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Kai foi um dos poucos sobreviventes ao ataque a vila de Thorm, que ocorreu quando

ainda era bebê, graças ao sacrifício dos exércitos que lá eram treinados, sua mãe
pode fugir e adentrar a floresta, mas sua fuga havia sido por pouco, ferida, teve
de seguir por um dia e uma noite, carregando consigo apenas suas roupas e pequeno
garoto, enquanto caminhava, sua força se esvaía, a lâmina estava envenenada, e por
mais forte que ela fosse e por menor que fosse sua ferida, ela sentia que em breve
não seria mais capaz de suportar...

Porém assim como a luz do sol iluminava seu caminho pela manhã, a jovem mãe
avistou não muito ao longe, uma esperança, um templo, onde era visível seus
habitantes estarem em atividade, um sorriso brotou em seu rosto, e ela com o pouco
de força que lhe restava começou a correr, e chamava a atenção dos monges, mas a
cada passo, e a cada grito, ela notava que ficavam mais e mais fracos, sua
velocidade diminuía, suas pernas perdiam firmeza, ela caiu de joelhos, e só então
com a respiração pesada havia notado o quanto que já havia sido afetava pelo
veneno, olhando para frente, as imagens durvas de um grupo de pessoas vindo ao seu
auxílio, ela voltava o olhar ao pequeno Kai, que retribuía o olhar, e estendia as
mãos em sua direção, mesmo que para outros aquele cenário fosse preocupante, para a
jovem era reconfortante, a inocência da criança nunca permitirá que ela entendesse
o que ocorria com sua mãe, e ela sabia que mesmo que tenha chegado sua hora, a
figura a qual ela depositava seu maior amor e carinho estaria a salvo, ela então se
abaixa, beija a testa da criança, e se deita com calma, com a criança ainda em seus
braços, e com um último abraço, tão delicado e afetuoso quanto seu amor poderia
ser,ela relaxa seus músculos, sente seu corpo amolecendo, e enquanto fechava seus
olhos, ela solta seu último suspiro, o ar leve e quente que saia de sua boca
simbolizava sua centelha de vida se esvaindo...

Em pouco tempo depois, o grupo de monges chegavam ali, todos ofegantes, eles
iam em direção dos dois que se encontravam no chão, e com cuidado mas ao mesmo
tempo apressados, eles os erguiam e levavam para o monastério, anunciando sua
chegada e convocando seus curandeiros, algumas horas se passaram e após diversas
tentativas de reanimar a jovem, eles perceberam que já era tarde, e que talvez a
única coisa que houvesse a mantido forte até ali fosse sua obstinação, mas enquanto
o fim da jornada de sua mãe se concretizava, o início da jornada de Kai apenas
começava.

7 anos após o ocorrido, o garoto estava sendo iniciado nos ensinamentos


monásticos, batizado com o nome do mestre o qual o encontrou, Kai cresceu
aprendendo a tradição e também a riqueza a qual a sabedoria de seus mestres trazia,
ele somava então o conhecimento deles, com a sua esperteza e travessura ao longo
dos anos era visível que mesmo com seu empenho, às vezes seu lado encrenqueiro
tomava conta, como quando em seu tempo livre com 12 anos ele seguia para a
floresta, e atiçava os macacos apenas para o perseguirem e ele de alguma maneira
criativa os despistasse, claro após uma bela corrida entre as árvores.

Nas artes marciais era bem equilibrado nas partes onde tinha facilidade, e
tambem nas que era quase uma negação, ele nunca foi totalmente capaz de seguir o
caminho monástico, sua destreza era boa porém ele nunca havia conseguido deixar um
certo lado bruto, um dos mestres que seguida exatamente o caminho da brutalidade,
Khorin Hoo, um homem alto e bastante peludo, traço natural de sua espécie, os
homens-urso, ajudou o garoto a explorar esse lado, e viu que era muitos mais
compatível a sua personalidade, com 19, começou a mostrar problemas de concentração
e inquietude, e quando questionado havia dito que por mais que o monastério nunca
deixou de passar o sentimento de lar, ele sabia que não era dali, e que não sabia o
nome de seus pais, não sabia verdadeiramente quem era, ele soube do ocorrido a anos
atrás nos arredores da floresta, e sentiu raiva, por mais não tinha memórias
daquilo, quem fez aquilo tirou dele seu lar de origem, e por mais que mau lembrasse
do rosto de sua mãe, ele dizia que recordava bem de sua voz, recordava bem do
barulho de lâminas e gritos toda vez que ia dormir, desde umas noites atrás, Khorin
então disse que se aquilo impedia sua iluminação, seria melhor que saísse atrás das
respostas, a maioria deles somente era capaz de atingir esse ponto após sanar uma
questão que as vezes por mais simples que fosse era pertinente, então mesmo que o
garoto não soubesse ao certo sua pergunta, ele ir atrás de sua resposta, que nosso
interior sempre sabe exatamente o que queremos e exatamente o que questionamos,
cabia a nos buscar passar isso a nosso exterior, por vezes através de uma longa
caminhada, o garoto então aceitou o conselho e pouco tempo depois, partiu, ele
planejando retornar assim que essa resposta fosse conquistada, sabendo que talvez
aquilo pudesse levar um longo tempo...