Você está na página 1de 7

TOPONÍMIAS

Para Zamariano “A Toponímia possui como eixo central de seus estudos o


signo toponímico (nome próprio de lugar – topônimo), que é o signo linguístico na
função de indicador ou identificador de um espaço (acidente) geográfico”. O que
diferencia o topônimo do nome próprio são as significações deste, o nome próprio
possui a função de identificar, enquanto o topônimo além de identificar, está carregado
de significações, culturais, espaciais e temporais. O ato de nomear lugares geralmente é
movido por alguma influência externa ou interna e realizado de forma aleatória.

Através da análise dos topônimos de um lugar pode-se encontrar uma


variedade de informações referentes a fatores naturais, culturais e históricos de um
povo. Com base nessas informações analisaremos topônimos retirados do livro Noite
Sobre Alcântara do autor Josué Montello, entendemos que, como obra de ficção muitos
topônimos foram criados pelo autor para enriquecer a obra, porém com base em
informações levantadas no museu Josué Montello, muitos topônimos são reais pois o
autor pesquisou a cidade a fim de conhecer suas características. Em visita técnica a
cidade de Alcântara identificamos alguns desses topônimos que serão apresentados a
seguir.

Pinheiro: Pinheiro é um município do estado do Maranhão, Brasil. Localiza-se na


microrregião da Baixada Maranhense, mesorregião do Norte Maranhense. O nome da
cidade é uma referencia a seu fundador Inácio José Pinheiro, nascido em Portugal, que
viajou para o Brasil ainda muito jovem se radicando em Alcântara-MA onde casou e
constituiu família. Pecuarista e fidalgo alcantarense que, segundo a maioria dos relatos,
teria partido de Alcântara em busca de um local para a instalação de uma nova fazenda.
Em 23 de novembro do ano de 1806, seguindo ordens de seu antecessor, Antônio Carlos
Saldanha, havia estabelecido uma povoação entre as terras de Alcântara e Guimarães
denominada Lugar do Pinheiro. No ano de 1855 quando a Lei Provincial n° 370 de 26
de maio criava a Freguesia de Santo Inácio de Pinheiro; e, o de 1856 quando, por meio
da Lei Provincial 439, de 3 de setembro, Pinheiro é elevada à categoria de Vila
(PINHEIRO, 2017).

São Bento: São Bento é um município brasileiro do estado do Maranhão Situado na


Microrregião da Baixada Maranhense, dentro da Macrorregião Norte do Estado.
Localiza-se a uma latitude 02º41’45” sul e a uma longitude 44º49’17” oeste, estando a
uma altitude de 2 metros. Inicialmente foi dado este município o nome de São Bentos
dos Perizes, devido a grande quantidade de cobra, isso mesmo no local havia uma
grande quantidade de juncos e cobras nos seus campos, curiosamente “Peri” em tupi é
junco e São Bento é o protetor contra mordidas de cobras, por corruptela vocabular, o
nome peris cedeu a perises (ou perizes). Devido ao crescimento da população, o arraial
se transformou numa freguesia, criada pela Provisão Régia de 7 de novembro de 1805.
São Bento, depois de freguesia, elevou-se à categoria de vila, isto através da Resolução
do Conselho Geral da Província, de 19 de abril de 1833. No documento de 1833, está
registrado no art. 3.º: “Fica erecta em Villa a povoação de São Bento dos Perizes de
Alcântara, foi elevada à categoria de cidade, como o mesmo nome, pela Lei estadual nº
361, de 30 de março de 1905” (IBGE, 2012).

Ilha do Livramento: O nome completo da ilha é Ilha de Nossa Senhora do Livramento


localiza-se em frente à cidade de Alcântara, e encontra-se situada na Área de Proteção
Ambiental – APA das Reentrâncias Maranhenses. Recebeu esse nome em homenagem a
Nossa Senhora do Livramento, padroeira do primeiro donatário de Alcântara Antônio
Albuquerque Coelho de Carvalho que consagrou a ilha a Santa e mandou erguer uma
capela em pagamento de promessa por salvação de naufrágio numa das viagens à antiga
capitania, atualmente restam apenas às ruínas da capela.

Cururupu: O local onde hoje se ergue a Cidade foi habitado, primitivamente, pelos
tupinambás, tendo como cacique “Cabelo de Velha”, apelidado de Cururupu, origem do
nome da localidade. Entre 1816 e 1835, os indígenas, que escaparam ao massacre de
Bento Maciel Parente, abandonaram a terra, pela impossibilidade de convivência
pacífica. Com a finalidade de desvendar a origem deste nome, muitas investigações têm
sido realizadas, existindo, portanto, duas versões que tentam explicá-la. A primeira é
conhecida lenda que diz ter o referido nome nascido da junção de Cururu, apelido do
cacique Cabelo de Velha, com o som da arma que o matou, daí Cururupu; a segunda
sustenta que a vila tomou este nome de uma fazenda existente a margem esquerda do rio
Curupu, onde fundeavam os barcos a vapor. Sabe-se, porém, que esse vocábulo é de
origem indígena, significando na língua nativa “Cabelo de Velha”. Distrito criado com a
denominação de Cururupu, pele lei provincial nº 13, de 08-05-1835, subordinado ao
município de Guimarães. Elevado à categoria de município com a denominação de
Cururupu, pela lei provincial nº 120, de 03-10-1841, desmembrado de Guimarães. Sede
na antiga vila de Cururupu. Constituído do distrito sede (IBGE).

Guimarães: O nome de Guimarães veio de uma tradição da época de ligar a cidade a


sua homônima portuguesa. A região onde localiza-se a cidade era terra dos índios
tupinambás, centenas deles foram feitos escravos por José Bruno de Barros dono da
fazenda Guarapiranga, que deu início a cidade, em 1755 alegando morar muito distante
da freguesia José Bruno de Barros requereu ao bispo diocesano, D. Antônio de São
José, licença para levantar em sua fazenda uma capela dedicada a São José. Doada à
Coroa, no decurso de 1758, sua fazenda de Guarapiranga foi o ponto inicial do atual
Município de Guimarães. Já no ano seguinte, era fundada a vila, sob a denominação de
São José de Guimarães e logo incorporada à comarca de São Luís do Maranhão
(GUIMARÃES, 2017).

Igreja se São Matias: Igreja Matriz de São Matias, construída em 1648, ano de
fundação da cidade de Alcântara em homenagem ao padroeiro da cidade. No livro noite
sobre Alcântara a igreja foi destruída por um raio em uma noite de tempestade.
Atualmente restam apenas as ruínas.

Largo da matriz: Largo da Matriz é o espaço que circunda a igreja da matriz (Igreja
matriz de São Matias), também conhecido como praça da matriz, o Largo da Praça da
Matriz de Alcântara reúne um conjunto arquitetônico belíssimo, histórico e cultural, que
apresenta toda a riqueza que girava na cidade durante o período colonial. É considerado
um museu a céu aberto devido ao conjunto arquitetônico presente em volta do largo,
bem como o pelourinho e as ruínas da Igreja de São Matias.

Largo do Carmo: O Largo do Carmo é a praça em frente à Igreja de Nossa Senhora do


Carmo, recebeu esse nome devido ao nome da igreja. O Largo ainda abriga as ruínas
dos palácios do imperador, obras que nunca foram concluídas devido o declínio
econômico da cidade.

Ladeira do Jacaré: ladeira que vai dar na praia, composta por pedras cabeça-de-negro
e de cantaria. Essas pedras são chamadas de pedras de jacaré, a preta é irregular e
rugosa e a de cantaria é irregular, polida pelo tempo, sendo encontrada em abundância.
No livro noite sobre Alcântara a ladeira do jacaré mencionada era um antigo porto da
cidade localizado a esquerda da Igreja da Matriz, no início da Rua das Mercês a ladeira
é bem mais íngreme que a ladeira do porto atual, e desse ponto tem-se uma visão
melhor da Bahia de São Marcos e da cidade de São Luís, atualmente não é mais
utilizado e foi tomada pela vegetação.

Beco do Silva: nome de uma ruela, como é tradicional dos habitantes de um lugar
nomear ruas com nome de algum morador do local, o Beco do Silva recebeu esse nome
seguindo essa tradição.

CAROLINA: Localiza-se no sul do Maranhão, às margens do rio Tocantins, teve sua


fase áurea, como a maiorias das cidades ribeirinhas do grande rio, no período que a
navegação foi muito importante para a economia da região como meio de transporte até
início da década de 1960. Em 1809, Manoel Coelho Paredes e Elias Ferreira Barros
vieram até rio Tocantins, onde construíram currais para o gado e se fixaram. Entretanto,
em 1810 abandonaram o local, por pressão de Pinto Magalhães, sob a alegação de que
as terras ali pertenciam ao príncipe. Com isto, Pinto Magalhães tomou conta do lugar e
lhe deu nome de São Pedro de Alcântara, onde ficou até 1816 quando deixou a
povoação, dado a sua decadência. Em 1820, Elias Ferreira Barros vindo de Belém e
vendo a situação do lugar, novamente ali se fixou, conseguindo soerguer a povoação.
Em 1823, o deputado padre Camargo Gleury, em memória de nossa primeira imperatriz,
deu ao novo povoado o nome de Carolina (IBGE).

Caxias: Situada na meso-região do leste maranhense e na micro-região do Itapecuru, o


local onde esta situada à cidade de Caxias foi, primeiramente, um agregado de grandes
aldeias dos índios Timbiras e Gamelas que conviviam pacificamente com os franceses.
Porém, com a expulsão dos franceses do Maranhão, em 1615, os portugueses
subjugaram esses povos e venderam suas populações, como escravos, ao povo de São
Luís. Várias denominações foram impostas ao lugar, dentre as quais: Guanaré –
denominação indígena -, São José das Aldeias Altas, Freguesia das Aldeias Altas,
Arraial das Aldeias Altas, Vila de Caxias e, finalmente, através da Lei Provincial,
número 24, datada de 05 de julho de 1836, fora elevado à categoria de cidade com a
denominação de Caxias. Foi na Igreja de São Benedito que, em 1858, o antístite da
Igreja Maranhense, Dom Manoel Joaquim da Silveira, denominou Caxias com o título:
“A Princesa do Sertão Maranhense” (CAIXIAS, 2018).

Cemitério do Gavião: Fundado em 1855 após uma epidemia de varíola que abateu
metade da população Ludovicense, o cemitério segue o modelo europeu de cemitérios
próximos à igreja. Seu nome deve-se a sua localização, pois fica na antiga Quinta do
Gavião. O cemitério já teve diversos nomes, dentre eles: Cemitério de São José da
Irmandade, quando foi administrado por uma organização Católica chamada Irmandade
da Misericórdia, Cemitério de São Pantaleão que é o nome oficial registrado e
Cemitério do Gavião, nome popular devido à localização (O IMPARCIAL, 2017).

Campo de Orique: Local onde foi edificado o antigo Quartel do 5º Batalhão de


Infantaria erguido em 1797 e, provavelmente, o primeiro do Brasil fica na parte mais
alta e central de São Luís. Possivelmente esse nome faz referencia a uma área da cidade
de Lisboa chamada Campo de Ourique que ficou conhecida por ficar intacta após a
cidade sofrer um terremoto em 1755. Atualmente o local abriga a Praça do Phanteon
(IMIRANTE, 2018).

Rua dos Afogados: Rua localizada na cidade de São Luís segue da Rua do Egito até a
Rua Rio Branco, Já foi chamada de Rua dos Afoga Bugios. A história do nome esta
relacionada ao divertimento dos meninos do passado que afogavam os muitos macacos
que viviam naquela região nas águas do riacho, tudo em nome da diversão. Não
sobraram macacos pra contar historia (O IMPARCIAL, 2016).

Baía de Guajará: situa-se a oeste da cidade de Belém, é um sub estuário e recebe águas
dos rios Guamá, Acará e Moju. Possui comunicação direta com a baia de Marajó e,
devido sua proximidade do Oceano Atlântico, está sujeita a influências das marés
oceânicas. Possui águas barrentas, fortemente amareladas e salobras. Antes da invasão
portuguesa era chamada de Paraná-Guaçu pelos índios Tupinambás que habitavam a
região. Na língua Tupi Paraná tem significado de: semelhante ao mar, e Guaçu significa
grande, nesse contexto podemos interpretar que Paraná-Guaçu significa grande como o
mar, referindo-se ao tamanho da baía (IBGE, 2017).

Rio Paraná: O rio Paraná é um importante rio da América do Sul (principal rio da
Bacia Hidrográfica do rio Paraná), Passa pelo território de três países: Brasil, Argentina
e Paraguai. O nome é Termo indígena de origem geográfica, significa "como o mar" ou
"parecido com o mar" em Tupi, a pronúncia correta originalmente era Paranã, com o
tempo a acentuação da última vogal foi alterada (ITAIPU, 2017).

Maranhão: Estado localizado na região Nordeste do Brasil, O nome Maranhão é de


origem Tupi de gênero masculino e significa mar grande, mar que corre. A região que
hoje é o estado do Maranhão foi dividida pelo rei de Portugal, Dom João III, em duas
capitanias hereditárias em 1535. O local fora doado, mas não foi nenhuma expedição
para lá até que em 1.612 os franceses resolveram por lá se estabelecer. Em 1615, uma
expedição portuguesa partiu da capitania de Pernambuco rumo ao Maranhão com o
objetivo de expulsar os franceses e consolidar o domínio português. expedição foi
liderada por Jerônimo de Albuquerque que tratou de fundar uma cidade junto à fortaleza
erguida pelos franceses. Alexandre de Moura foi capitão-mor da armada que expulsou
os franceses. Ele nomeou Jerônimo de Albuquerque para ser o capitão-mor do
Maranhão, a partir de então, ficando ao cargo deste a fundação e edificação da ainda
cidade do Maranhão (IBGE, 2017).

Praia do Jacaré: Pequena praia onde fica o porto do Jacaré localizado no final da
ladeira do Jacaré na cidade de Alcântara. O nome deriva segundo informação dos
moradores da cidade, das pedras que calçam a ladeira, chamadas de pedra de Jacaré.

Rosário: Teve início por uma pequena povoação, outrora Itapecuru-Grande, na margem
esquerda do rio Itapecuru, onde havia uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário,
que servia de freguesia aos moradores e aos soldados da fortaleza do citado rio. Em
1777, atendendo solicitação do Governador da Província, o Rei de Portugal determinou
a concessão de Congrua (espécie de pensão dada aos clérigos da época) ao vigário dessa
freguesia. A história do município esteve sempre ligada à Igreja Matriz, quando ocorreu
o desabamento do templo em 1866, em consequência de fortes chuvas na região, o Juiz
de Direito de Rosário, Matias Antônio da Fonseca Morato, promoveu coadjuvado por
outros cidadãos obtendo auxílio do Governo da Província, a construção da Igreja que foi
benta a 28 de maio de 1871. O nome da cidade esta ligado ao nome da Santa padroeira
da cidade (IBGE)
Referencias

ZAMARIANO, Márcia. Reflexões sobre a questão do nome próprio na toponímia.


Disponível em:
http://www.cadernosdeletras.uff.br/joomla/images/stories/edicoes/45/diversa5.pdf.>
Acesso: 12 de dezembro de 2018.

IBGE. São Bento Maranhão – MA Histórico. Disponível em:


https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/maranhao/saobento.pdf>. Acesso em: 12
de dezembro de 2018.

CAXIAS, 181 anos de emancipação política. Disponível em:<


http://caxias.ma.gov.br/caxias-181-anos-de-emancipacao-politica/>. Acesso em: 15 de
dezembro de 2018.

O belo e o macabro do Cemitério do Gavião. Disponível em:<


https://oimparcial.com.br/cultura/2017/05/um-passeio-pela-historia-o-cemiterio-
gaviao/>. Acesso em: 15 de dezembro de 2018.

Largo do Quartel: passado e presente da Praça Deodoro. Disponível


em:<imirante.com/oestadoma/online/05052018/pdf/C01.PDF>. Acesso em 15 de
dezembro de 2018.

Conheça a origem dos nomes das ruas e praças de São Luís. Disponível em:<
https://oimparcial.com.br/cultura/2016/09/conheca-a-origem-dos-nomes-das-ruas-e-
pracas-de-sao-luis/>. Acesso em: 15 de dezembro de 2018.

Catálogo. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-


catalogo?view=detalhes&id=426180>. Acesso em: 15 de dezembro de 2018.

Rio Paraná. Disponível em:<https://www.itaipu.gov.br/energia/rio-parana>. Acesso em:


16 de dezembro de 2018.

Maranhão. Disponível em:< https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ma/historico>. Acesso


em: 16 de dezembro de 2018.

Rosário Maranhão – MA, Histórico. Disponível em:<


https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/maranhao/rosario.pdf>. Acesso em: 16
de dezembro de 2018.

Interesses relacionados