas", ele respondeu, apontando para os restos dos esqueletos. E
quando eles morrerem...
O anão abriu bem os olhos. -Ah, agora eu entendo.Vamos meninos!
Vamos ajudar as tropas desse cara magrinho! -Ordenou a seus homens.
Então ele olhou para Arthas com cuidado e perguntou: "A propósito,
quem é você exatamente, garoto?Mesmo em meio a tanto horror, aquela
pergunta grosseira fez Arthas sorrir. -Príncipe Arthas Menethil. E você é...
O anão permaneceu de boca aberta por um momento, mas
rapidamente recuperou a compostura.-Eu sou Dargal. Ao seu serviço,
alteza .Arthas não perdeu mais saliva em cortesias e tentou acalmar sua
montaria o suficiente para acompanhar os outros. Aquele cavalo era um
corcel criado para a batalha, e embora nunca tivesse lhe dado problemas
ao lutar com orcs, ficou claro que ele não gostava do fedor dos
mortos-vivos. Ele não podia culpá-lo, embora o nervosismo do animal o
levasse a pensar em Invincivel, um cavalo de grande valor que não sabia o
que era medo. O príncipe desviou esse pensamento de sua mente, já que
era apenas uma distração. Ele precisava se concentrar, não chorar por um
animal que estava há muito morto, sem dúvida, mais do que os cadáveres
que se moviam com tanta estranheza e aqueles que estavam destroçados
pelos morteiros.
Jaina e os soldados cobriram a retaguarda, eles acabaram com os
mortos-vivos que não tinham sido completamente destruídos pelo fogo
dos morteiros e terminaram com aqueles que emergiram dos flancos e
atrás deles. Arthas sentiu-se cheio de energia e pôde ver como fluía dentro
dele enquanto movia o martelo de um lado para o outro sem parar. Ele se
sentiu muito sortudo pela aparição oportuna de Dargal. Havia tantos
monstros mortos-vivos, ele não tinha certeza de que suas tropas poderiam
ter vencido todos eles tendo que enfrentá-los sozinhos.
As unidades combinadas de humanos e anões se moviam lenta mas
inexoravelmente em direção ao celeiro. Ao se aproximarem, o número de
mortos-vivos aumentou e, assim, eles viram os silos à distância,
conta-los como uma tarefa condenada ao fracasso. Arthas desmontou de
seu corcel assustado e atacou os monstros segurando o martelo que
brilhava com o poder da Luz. Agora que o choque e o horror inicial
haviam passado, ele descobriu que destruir esses monstros era ainda
melhor do que matar orcs. Talvez estes fossem seres inteligentes e
sensíveis como Jaina alegara, mas os mortos não passavam de cadáveres
que iam de um lugar para outro como marionetes de cujas linhas o
manipulador necromante puxava e as quais ele cortava os fios. Arthas
deu um sorriso feroz quando dois mortos-vivos caíram com um único
golpe de sua poderosa arma.
Parecia que esses monstros estavam mortos há mais tempo que os da
fazenda. O fedor que exalavam não era tão intenso e os corpos pareciam
mumificados e não apodrecidos. Vários deles, como os da primeira onda,
eram apenas esqueletos, meros ossos cobertos de trapos ou armadura
improvisada que avançam balançando até Arthas e seus homens.
O cheiro acre de carne queimada inundou as narinas do príncipe,
fazendo-o sorrir. Mais uma vez ele se sentiu sortudo por ter Jaina. Ele
continuou a lutar e aproveitou uma ligeira trégua para olhar em volta
ofegante. No momento, ele não perdera nenhum homem, e Jaina, apesar de
muito pálida do esforço, estava ilesa. -Arthas! Jaina gritou alto e
claramente no meio daquele combate. O Príncipe destruiu o corpo
tentando decapitá-lo com uma foice e tomou a pequena pausa que poderia
permitir que, em seguida, para pousar seus olhos na maga: Jaina
apontando as mãos para cima, palmas brilhantes e dedos cintilantes pelo
fogo.-Olhe! Jaina exclamou. Arthas virou-se para o lugar que a maga
indicou e estreitou os olhos. Ele viu um grupo de bruxos vestidos de preto,
vivos a julgar por seus movimentos, que realizaram gestos estranhos para
invocar feitiços ou dar ordens para levar os mortos-vivos a investir sobre
eles. -Apontem para cima! Acabem com eles! Arthas gritou.
Os anões mudaram a direção de seus canhões e os homens de Arthas
atacaram os mortos-vivos, com o olhar fixo naqueles seres humanos vivos
envoltos em vestes negras. Vocês já são nossos, Arthas pensou com grande
prazer.Assim que foram atacados pelo fogo inimigo, os magos pararam de
dar ordens. Os mortos-vivos que eles estavam controlando de repente
ficaram desorientados, e enquanto eles ainda estavam de pé, eles não
tinham orientação. Dessa forma, eles eram alvos fáceis para os morteiros
anões e para os homens de Arthas, que os despedaçaram de uma só vez. Os
magos se reuniram e alguns, cujas mãos voaram por toda parte, começaram
a invocar um feitiço. Arthas percebeu que um fenômeno familiar estava
ocorrendo: um redemoinho estava se formando no ar, o que indicava que
eles estavam tentando criar um portal.-Não! Não os deixe escapar! Ele
exclamou quando esmagou o peito de um esqueleto com seu martelo, e
então descreveu com ele um arco no ar para estourar a cabeça de um
morto-vivo que estava se arrastando em direção a ele.
Só a Luz sabe de onde aqueles bruxos invocaram essa nova remesa de
mortos vivos composta por mais esqueletos, mais corpos putrefatos e algo
enorme e lívido que possuia muitas extremidades. O monstro tinha o torso
pálido e reluzente como a de um verme, perfurada por suturas tão largas
quanto a mão de Arthas. Essa aberração se assemelhava a uma boneca de
pano da mente de uma garota perturbada. Sua estatura o fez sobressair acima
dos mortos-vivos, ele carregava armas terríveis em suas três mãos e tinha seu
único olho fixo em Arthas.
Então Jaina apareceu ao seu lado e gritou:Pela luz! Essa criatura parece ter
sido criada com pedaços de vários cadáveres!
"Vamos estudar depois que o matarmos, ok? Arthas retrucou e
imediatamente atacou aquele monstro.O ser abominável aproximou-se dele,
emitindo uma série de ruídos guturais e empunhando um machado tão grande
quanto o próprio Arthas. O príncipe saiu de seu caminho, rolou no chão e se
levantou imediatamente para atacar aquela monstruosidade por trás. Três de seus
homens, dois deles armados com lanças, fizeram o mesmo que ele; e o monstro
horrendo foi despachado com grande velocidade. Apesar de lutar ferozmente,
Arthas viu de lado que os magos estavam passando por um portal fugindo e
todos desapareceram em questão de segundos. Os mortos-vivos foram
abandonados, imóveis e sem saber para onde ir. A coalizão de homens e anões
acabou com eles facilmente.
-Maldição! Exclamou Arthas. Uma mão tocou seu braço e ele se assustou
antes de perceber que era Jaina. Ele não estava com vontade de ser consolado ou
receber explicações; ele tinha que fazer alguma coisa, qualquer coisa, para
compensar a fuga daqueles homens vestidos de vestes negras. -Destruam esse
armazém! - ele ordenou em voz alta.
-Sim, alteza! Respondeu o líder dos anões. Vamos lá pessoal!
Os anões se moveram rápidos e velozes, ansiosos por obter alguma vitória
naquele dia. Os canhões avançaram sob cadáveres mortos-vivos e sob terra
morta até que eles tivessem o celeiro na mira.-Fogo! -Gritou Dargal.As armas
dispararam como se fossem uma. Assim que o armazem entrou em colapso,
Arthas sentiu uma imensa sensação de satisfação.-Jaina, queime o que sobrou
daquele lugar! Ele exortou.A maga já estava levantando as mãos antes que o
príncipe fizesse essa ordem. Trabalhamos muito bem como equipe, pensou
Arthas. Uma enorme bola de fogo emergiu das mãos de Jaina e o local e seu
conteúdo foram queimados imediatamente. Eles esperaram e observaram
queimar, para garantir que o fogo não se espalhasse. A terra estava muito seca e
um incêndio podia sair do controle facilmente. Arthas passou a mão pelo cabelo
loiro e suado e liso. O calor era tão opressivo que ele queria sentir um pouco
frio. Ele se afastou alguns passos e tocou uma pálida aberração morta com a bota
de sua armadura. Seu pé afundou na carne macia e ele fez uma careta de
desgosto. Depois de examinar o monstro mais de perto, pareceu-lhe que Jaina
estava certa: aquele monstro havia sido criado juntando várias partes de vários
corpos. Arthas tentou não estremecer enquanto Jaina se aproximava dele.-Esses
magos ... estavam vestidos de preto ... -indicou ou príncipe."Temo que eles
fossem necromantes", disse Jaina. Como pensamos antes.-Mas o que? Caramba!
Dargal murmurou.O líder dos anões os havia seguido até aquele lugar e, assim
que viu a abominação morta, um gesto de repugnância surgiu em seu rosto.
—Necromantes. Magos que se aventuraram no caminho da magia negra,
mediante a qual se pode levantar e controlar os mortos. “É óbvio que eles
e quem quer que seja seu mestre estão por trás dessa praga “, explicou
Jaina.
Então ela olhou para cima e seus sérios olhos azuis fixaram-se em Arthas.
Talvez algum tipo de energia demoníaca esteja relacionado com tudo isso,
mas temo que nossas suposições iniciais não foram totalmente correta,
acrescentou a ex-amante de Arthas.
- Necromantes criaram esta praga para ter mais bucha de canhão com que
engrossar as fileiras de seu exército corrupto-Arthas murmurou ao girar o
olhar para as ruínas envoltas em celeiro em chamas.
Eu quero matá-los. Não... não; Eu quero matar seu líder ", disse o príncipe,
cerrando os punhos com força. Esse bastardo que está massacrando
deliberadamente meus súditos! Pensou nas caixas que tinham visto antes e
no selo que usavam. Ele levantou os olhos do chão, olhou para a estrada e
disse: Sem dúvida, encontraremos aquele bastardo, e as respostas que
buscamos em Andorhal.

CAPÍTULO
ONZE
A rthas estava exigindo muito de seus homens e sabía; no entanto, tempo
era um recurso escaso que não podiam desperdiçar. Sentiu uma pontada de
culpa ao ver Jaina mastigando um pouco de carne seca enquanto cavalgavam.
Enquanto a Luz o enchia de energia quando a usava, os magos extraiam
poder de outras fontes, Jaina estava exausta após o esforço supremo que ela
teve de fazer na batalha, mas não havia tempo para descansar, não quando
milhares de vidas dependiam deles.
Eles o enviaram para cumprir uma missão: descobrir o que estava
acontecendo com aquela praga e pará-la. Embora o mistério estivesse se
desfazendo pouco a pouco, ele começou a duvidar de que fosse capaz de
deter a doença. Nada era tão simples quanto parecia a princípio. Mesmo
assim, Arthas não se renderia. Ele não podia se render porque jurara fazer
todo o necessário para deter a peste e salvar seu povo; e isso era
precisamente o que ele ia fazer.
Eles viram e cheiraram a fumaça subindo em direção ao céu antes de
chegarem aos portões de Andorhal. Arthas nutria a esperança de que, se a
cidade tivesse sido destruída, talvez o grão também tivesse sido queimado;
mas imediatamente sentiu uma onda de culpa diante da crueldade inerente a
esse pensamento, Arthas afogou o pensamento com ação e estimulou sua
montaria a atravessar os portões da cidade rapidamente. Esperando ser
atacado a qualquer momento.
Tudo ao redor dele não passava de construções carbonizadas. A fumaça
negra irritou seus olhos e o fez tossir. Ele examinou o ambiente através das
lágrimas que encheram seus olhos. Não restavam habitantes vivos, mas
nem mortos-vivos. O que havia acontecido?-Eu acho que sou eu quem você
está procurando, meus filhos - disse alguém com voz calma. O vento
mudou de direção e tirou a fumaça. Arthas então descobriu uma figura
envolta em um manto negro e muito perto deles. A tensão dominou o
príncipe: aquele homem era o líder dos mortos-vivos. Apesar do fato de
que o rosto do necromante mal vislumbrava a sombra projetada por seu
capuz, Arthas conseguiu distinguir um sorriso e queimou com desejo de
apagá-lo de seu rosto. Ele tinha dois de seus animais mortos ao seu lado. -E
você me achou.
Sou Kel'Thuzad.
Jaina engasgou quando reconheceu esse nome e pôs a mão na boca.
Arthas olhou para ela brevemente, depois voltou imediatamente toda a
atenção para o interlocutor. Ele não parou de segurar o martelo com força.
"Eu vim para lhe dar um aviso", disse o necromante. "Deixe-nos em paz
ou a morte será a única recompensa pela sua curiosidade inoportuna.
- Eu já disse que essa magia corrupta era familiar para mim! - exclamou
Jaina, sua voz tremendo de raiva. Você caiu em desgraça, Kel'Thuzad, por
causa desse tipo de experimento! Nós avisamos que você estava condenado
ao desastre! E você não conseguiu aprender nada de novo!
—Lady Jaina Proudmore—disse de maneira despeitada Kel'Thuzad—.
Tenho a impressão de que a pequena aprendiz de Antonidas se tornou uma mulher. Você
está errada, querida. Pelo contrário, como você pode ver, eu aprendi muito.
Eu vi os ratos com os quais você experimentou! Gritou Jaina. Aquilo foi horrendo ... E
agora ... se atreve a-
—Segui com minhas investigacões e aperfeiçoei o proceso-replicou Kel'Thuzad.

—É o responsavel por esta praga, necromante? —gritou Arthas—.Estes


mortos vivos são obra sua?
Kel'Thuzad se virou para eles e se viu que seus olhos brilhavam na
escuridão do capuz.- Fui eu quem ordenou que o Culto dos Malditos
distribuísse os grãos infectados pela praga. No entanto, o mérito não é apenas
meu.Antes que Arthas pudesse responder, Jaina não conseguiu segurar-se e
perguntou:-Esta dizendo o que?
- Eu sirvo ao Senhor do Terror Mal'Ganis, que comanda o Flagelo: a força
que irá purificar esta terra e estabelecerá aqui o paraíso da eterna escuridão!A
voz do homem causou um arrepio percorrendo Arthas apesar do calor das
fogueiras que os cercavam. Não sabia o que era um Senhor do Terror, mas o
significado do Flagelo parecia muito mais claro.-E por que, exatamente, a praga
vai purificar esta terra?A boca de lábios finos que estava sob um bigode branco
se curvou novamente para moldar um sorriso cruel.
—Para limpar-la de vivos, obviamente. O plano de Mal'Ganis já esta
em marcha. Busque-o em Stratholme se precisa de mais provas.
Arthas havia se cansado de tantas insinuações e mentiras, então ele
grunhiu, agarrou a alça do martelo e atacou o necromante.
—Pela Luz! —vociferou.
Kel'Thuzad não recuou.
Ele permaneceu imóvel e, no último momento, o ar que o rodeava se torceu, distorceu e ele
desapareceu. Imediatamente, as duas criaturas que estavam em silêncio ao lado do necromante,
agarraram Arthas e tentaram fazê-lo cair no chão enquanto seu mau cheiro competia com o
cheiro de fumaça para sufocá-lo. No entanto, o príncipe resistiu e conseguiu libertar-se do contato
impuro. Então ele deu a um deles um golpe preciso na cabeça e o crânio se quebrou como um
cristal frágil; os cérebros se espalharam no chão quando ele desmoronou. Em seguida, Arthas
eliminou o segundo com a mesma facilidade.
- Para o celeiro! O príncipe gritou enquanto corria para o cavalo e montava nele em um salto.
Venham!Os outros subiram em suas respectivas montarias e percorreram rapidamente o
caminho principal através da cidade queimada. Os celeiros estavam diante deles. O fogo não os
tocara, embora as chamas parecessem se espalhar rapidamente pelo resto de Andorhal.
Arthas forçou o cavalo a parar abruptamente e desmontar. Ele correu
o mais rápido que suas pernas permitiram aos depósitos de grãos. Ele
abriu a porta, exasperado, esperando ver um bom número de caixas
empilhadas umas sobre as outras. Desolação e raiva tomaram posse dele
assim que ele viu que as câmaras estavam vazias, exceto por alguns
minúsculos grãos espalhados aqui e ali, e os cadáveres dos ratos que
jaziam no chão. Por um momento, ele olhou para a cena impotente, mas
logo correu para verificar o próximo celeiro; e o próximo. Ele abriu todas
as portas, mesmo sabendo o que iria encontrar lá.
Todos os celeiros estavam vazios. E eles estavam assim há muito tempo,
isso podia ser observado pelas camadas de poeira que cobriam o chão e as
teias de aranha que pendiam dos cantos."Eles já enviaram as caixas", disse
Arthas, com a voz embargada quando Jaina se aproximou. Chegamos muito
tarde! Ele bateu a porta com a mão enluvada e Jaina saltou
- Maldição!-Maldição! O príncipe urrou.
-Arthas, nós fizemos o que pudemo...
Ele se virou para ela furiosamente.-Eu vou encontrá-lo. Eu vou encontrar
aquele amante bastardo dos mortos-vivos e vou desmembrá-lo lentamente
pelo que ele fez! Vamos ver se alguém então a recompõe com suturas, como
aquele inseto feito de restos de cadáveres que lutamos antes. Arthas saiu
apressado, tremendo. Ele falhou. Ele tinha a pessoa responsável por tudo na
frente do nariz e ele havia falhado. O grão havia sido dividido e só a Luz
sabia quantas pessoas morreriam por isso.Por culpa sua.Não, não deixaria
algo assim acontecer. Ele iria proteger seus súditos.Se fosse necessário,
morreria para salvá-los. Com esses pensamentos, Arthas fechou os punhos
com força."Estamos indo para o norte", disse ele aos homens que o seguiam,
que não estavam acostumados a ver seu príncipe normalmente plácido e
cordial dominado por tanta fúria. É la que ele vai a seguir. Vamos
exterminá-lo como o verme que ele é.
Ele cavalgava como um louco, galopando para o norte, abatendo quase
despercebidos os restos desajeitados de seres humanos tentando detê-lo. O
horror da praga não mais o afetou; sua mente centrava-se no homem que puxava
as cordas e no culto repugnante que perpetrara aquele plano sombrio. Os mortos
descansariam novamente em breve; No entanto, Arthas tinha que se certificar de
que não haveria mais. Um grande grupo de mortos-vivos estava em seu
caminho. As cabeças putrefatas se voltaram para Arthas e seus homens e
começaram a caminhar na direção deles. -Pela luz! Arthas gritou quando
esporeou o cavalo. Ele atacou os mortos, brandindo seu martelo e gritando
incoerentemente, desabafando sua raiva e frustração naqueles alvos perfeitos.
Finalmente, Arthas precisou de alguns segundos de descanso para olhar em
volta.
Viu uma figura alta envolta em um manto negro que balançava ao vento e, a salvo
do calor do combate e longe do campo de batalha, supervisionava tudo sem arriscar
nada. Era como se eu estivesse esperando.Era Kel'Thuzad.
-Lá! Arthas gritou. Está alí! Jaina e seus homens o seguiram. A maga fez seu
caminho com suas bolas de fogo e os soldados destruíram os mortos-vivos que não
haviam caído na primeira rodada de ataques. Arthas sentiu uma raiva justa circulando
em suas veias enquanto se aproximava do necromante mais e mais. Ele segurou o
martelo sem muito esforço e sem prestar atenção aos monstros que ele derrubou.
Arthas tinha os olhos fixos naquele homem, se esse monstro pudesse ser descrito
como tal. Esse ser era o maior responsável pela peste: o cachorro morre, a raiva
acaba.Então Arthas alcançou seu objetivo. Um rugido selvagem de pura raiva veio
dele como ele desenhou um arco com seu martelo deslumbrante paralelo ao chão, a
fim de acertar Kel'Thuzad até os joelhos e atirou-o para fora voando. Enquanto isso,
seus homens seguiram nessa direção, com suas espadas rasgando e desmembrando
tudo em seu caminho. Os soldados deram vazão à sua frustração e raiva para acabar
com a fonte desse desastre.Apesar de todo o seu poder, toda a sua magia, parecia que
Kel'Thuzad poderia, de fato, morrer como qualquer outro homem. O golpe que Arthas
lhe dera havia quebrado as pernas e ele estava deitado no chão com os membros
curvados em ângulos estranhos. Sua túnica estava encharcada de sangue preto
brilhante que se destacava contra o preto fosco do tecido; e um fio de vermelho
apareceu da boca. Kel'Thuzad se agarrou em seus braços e tentou falar, mas só
conseguiu cuspir sangue e dentes. No entanto, ele tentou novamente."Que ingênuo,
quão tolo", ele conseguiu dizer enquanto engolia sangue. Minha morte não fará
diferença no longo prazo, por agora, esta terra vai sofrer a praga dos mortos-vivos...Os
cotovelos do necromante cederam e, depois de fechar os olhos, ele desmaiou.Seu
corpo se decompôs imediatamente. O processo de putrefação, que deveria durar dias,
aconteceu em poucos segundos: sua carne empalideceu, inchou e rasgou. Os homens
soltaram um grito abafado e recuaram, cobrindo instantaneamente seus narizes e
bocas. Alguns se viraram e vomitaram por causa do cheiro nauseante. Arthas
observou aquele horrível espetáculo horrorizado e fascinado ao mesmo tempo e não
conseguiu desviar o olhar. Finalmente, fluidos saíram do cadáver, sua carne assumiu
uma consistência cremosa e ficou preta. A decomposição anormal diminuiu e Arthas
finalmente se virou procurando ar fresco sem fôlego.Jaina estava mortalmente lívida e
círculos escuros ao redor dos olhos estavam estupefatos. Arthas aproximou-se dela e
afastou-a daquela cena repugnante.
-Por que isso aconteceu com ele? - o príncipe perguntou
baixinho.Jaina engoliu em seco e tentou se acalmar. Mais uma vez, a
maga parecia encontrar força ao se abstrair da situação. -Aacredita-se
que, uh, se necromantes não estão executando suas magias com
bastante precisão, hum... se eles são mortos, terminam... a voz de
Jaina parou e, de repente, mais uma vez uma jovem que parecia doente e
acanhada-... como isso."Vamos", Arthas disse gentilmente. Vamos para a
Hearthglen. Devemos avisá-los se não estivermos atrasados.Eles
deixaram o cadáver onde ele havia caído, sem olhar de novo. Então
Arthas orou silenciosamente à Luz para implorar que não chegassem
tarde demais. Se ele falhasse novamente, ele não sabia o que faria.
Jaina estava exausta. Sabia que Arthas queria chegar o mais rápido
possível e compartilhava sua preocupação. sabia que havia muitas vidas
em jogo. É por isso que, quando o príncipe lhe perguntou se seria capaz
de andar a noite toda sem parar, ele simplesmente assentiu.Eles estavam
andando por quatro horas quando estava prestes a cair de sua montaria.
Estava tão exausta que perdeu a consciência por alguns segundos. O
medo tomou conta dela e agarrou-se à crina do cavalo com toda a sua
força para evitar cair, subiu de volta na sela e puxou as redeas para que o
corcel parasse.Por vários minutos permaneceu imóvel, segurando as
rédeas com as mãos trêmulas; até que Arthas percebeu que ela havia
ficado para trás. Jaina ouviu ao longe que o príncipe ordenou que todos
parassem. A maga olhou para cima para observar em silêncio enquanto
Arthas vinha em galope.-Jaina, o que há de errado?Sinto muito, Arthas.
Eu sei que você quer chegar o mais rápido possível, e eu também, mas
estou tão cansada que quase caí do cavalo. Não poderíamos parar,
mesmo que apenas por um momento?Ou um par de dias, pensou, era
isso que ele realmente queria dizer. No entanto, as palavras que vieram
de seus lábios foram:
—O suficiente para comer algo e descansar um pouco.
Arthas assentiu e ajudou-a a descer do cavalo. Então ele a carregou em
seus braços para o lado da estrada, onde ele a deixou com muito cuidado.
Então Jaina remexeu no alforje com as mãos trêmulas e tirou um pouco de
queijo.Ela estava convencida de que o príncipe iria embora para falar com
seus homens imediatamente. No entanto, Arthas não saiu, mas sentou-se ao
lado dela. A impaciência emanava dele como o calor de um incêndio.Jaina
mordeu o queijo e observou Arthas enquanto mastigava, estudando seu perfil
sob a luz das estrelas. Uma das coisas que ela mais gostava em Arthas era o
quão acessível, humano e sensível ele sempre era com ela. Mas agora o
príncipe estava consumido por emoções tão intensas que estava distante,
como se estivesse a centenas de quilômetros de distância.Obedecendo a um
impulso, Jaina levantou a mão para acariciar seu rosto. Arthas se sobresaltou,
como se tivesse esquecido que Jaina estava ali e sorriu de imediato.- Você
terminou? O príncipe perguntou.Jaina se sentiu desconfortável. Ele só me deu
tempo para comer um pedaço de queijo, ele pensou."Não", disse, "mas
Arthas, você me preocupa. Eu não gosto de como isso está afetando você.
-Você está preocupado sobre como isso me afeta? Ele respondeu. Pela
Luz. Veja como isso está afetando meus suditos: eles morrem e se tornam
cadáveres vivos, Jaina. Eu tenho que parar isso.Devo fazê-lo!
-Claro que devemos acabar com isso, e farei todo o possível para
ajudá-lo, você sabe. Mas eu nunca vi você sentir tanto ódio. Arthas riu,
soltando uma risada gutural e cortante.- Você quer que eu seja amigo dos
necromantes?
-Arthas, não torça minhas palavras. Você é um paladino. Um servo da
luz. Você deveria ser tanto um curador quanto um guerreiro, e ainda assim
a única coisa que vejo em você é a fome de matar seu inimigo ", respondeu
com uma carranca.
—Começa a falar como Uther.
Jaina não disse nada. Ela estava tão cansada que achou muito difícil
organizar seus pensamentos de forma coerente. deu outra mordida no queijo,
concentrando-se em conseguir a comida de que seu corpo tanto precisava.
Por alguma razão, era difícil para ele engolir.-Jaina... Eu só quero que mais
pessoas inocentes não morram. Isso é tudo. E tenho que admitir que me sinto
muito inconformado porque não consegui evitar tantas mortes. Mas assim
que isso terminar, você verá como tudo será como antes. Te
prometo.Deu-lhe um sorriso e, por um momento, Jaina viu o habitual Arthas,
o belo príncipe. Ela retornou um sorriso que ela esperava que o
reconforta-se.-Você terminou?
Tendo dado apenas duas mordidas ao queijo, Jaina guardou oresto. -Sim,
vamos continuar.
O céu tinha acabado de passar de preto para cinza quando ouviram um
tiro. Arthas sentiu seu coração pular uma batida. Ele esporeou seu cavalo
enquanto o grupo seguia para o norte ao longo daquela longa estrada através
de morros enganosamente quietos. Bem nos portões de Hearthglen eles
avistaram vários homens e anões armados com rifles que, sem dúvida,
sabiam como usar essas armas. A brisa trouxe, junto com o cheiro de
pólvora, o doce aroma de pão fresco.- Pare o fogo! Arthas ordenou que suas
tropas galopassem pela estrada.Ele puxou as rédeas de sua montaria com
tanta força que o cavalo recuou com um sobressalto.
Eu sou Príncipe Arthas! O que acontece? Por que você está armados
desse modo?
Eles ficaram tão surpresos ao ver seu príncipe diante deles que
baixaram as armas
"Senhor, eu juro que você não vai acreditar no que está acontecendo.
"Explique para mim e vamos ver se acredito ou não", respondeu
Arthas.O príncipe não ficou surpreso quando ouviu as primeiras palavras
do homem: os mortos se levantaram e os atacaram. O que o surpreendeu é
que ele usou o termo um vasto exército. Naquele momento, Arthas olhou
para Jaina. Ela parecia exausta. Era óbvio que o breve descanso da noite
anterior não foi suficiente para recuperar sua força."Senhor", gritou um
dos batedores que ele tinha enviado como vanguarda voltando rapido -
esse exército vem para cá!"Droga", Arthas murmurou.Este pequeno grupo
de humanos e anões poderia emergir vitorioso de um conflito, mas não de
um confronto com um exército de monstros. Ele imediatamente tomou
uma decisão.-Jaina, vou ficar aqui para proteger a cidade. Vá o mais
rápido possível para informar Lorde Uther do que está acontecendo.-Mas
-Já, Jaina! Cada segundo conta! A maga assentiu. Que Luz a abençoe e
seu bom senso, Arthas pensou enquanto sorria com gratidão.
Instantaneamente, Jaina entrou no portal que ela criou e
desapareceu.-Senhor-escutou Falric dizendo. O tom em que pronunciou
esta palavra obrigou a Arthas a se virar, será melhor dar uma olhada
nisso.Arthas olhou para onde o homem tinha seu olhar fixo e seu coração
quase explodiu de seu peito. Em todos os lugares havia caixas vazias que
carregavam o selo de Andorhal...
Mantendo a esperança de que estivesse errado, Arthas perguntou com
voz trêmula:- O que continha essas caixas?Um dos homens de Hearthglen
olhou para ele desnorteado e respondeu:
—Tratava-se de un caregamento de grãos procedente de Andorhal. Não
tem que preocupar-se, meu senhor. Já foi distribuido entre os vizinhos para
fazer pão com ele.
Era esse o cheiro que sentira quando chegara: não era o aroma típico de
pão fresco, mas tinha um cheiro fraco, rançoso e doce. Arthas finalmente
entendeu o que estava acontecendo. Ele cambaleou, ainda que um pouco,
com a enormidade daquele desastre, na verdadeira extensão daquele horror.
O grão havia sido distribuído ... e do nada um enorme exército de
mortos-vivos surgira.
—Oh, não-susurrou. Os homens lhe encararam fixamente e Arthas
tentou falar de novo, mas não conseguiu articular uma palavra porque a voz
ainda tremia. Embora desta vez não de horror, mas de fúria.A peste não só
procurou matar seus súditos. Não, não; seu objetivo era muito mais sinistro,
muito mais distorcido.Eu estava procurando transformá-los em... Enquanto
esse pensamento tomou forma em sua mente, o homem que respondeu à
pergunta de Arthas sobre as caixas sofreu um espasmo. E ele não era o único.
Um brilho verde pulsante estranho cercou seus corpos e cresceu em
intensidade. Eles agarraram seus estômagos, caíram no chão e o sangue
escorreu de suas bocas, encharcando suas camisas. Um deles estendeu a mão
para Arthas, implorando para que ele o curasse. Mas Arthas, dominado pelo
desgosto, recuou horrorizado ao ver o homem se contorcer de dor e morrer
em questão de segundos.O que ele fez? Aquele homem implorou para ser
curado, e Arthas nem havia feito um movimento para mover um único dedo.
Essa condição pode ser curada ?, Arthas se perguntou, incapaz de desviar o
olhar do cadáver.Talvez a luz possa?
—Piedosa Luz! —exclamou Falric —. O Pão ...
Arthas ficou surpreso ao ouvir essas palavras e abandonou o transe
atormentado pela culpa em que ele mergulhara. O pão - uma comida
saudável e nutritiva - tornou-se mortal ou pior. O príncipe abriu a boca para
soltar um grito para advertir seus homens, mas não conseguiu articular
nenhum som.A praga que continha o grão agia antes do príncipe estupefato
conseguir encontrar as palavras certas.Os olhos de um dos mortos se
abriram e, instantaneamente, ele se endireitou sem jeito.Foi assim que
Kel'Thuzad criou um exército de mortos-vivos em um tempo
surpreendentemente curto.Uma risada insana ecoou nos ouvidos de Arthas:
era Kel'Thuzad rindo vitorioso como um louco por trás do limiar da morte.
. Arthas se preguntava se estava ficando louco após testemunhar tanto
horror. Então o morto-vivo se levantaram tropeçando e o príncipe finalmente
reagiu e sentiu sua língua responder às suas ordens.-Defendam-se! Arthas
chorou, golpeando com seu martelo antes que o morto-vivo tivesse a chance
de se levantar completamente.No entanto, os outros mortos-vivos eram mais
rápidos e, depois de levantarem-se, usavam as armas que na vida teriam
exercido para proteger Arthas. A única vantagem que o príncipe tinha era
que os mortos-vivos não manuseavam armas muito habilidosamente e a
maioria dos tiros estava longe o bastante de seus alvos. Enquanto isso, os
homens de Arthas atacaram com um olhar selvagem e um gesto severo,
esmagando crânios, decapitando e esmagando aqueles que tinham sido seus
aliados alguns momentos atrás; determinados a matá-los.

—Príncipe Arthas, o exercito de Mortos vivos chegou!


Arthas virou-se imediatamente, a armadura coberta de sangue e vísceras, e
seus olhos se arregalaram de surpresa.Eles eram tantos que a visão não
conseguia distinguir a todos: esqueletos que há muito estavam mortos,
transformaram recentemente cadáveres frescos e abominações pálidas e
cheias de vermes. Podia sentir o pânico. Eles haviam lutado contra grupos
muito grandes desses monstros, mas não contra algo assim, não contra um
exército de mortos-vivos.Arthas levantou o martelo no ar, que brilhou com
uma intensidade incomum e parecia ter uma vida própria.- Não dêem um
milímetro! Ele exclamou e sua voz não mostrava mais fraqueza, hesitação,
aspereza ou raiva. Nós somos os escolhidos da Luz! "Eles não vão nos
derrotar!" Instantaneamente, a Luz inundou seu rosto, cujas feições
expressavam sua determinação inabalável, e então atacaram.

Jaina estava mais exausta do que ela queria admitir. quase não tinha reservas
de poder depois de tantos dias de luta sem ter descansado, então desmaiou
depois de completar o feitiço de teletransporte. Ela supôs que tinha perdido a
consciência apenas por um momento, porque quando ela recuperou a
consciência, viu seu professor se inclinando sobre ela e a ajudando a sair do
chão.-Jaina...minha filha, o que acontece?"Uther", Jaina conseguiu articular.
Arthas...-Hearthglen ...estendeu a mão e agarrou-se à túnica de Antonidas.
—Necromantes... Kel'Thuzad...revivem aos mortos para lutar.
Os olhos de Antonidas revelaram sua surpresa. Jaina tragou saliva e continuou:
—Arthas e seus homens estam combatendo en Vega del Amparo solos.
¡Necesitan refuerzos de inmediato!
—Creio que Uther se encontra no palacio-replicou Antonidas—.
Enviarei varios magos para la com ordens de abrir tantos portais como
sejam necesarios para transportar a todos os homems que precisemos. Fez
bem, querida. Estou muito orgulhoso de você, minha filha. Agora descanse um
pouco.
—Não! —gritou Jaina.
Lutou para se sentar, mas mal conseguiu se levantar. Apenas sua força de
vontade permitiu que superasse a exaustão enquanto estendia uma mão trêmula
para impedir que Antonidas se aproximasse dela.-Estou voltando com ele. Não
se preocupe comigo. Vá em frente!
Arthas havia perdido a noção do tempo e não sabia há quanto tempo estava
lutando lá. Ele balançou o martelo para a frente e para trás sem cessar, seus
braços tremiam de esforço e seus pulmões queimavam. Seus homens e ele
ainda estavam de pé graças ao poder da Luz, que fluía através dele, dando-lhe
força e firmeza. Os mortos-vivos foram enfraquecidos por tal poder, embora
isso parecesse ser sua única fraqueza. Apenas se eles fossem mortos com um
golpe preciso eles não se levantavam novamente.Embora Arthas se
perguntasse brevemente se era possível matar algo que já estava morto.No
entanto, eles continuaram aparecendo mais e mais, uma onda após a outra.
Seus súditos se transformaram naqueles monstros. Arthas ergueu os braços
exaustos para dar um novo golpe, quando de repente ouviu uma voz acima do
ruído da batalha que Arthas conhecia muito bem.
—Por Lordaeron! Pelo rei!
Os homens recuperaram o ânimo com o grito apaixonado de Uther, o Iluminado,
e retomaram o ataque. Uther foi acompanhado por um grande grupo de
cavaleiros, frescos e curtidos em mil batalhas, que não se esquivaram dos
mortos-vivos. Aparentemente, Jaina, apesar de estar exausta, cruzou o portal
com Uther e o restante dos cavaleiros. A maga informara os recém-chegados aos
que iriam enfrentar a fim de evitar perder preciosos segundos presos
contemplando pela primeira vez aquele inimigo estranho e desconhecido. Os
mortos-vivos caiam mais rápido agora e cada onda foi recebidos com os ataques
ferozes e apaixonados de martelos, das espadas e do fogo.

O último dos mortos-vivos explodiu em chamas, cambaleou e caiu,


finalmente morto. Esse feitiço consumiu todas as forças de Jaina, que
desmoronou quando suas pernas falharam. Ela estendeu a mão para pegar o
cantil e bebeu ansiosamente sem tremer. Então comeu algumas carnes secas.
A luta acabou no momento. Arthas e Uther removeram seus respectivos
capacetes. O suor enfiou o cabelo nas testas. Enquanto mordiscava a carne,
Jaina observava enquanto Uther encarava a montanha de cadáveres
mortos-vivos e assentia em satisfação. Enquanto isso, Arthas estava olhando
para algo com um gesto de aflição. Jaina olhou para o lugar que Arthas
estava examinando e franziu a testa sem realmente entender o que estava
acontecendo. Os cadáveres estavam por toda parte; mas, em transe, Arthas
não procurou o corpo inchado de moscas de um de seus soldados, nem
mesmo de um ser humano; mas de um cavalo. Uther aproximou-se de seu
pupilo e deu-lhe um tapinha carinhoso no ombro."Estou surpreso que você
tenha suportado tanto, menino", disse ele.inchada de orgulho e um sorriso
nos lábios. Se não tivesse chegado a tempo...
Arthas se virou para ele e retrucou:Eu fiz o melhor que pude,
Uther!Uther e Jaina ficaram aturdidos com a repentina resposta. O príncipe
reagiu desproporcionalmente: Uther não o estava censurando, mas
elogiando-o.-Se eu tivesse uma legião de cavaleiros me apoiando, eu
teria-Não é hora de lamber as feridas do orgulho ferido! Pelo que Jaina me
disse, o que lutamos aqui é apenas o começo - respondeu Uther,
semicerrando os olhos.
Os olhos verdes de Arthas voaram em direção a Jaina. Ainda se sentia
magoado com o que considerava um insulto e, pela primeira vez desde que
Jaina o conhecia, ela estava assustada com o olhar penetrante dele.-Você
notou que as fileiras de mortos-vivos são reforçadas toda vez que um de
nossos guerreiros cai em batalha? Uther apontou.-Então devemos atacar o
líder deles! Arthas respondeu. Kel'Thuzad me disse quem ele era e onde
encontrá-lo. É sobre um senhor do terror ou algo similar. Chama-se
Mal'Ganis. E esta em Stratholme. Stratholme, Uther. O mesmo lugar onde
você se tornou um campeão da Luz. Esse lugar não significa nada para
você?
Uther suspirou cansado e respondeu:-É claro sim, mas...
-Eu vou lá e matarei Mal'Ganis com minhas próprias mãos, se
necessário! Arthas gritou.Jaina parou de mastigar e olhou para ele.
Nunca o tinha visto assim.- Calma garoto. Embora você seja muito
corajoso, você não pode acreditar seriamente que você pode matar sozinho
um homem que domine os mortos.-Então você pode vir comigo se quiser,
Uther. Eu vou lá, com ou sem você.Antes que Uther ou Jaina pudessem
protestar, Arthas saltou sobre o cavalo, puxou as rédeas para que o corcel
virasse a cabeça e seguisse para o sul.Jaina se levantou, atordoada. Arthas
saíra sem a companhia de Uther, sem seus homens, sem ela. Uther
aproximou-se silenciosamente de Jaina e ela balançou a cabeça."Ele se sente
responsável por todas aquelas mortes, Uther", ele explicou ao velho
paladino em voz baixa. Ele acha que deveria ter sido capaz de parar tudo
isso. olhou para Uther e disse: - Nem mesmo os magos de Dalaran, aqueles
que advertiram Kel'Thuzad de que ele estava no caminho errado,
suspeitavam do que ele estava tramando; Como Arthas saberia que o
necromante havia planejado esse horror?
—Sente pela primera vez o peso da coroa —afirmou com tranquilidade
Uther—. Isso é novo para ele. Porém é parte de seu aprendizado, minha
senhora; parte do que tem que aprender para poder chegar a governar algum
día sabiamente. Fui testemunha de como Terenas lutou contra esses mesmos
fantasmas quando era jovem. Ambos são boas pessoas, ambos querem o
melhor para seu povo, ambos querem proteger-lo e garantir sua felicidade.
-O velho paladino observou meditativamente enquanto Arthas se perdia
a distância. No entanto, às vezes não há escolha senão escolher o mal menor.
Às vezes não há como consertar as coisas. Arthas agora está aprendendo essa
verdade ", concluiu o velho paladino.- Acho que entendo, mas não posso
deixar que ele carregue essa responsabilidade apenas em seus ombros - disse
Jaina.E ele não vai. Assim que os homens se recuperarem e estiverem
prontos para empreender uma longa marcha, seguiremos sua trilha. Além
disso, você deve descansar também.Jaina sacudiu a cabeça.Não Eu não
deveria deixá-lo sozinho."Lady Proudmoore, se você me permite dar um
conselho", disse Uther delicadamente, "pode ser sensato deixar um pouco de
espaço para ele esclarecer suas idéias." Siga-o se você acha que deveria, mas
dê a ele tempo para pensar.Era óbvio o que ele queria dizer. Embora Jaina
não gostasse de seu conselho, ela concordou com ele. Arthas sentiu-se
angustiado, furioso e impotente e não estava em posição de argumentar com
ele. Por essas razões, precisamente, não podia abandoná-lo a seu
destino."Muito bem", concluiu Jaina.Ela montou seu corcel e murmurou um
feitiço. E viu Uther sorrir largamente assim que percebeu que não podia mais
vê-la.Eu seguirei Arthas. Assim que seus homens estiverem prontos, procure
por mim.Eu não posso segui-lo de muito perto. Ela era invisível, mas não
podia deixar de fazer barulho. Jaina apertou os flancos do cavalo com os
joelhos para poder galopar para a frente e poder perseguir o príncipe
brilhante e taciturno de Lordaeron.
Arthas avidamente esporeou seu cavalo; ficou furioso porque não podia ir
mais rápido, porque aquele cavalo não era Invencível, porque não deduziu a
tempo o que estava acontecendo e não conseguira deter a peste. O sentimento de
culpa o dominou. Seu pai teve que enfrentar os orcs; criaturas de outro mundo
que haviam entrado em massa no seu para conquistá-lo de maneira brutal e
violenta. Arthas agora achava que lutar com orcs não era mais do que
brincadeira de criança. Como é que seu pai e a Aliança teriam enfrentado uma
praga que, além de matar pessoas, em um pensamento de uma mente doentioa
que só um perturbado iria achar divertido, soprou vida em cadáveres para lutar
contra seus próprios parentes e amigos ? Poderia Terenas ter feito melhor que
ele? Por um momento Arthas pensou que sim, que Terenas teria resolvido o
quebra-cabeça na hora de parar a praga e salvar os inocentes, mas ele percebeu
que ninguém teria sido capaz de fazer. Em face desse horror, Terenas teria
falhado como ele.
Arthas estava tão absorto em seus pensamentos que quase não viu o homem
no meio da estrada. Ele puxou as rédeas com força com o choque e, assim,
impediu que sua montaria o atropelasse.Enojado, preocupado e furioso por ter sido
forçado a parar, Arthas retrucou:- Tolo! Mas o que você está fazendo? Eu poderia
ter te atropelado!Este homem não se parecia com ninguém a quem Arthas tinha
vistoanteriormente, mas mesmo assim era familiar. Ele era alto e de ombros largos,
e usava um manto que parecia penas negras e brilhantes. Enquanto um capuz
escondia suas feições, seus olhos brilhavam enquanto se levantavam para observar
Arthas. A barba cheia de cabelos grisalhos deu lugar a um sorriso
esbranquiçado."Você não teria me machucado e eu precisava chamar sua
atenção", disse ele em uma voz profunda e suave. Eu falei anteriormente com seu
pai, jovem. Mas ele não me escutou. É por isso que agora eu venho a você.Ele se
curvou e Arthas franziu a testa, parecia mais uma zombaria do que um sinal de
respeito."Precisamos falar", insistiu o homem encapuzado. Arthas bufou. Agora
ele sabia por que esse estranho misterioso, vestido de uma maneira tão pitoresca,
era tão familiar para ele. Segundo Terenas, ele era uma espécie de místico, alguém
que afirmava ser um profeta. Uma vez Arthas o viu se transformar em um pássaro.
Aquele homem teve a ousadia de aparecer diante de Terenas na sala do trono, com
a intenção de contar-lhe algumas tolices sobre o fim do mundo."Eu não tenho
tempo para o absurdo", Arthas rosnou, agarrando as rédeas de seu cavalo, pronto
para sair.- Ouça-me rapaz. O tom de escárnio desapareceu completamente da voz
daquele estranho, que se partiu como um chicote e Arthas foi obrigado a ouvi-lo
apesar de tudo. Esta terra está perdida! A sombra pairou sobre ela e ela não pode
fazer nada para impedir. Se você realmente quiser salvar seus súditos, leve-os para
o outro lado do mar, a oeste. Arthas quase caiu na gargalhada naquele momento.
Seu pai estava certo: ele era louco.
- Você quer que eu fuja? Minha casa está aqui, e a única estrada que vou
seguir será aquela que me permite defender meus súditos! Não pretendo
abandoná-los ao seu destino para que sofram uma existência horrível. Eu
vou lidar com a pessoa responsável por esta praga e vou destruí-la. Se você
acha que eu vou agir de forma diferente, você é um tolo.-Então eu sou um
tolo, hein? Suponho que, por pensar que o filho seria mais sábio do que o pai
- disse, enquanto o brilho em seus olhos revelou a sua preocupação. Você já
escolheu seu caminho. Nem mesmo alguém que vê o que você não consegue
ver o fará sair do seu curso.-Só tenho sua palavra como prova de que você é
capaz de ver o que meus olhos não podem ver. No entanto, eu sei o que eu
vejo agora, e que tenho visto, é por isso que estou ciente de que meu povo
precisa de mim!"Nós não vemos apenas com os nossos olhos, Príncipe
Arthas. Nós também fazemos isso com sabedoria e com nossos corações.
Não vou sair sem fazer uma última previsão. Lembre-se que quanto mais
você tentar destruir seus inimigos, mais cedo seus súditos cairão em suas
mãos ", aconselhou o profeta, sorrindo um sorriso tingido de
tristeza.Furioso, Arthas se preparou para responder, mas naquele exato
momento o estranho mudou sua forma. O manto parecia envolvê-lo como se
fosse uma segunda pele. Brilhantes asas negras saltaram de seu corpo
enquanto ele diminuía para o tamanho de um corvo. O pássaro soltou um
grunhido dissonante, o que deu a Arthas uma sensação de imensa frustração,
e o pássaro que fora um homem levantou-se no ar, voando para longe. O
príncipe assistiu inquieto enquanto o corvo se perdia no horizonte. Aquele
homem parecia ter tanta certeza...
"Me desculpe, eu me escondi para espiar você, Arthas.A voz de Jaina parecia vir
do nada. Assustado, Arthas virou a cabeça bruscamente na tentativa de encontrá-la.
Instantaneamente, a maga se materializou diante dele com um olhar profundo.
Eu só quero-Não diga nada! Arthas interrompeu.O príncipe viu como sua reação
sobressaltou e surpreendeu Jaina, como aqueles olhos azuis foram aumentados de
surpresa e, logo, lamentou ter falado dessa maneira. No entanto, Jaina não tinha o
direito de segui-lo dessa maneira, ela não tinha o direito de espioná-lo.- Só queria
dizer que esse homem também foi até Antonidas - insistiu Jaina depois de um
momento de silêncio desconfortável, convencida de que precisava continuar falando
apesar da repreensão. Devo admitir que senti um tremendo poder nele, Arthas. Sem
desmontar, Jaina aproximou-se do príncipe e ergueu a cabeça para olhar o rosto dele.
Na história do mundo, nunca houve nada como essa praga dos mortos-vivos. Não é
mais uma batalha, nem outra guerra; é algo muito pior e sinistro. Talvez você não
possa usar as táticas do passado para ganhar. Talvez esse homem esteja certo. Talvez
ele seja capaz de ver coisas que não podemos ver, talvez ele saiba o que vai acontecer.
Arthas se afastou dela e apertou os dentes, e respondeu:-Talvez Ou talvez seja um
aliado de Mal'Ganis. Ou um eremita maluco. Nada que ele possa dizer me
convencerá de que preciso deixar minha terra natal, Jaina. Eu não me importo se esse
idiota realmente viu o futuro ou não. Vamos.
Eles cavalgaram em silêncio por um momento. Mas então Jaina acrescentou em
voz baixa:-Uther nos seguira. Ele só precisava de um pouco de tempo para que seus
homens pudessem estar preparados. Arthas ainda estava ansioso; a raiva ainda não o
abandonara. Jaina tentou novamente.-Arthas, você não deveria...
-Eu estou cansado de pessoas me dizendo o que eu deveria ou não
deveria fazer! Ele exclamou. As palavras surgiram com tanta brusquidão
que o surpreendeu tanto quanto Jaina. O que está acontecendo aqui
supera tudo que se possa imaginar, Jaina. Eu nem sou capaz de encontrar
as palavras para defini-lo. Eu estou fazendo tudo que posso. Se você não
pensa em apoiar minhas decisões, você pode ir- acrescentou ele
enquanto a observava; e quando ele olhou para ela, seu gesto se
suavizou. -Você parece tão cansada, Jaina. Talvez você deva voltar. A
maga balançou a cabeça. Ela evitou olhar para Arthas nos olhos e
disse:-Você precisa de mim ao seu lado. Eu posso ajudar.A raiva deixou
Arthas, que agarrou Jaina pela mão. Os dedos cobertos de metal cobriam
a mago com ternura.- Eu não deveria ter falado com você desse jeito.
Sinto muito. Estou feliz que esteja aqui. Sua companhia é sempre uma
fonte de alegria para mim.Depois de proferir essas palavras, ele se
abaixou e beijou a mão da amiga. Jaina corou e deu-lhe um sorriso
enquanto ela parou de franzir o cenho."Caro Arthas", disse ele em voz
baixa.O príncipe apertou a mão da maga e depois a soltou.
Eles cavalgaram o resto do dia sem falar muito mais entre si e pararam para
acampar ao pôr do sol. Os dois sentiam-se cansados demais para sair e caçar
carne fresca, de modo que só comiam carne seca, maçãs e pão. Arthas olhou
para o pão que segurava nas mãos. Ela havia sido assada no palácio, feita com
grãos cultivados ali, não em Andorhal. Uma comida saudável, nutritiva e
deliciosa que cheirava a fermento e não tinha aquele cheiro doce e enjoativo.
Uma comida simples e básica, algo que todos, qualquer um, deveria poder
comer sem medo.De repente, sentiu a garganta se fechar e teve que soltar o pão,
pois não conseguia dar uma única mordida. Ele colocou as mãos na cabeça. Por
um momento, sentiu-se oprimido pelas circunstâncias, como se uma onda de
desespero houvesse subitamente se apossado dele. Jaina não pronunciou uma
palavra; Ela não precisava, sua mera presença era o suficiente para confortá-lo.
Então Arthas suspirou profundamente, virou-se para ela e abraçou-a.A resposta
de Jaina foi beijá-lo apaixonadamente: ele precisava de conforto e
encorajamento, tanto quanto Arthas precisava de seu encorajamento e apoio. O
príncipe acariciou seus sedosos cabelos dourados com as mãos e mergulhou em
seu perfume. Naquela noite, por algumas horas, eles respiraram fundo,
perderam-se um ao outro e não pensaram em morte, horror, grãos infectados
com a peste, profetas ou as estradas que tinham que escolher. Assim, o mundo
tornou-se menor e mais terno e eles acreditavam que estavam sozinhos nele.

CAPÍTULO
DOZE
A inda com sono, Jaina, ele acordou e estendeu o braço para tocar
Arthas. Mas o príncipe não estava lá. Jaina ficou piscando. Arthas já estava
de pé e vestido e preparava uma espécie de cereal quente para o café da
manhã. Embora o príncipe sorrisse ao vê-la, seus olhos expressavam
sentimentos muito diferentes. Jaina, indecisa, retornou o sorriso, pegou a
túnica, vestiu-a e passou os dedos no cabelo."Eu cheguei a uma
conclusão", Arthas retrucou sem mais demoras. Eu não queria mencionar
isso ontem à noite, mas você deve saber.Ele falou em um tom de voz
totalmente monótono e Jaina sentiu algo dentro dela estremecer. Pelo
menos ele não gritou do jeito que tinha feito no dia anterior, mas isso era
pior. O príncipe serviu-se de uma tigela de cereal quente e ofereceu-a a
Jaina. Ela a atacou enquanto Arthas ainda estava falando."Essa praga,
esses mortos-vivos", ele conseguiu se articular antes de respirar fundo.
Sabemos que o grão é o portador da peste. Nós sabemos que ele mata
pessoas. Mas é muito pior, Jaina. Não só mata eles.Parecia que as palavras
sufocaram em sua garganta. Jaina ficou sentada ali por um momento,
quando começou a entender o que Arthas queria dizer, pensou que iria
vomitar o cereal que acabara de comer e teve dificuldade em respirar.-Eles
se transformam de alguma forma. Isso os torna mortos-vivos, certo? Jaina
perguntou.Por favor, me diga que estou errada, Arthas, a maga
pensou.Mas o príncipe não pronunciou essas palavras, mas assentiu com a
cabeça coroada de cabelos loiros e acrescentou:
-É por isso que tantos apareceram de uma só vez.. Embora os grãos tenham
chegado recentemente a Hearthglen... houve tempo suficiente para ser
transformado na farinha com a qual o pão foi feito.Jaina olhou para Arthas.
Sua mente era incapaz de abranger as implicações dessa hipótese.-É por isso
que saí ontem rápidamente. Eu sabia que não poderia derrotar Mal'Ganis
sozinho, mas Jaina, eu não podia ficar de braços cruzados... Eu não podia
sentar para acampar e polir minha armadura, sabe?
A maga assentiu atordoada. Agora entendia em todas as suas dimensões.-E
esse profeta...eu também senti que era muito poderoso, mas eu não posso
partir sem mais e deixar toda Lordaeron se transformar em...isto.
Mal'Ganis, seja ele quem for, seja o que for, deve ser detido. Temos que
encontrar cada uma dessas caixas cheias de grãos contaminados e
destruí-las.Revelar essa informação chocante pareceu alterar Arthas
novamente, que se levantou para andar de um lugar para outro.- Onde diabos
está Uther? Ele perguntou. Ele teve a noite toda para chegar aqui.Jaina pôs
de lado o cereal meio comido, sentou-se e terminou de se vestir. Os
pensamentos percorreram sua mente a uma velocidade enorme, numa
tentativa de compreender a situação em sua totalidade e
desapaixonadamente, ao tentar encontrar uma maneira de combatê-lo. Sem
dizer uma palavra, montaram acampamento e foram para Stratholme.
O cinza da alvorada foi escurecido pelas nuvens que cobriam o sol. Começou
a chover com intensidade. Tanto Arthas quanto Jaina puxaram os capuzes de
suas respectivas capas para se proteger da chuva, mas Jaina também ficou
molhada e tremeu nos portões da grande cidade. Assim que pararam suas
montarias antes de entrar, Jaina ouviu algum ruído atrás dela e se virou. Viu
Uther e seus homens subindo a estrada de terra, que agora era praticamente
um atoleiro. A essa altura, Arthas já estava com raiva de novo e recebeu
Uther com um sorriso amargo."Estou feliz que você tenha chegado, Uther",
ele retrucou.Embora Uther fosse um homem muito paciente, desta vez ele
perdeu a calma. Arthas e Jaina não foram os únicos que suportaram uma
forte tensão."Meça suas palavras quando você se dirigir a mim, garoto!
Talvez você seja o príncipe, mas eu ainda sou seu superior como
paladino!"Como se eu pudesse esquecer", respondeu Arthas. O príncipe
subiu rapidamente um lugar alto de onde podia observar o interior da cidade,
do outro lado da muralha. Embora não soubesse exatamente o que estava
procurando. Algum sinal de vida, de normalidade, talvez. Algo que
sinaliza-se que eles chegaram a tempo. Qualquer coisa que lhe permitisse
esperar que ele ainda pudesse fazer alguma coisa."Ouça, Uther, há uma coisa
sobre a peste que você deveria saber. Os grãos...
O vento mudou de direção enquanto eles falavam e o aroma que atingia suas
narinas não era nada desagradável. No entanto, Arthas sentiu como se tivesse
levado um soco nas entranhas.Aquele cheiro, aquele cheiro estranho e
peculiar de pão feito de grãos contaminados, era inconfundível naquele ar
úmido e carregado de chuva.
Pela Luz, não. Já o haviam moido, já haviam feito o pão, já...
O sangue abandonou o rosto de Arthas. Seus olhos revelaram que ele
acabara de entender o horror atrás daquelas muralhas.- Chegamos muito
tarde. Tarde demais, maldição! O grão... Aquelas pessoas... "Ele tentou
explicar novamente. Essas pessoas já estão infectadas."Arthas", Jaina
começou em voz baixa.- Pode parecer que agora estejam perfeitamente
bem, mas é apenas uma questão de tempo até que eles se tornem
mortos-vivos!-O que? Uther exclamou. Você ficou louco, garoto?
—Não —respondeu Jaina—. Tem razão. Se eles comeram aquele grão,
eles serão infectados e, se forem infectados, serão transformados.Jaina
continuou girando a cabeça. Tinha que haver algo que eles pudessem fazer.
Antonidas dissera-lhe uma vez que se algo tivesse natureza mágica, então
poderia ser combatido com magia. Se eles pudessem ter algum tempo para
pensar, se eles pudessem se acalmar e reagir de uma maneira lógica sem se
deixar levar pelas emoções, talvez pudessem encontrar uma cura para isso.-
Precisamos purgar toda a cidade - disse Arthas, sem procurar uma maneira
de suavizar suas palavras.Jaina piscou. Tinha certeza que ele não podia estar
falando sério.- Como você pensa nisso? Uther gritou para seu ex-pupilo
quando se aproximou dele.- Tem que haver outra maneira de resolver esse
dilema. Nós não estamos falando de uma colheita de maçãs, mas uma cidade
repleta de seres humanos!
—Maldito seja, Uther!Devemos fazer-lo!—rugiu Arthas, confrontando
Uther.
Poucos centímetros separavam ambos rostos, e, por um momento
aterrador, Jaina acreditou que iam desembanhar suas armas.
—Arthas, não! Não podemos fazer isso! — gritou, incapaz de impedir que
as palavras saíssem de seus lábios.O príncipe se virou como um raio em direção a
ela; seus olhos de cor verde estavam enevoados de raiva, sofrimento e desespero.
Jaina imediatamente percebeu que Arthas realmente acreditava que essa era a
única opção; Ele realmente acreditava que a única maneira de salvar as vidas
daqueles que ainda não estavam infectados era através do sacrifício daqueles que
já estavam condenados, de quem não podiam mais ser salvos. O gesto de Arthas
se abrandou enquanto a maga continuava a falar na tentativa de dizer tudo em sua
cabeça antes que o príncipe a interrompesse novamente.-Escute-me. Não
sabemos quantas pessoas estão infectadas. Talvez alguns não tenham provado o
grão; outros podem não ter consumido uma dose letal. Nós nem sabemos qual é a
dose letal. Nós sabemos tão pouco sobre a peste ... Nós não podemos
massacrá-los como animais só porque estamos com medo!Jaina não havia
escolhido as palavras certas e viu que Arthas as levava muito mal.-Eu tento
proteger os inocentes, Jaina. Isso é o que eu jurei fazer.- Essas pessoas são
inocentes ... Elas são vítimas! Eles não escolheram se infectar voluntariamente!
Arthas, tem crianças lá. Nós não sabemos se a praga os afeta ou não. Nós
ignoramos muitas coisas sobre esta epidemia para tomar uma solução tão
drástica.-E o que fazemos com aqueles que estão infectados? Ele perguntou com
uma calma surpreendente e aterrorizante. Eles vão matar essas crianças, Jaina.
Eles tentarão nos matar e tentar se espalhar e continuar matando. Eles vão morrer
de um jeito ou de outro; e quando eles se levantarem, farão coisas que nunca
teriam feito na vida.O que você faria, Jaina?Jaina não contava em se deparar com
um dilema moral. Seu olhar voou de Arthas para Uther, e ele retornou do velho
paladino para o príncipe.-Não eu não sei."Sim, você sabe", retrucou Arthas. O
príncipe estava certo e ela sabia disso."Se você estivesse no lugar deles, você não
preferiria morrer agora do que por causa da praga? Você não preferiria morrer
como um ser humano racional para se levantar como um morto-vivo que ataca
todos aqueles que você amou, que destrói tudo o que você amava na vida?A maga
franziu a testa.-Eu... Essa seria minha escolha pessoal, sim. Mas não podemos
tomar essa decisão por eles. Você não entende?Arthas sacudiu a cabeça.Não Não
entendo. Temos que limpar essa cidade antes que qualquer um deles se
transforme. Eles sofrerão uma morte misericordiosa; Além disso, a única maneira
de deter a peste é acabar com ela aqui e agora, de uma vez por todas. E é
exatamente isso que vou fazer.
Lágrimas de angústia apareceram nos olhos de Jaina.-Arthas, me conceda
um pouco de tempo. Apenas alguns dias. Eu posso me teletransportar para
consultar Antonidas, nós poderíamos realizar uma reunião de emergência.
Talvez possamos encontrar uma maneira de...
- Nós não temos alguns dias! - As palavras explodiram com uma fúria
incomum. Jaina, essa praga afeta as pessoas em questão de horas. Minutos,
talvez. E-eu testemunhei isso em Hearthglen. Não há tempo para deliberações
ou discussões. Nós devemos agir agora. Se não, será tarde demais. Ele se virou
para Uther, ignorando Jaina. Como seu futuro rei, eu ordeno que você purge a
cidade!
-Você ainda não é meu rei, rapaz! E mesmo se você fosse, eu nunca
obedeceria essa ordem!
Então um manto de silêncio cheio de tensão os envolveu.
Arthas, meu amado, meu melhor amigo, por favor, não faça isso, Jaina
rezou mentalmente.
—Então, devo considerar sua negativa como alta traição —afirmou
Arthas abruptamente com um gélido tom de voz.
Para Jaina aquela réplica foi pior que se lhe houvesse dado um tapa no
rosto.
—Me acusa de traição? - Uther murmurou. Enloqueceu, Arthas?
-Você acha? Lorde Uther, em virtude dos meus direitos de sucessão e
do poder soberano da coroa, eu o alivio do comando e suspendo seus
paladinos de seus deveres.
-Arthas! Jaina exclamou, cuja língua havia sido libertada por causa
da indignação. Você não pode...
O príncipe virou-se com grande velocidade e respondeu
furiosamente:-Eu posso! E pronto!Embora Jaina permanecesse olhando
para ele, Arthas se virou para olhar para seus homens, que observaram
em silêncio e com cautela enquanto a discussão esquentava.- Aqueles de
vocês que querem salvar esta terra, sigam-me! O resto ... saia da minha
vista!Jaina sentiu-se marcada e enojada. Ia fazer isso de verdade. Arthas
ia marchar sobre Stratholme para acabar com todo homem, mulher e
criança que estivesse dentro dos limites de suas muralhas. A maga
agarrou e segurou as rédeas de sua montaria com força. O cavalo abaixou
a cabeça e seu hálito quente acariciou a bochecha da maga. Jaina sentiu
uma grande inveja pela total ignorância do animal.Se perguntou se Uther
atacaria seu ex-aluno. O paladino havia jurado servir seu pai e ainda
tinha que cumprir seu juramento, mesmo que tivesse sido dispensado do
comando. Jaina viu o cavaleiro enrijecer os músculos do pescoço e cerrar
os dentes com força. Mas ele não atacou seu senhor.No entanto, a
lealdade não restringiu sua lingua.-Você acabou de cruzar uma linha que
ninguém deveria atravessar, Arthas. Arthas olhou para ele brevemente e
encolheu os ombros. Ele se virou para Jaina, procurando o olhar dela, e
por um momento, apenas por um momento, a maga viu o que estava por
trás de tal determinação: um bom rapaz responsável e um pouco
assustado.
—Jaina?
Aquela palavra não foi apenas uma mera palavra. Era tanto uma pergunta
quanto um pedido. Enquanto a maga olhava para ele por inteiro, paralisada
como um pássaro diante de uma cobra, Arthas ofereceu-lhe uma mão
enluvada. Jaina observou-a por um momento, pensando em todas as vezes
em que a mão se fechara suavemente, em todas as vezes que a acariciou,
em todas as vezes em que brilhara com luz curativa ao curar os feridos.No
entanto, agora não conseguia apertar essa mão.-Sinto muito, Arthas. Eu
não posso ficar para ver você fazer isso.Então a máscara fria do príncipe
caiu e ele não pôde mais esconder seus sentimentos. Choque e descrença
invadiram seu rosto. Jaina não aguentou mais. Ela engoliu em seco, os
olhos cheios de lágrimas e virou as costas para ele. Uther observou-a com
um olhar que combinava compaixão e aprovação. O velho paladino
ofereceu sua mão para ajudá-la a cavalgar e a maga ficou grata por sua
firmeza e serenidade. Jaina tremeu como uma folha e agarrou-se à montaria
enquanto esperava que Uther montasse em seu próprio cavalo. Quando o
paladino estava pronto, ele pegou as rédeas do cavalo de Jaina e os dois se
afastaram daquele horror indescritível que era o pior que já haviam
encontrado até então nessa missão terrível.
-Jaina? Ela ouviu Arthas dizer atrás deles.A maga fechou os olhos e
lágrimas deslizaram pelas pálpebras.
—Eu sinto—voltou a susurrar Jaina—.Eu sinto muito.
—Jaina...? Jaina!
Ela lhe deu as costas.
O príncipe não podia acreditar.
Por um longo momento ele ficou surpreso quando a silhueta de Jaina se
perdeu na distância. Como ela poderia deixá-lo assim? Jaina conhecia-o.
Ela o conhecia melhor que ninguém no mundo, melhor do que ele mesmo.
Jaina sempre o entendera. Sua mente subitamente recuou para a noite em
que se tornaram amantes, banhados pela primeira vez pelo brilho
alaranjado do fogo do homem de palha; e depois pelo azul gelado do luar.
Arthas abraçou-a e implorou a ela:
«Nunca me negue, Jaina.Nunca me renuncie, por favor ».«Eu nunca farei
isso, Arthas. Nunca ».Ah, sim, algumas palavras bonitas, sussurradas em
um momento muito emocional; Mas agora, quando realmente importava,
era exatamente o que Jaina havia feito: ela o havia negado, ela o traíra.
Maldição, se a própria Jaina tivesse admitido que, se tivesse sido infectada,
teria preferido ser morta para se tornar algo que profanaria todas as leis da
natureza. Mas ela o abandonou ao seu destino. Arthas não acreditava que
uma facada no estômago doesse mais que essa traição.Então um
pensamento cruzou sua mente de um modo fugaz e intenso: e se Jaina
estivesse certa?Não. Isso era impossível. Porque se estivesse, ele estava
prestes a se tornar um assassino em massa e sabia que ele não era. Sabia.Ele
sacudiu a cabeça como se quisesse livrar-se do terror que o surpreendia,
umedeceu os lábios que de repente secaram e respiraram fundo. Alguns
homens saíram com Uther. Muitos, demais, para dizer a verdade. Seria
capaz de tomar a cidade com os poucos, que sobraram?"Senhor, se você
permitir," disse Falric, "eu ...bem...prefiro que me cortem em mil pedaços
do que me tornar um morto-vivo."Houve um murmúrio que expressou
aprovação e o espírito de Arthas se acendeu, enquanto agarrava seu
martelo."O que vamos fazer aqui não é motivo de regozijo", disse ele, "mas
a conseqüência de uma necessidade urgente: deter a praga, aqui e agora,
com o menor número de baixas possíveis. Aqueles que estão entre essas
paredes já estão mortos. Sabemos disso, eles ainda não sabem e devemos
matá-los rapidamente e de forma limpa antes que a praga o faça por nós.
Ele olhou para seus homens um por um, orgulhoso daqueles soldados que
não se esquivavam de suas responsabilidades. Eles devem ser mortos e suas
casas devem ser destruídas para que essas moradias não se tornem um
refúgio para aqueles que não podemos mais salvar ", disse Arthas,
enquanto seus homens balançavam a cabeça e seguravam suas armas
vigorosamente. Esta batalha não será memorável ou gloriosa, mas horrenda
e dolorosa. Eu lamento profundamente que seja necessário. Mas nas
profundezas do meu ser eu sei que temos que fazer isso. Ele levantou o
martelo e exclamou: "Pela Luz!Em resposta ao seu grito de guerra, seus
homens rugiram e ergueram suas armas. Então Arthas se virou para a
entrada da cidade, respirou com força e correu.Acabar com aqueles que já
morreram e voltaram foi muito mais fácil. Eles eram o inimigo; eles não
eram mais seres humanos, mas criaturas vis que tinham sido vivos, então
esmagar seus crânios ou decapitá-los não era mais difícil do que acabar
com uma fera raivosa. Quanto aos outros...Os habitantes da cidade
olhavam para os soldados e seu príncipe, primeiro confusos e depois cheios
de horror. No início, a maioria nem sequer fez um movimento para pegar
suas armas; Eles conheciam os tabardos usados pelos homens que
deveriam protegê-los e não matá-los. Eles não conseguiam entender por
que eles foram mortos. O sofrimento tomou posse do coração de Arthas
assim que ele derrubou o primeiro: era um homem jovem, logo depois da
puberdade, que olhou para ele com olhos castanhos tingidos de
incompreensão e conseguiu pronunciar:
—Meu senhor, por que...?
Antes que Arthas gritasse angustiado pelo que foi forçado a fazer, antes de esmagar o
peito do garoto com um golpe de martelo, ele percebeu por um momento que seu
martelo não mais irradiava luz. Talvez a Luz também tenha sentido que foi necessário
cometer essa atrocidade. Embora um soluço se desenvolvesse em seu coração, ele
conseguiu contê-lo e continuar, e depois voltou-se para a mãe do menino.Ele pensou
que depois de um tempo seria mais fácil. Mas não foi assim. Na verdade, ele se sentia
pior a cada momento. No entanto, Arthas se recusou a dar o braço para torcer. Além
disso, os homens o observaram como um exemplo; se ele hesitasse, eles também
hesitariam e então Mal'Ganis teria triunfado. Então ele manteve o capacete fechado
para que eles não pudessem ver seu rosto e ele mesmo acendeu as tochas que
queimavam os edifícios cheios de pessoas que haviam se trancado dentro. Aquele
espetáculo dantesco e os gritos horripilantes não o impediriam de cumprir sua
missão.Foi um alívio que alguns cidadãos de Stratholme decidiram resistir, desde
então, o instinto de autodefesa entrou em jogo. Embora esses agricultores não tivessem
chance contra soldados profissionais e um paladino altamente treinado. No entanto,
isso mitigou a sensação horrível do bem, que eles estavam sendo mortos como
animais, assim como Jaina havia descrito.
—Estava te esperando, jovem príncipe.
Aquela voz ecoou profundamente em sua mente e ouvidos e um arrepio
percorreu seu corpo. Era uma voz poderosa e... não havia outra maneira
de descrevê-la... perversa...Isso era lógico, já que pertencia a um Lorde
do Horror, ou assim Kel'Thuzad o chamara: um nome sinistro para um
ser sinistro.
—Sou Mal'Ganis.
Algo similar ao júbilo tomou conta de Arthas. A presença daquele ser
naquele lugar justificava suas ações. Mal'Ganis, a pessoa responsável pela
peste estava lá, e quando os homens de Arthas, que também tinham ouvido
aquela voz, voltaram-se em busca de seu dono, as portas de uma casa onde
alguns cidadãos haviam se escondido se abriram em pares. e vários mortos
vivos, cujos corpos brilhavam com um brilho verde e doentio, vieram
rápidos.-Como você pode ver, seus súditos agora pertencem a mim. Eu vou
transformar esta cidade, casa por casa, até que a chama da vida se acabe
completamente, para sempre ", disse Mal'Ganis rindo.Aquela risada era
perturbadora, profunda, cruel e sinistra.-Não vou permitir, Mal'Ganis! Arthas
rugiu, com o coração cheio de orgulho pela convicção de que o que estava
fazendo era justo. É melhor que essas pessoas morram por minhas mãos do
que se tornarem seus escravos na morte!O Senhor do Horror riu de novo e
desapareceu tão misteriosamente quanto aparecera; e Arthas voltou ao
combate quando viu uma multidão de mortos-vivos atacando-o. Arthas não
soube quanto tempo demoraram para matar todas as criaturas vivas e mortas
da cidade. Mas, finalmente, eles conseguiram completar sua missão atroz. O
príncipe estava exausto, tremendo e enojado pelo cheiro de sangue e fumaça,
e pelo doce cheiro de pão contaminado que pairava no ar, embora a padaria
agora fosse um prédio em chamas. Sangue e icor cobriam o que outrora fora
uma armadura brilhante. No entanto, isso ainda não acabara. O príncipe sabia
exatamente o que aconteceria a seguir e esperou que algo acontecesse. e um
instante depois chegou o inimigo, que desceu do céu para pousar no telhado
de um dos poucos edifícios que permaneciam intactos. Arthas ficou chocado.
Essa criatura era enorme. Sua pele era cinza-azulada, como se fosse pedra
que havia ganhado vida. Chifres emergiram de seu crânio sem pêlos,
curvando-se para frente e para cima, e duas asas poderosas como morcegos
se espalharam atrás dele como sombras com vida própria. Suas pernas,
protegidas por placas de metal adornadas com farpas e imagens
perturbadoras de ossos e crânios, curvavam-se para trás e terminavam em
forma de cascos. A luz de seus brilhantes olhos verdes iluminou os dentes
afiados que formavam um sorriso de desprezo. Arthas olhou para cima e
observou aquela criatura em terror de incapaz de acreditar no que estava
diante de seus olhos. Ele ouvira histórias sobre ele; vira desenhos em livros
antigos, tanto na biblioteca de sua casa como nos arquivos de Dalaran. Mas
contemplar aquela coisa monstruosa subindo ameaçadoramente sobre ele sob
um céu carmesim e negro de fumaça e fogo, era algo totalmente diferente
"Um Lorde do Horror era um demônio das entranhas do mito. Não podia ser
real, mas ali estava na frente dele em toda a sua terrível glória.
O Senhor do Horror.
Medo ameaçou consumir Arthas, sabia que se o deixa-se dominar por ele,
estava perdido e iria morrer nas mãos daquele monstro, sem sequer lutar.
Então, reuniu toda a sua vontade de ferro e abafou o terror instintivo com uma
emoção mais positiva: o ódio. A fúria. Ele pensou em quem tinha caído sob
seu martelo, ambos os mortos e os vivos, tanto os necrofagos e as mulheres
aterrorizadas e crianças que não entendiam que ao matá-los estava tentando
salvar suas almas. Seus rostos lhe deram nova força. Não poderiam ter
morrido em vão. De alguma forma, Arthas conseguiu reunir a coragem de
olhar nos olhos do demonio, enquanto vigorosamente agarrou seu
martelo.Vamos acabar com isso agora, Mal'Ganis, gritou em voz alta e firme.
Só eu e você.
Antes que termina-se, o Senhor do Horror inclinou a cabeça para trás e
riu."Palavras valentes", o demonio observou com um tom de voz estrondosa.
Infelizmente para você, isso não termina aqui.Mal'Ganis sorriu amplamente e
seus lábios negros se separaram, revelando dentes afiados.-Sua viagem
acabou de começar, jovem príncipe.Com um aceno de mão fornecido com
garras longas e afiadas brilhando à luz das chamas ainda queimando e
consumindo a grande cidade, ele apontou aos homens de Arthas e disse:
—Reuna suas forças e se encontre comigo na terra ártica de Nortundria. Ali
é onde se decidira teu verdadeiro destino.
—Meu verdadeiro destino? —A voz de Arthas falhou por causa da ira e
da confusão—. O que?
As palavras se afogaram em sua garganta quando o ar ao redor de
Mal'Ganis começou a piscar e se transformar em um padrão
familiar.-Não! O príncipe uivou.Ele pulou para ele cegamente,
imprudentemente, e teria se dividido em dois em um piscar de olhos se o
feitiço de teletransporte não tivesse sido completado. Arthas gritou
incoerentemente, brandindo o martelo no ar, que mal brilhava."Vou
perseguir você até os confins da Terra, se necessário! Você pode me
ouvir?Até os confins da terra!Enlouquecido, furioso, alheio a realidade,
brandiu seu martelo loucamente contra o nada, até que o esgotamento puro
o obrigou a abaixá-lo. Ele se inclinou no chão e recostou-se contra ele,
suando e tremendo com os soluços de frustração e raiva.
Até os confins da Terra.

CAPÍTULO
TREZE
Três dias depois, lady Jaina Proudmore caminhava pelas ruas do que até
pouco tempo tinha sido uma cidade orgulhosa; A gloria do norte de Lordaeron
que agora só podia ser um cenario de um pesadelo.
O fedor era insuportável. Cobriu o rosto com um lenço generosamente
impregnado com a essência de uma flor de paz, numa tentativa de filtrar parte
daquela pestilência. Mas isso foi apenas parcialmente bem sucedido.
Incêndios que deveriam ter sido consumidos por si mesmos, tendo sido
abatidos pelo menos um pouco devido à falta de combustível, continuaram a
queimar e as chamas atingiram grandes alturas. Jaina sabia que eles eram o
trabalho de uma magia negra. O fedor da putrefação se misturava com o
cheiro acre de fumaça que irritava os olhos e a garganta.
Os corpos estavam no lugar onde haviam caído, a maioria deles desarmado. As
lágrimas se juntaram nos olhos de Jaina e deslizaram por suas bochechas
enquanto ela se movia como um transe, passando sobre os cadáveres inchados
com grande cuidado. Um gemido de angústia lhe escapou assim que percebeu
que Arthas e seus homens, levados por uma estranha concepção de compaixão,
nem sequer perdoaram as crianças.
Poderiam aqueles cadáveres jazendo imóveis e rígidos pela morte se
levantarem para atacar os vivos se Arthas não os tivesse matado? Talvez.
Muitos deles sim, certamente. O que não havia dúvida era que o grão havia sido
distribuído e consumido. Mas eles tinham comido todo o grão? A maga nunca
saberia, e o príncipe também.
"Jaina, vou perguntar de novo, venha comigo", implorara Arthas com
voz áspera, mas estava claro que sua mente estava a milhares de léguas
de distância. «Ele escapou. Eu salvei os habitantes da cidade de se
tornarem seus escravos, mas no último momento ela escapou. Ele está
em Nortundria. Venha comigo ».Jaina fechou os olhos. não queria
lembrar daquela conversa que acontecera um dia e meio atrás. Não
queria lembrar-se da aparência de Arthas, como estava frio, zangado e
distante. Nem sua obsessão em capturar o Senhor do Horror, que era um
demônio, pela Luz !, sem se importar com mais nada.Jaina tropeçou em
um corpo e seus olhos mais uma vez contemplaram o horror que
desencadeara o homem que ela amara ... e ainda amava apesar de tudo;
não sabia como ou por que, mas se a Luz tivesse pena dela, Jaina ainda
amava Arthas...
«Arthas...é uma armadilha. Ele é um lorde demoníaco. Sim, se em
Stratholme ele foi capaz de iludir você, sem dúvida ele irá derrotá-lo em
seu território, onde ele será mais forte. Não vá, por favor ".Ela teria
querido se jogar em seus braços para forçá-lo a ficar com ela. Arthas não
poderia ir a Nortundria; Seria o seu fim. E embora o príncipe tivesse sido a
causa do fim de muitas pessoas, Jaina descobriu que ela era incapaz de
desejar a morte do príncipe. "Este massacre", ele murmurou. Eu não
posso acreditar que Arthas foi capaz de fazer isso. No entanto, eu sabia
que era assim. Uma cidade inteira pereceu em suas mãos
—Jaina? Jaina Proudmoore!
Jaina ficou surpresa e de repente abandonou o desagradável transe graças a
uma voz familiar que pertencia a Uther. Uma estranha sensação de alívio
invadiu-a quando ela se virou na direção de onde vinha a saudação. O velho
paladino sempre a intimidara um pouco; Ele era tão grande e poderoso e
...bom ... ele estava tão intimamente ligado à Luz. Ele se lembrou com uma
pontada incongruente de culpa que ela e Arthas haviam zombado em sua
juventude da santidade de Uther. Para eles, essa devoção beirava o pomposo
e o puritano, e era muito fácil para eles rirem do cavalheiro atrás deles. Foi
um alvo fácil. No entanto, três dias atrás, ela e Uther enfrentaram Arthas.
"Você jurou que nunca me abandonaria, Jaina", Arthas a havia acusado
com uma voz dolorosa como a lâmina gelada de uma faca. “Mas quando eu
precisei de seu apoio, sua compreensão, você se voltou contra mim”. “«Eu
não te conheço, Arthas, não sabíamos o suficiente sobre isso»“. “E agora,
além disso, você se recusa a me ajudar”. Eu estou indo para Nortundria,
Jaina. sabe que eu gostaria de ter você ao meu lado para que você possa me
ajudar a parar o mal. Então, por que você não quer me acompanhar? »Jaina fez
uma careta de desgosto.
Uther percebeu isso, mas não disse nada. Ele estava vestido com uma
armadura que o cobria completamente, apesar do calor causado pelos incêndios
que queimavam de forma não natural. Ele se aproximou da maga rapidamente.
Naquele momento, sua grande estatura e presença imponente transmitiam a
Jaina uma sensação de força e solidez em vez de intimidação. O velho campeão
não a abraçou, mas levou-a gentilmente pelos braços com a intenção de fazê-la
se sentir confortável.-Eu presumi que te encontraria aqui. Onde ele foi, garota?
Onde Arthas levou a frota?
—A frota? —questionou Jaina, abrindo os olhos exageradamente.
Ele assumiu o comando de toda a frota de Lordaeron e partiu com ela. Só
sabemos que ele enviou uma breve mensagem a seu pai sobre isso, embora
não saibamos por que obedeceram sem receber ordens diretas de seus
comandantes ", disse Uther, embora ele parecesse rosnar ao invés de
falar.-Porque ele é seu principe. Porque adoram Arthas. Além disso, eles não
sabem o que aconteceu aqui ", Jaina respondeu, sorrindo um sorriso
triste.Uma pontada de dor perfurou as feições duras de Uther e o paladino
assentiu."Sim", ele disse baixinho. Ele sempre tratou os homens que o
serviram bem. Eles sabem que ele realmente se importa com eles, eles
dariam suas vidas por ele.Essas palavras estavam cheias de arrependimento.
Elas eram verdadeiros, já que na época Arthas merecia ter uma devoção
incondicional.
«E agora você se recusa a me ajudar...».
Uther sacudiu-a levemente, trazendo-a de volta ao presente."Você sabe
onde ele poderia levar a frota, minha filha?Jaina respirou fundo e
respondeu:- Ele veio falar comigo antes de sair. Eu implorei para ele não
partir. Eu disse a ele que achava que ele estava indo direto para uma
armadilha...
Onde? Uther insistiu, inflexível.-A Nortundria. Ele foi para Nortundria
para caçar Mal'Ganis, o lorde demôniaco responsável pela praga. Quem não
conseguiu derrotar... aqui.-Um senhor demoníaco? Maldito garoto!
-explodiu. A explosão de raiva surpreendeu Jaina. Tenho que informar
Terenas.
—Tentei dete-lo—reinterou Jaina
- Então...ele... - Com um gesto, ele apontou em vão para o número
quase inconcebível de pessoas mortas que silenciosamente os
acompanhavam. Se perguntou pela centésima vez se poderia ter feito
outra coisa para evitar isso; se tivesse encontrado as palavras certas para
convencer Arthas, poderia tê-lo persuadido-Mas eu falhei.
Eu falhei com você, Arthas. Eu falhei com todas essas pessoas ... Eu
falhei comigo mesma, Jaina pensou.
A pesada mão enluvada de Uther pousou no ombro delgado da maga e
então o paladino disse:Não seja tão durar com você mesma, menina.- Tão
óbvio é que me sinto responsável? Comentou, sorrindo relutante.
Qualquer um que abriga uma migalha de compaixão em seu coração se
perguntaria o mesmo que você, o mesmo que eu. Jaina olhou para cima,
surpresa com a confissão que acabara de ouvir.-Você também? Jaina
perguntou a ele.O velho paladino assentiu; Seus olhos estavam injetados
de sangue devido à fadiga e, nas profundezas de seu olhar, Jaina detectou
um tremendo sofrimento que comoveu Jaina.-Não poderia lutar contra ele,
visto que segue sendo meu príncipe. Mas eu não posso deixar de me
perguntar se ele poderia ter atrapalhado. Se ele pudesse ter dito ou feito
outra coisa. Uther suspirou e balançou a cabeça. Talvez sim, talvez não.
Mas o passado é passado e as decisões que tomei não podem ser desfeitas.
Nós dois temos que olhar para o futuro, Jaina. Você não teve nada a ver
com este massacre. Obrigado por me informar do seu paradeiro.
"Sinto como se o tivesse traído de novo", confessou a maga, abaixando
a cabeça.-Jaina, talvez você tenha salvado ele ... e não só ele, mas todos os
homens que o acompanham e que não sabe o que ele se tornou. Jaina
ficou surpresa com as palavras que o paladino havia escolhido e olhou nos
olhos dele.-O que se tornou? Ainda é Arthas, Uther!O olhar do velho
refletia uma angústia insondável.-Sim é. Mas ele fez uma decisão terrível,
cujas conseqüências ainda não podemos prever. Não sei se ele pode
refazer o caminho pelo qual começou a andar - refletiu Uther, virando-se e
observando os cadáveres. Agora sabemos que os mortos podem ressurgir
da morte para levar uma existência que não pode ser descrita como vida e
que os demônios realmente existem. Eu me pergunto se também haverá
outros fenômenos que pensamos estarem apenas habitando o território
dos mitos, como os fantasmas. Se assim for, o nosso príncipe caminha
diretamente para as garras do maior dos terrores.O velho paladino se
curvou diante dela e acrescentou:- Saia daqui, minha senhora."Não, eu não
estou pronta ainda", a maga respondeu, sacudindo a cabeça. Uther tentou
decifrar o olhar da maga e, em seguida, assentiu e respondeu:
—Como queira. Que a Luz te ampare, Lady Jaina Proudmoore.
—E a você, Uther o Iluminado.
a maga sorriu o melhor que pôde e observou o paladino se afastar pouco a pouco.
Sem dúvida, Arthas consideraria que o traíra de novo, mas se desse modo pudesse
salvar sua vida, Jaina poderia viver com isso.O fedor começou a superar os limites
que sua teimosia lhe permitia suportar. Mesmo assim, Jaina parou para dar uma
olhada rápida ao redor. Uma parte dela se perguntou por que ela estava naquele
lugar; e outra sabia a resposta. Ela estava lá para que essas imagens fossem
gravadas em sua mente, para entender a verdadeira gravidade do que havia
acontecido. Nunca, nunca devia esquecer isso. Embora ela não soubesse se Arthas
poderia sair de seu caminho escolhido ou não, ele sabia que o que acontecera ali
nunca deveria se tornar uma mera nota de rodapé nos livros de história.Naquele
momento, um corvo desceu lentamente do céu. Sentiu o desejo de fugir para
assustá-lo e proteger os cadáveres destruídos daqueles desafortunados; mas
aquele pássaro só fez o que sua natureza ditava. Ele não tinha uma consciência
que indicasse que o que ele estava fazendo era ofensivo à sensibilidade do ser
humano. Jaina observou o corvo por um momento e depois não pôde acreditar no
que seus olhos viram.O pássaro começou a desbotar, a mudar e a crescer, de
modo que, onde um catador havia pousado momentos antes, um homem se
levantou. A maga engasgou quando ela o reconheceu: era o mesmo profeta que
havia visto duas vezes antes.-Você- o homem inclinou a cabeça e deu-lhe um
sorriso estranho com o qual ele disse sem dizer uma palavra: eu também a
reconheço. Era a terceira vez que ele vira essa mulher: a primeira quando tentara
convencer Antonidas e a segunda quando se aproximava de Arthas. Em ambas as
situações, o mago havia se escondido sob um feitiço de invisibilidade; no entanto,
era óbvio que esse feitiço não havia servido para nada.- Embora a morte possa
permanecer letárgica nessas terras por enquanto, não se engane: seu príncipe só
encontrará a morte no norte frio.Aquelas palavras que disse sem a menor
cerimônia fizeram Jaina estremecer.
"Arthas só faz o que acha certo", respondeu o mago.Jaina estava dizendo a
verdade. Quaisquer que fossem as falhas de Arthas, ele fora totalmente sincero em
afirmar que, do seu ponto de vista, expurgar Stratholme era a única opção válida para
pôr fim à praga.
Essa resposta pareceu suavizar a agressividade que aninhava nos olhos do
profeta."O que é louvável", afirmou o profeta, "mas ele se deixa levar pelas paixões e
isso o condenará. Agora tudo depende de você, jovem feiticeira.
Como? De mim?
-Antonidas não me escutou. Terenas e Arthas, tão pouco. Tanto os reis dos
homens, quanto os mestres da magia deram as costas à verdadeira compreensão.
No entanto, acredito que você não fará isso.A aura de poder que envolvia esse
homem era evidente. Jaina quase podia vê-la girando em torno dele, inebriante e
intensa. O profeta aproximou-se da maga e pousou a mão no ombro de Jaina, que
olhou para ele com olhos confusos.-Você deve levar seu povo para o oeste, para as
antigas terras de Kalimdor. Só lá eles serão capazes de lutar com as sombras e salvar
este mundo das chamas.Jaina olhou nos olhos do profeta e sabia que ele estava
dizendo a verdade. Não estava a controlando, nem obrigando; mas Jaina sabia, no
fundo de seu coração, que o que o homem disse era verdade."Ha", ele conseguiu
dizer quando engoliu em seco. Ele permaneceu em silêncio e contemplou pela última
vez o holocausto causado pelo homem que ele amara e ainda amava; e finalmente
assentiu. Eu farei o que você pedir.Enquanto isso, deixe que Arthas cumpra o destino
que escolheu. Não tenho outra escolha, pensou o mago."Levará tempo para reunir
todo mundo e convencê-los de que precisam acreditar em mim", disse Jaina.
Eu não acho que eles tenham esse tempo. “Já foi muito desperdiçado
“, observou o profeta.Jaina ergueu o queixo e disse:-Tenho que tentar. Se
você sabe tanto sobre mim, tenho certeza que você já sabe que eu nunca
desisto.O homem corvo sorriu e deu a impressão de que ele relaxou um
pouco quando ouviu a resposta. Além disso, Jaina recebeu um tapinha
afetuoso no ombro.- Faça o que acha que deve fazer, mas não demore
muito. A areia do relógio termina rapidamente e qualquer atraso pode ser
fatal.
A maga assentiu sem dizer uma palavra; estava muito sobrecarregada
para falar. Havia tantas pessoas que ela tinha que informar; entre eles,
Antonidas. Se houvesse no mundo a quem os magos prestariam atenção,
seria nela. Jaina falaria em nome daqueles mortos e ofereceria seu
testemunho como prova. Ela falaria da morte que ocorrera porque
acreditavam estupidamente que não era necessário se retirar para
Kalimdor. A silhueta do profeta diminuiu e mudou de forma. Tornou-se
novamente o de um pássaro negro que subiu a grande velocidade em
direção ao céu com um poderoso bater de asas. De alguma forma, assim
que ele roçou em seu rosto, Jaina sentiu que o ar, movido por aquelas
asas negras não tinha cheiro de podridão, fumaça ou morte. Cheirava a ar
fresco e limpo.
A esperança.

CAPÍTULO
QUATORZE

N ortundria era o nome daquela terra; e a Baía Cobredaga, o local


onde a frota de Lordaeron havia atracado. A água, profunda e agitada
devido ao vento inclemente, tinha uma cor cinza-azulada. Os penhascos
estavam pontilhados aqui e ali com pinheiros tenazes que davam uma
defesa natural à pequena área plana onde Arthas e seus homens
acampavam. Além disso, a água de uma cachoeira próxima despencou de
uma grande altura, causando uma chuva de espuma. Em suma, era um
lugar muito melhor do que Arthas esperava, pelo menos. Certamente não
parecia a casa imaginada de um lorde demoníaco .Arthas saltou do barco
e remou para a praia. Ele continuou olhando em volta sem perder nenhum
detalhe da paisagem que o rodeava. O vento chorou como uma criança
perdida e mexia seus longos cabelos loiros enquanto acariciava com seus
dedos gelados. Ao lado dele, um dos capitães do navio que havia
assumido o comando da frota sem consultar o rei estremeceu com o frio e
bateu palmas para tentar aquecer.Esta terra foi esquecida pela Luz. O sol
mal é visível! Mesmo que esse vento uivante congele seus ossos, você
nem sequer estremece um pouco.
Arthas, um pouco surpreso, percebeu que o que o homem estava dizendo
era verdade. Ele sentiu o frio como se estivesse sendo esfaqueado sem
piedade, mas não tremeu.-Meu senhor, você está bem?
-Capitão, todas as minhas tropas chegaram? Arthas perguntou sem nem
se incomodar em responder a pergunta.
Ele não respondeu porque era estupida a pergunta. Claro que ele não
estava bem. Eles o forçaram a massacrar uma população inteira a fim de
impedir uma atrocidade ainda pior. Para piorar a situação, tanto Jaina
quanto Uther viraram as costas para ele e um lorde demoníaco aguardava
sua chegada.
-Quase. Ainda restam alguns navios - Muito bom.
Nossa prioridade é montar o acampamento com defesas adequadas. Nós
não sabemos o que nos espera lá nas sombras.Essas ordens manteriam o
capitão quieto e ocupado. Arthas deu toda a sua ajuda e se forçou tanto
quanto os homens que comandava para erigir um abrigo básico para as
tropas. Ansiava pela capacidade de Jaina de lidar com as chamas quando
precisaram acender as fogueiras na crescente escuridão e frio.
Maldição, sentia muito a sua falta; mas aprenderia a não sentir falta dela.
Ela havia falhado com ele quando mais precisara dela e não estava
disposto a dar seu coração a tal pessoa por mais tempo. Seu coração devia
ser forte e não suave, decisivo e não hesitante. Se ele queria derrotar
Mal'Ganis, ele não podia se dar ao luxo de ser fraco. Não poderia ter
compaixão.A noite passou sem incidentes. Arthas permaneceu acordado
dentro de sua tenda até as primeiras horas da manhã, examinando
cuidadosamente os mapas incompletos da região que haviam obtido.
Quando ele finalmente adormeceu, sonhou com algo alegre e assustador
ao mesmo tempo. Ele era jovem novamente, tinha toda a sua vida pela
frente e cavalgava no glorioso cavalo branco que tanto amava. Mais uma
vez eles eram como um ser, eles estavam perfeitamente unidos e nada
poderia detê-los. Mas, mesmo sonhando, Arthas sentiu o terror dominá-lo
quando insistiu com Invinivel para fazer aquele salto fatal. A angústia,
que não diminuiu nem um pouco pelo fato de saber que era um mero
sonho, passou por todo o seu ser novamente como um terremoto. E mais
uma vez ele desembainhou a espada e perfurou seu coração com seu
devotado amigo.Mas desta vez, desta vez, ele notou que estava segurando
uma espada muito diferente da arma simples e humilde que ele segurava
em suas mãos naquele momento terrível. Desta vez era uma enorme
espada que ele teve que segurar com as duas mãos; ornamentado com
gravuras muito bonitas. As runas brilhavam em toda a sua extensão. Uma
névoa gelada e azul emanava dela, tão fria quanto a neve em que ela jazia
Invencível. Quando ele retirou a espada, Arthas viu que seu cavalo não
estava morto, mas Invincivel relinchou e ficou totalmente curado e, mais
forte que antes. O cavalo agora tinha pêlo luminoso em vez de mero
branco e brilhava com intensidade.
Então Arthas, que havia adormecido sob os mapas, acordou e se
endireitou de repente com lágrimas nos olhos e um soluço de alegria nos
lábios. Tinha certeza que isso era um presságio.Embora o dia amanhecesse
frio e cinzento, o príncipe se levantara antes do amanhecer, ansioso por
explorar essas terras para encontrar o rastro do Senhor do Horror. Arthas
sabia que ele estava lá sem dúvida.Mas no primeiro dia eles encontraram
apenas alguns pequenos grupos de mortos-vivos. Com o passar dos dias e
explorando cada vez mais terreno, o desespero começou a pesar em Arthas.A
nível racional, ele estava ciente de que Nortundria era um vasto continente
pouco explorado, que Mal'Ganis era um Senhor do Horror e não seria fácil
encontrá-lo, e os punhados de mortos-vivos como aqueles que tinham
encontrado até então, eram um bom sinal. Mas não o único. Aquele demônio
podia estar em qualquer lugar... ou em nenhum. O fato de ele ter revelado
que o esperaria em Nortundria poderia ter sido uma manobra elaborada para
manter Arthas fora de seu caminho. Então ele teria liberdade para retomar
seus planos e ...Não. Se ele pensasse coisas assim, ficaria louco. O Senhor do
Horror era arrogante e tinha certeza de que, no final, seria capaz de derrotar o
príncipe humano. Arthas teve que acreditar que ele estava em algum lugar.
Tinha que acreditar. Claro que isso também significava que Jaina estava
certa. Se de fato Mal'Ganis estava lá, era claro que era uma armadilha.
Nenhum dos pensamentos que vagavam por sua mente era otimista; e quanto
mais tempo ele lhes dava, mais aumentava sua inquietação.Duas semanas se
passaram até que o príncipe finalmente encontrou algo que lhe deu alguma
esperança. Eles se dividiram em grupos depois que o primeiro par de
exploradores retornou com a notícia de que mais grupos de mortos-vivos os
esperavam e mais numerosos do que antes. E eles os encontraram ... mas
rasgados e verdadeiramente mortos, deitados no chão congelado. Antes que
Arthas pudesse formar um pensamento coerente, ele e seus homens foram
surpreendidos pelo fogo inimigo.- Cubram-se! Arthas gritou.Todos
procuravam uma cobertura onde pudessem encontrar: atrás de uma árvore,
uma pedra e até algum ou outro banco de neve. O ataque parou tão
abruptamente quanto começou e então um grito foi ouvido.
-Maldição! Vocês não são mortos-vivos! Vocês estão vivos!
Arthas reconheceu essa voz e pertencia a alguém com quem ele nunca
teria imaginado que poderia estar naquela terra desolada. Havia apenas
uma pessoa capaz de jurar tão entusiasticamente e, por um momento,
ele esqueceu por que ele tinha ido lá e quem ele estava procurando. Ele
só sentiu a alegria e nostalgia que vem com a lembrança de tempos
passados.-Muradin? Exclamou Arthas estupefato, paralisado de alegria.
Muradin Barbabronze, é você?O rechonchudo anão abandonou a
proteção oferecida por uma fileira de armas para vigiar o locutor com
cautela. A carranca que dominava seu rosto deu lugar a um enorme
sorriso. -Arthas, garoto! Quem teria imaginado que seria você quem veio
nos resgatar!O anão se aproximou de Arthas, com o rosto mais
escondido do que nunca pela barba espessa, muito mais desgrenhada do
que o príncipe lembrava, se era possível. Além disso, ele tinha mais rugas
ao redor dos olhos que agora se estreitavam devido ao júbilo. Muradin
abriu os braços, correu para Arthas e abraçou-o pela cintura. Arthas riu, e
pela Luz, não ria por muito tempo; e ele abraçou seu velho amigo e
instrutor. Quando finalmente se separaram, o príncipe entendeu o
verdadeiro significado das palavras que Muradin acabara de
pronunciar.-Resgatar? Muradin, eu nem sabia que você estava aqui. Eu
vim..., ele começou, mas depois parou. Ele decidiu que era melhor
divulgar certas informações no momento, e não sabia como Muradin
reagiria se conta-se o motivo que o levara ali, então decidiu sorrir para o
anão e acrescentou: Mas isso pode esperar. Venha, velho amigo. Nós
montamos um acampamento base não muito longe daqui. Tenho a
impressão de que você e seus homens fariam bem em comer algo
quente."E nós também não gostaríamos de um bom gole de cerveja",
disse Muradin, sorrindo.Uma sensação de alegria invadiu a atmosfera
quando Arthas, Muradin, Baelgun, o tenente de Muradin e os outros
anões entraram no campo. Até mesmo o frio eterno daquele lugar
pareceu diminuir um pouco. Enquanto Arthas sabia que os anões
estavam acostumados a climas frios e eram pessoas robustas e fortes
sentiu percebeu alívio e gratidão olhando naqueles rostos barbudos,
quando foram oferecidas tigelas de guisado quente. Embora fosse muito
difícil para ele, Arthas mordeu a língua para refrear as perguntas que
desejavam saltar de seus lábios até que Muradin e seus homens fossem
bem cuidados.
Então ele sinalizou ao anão que se juntasse a ele em um lugar um pouco
afastado do centro do acampamento, perto de onde ficava sua tenda
"Bem, diga-me", Arthas conseguiu dizer quando seu ex-instrutor começou
a devorar a comida quente com a regularidade e aparente insaciabilidade
de uma máquina gnomo bem oleada, "o que você estava fazendo lá em
cima?"Muradin deu outra mordida e um bom gole de cerveja para facilitar
o trânsito de comida.- Veja, garoto, essa informação não é algo que se
deve compartilhar com todos.Arthas assentiu, mostrando que entendia o
que ele estava querendo dizer. Ele também preferiu ser cauteloso, de
modo que apenas alguns membros da frota que ele comandava
conheciam a verdadeira razão pela qual estavam em Nortundria.-Eu
agradeço que confie em mim, Muradin. Instantaneamente, o anão lhe deu
um tapinha no ombro.
"Você se tornou um homem arrojado, você sabe, garoto. Bem, se você é
capaz de lidar com esta terra deixada pela Luz, você tem o direito de
saber o que meus homens e eu estamos fazendo aqui. Estamos
procurando por um objeto lendário ", revelou ele enquanto apertava os
olhos e engolia cerveja. Então ele limpou a boca e continuou. Meu povo
sempre se interessou por objetos únicos e estranhos, como você bem
sabe."Isso mesmo", respondeu Arthas. Lembrou-se ouvir no passado algo
sobre Muradin tinha ajudado a fundar a Liga uma Chamada Organização
dos Exploradores, que tinha sua sede em Altaforja e seus Membros
viajavam por todo o mundo para adquirir conhecimentos e procurar
tesouros arqueológicos."Então é uma questão da Liga", disse Arthas.-Sim,
de fato. Eu estive aqui muitas outras vezes. Esta é um terra
estranhamente cativante que não revela seus segredos facilmente, o que
o torna muito intrigante. O anão remexeu no alforje, de onde tirou um
diário com capa de couro, que dava a impressão de ter conhecido dias
melhores. Ele jogou para Arthas com um grunhido. O príncipe pegou e
folheou. Continha centenas de esboços de criaturas, paisagens e
minas."Há muito mais aqui do que aparenta", disse ele.Vendo esses
desenhos, Arthas não teve escolha senão concordar com ele."Nossa
atividade é basicamente focada em pesquisa", continuou o anão. Na
aprendizagem.
Arthas fechou o diário e devolveu a Muradin.
-Quando você nos viu, você pareceu surpreso ao encontrar alguém que não
fosse um morto-vivo. Há quanto tempo você está aqui? E o que você aprendeu?
O príncipe perguntou.Muradin comeu os restos do guisado da tigela com um
pedaço de pão e a deixou limpa. Ele também comeu o pão. Depois suspirou um
pouco e respondeu:"Ah, como eu sinto falta dos doces que o chefe costumava
preparar em seu palácio", disse ele enquanto pegava seu cachimbo. Em resposta
à sua pergunta, sabemos há muito tempo que algo estranho acontece aqui. É
como se uma força estivesse crescendo. É uma coisa ruim e está piorando. Eu
falei com seu pai sobre isso; Eu acredito que esse poder não esteja satisfeito
apenas com a Nortúndia.Arthas reprimiu uma repentina onda de sensações
conflitantes de preocupação e emoção; no entanto, ele tentou manter a
compostura.- Você acha que isso poderia ser um perigo para o meu
povo?Muradin recostou-se e acendeu o cachimbo. O cheiro do tabaco favorito
do anão, cuja familiaridade fora de lugar naquela terra estranha era
reconfortante, chegou ao nariz do príncipe.-Sim eu creio. E também acho que
esses mortos-vivos têm algo a ver com isso. Arthas decidiu que chegara a hora
de compartilhar informações. Rapidamente, mas com calma, ele contou a
Muradin o que sabia sobre o grão contaminado pela peste e sobre Kel'Thuzad e
o Culto dos Amadiçoados. Ele também contou a ele sobre seu primeiro encontro
com os mortos-vivos, com aqueles fazendeiros transformados em monstros
horríveis. Ele informou-lhe como soubera que Mal'Ganis, um Lorde do Horror
encarnado, era quem estava após a peste e o convite irônico que o demonio lhe
dera para ir a Nortundria.Ele também mencionou Stratholme brevemente."A
peste havia chegado lá", disse ele. Então eu tinha que ter certeza que Mal'Ganis
não tinha mais cadáveres à sua disposição para seus propósitos ignóbeis.Com
essa informação, foi o suficiente. Enquanto tudo o que ele contou era verdade,
ele não tinha certeza se Muradin entendia que Arthas tinha sido forçado a
cometer aquele ato horrendo. Jaina e Uther não o entenderam, apesar de terem
testemunhado em primeira mão a ameaça que o príncipe estava enfrentando.-É
um assunto feio. Talvez o artefato que estou procurando possa ser útil para lutar
contra esse Senhor do Horror. De todos os objetos mágicos peculiares dos quais
temos notícias, este é um dos mais valiosos. Apenas recentemente começamos
a obter algumas informações sobre ele, embora desde que soubemos de sua
existência, bem, procuramos sem parar. Eu trouxe alguns itens mágicos muito
especiais para tentar localizá-lo, mas por enquanto não houve sorte ", explicou o
anão.Naquele momento, Muradin parou de olhar para Arrthas e seus olhos se
fixaram em um lugar além do príncipe, no deserto gelado que os rodeava
ameaçadoramente. Por um momento, o brilho desapareceu de seus olhos para
ser substituído por uma sombra sombria que o jovem príncipe nunca tinha
visto.Arthas decidiu esperar que o anão continuasse sua história. Ele queria
evitar dar a impressão de que ele ainda era a mesma criança impaciente que
Muradin sem dúvida lembrava. Muradin voltou a focar no presente e olhou para
Arthas com grande intensidade.
—Buscamos uma Lamina Runica chamada Lamento Gelido.
Lamento Gélido
. Arthas sentiu um leve arrepio percorrer sua alma ao ouvir aquela palavra.
Era um nome sinistro para uma arma lendária; e embora ele tivesse ouvido falar
das poderosas e terríveis Laminas Runicas, elas eram armas que raramente eram
vistas. O príncipe olhou brevemente para seu martelo descansando contra a árvore
onde ele a havia deixado depois de retornar do inesperado encontro com Muradin.
Era uma arma muito bonita e ele a valorizava muito; mas ultimamente a Luz
parecia brilhar nele muito vagamente, e às vezes não brilhava de maneira
alguma.Mas uma Lamina Runica...Uma súbita certeza o dominou e então ele
sentiu como se o destino estivesse sussurrando em seu ouvido. Nortundria era um
lugar vasto e não poderia ter sido uma coincidência que ele tivesse encontrado
Muradin. Se ele pudesse se apossar da Lamento Gelido, ele certamente poderia
matar Mal'Ganis, colocar um fim à praga e salvar seu povo. Ele e o anão se
encontraram por um motivo. Seu encontro foi o trabalho do destino.Enquanto
Arthas estava absorto em suas reflexões, Muradin continuou falando. Depois de
terminar a reflexão, o príncipe prestou atenção novamente.- Nós viemos para
tomar a Lamento Gelido, mas quanto mais nos aproximamos dessa espada, mais
mortos-vivos encontramos. Eu sou velho demais para acreditar que é uma mera
coincidência. Arthas sorriu ligeiramente. Então Muradin também não acreditava
em coincidências. Ele se sentiu reafirmado em sua convicção de que o destino
guiava seus passos.- Você acha que Mal'Ganis não quer que a encontremos? O
príncipe perguntou em um sussurro."Sem dúvida, não acho que lhe agrade
utilizarmos esse tipo de arma em nossas mãos."Acho que vamos poder ajudar uns
aos outros", disse Arthas. Ajudaremos a Liga e você a encontrar a Lamento
Gelido e você nos ajudará a derrotar Mal'Ganis."Parece um bom plano", disse
Muradin, mostrando sua concordância. A fumaça do cachimbo girou em torno
dele, formando colunas aromáticas onde o preto e o azul se misturavam. Arthas,
garoto ... Você tem mais cerveja sobrando?
Os dias passaram e Muradin e Arthas trocaram impressões. Agora eles
tinham uma dupla missão a cumprir: matar Mal'Ganis e encontrar a Lamina
Runica. No final, eles decidiram que a estratégia mais inteligente seria continuar
se mudando para o interior e enviar a frota para o norte para estabelecer um novo
campo ali. Eles tiveram que lutar não só com mortos-vivos, mas com alcatéias
de lobos famintos e ferozes com seres estranhos que pareciam metade lobos e
metade humanos, e com uma raça de trolls que davam a impressão de estar tão
confortável naquele lugar frio do norte como seus primos nas selvas tropicais na
Selva do Espinhaço.Muradin não ficou tão surpreso quanto o príncipe humano
quando eles encontraram tais seres. Aparentemente, pequenos grupos de trolls
de gelo são semelhantes àqueles que costumavam ficar perto da capital dos
anões de Altaforja. Arthas aprendeu com Muradin que os mortos-vivos tinham
bases em Nortundria. Eram estruturas estranhas na forma de um zigurate
cercadas por uma aura de magia tenebrosa que pertencera a uma antiga raça
supostamente extinta. De fato, se eles ainda existissem, não parecia que aqueles
mortos-vivos os incomodassem. Então Arthas decidiu que eles não deveriam
apenas destruir os cadáveres ambulantes, mas também seus abrigos. Ainda então
os dias passaram e Arthas não parecia mais próximo de seu objetivo. Enquanto
eles encontraram muitos vestígios do mal de Mal'Ganis, eles foram incapazes de
encontrar o Senhor do Horror.Nem a busca de Muradin pela tentadora Lamento
Gelido teve mais sucesso. As pistas, tanto arcanas quanto mundanas, estavam
estreitando a área de busca, mas até agora a Lamina Runica continuava a habitar
o território da lenda.
O dia em que tudo mudou, Arthas estava muito suscetível. Ele voltou
com fome, cansado e congelado para o acampamento improvisado depois
de outra incursão fracassada. Ele estava tão envolvido em sua raiva que
levou alguns segundos para entender o que estava acontecendo.Os guardas
não estavam em suas posições.-Mas o que? Arthas conseguiu dizer.Ele se
virou para Muradin, que imediatamente agarrou seu machado. Não havia
cadáveres à vista. Se os mortos-vivos tivessem atacado enquanto o príncipe
estivesse fora, os cadáveres de seus homens teriam levantado, já que teriam
sido recrutados pelo lado inimigo da maneira mais cruel que se possa
imaginar. De qualquer forma, deveria haver sangue ou sinais de luta em
todos os lugares, mas não havia nada.Eles se moviam cautelosamente e
silenciosamente. O acampamento estava deserto. Arthas podia jurar que
parecia ter sido desmantelado, exceto por um punhado de homens que
olharam para cima quando viram o movimento. Em resposta à pergunta que
ele ainda não havia feito, o capitão Luc Valonante disse:- Peço-lhe que
aceite nossas desculpas, meu senhor. A pedido do Lorde Uther, seu pai
ordenou que nossas tropas voltassem. A expedição foi cancelada. Arthas
sentiu um espasmo em um músculo perto do olho."Meu pai ordenou que as
tropas retornassem", porque Lorde Uther pediu por isso?
O capitão parecia nervoso, olhou de lado para Muradin e depois
respondeu:-Sim senhor. Esperamos até você voltar para sair, mas o
emissário insistiu. Todos os homens se dirigem para o noroeste para
encontrar a frota. Nosso explorador nos informou que as estradas, se
puderem ser chamadas como tais, estão nas mãos dos mortos-vivos. Então
nossas tropas estão muito ocupadas abrindo caminho pela floresta. Tenho
certeza de que você pode alcançá-los rapidamente, senhor."É claro", Arthas
respondeu, forçando um sorriso, embora seu sangue estivesse fervendo por
dentro. Desculpe-me um momento.Ele colocou a mão no ombro de Muradin
e levou-o para uma área onde pudessem conversar em voz baixa.-Bem,
desculpe garoto. É tão frustrante ter que ir...
—Não.
Como? Muradin respondeu surpreso.-Eu não pretendo voltar.
Muradin, se meus guerreiros me abandonarem, eu nunca vou derrotar
Mal'Ganis! E a praga nunca vai parar! Ele exclamou, erguendo a voz.
Alguns olhares, cheios de curiosidade, olhavam para ele.-Menino, é seu
pai. O rei. Você não pode contradizer suas ordens. Isso seria alta traição.
Arthas bufou. Talvez seja meu pai que está traindo o seu povo, ele pensou,
mas ele não se atrevia a dizer isso.-Eu dispensei Uther de sua posição. Eu
declarei sua ordem dissolvida. Ele não tem o direito de fazer isso. Meu pai
foi enganado.-Então você deve resolver essa bagunça com ele quando
voltar. Você terá que forçá-lo a ver a verdade se as coisas são como você
diz que são. Mas em nenhum caso você pode desobedecê-lo. Arthas olhou
para o anão. Como que se as coisas são como eu afirmo que são? O que
esse maldito anão está dizendo? Que eu estou mentindo ?, pensou ele,
tomado pela fúria.-Você está certo em uma coisa: meus homens são leais
ao que consideram a cadeia de comando. Eles nunca se recusariam a
voltar para casa se recebessem ordens diretas para fazê-lo - observou ele,
esfregando o queixo pensativo e sorrindo enquanto uma ideia tomava
forma em sua mente.É isso! Nós apenas temos que negar-lhes o caminho
para ir para casa. Desta forma, eles não estarão desobedecendo ... mas
será impossível para eles cumprirem essas ordens.As sobrancelhas
espessas de Muradin se uniram quando ele franziu a testa.- O que você
quer dizer? Arthas respondeu com um sorriso feroz e depois contou seu
plano. Muradin pareceu atordoado."Você não acha que está exagerando
um pouco, garoto? O anão perguntou.
Pelo tom de voz que ele usara, estava claro que Muradin considerava
que ele estava realmente se excedendo um pouco; talvez demais Arthas
decidiu ignorar o comentário. Muradin não havia testemunhado o que
tinha visto, não tinha sido forçado a fazer o que tinha feito. Quando eles
finalmente enfrentarem Mal'Ganis, o anão iria entender tudo. Arthas
sabia que ele derrotaria o Senhor do Horror porque ele deveria. Ele
acabaria com a peste, aquela ameaça que pairava sobre seu povo. Então a
destruição dos navios seria considerada nada mais do que um pequeno
inconveniente, um mal menor se comparado ao bem maior que era
perseguido: a sobrevivência dos cidadãos de Lordaeron.-Eu sei que
parece muito drástico, mas não há outro remédio. Não existe.Algumas
horas depois, Arthas observou da Costa Esquecida como toda a sua frota
ardia. A estratégia era muito simples: os homens não podiam voltar para
casa e, portanto, não podiam sair, se não houvesse navios para embarcar.
Então Arthas havia queimado todos eles.Ele atravessou a floresta
acompanhado por mercenários contratados por ele. A ideia inicial era
usá-los para massacrar os mortos-vivos que estavam no caminho; e
depois ajudá-lo a pulverizar os barcos com óleo e colocar fogo neles.
Naquela terra de constante luz fria e fraca, o calor dos navios em chamas
era bem-vindo de uma maneira desconcertante. Além disso, o brilho do
fogo forçou Arthas a levantar a mão para proteger os olhos do clarão.Ao
lado dele, Muradin suspirou e balançou a cabeça. Ele e os outros anões,
que murmuravam suavemente enquanto observavam o fogo, não tinham
certeza se o caminho escolhido pelo príncipe era o caminho certo. Arthas
também observou com braços cruzados e expressão solene em seu rosto
enquanto o esqueleto envolvido pelas chamas de um de seus navios
desmoronava. O frio castigou suas costas enquanto seu rosto e o resto de
seu corpo ardiam do intenso calor das chamas.
—Maldito seja Uther por obrigar-me a fazer isto! —urrou.
Ele mostraria aquele paladino, ou melhor, expaladino...,
Mostraria a Uther, Jaina e seu pai que ele era o único que não
desrespeitava suas obrigações, não importando que o obrigassem a
cometer atos horrendos ou cruéis. Ele voltaria triunfante depois de t er
feito o que tinha que fazer; Tendo feito o que os fracos de coração nunca
teriam ousado fazer. Graças a ele, graças ao seu sacrifício, porque ele
estava disposto a suportar o pesado fardo dessa responsabilidade, seu
povo sobreviveria.O choque das chamas, lambendo a madeira
encharcada de líquido inflamável, foi tão intenso que, por um momento,
abafou os gritos de desespero dos homens que ficaram atônitos diante do
espetáculo dantesco.
—Príncipe Arthas! Nossos barcos!
—O que aconteceu? Como vamos voltar para casa?
Aquela ideia estava colocada em um canto escuro de sua mente por
várias horas. Arthas sabia que o pânico tomaria conta de seus homens ao
descobrir que eles estavam presos naquelas terras. Se bem que eles
concordaram na hora de segui-lo, Muradin estava certo em uma coisa: os
homens sabiam que as ordens de seu pai anulavam a dele e Arthas não
poderia tê-los retido. E Mal'Ganis teria vencido. Seus homens não
entendiam o quanto era importante parar a ameaça naquele lugar,naquele
momento...Seu olhar caiu sobre os mercenários que ele
contratou.Ninguém sentiria falta deles.
Eles eram ralé que poderia ser comprada e vendida. Se alguém os
pagasse para matá-lo, eles o teriam feito com a mesma rapidez que o
ajudaram. Tantas pessoas morreram tantas pessoas boas, nobres e
inocentes. Suas mortes sem sentido gritaram em vingança. E se os
homens de Arthas não o apoiassem de todo o coração, ele não poderia
ser vitorioso. Arthas não suportou a derrota. - Vão em frente, meus
guerreiros! Ele gritou, levantando o martelo. Sua arma não brilhava
mais com a Luz, mas isso não mais surpreendia Arthas. Ele apenas
apontou para os mercenários que estavam trabalhando para trazer os
barcos cheios de suprimentos que haviam salvado dos navios para a
costa e gritou: "Aqueles assassinos queimaram nossos navios e
privaram você de seu retorno para casa!” Mate-os em nome de
Lordaeron!
O príncipe encabeçou a carga.

CAPÍTULO
QUINZE
A rthas reconheceu o som das pisadas curtas, porém pesadas de Muradin
antes que O anão afastou a lona da tenda e olhou para ele. Eles se encararam
por um longo momento, e então Muradin acenou para ele e saiu, deixando a
lona cair. Por um momento, Arthas foi arrastado de volta no tempo para o
momento em que, quando criança, havia escapado de suas mãos uma espada
de treinamento que foi para os pés do anão. Ele franziu a testa, levantou-se e
seguiu Muradin para um lugar longe do resto dos homens.O anão não se
deteve com rodeios."Você mentiu para seus homens e traiu os mercenários
que lutaram por você! Muradin retrucou quando aproximou o rosto de Arthas
tanto quanto sua pequena estatura permitia. Você não é mais o garoto que eu
treinei. Você não é mais o homem que foi admitido na Ordem da Mão de
Prata. Você não é mais o garoto do rei Terenas.
-"Deixei de ser criança há muito tempo", disse Arthas com veemência
enquanto empurrava Muradin para longe. Eu fiz o que tinha que fazer.Ele
meio que esperava que o anão o atacasse; no entanto, a raiva parecia deixar
seu antigo mentor.
-O que está acontecendo com você, Arthas? Muradin perguntou em voz
baixa, tingido de infinita dor e confusão. Tão importante é a vingaça para
você?
-"Você não sabe do que está falando, Muradin", o príncipe respondeu irritado.
Você não estava lá para ver o que Mal'Ganis fez ao meu país. Para ver o que
ele fez com aqueles homens, mulheres e crianças inocentes!
"Mas eu ouvi sobre isso", Muradin disse calmamente. Alguns de seus homens
começaram a falar quando a cerveja caiu em suas línguas. Enquanto eu tenho
minha opinião sobre o que aconteceu. Eu também sei que não posso te julgar. Você
está certo, eu não estava lá. Graças a Luz, não tive que tomar essa decisão. Mesmo
assim...algo estranho acontece. Você é...O fogo dos morteiros e os gritos de alarme
interromperam seu discurso. Sem perder um segundo, Muradin e Arthas voltaram
ao acampamento preparados para lutar. Os homens ainda estavam correndo
caoticamente por suas armas. Falric gritou ordens em voz alta para os humanos,
enquanto Baelgun organizou os anões. O barulho da batalha foi ouvido à distância
e Arthas viu que o exército de mortos-vivos avançava em direção a seus homens.
As mãos do príncipe ficaram tensas ao redor do martelo. Isso tinha todos os traços
de ser um ataque bem coordenado e não um encontro fortuito.
"O Lorde das Trevas disse que você viria", anunciou uma voz
familiar para Arthas. O príncipe sentiu a euforia sobre ele. Mal'Ganis
estava lá! Ele não viajou para Nortundria por nada. Aqui conclui sua
viagem, garoto. Você vai acabar preso e congelado, no topo do
mundo e os mortos como a unica testemunha do seu triste destino.
Muradin coçou a barba enquanto examinava a área. Além do
perímetro do campo, a violenta batalha se desenrolou."Isso parece
um pouco ruim", ele admitiu, mostrando o costume anão de destacar
o óbvio. Estamos totalmente cercados. Arthas observou os
acontecimentos enquanto lamentava seu destino."Nós poderíamos
ter conseguido", ele sussurrou. Com a Lamento Gelido... Nós teríamos
conseguido.Muradin desviou o olhar.-Bom, eu tenho sérias dúvidas
sobre essa espada. E, para dizer a verdade, sobre você
também.Demorou um segundo para Arthas perceber o que o anão
estava sugerindo."Você está me dizendo que sabe como
encontrá-la?Muradin assentiu e Arthas agarrou seu braço.-Eu não sei
quais são suas dúvidas, Muradin, mas agora você pode esquece-las.
Mal'Ganis está aqui. Se você sabe onde a espada está, me leve até
ela. Me ajude a pegar a Lamento Gelido! Você mesmo disse: não acha
que Mal'Ganis teria prazer em me ver segurando ela. As tropas de
Mal'Ganis superam as nossas em número. Sem ela, vamos cair. Você
sabe que estou certo!Muradin observou-o com um olhar tingido de
dor e depois fechou os olhos.-Eu tenho um mau pressentimento
sobre tudo isso, garoto. É por isso que eu não queria me apressar; há
algo nesse artefato, na forma como surgiram informações sobre ele
que não encaixa. No entanto, eu me comprometi a cumprir essa
missão. Vá reunir alguns homens para se juntar a nós. Eu prometo a
você que vou encontrar essa Lamina Runica.Arthas deu um tapinha no
ombro do velho amigo. O destino estava seguindo seu curso. Eu vou
pegar essa maldita espada e vou usa-la para perfurar o coração
sombrio daquele Lorde do Horror.
-Cubram o vão! - ordenou Falric-. Davan, atire!A explosão de fogo de morteiro
reverberou por todo o acampamento enquanto Arthas corria para seu segundo em
comando.-Capitão Falric! O príncipe gritou.Falric se virou para ele e
respondeu:"Senhor, eles nos cercaram completamente. Podemos suportar algum
tempo, mas no final seremos vítimas de exaustão. Além disso, todos que caíram estão
aumentando suas fileiras.-Eu sei, capitão. É por isso que Muradin e eu partimos em
busca da Lamento Gélido.Falric levantou as sobrancelhas em surpresa e esperança,
porque ele sabia o que ele queria dizer. Arthas compartilhara o que lhe haviam dito
sobre essa espada, incluindo seu hipotético poder tremendo, com um punhado de seus
homens mais confiáveis.- Assim que estiver em nosso poder, a vitória será nossa.
Você será capaz de contê-los até então?"Sim, Alteza," Falric respondeu com um
sorriso, embora ele parecesse tão preocupado quanto os segundos anteriores. Nós
vamos segurar esses bastardos mortos-vivos.Alguns instantes depois, Muradin,
armado com um mapa e um estranho objeto brilhante, juntou-se a Arthas e a um
pequeno grupo de homens. Sua boca fez um gesto de descontentamento e teve um
olhar triste, mas andou completamente em linha reta. Falric então deu o sinal e eles
começaram a manobra. Como resultado, uma grande parte dos mortos-vivos
concentrou seus esforços neles, deixando a parte de trás do acampamento
limpa."Vamos", Arthas ordenou gravemente.

Muradin gritou instruções enquanto consultava o mapa uma vez o mapa e outra
um objeto brilhante que parecia emitir luz de maneira errática. Eles se moviam
o mais rápido possível através da camada profunda de neve na direção indicada
pelo anão, parando de vez em quando para fazer breves pausas que tiravam
proveito de sua orientação. O céu escureceu, as nuvens se acumularam e
começou a nevar, o que retardou ainda mais a marcha. Arthas avançou pela
inércia. A neve tornava impossível ver além de alguns metros à frente. Ele não
sabia mais, nem se importava, em que direção eles estavam caminhando;
simplesmente deu um passo atrás do outro enquanto seguia Muradin. Ele
perdeu toda noção do tempo. E não sabia se andava pela neve por minutos ou
dias. Apenas pensava, preso à obsessão, na Lamento Gélido. Na sua salvação.
Arthas esperava que fosse. Mas eles seriam capazes de encontrá-la antes que
seus homens fossem derrotados pelos mortos-vivos e seu mestre demoníaco?
Falric afirmou que eles poderiam resistir a um certo tempo. Mas quanto?
Sabendo que Mal'Ganis estava finalmente lá, em seu próprio acampamento
base, e não sendo capaz de atacar ele...
-Aqui, disse Muradin, apontando para a frente quase com reverência. Está lá
dentro. Arthas parou e piscou. Seus olhos se estreitaram em fendas para
proteger contra a nevasca e seus cílios estavam cobertos de gelo. Estavam
diante da entrada de uma caverna inóspita e sombria, envolta na escuridão
daquele dia cinzento varrido pela neve. Parecia haver algum tipo de iluminação
lá dentro; era um brilho fraco, azul-esverdeado, quase indistinguível do lado de
fora. Apesar de estar exausto e congelado, a emoção o dominou e ele fez um
esforço terrível para mover os lábios entorpecidos:
—Lamento Gelido... será o fim de Mal'Ganis. O fim da praga.
Vamos!
Outro vento, diferente do que se alastrou até então, o empurrou, mas o príncipe
resistiu e forçou as pernas a avançar.Rapaz! O grito de Muradin o despertou de
seu transe abruptamente. Um tesouro tão valioso não fica lá sem defesa para
alguém encontrar. Devemos proceder com cautela. Arthas ficou irritado ao
ouvir essas palavras, mas sabendo que Muradin tinha mais experiência no
assunto, acenou com a cabeça, agarrou seu martelo com firmeza e entrou com
extrema cautela. O fato de estar protegido do vento e da queda de neve
torrencial reavivou seus espíritos e, imediatamente, eles foram ainda mais fundo
na caverna. A luz que vislumbrara do lado de fora vinha de cristais turquesa e
certas veias de minério presentes nas paredes, pisos e tetos de rocha; que
brilhava com uma luz suave. Ele ouvira falar daqueles cristais luminescentes e
naquele momento estava grato pela luz que recebiam, porque seus homens
podiam se concentrar em brandir suas armas e não em segurar tochas. Então
percebeu que, em outras ocasiões, o martelo teria brilhado o suficiente para
guiar todos naquela caverna. Assim que esse pensamento cruzou sua mente, ele
franziu a testa e depois afastou-o. O menos importante era de onde a luz vinha.
O importante é que existia.Foi quando ele ouviu algumas vozes. Muradin estava
certo ... eles estavam esperando por ele.Aquelas vozes eram profundas,
profundas e frias, e suas palavras mortais flutuavam no ar até chegarem aos
ouvidos de Arthas.- Virem-se, mortais. Morte e escuridão são as únicas coisas
que esperam por você nesta cripta desamparada. Não avance mais. Muradin
parou."Garoto", ele disse baixinho.Apesar de tudo, o som reverberou ao infinito
- talvez devêssemos ouvi-los.-A quem? Arthas gritou. Esta é apenas uma última
e patética tentativa de me desviar do caminho que leva à salvação do meu povo.
Será preciso mais do que algumas palavras funestas para eu abandonar esse
caminho.Ele se moveu apressadamente com o martelo na mão, dobrou o
corredor e ficou paralisado tentando entender o que seus olhos viam.Eles
haviam encontrado os donos daquelas vozes. Por um momento eles o
lembraram do elemental obediente da água de Jaina que a ajudara a lutar contra
os ogros naquele dia tão distante antes que seu destino se tornasse tão sinistro e
horrendo. No entanto, esses seres flutuavam no chão de pedra fria da caverna e
eram compostos de gelo e uma essência não natural em vez de água. Além
disso, eles eram protegidos com armaduras que davam a impressão de ter
crescido de sua própria substância. Eles estavam vestidos com capacetes, mas
eles não tinham um rosto; eles tinham manoplas, armas e escudos, mas lhes
faltavam armas.
Apesar de serem ameaçadores, Arthas só dedicou um olhar fugaz a esses
temiveis espíritos elementais, pois sua vista se viu atraída de imediato pela
razão que lhes havia levado aquele lugar.
A Lamina Runica Lamento Gélido
. Ela estava presa em um pedaço de gelo irregular suspenso no ar e onde as
runas que atravessavam toda a lamina brilhavam com uma cor azul-gelo. Sob
a espada havia uma espécie de plataforma localizada em um grande monte
coberto por uma leve camada de neve. Uma luz suave, vinda de algum lugar
onde o teto da caverna se abriu para deixar entrar a luz do dia, fez a Lamina
runica brilhar. Aquela prisão congelada escondia alguns detalhes sobre a
forma da espada e exagerou os outros. Ele revelava e escondia ao mesmo
tempo, tornando-a ainda mais cativante, como um amante que vislumbrava
através de uma cortina vaporosa. Arthas conhecia essa espada; Era oa mesma
que ele havia visto em seu sonho assim que chegou a Nortundria. A espada
que não só não havia matado Invincivel, mas tinha trazido de volta da morte
sã e salva. Ele tinha pensado na época que era um bom presságio, mas agora
ele sabia que era um sinal real. Foi por isso que ele veio. Essa espada mudaria
tudo. Arthas observou-ali enquanto ele sofria, a ponto de sentir uma dor quase
real, por causa do quanto ele desejava segurá-la em suas mãos; Sofreu porque
ansiava por agarrar o punho daquela lâmina para forçá-la a traçar suavemente
a trajetória do golpe que terminaria com Mal'Ganis. Isso acabaria com o
tormento que devastou o povo de Lordaeron e matou sua sede de vingança.
Determinado, ele avançou em direção a ela.Então, um espírito elementar
desembainhou sua espada gelada."Vire-se antes que seja tarde demais", ele
avisou.
—Ainda tenta proteger a espada?
—grunhiu Arthas, furioso e um pouco desconcertado por como ele reagiu
à visão da Lamina Runica.
—Não—replicou aquele ser de voz retumbante—. Tento proteger você dela.
Durante un segundo, Arthas olhou para ele surpreso. Ele instantaneamente
balançou a cabeça e seus olhos mostraram sua determinação sem limites. Isso era
apenas um truque. Eu nunca renunciaria a Lamento Gelido; Ele nunca desistiria de
salvar seu povo. Eu não ia acreditar naquela mentira absurda. Então ele atacou e seus
homens o seguiram. As entidades caíram sobre eles e os atacaram com suas armas
sobrenaturais; No entanto, Arthas concentrou sua atenção no líder, que foi designado
para guardar a Lamento Gélido. Ele soltou contra o estranho guardião toda a tensão
que suas esperanças, preocupações, medos e frustrações acumularam em seu coração.
Seus homens fizeram o mesmo assim que se voltaram para atacar os outros guardiões
elementais da espada. Seu martelo subiu e desceu, quebrando a armadura de gelo
enquanto gritos de raiva irromperam da garganta da criatura. Como se atrevem essas
coisas a ficarem entre ele e a Lamento Gélido? Como eles ousaram?
Enquanto proferia um grunhido agonizante final, semelhante ao último
alento de um homem moribundo, o espírito soltou as extremidades que
serviam como mãos e desapareceu. Arthas permaneceu com o olhar fixo no
infinito e ofegante. Sua respiração escapou de seus lábios congelados na
forma de vapor. Então ele se virou para o prêmio que lhe custara tanto para
ganhar. Todas as dúvidas que ele nutria desapareceram assim que ele pousou
os olhos na espada."Veja, Muradin", disse ele enquanto respirava fundo,
ciente de que sua voz tremia. Aqui está a chave para a nossa salvação:
Lamento Gélido. Pare, garoto. As palavras bruscas do anão soavam como
uma ordem e eram como um jarro de água fria para Arthas.O príncipe
piscou, depois de despertar de seu transe extático, e se virou para o anão.-O
que? Por quê? Ele perguntou. Muradin olhou fixamente, com os olhos
semicerrados, a espada pendurada suspensa no ar e a plataforma abaixo."Há
algo aqui que não se encaixa", disse ele, apontando para o Lamina Runica
com um dedo. Foi muito fácil. Veja como flutua iluminada por uma luz que
não sabe-se de onde vem, como uma flor esperando para ser
arrancada.-Muito fácil? Arthas retrucou ao olhá-lo com incredulidade. Como
você pode dizer isso quando lhe custou muito encontrá-la e nós tivemos que
lutar contra esses monstros para podermosnós tomar ela?"Bah", Muradin
bufou. Eu sei o suficiente sobre esse tipo de artefato para suspeitar que aqui
há algo errado, como nas docas de Bahía do Botim.O anão suspirou com uma
carranca ainda no rosto."Espere ... há uma inscrição. Deixe-me verificar se
sou capaz de ler. Pode conter alguma mensagem relevante.Ambos
avançaram em direção à espada, Muradin se ajoelhou e examinou a
inscrição, e Arthas se aproximou daquela Lamina Runica que o atraía tanto.
O príncipe olhou de relance para a inscrição que intrigou seu mentor. Não era
escrita em qualquer idioma que ele conhecesse; no entanto, o anão parecia
capaz de lê-lo, a julgar pela maneira como ele acompanhava o curso das
letras com os olhos. Arthas levantou a mão para golpear o gelo que o
separava da arma; um gelo macio, escorregadio e mortalmente frio. Sim, era
gelo, embora houvesse algo muito estranho nele. Não era apenas água
congelada. Não sabia como era capaz de saber, mas sabia disso. Havia algo
muito poderoso, quase sobrenatural nele. Lamento Gélido, o príncipe
pensou.
- Eu já sabia que reconheceria essa escrita. Está escrito em kalimag, a
linguagem dos elementais ", disse Muradin, franzindo a testa enquanto lia. É
um aviso.-Aviso? Sobre que?Talvez se quebrarmos o gelo iremos danificar a
espada de alguma forma, Arthas pensou. No entanto, esse bloco de gelo
sobrenatural parecia ter sido cortado de outro bloco muito maior. Enquanto
isso, Muradin estava traduzindo a inscrição pouco a pouco, mas Arthas o
escutava com dificuldade; sua atenção estava focada na espada.Quem quer
que maneje esta lâmina, exercerá poder eterno. Quando sua lamina rasga a
carne, seu poder corrompe o espírito.Imediatamente, o anão ficou de pé;
Parecia mais inquieto do que Arthas jamais o vira.-Eu deveria saber. Essa
lamina é amaldiçoada! Demônios!Vamos sair daqui o mais rápido possível!
Muradin gritou.O coração de Arthas deu uma reviravolta estranha quando
ouviu as palavras de Muradin. Como ele poderia dizer que eles deveriam
sair? Como ele poderia deixar aquela espada ali, flutuando em sua prisão
congelada, intocada, sem uso, quando ele poderia lhe dar poder imensurável?
No entanto, ele teve que admitir que, embora a inscrição prometesse poder
eterno, também advertiu que era capaz de corromper o espírito.
—Meu espírito já está corrompido — afirmou Arthas.
E assim foi. Tinha sido marcado pela morte desnecessária de seu
amado corcel, pelo horror de ver a ascensão dos mortos e pela traição de
alguém que ele amava; Sim, ele amava Jaina Proudmoore: ele podia
reconhecê-lo naquele momento, já que sua alma parecia estar nua diante
do julgamento severo daquela espada. Ele havia sido marcado para ser
forçado a massacrar centenas de pessoas, pela necessidade de mentir para
seus homens e silenciar para sempre aqueles que questionavam e
desobedeciam. Foi marcado por tantas coisas. Sem dúvida, as marcas que
iriam deixar esse poder, que lhe permitiria corrigir um mal terrível, não
poderiam ser mais profundas do que as que já sofrera.
"Arthas, garoto", Muradin implorou com aquela voz áspera tão
característica. Você já tem coisas suficientes para encarar para carregar o
pesado fardo de uma maldição sobre você.- Uma maldiçăo? Arthas
retrucou, rindo amargamente. Eu ficaria feliz em suportar qualquer
maldição para salvar minha terra natal.Com o canto do olho, o príncipe
observou que Muradin estremecia.-Arthas, você sabe que sou um anão
muito próximo da terra, que não sou muito dado a deixar-me levar pela
fantasia. Mas eu insisto: isso me dá frio na espinha, garoto.
Deixa-a.Esqueça Mal'Ganis. Deixe sua bunda demoníaca congelar nessas
terras nevadas. Esqueça todo esse negócio e guie seus homens de volta
para casa.Assim que o anão mencionou seus homens, uma imagem
inundou a mente de Arthas de repente. Ele os viu cercados por centenas de
soldados que já haviam sucumbido à horrível peste. Eles tinham morrido
para se levantar como pedaços de carne podre sem cérebro. O que seria
deles? De suas almas, seu sofrimento e seu sacrifício? Então outra visão
tomou o lugar da anterior: era um enorme bloco de gelo, o mesmo gelo em
que a Lamento Gélido estava fechada. Já sabia de onde ela veio. Já fizera
parte de algo maior e mais poderoso ... O gelo, junto com a Lamina Runica
que continha, era um presente do destino para vingar aqueles que haviam
sucumbido. Então, uma voz sussurrou em sua mente: Os mortos clamam
vingança.A vida de um punhado de homens era mais importante do que
vingar o tormento sofrido por aqueles que haviam caído tão
horrivelmente?-Para o inferno com eles! Arthas bufou.Essas palavras
pareciam emergir como uma explosão em algum lugar recôndito do seu
ser.Eu tenho um dever para com os mortos. Nada pode me impedir de me
vingar, velho amigo ", disse o príncipe.Ele desviou o olhar da espada
brevemente e encontrou a preocupação marcada de Muradin, o que o levou a
relaxar um pouco o gesto duro que seus traços desenhavam."Nem você", ele
avisou o anão. -Arthas eu te ensinei a lutar.Eu queria te ajudar a ser um bom
guerreiro e um bom rei. O bom guerreiro é aquele que escolhe em quais
batalhas ele deve lutar e com que armas ", disse ele, apontando seu dedo
indicador robusto para a Lamento Gélido. E essa é uma arma que você não
deve adicionar ao seu arsenal. Arthas colocou as duas mãos no gelo que
servia de bainha da espada e aproximou o rosto de apenas uma polegada de
sua superfície lisa. Enquanto ele continuava a ouvir Muradin falar, era como
se estivesse em algum lugar distante.- Ouça-me rapaz.Nós vamos encontrar
outra maneira de salvar seus suditos. Agora vamos, vamos voltar para casa e
procurar por essa alternativa.
Muradin estava errado.simplesmente não entendia. Arthas tinha que
fazer isso. Se ele partisse naquele exato momento, ele teria falhado mais uma
vez e não podia permitir que isso acontecesse. Ele já falhou muitas
vezes.Desta vez não seria assim.Ele acreditava na Luz, porque ele podia ver
e usa-la; também nos fantasmas e nos mortos-vivos, porque ele lutou contra
eles. Mas, até aquele momento, a ideia de que poderia haver poderes
invisíveis, ou que espíritos habitavam lugares ou coisas, causava descrença.
No entanto, agora seu coração estava batendo, dominado pela emoção e um
desejo que parecia devorar sua alma.

Instantaneamente, as palavras saíram de seus lábios como se possuíssem


sua própria vontade, inchadas com determinação assustadora.
"Eu invoco os espíritos deste lugar", declarou ele, enquanto sua respiração
congelava no ar imóvel e a Lamento Gélido pairava no ar a uma curta
distância dele, esperando.
-Quem quer que sejam, benignos ou maus, ambos ao mesmo tempo ou
nenhum, eu posso percebê-los e sei que me ouvem. Estou pronto. Te
entendo. E eu prometo a você que estarei disposto a dar tudo, ou pagar
qualquer preço, seja o que for, se você me ajudar a salvar meu povo.
Durante um momento eterno e terrível, nada aconteceu. Sua respiração
parou, voltou e congelou novamente quando um suor frio espirrou gotículas
em sua testa. Ele lhes ofereceu tudo o que tinha, se tivessem rejeitado sua
proposta? Ele havia falhado de novo?Então houve um rangido que o fez
prender a respiração e uma rachadura quebrou de repente a superfície lisa do
gelo. Com grande celeridade, subiu, ziguezagueando e estendeu-se até que
Arthas praticamente não conseguia mais ver a espada que se alojava em seu
interior. Então ele cambaleou para trás, cobrindo as orelhas com o tremendo
rugido que encheu a câmara.A urna de gelo que continha a espada explodiu.
Vários fragmentos voaram através da câmara, tornando-se instrumentos de
corte afiados e irregulares, que quebraram quando atingiram a pedra
inquebrável do chão e das paredes. Instantaneamente, Arthas caiu de
joelhos, levantando os braços instintivamente para cobrir a cabeça e ouviu
um grito que se interrompeu abruptamente.
—Muradin! —chamou o príncipe.
O impacto de um iceberg levou o anão a vários metros de distância. Agora
ele estava em uma posição estranha no chão frio de pedra com uma lança de
gelo empalando seu tronco, do qual o sangue fluía com indolência. Seus
olhos estavam fechados e a vida parecia tê-lo abandonado. Arthas
levantou-se desajeitadamente e aproximou-se rapidamente de seu velho
amigo e mentor, enquanto removia uma de suas manoplas. Ele colocou um
braço em volta de seu corpo mole, colocou a mão sobre a ferida, sem perder
de vista por um segundo, enquanto rogava a Luz que ilumina-se as mãos
com energia de cura e a culpa que o coroía por dentro.Então esse foi o
preço terrível que teve que ser pago: a vida de um amigo. Alguém que tinha
cuidado dele e tinha ensinado e apoiado. Naquele momento ele abaixou a
cabeça, com lágrimas nos olhos, e rezou.
Essa tolice é minha culpa. Sou eu quem deve pagar o preço dessa loucura.
Por favor.
Então, como se fosse a carícia familiar de um amigo querido, ele sentiu
chegar. A Luz passou por ele como um raio, reconfortante e quente, e o
príncipe reprimiu um soluço quando viu novamente aquele brilho
envolvendo sua mão. Embora ele tivesse caído muito baixo nos abismos da
ignomínia, ainda não era tarde para alcançar a redenção. A Luz não o
abandonou. Tudo o que ele tinha que fazer era absorvê-la, abrir seu coração
e Muradin não ia morrer. Ia cura-lo e juntos...
Algo se mexeu perto da parte de trás do seu pescoço. Não, estava em algum
lugar no fundo de sua mente. Ele olhou para cima muito rapidamente e
ficou espantado.
A espada, cujas runas azuis e brancas a envolviam em uma luz fría e
magnífica, havia se liberado de sua prisão para apresentar-se diante dele. A
Luz se desvaneceu da mão de Arthas quando este se pos de pé,
práticamente hipnotizado. A Lamento Gélido o aguardava, como uma amante
que necesitava de uma caricia do ser desejado para alcançar a gloria
suprema.
Aquele sussurro que ouvia nos recessos de sua mente continuou falando
com ele: Este é o caminho que você deve seguir. É tolice confiar na Luz
quando ela lhe falhou em muitas ocasiões. Ele não pôde salvar Invencível e
não conseguiu impedir o avanço inexorável da praga que destruirá a
população do seu reino. O poder, a força da Lamento Gelido é a única coisa
que pode enfrentar o poder de um Lorde do Horror. Muradin é apenas mais
uma vítima desta terrível guerra. Embora, com um pouco de sorte, seu
sacrifício seja o último.
Aquele sussurro que ouvia nos recessos de sua mente continuou falando com
ele: Este é o caminho que você deve seguir. É tolice confiar na Luz quando ela lhe
falhou em muitas ocasiões. Ele não pôde salvar Invencível e não conseguiu
impedir o avanço inexorável da praga que destruirá a população do seu reino. O
poder, a força da Lamento Gelido é a única coisa que pode enfrentar o poder de
um Lorde do Horror. Muradin é apenas mais uma vítima desta terrível guerra.
Embora, com um pouco de sorte, seu sacrifício seja o último.
Arthas se levantou e cambaleou vários passos em direção àquela arma
radiante; depois estendeu um braço na direção da espada e tentou alcançá-la com
a mão trêmula, ainda molhada do sangue do amigo. Então ele agarrou o cabo e os
dedos se encaixaram perfeitamente, como se fossem feitos um para o outro.
O frio percorreu-o como relâmpago de cima a baixo, sacudindo os braços e
espalhando-se pelo corpo para alcançar o coração. Foi doloroso por um momento
e ele ficou alarmado e, de repente, sentiu-se grande, radiante. A Lamento Gélido
era dele e ele era dela; A voz da espada falou com ele, sussurrou para ele,
acariciando sua mente como se sempre tivesse estado lá.
Ele soltou um grito de alegria quando levantou a arma e olhou para ela com
admiração e orgulho. Por fim, ele, Arthas Menethil, seria capaz de fazer a coisa
certa graças à gloriosa Lamento Gélido, que agora fazia parte dele como se fosse
sua mente, seu coração ou sua respiração. Então ele se preparou para ouvir com
grande atenção os segredos revelados pela Lâmina Rúnica.

CAPÍTULO
DEZESSEIS
Arthas e seus homens regresaram correndo ao acampamento, aonde
descobriram que a batalha não havia diminuido de intensidade em sua
ausencia. Viu que suas tropas haviam se reduzido em número, mas não se
divisavam cadáveres por nenhum lado. Tão pouco esperava ver nenhum,
poís os que caiam se levantavam como adversarios sob comando daquele
Senhor do Horror.
Então Falric, com sua armadura salpicada de sangue, gritou:
—Príncipe Arthas! Fizemos o que podiamos, porém...
Onde está Muradin? Não podemos conte-los por muito mais tempo!
—Muradin morreu-lhe informou Arthas.
A essência fria mas reconfortante da espada que invadiu seu ser pareceu
vacilar um pouco, e a dor tomou conta de seu coração. Apesar de Muradin ter
pago um preço alto para o príncipe tomar a arma, esse sacrifício valeria a pena
se conseguisse causar a queda de Mal'Ganis. O anão teria concordado se
soubesse tudo o que Arthas sabia, se entendera as coisas da maneira como
Arthas as entendia. Embora a notícia da morte de seu líder tenha afetado os
homens de Muradin, eles continuaram atirando em círculos após projéteis
contra as ondas de mortos-vivos que ainda estavam atacando-os.-Não morreu
em vão. Coragem, capitão. O inimigo não resistirá muito mais ante a poderosa
Lamento Gelido!
Enquanto seus homens o observavam com a sombra da descrença
pairando sobre seus rostos, Arthas entrou na luta.Até então, ele acreditava que
não havia arma melhor do que seu martelo abençoado, que agora estava
esquecido na cripta congelada onde a Lamento Gélido já estivera trancada, mas
ele empalidecia em comparação com sua nova arma, com a qual ele infligiu
muito mais dano a seus inimigos. Embora a Lamento Gélido fosse mais uma
extensão de seu próprio ser do que uma arma. Imediatamente ele encontrou o
ritmo certo e começou a rasgar os mortos-vivos como se fossem hastes de
grãos cortados por uma foice. Em suas mãos, era uma arma equilibrada e
perfeita. Então ele desenhou um arco no ar com ela e com um golpe arrancou a
cabeça dos ombros de um ghoul. Ele espalhou ossos de esqueleto por toda
parte, passando a Lamento Gélido por todo o espaço ao seu redor. Com outra
batida rítmica, ele derrubou um terceiro inimigo. Quando Arthas seguiu seu
caminho, corpos apodrecidos se acumularam quando caíram como moscas. Em
um determinado momento, quando ele estava procurando por seu próximo
inimigo, ele viu que Falric estava olhando para ele. A expressão em seu rosto
era uma mistura de admiração, choque e horror? Provavelmente por causa da
carnificina que Arthas estava desencadeando. A Lamento Gélido parecia
dançar uma dança mortal em suas mãos.O vento aumentou e começou a nevar
com grande força e intensidade. A Lamento Gélido parecia estar confortável em
tais circunstâncias, já que aquela nevasca torrencial não pareciam impedir o
avanço de Arthas. De novo e de novo a lamina encontrou seu alvo e mais e mais
monstros caíram. Ele já havia dado aos peões o que devia. Chegara a hora de
destruir o mestre.
—Mal'Ganis, covarde! —gritou Arthas, , com uma voz que o vento
uivante transportava com grande facilidade e que até ele parecia
diferente. -Venha, mostre-se! Você me incitou a vir aqui para lutar com
você! Então saia e me enfrente!Então o lorde demônio apareceu sorrindo
ironicamente para o príncipe. Era muito maior do que Arthas lembrava.
Ele se esticou exibindo assim sua envergadura imponente, com asas
batendo no ar e sua cauda estalando. Os guerreiros mortos-vivos sob seu
comando ficaram paralisados quando ele estalou os dedos
indolentemente.Dessa vez, Arthas estava preparado para não ficar
impressionado com a aparência horrenda do Lorde do Horror e não ficou
desconsertado. Sem tirar os olhos do inimigo, ele ergueu a Lamento
Gélido sem dizer uma palavra e as runas inscritas ao longo de sua borda
brilhavam. Mal'Ganis reconheceu a arma e franziu ligeiramente seus
lábios azuis.- Então você tomou a Lamento Gélido ao custo da vida de
seus companheiros, assim como o Senhor das Trevas disse que você faria.
Você é mais forte do que pensei. Enquanto o príncipe ouvia essas
palavras, outras eram sussurradas em sua mente e ele também prestava
atenção nelas. Instantaneamente, um sorriso feroz apareceu em seu
rosto.-Gaste toda a saliva que você quiser, Mal'Ganis. Eu só presto
atenção à voz da Lamento Gélido.
O Senhor do Horror jogou para trás a cabeça chifruda e riu.-Você está
errado. Você ouve a voz do Lorde das Trevas ", respondeu Mal'Ganis.
Então ele apontou para a poderosa Lamina Runica com um dedo pontudo,
com uma unha negra. Ele sussurra para você através da lamina que
brande!
Arthas corou. O mestre do Senhor do Terror falou com ele através da
Lamento Gélido? Mas como isso era possível? Eles o usaram? Se ele
tivesse sido levado a cair diretamente nas Garras de Mal'Ganis?- O que
você diz, jovem humano? - Ele perguntou, esboçando um sorriso
zombeteiro de alguém que sabe algo que seu interlocutor ignora. O
Senhor do Horror estava regozijando e soluçando diante da virada
inesperada de eventos. O que o Lorde das Trevas fala sobre os mortos
agora?Arthas ouviu sussurros novamente, e desta vez foi ele quem deu
um sorriso zombeteiro, o que acabou por ser um verdadeiro reflexo da
expressão que o Senhor do Horror usava. Agora era ele quem sabia algo
que Mal'Ganis não conhecia. Arthas traçou vários círculos acima de sua
cabeça com a Lamento Gelido, pois aquela enorme lâmina era leve e
elegante em suas mãos, e então adotou uma posição de ataque.-Esta me
dizendo que chegou a hora da minha vingança.Então pareceu que os
olhos verdes e brilhantes de Mal'Ganis estavam saindo de suas órbitas.-O
que? É impossível que queira ... Arthas atacou ele.Ele levantou a poderosa
Lamina Runica e imediatamente a abaixou para dar o primeiro golpe. Esse
movimento surpreendeu o Lorde do Horror, mas apenas por um
momento, enquanto ele conseguia levantar seu braço bem a tempo de
desviar o golpe. Ele saltou para longe e suas grandes asas de morcego
criaram uma intensa rajada de vento que emaranhou os cabelos dourados
de Arthas, mas isso não afetou seu equilíbrio nem sua velocidade. Ele
atacou o demônio de novo e de novo com a lâmina que brilhava com
impaciência, controlando seus ataques com certa frieza e racionalidade,
embora de maneira rápida e letal como uma víbora. Naquele instante, um
pensamento passou pela sua cabeça: Lamento Gelido estava com
fome.Então ele sentiu um calafrio percorrer uma parte dele, impulsionado
pelo medo: fome de quê?

Isso não importava. Ele, Arthas, estava sedento por vingança e ia satisfazê-la.
Toda vez Mal'Ganis tentava lançar um feitiço, Lamento Gelido o impedia com
um golpe oblíquo, cortando a sua carne, castigando-lhe até chegou a hora de
desferir o golpe mortal. Arthas chorou, sentindo a ansiedade e a dinâmica da
Lamento Gélido, enquanto brandia a Lamina Runica, que traçou uma curva
azul em seu caminho para esculpir claramente um sulco letal no tronco de
Mal'Ganis. Um sangue escuro esguichou da ferida se espalhando no ar de
uma curva em torno das quais o vento e a neve pareciam contorcer-se diante
do brilho da lamina runica, obscurecida por sangue espesso demoníaco
iluminando aquela cena gloriosa."Acabou", ele disse baixinho. Tudo isso fe z
parte da sua viagem de sua aprendizagem, jovem príncipe, sussurrou a
Lamento Gélido. Ou foi realmente o Senhor das Trevas que Mal'Ganis falou?
Não sabia, não se importava. Com grande cuidado, ele se abaixou e limpou a
lâmina com neve. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Se você
completá-lo, você pode acessar grandes poderes e conhecimentos. Arthas
lembrou-se das palavras que Muradin lera na inscrição da caverna. Naquele
instante, uma de suas mãos foi para seu coração sem que ele percebesse que
estava fazendo aquele gesto inconscientemente. Aquela lamina agora era
parte dele e ele fazia parte dela.A nevasca piorou, mas depois percebeu que,
surpreendentemente, não estava com frio. Ele se endireitou, empunhando a
Lamento Gélido, e olhou em volta. O demônio jazia a seus pés, sofrendo rigor
mortis. A voz (a da Lamento Gélido ou a do misterioso Lorde das Trevas)
estava certa.Ainda havia mais caminho a percorrer. Muito mais.O inverno
mostraria a ele. Arthas Menethil agarrou o Lamina Runica com vigor,
observou a tempestade de neve e, correndo, foi tornar-se um com ela.
Arthas sabia que ele se lembraria do toque dos sinos por toda a sua vida.
Eles apenas aconteciam por ocasião de eventos importantes do estado: um
casamento real, o nascimento de um herdeiro, o funeral de um rei e todos os
eventos que marcavam um antes e um depois na vida do reino. Mas naquele
dia eles estavam se voltando para celebrar que ele, Arthas Menethil, estava
voltando para casa.
Ele espalhou a notícia de que estava voltando vitorioso, que descobrira a
pessoa responsável pela praga, o encontrara e o matara, e que naquele dia
glorioso ele retornaria ao lugar onde nascera. Enquanto caminhava pela
estrada que levava à capital, ele foi recebido com gritos e aplausos
expressando a gratidão de uma nação que sabia que seu amado príncipe
salvara-a do desastre. Embora aceitasse tal entretenimento como parte de
seus deveres, naquele momento só pensava em ver seu pai depois de tanto
tempo.
Em uma carta entregue alguns dias antes por um mensageiro rápido,
escrevendo o seguinte:

«Pai, falarei em particular com você para informá-lo das coisas que vi e
aprendi”. Tenho certeza de que você já conversou com Jaina e Uther e posso
perfeitamente imaginar o que eles disseram. Eu sei que eles terão tentado
virar você contra mim. Garanto-lhe que sempre agi em defesa dos interesses
dos cidadãos de Lordaeron. “Finalmente volto para casa vitorioso depois de
ter aniquilado o responsável por esta praga que causou estragos entre
nossos súditos, ansiosos para começar uma nova era em nosso reino “.

Os homens que marcharam depois que o príncipe caminharam tão


silenciosamente quanto ele e cobriram seus rostos cobertos por capuzes como
Arthas. Essa multidão não parecia necessitar que os soldados reagissem de maneira
condizente com o júbilo que havia despertado seu retorno. A ponte levadiça estava
abaixada e Arthas começou a atravessá-la.Enquanto uma multidão eufórica
esperava por ele do outro lado, não era composta de plebeus, mas de diplomatas,
nobres de baixa patente e dignitários, elfos, anões e gnomos que passavam. Eles
não estavam apenas ao pé da rua, ocupando o pátio, mas também nos pavimentos
superiores, nas varandas. Uma chuva de pétalas de rosas vermelhas, brancas e
rosas caiu sobre os heróis daquelas terras que voltaram para casa. Arthas
lembrou-se de que uma vez ele imaginou Jaina diante dele, no dia de seu
casamento, com aquelas mesmas pétalas caindo em seu rosto iluminadas por um
sorriso quando ele se aproximava para beijá-lo.

Jaina...
Movido por essa fantasia, ele pegou uma das pétalas vermelhas com uma mão
enluvada. Ele acariciou seu polegar com cuidado, e instantaneamente, franziu a
testa quando apareceu uma mancha, que se espalhou diante de seus olhos
drenando e destruindo a pétala até ela se tornar uma cor mais marrom que
vermelho na palma da sua mão . Com um gesto rápido e desdenhoso, ele se livrou
daquela coisa morta e continuou seu caminho.Ele abriu as enormes portas que
levavam à sala do trono que ele conhecia tão bem; Uma vez lá dentro, ele olhou
brevemente para Terenas e presenteou o pai com um sorriso, parcialmente
escondido pelo capuz. Arthas se ajoelhou em respeito, segurando a Lamento
Gélido diante dele; sua ponta acariciou o selo esculpido no chão de pedra.-Oh meu
filho. Estou feliz em vê-lo de volta em casa, são e salvo ", disse Terenas, enquanto
levantava cambaleante.
O rei parece mal, pensou Arthas. Os acontecimentos dos últimos meses
envelheceram o monarca. Agora a cor cinza predominava em seus cabelos e havia
sinais de fadiga em seus olhos.Mas ele não tinha nada com que se preocupar, pois,
a partir de agora, tudo ficaria bem.Já não é necessário sacrificar-se mais pelo seu
povo. Você não deve mais suportar o peso da coroa. Eu posso cuidar de tudo, o
príncipe disse a si mesmo.Arthas se sentou, causando um tremendo estrondo com
sua armadura. Ele levantou a mão, afastou o capuz que escondia o rosto e esperou
pela reação do pai. Assim que Terenas percebeu a mudança que ocorrera em seu
único filho, teve a sensação de que seus olhos sairiam de suas órbitas.O cabelo de
Arthas, que um dia fora tão dourado quanto o trigo que fornecia sustento a seu
povo, estava agora cor de osso. Seu rosto também tinha a mesma vivacidade,
como se todo o sangue tivesse sido extraído.Chegou a hora, o Frostmourne
sussurrou em sua mente. Instantaneamente, Arthas se aproximou do pai, que
havia parado na plataforma, olhando para ele hesitante. Embora houvesse vários
guardas estacionados por toda a sala, eles não seriam rivais para ele, o
Frostmourne e os dois homens que o acompanhavam.
Arthas subiu os degraus atapetados diante dele e agarrou o pai pelo braço. Arthas
levantou a espada. As runas da Lamento Gélido brilhavam de antecipação. Então
ele ouviu um sussurro, que não veio da Lamina Runica, mas de uma lembrança...
concentrou-se em um príncipe de cabelos escuros que parecia pertencer a outro
passado muito distante, que lhe disse. Ele foi morto. Um amigo de confiança o
matou. Ele esfaqueou ele no coração.
Arthas sacudiu a cabeça e essa voz ficou em silêncio.
-Que ocorre? O que você está fazendo, meu filho?
—Te sucedo pai.
E a fome da Lamento Gelido se viu saciada... Por um momento.

Arthas deixou seus novos e obedientes servos agirem. Depois de


despachar com grande facilidade os guardas que o atacaram depois que seu
pai morreu, ele retornou rapidamente ao pátio com um propósito frio em
seu coração.
Aquilo foi uma loucura.
O que foi divertido até momentos atrás se transformou em pânico. O
que foi uma celebração se transformou em uma luta frenética para salvar a
pele. Poucos conseguiram escapar. Aqueles que haviam esperado por horas
para receber o príncipe estavam mortos, o sangue coagulado em suas
feridas terríveis, seus membros mutilados, seus corpos despedaçados. Os
embaixadores estavam ao lado dos plebeus; homens e mulheres, junto com
crianças. A morte se igualou a todos de uma forma assustadora.
Arthas não se importava qual seria o destino daqueles cadáveres: ser
carniça para os corvos, ou tornar-se novos servos sob seu comando. Ele
deixaria essa decisão nas mãos de seus capitães, Falric e Marwyn, que agora
estavam tão pálidos quanto ele e eram ainda mais impiedosos. Então o
príncipe voltou do jeito que ele veio com apenas uma coisa em mente.
Ele correu assim que deixou o quintal e os cadáveres, que permaneciam
quietos ou voltanvam a vivos. Ele estava ciente de que nenhum cavalo
jamais o deixaria subir em suas costas, já que esses animais enlouqueciam
quando percebiam seu cheiro e o daqueles que o seguiam. No entanto, ele
descobriu que não se cansava; não quando a Lamento Gelido sussurrava
para ele (ou talvez fosse o Rei Lich que falava com ele através da Lâmina
Runica). Ele correu constantemente e rápido até chegar a um lugar que não
visitava há anos.
Vozes surgiram em sua mente; se tratavam de memórias, fragmentos
de conversas:
Você sabe que não deveria montá-lo ainda.
Você perdeu as aulas mais uma vez.
Os horríveis gritos da agonia de Invencível reverberaram em sua mente
novamente. A Luz parou mais uma vez diante dele durante um momento
terrível, como se elucidasse se ele merecia ou não sua bênção. O rosto de
Jaina quando ele decidiu terminar o relacionamento estava novamente
diante dele.
Ouça menino... A sombra já se abateu sobre ela, e agora você não pode
fazer nada para impedir-la... Lembre-se que quanto mais você tenta
destruir seus inimigos, antes cairão seus suditos por suas mãos...
Não é uma colheita de maçã; mas de uma Cidade cheia de seres
humanos... Nós sabemos tão pouco sobre a praga... Nós não podemos
massacrá-los como animais porque estamos com medo!
Você mentiu para seus homens e traiu os mercenários que lutaram por
você! Você não é mais o filho do rei Terenas.
Mas essas pessoas não podiam ver, não entendiam. Jaina ... Uther...
Terenas ... Muradin. Todos eles, em algum momento, em palavras, gestos
ou olhares, disseram-lhe que ele estava errado.
Ele diminuiu os passos quando se aproximou da fazenda. Seus súditos
estiveram aqui antes dele e agora, naquele lugar, só havia cadáveres no chão,
sofrendo o rigor mortis. Mesmo nesses momentos, Arthas impediu a dor que
trouxe consigo para reconhecer os falecidos; ele simplesmente pensou que
eles deveriam se sentir sortudos por terem morrido sem mais. Era um homem,
uma mulher e um jovem da sua idade. As bocas de dragão floresceram como
nunca antes naquele ano. Arthas aproximou-se e estendeu um braço para
tocar uma daquelas lindas e pontudas flores de lavanda azul, mas hesitou em
lembrar a pétala da rosa. Ele se virou e caminhou até um túmulo erguido sete
anos atrás. A grama o invadira, embora a inscrição ainda pudesse ser lida.
Embora não precisasse ler para saber quem foi enterrado lá.
Por um momento ele permaneceu em pé, mais comovido pela morte daquele
que jazia naquele túmulo do que pela de seu pai em suas mãos. O poder é seu, os
sussurros lhe disseram. Faça com ele o que você quiser. Arthas estendeu a mão,
enquanto segurava firmemente a Lamento Gélido na outra. Uma luz negra começou
a girar em torno da mão estendida, mais e mais rápida. Então passou por seus dedos
como uma cobra, ondulando e se contorcendo com sua própria vontade, e então, a
terra se abriu. Arthas sentiu como ele se conectava com o esqueleto enterrado
abaixo. A alegria o inundou e lágrimas brotaram em seus olhos. Quando ele levantou
a mão, ele tirou aquela coisa não morta de seu sonho de sete anos na terra escura e
fria. - Levante-se! –Ela ordenou, e essa palavra saiu de sua garganta como um trovão.
O túmulo entrou em erupção como um vulcão e choveu em toda parte. Pernas
de ossos arranharam o chão e os cascos encontraram um apoio naquele
terreno instável e, de repente, uma caveira emergiu na superfície. Arthas
observou-o espantado e sem fôlego, com um sorriso no rosto pálido.
Eu vi você nascer, o pensou, e então se lembrou de uma membrana
molhada envolvendo uma pequena vida nova se contorcendo, impotente.
Eu te ajudei a vir a este mundo e te ajudei a sair. Agora você renasceu
graças a mim.
O cavalo esquelético lutou para romper a terra e finalmente
saiu, ele firmemente plantados suas patas dianteiras e se levantou. Um
fogo vermelho queimava nas órbitas vazias de seus olhos. Ele balançou a
cabeça, levantou-se e não relinchou de alguma maneira desconhecida, já
que seu tecido mole tinha apodrecido há muito tempo.
Arthas estendeu um braço trêmulo para tocar aquela criatura morta-viva,
que bufou e tocou sua mão com seu focinho ósseo. Sete anos atrás, ele
chorou lágrimas que congelaram em seu rosto quando teve que levantar
a espada para atravessar o coração valente de sua amada montaria.
Ele havia suportado apenas o pesado fardo dessa culpa todo esse tempo.
Mas agora ele percebeu que tudo fazia parte do destino. Se ele não
tivesse matado seu corcel, ele não poderia trazê-lo de volta dos mortos.
Além disso, se ele estivesse vivo, o cavalo o teria temido. Sendo um
morto-vivo, em cujos olhos abrigava o fogo da magia necromântica que
Arthas agora era capaz de comandar graças ao poder que lhe foi dado
pelo misterioso Rei Lich, o cavalo e cavaleiro, finalmente, estavam juntos
novamente, eles poderiam finalmente cumprir o destino que para eles
sempre escrito. O que aconteceu há sete anos não foi um erro; Arthas
não estava errado.
Não antes, não agora. Nunca. Essa foi à prova. O sangue carmesim de seu pai que
tingiu a Lamento Gelido ainda não havia secado, enquanto todas as terras que ele
dominava agora pairavam sobre a morte. A mudança estava próxima. "Este reino
vai cair", ele prometeu ao seu amado corcel quando ele colocou sua capa nas
costas ósseas de sua montaria e subiu nela. E de suas cinzas surgirá uma nova
ordem que abalará as fundações do mundo!
O cavalo relinchou. Invencivel.

TERCEIRA
PARTE
A DAMA
NEGRA

INTERLUDIO
S ylvanas Corre Ventos, antiga general da Guarda Florestal de Quel'Thalas,
uma Banshee, e Dama Escura dos renegados, deixou os aposentos reais
com o mesmo passo rápido e ágil que a caracterizara em vida. Neste
momento, ela mostrou sua forma corpórea porque a preferia para realizar
atividades diárias normais. Embora graças às botas de couro ela que a
faziam pisar no chão de pedra da Cidadebaixa sem fazer o menor ruído,
todos viraram a cabeça para observar aquela Dama única e inconfundível.
No passado, seus cabelos eram loiros, seus olhos eram azuis e sua pele era
da cor do pêssego. No passado, ela estava viva. Agora seu cabelo, muitas vezes
coberto por um capuz preto-azulado, era preto como a meia-noite e estava
pontilhado de mechas brancas aqui e ali; além disso, sua pele cor de pêssego era
agora uma leve pérola cinza-azulada. Ela estava vestida com a armadura que
usara na vida, couro com muitos rebites, que revelavam muito de seu torso
esguio e musculoso. Seus ouvidos se agitaram com os murmúrios que haviam
despertado devido a sua presença ali, pois ela raramente se aventurava além de
seu quarto. Como era a regente daquela cidade, foi o resto do mundo que veio
vê-la e não o contrário.
Ao lado dela caminhava apressadamente seu mestre boticario, Faranell, lider da
Sociedade Real dos Boticarios, que falava animadamente, com um sorriso muito
falso. -Eu agradeço muito que você tenha concordado em vir, minha senhora - disse
ele, enquanto tentava fazer uma reverência, andar e falar, tudo de uma vez-. Como
você me disse que queria que nós a informassemos assim que os experimentos se
concretizassem e queria vê-los uma vez...
—Sei perfeitamente quais eram minhas ordens, doutor- Sylvanas disse
enquanto desciam um corredor sinuoso que levava às profundezas da Cidade
Baixa. -É claro, claro. Já chegamos. Eles entraram em uma sala que teria
parecido a qualquer um com um mínimo de sensibilidade uma casa de horror.
Em uma enorme mesa, um morto-vivo curvado estava ocupado costurando os
restos de diferentes cadáveres, enquanto zumbia suavemente. Em que, Sylvanas
sorriu e o cutucou:- Estou feliz em ver alguém gostando tanto de seu trabalho. O
aprendiz ficou surpreso ao ouvir essas palavras e depois se curvou
profundamente.
Naquele lugar, onde se podia ouvir o monótono zumbido do crepitar de
algum tipo de energia, os alquimistas estavam muito ocupados misturando
poções, pesando ingredientes e fazendo anotações. O cheiro era uma
combinação de putrefação, produtos químicos e, de maneira um tanto
incongruente, o doce aroma de certas ervas. Sylvanas ficou surpresa ao
responder a fragrância dessas ervas, já que elas a faziam sentir uma
sensação estranha ... elas a faziam ansiar por sua casa. Felizmente, essa
emoção não durou muito tempo. Tais emoções nunca duraram muito
tempo.
"Mostre-me", a Dama Negra exigiu.
Faranell fez uma reverência e conduziu-a a um aposento adjacente
depois de cruzar a área principal e passar por vários corpos mutilados que
pendiam de ganchos.
Um soluço fraco alcançou seus ouvidos. Ao entrar, Sylvanas viu várias
gaiolas que descansavam no chão ou balançavam no teto penduradas por
correntes; todos foram ocupados pelos especimes para teste.
Alguns eram humanos. Outros, renegados. Todos tinham os olhos perdidos por
causa do medo que se instalara nas profundezas de seu ser e prolongados
por tanto tempo que praticamente os forçara a se isolar em seus próprios
mundos.
Mas isso não aconteceria por muito tempo. - Como você pode imaginar
minha senhora - explicou Faranell -, é difícil trazer até aqui os membros de
Praga para testar neles. Se bem, que no momento da realização de
experimentos, da no mesmo utilizar um renegado ou um membro de Praga.
No entanto, tenho o prazer de partilhar que os nossos testes de campo estão
muito bem documentados e foram um sucesso. A emoção se apossou de
Sylvanas, que ofereceu ao boticario um sorriso estranho, mas bonito. "O
que me enche de orgulho e alegria", acrescentou.
O médico morto-vivo estremeceu de satisfação. Ele chamou seu
assistente, Keever, um renegado cujo cérebro havia sido seriamente
danificado depois de sua primeira morte e que estava resmungando para si
mesmo na terceira pessoa enquanto afastava duas "cobaias". Uma era uma
mulher humana, que aparentemente não era dominada pelo medo e pelo
desespero de se perder em um mundo próprio, mas não pôde deixar de chorar
silenciosamente quando Keever a arrastou para fora da jaula. No entanto, o
homem, um renegado, permaneceu completamente impassível e quieto. - Ele
é um criminoso? Sylvanas perguntou enquanto observava o homem de perto.
"Claro, minha senhora", respondeu Faranell.
A Dama Negra se perguntou se era verdade. Embora, no final, isso não
importasse. De qualquer forma, esse assunto serviria aos propósitos dos
renegados. Enquanto isso, a garota humana havia se ajoelhado. Keever se
abaixou, puxou o cabelo para levantar a cabeça e, quando a mulher abriu a boca
para gritar de dor, aproveitou para colocar em sua boca o líquido que continha
uma taça e tapou sua boca para forçá-la a engolir.
Sylvana viu como a mulher resistiu. Ao lado dela, o renegado homem
aceitou e pegou sem protestar a taça que Faranell lhe ofereceu.
Tudo aconteceu muito rápido. A mulher humana logo parou de resistir,
seu corpo ficou tenso e depois ela sofreu convulsões. Keever a soltou e
observou curiosamente enquanto o sangue jorrava de sua boca, nariz, olhos
e ouvidos. Naquele momento, o olhar de Sylvanas caiu sobre o renegado,
que estava examinando-a em silêncio, que fez o cenho da Dama Negra se
franzir.
"Talvez não seja tão eficaz assim." Então o renegado estremeceu.
Ele lutou para ficar mais um pouco em pé, mas enfraqueceu
instantaneamente e caiu no chão. Todos deram um passo para trás. Sylvanas
observou aquela cena absorta, com os lábios um pouco separados pela
emoção.
- Eles sofrem o mesmo mal? Perguntou a Dama Negra para Faranell.
Naquele momento, a fêmea humana gemeu e depois ficou parada com
os olhos abertos. Então o alquimista assentiu satisfeito com a pergunta de
sua dama.
"Efetivamente", respondeu o Boticário. Como você pode imaginar,
estamos bem...
O morto-vivo sofreu um espasmo, ele rasgou a pele de vários pontos dos
quais vieram um pus preto e simultaneamente também permaneceu imóvel.
-... felizes com os resultados - Faranell terminou.
"Entendo", disse Sylvanas, que achou muito difícil disfarçar a euforia; a
palavra "feliz" ficou aquém de definir o que ele sentia. Nós finalmente nos
deparamos com uma praga que mata seres humanos e membros da Praga.
Obviamente, isso afeta meus súditos, já que eles também são mortos-vivos.
A Dama Negra olhou para Faranell com aqueles brilhantes olhos prateados
e acrescentou: “Devemos nos certificar de que essa descoberta não caia nas
mãos erradas; as conseqüências podem ser devastadoras”.
O Boticário engoliu em seco.
“Claro, minha senhora, teremos que ter muito cuidado”.
Sylvanas escondeu seus sentimentos sob uma máscara de indiferença
enquanto voltava para os aposentos reais. Embora milhares de pensamentos lhe
atravessassem a mente a grande velocidade, um se destacava acima dos outros,
ardendo de forma tão ofuscante e incontrolável quanto o homem de palha que
acendia todo o Halloween:
Você finalmente vai pagar pelo que fez Arthas. Os humanos que lhe
geraram serão abatidos e o Flagelo conhecera seu fim. Você não será mais
capaz de se esconder atrás de seus exércitos de fantoches mortos-vivos sem
mente. E você desfrutará da mesma piedade e compaixão que você mostrou por
nós.
Apesar do grande autocontrole exercido sobre suas emoções, ele não pôde
deixar de sorrir.

CAPÍTULO
DEZESSETE
E nquanto cavalgava nas costas do esqueletico e leal Invencivel até
Andorhal, Arthas meditava acerca da irónia que era ele, que havia assasinado o
necromante Kel'Thuzad, fosse agora o encaregado de resucitar-lo.
A Lamento Gelido lhe susurrava, ainda que não lhe fize-se falta escutar a
voz da espada (ou, melhor dizendo, do Rei Lich, assim queria que a
chamasse) para sentirse tranquilo. Já não havia como voltar atrás. E tão
pouco desejava sair do caminho que estava explorando.
Após a queda da Cidade Capital, Arthas havia se centrado em
emprender uma peregrinação que era uma espécie de revés tenebroso que
um paladino teria feito. Ele havia percorrido essas terras por toda parte,
levando consigo seus novos súditos de cidade em cidade, encarregados de
exterminar a população viva. Pensava que a Praga (esse era o termo usado
por Kel'Thuzad) era um nome apropriado para esses seres. Da mesma forma
que a flagelação e chicotadas foram empregadas às vezes por alguns dos
membros mais excêntricos do clero para purgar as impurezas da alma,
purgar sua Praga purgaria as terras dos vivos. No entanto, Arthas existia
entre o mundo dos mortos e o dos vivos; de alguma forma ainda vivo, mas o
Rei Lich insistiu em lhe chamar em sussurros de "Cavaleiro da Morte" e a
cor lívida de seu cabelo, sua pele e seus olhos pareciam indicar que era mais
do que um mero título. Embora ele não tivesse certeza do que isso
significava, nem se importava. Foi o suficiente para saber que ele era o
favorito do Rei Lich e que a Praga estava ao seu comando. Naquele exato
momento, ele percebeu que, de uma maneira estranha e distorcida, estava
preocupado com o destino dos membros da Praga.
Arthas servia ao Rei Lich atraves de um de seus sargentos, um Senhor do
Horror cujo aspecto era idéntico a de Mal'Ganis, o que também era irónico,
ainda tão pouco se preocupa-se muito.
«Igual a Mal'Ganis, sou um Senhor do horror. Porém não sou seu
inimigo», lhe havia asegurado Tichondrius , esboçando um sorriso que era
mais uma careta de desprezo. «Na verdade, venho felicitá-lo. Matando o seu próprio
pai e entregando essas terras ao Flagelo, você passou no primeiro teste. O Rei Lich
está muito feliz com o entusiasmo que você demonstrou. "Arthas se sentiu dividido
por duas emoções conflitantes: dor e alegria."Já", ele respondeu, tentando manter
uma voz firme diante do demonio: "Eu condenei todos aqueles a quem amei e tudo
o que desejei em seu nome, e não sinto nenhum remorso. Sem pena. Nem vergonha
».Então, nas profundezas de seu ser, ele ouviu outro sussurro, que não veio da
Lamento Gelido: "Mentiroso".No entanto, ele extinguiu as brasas desse sentimento
imediatamente. Essa voz tinha que ser silenciada de alguma forma. Não podia
deixar essa dúvida crescer. Era como gangrena, o devoraria se permitisse.
Tichondrius não pareceu notar a luta interna que Arthas, e simplesmente apontou
para a Lamento Gélido ao mesmo tempo em que afirmava:"A Lâmina Runica que
você carrega foi forjada pela minha raça há muito, muito tempo atrás. O Rei Lich
lhe deu a habilidade de roubar almas. A sua foi a primeira que ele reivindicou para si
mesma ".Emoções contraditórias lutaram no intimo de Arthas, que contemplou a
espada com atenção. A palavra escolhida por Tichondrius não foi esquecida:
"roubar". Se o Rei Lich pedisse sua alma em troca de salvar seu povo, Arthas teria
dado a ele. No entanto, o Rei Lich não pedira tal coisa, ele simplesmente a havia
tirado dele. E agora estava ali, presa dentro daquela arma brilhante, tão perto de
Arthas que o príncipe (ou melhor, o rei) quase podia tocá-la. Mas Arthas conseguiu
o que pretendia inicialmente? Ele salvou seus súditos?Isso importava?Tichondrius
observou-o de perto."Então vou ter que me virar sem minha alma", Arthas
respondeu sem lhe dar mais importância. "O que o Rei Lich quer que faça?"A
missão que lhe havia sido confiada consistia em reunir o que restava do Culto dos
Malditos para ajudá-lo a alcançar um objetivo ainda mais importante: a recuperação
dos restos mortais de Kel'Thuzad.
De acordo com informação que haviam recebido, aquela pilha de carne
pestilenta, putrefata e liquefeita ainda estava em Andorhal, onde o próprio
Arthas a deixara. Andorhal, o lugar de onde vieram as remessas de grãos
infectados. Embora ele se lembrasse de como ele ficara furioso ao atacar o
necromante, agora não conseguia sentir raiva. Um sorriso brincou em seus
lábios pálidos. Isso foi irônico.
Os prédios que haviam queimado em seus dias não passavam de uma pilha
de madeira queimada. Ninguém além dos mortos-vivos deveria estar lá; e, no
entanto, Arthas franziu a testa, puxou as rédeas e Invencivel parou, tão
obediente na morte quanto na vida. O rei podia vislumbrar silhuetas que se
moviam aqui e ali. A luz fraca daquele dia cinzento refletia-se em...Armaduras
disse a si mesmo.
Havia alguns homens de armadura ali, posicionados ao longo do perímetro
do cemitério, e um deles guardava uma sepultura modesta. Ele estreitou os
olhos e abriu-os amplamente. Eles não eram qualquer pessoa, não eram meros
guerreiros, eram paladinos. Esabia porque eles estavam lá. Aparentemente,
Kel'Thuzad atraiu o interesse de pessoas muito diversas.
No entanto, ele decretou a dissolução da ordem. Portanto, os paladinos não deveriam existir mais,
muito menos se congregar naquele lugar. Então a Lamento Gélido sussurrou que estava com
fome. Arthas desembainhou a poderosa Lamina Runica, ergueu-a para que o pequeno exército de
acólitos que o acompanhava pudesse vê-lo e assim inflamar seus espíritos e, imediatamente,
iniciou a carga. Invencível atacou os paladinos, e Arthas pôde ver como a estupefação tomava
conta dos rostos dos homens que observavam o cemitério assim que ele se lançava sobre eles.
Embora eles lutassem com bravura, no final a resistência deles era inútil; o príncipe podia ver em
seus olhos que eles estavam cientes disso.
Apenas quando ele tinha acabado de extrair a Lamento Gélido do cadáver de um paladino que ele
tinha acabado de matar, e sentir a euforia da espada ao faze-lo.
De outro local, ele ouviu um grito:
—Arthas!
Se tratava de uma voz que havia escutado antes, porém como era incapaz de
relacionar-la com seu dono, se voltou para o homem que o havia chamado.

Este era muito alto, e sua presença, imponente. Havia tirado o elmo, e foi sua
frondosa barba que fez Arthas recordar quem era.
—Gavinrad! —exclamou surprendido—. Quanto tempo.
-Não o suficiente. Onde está o martelo que lhe demos? - Gavinrad
perguntou, praticamente cuspindo as palavras. É a arma de um paladino.
Uma arma de honra.
Arthas lembrou que esse homem foi quem colocou o martelo a seus pés
durante sua cerimônia de entrada na ordem. Quão limpo, autêntico e
simples tudo parecia na época."Agora tenho uma arma muito melhor",
disse Arthas. Ele ergueu a Lamento Gélido, que parecia estar acenando
ansiosamente em sua mão, e então sentiu um impulso imperioso que
tinha que obedecer."Saia, irmão", falou com uma gentileza que estava
bastante fora do lugar. Eu vim para pegar alguns ossos velhos. Em
memória daquele dia e da ordem a que ambos pertencemos, não te
prejudicarei se me deixar passar.As sobrancelhas grossas de Gavinrad
juntaram-se em uma quando ele cuspiu na direção de Arthas.-Não posso
acreditar que uma vez que te consideramos nosso irmão! Eu não consigo
entender porque Uther implorou por você. Sua traição destruiu Uther,
garoto. Ele teria dado sua vida por você sem hesitação: é assim que você
paga por sua lealdade? Eu já sabia que admitir um príncipe mimado em
nosso meio era um erro! Você zombou da mão de prata!
A fúria se apossou de Arthas com tanta celeridade e intensidade que
quase o afogou. Como se atrevia a falar assim com ele, um cavaleiro da
morte, a mão executora do Rei Lich! Vida, morte, não-vida - tudo isso
fazia parte de seu domínio. Gavinrad ousara cuspir em sua oferta de
trégua. Arthas cerrou os dentes com força."Não, meu irmão", ele
respondeu com um grunhido. Quando eu te matar e forçar a levantar dos
mortos como meu servo, e tenho que dançar ao som que eu mandar,
então sim eu terei feito piada da Mão de Prata, Gavinrad.
Arthas deu-lhe um sinal desafiador enquanto sorria zombeteiramente.
Os mortos-vivos e os membros do Culto dos Malditos que o
acompanharam até aquele lugar esperaram em silêncio que os eventos se
desdobrassem. Gavinrad não se apressou, manteve a compostura e rezou
para a Luz, apesar de não salvá-lo. Arthas permitiu que ele concluísse sua
oração e sua arma brilharia exatamente como o martelo do príncipe já
fizera. Ele sabia que Gavinrad não tinha nada a fazer contra ele, já que ele
segurava a Lamento Gélido e o poder do Rei Lich percorria seu corpo, que
estava a meio caminho dos mundos da vida e da morte.
Nem o paladino confiava em vencer o duelo. Ele lutou com todas as suas
forças, mas não foi o suficiente. Arthas brincou um pouco com ele, para
acalmar a dor que as palavras de Gavinrad provocaram; logo ele se cansou
e despachou seu ex-companheiro de armas com sua poderosa espada. Ele
sentiu Lamento Gélido agarrar e aniquilar outra alma e estremeceu
ligeiramente quando o corpo sem vida de Gavinrad caiu no chão. Apesar
do que ele havia prometido a seu oponente, que agora estava a seus pés
derrotado, Arthas o deixou gozar o sono eterno.Com um gesto brusco,
ordenou a seus servos que se preparassem para recuperar o corpo de
Kel'Thuzad, a quem ele abandonara, em seu tempo, no lugar em que havia
caído para apodrecer; No entanto, alguém (sem dúvida, seguidores devotos
de Necromante) teve o trabalho de enterrar o corpo em uma pequena cripta.
Os acólitos do Culto dos Condenados apressaram-se a encontrar o túmulo e
com grande esforço conseguiram tirar a tampa sem mais demora saíram
dali. Lá dentro havia um caixão o qual Arthas deu um chute suave,
sorrindo maliciosamente."Saia dai, necromante", ordenou arrogantemente
enquanto carregavam o caixão para a traseira de um veículo que
chamavam de "o carro dos despojos". O poder que você serviu no passado
precisa de você novamente.
-Eu já lhe disse que minha morte não faria diferença a longo prazo. Arthas
ficou surpreso. Ele se acostumou a ouvir vozes em sua mente; o Rei Lich
falava com ele através da Lamento Gélido quase constantemente. Mas isso
era diferente. Ele reconheceu essa voz; já ouvira antes, quando era
arrogante e zombeteira e não falava em sussurros como se quisesse lhe
contar segredos e ganhar sua confiança.
Se tratavaa de Kel'Thuzad.
Mas o que? Agora eu ouço fantasmas ?, pensou o cavaleiro da morte.
Não apenas os ouvia, mas os via. Ou, pelo menos, um em particular. A
silhueta de Kel'Thuzad se formou lentamente diante de seus olhos; Era
translúcida e flutuava no ar, e seus olhos eram dois buracos negros. Era ele
sem qualquer dúvida. Então seus lábios fantasmagóricos se curvaram para
esboçar um sorriso de conhecimento.
-Eu estava certo sobre você, Príncipe Arthas.
"Você já se divertiu o suficiente", ouviu Tichondrius dizer com uma
voz poderosa e séria que parecia vir do nada.Naquele momento, o espectro
(se realmente estivesse lá)desapareceu. Arthas ficou perplexo. Ele
imaginou aquilo? Ele estava perdendo sua sanidade ao mesmo tempo que a
alma?Tichondrius não havia notado o estado de agitação de Arthas, abriu o
caixão e observou com grande desgosto seu conteúdo: o cadáver quase
liquido de Kel'Thuzad. O cavaleiro da morte descobriu que podia suportar
o fedor melhor do que ele esperava, embora ainda fosse assustador. Parecia
que uma eternidade passara desde que ele atingira o necromante com seu
martelo e observava a rápida decomposição do mesmo.
—Os restos estão muito decompostos. Não suportariam a viajem a
Quel'Thalas.
Arthas se apegou a essa menção para parar de pensar no que o
incomodava tanto.-Quel'Thalas? A terra dourada dos elfos? -Perguntou o
cavaleiro da morte.
-Sim. Somente as energias da Fonte do Sol dos elfos altos podem
ressuscitar Kel'Thuzad - explicou ou Senhor do Horror, franzindo a testa. A
cada momento, ele se decompõe mais. Arthas, você deve roubar uma urna
muito especial que os paladinos trazem de volta para cá sob sua custódia. Se
você colocar os restos do necromante nela, eles serão protegidos durante a
viagem.
O Senhor do Horror sorriu maliciosamente. Parecia que essa missão
era muito mais do que parecia à primeira vista. Arthas abriu a boca para
fazer uma pergunta, mas depois fechou-a. De qualquer forma, Tichondrius
não ia responder. Ele encolheu os ombros, subiu em Invencivel e foi para o
lugar onde ele tinha sido ordenado a ir.Então ouviu atrás dele o riso
sombrio do demonio. Tichondrius estava certo. Ao longo do caminho, uma
pequena procissão fúnebre avançava lentamente, a pé. Era o funeral de um
militar ou um importante dignitário; Arthas reconheceu a parafernália
habitual destas cerimonias. Vários homens vestidos de armadura
marchavam em fila; no centro, um homem segurava algo em seus braços
fortes. A luz fraca do sol brilhava em sua armadura e no objeto que ele
carregava: a urna que Tichondrius lhe contara. De repente, Arthas
entendeu o que deixou o Lorde do Horror tão feliz.
O físico do paladino era muito peculiar, e sua armadura, única.
Instantaneamente, Arthas agarrou a Lamento Gélido com mãos trêmulas.
Ele tentou reprimir a miríade de sensações confusas e perturbadoras que o
dominaram e começou a se aproximar dos homens.
O cortejo fúnebre não era muito numeroso, embora estivesse cheio de
guerreiros renomados; no entanto, cercá-los era extremamente fácil. Os
paladinos desembainharam suas armas mas não atacaram, mas se
voltaram para o homem que guardava a urna, aguardando instruções.
Uther (não podia ser outro) observou seu ex-aprendiz e parecia ter a
situação sob controle. Ele manteve a expressão impassível, embora seu
rosto parecesse mais cheio de rugas do que Arthas lembrava. No entanto,
seus olhos ardiam com a ira dos justos.
"O cachorro volta para seu vomito", disse Uther, pronunciando essas
palavras como se fossem os golpes de um chicote. Você não sabe o
quanto eu orei para que você não se intrometesse nesse ato. Arthas
estremeceu ligeiramente. E com uma voz áspera, ele respondeu:-Sou
como dinheiro falso ... sempre volto a reaparece. Pelo que vejo, você
ainda se considera um campeão, mesmo que eu tenha dissolvido sua
ordem. Uther riu, embora fosse uma risada tingida de amargura.-Como
se você pudesse dissolvê-la ao seu capricho. Eu só respondo à Luz,
menino. Como você fez antigamente?
A luz, ainda se lembrava dela. Seu coração pulou uma batida, e por um
momento, apenas por um momento, ele baixou a espada.
Imediatamente os sussurros retornaram, lembrando-lhe que tipo de
poder ele possuía agora, insistindo que o Caminho da Luz não lhe dera
o que ele desejava. E naquele exato momento Arthas agarrou a
Lamento Gélido vigorosamente mais uma vez."Eu fiz muitas coisas
então", respondeu o cavaleiro da morte, "que eu nunca mais farei.
-Seu pai governou essas terras por cinquenta anos e você as reduziu
aos escombros em questão de dias. Porém, é claro, destruir e aniquilar
é tão mais fácil, é verdade?
-Não seja melodramático, Uther. Embora eu goste de lembrar de
tempos passados com você, não tenho tempo a perder. Eu vim para
pegar a urna. Dê-me e prometo que você vai morrer rapidamente.
Não ia perdoá-lo. Nem mesmo se ele implorasse misericórdia. Se ele
implorasse, não duvidaria disso. Havia muito sangue ruim entre
eles.Muitos desentendimentos e sentimentos intensos.Nesse instante,
o rosto de Uther transmitiu apenas uma emoção: raiva. Ele olhou para
Arthas, sentindo-se indignado."Esta urna guarda as cinzas de seu pai,
Arthas! Você quer fazer xixi neles pela última vez antes de deixar seu
reino apodrecer?Arthas sentiu um frio repentino.
Pai...
-Eu não sabia o que continha", ele murmurou, tanto para si mesmo
quanto para Uther. Então essa foi a armadilha que escondia essa
missão, a razão pela qual o Senhor do Horror sorriu quando instruiu o
cavaleiro da morte. Porque eu sabia o que havia dentro. Arthas foi
submetido a uma tentativa após outra.
Ele seria capaz de lutar contra seu mentor? Ele seria capaz de manchar
as cinzas de seu pai? Embora ele já estivesse farto daquela situação,
reprimiu a fúria enquanto falava enquanto desmontava e
desembainhava a Lamento Gélido-Embora não importe. Eu terei o que
eu vim procurar de um jeito ou de outro. Lamento Gélido não parava
de falar em sua mente, nem de empurrar sua mão, por puro desejo de
lutar. Arthas adotou uma posição de ataque. Uther observou-o por um
momento e, em seguida, levantou lentamente a arma brilhante."Eu
não queria acreditar", disse o velho paladino com certa dureza em sua
voz. Então, Arthas percebeu horrorizado que as lágrimas estavam
chegando aos olhos de Uther. Quando você era mais jovem e egoísta,
eu atribuía isso ao fato de que eram apenas coisas infantis. Quando
você continuou a manter essa atitude teimosa, justifiquei dizendo que
qualquer jovem sente a necessidade de deixar de estar na sombra de
seu pai. E em Stratholme, talvez a Luz me perdoe, mesmo lá ... Rezei
para que você encontrasse o seu caminho e pudesse ver o erro que
cometera. Eu nunca fui capaz de enfrentar o filho do meu mestre.
Arthas empunhou um sorriso forçado enquanto ambos circulavam um
ao outro.-Mas agora você acredita.
—A última promesa que fiz a seu pai, a meu amigo, foi que seus restos seriam
tratados con respeito, apesar de que seu propio filho o tivesse assasinado
brutalmente, quando se encontrava desprevenido e desarmado.
—Morera por culpa dessa promesa.
—É possivel—replicou Uther, sin que pareciera importarle
demasiado—. Prefiro morer honrando essa promesa que viver sob seu jugo.
Me alegro de que seu pai esteja morto fico feliz que ele não tenha que ver o que
sua prole se tornou.
Esse comentário o machucou. Não esperava isso. Ele parou, as emoções se
agitaram em seu coração, e Uther, que sempre derrotara o príncipe, aproveitou-se
daquela breve hesitação para atacá-lo.-Pela Luz! Ele gritou, jogando o martelo para
trás e traçando com todas as suas forças um arco cujo objetivo era Arthas. Aquela
arma luminosa se aproximava do cavaleiro da morte tão rapidamente que ele podia
ouvir o ar gemer quando ele o rasgou.Ele pulou longe a tempo e sentiu o ar acariciar
seu rosto no momento em que a arma passou por ele em alta velocidade. O rosto de
Uther transmitia uma sensação de calma e concentração e uma determinação
assassina. Do seu ponto de vista, ele tinha a obrigação de matar o filho traiçoeiro para
evitar que o mal se espalhasse.Por sua vez, Arthas sabia que tinha a obrigação de
matar o homem que já fora seu mentor. Ele tinha que cortar tudo que o amarrou ao
passado ... definitivamente. Se não, seria sempre possível que ele sucumbisse à
perigosa tentação da compaixão e do perdão. Quando ele soltou um grito incoerente,
desceu rapidamente com a Lamento Gélido para atacar Uther. Ele bloqueou a
investida com o martelo. Os dois homens lutaram, com alguns centímetros de
distância e músculos tremendo de um esforço tremendo, até que o paladino grunhiu,
afastou seu antigo pupilo e o fez tropeçar. Uther continuou atacando. Enquanto a
calma reinava em seu rosto, seus olhos ardiam com as chamas de ferocidade e
resolução; ele parecia lutar como se sua vitória fosse inevitável. Essa confiança
absoluta em suas possibilidades desconcertou Arthas, cujos ataques eram poderosos,
mas erráticos. Ele nunca havia derrotado seu mentor...
—Chegou sua hora, menino! — rugiu Uther.
De repente, para horror de Arthas, o paladino se viu envolto em uma luz
brilhante. Já não se tratava só de seu martelo, mas de seu corpo; dava a
sensação de que todo seu ser fosse a verdadeira arma da Luz que ia derrotar
a Arthas.
—Pela justiça da Luz! —urrou o paladino ancião.
O martelo desceu. O ar deixou os pulmões de Arthas assim que
recebeu o impacto em seu torso. Embora a armadura o salvasse, ela foi
quebrada como resultado do golpe do martelo radiante que o paladino
sagrado empunhava. O cavaleiro da morte caiu no chão e sua espada voou
de suas mãos; O desespero o dominou quando ele tentou respirar ou se
centrar. Ele virou as costas para a Luz, a traiu. E agora esta se vingou
através de Uther, o Iluminado, seu grande campeão, infundindo seu
antigo mentor com a pureza de seu brilho e determinação.O brilho que
envolvia o paladino aumentou e Arthas esboçou um gesto de agonia no
momento em que a Luz queimou seus olhos e sua alma. Ele cometera um
erro completo ao renunciar a ela; agora a piedade e o amor da Luz haviam
se transformado no ser radiante e implacável diante dele.Ele olhou para
cima para ver aqueles poços de luz branca que eram os olhos de Uther,
enquanto as lágrimas enchiam seus olhos enquanto esperava pelo golpe
mortal.Ele nunca soube se ele havia pegado a espada sem perceber, ou se
ela havia pulado em suas mãos sozinha. Era impossível deduzi-lo no
terrível caos mental que ele sofreu naquele momento. A única coisa certa
é que, de repente, suas mãos se fecharam no cabo da Lamento Gélido,
cuja voz ecoou em sua mente.
Toda Luz tem sua sombra, todo día tem sua noite, e inclusive a vela mais
brilhante pode apagar-se.
Igual à vida dos mais iluminados.
Arthas inspirou com força, encheu os pulmões de ar e só por um segundo
percebeu que a Luz que rodeava o paladino estava atenuada. Então o mentor
levantou o martelo para dar o golpe final. Mas seu pupilo não estava mais lá.
Se Uther era um urso enorme e poderoso, Arthas era um tigre forte, ágil e
rápido. Por mais fortes e abençoados pela Luz que estivessem o martelo e seu
portador, sua arma não era rápida, nem seu estilo de luta, muito ágil. No
entanto, a Lamento Gélido, apesar de ser una Lamina Runica enorme que
devia ser empunhada com as duas mãos, parecia quase capaz de combater por
si só.
O cavaleiro da morte avançou de novo, desta vez sem hesitação, e lutou
com fervor. Ele não deu trégua a Uther, o Iluminado; não lhe permitia um
momento de calma, de modo que o paladino não pôde preparar sua arma para
descarregar um golpe do martelo devastador. Antes que a mudança de atitude
operasse em Arthas, seu mentor abriu os olhos como pratos estupefatos, mas
estreitou-os ao ponto, mostrando uma determinação inabalável. No entanto, a
Luz que emanava com tal intensidade de sua poderosa constituição foi
atenuada de segundo a segundo.Minguando antes ou poder que ou Rei Lich
forneceu a Arthas. A Lamento Gélido estava atacando de novo e denovo;
sobre a cabeça brilhante do martelo, sobre a alça, sobre o ombro de Uther,
sobre o espaço estreito entre a parte da armadura que cobria o pescoço e as
ombreas, batendo com...
Uther, o Iluminado, rosnou e caiu para trás. Havia sido ferido e estava
sangrando. O martelo, enorme e radiante, caiu de sua mão flácida: a Lamento
Gelido havia praticamente cortado seu braço. De um só golpe, ele quebrou a
couraça do antigo mentor; outro no mesmo lugar e quebrou e rasgou a carne
abaixo. O tabardo azul e dourado do paladino (que eram as cores da Aliança pela
qual havia lutado em seu tempo) caiu na neve enquanto seu dono caiu de joelhos
como um fardo pesado. O paladino olhou para cima. Respirando com dificuldade-
“Um fio de sangue correu de sua boca até a barba, embora não houvesse nenhum
sinal em seu rosto que estivesse disposto a se render”. Eu espero que haja um lugar
especial para você no inferno, Arthas”, ele disse, e tossiu por causa do sangue na
garganta.

—Talvez nunca o saibamos, Uther - replicou Arthas com grande frieza, ao


tempo que levantava a Lamento Gélido para dar o golpe final. A
impaciente espada quase parecia dar saltos de alegria—. Pretendo viver
eternamente.
A Lâmina Runica caiu, perfurando a garganta de Uther, silenciando suas
palavras desafiadoras, partindo seu grande coração. Ele morreu quase
instantaneamente. Em seguida, Arthas soltou a espada do cadáver e recuou,
tremendo. No entanto, esses tremores eram apenas porque ele estava
liberando a tensão e ele se sentia exultante.
Ele se ajoelhou e pegou a urna. Segurou em suas mãos por um longo
tempo e então se preparou para quebrar o selo e virou-lhe para esvaziá-la. As
cinzas do rei Terenas caíram como a chuva cinzenta, como a farinha
contaminada pela praga, e se espalharam pela neve. O vento mudou de
direção abruptamente e aquele pó cinza, que era tudo o que restava do rei,
começou a circular no ar, como se algo o impelisse e caiu no cavaleiro da
morte. Surpreso, Arthas deu um passo atrás e cobriu o rosto com as mãos.
Esse gesto instintivo fez com que ele largasse a urna, que caiu no chão com
um som surdo. Ele fechou os olhos e virou o rosto, mas não rápido o
suficiente, então ele tossiu violentamente por causa daquelas cinzas amargas
que estavam sufocando-o. De repente, o pânico se apoderou dele. Ele
enxugou o rosto com as mãos enluvadas, pretendendo se livrar da poeira
fina que bloqueava sua garganta e nariz e irritava seus olhos. Cuspiu e
imediatamente sentiu uma tremenda queimação no estômago.
Arthas respirou fundo e fez um grande esforço para se acalmar. Momentos
depois, ele se levantou, tendo recuperado a compostura. Se ele sentia algum tipo
de emoção, ele a trancou em segurança nos recessos de seu ser e não estava nem
ciente de sua existência. Com um rosto imperturbável, ele retornou ao carro
carregando os restos fétidos e praticamente liquefeitos de Kel'Thuzad e entregou
a urna a um membro da Praga.
-Coloque o necromante aqui dentro — lhe ordenou.
Então ele montou em Invencível. Quel'Thalas não estava longe.

CAPÍTULO
DEZOITO

A o longo dos seis días que demoraram a chegar as terras dos altos elfos,
Arthas falou com o espectro de Kel'Thuzad e muitos pasaram a engrosar suas
fileiras.
Ele partiu de Andorhal para o leste, com as carruagens de despojos abrindo
caminho, cruzou as aldeias do campo de Máculadepedra, o jardim de Dalson e
o pomar de Gahrron e atravessou o rio Thondroril para chegar à parte leste de
Lordaeron. As vítimas da praga aumentaram em toda parte e, com uma mera
ordem mental, o seguiram como cães de caça. Cuidar deles era muito fácil, eles
se alimentavam de cadáveres. Tudo estava tão limpo e arrumado.
Embora Arthas esperasse que tanto as vítimas da praga como as
abominações criadas a partir da união dos restos de vários cadáveres, assim
como os espectros dos caídos, se juntassem a seu lado, ele encontrou um novo
aliado inesperado: um que o ultrapassou, o consterrou e então ele pôde
apreciá-lo.
Seu exército estava a meio caminho de Quel'Thalas quando ele os viu pela
primeira vez. A distância, a princípio ele teve a impressão de que a terra
estava se movendo. Não, não foi assim. Pareciam tipos de animais. Talvez
gado ou ovelhas que escaparam de seus estábulos quando seus donos se
tornaram mortos-vivos?
Ou talvez ursos ou lobos à procura de comida e se banqueteando nos
cadáveres? Arthas soltou um grito abafado e agarrou Lamento Gelido com
força; Parecia que seus olhos deixariam suas orbitas de pura descrença. Eles
não se moviam como quadrúpedes. Eles correram com pressa, movendo-se
através das colinas e pastagens como...
—Aranhas - murmurou.
Eles desceram em bandos nas encostas, formando um tapete roxo e preto
de aparência ameaçadora.
Conduzidos por suas múltiplas pernas, eles se moveram rapidamente para
alcançar Arthas. Eles estavam se aproximando dele ...
—São os novos guerreiros que o Rei Lich envia a seu favorito—lhe
explicou o incorporeo Kel'Thuzad.
Pelo que parecia, Arthas era o único que podía ver e escutar aquele
espectro, com quem havia estado conversando longamente nos últimos
días. O espectro concentrou-se em semear as suspeitas e dúvidas na mente
do cavaleiro da morte. Não sobre si mesmo ... mas sobre Tichondrius e os
outros demônios."Você não pode confiar nos senhores do Horror", ele
havia aconselhado. "Eles são os carcereiros do Rei Lich. Vou lhe contar
tudo - quando voltar caminhar novamente pelos caminhos deste mundo
».Embora tivessem tempo suficiente para se conhecerem bastante bem,
Arthas ficava imaginando se Kel'Thuzad estava lhe dando essa informação
como isca para garantir que o cavaleiro da morte cumprisse sua
missão.Enquanto esperavam que aquelas pseudo-aranhas chegassem até
eles, Arthas o questionou:"Ele realmente me mandou esses monstros?"
Mas o que são eles?

—No seu tempo foram nerubianos — respondeu Kel'Thuzad—.Osdescendentes


da raça antiga e orgulhosa dos Aqir. Quando estavam vivos, eram
tremendamente inteligentes e só perseguíam um objetivo: eliminar a qualquer
um que não fosse como eles.
Arthas observou aquelas criaturas arácnideas com repugnancia.
—Estupendo. E agora o que são?
—Estes seres cairam combatendo a aquele que servimos, que os fez
regresar da morte. Seu senhor, Anub'arak, os transformou em mortos
vivos, e agora vieram ajudar-lhe, príncipe Arthas. Para alcançar a gloria
em nome de nosso senhor e do seu.
"Então, eu tenho aranhas mortas-vivas para lutar contra os elfos de
Quel'Thalas", Arthas refletiu.Eram enormes, horrendos e mortais. Eles
estavam se aproximando apressadamente, sem parar para acompanhar
seu passo com os cadáveres, espectros e abominações."O Rei Lich, quem
quer que fosse, gostava do melodrama.A chegada de Arthas estava
sendo observada, é claro. Os elfos tinham alguns rangers que eram
considerados excelentes. O mais provável que, quando Arthas se desse
conta de sua presença, a notícia de sua chegada já tivesse se espalhado.
Mas isso não importava. Ele tinha conseguido reunir um exército
realmente impressionante e não tinha dúvida de que, apesar dos avisos
irritantes de Kel'Thuzad, seria capaz de penetrar nessa terra maravilhosa
e eternas, se mover através delas rapidamente e encontrar a Fonte do
Sol.Eles capturaram um prisioneiro, um jovem sacerdote que, agindo
desafiadoramente, revelou involuntariamente certas informações
cruciais, que Arthas estava disposto a usar sabiamente. Além disso,
havia outro preso que, diferentemente do clérigo, estava disposto a trair
seu nome para sua terra com o objetivo de obter o poder que Arthas e o
Rei Lich haviam prometido.
O cavaleiro da morte se surprendeu o pouco que custou ao mago elfo
apunhalar pelas costas aos seus. Surpreendeu-se e se perturbou. Arthas tinha
sido muito amado por seu povo, assim como seu pai antes dele. Ele apreciara a
aprovação carinhosa daqueles que o serviam. Ele teve tempo para aprender
seus nomes e ouvir suas histórias sobre suas vidas e suas famílias. Ele queria
que eles o amassem. E seus súditos mostraram seu afeto com sua lealdade ao
líder, assim como o capitão Falric havia feito na época.
Arthas presumiu que os líderes elfos também eram amados por seu povo.
Estes, por sua vez, assumiram que seu povo seria leal a eles. Mesmo assim, o
mago élfico traíra seu povo pela mera promessa de poder, pela simples
promessa de poder.
Os mortais sempre podiam ser corrompidos, manipulados ou comprados.
Ele assistiu seu atual exército e sorriu. Sim, isso era muito melhor. Aqui
não havia problemas de lealdade, já que aqueles que ele liderava não tinham
escolha a não ser obedecê-lo cegamente.

"Tudo", o batedor ofegou, "é verdade.


Sylvanas CorreVentos, general da Guarda Florestal de Luaprata, conhecia
muito bem o elfo. A informação de Kelmarin sempre era muito precisa e
detalhada. Eleaescutou sem querer acreditar, sem ousar acreditar.
Todo mundo estava ciente dos rumores, é claro. Uma praga estava se
espalhando por terras humanas. No entanto, os quel'dorei acreditavam que
estavam seguros em sua terra natal, onde haviam resistido ao ataque de
dragões, orcs e trolls por séculos. Eles estavam convencidos de que o que
acontecia em território humano não os afetaria.
Mas não foi assim.
Tem certeza de que era o príncipe Arthas Menethil?
Kelmarin assentiu, ainda tentando recuperar o fôlego.
-Sim, minha senhora. Eu ouvi o que as pessoas que o servem o chamavam
assim. Pelo que pude constatar, não acredito nos rumores que o acusam de ter
assassinado o pai e de ser o instigador das calamidades que devastaram
Lordaeron são exageros.
Sylvanas ouviu atentamente, seus olhos azuis cada vez mais aberto,
cheios de espanto, enquanto o ranger estava contando uma história que
parecia incrível demais para ser verdade sobre cadáveres que vêm à vida
(ambos recém-falecidos como ou já ressecados e consumidos) sobre criaturas
enormes e desprovidas de mente criadas com pedaços diferentes de
varioscorpos, de animais estranhos capazes de voar e parecendo estátuas de
pedra que ganhavam viva, em criaturas gigantescas que lembram aranhas, que
a fez pensar nas histórias sobre o supostamente extintos Aqir.
Ele também contou sobre o odor.Kelmarin, que não exagerava
normalmente, falou do mau cheiro que precedeu aquele terrível exército. As
florestas, o primeiro bastião defensivo dessas terras, sucumbiram à passagem
das estranhas máquinas de guerra que o príncipe tinha com ele. Sylvana
lembrou-se da memória dos dragões vermelhos que queimaram aquelas
florestas há não muito tempo.
Luaprata havia resistido a seus ataques, é claro, mas as florestas haviam
sofrido muito. Tanto quanto sofriam agora.
"Minha senhora", concluiu Kelmarin, levantando a cabeça e olhando para
ela aflita, "se ele conseguir entrar", não acho que nossa força é suficiente para
derrotá-lo.
Aquela afirmação amarga definiu o pavio de raiva que precisava para
reagir
—Somos os quel'dorei-Disse, quando se endireitou. Nossas terras são
inexpugnáveis. Ele não vai entrar aqui, não tenha medo. Primeiro ele tem
que encontrar uma maneira de quebrar os encantamentos que protegem
Quel'Thalas. Então ele deve ser capaz de fazer isso. Inimigos muito melhores
e mais sábios tentaram tirar o nosso reino. Tenha fé, meu amigo, no poder da
Fonte do Sol e na força de vontade de nosso povo.
Enquanto levavam Kelmarin para um lugar onde podia beber, comer e recuperar
suas forças antes de retornar ao seu posto, Sylvanas se virou para seus guardas e
disse:-Eu tenho que ver esse príncipe humano com meus próprios olhos. Reúnam as
primeiras unidades de combate. Se Kelmarin estiver certo, é melhor nos prepararmos
para um ataque preventivo .
Sylvanas estava deitada de bruços sobre a grande porta ao lado da íngreme
cordilheira montanhosa que a rodeava, ajudando a proteger suas terra. Ela usava
armadura de couro que, embora lhe cobrisse completamente, era muito confortável e
possuía um arco pendurado em suas costas. Ela, Sheldaris e Vor'athil, os dois
batedores que tinham ido na frente e esperaram por ela para chegar com a maior parte
dos guardas, observavam... a cena aterrorizante. Como Kelmarin os tinha avisado eles
perceberam que o fedor do exército podre antes de encontra-lo.Príncipe Arthas vinha
montado em cima de um cavalo esqueleto de olhar feroz e carregava uma espada
enorme nas costas, que a general reconheceu no mesmo momento como uma Lamina
Runica. Os humanos vestidos de vestes negras apressaram-se a obedecer às suas
ordens, assim como os mortos. Sylvanas teve que se segurar enquanto passava com
seus olhos pela ampla gama de corpos em decomposição que formaram o exército e
deu graças silenciosas que o vento mudou de direção e a pestilência ficou longe
dela.Ela explicou o plano gesticulando com os longos dedos que se moviam muito
rapidamente, os batedores assentiram, indicando que entenderam, após se retiraram e
esconderam, silenciosos como sombras, enquanto Sylvanas voltou seus olhos para
Arthas, Ele não pareceu notar nada. Ainda assim, ele parecia humano, embora
estivesse pálido e seu cabelo não fosse como ouro, como lembrava que tinha sido
descrito, mas branco. Então, como ele poderia estar sendo cercado pelos mortos?
Aquele fedor horrível, aqueles seres grotescos? Estremeceu e tentou se concentrar. Os
mortos-vivos que obedeceram ao príncipe simplesmente aguardavam ordens. Os
seres humanos (necromantes, pensou Sylvanas, sentindo um enorme desgosto)
estavam ocupados criando novas monstruosidades para fazer de sentinelas. Eles
transmitiram a sensação de que a derrota era algo inconcebível para eles.Essa
arrogância seria o seu fim.
A General da Floresta esperou e observou o inimigo até que seus arqueiros
estivessem em posição. Ela ouvira os avisos de Kelmarin e convocou dois terços
de seus guardas. Ela acreditava firmemente que Arthas não poderia derrubar os
portões mágicos dos elfos que protegiam Quel'Thalas. O príncipe ignorava muitas
coisas sobre eles para poder fazer algo assim. Ela mesma não acreditara em certas
coisas até agora que vira com seus próprios olhos. Era melhor acabar com essa
ameaça ali mesmo.
Ela cruzou o olhar com os de Sheldaris e Vor'athil, que assentiram
afirmativamente, dando-lhe a entender que estavam prontos. Sylvanas teria
preferido atacar sem mais, para pegar o inimigo despreparado, mas ela não podia
agir assim por questões de honra. Desta forma, ninguém jamais poderia alegar que
Sylvanas Corre Ventos, a general da Guarda Florestal, havia defendido sua pátria
por meios indignos.
"Por Quel'Thalas", ela falou com um sussurro.
Então se levantou e gritou com uma voz clara, melodiosa e poderosa:
—Não são bem vindos a estas terras!
Arthas forçou seu corcel esquelético (Sylvanas, por um momento, teve pena
do pobre animal) a dar a volta e encarou a General Florestal, cruzando-a com os
olhos. Os necromantes ficaram em silêncio e se voltaram para o seu senhor,
aguardando instruções.Eu sou Sylvanas Corre Ventos, General da Guarda
Florestal de Luaprata. Eu aconselho você a voltar de onde você veio.Os lábios de
Arthas (o general então percebeu que eram cinzentos e emoldurados em um
rosto branco como um morto, embora, de alguma forma, parecessem estar
vivos) se curvavam para formar um sorriso. Isso o divertiu."É você quem deve
voltar de onde veio, Sylvanas", disse ele.deliberadamente omitindo sua
posição.A voz do príncipe poderia ter possuído um tom agradável de barítono, se
não fosse porque algo enfatizasse isso. Algo que causou isso, ao ouvir aquela
voz, até mesmo o bravo coração da general parou de bater alguns segundos, de
tal forma que teve que fazer um grande esforço para não estremecer.
—A Morte chegou a sua terra —disse Arthas.
A general estreitou seus olhos azuis e respondeu desafiadoramente:Vá em
frente A porta dos elfos que dá acesso ao reino localizado no interior é
protegida por nossos mais poderosos encantamentos. Você não poderá
atravessá-la.
Ela então colocou uma flecha em seu arco; esse foi o sinal de ataque. No
momento, o ar estava cheio do zumbido repentino de dezenas de flechas que
atravessavam o céu. Sylvanas apontou para o príncipe humano (ou que já
havia sido humano), pronta para matar como sempre. A flecha assobiou
quando foi rápida e veloz para a cabeça desprotegida de Arthas. Mas um
momento antes de alcançar seu objetivo, captou um flash de branco azulado.
Sylvanas ficou estupefata. Arthas ergueu a espada a uma velocidade
inimaginável e partiu a flecha em dois. As runas em sua lâmina eram a causa
do brilho azul e branco frio que ele tinha visto. O príncipe deu-lhe um largo
sorriso e piscou.- Ao ataque, meninos! Matem todos eles para que possam se
tornar meus servos e do nosso senhor! - Arthas exortou.Sua voz reverberou
com aquele estranho zunido que lhe deu uma grande aura de poder. A general
limpou a garganta e apontou novamente. Mas agora, o príncipe humano
estava em movimento e o cavalo morto transportava-o com velocidade e
agilidade sobrenaturais; Naquele momento, percebeu que suas tropas
horrendas tinham ido para a ofensiva.Como convergiram para os guardas, o
que a lembrou um enxame de insetos que se movem em uníssono à perfeição,
como se todos eles fossem parte de um corpo sem mente. Os arqueiros tinham
as seguintes instruções: terminar primeiro com os vivos e, em breve,
despachar os mortos com flechas flamejantes. A primeira chuva de flechas
matou a maioria dos membros do Culto dos Amaldiçoados.
A segunda resultou em dezenas de flechas de fogo sendo incorporadas naqueles
cadáveres ambulantes. Mas, apesar dessas monstruosidades estarem avançando
aos trancos e barrancos, e alguns estarem completamente secos, enquanto eram
uma isca perfeita e outros tinham corpos em putrefação inchados com fluidos
inflamáveis eram tantos que o destino da batalha foi mudando lentamente.De
alguma forma, eles conseguiram rastejar pelas paredes quase verticais de terra e
pedra onde os guardas estavam posicionados.Alguns deles, felizmente, estavam
muito decompostos para seguir em frente, e seus membros podres rasgaram e
caíram. Mas mesmo isso isso não os impediu. Eles continuaram pressionando e
subindo em direção aos guardas que agora seguravam espadas em vez de arcos.
Eles eram guerreiros experientes em combate próximo contra inimigos cujo
avanço poderia ser retardado pela perda de sangue ou membros. Mas contra
esses monstros...
Uma mão cadavérica, mais como garras que um membro humano, agarrou
Sheldaris.
A guarda ruiva lutou ferozmente e um olhar sombrio no rosto, soltando
gritos desafiadores que Sylvanas não pôde ouvir. O inimigo aproximou-se de
Sheldaris, cercou-o e ela caiu diante do impulso do inimigo; a general sentiu
uma imensa dor ao contemplar seu fim. Ela atirou uma flecha atrás da outra,
uma após a outra, quase mais rápido que o pensamento, totalmente
concentrada em sua tarefa. Com o canto do olho, viu uma daquelas grotescas
criaturas aladas com pele cinzenta e, aparentemente, tão duras quanto pedra,
descer a três metros dela. Seu rosto lembrava o de um morcego e ele rosnou
alegremente enquanto sequestrava Vor'athil, com a mesma facilidade com
que teria arrancado uma fruta madura de uma árvore. Seus dedos cavaram
com força nos ombros do ranger e o sangue espirrou em Sylvanas, enquanto
aquela coisa subia para o céu com seu prêmio.Vor'athil tentou se livrar das
garras daquele monstro e, tateando cegamente, pegou sua adaga. Sylvanas
parou de apontar para os mortos-vivos, que estavam a seus pés gemendo
continuamente, para se concentrar na monstruosidade que estava voando
acima dela. Ele atirou e bateu direto no pescoço da besta.No entanto, a seta
resvalou, sem causar nenhum dano. Aquela criatura balançou a cabeça e
rosnou, cansada de brincar com Vor'athil. Ergueu a mão, quebrou a garganta
do batedor com as garras, depois soltou indolentemente e deslizou pelo ar em
busca de novas vítimas. Sylvanas lamentou sua morte em silêncio enquanto
observava o corpo inerte de seu amigo cair no chão, o que aconteceu para
impactar o grupo de membros do Culto dos Malditos que os guardas tinham
matado momentos antes.De repente, a general soltou um grito abafado.Os
membros do culto se moviam.Eles se moviam apesar das flechas que saíam
de seus corpos e que às vezes um único cadáver tinha mais de uma dúzia
desses projeteis brilhantes emplumados sobre ele."Não", ela sussurrou em
desgosto, seu olhar horrorizado fixo em Arthas.
O príncipe olhava diretamente para ela, esboçando aquele maldito sorriso
e, instantaneamente, ele agarrou a Lamina Runica com uma vigorosa mão
enluvada. Ele levantou a outra mão e fez um leve gesto; Naquele mesmo
momento, outro humano assassinado estremeceu e levantou-se
desajeitadamente, enquanto tirava uma flecha do olho como se estivesse
removendo um inseto de suas roupas. O ataque que ela lançara contra as
tropas de Arthas não havia afetado ninguém. Todos se levantaram da morte
graças à magia negra de seu líder. O príncipe se divertiu tanto que a general
acabara de perceber o que realmente estava acontecendo, como se a fúria
estivesse aparecendo em seus olhos e então seu sorriso se transformou em
riso.-Eu te adverti! O príncipe gritou, levantando a voz acima do barulho da
batalha. Mesmo assim, você ainda fornece novos recrutas, gesticulou
novamente com a mão e outro corpo se contorceu como se estivesse
puxando-o para cima e forçando-o a ficar de pé. Era um humano de pele
bronzeada que era magro e musculoso, cujo cabelo preto estava preso em um
rabo de cavalo, revelando orelhas pontudas. Sangue jorrou dos quatro buracos
em sua garganta, formando riachos vermelhos, e sua cabeça balançou de
forma irregular, como se o pescoço tivesse sofrido muito dano e não
suportasse mais seu peso. Olhos mortos, que eram azuis como o céu de verão,
procuravam por Sylvanas. Então, devagar a princípio, ele se aproximou dela.
Tratava-se de Vor'athil.

Naquele momento, ela sentiu a porta atrás estremecer ligeiramente. Ela


estava tão distraída com a carnificina e ressurreição dos habitantes que eles
deveriam ter morrido, que ela não havia notado que os mecanismos de cerco
do inimigo tinham tomado posições. Aquelas aberrações do tamanho de um
ogro, que pareciam ser formadas por vários cadáveres, também estavam
esmagando a porta. Como aquelas enormes criaturas aracnídeas.Algo atingiu a
parede, emitindo um som não muito forte e peculiar, e então um líquido
encharcou Sylvanas. Por uma fração de segundo, sua mente recusou-se a
aceitar o que acabara de testemunhar, mas de repente viu tudo claramente.
Arthas não estava apenas ressuscitando os cadáveres dos elfos caídos, mas
estava jogando seus corpos (e não pedaços deles) contra Sylvanas como
projéteis.O general engoliu em seco e depois deu a ordem que nunca sonhara
que fosse pronunciar algum dia antes.
—Shindu fallah na! Retirada a segunda porta! Retirada!
Aqueles que ainda estavam de pé (infelizmente, os poucos infelizes que,
pelo menos, viviam e continuavam lutando, obedecendo às ordens) obedeciam
imediatamente. Eles reuniram os feridos e os carregaram em seus ombros. Seus
rostos pálidos, banhados em suor, refletiam o mesmo terror que se apossara dela,
que continham da melhor maneira possível. Eles fugiram. Não havia outra
palavra para descrever o que eles fizeram. Não foi um retiro ordenado,
sincronizado e marcial, mas sim uma salve-se quem puder. Sylvanas correu
junto com os outros carregando alguns feridos o melhor que pôde, enquanto
muitos pensamentos confusos surgiram em sua mente.
Ouviu atrás de si um ruído inconcebível até então: o ranger da porta
quando ela quebrou, seguido pelo rugido dos mortos-vivos enquanto
celebravam seu triunfo. Naquele momento sentiu seu coração se contrair,
numa agonia infinita.O príncipe humano conseguiu, mas como?
Como?Sua voz alta e ressonante, sob a qual vinha uma indefinida
corrente escura e horrenda, subiu acima daquele estrondo.- A porta dos
elfos caiu! Vão em frente, meus guerreiros! Pela vitória!
De certo modo, para Sylvana, o pior, o mais aterrorizante daquele
grito jubilante com que Arthas se regozijava era o "afeto" que o
envolvia.Naquele momento, ela pegou um jovem correndo ao lado dela
pela manga.-Tel'kor! Sylvanas gritou. Vá para o planalto da Fonte do
Sol. Conte a eles o que vimos. Diga a ele para se preparar. Tel'kor era
bem jovem o bastante para permitir que a decepção surgisse brevemente
em seu belo rosto quando percebeu que não ia ficar para lutar; no entanto,
assentiu com a cabeça coroada por uma cabeleira loira em solidariedade.
Sylvanas hesitou por um momento.
—Minha senhora?

—Diga-lhes que fomos traidos.


Embora Tel'kor empalidecesse quando ouviu aquelas palavras, ele assentiu
novamente e saiu rápido e veloz como uma flecha. Ele era um bom arqueiro, mas
Sylvanas não estava se enganando: mais ou menos um não faria qualquer
diferença na batalha que estava por vir. No entanto, se os magos que controlavam
e dirigissem a energia da Fonte do Sol soubessem o que estavam enfrentando,
poderiam ter uma chance.Eles fugiram para o norte e, quando suas tropas
cruzaram a ponte, a general parou de repente no meio do caminho, virou-se e
olhou para trás. Sylvanas ficou sem fala. Embora esperasse contemplar a chegada
de Arthas e seu exército sinistro, que era um conjunto bastante assustadora em si,
composto por centenas de abominações mortas-vivas, monstruosidades como
morcegos voadores e grotescos aracnídeos avançando com determinação
implacável, não esperava ver o que eles estavam deixando para trás.Como se
fosse a trilha deixada por uma lesma ou um sulco aberto por um arado, a terra que
os pés dos mortos-vivos tocavam se tornou escura e estéril. Ainda pior; Sylvanas
lembrou que quando os orcs queimavam as florestas, ela sempre soube que,
depois de um tempo, elas acabariam se recuperando. Mas aquilo era como uma
cicatriz horrível que trazia a morte; Era como se as energias antinaturais que eram
usadas para levantar esses cadáveres estivesse matando a terra pela qual eles se
arrastavam desajeitadamente. Aqueles monstros eram venenosos para a terra.
Havia uma magia negra do pior tipo que você poderia imaginar.Uma magia que
deveria ser neutralizada.Ela parou por apenas um momento, embora parecesse
estar paralisada por uma etemidade.-Parem! Gritou com força, clareza e grande
determinação.- Nós vamos lutar aqui mesmo.
Suas tropas ficaram desconcertadas, mas depois de alguns segundos entenderam o que sua líder
estava fazendo. Com grande rapidez, a general deu as instruções pertinentes, que foram
imediatamente obedecidas. Embora muitos deles permanecessem em silêncio, chocados ao ver pela
primeira vez a ferida terrível que se abria sobre a terra e que tanto horrorizara sua general, logo
recuperaram a compostura. Haveria tempo para pensar em como purificar a terra contaminada. Por
agora eles tinham que evitar que a cicatriz assustadora se espalhasse ainda mais. Embora aquele fedor
anunciasse a chegada do exército do inimigo, Sylvanas e seus guardas já haviam se familiarizado
com ele, para seu espanto. Não os incomodava mais como antes. A general permaneceu na ponte,
com a cabeça erguida e o capuz preto puxado para trás de modo a mostrar parte de seu cabelo
dourado. As hostes de mortos-vivos abrandaram o ritmo, perplexos com a nova situação. Os
horrendos carros e as terríveis catapultas também pararam com um estrondo. O cavalo esquelético de
Arthas ergueu-se, forçando o príncipe a curvar-se para acariciar seu pescoço ósseo como se fosse um
animal vivo, a fim de acalmá-lo. Sylvanas sentiu a náusea invadi-la quando o monstro respondeu ao
gesto de seu mestre; um ato de ternura que violou todas as leis da natureza.
"Pelo céu", Arthas exclamou de maneira graciosa, pronunciando a palavra
quase carinhosamente. Essa ponte não pode ser uma daquelas
imponentes portas dos elfos de que eu já ouvi falar tanto. Sylvanas
forçou-se a sorrir e respondeu:-Não, não é. Mesmo assim, garanto-lhe
que passar por isso será um desafio para você."Então é uma mera ponte,
minha senhora?" Bem, deve-se ter sempre em mente que os elfos são
capazes de colocar uma juba de papel em um gato e, em seguida, afirmar
que ele é um leão. A general observou o exército ímpio por um momento,
enquanto a raiva rompeu o gesto de complacência forçada que dominava
seu rosto.-Conseguiu passar pelo primeiro portal, assassino, porém não
vai passar pelo segundo. A porta intera para Lua de Prata só pode ser
aberta com uma chave especial a qual nunca colocara suas mãos
nojentas!
Então Sylvanas acenou para seus companheiros, que cruzaram a ponte
para se juntar a seus companheiros do outro lado.
O bom humor deixou Arthas e seus olhos palidos brilharam. Uma mão
enluvada ficou tensa na Lamina Rúnica, as inscrições pareciam
tremer.-Perde seu tempo, mulher. Não pode evitar o inevitável. Embora
eu deva admitir que gosto de ver você ir daqui para lá sem saber o que
fazer. Sylvanas deu uma risada irritada e satisfeita que veio de sua alma.-
Você acha que eu fujo de você? Aparentemente, você nunca havia lutado
antes com elfos, certo?Na vida há algumas coisas deliciosamente simples,
disse a general. Naquele momento, Sylvanas levantou a mão e lançou um
dispositivo incendiário que, embora não fosse de natureza mágica, era
muito prático; Então se virou, correu e a ponte explodiu. As árvores os
receberam e se arquearam sobre eles, com seus tons dourados e
prateados, para escondê-los do inimigo. Antes de ir longe demais, ela
ouviu algo que a fez sorrir de orelha a orelha.
-Esse general está começando a me irritar.
Sim, vou deixá-lo irritado. Vou te incomodar como um pardal faz com um
falcão. Elrendar divide a Floresta da Canção Eterna em duas; Vai ser difícil
para você encontrar uma maneira de atravessá-lo com essas máquinas de
guerra, Sylvanas pensou. Sabia que isso só o atrasaria, nada mais. Mas se
conseguissem atrasar o tempo suficiente, talvez pudessem enviar uma
mensagem.Preocupação voou como um pássaro em sua mente. Arthas
havia dado a impressão de estar absolutamente convencido de que seria
capaz de neutralizar a magia que protegia os portões dos elfos. Ele já
havia demonstrado certo conhecimento a esse respeito por ter destruído
a primeira porta. Claro, a primeira não foi protegida com a mesma magia
que a segunda. Pelo que ela vira, a arrogância era algo inato nele, mas
havia alguma chance de que ele esmagasse as portas? A dúvida que a
estava atormentando e fazendo com que ela acrescentasse um aviso final
à mensagem que Tel'kor iria entregar aos magos foi agitou novamente em
seu coração.
Por acaso Arthas sabia tudo sobre a Chave?

CAPÍTULO
DEZENOVE

O traidor, um bruxo chamado Dar'Khan Drathir, deveria ter-lhes facilitado


muito as coisas. E até certo ponto assim foi não havia duvida. Se não, Arthas
não haveria conhecido jamais a existência da chave das Tres Luas: um objeto
mágico que havia sido separado em três cristais lunares escondidos em
certos lugares ocultos fortemente guardados por toda Quel'Thalas. Segundo
o que lhe havia contado aquele elfo traiçoeiro (que se sentia feliz de ter traído
dessa maneira a seu povo), cada templo fora construído sobre uma
interseção de Linhas de Ley, de um modo similar a Fonte do Sol. As linhas
Ley eram como os vasos sanguíneos da terra, que transportavam magia em
vez de um fluido escarlate. Ao estar interconectados desta forma, os cristais
criavam campo de energia chamado Ban'dinoriel: o Guardião da Porta. A
única coisa que ele devia fazer era localizar esses locais em An'telas,
An'daroth y An'owyn, matar os guardas e encontrar os cristais lunares. Porém
aqueles elfos haviam se mostrado mais resistentes do que esperado e eram um
verdadeiro desafio.
Naquele momento, Arthas estava montado em Invincivel, acariciando
indolentemente a Lamento Gélido, enquanto ponderava como essa raça
aparentemente frágil era capaz de resistir ao ataque de seu exército.
Porque as forças do príncipe já eram um autêntico exército composto de
muitas centenas de soldados, todos mortos e, portanto, mais difíceis de
matar sistematicamente.
O estratagema inteligente da general da Guarda Florestal, consistindo
em lançar a ponte pelos ares, fez com que Arthas perdesse um tempo
precioso, já que o rio atravessava Quel'Thalas até chegar a leste com uma
série de encostas de montanhas, que davam o mesmo problema para mover
suas máquinas de guerra que o rio.

Embora demorassem muito tempo, eles finalmente conseguiram


atravessá-lo. Enquanto ele estava meditando para encontrar uma solução, algo
estava mexendo em um canto remoto de sua mente; Era uma sensação de
formigamento cuja natureza ele era incapaz de especificar. Irritado, ele ignorou
aquele sentimento estranho e ordenou que vários de seus devotados e leais
soldados construíssem uma ponte; uma ponte composta de carne podre.
Dezenas deles entraram no rio e simplesmente ficaram ali, formando uma
camada de cadáveres que se sobrepunham ao anterior, até que houvesse o
suficiente para que os carros e as catapultas passassem por ele. Alguns dos
mortos-vivos não eram mais úteis depois disso, uma vez que seus corpos
tinham acabado muito quebrados para manter a coesão de suas várias partes.
Para esses Arthas, os libertou de seu controle de uma forma quase
misericordiosa, concedendo-lhes uma morte real. Além disso, seus corpos
corromperiam a pureza do rio. Outra maneira de reduzir o inimigo.
O príncipe pode cruzar o río com grande facilidade. Invencivel pulou na
água sem hesitação, o que lembrou Arthas o salto fatal que o cavalo deu
antigamente no meio do inverno, quando ele escorregou nas rochas geladas
para impulsionar-se, para obedecer cegamente a vontade de seu mestre, assim
como agora.
Essa lembrança chegou à sua memória inesperadamente, de modo que
por um momento ele foi incapaz de respirar por ser dominado pela dor e
culpa.A memória desapareceu tão facilmente quanto surgira. Agora tudo era
melhor. Ele não era mais uma criança com problemas emocionais, dilacerado
pela culpa e pela vergonha, soluçando na neve enquanto erguia a espada para
perfurar o coração de seu amigo leal. Nem Invincivel era um ser vivo normal,
de modo que uma espada não o machucaria mais. Agora ambos eram mais
poderosos, mais fortes. Invincivel viveria eternamente, a serviço de seu
mestre, como sempre fizera. Ele não sofreria novamente de sede, nem dor,
nem fome, nem de exaustão. E ele, Arthas, conseguiria tudo o que quisesse
assim que quisesse. Ele não precisava mais suportar os silêncios carregados de
desaprovação de seu pai, e nem mais reprimendas do autoritário Uther. Nem
teria que suportar os olhares cheios de duvida de Jaina, franzindo a testa
naquele gesto tão típico de Jaina. Arthas sacudiu a cabeça de um lado para o
outro com força. Jaina teve a oportunidade de se juntar a ele, mas ela rejeitou
sua oferta. Ela o havia negado, apesar de jurar que nunca faria uma coisa
dessas. Não devia nada aquela mulher. Agora ele só respondia ao Rei Lich.
Esses pensamentos acalmaram o príncipe, que sorriu e deu um tapinha nas
vértebras salientes daquela besta morta-viva, que sacudiu a cabeça ossuda em
resposta. Não havia dúvida de que a bela e tenaz general da Guarda Florestal
era a causa da perturbação, o que o levara a questionar, mesmo que por um
momento, se era prudente seguir esse caminho. Ela também teve sua chance.
Arthas tinha ido lá com um propósito, que não era destruir Quel'Thalas e seus
habitantes. Se eles não tivessem mostrado resistência, os teria deixado em paz.
Mas fora a língua afiada e a atitude desafiadora daquela general que trouxera
perdição a seu povo, não ele.A água penetrava pelas juntas da armadura, de
modo que as calças, a camisa e a algibeira que estavam sob a proteção de
metal estavam encharcadas. No entanto, Arthas não sentiu nada. Um
momento depois, Invincivel apareceu na margem oposta. Finalmente, os
últimos carros de despojos sacudiram ao longo da margem do rio, e os
cadáveres que ainda estavam em boas condições tropeçaram até a costa. O
resto estava no lugar onde haviam caído, com as águas até então cristalinas
fluindo sobre e ao redor deles."Em frente", disse o cavaleiro da morte.
Os guardas haviam recuado para a aldeia Brisa Pura. Assim que se
recuperassem da comoção, os habitantes locais fizeram de tudo ao seu alcance
para ajudá-los, desde cuidar dos feridos até oferecer-lhes as armas que tinham
disponíveis, bem como sua colaboração na batalha. Sylvanas ordenou que
aqueles que não pudessem lutar fossem a Luaprata o mais rápido
possível."Não levem nada", aconselhou, quando uma mulher assentiu e subiu
a escada correndo para o andar de cima.-Mas nos andares de cima...Sylvanas
virou-se e lançou-lhe um olhar furioso.
- Você não entende? Os mortos estão chegando! Não se cansam, não
diminuem a velocidade e nossos caídos aumentam suas fileiras! Nós os
atrasaremos um pouco. Leve sua família e saia!Enquanto a resposta da
General da Guarda Florestal pareceu surpreender a mulher obedeceu e
acabou de perder alguns segundos para reunir toda a família antes de
iniciar o caminho para a capital, impetuosamente.Eles não conseguiram
impedir Arthas por muito tempo. Sylvanas avaliou a condição dos
feridos com um olhar fugaz. Eles não podiam ficar lá. Eles tinham que
ser evacuados para Luaprata. Aqueles que ainda eram fortes como um
carvalho, apesar de serem poucos, teriam que ficar ombro a ombro.
Talvez devessem sacrificar tudo, desde que haviam jurado defender seu
povo, assim como ela. O momento da verdade havia chegado.Entre
Elrendar e Luaprata havia uma torre. Como tinha certeza de que Arthas
daria um jeito de atravessar o rio e continuar avançando e manchando
aquela terra com a cicatriz de cor roxo e negro, ela pensou que a torre
seria um bom lugar para se intrincheirar. As estradas de acesso eram
muito estreitas, o que impedia que os mortos-vivos caíssem sobre eles
em grande número (uma estratégia que provocou o desastre entre os
elfos); Além disso, o edifício consistia em vários andares com vista para
o exterior, de onde a general e seus arqueiros podiam infligir muito
dano antes...
Sylvanas Corre Ventos, General Guarda Florestal de Luaprata, respirou
fundo e se acalmou, jogou água no rosto, então, sentiu-se aquecida,
tomou um gole do líquido reconfortante e subiu para preparar os
homens que permaneceram ileso e os feridos que poderiam andar, para
o que, sem dúvida, seria a batalha final.
Eles chegaram no tempo exato.
Enquanto os guardas marchavam em direção à torre que era para ser sua
fortaleza, o ar, pouco antes doce e fresco, foi contaminado pelo mau
cheiro de putrefação. Lá em cima, arqueiros montados em seus
falcodracos franziam o firmamento. Aquelas enormes criaturas
douradas e escarlates agitaram suas cabeças serpentinas e puxaram as
rédeas, descontentes. Eles também cheiraram a morte e isso os
perturbou. Nunca essas belas feras foram forçadas a prestar um serviço
tão aterrador. Um dos cavaleiros sinalizou para Sylvanas e ela
respondeu com outro."Eles acabaram de avistar os mortos-vivos",
relatou calmamente para as tropas, que assentiram. Ocupem suas
posições. Depressa.
Eles obedeceram como uma máquina gnoma bem lubrificada. Os
cavaleiros dos falcodracos partiram para o sul, na direção do inimigo
que se aproximava. Uma unidade de arqueiros e guerreiros especialistas
em combates corpo-a-corpo também avançou apressadamente em busca
do exército rival, formando assim a primeira linha defensiva. O resto
estava espalhado na base daquela estrutura.Eles não precisaram esperar
muito.Se eles abrigassem qualquer vaga esperança de que as fileiras do
inimigo tivessem diminuído por causa do atraso, ela se quebrou como
um delicado cristal caindo sobre um chão de pedra. Ela podia ver a
assustadora vanguarda daquele exército: mortos-vivos decadentes,
seguidos por esqueletos e abominações gigantescas que carregavam
armas enormes em cada um dos seus três braços. Acima deles voavam
criaturas que pareciam feitas de pedra, circulando como abutres.
Eles estão passando por nossas linhas,... o que essas coisas tem em sua
mente, pensou Sylvanas com um toque de humor macabro. Agora que,
sem qualquer dúvida, a hora de sua morte se aproximava, uma velha
canção continuava girando em sua cabeça; que ela e seus irmãos
gostavam de cantar, quando a perfeição reinava sobre o mundo e eles
estavam todos juntos: Alleria, Vereesa e seu irmão mais novo, Lirath,
no crepúsculo, quando um leve tons de lavanda espalhava suas camadas
discretas e doces e o cheiro do oceano e das flores inundava essas terras.
Anar'alah, anar'alah belore, shinfuƒallah na, luz Pela, cascas de luz do
sol, altos elfos, nossos Inimigos atravessam nossas linhas.No começo,
fez inconscientemente: sua mão foi sozinha para pegar o colar que
adornava seu pescoço esbelto. Foi um presente de sua irmã mais velha,
Alleria; no entanto, Alleria não lhe dera, a não ser um de seus tenentes
em seu nome, chamada Verana. Alleria tinha desaparecido através do
Portal Negro quando tentaram impedir a Horda de cometer atrocidades
em Azeroth, assim como em outros mundos.Ela nunca voltou. Alleria
fundira um colar que seus pais lhe deram, e com cada pedra preciosa
dele, ela fez um colar para cada uma das irmãs Corre Ventos. a de
Sylvanas era uma safira. A inscrição da memória era conhecida: para
Sylvanas. Eu sempre vou te amar, Alleria.A general esperou, pegando o
colar, sentindo o vínculo que sempre lhe proporcionara com sua irmã
morta; Logo depois, pouco a pouco, ela afastou a mão. Então ele
respirou fundo e gritou:
—Atacar! Por Quel'Thalas!
Não havia maneira de deter-los. Na verdade, não esperava fazer-lo. Das
expressões que viu nos rostos ensanguentados e sombrios que a rodeavam,
percebeu que os guardas o sabiam tão bem quanto ela. O suor encharcava
seu rosto. Seus músculos agiam de fadiga, mas, ainda assim,Sylvanas Corre
Ventos lutou. Ele disparou suas flechas, enrijecendo e soltando a corda de
seu arco de novo e de novo, a tal velocidade que suas mãos eram um borrão
para os olhos. Quando aquele enxame de cadáveres chegou tão perto que as
flechas eram inúteis, ela se livrou do arco e pegou a espada curta e a adaga.
Ela se virou e atacou, soltando gritos incoerentes enquanto lutava.Outro
caiu e sua cabeça deixou sua posição em seus ombros para abrir como um
melão depois de ser pisoteado por um dos seus. Mais duas monstruosidades
atacaram-na para tomar seu lugar, mas Sylvanas ainda estava lutando como
um daqueles linces selvagens que moravam na Floresta da Canção Eterna,
canalizando sua dor e sua fúria através da violência. Ela mataria todos que
pudesse antes que caísse.Eles estão passando por nossas linhas.O inimigo,
longe de afrouxar a pressão, aproximou-se e a pestilência da decomposição
quase a subjugou. Eles eram muitos. Mesmo assim, Sylvanas não desistiu
de seu esforço. Ela lutaria até que as forças o deixassem, até que... Os
cadáveres pararam de repente de pressionar. Eles se afastaram e
permaneceram imóveis. Sylvanas, ofegante, olhou para baixo para
contemplara colina.Lá estava ele, esperando na parte de trás de seu corcel
morto-vivo. O vento se mexia com o cabelo branco quando ele não desviou
o olhar dela. Aquele homem tinha sido um paladino. Sua irmã havia se
apaixonado por um deles. Sylvanas estava muito feliz que Alleria estivesse
morta, então ela não podia ver isso, então ela não podia ver o que um
ex-paladino da Luz estava fazendo com tudo que as Corre Ventos amavam e
queriam .Arthas ergueu a lamina brilhante como um gesto formal.-Eu
parabenizo pela sua coragem, elfa, mas a batalha acabou.Estranhamente,
isso soou como um elogio. Sylvana engoliu em seco, embora sua boca
estivesse mais seca do que a areia do deserto. Ela agarrou suas armas ainda
mais vigorosamente e desafiou:-Então vou lutar minha última batalha aqui,
assassino. Anar'alah belore. Os lábios cinzentos do príncipe se contraíram.-
Como quiser, general da Guarda Florestal.Ele nem se incomodou em
desmontar. O corcel esquelético relinchou e galopou diretamente para ela.
Arthas segurava as rédeas com a mão esquerda e, com a mão direita,
segurava a arma colossal. Sylvanas soluçou uma vez. Nem um único grito
de medo ou arrependimento saiu de seus lábios. Apenas um soluço curto e
dissonante, cheio de raiva e impotência, de ódio, de pura tristeza por não
conseguir deter o exército, mesmo tendo dado tudo, até a vida.
Alleria, irmã, lá vou eu.
Ela encontrou-se cara a cara com aquela lâmina mortal, que aparou com
suas armas, que foram quebradas quando atingiram a espada do príncipe.
Então a Lamina Runica a trespassou. Estava tão frio que parecia que era
feita de gelo.
Arthas se inclinou para ela, nunca tirando o olhar da general. Sylvanas
tossiu e gotículas de sangue espirraram no rosto do príncipe, pálido como
osso. Era algo de sua imaginação, ou ela teve um vislumbre de
arrependimento em seus traços ainda bonitos?Arthas puxou a arma de volta
e Sylvanas caiu, sangrando. A general estremeceu no chão de pedra gelada;
esse movimento causou uma dor agonizante que a percorreu de cima para
baixo. Uma de suas mãos foi estupidamente ao ferimento aberto em seu
abdômen, como se com ele pudesse fechá-lo e parar esse
sangramento."Acabe com isso", sussurrou Sylvanas. -Eu mereci... uma
morte rápida e limpa.
A voz do príncipe flutuou para ela de algum lugar distante enquanto
seus olhos se fechavam.-Depois de todos os problemas que me causou, a
última coisa que pretendo fazer é garantir-lhe a paz eterna que traz a morte,
mulher.O medo tomou-a por um momento, mas depois desapareceu como
todo o resto. Arthas iria trazê-la de volta dos mortos como um de seus
monstros desajeitados?"Não", a general murmurou, em uma voz que
parecia vir muito, muito longe. Você não ousará...
Então o mundo desapareceu. Tudo desapareceu. O frio, o mau cheiro e
a dor insuportável. Ela estava em um lugar quente e acolhedor, escuro e
reconfortante. Sylvanas deixou-se afundar na escuridão que era bem-vinda.
Finalmente poderia descansar; Ela poderia finalmente se livrar daquelas
armas que levara por tanto tempo para proteger seu povo.E então... sentiu
uma agonia terrível, como nunca havia experimentado antes, e,
imediatamente, Sylvanas sabia que qualquer dor física que já sofrera não
poderia ser comparada àquele tormento. Foi uma agonia de espírito,
provocada porque sua alma deixou seu corpo sem vida para ser preso em
uma prisão. Porque eles a puxaram para fora, eles a separaram, eles a
separaram daquele santuário aconchegante onde o silêncio e a quietude
reinavam. A violência do ato aumentou o extraordinário tormento. Sylvana
sentiu um grito se formando, percorrendo os recessos mais profundos de
seu eu interior até chegar aos lábios que de alguma forma sabiam que lhes
faltava substância corpórea; Foi um gemido de profundo e penetrante
sofrimento que não foi só dela, que congelou o sangue e deteve os
corações.A escuridão desapareceu de sua vista, mas as cores não
retornaram. Embora ela não precisasse de vermelhos, nem azuis, nem
amarelos para ver seu atormentador, ele era cinza, preto e branco em um
mundo sem cores. A Lamina Runica que tirou sua vida e consumiu sua
alma brilhou e reluziu; A mão livre de Arthas se levantava fazendo um
gesto para afastá-la do caloroso abraço da morte.
—Agora é uma banshee—lhe disse o príncipe—, porque assim eu
decidi. Agora pode expresar sua dor com sua voz, Sylvanas. Te concedo
esse dom. É muito mais do que dei a outros. Ao fazer isso, você causará dor
aos outros. Deste modo, da inimiga que você foi, até recentemente, um
aborrecimento, você se torna minha serva.Aterrorizada além da imaginação,
Sylvanas pairou sobre seu corpo mutilado e coberto de sangue, ainda
contemplando seus próprios olhos; Depois voltou a colar seu o olhar em
Arthas."Não", respondeu, sua voz abafada e estranha, embora reconhecível
como a sua. Eu nunca serei sua serva, assassino.Então o príncipe fez um gesto
insignificante, quase imperceptivelmente movendo um dedo enluvado e, logo
depois, Sylvanas arqueou as costas, tomada por uma agonia terrível e outro
grito surgiu de si; Naquele instante, percebeu, com uma profunda e terrível
sensação de pesar, que estava totalmente desamparada diante dele. Ela tinha
se tornado uma ferramenta para ele, como os corpos e abominações
decompostos lívidos e fedorentos."Seus guardas também são meus servos
agora", disse Arthas. Eles são meu exército.O cavaleiro da morte hesitou e um
certo tom de arrependimento pareceu tingir sua voz quando disse:Isso não
precisa ter acontecido. Eu quero que você saiba que o seu destino, seus
homens e seu povo foram marcados pelas decisões que você fez. Bem, eu
tenho que ir para a Fonte do Sol, e você vai me ajudar a alcançá-la.O ódio
cresceu dentro da forma desencarnada de Sylvanas como um ser vivo. Ela
flutuou ao lado de Arthas, era seu novo brinquedo. Eles pegaram seu corpo e o
jogaram em uma das carruagens de carne por algum propósito maligno que o
príncipe concebesse. Como se houvesse uma corrente que a prendesse, ela
nunca se afastou mais do que alguns metros do cavaleiro da morte.Então ela
começou a ouvir os sussurros. Sylvanas se perguntou se ela havia perdido sua
sanidade naquela nova encarnação repugnante. Embora tenha ficado claro que
até mesmo o refúgio da demência lhe foi negado. A voz que habitava sua
mente era ininteligível a princípio; Além disso, seu estado de desespero era tal
que não queria ouvir ninguém. Ela logo soube a quem ele pertencia. Arthas
olhou de soslaio enquanto continuava sua marcha inexorável para Luaprata e
oque estava além, observando-a atentamente.
En cierto momento, a medida que o exército do qual fazia parte por
obrigação avancava, destruindo as terras atrás de, a escutou com mais
claridade. Você me servira para que eu alcance a glória, Sylvanas. Você vai
trabalhar duro pelo bem dos mortos. Você desejará obedecer. Arthas é o
primeiro e o mais amado dos meus cavaleiros da morte; Ele será seu mestre por
toda a eternidade, e sua submissão a ele lhe trará grande alegria.
Arthas sentiu como Sylvanas estremecia e sorriu.Se ela pensou que o
desprezava quando o viu pela primeira vez às portas de Quel'Thalas, quando a
terra maravilhosa que estava atrás deles era imaculada e pura, e ainda não tinha
experimentado seu contato mortal; Se pensou que o odiava, enquanto seus
servos assassinaram seu povo e trouxeram-os de volta dos mortos para
transformá-los em bonecos sem mente, e quando ele a empalou com um único
golpe brutal com a Lamina Runica... isso não foi nada em comparação com o
ódio que sentia agora. Era como comparar uma vela ao sol, um sussurro com o
grito de uma banshee. Nunca, respondeu à voz que aninhava em sua mente.
Arthas será capaz de direcionar minhas ações, mas nunca submeterá minha
vontade.Ela teve uma risada fria e vazia por uma resposta.O exército continuou
seu avanço, deixando para trás a aldeia Brisa Pura e a Taberna do Oeste. Eles
pararam nas portas de Luaprata. A voz de Arthas não deveria ter sido ouvida em
todos os cantos da cidade, mas Sylvanas sabia que tinha acontecido assim,
porque foi em frente aos portões da mesma.

- Cidadãos de Luaprata ! Eu lhe dei várias oportunidades para se render e


vocês rejeitaram-as obstinadamente. Vocês devem saber que hoje, sua
raça, assim como seu legado, pereceram! A própria morte veio reivindicar
a casa dos altos elfos!
Ele exibiu ao seu povo a general da Guarda Florestal Sylvanas Corre
Ventos, como um exemplo do que aconteceria a eles se não se
rendessem. Eles não o fizeram, e ela os amava mais do que nunca por
isso, mesmo que ela fosse forçada a servir seu mestre sombrio.Desta
forma, a cidade brilhante e bela da magia caiu; sua glória foi destruída e
reduzida a escombros à medida que o exército de mortos-vivos (a Praga,
então ela ouvira como a chamara Arthas, com um certo carinho distorcido
em sua voz) avançava. Como ele havia feito em outras ocasiões, o príncipe
fez os caídos se levantarem para servi-lo. Se Sylvana ainda possuísse um
coração, teria sido quebrado quando ela viu tantos amigos e entes
queridos caminhando desajeitadamente ao lado dela, obedientes e
desprovidos de mente. Eles atravessaram a cidade, dividida em dois com
aquela cicatriz vil escura e roxa, enquanto seus cidadãos morriam e
voltavam aos seus pés com um puxão com crânios quebrado, ou deixando
um rastro de vísceras atrás deles enquanto se moviam aos trancos e
barrancos .Ela esperava que o canal entre Luaprata e Quel'Danas fosse
uma barreira intransponível, e por um momento essa esperança pareceu
se tornar realidade. Arthas puxou as rédeas e parou o cavalo, olhou para
as águas azuis cintilando ao sol e franziu a testa. Por um momento, ele
sentou em seu cavalo sobrenatural, suas sobrancelhas brancas se uniram
para formar uma.
-"Você não pode encher esse canal do cadáver, Arthas", Sylvanas exultou.
Nem mesmo se você usar todos os habitantes da cidade para isso. Você não
pode avançar mais, como estou contente com o seu fracasso.Então a
criatura que tinha sido uma vez humana, que uma vez tinha sido claramente
um homem, se virou e sorriu diante destas palavras desafiadoras e
devastadoras, provocando em Sylvanas agonia e aforçando a proferir de
seus lábios desencarnados outro grito capaz de rasgar uma alma.
Encontrara a solução.Ele lançou Lamento Gélido na orla e observou,
quase extasiado, ela girar no ar até pousar com a ponta presa na
areia.
—A Lamento Gelido fala...
Sylvanas também ouviu a voz do Rei Lich emanar daquela arma ímpia,
enquanto, antes de seu olhar desconcertado, a água tocando a lamina cheia de
runas era transformada em gelo. Um gelo que suas armas e seus guerreiros
poderiam atravessar.Ele havia tirado sua vida, suas amados Quel'Thalas e
Luaprata e depois seu rei antes da blasfêmia final.Os elfos resistiram em
Quel'Danas com tudo o que tinham. Quando Anasterian apareceu diante de
Arthas, sua magia ardente causou o caos na ponte congelada do cavaleiro da
morte, mas o príncipe se recuperou. Ele franziu a testa, seus olhos brilharam,
moveu a espada e deu um golpe no rei elfo.Embora Sylvanas quisesse
desesperadamente que Anasterian derrotasse Arthas, ela sabia que isso era
impossível. O peso de três milênios caia sobre seus ombros; Uma cor branca
em seu cabelo que chegava quase aos pés devia-se à idade, não a mágica. Em
seu tempo, ele tinha sido um grande guerreiro e ainda era um mago poderoso;
No entanto, diante da nova visão espectral de Sylvanas, ele foi envolvido por
uma fragilidade que ela nunca sentiu quando ainda estava entre os vivos.
Mesmo assim, o rei resistiu com sua antiga arma, Felo'melorn, "Fúria das
Chamas", em uma das mãos uma varinha com um cristal brilhante na outra.
Arthas atacou, mas Anasterian não estava mais na frente do corcel que o
atacava. De alguma forma, mais rápido que Sylvanas, ele estava ajoelhado e
Felo'melorn realizou um arco paralela ao chão, seccionando as pernas da
frente do cavalo. O cavalo gritou e caiu, e seu cavaleiro com ele.-Invencível!
Exclamou Arthas, que parecia desolado quando viu aquele cavalo morto-vivo
rolando e como ele estava tentando se levantar, embora estivesse com duas
patas faltando.Parecia a Sylvanas um grito de batalha um tanto estranho,
levando em conta que Anasterian tinha acabado de aproveitar. O príncipe
virou a cabeça e fixou o rei elfo com um olhar cheio de raiva e dor. O cavaleiro
da morte agora parecia quase humano; um homem da raça humana que
acabara de ver como alguém que amava sofria grande tormento. Arthas ficou
sem jeito e olhou para o cavalo, e por um momento de euforia Sylvanas
acreditou que talvez, só talvez...
A arma Vistosa do velho elfo não era páreo para aquela Lamina Runica, como
Sylvanas suspeitava. Quando ambas as laminas se cruzaram, a mais fraca
quebrou e girou no ar descontroladamente quando Anasterian caiu, quando foi
perfurado e consumido pela reluzente Lamento Gélido, como muitos outros.O
rei jazia no gelo, inerte, com o sangue se acumulando sob seu corpo e o cabelo
se estendendo como uma mortalha; Enquanto isso, Arthas correu para o
cavalo morto-vivo para curar suas pernas mutiladas. Depois de curá-lo, ele
acariciou seus ossos e o corcel respondeu pulando e acariciando seu mestre
com o nariz. Embora Sylvanas soubesse que podia fazer mal àqueles que ainda
amava, não podia suportar tanta dor e angústia, tanto ódio infinito por Arthas e
tudo o que ele fizera. Ela jogou a cabeça para trás, esticou os braços enquanto
abria a boca, e um grito, lindo e assustador ao mesmo tempo, foi arrancado de
sua garganta sem corpo.Ela havia gritado antes, enquanto Arthas a torturava.
Mas ali era apenas sua dor, seu desespero. Agora era muito mais. Ela sofreu
um tormento, uma agonia, sim, mas foi mais do que isso: era um ódio tão
profundo que era quase puro. Ela ouviu outros gritos de dor que acrescentaram
ao seu; ela viu vários elfos caírem de joelhos, cobrindo as orelhas que
sangraram. Suas vozes silenciaram e seus feitiços ficaram paralisados,
cessaram de proferir palavras mágicas e prosseguiram proferindo gritos
incoerentes tingidos de profundo pesar e terrível dor. Alguns deles caíram,
suas armaduras quebraram e seus ossos quebraram sob a pele. Arthas parou
para contemplá-la por um momento e suas sobrancelhas brancas se juntaram,
formando um gesto de concentração: ele estava avaliando-a. Sylvanas queria
parar. Ela queria se calar, afogar aquele grito destrutivo que só servia para
preencher as extremidades do que ele odiava tão ferozmente. No final,
Sylvanas, banshee, exausta de tanto sofrimento, ficou em silêncio.
"Que arma incrível provou ser", Arthas murmurou.Poderia se tornar uma
espada de dois gumes. Eu vou ter que vigiar ela.O terrível exército continuou
avançando. Arthas chegou ao planalto. Uma vez lá, que assassinou aqueles
que guardavam a Fonte do Sol e forçaram Sylvanas a participar do massacre.
Então visitou a atrocidade final contra seu povo e se aproximou da gloriosa
piscina radiante que havia sido a base do poder dos Quel'dorei por milênios.
Alguém que Sylvanas reconheceu estava esperando por ele na Fonte do Sol:
Dar'Khan Drathir.Então foi ele quem traiu Quel'Thalas. Quem, mais do que
Arthas, tinha suas mãos tão bem tratadas, manchadas com o sangue de
milhares de elfos. A fúria se apoderou dela. Ela observou um brilho dourado
refletir nas feições de Arthas, adoçando-as e dando-lhes um falso calor. Então,
o príncipe despejou na água o conteúdo de uma urna primorosamente
trabalhada, e a luz mudou. Ela mexeu e tremeu, e no centro do redemoinho
formado por um clarão mágico corrompido....
...uma sombra...
Apesar de tudo o que vira naquele dia sinistro, apesar de sua
transformação, Sylvanas ficou perplexa ao ver o que emergia da poluída
Fonte del Sol, subindo e levantando os braços para o céu. Era um esqueleto
sorridente, com chifres, cujos olhos ardiam em chamas. Correntes
serpenteavam ao redor dele, e vestes roxas voaram quando ele se moveu.-
Eu renasci, assim como ele me prometeu! O Rei Lich me deu a vida eterna!
Tanta morte e destruição foram desencadeadas apenas por isso? Para
ressuscitar uma única entidade? Tanto abate, tanto tormento, tanto terror...
A indescritível e valiosa Fonte do Sol havia sido corrompida; uma cultura
que durou milhares de anos se extinguiu ... por isso?
Contemplou espantada aquele Lich que não cesava de rir, e a única
coisa que lhe proporcionou uma gota de alivio entre tanta dor foi ver morer
Dar'Khan, que havia tentado trair a seu amo da mesma forma que havía
traido seu povo, sob a Lâmia da Lamento Gélido, tal e como ela havia
morrido.

CAPÍTULO
VlNTE

A rthas sorriu quando o vento frio o arrepiou e acariciou seu rosto. Ele
estava feliz por estar de volta à parte mais fria daquele mundo. Não se
sentira à vontade na terra dos elfos, onde era sempre verão e a atmosfera
estava saturada de aromas de flores e plantas. Isso o lembrava de muito
dos jardins de Dalaran, onde ele havia compartilhado tantos momentos
com Jaina; as bocas de dragão da Fazenda Balnir. Ele preferiu que o vento
o purificasse e o frio silenciasse as lembranças. Elas não eram úteis para
ele, exceto enfraquecê-lo, e não havia lugar para fraqueza no coração de
Arthas Menethil, de qualquer forma.
Ia sob Invencivel, seu cavalo leal, como sempre. Teve um mal momento em
Quel'Thalas, quando aquele bastardo do rei Anasterian tinha atacado
covardemente seu corcel inocente em vez do cavaleiro, cortando as patas,
que lembrava muito a forma como Invencivel havia morrido antigamente, as
pernas destroçadas. Esse incidente tinha catapultou Arthas aqueles
momentos terríveis, havia sacudido as profundezas do seu ser,
desencadeando uma raiva fria que, no final, o ajudou a lutar contra
Anasterian. Diante dele e atrás dele, seu infatigável exército marchava pelo
desfiladeiro nevado sem que o frio lhe causasse um estrago. Em algum lugar
em suas fileiras assustadoras flutuava uma Banshee. Arthas decidira deixar
Sylvanas sozinha por enquanto. Ele estava mais interessado em Kel'Thuzad,
que deslizava ao seu lado de uma forma serena, se tal palavra poderia ser
aplicada para descrever um corpo sem vida. Ele era responsável por dirigir a
praga para esse lugar remoto e congelado, e Arthas não havia questionado
sua decisão até então. Mas a viagem estava ficando muito tediosa e ele
estava curioso. O príncipe notou como um sorriso tomou forma em seus
lábios.
-Bem, eu espero que você não esteja irritado por te matado no
passado - ele disse maliciosamente.
"Não seja tolo", respondeu o necromante morto-vivo. O Rei Lich
me contou como nosso encontro terminaria.Essa declaração
surpreendeu Arthas. "O Rei Lich sabia que eu estava indo te matar?
-perguntou ,franziu a testa e olhou para baixo para ver a espada
descansando em seu colo. Agora ela estava em silêncio, letárgica.
Nenhum sussurro vinha dela, nem suas runas vibraram com seu
poder."Claro", Kel'Thuzad respondeu com certa superioridade em sua
voz sepulcral. Ele escolheu você para ser seu campeão muito antes do
Flagelo se formar.
Arthas sentiu-se cada vez mais desconfortável. Ninguém lhe
perguntou se ele queria esse destino, nem sequer tinha sido avisado
sobre ele, mas ele teria aceitado se o conhecesse de antemão? Não.
Ele não gostava de ser manipulado, embora soubesse que, se quisesse
ser formidável, deveria ser temperado como qualquer outra arma. Ele
teve que se aproximar de seu destino passo a passo; caso contrário, o
teria rejeitado. Se não, ele ainda estaria com Jaina e Uther, e seu
pai-Se o Rei sabe tanto, como é possível que os senhores do horror o
controlem?
-Porque servem aquele que criou nosso mestre; eles são os
senhores da da Legião Flamejante.
Aquelas palavras fizeram um arrepio percorrer Arthas. A Legião
Flamejante.
Essas eram só duas palavras, mas transmitiam uma sensação de
poder de um certo modo intoxicante. Em seu colo, a Lamento Gélido
brilhou fugazmente."É um vasto exército demoníaco que consumiu
infinitos mundos além do nosso," Kel'Thuzad explicou numa voz quase
hipnótica, e Arthas fechou os olhos por um momento.Após as
pálpebras fechadas, uma sequência de cenas foi projetada em sua
mente enquanto o lich falava. Ele viu um céu vermelho sobre um
mundo vermelho. Uma onda de criaturas emergiu de uma cadeia de
colinas. Eles correram como cães de caça, mas não eram animais
normais; Eles tinham mandíbulas horríveis abarrotadas de dentes e
estranhos tentáculos saindo de seus ombros. Pedras atingiram o chão,
deixando para trás um rastro de fogo verde, que ganhou vida como
uma rocha animada que marchou sobre seus inimigos.«Agora vem
para incendiar este mundo. Nosso mestre foi criado para preparar o
caminho para sua chegada. Os senhores do horror foram enviados para
garantir que nosso mestre triunfasse.Então, a cena que Arthas viu em
sua mente mudou. Se encontrava diante de um portal com muito
ornamento e esculpido. Sabia que era o Portal Negro, mesmo que
nunca tivesse visto ele antes. Irradiava um fogo verde e uma hoste de
demônios se amontoava ao redor dele. Arthas sacudiu a cabeça e a
visão desapareceu.
-Então a praga de Lordaeron, o massacre das cidadelas de
Nortundria, o massacre dos elfos - todos tinham o único propósito de
preparar uma invasão demoníaca em larga escala?
-Sim Quando o tempo passar, você descobrirá que toda a nossa
história foi moldada pelo conflito vindouro. Arthas pensou sobre isso.
A Lamento Gélido estava despertando, sem dúvida, então ele tirou a
luva que cobria sua mão direita para acariciá-la. Estava frio como gelo,
estava tão fria que mesmo a mão do cavaleiro da morte, que tinha sido
temperada para essa necessidade, sofreu dor quando a tocou. Arthas
ouviu seus sussurros novamente e sorriu.-Mas há muito mais para
contar, não é? Ele perguntou a Kel'Thuzad, virando-se para observá-lo.
Você me disse uma vez que os senhores do horror eram os carcereiros
do nosso mestre. Explique para mim.
Como Kel'Thuzad ja não possuia nem pele nem carne, ele não
tinha um semblante que pudesse revelar seus pensamentos. No
entanto, Arthas deduziu, ligeiro encurvamento que havia adotado o
corpo morto vivo fez, que ele sentindo-se incomodado, no entanto,
falou.
-A primeira fase do plano do Rei Lich era criar a Praga, que iria
erradicar qualquer rival que pudesse oferecer resistência a chegada da
Legião.
-Como as Forças de Lordaeron e os Altos elfos - assinalou Arthas
enquanto assentia .
Mesmo então sentindo um ligeiro nó no estômago, apagou essa
sensação.-Exatamente A segunda fase consiste em invocar o lorde
demônio para iniciar a invasão- falou o lich, apontando um dedo
ossudo na direção em que seguiam. Perto daqui há um acampamento
de orcs que tem um portal demoníaco que ainda funciona. Eu tenho
que usar esse portal para conversar com o lorde demônio e receber
instruções. Arthas permaneceu em silêncio nas costas de Invencivel
por um momento. Sua mente retornou ao tempo em que ele havia
lutado contra os orcs com Uther, o Iluminado em Strahnbrad. Ele se
lembrava dos orcs que realizavam sacrifícios humanos para satisfazer
seus senhores demoníacos. Esse fato desagradou e assustou tanto ele
quanto Uther. Arthas ficou tão enfurecido que Uther teve que lhe dizer
que não deveria lutar enquanto guardava raiva em seu coração. "Se
permitirmos que nossas emoções alimentem a nossa sede de sangue,
nos tornaremos seres vis como orcs", tinha repreendido o
campeão.Bem, Uther estava morto e Arthas ainda estava matando
orcs, embora agora ele trabalhasse para os demônios. Naquele
momento ele sofreu um espasmo involuntário perto do olho.- O que
estamos esperando? Ele estalou, ao mesmo tempo obrigando
Invencível a galopar.

Os orcs lutaram bravamente, mas no final foi em vão, assim como todas
as tentativas de deter o Flagelo foram em vão. Arthas galopou para a frente
e Invencivel saltou habilmente sobre os corpos dos orcs caídos. O cavaleiro
da morte observou o portal por um longo tempo. Consistia em três lajes de
pedra, elegantes a sua maneira de serem esculpidas por uma raça tão
grosseira. No entanto, perto de lá estavam enormes ossos de animais que
brilhavam com uma cor vermelha fosca. Nos limites marcados pelas lajes
de pedra, uma energia verde girava preguiçosamente. Era uma porta para
outro mundo. Jaina teria ficado intrigada, embora a tivesse horrorizado
tanto que nunca teria satisfeito sua curiosidade. Essa era a sua maior
fraqueza.
Isso... que a fez quem ela era... "Eu lidei com essas feras", disse Arthas,
apertando as mãos. O portal demoníaco é seu, Lich.Aquele esqueleto
estremeceu de satisfação, flutuou até o portal e ergueu os braços
implorando. Escadas levavam à entrada; No entanto, Arthas notou que a
pessoa sem vida não subiu através delas, mas permaneceu diante delas como
um sinal de respeito, ou talvez por uma razão muito mais pragmática: não
sofrer danos. Arthas não se atreveu a dar um passo à frente e continuou a
observar tudo cuidadosamente nas costas de Invincivel. - Eu te invoco,
Archimonde! Seu humilde servo pede que você conceda uma audiência!A
névoa verde continuava girando. Em seguida, Arthas distinguiu uma
silhueta, características que pareciam ser diferentes dos senhores do horror
que ele conhecia.
O ser possuía o que Arthas supunha ser uma pele cinza azulada, embora ele
não pudesse dizer pela luz verde que a iluminava. O que não havia dúvida era
que o corpo do demônio irradiava poder; Ele tinha um torso musculoso,
braços enormes e fortes, e membros inferiores parecidos com os de um bode;
As pernas de Archimonde se curvaram para trás e terminaram em um par de
cascos em vez de pés. Sua cauda tremulava, revelando que talvez a sensação
de calma e controle da situação transmitida por Archimonde não fosse real.
Seus braços, ombros e pernas estavam cobertos por uma armadura dourada e
brilhante, ornamentada com crânios e espinhos. De seu queixo vinham
tentáculos gêmeos, longos e finos.
Mas a característica mais marcante de seu rosto comprido eram seus olhos,
uma cor verde atroz que resplandecia e era muito mais irresistível do que a
névoa verde que girava em torno dele. Mesmo que Archimonde não estivesse
lá, que não estivesse fisicamente neste mundo, Arthas sentiu-se esmagado pela
presença chocante do demonio."Você me chamou pelo meu nome e eu vim,
Lich insignificante", falou o demonio, com uma voz estrondosa que parecia
vibrar nos ossos de Arthas. -Você é Kel'Thuzad, certo?
Kel'Thuzad inclinou a cabeça coroada por um chifre. Arthas não deixou de
notar em que medida ele se humilhou.
-Sim, grande senhor. Eu sou o único encarregado de invocar você. Peço-lhe
que me explique como limpar o caminho para poder entrar neste mundo,
porque eu só existo para servi-lo, meu senhor.
-"Você deve encontrar um livro muito especial", respondeu o lorde
demônio. Então, seu olhar caiu sobre Arthas, ele examinou por um momento e
depois decidiu ignorá-lo. A fúria estava tomando mais e mais do cavaleiro da
morte.É o único livro de magias que resta de Medivh, O Ultimo Guardião.
Apenas seus encantamentos perdidos são poderosos o suficiente para me levar
a este mundo. Você deve ir para a cidade mortal de Dalaran, aonde ele se
encontra. Na hora do crepúsculo, dentro de três dias, você deve iniciar a
invocação.A imagem do demônio desapareceu e Arthas continuou a contemplar
o lugar onde estivera por muito tempo. Dalaran. O lugar onde a maior parte da
magia estava concentrada em toda Azeroth, com exceção de Quel'Thalas.
Dalaran. Onde Jaina Proudmore foi treinada. Onde ela provavelmente ainda
estaria. Ao pensar nela, sentiu uma pontada de dor passageira.-Dalaran é
defendida pelos magos mais poderosos de Azeroth-lhe indicou Kel'Thuzad com
parcimônia-. Nós não podemos surprende-los, estarão preparado para a nossa
chegada.-Como esteve Quel'Thalas? - indagou Kel'Thuzad e, imediatamente
depois, desatou a rir. Risos que soaram ocos. Pense na facilidade com que esse
exército os esmagou. A mesma coisa acontecerá novamente. Além disso,
lembre-se que eu era um membro do Kirin Tor e um amigo próximo do
Arquimago Antonidas. Dalaran era minha casa quando eu era apenas um
mortal. Eu conheço seus segredos, seus feitiços de proteção, as entradas que
eles nunca pensaram em proteger. Fico feliz em poder espalhar o terror entre
aqueles que tentaram impedir meu caminho e meu destino. Não tenha medo,
cavaleiro da morte. Nós não podemos falhar. Nada e ninguém pode deter o
Flagelo. Arthas detectou algum movimento com o canto do olho. Ele se virou e
olhou diante dele para o espírito que uma vez foi Sylvanas Corre Ventos
flutuando no ar. Era óbvio que ela ouvira toda a conversa e testemunhara como
reagira às novas ordens."Falar sobre Dalaran afeta você, príncipe Arthas", ela
retrucou maliciosamente."Cale-se, fantasma", ele murmurou em voz baixa.
Arthas relembrou, com muita relutância, a primeira vez que ele cruzou os
portões de Dalaran escoltando Jaina. Agora era impossível para ele conceber a
inocência com a qual havia vivido.- Existe alguém por quem você professa uma
grande estima? Você guarda alguma lembrança boa dessa pessoa?Aquela
banshee não cessou em seus esforços. Arthas cedeu ao impulso da raiva que
sentiu e levantou a mão; Instantaneamente, Sylvanas se contorceu de dor por
alguns segundos até que ele a soltou."Não mencione esse assunto novamente",
avisou. Vamos nos concentrar na tarefa em mãos. Sylvanas permaneceu em
silêncio. No entanto, em seu semblante lívido e espectral, um grande sorriso de
satisfação foi desenhado.
"Eu posso ajudar", disse Jaina, sua voz tão calma que a surpreendeu.
falava com Antonidas, seu professor e sua família, charmoso encantador e
maravilhosamente desorganizado,do qual não tirou um olhar intenso."Aprendi muito",
acrescentou a maga.O arquimago ainda olhava pela janela, com as mãos atrás das costas,
como se estivesse fazendo algo tão banal quanto ver os alunos praticarem."Não", o
professor respondeu calmamente. Você tem outras obrigações a fazer.Naquele instante
ele se virou para ela, e o coração de Jaina se encolheu ao ver o rosto de seu
mestre.-Deveres que tanto eu e Terenas, que a Luz tenha em sua glória ... evitamos. Por
se recusar a ouvir aquele estranho profeta, ele acabou sendo assassinado por seu próprio
filho, e seu reino não passa de uma pilha de ruínas povoadas pelos mortos.Nesse ponto,
Jaina ainda estava estremecendo ao ouvir sobre aqueles fatos funestos. Arthas...foi tão
difícil de acreditar. Ela o amava tanto e ainda o amava. Ela orou em silêncio
constantemente, sem que ninguém soubesse, para que seu amado estivesse sob uma
influência maligna que não podia resistir. Se não, se ele tivesse cometido essas
atrocidades por vontade própria...
Esse profeta também veio a mim e eu fui tão arrogante a ponto de supor que sabia
mais do que ele. Bem, querida, isso é o que aconteceu. Todos nós devemos viver ou
morrer, aceitando as conseqüências de nossas decisões - disse Antonidas com um sorriso
triste.Lágrimas saltaram nos olhos da maga, mas ela as segurou como pôde.-Permitir-me
ficar. Eu posso...
-Proteja aqueles que prometeu defender, Jaina Proudmoore", Antonidas
aconselhou-a com certa severidade em sua voz e semblante. Um mago a mais ou menos
... não fará diferença alguma. No entanto, outros dependem de você neste
momento."Antonidas ..." Sua voz falhou quando disse essa palavra.Não conseguiu mais se
conter e se lançou sobre ele para abraçá-lo. Nunca antes se atreveu a lhe dar um abraço,
já que ele sempre a intimidara tanto. Mas naquele momento ele parecia tão velho. Velho
e frágil, e o que é pior, resignado.
-Menina-disse-lhe ao seu mestre afetuosamente, dando palmas em suas costas e
esboçando um sorriso franco . Não, já não é uma menina. É uma mulher, uma líder.
Mesmo assim, é melhor que você vá.
Uma voz familiar, vinda de fora, parecia clara e forte. Jaina sentiu como
se tivesse recebido um golpe. Engasgou ao reconhecer com horror a quem
ela pertencia, e se afastou imediatamente de seu mentor.
—Magos do Kirin Tor! Sou Arthas, o primero dos cavaleiros da morte
do Rei Lich! Exijo que abram as entradas e se rendam ante o poder da Praga!
Cavaleiro da morte?, perguntou-se Jaina, ao mesmo tempo que se
virava estuperfata para Antonidas, que respondeu com um sorriso triste.
—Preferia que não soubesse... ao menos por agora—afirmou seu mestre.

O mundo da maga veio a baixo.


Arthas... estava...ali.
O arquimago se aproximou da sacada. Ele fez gestos leves com as mãos
enrugadas pela passagem do tempo, e sua voz viu seu volume aumentar ao
nível de Arthas."Muito bem, Príncipe Arthas", Antonidas cumprimentou-o
com um tom de reprovação. Como está seu nobre pai?Onde está? Na rua?
-Eu vou ve-lo se eu for para a varanda onde se encontrar Antonidas ?, pensou
Jaina."Lorde Antonidas", respondeu Arthas, "você não precisa ser sarcástico.
Jaina virou a cabeça e enxugou as lágrimas. Ela tentou falar, mas as palavras
pareciam se recusar a sair de sua boca."Estávamos esperando a sua chegada,
Arthas", disse Antonidas, permanecendo calmo. Meus irmãos e eu criamos
auras que destruirão os mortos-vivos que passam por elas.
-"Sua magia patética não vai me impedir, Antonidas. Eu não sei se você já
ouviu falar sobre o que aconteceu em Quel'Thalas. Aqueles elfos também se
consideravam invulneráveis. Quel'Thalas. Só de pensar nisso, Jaina achou que
ia vomitar. Estava em Dalaran quando a notícia se espalhou sobre o que
aconteceu naquele lugar graças a um punhado de sobreviventes que
conseguiram escapar. Kael'thas, o príncipe Quel'dorei, também estava lá. A
maga nunca o tinha visto tão bravo, tão despedaçado, tão fora disso. Ela tentou
consolá-lo com suas palavras, mas ele se virou para olhá-la com tanta fúria que
Jaina instintivamente deu um passo para trás."Não diga mais nada", Kael
respondeu com raiva. Para sua consternação, a maga percebeu que o elfo estava
cerrando os punhos com força e mal conseguia conter a ansiedade que o
invadiu, que o impeliu a atacá-la fisicamente.
-Que tipo de idiota você é, garota. É esse o monstro que você estava?Jaina
piscou espantada, maravilhada com as palavras duras que lhe eram ditas por
esse homem culto."Olhe, eu", o mago conseguiu articular.Mas Kael'thas não se
importava com o que Jaina tinha a dizer.«Arthas é um assassino! Ele
massacrou milhares de inocentes! Suas mãos estão manchadas com tanto
sangue que nem mesmo um oceano poderia limpá-las. E você amava ele?
Como você pode escolher ele e não eu? "falou o príncipe elfo.Sua voz,
geralmente melíflua e calma, quebrou quando ele falou a última palavra. Jaina
sentiu as lágrimas inundarem seus olhos quando finalmente entendeu o que
estava acontecendo. O elfo a atacou porque ela não podia falar com seu
verdadeiro inimigo. Kael'thas sentiu-se desamparado, por isso atirou-se ao
objetivo mais próximo dele: ela, Jaina Proudmore, cujo amor ela tanto queria e
não conseguiu."Oh Kael'thas", a maga disse baixinho, "Arthas fez coisas
terríveis. Seu povo sofreu ".
-O que você sabe saber sobre o sofrimento?", Ele disse. «Você é uma menina
com uma mentalidade infantil e um coração inocente. Um coração que você
entregou àquele... Ele os matou, Jaina. E, além disso, ele deu vida aos
cadáveres! »A maga observou-o silenciosamente; suas palavras já não a
afetavam, agora que ele sabia o motivo que o levou a agir assim."Ele
assassinou meu pai, Jaina, como ele fez com o dele. De...deveria ter estado lá
".«E morrer com ele? Junto com o resto da sua cidade? O que valeria a pena
sacrificar sua vida? "Assim que essas palavras saíram de seus lábios, ela
percebeu que elas não eram as mais adequadas. Kael'thas ficou mais tenso do
que antes e retrucou.
«-Talvez pude-se dete-lo. Devería telo feito».
Depois de pronunciar essas frases, ele se endireitou, e uma frieza extrema
de repente extinguiu as chamas que o perturbaram até então. fez uma
reverência exagerada e declarou:"Vou deixar Dalaran o mais breve possível.
Nada mais me prende aqui ».Jaina se sentiu enojada com o vazio e a resignação
que sua voz transmitia."Eu era um idiota e tolo para acreditar que os humanos
poderiam me ajudar. Deixarei este lugar cheio de velhos e senis mágicos e
jovens cegos pela ambição.Nenhum de vocês pode me ajudar.Meu povo precisa
de mim agora que meu pai... ".
Então ele permaneceu em silêncio e engoliu em seco.Tenho que estar com
eles. Com os poucos que ainda restam. Com aqueles que sobreviveram, que
renasceram sob o sangue daqueles que agora servem ao seu amado ".O elfo se
foi indignado, preso a uma fúria que dominava o canto mais recôndito de seu
corpo elegante e esguio. Jaina sentiu pena dele com todo seu coração.E agora,
Arthas estava lá, liderando o exército dos mortos-vivos,transformado em um
cavaleiro da morte. A voz de Antonidas a tirou de seu devaneio. Ela piscou na
tentativa de retornar ao presente."Retire suas tropas, ou seremos forçados a
usar nossos vastos poderes contra você!" Tome uma decisão agora, cavaleiro da
morte. - Antonidas saiu da sacada e virou-se para a maga, com quem ele falava
com voz normal. Jaina, vamos erguer algumas barreiras que impedirão o
teletransporte momentaneamente.Você deve sair daqui imediatamente ou
ficará presa."Talvez eu possa argumentar com ele?" Talvez eu possa...? "Depois
de dizer estas palavras, emudeceu, percebendo que ela estava sendo
ingênua.Não conseguira impedi-lo de matar todos aqueles inocentes em
Stratholme ou de acompanhá-lo a Nortundria, onde tinha certeza de que uma
armadilha o estava esperando. A essa altura, Arthas havia parado de ouvi-la.
Além disso, se o príncipe estava sob a influência de algum poder das Trevas,
como poderia dissuadi-lo? Inalou com força e deu um passo para trás;
Antonidas assentiu calmamente antes desse gesto. Ela tinha tantas coisas para
dizer a esse homem, seu mentor, seu guia. Mas tudo que podia oferecer era um
sorriso hesitante agora que ele iria lutar contra o que provavelmente seria sua
última batalha. Ela não foi capaz de dizer adeus a ele.-Eu vou cuidar do nosso
povo- prometeu.Essa foi a única coisa que se atreveu a dizer. Então lançou um
feitiço de teletransporte e desapareceu.
A primeira parte de seu plano terminara e Arthas alcançara seu objetivo:
conseguir o livro de feitiços Medivh. Era muito volumoso e pesado para o
seu tamanho, e estava encadernado em couro vermelho com a borda
dourada. Na capa havia um corvo negro com asas abertas, requintadamente
em relevo. Ainda havia pontos no livro do sangue de Antonidas. O príncipe
se perguntou se isso lhe dava mais poder do que ele já possuía.
Invincivel se mexeu atrás dele, batendo no chão com o casco e
sacudindo o pescoço como se ainda tivesse uma pele que pudesse ser
mordida por mosquitos. Eles estavam no topo de uma colina de onde podia
ser vista toda Dalaran, cujas torres refletiam a luz e brilhavam com
relâmpagos de cores dourados, brancos e roxos, enquanto suas ruas estavam
inundadas de sangue. Muitos dos magos que haviam lutado contra ele horas
antes estavam agora ao seu lado, a maioria deles tão destruídos que só
podiam ser usados como bucha de canhão para atirar nos atacantes;
entretanto, alguns... ainda podem ser úteis: as habilidades que eles
demonstraram na vida poderiam ser usadas para o benefício do Rei Lich na
morte.
Kel'Thuzad sentiu-se como uma criança na manhã do Festival de
Inverno. Ele examinou cuidadosamente as páginas do livro de magia de
Medivh, completamente absorvido em seu novo brinquedo. essa atitude
irritou Arthas.
-O círculo de poder foi preparado seguindo suas instruções,Lich,
Você está pronto para começar o ritual de invocação?"Quase", disse a
criatura morta-viva, enquanto com os dedos esqueléticos virava a
página. Aqui há muito para digerir. O conhecimento de Medivh sobre
os demônios é incrível. Eu suspeito que foi muito mais poderoso do
que qualquer um imagina.Um redemoinho de cores negras e
esverdeadas tinha começado a se formar quando Kel'Thuzad falou.
Tichondrius se materializou antes dele terminar a falar. A fúria de
Arthas cresceu quando ele ouviu as palavras que o Senhor do Horror
proferiu com sua arrogância habitual.- Mas não o suficiente para
escapar da morte, com certeza. Basta dizer que o trabalho que ele
começou, vamos concluir hoje. Deixe o rito de invocação começar!Em
um piscar de olhos, desapareceu. Kel'Thuzad flutuou dentro do
círculo. A área da invocação foi delimitada por quatro obeliscos
minúsculos. O centro foi ocupado por um círculo resplandecente, no
qual algumas inscrições arcanas haviam sido gravadas. Kel'Thuzad
levou o livro consigo e, assim que ele estava em posição, as linhas que
formavam o perímetro do círculo pareciam estar vivas quando
iluminadas com uma luz roxa. Naquele exato momento houve uma
rachadura e vários estalidos; ao ponto, oito colunas de fogo se
ergueram ao redor dele. Kel'Thuzad virou-se para olhar para Arthas
com brilho nos olhos.
—Os vivos que, todavia restam entre os muros de Dalaran serão
capazes de perceber o poder deste encantamento-advertiu Kel'Thuzad—.
Não devo ser interrompido sob nenhuma circunstancia: do contrario,
fracasaremos.
—Seus osos estão a salvo comigo, Lich —lhe asegurou Arthas.
Como Kel'Thuzad havia prometido, foi relativamente fácil entrarem
Dalaran, assassinar aqueles que prepararam encantamentos específicos
para combatê-los e pegar o que eles procuraram. Arthas conseguira matar
o Arquimago Antonidas, o homem que outrora julgara tão poderoso.Se
Jaina estivesse lá, ele tinha certeza de que ela teria enfrentado ele. Ele teria
tentado remover as brasas de seu amor, como fizera antes.Mas teria
falhado novamente, embora estivesse feliz por não ter tido que lutar com
ela. Arthas voltou a se concentrar no presente abruptamente: as portas
estavam abrindo. O cavaleiro da morte abriu seus lábios cinzentos para
sorrir. Anteriormente, a Praga tinha o elemento surpresa. Embora fosse
verdade que muitos magos poderosos vivesem em Dalaran, era verdade
também que eles não tinham uma milícia treinada. Além disso, nem todos
os magos do Kirin Tor estavam em Dalaran. No entanto, desde que várias
horas se passaram desde o ataque inicial e eles não permaneceram ociosos,
conseguiram teletransportar um exército inteiro.Era exatamente o que
precisava para não pensar mais em Jaina Proudmore ou no jovem que ela
era uma vez. Uma boa luta, assim ergueu a Lamento Gélido, sentiu-a
estremecer nas mão e ouviu a voz suave do Rei Lich acariciando seus
pensamentos."A Lamento Gélido está com fome", disse ele a suas tropas,
apontando com sua espada para os defensores da grande cidade dos magos.
Vamos satisfazer seu apetite
O exército do Flagelo rugiu e o uivo agonizante de Sylvanas elevou-se
acima daquela cacofonia, o que a fez sorrir mais uma vez. Embora
obedecesse às suas ordens, a Banshee o desafiava e o cavaleiro da morte se
deleitava em seu sofrimento, forçando-a a atacar aqueles que ela preferiria
proteger. Invencível, ele reuniu suas forças e galopou relinchando.
Enquanto algumas de suas tropas horripilantes ficaram para trás para
defender Kel’thuzad, a maioria seguia seu líder. Arthas reconheceu o
uniforme usado por muitos dos homens que o Kirin Tor havia
teletransportado para defender a cidade. Uma vez que eles tinham sido
amigos; mas isso fazia parte do passado, que era tão irrelevante para ele
quanto o que fizera no dia anterior. Estava ficando mais fácil para ele não
sentir nada além da satisfação que a Lamento Gelido lhe dava.
quando subia e descia, enquanto recitava sua canção da morte, devorando
aquelas almas e destroçando armaduras com a mesma facilidade como se
fossem ossos e carne.
Depois que a primeira onda de soldados caiu e ele os trouxe da morte para
servir a Praga ou abandonou onde haviam caído por não serem úteis, veio
uma segunda. Desta vez eles tiveram o apoio de magos vestidos com as
vestes púrpuras de Dalaran, que haviam bordado o símbolo do grande Olho.
Mas Arthas também teve ajuda especial.
Pelo visto, os demonios queriam proteger aos seus.

Pedras enormes caíam do céu com um grande rugido, deixando com suas
caudas um rastro de fogo verde. A terra tremeu onde elas impactaram e das
crateras surgiram o que pareciam ser golens de pedra, que aquela energia verde
assustadora dirigida e impelia. Arthas deu uma olhada no que estava
acontecendo nas costas dele. Kel'Thuzad flutuou no ar com os braços
estendidos e a cabeça com chifres jogada para trás. A energia estalou e jorrou
para fora dele; instantaneamente, um orbe verde começou a se formar. Então,
abruptamente, o corpo sem vida baixou os braços e deixou o círculo.
—Adiante, Lorde Archimonde! — exaltou Kel'Thuzad—. Entra neste mundo
e permita-nos desfrutar de seu poder!
O orbe verde cintilou, expandiu-se, aumentou de tamanho e brilhou ainda mais.
De repente, uma coluna de fogo subiu em direção ao céu e vários relâmpagos
caíram no círculo. Então, onde até um momento atrás não havia nada, uma figura
alta, poderosa e elegante surgiu em sua maneira sinistra e perigosa. Arthas prestou
atenção novamente ao campo de batalha. O inimigo estava lutando em retirada.
Pelo menos os magos notaram o que estava acontecendo nos eventos. As tropas
inimigas forçaram suas montarias a se virar e galoparam em busca do porto seguro
provido por Dalaran (um refúgio que Arthas suspeitava estar apenas
temporariamente seguro). No momento em que fugiram, uma voz profunda e
poderosa rompeu o estrondo da batalha.- Tremam e se desesperem, mortais! O
inferno chegou a este mundo!
Arthas levantou a mão e, com esse simples gesto, a horda que compunha a
Praga parou e recuou também. Enquanto galopava para encontrar Kel'Thuzad,
ainda olhando para o gigantesco Lorde demoniaco.
Taecondrius, teleportous-se naquele momento, como sempre, apareceu quando
o perigo já havia passado.O Senhor do Horror se curvou profundamente. Arthas
parou seu corcel à distância: ele preferia observar de longe.
-Lorde Archimonde, tudo está pronto."Muito bem, Tichondrius", respondeu
Archimonde, e deu um aceno ligeiramente desdenhoso para o demônio menor.
-Como o Rei Lich não me serve mais, os senhores do Horror agora comandam
o Flagelo. Arthas ficou subitamente agradecido por todas as horas que passara
meditando. Essa foi a única coisa que impediu a fúria e perplexidade de refletir em
seu rosto. Mesmo assim, Invincivel sentiu a mudança que havia ocorrido nele e
saltou nervosamente. O cavaleiro da morte puxou as rédeas e a besta morta-viva se
acalmou. Como que o Rei Lich não era mais útil? Por quê? Quem era ele realmente
e o que tinha acontecido com ele? O que seria de Arthas?
-Eu logo começarei a invasão. Mas, primeiro, usarei esses miseráveis feiticeiros
para dar o exemplo reduzindo sua cidade a cinzas.O lorde demoníaco andava ereto
e orgulhoso, envolto em uma aura de autoridade; seus cascos estavam fixos
firmemente no chão a cada passo, sua armadura brilhava nas cores rosa, ouro e
lavanda dos últimos momentos do crepúsculo. Ao lado dele, sempre de cabeça
baixa, caminhava Tichondrius. Arthas esperou até estarem longe, antes de se virar
para Kel'Thuzad e explodir em fúria:- Isso tem que ser uma piada!O que será de
nós?
- Paciência, jovem cavaleiro da morte. O Rei Lich previu que tudo isso também
aconteceria. Talvez você ainda tenha algum papel no seu grande plano.Talvez?
Arthas pensou enquanto enfrentava o necromante com uma carranca agressiva; no
entanto, ele conseguiu conter sua raiva. Se alguém (seja os demônios ou o próprio
Rei Lich) tivesse pensado por um momento que Arthas era uma mera ferramenta
descartável, ele logo mostraria a eles que haviam cometido um grave erro. Ele fez
muito pela causa, perdeu muito e deu muito para ser deixado de lado agora.Seu
sacrifício não poderia ficar sem recompensa.Ele não ficaria sem sua justa
recompensa.
A terra tremeu. Invencível agitou-se desconfortavelmente, levantando os cascos
para minimizar o contato com o chão. Arthas olhou para a cidade dos magos.
Naquela hora do dia, as torres eram especialmente bonitas, orgulhosas, gloriosas e
reluzentes nas cores escuras do crepúsculo. Enquanto ele observava, ele ouviu um
rangido. O topo da torre mais alta e mais bonita da cidade de repente caiu, lenta e
inexoravelmente, como se uma gigantesca mão invisível tivesse apertado a torre para
estourá-la.
O resto da cidade entrou em colapso rapidamente, os edifícios despedaçados e
desmoronados. O estrondo de destruição invadiu os ouvidos de Arthas. Embora o
barulho fosse ensurdecedor, ele não desviou o olhar do espetáculo assustador.
Ele havia instigado a queda de Lua de Prata. Ele liderou a Praga no ataque a essa
cidade. Mas essa naturalidade, a facilidade com que acabara de ser destruída, embora
tivesse custado muito vencer em Lua de Prata, Archimonde havia mostrado que ele
poderia reduzir as maiores cidades humanas a escombros sem sequer fazer uma
aparição. Arthas pensou em Arquimonde e Tichondrius. Ele coçou o queixo
pensativo e a Lamento Gélido brilhou em seu colo.

CAPÍTULO
VINTE E UM

É muito útil poder contar com um lich como Kel'Thuzad, Arthas refletiu
enquanto esperava no alto daquela colina verde por alguém que lhe asseguraram
que viria. Ele era completamente leal ao Rei Lich, a ponto de ter desempenhado
o papel do criado de Archimonde e Tichondrius de forma muito convincente
sempre que estava em sua presença, se era o que se exigia dele. Arthas escolhera
permanecer em silêncio, porque não achava que pudesse mentir tão bem quanto
Kel'Thuzad. Aqueles dois demônios consideraram que ambos eram
dispensáveis. Logo mostraria a eles como estavam errados.Em um descuido, eles
deixaram o livro de Medivh nas mãos ossudas do corpo sem vida. Além disso,
essa mente morta-viva também conhecia feitiços tão poderosos e magia tão
grandiosa que Arthas sabia que nunca compreenderia plenamente seu alcance.

—A terceira parte do plano—lhe comentou de uma manera casual


Kel'Thuzad quando os demonios partiram, como se estivesem conversando
sobre o tempo—, era a auténtica chave da trama da Legião.
Arthas recordou então ou que Kel'Thuzad lhe tinha dito antes. Em
primeiro lugar, ele havia criado Praga e depois invocado Archimonde. O
cavaleiro da morte preparou-se para ouvir com grande interesse o resto das
explicações de Kel'Thuzad.-A Legião pretende, nada mais e nada menos,
que tomar toda a magia deste mundo e acabar com toda a vida que ele
abriga. Para atingir esse objetivo, eles precisam consumir as poderosas
energias contidas na Nascente da eternidade dos elfos. Mas eles devem
destruir o lugar que tem em si a essência da vida mais autêntica e pura
Azeroth, a Nascente da Eternidade, que fica do outro lado do oceano, no
continente de Kalimdor. Aquilo que poderia frustrar os planos da Legião é
chamado Nordrassil, a Árvore do Mundo, que concede imortalidade aos
kaldorei, os quais estão ligados a ela.-Os kaldorei? Arthas perguntou,
confuso. Conheço uma raça de elfos chamada quel'dorei. São outro ramo
da família elfica?
"Eles são a raça primitiva", corrigiu Kel'Thuzad, fazendo um gesto
desdenhoso com a mão. Embora esses detalhes não sejam importantes. O
que importa é que devemos impedir que a Legião atinja seu objetivo. Eu
conheço um Kaldorei que nos ajudará.Desta forma, Kel'Thuzad, usando
sua magia, teletransportou Arthas para aquele continente distante, para
aquela colina que lhe oferecia vistas incríveis. As florestas nativas eram
exuberantes, frondosas e saudáveis. No entanto, Arthas viu longe que a
Legião já havia deixado sua marca lá. Nos lugares onde a essência vital da
terra não havia sido tirada, as árvores e os animais haviam sido deixados
corrompidos. Eles tinham, na verdade, devorado todas a vida. Naquele
momento, Arthas vislumbrou uma silhueta no alto de uma colina abaixo e
sorriu. Era o elfo que ele estava esperando.Certamente, os elfos da noite
eram muito diferentes de seus parentes. A pele deste em particular era de
uma cor lavanda pálida, e ostentava tatuagens com motivos espirais e
escarificações que seguiam padrões rituais. Ele usava um pano preto sobre
os olhos, o que não parecia impedi-lo de lidar andar por esses lugares com
facilidade. Além disso, ele carregava uma arma que Arthas nunca tinha
visto. Em vez de ser uma espada normal, que é empunhada pela alça de
onde a lâmina surge, esta arma tinha duas laminas recortadas brilhando
com a característica cor verde terrível de tudo o que as energias
demoníacas corrompiam.É por isso que ele tomou como certo que este elfo
havia lidado com demônios.O cavaleiro da morte o observou por um longo
tempo enquanto esperava. O elfo noturno (que dizia ser chamado de Illidan
Tempesfuria) resmungou baixinho. De acordo com o que tinha revelado
Kel'Thuzad a Arthas, aparentemente, o elfo havia sido condenado por
inúmeros crimes, por isso buscava vingança e desejava obter grande poder.
Arthas sorriu.
-Depois de dez mil anos, estou finalmente livre! No entanto, meu
próprio irmão ainda acha que eu sou um vilão ", reclamou Illidan
amargamente.- Mas eles vão ver. Eu vou mostrar o quanto meu poder
cresceu. Eu vou mostrar que os demônios não têm poder sobre mim!
- Tem certeza disso, caçador de demônios? Arthas perguntou com uma
voz insidiosa.O elfo noturno se virou, brandindo sua arma e apontou para
nele:
- Tem certeza de que é sua vontade que dita suas ações?Embora esse
elfo pudesse ser cego no sentido literal do termo, Arthas sentiu-se
observado. Illidan grunhiu enquanto o cheirava.-Você fede a morte,
humano. Você vai se arrepender por ter me encontrado.
Arthas sorriu. Eu queria lutar uma boa luta.
"Aproxime-se então", começou provocar o cavaleiro da morte. Certamente
você descobre que nossas forças são equivalentes.
Invencível,se levantou e desceu a colina a galope, tão ansioso para entrar em
ação como seu mestre. Illidan grunhiu e correu para encontrá-lo.
Isso se parece muito com uma dança, pensou Arthas, enquanto os dois
guerreiros se encaravam. Illidan era forte e ágil; Além disso, suas habilidades
naturais foram aumentadas por demônios. Arthas não era um soldado comum,
nem a Lamento Gelido era uma espada comum. A luta foi feroz e rápida. Arthas
estava certo: a luta foi muito próxima. Logo, ambos os combatentes respiraram
ofegantes com dificuldade.
"Poderíamos continuar lutando assim para sempre", disse Illidan. Diga-me o
que você realmente quer?
Naquele momento, Arthas parou de apontou a Lamento Gélido para ele.
"Por causa do que você falou antes, eu entendo que você e seus aliados foram
atacados pelos mortos-vivos. O Senhor do Horror comandando esse exército de
mortos-vivos é chamado Tichondrius. E posssui um poderoso artefato mágico
chamado Caveira de Gul'dan, que é a causa dessas florestas estarem neste estado
deploravel.
-Você quer que eu roube, certo? Por quê? Illidan perguntou, inclinando a
cabeça.
Arthas levantou as sobrancelhas brancas para essa pergunta. Aquele elfo não
era tolo. Portanto, ele mereceu uma resposta que continha uma meia verdade.
- Digamos que não gosto muito de Tichondrius. Além disso, o senhor que
sirvo pode se beneficiar da queda da Legião.
-Por que devo acreditar que você me diz, humano desprezível?
Arthas deu de ombros e disse:
Essa é uma boa pergunta. Permita-me responder. Meu senhor vê tudo, caçador
de demônios. Ele sabe que você procurou poder por toda a sua vida. Agora esse
poder está ao seu alcance!
Então ele empunhou um punho fechado na frente da venda de Illidan e, como
ele esperava, o elfo noturno virou a cabeça em resposta a esse gesto.
"Agora você finalmente tem a oportunidade de se apossar desse poder que lhe
permitirá eliminar seus inimigos", acrescentou o cavaleiro da morte.
Illidan levantou a cabeça devagar e virou o rosto para Arthas. O cego enxergar
tão claramente era muito perturbador. O elfo recuou, assentindo pensativo. Sem
uma palavra, Arthas forçou Invincivel a virar a cabeça e galopou para longe.
Kel'Thuzad o levaria de volta ao ponto de partida muito em breve. Tudo
aconteceu como o Rei Lich havia planejado. Ele só esperava que Illidan fosse tão
obediente quanto ele acreditava. Caso contrário, as coisas poderiam ficar muito
complicadas.

Já não pertencia mais ao mundo dos vivos. Tampouco poderia


desobedecer às ordens daquele que a fizera renascer gritando em agonia.
Sylvanas Corre Ventos possuia uma uma vontade forte. De certo modo,
Arthas não conseguira curvar completamente seu ser. Ele conseguira isso
com os outros. Por que ela era a única que, aparentemente, não havia
desmoronado completamente perante seu poder? Foi devido a sua força de
vontade, ou ela reteve apenas parte de seu livre arbítrio porque,
inconscientemente, ele gostava de atormentá-la? A banshee que era agora
provavelmente nunca saberia a resposta para essa pergunta. Mas se ela ainda
retivesse parte de sua vontade só porque Arthas achava que era engraçado,
ela sabia que seria a última a rir.Ela havia prometido a si mesma que esse
seria o caso e Sylvanas sempre cumpria suas promessas. Havia passado
algum tempo no mundo dos vivos desde que Arthas Menethil e a Praga
haviam assolado sua amada terra natal. E muitas coisas aconteceram desde
então.Seu mestre se recusou a ser usado como um mero peão. Tinha aliado
com aquele saco arrogante de ossos flutuantes de nome de Kel'Thuzad (o
culpado pela corrupção da gloriosa Fonte do Sol) para conspirar contra o
Senhor do Horror Tichondrius e o Lorde demônio Archimonde, a quem Kel
' Thuzad ajudara a trazer a Azeroth. Sylvanas observara Arthas com grande
atenção; tudo o que lhe dizia como ele pensava e como ele lutava despertava
seu interesse.
Ele não tentara matar Tichondrius com as próprias mãos, como fizera
com Mal'Ganis. Claro que não. O príncipe desonesto que já fora humano
manipulou outro para fazer o trabalho sujo para ele. Illidan era o nome do
infeliz.
Arthas conseguira manipular Illidan graças a seu tremendo desejo de
poder, de tal maneira que ele o incitou a roubar a Caveira de Gul'dan, um
lendário bruxo dos orcs. Mas, para fazer isso, Illidan teria que matar
Tichondrius primeiro. Arthas se livraria do Senhor demoníaco e o elfo da
noite seria recompensado com um artefato que mataria sua sede de poder.
Presumivelmente, tudo havia corrido de acordo com o planejado, uma
vez que nem Arthas nem, portanto, Sylvanas, tinham sabido nada de
Illidan desde então.
Quanto a Archimonde... Mesmo sendo tão poderoso que tinha sido
capaz de devastar Dalaran, a grande cidade dos magos, invocando um
único encantamento, havia sucumbido ao poder da vida que procurava
aniquilar. Sylvana, agora, odiava os vivos com a mesma paixão que a
Legião, e por isso recebeu a notícia de seu destino fatal com sentimentos
mistos. Os elfos da noite haviam sacrificado sua imortalidade para
derrotá-lo. O poder puro e concentrado da natureza destruiu o demônio
de dentro e, imediatamente depois, a Árvore do Mundo liberou todo o seu
poder em um cataclisma cuja imensurável onda expansiva foi sentida em
todos os lugares. Ao ser derotado Archimonde, de quem somente o
esqueleto permaneceu, os planos da Legião para entrar e se estabelecer
neste mundo não puderam ser realizados.
Sylvanas despertou de sua contemplação e retornou ao presente
quando ouviu o nome daquele lorde demoníaco que havia terminado tão
mal havia acabado de falar. -Já se passaram meses desde a última vez
que ouvimos noticias de de Lorde Archimonde", disse Detheroc, seu
líder, batendo com o pé no chão em impaciência. Eu me cansei de ver
essa putrefação de mortos-vivos! Podemos saber porque ainda estamos
aqui?Eles estavam no que haviam sido os jardins do palácio,onde
Arthas, há muito tempo, havia assassinado seu próprio pai há não muito
tempo, embora parecesse uma eternidade, e chicoteara com o flagelo da
praga morta-viva seu próprio povo. Os jardins também estavam em
processo de putrefação, assim como os habitantes daquela
região."Fomos encarregados da missão de vigiar essas terras, Detheroc",
repreendeu Balnazzar. É nosso dever ficar aqui e garantir que o Flagelo
esteja pronto para agir."Verdade", um terceiro chamado Varimathras
falou alto. Embora neste momento nós deveríamos ter recebido alguma
ordem.
Sylvanas não podia acreditar no que acabara de ouvir. Se voltou para
Kel'Thuzad, a quem desprezava tanto quanto o cavaleiro da morte, a
quem parecia disposto a servir; No entanto, ocultou sua animosidade o
melhor que pôde."A Legião foi derrotada há meses", disse
suavemente. Como é possível que eles não saibam?"
-É inexplicável", disse o Lich. Mas quanto mais eles permanecem no
comando, mais a praga se vinculada à terra. Se algo não...
Parou de falar quando foi interrompida por um som que Sylvanas
nunca esperaria ouvir naquele lugar: o som peculiar de uma porta sendo
quebrada e derubada. Os dois mortos-vivos se viraram para ouvir aquele
barulho e os demônios rugiram de raiva, instantaneamente alertas,
exibindo suas asas negras.Os olhos fantasmagóricos de Sylvanas se
arregalaram de surpresa ao perceber que Arthas era quem passava pela
porta. Seu cavalo morto-vivo acompanhou-o altivo. Não usando
capacete, o cabelo branco solto no rosto pálido, que mostrava um sorriso
de satisfação. Sylvanas o desprezava tanto. Tentou apertar seus punhos
desencarnados, mas ele estava tão no controle dela que mal conseguia
dobrar os dedos.A voz de Arthas soou forte e exultante.
-Saudações, senhores de Horror.Eles se entreolharam visivelmente
irritados com sua insolência.-Obrigado por cuidar do meu reino durante
a minha ausência. No entanto, seus serviços não são mais
necessários.Eles ficaram sem fala por um segundo. No final, Balnazzar
recuperou-se da surpresa e respondeu:
—Esta terra é nossa. A Praga pertenece a Legião!
Chegou a hora, pensou Sylvanas.O sorriso de Arthas se alargou e ele respondeu
alegremente:
- Não, demonio. Seus mestres foram derrotados. A Legião se desfez. Sua morte
vai fechar o círculo.Ainda sorrindo, ele levantou a Lamento Gélido. As runas
dançaram e brilharam ao longo da lâmina. Ele puxou as rédeas e o cavalo
esquelético atacou aquele grupo de três demônios.- Isso não acabou, humano! -
Detheroc gritou desafiadoramente.Os senhores do horror eram mais rápidos
que o corcel de Arthas. A Lamento Gélido estava gemendo de frustração
quando apenas dividiu o ar. Os demônios criaram um portal pelo qual eles
desapareceram. Arthas franziu a testa, mas graças ao seu bom humor
esqueceu-se imediatamente. Sylvana percebeu que, embora tivessem fugido,
sua morte provavelmente seria apenas uma questão de tempo. Arthas olhou
para Sylvanas indicando-lhe para se aproximar. Ela foi forçada a obedecer.
Kel'Thuzad não precisava de coerção, flutuou feliz ao lado de seu mestre como
um cachorrinho."Sabíamos que você voltaria, Príncipe Arthas! Exclamou o
lich.Arthas mal se dignou a olhar para seu fiel servidor. Ele não desviou o olhar
de Sylvanas."Eu me sinto comovido", disse sarcasticamente. Você também
sabia que eu voltaria, minha pequena banshee?"Sim", Sylvanas respondeu
friamente.Era verdade, ele tinha que voltar, porque se não, ela nunca teria a
chance de se vingar. Arthas moveu um dedo ligeiramente, exigindo uma
resposta mais longa, e deixou-a sem fôlego quando a dor a sacudiu."Príncipe
Arthas", acrescentou ela.-Não; Agora você vai me chamar de Rei, depois de
tudo, esta é minha terra. Eu nasci para governar e vou fazê-lo assim que...
Parou e respirou profundamente. Ele abriu os olhos, o rosto desfigurado pela
dor, ele se inclinou sobre o pescoço ósseo de seu cavalo, segurando as rédeas
com a mão enluvada. Ele soltou um grito terrível de agonia.Enquanto Sylvanas
observava a cena, ela experimentou o maior prazer que tinha conhecido desde
aquele dia fatídico quando Quel'Thalas caiu. Bebeu sua dor como se fosse
néctar. Não tinha ideia de por que ele estava sofrendo assim, mas a banshee
saboreou cada segundo de sua agonia. Arthas grunhiu e levantou a cabeça. Seus
olhos olharam para algo que Sylvanas não pôde ver, e ele estendeu uma mão
imploradora para ela.
-"A dor é insuportável", Arthas resmungou com os dentes.trincados. O que está
acontecendo?
Imediatamente, ele deu a impressão de estar ouvindo alguma coisa, como se
uma voz desconhecida lhe respondesse.- Rei Arthas! Kel'Thuzad exclamou.
Precisa de ajuda?Arthas não respondeu imediatamente. Estava sem fôlego.
Melhorou lentamente, tentando recuperar a compostura.-Não...não; a dor
passou, mas meus poderes diminuíram, ele disse intrigado.Se Sylvana ainda
possuísse um coração, teria pulsado descontroladamente ao ouvir as seguintes
palavras:-Algo esta terrivelmente errado.A dor o tomou novamente.
Sofreu um espasmo, jogou a cabeça para trás, soltando um grito mudo de dor; as veias do
pescoço inchavam de uma maneira grotesca. Kel'Thuzad esvoaçou em torno de seu
adorado mestre como uma babá exigente. Sylvanas só observou Arthas friamente até que
o espasmo diminuiu. Pouco a pouco, cuidadosamente, ele desceu de Invincivel. Suas
botas pisotearam as lajes, escorregaram e caíram no chão com força.O Lich estendeu uma
mão esquelética para ajudar o príncipe (não, o rei), que estava a seus pés.
-"Leve-me aos meus antigos aposentos", Arthas disse entre ofegos. Preciso descansar.
Uma longa viagem me espera. Sylvanas observou quando ele cambaleou na direção dos
quartos em que crescera. Um sorriso foi desenhado nos lábios espectrais da banshe...
pode mover um pouco os dedos das mãos por um momento, e então os dobrou
completamente para fechá-los em um punho.

A Floresta de Pinhaprata estava estranhamente quieta. Névoa fraca


rodopiava perto da terra úmida coberta de pinheiros. Sylvanas sabia que,
se tivesse pés corpóreos, sentiria a terra macia e suave, teria inalado o
aroma intenso do ar úmido, mas não sentiu nada, não cheirou nada.
Flutuou, sem corpo, para o local de encontro. E tal era sua impaciência
para chegar, que naquele momento não se importou de não ter sentidos.
Arthas gostara de transformar as belas e orgulhosas mulheres
Quel'dorei, de caráter forte, em banshee, em vista do sucesso que ele teve
com Sylvanas. Ele lhe dera, que fora seu general em vida, o comando das
Banshees, sacudindo um osso, como se fosse um cão fiel. Logo ia checar a
fidelidade daquele animal de estimação. Depois de ouvir a conversa
realizada pelos senhores do horror, ela enviou uma de suas banshee para
conversar com eles, a fim de dividir informações.

Os demônios receberam seu emissário com grande prazer e pediram a


sua senhora que se reunisse com eles naquela noite para discutir uma
questão "que beneficiaria tanto a eles como a Rainha das Banshee".
Nas profundezas da floresta, Sylvanas vislumbrou um leve brilho
verde flutuando em sua direção. Como prometido, três grandes demônios
esperavam por ela batendo as asas, um gesto que revelou seu nervosismo.
Balnazzar falou primeiro.
-Lady Sylvanas, estamos felizes por você ter vindo.
"O mesmo é verdade", respondeu ela. Por alguma razão, não ouço mais
a voz do Rei Lich na minha cabeça. Eu recuperei meu livre arbitrio. Sou
senhora da minha vontade
Isso manterá sua euforia afastada. Ele não queria mostrar seus
sentimentos para eles.
"Senhores do horror, vocês parecem saber o porquê.
Eles trocaram olhares e esboçaram sorrisos.
"Descobrimos que o Rei Lich está perdendo seu poder", respondeu
Varimathras com um tom de alegria infernal. À medida que diminui, o
mesmo acontece com sua capacidade de comandar os mortos-vivos como
você.
Foi uma boa notícia, se é que era verdade. Mas essa informação não era
precisa para Sylvanas.-E o que acontece com o rei Arthas? -insistiu com certo
desdém em sua voz ao mencionar o verdadeiro título do cavaleiro da morte. O
que houve com seus poderes?
Balnazzar acenou com as mãos negras com grande desprezo.- Vai parar de
nos incomodar, como um mosquito cuja hora chegou. Embora sua espada
runica, a Lamento Gelido, ainda possua poderosos encantamentos, os poderes de
Arthas desaparecerão com o tempo. É inevitável. Sylvanas não tinha tanta
certeza. Ela também subestimara Arthas; em seu coração, não apenas nutria o
ódio frio que sentia por ele, mas também a culpa pelo papel que desempenhara
naquela sangrenta vitória."Você pretende derrubá-lo e quer que eu te ajude",
disse a banshee. Detheroc, que parecia estar no comando, permaneceu em
silêncio enquanto seus irmãos conversavam com Sylvanas. Ele estava com raiva
e calor, mas sua expressão permaneceu neutra. Quando finalmente se
pronunciou, fez isso com um tom frio cheio de ódio.
-A Legião pode ter sido derrotada, mas nós somos os nathrezim. Nós não
vamos deixar um humano nos vencer.Ele fez uma pausa, olhando para o resto
um por um."Arthas tem que cair", declarou ele.O verde brilhante de seu olhar
caiu em Sylvanas.-Você nos estudou, pequeno fantasma, mas nós também
estamos te observando. É evidente que aquele sanguessuga de Kel'Thuzad é leal
demais para trair seu mestre. Parece que eles possuem... afeto mútuo ", disse ele,
conformando um sorriso de escarnio com seus lábios cinzentos. Mas você, por
outro lado...
O odeio, interrompeu a banshee, incapaz de esconder o que sentia por mais
que deseja-se, já que a aversão queimava ferozmente dentro dela. Muitas coisas
nos unem, Senhor do Horror. Eu tenho minhas razões para me vingar. Arthas
assassinou meu povo e me transformou nessa monstruosidade.Parou por um
momento. O rancor que sentia por Arthas por causa do que ele fizera a ela era tão
intensa que ficou sem palavras. Os senhores do horror aguardavam pacientes,
esperando sua resposta.Se eles achavam que poderiam usá-la, estavam
errados.-Eu vou trabalhar no seu maldito golpe de Estado, mas vou fazer do meu
jeito - anunciou a banshee. Antes de se aliar a eles, deveriam saber que não
podiam brincar com ela.-Eu não vou mudar um mestre por outro. Se você
querem minha ajuda, essas são as minhas condições.
Detheroc sorriu.
—Então, todos os aqui presentes destruiremos juntos o cavaleiro da morte.
Sylvanas assentiu com a cabeça e um sorriso fraco surgiu em sua face
espectral.
Tem os días contados, rei Arthas Menethil. E eu... eu sou seu relojo de
areia, pensou a Banshee.

CAPITULO
VINTE E DOIS
Arthas acariciou sua têmpora, repetindo várias vezes as visões que ele
tivera. Antes, ele sempre se comunicava com o Rei Lich através da Lamento
Gélido, mas no mesmo instante em que a dor paralisante o atingiu, Arthas viu
pela primeira vez o ser que ele servia.O Rei Lich estava sozinho, no meio de
uma vasta caverna, assim como a Lamento Gélido havia sido presa no gelo
não natural. Mas este não cobria como deveria a forma do rei. O gelo que o
continha havia sido fraturado, como se alguém tivesse quebrado e deixado os
restos quebrados lá. O Rei Lich estava escondido sob as sombras do gelo, o
que não permitia vislumbrá-lo bem, mas sua voz perfurou a mente do
cavaleiro da morte enquanto ele gritava, presa de um tormento
angustiante:«O Trono Congelado está em perigo! Nosso poder diminui. O
tempo está se esgotando ... Você deve voltar para Nortundria imediatamente!
Então, Arthas sentiu como se uma lança perfurasse seus intestinos:
"Obedeça!"Cada vez que isso acontecia, Arthas sentia-se tonto e doente. O
poder que tinha bombeado através dele como adrenalina quando ele era um
mero humano o deixou, levando consigo mais do que ele originalmente lhe
dera. Sentia-se fraco e vulnerável, algo que nunca imaginara que aconteceria
na primeira vez em que pegara a Lamento Gélido em suas mãos e dera as
costas a tudo que acreditava até então. Seu rosto estava oleoso por causa do
suor. Ele montou o melhor que pôde em Invincivel para reunir-se a
Kel'Thuzad. O Lich estava esperando por ele, flutuando no ar, com suas
roupas acenando e um aspecto geral que refletia preocupação.-Então os
ataques estão piorando, não é? perguntou Kel'Thuzad.
Arthas hesitou. Ele poderia confiar no Lich? Tentaria tirar o poder dele? Não,
ele disse a si mesmo. O velho necromante nunca lhe faltara. Ele sempre foi
leal ao Rei Lich e Arthas. O rei assentiu afirmativamente. E ele sentiu como
se sua cabeça caísse de seus ombros por causa daquele gesto.Sim Com meus
poderes diminuindo, mal posso controlar meus guerreiros. O Rei Lich me
avisou que, se eu não chegasse a Nortundria em breve, tudo seria perdido.
Nós temos que ir lá imediatamente.Parecia impossível que buracos vazios
repletos de chamas pudessem transmitir uma sensação de preocupação, mas
Kel'Thuzad teve sucesso.-É claro, majestade. Eu nunca te abandonei, nem te
abandonarei. Vamos sair assim que você acreditar que...
-Houve uma ligeira mudança de planos, o rei Arthas. Ninguém vai a lugar
nenhum ", ele ouviu alguém desconhecido dizer.Essa foi a prova de que seus
poderes eram tão fracos que ele nem sequer percebeu a presença de seus
inimigos. Arthas observou, extremamente surpreso, quando os três senhores
do horror o cercaram.
-Assassinos! Gritou Kel'Thuzad. É uma armadilha! Defendam seu rei...
Mas o barulho que uma porta se fechando com um golpe afogou o pedido de ajuda do
Lich. Arthas apontou com a Lamento Gélido, desde a primeira vez que ele a tocou,
juntou-se à espada, que agora parecia muito pesada e quase sem vida em suas mãos. As
runas em sua lâmina mal brilhavam, e parecia mais um pedaço de metal inerte do que a
arma equilibrada e bonita que sempre fora.O morto-vivo atacou-o e, por um momento,
Arthas foi catapultado no tempo até o seu primeiro encontro com eles. Ele estava de pé
novamente diante daquela pequena fazenda; o cheiro de podridão era insuportável e ele
ficou paralisado de horror ao ver aquelas coisas que deviam estar mortas atacá-lo. Fazia
muito tempo que ele havia superado o horror e a repugnância que a existência daqueles
monstros poderia tê-lo causado na época; Além do mais, ele quase chegara a pensar
neles com afeição. Eles eram seus súditos; Ele havia purificado suas vidas para que
pudessem servir à maior glória do Rei Lich. O que mais o irritava não era que eles se
movessem e lutassem fora de sua vontade, mas lutassem contra ele. Eles estavam sob o
controle absoluto dos senhores do horror. Apesar disso, resistiu com às forças que ainda
possuía e uma sensação estranha e desagradável invadiu-o.Ele nunca esperou que eles
se voltassem contra ele.No calor da luta, Arthas ouviu a voz de Balnazzar, que zombava
dele com alegria.-Você não deveria ter retornado, humano. Com o quão fraco você esta,
nós assumimos a maioria de seus guerreiros. Parece-me que seu reinado será breve, rei
Arthas.

O cavaleiro da morte rangeu os dentes e tirou força de sua debilidade,


trazendo assim mais desejo de lutar. Não estava disposto a morrer lá.Mas
eles eram muitos, uma vez ele os comandou e controlou quase sem esforço,
mas agora eles estavam correndo implacavelmente contra ele. Ele sabia que
lhes faltava mente, que eles obedeciam apenas os mais fortes. No entanto, de
alguma forma...doeu, porque ele era seu criador...Sentia-se mais fraco e mais
debil e chegou um momento que nem sequer foi capaz de bloquear um golpe
que visava sua cintura. O impacto surdo da espada fez sua armadura tremer
e, embora ele não sofresse ferimentos graves, ficou alarmado com o fato de
que um ghoul havia superado suas defesas.
- Eles são muitos, meu rei! - exclamou Kel'Thuzad com sua voz sepulcral,
que emitia tanta lealdade que causou lágrimas inesperadas nos olhos de
Arthas. Corra! Fuja da cidade! Eu conseguirei sair daqui sozinho. Nos
encontraremos nos pantanos. Você não tem escolha, meu senhor! Sabia que
o lich estava certo. Com um grito, Arthas desmontou desajeitadamente de
seu corcel. Um gesto de sua mão foi o suficiente para transformar Invencível
em um ser desencarnado, um cavalo espectral em vez de um esqueleto, e
instantaneamente desapareceu. Arthas o invocaria novamente quando
estivesse em segurança. Ele então correu contra o inimigo agarrando a
Lamento Gélido enfraquecida com as duas mãos e fez a Lamina Runica voar
para lá e para cá, não tentando matar ou ferir seus oponentes (que eram
incontáveis), mas simplesmente limpar o caminho. As portas estavam
fechadas, mas era o palácio onde ele se tornara homem e o conhecia como as
costas da mão. Ele conhecia todas as portas, todas as paredes, todas as
passagens escondidas. Em vez de ir para as portas, que ele não podia
atravessar sozinho, ele foi para as entranhas do palácio. Os mortos-vivos o
seguiram. Arthas percorreu corredores que eram os aposentos particulares
da família real e que um dia ele havia passado com Jaina de mãos dadas.
Então cambaleou e sua mente fez o mesmo.Como chegou a esta situação?
Ter que fugir através de um palácio vazio de suas próprias criações, seus
súditos, aos quais ele havia prometido proteger?Mas não;... ele os matou. Ele
traiu seus súditos em troca de obter o poder que o Rei Lich lhe ofereceu. Um
poder que escapou dele como se fosse sangue que fluía de uma ferida que
não podia ser fechada.
Pai... Jaina...
Ele baniu essas lembranças de sua mente. Elas não eram nada além de
distrações inúteis. Apenas velocidade e astúcia poderiam salva-lo.Os
corredores estreitos limitavam o número de mortos-vivos que podiam
segui-lo; Além disso, cada vez que ele cruzava uma porta, trancava-a com
um ferrolho para atrasá-los ainda mais. Finalmente, ele chegou ao seu
quarto e à passagem secreta escondida na parede. Ele, seus pais e Calia -
cada um tinha a sua, que só eles, Uther e o bispo sabiam. Eles estavam
todos mortos, exceto ele. Arthas afastou uma tapeçaria que ocultava uma
pequena porta que se fechava com fiapos e cruzes depois de
atravessá-la.Ele correu e tropeçou, porque estava extremamente fraco,
descendo a escada estreita que levava à liberdade. A porta tinha sido
camuflada por meios físicos e mágicos, de modo que parecia o mesmo que
as paredes externas principais do palácio. Arthas, ofegando, lutou com o
ferrolho e, meio caindo, foi para fora, no abrigo da luz fraca das Clareiras
de Tirisfal. O barulho da batalha alcançou seus ouvidos e ele olhou para
cima enquanto recuperava o fôlego. Então ele piscou, desnorteado.Os
mortos-vivos ... estavam lutando entre si.Claro, alguns deles ainda
estavam sob seu comando. Eles ainda eram seus súditos...Não... eram suas
ferramentas, suas armas, não seus súditos.
Ele os observou por um momento, encostando-se na pedra fria. Uma
abominação controlada por seus inimigos decapitou um morto-vivo com
orelhas grandes e jogou a cabeça para longe. Ele estremeceu de desgosto
ao ver os dois lados dos mortos-vivos. Alguns seres putrefatos, infestados
de vermes, andavam com estranheza. Independentemente de quem os
controlava, eram horrendos. Ele teve um vislumbre: era um fantasma um
pouco triste, flutuando no ar perplexo e que fora uma vez
adolescente.-Antigamente estava viva. Arthas a matou, direta ou
indiretamente. Ela tinha sido súdita dele. A garota ainda parecia ligada ao
mundo dos vivos. Ele parecia lembrar o que significava ser humana Ele
também poderia usar esse recurso, ele também poderia usá-la, estendeu a
mão para o fantasma que sua luxúria pelo poder havia criado."Eu tenho
que recorrer às suas habilidades, fantasma", disse ele, tentando ser gentil.
Você vai me ajudar?
O rosto da menina se iluminou e flutuou para o lado dele."Eu só vivo
para servir você, Rei Arthas", respondeu em uma voz doce, apesar de soar
vazia. Arthas devolveu um sorriso forçado. Era mais fácil quando eles
eram apenas uma pilha de carne podre. Mas isso tinha suas vantagens, sem
dúvida. Usando toda a sua vontade, ele convocou mais e mais
mortos-vivos; o esforço fez com que ele respirasse com dificuldade. Eles
vieram dispostos a servir os mais fortes. Com um rugido, Arthas desceu
sobre aqueles que ousaram se interpor no destino que lhe custara tanto
esculpir. Mas, embora mais e mais mortos-vivos tenham sido adicionados
ao seu lado, muitos outros foram passados para o inimigo. Ele se sentia
extremamente fraco e só tinha aqueles pedaços de carne para protegê-lo.
Ele tremeu e engasgou enquanto segurava a Lamento Gélido com braços
cada vez mais cansados. Então a terra tremeu e Arthas contemplou como
nada menos do que três abominações colossais se dirigindo a ele.
Levantou a Lamento Gélido com um gesto lúgubre. Ele, Arthas
Menethil, rei de Lordaeron, não podia cair sem luta.
De repente, algo se moveu a grande velocidade, acompanhado por gritos
angustiados. Como fantasmas de aves, estas manchas difusas subindo e
descendo atacaram as monstruosidades que não mais estavam indo em
direção Arthas mas rugindo e atacando as figuras espectrais, que de repente
pareciam penetrar no interior das criaturas.Aquelas coisas viscosas e
brancas pararam abruptamente, e então voltaram sua atenção para os ghouls
oscilantes que estavam atacando Arthas. Um sorriso apareceu no rosto
pálido do cavaleiro da morte. Elas eram as banshee. Achava que Sylvanas o
odiava demais para ajudá-lo, ou pior ainda, como muitos de seus
guerreiros, se tornara um peão de seus inimigos. Mas, aparentemente, a
velha general não estava mais zangada com ele.O destino da batalha mudou
graças à ajuda das abominações possuídas pelas banshee. Alguns instantes
depois, Arthas tropeçou, devido a uma súbita fraqueza, em uma pilha de
cadáveres que estavam realmente mortos. Como abominações lutavam
entre si e se dilaceravam em um caminho macabro entre elas. Arthas se
perguntou se seus criadores poderiam agora costurar novamente o que
restou deles. Quando eles caíram, os espíritos que os possuíam fugiram
livres.- Meus sinceros agradecimentos, senhoras. Fico feliz em ver que
você e sua senhora ainda são minhas aliadas.Flutuando no ar, elas
responderam com vozes suaves e evocativas.-De fato, grande rei, nossa
senhora nos manda procurar por você. Nós viemos acompanhá-lo para
atravessar o rio. Uma vez que cruzarmos, nos refugiaremos nos
pântanos.«Os pantanos». Kel'Thuzad usara essas mesmas palavras. Arthas
se sentiu ainda mais relaxado.Evidentemente, sua mão direita sabia o que a
esquerda estava fazendo. Ele levantou a mão e falou, muito concentrado:
—Vem a mim, Invencivel, a mim!
Um pequeno banco de névoa surgiu e se transformou em um cavalo esquelético.
Logo depois, Invincivel se materializou. Arthas notou com prazer que não lhe
custou muito esforço; Invencível o amava. Foi a sua única criação perfeita. O
único morto que nunca, jamais se voltaria contra ele, nada além do que o grande
animal fizera na vida. Ele montou com cuidado, fazendo o seu melhor para
esconder sua fraqueza das banshee e dos mortos-vivos."Leve-me para sua
senhora e Kel'Thuzad. Eu vou seguir ", ele ordenou. E assim o fizeram. Elas
flutuaram para longe do palácio para entrar no coração das Clareiras de Tirisfal.
De repente, Arthas percebeu que a rota que estavam tomando passava perto da
Fazenda Balnir. Felizmente, as banshee se voltaram para uma zona de morros e
de lá foram para o campo aberto.-Este é o lugar, irmãs.Nós vamos descansar
aqui, grande rei.Não havia sinal de Sylvana ou Kel'Thuzad. Arthas puxou as
rédeas de Invencivel, olhando em volta. E ele sentiu uma súbita sensação de
medo.- Por que aqui? Exigiu Arthas. Onde esta sua senhora?
A dor apareceu novamente e ele gemeu, agarrando o peito.Invencível,
ergueu-se desconfortavelmente e Arthas agarrou-se a ele da melhor maneira
possível para evitar cair. O cinza claro e verde pálido desapareceram para ser
substituído pelo azul e branco do Trono Congelado, estranhamente quebrado.
A voz do Rei Lich perfurou sua mente: Arthas soltou outro gemido.-Elas te
enganaram! Volte para o meu lado! Obedeça!
O que está acontecendo aqui? Arthas resmungou.Ele piscou, para ver
claramente, e levantou a cabeça, rosnando para o esforço.
Alguém, armado com um arco, saiu de trás das árvores. Por um momento ele
pensou que tinha voltado para Quel'Thalas e encarava os elfos
novamente.Mas seu cabelo já não era dourado, mas preto como a meia-noite,
pontilhado de listras brancas. Sua pele era pálida, com um certo tom azulado,
e seus olhos prateados brilhavam. Era Sylvanas e ainda assim não era. Este
Sylvana não era um ser vivo nem era imaterial. De alguma forma, ele
conseguira libertar seu corpo de onde ordenara que ele fosse armazenado em
segurança: um caixão de ferro que seria usado como tormento adicional
contra ela. Mas parecia que as coisas mudaram .Enquanto, dominado pela
dor, lutava para entender o que estava acontecendo, Sylvanas ergueu o arco
negro, colocou a flecha e apontou.Seus lábios se curvaram em um
sorriso.-Você procurou por isso, Arthas. Lançou a flecha.Acertou-o no ombro
esquerdo, perfurando a armadura como se fosse tão frágil quanto pergaminho,
acrescentando um novo tipo de agonia à sua dor. Não entendeu isso; Pensava
que Sylvanas fosse uma meste no arco. Não podia perder um tiro fatal a essa
distância. Por que o ombro? Sua mão direita subiu automaticamente, mas ele
descobriu que não conseguia nem fechar os dedos ao redor do cabo da espada.
Eles estavam ficando dormentes; assim como as pernas, ele caiu no pescoço
de Invincivel, fazendo o seu melhor para se agarrar a sua montaria com
membros que se tornaram inúteis. Ele mal conseguia virar a cabeça para olhar
para ela e acusá-la:
—Traidora! o que você fez comigo?
Sylvana sorriu. Estava feliz, se aproximou dele pouco a pouco, com
parcimônia. Ela usava as mesmas roupas de quando a matou, o que revelou
uma grande parte de sua pele azul-clara. Curiosamente, seu corpo não tinha
cicatrizes das inúmeras feridas que recebeu naquele dia."Eu ataquei com
uma flecha envenenada especial que preparei especialmente para você", ele
disse enquanto se aproximava. Ela colocou o arco nas costas e tirou uma
adaga. A paralisia que você está experimentando agora é apenas uma fração
da agonia que você me causou. Arthas engoliu em seco. Sua boca estava
seca como areia do deserto.- Acabe comigo uma vez.
Sylvanas jogou a cabeça para trás e riu de um jeito vazia e fantasmagórica.
-Você implora uma morte rápida...como a que você me deu?A alegria
desapareceu de seu rosto tão rapidamente quanto surgira e seus olhos
brilhavam de fúria. Ela continuou a se aproximar até que estivesse a apenas
um braço de distância. Invincivel saltou para a incerteza e o coração de
Arthas quase saiu do peito porque ele estava prestes a cair.
-Oh não. Você me ensinou bem, Arthas Menethil. Você me ensinou que era
loucura mostrar misericórdia para com os inimigos e um prazer
atormentá-los. Então, professor, vou mostrar-lhe como aprendi bem a lição.
Você vai sofrer tanto quanto eu, graças a minha flecha, você não pode nem
fugir.
Como parecia que os olhos eram a única coisa que Arthas podia mover, ele
assistiu impotente enquanto ela levantava a adaga.
-De lembranças para o inferno de mim, seu filho da puta.
Não, não é assim, Jaina... paralisado e indefeso
De repente, Sylvanas tropeçou para trás, e a mão pálida que segurava a
adaga começou a tremer e soltou a arma. O olhar de espanto em seu rosto era
eloquente.Um instante depois, o fantasma que ajudara Arthas se
materializou, sorrindo alegremente ao pensar que ele salvara seu rei. Para
quem foi um prazer servir.- Saiam, seres sem mente! Você não vai cair hoje,
meu rei!
Kel'Thuzad! Ele havia chegado como prometera; Ele havia encontrado o
lugar para o qual aquela alma traiçoeira havia trazido Arthas. E não estava
sozinho. Mais de uma dúzia de mortos-vivos vivos que o acompanharam
correram para Sylvana e suas banshee. A esperança cresceu dentro dele, mas
ele permaneceu paralisado, incapaz de se mover. Ele assistiu a luta irromper
em torno dele; Em alguns momentos ficou óbvio que Sylvanas teria que
recuar.Ela lançou-lhe um olhar de furia. - Isso não acabou, Arthas!
Eu nunca vou parar de te perseguir!
Arthas a observou atentamente enquanto ele se fundia com as sombras. As
últimas partes de seu corpo que desapareceram foram seus olhos vermelhos.
Quando sua senhora desapareceu, as banshee sob o comando de Sylvana
foram embora. Kel'Thuzad correu para Arthas.-Você se machucou, meu
senhor?
Arthas só pôde olhar para ele; a paralisia se espalhou tanto que ele não
conseguia mover os lábios. Mãos de osso envolveram a flecha e com uma
delicadeza incrível a puxaram.
Arthas reprimiu um grito de dor quando saiu. Seu sangue vermelho foi
misturado com uma substância negra pegajosa, que Kel'Thuzad examinou
cuidadosamente.
-Os efeitos nocivos da flecha desaparecerão com o tempo. Parece que o veneno
só pretendia imobilizá-lo.
Claro, Arthas pensou, caso contrário ela não precisaria da adaga. Ele ficou
aliviado e então o cansaço tomou conta.Ele estava muito perto (demais) de
morrer. Se não fosse pela lealdade do Lich, a elfa teria se vingado. Ele tentou
falar de novo e dessa vez conseguiu dizer:-Vo... você me salvou.
Kel'Thuzad inclinou a cabeça coroada de chifres.
-Estou feliz por ter sido útil, meu rei. Mas você deve ir muito rapidamente.
Todos os preparativos para a sua viagem já foram feitos. O que você quer que
eu faça em seu nome? Kel'Thuzad estava certo. Arthas estava começando a
sentir algo como a vida retornando a seus membros, embora isso ainda não
permitisse que ele se movesse por conta própria.Preciso encontrar o Rei Lich
o mais rápido possível. Se eu demorar mais, não sei o que o futuro trará, nem
se voltarei. Então eu quero que você cuide desta terra. Certifique-se também
de que meu legado continue vivo.
Ele confiava no Lich não por afeto ou lealdade, mas simplesmente porque a
dura realidade lhe mostrara que ele podia confiar em Kel'Thuzad, um monstro
morto-vivo, fiel ao mestre que ambos serviam. Os olhos de Arthas procuravam
o pequeno fantasma, que ainda estava flutuando, sorrindo, a poucos metros de
distância, e então se acomodaram nos rostos.estúpido de corpos em
decomposição, que se jogariam de um penhasco se ele pedisse.Eles não eram
nada além de carne morta e espíritos perdidos. Eles não eram suditos.E eles
nunca foram. Não importava o que o sorriso do fantasma dizia.- Será uma
honra meu senhor.
- Eu farei o que você me pede, Rei Arthas. O farei.

Agora ela tinha um corpo, como o que ele tinha antigamente, embora
modificado, como ela, que também havia mudado. Sylvanas andou com o
passo leve que possuia em vida e usava a mesma armadura. Mas não era a
mesmo. Sua existência era irrevogavelmente alterada para sempre.
-Você parece preocupada, minha senhora.
Sylvanas despertou de sua auto-contemplação e virou-se para a banshee,
uma das muitas que flutuavam ao lado dela. Não podia mais flutuar no ar
com elas, mas a verdade é que preferia o peso, a solidez da forma corpórea
que recuperara para si.-E você não esta irmã? -respondeu secamente.
Apenas alguns dias atrás, éramos escravas do Rei Lich. Nós só vivemos
para massacrar em seu nome. E agora estamos livres.-Eu não te entendo,
senhora. A voz da banshee era vazia e confusa. Nossa vontade dita nossas
ações agora. Você não lutou por isso?
Eu pensei que você seria feliz. Sylvana riu, ciente de que estava ficando
perigosamente perto da histeria.-Que alegria traz essa maldição? Nós ainda
somos mortos-vivos, irmã, somos monstros.Ela estendeu a mão, examinou
a pele cinza-azulada e percebeu que o frio se agarrava a ela como uma
segunda pele.
-O que somos nós, além de escravos deste tormento?
Arthas a havia afetado tanto que, mesmo se o fizesse, prolongar sua morte
por um período de dias - semanas a fio -, nunca o faria sofrer o suficiente.
Sua morte não ressuscitaria os mortos, nem purificaria a Nascente do Sol,
nem restauraria sua vida, nem sua pele de pêssego, nem seus cabelos
dourados. Mas isso seria maravilhoso.Fazia vários dias desde que Arthas
escapara. Seu lacaio, o lich, chegara precisamente ao momento mais
inoportuno. Arthas havia ido para um lugar longe de seu alcance, a fim de se
curar. E ela sabia que deixara Kel'Thuzad encarregado dessas terras
devastadas. Mas isso foi bom. Estava morta, e tinha todo o tempo do mundo
para planejar uma vingança primorosa.Um movimento chamou sua atenção
e ela se levantou, esticou o arco e apontou, tudo de uma vez. O portal que
girava no ar se abriu e Varimathras apareceu, sorrindo com
condescendência diante dela.
"Saudações, Lady Sylvanas", disse o demônio, curvando-se. Sylvanas
arqueou uma sobrancelha não acreditando na saudação.
- Meus irmãos e eu apreciamos o papel que você desempenhou na
derrubada de Arthas. O papel que ele tinha desempenhado? Ele falou como
se fosse uma performance teatral.-Queda? Eu suponho que você poderia
chamar assim. Em vez disso, ele fugiu, com certeza.Aquele poderoso ser
deu os ombros, as asas levemente estendidas.De qualquer forma, isso não
nos incomoda mais. Eu vim para lhe oferecer um convite formal para se
juntar a nossa nova ordem.
Uma "nova ordem". Eu não sei o que tem isso de novo, pensou. A mesma
escravidão, mas com um mestre diferente. Não lhe interessava nem um pouco.
"Varimathras", disse friamente, sem se curvar, "meu único interesse é ver
Arthas morto. Desde que falhei na minha primeira tentativa de cumprir essa
missão, quero concentrar meus esforços no sucesso dos próximos. Eu não tenho
tempo para sua política mesquinha ou suas lutas pelo poder.O demônio se
mexeu.- Cuidado, senhora. Não seria prudente incorrer em nossa raiva. Nós
somos o futuro destas...Terras da Praga. Você pode se juntar a nós ou ficar de
lado.- Você, o futuro? Kel'Thuzad não acompanhou seu amado Arthas por um
bom motivo, mas talvez um lich renascido da própria essência da Fonte do Sol
não seja páreo para seres tão poderosos quanto você.Sua voz exalava desprezo e
o Senhor do Horror franziu o cenho de maneira assustadora.
-Eu vivi como um escrava por tempo suficiente.É engraçado como a palavra
"viver" é usada, mesmo que você esteja morta. Os velhos hábitos nunca morrem,
ou assim parece."Eu lutei com unhas e dentes para deixar de ser a criatura que
aquele rato me transformou. Eu possuo minhas ações e escolho meu destino. A
Legião foi derrotada. Vocês são seus últimos restos patéticos. Você é uma
espécie em extinção. Eu não pretendo renunciar à minha liberdade e me
submeter ao seu jugo, tolo.
"Assim seja", falou Varimathras.
Ele ficou furioso. Em breve você saberá nossa resposta.O demônio se
teleportou, seu rosto se contraiu em uma careta.O sarcasmo de Sylvanas o
abalou, tremendo de indignação.
Sylvanas não recuou. Ele sabia que ele era facilmente enfurecido; além
disso, foi ele quem foi até ela, pensando que não seria uma grande ameaça.Ela
precisaria de mais do que um punhado de banshee para lutar contra Arthas.
Precisava de um exército, uma cidade dos mortos, precisaria de Lordaeron.
Chamaria de Renegados, as almas perdidas que, como ela, não respiravam,
ainda que possuissem vontade própria. Mas antes disso, precisaria de mais ajuda
do que suas irmãs poderiam fornecer para lutar contra os três irmãos
demoníacos. Também poderia ser que fosse necessário apenas enfrentar dois.
Sylvanas pensou novamente em Varimathras, como era fácil manipulá-lo.Talvez
esse demônio pudesse ser útil para você?Sim. Os Renegados iriam encontrar o
seu caminho neste mundo e coitado daquele que metesse no caminho deles.

CAPÍTULO
VINTE E TRÊS

N ortundria. Arthas tinha a estranha sensação de estar voltando para

casa. A medida que a costa se fez visível, Arthas recordou da primeira vez
que chegou aquele lugar, com o coração cheio de dor pela traição de Jaina e
Uther, e pelo que fora obrigado a fazer em Stratholme. Haviam passado
tantas coisas que parecia haver transcorrido uma eternidade desde que,
sedento de vingança, veio a está desolação de gelo com a intenção de matar
o senhor demoníaco responsável de converter seu povo em mortos vivos.
Agora, Arthas controlava esses mortos e se havia aliado com Kel'Thuzad.
Que estranhos giros e ironías tem o destino.
Na primeira vez sentiu o frio que reinava naquele lugar; desta vez, não.
Nem os homens que lealmente o seguiram ali, pois o fato de terem morrido
impediu-os de perceber tais sensações. Apenas os necromantes humanos se
abrigavam para proteger-se do vento frio que suspirava e gemia, e da neve
que caía tão suave quanto lançavam âncoras e desembarcavam. Arthas saiu
com rigidez do barco para a costa. Enquanto ele não sentia o frio que
dominava aquele reino congelado, seus poderes e seu corpo, estavam
claramente enfraquecidos. Assim que pôs os pés no chão, sentiu a presença
do Rei Lich. Já não escutava sua voz em sua mente, mas não a falava
através de Lamento Gelido, embora o leve brilho do Lamina Runica
parecesse intensificar-se um pouco. Não; Arthas percebia a presença em
seu amo ali, como nunca antes sentiu. Essa não era a única coisa que ele
sentia, já que um senso desconcertante de ameaça reinava em todos os
lugares.
Ele se virou para observar aqueles seres que o seguiram até a praia:
ghouls, necrofagos, fantasmas, abominações e necromantes.- Temos que nos
apressar!
Gritou- Algo ameaça o Rei Lich. Nós devemos alcançar a Coroa de Gelo
o mais rápido possível.
-Meu Senhor! Gritou um dos necromantes, apontando para um ponto.
Arthas virou e desembainhou a Lamento Gelido. Através do véu que
compunha a neve, ele podia ver silhuetas de uma cor dourada e avermelhada
flutuando no ar. Ao se aproximarem, o cavaleiro da morte estreitou os olhos,
preso em uma mistura de surpresa e raiva, para reconhecer aquelas criaturas
e perceber quem deveria ser seu mestre. Eram falcodracos. Ele ficou
espantado. Ele exterminou todos os altos elfos. Alguns deles sobreviveram e
se reagruparam? Nesse caso, como era possível que soubessem onde ele
estava indo e estivessem esperando lá para lutar contra ele? Um sorriso foi
lentamente desenhado em seus traços bonitos e ele não pôde deixar de sentir
alguma admiração por eles.Os falcodracos se aproximaram. Arthas levantou
a Lamento Gélido em saudação."Devo admitir", disse ele em voz alta, "que
estou surpreso por estar aqui com os Quel'dorei, achava que esse frio era
desagradável demais para pessoas tão delicadas.
- Príncipe Arthas! A voz veio de um dos cavaleiros, cuja montaria
sobrevoou o cavaleiro da morte. Com uma voz clara, vibrante e
poderosa, acrescentou: "Diante de você não estão quel'dorei, mas
sin'dorei, os elfos de sangue! Nós juramos vingar a queda de
Quel'Thalas. Esta terra morta... será purgada! Aquelas monstruosidades
repugnantes que você criou descansarão em paz como deveriam. E você,
assassino, finalmente receberá sua justa punição.
No começo, foi divertido. Seu inimigo era bastante numeroso e
Arthas supôs que talvez estivesse enfrentando os últimos membros de
uma raça praticamente extinta. Teriam eles chegado a este deserto
apenas para se vingar? Mas isso rapidamente se transformou em
irritação. Apesar de estar muito fraco e cansado, ele gritou:deixando-se
levar pela raiva:"Nortundria pertence à praga, à qual você logo se
juntará, elfo! Você cometeu um erro terrível vindo aqui!Mais
falcodracos apareceram, acompanhados por rangers avançando a pé.
Flechas voavam pelo céu, tantos quanto flocos de neve, crivando os
mortos-vivos enquanto atacavam o inimigo. No entanto, a maioria não
caiu; as flechas, desde que não passassem por nenhuma parte vital, não
representavam nenhum problema para eles. Arthas nem se deu ao
trabalho de montar nas costas de Invincivel para atacar o inimigo. A
Lamento Gélido estava com fome; parecia recuperar força e energia,
assim como o próprio cavaleiro da morte, com cada uma das novas almas
que consumia. No calor da batalha, Arthas ouviu uma voz profunda e
gelada como a propria Nortundria, vindo de uma colina que se elevava
acima deles.-Adiante! Pela Praga!Matem-os em nome de Ner'zhul
Apesar de tudo o que viu e fez, Arthas sentiu um calafrio quando ouviu
aquela voz fria como ossos. Ele arriscou olhar para cima brevemente e abriu os
olhos arregalados, atordoado com o que viu.Eles eram nerubianos! Claro, esta
era sua terra natal. Seu coração pulou uma batida enquanto as observava seguir
em frente. Ele podia distinguir suas silhuetas pelo véu que compunha a neve,
assim como a velocidade perturbadora e familiar com que esses seres
aracnídeos lançavam suas presas. Arthas reconheceu o mérito dos Sin'dorei,
que lutaram bravamente; no entanto, o Flagelo os superava, e o cavaleiro da
morte logo foi cercado por um mar de cadáveres vestidos de vermelho e
dourado. Ele ergueu a mão e, um a um, os elfos mortos estremeceram e
cambalearam de pé, com os olhos vidrados."Aqui estão mais soldados a
serviço do que servimos", disse Arthas, com o olhar voltado para o líder dos
nerubianos. O cavaleiro da morte era muito maior que seus servos, entre os
quais ele se destacava enquanto se moviam com facilidade sem precedentes
pela paisagem coberta de neve. Ele se moveu entre eles como o rei que o era,
com resolução e precisão.Ele tentou encontrar algum traço familiar naquele ser
incrivelmente estranho; aos olhos de um humano, Anub'arak parecia um
cruzamento entre um escaravelho e um nerubiano mais parecido com as
aranhas que ele comandava. Arthas percebeu que havia dado um passo para
trás sem perceber, então se forçou a não se mover um pouco de onde estava
enquanto aquela criatura se aproximava.Assim que ficou absolutamente
aterrorizante, ficou diante dele, levantou-se ameaçadoramente e olhou para ele
com seusvários olhos. Então Arthas se preparou para saudar seu aliado e falou,
tentando manter a calma.-Obrigado pela ajuda, poderoso senhor.Aquela
criatura inclinou a cabeça, e suas mandíbulas estalaram levemente enquanto
falava naquele tom grave e sepulcral que perturbava tanto Arthas.
—O Rei Lich me enviou para apoiar-te, cavaleiro da morte. Sou
Anub'arak, antigo rei de Azjol-Nerub.
Aonde esta o outro?
Em seguida se ergueu sobre suas patas traseiras e olhou ao seu redor
buscando alguém.

—Outro?
—Me refiro a Kel'Thuzad —esclareceu Anub'arak com uma voz reverberante,
una mescla entre um sibilar e um suspiro, que voltou a retumbar
estrondosamente.
Agachou-se e observou a Arthas com seus multiplos olhos.
—Lhe conheço. Conheci e me apresentei a Kel'Thuzad quando veio a servir o
Rei Lich, como te saudo e me apresento ante ti agora.
Arthas perguntou se Kel'Thuzad havia se sentido tão inquieto como ele
quando conheceu este morto vivo, este rei arácnideo de una antiga raça. Claro
que sim, disse. Qualquer um se sentiria as sim.

-Seu povo participou em nossas fileiras a primeira vez que atacamos esses elfos e
sua contribuição foi muito boa- apontou o cavaleiro da morte quando ele olhou de volta
para os Sin'dorei caídos. Arthas ficou contente porque o "povo" de Anub'arak apoiou
seu lado. E eu recebo sua ajuda novamente com grande prazer. No entanto, não temos
tempo para as cortesias. Como o Rei Lich lhe enviou, suponho que você esteja ciente de
que ele está em perigo. Nós devemos alcançar a Coroa de Gelo o mais rápido
possível."De fato", Anub'arak respondeu com sua voz estrondosa, depois que sacudiu a
cabeça assustadora e mudou de postura enquanto estendia duas das pernas da frente.
Vou reunir o resto do meu povo e marcharemos juntos para proteger o nosso senhor.A
enorme criatura foi embora cercada por sua grande aura de autoridade, a fim de
convocar seus súditos obedientes, que corriam para ele ansiosos. Arthas reprimiu um
calafrio e deu um leve chute no cadáver de um elfo caído. Como eles o desmembraram,
ele estava muito quebrado para ser útil.
—Estes elfos são patéticos. Não me extranha que destruimos seu país
com tanta facilidade.
-Que pena que eu não estava lá para te impedir. Faz muito tempo desde
que nos vimos pela última vez, Arthas.
Aquela voz era melodiosa, suave, culta e cheia de ódio. O cavaleiro da
morte virou assim que a reconheceu; Surpreendeu-o e ao mesmo tempo ele
se alegrou em encontrar seu dono naquele lugar. Que reviravoltas
inesperadas e ironias o destino lhe reservava.
—Príncipe Kael'thas —falou Arthas sorrindo.
O elfo permaneceu a alguns metros de distância, enquanto o brilho do
feitiço de teleporte desaparecia.Ele parecia não ter envelhecido nem um pouco:
tinha exatamente a mesma aparencia que Arthas lembrava. Não exatamente.
Seus olhos azuis brilhavam com o fogo da raiva contida. Não era a mesma raiva
que ele havia visto no rosto em seu último encontro, mas uma fúria gelada cujas
raízes eram muito profundas. E ele não usava mais púrpura e azul como o Kirin
Tor, mas com os tradicionais tons carmim de seu povo.
—Arthas Menethil-disse o elfo, omitindo seu título de forma consciente.
Era evidente que pretendia irrita-lo, ainda que Arthas não se senti-se
ofendido.

Sabía muito bem que titulo merecia, e logo, esse princepezinho também o
saberia-. Eu sinto vontade de cuspir toda vez que pronuncio seu nome, mas
não vale a pena.
—Ah, Kael! —replicou Arthas sem deixar de sorrir—. Até seus insultos
são desnecessariamente complicados. Fico feliz em ver que você não
mudou, que você ainda é tão inútil quanto sempre. O que me leva a
perguntar por que você não estava em Quel'Thalas quando atacamos? Você
está satisfeito por permitir que outras pessoas morressem em seu nome
enquanto desfrutava do conforto e da segurança da Cidadela Violeta? A
propósito, acho que você não será capaz de aproveitar o conforto da cidade
dos magos novamente.
Kael'thas cerrou os dentes com força e apertou os olhos.
-O reconheço. Eu deveria estar lá. No entanto, eu estava em outro lugar
tentando ajudar os seres humanos a lutar contra o Flagelo; a Praga com a
qual você destruiu seu próprio povo. Talvez você não se preocupe com seus
assuntos, mas eu me preocupo com os meus. Eu perdi muito, por causa dos
seres humanos. Eu só luto em nome dos elfos, dois sin'dorei, filhos do
sangue. Vai pagar o cabelo que fez, Arthas. Você vai pagar por isso!
-Estou quase gostando dessa conversa, sabe? Tem sido tão longa, certo?
Nós não nos víamos desde ... "O cavaleiro da morte deixou a frase
inacabada e notou que o príncipe elfo sofreu um leve espasmo perto do
olho.
Sim Kael'thas se lembrava.
Ele se lembrou de ter tropeçado em Jaina e Arthas se envolveu em um beijo
apaixonado. Essa memória também perturbou brevemente o cavaleiro da
morte, de modo que o prazer que sentia em infligir aquele tormento a
Kael'thas foi atenuado.
- No entanto, devo dizer que estou bastante desapontado com estes Elfos
você lidera. Eu esperava que eles fossem um desafio maior. Talvez eu tenha
matado todos aqueles que valiam a pena em Quel'Thalas - adicionou
Arthas.
Mas Kael não mordeu a isca.
-Você enfrentou apenas um posto avançado. Não se preocupe, Arthas, você
logo enfrentará um verdadeiro desafio. Asseguro-lhe que derrotar o
exército de Lorde Illidan será muito mais difícil para você - disse o
príncipe, sorrindo com os lábios cheios enquanto o cavaleiro da morte se
sobresaltava ao ouvir esse nome.
—Illidan é o responsavel desta invasão?

Maldito seja. Teria valido mais ter matado Tichondrius eu mesmo, em vez
de envolver os kaldorei no plano. Sabía que Illidan era un ser ávido de
poder, porém nunca imaginei que o elfo da noite pudesse chegar a
converter-se em uma amenaça tão grande, pensou o cavaleiro da morte.
—Assim é. Nossas forças são inconmensuraveis, Arthas—lhe respondeu.
Desta vez, sua voz sedosa estava repleta de deleite. Aquele rato estava
saboreando o momento—. Enquanto falamos, se dirigem a Geleira Coroa do
Gelo. Não chegara a tempo para salvar a seu querido Rei Lich. Considere-o
como o tributo que há de pagar por Quel'Thalas... e outros insultos.
—Outros insultos? —replicou Arthas com um sorisso—. Talvez devería
dar-lhe detalhes desses outros insultos. Você quer que eu lhe diga o que senti
quando a segurei em meus braços, provando seu gosto, ouvindo-a gritar
comigo?Então a dor voltou com mais intensidade do que nunca. Arthas caiu
de joelhos. E ele viu tudo vermelho. Mais uma vez ele olhou para o Rei Lich
(ou Ner'zhul, lembrando-se do que Anub'arak havia chamado)preso naquela
prisão de gelo.- Depressa! O Rei Lich insistiu. Meus inimigos estão
chegando!Nós dificilmente temos tempo para remediar isso!"
Você está bem, cavaleiro da morte?
Arthas piscou e então se viu encarando o rosto de Anub'arak (se pudesse
chamar assim). Uma das longas pernas do aracnídeo foi estendida para ele;
Foi a maneira dele de oferecer ajuda para levantar-se. Ele hesitou, mas estava
fraco demais para ficar de pé sozinho. Enchendo-se com coragem, ele agarrou
a perna e se levantou. Era como um pedaço de madeira ao toque, estava seco e
parecia mumificado. Ele soltou assim que pôde ficar em pé sozinho.
"Meus poderes estão diminuindo, mas eu vou me recuperar", disse ele,
respirando e olhando em volta.-. Onde está Kael'thas?"Ele fugiu", o
aracnídeo respondeu com uma voz fria como uma pedra inchada de
desagrado. Ele usou sua magia para se teletransportar antes que pudéssemos
rasgá-lo em pedaços,mas uma vez, ele recorreu àquele truque magico de
teletransporte. Se os necromantes de Arthas conseguissem fazer tal coisa, o
Rei Lich não estaria em perigo algum. O cavaleiro da morte lembrava-se
dos outros cadáveres e sabia que, sem dúvida, teria sido o destino de
Kael'thas se não tivesse recorrido àquele truque barato."Eu odeio admitir
isso, mas esse maldito elfo estava certo", disse ele, voltando-se para seu
aliado intimidador. Anub'arak tive outra visão sobre ou Rei Lich: ele
enfrenta um perigo imediato. Illidan e Kael'thas se aproximam . Nós não
podemos alcançar a geleira a tempo!
Eu fracassei...
Anub'arak não parecia nada preocupado. -Por terra, talvez não, refletiu
aquela criatura colossal. Embora seja uma jornada longa e árdua, não temos
alternativa, cavaleiro da morte. O velho reino devastado de Azjol-Nerub se
encontra nas profundezas desta terra. Durante muitos anos governei esse
reino. Conheço seus caminhos e passagens secretas. Apesar de hoje estar
passando por um período escuro, poderia nos proporcionar um atalho para a
geleira. Arthas olhou para cima. Se eles pudessem voar como um corvo, não
seria uma longa viagem. Mas se eles tivessem que atravessar o gelo e as
montanhas que estavam diante deles...
- Tem certeza de que podemos alcançar a geleira através desses túneis?
Ele perguntou.
—Neste mundo não há nada seguro, cavaleiro da morte — contestou o
nerubiano, e, por um momento, ele deu a impressão de estar sorrindo.
Nós correremos muito perigo nas ruínas. Mas vale a pena correr o risco.
Passa por um tempo sombrio. Uma frase curiosa, nos lábios de um antigo
senhor aracnídeo morto. Arthas se perguntou o que isso significaria.
Estava prestes a descobrir. Anub'arak e seus súditos foram para o norte,
avançando a bom ritmo. Arthas e seus seguidores da Praga os seguiram
assim que deixaram o oceano para trás. O sol se moveu rapidamente no
céu escuro, até que tocou o horizonte. Uma longa noite se aproximava.
Sem parar a marcha, Arthas enviou alguns de seus guerreiros para
recolher todos os galhos de árvores e ramos que pudessem; eles teriam
que queimar muitas tochas para atravessar aquele perigoso reino
subterrâneo.
Depois de várias horas de progresso muito lento (os mortos-vivos
não podiam sentir o frio, mas o vento e a neve diminuíam o ritmo),
Arthas percebeu que, apesar das palavras irônicas de Anub'arak, uma
coisa era certa. Ele nunca teria chegado a tempo de salvar o Rei Lich (e,
portanto, salvar a si mesmo) se tivesse feito aquela viagem pela
superfície. No final, foi o instinto de sobrevivência que o levou tanto a
continuar. O Rei Lich o encontrou no passado, transformara-o em quem
ele era. Ele lhe dera grande poder. Arthas sabia disso e sentia-se grato,
mas isso não tinha nada a ver com lealdade, ou que ele estava em dívida
com o Rei Lich. Se aquele ser de poder excepcional fosse morto, sem
dúvida, Arthas seria o próximo a cair e, como dissera a Uther na época,
pretendia viver para sempre.
Finalmente, eles chegaram às portas que estavam procurando. Estavam
tão cobertas de gelo e neve que Arthas não os reconheceu imediatamente.
Anub'arak parou, levantou-se e esticou duas de suas oito pernas para apontar
que estavam diante delas. Algumas pedras curvas que lembraram foices (ou
as pernas de um inseto, Arthas disse) se destacaram e suas extremidades se
entrelaçaram para formar uma espécie de túnel simbólico. Mais tarde, as
portas puderam ser distinguidas. Havia uma aranha gigante esculpida nelas.
Arthas esboçou uma careta de desgosto, mas depois evocou as estátuas que
povoavam Ventobravo. Isso era diferente? Depois de cruzar a entrada do
"túnel" e as portas, chegaram ao coração do que parecia ser um iceberg. Por
um momento, apenas por um momento, Arthas olhou para a figura
silenciosa e imensa de Anub'arak, pensou em como as aranhas capturariam
as moscas e se perguntou se estava fazendo a coisa certa.
—E aquí a entrada a um outrora poderoso e antigo lugar - indicou
Anub'arak—. Eu era seu senhor, e minhas ordens eram obedecidas sem ser
jamais questionadas. Era forte e poderoso, e não me curvava perante
ninguem. Porém as coisas mudam. Agora sirvo ao Rei Lich, e é meu dever
defender-lo.
Arthas recordou brevemente a indignação que havia sentido quando
surgiu a praga, sua ardente necesidade de vingança... O olhar de seu pai quando
a Lamento Gelido consumiu sua alma.
—Certo. As coisas mudam — sussurou o cavaleiro da morte—. Porém
não há tempo para a nostalgia.
Voltou-se a seu novo e estranho aliado, sorriu fríamente e disse:
—Desçamos.

CAPÍTULO
VINTE E QUATRO

A rthas não sabia quanto tempo haviam permanecido sob a superficie


congelada de Nortundria, no antigo e letal reino nerubiano. Só tinha duas
coisas claras enquanto caminhava para o exterior, até a luz , piscando como
um morcego forçado a sair ao sol, uma delas era que ele esperava chegar a
tempo de proteger o Rei Lich. A outra era que ele se sentia profundamente
aliviado,de maneira indescritível, por poder deixar aquele lugar.
Ele não tinha dúvida de que o reino nerubiano fora outrora muito belo. Arthas
não tinha certeza do que seria encontrado naquele reino, mas o que ele não
esperava de modo algum era se deparar com aquelas cores azuis e púrpuras
cativantes e intensas, ou com as intrincadas formas geométricas que se
distinguiam nas diferentes salas e corredores. Se bem que estes ainda
conservavam sua beleza, eram como uma rosa empalhada; algo que, embora
ainda bonito, estava morto. Enquanto caminhava, sentiu um cheiro estranho
que impregnava tudo. Não sabia do que se tratava, nem sequer conseguia
categorizá-lo. Era acre e rançoso ao mesmo tempo, mas não desagradável, não
para alguém acostumado à companhia dos mortos em decomposição.
Provavelmente, esse era um caminho mais curto, exatamente como Anub'arak
havia prometido; no entanto, eles pagaram um alto preço por cada passo que
haviam dado. Pouco depois de entrar, foram atacados.
Uma dúzia ou mais de seres aracnídeos emergiram da escuridão,
gritando com raiva quando se lançaram sobre eles. Anub'arak e seus
soldados confrontaram seus atacantes sem hesitação. Arthas hesitou
uma fração de segundo; Ele então se juntou à batalha e ordenou que suas
tropas fizessem o mesmo. As vastas cavernas encheram-se com os gritos
dos nerubianos, o lamento gutural dos mortos-vivos e os gritos de
agonia dos necromantes ainda vivos, enquanto os nerubianos atacavam
com jatos de veneno. Teias grudentas e pegajosas prendiam vários dos
mais ferozes cadáveres, que ficavam indefesos das mandíbulas
poderosas que os decapitavam ou pernas afiadas que os empalavam e
arrancavam suas entranhas.
Anub'arak era um autentico pesadelo feito de carne. Proferiu um uivo
espantoso e cavernoso em sua língua nativa gutural e lançou sobre seus
antigos súditos com consequências devastadoras. Com as pernas, que se
moviam independentemente umas das outras, agarraram e empalaram
suas infelizes vítimas. Garras implacáveis os desmembravam. E em todos
os momentos, o ar viciado era rasgado pelos gritos que faziam todo
mundo tremer e engolir em seco até mesmo os acostumados a essas coisas
como Arthas. A escaramuça foi muito violenta e eles tiveram que pagar
um alto preço por isso na forma de baixas, mas no final, os nerubianos se
perderam nas sombras de onde haviam surgido. Eles deixaram vários
feridos para trás; as oito patas dos miseráveis aracnídeos estremeceram
violentamente, e depois se enrolaram em si mesmas e morreram.
-Que diabos foi isso? Arthas perguntou ofegante quando se virou
para Anub'arak. Esses nerubianos pertencem à sua estirpe. Por que se
mostram hostis?"Muitos dos que caíram durante a guerra da Aranha
foram trazidos de volta da morte para servir o Rei Lich", respondeu
Anub'arak, apontando para um dos corpos com a perna da frente. No
entanto, esses guerreiros não morreram. Eles são tolos que ainda lutam
para libertar Nerub do Flagelo. Arthas observou os nerubianos mortos.

"Tolos, sim", ele murmurou, e imediatamente colocou a mão em seu


coração. Ao morrer, eles só servirão àquele contra quem lutaram na vida.
Quando finalmente saíram daqueles túneis sob luz fraca do mundo
exterior, Arthas deu várias tragadas de ar frio e limpo; novos recrutas
recentemente mortos haviam aumentado as fileiras de seu exército.Arthas
puxou as rédeas para que Invincible parasse. O cavaleiro da morte tremeu
de maneira exagerada; Eu só queria ficar parado e respirar ar fresco por
um tempo. O ar rapidamente se tornou corrompido pelo fedor do seu
exército podre.
Anub'arak passou por ele e parou por um momento para observá-lo
implacavelmente.Não há tempo para descansar, cavaleiro da morte. O Rei
Lich precisa de nós. Nós devemos cumprir nosso dever como servos. Arthas
olhou brevemente para o Lorde da Cripta. Havia algo no tom de voz daquele
homem, ressentimento, talvez? Anub'arak servia seu mestre porque ele não
tinha escolha? Ele trairia o Rei Lich se a oportunidade se apresentasse? E,
especificamente, ele iria trair Arthas?Os poderes do Rei Lich ficaram cada
vez mais fracos. Como os Arthas. Se eles diminuíssem demais... O cavaleiro
da morte olhou para a figura do Senhor na cripta enquanto se afastava,
respirou fundo e a seguiu.

Quanto tempo caminharam entre a espesa neve e os purificadores


ventos? Arthas era incapaz de precisar-lo. Em dado momento, quase
perdeu a consciencia enquanto cavalgava, de tão débil que se encontrava.
Recuperou a consciencia com um sobresalto, aterrorizado com a tontura
que sofrera, e retirou forças para aguentar da melhor maneira possivel. Não
podia falhar, agora não.
Eles chegaram ao topo de uma colina e Arthas finalmente viu a geleira
que ocupava o centro do vale e o exército que os aguardava. Ele foi
encorajado a ver tantos reunidos ali para lutar por ele e pelo Rei Lich.
Anub'arak deixara muitos de seus guerreiros na retaguarda e agora estavam
lá, estoicos e prontos. No entanto, mais perto da geleira, viu outras silhuetas
fervilhando. Ele estava longe demais para distingui-los claramente, mas
sentia quem deveria tratar-se. Ele olhou para cima e ficou boquiaberto.O Rei
Lich estava lá, nas entranhas da geleira. Preso em sua prisão, como apareceu
nas visões de Arthas. Quando um nerubiano correu para Anub'arak e Arthas
para informá-los da situação, o cavaleiro da morte ouviu sem prestar muita
atenção.-Vocês chegaram bem a tempo. As forças de Illidan tomaram
posições na base da geleira... Arthas gritou; uma dor, muito pior do que
sentira até então, tomou conta dele. Mais uma vez, seu mundo tornou-se a
cor do sangue quando a agonia o dominou por dentro. Agora que ele estava
tão perto do Rei Lich, o tormento que ele compartilhava com aquela entidade
poderosa era cem vezes maior. - Arthas, meu campeão. Você finalmente
chegou.
"Amo", Arthas sussurrou com os olhos fechados, pressionando ambos
os olhos com os dedos. Sim eu cheguei. Aqui estou.
"Há uma rachadura na minha prisão, no Trono Congelado, e minhas
energias filtram através dela", continuou o Rei Lich. É por isso que meus
poderes diminuíram.-Mas como isso é possível? - perguntou o cavaleiro
da morte.Alguém atacou ? Nenhum inimigo apareceu na visão de Arthas
e ele tinha certeza de que chegara a tempo.Antigamente, a Lamina
Runica a Lamento Gélido, também estava trancada no trono. Eu destruí
o gelo para que ela pudesse encontrar o caminho até você e depois
guiá-lo para mim."E assim ela fez", Arthas murmurou.Como o Rei Lich
estava preso no gelo e não conseguia se mover, ele teve que reunir um
forte desejo de fazer a grande espada atravessar o gelo e, assim,
enviá-la para Arthas. Naquele momento, ele se lembrou do gelo onde
havia encontrado a Lamento Gelido; Ele lembrou que suas bordas
estavam irregulares, como se ele tivesse se separado de um pedaço
maior. Esse vasto poder procurara em todos os momentos atrair Arthas
para aquele lugar. Passo a passo, ele levara Arthas até lá. Ele havia
dirigido isso. Controlado-Você deve se apressar, meu campeão. Meu
criador, o lorde demoníaco Kil'jaeden, enviou seus agentes para me
destruir. Se alcançarem o Trono Congelado antes de você, tudo será
perdido. E será o fim do Flagelo. Depressa! Eu te dou todo o poder que
tenho à minha disposição.Uma súbita frieza começou a tomar conta de
Arthas, aplacando aquela tremenda e furiosa dor, acalmando seus
pensamentos. Essa energia era tão vasta, tão inebriante que Arthas
nunca havia experimentado tal poder. Então essa foi a razão pela qual
ele foi guiado lá. Para drenar aquela taça de líquido gelado, para
dominar as forças glaciais do Rei Lich. Ele abriu os olhos e observou que
podia ver claramente novamente. As runas da Lamina Runica brilharam
novamente com grande intensidade, e uma névoa gelada surgiu dela e
ascendeu ao céu. Arthas sorriu ferozmente, agarrou a espada e
segurou-a. Quando ele falou, sua voz clara e sonora viajou com grande
facilidade pelo ar seco e frio.
-Acabo de ter outra visão do Rei Lich. Ele restaurou meu poder! Eu sei o
que tenho que fazer ", disse ele, apontando com a Lamento Gélido para
aquelas pequenas figuras que podiam ser vistas à distância. Illidan já
irritou muito a Praga. Tenta acessar a câmara do trono do Rei Lich. Isso
falhará. Chegou a hora de revigorar o medo da morte. Chegou a hora de
este jogo terminar de uma vez por todas.
Ele proferiu um grito desafiador e feroz, agitando a Lamina Runica sobre a
cabeça, que estremeceu, ansiosa para devorar mais almas.
—Pelo Rei Lich! —rugiu Arthas, e, a na sequencia, correu ao encontro de
seus inimigos.
Ele se sentiu como um deus brandindo a Lamento Gelido como se não fosse
nada. Cada alma que engoliu fortaleceu-a. Tanto quanto as flechas dos elfos
que sangue que choveram sobre eles, eles caíram como trigo perante a foice.
Em determinado momento, Arthas olhou ao redor do campo de batalha.
Onde estava aquele que tinha que matar? Ele não havia detectado um traço
de Illidan ainda.Ele conseguiu entrar...?
Arthas! Vire-se e lute contra mim, maldito!
Aquela voz era clara, pura e cheia de ódio. O cavaleiro da morte se virou.O
príncipe élfico estava a poucos metros de distância; Seu traje vermelho e
dourado destacava-se como sangue entre a brancura implacável da neve pela
qual lutavam. Ele era alto e orgulhoso, enfiou um bastão na neve e não
desviou o olhar de Arthas. A magia crepitou ao redor dele.-Não avançará
mais, assasino. Naquele momento, Arthas sofreu um espasmo em um
músculo perto do olho. Foi a mesma coisa que falara, Sylvanas. Ele fez um
gesto de desprezo e sorriu para o elfo que uma vez parecia tão poderoso e
culto para um jovem príncipe humano. Ele retornou mentalmente ao
momento em que Kael o pegou beijando Jaina. Arthas, que era então um
menino, sabia que não era páreo para aquele mago muito mais poderoso que
o superava em idade.No entanto, Arthas não era mais um menino."Depois
que você desapareceu tão covardemente em nosso último confronto, eu
admito que estou surpreso em vê-lo novamente, Kael. Você não deve ficar
bravo porque eu roubei Jaina. Você deve superá-la e seguir em frente.
Afinal, você ainda pode desfrutar de muitas coisas neste mundo. Oh, espere
... Não, não mais.
-Eu desejo que você apodreça no inferno, Arthas Menethil! Ele amaldiçoou
Kael'thas, tremendo de indignação. Você tirou tudo o que me era querido. A
vingança é a única coisa que me resta.Ele não perdeu mais tempo exalando
sua raiva e levantou sua espada. O cristal fixado na ponta brilhava
intensamente e uma bola de fogo estalava na outra mão. Um instante depois,
ela disparou em direção a Arthas. Então, fragmentos de gelo caíram no
cavaleiro da morte. Kael'thas era um mestre da magia muito mais rápido do
que qualquer um com quem Arthas havia enfrentado até aquele ponto. Ele
conseguiu levantar a Lamento Gelido bem a tempo de desviar daquela bola
de fogo que estava aumentando cada vez mais. Dos fragmentos de gelo, ele
foi capaz de lidar com grande facilidade. Ele brandiu a grande Lamina
Runica acima de sua cabeça e puxou-os em direção à sua lâmina como lascas
de ferro para um imã. Sorrindo, Arthas virou a espada e devolveu os pedaços
de gelo ao mago que os jogara. A velocidade de Kael'thas o surpreendeu
mais uma vez, mas ele não ia cometer esse erro novamente."Talvez você
devesse pensar duas vezes antes de me atacar com gelo, Kael", o cavaleiro da
morte disse brincando.Ele tinha que provocar o mago a agir apressadamente.
Como o autocontrole é a chave para poder fazer mágia, se Kael perdesse a
paciência, ele perderia a luta.
—Obrigado pelo conselho —replicou Kael com um grunhido, enquanto
virava os olhos.
Arthas agarrou com força as rédeas de sua montaria, preparado para
esmagar seu adversário; mas, de repente, a neve sob seus pés brilhou com um
brilho alaranjado e se transformou em água imediatamente. Invincivel afundou
meio metro e seus cascos escorregaram no terreno. Arthas desmontou e
mandou a fera galopar; então ele se agarrou a Lamento Gelido com mais
determinação do que nunca em sua mão direita. Então estendeu o braço
esquerdo e uma bola escura de energia verde que saiu da palma da mão e correu
em direção a Kael como uma flecha disparada por um arco. O mago manobrou
o melhor que pôde para se defender, mas esse ataque foi rápido demais para ele.
Seu rosto ficou mais pálido e ele cambaleou para trás e com uma mão tocou seu
coração. Arthas sorriu quando parte da energia vital do mago o inundou."Eu
tomei a mulher que você amava", disse na tentativa de inflamar a raiva do
mago, mesmo sabendo (e, provavelmente, Kael sabia disso também) que Jaina
nunca amou o elfo. De noite, eu a segurei em meus braços. Seus beijos eram tão
doces, Kael.
-Agora ela te detesta ", respondeu Kael'thas. a repugna lhe da nojo, Arthas.
Tudo o que sentia por você no passado se transformou em ódio.O cavaleiro da
morte sentiu algo estranho em seu peito. Ele percebeu que nunca havia
considerado o que Jaina pensaria dele agora. Ele sempre fizera todo o possível
para parar de pensar nela quando sua mente vagava. Seria verdade o que o elfo
acabara de dizer? Realmente Jaina?Uma bola de fogo enorme e crepitante
bateu em seu peito, e Arthas gritou ao cair com a força do impacto. As chamas
o envolveram por alguns preciosos segundos antes que ele se recuperasse e
pudesse neutralizar o feitiço. A armadura protegera-o em grande parte do fogo,
embora sofresse a agonia do calor que a absorvia, cujo metal estava em contato
direto com a pele. Mas o que mais o apavorava era que ele poderia tê-lo
surpreendido. Enquanto uma segunda bola de fogo voou em sua direção, desta
vez estava pronto, e a ferocidade daquele fogo era para enfrentar a letalidade de
seu gelo.
—Devastei sua patria... Profanei sua queridíssima Fonte do Sol. E matei
seu pai. A Lamento Gélido devorou sua alma, Kael. Ele se foi para sempre.
—Você é bom em matar a nobres de idade avançada -Disse Kael'thas
como uma zombaria. A resposta foi inesperadamente dolorosa para o cavaleiro
da morte. Pelo menos você confrontou meu pai no campo de batalha. Mas e o
seu, Arthas Menethil? É preciso muita coragem para cruzar uma espada com
um pai indefeso que abre os braços para...
Arthas atacou, cobrindo a distância que os separava com alguns passos;
depois, a Lamento Gélido realizou um golpe .Kael'thas se defendeu com sua
lamina. Por um segundo, o bastão resistiu, mas depois quebrou como resultado
do violento impacto da espada.Mas, graças a esta manobra, Kael tinha tido
tempo suficiente para desembainhar um brilhante, reluzente arma, uma Lamina
Runica que parecia ser vermelho quente, em contraste com a Lamento Gélido,
emitindo um gelido brilho azul. As lâminas das espadas se chocaram. Ambas
tentaram empurrar a espada do oponente, tensos pelo esforço; cada um usou sua
espada para impedir o avanço da Lamina Runica do outro. Os segundos se
passaram devagar e Kael'thas sorriu quando seus olhos se encontraram.
- Você reconhece essa Lamina, certo?
Sim. Arthas sabia o nome da espada e linhagem que pertencia fúria das
chamas, Felo'melorn, a Lamina Runica que pertencia a Dath'Remar
Andarilho do Sol, antepassado do Kael'thas, o fundador da dinastia. A
espada era indescritivelmente antiga. Participou da Guerra dos Anciões e do
nascimento dos Alto elfos. Arthas sorriu de volta. Furia das Chamas iria
testemunhar outro evento histórico importante: o fim do último Andarilho
do Sol.
-Oh sim. Eu vi como se dividiu em dois quando foi atingida pela Lamento
Gélido, um momento antes de matar seu pai.
Arthas era fisicamente mais forte e a energia do Rei Lich fervilhava nele.
Com um grunhido de cansaço, o cavaleiro da morte empurrou Kael'thas
para trás, com a intenção de fazê-lo perder o equilíbrio. No entanto, o mago
se recuperou e elegantemente adotou outra posição de ataque, brandindo
Felo'melorn, sem desviar o olhar de Arthas a qualquer momento.-Eu
encontrei ela como você diz, partida, mas eu pedi que a reforjassem.
-As espadas quebradas, mesmo que sejam concertadas permanecem
fracas, onde quebraram Arthas alertou o elfo enquanto realizava um
circulou ao redor, aguardando Kael instante ficasse vulneravel.
Kael'thas riu desse comentário.
—As espadas humanas, talvez. As elfas, não. Não quando se reforjam
combinando magia, odio e una ardente necesidade de vingança. Não, Arthas.
Felo'melorn esta mais forte do que nunca, como eu o sou. E também os
sin'dorei. Somos mais fortes porque mesmo que nos tenham
destroçado...nossa vontade e determinação é ainda maior agora. E a meta que
perseguimos com tanto afinco é ver você cair!
O ataque foi extremamente repentino. Kael estava de pé, reclamando e,
de repente, Arthas estava lutando para salvar sua vida. A Lamento
Gélido colidiu com Fúria das Chamas; o maldito elfo estava certo ... a
lâmina resistiu. Arthas recuou com grande velocidade, fez uma
simulação e, com um poderoso impulso, traçou um arco letal com sua
arma. Kael se afastou de seu caminho e lutou para contra-atacar com
uma violência e agressividade que surpreendeu Arthas, que foi forçado a
recuar; primeiro, um passo; então dois; até que ele escorregou e caiu.
Kael se lançou para ele com um grunhido, pronto para entregar o
derradeiro golpe fatal. Então Arthas lembrou-se das lições que Muradin
lhe dera há muito tempo, e o truque favorito do anão veio à mente. Ele
inclinou as pernas contra o peito e chutou Kael'thas com todas as suas
forças. O mago soltou um grito e caiu de costas na neve. O cavaleiro da
morte ficou ofegante, segurou a Lamento Gelido com as duas mãos e
lançou um golpe no mago.De alguma forma, Fúria das Chamas entrou
em seu caminho. As lâminas de ambas as espadas colidiram em um
abraço apertado. O olhar de Kael'thas ardia de ódio.Mas Arthas era mais
forte e tinha um melhor comando de combate com armas, e ele também
tinha a espada mais forte, não importando o quanto Kael se gabasse do
reformada Felo'melorn. Pouco a pouco, inexoravelmente, como Arthas
sabia que seria, a Lamento Gelido desceria até o pescoço desprotegido
de Kael'thas."Ela odeia você", o elfo sussurrou. Arthas gritou, e a fúria
obscureceu sua visão por um momento, enquanto empurrava a espada
com toda a força.até golpear ... a neve e no chão congelado. Kael'thas se
fora.-Covarde! Arthas gritou, embora soubesse que o príncipe não podia
ouvi-lo.Aquele rato havia se teletransportado no último segundo.Fúria
ameaçou nublar seu julgamento, então ele tentou se controlar. Foi
idiotice deixar Kael'thas deixá-lo daquele modo.Maldita seja, Jaina.
Mesmo agora você me assedia, pensou o cavaleiro da morte.- Para mim,
invencível! Gritou e então percebeu que sua voz estava
tremendo.Embora Kael'thas não estivesse morto, ele não estaria mais em
seu caminho, e essa era a única coisa que importava, forçou seu cavalo
esquelético a virar a cabeça para se juntar à briga novamente e ir para a
câmara do trono de seu mestre.Ele cruzou a multidão de inimigos como
se fossem uma mera colonia de insetos. Quando eles caíram, ele
reanimou-os e enviou-os para lutar contra seus antigos companheiros. A
maré dos mortos-vivos era imparável e implacável. A neve que se
acumulara na base da torre de gelo estava despedaçada e encharcada de
sangue. Arthas olhou para os últimos focos de luta que ainda estavam
ativos. Ele viu muitos elfos de sangue, mas nenhum traço de seu mestre.
Onde estava Illidan?
Então, um movimento rápido e embaçado chamou sua atenção e ele se
virou. Ele rosnou para si mesmo. Era outro Lorde do Horror. Ele estava de
costas para ele, suas asas negras estendidas e seus cascos fendidos na neve.
Arthas levantou a Lamento Gélido.
"Eu já lutei e derrotei outros senhores do terror", resmungou. Vire e me encare,
se tiver coragem, ou fuja para o inferno, demônio como o covarde que você é.
Aquele ser girou lentamente. Chifres enormes coroaram sua cabeça. Seus
lábios formaram um sorriso. Uma bandagem preta esfarrapada cobria seus
olhos. Dois pontos verdes brilhantes apareceram onde os olhos deveriam estar.
-Olá, Arthas.
A voz profunda e sinistra tinha mudado, mas não tanto quanto o corpo do
Kaldorei. Ele ainda era lavanda pálida e usava as mesmas tatuagens e
escarificações. No entanto, as pernas, asas, chifres ... Arthas imediatamente
entendeu o que havia acontecido. Então é por isso que Illidan se tornou tão
poderoso.-Eu vejo você diferente, Illidan. Parece que a Caveira de Gul'dan fez
algo com você.
Illidan recuou a cabeça coroada de chifres. Uma risada sinistra saiu como
um estrondo em sua garganta.
-Pelo contrário, nunca me senti melhor. De certa forma, suponho que
deveria agradecer-lhe por ser como sou agora, Arthas.
Então mostre-me seus agradecimentos não se colocando no meu
caminho', urrou o cavaleiro da morte com um tom de voz de repente frio,
desprovido de qualquer indício de ironia. O Trono Congelado me pertence,
demônio. Vá embora. Deixe este mundo e nunca mais volte. Se você voltar, eu
estarei esperando por você.
—Ambos servimos a nossos respectivos amos, menino. O meu exige
que eu destrua o Trono Congelado. Parece-me que estamos em desacordo —
replicó Illidan, al tiempo que levantaba el arma con la que había combatido a
Arthas una vez.
Suas mãos poderosas, cheias de unhas negras afiadas, seguravam a parte
central da arma, e então a virou com uma agilidade e naturalidade incriveis.
Arthas não sabia o que esperar. Ele tinha acabado de lutar com Kael'thas e teria
sido vitorioso se aquele elfo covarde não tivesse se teletransportado no último
momento e a batalha não tivesse cobrado seu preço. No entanto, nada em sua
aparência indicava que Illidan estava cansado.O sorriso do lorde demônio se
ampliou enquanto ele observava a confusão em que seu inimigo mergulhava. Ele
se permitiu o luxo de por um momento mais continuar habilmente manipulando
aquela arma demoníaca incomum e então adotou uma posição de ataque e se
preparou para lutar.- Não há como voltar atrás! O Senhor do Horror gritou."Seus
soldados estão em pedaços ou fazem parte do meu exército", disse Arthas ao
desembainhar a Lamento Gélido.
Suas runas brilhavam intensamente e a névoa se acumulava no punho. Por
trás da atadura, os olhos de Illidan (que eram muito mais radiantes e de uma cor
verde mais viva do que ele lembrava) se estreitaram quando viram a Lamina
Runica. Se o Kaldorei transfigurado em um demônio possuia uma arma
poderosa, Arthas também.
—Vou acabar com você de um modo ou outro —sentenciou o cavaleiro da
morte.
"Eu duvido", disse Illidan zombeteiramente. Eu sou mais forte do que
você pensa e meu mestre criou o seu! Vamos, peão. Vou despachar o
servidor antes de despachar aquele ser patético. Arthas atacou-o. A
Lamento Gélido brilhou e estremeceu em suas mãos, tão ansiosa para
matar Illidan quanto ele. O elfo não pareceu surpreso com o ataque
apressado e, com muita facilidade, ergueu a espada de dois gumes para
impedir o golpe. A Lamento Gélido havia quebrado espadas antigas e
poderosas, mas desta vez apenas colidiu com aquele metal verde
brilhante.Illidan deu-lhe um sorriso enquanto permanecia firme em sua
posição. Arthas sentiu algum desconforto novamente. O elfo da noite
tinha mudado, absorvendo o poder da Caveira de Gul'dan, como
evidenciado pelo fato de que ele era fisicamente muito mais forte do que
antes. Illidan riu, emitindo um som grave e horrendo; e depois empurrou
com força. Arthas foi forçado a recuar e se ajoelhar no chão para se
defender enquanto o demônio atacava."Que bom que eles viraram a
mesa", disse Illidan.com um grunhido. Talvez eu te mate rapidamente se
você me der uma boa luta, cavaleiro da morte.Arthas decidiu não
desperdiçar saliva respondendo aos seus insultos. Ele cerrou os dentes e
se concentrou em repelir os golpes que estavam chovendo sobre ele.Essa
arma era um redemoinho verde brilhante. Podia sentir o poder da energia
demoníaca que irradiava dela, como ele sabia que Illidan podia sentir a
escuridão sinistra que abrigava Lamento Gélido.De repente, Illidan não
estava mais lá, e Arthas, que havia corrido sobre ele, perdeu o equilíbrio.
Naquele momento, ele ouviu uma vibração e se virou. Illidan estava
voando acima dele, e, batendo suas grandes asas de couro, causou um
vendaval e estava fora de alcance.Eles se entreolharam enquanto Arthas
tentava recuperar o fôlego. Enquanto isso, ele pôde verificar que a
batalha também afetou o Lorde demoníaco. Seu enorme torso de tons de
lavanda brilhava de suor. Arthas se preparou para o próximo ataque;
Lamento Gélido estava pronta para repelir o ataque de Illidan assim que
ele despencasse do céu.
Então o lorde demôniaco fez algo totalmente inesperado. Ele riu, trocou
a arma que segurava nas mãos e, com um movimento fugaz , deu a
impressão de que essa arma estava dividida em duas. Em cada uma de suas
mãos poderosas, ele agora segurava uma espada.
"Aqui estão as lâminas gêmeas de Azzinoth", Illidan anunciou com
grande alegria.
Ele voou ainda mais alto, girando as laminas nas mãos esquerda e
direita; Arthas percebeu que ele lidava com aquelas armas com as duas mãos
com a mesma facilidade.
—Duas magníficas laminas de guerra. Podem ser utilizadas como uma
so arma devastadora... ou, como pode ver, duas. Era a arma favorita de um
guarda da perdição, um poderoso capitão demoníaco que matei faz dez mil
anos. Quanto tempo faz que luta com essa espada tão bonita, humano? Até que
ponto a conhece e a domina?
Essas palavras foram destinadas a semear a dúvida no cavaleiro da morte. Mas
elas conseguiram exatamente o efeito oposto: encoraja-lo. Embora Illidan pudesse
ter possuído sua arma poderosa por um longo tempo, Lamento Gélido estava ligada
a Arthas e ele a ela. Não era uma espada, mas uma extensão de si mesmo. Ele sabia
disso desde a primeira vez que apareceu em uma visão, quando acabara de chegar a
Nortundria. Assim que ele colocou os olhos nela e percebeu que a espada estava
esperando por ele, todas as suas dúvidas foram esclarecidas. Agora ele a sentiu
estremecer em sua mão, confirmando o vínculo que os unia.
As lâminas do demônio brilharam. Illidan desceu sobre Arthas como
uma pedra. Arthas uivou e contra-atacou, apunhalando com mais confiança
do que nunca, erguendo sua espada de baixo para alcançar o demônio, que
descia primeiro de cabeça, na frente de seu corpo. Sabendo o que
aconteceria, ele sentiu a espada rasgar a carne profundamente. Ele a puxou,
estendendo a incisão através do torso do lorde demônio e sentiu uma grande
satisfação quando o velho Kaldorei gritou em agonia.
No entanto, aquele desgraçado se recusou a cair. As asas de Illidan
bateram erráticas e, sem saber muito bem como, conseguiram manter no ar
por um tempo. Então, antes do olhar atônito de Arthas, seu corpo parecia
mudar e escurecer como se fosse feito de uma fumaça negra, roxa e verde
que se contorcia.
- Isso eu devo a você! Illidan gritou. Sua voz original já era grave em si
mesma, mas, de alguma forma, se tornara ainda mais profunda.
Arthas sentiu um calafrio percorrer cada osso. Os olhos do demônio
brilhavam ferozmente na escuridão que girava sem parar, agora era seu
rosto.
-Este dom... Este poder vai te destruir!
Um uivo deixou a garganta de Arthas, que caiu de joelhos. Uma chama de
fogo verde atravessou sua armadura, queimou-o e até diminuiu o brilho azul
de Lamento Gélido por um momento. Acima do grito estridente e
atormentado, ouviu o riso de Illidan. Mais uma vez, aquele fogo cor de bile se
espalhou em cascata sobre ele e Arthas caiu para frente, sem fôlego, mas
quando o fogo desapareceu e ele viu Illidan precipitando-se com a intenção
de acabar com ele, ele sentiu como a antiga Lâmina Runica, que ele ainda
conseguia segurar com grande dificuldade, insistia para que ele se
recuperasse. A Lamento Gélido era dele e ele era dela. Unidos eram
invencíveis. Assim que Illidan levantou as espadas para matá-lo, Arthas
levantou a espada, empurrando-a com todas as suas forças. Ele notou como a
lâmina entrava em contato com aquele corpo, perfurava a carne e percorria
seu interior.
Illidan caiu no chão bruscamente. Sangue jorrou de seu torso nu,
derretendo a neve ao redor dele com um som de assobio. Seu peito subiu
e desceu ao ritmo de seus suspiros irregulares. As laminas gêmeas das
quais ele anteriormente se vangloriara agora eram completamente
inúteis. Ele havia derrubado uma delas quando caiu e a outra estava em
uma mão que não podia nem fechar ao redor do punho. Arthas
levantou-se; Ele ainda sentia um formigamento das brasas do fogo que
Illidan tinha jogado nele. Ele permaneceu observando-o por um longo
tempo, registrando aquela cena com ferro em brasa em sua mente.
Pensou em terminar aquilo, mas preferiu deixar que o frio impiedoso o
fizesse por ele. Enquanto queimava com o desejo de satisfazer uma
necessidade muito mais urgente, ele se virou e olhou para a torre de gelo
que estava imponente acima dele.
Ele engoliu em seco e permaneceu imóvel por um momento, sabendo,
inconscientemente, que algo ia mudar substancialmente. Então ele respirou
fundo e entrou na caverna. Arthas andou quase como se estivesse em transe,
túneis sinuosos que o empurravam cada vez mais fundo nas entranhas da
terra. Algo parecia guiar seus passos e, embora nenhum barulho fosse
ouvido, nem ninguém que ousasse questionar sua presença ali, sentia (em
vez de ouvir) o insistente zumbido causado por algum tipo de energia. A
descida continuou, percebendo como esse poder o atraía cada vez mais para
seu destino. Mais adiante, viu uma luz azul e branca fria. Arthas
aproximou-se dela, reprimindo o impulso de correr, e o túnel deram lugar ao
que ele supunha ser a câmara do trono. Logo adiante uma estrutura foi
erguida que o deixou sobressaltado e sem fôlego.
A prisão do Rei Lich ficava no topo daquela serpentina torre, essa
agulha azul-esverdeada, de gelo brilhante que não era gelo que se erguia
como se fosse perfurar o teto da caverna. Um corredor estreito e sinuoso,
cercando a agulha, levava ao topo. Arthas ainda retinha a energia que o
Rei Lich lhe concedera, de modo que nunca se cansou; No entanto, quando
ele subiu, um pé após o outro, uma série de lembranças indesejadas
pareceu saltar sobre ele como uma multidão de mosquitos. Palavras, frases
e imagens desfilaram em sua mente.
Lembre-se, Arthas, somos paladinos. A vingança não faz parte do nosso
caminho. Se permitirmos que nossas emoções alimentem nossa sede de
sangue, nos tornaremos seres tão desprezíveis quanto os orcs.
Jaina Oh, Jaina Ninguém parece capaz de negar nada a você, muito menos
eu.
Nunca me renuncie, Jaina.
Nunca me renuncie, por favor.
Eu nunca farei isso, Arthas. Nunca.
Ele continuou sua ascensão, sem respirar.
Nós sabemos tão pouco sobre a peste... Nós não podemos massacrá-los
como animais só porque estamos com medo!
Isso me dá uma sensação ruim, garoto. Deixa-a ai. Esqueça essa espada.
Nós vamos encontrar outra maneira de salvar seus súditos. Agora vamos,
vamos voltar para casa e procurar por essa alternativa.
Um pé depois do outro. Para cima, sempre para cima. Asas negras bateram
em sua memória.
Eu vou te dar um último presságio. Lembre-se de que quanto mais você
tentar destruir seus inimigos, mais cedo seus súditos cairão por suas mãos.
Embora essas memórias exigissem sua atenção, em seu coração ele
abrigava uma única imagem, uma única voz, que era mais forte e mais
convincente do que todas as outras, que sussurrava e encorajava:
Você se aproxima meu campeão. Finalmente serei livre, e então chegará o
tempo para a sua ascensão ao poder, para o poder da verdade.
Ele subiu seu olhar sempre fixo no topo, no imenso bloco de gelo azul que
aprisionava aquele que o levara naquela estrada. Chegou cada vez mais
perto, até que parou a poucos metros de distância. Por um longo momento
ele contemplou a figura presa no interior, que só podia ser parcialmente
vislumbrada. Uma névoa veio da grande massa de gelo, o que tornava
impossível distinguir a silhueta.
A Lamento Gélido brilhou na mão dele. Das profundezas daquela prisão,
Arthas vislumbrou um leve clarão em resposta: dois pontos brilhantes de luz
azul.
DEVOLVA A ESPADA, lhe ordenou a voz profunda e áspera que
ressonava na mente de Arthas com um volume insuportavelmente alto.
FECHE O CÍRCULO. LIBERTEME DESTA PRISÃO!
Arthas deu um passo e depois outro; Enquanto avançava, ele levantou a
Lamento Gélido e parou de andar para correr. Este foi o momento para qual
tudo lhe levava. Sem perceber, um rugido estava tomando forma em sua
garganta até que foi liberado quando ele estava prestes a dar um golpe com
sua espada com toda a força.

Uma crise colossal ecoou pela câmara quando a Lamento Gelido


atingiu seu objetivo. O gelo quebrou e pedaços enormes voaram em todas
as direções. Arthas protegeu o rosto com os braços, mas os fragmentos
passaram sem machucá-lo. O gelo que cobria o corpo preso estava caindo
aos pedaços e o Rei Lich soltou um grito e ergueu os braços, cobertos por
armaduras, para o céu. Havia mais uivos e gritos vindos da caverna e
daquele ser; O estrondo foi tanto que Arthas cobriu as orelhas, enquanto um
olhar de nojo apareceu em seu rosto. Era como se o mundo estivesse se
desintegrando. De repente, a figura na armadura que era o Rei Lich pareceu
se despedaçar como sua prisão, desmoronando diante do olhar aturdido de
Arthas.

Não havia mais nada dentro, ninguém. Havia apenas uma armadura de gelo
negro, cujas peças caíram no chão com um estrondo. O capacete, que não protegia a
cabeça de ninguém, parou aos pés de Arthas, que permaneceu observando-o por um
longo tempo, enquanto um profundo calafrio percorreu-o de alto a baixo.
Era aquele fantasma que ele estava perseguindo a si mesmo? Durante todo esse
tempo eu estava perseguindo um fantasma. Teria o Rei Lich estado realmente naquele
lugar? Se não, o que arrancara a Lamento Gélido do gelo? Quem pediu para ser
libertado? Foi ele, Arthas Menethil, que estava trancado no Trono Congelado o tempo
todo?

Essas perguntas provavelmente nunca teriam uma resposta. Mas tinha uma coisa
muito clara. Se a Lamento Gélido estava destinada a ser dele, a armadura também.
Dedos enluvados se fecharam sobre o elmo, de onde se projetavam espinhos, e ele
levantou-o devagar, reverentemente, e então, fechando os olhos, colocou-o na cabeça.

De repente, ele sentiu como se uma corrente estivesse passando por ele, e
seu corpo ficou tenso ao sentir a essência do Lich King entrando nele. Ela
perfurou seu coração, paralisou sua respiração, estremeceu em suas veias,
congelado, poderosa, avançando como uma onda de maré. Apesar de ter os
olhos fechados, ele viu muitas coisas - tudo o que Ner'zhul, o xamã dos orcs,
tinha conhecido, visto e feito. Por um momento, Arthas temeu que toda essa
informação o dominasse; que, no final, o Reo Lich o teria enganado para
chegar lá e assim transferir sua essência para um novo corpo. Ele
imediatamente se preparou para travar uma batalha cujo prêmio era o
controle de seu corpo, mas não houve luta. Apenas uma mistura, uma fusão
de essências. Ao redor dele, a gruta ainda estava em colapso. No entanto,
Arthas mal sabia disso. Seus olhos tremeram convulsivamente por trás das
pálpebras fechadas.
Então seus lábios se moveram. E falou.
Falaram.
Agora somos um só ser.

EPÍLOGO: O
REI
LICH

A quele mundo azul e branco desapareceu da visão de Arthas.


O frio e essas cores puras mudaram, transformadas em tons quentes de
madeira, fogo e tochas. Ele havia feito o que ele disse que faria; ele havia se
lembrado de sua vida, tudo o que havia acontecido antes, e havia refazido o
caminho que o levara a sentar-se no Trono Congelado e a esse estado de sono
profundo.
Mas o sonho não acabou aparentemente. Mais uma vez, sentou-se à frente de
uma mesa comprida e lindamente esculpida que ocupava a maior parte do
Grande Salão dos Sonhos.
E aqueles dois que tinham tanto interesse em seu sonho, ainda estavam lá,
observando-o.
O orc que estava à sua esquerda, velho, mas ainda poderoso, ele procurou seu
rosto e então sorriu; esse gesto fez com que o crânio branco que estava
pintado em seu rosto se estendesse. O menino à sua direita (magro e doentio)
parece-se pior do que Arthas lembrava quando entrara no sonho da memória.
O menino umedeceu lábios pálidos e rachados e respirou fundo como se
falasse, mas foram as palavras do orc que quebraram o silêncio.
—Há muito mais - prometeu.
Memórias inundaram a mente de Arthas, entrelaçando e sobrepondo-se
mutuamente, moldando visões onde o futuro e os passados se misturavam.
Um exército de seres humanos a cavalo, carregando a bandeira de
Ventobravo, lutou ao lado e não contra uma Horda cujas montarias eram
lobos que rosnavam. Eles se aliaram para atacar o Flagelo. A cena mudou e
mudou. Agora, os humanos e os orcs atacavam uns aos outros e aos
mortos-vivos, alguns dos quais gritavam ordens e lutavam sem serem
dominados por ninguém, por sua própria vontade, guerreando lado a lado
com orcs, minotauros de aspecto estranho e trolls.
Quel'Thalas não estava em ruinas? Não, não; a cicatriz que ele e seu
exército haviam deixado era visível. No entanto, a cidade estava sendo
reconstruída.
Agora, as imagens penetravam em sua mente mais rápida,
vertiginosamente, caótica e desordenadamente. Era impossível distinguir o
passado do futuro. Ele teve outra visão, na qual dragões esqueléticos
destruíram uma cidade que Arthas nunca tinha visto antes: um lugar quente e
seco cheio de orcs. E sim, sim, Ventobravo estava sendo atacado por dragões
mortos-vivos. Alguns nerubianos, não, eles não eram nerubianos, não eram
servos de Anub'arak, mas eram parentes deles. Tratava-se de uma raça que
vivia no deserto. Seus servos eram criaturas colossais com cabeças de
cachorro, golens feitos de obsidiana, atravessando a areia amarela brilhante.
Apareceu um símbolo, um que Arthas conhecia: o L de Lordaeron,
empalado por uma espada, porém de cor vermelha, não azul. O símbolo
mudou se converteu em uma chama vermelha sobre um fundo branco. A
chama pareceu tomar vida própria e envolveu o fundo, queimando-o para
revelar as águas prateadas de uma vasta extensão de elemento líquido -
.....um mar
... Algo parecia nublar a superfície calma daquele oceano. A superfície,
perfeitamente plana até então, começou a tremer violentamente, a ferver, como se
houvesse uma tempestade, embora o céu estivesse claro. Um som horrendo, que
Arthas dificilmente reconheceu como uma risada despedaçou seus ouvidos; àquele
som juntou-se aos gritos de um mundo arrancado de seu lugar, arrastado para
enfrentar a luz do dia, uma luz que não via em incontáveis século.
Verde - tudo era verde, escuro, pesadelo. Imagens grotescas dançando em
um canto remoto da mente de Arthas dispararam antes que ele pudesse
segurá-las com força. Ele teve um vislumbre de algo que rapidamente
desapareceu.
Eram chifres? Um cervo? Um homem? Foi difícil saber. Essa figura
personificava a esperança, mas havia certas forças determinadas a destruí-la.
As montanhas ganharam vida, deram passos gigantescos e destruíram
tudo o que teve a infelicidade de cruzar seu caminho. Com cada um desses
passos colossais, o mundo parecia tremer e chacoalhar.
Então ele viu a Lamento Gelido. Pelo menos ele sabia o que era, ele a
conhecia muito bem. A espada girou dando voltas, como se Arthas
tivesse a jogado no ar. Uma segunda espada foi levantada para
encontrá-la, era longa, um pouco áspera, mas muito poderosa, e tinha o
símbolo de um crânio embutido em sua lâmina assustadora. Ele ouviu um
nome, "A Crematória", uma espada que era muito mais que uma espada,
como Lamento Gélido. Ambos entraram em confronto. Arthas piscou e
sacudiu a cabeça. As visões desconectadas, caóticas, encorajadoras e
perturbadoras desapareceram.
O orc riu e o crânio pintado em seu rosto se espalhou. Eles uma vez o
chamavam de Ner'zhul; Ele já possuíra o dom de ver o futuro. Arthas não
tinha dúvidas de que tudo o que ele vira, embora não tivesse entendido
nada, ia acontecer.
"Muito mais", reiterou o orc. -Mas só se você andar o caminho até o
fim.
O cavaleiro da morte virou lentamente a cabeça, coroado de cabelos
brancos, em direção à criança. O menino doente deu-lhe um olhar
surpreendentemente claro e, por um momento, Arthas sentiu algo tremer
dentro dele. Apesar de tudo, o menino não ia morrer.
E isso significava ... O garoto sorriu quase de maneira imperceptível,
e parte de seu aspecto doentio parecia se dissipar, enquanto Arthas lutava
para encontrar as palavras certas.
-Você sou eu. Ambos sou eu. Mas você ... - Ele falou baixinho e sua
voz estava tingida de espanto e descrença - você é a chama fraca que
ainda queima dentro de mim, que ainda resiste ao gelo. Você representa
meus últimos vestígios de humanidade, de compaixão, de minha
capacidade de amar, de chorar de preocupação com os outros.
Você representa meu amor por Jaina, meu amor por meu pai por
todas as coisas que me fizeram ser uma vez. De certa forma, o Lamento
Gelido não tirou tudo de mim. Eu tentei fugir de você e não consegui.
Não, não posso.
Os olhos verdes do menino se iluminaram e ele ofereceu a seu outro
eu um sorriso trêmulo. A cor de sua pele melhorou e, diante dos olhos de
Arthas, algumas pústulas desapareceram.
- Agora você entende. Apesar de tudo, Arthas, você não me
abandonou.
Algumas lágrimas de esperança apareceram nos olhos do menino.
Sua voz, mais forte agora do que antes, tremia de emoção.
-Tem que ter uma razão pela qual eu ainda estou aqui. Arthas
Menethil fez muito mal, porém uma bondade ainda reside em sua alma.
Caso contrário, eu não existiria nem os seus sonhos - apontou ou menino.
Ele escorregou da cadeira e caminhou lentamente em direção ao
cavaleiro da morte. Arthas se levantou enquanto o menino se
aproximava. Por um momento, eles se contemplaram a criança que ele
era e o homem em que ele se tornara.
O menino estendeu os braços, como se fosse um menino de verdade.
Ele pede para ser segurado em seus braços e ser abraçado por um pai
que o ama.
"Não precisa ser tarde demais", disse o menino em voz baixa.
"Não", respondeu Arthas baixinho, olhando para o menino, absorto.
Não precisa.
Ele acariciou a bochecha do menino, deslizou a mão por baixo do pequeno
queixo e obrigou-o a levantar o rosto esperançoso. Arthas viu seu sorriso
refletido em seus próprios olhos.
—Porém o é.
A Lamento Gelido desceu sobre ele. O menino soltou um grito agudo de
surpresa pela traição e angústia (como a fúria do vento que se alastrou além
daquelas paredes). Por um momento, Arthas se viu ali com aquela lâmina
quase tão grande como ele foi enterrada em seu peito, e sentiu um tremor
final do remorso quando se encontrou com seu próprio olhar nos olhos do
menino.
Então o menino desapareceu. Tudo o que restava dele era o lamento
amargo do vento que atravessava aquela terra atormentada.
Foi maravilhoso. Com a morte da criança, Arthas realmente percebeu o
terrível fardo que esse último vestígio de humanidade colocara sobre ele.
Ele se sentiu leve, poderoso, purgado. Imaculado, assim como Azeroth
ficaria. Toda a sua fraqueza, sua fragilidade, tudo o que um dia o fez hesitar
ou duvidar - tudo aquilo desaparecera.
Apenas Arthas permaneceu, a Lamento Gelido, que cantou de felicidade
por ter agarrado o último pedaço da alma de Arthas e o orc, cuja cara de
caveira foi dividida por uma risada triunfante.
-Sim! Exclamou o orc eufórico, rindo quase como um louco. Eu sabia
que você tomaria essa decisão. Por muito tempo você tem lutado com os
últimos resquícios de bondade e humanidade que estavam em você. Mas
isso terminou. Aquele garoto te continha.
Agora você está livre.
Ele se levantou e, embora seu corpo ainda fosse o de um velho orc, ele se
movia com a facilidade e a fluidez de um jovem.
—Somos um só ser, Arthas. Juntos, somos o Rei Lich. Já não existe
Ner'zhul, já não existe Arthas, só este glorioso ser. Com meus conhecimentos,
poderemos.... Os olhos quase sairam das orbitas quando a espada o atravesou.
Arthas deu um passo à frente, enterrando cada vez mais a brilhante e faminta
Lamento Gelido no ser onírico que fora outrora Ner'zhul, o Rei Lich, e que logo
deixaria de existir, não seria nada. Com outro braço ele cercou o corpo do orc e
aproximou seus lábios tanto da orelha verde que o gesto tinha um componente
muito íntimo, tão íntimo quanto o ato de tirar uma vida sempre foi, e será.
—Não-susurrou Arthas—. Nada de poderemos. Ninguem me diz mais o
que eu tenho que fazer. Já consegui tudo que precisava de você. Agora o
poder é meu e só meu. Agora só resta um. Sou o Rei Lich. E estou preparado.
O orc estremeceu em seus braços, aturdido pela traição, e desapareceu.

A xícara de chá quebrou quando caiu das mãos de Jaina, de repente sem
força. Ela engasgou incapaz de respirar normalmente; o frio úmido daquele
dia cinzento tomou conta dela. Aegwynn estava lá e sua mão retorcida se
fechou sobre a de Jaina.
Aegwwynn, o que aconteceu? Ela perguntou com uma voz pesada e
angustiada. Lágrimas inundaram seus olhos de repente, como se ele sofresse
terrivelmente com a perda de algo “Não é sua imaginação", explicou
Aegwynn gravemente. Eu também senti isso. Quanto ao que aconteceu-
tenho certeza que descobriremos.
Sylvanas se sobresaltou, como se o demônio colossal plantado na frente
dela tivesse batido nela. O que ele nunca ousaria fazer, claro. Varimathras
estreitou seus olhos brilhantes. -Minha senhora, o que foi isso? -Ele Sempre
era ele. As mãos enluvadas de Sylvanas se fecharam no punho e abriram
várias vezes seguidas. -Alguma coisa aconteceu. Algo relacionado ao Rei
Lich. Eu senti. Embora não houvesse mais um elo entre eles, pelo menos não
aquele pelo qual ela estava sob o controle dele, ainda pode haver algum
vestígio do que eles compartilhavam antigamente. Algo que a avisou do que
estava acontecendo. "Temos que apressar nossos planos", urrou a
Varimathras. Acho que o tempo tornou-se subitamente uma mercadoria
escassa que não deveria ser desperdiçada.
Durante muito tempo não havia sentido nada. Havia permanecido no
trono, imóvel, esperando, sonhando. O gelo havia chegado a lhe cobrir
enquanto estava quieto como pedra; Não era uma prisão, não, mas sim uma
segunda pele.
Então não sabia o que estava esperando, mas agora sim. Ele havia dado
os últimos passos da jornada que iniciara há muito, muito tempo; o dia em
que as trevas entraram em seu mundo pela primeira vez na forma do pranto
do jovem Príncipe de Ventobravo, que chorava pelo pai morto. Aquela
estrada o levou, através de Azeroth, a Nortrundia, a este Trono Congelado
e a este céu aberto. Procurar nos abismos de seu eu interior e adotar a
decisão de matar aquela criança inocente que o conteve, bem como as
partes de si mesmo que moldaram o menino.
Arthas, o Rei Lich, sozinho em sua gloria e poder abriu os olhos
lentamente. O gelo que lhe cobria se partiu com esse gesto e caiu em
fragmentos diminutos, como se fossem lágrimas congeladas. Um sorriso se
formou sob o elmo ornamentado que cobria seus cabelos brancos e sua pele
pálida. Caia mais gelo enquanto ele despertava, pouco a pouco mudando de
forma, como partículas de uma crisálida de gelo que já não era necessária.
Estava desperto.
—Começou.